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"Se mostrares o que est� dentro de ti, o que mostras salvar-te-�.
"Se n�o mostrares o que est� dentro de ti, o que n�o mostras destruir-te-�."
Jesus Cristo, Evangelho de Tom�
Eu estou aqui porque reconhe�o
que houve um grande desequil�brio na minha vida
em grande parte devido ao que fiz em termos criminais.
Quero prometer a mim mesmo que esta vai ser a confiss�o
mais honesta da minha vida.
E, ao fazer isso,
preciso de efectuar uma longa viagem ao passado
para compreender o que fiz,
para o reconhecer,
para tentar repar�-lo
e para que aqueles que ofendi
saibam isso, se poss�vel.
O que lhes quero dizer, basicamente, � que isto n�o devia ter acontecido.
N�o devia ter acontecido.
LIVRAI-NOS DO MAL
Quando o vi pela primeira vez,
creio que foi amor � primeira vista.
- Concordo. - A s�rio que sim.
Era f�cil falar com ela.
Pois deve ser, j� estamos juntos h� 41 anos.
Ele n�o praticava mesmo o budismo. Costumava ir comigo � igreja.
Sim, mesmo antes de te conhecer, creio que costumava ir � capela,
apenas para ter paz e sossego.
Mas depois ainda tive de ir � Irlanda falar com o pai da Maria
e pedir a m�o dela em casamento.
Nessa altura j� eras baptizado.
Creio que isso era uma grande preocupa��o para a minha fam�lia.
Cas�mos no dia 26 de Dezembro de 1964.
Perguntei � Maria: "Gostavas de ir para os EUA?"
Foi um grande passo,
mas eu estava disposta a ir para onde quer que o Bob fosse.
A Ann nasceu no dia 9 de Maio de 1966.
- Foi uma grande alegria. - Sim, foi.
Nessa altura o Bob trabalhava 12 horas por dia.
N�s vest�amo-nos e �amos l� para fora
esperar que o Bob chegasse a casa.
Ela costumava dizer: "Ol�, pap�."
Depois dava-me um abra�o e um beijinho.
Ela era uma menina perfeita. Pod�amos lev�-la a todo o lado.
De certo modo ela cuidava de mim.
Depois fui trabalhar um dia por semana
e ent�o decidimos comprar uma casa. Esta.
Esta aqui.
A �nica casa que compr�mos.
Tive uma educa��o cat�lica muito rigorosa na Irlanda.
Era a nossa vida.
N�o existe mais nenhuma religi�o.
Achei que ela era um exemplo perfeito de uma boa cat�lica
que tinha f� na sua religi�o,
quer eu aceitasse ou n�o todas as cren�as da Igreja Cat�lica.
E era assim que educ�vamos os nossos filhos.
Isso era parte da nossa vida.
- Era a nossa vida, na verdade. - Sim, era.
L�, encontrei paz
e conforto, creio eu.
Oliver O'Grady "Padre Ollie"
Algumas pessoas nascem para serem l�deres,
outra para serem seguidores, etc.
Eu gosto de ajudar as pessoas
e, como um dos meus amigos padres me disse uma vez:
"Tu �s uma pessoa do povo."
E acho que isso me ajudou muito a poder dizer
que finalmente encontrei aquilo que gosto de fazer.
Creio que � isto que quero fazer. Acho que este � o meu dever.
Gosto de estar com pessoas.
Achei que sabia relacionar-me com as pessoas.
Achei que sabia lidar com crian�as.
Muitas vezes me interroguei: "Por que raz�o...
"Por que raz�o gosto tanto de crian�as?
"O que quero fazer por elas?"
Sinto compaix�o pelas crian�as que vejo com dificuldades
e que imaginam o que eu era quanto tinha a idade delas
e n�o tinha ningu�m para me ajudar.
Tento estender a m�o a pessoas assim.
A primeira vez que nos conhecemos foi em 1971.
Estava muito entusiasmada por conhecer algu�m da minha terra.
E, nessa altura, s� c� estava h� cinco anos.
Ele vinha c� passar os dias em que n�o trabalhava.
Na altura tinha uma pron�ncia irlandesa muito acentuada,
por isso n�s ajud�vamo-lo com os serm�es
e a Ann ia a alguns s�tios com ele.
A Ann Jyono...
A pequena Ann, ela foi uma das primeiras pessoas que conheci,
ou melhor, os pais dela.
A m�e era irlandesa e o pai era japon�s,
ou de origem japonesa.
Fui muito bem recebido em casa deles
durante os muitos anos que passei em Lodi.
Podia... fui muitas vezes convidado a dormir l�.
Talvez tenha sido nessa altura que alguns dos problemas come�aram,
relativamente � Ann.
Existem dois tipos de pessoas na Igreja.
A hierarquia nos "pastos sagrados", como eles lhe chamam,
os que s�o eleitos por Deus para liderar,
e a vasta multid�o que � o povo
e cujo dever � serem seguidores d�ceis e obedientes. � assim.
O sistema � uma monarquia. Todo o poder reside em indiv�duos
e assim o sistema protege esses mesmos indiv�duos,
pois eles acreditam que essa � a vontade
do poder divino, do Todo-Poderoso,
ou seja, que Ele quer que esses indiv�duos seja poderosos
para poderem controlar esta por��o da realidade chamada Terra.
E isto... Pode parecer simplista ou at� fic��o cient�fica,
mas � assim que est� definido.
Fui estudante durante oito anos na Holy Spirit,
que pertence � diocese de Sacramento.
Eles tinham uma esp�cie de publicidade ao Camp Pendola,
e foi a primeira vez que eu fui acampar.
Nenhum dos meus amigos andava l� na escola.
N�o conhecia l� ningu�m.
Cheguei a escrever uma carta � minha m�e
e na parte de tr�s do envelope
dizia que tinha conhecido um amigo novo e o seu nome era Padre O'Grady.
Lembro-me de ele vir passar a noite juntamente com as outras raparigas
e de alguns dias mais tarde as outras raparigas
ficarem com uma irrita��o na pele devido ao sumagre
e de terem dito que eu n�o fiquei porque tinha dormido com o padre.
Acho que aquilo de que mais me vou arrepender
foi ter-me permitido
enroscar uma noite na cama ao lado dela
quando me veio visitar.
Chamava a isso amor e preocupa��o,
t�-la nos bra�os, t�-la abra�ado.
Isso conseguia satisfazer-me
e, de certo modo, saciava a minha necessidade
de conseguir estar presente para algu�m.
A partir da� n�o sei como foi que a rela��o come�ou,
como � que arranjou a minha morada
e entrou em contacto com os meus pais.
Ele veio a nossa casa algumas vezes.
A minha m�e � da Argentina,
por isso tem uma atitude mais de confian�a.
Ela disse-lhe, creio eu,
que eu estava a afastar-me um pouco da fam�lia.
Achou que seria uma boa ideia eu passar algum tempo com ele.
Se algu�m me perguntasse onde ou o qu�...
"O que � que lhe d� prazer? O qu�?"
"O que � que o excita?"
"Que �reas s�o essas?"
E, se me dessem uma variedade de �reas para considerar,
certamente diria que eram as de n�vel mais jovem.
Foi a� que muita coisa veio ao de cima.
Se me perguntassem se me sinto excitado quando vejo mulheres,
provavelmente diria que n�o.
"Sente-se excitado quando v� homens? N�o."
"Sente-se excitado quando v� crian�as?"
A� diria que talvez.
"Ent�o e crian�as que est�o...
... em fato de banho?" A� diria que sim.
"Ent�o e crian�as em roupa interior?"
"Sim!", compreende?
"Ent�o e se pensasse ter visto crian�as nuas?" Eu dizia que sim.
A minha �ltima mem�ria do Oliver
� uma dor intensa
antes de desmaiar.
Antes de abandonar o sacerd�cio,
Case foi pastor da Par�quia de St. Anne's onde Oliver O'Grady era padre.
Os pais telefonaram ao Case e disseram-lhe:
"Quando fomos buscar a nossa filha,
Jane fala por Case cuja mem�ria est� debilitada por motivos de doen�a.
"Estava muito nervosa, parecia agitada
e extremamente ansiosa."
Ele levou-me de casa.
Disse-lhe que �s vezes ficava enjoada ao andar de carro
e ele disse: "Deita a cabe�a no meu colo." O abuso come�ou logo.
Eu estava na auto-estrada 12
a dois minutos de dist�ncia de minha casa e j� tudo tinha come�ado.
E, durante 96 horas, o abuso continuou at� os meus pais terem chegado e dito:
"Divertiste-te com o padre?" Eu disse: "Fez-me demasiadas c�cegas."
Como dizemos aos nossos pais o que acabou de nos acontecer?
Finalmente conseguiram que ela falasse durante a noite,
sobre como ele tinha entrado no seu quarto
e a tinha molestado.
Testemunho de Oliver O'Grady
Acho que tentei ser afectuoso ao beij�-la na boca.
Sei que a minha m�o desceu
e creio que lhe levantei a camisa de noite
e tentei...
Eu n�o tentei, eu toquei-lhe realmente na zona genital,
talvez por cima da roupa ao in�cio
e talvez, embora n�o consiga ser espec�fico,
tenha tentado colocar a m�o dentro da sua roupa interior.
Creio que foi nessa altura que percebi
que n�o era correcto continuar.
Embora eu n�o...
Parafraseando exactamente aquilo que me lembro de ter feito,
o que eu quero dizer � que parei logo ap�s o sucedido
e sa� da cama e do quarto e voltei para a minha cama.
O Case perguntou-lhe: "J� alguma vez fizeste isto?"
"N�o."
E ent�o ele disse-lhe:
"Ollie, isto � ultrajante.
"Isto � o tipo de coisa pelo qual uma pessoa pode ser presa.
