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COMBATE
Um rapaz caminha.
Tem quatorze anos.
Ele volta para casa.
Dois caras de motocicleta o cercam.
Ele os olha. S�o atraentes.
Parecem perigosos. Ele pode sentir...
Os caras param, descem da motocicleta e o chutam.
Sem nenhuma raz�o.
Logo, desaparecem.
O rosto do rapaz � puro sangue, seus dentes quebrados. Ele chora!
Chega em casa. Sua m�e o olha e diz:
"Espero que tenha se defendido."
Para *noriegaRJ*
Tradu��o/ Legendas *espantalho*
J� nem me lembro quando conheci Kostia.
� o irm�o mais novo de Vanya.
Para mim, sempre foi o irm�o mais novo de Vanya.
Nunca vira Kostia como um garoto que pudesse tomar nos bra�os, at� esse ver�o.
Foi em agosto, no terra�o de um caf� no centro da cidade.
Era um dia ensolarado quando o vi pela primeira vez.
Lhe disse que era muito bonito.
Tal qual.
Riu um pouco, mas bobamente.
Parecia inseguro, como quem n�o est� acostumado a receber elogios.
N�o soube o que dizer.
Me agradeceu.
Com o pretexto de que estava cheio de gente,
permanecemos juntos tanto quanto foi poss�vel.
N�o me atrevia a olh�-lo.
E n�o t�nhamos muito o que falar.
Me senti rid�culo, mas ao mesmo tempo -
era agrad�vel estar ali, junto dele, pr�ximo.
Naquele dia desejei que aquilo fosse o come�o de alguma coisa.
De uma historia.
Sem saber, a historia j� havia come�ado, mas aquele dia -
ele se levantou e foi embora.
Continuamos bebendo, como de h�bito.
Kostia chega.
Tem muita gente. N�o se senta em nossa mesa e permanece de p� na minha frente.
P�e as m�os nos ombros de Olga, que inclina a cabe�a.
Olho suas m�os enquanto trabalham.
Com calma, ele se concentra.
Suas m�os afundam na carne.
� forte. � suave.
Me olha fixamente.
Intensamente.
N�o me deixa escapar.
Me invade uma terr�vel sensa��o que flui do est�mago e chega ao meu cora��o.
Sento calor.
N�o me deixa ir.
J� n�o sei para onde olhar.
Abaixo a cabe�a.
Meu sexo se endurece a cada um de seus movimentos.
Me olha fixamente e posso ver o que sente, o que quer.
Nesse mesmo instante ele sabe que lhe perten�o.
Nesse mesmo instante poderia fazer comigo o que quisesse.
A mensagem que passa � para mim.
posso sentir.
Um contato com Kostia.
� atraente.
H� pessoas com bal�es brancos em toda parte.
Kostia amarra um em minha jaqueta.
Olho pra ele enquanto faz isso. � lindo.
Somos como crian�as, pondo as m�os frias juntas dentro do bolso.
Rimos. Nos divertimos.
O jogo continua at� que nos despedimos.
Me sinto bem.
Alegre.
Voc� � feliz?
Feliz?
N�o sei.
N�o sei?
Sim.
E quando enfia os dedos em minha boca?
Acho que sim.
Por que me pergunta?
N�o sei.
E voc�?
Quando enfio os dedos em sua boca?
Sim, acho que sim.
Sim, acho que sim.
Talvez seja eu quem n�o esteja � altura.
Olga e eu passamos o tempo em um caf�.
Kostia chega. Conversamos.
Nos olhamos um ao outro.
Nos sorrimos. Baixamos o olhar.
Lhe pergunto se vem dormir em minha casa.
Ele n�o se op�e. Eu digo: venha!
E me me segue.
Em casa, voltamos a conversar, por um longo tempo.
Nos completamos melhor com cada frase. Ele ap�ia sua cabe�a sobre meu peito.
Ele n�o est� aninha. N�o � como um animal.
Nervoso.
Com um movimento brusco me arrasta para ele.
Minhas m�os est�o cruzadas sobre meu peito.
Me submete, me acaricia a cabe�a,
a nuca, os ombros,
com a ponta de seus dedos.
� suave e firme ao mesmo tempo.
Diria que gosta do meu corpo.
Me deixo levar. Se sente bem.
Nunca me acariciaram dessa maneira.
N�o sei mesmo o que estou sentindo.
Exceto temor... sim, o reconhe�o.
Cada vez que me vira ele me beija a nuca,
os ombros, o colo.
Pela manh� ele me acorda. Ele chega tarde, eu volto a dormir.
