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24 horas.
1.440 minutos.
86.400 segundos.
� o tempo que um paciente leva
para ir de doente a saud�vel,
da esperan�a ao desespero.
Amanheceu, doutora. Hora de acordar e ir embora.
�ptimo.
Ja, ja, ich komme. Vou j�.
Calma...
Estou calmo.
Meu Deus, ol�.
Um dia pode trazer-te de volta da beira da morte,
mudar toda a tua vida com um batimento card�aco,
com um �nico f�lego.
O que est�s a fazer aqui?
Por isso � que os m�dicos vigiam como gavi�es
e te deixam em observa��o.
Podes levar isto? Vou j�.
Se quebrares, compras outro.
� por isso que consideramos cada movimento, cada som...
Posso ajud�-lo, doutor?
Sou o Dr. Marsh. Est� tudo bem.
Estou �ptimo.
Tive um transplante de rim.
"Cada entrada." - Eu percebi. Parab�ns.
A sua boleia est� a ir embora. "Cada sa�da."
Eu disse que tive um transplante de rim
porque fiz um transplante de rim.
H� pouco tempo, h� cinco semanas.
Estou �ptimo. "Como se se tratasse de vida ou morte."
Dr. Marsh! Preciso de uma maca.
Porque �.
Anatomia de Grey
N�o o encontrei no sistema, Sr. Zigler.
O meu apelido � Rigler, com R.
Desculpe-me.
Acontece, Dr.� Zepner.
Encontrei.
H� uma semana, estava com diverticulite.
Falou com a Dr.� Bailey. - � a terceira vez,
e ela deu-me antibi�ticos em todas.
Ela n�o sugeriu cirurgia?
Ela disse que os antibi�ticos seriam
a op��o menos invasiva, e eu queria ir
� viagem da mocidade judaica.
N�o est� velho para isso?
Sou rabino h� bastante tempo
e um jovem rabino n�o pode
cuidar de adolescentes numa viagem.
Comecei a sentir algo,
e agora tenho uma brotoeja.
Pensei que melhoraria em alguns dias,
mas ficou muito pior.
- Posso dar uma olhada? - Pode.
Pois �.
Certo.
Chame o Dr. Avery e a unidade de queimados.
- Ent�o, diz-me. - O qu�?
O que n�o podias dizer por e-mail ou por telefone
e tiveste de vir para aqui a meio da noite.
Deve ser...
� o tumor da Amelia?
N�o � nada disso.
Ela est� gr�vida?
Vais voltar para o Iraque? Diz logo, n�o aguento.
A Amelia e eu divorci�mo-nos.
N�s termin�mos, Teddy.
Pela primeira vez, tu e eu...
N�o h� nada para atrapalhar.
Eu falei, agora tens de dizer algo.
V� em frente, pergunte.
Eu n�o ia fazer isso.
Quer saber por que estou a trabalhar
logo ap�s o transplante renal.
N�o quer perguntar por educa��o.
N�o sou educada. N�o � da minha conta.
Mas pensei nisso.
Conhece o ditado:
os m�dicos s�o os piores pacientes.
Estou a rejeitar o rim, n�o �?
Ou ent�o formei um co�gulo.
Teve algum outro sintoma? Olig�ria, n�usea, v�mito?
N�o. Eu estava bem at� h� algumas horas.
Quando devia estar de licen�a m�dica.
Eu estava, mas a dor est� em 3 na escala,
e n�o tomo rem�dios h� semanas.
E o regime imunossupressor?
Tacrolimo, azatioprina,
e parei com a prednisona no 4� dia.
Algum inibidor de mTOR?
N�o. Guardo isso como alternativa.
Quando desafiar ordens m�dicas
e operar enquanto outro poderia fazer isso?
N�o pode esperar que cirurgi�es
fiquem sentados a assistir cirurgias.
N�o vai funcionar.
Doei metade do meu f�gado. Passei um m�s na cama.
Aposto que odiou cada segundo.
Vicki Greenberg.
59 anos, �ptima m�e, uma av� ainda melhor.
Ela corta como um astro de rock
e faz um �ptimo salm�o. - A sua paciente favorita.
Ela esperou 6 anos pelo f�gado.
Eu estava na di�lise h� 1 m�s quando recebi o meu rim.
Um m�s � o inferno, mas n�o � nada.
Durante 6 anos, a Vicky esteve a sofrer, a morrer.