"Quero que te sentes e escrevas uma carta a pedir desculpa."
Aproveitei a ocasi�o para escrever a minha carta � v�tima
e pedir desculpa.
"Permitam-me dizer, primeiro que tudo,
"que me foi muito dif�cil escrever esta carta.
"Comecei a gostar imenso da Nancy
"e queria exprimir a minha amizade e o meu amor por ela
"convidando-a a passar algum tempo comigo.
"Tamb�m tenho de admitir
"que me sinto muito afei�oado � Nancy,
"algo que de certeza j� mostrei muitas vezes,
"at� mesmo na vossa presen�a.
"Agora vem a parte dif�cil.
"Toquei na Nancy em zonas onde n�o devia ter tocado?
"Admito que o fiz nalgumas ocasi�es.
"Acho que fiquei demasiado afei�oado
"e tirei proveito da situa��o e fui um pouco longe demais.
"J� escrevi uma carta a pedir um encontro com o meu bispo.
"Tenho no��o da grande responsabilidade que tenho como padre
"e dos ideais superiores que tenho de sustentar.
"Mas � dolorosamente que tamb�m tenho consci�ncia das minha fraquezas
"e de como por vezes � dif�cil
"manter presentes os ideais do sacerd�cio...
"... quando as tenta��es de satisfazer o ego se apresentam."
Ele disse: "Fiquem a saber que eu j� falei com o Bispo Guilfoyle."
Na altura era ele o bispo.
"Assim que terminarmos a conversa, voc�s entram no carro."
A minha m�e diz que quando falou com o Guilfoyle, ele s� lhe dizia:
"De certeza que a Nancy entendeu mal as inten��es dele.
"De certeza que o que ela afirma ter acontecido, n�o � o que aconteceu."
Embora Oliver tivesse marcado um encontro,
Guilfoyle j� tinha falado com Case DeGroot sobre isso.
A minha m�e vai a uma reuni�o
e ele diz-lhe: "De certeza que n�o aconteceu nada de especial..."
Ent�o a minha pegou na carta e diz que a cara dele
ficou vermelha como um tomate. Ficou furioso por causa da carta.
Por que estava ele furioso com isso?
Por raz�es legais, claro.
Acho que estava ansioso
para que a carta fosse destru�da
ou que, de algum modo,
desaparecesse.
O Case queria certificar-se
de que o Ollie ia ter aconselhamento por causa disto,
mas quando ele averiguou,
o bispo achou que ele tinha feito a sua parte,
tinha falado com ele e a sua tarefa estava cumprida,
ou seja, ele n�o devia continuar a fazer parte disto.
Em 1976, o Bispo Guilfoyle promete � fam�lia de Nancy Sloan
que Oliver O'Grady ir� ser mandado para um mosteiro.
Em troca disso, a fam�lia n�o apresenta queixa.
Em 1978, o Bispo Guilfoyle transfere Oliver O'Grady
para outra par�quia a 87 Km dali.
Lembro-me de dizer uma vez ao Case quando �amos de carro a qualquer s�tio
e o nome do Ollie surgiu por qualquer raz�o:
"O que faz ele quando n�o trabalha?"
Quando eu disse: "Sabes que ele costuma dormir em casa da Maria.",
vi que ele ficou bastante nervoso, mas n�o me disse nada.
A raz�o pela qual lhe ped�amos que dormisse c�
era porque a igreja pode ser h�ctica.
Um padre pode estar 24 horas de servi�o,
pois os p�rocos podem precisar de ajuda
e era um al�vio afastar-se do trabalho.
Os deveres que um padre tem de levar a cabo
n�o devem ocupar todo o seu tempo.
Lembro-me de uma vez...
Essa era a resposta dele relativamente aos padres que n�o casam.
Noutras religi�es casam.
Seria muito mais f�cil ajudar pessoas da religi�o cat�lica,
caso tivessem tamb�m uma fam�lia.
Ele costumava dizer que n�o podia fazer isso.
- N�o podia fazer as duas coisas. - Sim, devido ao trabalho com a Igreja,
ou seja, a dedica��o � Igreja.
O celibato � necess�rio porque...
Mas eu dizia: "Como sabes como funciona uma fam�lia?"
Ele respondia: "Atrav�s da educa��o, da escola..."
Pensar hoje nessa altura, � lembrar-me da prepot�ncia.
Ele levava-nos a trat�-lo como se ele fosse uma divindade,
como se fosse o rei.
Vinha chamar-nos durante as aulas. Tinha controlo absoluto sobre n�s,
pois estava na nossa escola, na nosso casa, na igreja...
De acordo com o estilo de vida cat�lico, que mais h� al�m disso?
De que parte da minha vida � que ele n�o participava?
Sinceramente, havia muitas �reas da minha compet�ncia
para as quais n�o estava preparado.
Aconselhamento era uma delas.
Se voltasse, nunca aconselharia as pessoas,
a menos que tivesse forma��o nessa �rea.
Aparentemente n�o conseguia ver as diferen�as
e os elementos que...
Havia sinais de perigo perante os quais um terapeuta sabia dizer:
"Existe aqui uma transfer�ncia."
Esta pessoa n�o vem falar comigo uma vez por semana,
ela telefona-me duas vezes por dia.
Esta pessoa telefona-me
para falar sobre coisas que agora s�o insignificantes.
"Meu Deus, o que hei-de jantar?"
"O que quiser. Por que est� a telefonar-me?
"N�o � a primeira vez que janta nem h�-de ser a �ltima."
Mas o que havia em mim que dizia "podem telefonar-me"?
Estamos a falar de algu�m que conhec�amos h� 23 anos
e em quem confi�vamos totalmente.
Confi�vamos nele porque...
Agora sei das coisas que ele fez com outras fam�lias e...
... sinto que nunca vi essa faceta dele.
N�s apoi�mo-lo at� ao fim
pois ele era o exemplo perfeito
daquilo que imaginamos ser um padre, enquanto esteve aqui na nossa casa.
Ele sempre foi respeitoso.
Nunca tinha havido problema nenhum com as crian�as.
Ele dormia c�.
Era comum v�-lo aqui de manh� a ler a B�blia.
- Ele era tudo aquilo... - Eu ia trabalhar...
Para n�s ele era aquilo que mais se parecia com Deus.
Ser cat�lico
n�o � como ser luterano ou presbiteriano.
Aquilo que � dif�cil compreender para aqueles que n�o s�o cat�licos,
� que a Igreja ensina que o �nico caminho para a salva��o,
no caso de um cat�lico, � pela Igreja.
Quem n�o estiver em comunh�o com a Igreja � condenado ao inferno.
E n�o estamos a falar de um inferno onde Deus est� ausente,
mas sim do inferno com fogo e enxofre para toda a eternidade.
A Eucaristia, como lhe chamamos na teologia cat�lica,
ou a Comunh�o Sagrada, � a partilha do p�o e do vinho
que para alguns � o corpo e o sangue de Cristo
e que para outros representa o corpo e o sangue de Cristo.
Mas independentemente do que lhe chamem,
isto � essencial no catolicismo.
O poder da Eucaristia
� aquilo que a Igreja tem exercido sobre as pessoas.
"O facto de eu, que fui ordenado com uma marca indel�vel,
"poder dar a comunh�o sagrada � o que me distingue de v�s.
"O que me separa de uma pessoa normal que v� a descer a rua."
Se pensarmos nas primeiras comunidades com igrejas,
n�o era o clero que as controlava,
mas sim a reparti��o e distribui��o do p�o aos crentes
como s�mbolo da presen�a espiritual de Cristo entre n�s.
Mas isso foi controlado de muitas maneiras e ganhou um car�cter pol�tico.
Por exemplo, quem for casado, se divorciar
e voltar a casar, mas n�o por um padre, n�o pode comungar.
Quem for homossexual e n�o for absolutamente casto e celibat�rio,
n�o pode comungar.
Quem votar em algu�m que aprove o aborto,
segundo alguns n�o pode comungar.
Isto tornou-se numa recompensa pol�tica
para aqueles que pensam da maneira correcta,
quanto, realmente, n�o � nada disso.
N�o imagino nada mais mal�fico que um padre servir-se do seu of�cio.
Aquilo a que os cat�licos chamam "alter Christus",
ou seja, quando o padre ergue a h�stia durante a missa
e a consagra, nessa altura o padre une-se a Cristo.
Os cat�licos acreditam, e ensinam-nos isso quando somos mi�dos,
que nessa altura ele � Jesus Cristo.
Pegar naquela m�o, pouco tempo antes ou depois disso,
e coloc�-la nos genitais de uma crian�a e abusar dela...
Creio que isso contribuiu em parte para a terr�vel destrui��o da crian�a,
ao seja, juntamente com todas
as outras consequ�ncias, consequ�ncias a longo prazo
devido aos abusos sexuais, isto �, o abuso espiritual,
ao ser abusada pela encarna��o do divino, se quiserem.
Isto era algo devastador.
Pedi para me encontrar com Oliver O'Grady em 86
e eles disseram-me que vingar-me era errado,
que ela agora era a virtude do sacerd�cio.
"Ele est� a ter aconselhamento. Reveja os seus motivos."
Testemunho de Monsenhor Cain
Quando a Nancy foi falar consigo nos Anos 80,
estava angustiada, correcto?
Foi em 1986, n�o foi?
Estava angustiada?
N�o, n�o estava.
Estava �ptima?
Da primeira vez que a vi, foi nesse dia.
N�o sabia nada sobre ela.
Pareceu-me bastante calma.
Ele n�o parava de mandar a culpa para cima de mim
quando lhe disse que s� queria que ele compreendesse
a profundidade da dor que eu sofro regularmente
e de como cada vez que vejo um Dodge Duster,
o carro que ele conduzia na altura,
fico com v�mitos e tenho de encostar o carro.
