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Ei, bal�o!
Vem aqui.
Voc� vem?
Vamos.
Est� escutando?
Se voc� vier...
vou te dar uma coisa.
Algo maior do que pode imaginar.
Vou te dar uma centena de doces.
Dois milh�es de barras de caramelo.
Qualquer coisa que queira, se vier.
N�o est� escutando.
Bal�o, voc� vem ou n�o?
Voc� me ouviu.
Ent�o, vem comigo?
�ltima vez.
Vai voltar para minha casa ou n�o?
Sem resposta.
Ent�o, isso � um n�o.
Voc� � t�o est�pido.
==Equipe Art Subs apresenta==
"A Viagem do Bal�o Vermelho"
Tradu��o: Oebrio51, Diogo.vix, Pinguim-SP e NoriegaRJ
Revis�o: PHirschen
Ai! Ai! Ai!
Tr�s vezes "Ai".
Que azar!
Qiong Lian. Que pre�o est� pagando por nosso flerte?
O Rei Drag�o seq�estrou sua amada.
Ele a mant�m nas profundezas do mar.
Como espera encontr�-la?
Mas voc� deve tentar. Encontre-a.
Jogue-se no oceano.
J� que meu desespero n�o tem limite...
ferverei o oceano at� n�o restar nenhuma gota.
Minha decis�o ser� terr�vel. Terr�vel.
Saiba disso e conte ao mundo.
Vou evaporar o oceano para encontrar e resgatar minha amada.
Sim, nada ir� me impedir.
Est� me ouvindo?
Que alegria!
Nadarei para alertar minha amante.
Vimos sua cabe�a, Mathieu.
Ent�o, n�o houve surpresa.
Isso foi...
- No in�cio? - Certo.
Continuamos ou voltamos?
Continuamos ou voltamos?
Vamos fazer de novo.
Sim, vamos fazer de novo.
Est� indo um pouco r�pido. Descanse.
Vamos fazer de novo.
De onde?
Sim, � verdade. Me enganei.
"O mar est� agitado."
Onde voc� disse que era?
Sou razoavelmente despreocupada. N�o precisa ser formal.
Certo.
- N�o parece t�mida. - Como?
N�o parece t�mida.
- N�o acha? Acho que sou. - Um pouco t�mida?
N�o precisa ser, relaxa.
Certo, me espera.
- Fecho a janela? - N�o precisa.
Simon. Tudo bem?
- Est� tudo bem? - Est�.
Quero te apresentar Song.
� a garota que eu te falei.
Voc� est� bem?
Voc� est� trancada. Espera.
Por que n�o funciona?
Este carro � realmente imprest�vel.
Como isso funciona?
De qualquer maneira, Simon, esta � Song. Song, Simon.
V�o se conhecendo.
De todo jeito, voc� precisa sair. Usa a minha porta, se n�o se importar.
Sai por aqui.
Voc� vai � padaria comprar um bolo.
Me d� suas coisas.
Tem uma padaria que o Simon adora. Vai mostrar para ela?
- Vai mostrar a padaria para ela? - Sim.
Ele sempre compra um bolinho
e o come quando chega em casa.
Vejo voc�s l�. Tenho que voltar para o ensaio.
Vamos ver, o que mais?
A chave...est� na mochila dele.
Fa�a uma c�pia.
Simon sabe onde fazer as c�pias?
Voc� sabe, n�o �?
- At� logo. - At� mais.
Mostra onde n�s moramos. Conta para ela.
- At� logo. - At� logo.
- Padaria ou as chaves primeiro? - Vamos fazer as chaves primeiro.
Meu nome � Song.
E o meu � Simon.
Eu era estudante em Pequim.
- Onde � isso? - Na China.
Estudei cinema.
- Que tipo de cinema? - Como?
Que tipo de cinema?
Filmes em geral.
J� viu um filme chamado "O Bal�o Vermelho"?
N�o?
� um filme muito antigo, feito em 1956.
� sobre um menino e um grande bal�o vermelho.
Espera um momento.
Consegue ver algo?
- Olha, voc� v�? - Sim.
Vamos?
- A porta grande ali? - Exato, perto da papelaria.
Certo.
Cuidado.
Qual � o c�digo de entrada?
Muito bem.
- Song? - Sim?
Que horas s�o?
Por volta de cinco e meia. Cinco e meia ou seis horas.
- Quer saber exatamente? - N�o.
Quer sentar?
N�o, vou ficar em p�.
N�o est� muito cansado segurando a c�mera?
Estou bem.
Pode ser a Anna, minha professora de piano.
Ou a mam�e.
Ol�.
- Sou Anna, a professora de piano. - Tudo bem.
Meu nome � Song Fang. Me chame de Song, � mais f�cil.
- Voc� � a nova bab� do Simon. - Isso mesmo.
- Prazer em conhec�-la. - Prazer em conhec�-la.
- Oi, Anna. - Oi, malandro.
O que voc� tem a�?
- � a c�mera da Song. - Entendo, n�o � sua.
Tem tocado com ela?
- Quer que eu abra? - Seria melhor.
Certo, pegue a partitura.
Vamos praticar escalas?
N�o se incomode com isso, n�o vale o transtorno.
Tudo bem.
Vamos fazer escalas ou este peda�o?
- Come�amos com as escalas? - Certo.
Escala de Sol ou D�?
Comece com D�.
Aqui vamos n�s.
Ol�, como vai?
Oi, Simon.
Vamos fazer de novo. Tem que combinar com o dedilhado.
Cuidado com os punhos e senta direito.
Tenta ficar relaxado.
Desculpa.
Meu nome � Song. Estou cuidando do Simon.
Marc disse que voc�s viriam.
Sou a namorada do Marc, que mora aqui.
