Afrikaans
Akan
Albanian
Amharic
Arabic
Armenian
Azerbaijani
Basque
Belarusian
Bemba
Bengali
Bihari
Bosnian
Breton
Bulgarian
Cambodian
Catalan
Cebuano
Cherokee
Chichewa
Chinese (Simplified)
Chinese (Traditional)
Corsican
Croatian
Czech
Danish
English
Esperanto
Estonian
Ewe
Faroese
Filipino
Finnish
Frisian
Ga
Galician
Georgian
German
Greek
Guarani
Gujarati
Haitian Creole
Hausa
Hawaiian
Hebrew
Hindi
Hmong
Hungarian
Icelandic
Igbo
Interlingua
Irish
Italian
Japanese
Javanese
Kannada
Kazakh
Kinyarwanda
Kirundi
Kongo
Korean
Krio (Sierra Leone)
Kurdish
Kurdish (Soranî)
Kyrgyz
Laothian
Latin
Latvian
Lingala
Lithuanian
Lozi
Luganda
Luo
Luxembourgish
Macedonian
Malagasy
Malay
Malayalam
Maltese
Maori
Marathi
Mauritian Creole
Moldavian
Mongolian
Myanmar (Burmese)
Montenegrin
Nepali
Nigerian Pidgin
Northern Sotho
Norwegian
Norwegian (Nynorsk)
Occitan
Oriya
Oromo
Pashto
Persian
Polish
Portuguese (Brazil)
Punjabi
Quechua
Romanian
Romansh
Runyakitara
Russian
Samoan
Scots Gaelic
Serbian
Serbo-Croatian
Sesotho
Setswana
Seychellois Creole
Shona
Sindhi
Sinhalese
Slovak
Slovenian
Somali
Spanish
Spanish (Latin American)
Sundanese
Swahili
Swedish
Tajik
Tamil
Tatar
Telugu
Thai
Tigrinya
Tonga
Tshiluba
Tumbuka
Turkish
Turkmen
Twi
Uighur
Ukrainian
Urdu
Uzbek
Welsh
Wolof
Xhosa
Yiddish
Yoruba
Zulu
"Há centenas de pessoas invisíveis por trás de cada filme.
Neste caso, há milhares. Queremos agradecer-lhes colectivamente pois,
se os nomeássemos a todos, não haveria espaço para o filme.
Contudo, gostaríamos de agradecer especialmente a:
Conselho do Almirantado, Marinha Real da Nova Zelândia,
Marinha Indiana, Marinha dos EUA, Marinha do Uruguai,
Marinha Mercante Britânica,
Comandante Supremo da Base Mediterrânica."
A BATALHA DO RIO DA PRATA
Isto é uma história de poder marítimo.
Em Novembro de 1939, a guerra tinha dois meses.
A Blitzkrieg sobre a Polónia dera ao mundo uma nova palavra
e aos generais uma nova ideia de combate.
No mar, os problemas continuavam a ser os mesmos.
Durante a guerra, a Alemanha era capaz de alimentar-se,
mas a Inglaterra não.
Se os navios dos mantimentos fossem afundados ou imobilizados,
a Inglaterra morreria de fome e a guerra estaria ganha.
Para isso, os alemães tinham três poderosas armas:
as minas magnéticas, os "U-Boat"
e o atacante da superfície.
Estes couraçados de algibeira eram resistentes e velozes.
Nunca existira nada assim. Eram os tigres dos mares.
Dez dias antes da guerra ter sido declarada,
um desses atacantes partiu da Alemanha com ordens secretas.
Navegou durante a noite pela costa da Noruega,
passou sem ser visto pelo Estreito da Dinamarca,
entre a Islândia e a Gronelândia
e desapareceu no Atlântico Sul
onde um navio abastecedor já estava à sua espera.
Passaram os meses e ninguém suspeitava
que havia um assassino à espreita,
até que navios após navios começaram a não chegar ao porto.
Quarta-feira 15 de Novembro de 1939.
- Pobre "Africa Shell". - São os azares da guerra, Capitão.
Piratas, é o que vocês são.
O meu navio estava bem dentro de águas territoriais portuguesas.
Pode queixar-se ao nosso Capitão, o Capitão Langsdorff.
Queixar-me? De que serve isso?
Afundaram-me o navio, roubaram-me os documentos.
A minha posição estava claramente marcada na carta.
A sua carta é imprecisa.
Olhe bem para ali! É a costa da África Oriental portuguesa.
Ainda estamos no limite das três milhas, não estamos?
Ali está o Cabo Zavora.
Ali é o farol do Cabo Quessico. Você não é cego.
Eu só vejo dois dos seus salva-vidas
a levar toda a sua tripulação para um local seguro.
Então vocês são o couraçado de algibeira "Graf Spee"...
Atenção!
O Capitão Dove, do "Africa Shell".
Espere aqui até o Capitão estar livre.
Então, Capitão Dove?
Então, Capitão Langsdorff?
Como está, Capitão?
O meu oficial comunicou-me o seu protesto pela captura do seu navio.
Afirma que estava em águas territoriais.
Se estava, isso torna tudo muito difícil para mim.
Não tão difícil como já é para mim.
Perdi o meu navio e tudo o resto.
Não tenho a menor dúvida de que estava no limite das três milhas.
- Se tivesse aqui a minha carta... - Eis a sua carta, Capitão.
- Mostre-me, por favor. - Com certeza. Veja aqui...
Está a ver esta linha? Não podia ser mais clara.
Não vamos concordar. O senhor quer que os números provem
que está certo e eu errado e eu quero que os números...
Vamos para uma solução de compromisso?
O senhor escreve um protesto e eu dou-lhe um recibo. É justo?
- É bastante justo. - Aceita uma bebida?
Whisky, genuíno, do navio a vapor "Clement".
Então afundou o "Clement"...
Um cigarro?
- Também genuíno? - Mas não do "Clement", acho eu.
São do "Huntsman".
O Capitão do "Huntsman" era meu amigo.
- É, Capitão, é. - O quê? Ele está a bordo?
Não exactamente.
Acredite que não gosto de mandar navios para o fundo, Capitão.
Que marinheiro é que gosta?
Também não gosto de fazer guerra a civis.
Até agora, foram os civis que sofreram com esta guerra.
O exército tem tanques blindados e transmissores de betão.
Os aviadores fazem voos de reconhecimento.
E os marinheiros...
Veja o meu caso, por exemplo.
Comando um belo navio. Um navio novo.
Um dos melhores couraçados em serviço. Somos rápidos.
- Vinte e cinco nós. - Mais.
- Tenho muito armamento. - Seis canhões de 11 polegadas
e oito ou dez de cinco polegadas. - O Capitão usa bem os olhos.
As minhas ordens são para afundar navios mercantes e evitar combates.
Nunca se sabe o que pode acontecer. Um destes dias,
sem querer, pode deparar com um dos nossos.
Vocês só têm três navios que possam apanhar-me.
O "Repulse", o "Renown" e o "Hood".
No papel.
Os vossos grandes couraçados não são suficientemente rápidos.
Há muitos dos nossos cruzadores que são mais rápidos do que vocês.
- Não podem competir em armas. - No papel.
Tenho outra vantagem, Capitão.
A vastidão do mar. É muito difícil encontrarem-me.
Isso posso eu confirmar.
Não sei como é que o navio abastecedor conseguirá encontrá-lo.
- Não consegue. É o contrário. - Isso não é igualmente difícil?
É a coisa mais simples do mundo, Capitão.
Os pormenores são secretos, mas o método é muito antigo.
O oceano está dividido em quadrados
e eu sei exactamente em qual deles está o navio numa determinada data.
- Muito interessante. - Sei em que está a pensar,
mas as cartas são seguras. O Capitão também, por enquanto.
Como vê, posso caçar nos sete mares, do Pólo Norte ao Pólo Sul.
Espero que não vá tão longe, porque não estou vestido para isso.
Vamos pedir ao nosso alfaiate que lhe faça roupa mais quente.
- Então vamos para Sul... - Talvez. Lempke!
Quer dar uma volta pelo meu navio?
Pode ser, tenho uma hora ou duas.
O meu guarda-marinha vai levá-lo ao seu alojamento.
- Como está? - É um tipo simpático.
Atenção!
Tenente Becker, apresente-se ao Capitão.
Lamento, Capitão, avistámos outro navio mercante.
Tenho de pedir-lhe que se recolha. Eu levo-o. Siga-me, por favor.
O que é que temos aqui?
- Muito agradável. - É o alojamento dos aspirantes.
- Muito agradável e espaçoso. - Ficará com mais 29 oficiais.