O que queria ela?
Queria saber se o Padre O'Grady
continuava a fazer terapia.
O que lhe disse?
Disse-lhe que achava que sim, mas que ia confirmar.
- E estava? - Sim.
Disse-lhe: "Sabia que eu era molestada,
"sabia que os abusos aconteciam. Como foi capaz de n�o fazer nada?"
O Bispo Montrose sabia que O'Grady abusava de crian�as?
Sabia que O'Grady tinha sido acusado
de molesta��o em 76.
Tal como todos os outros bispos depois de 76.
- Correcto? - Sim.
E ele disse:
"Sab�amos que eras molestada,
"mas eras uma rapariga,
"por isso ach�mos que era uma curiosidade normal.
"Se fosses um rapaz,
"ter�amos pensado que havia algo de errado.
"Teria sido obsceno
"ele ter molestado um rapaz."
Se fosse homossexual...
Aconteceu que eu estava sozinho com o rapaz.
N�o estava ningu�m na reitoria nessa altura.
Levei-o l� para dentro. J� me tinha afei�oado a ele antes,
por isso voltar a afei�oar-me a ele
n�o seria algo dif�cil, mas eu estava afei�oado.
Lembro-me...
... de estar a segur�-lo e de o abra�ar
e talvez de estar a dizer-lhe coisas agrad�veis
e ele ia respondendo.
O que realmente me passou pela cabe�a
foi despi-lo completamente
e molest�-lo dessa forma.
Creio que lhe tirei a t-shirt...
Depois ia desabotoar-lhe as cal�as e senti...
N�o sabia se queria ir... Surgiu um conflito na minha mente
quanto ao facto de querer mesmo fazer aquilo.
"Aqui est� algu�m de quem gosto,
"aqui est� algu�m que eu respeito,
"uma fam�lia que eu respeito...
"Como vai ele sentir-se depois disto?"
Mas, por outro lado,
sentia o desejo de ter contacto sexual com ele
e esta � a oportunidade para fazer isso,
pois sabe Deus quando voltarei a ter outra oportunidade assim.
Ent�o decidi n�o me afei�oar a ele,
por�m, mais tarde, voltei a lev�-lo para o meu quarto
e desabotoei mesmo as cal�as dele.
Peguei no p�nis dele e comecei a masturb�-lo.
Creio que ao fazer isso, embora n�o saiba o que ele estava a sentir,
acho que, ao olhar para a cara dele,
ele me disse que n�o se sentia confort�vel a fazer isto.
A certa altura pensei que ele ia come�ar a chorar.
Numa das poucas vezes em que isso me aconteceu,
tive um orgasmo
sem que ele me tocasse.
E foi assim que terminou.
Voltei a vesti-lo
e talvez tamb�m me tenha arranjado sozinho na casa de banho.
Arranjei-o e vesti-lhe a t-shirt
e tomei uma decis�o logo ali.
N�o voltaria a fazer aquilo �quele rapaz.
A� est� a Irlanda.
- Ele foi connosco. - Sim.
Aqui est� ele com a av� e o av�.
Sim. Essa �s tu.
- Est�s a� sentada. - Na traseira do carro.
- � a fotografia da tua comunh�o. - Sim.
Com o Mahony.
Em 1980, o Bispo Guilfoyle morre e � substitu�do por Roger Mahony.
Estou furiosa com o Mahony
por ele ter dito que n�o tinha qualquer conhecimento deste ped�filo,
ele que tinha um ficheiro, um ficheiro subsecreto,
que tinha provas, que tinha...
... um pai, o Howard, que tinha exprimido a sua preocupa��o
quanto ao tempo em que os seus filhos estavam sozinhos
nos dias de folga de Oliver O'Grady.
Os Howards escolheram n�o aparecer,
mas providenciaram as queixas por escrito
que apresentaram � Igreja.
10 de Outubro, 1980.
"J� uma vez falei consigo por causa do Padre Oliver O'Grady."
"Ele desencaminha a minha esposa e os nossos filhos adolescentes
com os seus 'ensinamentos sobre o casamento'."
"Apareceu hoje e levou o nosso filho de dois anos a passear.
"N�o veio vestido de padre. Diz que � o seu dia de folga."
"Amea�ou processar-me por difama��o se me queixasse a si.
"Estou preparado para provar estas acusa��es."
De 76 a 84,
creio que foi nessa altura que a situa��o com os Howards teve lugar.
Se me envolvesse com eles,
eu era um perigo para eles,
mas tamb�m teria sido um perigo para outros.
Testemunho do Cardeal Roger Mahony
relativamente � fam�lia Howard em 1980?
Chamei-o e disse-lhe que ele tinha de p�r fim
� conduta... ao contacto com a Sra. Howard e a fam�lia Howard.
Ele prometeu faz�-lo
e eu nunca mais recebi uma queixa dele ou dos Howards.
Visitei o bispo e fizemos uma confer�ncia.
J� lhe tinha dito que talvez precisasse de aconselhamento
para compreender tudo isto
e, nessa altura, ele disse que sim, para eu fazer isso.
Eu dizia: "Aben�oai-me padre, pois pequei..."
�s vezes � bom mencionar quando foi a nossa �ltima confiss�o e dizer:
"Ontem estive com uns amigos,
"alguns deles s�o crian�as
"e tive a oportunidade de estar a s�s com uma delas
"e fiz algumas coisas como tocar-lhe nas partes privadas,
"sendo que j� o fiz algumas vezes quando ela esteve a s�s comigo
"e quero confess�-lo agora
"e pedir perd�o e absolvi��o."
Caso soubesse que o Padre O'Grady tinha dito ao seu vig�rio-geral
que ele tinha tido desejos sexuais por uma crian�a de nove,
dez ou onze anos,
isso seria causa para o retirar do sacerd�cio?
N�o.
E ent�o a Igreja mudou-o para outro local onde existiam mi�dos.
Por que n�o o mandaram embora?
Por que permitiram isso?
Ningu�m fez nada
que o afastasse das crian�as.
Transferi-lo de um lado para outro
� apenas ficar � espera que uma trag�dia aconte�a.
Em 1982, Roger Mahony muda Oliver O'Grady
para uma par�quia a 83 Km dali.
Em 1982, 83 e 84, Oliver O'Grady continua a abusar de crian�as
em Stockton, Turlock e Lodi.
Uma vez mais, o que despertou a situa��o de 84
foi eu n�o estar a sentir-me bem a n�vel interior.
"Alguma coisa n�o est� bem. Preciso de resolver isso."
Quando falei disso ao meu conselheiro,
desta vez era um conselheiro profissional
que era laico... Foi muito prest�vel.
Ele deixou-me completamente desarmado.
De repente percebi o grande problema que tinha,
as tend�ncias que tinha
e o vale de destrui��o que criara como resultado disso.
E isso foi muito assustador,
foi muito dif�cil de compreender e at� mesmo de querer compreender
o que estava a acontecer nessa altura.
Mas foi isso que ele fez quando me confrontou.
Ele disse: "Tenho de relatar isto."
Querendo dizer que ia relat�-lo �s autoridades,
� pol�cia...
E isso assustou-me imenso, fez-me mesmo despertar.
"Queixa de suspeita de abuso de menor."
"A v�tima foi alegadamente um menino de nove anos."
O meu conselheiro sugeriu ent�o que eu falasse com o bispo.
Agora sei que cada pessoa tem um ficheiro pessoal,
por isso a minha tend�ncia � pensar que, sabendo como o Mahony �,
ele reviu todos os ficheiros
e caso tivesse visto algumas refer�ncias que constassem no ficheiro
a respeito dos incidentes de 1973 e 76,
creio que isso lhe diria que n�o se tratava de um caso isolado,
mas que tinham existido pelo menos duas situa��es anteriores
que precisavam de ser resolvidas.
Eu devia ter sido retirado...
... e tratado.
A seguir ele devia ter assistido as pessoas que eu magoei.
Gostaria que ele tivesse feito isso.
Gostaria que todos os bispos o tivessem feito.
Eu n�o falei logo com o Mahony.
Creio que falei com o outro monsenhor que c� estava, o Monsenhor Cain.
Acha que teria sido importante, em 1984,
avisar a Pol�cia de Stockton
n�o s� a respeito da informa��o a respeito do jovem Sr. Howard,
mas quanto ao facto de ter existido uma alega��o pr�via
de molesta��o por parte da fam�lia da Nancy Sloan?
N�o.
Como � que eles iriam descobrir o que aconteceu � Nancy Sloan,
sem que uma pessoa da diocese lhes tivesse dito?
N�o descobririam. Nessa altura,
os dois n�o estavam relacionados. N�o havia coordena��o.
O que quer dizer ao afirmar que n�o estavam relacionados
e que n�o havia coordena��o?
Na altura em que veio ter comigo, em 84, para falar deste incidente,
certamente...
Eu sabia do incidente de 76, mas n�o os relacionei.
Num era uma rapariga e a acusa��o era molesta��o.
No outro era um rapaz, disse ele,
e eu apenas n�o os relacionei na minha mente.
O Monsenhor Cain sugeriu depois que eu falasse com o advogado da diocese.
Sim, foi dif�cil, pois eu estava como que...
Era o medo do desconhecido.
Podia ir preso.
Onde � que podia acabar? Isto podia ser...
O que pensaria a minha fam�lia?
O que v�o as pessoas pensar quando isto acontecer?
O Mahony chegou a telefonar-me.
Estava fora da cidade numa reuni�o. N�o me lembro onde.
Mas quando voltou, falou comigo.
Lembro-me de lhe dizer: "Sabe, bispo, tudo isto j� dura h�..."
Eu mantinha um registo dos dias. "... 40 dias."