Acha que deixaria isso nas m�os de outra pessoa?
- N�o. - N�o.
Voltei uma semana antes e estava bem at� j� n�o estar.
Diga-me que n�o estraguei tudo, Dr.� Grey.
Diga-me que n�o perdi este rim.
Temos de aguardar que os seus exames cheguem.
Farei um ultrassom e n�o vamos precipitar-nos.
Tarde demais.
Quais s�o as boas not�cias, doutora?
N�o farei a minha viagem, pois n�o?
Ent�o, algu�m vai engravidar ou ficar b�bedo.
Talvez os dois. - Rabino...
Eli, por favor.
Parte do meu corpo est� coberto com vaselina.
Podemos dispensar as formalidades.
Eli, tem necr�lise epid�rmica t�xica,
conhecida como NET.
� uma reac��o aos antibi�ticos que toma.
� o que causa a separa��o da sua pele dela mesma.
� t�o nojento quanto parece ser.
Eu tomei os antibi�ticos como prescritos.
Sim. A NET � algo que acontece com alguns pacientes.
Ningu�m sabe por qu�.
Dif�cil acreditar que algo t�o nojento
possa acontecer.
A Dr.� Kepner e eu faremos o melhor
para mant�-lo confort�vel e evitar que isso avance.
Que bom, pois tenho de ser honesto,
este n�o � o meu melhor visual.
H� algu�m que queira avisar? Um familiar.
A minha esposa, Elyse. Ela est� num comboio.
Foi visitar a m�e e est� de volta.
N�o quero preocup�-la.
Eli.
Est� a dizer para preocup�-la.
N�o far� mal ter a companhia dela.
Como � que ele est�?
Conheces a express�o "faz a carne rastejar"?
Ele est� assim,
mas 100 vezes com mais dor.
Ele teve diverticulite.
Eu dei-lhe antibi�ticos.
Pela terceira vez? N�o quiseste tentar algo diferente?
Tomei uma decis�o baseada num padr�o de atendimento.
Pode tomar-se antibi�ticos v�rias vezes sem reac��o.
� aleat�rio. Horr�vel, mas aleat�rio.
N�o fizeste nada de errado.
Posso assumir daqui para a frente.
Era meu paciente. - De jeito nenhum.
N�o deixarei que v�s e lhe digas que erraste
e depois ficares ao lado dele e pronto.
- April. - April, isso n�o � justo.
Qualquer um poderia fazer o mesmo.
Mas n�o fizemos, ela f�-lo,
e n�o deixarei que ela fique a olhar enquanto ele cai pelo ralo.
Sei que tens problemas. Quero ajudar, mas isto n�o...
N�o tem nada a ver comigo, Jackson.
S� quero corrigir o erro dela.
Vimos os exames dele. A taxa epid�mica dele � 5.
Podemos trat�-lo quanto quisermos,
mas ele ter� sorte se sobreviver � noite.
Se n�o sobreviver, a culpa � dela.
Justo ou n�o.
Sem trombose na art�ria renal. Bom.
Sem hidronefrose.
Sem flu�dos e obstru��es,
quistos, abcessos. - Sim.
Parece bom.
Menos um obst�culo. Falta um.
Mayo ligou e disse que o transplante da Vicky
est� a correr sem complica��es.
Ela vai chatear-me tanto por faltar � cirurgia dela.
Ela sobrevive, literalmente.
Quando � que os exames chegam?
Em breve.
Acha que $20 para os rapazes do laborat�rio podem agilizar isto?
- Creio que n�o. - E $50?
Como est� a dor?
Estou bem. �ptimo, sem dor, pronto para correr a maratona,
ou pelo menos 10km.
E como foi da �ltima vez que fingiu estar bem?
Verdade.
Estou com um pouco de dor, mas vou conseguir suportar.
� assim que se arma em dur�o?
Porque acabou de colher um f�gado
5 semanas ap�s a sua pr�pria cirurgia.
N�o. Sou eu a evitar doses de analg�sico, se puder.
- � um caminho perigoso. - �ptimo.
Quando os resultados chegarem, eu aviso.
E agora ir� deixar-me, triste e sozinho,
fazendo-me contemplar o meu futuro negro,
miser�vel e sem rim, t�o triste e t�o sozinho?
Mas � voc� quem n�o quer chamar ningu�m.