- Vinte e nove? - Sim,
quando nos cruzarmos com o navio abastecedor,
todos os oficiais prisioneiros serão transferidos para aqui.
É melhor escolher já o meu canto.
No Natal, já estará em casa.
- Isso é bom. Quando? - Um dia destes. Em breve.
Do alfaiate...
O Capitão Langsdorff pede que o vista e vá ao convés.
Cá está ele! O nosso navio abastecedor.
- Tens café para nós, Lutze? - Sim, do melhor.
- Bom dia. - Bom dia, Capitão.
- O seu convite foi agradável. - Achei que podia interessar-lhe.
- E interessa. - O saco rebentou.
Passas...
Para si, Capitão.
Vá, aceite.
Obrigado, aceito.
- Parece que chegou o Pai Natal. - E chegou.
Carne fresca, legumes, fruta. E combustível.
Capitão Dove, o Pai Natal.
Alt...
Altmark...
Não está muito bem camuflado.
Agora fazemos as coisas muito melhor.
Por exemplo, fizemos isto para os neutros.
Num dia, sou o "Deutschland". Virem...
No dia seguinte, sou o "Admiral Scheer".
Eles dizem sempre o que vêem. Mantenho a sua Marinha atenta.
Sou como uma menina bonita. Mudo de roupa,
mudo de chapéu. Sou uma rapariga diferente.
Isto vai ser a minha nova chaminé... lona.
E ali, uma nova torre... madeira.
Tenente Hirth!
Onde está o livro "Os Navios de Combate da Jane"?
- Está aqui, Capitão. - Jane!
Sim, Jane. É uma publicação muito útil.
- Isto é a nossa nova silhueta. - Um cruzador americano.
Então é por isso que têm um número pintado na proa.
Acha que vai conseguir?
Chega para evitar ser reconhecido. Obrigado.
Cinco minutos a 28 nós faz toda a diferença
entre estar dentro do alcance ou fora do alcance.
Numa batalha naval moderna, só há duas coisas a recordar.
Bons serviços secretos em terra,
para sabermos o que esperamos quando o virmos.
Boa localização no nosso próprio navio,
para sabermos o que ver quando se está à espera.
A propósito de silhuetas, parabéns a si e ao nosso alfaiate. Nada mal.
Obrigado.
Quero que esteja no seu melhor, Capitão.
Vou transferir para cá todos os oficiais prisioneiros do "Altmark".
Posso saber porquê?
Sim, o "Graf Spee" vai ser substituído por outro navio.
Terminámos o nosso dever. Três meses, Capitão.
Vamos para casa de licença. Tenho de levar os presos comigo.
Esta noite vai ter companhia.
- Sai da frente! - Tem calma.
Vocês jovens estão sempre com pressa!
- Sai! - Sim, Senhor.
- Isto é pesado. - Bem podes dizê-lo.
Eu devia estar de uniforme para receber os rapazes.
Liverpool...
Hull...
- Cardiff... - Por aqui.
Newcastle. Tiveram mais tempo para fazer a mala do que eu.
Primeiro o "Newton Beech". Vamos, rapazes.
- Vá, apanhem um dos cantos. - Vá, os cantos são acolhedores.
O "Trevannion" é aqui.
Boa noite, Capitão.
Olha, é um de nós!
- Pensei que era boche. - Não, sou o Dove, "Africa Shell".
- Caramba! Uma cara nova! - Quando é que se afundou, Dove?
- A 15 de Novembro. Oceano Índico. - Há mais alguém consigo?
Não, fui o último que afundaram. Só me trouxeram a mim.
Ouviram? Nem uma morte em três semanas. Deve estar a ficar sedento.
- Como é que o trataram? - Bastante bem.
- Como é o Capitão? - Sim, como é o tipo?
Óptimo. É um cavalheiro.
Não é como o nosso amigo Dahl, do "Altmark".
- Esse era um porco. - Aquilo era um inferno flutuante.
Os nossos homens pareciam gado. Quatro paredes e um balde sujo.
- Adeus. - Adeus.
Isto também não vai ser nenhum cruzeiro.
Olha!
Que sorte! O carpinteiro deixou os furos por tapar.
Foi simpático...
Quando estava sozinho, apetecia-me companhia.
Agora, já não tenho tanta certeza.
Está a andar, rapazes.
Sim, arrancou.
- Quem são vocês? - Vamos fazer uma chamada.
- "Huntsman". - "Newton Beech".
- "Ashlea".
- "Tairoa" - "Trevanmonu.
- Todos presentes e correctos. - "Africa Shell".
Quem se seguirá?
- Se pudéssemos sair daqui... - Cale-se!
- Esteja calado, Sr. Shaw. - Cale-me essa boca grande.
Ratos numa ratoeira, é o que somos.
Vá lá, nada de confusões.
Calem-se todos. Vem aí o guarda-marinha.
Agora é que vamos saber quem é que foi afundado desta vez.
Cavalheiros, a batalha terminou.
- Batalha? Que batalha? - Afundámo-lo.
Não, não. Acabou-se o "Doric Star".
- O quê? Isso é o velho Stubbs! - Não pode ser, é um barquito.
- Podemos aprender com isto. - Só um canhão de 4 polegadas!
- Pobre Stubbs! - Esperem até eles vos apanharem!
- Nós esperamos. - Recolheram a tripulação?
- Foram atacados tempo suficiente. - Em breve, terão mais amigos.
- Mais? Onde é que vão pô-los? - Há aqui muito espaço!
Entre. Por aqui, por favor.
Bem-vindo a bordo, Capitão. Chamo-me Dove. "Africa Shell".
- Stubbs, "Doric Star". - Nós sabemos.
O guarda-marinha deu-nos as notícias. Pottinger, "Ashlea".
- Olá, Stubbs. - Olha o John Robinson.
Lembra-se de mim, Capitão? Murphy, "Tairoa".
Apanharam-no com as calças na mão?
Desculpem, não tive tempo para trazer as minhas coisas.
Foi o castigo por ter usado o rádio.
Deu-lhes trabalho durante toda a tarde.
- Conseguiu passar, Sparks? - Sem qualquer dúvida.
- Eles abordaram-no, Capitão? - Não, nós abrimos brechas.
- Mais um dia sem carne. - Muito corajoso, mas tolo.
Tiveram sorte em não se terem afundado.
Adeus.
Reservámos os topos para os Capitães.
O pessoal da casa das máquinas fica por baixo.
- Trouxe sabão, chefe? - Sabão?
- Não, não tive tempo. - Não deite isso fora.
Há quem não veja um jornal há meses.
De onde é que isso vem? De Buenos Aires?
Que página é que quer, Stubbs?
- Sabe ler espanhol? - Isto é a página das corridas.
- Os cavalos não me interessam. - Nem a mim.
Oiçam...
Parem de tocar.
É o velho guarda-marinha a cantar uma canção.
É um bocado cedo para o Natal, não acha?
O que é isto?
Capitães e oficiais,
hoje é dia de São Nicolau e nós costumamos pendurar as meias.
Só temos uma árvore de Natal que é para os nossos homens,
mas temos muitos enfeites.
Isto é um presente do Capitão.
Divirtam-se.
Atenção! Atenção!
Acabou a festa, meninos.
É uma noite silenciosa para um desgraçado qualquer.
Estão a ouvir?
Mais um navio para a meia do tio Adolfo.
Isto é curioso...
Está a ficar interessado pelas corridas, Stubs?
- Muito curioso... - Curioso?
Está a falar dos nomes com que baptizam os pobres cavalos?
É a América do Sul, já era de esperar.
Exacto. São tudo cavalos a correr em Buenos Aires, Rio e Monte
e há mais nomes britânicos do que espanhóis.
No Rio, fala-se português e não espanhol.
"Ajax", "Achilles"... Que tem isto de britânico? São mais gregos...
Que nomes é que disse?
"Ajax", "Achilles", "Salvador", "Exeter", "Cumberland"...
- Isso são cruzadores, não cavalos. - Exacto.
Eu conheço o "Achlles", é um cruzador neozelandês.
É o Esquadrão Sul-Americano. O Esquadrão Comodoro Harwood.
- Que coincidência! - Coincidência o tanas!
É assim que eles fazem!
Quer dizer que isto são notícias sobre navios e não sobre cavalos?
- Serviços secretos, é o que é. - Têm espiões em todo o lado.
- E nós também. - E nós também.
- Sim, mas eles põem no jornal. - E a gente deles lê.
- E passam para o "Graf Spee". - E o Capitão altera a rota.
Porquê? Que podemos nós fazer com os nossos cruzadores
contra um gigante como o "Graf Spee"?
Que tem canhões de onze polegadas.
- Talvez um dia venhamos a saber. - "Ajax, "Achilles", "Exeter".