Eram mesmo 40 dias.
Disse-lhe que para mim estava a ser uma verdadeira experi�ncia no deserto,
usando uma analogia das Escrituras e a cena dos 40 anos no deserto.
Disse-lhe que estava a ser uma verdadeira experi�ncia quaresmal,
mesmo fora de Lent.
Ele apoiou-me imenso.
Foi muito compassivo.
Senti na altura... Achei que ele me tinha telefonado
apenas para saber como eu estava, pois sabia obviamente
que eu andava sob imensa press�o por causa da situa��o.
E eu disse-lhe isso.
Ele voltou a telefonar e disse-me: "Eis o ponto da situa��o.
"N�o v�o ser apresentadas queixas, mas n�s vamos mud�-lo.
"Eis outras quest�es relativamente ao acordo."
O bispo, os advogados e a pol�cia decidiram que seria melhor
mudar-me para outro local fora do condado em quest�o
onde estas acusa��es seriam apresentadas.
E ent�o... deixar-me-iam tratar dos meus assuntos l�.
Aqueles que estavam ao servi�o do Mahony
prometeram � pol�cia que ele n�o voltaria a ter uma par�quia,
que n�o estaria ao p� de crian�as e que eles tratariam do assunto.
No sistema eclesi�stico do Vaticano
existe o termo bella figura.
� uma palavra italiana que significa boa impress�o, boa imagem...
Um dos aspectos ou um dos factores
para que um homem tenha sucesso na Igreja
� conseguir criar uma boa imagem
e essa era a grande preocupa��o do Roger.
Criar uma imagem de um bispo bastante ortodoxo, leal e recto
que, se tudo corresse bem, brevemente se tornaria arcebispo,
pois ele seria a �nica escolha do Papa para arcebispo de Los Angeles.
O que ele tinha a fazer na altura
era afastar O'Grady, para evitar o esc�ndalo
e qualquer inquiri��o � sua pessoa em especial.
Lev�-lo para uma par�quia distante,
longe do local onde a pol�cia tivesse jurisdi��o,
que na altura era Stockton,
e lev�-lo para San Andreas, St. Andrew's em San Andreas,
no interior do pa�s, e coloc�-lo num cen�rio buc�lico muito sossegado
onde n�o havia mais nenhum supervisor, apenas o O'Grady,
e onde ningu�m saberia de nada.
A pol�cia n�o saberia, o p�blico n�o saberia,
os paroquianos e as v�timas dessa terra n�o saberiam
e Roma tamb�m n�o.
Recolhi os depoimentos de cardeais, arcebispos e bispos de todo o pa�s
durante 23 anos e aquilo com que me deparei
foi decep��o, perj�rio, recusa e fraude
aos mais altos n�veis da Igreja Cat�lica.
Houve algu�m que comunicou � pol�cia,
a meio da sua investiga��o decorrente,
que iam transferir O'Grady para fora da par�quia,
que ele ia apenas trabalhar com adultos,
longe das crian�as.
O Monsenhor Cain negou ter conhecimento disso.
Sob julgamento.
O senhor era o "capit�o do navio",
o bispo da diocese e o superior eclesi�stico.
Quem mais, se o senhor e o Monsenhor Cain
n�o tinham conhecimento disto, poder� ter dito isso?
Sabendo como a diocese funciona ou funcionava em 1984.
N�o fa�o a menor ideia.
N�o sei.
Sei que caso o Monsenhor Cain tivesse conhecimento do que diz aqui,
certamente teria dito alguma coisa.
N�o nos teria deixado transferi-lo para San Andreas. Sei que n�o.
N�o sei � quem... Quando dizem "esta unidade foi avisada",
n�o sei a quem est�o a referir-se. N�o fa�o ideia.
Em 1984, Roger Mahony transfere Oliver O'Grady
para outra par�quia a 75 Km dali.
Citando a carta do cardeal, ele colocou-o
"a cuidar das almas daquela par�quia na Calif�rnia."
Pela primeira vez tive responsabilidade total por uma par�quia.
At� ent�o eu era um associado.
Estava tudo, uma vez mais, a correr bem para ele.
Era mais uma situa��o que tinha sido resolvida calmamente.
Lembra-se de receber esta carta do Padre O'Grady?
N�o me lembro, mas...
O senhor mostrou-ma. Presumo que a recebi.
Muito bem. A pr�xima frase diz:
"Ao escrever esta carta, digo-lhe que � uma das primeiras pessoas
"a quem devo uma imensa gratid�o."
Ponto final. "Agrade�o-lhe sinceramente
"por tudo aquilo que fez por mim nos �ltimos meses."
Acha que ele estava a referir-se a qu� quando fez esta afirma��o?
A nada em especial. Achei esta carta um exagero.
Eu n�o tinha grande rela��o pessoal com ele.
N�o se tratava de um padre com quem eu jogasse golfe,
jantasse ou qualquer coisa do g�nero.
Por isso, achei a carta demasiado floreada e efusiva.
Sinceramente n�o sei.
Tal como disse, quando voltei a ver isto,
e tenho uma ideia quanto � altura em que a recebi...
Mas n�o passa de uma carta demasiado efusiva que...
O pr�ximo par�grafo diz, e passo a citar,
"Fico-lhe particularmente agradecido
"pela sensibilidade que mostrou nesta minha hora de necessidade."
Acha que ele est� a referir-se a qu�?
N�o me lembro. Tal como j� disse,
achei toda esta carta um grande exagero.
Creio que na altura a li rapidamente e a arquivei.
S� mais tarde � que lhe respondi.
N�o achei que fosse importante ou...
N�o fa�o ideia.
Nesta altura, olhar para isto depois de 12 anos,
n�o me lembro do que pensei quando li a carta.
Quando a li fiquei bastante confuso.
N�o fazia ideia ao que estava a referir-se.
Pessoalmente nem lhe prestei muita aten��o.
Podem comprovar que s� lhe respondi passadas tr�s semanas.
"Caro Oliver: muito obrigado pela sua linda carta."
"Tem ocupado firmemente as minhas ora��es."
"Estou ansioso por conhec�-lo... para que possamos discutir a sua situa��o
"e o modo como poderei ajud�-lo pessoalmente."
O que o Cardeal Mahony fez foi escolher a sua carreira,
poder e gl�ria em vez de escolher as crian�as.
� tal e qual a cena no Evangelho
em que Satan�s levou Cristo ao topo da montanha e lhe mostrou
todas as cidades do mundo e toda a gl�ria do mundo e disse:
"Tudo isto pode ser teu se te ajoelhares e me venerares."
Creio que foi isso que o Cardeal Mahony fez.
Era a �nica coisa que podia fazer para manter o seu estatuto
e por fim ser elevado a cardeal,
o que aconteceu em menos de dois anos.
Ao casar pela Igreja Cat�lica,
Detective Mike Walker do condado de Calaveras.
que nos vai casar. No nosso caso, foi com o Oliver O'Grady.
Essas aulas, segundo o que sei agora,
decorriam entre seis a sete semanas ou seis ou sete sess�es.
A minha mulher e eu fomos ter as nossas aulas.
Encontr�mo-nos uma vez com O'Grady.
Ele descobriu que eu era pol�cia
e decidiu que n�s n�o precis�vamos de mais treino conjugal.
Aprovou-nos e assim pudemos casar pela Igreja Cat�lica
com o Oliver O'Grady a celebrar o nosso casamento.
Ele era o padre de uma das igrejas que abrangia metade do condado.
Por isso, desempenhava um importante papel na vida de muitas pessoas,
de muitas fam�lias no condado de Calaveras.
Ele admitiu ter passado todo o tempo em que foi padre
a preparar as suas v�timas e ele foi padre durante mais de 30 anos.
Passou cada hora a planear abusos, a executar abusos
e a pensar em abusos.
S�o 365 dias por ano multiplicados por 40.
Ele tem tantas v�timas que n�o creio que se lembre de todas.
Creio que s�o �s centenas.
Que idade t�m as crian�as molestadas?
Uma tem o qu�, tr�s, nove meses?
Essa foi a v�tima mais nova.
- Tinha nove meses. - Nove meses...
Molestar uma crian�a...
Parte do que as pessoas t�m de fazer quando falam sobre isto,
embora custe imenso e ningu�m o queira fazer,
� tentar realmente imaginar visualmente
um adulto a inserir ou a for�ar o seu p�nis
na vagina de uma beb�.
Oliver, alguma vez lhe foi diagnosticado um dist�rbio dissociativo?
De certeza que me insiro na categoria de imensos dist�rbios.
Sejam eles quais forem, eu insiro-me neles.
- N�o estou a tentar ser superficial. - E eu estou. Pe�o desculpa.
N�o h� problema. O que estou a tentar dizer
� se alguma vez algu�m lhe disse que poderia dissociar-se dos eventos?
- De certeza que sim. - Muito bem.
Para mim, como leigo, quando se molesta algu�m,
isso � algo muito concreto. Ou se molesta ou n�o.
O que eu vejo em si, Oliver,
� que por vezes n�o tem a certeza de ter molestado algu�m.
Correcto.
Pensa assim porque acha que tal n�o aconteceu
ou acha que � para lidar com esse trauma
ou para o justificar ou lidar com a culpa,
seja qual for a doen�a da qual padece...
Acha que se dissocia da realidade do que aconteceu?
- Sim, diria que sim. - Certo.
Ele � um homem bastante perigoso.
� uma pessoa agressiva e amea�adora
que aparentemente fazia qualquer coisa para chegar �s suas v�timas,
incluindo ter rela��es sexuais com os pais das mesmas.
Adam e os seus pais.
Quando era pequeno, falava com toda a gente.
Sinto que tive muita mais esperan�a em mim do que d�vida.
Podem perguntar a todos os meus professores.