� verdade. � porque a Charlotte tem 16 anos
e repetir� c�lculo se perder a prova,
e eu sou burro demais para tir�-la desse buraco.
E � um cirurgi�o de transplantes.
Sou, de n�vel mundial.
Achou que precisava de dizer isso?
Se � a Meredith Grey, vencedora do Harper Avery,
sim, preciso. - Viu? Nem precisa de visitas.
Ainda tem muito que pesquisar na internet.
Preciso mesmo de ir ver os meus pacientes.
Fale-me sobre eles. S�o normais
ou outro transplante de parede abdominal?
Vou fazer duas laparoscopias
e reparar um duto biliar seccionado.
Qu�o fino � o duto?
- Dois mil�metros. - Ena.
N�o �?
Ent�o, a Charlotte � a sua filha, ou...?
� a minha sobrinha.
A minha irm�, Erica, � uma pessoa limitada.
Ela tem um cora��o grande e boas inten��es,
mas n�o cumpre nada. - Que cort�s.
- Quer a verdade? - Sempre.
A minha irm�zinha ego�sta fez uma coisa certa
na vida ego�sta dela,
e depois estragou tudo,
ent�o eu intervim.
Acolhi a Charlotte e foi a melhor coisa que fiz.
E voc�? Tem filhos, sobrinhos, animais, intrusos?
Tenho. Tenho tr�s filhos.
E um intruso de vez em quando.
- Eu... - O que foi?
Quero ver a sua capa de super-her�i. N�o estou a encontrar.
- Tenho muita ajuda. - Tem? Como � isso?
Os seus filhos t�m um pai? - Tinham.
Pergunta que vale um milh�o de d�lares:
o que faria se n�o fosse m�dica?
N�o h� nada que eu prefira fazer.
N�o, se n�o pudesse ser m�dica?
E a�? Qual era o seu plano B? - N�o tenho plano B.
Nunca tive plano B.
Calma, sonhava em cortar intestinos das pessoas
desde o �tero e nunca mudou de ideias? A s�rio?
Mudei de neuro para geral, mas �.
- Ena, que... - Loucura.
Eu ia dizer incr�vel, mas loucura serve.
E voc�? Acordou um dia
e n�o sabia decidir se faria torradas
ou se seria cirurgi�o?
N�o havia um legado, se � isso que est� a dizer.
Fui o primeiro da fam�lia a entrar na faculdade.
E trabalha num hospital de n�vel mundial.
A sua m�e deve estar desapontada.
Gosto de pensar que ela estaria orgulhosa.
- Quando � que ela faleceu? - Quando eu tinha 15 anos.
- Idade dif�cil. - Ela era gentil.
E estranha.
E vestia-se mal.
E era um g�nio.
Ela teve insufici�ncia card�aca. Ficou na lista durante muito tempo.
N�o h� assim tantos cora��es.
- E nem rins. - N�o h� mesmo.
Ent�o decidiu ser um cirurgi�o de transplante por ela?
N�o, eu adorava cardio, neuro, adorava tudo mesmo.
Eu s� n�o conseguia ficar parado.
Cirurgi�es de transplante est�o sempre noutra cidade,
noutro pa�s, se tiver sorte.
E eu gosto de voar, tamb�m.
Que foi? N�o gosta? - N�o.
Ent�o, onde o guarda?
- Onde guardo o qu�? - O seu Harper Avery.
- Tenho de ir, tenho pacientes. - Est� no centro da lareira?
Caixa de vidro chique na sala?
Deixou-o esquecido nalgum arm�rio?
Conte. Est� a servir de cabide?
Assim que os resultados chegarem,
venho dizer-lhe. - S� mais uma pergunta.
Responda uma coisa, Dr.� Grey. - Meredith.
Meredith.
Acha que vou perder o rim?
O seu ultrassom estava �ptimo,
mas sem os resultados, n�o h� como saber mesmo...
Mas estou a perguntar o que acha.
N�o sei.
Est�s bem?
Eu posso ter imaginado este momento uma vez...
Tudo bem, centenas de vezes, mas n�o envolvia risadas.
Est�s na minha cama, na Alemanha.
Est�s na minha cama, na Alemanha.
Owen Hunt, nu, na minha cama.
- E nem gosto da Alemanha. - Nem eu!
Eu devia perguntar-te por que est�s aqui, mas...
- Eu j� te disse. - � que...
Tamb�m imaginaste isto?