Encontrá-los será o mesmo que tentar achar uma agulha num palheiro.
Anime-se, Stubbs.
Três agulhas num palheiro.
Constante. Constante a 3-2-0.
- Medley? - Sim, Senhor?
Comunique com o "Achilles" e com o "Exeter".
"Quero vê-los hoje às 1100 a bordo do navio-almirante."
- Ponha uma hora de origem. - Sim, Senhor.
- Tem as cartas preparadas? - Sim, está tudo pronto.
- Óptimo. - Passar ao "Exeter".
Navio-almirante a comunicar.
Navio-almirante, chefe.
É do navio-almirante.
Bobby!
Mais tarde, vou querer o barco.
O Comodoro está a convocar um conselho de capitães.
- É mesmo um toque à Nelson. - Passa para o "Achilles".
- Piloto... - Sim?
Quero o barco para ir ao "Ajax" daqui a meia hora.
Sim, Senhor.
Ultimamente, não temos tido muitas oportunidades de usá-lo.
Não, Senhor.
Acha que vão afogar-nos a todos?
Se fizerem isso, estão tramados.
Faz alguma ideia do que o Comodoro tenciona fazer-nos,
agora que tem três navios com que brincar?
Uma coisa é certa. Devemos ir realizar manobras do Esquadrão.
Isso não nos faz mal nenhum, pois não?
Chefe Yeoman!
- Esteja atento ao navio-almirante. - Sim, Senhor.
Se bem conheço o Harwood, em breve saberemos.
Não deixe os neozelandeses baterem-nos. Vamos a isto!
O "Exeter".
- Olá, Bell. - Bom dia.
Bom dia. Já conhece o Woodhouse, não é verdade?
Não o vejo há anos.
Desde aquele famoso jogo de futebol em Twickenham.
Vou ter o cuidado de não os pôr juntos.
O Hookie vai contar-lhe os maus hábitos que eu tinha no "Exeter".
O "Achilles".
- Bom dia. - É um prazer vê-lo, Parry.
- Bom dia, Woodhouse. - Acho que não conhece o Parry.
Como está?
- Como vão os neozelandeses? - São quinhentos individualistas.
- Hookie... - Sim?
A lista de faltas e de reservas do "Exeter"
que eu lhe pedi que mandasse para a base, já foi?
- Ainda não. - Porquê o atraso?
Lamento, mas não está terminada. Vou terminá-la hoje.
Por favor, complete-a e ponha-a bordo do primeiro navio mercante.
Vamos começar. Venha, Parry.
- Se quiserem, podem fumar. - Obrigado.
Tomei a decisão bastante invulgar de mandar chamá-los
porque queria dar-vos pessoalmente a minha análise da situação.
Pedi esta concentração aqui ao largo do Rio de Prata,
por causa das notícias que recebi
sobre os últimos movimentos de um navio alemão
que está ao largo do Atlântico Sul. Gostaria que olhassem para a carta.
O almirantado tem indicações de que este couraçado de algibeira
pode ser o "Admiral Scheer", "Graf Spee" ou "Deutschland",
que partiu de Kiel no dia 21 de Agosto.
O navio assumiu a sua posição bem antes da guerra ser declarada.
Até dia 13 de Setembro, não atacou nenhum navio.
Posso adivinhar porquê.
Hitler achou que, após a queda da Polónia,
a Grã-Bretanha e a França iriam pedir a paz.
Contudo, no dia 13 de Setembro,
afundou o "Clement" aqui em Pernambuco.
Abandonou imediatamente esta zona, indo para o meio do Atlântico onde,
entre 5 e 10 de Outubro,
as suas vítimas foram o "Newton Beech",
o "Ashlea" e o Huntsman".
Mais uma vez,
deixou esta zona rapidamente para ir para a costa ocidental de África,
onde afundou o "Trevannion".
Avançou e dobrou o Cabo para o Oceano Índico,
presumivelmente para atacar as rotas Cabo-índia-Austrália,
mas apenas afundou um pequeno petroleiro, o "Africa Shell".
Aqui, no Canal de Moçambique.
Depois, deve ter voltado para trás, porque, há uns dias,
afundou o paquete "Doric Star", aqui.
Como sabe que ele conseguiu avisar que estava a ser atacado,
é óbvio que o atacante vai querer sair da zona o mais rápido possível.
Bem...
Na minha opinião, vai fazer uma de três coisas.
Um,
vai voltar para o Oceano Índico.
Dois,
vai tentar voltar para a Alemanha, através do Estreito da Dinamarca.
Ou, três,
antes de regressar a casa,
virá aqui para a nossa parte do mundo.
Onde deve ter estado sempre, para fazer uma última matança
entre os navios de cereais e de carne da América do Sul.
Diz-me o meu instinto que é exactamente isso que fará.
Tentando adivinhar a sua provável velocidade, calculo que,
se estivesse a dirigir-se para o Rio,
estaria lá esta manhã, 12 de Dezembro.
Se estiver a dirigir-se para aqui, para o Rio da Prata,
a minha convicção,
estará cá vinte e quatro horas depois.
Amanhã.
Sim, amanhã.
O meu objectivo é a destruição do inimigo.
A minha intenção é atacar imediatamente, de dia ou de noite.
Ele pode ter mais armas e ultrapassar-nos.
Assim, logo que virmos o animal,
vamos aproximar-nos à velocidade máxima
e dividi-lo, atacando em flancos separados.
O "Ajax" e o "Achilles" vão atacar lado a lado.
O "Exeter" vai atacar sozinho.
Desta forma, além de dividirmos o armamento do inimigo,
também podemos comunicar uns aos outros as nossas faltas.
Quem me dera ter o "Cumberland".
Dava-me jeito mais canhões de oito polegadas,
mas está em reparação nas Malvinas e só chega daqui a 15 dias.
Digam às vossas tripulações que têm de estar alerta nos próximos dias.
Procurem defeitos que possam reduzir a eficácia do fogo e resolvam-nos.
Vamos exercer a minha táctica para atacar um couraçado de algibeira,
tanto à luz do dia como depois de escurecer.
Onde está o Sol?
- Bem por cima da verga. - Então, abra o gin.
Manhã de Quarta-feira 13 de Dezembro.
Diga ao oficial de artilharia que examine o horizonte.
Armas. Examinar o horizonte de ambos os lados.
- Stacey? - Sim?
- Assestar direita. - Dorset!
- Está um belo dia. - Deve haver boa visibilidade.
- Mas que belo sonho! - Quem era ela?
- Não era uma ela. - Nada de conversas.
- Estava a sonhar com ele. - Ele?
Sim, estava no Hotel Ritz de Londres.
- Continua! - O chefe era o porteiro.
Mandei-o ir à chuva buscar-me um táxi e, quando ele veio,
eu disse: "Vai buscar outro. Não gosto da cor deste."
Horas?
- Quatro e cinquenta. - Uma suave brisa.
Vai ser um dia perfeito.
- Bom dia. - Ai é? Não tinha reparado.
- Interruptores desligados. - Interruptores desligados.
- Combustível ligado. - Combustível ligado.
- Alavanca preparada. - Alavanca preparada.
Contacto. Contacto.
Aí vem ele, o bom velho Sol.
- Hoje é o grande dia. - Sim.
- Capitão... - Sim, artilharia?
- Horizonte limpo. - Obrigado.
Está tudo pronto?
É melhor esperarmos pelo navio-almirante.
Visibilidade total. Nada à vista.
Prontidão de terceiro grau.
Muito bem, piloto. Postos de cruzeiro.
- Todos aos postos de cruzeiro. - Sim, Senhor.
Hastear aviso de "assumir prontidão de terceiro grau".
- Iniciar vigia de cruzeiro. - Corneteiro...
- Corneteiro! - Sim?
- Toca o dispersar. - Sim, Senhor.
Para citar livremente Shakespeare,
"Chegaram os idos de Dezembro".
"Sim, César, mas não acabaram".
Seis e dez.
- Estarei no meu camarote. - Sim, Senhor.
Mantenha uma vigia apertada.
Especialmente no navio-almirante.
Vou lá abaixo fazer a barba e tomar um banho.
Mantenham um olho em tudo
e dois olhos no Comodoro.
Vá ver a que horas é que a Lua vai nascer esta noite.
Trago-lhe os papéis para assinar depois do pequeno-almoço?
Sim.
Torpedo...
Avise-me imediatamente, se avistar alguma coisa.
Sim, Senhor.
Vocês mantenham-se alerta.
Bem, vocês ouviram.
- Todos de vigia. - Muito bem.
Fumo.
Rota vermelha, um cem.
Fumo na rota vermelha, um cem.
- Meu capitão? - Sim?