Eles v�o dizer: "Era um tipo esperto. N�o sei o que lhe aconteceu."
O'Grady viu um alvo f�cil em n�s porque t�nhamos sido educados...
Eu tive uma educa��o cat�lica,
por isso quando via um tipo que usava volta,
automaticamente confiava nele.
Ent�o, ele mudou-se logo.
A Becky mordeu completamente a isca.
Ele era o lobo. Eu era a guardi� do port�o
e deixei o lobo entrar pelo port�o.
Foi isto que eu sempre senti.
Saber que podia estar redondamente enganada...
At� que ponto estava enganada? Estar terrivelmente enganada...
... foi absolutamente devastador.
O esquema dele... Ele entrava na fam�lia n�o s� atrav�s das crian�as.
A minha m�e envolveu-se com ele
e creio que isso foi... Isso � que foi o pior.
Eu apercebi-me logo de que algo n�o batia certo.
Mas, devido � educa��o que tive, disse logo que n�o era poss�vel.
Falei com muitas das sobreviventes
e elas mencionam pequenos jogos
que eram uma esp�cie de prepara��o...
Mas comigo n�o foi assim. Ele come�ou logo.
Foi imediato.
Agarrou-me, tocou-me, obrigou-me a tocar-lhe.
Disse-me que estava tudo bem,
caso contr�rio por que raz�o me teriam os meus pais trazido aqui?
Por que teriam sequer pensado nisso?
Foi isto que ele disse.
Deixei-os ficar mal uma vez, e foi tremendo.
N�o voltarei a faz�-lo.
Tal n�o voltar� a acontecer.
N�o voltarei a deix�-los ficar mal.
Eu estava a aparar aqueles arbustos,
aqueles pequenos arbustos,
da primeira vez que aconteceu.
Fui a casa almo�ar,
ele entrou, fechou a porta
deitou-me no ch�o, segurou-me a cabe�a
e sodomizou-me ali mesmo.
Foi ali mesmo.
N�o � f�cil dizer isto.
Porra, eu n�o falei sobre isto durante anos.
Sempre que me aproximo de uma rapariga
ou cada vez que sinto que me fizeram mal,
volto ali.
Volto a reviver aquilo.
Isto � o tipo... � isso que esta merda faz.
N�o se limita a magoar-nos.
Em Julho de 1993 tivemos uma fam�lia
que contactou o xerife do condado de Calaveras para apresentar queixa
de que um padre em San Andreas, no condado de Calaveras,
andava a molestar membros da fam�lia,
mais especificamente, dois jovens rapazes.
Ent�o, ele telefonou-me no dia seguinte
e disse que tinha um problema e que estava longe da par�quia.
Eu soube, s� de falar com ele, que se passava algo.
Dissemos que o ajud�vamos.
Eu disse-lhe: "Se n�o fizeste nada disso �s crian�as,
"n�o tens com que te preocupar. Ningu�m pode acusar-te de..."
A pr�pria palavra "molesta��o" n�o me entrava na cabe�a.
Era apenas "tocar".
Disse-lhe: "Se n�o tocaste nessas crian�as de um modo impr�prio,
"ou tiveste contacto sexual com elas, n�o tens com que te preocupar.
"N�o tens cadastro..."
Ent�o ele disse: "Bom, tive um problema h� nove anos."
Quando come��mos a investiga��o,
descobrimos que este n�o era o primeiro incidente
no qual ele estava envolvido.
Se recuarmos at� meados dos Anos 70,
j� ele tinha estado envolvido em casos de molesta��o de crian�as.
Quis-nos parecer
que havia bastante conhecimento disso fora da nossa comunidade,
mas essa informa��o n�o tinha chegado at� n�s.
Nessa altura est�vamos a apoi�-lo.
Sim.
Ele estava preocupado com a fam�lia e outras coisas,
por isso falei com a fam�lia dele na Irlanda
e disse-lhes que �amos apoi�-lo
e certificar-nos de que ele seria defendido e tudo o mais.
Nessa altura obtivemos mandados de captura para o Oliver O'Grady
por m�ltiplas acusa��es de actos lascivos e indignos com menores.
Entreg�mos mandados de busca aqui, na par�quia de San Andreas,
na reitoria de San Andreas,
na diocese em Stockton
e em escrit�rios de advogados... Nos escrit�rios n�o,
mas nos escrit�rios do Cardeal Mahony em Los Angeles.
Quando ele pediu o dinheiro da fian�a, o Bob arranjou-o.
Fui trabalhar na segunda-feira de manh�.
Eu tamb�m.
Toda a gente no trabalho sabia quem ele era.
Sabiam que era meu amigo.
- Os jornais... - Estava tudo meio silencioso.
Lembro-me de perguntar: "O que se passa convosco?
"Por que est�o todos assim hoje?"
Eles perguntaram-me se tinha lido o jornal.
Eu disse que n�o, que n�o tinha tido tempo.
Vinha tudo na primeira p�gina do jornal.
Eu disse: "O Ollie nunca tocaria nos nossos filhos."
N�o suspeit�vamos. N�o vimos nada.
Era imposs�vel.
Telefonei ao Bob, que estava a trabalhar,
e disse-lhe o que tinha visto no jornal e tudo o mais.
E ele disse-me a mesma coisa. Disse que era imposs�vel,
que era imposs�vel ele ter tocado nos nossos filhos.
Depois fui como que invadida pelo medo de Deus.
Ele disse-me que t�nhamos de lhe perguntar.
Eu depois telefonei-lhe e perguntei: "Viste o jornal, Ann?
"Leste a not�cia sobre o Padre Ollie?"
Ela disse que n�o tinha visto as not�cias ou algo do g�nero.
Disse-lhe que havia imensas alega��es contra ele.
Os rapazes... Na altura era sobre os filhos dos Howard.
Quando lhe falei disso,
esperava uma resposta do g�nero: "Quem anda a fazer isso?"
Mas n�o, s� ouvia um sil�ncio absoluto.
Depois disse que tinha de lhe perguntar uma coisa.
"Ann, ele alguma vez te tocou quando eras pequena?"
E ela respondeu: "Tenho de desligar, tenho de tratar do c�o."
E eu percebi logo.
Senti logo.
- Mas ela continuava a n�o responder. - Disse: "Bob, tens de telefonar-lhe."
Sabia que ela n�o iria mentir ao Bob.
- Ent�o perguntei-lhe. - Ela telefonou... Tu � que telefonaste.
Perguntei-lhe se ele a tinha molestado.
- Disseste: "Ele alguma vez te tocou?" - Sim. "Ele alguma vez te tocou?"
Ela disse que sim...
... e o mundo inteiro ruiu.
Conseguia ouvi-lo chorar. Conseguia ouvir a Ann a chorar do outro lado.
Devolvi-lhe o telefone...
Ela veio ter connosco e o Case DeGroot tamb�m.
Na altura, isso destruiu as nossas vidas.
- A partir desse dia... - Destruiu a nossa fam�lia.
Tudo.
Depois � com se come��ssemos a recapitular o passado.
Como � que n�o vi isto? Como � que n�o vi aquilo?
Era como...
Foi horr�vel!
Tinha entregue a Ann de bandeja a este sacana.
- Como � que ele conseguiu? - Ele destruiu...
Como deix�mos enganar-nos tanto por ele?
Eu ia trabalhar e ele ficava aqui de manh� a rezar.
Tinha a B�blia na m�o e estava a rezar.
Eu dizia: "Bom dia, Ollie."
E � noite tinha estado a molestar a Ann?
E durante a noite molesta a minha filha?
Violou-a! N�o a molestou, ele violou-a!
Tinha ela cinco anos!
Por amor de Deus!
Como � que foi poss�vel?
Mas foi o que ele fez.
� in�til perguntar: "Como foi poss�vel? Por que � que isto acontece?"
O sistema...
O sistema governamental hier�rquico e mon�rquico,
o qual os dignit�rios da Igreja Cat�lica Romana
do Papa para baixo acreditam firmemente
ter sido determinado por Deus Todo-Poderoso,
� a raz�o pela qual se acredita que Roger Mahony
� substancialmente mais importante e melhor
que as crian�as que foram violentadas por Oliver O'Grady.
O meu pai n�o me acompanha ao altar
porque n�o consegue entrar numa igreja.
Ele roubou-me o casamento e tudo o mais no futuro.
Eu estou constantemente a batalhar para recuperar a minha vida.
Constantemente.
Nunca tive filhos, n�o sou casada...
Tenho quase 40 anos. Tenho 39...
Estou a chegar aos 40 e isto ainda n�o terminou.
Quando � que isto come�ou, quando ela tinha 13 anos?
- Doze. - Sim, doze.
Perguntei-lhe por que � que n�o nos disse mais cedo. Porqu�?
E ela respondeu-me
que eu costumava dizer que se algu�m tentasse fazer-lhe mal,
eu matava-o!
Eu n�o devia ter dito isso.
- Ela disse-me... - Ela n�o dizia nada!
Ela perguntou a uma mi�da o que acontecia se o pai matasse algu�m.
Disseram-lhe que o pai ficava preso para sempre, que nunca mais sa�a.
Ela disse que nesse dia decidiu que n�o podia contar a ningu�m,
pois sabia que o pai o matava.
Acho que o amor que tinha por mim a impediu de me contar.
E o meu amor por ela...
Eu sinto-me culpado,
mas sinto-me tra�do pela Igreja.
A Igreja traiu-me a mim e � minha fam�lia!
Destru�ram-na.
Mas juro que n�o vou deixar que me destruam agora.
Chamo-me Tom Doyle.
Fui padre cat�lico durante 35 anos.
