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Os nossos céus estão repletos de mistérios.
Objetos voadores não-identificados investigados em segredo
por agências governamentais por toda a Europa durante décadas.
Tem havido, e creio que ainda existe,
um grande secretismo sobre os OVNIS,
assim como relutância em falar neste assunto.
Pela primeira vez, reunimos avistamentos e relatos
por todo um continente.
Temos de chegar à verdade,
porque o público tem o direito de saber destas coisas.
Peritos insistem que os avistamentos têm explicações racionais.
Geralmente, podemos pegar nos mais espetaculares avistamentos de OVNIS
e, por trás daquilo, está uma explicação terrestre.
Mas alguns continuam a desafiar o entendimento.
É um objeto que voa e eu não sei o que é.
Serão visitantes de outros mundos ou fenómenos naturais?
E saberão os governos europeus mais do que aquilo que nos revelam?
As respostas poderão estar nas histórias ocultas
dos ficheiros sobre OVNIS da Europa.
Ovnis na Europa
Durante décadas, os governos por toda a Europa
têm reunido ficheiros sobre avistamentos de OVNIS.
Até hoje, muitos destes casos continuam por explicar...
Um caso com OVNIS, investigado pela polícia como agressão...
...um encontro imediato de um piloto a dois mil pés...
...e um vale norueguês,
onde misteriosos fenómenos aéreos têm ocorrido há quase um século.
9 de novembro de 1979 em Livingston, Escócia.
10 horas da manhã.
Num bosque escocês solitário,
Bob Taylor, guarda-florestal de 61 anos, tem um encontro surpreendente.
Ele estava a olhar para o céu
e, à frente dele, estava um enorme objeto em forma de cúpula.
Bolas menores rolam na sua direção.
"Estes objetos pareciam minas navais com cerca de seis pernas."
Esta é a única ocorrência com OVNIS na Grã-Bretanha
a ser investigado pela polícia como uma agressão.
LABORATÓRIO DE CIÊNCIAS FORENSES
Penso que este caso, apesar de ter uma única testemunha,
é, efetivamente, uma de várias ocorrências inexplicáveis.
Era tão invulgar o meu pai falar de naves espaciais ou algo do género.
MAIS AVISTAMENTOS DE OVNIS
Ele foi totalmente sincero e não tinha porque inventar uma história.
Malcolm Robinson é um investigador de OVNIS
que há muito se sente intrigado com o caso de Livingston.
Como investigadores, temos de chegar à verdade,
porque o público tem o direito de saber destas coisas.
O encontro deu-se apenas a 1,6 km da casa de Bob Taylor.
Entretanto já faleceu,
mas Robinson, investigador de OVNIS, tem trabalhado com a família
para desvendar o que sucedeu naquele dia
e tem refeito o percurso que Taylor fez no bosque local.
Era por aqui que Robert Taylor andava naquela manhã.
Foi só quando se aproximou desta clareira
que ficou transfigurado ao ver algo que o deixou totalmente perplexo.
Ele estava a olhar para o céu
e, à frente dele, estava um enorme objeto em forma de cúpula.
Estava ali, totalmente perplexo com o que estava a ver,
e, de repente, o que pareciam minas navais da Segunda Grande Guerra,
projetaram-se violentamente de baixo desse objeto voador
e caíram no chão.
Começaram a rolar pela relva
e as bolas lançaram projeções em forma de bastão em direção a ele
e puxaram-no violentamente pelas ancas para baixo.
Foi por essa altura que ele sentiu um cheiro horrível por todo o lado,
um cheiro a queimado por todo o local,
e, então, perdeu a consciência.
Recuperando a consciência uns 20 minutos mais tarde,
Taylor viu que o objeto desaparecera e cambaleou até casa.
A mulher percebeu de imediato que algo lhe acontecera
e lá acabou por lhe arrancar que fora agredido por alienígenas.
Ela decidiu que ele devia ir ao hospital.
A filha de Taylor trabalhava na farmácia do Hospital de Bangour
quando o pai deu entrada.
Recebi chamadas a avisar-me que o meu pai dera entrada.
A primeira pessoa que vi foi a minha mãe, que disse:
"O teu pai bateu com a cabeça, está a falar de naves espaciais".
Taylor tem cortes nas pernas e parece confuso.
Parecia que...
...alguém tinha usado um disco rotativo, ou triturador, ou assim,
para rasgar-lhe as calças até às ancas.