Eu imaginei isto tamb�m.
- Nem pensar. - Quando admitir�s o teu erro?
- Era um enxerto coronariano. - Dissec��o coronariana.
Enxerto coronariano. Um raio de um enxerto.
Eu disse que faria a dissec��o da art�ria coron�ria.
Quem foi o tipo? O tipo chato com o...
Ratliff, com a...
Tatuagem do Jim Morrison no ombro.
Isso! Eu estava a prepar�-lo e entraste aos berros
como um le�o marinho louco e disseste ao sgt. Teller
para fazer a dissec��o e eu fiz o enxerto.
E a� puseste-me como assistente
porque te deixei no banco e devias estar na quadra.
Nunca usei uma met�fora de basebol na vida.
Ficaste furiosa, mas foste excelente.
Pois fui. E eras um assistente razo�vel.
- Razo�vel? - Sim. Queres que diga
que eras perfeito e brilhante
e antecipavas todos os meus passos
e que eu soube no momento em que partilh�mos aquele B.O.
que queria fazer aquilo para o resto da vida?
Querias.
Tu, como minha assistente, mas � a mesma coisa.
Que porcalh�o.
- E tu �s linda. - Meu Deus.
Aqui quando neva,
� quando eu mais amo este lugar.
Lembras-te quando fizeste nevar no deserto
para o pessoal do 54�?
Vendaste-os e colocaste os rostos deles
dentro da m�quina para a sentirem antes da neve derreter?
Deixaste-os felizes.
�s t�o bom nisso.
Todos esses grandes gestos,
fazes isso melhor que ningu�m.
Owen, o que est�s a fazer aqui?
- Eu j� te disse. - N�o, quer dizer...
Quer dizer, ent�o � isto?
Isto aqui, isto. Isto �...
Quer dizer...
Vais entrar no avi�o amanh�, e temos...
Por mais maravilhoso que isto seja, n�o �.
O qu�?
- N�o � real. - Por que n�o pode ser?
Porque moro a milhares de quil�metros
e a v�rios fusos hor�rios. Estou bem aqui, Owen.
Mas detestas a Alemanha, ent�o...
Mas adoro o meu trabalho e os meus amigos.
E h� um restaurante na esquina, onde j� me conhecem,
e fazem frango assado.
O melhor frango assado que j� comi.
Vou abrir uma clinica para refugiados,
tenho o financiamento e os recursos,
e finalmente est� a acontecer.
Fiz a minha vida aqui, e...
Por que n�o posso fazer parte disso?
Queres fazer parte? Mudavas-te para a Alemanha?
Por que n�o? Sou cirurgi�o de trauma.
Posso trabalhar contigo.
- Para mim. - Para ti.
Ou encontrar outro emprego, num hospital diferente,
se n�o for o que queres.
Posso mudar para c� e ficar contigo.
E...
Vais deixar a Megan e a tua m�e?
Ou podes voltar para Seattle.
A Pierce � surreal e voc�s duas juntas...
Ou ficar no meio ou ir para o Canad�.
- Canad�. - Ou n�o sei. N�o sei.
N�o pensei em tudo ainda. Apenas sei...
S� sei que quero estar contigo.
Sei que te quero.
N�o � um grande gesto ou uma extravag�ncia.
Sim, foi r�pido.
N�o pensei em tudo ainda,
mas isso n�o faz valer menos.
Estou apaixonado por ti, Teddy.
Percebi que te amava h� muito tempo.
Ent�o meti-me num avi�o.
Meteste-te num avi�o.
Sim.
Meti-me num avi�o.
Fica alguns dias.
Mostro-te o hospital
e podemos caminhar pela Torre Bismarck.
Podes mostrar-me o restaurante do frango assado.
Esquece. Aquele s�tio � s� meu.
Podes ficar?
Claro. Fa�o algumas chamadas. A Kepner pode fazer os meus turnos.
Claro. Quer dizer, simples assim, claro.
Teddy, eu j� te disse.
Diz-me que isto n�o te assusta.
Por que assustaria?
Conheces-me. Eu conhe�o-te.
Isto est� a ser...
N�s damos certo.
- E se n�o dermos? - N�o penso assim.
Mas eu penso e tu sabes.
Sabes tudo sobre mim.
�s o meu contacto de emerg�ncia.
Quando fa�o uma AMIE perfeita para uma AAD
e tu tornas as coisas reais e melhores.