Fui despedido de dois grandes cargos
e desviado de duas carreiras como padre na Igreja
porque defendia abertamente as v�timas de abuso sexual do clero
e, de acordo com uns, fui demasiado cr�tico
e falei demasiado sobre a fonte dos estratagemas,
da manipula��o e da desonestidade que vem do topo.
Quando est�vamos a entregar os mandados de busca,
os membros da Igreja que eram respons�veis por estes registos,
levantaram imensas barreiras, dizendo que tinham de falar com os advogados
para descobrirem o que tinham de nos entregar.
Os seus deveres como chanceler aplicam-se a toda a diocese, correcto?
Sim.
Se uma crian�a fosse abusada sexualmente durante esses anos,
podemos dizer que teria conhecimento disso
como chanceler e/ou vig�rio-geral e/ou bispo auxiliar?
Especula��o.
Durante que anos?
Enquanto foi alto funcion�rio da diocese de Fresno,
durante o tempo todo em que l� esteve.
Protesto contra o termo "alto funcion�rio da diocese".
Prossiga.
Creio que teria tido conhecimento disso nessa altura.
No seu depoimento diz que nenhum evento semelhante ocorreu?
N�o, no meu depoimento disse que n�o me lembro
de ter acontecido nada desse g�nero nessa altura.
Se uma crian�a fosse violada enquanto era dignit�rio em Fresno,
isso seria algo de que se esqueceria?
Protesto. Argumenta��o. Hostilidade.
Aconselho a testemunha a n�o responder.
Acha que ao ser feita uma alega��o de molesta��o de uma crian�a
enquanto administrava a diocese, e tendo conhecimento do caso,
acha que isso seria algo que acabaria por esquecer?
Vou protestar. Hostilidade e argumenta��o.
J� foi perguntado e respondido.
Aconselho a testemunha a n�o responder.
- Ele n�o respondeu a esta pergunta. - Respondeu sim.
Quando a diocese estava a prestar declara��es � pol�cia
e n�o divulgou o facto de que O'Grady fora posteriormente acusado,
acha que estavam a contar toda a verdade?
Repita por favor.
Em 84, quando a diocese estava a falar com a pol�cia, certo?
A diocese n�o falou com a pol�cia em 84.
O advogado da diocese falou.
- Na altura n�o soube disso. - Muito bem.
O padre acha que algu�m devia ter dito aos pol�cias,
monsenhor, pe�o desculpa,
que O'Grady fora anteriormente acusado?
Isso estava nas m�os do nosso advogado.
O que devia ou n�o ter sido feito era uma decis�o dele.
Ent�o deixaram ao crit�rio do vosso advogado contar ou n�o a verdade?
Deix�mos o nosso advogado tratar da investiga��o.
Na altura, al�m da investiga��o feita pela pol�cia,
havia um tipo que podia dizer a verdade
e desmascarar o Roger Mahony,
ele que h� anos sabia do Oliver O'Grady,
e essa pessoa era o pr�prio O'Grady.
Na noite anterior ao dia em que ia depor a tribunal,
os advogados de Roger Mahony foram � cela dele
e fizeram um acordo com ele,
um acordo bastante obscuro que dizia o seguinte:
"O Oliver aceita a cita��o por desrespeito a uma ordem do tribunal
"e recusa-se a testemunhar, apesar de a isso ser obrigado,
"e ficar� ao nosso cuidado." E foi o que fizeram.
A diocese de Stockton ou algum dos seus representantes
lhe providenciou agora algum apoio econ�mico?
De momento n�o.
J� o fizeram?
Desde que deixei o sacerd�cio, n�o.
N�o lhe pagaram uma pens�o?
Creio que sim.
Recebe um cheque dessa pens�o?
N�o, isso s� ter� efeito quanto eu tiver 65 anos.
Quem det�m essa pens�o?
Creio que seja a diocese.
Est� de algum modo preocupado, Oliver,
caso o seu testemunho prejudique a diocese,
com o facto de eles poderem revogar isso?
Estou preocupado com imensas coisas
e creio que essa � uma delas.
Os meus pais n�o recebem uma pens�o da Igreja.
Perderam toda a estabilidade financeira com isto.
N�o voltar�o a ser os mesmos.
A minha m�e foi for�ada a reformar-se
e o meu pai teve de se despedir para tomar conta dela.
E por cause de qu�?
Por causa de um parvalh�o que andava por a�
a ludibriar 50 mi�dos ao mesmo tempo
e a violar algumas m�es. Ele tamb�m abusou dos meus pais.
A Igreja tamb�m abusou dos meus pais.
Ficaram com o nosso d�zimo, as despesas de educa��o,
e n�o devolveram nada disso � minha fam�lia.
Eles merecem reaver tudo isso.
N�o h� desculpa quando se manda um filho para a escola
e depois este � violado e molestado numa cave,
quando devia estar a receber educa��o.
Ou ser-se chamado ao gabinete dele onde ele tem todo o poder
para fazer o que lhe apetecer e mandar-te de volta para a aula.
Este caso, desde que come�ou at� terminar, durou menos de dois meses.
Foi estranha a velocidade � qual se desenrolou.
Ach�mos que houve muita coisa
que ficou em suspenso nesta investiga��o.
Mas devido � velocidade � qual tudo se desenrolou,
n�o pudemos fazer o nosso trabalho de um modo mais eficaz.
Tinham medo que com a investiga��o preliminar para recolha de provas
os advogados de direito civil descobrissem
que a Igreja sabia, antes de Oliver ter sido ordenado,
que ele j� provavelmente j� cometera ofensas.
Em 2000, Oliver O'Grady � libertado da pris�o e deportado para a Irlanda.
Ele cumpriu sete anos.
Eu testemunhei no caso em que ele foi condenado
e agora est� l� na boa vida.
Bebe ch� e vive como uma pessoa normal.
Nem sequer tem satisfa��es a dar como as pessoas daqui.
Ver Oliver andar a solta ao p� de mi�dos � uma coisa,
mas saber que foi assim decidido, que permitem que ele o fa�a
e que vai ser pago pela Igreja deixa-me furioso.
Concordo com o Frank Keating, o antigo governador de Oklahoma.
Ele comparou esta diocese e o cardeal � La Cosa Nostra.
Em 2002, a Confer�ncia Americana de Bispos Cat�licos
pediu ao ex-governador de Oklahoma, Frank Keating,
para chefiar uma comiss�o nacional para investigar a Igreja Cat�lica,
culpar os bispos e orientar a Igreja sobre como prevenir, relatar
e divulgar o abuso sexual.
Keating demitiu-se ap�s ter feito coment�rios cr�ticos
sobre como algumas dioceses, incluindo a de Los Angeles,
n�o eram e continuam a n�o ser sinceras com o p�blico
nem honestas com elas mesmas.
Se uma pessoa assume uma posi��o em que diz n�o revelar nada
sem uma intima��o, � porque tem algo a esconder.
Para uma institui��o de f� isso � terr�vel.
Em Los Angeles, quando lhes foi ordenado
que apresentassem a documenta��o,
os registos onde se encontra a verdade ou grande parte dela,
por parte do procurador p�blico do condado de Los Angeles,
os advogados do Cardeal Mahony engendraram um mito
chamado "privil�gio de forma��o"
que n�o tem bases na lei can�nica, civil, na Hist�ria ou Teologia.
Ou seja, que qualquer comunica��o entre um bispo e um dos seus padres
equivale a uma confiss�o, isto quanto � quest�o da confidencialidade.
Existem muitas comunica��es privilegiadas no estado da Calif�rnia.
Por exemplo, entre jornalistas e as fontes dos meios de informa��o.
Essa � uma protec��o... � bastante protegida.
Testemunhos entre marido e mulher um contra o outro...
Existe uma lista enorme.
Estas s�o comunica��es protegidas.
Por isso, a conversa entre um padre e o seu bispo
� um comunica��o protegida.
Como crist�os adultos,
cat�licos ou n�o, judeus ou sei l�...
Temos de proteger sempre as crian�as.
Aquilo que n�o consigo esquecer,
foi que o Mahony n�o...
As crian�as...
- Sim, ele n�o as protegeu. - Pois.
N�o foi sincero.
Ele foi dignit�rio
durante o abuso sexual de d�zias de crian�as na sua diocese.
Acontece que o argumento do Cardeal Mahony sobre os documentos
� um argumento que o David Koresh iria adorar.
Basicamente, se a doutrina permite a viola��o de crian�as,
creio que isso faz da arquidiocese de Los Angeles um culto oficial.
O �ltimo local onde vimos O'Grady
foi a viver com uma fam�lia em Thurles
perto do semin�rio que frequentou,
com total conhecimento por parte do bispo e do pior do semin�rio.
Mas a fam�lia com quem estava a viver n�o sabia de nada.
E a Garda, a pol�cia da Irlanda, tamb�m n�o.
Posso dizer que a minha vida foi um fracasso.
Mas gostava de pensar que ainda posso tomar boas decis�es
e que ainda consigo ter um futuro risonho pela frente.
Nem sempre fa�o o mais acertado. � certo que n�o, mas...
Acho que aquilo que estou a fazer agora
n�o ser� a melhor coisa, mas acho que � a �nica coisa poss�vel.
Estou a pensar em escrever uma carta
a cada uma das pessoas que ofendi sexualmente no passado.
Quero pedir-lhes desculpa.
Mas n�o quero que isso seja uma simples afirma��o.
O que lhes quero dizer, basicamente, � que aquilo n�o devia ter acontecido.
N�o devia ter acontecido.
Se pudesse convidar essas pessoas para estarem cara-a-cara comigo
e lhes desse a oportunidade de falarem novamente comigo
para me dizerem o que eu lhes fiz...
Preciso de o ouvir e creio que elas precisam de mo dizer.
N�o posso dizer que seja dif�cil fazer isto.
