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Original subtitles

Repous�mos, o meu amor e eu...

... sob o salgueiro-chor�o.

Mas agora repouso sozinha...

... e choro junto � �rvore que bendigo.

Canto "� salgueiro das lam�rias"...

... junto � �rvore que chora comigo.

Canto "� salgueiro das lam�rias"...

... at� voltar o meu amor antigo.

NORTE DA CALIF�RNIA

A vossa aten��o, por favor.

Poder�o comer em breve, mas primeiro,

a noiva pediu-me para falar. Julguei que estivesse a brincar.

Porqu� atrair tamanha cat�strofe

para o seu casamento?

Mas, como ela explicou: "N�o, c�us. N�o � para o casamento,

� para a prova."

Jantar de ensaio, por amor de Deus!

Reclamo o meu direito como ingl�s ligeiramente b�bedo, cheio de jet lag,

de dizer aquilo que me vai na cabe�a.

Quero avisar-vos a todos.

Voc�s, jovens, n�o fazem a m�nima ideia

do que vos espera.

Uma estat�stica terr�vel:

sabiam que quase metade dos casamentos atuais

n�o acaba em div�rcio?

Ou seja, h� uma forte probabilidade de assistirem � morte um do outro.

E esse � o final prefer�vel.

Amar verdadeiramente outra pessoa

� aceitar que o trabalho de a amar

vale a dor da sua perda.

E pronto.

� tudo.

E, se isto vos assusta tanto quanto me assusta, sugiro que fujam.

V�o drogar-se numa praia em Bali,

tenham uma vida introspetiva!

Fujam enquanto podem! S�o jovens, s�o fortes.

O mundo �...

N�o, a s�rio, recus�mos ficar aqui.

- Ela recusou. - Nem sabia que pod�amos ficar aqui.

H� tr�s suites no castelo, e o Jack queria ficar aqui.

- S� uma noite. - Antes da lua de mel.

S� amanh�, ap�s o copo-d'�gua, para podermos dormir l� em cima.

Mas n�o quis, n�o depois daquelas hist�rias.

Espera, s� as hist�rias?

- N�o a viste? - N�o! C�us, n�o a vi.

Se visse uma freira morta a chorar pelos cantos,

n�o nos casar�amos aqui.

� s� uma hist�ria. Isto foi um convento durante umas d�cadas, desde os anos 40.

Faz parte do pacote de vendas. Cobram mais pela hist�ria do fantasma.

Adoro uma boa hist�ria de fantasmas, mas n�o quero dormir numa.

A nossa lua-de-mel foi na Irlanda.

Mandaram-nos ter cuidado com o Seamus, o rapaz da estrebaria.

� Seamus.

Dizem que levou um coice de um cavalo e ficou com a cabe�a esmagada.

- � pior se o fantasma for uma crian�a. - Acrescenta algo, n�o �?

Eu tenho uma hist�ria.

Bem,

n�o � propriamente minha.

� de uma pessoa que conheci.

E n�o � propriamente curta.

Parece que temos tempo suficiente e vinho suficiente.

Porque n�o?

Muito bem.

Hist�ria de fantasmas.

Repito, esta hist�ria n�o � minha,

mas est� repleta de todo o tipo de fantasmas.

E, se uma crian�a causa mais frisson,

torna tudo mais arrepiante...

... o que dir�o de duas?

LONDRES

A professora era, por op��o, uma jovem solit�ria.

Apreensiva, foi a Londres responder pessoalmente a um an�ncio

de um tal lorde Henry Wingrave, em rela��o ao seu sobrinho e sobrinha,

que precisavam de uma au pair.

Um trabalho a tempo inteiro. Interna, ainda por cima,

na antiga casa de fam�lia do lorde, em Essex.

Uma �tima casa grande,

isolada no campo.

- Mna. Clayton, certo? - Trate-me por Dani. Ol�.

Por favor, sente-se.

- � professora? - Sim.

Melhor, era.

Dava o quarto ano.

Nos Estados Unidos.

Est� em Inglaterra h� muito?

H� uns seis meses.

Seis meses? Durante esse tempo...