E dizes-me que sou idiota.
Eu sei. �s o meu melhor amigo.
N�o � o que dizem? "Casa com o teu melhor amigo"?
- Vamos casar? - N�o...
- Acabaste de sair de um. - Que me trouxe a ti.
Teddy, est�s assustada. Mas n�o h� raz�o...
Como assim, "me trouxe a ti"?
Quer dizer, a Amelia... Olha.
Casar com a Amelia foi um erro. Tu mesma disseste.
N�o foi um casamento e n�s sabemos disso.
A Amelia � uma jogadora. Ou era.
� dif�cil diferenciar entre a real e a do tumor.
Mas arrisc�mos e acabou porque n�o era para ser.
Quer dizer, ela estava certa.
Estar contigo faz todo o sentido.
- Ela disse isso? - N�o desta forma...
Ela conhece-me e sabe o que significas.
Quando ela o disse, fez sentido.
Estou a tentar dizer-te que ela me mostrou
que havia algo entre n�s e estava certa.
Ent�o eu...
- Meteste-te num avi�o at� aqui. - Sim.
Teddy.
- N�o h� raz�o para... - Espera.
O que estavam a fazer quando ela disse isso?
Owen?
Owen?
Estavam na cama.
- Teddy... - Quando � que ela disse isso?
Ontem � noite.
Foi uma compatibilidade quase imposs�vel.
Fiquei com o melhor rim que podia querer.
O meu melhor amigo.
Ter de olhar para ele e contar-lhe que estraguei tudo...
- N�o pense assim. - N�o posso evitar.
N�o sabemos at� sabermos.
Pensava em vender sapatos.
Para o plano B. - Gosta de p�s?
- � estranho? - Sim.
Um vendedor n�o vai para casa e pensa em sapatos.
Ele trabalha, lida com p�s e pessoas,
e n�s tamb�m.
Mas o que � que ele pode causar? Bolhas? Dor nas costas?
� a ep�tome "sem danos, sem falhas".
E f�rias de verdade.
- Pensava. - Como?
Disse que pensava em trabalhar nisso.
� o que penso quando perco um pulm�o
ou aterro tarde para recolher um �rg�o.
- Mas n�o � o sonho. - N�o.
- E o que �? - � a sua vez.
A minha vez? Vim s� para ouvir.
- N�o veio. - N�o?
- N�o. - Certo.
Pensei em trabalhar no cinema
com a minha melhor amiga, Cristina.
- A sua vers�o de vendedor. - Mais como uma terapia.
Cheg�mos � parte boa.
Mas n�o respondeu.
N�o sabe o que faria se n�o fosse m�dico.
O meu pai levou-nos a Boundary Waters.
Conhece? - N�o.
Na fronteira entre o Minnesota e o Canad�.
Um grande trecho de lago.
Tem de carregar a canoa durante quil�metros.
Todas as manh�s o meu pai levava-me.
Era t�o cedo que v�amos as teias de aranha.
E um sil�ncio mortal, estranho e incr�vel.
O meu pai tinha aquele olhar.
Se n�o fosse m�dico, entraria naquela canoa
at� sentir, por um segundo, o que ele sentia.
Que se dane. Serei vendedor.
Menos mosquitos.
� a sua vez. J� falei demais
para o primeiro encontro. - Como?
Brincadeira. Era brincadeira.
- Sou a sua m�dica. - Gra�as a Deus, certo?
A verdade � que, assim que tiver alta,
voltarei ao Minnesota.
Mayo cobrir-me-�. N�o me ver� de novo.
Que tal uma confiss�o obscura entre amigos?
Tudo bem.
J� foi � Sardenha?
Sardenha.
Praia de nudismo e vinho. �ptima festa. Excelente escolha.
Quando eu era mais nova,
eu e a minha amiga fic�mos numa pequena vila.
E acho que pag�mos 2 d�lares a uma mulher
para ficar na casa dela e beber todo o vinho.
Ela tinha 97 anos.
E a irm� 101.
O vizinho tinha 99.
Eles plantavam a pr�pria comida
e vagueavam pelas ruas de pedra com galinhas at� �s praias.
Espere, perd�o. As galinhas vagueavam pela praia?
Como assim? - N�o, as pessoas.
Estas pessoas incr�veis,
a rir e a brigar com quem amavam
e ningu�m tinha pressa, nem tinham de ir a lado nenhum.