Sinto muito, esqueci que Simon tinha aula hoje.
Progrediu na pr�xima se��o?
Isso � um sim?
- Continue, me mostre. - Por aqui.
Chegou at� a�?
- Posso ajud�-la? - Estou bem, obrigada.
Isso n�o foi ruim.
Entretanto, tem que ser mais preciso.
Voc� est� hesitando. Leia a partitura. Cuidado com o dedilhado.
Entendeu? Vamos fazer de novo? Seja preciso.
Voltarei mais tarde.
Bom, exceto esse peda�o.
Tenta de novo, apenas esta se��o.
Oi, preciso usar o fog�o da Suzanne.
Posso?
- Voc� �...? - Moro no andar de baixo, sou Marc.
Meu nome � Song Fang. Sou a nova bab� do Simon.
- Entendo. - J� nos conhecemos.
S� preciso usar o fog�o
porque a aula de piano ainda n�o terminou.
Se importa se antes eu ligar para a Suzanne? Porque � minha primeira vez...
- V� em frente. - Sinto muito.
N�o tem problema.
S� quero esclarecer com ela, porque sou nova aqui.
Pode colocar o...
Coloca esses na cozinha, eu mesma falo com ela.
Desempacota a carne primeiro.
Sim, vou colocar na geladeira.
Al�, aqui � Song.
Al�, Suzanne, desculpe incomod�-la.
Tem um momento?
Sim, Marc est� aqui.
Est� aqui e quer falar contigo.
- Vou passar para ele. - Obrigado.
Suzanne? Sim, o Marc.
Bem, obrigado.
Escuta, estou preparando um banquete.
Estou fazendo um guisado de carneiro.
Ele precisa cozinhar lentamente.
Ia fazer uma pata de carneiro, mas acabei fazendo um guisado.
De qualquer maneira, precisa cozinhar por quatro horas.
E tamb�m tenho que fazer legumes.
Estou cozinhando-os no vapor para servir com aioli.
N�o se preocupe com isso.
Claro, se quiser se juntar ao jantar, ser� bem-vinda.
De todo modo, o que eu gostaria de fazer �...
N�o, n�o vai demorar tanto, prometo.
O guisado j� est� cozinhando.
N�o, n�o se preocupe.
N�o se preocupe...
Escuta, em todo caso, o guisado j� est� cozinhando l� embaixo.
S� quero ferver os legumes aqui.
Meu fog�o � muito pequeno.
Ent�o, n�o se importa que eu fa�a os legumes aqui?
Tudo bem?
N�o se preocupe com isso.
At� logo.
- Combinado. - Tudo bem.
Est� bem, obrigada.
De nada.
Espera, vou limpar esta bagun�a.
Temos que ventilar. Ela n�o quer a cozinha fedendo.
Ent�o, temos que pegar o menor l� embaixo e traz�-lo aqui.
- Voc� est� bem? - Estou.
Est� cheirando.
Marc esteve aqui esta tarde.
N�o acredito nisso!
Eles s�o insuport�veis!
Que bagun�a!
Estou farta disso.
Sinto muito.
Olha isso.
N�o acredito.
Posso ajudar?
Inacredit�vel.
Est�o zombando de mim.
Desculpa.
Quer um biscoito?
N�o, obrigada.
Correu tudo bem?
Sim, Simon � t�o agrad�vel.
Ele est�...?
No banheiro.
Ele � muito gentil.
Conseguiu entender a programa��o?
Sim, dei uma olhada mais cedo.
Alguma pergunta?
N�o, est� bem. Anna esteve aqui.
Ela deu aula de piano ao Simon.
- Correu tudo bem? - Sim.
�timo. Ela � agrad�vel, n�o �?
Sim, ela �, e voc� pode perceber que ela ama o Simon.
Sim, sim.
Tenho que te dar uma coisa.
Esta � para a porta daqui. E esta para a l� de baixo.
Espera, voc� fez c�pias. Esqueci completamente.
Sinto muito por isso.
Simon me levou ao chaveiro esta tarde.
Esse a� � o trabalho que est� fazendo?
N�o, na verdade... Bem, d� uma olhada.
Filmei o Simon esta tarde.
Tamb�m para me ajudar um pouco a lembrar o caminho.
Ele parece bem, n�o �?
Sim, ele tem um rosto bonito.
Sabe que vi seu filme?
Sei que mencionei antes, mas gostei muito dele.
- S�rio? - Sim.
Ele se chama "Origens", certo?
Droga. Deixa, deixa.
Achei muito tocante.
Isso � �timo.
Tem um certo ar abstrato.
Faz lembrar a minha inf�ncia.
Meu quarto tamb�m era em um mezanino.
Quando meus pais estavam juntos,
eu podia ouvir tudo. Era como uma sala de resson�ncia.
Quando meus pais puseram a chave no arm�rio,
eu os ouvia. Seu filme me trouxe essas recorda��es.
Os sons, as imagens...
Sabe, a escurid�o que �s vezes h� em seu imagin�rio.
O tipo de coisa que me lembro era...
minha m�e esmurrando a porta.
Meu pai andando pela casa.
E eu, deitada na cama com os dois,
tentando segurar suas m�os.
Seu filme tocou sentimentos profundos que quase havia esquecido.
- Quem �? - N�o sei.
Ol�.
Oi.
- Quer um pouco de ch�? - Voc� quer um?
Eu gostaria de um, por favor.
- Teremos que esperar um pouco. - Tudo bem.
A cozinha est� um pouco bagun�ada.
Um pouco, sim.
Quando Will Marc voltar�?
Ele j� voltou. S� estamos esperando os nossos convidados.
Acha que ele poderia subir para falar comigo?
S� conversar.
H� coisas que precisamos discutir.
Temos um problema aqui.