O despertar me parece triste,
sozinho.
Os abra�os s�o fortes.
Brutais.
Nossos corpos respondem a cada press�o.
Buscamos nossos pontos sens�veis e os apertamos com vigor e delicadeza.
Passamos a noite nos esfregando,
mordendo a nuca um do outro, buscando os limites.
Dor.
Prazer.
Submiss�o.
Tenho medo do que sinto.
N�o me atrevo a pensar nele.
Os dias s�o sempre muito intensos.
Tenho menos medo.
Me deixo levar.
Lentamente, aceito a dor com menos reservas.
Come�o a deixar-me levar!
O desejo.
A luta de nossos corpos � sensual,
brutal e exacerbada.
Tudo � um contraste.
Cada momento de dor d� lugar a uma extremada ternura.
Acabamos por dormir esgotados.
Me encaixo em seus bra�os.
Os abra�os s�o fortes, mas nunca suficientes.
Durmo mal.
Meus sonhos me angustiam.
Estou assustado.
Sonho que dirijo um �nibus lotado de passageiros.
A estrada desce e vira uma e outra vez.
N�o consigo controlar de todo, o �nibus.
Me sinto s�.
S� existo dentro dessa dor.
Solit�rio.
�nico.
N�o me sinto capaz de existir sem ele.
N�o sei explicar porque.
Acordo e soco Kostia fortemente.
A dor o faz gritar.
Me diz para ter cuidado que devolver� tudo multiplicado por cem.
Sem duvidar, o esmurro de novo. Ele grita e me soca violentamente.
Sua m�o bate pesadamente em minhas costas.
� forte, preciso e doloroso, como uma queimadura.
Ele volta a me bater uma e outra vez, no rosto, nas costas.
� forte. Brutal.
� a m�o de um homem.
Oxal� me batesse de novo nas costelas, que s�o muito mais sens�veis.
Oxal� me batesse com os punhos, seus cotovelos.
Que adentre a m�o pelas minhas coxas e toque o meu sexo pela primeira vez.
N�o me sinto unificado!
Quero que me bata de novo enquanto toca o meu sexo.
Forte.
J� n�o tenho novidades.
Me aborre�o.
Me aborre�o quando o tempo existe.
N�o sempre, �s vezes.
H� momentos em que o tempo se det�m.
Como contigo.
O tempo se det�m.
� isso que eu acho dif�cil de perder.
Te busco por toda parte.
Em todos eles.
Sempre quis que algu�m me espancasse.
� dif�cil de dizer, mas n�o estou envergonhado.
H� mais de uma semana e nenhuma not�cia.
Estou enlouquecendo.
O que fazemos aos outros?
Aonde est� o trauma?
Quem infringe a domina��o � o outro?
� a primeira vez que me sinto castigado.
Castigado por esperar por ele, por resistir.
Por amar.
Por amar o que ele �.
Tenho estado te esperando.
N�o quero que me esbofeteiem, quero que voc� o fa�a.
Onde quer que eu esteja, espero por ti.
Quero que me violente. Quero te violentar.
Me espanca, por favor, me espanca!
Sei que para me liberar da dor muito forte...
a �nica maneira � devolver as pancadas multiplicadas por cem.
N�o existe torturador entre n�s.
O que golpeia � o mesmo que � golpeado.
Eu sei.
Voc� sabe.
Sei que � voc�.
N�o me lembro onde ou quando, mas me lembro.
Me lembro que te esperava.
Desde sempre.
Me lembro que te esqueci.
Em algum lugar.
Sei que logo, j� n�o voltarei a ter medo,
medo de recordar. Posso sentir isso.
N�o temerei a nada nunca mais.
Te encontrei.
Te inventei.
Seja meu instrumento.
Me permite.
Eu te pe�o!
Me sinto bem contigo.
Quero dizer, n�o culpado!
Voc� � um menino pequeno.
E se paramos?
N�o sei.
Est� aborrecido?
N�o, n�o � isso.
N�o sei.
Pensei que poder�amos terminar dessa maneira.
� certo.
Sem noticias.
Masoquismo mental.
Por acaso sabe que est� me castigando?
Est� castigando a si mesmo!
De que tem medo?
Por que me diz que quer me ver? Por qu�?
Por que imp�e essa espera entre n�s?
Quando estou s�, penso.
E quando penso, tenho medo.
Abandonado.
Me abandou, � um covarde.
S�o todos uns covardes.
Pensei que teria medo, mas s�o voc�s que est�o aterrorizados!
Covardes.
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