Bem, apaixonei-me completamente por Londres.

C�us.

Ch�? Caf�?

N�o, obrigada. Ainda n�o sei fazer ch�.

Estou habituada a servi-lo de um jarro. Cheio de cubos de gelo.

E lim�o partido em quartos.

Aqui � completamente diferente.

Sim, �.

N�o tem qualquer experi�ncia como au pair.

Bem...

Tenho muita experi�ncia com crian�as, Sr. Wingrave.

Numa sala de aula, mas este � um trabalho a tempo inteiro.

Eu sei, foi por isso que respondi ao an�ncio.

As crian�as s�o maravilhosas. Excecionais. A minha sobrinha e o meu sobrinho.

Crian�as excecionais, como eu disse.

Mas s�o ambas um desafio.

O Miles, o meu sobrinho, voltou mais cedo do col�gio interno.

Precisa de estrutura,

disciplina, mais do que nunca.

Porque o mandaram para casa? O segundo per�odo...

Teria de lhe dar aulas, para ele n�o ficar para tr�s.

Nesse aspeto, a sua experi�ncia como professora pode ser �til.

O mesmo se passa com a Flora, a minha sobrinha.

Tamb�m teria de ensin�-la.

O seu an�ncio mencionava que teria de viver no campo.

Em Bly,

na casa de campo da minha fam�lia.

As crian�as est�o habituadas a Bly, elas... passavam l� as f�rias com os pais,

antes de eles morrerem.

A mans�o � uma �tima casa grande.

Trabalham l� outras pessoas.

Um cozinheiro, uma jardineira. Esses vivem na vila.

H� uma caseira, mas as crian�as seriam responsabilidade sua,

exclusivamente sua.

N�o me procure, a menos que seja uma emerg�ncia.

Sou uma pessoa muito ocupada.

Compreendo.

Sabe, uma das tarefas mais especiais que me deram na escola

tinha que ver com crian�as com maiores necessidades. Uma at� perdeu os pais...

Qual � o sen�o?

Perd�o?

O sen�o. Tem que idade?

Trinta?

Vinte e poucos?

Pergunto-me

qual ser� o sen�o.

� mais nova do que a maioria das candidatas.

O que leva uma mulher da sua idade

a querer desistir da vida dela para cuidar dos filhos de outra pessoa?

Uma vida na Am�rica, ainda por cima. E a tempo inteiro.

Eu acho estranho, para ser franco.

Eu tamb�m acho.

O an�ncio.

Trabalho a tempo inteiro, numa casa de campo linda, e duas crian�as incr�veis.

Mas vi o seu an�ncio h� seis meses.

Quando cheguei a Londres. E vi-o todos os meses desde ent�o.

Parece-me uma vaga f�cil de preencher.

Pelo menos, como a descreveu.

Deduzo que tenha raz�o.

Qual � o sen�o?

De facto, � essa a quest�o.

Obrigada.

Ol�, James.

Sei que n�o consegui o trabalho e isso n�o faz mal.

Mas nunca tive uma entrevista t�o constrangedora.

Acho que dev�amos fazer um brinde, Sr. Wingrave.

Ou prefere no ch�?

Ent�o, j� me pode contar, n�o pode?

Sinceramente, estou muito curiosa.

Sobre o qu�?

O sen�o.

- N�o. - N�o, v� l�!

Bem...

� imagina��o, deduzo.

Ningu�m quer o trabalho.

Ora, ningu�m?

Encontr�mos algu�m durante algum tempo.

No ver�o passado.

Uma jovem promissora.

Os meninos gostavam dela.

E depois ela...

Bem, a verdade � que morreu.

A culpa foi dela, sinceramente.

Foi escolha dela, para ser mais claro, mas morreu na propriedade.

As pessoas s�o supersticiosas, especialmente no campo.

E agora falam disso.

Uns mi�dos naquela casa enorme, cujos pais morreram.

E, agora, a governanta morreu tamb�m.

N�o lhes interessa que os pais morreram no estrangeiro e a governanta se suicidou.

Portanto, sim, a hist�ria precede o trabalho,

pelo menos, em todas as ag�ncias. Agora, ningu�m quer o trabalho.