Não era nada que se imagine a acontecer de uma forma normal.
Também lhe apareceu uma marca no queixo de cerca de 2,5 cm
onde ele foi esfolado.
Dadas as lesões do guarda, a polícia abriu uma investigação criminal.
Investigador de OVNIS nos Arquivos Nacionais Britânicos, Dave Clarke,
já leu a declaração que Bob Taylor deu à polícia na altura.
Tenho aqui alguns extratos do relato policial do caso de Livingston
e este inclui uma declaração
recolhido a Bob Taylor imediatamente após a ocorrência,
sendo que é sempre bom analisar as declarações imediatas
que as pessoas fazem à polícia nestes casos.
Ele disse que o objeto que vira tinha uns 9 metros de altura,
era cinzento, embora tenha a sensação de que o topo se alterara
constantemente de cinzento para translúcido.
No seguimento da sua declaração,
as calças rasgadas de Taylor são enviadas para análise forense.
Os inspetores recolheram amostras e fotografias,
foi feita toda uma investigação pelo departamento criminal.
Uma outra prova é encontrada pela polícia no bosque,
no local do avistamento.
A polícia foi ao local e encontrou marcas misteriosas no chão.
Parecia que um veículo com lagartas andara para trás e para a frente
sobre a relva na tal clareira.
A polícia elaborou um esboço oficial das marcas encontradas.
"Estas indicavam que um objeto de várias toneladas ali estivera
"mas nada revelava que este fora repelido ou afastado."
Não havia nenhuma explicação racional para as marcas,
não foi encontrada nenhuma explicação óbvia para a sua causa.
Parte da relva no interior das marcas fora arrancada.
O topo das hastes da relva tinha sido arrancado
e encontrava-se no interior dos buracos das marcas na relva.
Foi arrebatador,
porque é muito, muito raro cruzarmo-nos com provas físicas.
Mas em 2012, 33 anos após a ocorrência,
surge uma revelação surpreendente do genro de Bob Taylor.
David Hammond atualmente crê que o esboço que elaborou
pode ter induzido as pessoas em erro quanto ao facto do OVNI ter pernas.
A seguir à ocorrência, falei com o Bob
e fiz uns esboços livres à mão do que ele descrevera.
Revi-os com ele bastantes vezes,
tentando pressioná-lo acerca dos pormenores.
Isto é uma foto do Bob pouco depois da ocorrência
e ele tem o esboço original que fiz,
que foi posteriormente trabalhado num desenho mais retocado,
que é este aqui.
Isto representa muito detalhadamente o que ele me descreveu.
Sugeri ao Bob que este objeto, que ele dizia que estava no ar,
e as marcas no chão deviam estar ligados de algum modo.
Ele concordou comigo,
mas depois percebi que fui eu que o levei a essa conclusão,
não foi algo que partiu dele. Senti-me algo culpado com isso.
Se as pernas na imagem do OVNI são produto da imaginação do artista,
poderá haver uma explicação racional para as marcas no bosque?
É possível que as marcas estivessem já no chão antes da ocorrência.
Talvez um veículo de quatro rodas tenha deixado as tais marcas.
O Bob Taylor apareceu, experienciou algo, independentemente da causa,
mas não há uma ligação óbvia entre as duas coisas.
Não provam que uma nave alienígena surgiu, nem nada de extraordinário,
apenas contribuem para o mistério geral.
Terá então Bob Taylor visto realmente alguma coisa?
Ou terá tido ele uma crise ou sofrido de uma alucinação?
Um ano antes desta ocorrência,
Bob Taylor sofrera uma série de enxaquecas inexplicáveis,
razão pela qual foi ao médico e recebeu tratamento.
Nunca perceberam o que as causava.
É impossível determinar agora a causa das enxaquecas de Bob,
mas, na altura, a polícia considerou possível uma teoria.
Uma teoria sugeria
que o Robert Taylor ingerira bagas selvagens no bosque.
Essas bagas denominam-se "Atropa belladonna" e são muito perigosas
porque se as ingerirmos, podemos morrer.
Se as roçarmos na mão ou no pulso,
podemos sofrer de alucinações.
Mas a filha de Taylor tem razões para acreditar
que as bagas não são responsáveis pelo avistamento do pai.
Ele foi jardineiro e guarda-florestal a vida toda,
portanto não comeria nada venenoso, nunca comeria nada disso.
