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Original subtitles

Art Subs apresenta:

Em 1973 as For�as Armadas do Chile

deram um golpe de Estado no Presidente Salvador Allende.

O Gal. Augusto Pinochet tomou o controle do pa�s.

Ap�s 15 anos de ditadura,

Pinochet enfrentou fortes press�es internacionais

para legitimar seu regime.

Em 1988 o Governo convocou um plebiscito.

O povo votaria Sim ou N�o

pela sua perman�ncia no poder por mais 8 anos.

A campanha duraria 27 dias,

com 15 minutos di�rios de TV para cada op��o.

- Legenda - Pinguim-SP

- Revis�o - Hirschen

Bom,

antes de mais nada, eu gostaria de mencionar

que o que ver�o a seguir

est� marcado dentro do atual contexto social.

N�s acreditamos

que o pais est� preparado para uma comunica��o de tal natureza.

Com certeza.

N�o podemos esquecer que a cidadania

aumentou suas exig�ncias

em torno da verdade,

em torno do que gostam.

Sejamos honestos.

Hoje, Chile pensa em seu futuro.

Bem.

Chegou a nova bebida de cola...

� jovem, � livre... � Free!

Hoje chegou o seu tempo,

Chegou o momento de Free

� o sabor que voc� esperava

Por que nasceu para voc�! Agora � Free

Refresca-se agora, sim

Sinta-se Free

Livre como voc�!

Agora voc�, agora Free!

Est� legal, mas...

Quero saber mas que porra faz um m�mico no meu comercial?

Quanto falamos sobre o m�mico?

N�o h� d�vidas que

que a pe�a est� muito bem feita.

Trabalharam bastante.

Carlos,

isto...

� muito, mas muito original.

Na Am�rica, talvez, haja algo parecido, mas...

� preciso confiar em nosso produto.

Temos um produto distinto da concorr�ncia, queremos um..

Um produto que te convida a ser jovem.

Que te convida a ser valente.

Ser valente � ser Free.

Isso.

Isto � tudo que a nossa juventude necessita.

N�o acham?

M�sica, rebeldia,

romance.

Mas com ordem e respeito.

Desculpem, tem um senhor chamado Urrutia.

N�o, estamos em reuni�o.

� que est� aqui.

- Aqui? - Por favor, vai.

Est� bem.

Bom, por que n�o mostra a vers�o de 30 segundos?

Esta n�o tem o m�mico.

Muito obrigado.

Jos� Tomas Urrutia?

Sim.

O comunista?

Sim.

O que deseja?

Voc� est� importante, n�o �?

Por isso n�o atende meus telefonemas.

Muito trabalho.

O que foi?

Como est� a Ver�nica?

Bem, eu suponho, ou n�o?

Em que posso ajudar?

Estou trabalhando na chapa para o plebiscito.

Sim, j� sei.

Para a campanha do N�o.

Sim, todo mundo j� sabe.

O que sabe todo mundo?

Isso, que est� do lado do N�o.

E que est� me procurando para cuidar da campanha.

- A quem? - A mim.

- A voc�? - Sim.

A mim.

Al�m disso,

para que insiste com a campanha se esta elei��o est� arranjada.

Veja...

Devido �s press�es internacionais...

Pinochet teve que aceitar a campanha da oposi��o.

� a oportunidade que temos de derrotar a ditadura.

E Pinochet armou um plebiscito para perder?

Sei.

- N�o, � s�rio. - Estou falando s�rio.

Pinochet pode ganhar este plebiscito sem trapa�as.

- Pode ganhar de todo modo... - Sim!

Isso � o m�ximo.

- Legalmente? - Ou votam nele ou n�o.

-Nada disso, vamos de t�xi. -Vamos neste.

Uma campanha pol�tica...

� bom que requer muito tempo, n�o?

Muita gente, muito...

Bons aparatos.

Para a campanha chamamos os especialistas,

os mais especializados em discurso pol�tico.

Que sabem perfeitamente o que est�o fazendo.

Deixa-me dizer que, no in�cio,

eu n�o tinha muita confian�a, mas me surpreendeu.

Gente boa... Gente capaz e respons�vel.

O que necessito...

� de uma opini�o externa.

Uma opini�o!?

De mim s� uma opini�o! N�o... Por favor...

Nem isso vou te dar!

- Qual �... - N�o, nada disso.

N�o sabia que era amigo do comunista Urrutia.

Urrutia n�o � comunista.

- Claro que �! - N�o...

Estudamos no mesmo col�gio.

- � comunista. - N�o �.

Ent�o � o qu�?

� outro...

- Democrata crist�o? - N�o.

- Socialista. - N�o.

D� no mesmo, idiota. S�o duas formas de comunismo.

N�o, conhe�o o Urrutia...

Ele � amigo da fam�lia.

Vai me contar como funciona o microonda?

� tecnologia em ascens�o.

Calor invis�vel e se diz: micro-ondas

- O microondas. - Sim.

Ofereceram a voc� a campanha do N�o?

Vamos falar disso ou do microondas?

Responda o que perguntei.

Sim.

Sim.

Mas eu n�o aceitei.

Disse que n�o h� tempo, que...

Que eu estava muito ocupado com um monte de coisas.

Assim s� vou dar meus palpites.

Mesmo que doa em voc�.

- Obrigado. - Que metido.

Tenho muitas ofertas de trabalho.

Freelancer.

Com seus antecedentes familiares jamais deveria t�-lo contratado.

E perderia uma montanha de dinheiro.

� mesmo?

N�o me pe�a lealdade pol�tica ao Pinochet, por favor.

Lealdade n�o, consequ�ncia.

Deste mont�o de dinheiro a metade leva para casa,

n�o para os comunistas.

Chega com comunistas. Parece gente velha.

Gente velha, n�o... Velho!

Quer entrar na campanha?

N�o sei.

Chamaram algu�m de fora?

N�o... Que eu saiba s� me chamaram.

- Voc�? - Sim.

Mas voc� esteve muito tempo fora.

O que sabe deste pa�s? Nada!

- Alguma coisa. - E tem dinheiro?

- N�o tem dinheiro. - N�o tem?

- Comunista sem dinheiro? - Os comunistas est�o de fora.

Est�o de fora? E quem est�?

Est�o... Todos, exceto os comunistas.

Exceto os comunistas. Ou seja,

Nicar�gua, Cuba, os sovi�ticos...

N�o botaram grana?

N�o, n�o colocaram...

Os gringos � que colocaram grana.

N�o, os gringos est�o com a gente.

Sim, surpreendente. Botaram grana.

Os gringos com a CIA financiaram o golpe. Seguem conosco.

- Quanto pagam? - Os gringos est�o com o N�o.

Se eu governo, voc� governa.

Sim,

por um pa�s vencedor.