Supersti��o,

imagina��o.

E a menina?

Qual era o seu sen�o?

Eu...

... tinha de sair de casa.

Alguma vez deu aulas a 25 crian�as?

N�o, com certeza que n�o, infelizmente.

Bem,

apegamo-nos a elas.

Adoramo-las.

At� as piores.

Adoramos mesmo.

E tentamos ajudar...

... mas s�o muitas.

E eu sou s� uma. Por isso, acabamos...

O an�ncio dizia duas crian�as.

N�o sei os detalhes, mas sei lidar com crian�as.

Talvez fa�a diferen�a.

A s�rio. Podia fazer diferen�a. Uma verdadeira diferen�a.

Com apenas duas.

Depois, reparei que o trabalho era a tempo inteiro, como interna.

Ent�o, percebi. Eles perderam algu�m.

Eu sei o que � a morte.

Sei o que � perder algu�m.

Vou ficar mais algum tempo em Inglaterra. Muito tempo, na verdade.

Arranjei emprego.

Sim, vou ficar � experi�ncia, pelo menos, at� ao fim do ver�o.

Mas pode durar...

Sim, � mais tempo do que disse, mas arranjei um emprego.

N�o estou.

N�o estou a fugir de nada.

Magoa-me quando dizes isso.

Sabes que isso me magoa.

Enfim...

... podes contactar-me quando chegar � casa.

Ligo-te quando tiver o n�mero.

Adoro-te, m�e.

- Mna. Clayton? - Sim.

- Owen. - Ol�.

- Muito prazer. - Igualmente.

- Eu ajudo. - Sim.

- Tenho umas malas. - N�o h� problema. Obrigado.

Obrigada.

Desculpe l�. Estradas rurais.

- Quanto tempo dormi? - Algum.

- Ainda est� no fuso dos EUA? - N�o.

N�o tenho dormido muito ultimamente.

Os albergues n�o s�o muito tranquilos.

Aqui � muito mais sossegado.

- � lindo. - Acha?

- O qu�? - Sinceramente, j� nem sei.

Nasci em Bly.

Na vila, n�o me refiro � mans�o.

Estive uns tempos fora, em Fran�a.

- O qu�? - Estudei culin�ria.

Pensei que era um mero motorista.

N�o, s� �s vezes, quando o Henry me pede.

Para ser sincero, sou p�ssimo motorista.

Mas cozinho bem.

Porque voltou?

- De Fran�a? - Pela fam�lia.

E este trabalho paga as contas, enquanto estou aqui. E estou perto.

H� fins do mundo piores, garanto-lhe.

Nunca gostei de Bly.

As pessoas daqui, a maioria delas,

nascem e morrem aqui.

A vila � um po�o gravitacional.

E � f�cil ficarmos presos.

C�us, aquilo...

� como disse, h� muito para apreciar.

Posso fazer o resto do caminho a p�?

Canto "� salgueiro das lam�rias"

Junto � �rvore que chora comigo

Canto "� salgueiro das lam�rias"

At� voltar o meu amor antigo

Que can��o t�o linda!

Qual can��o?

- A que estavas a cantar. - � a Mna. Clayton!

S� pode ser. � t�o bonita.

Disse ao Miles que seria bonita.

T�o perfeitamente espl�ndido!

Deves ser a Flora.

Espero n�o te ter assustado.

Nada disso, eu esperava-a. Estou t�o feliz por estar aqui.

A Sra. Grose vai querer v�-la, e o Miles tamb�m.

E o Owen e a Jamie.

J� conheci o Owen.

- Quando o conheceu? - Na viagem para aqui.

O que � isso?

Isto?

Uma patetice.

S� um momento.

- Que lago lindo. - N�o diga isso.

N�o passa de um charco fedorento.

E tem sanguessugas.

Coisas horr�veis, como lesmas-vampiras e escaravelhos.

Quem precisa desta po�a velha? H� tanta coisa muito melhor.

� mesmo perfeitamente espl�ndido conhec�-la.

Miles!

Ela chegou!