Acho que ele subir� logo, e poder� falar com ele.
Sou eu outra vez.
- Onde Suzanne est�? - No banheiro.
- Suzanne! - O que foi?
Adivinhe com quem estou.
- N�o fa�o id�ia. - Gregory.
Ainda esperamos que fique para jantar. Estar� pronto logo.
� muito gentil, mas vou sair para jantar com Song e Simon esta noite.
Como quiser...
J� reservei uma mesa.
Sabe algo sobre Pierre?
Como vai seu romance em Montreal?
Ele est� um pouco atolado.
Ele vai ficar l� mais tempo.
Li um artigo sobre seu novo espet�culo. Foi uma cr�tica favor�vel.
N�o o entendi muito bem. Tem algu�m que ferve o mar...?
Poderia me contar mais?
Agora n�o.
Est� tudo bem?
- Suzanne? - O qu�?
Algo errado?
Estou bem.
Est� bem. Voltarei a v�-la.
Tchau.
Eu te seguirei.
Aqui est�.
A mam�e adora marionetes como essa senhora ali.
Louise me disse.
Quem � Louise?
Minha irm�. Ela mora em Bruxelas.
Voc� tem uma irm�?
Bem... ela � uma irm� de mentira.
Porque ela n�o � minha irm� de verdade.
Ent�o o que ela �?
� porque meus pais se divorciaram.
� tudo o que eu sei.
Eles se divorciaram e Louise...
Ela � como uma irm�.
S� que ela n�o � minha irm� de verdade.
Entendi mais ou menos.
H� uma garota brincando com as marionetes.
Que se disfar�a de homem.
Na verdade, ela est� se escondendo, disfar�ada como homem.
- Qual delas? - L�, na est�tua.
V� esta garota que est� manipulando as marionetes...
e a que est� abaixo do homem que est�...
- disfar�ado. - Disfar�ado?
Vem aqui com freq��ncia?
Sim, com muita freq��ncia.
Quem lhe trazia aqui?
Depende de quando se refere.
Quando eu era pequeno ou mais velho?
Quando era menor.
Papai.
Quando come�ou a jogar fliperama?
- Quando tinha dois anos. - Dois?
- Ou um. - Um?
Podia andar nessa idade?
N�o, tinha que me sentar em uma cadeira alta para jogar o fliperama.
- Sozinho? - Sim.
Que maravilha. Voc� foi um menino prod�gio.
N�o sei.
Seu pai te ensinou a jogar fliperama?
Sim.
E voc�s vinham muito aqui?
- Sim, muito. - Todos os dias?
N�o. Quase todos os dias.
A cada dois dias.
Seu pai tamb�m gostava de fliperama?
Sim, ele adorava.
Ele jogava bem?
Sim.
E quem mais?
Minha irm� Louise, a que vive em Bruxelas.
Ultimamente era ela que me levava �s cafeterias e para jogar fliperama.
Louise tamb�m?
Agora ele mora em...
Bruxelas.
E voc� a v�...
Todos os ver�es.
Ela s� nos visita no ver�o.
Ela tamb�m gosta de jogar fliperama?
Tem dinheiro para pagar?
- Bom dia. - Bom dia.
Tem algu�m a�?
- O que voc� quer? - Quero uma �gua com menta.
E um suco de groselha.
E um suco de groselha.
por duas can��es.
O que voc� quer ouvir?
"Emm�ne-moi"?
Est� bem.
Entre com o n�mero 94.
E depois o 20.
A� est�.
- Tem certeza? - Sim.
Temos que esperar.
Rumo ao cais. Quando submirjo
Em press�es e t�dio
Os barcos atracam Com suas proas cheias de frutas
Eles vem do fim do mundo Trazendo id�ias fracas
Com reflexos do c�u azul E miragens
Um aroma de pimenta De terras estranhas
E ver�es eternos Vivendo quase nus
Nas praias
Eu. Que passei quase minha vida toda Sobre o c�u do norte
Gostaria de limpar as cinzas Mudando de rumo
Leve-me aos confins do mundo
Leve-me ao pa�s das maravilhas
Acho que a mis�ria
Ser� mais penosa ao sol
Nos bares ao anoitecer
Com os marinheiros
Quando se fala de mulheres e de amor
Com um copo nas m�os
Perco a consci�ncia
Meus pensamentos se elevam E me colocam
Em um maravilhoso ver�o Em uma costa distante
Ali vejo. Esticando meus bra�os
O amor que corre Antes de me enlouquecer
Quem �?
Song e Simon.
- Estou aqui em cima. - Est� bem.
- Est� quente, n�o est�? - Sim.
Quer sentar aqui?
- N�o, estou bem. - Tome cuidado.
- Ol�. - Ol�.
- Est� tudo bem? - Sim.
- Voc� est� bem? - Sim.
Venha aqui. Quer comer o seu bolo?
Sim.
Al�? Lorenzo?
� a Suzanne.
Bom dia... Estive...
Estive procurado...
Estive procurado pelo contrato de loca��o, mas n�o achei.
Sim, mas n�o achei.
Pierre se foi.
N�o sei onde ele o colocou. N�o fa�o id�ia...
N�o, n�o poderia.
N�o, desisti da id�ia de me juntar a ele h� muito tempo.
N�o sei onde ele colocou o contrato de aluguel.
Sim.
N�o consigo ach�-lo.
O coloquei em algum lugar. N�o sei onde ele p�s.
Marc disse que ele n�o tem uma c�pia.
N�o sei onde pode estar.
N�o tenho nada...
Certo.
Certo.
Sim?
Certo.
Sem o documento, n�o h� nada que possa ser feito?
Certo.
Bem, mesmo assim, obrigada.
Tchau.
Song?
- Song? - Sim?
Posso lhe pedir um favor?