Sinto-me feliz por estar a faz�-lo
e vai ser uma reuni�o bastante interessante.
E espero sinceramente que elas venham.
"Esta carta � um convite para se encontrar comigo.
"Quero pedir-lhe desculpa uma vez mais pelo mal que lhe fiz.
"Espero que esta oportunidade lhe conceda a liberdade
"de seguir em frente com a sua vida,
"sabendo que eu reconheci as minhas ac��es passadas,
"e que esperan�osamente lhe permita continuar com a sua vida
"de um modo melhor a partir deste momento."
"Tenho de reconhecer, quando estivermos frente-a-frente,
"que abusei sexualmente de si h� muitos anos.
"Assim, poderei responder e pedir desculpa
"a todos aqueles que ofendi de um modo sexual."
Ele n�o vale nada.
Lembra-se de todos os nossos nomes.
Fico furioso s� de pensar que este tipo est� vivo.
Era capaz de matar a m�e dele.
N�o vou fazer cita��es da B�blia nem come�ar com uma ora��o,
a n�o ser que algu�m queira isso.
Pode at� nem terminar com uma ora��o.
N�o estou a espera que me abracem quando se forem embora.
N�o estou � espera que...
Espero que possamos dar um aperto de m�o
e dizer que sim, que agora est� tudo terminado.
Ent�o deixou-os continuar com as suas vidas
e tenho a certeza de que querer�o deixar-me seguir com a minha.
"Apare�am c�. Fazemos um churras..." � uma estupidez.
Em que estava ele a pensar quando escreveu as cartas?
Sim, � mesmo disto que precis�vamos.
V�-lo? Est�o a gozar comigo?
N�o precisamos de nada dele.
Quero saber qual � a motiva��o dele.
N�o quero ir l� para que ele possa sentir-se feliz
por ter reunido a sua pequena fam�lia de v�timas de abuso.
Sim, a sua pequena... O que quer que seja.
A minha motiva��o para ir l�... Se eu achasse que ele tinha um cora��o
que podia ser tocado, isso seria diferente
Mas acho que isso j� n�o � poss�vel.
Gostava era de ficar a saber o m�ximo poss�vel
sobre o que fez enquanto c� estava
para expor de vez o Mahony
e ficarmos a saber a verdade sobre o que ele sabia.
S�o estas as pessoas.
Aqui est�o as cartas
e tudo o que posso dizer � que fa�am boa viagem.
Espero poder ver-vos brevemente.
Acho que a menina de cinco anos
que est� assustada e tem medo dele continua com medo de ir.
Mas depois penso que agora j� sou crescida.
Quando era pequena n�o tinha coragem para lhe dizer nada,
mas agora seria bom dizer-lhe algo.
Eu ficar curado n�o seria...
Nunca dependeu daquilo que lhe ia acontecer.
Ficar bem s� depende de mim. N�o posso depender de algo.
Se eu sentisse que estava a contar
com o castigo dele para poder curar-me,
parece-me que isso seria como que passar um pano
por cima da dor pela qual passei.
Poder dizer o que sou e quem sou...
Mas eu n�o sou assim.
Quando era pequeno,
alguma vez foi abusado sexualmente por um padre?
Sim.
Como se chamava esse padre?
N�o me lembro.
Sabe onde isso aconteceu?
Quando era ac�lito na Igreja St. Michael's,
foi a� que aconteceu.
Quantas vezes aconteceu, Oliver?
N�o foram muitas. Talvez duas ou tr�s.
Creio que todos n�s passamos por uma fase de explora��o.
O meu irm�o mais velho abusou de mim.
Custa-me dizer a palavra "abuso",
pois na altura n�o considerei isso um abuso.
Creio que o meu irm�o mais velho se iniciou comigo.
Lembro-me que no in�cio n�o me sentia confort�vel com isso.
Mas mais tarde, quando descobri que ele tamb�m
tinha contacto sexual com a minha irm�,
fiquei curioso e foi assim que comecei a envolver-me.
Teve incidentes com o seu irm�o quando era pequeno
e tamb�m teve incidentes com o seu irm�o quando tinha 15 anos?
Sim.
M�ltiplos incidentes com a sua irm� quando ela tinha cerca de nove anos.
Correcto.
Depois teve pelo menos dois incidentes
com padres que o visitaram quando tinha 10 ou 11 anos.
Sim.
Oliver, alguma vez pensou que alguns dos problemas
que teve enquanto padre e que o levaram � pris�o
poder�o estar relacionados com isto?
J� pensei nisso, mas n�o consigo estabelecer uma liga��o.
Duas semanas depois, Oliver O'Grady cancelou o convite para um encontro.
Nunca vou conseguir o que quero disto.
- Do Mahony n�o. - Nunca vou v�-los todos na cadeia.
O que interessa o que eles pensam?
Tu fazes o que quiseres para cuidares de ti.
Eles que se lixem.
� o que tens de fazer.
Estamos a tentar desvendar a verdade.
Estamos aqui para te apoiar e para apoiar todos os outros mi�dos,
pois isto � um assunto s�rio para a Igreja.
� dinheiro para a Igreja.
� como se se tratasse uma grande corpora��o.
Temos de perguntar a n�s mesmos:
quem est� a pagar este pesadelo, esta crise?
Quem � obrigado a envolver-se? Creio que todos n�s.
Uma das coisas que vi ao passar o meu tempo com pessoas como voc�s,
foi uma mudan�a na compreens�o daquilo que a Igreja �.
Muitos de n�s... quando vos pergunto: "Quando ouvem a palavra 'igreja',
"em que pensam?" Muitos pensam em bispos, no Vaticano,
na hierarquia, nos edif�cios das igrejas...
Mas isso vai mudar ou j� est� a mudar, pois a Igreja somos n�s.
Aqui mesmo nesta sala.
H� 25 anos, o Tom Doyle apelou ao bispos para que tomassem medidas
e apresentou um plano na Confer�ncia Americana de Bispos Cat�licos,
um plano abrangente fase � crise de pedofilia no clero.
Basicamente escreveram um relat�rio
e disseram que isto iria ser uma enorme crise
que custaria � Igreja um bili�o de d�lares,
a n�o ser que eles fizessem alguma coisa.
Descobriram que existia uma crise nacional de grande escala
em termos das crian�as que eram abusadas sexualmente por padres.
N�o sabia o que eles estavam a fazer.
Julguei que iam fazer alguma coisa.
A Confer�ncia Americana de Bispos Cat�licos
n�o parava de fazem declara��es sobre in�meros assuntos,
como a guerra nuclear, os escuteiros,
a cria��o de animais e a pastilha el�stica.
Tudo. Eles faziam declara��es sobre a moralidade de qualquer assunto.
Quando a este assunto, criaram uma barreira.
O Cardeal Ratzinger, agora Papa Bento,
estava a cargo da Congrega��o para a Doutrina da F�.
O pont�fice da minha igreja, o sucessor de Pedro,
o Papa,
era a pessoa encarregue de se certificar
de que os padres n�o magoavam as crian�as.
Ele esteve encarregue desta congrega��o entre 1978 e 2005.
Mas fez um p�ssimo trabalho.
Basicamente, foi a �nica pessoa, al�m do Papa,
que poderia ter acabado com isto, mas n�o fez nada.
O que os bispos fizeram foi arrumar o relat�rio.
Depois voltaram para as suas dioceses como se nada se tivesse passado.
Sabiam que havia crian�as que estavam a ser v�timas,
mas n�o fizeram nada,
excepto garantir que as autoridades, o p�blico e os fi�is n�o descobrissem.
Os bispos sabem que existem bispos, padres e decanos
que abusam sexualmente de crian�as
desde o s�culo IV e que isso tem sido um grande e grave problema,
mas nunca conseguiram refre�-lo.
O que n�s temos, basicamente, � um clero sexualizado.
H� anos que � sexualizado.
Eles encaram o abuso sexual de crian�as
da mesma maneira que ter rela��es sexuais com uma mulher,
pois tudo isso � uma viola��o do celibato clerical.
Se todas as rela��es sexuais s�o conden�veis
porque n�o s�o permitidas,
ent�o a pedofilia � apenas mais uma forma de sexo conden�vel.
N�o existem bases nas Escrituras para o celibato obrigat�rio.
Tal n�o � ordenado por Cristo.
N�o � justificado nos Evangelhos
nem na vida ou nos ensinamentos de Cristo.
Os 12 ap�stolos eram todos casados, talvez com a excep��o de Jo�o.
As primeiras d�zias de Papas eram casados e tinham filhos.
Isto � algo sobre o qual os l�deres institucionais da Igreja
come�aram a pensar e tentaram impor pelo menos a partir do s�culo IV.
A heran�a de um padre casado, ap�s a sua morte,
ia para o seu filho mais velho.
Os l�deres institucionais da Igreja,
desejando acabar com esta pr�tica, come�aram a exigir o celibato
para que as posses dos falecidos padres
fossem para o bispo ou para a Igreja.
Temos de nos lembrar que muitos dos padres acusados de ofensas
entraram para um semin�rio de menores com idades entre os 14, 15 e 16 anos.
� poss�vel que tenham pensado na sua voca��o ainda mais cedo,
mas ali ficaram parados.
O seu desenvolvimento psicossexual n�o avan�ou.
S�o educados com uma atitude negativista
em rela��o a rela��es sociais, em rela��o �s mulheres,
ao casamento, � sexualidade
e nunca chegam a compreender realmente estes assuntos.
Quando estes homens deixam de conseguir ser celibat�rios
e quando se v�em dominados pelos seus impulsos sexuais,
procuram as suas v�timas entre aqueles que consideram ser
os seus pares psicossexuais.