- � ainda mais bonita do que eu imaginava. - � ela!

Ol�, Miles.

� um prazer conhec�-la, minha dama.

Vejam s�, que cavalheiro.

E esta deve ser a Sra. Grose.

- Ol�! - Desculpe.

C�us, estava t�o distra�da.

Sou a Dani.

� um prazer conhec�-la. Hannah Grose.

Vejo que chegou s� e salva.

A viagem foi boa?

Foi perfeita.

- Maravilhoso. - Sim.

O Owen � um �timo rapaz.

Tem bom cora��o.

Certo, vamos l� entrar. Tenho a certeza de que a Mna. Clayton quer ver a casa.

- Sim. - Certo, vamos l�.

- Bom... - Pode tratar-me por Dani.

Disparate. Meninos, v�o chamar-lhe Mna. Clayton, como combinado.

N�o sentiu desconforto nem teve press�gios na primeira vez que viu Bly.

Era exatamente como o lorde Wingrave descrevera.

Uma �tima casa grande.

E acordou do seu marasmo para lhe dar as boas-vindas.

Este � o �trio

e � perfeitamente espl�ndido.

- � lindo... - Venha!

Aqui � a cozinha

e � perfeitamente espl�ndida.

E este � o Owen.

� o cozinheiro

e � espl�ndido.

Perfeitamente.

Ol� a todos.

Ol� de novo.

Ol�!

Ol�, Flora.

Por aqui.

Os quadros s�o todos originais, o que significa que foram pintados � m�o,

e s�o perfeitamente espl�ndidos.

Esta � a sala de aula.

N�o...

... tem grande piada.

Estas s�o as nossas belas escadas, mas n�o deve correr nelas.

Se cair, magoa-se, e as escadas s�o terr�veis.

Mesmo terr�veis. Est� a ver?

A Sra. Grose diz que d�o cabo dos joelhos, mas eu n�o tenho problemas.

- Deslumbrante! - Sim. � �timo, ideal para os mi�dos.

Mas aten��o �s escadas, d�o cabo dos joelhos todos.

E era aqui que os nossos pais viviam.

- J� n�o entramos aqui. - J� n�o entramos aqui.

- Est� tudo tapado. - Esta ala est� fechada, de momento.

E tapada, mas, l� no fundo,

� tudo perfeitamente espl�ndido.

Vamos deixar a Mna. Clayton recompor-se.

Claro.

Mas temos de lhe mostrar o jardim das est�tuas.

- Vai acabar por ver tudo, Flora. - Vemo-nos depois de se instalar.

E, ent�o, mostramos-lhe o resto.

Flora!

J� vou.

Desculpe. Posso entrar?

Sim.

Claro.

A partir de agora, bate � porta.

Claro.

S� queria dizer que estamos felizes por t�-la aqui.

E dar-lhe isto.

N�o � muito, eu sei.

� uma coisinha para se sentir bem-vinda.

Obrigada.

� muito bonito.

Vou despachar-me e j� vou ter convosco, sim?

Claro.

Obrigada.

Espero que esteja bom.

Ainda n�o sei fazer ch�...

Est� bom, querida.

O jantar est� na mesa.

- Toma, amigo. - Obrigado.

O Owen faz jantares fabulosos.

Fez-me uma sandes de macarr�o com queijo

que estava divinal.

O que traz uma jovem americana a Inglaterra?

E a Bly, ainda por cima.

Sabe, s� queria ver o mundo.

E o que acha at� agora?

- De Bly? Ou do mundo? - Quero ir � Austr�lia.

Ou � Florida, porque � parecido com o meu nome.

Pois �.

- � t�o lindo aqui. - Sim.

Sei que estou sempre a dizer isto, mas n�o h� outro adjetivo.

- Lembro-me de alguns. - Cala-te, Owen.

- Ele gosta de me irritar. - Ela gosta que a irritem.

N�o comes connosco?

Hoje, n�o, fofinha. Tenho de ir ter com a minha m�e.

Dececionante.

Pareces a minha m�e a falar.

Ela est� melhor?

Muito melhor.

A cada dia que passa.