Somos milh�es!

Lucho Guzm�n,

que bom que chegou para explicar esta sua teoria

de que o povo quer voltar ao passado.

Nada disso, Ministro.

O que eu quero dizer � que o conceito de ditadura

pega duro... Pega muito forte.

E que, al�m disso,

agora v�o dizer pela televis�o.

Estamos falando de 15 minutos de TV.

15 minutos de TV, divididos em...

V�rias opini�es, perdidas no meio do nada.

Isto � o que ter� a oposi��o.

O Sim ter� seus 15 minutos, e todo o resto do tempo.

Essa gente sequer j� usou uma tribuna.

Tribuna?

- Quantos partido s�o? - 17.

Isto vai ser uma baderna.

V�o brigar todos como um balaio de gatos.

General, seu nome � respeitado em todas as partes.

At� os mais hip�critas reconhecem

que este pa�s modernizou.

Sabe o que ouvi de meus copatriotas argentinos?

Queremos um Pinochet!

O mundo inteiro quer um Pinochet!

Mostraremos para eles.

Voc� controla o r�dio, jornais e TV.

Mas...

Devemos tirar-lhe o uniforme

e fazer-lhe um hino elegante, bem chileno...

Que o povo cante com galhardia a seu General

de civil.

Vejo problemas...

E se o apresentarmos de gala?

Eu prefiro...

De civil.

Acho que devemos tirar vantagem

dos olhos azuis, do seu sorriso...

Claro que deveria testar, Ministro, para se ter certeza.

Eu lhe colocaria uma p�rola.

� muito fino.

Deve falar com ele.

Pinochet sem uniforme? Existe Governo sem militares.

Ou seja: Progresso.

Os avan�os deste pa�s t�m sido impactantes.

Aqui n�o parece Am�rica Latina.

N�o se d�o conta de que...

Da riqueza e da ordem que projetam ao mundo?

Mas continuam protestando e protestando...

Este � um pa�s de mal agradecidos,

esqueceram de tudo.

Ent�o assuste-os.

Perd�o?

N�o estou entendendo nada.

Disse que dever�amos fazer uma cara mais am�vel.

Se deseja assustar as pessoas, deve assustar com o passado.

A pobreza vivida,

as longas filas para comprar p�o.

A oposi��o tem seus lamentos de socialismo, sim.

Mas o �nico que lhes interessam � repartir o roubo.

Ademais sabem que, com o socialismo, � s� mis�ria.

Mas voc� tem um sistema no qual qualquer um pode ser rico.

Veja, n�o todos.

Qualquer um.

N�o se pode perder quando todos

apostam em ser este qualquer.

Anda, homem!

Liberdade aos presos pol�ticos!

Soltem todos!

Por que s� alguns?

- V� atr�s de seus direitos. - Ver�nica!

- Pol�cia maldita� - Ver�nica!

Pare com isso!

Seu desgra�ado! Como bate nela? � uma mulher!

- Idiota! - Fora!

Pare!

Soltem ela!

Policiais de merda! Soltem!

At� quando esta merda...

Coloca no jornal, est� bem?

Certo.

Levaram a na��o de desgastados caminhos populistas

e de estancamento econ�mico

para um lugar de moderniza��o

e progresso a todos os chilenos.

Augusto Pinochet Ugarte

desde pequeno deu prova de seu servi�o � P�tria!

Influenciado pelas hist�rias que narravam

as proezas dos pais da P�tria.

As que inflamaram seus valores

e determina��o de abra�ar a carreira das armas.

Desde o amanhecer ao anoitecer...

Sempre trabalhou...

- A ma��... - ...incansavelmente...

Entregou todo seu tempo, aten��o, energia,

seu sacrif�cio... Tudo suportou para cumprir com a miss�o

de salvar o Chile!

Rapa Nui aqui est� presente!

Iorana Presidente!

Pelas vozes de sua gente!

Muito obrigado por vir...

Ariki Nui

Carmen!

...por estar aqui

Ariki Nui

Ariki Nui

Iorana, Presidente,

ao senhor sempre

Muito obrigado por dar-nos

um lar onde habitar

Ariki Nui

Ariki Nui

Mahu Ariki Nui!

Mahu Ariki Nui!

Minha preocupa��o fundamental

� que...

N�o se perca o que temos.

Isto � o principal.

Sil�ncio...

Isto � para Simon.

Est� bem.

- Ele est� dormindo? - N�o sei.

Veja.

- Como est�? - Bem.

- Bem. - E o Simon?

Sozinho.

E a empregada?

Bem.

Cozinha bem?

Sim.

Ele n�o est� sozinho.

Ele sabe que estou aqui.

- Bateram muito em voc�? - N�o.

O rapazinho entende tudo isso.

N�o, n�o entende.

Na verdade, nem eu.

Al�m disso, as empregadas n�o servem para tudo.

Vai entrar para o N�o?

E para qu�?

Ganhar?

Validar� a fraude do Pinochet.

Vai dizer Sim, este � meu Presidente,

esta � minha constitui��o.

Mercen�rio!

Veja, o menino levanta �s 07h. Por que n�o dorme aqui?

Tomamos caf� aqui todos juntos.

Certo.

Pagam bem?

N�o tenho do que reclamar.

Veja...

Deixa eu te dar um beijo, por favor.

Est� bem.

Vamos tirar o Pinochet.

LUGAR PARA REUNIR PRISIONEIROS DE GUERRA

34.690 TORTURADOS.

N�O

200.000 EXILADOS

N�O

Com cinzas, com desgarros

Com vossa altiva impaci�ncia

Com uma honesta consci�ncia,

2.110 executados

N�O

...ponho o p� em meu pa�s.

1.248 DESAPARECIDOS

N�O

POR ELEI��ES LIVRES

VOTE N�O

Bem...

Ren�?

Ren�, discutamos...

� tudo?

Sim, �...

Perd�o?

N�o h� nada mais?

Como...?

Como assim nada mais?

Algo mais... Algo...

Algo um pouco mais ligeiro, mais simp�tico.

Companheiro,

pensa que o que acontece no Chile � simp�tico?

Nada disso.

N�o... Isso me sobressalta da mesma forma que a voc�s.

Eu...

Creio que...

Isto n�o se vende.

N�s j� temos...

Tratemos, ambas as partes,

de dar opini�es mais construtivas.

O qu�?

Mas... Eu tamb�m?

Todos em geral... A opini�o de todos...

Eu gostaria de saber se algu�m acha que,

com esta campanha, se pode ganhar o plebiscito?

Eu penso que...

- Que o principal objetivo... - Perd�o?

Creio que o principal objetivo � abrir os olhos

daqueles que n�o querem votar.

E este � o objetivo da nossa campanha.

O principal, digo.