O "L.A. Times" divulgou recentemente que 10% dos seminaristas
que se formaram no Semin�rio St. John's,
frequentado pela maioria dos padres da Oeste americano,
10% dos que l� se formaram, desde 1960, s�o ped�filos,
molestadores de crian�as. 10%.
Se 10% dos alunos de Yale viessem a ser molestadores,
tomavam-se medidas.
Em Boston, h� alguns anos, ap�s as �ltimas determina��es
quanto aos 5 milh�es de d�lares,
um dos padres disse publicamente numa entrevista:
"Gra�as a Deus que a crise no clero terminou.
"Agora podemos voltar � normalidade."
A situa��o era muito pior
que aquilo que a pessoa mais c�nica e insens�vel pudesse imaginar.
O Cardeal Law, que era o arcebispo de Boston,
foi dignit�rio na altura em que ocorreram alguns dos piores casos
de abusos sexuais na Hist�ria da Igreja.
Isso foi algo que acabou por levar � demiss�o do Cardeal Law.
� normal pensar que este dignit�rio,
tendo no seu tempo ocorrido abusos a dezenas de crian�as,
seria de alguma forma castigado.
Mas o Vaticano nem sequer fez disso um segredo.
Acharam que ele tinha sido injustamente acusado
e nomearam-no cardeal arcebispo de uma igreja em Roma.
Ele chegou mesmo a presidir � missa f�nebre do Papa Jo�o Paulo II.
O que est� a acontecer em Los Angeles
diminui, de certa maneira, o que aconteceu em Boston.
A partir de Junho de 2002
tivemos mais de 100 investiga��es criminais
que abrangiam, a n�vel individual, mais de 100 padres.
O que isto nos mostra � a dimens�o deste problema.
Creio que o Vaticano est� a tentar encontrar uma maneira
de dizer: "Resolvemos isto." Est�o a arranjar bodes expiat�rios...
Como a maioria das v�timas foram do sexo masculino,
est�o a atribuir a culpa aos padres homossexuais
e dizem que eliminam o problema se se livrarem dos padres homossexuais.
A maioria dos homens que molestam crian�as s�o heterossexuais.
Creio que a Confer�ncia dos Bispos gostaria de dar a entender
que este problema est� arrumado,
que tratam de tudo, que o resolveram e que est� sob controlo.
E isso � a abordagem normal que uma corpora��o faria
quanto a um assunto desta natureza.
Creio que os tipos da Enron pensaram o mesmo quando foram descobertos.
Todos os dias e todas as semanas
tenho conhecimento de uma crian�a ou de um adolescente
que foi molestado por um membro do clero
sem que o caso tenha sido divulgado at� hoje.
E o meu medo, aquilo em que acredito, � que n�o existem centenas,
mas sim milhares de molestadores que ainda n�o foram descobertos
e que continuam a vaguear pelas igrejas dos Estados Unidos,
mais as dezenas de milhares pelo mundo inteiro.
O que � um bom cat�lico?
Tradicionalmente, um bom cat�lico era algu�m que n�o abria a boca,
que tinha a carteira aberta,
que pagava, rezava e obedecia,
era d�cil, ia � missa, obedecia aos Mandamentos
e se confessava regularmente.
Para a maioria era um ritual de obedi�ncia e sil�ncio.
Mas um bom cat�lico n�o � nada disso.
Um bom cat�lico � um cat�lico segundo o modelo de Jesus Cristo:
um revolucion�rio, algu�m que n�o tem medo.
Algu�m que n�o tem medo de se levantar e dizer a verdade.
Lembrem-se que a �nica vez em que Cristo se enfureceu
foi quando foi � igreja.
Neste preciso momento, o Tom Doyle est� em Roma,
n�o porque o Papa o v� ouvir,
mas porque tem de fazer o que eles deveriam estar a fazer
e dar a conhecer � comunidade os molestadores que foram descobertos,
tal como o Oliver O'Grady que agora vive na Irlanda.
Creio que muitas das pessoas em Roma n�o querem acreditar
na seriedade desta quest�o.
Nunca tentei fazer isto.
Estou?
Chamo-me Patricio Wall.
Quero falar com o Padre Tom Doyle que est� na Am�rica.
Sim. Conhece o Padre Thomas?
Sim. Ele vem a Roma.
Pelo que sei est� em Roma a tentar ajudar duas v�timas,
uma delas � nossa cliente, a Ann Jyono.
T�m um encontro marcado com algu�m na Santa S�
para ouvir as suas queixas.
Eu fa�o isto pela minha filha, mas disse-lhe:
"Se o fizeres pelas outras v�timas e pelas crian�as
"ou pelos mi�dos...
"... eu ajudo-te."
Meu Deus...
As pessoas t�m de saber!
N�o est� certo.
As pessoas a quem nada lhes aconteceu, nem fazem ideia.
Ningu�m faz ideia.
N�o imaginam o que isto faz a uma pessoa.
- E n�s n�o somos v�timas... - Destr�i-nos completamente.
... de certo modo, mas a Ann foi v�tima. Foi violada por este padre!
As pessoas v�o compreender que ele n�o � um ped�filo, � um violador!
A minha f�ria � imensa.
Neste momento estou em Roma
e estou � espera de me encontrar com os Jyonos,
uma fam�lia cujos filhos foram abusados sexualmente
por Oliver O'Grady.
N�o os conhe�o, mas vou encontrar-me com eles
e o meu prop�sito � conseguir ajud�-los
a iniciar um processo de cura.
Bom dia. Como est�, minha querida?
� um prazer v�-lo.
Como est�?
Esta � a Ann?
O que vou fazer � o seguinte:
se prefaciarmos isto com uma pequena frase e dissermos...
"Os bispos, arcebispos e cardiais
"mentiram-nos persistentemente, a n�s, ao p�blico e �s autoridades
"quanto � quest�o dos abusos sexuais por parte do clero. Ponto final."
Vamos endere��-la ao Papa e ir� com o vosso nome,
mas falar� por todos aqueles que foram vitimados e molestados.
Vou escrever tudo numa linguagem directa para que eles compreendam.
Muita coisa mudou na Igreja Cat�lica este ano,
mas esta continua a ter problemas
em dar respostas �s v�timas de abusos sexuais por parte dos padres.
Hoje, duas mulheres americanas foram ao Vaticano
na esperan�a de entregar uma carta ao novo Papa.
Os guardas n�o as deixaram entrar.
Uma vez que somos sobreviventes dos abusos por parte do clero,
tem sido uma viagem bastante dif�cil. Fizemos milhares de quil�metros
para tentar pedir alguma miseric�rdia e assist�ncia
na nossa viagem de dor e cura.
N�s procuramos recuperar a nossa f�.
Em vez de as acolherem e de lhes darem a m�o,
a igreja institucional n�o s� as rejeitou como as vitimou novamente
e abusou delas ao terem-nas declarado inimigas da Igreja.
A certa altura estive a s�s com elas e pedi as minhas sinceras desculpas
pelo que lhes tinha acontecido.
Pe�o-lhes desculpa em nome da institui��o, do clero e dos padres,
dos quais eu legalmente ainda fa�o parte.
Ambas disseram que nunca ningu�m lhes tinha dito isso.
O Vaticano n�o respondeu � carta.
Decidi-me. Deus n�o existe.
N�o acredito em Deus.
Todas estas regras...
� tudo inventado pelo Homem.
Tentei descobrir...
... aquilo que...
... fez da religi�o o que ela � hoje.
Quais s�o as diferen�as...
Quais as semelhan�as entre todas elas.
E aquilo que acho que � relevante
� que todas elas partilham algum tema comum ou filosofia a determinado n�vel.
N�o podemos dizer: "Esta sim, aquela n�o.",
sem que algu�m fique alienado.
E essa n�o era a mensagem de Jesus, Buda ou Maom�.
S� nesse ponto j� eles est�o desencaminhados
e isso aconteceu h� imenso tempo.
Acho que � tudo...
Acho que a �nica direc��o que podiam ter seguido era a errada.
O que precisamos de fazer enquanto Igreja
� ter no��o dos nossos dias mais felizes e dos mais infelizes,
os tempos bons e os maus.
� costume olharmos para o passado e dizer:
"Houve per�odos negros na nossa Hist�ria,
"nos quais preferimos n�o ter vivido." Isto de um modo po�tico.
� isto � tudo muito bonito, mas n�o � a realidade.
O que eu gostava de ouvir era: "Bolas, tivemos tempos dif�ceis
"durante a Idade M�dia,
"mas conseguimos sobreviver!"
Essa � a quest�o que a igreja tem de perceber.
Oliver O'Grady continua livre na Irlanda.
O Padre Tom Doyle est� a trabalhar com as autoridades na Irlanda
para controlarem ped�filos como Oliver O'Grady.
O Cardeal Roger Mahony continua a lutar
contra alega��es de abuso sexual de 556 padres da sua diocese.
O Papa Bento XVI foi acusado de conspira��o
no encobrimento dos abusos sexuais nos Estados Unidos.
A pedido do Vaticano, o Presidente Bush concedeu ao Papa
imunidade face a ac��es judiciais.
Desde 1950 que os abusos sexuais custaram � Igreja
mais de um bili�o de d�lares em custas judiciais.
S� nos EUA j� se manifestaram mais de 100.000 v�timas
do abuso sexual do clero.
Os peritos dizem que mais de 80% das v�timas de abuso sexual
n�o apresentaram queixa.
A maioria dos pa�ses come�ou agora a divulgar o abuso por parte do clero.
Hoje estou aqui a falar em nome do Brandon,
com os seus pais,
porque o seu molestador continua no sacerd�cio.
A Igreja Cat�lica recusou ser entrevistada para este document�rio.
Foi poss�vel fazer este filme devido � coragem de
Argumento e Realiza��o
Produ��o
Tradu��o e Legendagem Jo�o Catarino / CRISTBET, Lda.
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