Gostaria de saber se na pr�xima ter�a...
O maestro Ah Zhong far� uma demonstra��o de marionetes.
Como n�o tenho tradutor, acha que poderia me acompanhar?
Yang, meu tradutor habitual, n�o pode vir esse dia.
Claro. Normalmente n�o tenho aulas na ter�a.
Isso � �timo.
Ent�o posso ir. A que horas mais ou menos?
Iremos de trem. Para Charleville-M�zi�res, e ent�o...
- Acho que nos tomar� o dia inteiro. - Est� bem, posso ir.
Procurarei algu�m para cuidar de Simon. Talvez ele fique com um amigo.
Obrigada.
Voc� vai lanchar?
- Como est� na escola? - Tudo bem.
Ele � o jovem erudito Zhang Yu. Eu lhes direi o que ele disse.
"Como ir� nos tratar o destino de modo distinto.
"� como se estivesse envolto em uma nuvem escura.
"Meu nome � Zhang Yu.
"Perdi os meus pais quando era jovem, e sou filho �nico.
"Eu devorava os cl�ssicos
"mas nunca passei no exame imperial da administra��o p�blica..
"Estive vagando
"e encontrei ref�gio neste templo do Buda de Pedra.
"E esta noite, me distraio tocando o guqin..."
Quando as personagens v�m ao do palco pela primeira vez, recitam um poema.
� uma conven��o
que � repetida em todos os espet�culos.
N�o improvisam a menos que o marionetista tenha muita experi�ncia.
Um maestro pode permitir mudar os ritmos.
Os sons que ouvimos no come�o,
as percuss�es que realiza o maestro Ah Zhong...
O dia est� lindo.
Gostaria...
de oferec�-lo este postal.
� algo que tive durante toda minha adolesc�ncia.
Quando eu ia � Universidade e fazia meu dever de casa.
Para mim...
representa a China profunda.
Gostaria de dar a ele
porque eu o tive durante muitos anos.
Ele n�o est� tocando o guqin, mas...
O postal est� velho e gasto.
Mas ele significa muito para mim.
Muito obrigado.
Eu o encontrei quando fui um "au pair" em Londres.
Ia ao Museu Brit�nico todos os dias.
- Foi l� que eu o encontrei. - Tudo bem.
- Quer me desenhar? - Sim.
Est� pronto?
- Fico de p� aqui? - Sim.
N�o posso te ver.
Ent�o voc� precisa de uma nova folha de papel.
A� s� vejo sua sombra.
Talvez n�o me veja com clareza...
mas deveria ver meus bra�os.
- Devo deixar meus bra�os levantados? - N�o.
N�o, deste jeito?
N�o podemos ver nada.
Desenharemos uma bandeira pirata.
Desenharemos as bordas e depois o aperfei�oaremos.
Ei.
Olhem pra mim.
Primeiro os ovos, certo?
- Acho que sim. - Certo.
- Dois ovos? - N�o... sim.
- Tr�s. - Tr�s.
Estamos fazendo panquecas de ovos.
Deveria p�r tr�s? O que acha?
Mais um.
Dois � o suficiente?
Certo.
- Suzanne tamb�m faz panquecas? - Nem sempre.
- Sempre? - Nem sempre.
- E voc� gosta? - Sim.
Espero que saiam bem.
Precisa de for�a.
Deixe-me ver.
Por que n�o deixa a massa descansar?
Ol�.
- A Suzanne est�? - N�o.
Temos um encontro. Ol�, Simon.
Oi.
Preciso ver a sua m�e. Sabe onde ela est�?
- Est�o fazendo panquecas. - Sim. Estou aprendendo.
Meu nome � Song Fang, mas me chame apenas de Song.
Lorenzo... Meu nome � Lorenzo.
Muito prazer.
Sou a nova bab� do Simon.
Onde est� sua m�e?
N�o sei.
Deve estar ocupada com as marionetes.
Ent�o te ajudo com as panquecas.
Genial.
Quer um copo de �gua ou o qu�?
Sim, um copo de �gua.
- Vamos esper�-la juntos. - Volto em um segundo.
O que est� filmando?
Estou filmando... o que ela est� fazendo.
Como faz as panquecas.
Agora n�o h� nada que filmar.
Quer uma?
- Quer um panqueca? - Sim. Vou provar.
J� coloquei a��car.
J�? Panquecas ficam uma del�cia com bastante a��car.
N�o est�o quentes?
Cuidado. Est�o muito quentes.
- Pegarei uma. - Vou trazer pratos.
O que est� fazendo?
Quem?
Suzanne.
Para que quer v�-la?
Para falar do Marc. Conhece o Marc?
- Sim. - � por isso que vim.
Pratos, boa id�ia. Obrigado.
- Est�o quentes? - Est�o pelando.
- Est�o deliciosas. - Mesmo?
Fico contente.
Deixar� a espera mais suport�vel.
Sinto muito.
Sinto muito.
Esqueci totalmente que viria.
Tudo bem, Simon?
Me d� um beijo.
Antes tarde do que nunca.
Me perdoe. Estou fazendo um espet�culo.
E � tudo... muito dif�cil.
- Estamos comendo panquecas. - �timo.
Fiz quatro.
Est�o quentes.
Presentes.
Papai Noel.
Escolhi um que sei que voc� gosta.
E isto para sua cabe�a.
Vai me ajudar a pensar.
Mam�e, voc� parece apressada.
Sim, sempre estou apressada.
Melhor assim.
E isto, o que �?
Cuidado com o abajur.
O que �? Abre.
Song, isto � para voc�.
- Toma, � para voc�. - Obrigada.
Com licen�a, estou com muita sede.
Precisamos de ta�as de vinho. A espera me deu sede.
Buscarei algumas.
Por que est� t�o apressada, mam�e?