A ditadura destruiu este pa�s,

e continuar� destruindo...

Com seu sucesso econ�mico baseado em 40% de pessoas

abaixo da linha de pobreza.

Perd�o, creio que o problema principal aqui

� que queremos ganhar o plebiscito,

muitos querem apenas ganhar

e n�o transformar profundamente o Chile.

N�s queremos outro tipo de vit�ria.

Aqui o companheiro publicit�rio fez outra pergunta.

O companheiro perguntou

se voc�s acham que vamos ganhar.

A resposta � n�o!

N�o cremos.

N�o, por favor! Este plebiscito

est� perdido desde que a direita fascista o convocou.

Ent�o para que esta campanha?

Para criar consci�ncia,

para ocupar os espa�os

que a ditadura se viu obrigada a abrir,

e que n�s ganhamos.

- Ent�o fa�amos algo. - Exatamente.

Uma coisa � que nos permitam ganhar,

e outra coisa � que aceitem isso.

Bem, se estamos derrotados, n�o fa�amos nada.

Por favor, este plebiscito � uma fraude, todos sabemos.

Papai!

O que est� fazendo?

Estou trabalhando.

Isso n�o � trabalho. Voc� est� brincando.

D� o brinquedo.

- � meu presente! N�o vou armar. - � mesmo?

Pois j� est� armado.

Ent�o eu conduzo.

Poxa, de verdade! Por favor!

Quero brincar com meu trem!

Vai dormir.

Se absteriam, 35,1%... 146...

E votariam Sim 19%... Se absteriam, 76,2%

� isso.

Obrigado.

O que acha de tudo isso?

H� um processo de desesperan�a

muito internalizado

que faz com que o eleitor dificilmente se sinta livre

na hora de votar, porque est�o completamente

reprimidos,

e isso faz que com toda essa quantidade imponder�vel,

o resultado seja bastante incerto.

Falando em medo...

Acontece que o medo aumenta

significativamente o n�mero de indecisos.

Esses s�o dois grupos, n�o?

De indecisos e de quem n�o sabe se votar�.

- N�o �? - � isso mesmo.

N�o, � imposs�vel.

N�o se pode fazer campanha para gente t�o diferente.

H� diferentes interesses. N�o d�.

Imposs�vel.

O que � t�o imposs�vel, segundo voc�?

N�vel de milagre.

Acho que escolheu a palavra correta, ou seja,

n�s precisamos de um milagre.

Melhor dizendo, necessitamos de Deus.

E todo Seu ex�rcito celestial, com seus anjos, arcanjos.

F�?

S� isso mudar� o Chile.

Este pa�s necessita...

De um ato divino.

- Saavedra. - Tudo bem?

N�o tomou nada o dia inteiro...

Eu n�o quero perder nenhum cliente.

Nem quero me foder.

- Est� bem? - Ningu�m ficar� sabendo.

Eu n�o estou aqui.

Jos� Tom�s, lhe apresento Alberto Arancibia.

Nesta coisa se esconde meu mentor, meu melhor amigo...

E, bem... Ele veio, mas n�o est� aqui.

- Est� bem? - N�o se preocupe, entendo.

Posso oferecer-lhe algo para beber?

Talvez seria... bom...

Temos um grupo de indecisos que,

na realidade, votaria em N�o.

Mas a indecis�o est� entre votar ou n�o votar.

Como?

Sim, s�o idosos entre 60 e 65 anos, mais ou menos.

De classe m�dia, m�dia baixa...

Quem t�m medo do que represente o N�o.

A volta ao socialismo, da crise econ�mica, as filas...

Os jovens pensam que esta elei��o...

Est� arranjada e que n�o serve de nada.

Precisamos de uma solu��o...

N�o, precisamos de um produto.

- Temos que ter um produto... - Certo.

Que seja suficientemente atraente

aos idosos e jovens.

Sra. Carmen,

poderia vir um pouco, por favor? Queremos fazer uma pergunta.

Estamos aqui conversando,

e o Ren� nos contou

que voc� simpatiza com o Sim. Estou errado?

� do Sim... Quem cala consente.

Por que gosta do Sim?

Eu estou bem.

Meu filho est� estudando.

Minha filha est� trabalhando.

E como ficam...

Os mortos, os torturados, os desaparecidos?

O que acha disso?

N�o � que n�o me importo.

J� passou. Agora temos pela frente a democracia.

Por isso meu General disse que agora todos poderemos opinar,

quando voarmos.

A democracia � o problema.

O velho se apropriou da democracia.

Fez uma s� para ele.

Eu sinto que temos trabalhado pouco.

S� estamos passeando,

comendo...

Isso tamb�m � trabalho, Jos� Tom�s.

N�o �, Alberto...

Sinto que n�o falamos nada que n�o se afine como oposi��o.

- Respeito aos direitos humanos. - Toma aqui...

Ex�lio...

A injusti�a,

deten��es arbitr�rias, torturas, desaparecimentos...

Toda dor que vivemos estes anos...

N�o nos serviu de nada.

Desculpe, mas deve incluir isso.

N�o vejo lugar na campanha.

- Mas deve estar. - Sem chance.

- N�o. - � este a� o medo.

N�o podemos bombardear o povo com mais medo.

As pessoas est�o aterrorizadas.

Nos temos que promover um produto

que seja atraente para as pessoas.

N�o gosto de falar da democracia como produto, me desculpem.

Tudo bem. N�o � um conceito, como queira, mas...

Devo fazer algo que seja agrad�vel mas que...

Que signifique isso. Que seja...

Que seja alegre como...

Vamos enumerar tudo que seja alegre.

Alegria, felicidade... Plenitude...

- Sim, mas que o que s�o... - Primavera, festas...

A calma depois da tormenta.

Para mim a democracia me parece divertida.

Me parece algo atraente.

Algo, algo...

Algo atraente de se viver.

Um produto alegre, assim considerando.

Ent�o � s� alegria.

O que � mais alegre do que a alegria?

- Nada. - Nada.

A alegria, sim, � alegre...

� o mais alegre de tudo!

Vamos falar s�rio porque...

Se voc�s pensam que vou plantar,

perante todo o pessoal dos partidos aliados,

a ideia de uma campanha engra�ada,

baseada na alegria...

Est�o loucos! Isso me parece completamente infantil.

Me parece uma fala de respeito porque se deve considerar

a dor de muitas pessoas

a dor de toda a hist�ria, a posterga��o...

Onde est� isso? Como vou dizer a alegria.

- Procure outro conceito. - E por que n�o?

- Como vai? - Est�o ali.

- Ent�o... - E?

Me passa as...

- Agora. - Sim.

- Obrigado. - De nada.

Chegaram.

Estou nisso.

Como vai, Diego?

Aqui temos...

Estes s�o os que mais gosto.

E o Guzm�n...