Fumo na rota vermelha, um cem.
Muito bem.
Senhor Comodoro. Fumo na rota, um cem.
- De noroeste? - Sim, Senhor.
- O "Exeter" que investigue. - Sim, Senhor.
Chefe Yeoman...
Passe ao "Exeter": "Investigar fumo rota vermelha, um cem".
- Alterar curso para Norte. - Chefe...
Transmissão do navio-almirante: "Já enviou lista de reservas?
Se o fumo for nosso, mande a lista para a base."
Muito bem. Outra vez a lista das reservas?
Isso vai irritar o velho.
Sr. Lewin, consegue ver a maquinaria superior?
Parece ser um couraçado de algibeira.
Não seja ridículo, Swanson.
É o terceiro couraçado de algibeira que vê desde Domingo.
- Importa-se de vir ao convés? - Muito bem.
Estou a ver uma torre de controlo. Tenho a certeza.
- Já estive em navios grandes. - É o que está sempre a dizer.
Penny-Feather, consegue identificá-lo?
- Há muita neblina. - É claríssimo.
Vá lá acima e observe o que consegue ver de lá.
O "Exeter" está a enviar mensagens.
- Bandeira cinco. - Inimigo à vista.
- Avisar a tripulação, Dicky. - É um couraçado de algibeira.
Isto é novo, nunca tinha ouvido nada assim.
Desta vez, encontraram qualquer coisa.
Dê o alarme.
Avise a casa das máquinas. Ligar todas as caldeiras.
Ligar todas as caldeiras.
Ambos os motores a toda a velocidade.
Capitão?
Penso que o "Scheer" está a bombordo.
Muito bem, todos aos seus postos. Dar o alarme.
Corneteiro! Acção seguida do dobro.
Hastear pavilhão de combate.
- Vinte e oito nós. - Dois-quatro-zero rotações.
- Bombordo vinte. - Bombordo vinte.
Alterar rota vinte graus na direcção dele.
- Bombordo vinte. - Velocidade: vinte e oito nós.
- Piloto-dois-oito. - Dois-um-zero rotações.
Convés, hastear pavilhão de combate.
Enviar para almirantado do Comodoro, Atlântico Sul:
"Vou atacar couraçado de algibeira".
Dê-lhes a nossa posição de referência.
- Snotty, posição de referência. - Desarmar essa coisa.
- Velocidade máxima. - Executar.
Artilharia, abrir fogo assim que estiverem prontos.
Passar palavra a todo o navio.
Vamos atacar um couraçado de algibeira.
Bem, Comandante, ali está ele.
Vou dar a volta aos alojamentos e alertar toda a gente.
Está todo equipado com os pavilhões de combate.
Está a embandeirar.
- Estão a carregar os canhões. - Já não parecem tão confiantes.
O que é que eu vos disse? Encontrou algo do tamanho dele!
Espero que seja um dos nossos e estoire com isto tudo.
- E connosco também. - Sim,
estou sempre a esquecer-me disso.
Mantenham-se calmos, ainda não fomos atingidos.
Quero estar o mais perto possível do inimigo, mas em aberto.
Horas?
Seis e dezoito.
Três-cinco-nove...
Vamos dividir-lhe o fogo. O armamento dele é muito preciso.
Bombardearam-nos com a primeira salva.
É melhor abrirem os chapéus-de-chuva.
Torre de controlo de artilharia. Ponte, estamos prestes a abrir fogo.
- Vamos abrir fogo. - Óptimo.
Então e as cargas no tombadilho de popa?
Se formos atingidos em cheio, a popa vai-se. Posso aliviar?
À vontade.
Tombadilho de popa!
- Preparar para catapultar avião. - Plataforma,
preparar para catapultar avião.
- Torpedos prontos a disparar. - Em breve, estará ao alcance.
Não percebo o que está a fazer o Capitão deles.
Quando se tem mais alcance, porquê chegar mais perto?
Flancos.
Muito bem, artilheiros.
- Vamos abrir fogo. - Finalmente.
- O "Ajax" abriu fogo. - Alcance máximo.
Não por muito tempo.
Alterar curso para estibordo.
- Estibordo vinte. - Artilharia...
Vou virar sempre em direcção ao local de queda do último tiro.
Estejam preparados para agir de acordo com isso.
- Entendido, piloto? - Sim, Senhor.
Espero que o mesmo não aconteça com o inimigo.
- Meia-nau. - Abrir fogo assim que puderem.
Estamos a abrir fogo agora.
Aguentar.
- Muito bem, preparar. - Agora?
Sim, vamos partir entre salvas.
Só temos uma diferença de dez segundos.
Com uma bomba de seis polegadas atrás, podemos fazê-lo em seis.
Este foi na retaguarda.
O "Exeter" está a bombardeá-lo. Está ao alcance dele.
E nosso também.
Eles bombardearam-nos.
Assim que formos atingidos, saberemos logo.
- Estão a perceber? - Boa! Outra vez!
Já acabou? Ajude-me, está bem?
Não há nada como a nossa casa...
Muito engraçado.
Dêem um prémio aos cavalheiros: um saco de nozes ou um charuto.
- O que é este cheiro? - Apague o cigarro, seu idiota!
O avião de localização foi atingido. Foi por cima de nós.
Já estão ao alcance.
- Se a gasolina sobe... - Vamos ficar em cinzas.
- Como o vosso pudim de Yorkshire. - Que mal tem o nosso pudim?
Bob, quando eu estiver cozinhado deste lado, vira-me?
Inimigo a alterar rota na nossa direcção.
Isso convém-nos.
Agora está a concentrar a artilharia no "Exeter".
- O quê? Isso é que era bom! - Agora, somos o alvo principal.
Tiro certeiro na oficina de pintura. Primeiros-socorros a avançar.
- Quem é aquele que está ali? - Parece o Morse.
Passe a palavra de que estamos a acertar no inimigo tanto quanto
ele está a acertar-nos a nós.
Piloto!
Tiro certeiro no "Exeter". Parece a torre da frente.
Piloto! Alterar rota.
Chefe Yeoman!
Helmsman... Helmsman...
Manobra do leme! Manobra do leme!
Morgan!
Oficial Jones!
Roper... Está tudo bem, Roper?
Primeiros-Socorros à ponte.
- Olá, Bobby. - Graças a Deus que está bem.
Há um grande fogo entre as cobertas.
- O Grupo B? - Fora de acção. Quase tudo morto.
Um tiro certeiro rasgou a blindagem. Parece ter apanhado a maior parte.
Se o fogo se espalhar, inundem o paiol.
Vim assim que pude, Capitão.
Há muito trabalho para si, padre.
Vamos, depressa.
Vou para o controlo blindado. Olhe para ali...
- Mas que...? - O Capitão tem de ter um chapéu.
Vai ter de usar o seu chapéu de Domingo. Vamos, Roper.
- Como é que vai isso, Tom? - Está tudo bem, padre.
Já vai ficar mais confortável.
O rapaz... o rapaz está pior do que eu.
Se vir o Comandante, mande-o ter comigo à popa.
O "Exeter" desapareceu completamente
no meio do fumo e das chamas.
- Com mil contratorpedeiros! - O último foi muito perto da ponte.
- Tudo bem, amigo? - Tudo.
Olá, Smith.
A ponte está destruída. Vou para o controlo blindado.
- Certo. - Como estão as coisas?
Quase toda a tripulação dos torpedos morreu ou está ferida.
- Há substitutos? - Sim, já estão nos postos.
- Todas as comunicações cortadas. - Vou combater a partir daqui.
- Bússola giroscópica? - Não há.
- Arranje-me uma bússola de barco. - Vá buscar uma ao salva-vidas.
Um aqui e outro lá em baixo com o substituto do Helmsman.
Como é que vai transmitir ordens? São três cobertas abaixo.
Formem uma cadeia de homens. Depressa!
Meu Deus! Está outra vez a disparar,
com as duas outras torres! Bom velho Hookie!
- Mandou-me chamar? - Sim, mandei. Quero...
- Que raio é isto? - Gasolina do avião atingido.
Estamos a tentar afastá-lo!
Mais um tiro da torre posterior e ficamos tipo Joana d'Arc.
- Vim substituir o chefe. - Fique ao meu lado.
- McBarnett! - Assuma a navegação, McBarnett.
- Passe as ordens pelo mensageiro. - Aguardar, Roper.
O "Achilles" está a virar debaixo do fumo.
Está a disparar contra o "Achilles" com os canhões de 5.9.
Sim...
e a bombardear-nos a nós com os de onze polegadas.
É melhor irmos para estibordo e depois voltarmos para bombordo.
Isso deverá confundir o artilheiro deles.