Muito bem.

Boa noite, minha menina linda.

E boa noite para ti tamb�m, Flora.

- Deus me valha, este homem. - Bom proveito.

Ele vive com a m�e?

Vive para ela, � mais isso. Por isso voltou de Paris.

Ouvi dizer que ficou muito doente.

- Lamento. - Pois.

- Ele disse que ela est� melhor. - A cada dia que passa.

Ele diz isso, mas cada dia sai mais cedo.

Costumava jantar sempre aqui.

Talvez ela j� consiga comer,

por isso, ele tem de ir cozinhar para ela.

Deves ter raz�o, fofinha.

Ent�o? N�o vai comer?

Sim.

- Como depois. - Est� bem.

Eu dou-lhe umas dicas.

Obrigada.

Quero parecer um gnomo.

Um gnomo de bolhas.

Bom, est� quase.

O que foi?

� uma grande tontice, n�o �?

Sim, �s uma menina muito tontinha.

Onde arranjou isso?

- O qu�? - O pente da borboleta.

Foi o Miles que me deu.

N�o devia ter feito isso.

Porqu�?

Porque n�o lhe pertence.

A quem pertence?

- � Mna. Jessel. - Quem � essa?

A outra.

- Antes de si. - Eu...

Lamento imenso.

Eu... lamento imenso.

Eu � que errei, n�o faz mal.

Posso sair?

- Posso brincar com as bonecas? - Sim, 15 minutos.

Andei em todos os tipos de escola que possas imaginar.

Ai sim?

At� num col�gio interno, como tu.

Sei como pode ser dif�cil.

N�o � assim t�o mau.

Bem,

agora est�s em casa, n�o est�s?

Podes falar comigo sobre o que quiseres.

Sobre a escola.

Tudo o que aconteceu l�.

Garanto-te, j� ouvi de tudo.

� muito am�vel.

Boa noite, Dani.

Boa noite.

A Sra. Grose entende que me devias chamar Mna. Clayton.

N�o gostou?

Desculpa?

Da borboleta.

Eu...

A Flora... ficou um pouco aborrecida.

Est� sempre assim.

Quer o admita ou n�o.

Mas est� feliz por t�-la aqui.

E eu tamb�m.

Obrigada por me receberem t�o bem.

Hora de dormir!

J� acabei.

Mesmo a tempo.

Essa sou eu?

N�o, tontinha. Voc� � voc�.

� s� uma bonequinha.

Touch�.

O que � isto tudo?

S�o bonecos, claro.

A menina tem muitos bonecos,

e vamos aprender a arrum�-los todos antes de irmos dormir, est� bem?

Ponha onde estava.

Ela fica...

... a�.

E tu ficas aconchegada na cama.

Est� na hora de dormir.

� t�o bom t�-la aqui.

Obrigada, Flora.

Mas tem de me prometer uma coisa.

Claro.

Tem de me prometer

que fica no seu quarto.

N�o saia do quarto � noite.

Fique na cama at� de manh�.

Acho que n�o posso prometer isso.

Mas � uma boa regra para ti e para o teu irm�o.

Tem de prometer.

Est� bem.

Pelo menos, esta noite.

Agora, dorme.

A au pair n�o conseguiu dormir.

Era como a Flora dissera.

Os quartos eram maiores � noite,

como se a casa, ao anoitecer, tivesse inspirado profundamente,

expandindo-se ao suster a respira��o at� � alvorada.

Essa sensa��o de expans�o n�o era s� dentro de casa.

Ao olhar para fora, ela descobriu que o terra�o e toda a mans�o,

o relvado e o jardim,

e tudo o que ela via do parque estava deserto, com um grande vazio.

Um vazio que pedia para ser explorado.

Eu acho bom.

Que dia lindo.

Nunca me fartarei deste lugar, juro.

- O que se passa? - Estou muito zangada consigo.

Mna. Clayton! Veja o que encontrei!

Saiu do quarto ontem, apesar de ter prometido que n�o sairia.

- Mna. Clayton! - Como sabes?

Tem de ficar no seu quarto.

Venha ver!