Tudo controlado?

- Controlado? - Sim.

Como?

N�o, n�o ficar� sabendo.

Fant�stico. E agora est� ou n�o?

N�o.

Muito bem. Veja, aqui est�.

- Fernando. Como est�? - Ol�.

- Ol�. - Ren� Saavedra. Fernando Costa.

Sim nos conhecemos. Fizemos alguns comerciais.

Salvou-me v�rios comerciais.

Fernando estar� conosco. Ser� um dos diretores.

Mas voc� sabe que n�o fa�o isso. Eu n�o entendo.

J� fez mil vezes.

N�o sei... Chama um roqueiro,

um folclorista,

algu�m que lhe escreva um hino.

N�o.

Eu quero um jingle.

Sem arte,

sem folclore, sem pop, sem rock...

Jingle.

Voc� pensa mesmo que deixar�o ir ao ar?

Sim.

Seremos presos, isso sim.

- N�o sabemos. - Como assim n�o sabemos?

O importante � estarmos todos aqui.

Aprecio a valentia, muitos n�o se atreveriam.

Veja...

Se esta � a c�dula e voc� faz um risco,

O que fica?

Nunca mais.

Nunca mais Pinochet.

Nunca mais ditadura, isso sim.

- Pode funcionar. - � �timo, � perfeito...

Nunca mais tortura, nunca mais mortes...

- Nunca mais abusos... - Muito bem.

Est� perfeito.

Nunca mais d�vida, contas para pagar.

E como voc�, como est�?

Falta gente, falta tempo.

Faltam os conte�dos.

Temos que apresentar 15 minutos por dia durante um m�s.

E deixar tudo pronto ao meio dia.

Estamos a tr�s semanas de ir ao ar e n�o temos nada.

- E 15 minutos � muito. - Devemos come�ar a trabalhar.

Isso j� est� resolvido. Acabou.

Nos vemos no escrit�rio.

Sim... Ele vem vindo...

Como vai, Lucho?

- Ol�. - Estamos por come�ar.

- Tudo bem? - Muito bem e voc�?

- Bem. - Que bom.

Voc� n�o disse que n�o faria?

� uma assessoria, nada mais.

N�o diga bobagem.

Veja, voc� vive tranquilo com seu filho...

Voc� tem casa pr�pria,

um carro esporte do ano,

tem a despensa cheia.

Ningu�m tocou num s� pelo seu desde que chegou.

Sejamos sujos.

Te ofere�o uma porcentagem da ag�ncia.

� muito canalha, chefe.

Me amea�a da mesma maneira que me oferece...

- Como vai? - Ol�, como est�?

- Tudo bem? - Viram os pratos?

Estamos esperando.

N�s s� estamos... Quando quiserem...

- Est� me oferecendo sociedade? - Sim.

- Uma porcentagem importante. - Isso eu aceito.

Essa campanha...

- Ol�... - Que bom que vieram.

Que bom que chegaram.

- Igualmente. Que linda. - Obrigada.

- N�s j� vamos. - Estou preparando tudo.

- Excelente, obrigado. - Que bom.

Essa palha�ada � suic�dio. N�o seja imbecil.

Demita-me. Vamos com a primeira?

Anda. Perd�o, a posi��o final.

Demita-me, vamos.

Anda, demita-me primeiro.

Concentre-se. Te ofere�o algo importante.

Aqui, terminado... Est� perfeito.

Que coisa?

Uma conta importante.

- Qual? - Televis�o Nacional.

Vai falar com aquela putinha. Onde est� a outra?

Est� muito bem.

Est� perfeito.

- Est� funcionando? - Sim.

- � mesmo? - Tem frango.

Cuidado. � que eu li que...

quando se aproxima demais, causa radia��o.

- Ent�o eu me afasto. - Sim, um pouco.

N�o diga nada a eles, mas isso n�o � muito seguro.

- Obrigada. - Est� legal com a saia...

- Ela � branca, n�o �? - Sim.

Bom.

Qualquer coisa fica bem em voc�...

Pronto.

Acho que est� muito bem.

Que prato escolheu?

- Como? - Que prato escolheu?

Vamos come�ar pela sobremesa.

Antes de mais nada,

eu gostaria de dizer-lhes que...

O que ver�o a seguir

est� marcado dentro do atual contexto social.

Depois de tudo, hoje...

Chile pensa em seu futuro.

Vamos nessa.

Podem dizer o que for

Eu sou livre pra pensar

Porque penso que � a hora

De ganhar a liberdade

At� quando tanto abuso?

� a hora de mudar!

Porque basta de desgra�as

Eu vou dizer...

Que N�o

Chile,

A alegria est� chegando!

Chile,

A alegria est� chegando!

Escuta, isto � tudo o que tem?

Porque...

Isto � tudo o que temos de...

Digamos, um prot�tipo...

Bem, esta � a campanha!

Para mim, isto parece comercial de Coca-cola.

- E � mais que isto! - Sim.

Com todo o respeito, perd�o...

Estamos fazendo algo mais s�rio que isso.

Tamb�m fui exilado.

Ele � filho de Manuel Saavedra. N�o sei se o conhecem...

Todos conhecem Manuel Saavedra...

Estamos utilizando uma linguagem publicit�ria,

que � universal, familiar e atraente...

Otimista.

Mas armando um...

Conceito pol�tico por tr�s.

Ricardo...

Veja, Jos� Tom�s, entendo perfeitamente

que h� uma semiologia pr�pria da publicidade.

Isto � uma campanha.

Entendo que devemos ter uma atitude pragm�tica.

Quer mais pragmatismo que estarmos

envolvidos neste plebiscito armado pela ditadura?

Corremos grande risco. N�o sabemos o que vai acontecer.

Eu entendo.

E tamb�m entendo que h� limites �ticos.

Perd�o, como se chama?

- Ren� Saavedra. - Ren�...

Conhe�o muito bem o seu pai.

Ren�, talvez voc�,

Em sua sala de edi��o fazendo comerciais

para grandes corpora��es,

tenha perdido um pouco a perspectiva.

N�s vivemos na pele a viol�ncia desta ditadura.

Eu tenho um irm�o desaparecido,

e meus melhores amigos foram degolados.

E isso � uma campanha ao sil�ncio.

Todos entendemos que, obviamente,

se est� presente a sua dor, deva estar presente

a de todos os demais envolvidos.

Mas acho que entende o fundamental...

Entendo. N�o sou idiota, Jos� Tom�s.

Entendo perfeitamente do que se trata.

Isto � um engodo.

Isto � uma campanha para silenciar

o que realmente aconteceu.

Vejamos, para mim...

A me estranha, Fernando, desculpe, companheiro e amigo,

que voc� se preste a essa merda!

N�o, o que vejo a� � o que voc�s s�o realmente.