E eram felizes. - Ent�o quer viver com galinhas
e as pessoas felizes? - Sim.
- Tudo bem. - Eu e os meus filhos.
E as minhas irm�s podem ir, para cozinhar e plantar,
por que... por favor!
E todos est�o a viver at� aos cem anos, certo?
N�o h� cancro ou Alzheimer,
ent�o n�o h� vidas para eu salvar
e ningu�m vai morrer sob a minha supervis�o.
Parece muito bom. S� eu, os meus filhos, uma rede
e um monte de livros que comprarei sem pretender l�-los.
Nesse cen�rio, n�o h� espa�o na rede
para algu�m da sua idade? Brilhante, mas n�o demais,
com um rim de funcionamento discut�vel?
A n�o ser que queira carregar uma canoa comigo.
Eu topo de qualquer jeito.
Os seus exames.
Como est�o?
Dr.� Grey? - Porra.
- Diga-me. - S�o inconclusivos.
- Meredith... - Certo. Espere.
A bi�psia est� normal.
Contagem de gl�bulos brancos normal.
- E a minha TFG? - Baixa.
- Creatinina? - Dobrada. Mas h� protein�ria.
Algo n�o faz sentido.
N�o posso perder o meu rim, Meredith, por favor.
Ali. H� um co�gulo na sua veia renal.
Precisamos lev�-lo para cirurgia agora.
N�o havia nada no ultrassom antes. Por qu�?
O fluxo da veia � muito lento, mas faz sentido.
Estava no avi�o. Estava em p� na cirurgia.
Tudo isso pode ter feito a TVP alojar-se na veia renal.
Vamos! Precisamos de ir!
- Meredith... - Nick, escute,
s� uma embolectomia agora para salvar o rim.
- 3� gaveta, arm�rio verde. - Deixe comigo.
3� gaveta, arm�rio verde.
� onde tenho a escritura da casa
e a senha dos fundos da Charlotte.
Ela tem de ir para a faculdade, para o que for, mas tem de ir.
Ela � gentil, forte e bonita,
mas nada importar� se n�o conseguir formar uma frase.
Diga-lhe para fugir das drogas. A m�e n�o conseguiu, foi o seu fim.
Se quer beber, beba, h� um livro dos AA na pasta.
Diga-lhe, Meredith.
- Fique comigo, Nick. - Diga-lhe por mim, por favor.
Diga-lhe voc� mesmo.
Vamos!
Elyse.
- Elyse? - Eli.
A sua esposa, Elyse, est� a caminho.
Aguente firme, Eli. - Certo.
Vou aquecer a cama para estimular a cicatriza��o.
Vai ficar mais quente?
Desculpe.
Posso injectar morfina.
N�o! Sem rem�dio para a dor.
N�o quero ficar doido.
- N�o poderia s� fingir? - Perd�o?
Pensei que era a minha esposa, n�o poderia ir no embalo?
Eli, sei que est� com muita dor.
Preocupa-se demais. J� lhe disseram isso?
Eu assino o que quiserem.
Sem morfina, sem tubos. Certo?
At� a minha esposa, Elyse, chegar.
- Tudo bem. - �ptimo.
A Dr.� Bailey est� de olho. Ou estou a imaginar isso tamb�m?
- Desculpe por isso. - Ela pode entrar.
- Ela est� bem ali. - N�o gosta dela.
Ela � minha chefe.
Uma boa chefe, d� para ver.
Uma boa m�dica para mim tamb�m.
N�o concorda? - Ela receitou antibi�ticos.
Sim, a tentar poupar-me de uma cirurgia desnecess�ria.
Ela errou.
� isso que est� a dizer?
Se tivesse feito a cirurgia...
Eu n�o seria um hamb�rguer cru agora?
Ent�o est� zangada com ela?
Certo, desculpe.
N�o disse por si. N�o fui profissional.
Pe�o perd�o. - Certo, ent�o...
Despeje, vamos. Diga-me das boas.
As sujas, as magras.
Dr.� Kepner.
Acha que tamb�m n�o sei quando algu�m est� a sofrer?
N�o �...
N�o precisa de se preocupar com isso.
Devo preocupar-me se a minha esposa vai chegar
ou com a minha pele que est� a deixar de ser pele?
- Posso dar-lhe morfina. - N�o, escute.