A polícia tinha mais do que a palavra de Bob quanto ao sucedido,
tinha ainda uma prova vital e palpável a ser analisada:
as calças rasgadas.
Estas são as calças que Robert Taylor usou no dia do evento.
Como se pode ver, este rasgão é muito forte
no lado esquerdo das calças.
Mas este tecido é pesado, são até calças policiais.
Como se pode ver, do lado esquerdo das calças há mais um rasgão.
O relatório forense diz explicitamente que não provém
de detritos florestais, de paus afiados, nem de arame farpado.
Ninguém, incluindo o CID conseguiu explicar os rasgões.
Na minha opinião, os rasgões nas calças foram feitos
por um dispositivo que se ligou às calças de Robert Taylor,
puxando-o com muita força para cima.
Taylor ficou sem respostas quanto ao que lhe sucedera nesse dia.
Também o mistério era difícil de aceitar para os habitantes locais
O meu pai passou tempos difíceis em Livingston,
porque algumas pessoas lhe chamavam nomes e se riam dele.
Ele já quase desejava não ter contado nada sobre o assunto.
Mas, apesar dos nomes, o carácter de Bob nunca foi posto em causa
e os investigadores consideraram-no uma testemunha fiável.
Ele apresenta-se como um homem totalmente reto e lúcido,
sem qualquer motivo para inventar uma história desta magnitude.
O que ganharia com isso?
A história dele nunca mudou.
Tudo permaneceu igual ao dia do avistamento.
Ele nunca insinuou que podia ter imaginado aquilo.
Ele acreditava piamente que vira o que dizia ter visto.
Tal faz disto um caso surpreendente,
um caso que, até agora, permanece totalmente por explicar.
O caso de Bob Taylor é para mim um ótimo exemplo
de uma testemunha ocular genuína de um fenómeno inexplicável.
ULTRASSECRETO
CONFIDENCIAL
Nos ficheiros europeus de OVNIS, há casos que desafiam as explicações.
Alguns fenómenos são testemunhados com tanta frequência,
que geram discussões na comunidade científica
e levam a décadas de pesquisa no terreno.
Vale de Hessdalen, Noruega.
No início da década de 80,
centenas de OVNIS são avistados a sobrevoar a paisagem.
Durante um período de dois anos,
os objetos precipitam-se no céu mais de 20 vezes por semana.
Os jornais sugerem que os locais são loucos,
mas as testemunhas têm a certeza do que viram.
Vi uma luz brilhante começar a mexer-se,
depois mais depressa e desapareceu.
O que era...não faço ideia.
Para um cientista, foi o início da missão de uma vida
para desvendar o mistério subjacente aos OVNIS de Hessdalen.
A minha reação quando vi foi..."uau"...
e ponderei o que poderia ser aquilo.
Erling Strand é um perito tecnológico norueguês.
Em 1982, soube de relatos de eventos estranhos em Hessdalen,
um vale de 12 km de comprimento com apenas 200 residentes.
Li sobre isso nos jornais, tal como alguns amigos meus,
e pensámos em ir até lá e tentar avistá-los por nós próprios.
Os locais falavam de objetos brilhantes estranhos,
que voavam a alta velocidade pelo vale.
Jon Arvid Aspås, agora com 76 anos,
estava deitado quando viu um OVNI pela primeira vez em 1982.
Fui à janela ver
e lá estava um objeto iluminado a mover-se.
Passou sobre o vale, para além das casas, lentamente para norte,
a brilhar com uma força colossal.
Têm sido avistados OVNIS neste vale desde o início do século XX,
mas no começo dos anos 80 surgiram com uma regularidade alarmante.
Parece-me que o que é interessante e importante nisto
é o facto dos avistamentos dos OVNIS
parecerem acontecer regularmente.
Sucederam-se muitos durante um longo período.
Registaram-se dúzias, se não mesmo centenas de avistamentos.
Apesar do frenesi de atividade,
a imprensa norueguesa recusa-se a acreditar nas histórias locais.
Os locais, lá, tiveram reações distintas,
alguns tiveram medo.
O mais frustrante para os habitantes locais
era a má-língua,
os jornalistas a escreverem coisas estranhas sobre estas pessoas.
Um jornal nacional fez, inclusive, uma partida à aldeia,
enviando-lhe um presente invulgar.