- Porqu�? - Para ela n�o a ver.

Quem?

A senhora.

Qual senhora?

- A senhora do lago. - Flora.

Flora, olha.

Mna. Clayton,

veja!

Sou professora h� nove anos, Miles.

� quase a tua vida toda.

Nesse tempo, muitos mi�dos tentaram assustar-me de muitas formas,

e sabes o que aprendi?

Sou muito mais corajosa do que julgam.

Incluindo eu.

N�o a queria assustar, Mna. Clayton. Sabia que n�o teria medo.

Ai sim?

Claro, percebi isso quando a conheci.

Costumavas fazer isso na escola?

Pregar partidas?

Traquinices.

Nunca entendi as traquinices.

O teu tio falou-me dos teus problemas na escola.

Falou com o meu tio?

Claro, ele contratou-me.

Ele perguntou por n�s?

Passou o tempo todo a falar de voc�s.

Tem saudades vossas.

Muitas.

N�o, n�o tem.

Claro que tem.

Telefonamos-lhe a perguntar?

O cora��o da au pair ficou apertado com a dor do rapaz.

Mas, tal como o tempo em Bly, o humor dele mudou rapidamente.

Tal como o sol, as nuvens e a chuva apareciam sem aviso,

tamb�m o humor dos meninos mudava.

Como se o tempo e a natureza tivessem... leis secretas,

s� para eles.

Aqui est� ela.

Fugiram-me.

N�o, eu atendo. Sente-se.

Descontraia.

Se � que � poss�vel.

Estou?

O que � o almo�o?

- Salsichas com pur� de batata. - Sim?

Estou?

Flora, n�o.

- Quem era? - N�o sei, desligaram.

- Outra vez? - Outro?

T�m telefonado e desligado.

- Deve ser engano. - Obrigada.

De nada.

Mna. Clayton.

Obrigada.

A jardineira nem se apresentou � nova au pair.

Mal lhe prestou aten��o.

Tratou-a como se sempre l� tivesse estado.

Os presentes na cozinha deduziram que j� se conheciam,

o que, na verdade,

foi o que a au pair sentiu quando viu a jovem pela primeira vez.

Quem achou boa ideia alimentar estes Gremlins?

N�o somos Gremlins!

Somos meninos muito bons!

Ai s�o?

Eu tenho d�vidas.

Owen, o que achas?

N�o sei. Temos de molh�-los para ter a certeza.

Assim?

Toma.

- Aqui tens, querido. - �s uma joia, obrigado.

Estava algu�m... a trabalhar na propriedade hoje?

Talvez um faz-tudo.

N�o, n�o creio.

Porque vi um tipo,

na varanda, quando entrei.

Na varanda?

Sim.

- N�o estou a ver. - Eu n�o fui l�.

Porque haverias de ir? De certeza que viu l� algu�m?

Certeza absoluta. Eu acenei, mas ele n�o respondeu.

�s vezes, temos intrusos. Pessoas que querem ver os jardins.

- S�o abusadores, mas se algum subiu l�... - S� conseguem subir entrando na casa.

A entrada � pela ala antiga. E aonde � que n�o vamos?

� ala antiga.

Deve ter imaginado, querida.

- N�o vai comer nada? - N�o, j� comi.

Vim pela companhia.

Tens de provar isto.

Flora, n�o.

Encontrou algu�m?

N�o.

N�o encontrei.

Mas encontrei...

Desculpe, estou a interromper?

N�o, de todo.

O que encontrou?

� a Flora.

- Flora... - J� vi alguns destes bonecos.

N�o os podemos censurar.

N�o depois do que passaram.

O Sr. Wingrave falou-lhe dos pais deles.

Apenas que faleceram.

H� dois anos.

O Miles s� tinha oito anos. A Flora, seis.

E, como se n�o fosse azar suficiente para duas crian�as,

n�o ficou por a�.

A sua antecessora.

- A Mna. Jessel? - Sim.

A Rebecca.

Santo Deus!

A Rebecca. Pobre Rebecca.

Ela era...

Era uma jovem perspicaz.

Era ambiciosa, inteligente.

Bondosa.