Porque tenho que fazer muitas coisas.
Passei na mercearia.
E depois na confeitaria.
Fui ver o Richard... � coisa que n�o acaba.
Para ver todos contentes.
Queria te mostrar meus extratos banc�rios.
Olhe, aqui est� a prova.
Veja. Este m�s ele pagou.
No in�cio pagava a cada dois ou tr�s meses.
O terceiro m�s... Olhe, n�o pagou.
N�o pagou, n�o pagou, pagou.
- Pagava no in�cio e depois parou? - Pagou durante um ano.
Ap�s, nadinha de nada.
O Marc � o roteirista, n�o? N�o s�o amigos?
Mais ou menos, mas a amizade pode acabar.
Mora aqui perto, mas a Louise deve vir morar com a gente.
- Vou te mostrar. - Quanto faz que n�o paga?
Quanto faz que n�o paga?
Mais ou menos um ano, e o primeiro ano pagava quando lhe dava vontade.
� verdade que n�o tem muito dinheiro. Ao menos, isso � o que eu imaginava.
Mas ent�o olhei seus extratos banc�rios.
Olhei seus extratos banc�rios e vi que tem muita grana.
Quando sua filha voltar� a Paris?
Ela est� come�ando seus estudos l�.
Onde est�? Lembra de onde est�?
- No meio destas coisas. - O que procura?
- Aqui est� a prova. - O que � isto?
- O contrato de aluguel. - � seu contrato?
� uma fotoc�pia. Ele tem o original. Pe�a a ele.
Est� mal feito.
Deveria servir. Pediram que o pus�ssemos por escrito.
- Deveria ter me ligado. - Queria te falar disto, Song.
Tenho uns filmes.
Filmei meu av�, que era marionetista.
Uns amigos me emprestaram a c�mera.
Seria genial se pudesse convert�-las para DVD.
Perguntarei na escola.
Aqui tem outro. O que s�o, de 8 mm?
Acredito que sim.
Se pudesse, seria fant�stico.
Eu pergunto.
� minha caixa dos segredos. A caixa m�gica.
Podemos l�-lo rapidamente.
Direi que pode fazer se quiser.
Enviar-lhe uma carta registrada n�o servir� de nada.
Poderia mandar via oficial de justi�a.
Enviar a ele uma ordem de pagamento
e em seguida fique de olho em sua conta banc�ria.
E se ele n�o sair em dois meses...
Tenho que lhe dar tempo para desocupar.
Gostaria de renovar um pouco o apartamento.
Sobretudo, o andar de baixo.
Desde que minha m�e morreu, nunca mais mexemos. Precisa de uma m�o de pintura.
N�o quero expulsar o Marc imediatamente. Tenho que lhe dar tempo.
Mas ele precisa sentir-se pressionado.
Louise volta �s aulas no m�s que vem, em junho.
- M�s que vem, em junho. - Olha, vamos bloquear a conta dele
e uns tr�s meses depois, pedimos a um juiz que o expulse.
Mas isso leva tempo, entre oito e doze meses.
- E n�o ser� barato. - � muito tempo.
Sobretudo se sua filha quiser viver l� se decidir estudar em Paris.
Sim, sim, ela vai vir.
De qualquer forma, estar� obrigado a sair se lhe bloquearmos a conta.
- Quer lhe enviar um oficial? - Sim.
- Devo come�ar os procedimentos? - Sim, acho que sim.
� um piano velho. N�o se preocupem muito.
Mas � um bom piano para aprender.
Est� velho, mas ainda soa bem.
� �timo aprender em um piano como este.
Levo isto?
Sim, por favor. Ponha-o no segundo andar.
Isto se chama roldana.
Super Homem.
Posso ajudar...
N�o precisa. Est� sob controle.
Est� em equil�brio.
Song. Espera a� embaixo.
- Simon. Espera um momento. - Certo.
Como eu o coloco?
Ao contr�rio. Mova-o � direita.
Muito obrigado.
Isto me d�i s� de v�-los.
Vamos, vamos.
Podem coloc�-lo?
Sim, � apertado mas damos um jeito.
Para falar a verdade, � muito justo.
Onde quer, senhora?
Pensei em coloc�-lo a�.
Acham que caber�?
Sim.
Seus olhos s�o como calculadoras.
Para isso nos pagam.
Ia lhes oferecer algo para beber. Suco de fruta?
�gua, por favor.
Se o piano fosse maior, n�o daria para subir pela escada.
Mesmo assim nos deu muito trabalho.
Foi... N�o sei... Suco de fruta para o cavalheiro.
Obrigado.
Quanto eu lhes devo?
- Vamos baixar pelas roldanas. - Sim, sim.
- Eu o tiro. - Vamos.
- Obrigada. S�o muito gentis. - � nosso trabalho.
Quanto mesmo que lhes devo?
- Depende de se � em dinheiro ou cheque. - Em dinheiro.
Ent�o n�o lhe cobraremos o imposto.
-300 paga. -300?
Tenho que afin�-lo porque est� muito...
E isto para os dois.
Muito obrigado.
Muito bem. Obrigado.
� nosso trabalho.
Mas poderia ter sido mais f�cil.
Devem sofrer acidentes �s vezes.
Eu, duas vezes. Uma vez quebrei a t�bia e o per�nio.
E em 1993 eu ca� de um telhado.
Quebrei as cervicais C1 e C2, as que servem para girar a cabe�a.
Sete fraturas aqui e oito aqui.
Um ano fora do trabalho.
E o seguro lhe cobriu?
Claro.
Mas se n�o tivesse trabalhando nisto, a v�rtebra quebrada ia ser retirada.
Gra�as a este trabalho, tenho a zona lombar bem musculada.