Mas o professor Strand está ansioso por investigar.
Em setembro de 1982, reúne um grupo de jovens cientistas
e acampa no vale gélido.
25 de Septembro de 1982
Da primeira vez, lembro-me muito bem, não esperávamos ver nada.
Claro que lêramos nos jornais...
Subitamente, a equipa depara-se com um avistamento espetacular.
Ali estava, ocorreu.
Uma luz brilhante e enorme na paisagem.
Estava a uns 10 a 15 metros acima do solo,
estimámos que tivesse uns três metros de tamanho.
O colega de Strand fotografa o OVNI para assegurar provas da ocorrência.
Moveu-se ao longo de alguma distância, não muita,
voltou a parar e assim esteve durante quase duas horas.
A minha reação quando vi foi..."uau"...
e ponderei o que poderia ser aquilo.
O grupo observa enquanto o objeto paira sobre o vale
até que, por fim, desaparece.
Esta foi a primeira foto tirada
com esta luz a pairar sobre a colina.
O avistamento, registado nesta foto,
desencadeia uma vida de devoção aos fenómenos aéreos misteriosos.
O projeto Hessdalen teve início no verão de 1983.
Levámos a cabo alguma investigação,
recolhemos instrumentos,
obtivemos apoio de algumas universidades
e o exército cedeu-nos alguns instrumentos.
Levámos muitos instrumentos para lá.
De modo a que a investigação fosse levada a sério pelos cientistas,
o professor Strand decide não usar a palavra OVNI.
Sempre que se usa a palavra OVNI,
toda a gente fica cética, sobretudo os cientistas.
Por isso decidimos mudar o termo, usar outro,
e optámos por "Heestrand phenomena"
e isso ajudou muito com a comunidade científica.
Equipados com um pequeno radar,
a equipa fica abismada com os resultados.
Era uma quantidade enorme de avistamentos
em Hessdalen.
Podia chegar às 20 observações semanais.
O radar media a luz,
que viajava a 30 mil km/hora.
Seguíamos algo que não víamos.
Enquanto luz, não era avistada de todo.
Há lá qualquer coisa, que estava presente no vale,
mesmo que não vejamos nada.
Ainda que os fenómenos sejam invisíveis ao olho humano,
são detetáveis por radar, movendo-se a velocidades incríveis.
Mas o que são?
Uma das muitas teorias avançadas é a do raio globular.
O raio globular é algo não inteiramente entendido pela ciência.
É algo que foi observado por muitas testemunhas credíveis
e que se move muito rapidamente
a velocidade de uns metros/segundo até centenas de metros/segundo.
O físico atmosférico Grant Allen analisou as fotos de Hessdalen.
Nas fotos que vi de Hessdalen, o céu está bastante limpo,
pelo que não se assemelha a raios globulares.
Os raios globulares, de acordo com os relatos de testemunhas,
tendem a durar de alguns segundos a dezenas de segundos.
É um fenómeno de curta duração e dissipa-se rapidamente.
O que confunde a equipa de Strand
é o facto das luzes em movimento assumirem muitas formas distintas.
Descobrimos
que há diferentes tipos de fenómenos.
ULTRASSECRETO
O projeto identifica três tipos diferentes de avistamentos:
raios brancos ou azuis,
luzes amarelas disformes
e uma série de aparições menores que parecem voar em formação.
Quanto mais estudamos, mais misterioso se torna.
Mas conforme o projeto reúne ocorrências, o desastre acontece.
Em 1985 só obtivemos uma observação
e, claro, ficámos muito desiludidos.
Nem os locais voltaram a mencionar relatos,
pelo que pensámos que este longo período de atividade
tinha terminado.
Passado um ano de investigação, as luzes desaparecem misteriosamente.
A hipótese de desvendar o fenómeno
esvai-se com o arquivamento do projeto...
...até que estranhas ocorrências no vale, oito anos mais tarde,
reintroduzem os OVNIS de Hessdalen de volta à vida de Erling.
As pessoas vieram ter comigo a dizer: "Continua a acontecer".
1993, Noruega.
Um projeto para desvendar os misteriosos avistamentos de OVNIS
na comunidade remota de Hessdalen, permaneceu dormente por oito anos.
Cansados de serem ridicularizados pelos jornalistas,
os locais deixaram de falar sobre objetos voadores.
Mas tudo isso estava prestes a mudar.