Essas imagens s�o o que voc�s s�o!

Ricardo, entendo seu ponto.

- Por favor entenda... - Mas entendo perfeitamente.

Mas n�o serei c�mplice

de algo que a hist�ria mais tarde nos culpar�.

Assim, voc� pode ir diretamente � puta que te pariu!

Vai se foder!

Com licen�a.

Escuta...

- Escuta... - Sim, perd�o.

E...

Onde est�o os partidos aqui?

Os partidos est�o aqui. Est�o nesta ideia.

Vejo que aqui est�o todos os partidos, digamos...

Poderia explicar isso?

� um arco-�ris porque

nele est� representado todos os partidos pol�ticos.

� a ideia?

Sim, claro.

Sim, est�o.

O conceito por tr�s do arco-�ris � que est�o todas as cores

dos partidos e das tend�ncias pol�ticas representadas.

O roxo, por exemplo,

que � muito potente, forte, dos radicais

- do Comunismo... - � do Socialismo!

Perd�o, Socialismo.

Este � o azul que � muito...

Mais esperan�oso do que a cor da Democracia Crist�.

Exato. Est� o verde...

Que � totalmente Social Democrata.

- Este � o laranja que... - Humanista...

Humanista e todos os que se incluem nessa tend�ncia.

O PPD tamb�m se pode sentir inclu�do...

Est�o todas as cores dos partidos tamb�m!

De uma maneira democr�tica,

com suas diferen�as, para fazer o N�o.

Eu vou caminhando. Tchau.

Companheiro, sente vergonha estar conosco?

Tchau, Fernando. Muito obrigado.

N�o seja um chato!

Ningu�m pode se inteirar

da classe de pol�ticos que temos.

Bem, � o que temos.

Por favor, n�o.

Mas que coisa! J� temos o que quer�amos.

Agora, ao trabalho!

Perd�o, Ren�, n�o quero ser chata com voc�, mas...

O que � esta palha�ada?

- Est� vendendo pintinhos? - � outra coisa.

- Mas, diga. - O qu�?

Este sim!

N�o laranjinha... N�o passarinho cantando...

N�o arvorezinha verde, N�o cinco anos de idade mental.

Nada disso.

Porra, n�o...

Este.

N�o arco-�ris.

Quase... Esse sim.

- Quase. - Certo.

Uma coisa assim...

�?

Fica bem em voc�.

- E vamos ganhar. - Com isto?

Sim, com isso.

Est� bem.

Onde estava, panaca?

Venho do Canal...

Insistem que o t�tulo seja Amor na cabe�a.

N�o, � p�ssimo!

Uma desgra�a...

Completamente menop�usico.

O que foi?

Obrigado.

Voc� tem muita coragem.

E com isso seremos famosos.

Um arco-�ris?

Sim, um arco-�ris.

Isso � coisa de viado, n�o?

N�o, creio que tem que a ver com a bandeira mapuche.

Mapuches viados?

N�o, Mapuche, �ndios.

Sabe por que Guzm�n est� paranoico?

Porque o seu escrit�rio tem

- um comunista homossexual. - N�o, Ministro.

No meu escrit�rio n�o h� nem homossexuais nem comunistas.

Sei.

Mas n�o esquenta a cabe�a.

Ningu�m vai querer ver propaganda a essa hora.

Por que acha isso, Ministro?

Porque a essa hora todo mundo est� dormindo.

- Eu estou dormindo. - Eu tamb�m.

Todos est�o dormindo.

Quem est� idealizando a chapa do N�o?

N�o conhe�o ningu�m dessa gente. Quem s�o?

Gente que para o meu gosto est� muito tranquila, Ministro.

Cuidado com o que disse, Guzm�n.

Se abro essa porta, voc� deve fechar os olhos.

Me d� isso.

Fica quieto.

MARXISTA VENDE P�TRIA

N�o saia, Carmen!

O que est� fazendo?

O que est�o fazendo aqui? Por que n�o v�o dormir em casa?

V�o dormir! Aqui � um bairro de gente decente!

V� dormir, senhora.

Vai dormir, v�ia!

Pirralhos.

Vamos para dentro, Carmen. Vamos.

Mas voc� viu? Deu para reconhecer?

- Sim, eu os vi de perto. - O que houve?

Noite passada fomos amea�ados.

N�o eu, pois ningu�m sabe que estou metido nisso.

E te surpreende?

Sabem onde moramos e trabalhamos.

Nossos hor�rios e tudo mais.

Fiquemos tranquilos. Nada nos acontecer�.

O mundo est� de olho na gente.

Eu venho sendo seguido h� tempos.

Est� bem que nos sigam.

Significa que fazemos bem as coisas.

Que estamos passando nossa mensagem.

Vamos ter que ir.

- Vamos. - Est�o nos esperando.

Vamos de novo, r�pido.

- Certo. - Vamos, gente.

Isso � uma mensagem positiva, n�o?

Com alegria e...

- Sorrindo, se poss�vel. - Muito bem.

Vamos tentar.

We are the World

Para cima!

- N�o... - O qu�?

N�o, n�o, n�o...

Nada a ver...

- Essa coisa n�o. - Nunca foi a ideia.

- Nada a ver, querido. - Vamos.

Vamos nessa.

N�o � anel que brilha na m�o

N�o � pr�ncipe para os ciganos

N�o � a espada para o mosqueteiro

N�o � enigma para o feiticeiro

N�o, n�o...

Eu n�o gosto, n�o...

Eu n�o quero, n�o...

Eu n�o gosto, n�o

Eu n�o quero, n�o

Me faz mal v�-lo todos os dias

Me molesta seu sorriso frio

Me incomoda sua literatura

Me deprime sua p�fia cultura

N�o, n�o... Eu n�o gosto

Eu n�o quero, n�o

Eu n�o gosto, n�o... N�o...

Eu n�o quero, n�o

Seu dar ponto sem n�'' n�o prospera

N�o convence sua cara de chefe

N�o produz versos emotivos

N�o provoca firmes gemidos

N�o, n�o, n�o...

Vamos arranjar outra ponte.

� incr�vel!

� grande este est�dio principal,

� bem confort�vel.

Ao fundo fica a sala de edi��o.

A��o!

A��o!

Comporta-se.

N�o se acredite que seja indispens�vel

N�o se pense eterno e dur�vel A��o!

N�o me afoguem com tanta besteira

N�o me agrada de nenhuma maneira. N�o, n�o...

Eu n�o gosto, n�o

Eu n�o quero, n�o

Crist�bal, vamos com isso.

Vamos fazer a tomada.

Tira agora.

Deve tir�-lo agora.

Sil�ncio... Som...

C�mera...

- A��o! - Foi muito alto!