- Piloto, estibordo quinze. - Estibordo quinze.
- Ponte chama torre de artilharia. - Onde está ferido, Sr. Watts?
As minhas pernas... São as minhas pernas.
- Ponte chama torre. - Agora a outra perna.
O quê? A outra está boa. Está óptima.
Não está nada, tem um buraco.
- Nem tinha reparado nisso! - Torre fora de acção.
Nada disso... Ponte de Controlo.
Diga ao Capitão que estamos a recuperar. Mande socorros.
Vá lá, Richard... Reparações temporárias.
Vá lá, vá lá...
- A torre A parou de disparar. - Então e a torre posterior?
Continua a disparar.
O Jennings está a dirigir o fogo lá de cima.
- Óptimo. - O inimigo vem direito a nós.
- Bombordo vinte. - Bombordo vinte.
- Meia-nau. - Meia-nau.
- Aguentar. - Aguentar.
Quase nos afundou.
Pelo menos, não vamos fritar.
Devia ter posto o seu chapéu.
Observador a "Aquilles": estão a ficar aquém.
O que se passa contigo? Estás bem, Shaw?
Shaw!
- O Archie está morto. - Rogers, vá para o lugar do Shaw.
- A torre deixou de disparar. - Mandou-me chamar?
Como estão as coisas lá em baixo?
- Motores e caldeiras intactos. - Sim, mais do que nós.
- Inimigo a aproximar-se depressa. - Não restam canhões nem torpedos.
O "Exeter" está a alterar a rota para estibordo.
- Está a inclinar-se para estibordo. - Está fora de controlo.
- Qual é o nosso alcance? - Dezasseis mil.
Vamos a isto, Woody. Que se danem as instruções de combate.
Temos de afastá-lo do "Exeter".
A esta distância, até podemos atacar com bolas de neve.
- Direitos a ele, piloto. - Bombordo vinte.
Enviar ao "Achilles": "velocidade trinta nós".
George-três-zero.
Convés das bandeiras, hastear George-três-zero.
- Qual é o alcance agora? - Um-três-dois.
Peça ao chefe para falar comigo.
Está a aproximar-se para acabar com o "Exeter". Velocidade máxima.
Chefe, dê-nos tudo o que tem.
Ele quer acabar connosco.
Bem, Bobby, só nos resta uma coisa.
Se nos der meia hipótese, vamos tentar abrir-lhe uma brecha.
- Sim, Senhor. - Será o nosso fim,
mas também o fim dele, e só isso importa.
Vamos passar para dez mil jardas.
- Muito bem, vamos a isto. - Tudo a estibordo.
Meia-nau.
Toma lá isto, seu animal!
Um tiro na superestrutura.
- Muito bem, Rogers. - Foi fácil.
- Eu atirava côcos lá na terra. - Então volte a repetir.
Tiro certeiro no cinco-nove.
A que preço estão agora as bolas de neve?
Conseguimos! Está a mudar o rumo.
- Vamos atrás dele! - Muito bem, artilharia.
Os tiros estão a ficar irregulares. Devemos estar a atingi-lo.
Meu Capitão,
torre fora de acção. Estamos a tentar resolver isso.
- Muito bem, artilharia. - Ainda restam mais duas.
É da torre "X". Fogo na relinga das munições.
Vá lá abaixo ver se está tudo sob controlo.
- Meu Capitão... - Sim, artilharia?
Disparámos cerca de mil e duzentas munições.
Só resta cerca de um terço.
Obrigado. Vocês estão bem?
Há aqui uns furos para ventilação, umas correntes de ar...
De resto, tudo bem.
- Horas? - 07.40.
Temos de alargar o raio de acção. Virar de popa e fazer fumo.
- Estibordo trinta. Fazer fumo. - Estibordo trinta.
Mensagem do "Exeter".
Toda a artilharia fora de acção.
Ainda podemos navegar.
Deve estar em bastante mau estado.
Será que ele consegue chegar às Malvinas?
- Meu Capitão? - Sim?
Há torpedos nos tubos de bombordo.
Certo. Se tiver hipótese, dispare-os.
Mensagem do Comodoro.
O Comodoro pergunta se conseguimos chegar às Malvinas.
Responda.
Posso chegar a Plymouth, se ordenado.
- Yeoman... - Sim?
Solicitar também permissão para rever lista de reservas.
Rever lista de reservas.
Hookie Bell!
Se for possível, ele consegue.
Enviar: "Seguir para as Malvinas
a boa sorte".
Acham que acabou tudo?
Não disparam há um quarto de hora.
- É mais à meia hora. - Eu vi no meu relógio.
O que será que nos fez pôr os bonés?
- Tem razão. - Protecção acrescida.
Dava qualquer coisa para saber! Acham que este os afundou?
- Não é muito provável. - Se o tivesse feito,
não estava com esta pressa toda.
O que será que ele vai fazer?
Não vem atrás de nós.
Vamos continuar atrás dele.
Estou esfomeado. Importa-se de ir ver se há comida?
- Por que não vai você, Ralph? - O quê? No meu estado?
Está bem.
Há um grande buraco no tecto. Vejam!
- Aqui só há arranhões. - Parece estar tudo bem.
Mas que grande sorte!
- Deve ter atingido a viga mestra. - Sem ela, estávamos mortos.
Quem disse que o "Graf Spee" tinha afundado os nossos navios?
- Estamos no rasto deles. - Eles é que estão no nosso rasto.
A minha alma está com os rapazes.
- Quem me dera lá estar. - Vou ver.
Pediu torradas, não foi, minha senhora?
Foi a torre da frente. Ainda não acabou.
Isto significa "mantenham-se longe".
Devíamos alterar um pouco a rota.
- Estibordo dez. - Estibordo dez.
Esteja preparado para acabar com ele quando a noite cair.
Mantenha-o entre nós e o crepúsculo.
Ele vai delinear-se contra o céu
e nós estaremos ao abrigo da escuridão.
Ouviram?
Estão a avançar para a matança.
Acha que consegue arranjar a luz, chefe?
Não, o cabo deve ter sido cortado.
- Então e as decorações de Natal? - Boa ideia!
Há algumas lanternas de papel.
Alguém tem um fósforo?
Vamos usá-las agora ou guarda-las para mais tarde?
Mais tarde, podemos não precisar delas.
Vou acender esta para o meu anjo da guarda.
- Está a abrandar, rapazes. - Tem razão, chefe.
O que é que acha disto, Peter?
Parou!
- Sim, parou! - Exactamente.
O Langsdorff vai deixar os nossos rapazes passarem por ele no escuro
e depois volta para trás e volta a meter-se mar adentro.
Isso mesmo. Pela manhã, já estará a milhas daqui.
Se nós pudéssemos fazer alguma coisa...
Silêncio!
- Atenção! - Oiçam!
Cavalheiros,
para vocês, a batalha acabou.
Estamos no porto de Montevideo.
O Capitão Langsdorff disse-me para vos dizer que,
como estamos no país neutro do Uruguai,
de acordo com a Lei Internacional,
amanhã serão todos libertados.
Venha depressa!
O couraçado alemão "Graf Spee" está ancorado no porto.
- Houve uma batalha. - Uma batalha!
Um momento, por favor.
Coca, querida, passa-me Nova Iorque e farei tudo o que quiseres por ti.
Não faz é nada! Hotel José Anigas...
Sim, um momento, por favor.
Coca... pelo Mike.
Como é possível? As linhas estão ocupadas.
Os jornalistas de Buenos Aires, Rio e Santiago querem todos ficar aqui.
Jornalistas? Eles que durmam na valeta. Já estão habituados.
Quero a N.B.C., a C.B.S. e a A.B.C..
Sim, sim. Só um momento. Eu ligo já.
Senhor Mike, olhe o gerente.
- Vá lá, Coca... - Senhor Mike...
Não faça isso, Senhor Mike.
Senhor Mike...
Nesta fase, Excelência, só posso prometer
o envio de uma comissão de peritos a bordo do seu navio,
Capitão Langsdorff, para avaliar os danos causados.
Sua Excelência o Ministro britânico.
- Meu caro Doutor Guani... - Meu caro Millington-Drake.
O governo uruguaio, com os seus conhecidos princípios democráticos,
agirá de acordo com as leis internacionais
e abrigará o "Graf Spee", enquanto durar a guerra, não é verdade?
Sua Excelência o Ministro dos Negócios Estrangeiros francês.
Senhor Desmoulins...
- Excelência... - Outra nota diplomática, suponho.
- Nos termos da Convenção de Haia. - A famosa "Convenção de Haia"...
O artigo 17º diz que: "Os navios de guerra dos beligerantes
não poderão fazer reparações em portos ou estradas dos neutros
para além das necessárias para a segurança no mar
e não poderão, de forma alguma, aumentar a eficácia de combate.