As pessoas vieram ter comigo a dizer:
"Continua a acontecer, mas deixámos de falar disso
"devido à má-língua nos jornais."
Então, pensei em voltar a recomeçar o projeto de Hessdalen.
Jan Moen vive no vale há 56 anos.
Enquanto local, está familiarizado com os fenómenos misteriosos.
Alguém viu a luz no chão,
outra pessoa viu-a de dentro de um carro
e outra pessoa ainda viu-a no céu
a mover-se tanto lenta como muito rapidamente.
As pessoas não sabem o que é.
O projeto inicial deixou Strand com mais perguntas do que respostas,
mas quase uma década depois,
usa novos contactos com a comunidade científica europeia
para reunir uma equipa de topo de peritos.
Quando recomeçámos o projeto,
foram mais os cientistas estrangeiros que se interessaram.
Temos uma boa colaboração
tanto com cientistas italianos como franceses.
Fundamental na equipa é o engenheiro eletrónico Bjorn Gittle Hauge.
A minha especialidade é a radiação eletromagnética,
radares e a análise do espetro ótico.
Na altura, ainda não tinham muitos dados.
Tendo assegurado fundos,
a equipa sedia-se permanentemente no vale.
É erigido um contentor de 9,20 metros quadrados
para monitorizar as luzes no vale 24 horas por dia.
A base tornar-se-ia conhecida como "a caixa azul".
A caixa azul estava equipada com um sistema de câmaras
e foi especialmente programada para reagir aos fenómenos de luzes.
Em 1999, as câmaras de vigilância da caixa azul têm sorte
e registam estas imagens incríveis.
Mas a equipa quer mais do que registar apenas um OVNI em filme,
quer descobrir o que é.
Começam assim em busca de pistas na atmosfera.
Queríamos descobrir
se havia um novo tipo de interferência na atmosfera
que desconhecêssemos.
Com o apoio do Instituto de Radioastronomia de Itália,
a equipa instala um novo radar de altas frequências na caixa azul.
O equipamento italiano
foi feito para detetar qualquer tipo de matéria ionizada.
A investigação centrava-se agora numa teoria em particular:
que os fenómenos aéreos podem ser bolsas de plasma na atmosfera.
Já toda a gente viu plasma. Vê-se nas luzes de néon
e também há as bolas de plasma,
em que se vê luzes brilhantes misteriosas numa bola de vidro.
No fundo é um gás excitado
ou seja, o gás tem uma carga elétrica e isso fá-lo brilhar.
Plasma é gás ionizado,
o que significa que tem partículas altamente eletrificadas.
Isso torna-o bom condutor
e possibilita que reaja fortemente aos campos eletromagnéticos.
O exemplo mais icónico na natureza é a espetacular aurora boreal.
Mas a equipa não tem provas da existência de gás ionizado no vale.
Então, em 2007,
um trabalho no terreno rende a maior revelação até à data.
Havia boas condições atmosféricas,
eram cerca das 21h30 e, de repente...
Imagens Reais - 2007
Este vídeo foi feito com cientistas abismados a assistir ao fenómeno.
Uma enorme luz surgiu enquanto eu estava a filmar...
...e movia-se de um lado para o outro.
Toda a gente gritava.
Foi então que conseguimos esta imagem.
Depois voltou a desaparecer e tudo ficou sossegado,
mas o radar continuou a registar, o radar revelava ecos.
Havia qualquer coisa ali.
Imediatamente, a equipa produz o espetro ótico da foto.
A imagem ótica divide a luz nas diferentes cores do espetro.
A quantidade de cada cor revelada
dá à equipa informações novas sobre a origem da luz.
O engraçado foi que apresentava as cores todas, como o Sol.
E o espetro contínuo que registámos
indica que se deve tratar de algo como uma estrela.
Os dados sugerem que os fenómenos podem não ter qualquer tipo de massa
sendo apenas luzes estelares a sobrevoar o vale.
Esta é a foto que apresenta
o ângulo apertado durante o movimento.
Se isto tivesse massa, não deveria ser possível
fazer um ângulo tão apertado a esta velocidade.
Mas a equipa de Strand continua sem provas sobre o que o fenómeno é
nem de onde virá.
Há quem diga
que há um novo mecanismo na Física.
Há quem diga que é uma parte do nosso mundo
ainda por descobrir.