- N�o, est� perfeito! - N�o h� sa�de para classificar

N�o, n�o, n�o... Eu n�o gosto, n�o

- O que foi? - Nada.

Me consiga outro p�o. Pode ser franc�s.

- Isso � muito estranho. - N�o tem nada.

Mas como n�o?

Fernando, por favor, n�o.

Fernando, est� tudo bem.

N�o est� legal.

Ningu�m come baguete neste pa�s.

Est� bem, n�o h� problema. Funciona.

� muita falta de identidade. N�o pode ser.

Isso lhe parece um piquenique?

Porra, Fernando, o que hav�amos combinado?

Que as pessoas deveriam se reconhecer na tela.

- Essa palha�ada! - Por favor, est� belo...

Est� bonito!

Ajude-me, por favor.

Fernando, est� bonito. Deixa assim.

Ol�, Patr�cio, como est�?

Obrigado pela reuni�o.

- Ol�, Patr�cio. - Ol�.

Boa tarde.

- Ol�, Ren� Saavedra. - Como vai?

Vamos.

Vamos colocar o microfone.

Sil�ncio, vamos gravar!

Tr�s... Dois...

Um... A��o!

N�s, democratas, trabalhamos � luz do dia.

Entendemos que o Governo da na��o,

o que os romanos chamavam de coisa p�blica,

interessa a todos.

e deve se realizar � vista de todos.

Eu me formei na democracia.

A democracia chilena

fez grandes esfor�os

para nosso pa�s progredir.

Para impulsionar seu desenvolvimento,

pela justi�a social,

Ren�...

Ren�, o que voc� tem?

N�o seja crian�a.

Voc� pensa que esses senhores cagam a campanha,

mas nos conseguem os votos que precisamos.

Aconteceu alguma coisa?

N�o.

Eu acho que sim.

N�o.

Isso n�o � seu!

Esta gente tem o direito de falar.

Temos o direito de falar e mostrar

o que houve por muitos anos.

Mais respeito! H� muita gente importante envolvida.

- N�o seja t�o estrelinha. - Isso � uma l�pide.

A��o!

Minha vida em um tempo

Fui aben�oada

Minha vida era assim

Eram meus dias

Minha vida... Mas chegou

A desventura

Sou m�e de Alfredo Rojas Casta�eda.

Detido e desaparecido em 04/03/1975.

Sou irm� de Nicomedes Segundo Toro Bravo

Sou esposa de Enrique Coussy Benavides...

...Nilton Morales Saavedra... ...Detido...

Sou m�e de Manuel Jesus... ...Isidro Miguel Angel...

...detida e desaparecida...

...Sou irm� de Ruperto Torres Aravena

desaparecido desde 13/10/1973.

Minha vida em um tempo

Fui aben�oada

De voc� depende que nunca mais isso ocorra.

Nunca mais desaparecidos.

Est� bom.

Est� bom, apenas um pouco feio.

Como se sa�sse do tom do que estamos fazendo.

Isso vai de qualquer jeito.

Por qu�?

Porque � bom.

Porque tem conte�do, � diferente e deve durar 15 minutos.

E por que voc� fica assim?

Assim como?

Quem toma a decis�o aqui?

N�o sei o que te disseram, idiota.

Mas aqui voc� n�o manda.

N�o vou discutir com voc� essa asneira.

Asneira � a puta que te pariu!

- Estamos aqui trabalhando. - N�o, espera...

Isso n�o � pessoal.

Minha alegria, Ren�, � diferente da sua.

� mesmo? E qual � a minha?

N�o sei.

Mas o que aconteceu neste pa�s durante 15 anos

n�o saiu na TV.

E que agora saia � a minha alegria.

Sim, mas se ficar mal, se nos atrapalharmos,

ficar� lastimoso, choroso.

Funciona.

Eu fiquei todo arrepiado.

� muito feroz. Eu gosto.

- Eu colocaria. - Ent�o fica.

E se mencionamos que h� 15 anos n�o existe um canal

ou programa de televis�o, digamos, dissidentes?

Sim, claro.

Cumprimento ou n�o?

Sim, cumprimenta.

- A alegria est� chegando. - Exato.

Chile, a alegria est� chegando!

Boa noite. Chile, a alegria est�...

N�o, de fato...

Chile, a alegria est� chegando! e depois Boa noite.

- Meio estranho, n�o? - Um pouco, mas...

- Creio que funciona... - Bom.

E depois, H� 15 anos que...

- Exato, sim... - Est� bem.

Vamos fazer um teste e ver como fica.

Ou fazemos outro...

Sim, podem tomar.

Perfeito, muito obrigado.

Vamos ent�o.

Gravando.

Marca.

Patricio Ba�ados. Cena 1, tomada 1.

E...

A��o!

Chile, a alegria j� vem! Boa noite.

Pela primeira vez em 15 anos,

quem n�o compartilha do pensamento oficial

tem a oportunidade

de dirigir a voc�s atrav�s de um programa de TV pr�prio.

Oportunidade para mim

de reencontrar-me com esta profiss�o

da qual fui exclu�do.

Mas 15 minutos em 15 anos n�o � muito.

E vamos a essa alegria que est� chegando.

A alegria est� chegando!

Chile

A alegria est� chegando

Chile

A alegria est� chegando

Podem dizer o que for

Eu sou livre para pensar

Porque sinto que � a hora

De ganhar a liberdade

At� quando tanto abuso?

J� � hora de mudar

Porque basta de mis�ria

Vou dizer que N�o

Porque nasce o arco-�ris

Depois da tempestade

Porque quero que flores�a

O meu modo de pensar

Porque sem a ditadura

A alegria vai chegar!

Porque penso no futuro

Eu vou dizer que N�o

Vamos dizer que N�o

Com a for�a da minha voz

Vamos dizer que N�o

E eu canto sem temor

Vamos dizer que N�o

Todos juntos a triunfar

Vamos dizer que N�o

Pela vida e pela paz

Vamos dizer que N�o

Chile,

A alegria est� chegando!

Chile,

Alegria est� chegando!

Bom dia, Sr. An�bal. D�-me dois p�ezinhos.

Mas como n�o, Sra. Yolita.

Aqui est� o seu p�ozinho.

Algo mais?

Marca isso para mim.

- Vou levar ch� tamb�m. - E como n�o.

Dois saquinhos?

S� um.

Todos temos uma raz�o para votar N�o

N�o... Nunca mais mis�ria.

Chile...

Este homem deseja a paz...

Esse homem

Deseja a paz...

Esse homem � chileno.

Esse homem � chileno?

Esse homem luta por aquilo que acredita.

Esse homem luta por aquilo que acredita.

Esses homens t�m o direito de viver em paz.

E t�m o direito a trabalhar por aquilo o que creem.

A P�tria ser� grande

quando nenhum chileno tiver medo de outro chileno.