Mas...

... havia um homem. � a �nica coisa que deita abaixo uma mulher como ela.

Todos os v�cios do mundo disfar�ados de gra�as.

Quanto menos falarmos dele, melhor.

Sabe que fugiu?

Com muito dinheiro do Henry e o cora��o da pobrezinha.

Fartou-se de roubar, o lar�pio.

E como ela estava nas v�speras do sucedido.

T�o destro�ada.

T�o vazia.

Perdemo-la muito antes de entrar no lago.

A Flora encontrou-a.

E a Jamie encontrou a Flora.

Ouvi-la contar...

O corpo da Rebecca na �gua.

De barriga para baixo.

E a pequena Flora...

... completamente im�vel,

a olhar.

Eu...

Pensar que me arrepiava quando ouvia os meninos

a correr pela casa, a gritar e fazer banz�.

Mas, nas semanas ap�s a morte da Mna. Jessel...

O sil�ncio nunca me desagradou tanto.

E agora...

Agora, quando os ou�o chorar ou...

... gritar ou berrar...

� o som mais maravilhoso do mundo.

- Pe�o imensa desculpa. - N�o.

- N�o faz mal. - Que figura a minha.

� um talism�.

Uma brincadeirinha da Flora para nos manter a salvo.

A n�s. C�us. Meu Deus, estes meninos.

Acho que ambos tentam � sua maneira.

� melhor voltar.

O Owen e a Jamie est�o quase a sair.

Posso ficar com os meninos agora, se quiser ficar sozinha.

Para que s�o as velas?

Pelos mortos.

Com o tempo, s�o mais do que eu gostaria.

- Lamento. - C�us, n�o.

Fui e continuo a ser uma mulher muito feliz.

Boa noite, Mna. Clayton.

Est� na hora de dormir.

Est�?

Acho que n�o.

Chega de jogos, Miles.

Gosta de jogos, Dani?

N�o � hora de dormir.

� a melhor altura para jogar.

Para de ser esquisito, Miles!

�s vezes, � t�o esquisito.

E tu,

meu docinho.

Imagina��o.

Eu adoro

a tua imagina��o.

E todos nesta casa t�m imensa sorte

por usares a tua imagina��o para nos manteres seguros.

Promete-me que, enquanto nos mant�ns seguros,

te mant�ns a ti segura primeiro.

E nada de subir � varanda.

Est� bem.

� mesmo, sabe?

O qu�?

Perfeitamente espl�ndida.

Boa noite, docinho.

Desculpa!

Tens de te certificar que arrumas isto. N�o queria nada...

Onde queres que a ponha?

Na casinha ou debaixo da c�moda?

Mna. Clayton?

Ia agora aconchegar-te.

H� uma ventoinha no guarda-fatos da Flora.

N�o consigo dormir sem ela.

Pois �, o meu guarda-fatos.

Pode ir buscar? Pe�o imensa desculpa.

Claro.

Bom,

aqui tens.

Pode dormir contigo hoje.

Pronto, vamos l� ver.

N�o a vejo!

Deve estar debaixo de roupa.

Est� bem.

Meninos.

J� mandei parar com os jogos. Abram!

Abram a porta!

Abram!

Estou a tentar!

Miles!

Estou a tentar!

- Flora! - Est� encravada. Estamos mesmo a tentar.

V�, n�o tem piada. Abram a porta.

Temos de procurar a chave. Est� mesmo encravada.

- Lamentamos muito! - A chave est� na fechadura, Flora.

- Roda a chave. - N�o est�! N�o encontramos.

Estou a falar a s�rio.

Abram a porta!

Miles?

Flora?

Abram a porta!

Abram a porta!

Abram a porta!

N�o!

Abram a porta!

Meninos!

Deixem-me sair!

Deixem-me sair!

Deixem-me sair!

Deixem-me sair!

Deixem-me sair!

Pe�o desculpa.

Pedimos imensa desculpa.

Cama!

Foi um acidente.

Para a cama!

J�!

Pe�o desculpa.

- Por favor, n�o fique zangada. - Falamos amanh� de manh�.

Foram � rua?

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