Se me perguntarem se há uma explicação credível
para os avistamentos relatados em Hessdalen,
desconheço algo na ciência atmosférica que gere luzes no céu,
pelo menos do que conseguimos ver pelas fotos.
Os fenómenos de Hessdalen continuam a ser avistados até hoje
e enquanto se derem no vale,
Erling Strand tentará desvendar o mistério de uma vez por todas.
Espero que consigamos descobrir o que é,
porque nunca ninguém descobriu a resposta ao que é.
Se for algo da nossa natureza,
se for algo do nosso universo,
será algo novo que iremos descobrir.
Mas a investigação já atingiu um objetivo importante.
No início dos anos 80, as pessoas achavam-nos loucos,
eram os média, os jornais.
Mas os cientistas
começaram a usar instrumentos aqui em Hessdalen
e disseram que havia algo.
Há já tantos anos que vivem com aquilo
que já não há motivo para ter medo.
17 de junho de 1977, base aérea de Tancos, Portugal.
Um voo de rotina para José Francisco Rodrigues,
um piloto da Força Aérea Portuguesa.
11 horas da manhã,
as rodas deste Dornier 27 levantam da pista.
O que Rodrigues não sabe é que, na hora seguinte, terá o papel central
num dos encontros com OVNIS mais extraordinários da Europa
e que terá sorte em escapar com vida.
Professor Joaquim Fernandes Historiador, Universidade Fernando Pessoa
Rodrigues encontra-se agora reformado do exército
e já não fala sobre esta ocorrência chocante,
mas o seu caso foi alvo de uma investigação
por parte da Força Aérea portuguesa.
O investigador de OVNIS Francisco Corrêa
teve acesso aos ficheiros militares da ocorrência.
Este é um Dornier 27,
um avião exatamente igual ao pilotado por Francisco Rodrigues.
No dia do encontro, ele pilotava sozinho.
O Dornier 27 é um avião ligeiro alemão de um único motor,
popular entre os pilotos pela sua manobrabilidade aérea.
Apesar de só ter 23 anos, Rodrigues era um piloto com experiência,
um sargento com mais de 800 horas de voo no currículo.
Rodrigues voava sobre Castelo de Bode,
uma barragem hidroelétrica a 136 km de Lisboa.
A menos de uma hora da descolagem,
repara num objeto escuro no meio das nuvens.
Fala por rádio com a base
para saber se mais algum avião sobrevoa a área.
Ele contactou a torre e a torre não tinha nada no radar
e ele iniciou uma volta à esquerda.
Rodrigues reposiciona o avião para ver melhor o objeto.
Então, quando estava quase a completar a volta, grita.
A torre de controlo ouviu o grito.
A 2 mil pés, Rodrigues depara-se com algo totalmente inexplicável.
À esquerda, viu um grande objeto redondo e escuro
de uns 12 a 15 metros de largura.
Ficou ali por uns cinco a seis segundos
e depois...foi-se embora.
Quando o OVNI desaparece, o Dornier começa a vibrar violentamente.
Subitamente, a bússola magnética gira descontroladamente
e a uma altitude de dois mil pés,
o avião começa a cair drasticamente a pique.
O motor do avião ainda funcionava, mas ele não conseguia controlá-lo.
Estava desesperado e em pânico a tentar controlá-lo.
Com o solo já perto, Rodrigues luta por recuperar o controlo do avião.
Abre a válvula do combustível numa última tentativa de nivelar o avião.
Mesmo sobre a barragem, consegue estabilizar o Dornier.
Francisco Corrêa veio à barragem de Castelo de Bode,
onde duas testemunhas assistiram à dramática queda.
Havia aqui dois pastores
que viram o avião e viram-no a cair a pique
e depois viram-no desaparecer por trás daquela colina
e depois viram...
...quando o piloto desligou o motor e voltou a ligá-lo,
fez...
e então viram o avião a levantar de novo sem qualquer dificuldade.
Em terra, o piloto é submetido a um exame médico rigoroso.
Apesar de abalado, está em boa forma física
e comunica imediatamente o avistamento do OVNI a superiores.
Os pilotos ficam frequentemente relutantes
quanto a falarem de avistamentos de OVNIS.
Receiam ser ridicularizados
e receiam sofrer consequências adversas nas suas carreiras.
Mas a Força Aérea portuguesa leva o comunicado a sério
e inicia uma investigação rigorosa sobre a ocorrência.