O ortopedista me disse
que a v�rtebra quebrada poderia ter cortado os nervos
que controlam os bra�os e as pernas.
Poderia ter ficado tetra ou parapl�gico.
Mas fala ao telefone enquanto carrega coisas pela escada.
Posso fazer tudo. � verdade.
- Vi isso que leva na orelha. - � muito pr�tico.
Atende chamadas nas escadas?
�s vezes.
Atende as liga��es onde for.
S� tenho que apertar um bot�o, o resto � autom�tico.
Tudo certo?
Muito obrigada.
Obrigado, senhora. Boa tarde.
Um prazer. Tenha um bom dia.
Vamos, vamos.
Surpresa!
- Voc� arrumou a casa. - Esqueci o banquinho do piano.
Fechou a porta?
O que � isso?
A c�mera da Song.
Ainda joga fliperama?
Por que subiu o piano?
Ser� mais f�cil assim.
Pode ter suas aulas aqui.
Est� bem.
Ser� mais conveniente.
Mas o que Anna vai fazer?
Vir� aqui.
Como saber� que precisa vir aqui?
Vamos avisar � ela que � aqui em cima agora.
E aquele rapaz de verde com o bal�o vermelho?
Em frente a cafeteria?
� o que eu estava te dizendo.
Quero fazer um curta sobre bal�es vermelhos.
� o que filmei hoje com o Simon.
O menino de verde est� a� por precau��o.
Est� todo de verde
para em seguida poder... Como se diz?
- Apag�-lo? - Sim, apag�-lo no computador.
- Incr�vel o que se pode fazer. - Assim...
Mas por que verde?
Porque o verde � uma cor que se pode apagar digitalmente.
N�o sou uma perita em coisas tecnol�gicas.
Ao final, s� se v� o bal�o vermelho.
- Voc� gosta de estar no filme? - Sim.
Depois me mostra?
Quando estiver terminado.
- Ainda n�o fiz o... - Est� bem.
Gostaria de te devolver o "Origens".
- Muito obrigada. - De nada.
- Est� um pouco bagun�ado, n�o? - N�o acho.
Fiz a convers�o dos filmes de 8 mm.
- Os filmes que me deu. - Sinto muito por...
Quer?
- Desculpe o inconveniente. - N�o, n�o foi nada.
- Quer? - N�o, obrigado.
Aprendi fazendo.
- Deveria te pagar algo. - N�o, eu ainda tenho uma grana.
- N�o, com o inc�modo que lhe causei... - Olhe, eu vou te mostrar.
� o trabalho que farei profissionalmente.
- Ficou legal. - Quero que aceite.
Ainda tenho dinheiro.
Comecei a somar as despesas da semana, vou te mostrar.
Tem dinheiro sobrando.
Vou deixar aqui porque acho que tenho que ter algo.
Aqui, as despesas da semana.
Os recibos. Obrigada.
- O custo da transfer�ncia est� aqui. - Quanto foi?
- N�o foi barato, foi 99 Euros. - Espera, n�o dei dinheiro suficiente.
Deu sim. Para as outras coisas...
N�o vamos mais discutir. Pega isso e estamos quites.
Tudo bem.
Tenho que ir para o est�dio agora. Voc� e Simon, me apanhem l�.
Reservei um restaurante para n�s, iremos com o Maestro Ah Zhong.
Beijinho.
Esqueci algo?
As chaves.
Meu notebook.
At� mais tarde.
- A partir de agora, deixe a porta fechada. - Certo.
- Quer suco? - N�o.
N�o mesmo?
Quero jogar no meu PlayStation.
- Vou jogar no PlayStation. - Certo, fa�a isso.
Muito bem.
Panela.
Vou conseguir. Vou conseguir.
Vamos l�.
Colherada n�. 324.
Colherada n�. 4622.
O que esse belo jovem est� fazendo
com essa enorme panela na terra?
N�o pode ver que estou muito ocupado?
Me deixa. Tenho muito para fazer.
Intenciono evaporar toda essa �gua. Ent�o, encontrarei minha amada.
Acredita que fazendo isso pode secar essa enorme vastid�o
em toda sua profundidade, amplitude e melancolia?
Eu sei, sou apenas um humilde mortal.
Mas n�o preciso... Preciso de meus dois bra�os e de toma minha concentra��o.
Ent�o, por favor, siga seu caminho, Grande Dama, n�o tenho tempo a perder.
Sua devo��o me tocou.
Sua tenacidade me transcende.
Farei esse casamento poss�vel.
Ah, �?
E como? Com qual milagre?
Al�m do mais, quem � voc�?
Sou...
Como dizer... Sou...
N�o sou uma mortal qualquer.
H� muito tempo, fui para as montanhas para colher ervas raras.
Eu as comi, comi tantas
que cresceram p�los por todo meu corpo.
Depois disso, descobri que n�o posso suportar carne crua.
Meu corpo se tornou cada vez mais leve.
E fiquei... como dizer...
Fiquei...
Fiquei transfigurada.
Me chamam de Mao Nu.
A mulher cheia de p�los.
Como pode me ajudar?
Toma. Pegue essa moeda dourada.
Jogue na sua panela com a �gua do mar.
Quando tiver evaporado um litro de �gua,
o n�vel do mar ir� abaixar mil metros.
Evapore dois litros
e o n�vel do mar ir� baixar dois mil metros.
Evapore a panela inteira
e ver� o fundo do Oceano.
E quando isso acontecer,
o Rei Drag�o ser� for�ado a mudar de id�ia e permitir a uni�o de voc�s.
Como posso agradecer, Oh, Grande Imortal?
Que a gra�a esteja com voc�.
Evapore o vasto Oceano seco.
Simon, olha.
O que � isso?
S� um minuto.
Quem �?
Essa deve ser
minha irm�.