O talmude diz,
"se uma pessoa est� doente ou necessitada
e pode tirar-lhe um sexto da dor,
isso � bondade. Isso � Deus."
N�o pode tirar o sexto de algo
se n�o sabe o que �.
- N�o � o seu trabalho. - � exactamente esse o meu trabalho.
E prefiro faz�-lo at� ao fim.
N�o vai negar o pedido de um homem � beira da morte.
- N�o est�... - N�o estou?
Dr.� Kepner, eu j� segurei as m�os de v�rias pessoas a morrer.
Sei que � a minha vez.
- Sinto muito, Eli. - N�o sinta.
Est� a fazer o seu trabalho. Deixe-me fazer o meu.
N�o estou...
Eu estou bem. N�o preciso de nada.
O qu�? - Mente mal. Gosto disso.
Est� bem.
Como � aquele ditado?
"Se n�o for por mim, quem o ser�"?
Pela primeira vez, estou a cuidar de mim.
Sabe que essa frase n�o � um convite ao narcisismo, n�o?
Est� a chamar-me narcisista?
N�o quer o rem�dio? Vai apag�-lo r�pido.
N�o a culpo. � a natureza humana.
Enfrenta muito sofrimento,
e depois n�o p�ra de pensar que est� a ser punida,
que fez algo para merecer isso.
N�o fiz nada para o merecer.
Est� bem. A minha vida inteira, eu segui as regras dele.
Eu estudei, acreditei, pratiquei o que proclamei.
Fiz tudo o que ele pediu.
E isso garantiu-lhe o qu�?
- Como? - Onde est� a garantia?
Na sequela? Admito que n�o me lembro bem.
Se quer dizer o novo testamento...
Onde exactamente est� escrito que se fizer isto ou aquilo
tudo na sua vida vai ser bom?
Em nenhum lugar, em nenhuma f�, h� uma garantia.
N�o pe�o para tudo ser bom, mas que seja justo...
Justo? Foi justo quando Isaac ficou cego
e foi tra�do pelo filho?
Onde estava a justi�a quando Sara esperou 99 anos
para ter um filho, e Deus mandou sacrific�-lo?
Mois�s nem passou pelo seguran�a da Terra Prometida.
N�o me lembro bem da sequela, mas pelo que sei,
Jesus passou por um mau bocado.
Ningu�m na b�blia
viveu uma vida sem sofrimento ou injusti�a,
ou ent�o n�o seria a mais vendida.
E se eles viveram assim,
por que a nossa vida deve ser diferente?
Aqui tem.
Se as pessoas s� acreditassem em Deus
quando as coisas s�o boas,
garanto que depois do holocausto nenhum judeu acreditaria.
Agora falou do holocausto, tudo o que eu falar far� de mim...
- Uma narcisista? - Eu ia dizer idiota.
Vamos, respire fundo. Assim.
Est� bem.
A f� n�o � verdadeira
se s� acredita quando as coisas est�o bem.
Ent�o, o qu�?
O mundo � cruel e aleat�rio
e ningu�m pode fazer nada? - N�o tenho muito tempo.
Posso saltar a parte em que finjo n�o saber o que dizer?
Vou apenas falar, est� bem? - Est� bem.
- Parece uma crian�a. - O qu�?
Coisas terr�veis acontecem.
Coisas terr�veis, maravilhosas e devastadoras acontecem.
E quem � voc� para saber o porqu�?
Quem � voc� para saber por que algu�m vive ou morre?
As crian�as morrem.
Crian�as que n�o fizeram nada de errado,
crian�as que est�o despeda�adas
antes de ter a oportunidade de ficar inteiras,
porque estavam a entrar pelas pr�prias janelas.
N�o tem o direito de saber, assim como eu...
Assim como n�o tenho direito de saber porque estou a morrer
por tomar um rem�dio que salva vidas,
que salva a vida de quase todo o mundo,
mas est� a matar-me.
Ent�o pode acreditar em Deus e na bondade.
Ou pode acreditar que � in�til, cruel e aleat�rio.
No que a fa�a feliz.
� feliz?
- N�o � narcisismo. - Ent�o o que �?
- N�o sei. - Dor.
Uma dor inimagin�vel.
Sei como se sente.
Deus n�o � indiferente � nossa dor.
Escute, tikkun olam.
Tikkun olam significa
que o mundo � cheio de tristezas
e que � nosso trabalho repar�-lo.