Trinta e cinco anos após o avistamento do OVNI,
o historiador Joaquim Fernandes teve acesso aos ficheiros militares.
Esta é a declaração de Francisco Rodrigues no caso de Castelo de Bode.
Uma carta da Força Aérea, como aqui podem ver,
um sumário do caso, o caso do Rodrigues,
e a declaração do piloto,
denunciando o avistamento de um objeto voador não-identificado.
Rodrigues descreve o objeto como tendo até 15 metros de largura,
mais três metros do que o Dornier.
E ainda um esboço do objeto
que emergiu das nuvens
e que se encontrava a seis ou sete metros do avião.
Foi uma experiência assustadora.
O primeiro mistério:
porque não apareceu no radar um objeto voador àquela altitude?
Chris Morshead foi técnico de radar na Royal Navy durante 30 anos
e tem absoluta confiança na tecnologia.
No que toca a detetar objetos,
o radar é bem mais preciso do que o piloto.
A essas altitudes, seria extremamente invulgar
que algo físico surgisse em frente ao piloto
e não fosse detetado pelo radar.
A uma altitude de dois mil pés, o OVNI deveria ter sido detetado.
Mantém-se assim a hipótese de que o que o piloto viu
não ter sido, de todo, um objeto sólido.
É frequente darem-se condições atmosféricas,
em que se podem dar ilusões de ótica
e que dependem do piloto, das condições de luz,
das condições atmosféricas à sua volta e ao que ele vê efetivamente.
Pode ser bem fácil enganarem-se.
Desde os anos 50 que muitos avistamentos de OVNIS por pilotos
foram frequentemente explicados com estranhos fenómenos atmosféricos.
Podem acontecer miragens devido a diferenças de temperatura,
coisas assim que podem criar ilusões de ótica,
levando a crer que há algo ali que, na verdade, não há.
Uma miragem é gerada quando diferentes camadas da atmosfera
têm diferentes temperaturas, ou seja, o ar tem densidades distintas.
É como mergulhar uma colher num copo de água,
vemos a colher de metal dobrada.
Acontece o mesmo com a luz que atravessa a atmosfera
com camadas de densidades diferentes.
Assim os objetos à distância podem parecer no horizonte distorcidos,
podem parecer-nos mais próximos ou mais afastados.
Mas uma miragem não responde à questão mais intrigante de todas:
Porque é que o Dornier, um avião conhecido pela sua manobrabilidade,
caiu a pique tão inesperadamente estando o motor operacional?
O professor Raul Berenguel explica a dinâmica do voo.
Há baixa pressão sobre a asa
e sob a asa alta pressão.
As asas são desenhadas
para que o ar se mova mais depressa acima desta do que abaixo.
O ar mais lento sob a asa tem uma pressão superior,
o que dá altura ao avião.
Se este fenómeno se deslocar a alta velocidade
ao lado do avião,
leva a que este perca a altura.
Então, o avião cai.
Um jato a alta velocidade podia provocar a queda do Dornier,
mas não explica porque a bússola girou tão descontroladamente.
Para que a bússola girasse àquela distância,
era necessária uma força, um campo magnético,
gerado por este objeto
e que envolva o avião.
Um avião normal, ou um jato,
não gera um campo magnético assim.
Fosse o que fosse, o objeto permanece um mistério.
É um objeto que voa e não sei o que é,
portanto é um OVNI.
Mas há algo mais nesse dia que dá um toque intrigante à história.
17 de Junho de 1977
Enquanto Rodrigues cai a pique,
os trabalhadores da barragem de Castelo de Bode têm uma emergência.
Na mesma altura em que o piloto Rodrigues caía com o avião,
esta barragem hidroelétrica sofreu uma quebra de energia inexplicável.
A corrente na barragem foi restabelecida,
mas mantém-se a questão se estes estranhos eventos estão ligados,
acrescentando mais um nível de mistério
a uma questão que pode nunca ser totalmente respondida.
A questão relativa aos OVNIS é muito interessante.
Enquanto engenheiro, sou muito cético,
creio sempre haver uma explicação racional.
Por vezes há situações em que não conseguimos explicar o problema.
Se os fenómenos avistados
são ou não naves espaciais vindas de outro mundo...
...quem sabe? Pessoalmente, custa-me a crer que assim seja.
Penso que deve ser um fenómeno natural que não identificámos.
Tradução: Mafalda Abreu
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