A reconhece?
Tinha o mesmo corte de cabelo que ela est� usando agora.
� a Louise. Ela estava com tr�s ou quatro anos aqui. Voc� n�o era nascido.
Ent�o n�o podia mesmo saber, s� arrisquei.
Esse deve ser o vov�.
� seu bisav�. Ele era meu av�.
"Como est�, minha queridinha Louise?
"� t�o bom te ver.
"O que tem a me dizer?"
"N�o sei... Meu nome � Louise. "
"Sei que seu nome � Louise. "
N�o ou�o nada.
Ser� que sou surdo?
N�o ou�o nada.
N�o, � porque � um filme 8mm. Song o converteu.
O que � um filme 8mm?
Sabe, aquelas c�meras pequenas.
- Sim, as pequeninhas. - Mas n�o tem �udio.
Como sabe o que ela diz?
Inventei.
Al�.
Sim, sim, sou eu.
De onde est� ligando?
E voc� estava sem seu computador, n�o pode responder meus e-mails.
Desligou seu celular. Sequer gravava as mensagens.
Claro, mas esse � o problema: nunca faz essas coisas de prop�sito.
Tem que me avisar. "Estou saindo de Montreal, te ligo quando voltar."
Se passaram v�rias semanas sem eu ter not�cias de voc�.
Enfim, achamos o contrato. Na verdade, Simon o achou.
O levei para um advogado.
� �bvio.
Mas sabe quando foi a �ltima vez que ele pagou um aluguel?
Sabe quando foi?
Ele tem dinheiro. � por isso que estou nesse estado.
Nem se trata de dinheiro.
Ele finge que tem problemas financeiros...
O qu�?
Vi os extratos banc�rios dele, ent�o, sei melhor que voc�.
Preciso desse apartamento j� que Louise est� voltando.
Te emprestei, voc� o usou para escrever, mas voc� parou h� dois anos.
Est� na hora do seu amigo ir embora. Lamento, mas � isso.
Tenho que arrumar o apartamento, est� em um estado repugnante.
Tudo precisa de reparo.
Ele sequer contribui nas contas de luz.
Ou nas de �gua.
Estou de saco cheio disso! � f�cil para voc�, que n�o est� aqui.
Fico como uma idiota, esperando not�cias Voc� tamb�m n�o me manda dinheiro.
Estou cheia disso. Estou sozinha. Preciso de apoio, de um homem a meu lado
N�o tenho ningu�m a meu lado.
N�o. Voc� nunca, nunca telefona!
E eu? Sou um homem. N�o sou uma crian�a ou uma garotinha.
H� quanto tempo est� longe, escrevendo seu livrinho? Estou de saco cheio.
Sou um homem. Sou um menino.
Mais alto, n�o consigo te ouvir.
Aqui, toma.
Al�?
Quem? Sim.
Aonde voc� est�? Sim, aonde voc� est�?
Ele est� em Montreal.
Estou de saco cheio. Me desculpe por isso.
N�o se preocupe.
- Essa situa��o � intoler�vel. - O qu�?
Diga a ele para voltar. Estou de saco cheio, j� aturei muito.
Isso tudo � uma merda.
Sim, minhas notas est�o boas.
Acertei tudo em Matem�tica.
Em Matem�tica.
Cuidado com o degrau. Vamos l�.
Espere por mim.
H� quanto tempo ele estuda piano?
N�o sei, faz pouco tempo que cuido dele.
Talvez um ano ou um pouco mais.
- Isso significa que ele est� motivado. - Acho que ele gosta de tocar.
- Cuidado, tem um degrau. - V� na frente, te sigo.
A escada.
- Bom dia. - Bom dia.
Esse � o Simon dizendo "oi" para voc�.
O pianista.
Talvez um dia. O piano est� aqui.
Simon, esse � William, o afinador de pianos.
Pode me dizer, por favor, a marca do piano?
N�o sei como se pronuncia.
- Hu... fe... - Hupfeld?
Eu conhe�o.
- Precisa de algo? - Tenho tudo que preciso, obrigado.
- Suzanne est�? - N�o.
Quer algo para beber?
N�o, obrigado, voc� � muito gentil.
- O que est� jogando? - � um Game Boy.
Al�?
Suzanne n�o est�.
S� um minuto. Simon, � a Louise.
Oi, Louise.
Sim. Sim.
S� estou jogando no PlayStation.
No seu Game Boy.
Sim.
N�o.
N�o.
N�o.
Sim.
E o que est� fazendo a�?
Mais ou menos o mesmo comigo.
� o piano.
Esqueci de contar, mudamos o piano de lugar.
Sim.
Sim.
Na verdade ele n�o queria...
Mam�e, ela...
Achei que fossemos amigos. Isso � jeito de se comportar?
Em um certo momento, paramos de ser amigos.
Nunca reclamei sobre Simon descer para as...
Como voc� subindo aqui para cozinhar e tudo mais.
- Voc� se tornou odiosa. - Estou cheia disso.
Vou te dizer uma coisa, Pierre nunca ir� voltar.
Merda!
Quer falar com a mam�e?
N�o acredito nisso.
- � a Louise. - Quem �?
Merda! Al�?
Sim. N�o, estou bem.
Estou com uns probleminhas. Mas tudo bem.
Como est�, minha querida?
N�o, querida. Por que quer ficar em Bruxelas?
Como est� a hipertens�o do seu av�?
� �timo que est� ajudando, mas tem que tomar conta de voc� tamb�m.
Voc� tem seus estudos.
� �timo que esteja cuidando dele.
Estou orgulhosa, mas em breve voc� ter� as provas para a Universidade.
Ent�o, voc� vai ter outras perspectivas, e a�... quem sabe?
N�o temos que decidir agora.
O que mais tem para me contar?