Presume que o mundo
est� quebrado, necessitado e a sofrer.
E � nosso trabalho
consert�-lo.
Eli, deixe-me dar-lhe um pouco de morfina.
Eu posso tirar a sua dor.
Um sexto da sua dor. Posso fazer isso.
Por favor, deixe. - J� tirou.
Escute, pode dizer � Dr.� Bailey que eu a perdoo?
Vai dizer-lhe, n�o?
Eli, n�o.
Precisa de aguentar um pouco mais. A Elyse est� a caminho.
- A Elyse est� aqui? - Ela j� vai chegar.
Elyse.
- Eu amo-te. - Est� bem.
Tudo bem, Eli.
Elyse.
Eli, estou aqui.
- Eu amo-te. - Estou aqui.
Eu amo...
Qual � o veredicto, Dr.� Grey?
Vai sentar-se na parte da frente ou de tr�s da canoa?
Vai abrir um espa�o para mim naquela sua rede?
Desculpe, Nick.
O plano B n�o vai acontecer.
Porque salvei o seu rim.
Voc� �... Meu Deus, voc� � m�.
Voc� � m�, perversa... - E um g�nio.
Um g�nio.
� mesmo.
Salvou-me a vida. - Salvei.
Salvou a minha vida inteira.
Teddy, est�s a exagerar.
Eu vim porque te amo!
Vieste porque o teu casamento acabou
e tens medo de ficar sozinho!
- N�o estou com medo. - Deixaste a Beth pela Cristina,
depois deixaste a Cristina por uma mulher num bar,
depois voltaste para a Cristina, depois foi a Amelia
para acalmar a tua necessidade de estar com algu�m
para que n�o vejam que �s triste e vazio.
- Tu � que est�s assustada. - N�o estou!
Sempre estiveste. No fundo, tens medo de ser feliz.
Ficaste bem por casar com o tipo morto,
mas quando tens amor de verdade � tua frente, foges!
N�o tens o direito de falar do Henry, entendeste?
N�o estou assustada.
� o que fazes. � o que sempre fizeste.
Por isso os teus relacionamentos n�o funcionam.
Preferes destruir tudo a arriscar magoar-te!
Talvez porque tudo o que fazes � magoar-me, Owen!
Enrolas-me durante anos com essas meias declara��es,
e casas com outra.
Depois atravessas o mundo at� � minha porta
e convences-me que isto � real, que est�s nesta comigo,
que me amas, que me queres.
E isto nunca foi sobre mim!
Eu amo-te!
Eu quero-te. - E quando me tens de verdade,
quando me fazes acreditar que � real,
descubro que 24 horas antes, a tua ex-mulher,
com quem acabaste de dormir, te disse isso!
Estou cansada de ser a tua alternativa.
Estou cansada de ser a tua segunda escolha.
N�o sou o teu pr�mio de consola��o!
Teddy, por favor. Olha para mim.
N�o fa�as isso.
Sabes, a neve?
N�o foi para os soldados. Foi para ti.
Fi-lo por ti. Sabia que adoravas o Natal,
e queria...
Eu fi-lo por ti.
Estou cansada, Owen. Acabou.
24 horas.
1.440 minutos.
86.400 segundos.
� tudo o que � preciso.
Para salvar a tua vida.
Para mudar a tua vida.
O Eli perdoou-te.
Algumas coisas simplesmente acontecem,
e n�o temos o direito de saber o porqu�.
Apenas um dia pode tirar-nos do fundo do po�o.
- Est�s horr�vel. - N�o estou.
Dia dif�cil?
Salvei um cirurgi�o de transplantes.
Ele era inteligente e engra�ado.
- E? - Bonito.
- E o qu�? Ele � casado? - N�o.
Gay? Mora noutro pa�s?
- No Minnesota. - � a mesma coisa.
Qual � o problema?
N�o h� problema. Ele era meu paciente.
Ent�o ele � inteligente, engra�ado, bonito...
E meu paciente.
Gosto de como a minha vida est� agora.
Eu apenas...
Ele fez-me sentir algo que n�o sinto desde o Derek.
Mas �s a m�dica dele.
� a pior coisa do mundo,
saber que est� por a�, se quiseres?
N�o, n�o � a pior coisa.
E apenas um dia
pode encher-nos com mais possibilidades
do que pod�amos imaginar.
Adapta��o: gri-jolie Legendagem: tlfonseca / InSUBs
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