O Chile ser� grande quando todos tenham um lugar na P�tria.

Para que isso n�o volte a acontecer.

Na guerra todos t�m medo.

A paz se consegue com a democracia!

N�O

Esta � uma c�dula.

Nela voc� poder� manifestar

livre e secretamente a sua decis�o

no pr�ximo 5 de outubro.

N�o deixe de faz�-lo. V� votar!

Sem �dio...

Sem viol�ncia, sem medo.

N�o... Nunca mais.

Vote N�o.

A SEGUIR PROPAGANDA DA OP��O SIM

Isto � o mais importante.

O que foi?

Um horizonte de esperan�a

Nasce um setembro inesquec�vel

Fez-nos dono de um presente

Que prometemos defender

Como una voz igual ao vento

Vai aumentando o "Sim" das consci�ncias

H� um pais,

Pa�s de ganhadores

Em democracia e liberdade

O povo e voc�

Pinochet!

Far�o poss�vel a esperan�a

"Sim!"

Hoje a vit�ria tem nome:

Presidente Pinochet.

Presidente Pinochet.

"Sim!"

Queremos que cada trabalhador

se aperfei�oe e que seja sempre respeitado

E que se transforme em um propriet�rio

e nunca mais em um prolet�rio.

Esse � o meu compromisso!

Sabia que, na m�dia,

as crian�as chilenas hoje s�o mais altas e pesadas?

Um pa�s ganhador, "Sim"!

No dia 03 de julho de 1986,

eu estava voltando do meu trabalho

quando passei por uma greve pac�fica, um protesto pac�fico.

O �nibus no qual eu estava sofreu um atentado terrorista.

Muitas pessoas inocentes ficaram feridas.

Eu tamb�m sofri queimaduras no rosto e m�os.

Poder�amos dizer-lhes muitas coisas

depois de ver essas assustadoras imagens.

Mas vamos dizer apenas uma:

Pense.

No pa�s do "N�o"...

N�o h� respeito...

Nem por seus bens,

nem por seu futuro e seguran�a.

Ao votar,

pense em tudo que pode perder.

Pense no mais querido:

Sua fam�lia.

Um pa�s ganhador...

Sim!

Nossa propaganda � um lixo, Ministro. Indignante.

Estamos jogando dinheiro fora.

Eu n�o acho t�o ruim.

� mais s�ria que as outras.

A dos outros.

Meu General estava muito ofendido.

O atacaram pessoalmente.

� brincadeira!

N�o tem como impedir isso?

Seria um esc�ndalo!

� a forma que temos de legitimar-nos

frente ao exterior.

O plebiscito � para isso.

N�o entendo realmente qual � o problema.

A estrat�gia tinha como motor

os �xitos econ�micos de seu governo,

que s�o inquestion�veis.

N�o tem nada a ver com isso.

N�o podemos combater princ�pios universais

como alegria ou essa est�pida campanha do arco-�ris

com um filme sobre exporta��o de frutas.

N�s apenas seguimos as pautas estritas do cliente.

Ela partia de duas premissas:

Que ningu�m veria essa propaganda,

e que era imposs�vel a derrota do Presidente.

Ministro, o senhor disse que essa propaganda era � toa.

O Presidente vai ganhar que qualquer jeito.

Que droga.

De agora em diante Guzm�n fica a frente da propaganda.

Obrigado, Ministro. � uma honra.

Depois veremos o que faremos com essa palha�ada.

N�o se preocupe, Ministro.

Essa propaganda do "N�o" vai esfriar em alguns dias.

Esse sujeito est� usando todos os truques da publicidade.

O que deve ser feito � trabalhar um tema:

Quem � capaz de governar e quem n�o �.

E fazer uma auditoria de emerg�ncia.

Perd�o...

N�o...

O que deseja dizer com isso?

Vamos dar-lhes uma lavada.

Perd�o?

Vamos dar-lhes uma lavada.

Meu bom Pai, meu Santo Deus

Hoje bendizemos o seu nome...

O clima de fraternidade e progresso

criado pelo governo Pinochet,

tornou prop�cia a ocasi�o para que em Abril de 1987,

o Papa Jo�o Paulo II

realizasse uma visita sem precedentes em nosso pa�s.

N�o tenhais medo, de olhar para Ele!

Essa campanha � uma c�pia.

N�o.

A c�pia, da c�pia da c�pia...

Da c�pia da c�pia da c�pia!

Est� bem.

N�s n�o copiamos.

Mesclam arco-�ris, gente linda, crian�as loirinhas

correndo felizes celebrando... sei l� que merda.

Um homem alto com quase 5 metros que buscaram na Dinamarca?

Quem � esse idiota se n�s chilenos somos baixinhos?

Toda esta gente rindo e feliz. Cantando e feliz do qu�?

Que teremos um plebiscito goela abaixo?

N�o sei que pa�s est� imaginando.

Voc� e eu dever�amos fazer algo.

N�o, n�o quero transar porque depois s� me ferro.

N�o diga isso.

H� s�culos que n�o temos nada.

Voc� tem uma p�ssima mem�ria.

- O qu�? - Da �ltima vez voc� n�o quis.

- Porque o Simon estava perto. - Ele estava dormindo.

Ao amanhecer ou ao anoitecer.

A todo momento trabalha incansavelmente.

Seu tempo,

sua energia,

o sacrif�cio da incompreens�o.

Tudo o leva � sua causa primordial.

Em suas palavras,

pelo Chile

Tudo!

N�o acorde.

N�o.

Porra, tenho que ir.

Por que n�o fica?

Eu n�o posso.

Simon precisa de voc�.

S� peguei no sono, n�o confunda.

De verdade?

Fique.

E por qu�?

Pagou o col�gio dele?

Sim, claro.

Paguei com minha bolsa da Funda��o Allende.

Est� bem.

- Tchau. - Fique aqui.

Vamos tirar Pinochet das telas.

Voc� acha?

Vamos proteg�-lo.

Muito militar.

Cada gente feia...

Feia?

Muito feia, gente gorda.

Muita mulher de Coronel.

Tem pouco material, rapaz.

Falemos sobre eles.

- Dos pol�ticos? - N�o, deles.

A campanha deles � muito engra�ada,

� muito graciosa.

Vamos colocar um pouco de humor na nossa.

Diga "Sim"!

Senhores dirigentes do "N�o",

n�o gastem seu tempo com mentiras e fantasias,

como fizeram at� agora.

N�s, de nossa parte,

consideramos um dever, expor ao pa�s,

essa pequena amostra com as mentiras do "N�o".

Bom dia, Sr. An�bal, d�-me dois p�ezinhos.

Mas como n�o, Sra. Yolita.

Aqui est� seu p�ozinho. Algo mais?