Sabe que sinto saudades e quero te ver.
Certo, vamos nos falar de novo mais tarde.
Estarei mais calma.
Um beijo grande. Tchau.
O que est� acontecendo?
Sabe, adultos s�o meio complicados.
Vem aqui.
- Seu dia foi bom? - Sim.
- O que fez na escola? - Os exerc�cios, como sempre.
Exerc�cios de qu�?
- Matem�tica. - Matem�tica?
E soletra��o.
O que aprendeu?
Multiplica��o.
E...
Adi��o?
N�o, j� aprendemos isso.
Subtra��o?
N�o, j� aprendemos isso tamb�m.
Na escrita, aprendemos a fazer todas as letras mai�sculas.
Quais?
- Todas. - Mesmo?
Olhe para mim.
- Voc� est� bem? - Sim.
- Assim, assim ou assim? - Qual?
- Esse bem ou esse? - Esse.
�timo.
- J� lanchou? - Sim.
Chegou facilmente aqui?
Sim, uma pessoa me guiou.
Song, o ajudou?
Pode voltar a afin�-lo?
Tocar� algo para n�s quando terminar?
Talvez sim, talvez n�o... N�o sei.
Eu sei.
Se houver notas falsas, n�o ser� mais culpa do piano.
Desculpe. Minha situa��o n�o � f�cil.
Todos t�m problemas.
Espero que se resolvam logo.
- Como est�? - Bem.
Pronto. Posso pegar esses?
Est� com fome?
Sim.
Um pouco.
- Estou com um pouco de sede. - Sede?
Podemos comprar algo no caminho.
- Certo? - Sim.
- O que quer? - N�o sei.
Estou com sede.
Sim, eu sei. Comprei algo logo.
Simon.
Simon.
O qu�?
Est� dormindo?
Com seu... urso?
Est� bem assim?
Sim.
Durma um pouco.
Vamos l�.
Mais perto.
Vem.
Pode sentar.
Senta aqui. No ch�o. Ver� melhor.
- Sente no ch�o. - Parece que foram feitas com caneta.
Sim, parece.
- O que v� nesse quadro? - Uma garotinha.
Uma garotinha, mas poderia ser um garotinho,
porque, naquela �poca, meninos se vestiam assim.
- S�rio? - Sim, por isso que viemos.
Ent�o, o que esse garotinho ou garotinha est� fazendo?
Procurando por algo.
Um bal�o vermelho... Isso mesmo.
Talvez ele esteja apontando para o bal�o.
Sim, talvez esteja apontando para pega-lo.
- O que tem ao fundo? - Os pais dele.
Poderiam ser os pais dele.
- Poderiam ser fantasmas. - Talvez sejam fantasmas.
� um quadro feliz ou triste?
Feliz.
- � um pouco feliz e um pouco triste. - Entendo. E por qu�?
Porque uma parte � escura e h� raios de sol na outra parte.
Isso mesmo.
A crian�a est� ao sol.
Aonde acham que estava o pintor quando pintou esse quadro?
O que ele v� da posi��o dele? Aonde estava o pintor?
- Em um lugar alto. - Sim, bem alto.
� estranho. Podemos ver os troncos das �rvores?
- N�o. Ent�o, o que vemos? - As copas.
As copas.
Ent�o, temos a impress�o de que toda a cena
� vista bem do alto.
- � um �ngulo alto. - Ou um �ngulo baixo?
Olhem de novo para as duas pessoas paradas ao fundo.
N�o d� a impress�o que est�o nos olhando?
Contudo, todo o resto do quadro parece ser visto de cima.
- � um �ngulo alto. - Ou lateral.
Talvez estejam apenas vigiando a crian�a.
Ent�o, talvez sejam os pais da crian�a.
E o que vemos ali no canto?
Um bola. Um bal�o vermelho.
Sim, isso mesmo, um bal�o vermelho.
- Vi um filme sobre um bal�o vermelho. - � mesmo?
Talvez o quadro se chame O Bal�o Vermelho.
Talvez eles sejam amigos do menino.
Talvez sejam. Talvez sejam adultos.
E o bal�o vermelho? O que acham que est� fazendo com ele?
- Est�o brincando. - Ou talvez os outros meninos disseram:
"Podemos brincar?" "Sim, vou apanhar uma bola. "
Sim, talvez. Talvez haja crian�as atr�s, � disso que est�o falando?
Outras crian�as que n�o podemos ver.
Talvez tenham feito um gol e ele era o goleiro
- e ele n�o conseguiu pegar a bola. - Talvez.
N�o, � verdade, mas pode ser outro jogo.
Talvez eles estejam jogando rugby e atiraram a bola em algum lugar.
Qual a forma do bal�o vermelho?
� redondo.
Sim, � redondo. N�o �...
Tim-tim
No azul da tarde
Tim-tim
Bebendo Pomerol ou Pommard
Brindes chineses
As margens do Rio Loire
Tim-tim
Onde perdi a esperan�a
Tim-tim
Sabores que esqueci
A melancolia
Quando bebo La Veuve fan�e
O impacto
Inunda meu paladar
Tim-tim
Brindo � sua sa�de
Lembra
N�s que amamos a vida
Leite quente. Canela. �gua clara
Agora bebo toda as noites
E � um n�ctar
Com um sabor amargo
Tim-tim
O c�u est� pesado
Tim-tim
Tenho bebido demais Saint-Amour
Desola��o
� luz dos bares
Tim-tim
� voc�. Meu bal�o vermelho
Em homenagem a Albert Lamorisse
e livremente adaptado do filme "O Bal�o Vermelho".
==Equipe Art Subs==
Tradu��o: Oebrio51, Diogo.vix, Pinguim-SP e NoriegaRJ
Revis�o: PHirschen
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