Desde a batalha, o "Graf Spee" já navegou trezentas milhas.
À velocidade máxima. Meu Deus! Correu como um coelho!
Cavalheiros! Desde a meia-noite,
já recebi três notas diplomáticas do Ministro alemão,
dois do britânico e dois do francês.
Somos apenas uma pequena nação
que impôs sobre si o pesado fardo da neutralidade.
Suplico-vos que não o tornem ainda mais pesado.
Lamento perguntar, mas pensa que será capaz
de pôr em prática a decisão do seu país?
Exactamente.
Onde são testadas as armas? Não é no inimigo.
São testadas na cidade de Montevideo.
É um caso de força maior, meu caro Guani. Força maior...
Senhor Desmoulin... Senhor Milligton-Drake...
Na nossa curta história, o meu país sobreviveu a muitas ameaças.
Nós crescemos com as ameaças.
Cada vez que fomos ameaçados,
o meu país deu um passo em frente.
Somos muito simples.
Somos apenas dois milhões de pessoas.
Só compreendemos algumas coisas. A lei nós compreendemos.
A justiça nós compreendemos.
As ameaças nunca as compreenderemos.
Olhem para mim... Não sou grande,
mas tenho dois milhões de cabeças.
Um, dois, três, quatro.
Teste. Um, dó, li, tá... Estão a ouvir?
Olá, Nova Iorque. Aqui Mike Fowler, directo de Montevideo.
Vá lá, Pop, acorda, seu maluco! Estão a receber-nos?
- O Manolo diz que não. - Bem...
Um momento! O que estão a fazer aqui? Fora!
O Manolo diz que temos de sair do "Manolo's".
Diz-lhe que estou a falar do "Graf Spee" para os E.U.A..
Diz-lhe que isto a melhor vista do Uruguai.
Diz-lhe que temos uma autorização dos Correios. Vá, diz-lhe.
O que querem fazer?
O Manolo diz que não temos autorização dele.
Diz-lhe que vai ficar famoso. O café dele vai ficar famoso.
Diz-lhe que os americanos virão todos fotografar o "Graf Spee".
Olá, Nova Iorque. Aqui Mike Fowler, de Montevideo.
Ele diz que os britânicos vão afundá-lo antes de chegarem
os turistas e que agora é que pode fazer dinheiro.
Nesta mesa, podem beber quatro pessoas ou mesmo seis.
Diz-lhe para me trazer seis whiskeys de meia em meia hora.
Mostra-lhe o dinheiro. Olá, Nova Iorque. Aqui Mike Fowler.
Olá, Nova Iorque. Olá, Nova Iorque.
Seis whiskeys duplos de quinze em quinze minutos.
Tudo bem. E ele fornece as garrafas para voltar a aproveitar tudo.
Não bebo em serviço, mas não vou deitar fora whisky bom.
- Olá, Nova Iorque. - Está combinado.
Não está a ficar com nenhum para ele, pois não?
Vá, Pop, acorda. Estamos a fazer história.
Santo Deus! Uma manifestação!
- Anti-britânica? - Nada disso!
São todos descendentes britânicos que vieram oferecer-se.
Isso é um trabalho para os Serviços Secretos. Onde está o Ray Martin?
O Sr. Martin está nas docas.
O adido militar de Buenos Aires está lá com ele.
Acho que se instalaram na loja de um armador que tem
um alçapão e um telescópio. - E uma capa e um punhal, suponho.
Deixe-me fora disto.
Tenho uma chamada para eles.
Capitão McCall!
Olá, Ministro.
Sim, sim, o Ray Martin está aqui.
Diz que a rua em frente à Embaixada está cheia de voluntários.
Fiquem com os nomes deles. Depois fazemos a triagem.
Vamos organizar uma vigia de 24 horas ao "Graf Spee".
Se alguém fizer uma lista, depois investigamo-los.
De certeza que vamos precisar de voluntários.
Adeus, Ministro.
É assim que você? Cuidado!
Deve ter vindo da porcaria de um navio!
Maldito barco de pesca! Meteu-se mesmo à minha frente.
Deve ser uma pessoa muito importante.
É o meu velho amigo Langmann.
O Ministro alemão vai fazer uma visita oficial ao Langsdorff.
O Langsdorff parece ser uma pessoa de classe.
E é.
- Estou a olhar para ele. - O quê? Deixe-me ver.
Cortou a barba.
- Olha! - O que foi?
Marinheiros britânicos.
Uma fila de marinheiros britânicos no tombadilho da popa.
O quê?
Devem ter sido prisioneiros britânicos a bordo do "Graf Spee"
durante a batalha.
Prossigam, por favor.
Capitão Dove, o Capitão deseja vê-lo.
Capitão...
O Capitão Dove está aqui.
- Mande-o entrar. - Obrigado.
Entre, por favor.
Então, Capitão Dove?
- Então, Capitão Langsdorff? - Alegra-me que esteja bem.
Gostava de agradecer-lhe por tudo.
Fez o melhor que pode por nós e só posso desejar-lhe o melhor.
Obrigado.
Mande os meus cumprimentos aos outros.
- Deseje-lhes um feliz Natal. - Com certeza.
Dos bonés de dois dos meus homens que sucumbiram na batalha.
Uma recordação...
- Muito obrigado. - Posso fazer mais alguma coisa?
Se não se importar de me contar... O que aconteceu?
Sim. Avistámos...
dois contratorpedeiros e mais outro navio.
Só mais tarde é que percebi que eram cruzadores.
Nessa altura, já estávamos em combate.
Não conseguia despregar os olhos deles.
Lutaram como contratorpedeiros.
Não paravam de atacar-me.
Não podia acreditar que estivessem a fazer aquilo
sem estarem apoiados por navios maiores.
Achei que estavam a tentar empurrar-me para navios maiores.
Importa-se de dizer-me os nomes deles?
Eram o "Ajax", o "Achilles"
e o "Exeter".
- Não pode ser, Woodie! - Digo-lhe que é verdade.
A torre de controlo avista um cruzadores com três chaminés.
É o "Cumberland".
É um milagre.
Milagre ou não, podemos passar sem ele.
Como raio é que conseguiu percorrer mil milhas em 35 horas?
Chefe Yeoman... Saia da frente, filho.
Enviar ao "Cumberland":
"Como chegaram aqui tão depressa?"
O "Cumberland" está a responder.
- Apple.
- Nozes.
- Ant. - Isaac.
- Anti. - Charlie.
Antecipação!
O que é que pensa disto?
- Nós não... - O que discutir...
Talvez um jantar amanhã. Está livre?
Será um prazer estar consigo e com a Sra. Desmoulin.
Capitão Langsdorff...
Vamos esquecer as formalidades, cavalheiros.
Sua Excelência está bem a par dos factos.
Deixe-me ver se percebi bem...
Ontem de manhã cedo, ao largo de Punta del Este,
teve lugar uma batalha naval.
O couraçado "Admiral Graf Spee" foi atacado por 3 cruzadores ingleses,
o "Exeter", o "Ajax" e o "Achilles".
No decorrer deste confronto, o navio alemão venceu.
O cruzador britânico "Exeter" foi destruído.
Os outros cruzadores britânicos fugiram.
O "Graf Spee" sofreu alguns pequenos danos e depois foi...
Isso não está correcto.
- Não? - Não.
O "Graf Spee" sofreu danos graves. Não pode navegar.
Estou a citar o comunicado oficial do seu governo,
citado pela vossa própria agência oficial "Deutsches Nachrichtenburg",
emitido hoje às 13:15.
Sua Excelência sabe bem que, em tempo de guerra,
as notícias oficiais devem ter em consideração
a psicologia das pessoas, a importância da força moral...
Capitão Langsdorff, como avalia os danos do seu navio?
As cozinhas foram destruídas. Não posso alimentar os homens.
Em relação aos outros danos, enviou uma comissão técnica a bordo,
e eu prestei-lhes toda a ajuda possível.
Eu tenho o relatório deles.
Quanto tempo pensa ser necessário para poder voltar a navegar?
Na minha opinião, 2 a 3 semanas. No mínimo, 2 semanas.
A minha comissão sugere 48 horas.
O quê?
Só na superestrutura, há 64 buracos.
65...
Perante isto, o meu governo decidiu
conceder um alargamento de 72 horas,
de forma a poder tornar o seu navio navegável.
O prazo termina às oito da noite de Domingo, 17 de Dezembro.
Contudo, estão proibidas,
de acordo com os artigos da 13ª. Convenção de Haia,
quaisquer reparações com o fim de aumentar a capacidade bélica.
Protesto veementemente.
Eu anoto o seu protesto.
Capitão Mccall?
- Prossiga? - Sim, por favor.
Vamos para a frente, vamos para a popa. Afastem-se.
- Olá. - Olá, é um prazer vê-lo.
- Já conhece o Woodhouse, não? - Olá, Woodhouse.
- E o Medley, o meu oficial? - Viva! Bom dia, cavalheiros.
- Harwood, eu... - Venha para aqui.
Tem de impedi-lo de navegar.
Impedir? Mas nós temos estado a mover o céu e a terra
para conseguir que os uruguaios o ponham fora. Convencemo-los.
Agora pode fazer o contrário. Temos de mantê-lo aqui.
Como posso fazer isso?
Isso é consigo e com o Martin. Use todos os meios possíveis.
Invoque a regra das 24 horas, qualquer coisa...
Oiça,
os meus três navios não chegam para tratar disto.
Sabe bem quanto tempo demorámos a encurralá-lo
e a boca deste rio tem cem milhas de largura!
E se ele voltar a fugir? É possível, é possível...
Tive muita sorte no dia 13. Não sei se volto a tê-la.
Compreendo.
O Almirante ordenou uma concentração em Montevideo. Todos os grupos!
Venha cá, Medley. Olhe para a carta.
- Força "K". - "Renown" e "Ark Royal".
Seiscentas milhas a leste de Pernambuco.
- É a 2500 milhas. - Têm de reabastecer no Rio.
Domingo, Segunda, Terça?
Não conseguem chegar antes de Terça.
O "Neptune" e o "French Force X" ainda estão mais longe.
O "Dorsetshire" deixou ontem a Cidade do Cabo.
Faltam-lhe 4000 milhas.
No mínimo, temos de mantê-lo aqui até Terça.
- É melhor ir tratar disso! - É essa a ideia.
Avise a tripulação e vá buscar os meus tacos de golfe!
Pobre velho Millington-Drake!
Até já estou a ver a cara dele quando fizer marcha-atrás.
- Como está ele? - Fez um trabalho maravilhoso.
Conseguiu convencê-los a todos.
Ministério da Marinha, Defesa, Negócios Estrangeiros,
está em cima deles dia e noite com a Convenção de Haia.
Caramba! Luisi, Campos, Guani.
Há poucos dias, joguei golfe com o Campos e o Luisi.
A propósito de golfe, olhe para os meus tacos.
- Isso são tacos? - Palitos!
É só isso que são agora, palitos! Um tiro arrancou-lhes as pontas!
Belo tiro, não foi? Noutras circunstâncias, teria dado prémio.
Não deixe que o Capitão do porto o prenda por contrabando.
Diga-lhe que lhe trará gin daqui a algumas semanas.
Sabe que os estados sul-americanos
reclamam o Rio de Prata como águas territoriais?
Tudo, entre Punta de Medanos e Punta del Este.
Sim, sei.
E se o "Graf Spee" fugir para Buenos Aires?
Vai tentar detê-lo?
Nunca fui grande jogador, mas conheço as hipóteses.
Não antecipe o fracasso.
- Adeus. - Adeus, boa sorte.
Desculpe, isto acabou de chegar para o Comodoro.
Obrigado.
Medley, envie para o Almirantado, do Comodoro, Atlântico Sul.
Peço desculpa, mas está incorrecto.
- Eu ainda nem disse nada. - Claro que disse.
Eu disse: "Envie para o Almirantado". Que mal tem isso?
E depois disse: "Do Comodoro, Atlântico Sul".
Bem, eu...
Eu sou o Comodoro Harwood, não sou?
Não, Senhor, é o Contra-Almirante Sir Henry Harwood,
Cavaleiro da Ordem do Banho!
Os meus parabéns!
- Olha... - Que se passa? Más notícias?
Nomearam-me membro Ordem do Banho.
O Parry e o Bell também.
Olha para nós! Um Comandante e um membro da Ordem do Banho
e nem uma banheira entre nós!
Depois disto, nunca mais serei um bom adido naval.
Quem é que quer saber disso?
Está ciente de estar a pedir-me
para violar uma das... - Bom dia, Excelência.
Aqui tem. O Sr. Millington-Drake.
Obrigado, Sra. Shaw. Importa-se de sair, por favor?
Sua Excelência o Embaixador Britânico em Buenos Aires.
Tem cuidado com os ouvidos do inimigo.
Bem, lá se vai a minha reputação profissional.
O que se passa aí? É você, Millington-Drake?
- Fala McCall. - É você, McCall. Sim?
Surgiu uma emergência relacionada com o "Graf Spee".
Cuidado, McCall. Segurança.
Eu sei, mas isto é urgente.
Soube pelo Código do Almirantado que dois dos nossos maiores navios...
Está louco, Mccall? Vou desligar.
Tenho de insistir.
Neste caso, a urgência ultrapassa a segurança.
A urgência ultrapassa a segurança? Então continue, continue.
Esses dois navios iriam nas próximas horas para a Baía...
- Já lhe disse que isto é... - Baía Blanca, para reabastecer.
McCall!
Quando chegarem, já estarão na última gota.
Pare! Pare!
Vieram a toda velocidade para o Prata, por razões óbvias.
O tipo está louco!
Eles pedem que arranjemos duas toneladas de combustível.
Francamente, McCall! Deve estar...
Disponível em navio-cisterna a partir desta noite.
Muito bem, McCall. Sim, recebi a sua mensagem.
Os jornais da tarde devem estar a sair.
Sabendo como há fugas telefónicas entre aqui e Buenos Aires,
estou à espera de ver grandes títulos a dizer
que metade da frota britânica partiu para Punta del Este.
Desculpe, importa-se de me traduzir isto?
O guarda do farol de Punta del Este afirma
que o couraçado "Barham" e outras unidades da frota britânica
se juntaram ao esquadrão do Almirante Harwood.
Obrigado.
O tal guarda do farol deve ter uma excelente visão.
O "Barham" está na doca seca, em Gibraltar.
Sr. Millington-Drake...
Por que estão os seus agentes a tentar retardar o "Graf Spee"?
Explique esta mudança de atitude.
Excelência, isto não é uma mudança de atitude.
- Não? - É uma mudança de estratégia.
Senhoras e senhores, é Domingo de manhã, dez e quinze,
17 de Dezembro.
É o dia em que expira o tempo limite para o "Graf Spee".
Para ser mais preciso, às oito da noite, hora local,
ele deverá partir ou o governo uruguaio irá asilá-lo.
A situação está longe de ser clara,
pois estamos a assistir à partida do "Côte d'Azur",
navio mercante francês.
Aparentemente, segundo a lei da neutralidade,
um navio mercante deve ter um aviso de 24 horas
ou um prazo de 24 horas antes que um navio inimigo possa partir.
Por isso, se o "Graf Spee" partir ou não partir,
está a infringir a lei.
Diz-se que, na foz do Rio de Prata,
há talvez cinco ou sete navios de guerra britânicos à espera.
Outro boato diz que os alemães também estão a trazer reforços.
Por isso, está eminente uma batalha naval ainda maior do que a outra.
Todos pensámos que o "Graf Spee" iria sair a coberto da escuridão,
mas ainda está aqui.
O Capitão, o Capitão Hans Langsdorff,
trabalhou toda a noite com as autoridades nazis locais
na decisão mais importante desde o início da guerra.
Será que vão levar este navio da baía para o Rio de Prata?
Se assim não for, será internado, meu rapaz.
Irão fazer uma corrida para Buenos Aires, quatro horas pelo canal?
Será uma luta até à morte?
Serem atingidos não seria boa propaganda, pois não?
Como será que Goebels explicaria isso?
Ninguém sabe. Há uma hora, o Capitão regressou ao seu navio.
Passou quase três horas em terra.
O Ministro alemão, o Dr. Langman, acompanhou-o ao cais.
Quando apenaram as mãos, ouviu-se "Até amanhã".
Naturalmente que foi em alemão. Estou a fazer uma tradução.
O Sr. Beasley, do "Trevannion".
O Capitão Dove, do "Africa Shell".
Já o tinha visto.
- Quando? - No "Graf Spee". Com isto.
Alinhado no convés, quando o Langmann foi lá para o funeral.
Exacto.
- Estou a ver que foram lá todos. - Sim, é verdade.
- Todos quisemos fazê-lo. - Eu percebo isso.
De certa forma, eram colegas.
Deve ter sido uma experiência terrível.
- O meu macaco achou. - Já estamos fora disso.
Não gostava de saber que esteve a bordo quando ele partir.
Acha que vai tentar passar?
Conhece o Capitão melhor do que nós.
Ele vai lutar. É um bom marinheiro.
Notícias! Aqui Mike Fowler, a transmitir de Montevideo.
A última notícia é que o "Graf Spee" poderá ter tido mais algum tempo.
Aqui em Montevideo está um dia cheio de Sol.
A visibilidade é de cerca de vinte milhas,
mas os navios britânicos não estão ao nosso alcance.
É agora absolutamente certo
que existem pelo menos treze navios aliados,
incluindo o couraçado "Renown" e o porta-aviões "Ark Royal"
à espera lá fora.
Todos têm nos lábios a mesma pergunta:
"Será que o "Graf Spee... vai atrever-se a sair?"
Venha cá...
Vá-se embora, Swanson.
Do nosso Embaixador em Buenos Aires.
"Diz-se por aqui
que o "Graf Spee" partirá esta noite."
- Então ele vai sair! - Acha?
O que faria, se o "Graf Spee" estivesse às suas ordens?
Sairia assim que escurecesse,
tentaria esquivar-me aos navios que estavam à minha espera
e ir para o mar alto.
Se não conseguisse esquivar-me, lutaria até ao fim.
Não seria isso que faria?
Parece simples. Não sei se é assim tão simples para o Langsdorff.
- Por que não? - Ele tem muitas dores de cabeça.
Dor número um: não sabe o que temos aqui.
Dor número dois:
pode deixar-se ficar em Montevideo
mas o Uruguai pode entrar em guerra mais tarde, do nosso lado
e o "Graf Spee" cairia nas nossas mãos.
Pode tentar fugir para Buenos Aires,
mas o canal é estreito. - E pouco fundo.
E lamacento. Se entrar na entrada de água, será um alvo fácil.
Sim, ele vai sair.
Quando é que acha que vai avançar?
Agora. Nos próximos quinze minutos.
Era nessa altura que eu levantaria âncora.
Vamos ver...
Os capitães de navios de guerra não são apenas oficiais navais.
Aquilo que fazemos ou não é constantemente interpretado
por amigos e inimigos ou neutros.
Se o afundarmos, apenas será interpretado de uma forma.
Não sei bem. Pense um pouco, marinheiro.
Se abrirmos fogo no Rio de Prata,
vamos ser acusados de violar território neutro.
Pense no que o Goebels fará disso...
É consigo.
Sim, muito obrigado.
Aqui fala Mike Fowler,
mais uma vez da zona costeira de Montevideo.
Tive de sair do ar porque aqui a multidão era tanta
que partiu o cabo do microfone.
Contudo, graças à galante polícia do Uruguai,
a ordem foi restaurada e a linha foi reparada.
Aqui tem.
É um bocado exagerado, não é?
Como sabem, a hora limite definida para o "Graf Spee"
era oito da noite, hora local.
São sete e cinquenta. Faltam dez minutos.
É difícil descrever a cena,
à medida que a tensão vai subindo.
Muito bem, Woodie, aqui vamos nós.
Passar para o "Achilles" e para o "Cumberland":
"Formar uma linha única à frente".
Convés das bandeiras.
Se isto correr mal, serei demitido.
O Sol está a pôr-se, a tarde está bonita e clara.
Toda a gente de Montevideo que consegue andar ou rastejar
veio até à zona costeira para conseguir ver
este primeiro verdadeiro clímax da guerra.
A multidão aqui na praia e nos telhados envergonharia uma claque.
Durante a tarde, vimos homens a irem para o "S.S. Tacoma",
o navio mercante alemão que foi para perto do "Graf Spee".
A tripulação que está a bordo do monstro
que está à nossa frente no porto só pode ser suicida.
Este poderoso, sinistro e ameaçador monstro.
Esta tarde, ouvimos o som dos motores do "Graf Spee"
e agora os Diesels voltaram a trabalhar.
Há fumo preto a sair da chaminé.
Desculpem, mas vou ter de beber um copo de água.
Com a excitação, a minha garganta secou.
- A minha também. - Pop, dá-me uma bebida.
Desculpem-me, enquanto eu bebo água.
A minha garganta ficou seca de tanta excitação.
- É a última garrafa! - Também queres?
A grande multidão que tem sido barulhenta durante toda a tarde
também parece ter perdido a voz.
Toda a gente observa em silêncio.
Agora. Não.
Sim, sim! Senhoras e senhores,
o couraçado "Graf Spee" está finalmente a mover-se.
Sim, está a sair do porto.
Está a sair do porto pelos seus próprios meios.
- Continuar a dezoito nós. - Um-quatro-zero rotações.
O "S.S. Tacoma" está a segui-lo. Agora tudo pode acontecer!
Catapultar avião.
Catapultar plataforma, catapultar avião.
Estamos aqui imóveis em Montevideo
enquanto o grande couraçado sai do porto.
Algumas pessoas acenam.
Até vejo algumas mulheres de joelhos a rezar.
Ninguém sabe o que o Capitão Langsdorff tenciona fazer.
Ninguém sabe o que Hitler lhe disse para fazer.
Quer prefira que o orgulho da marinha alemã seja internada
ou um combate curto e espectacular...
Ninguém sabe...
Todos sabemos que a máquina de propaganda alemã não admite
perder um combate com o resto do mundo
a ver e a tomar partido.
Relatório do avião "Ajax".
Acho que foi para o canal em direcção a Buenos Aires.
O "Graf Spee" está agora a cerca de três milhas.
Parece ter mudado de rota.
Sim, está a mudar de rota em direcção aos navios britânicos.
Agora está a abrandar.
- Parece que vai parar. - Já parou.
Sim, parou mesmo.
O poderoso couraçado já parou.
Estamos todos em suspenso. O Sol está a tocar no horizonte.
Através dos meus óculos, vejo claramente que um grande barco
deixou o couraçado e está a dirigir-se para o "Tacoma".
Vejo que o barco está cheio de homens.
Posso assegurar-vos que, apesar de vermos todos os movimentos,
é impossível imaginar o que vai acontecer a seguir.
O suspense é inacreditável.
O melhor palpite é que deixaram uma tripulação suicida a bordo,
para lutar da melhor maneira contra hipóteses impossíveis
e combater os navios britânicos.
Até sentimos a explosão aqui, a três milhas de distância.
É suicídio, está a auto-destruir-se.
Outra explosão!
E outra!
Está a deitar fumo.
Chamas vermelhas e amarelas!
Até se ouve o barulho das explosões daqui.
É fantástico!
Um caldeirão gigante de fogo!
Testemunhamos as convulsões de um animal acossado.
Estamos a ver a enorme força da explosão das munições,
toneladas de combustível, invólucros e ogivas de torpedos,
que estão a desfazer aquele grande corpo,
atirando toneladas de aço para o ar,
até o casco ardente ficar como um vulcão de aço em erupção.
Cronometrado ao segundo, exactamente ao pôr-do-Sol.
O crepúsculo dos deuses!
- Bem, já está, Woodie. - Sim, Senhor.
Avisem o "Achilles" e o "Cumberland".
Muitas vidas
foram salvas hoje.
Recuperar avião.
Capitão do "Tacoma", aqui barco "Uruguay".
Saíram do porto sem documentos e sem piloto.
Estão presos. Mandem a vossa lancha.
Protesto. Pela Lei Internacional...
Ajudaram abertamente um navio de guerra beligerante
em águas territoriais do Uruguai.
Isto é um navio mercante. Não faz parte da reserva do meu país.
O Capitão Langsdorff está a bordo?
- Sim. - Eu vou a bordo.
Tenente Schneider...
- Schneider! - Sim?
- Mande-os todos para baixo. - Sim, Senhor.
Diga-lhe que têm de despachar-se. Em breve estará escuro.
Sim, Senhor.
Depressa, antes que fique escuro de mais.
Capitão...
Tenho ordens para não o deter, Capitão Langsdorff,
nem a nenhum dos seus homens.
Capitão Langsdorff...
Capitão Dove...
Deixaram-me vir cá vê-lo. Fiquei contente.
As coisas mudaram um bocado desde que nos despedimos...
Sim.
Tive uma espécie de ordem oficiosa para vir cá vê-lo porque,
em Montevideo, corre o boato de que morreu com o navio.
A segurança da minha tripulação está em primeiro lugar.
Capitão, quero que saiba que toda a gente em terra
que contactou consigo
o respeita muito.
Até posso dizer, em privado, que mesmo os seus inimigos.
Lamento vê-lo nesta situação e sozinho.
Todos os Comandantes estão sozinhos, Capitão.
Adeus e obrigado.
"Honram-se os caçadores, os que foram atrás dele,
o combateram, perseguiram
e conduziram à sua morte trágica e violenta".
F I M
Tradução e Legendagem Cristina Diamantino / 1001 LETRAS
Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.