- Vou levar ch� tamb�m. - � como n�o.

Protagonista comprada.

Possui tr�s propriedades e um com�rcio.

Minha nossa, mas que canalhice tremenda.

N�o vamos responder nada.

Posso saber quem fez isto?

Certo. Estou indo.

- Vai pela sombra. - Tchau, Fernando.

Ligue quando chegar na casa.

Est� bem.

- Que porcaria. - O que houve?

Queriam me seguir.

Acho que s� est�o nos assustando.

N�o podemos nos arriscar.

Fran, temos caixas vazias? Ou fitas imprest�veis?

Toma.

Vamos sair com isso. E todos ao mesmo tempo.

Eu saio primeiro.

Passa-me o original.

- Tem certeza? - Sim.

Conselho Nacional de Televis�o?

- Pode entrar. -� da chapa do "N�o".

Obrigado.

- Assine a entrega. - Sim.

- Aqui? -Aqui.

E eu vou dar-lhe um recibo de conforme.

Recebido.

Muito bem.

O senhor �...?

- Ren� Saavedra. - Certo.

Obrigado.

O de amanh�.

Obrigado.

A televis�o � c�mplice!

Eduardo Jara morto em tortura!

A televis�o � c�mplice!

Os que compareceram s�o mais de 50 pessoas.

Todas elas torturadas na CNI.

H� pessoas que sofrem sess�es de tortura inacab�veis

que duram um dia inteiro

e continuam noite adentro,

at� �s 4h da madrugada.

Hor�rio em que dispensam a pessoa como

como um traste in�til,

em uma cama em sua cela.

Deixam-te descansar algumas horas para recome�ar depois.

Sem �dio, sem viol�ncia, sem medo...

Nunca mai!s

Est�o ligando do Conselho Nacional de Televis�o.

Fazemos um corte e ressaltamos esse mesmo plano...

Posso saber qual � a raz�o?

Est� bem.

N�o se preocupe. At� logo, muito obrigado.

O programa de amanh� n�o pode ir ao ar como est�.

A apari��o do juiz, segundo eles, viola as leis.

O juiz?

Porra, botaram o juiz?

N�o teremos nenhum programa. Isso � censura!

Temos que ir ao ar ou as pessoas ficar�o assustadas.

N�o, vejamos. Convocaremos uma entrevista coletiva.

Estou puto da vida coma a sua den�ncia.

Porra, deve ser mais criativo. Precisa dar um jeito.

Chile, a alegria est� chegando...

Chile,

a alegria est� chegando...

Chile, a alegria est� chegando...

Boa noite.

Em nossos programas temos dado conta

de que � bom dizer as coisas tal como s�o.

Expressar-se, discutir, faz bem...

N�o h� o porqu� de censura.

Para que a censura?

Contudo durante 15 anos um setor importante

deste pa�s n�o pode expressar-se como fazemos neste programa.

Um rep�dio imediato e generalizado,

produto da censura que sofreu

o programa televisivo da oposi��o.

No programa do "N�o" da segunda-feira passada

proibiram a apari��o de um juiz federal

que assegurava a participa��o da CNI

em mais de 50 casos de tortura.

- Lastim�vel. - Por qu�?

N�o deixaram que mostrassem o que houve de verdade.

Uma frustra��o enorme.

Uma frustra��o impressionante. Eu acho que � uma fraude.

� um abuso, como continua sendo abuso todos os dias.

Parece que o Governo tem medo de que saibamos a verdade.

N�o queria que existisse o "N�o".

P�ssimo, injusto...

Mal, super mal!

Fazem como querem, sempre.

Mais uma injusti�a!

Para eles n�o � conveniente que se saiba a verdade.

Porque n�o podemos ver aquilo que aconteceu neste pa�s.

� nosso direito democr�tico nos informarmos

onde e quando quisermos.

Essa � minha opini�o

Muito obrigado.

- Al�. - Como est�, Saavedra?

Como est� o Simon?

Adorei o trenzinho.

Caramba...

Simon?

- Voc� est� bem? - Sim.

Ol� rapazinho.

- Ol�, mam�e. - Ol�.

- Como est�? - Toma.

- Comporte-se. - Est� bem.

Obede�a a sua m�e.

E n�o saia sozinho. Voc� ouviu?

Est�o reagindo assim porque est�o socando o velho.

- Escuta� - Meu sapequinha.

Est� indo bem, parab�ns.

Adeus.

- Ol�. - Ol�.

J� tomou caf� da manh�?

- N�o. - Quer tomar?

- N�o, obrigado. - Se...

Se precisar de qualquer coisa, me avise.

- Ent�o est� metido no "Sim"? - N�o, idiota.

Nada disso. � apenas uma assessoria.

Eu vi.

H� uma mudan�a na estrat�gia conceitual.

Voc� gostou?

� horr�vel.

� terr�vel!

� terr�vel, Lucho.

� merda sobre merda, sobre merda...

� a c�pia da c�pia da c�pia...

Da c�pia da c�pia. Est� tudo misturado...

Sabe como v�o lembrar dessa campanha?

N�s, empregados, somos do "N�o", o senhor, chefe, ser� do "Sim".

- Vamos aprontar merda. - Vamos dar uma lavada.

E cala a sua boca, caralho.

Cuida do seu filho, imbecil.

- N�o me ameace com meu filho. - Longe disso.

E, se falarem em dinheiro, eu trato disso.

Ol�.

- Ol�, Ren�. - Como voc� est�?

Vamos?

Como vai?

"Bellas". Em uma tipografia cl�ssica.

Imponente, forte e audaz...

Em algo jovem e brincalh�o.

N�o, porque tamb�m queremos que...

Temos uma faixa grande

de pessoas que assistir� essa novela.

O que queremos fazer �...

Uma a��o de marketing

para apresenta��o da novela "Bellas e Audazes"

na Torre Santa Maria.

Queremos evitar a t�pica chamada de novela filmada em um est�dio

com p�ssima luz, muito pobre. Pobrezinha mesmo.

E criar uma not�cia...

E inseri-la camuflada em um notici�rio central.

- Entendo. - � perfeito.

Entendo.

Estas...

Estas garotas estariam no terra�o, no heliporto.

Todas atrizes estariam vestidas com seus melhores trajes.

Estariam fazendo uma sess�o de fotos

que depois podemos utilizar.

Ent�o, nos servir� em dobro.

E teremos os gal�s da novela,

que s�o os atores, e que est�o vestidos como...

- James Bond. - Como James Bond...

em algo com um pouco mais de...

A��o, inovador tamb�m, com essa�

Pr�ximo...

Das garotas desfilando e das atrizes,

exibindo seus melhores dotes carism�ticos

estar� um helic�ptero circulando

pela torre com o gal� da novela

dentro do helic�ptero,

quase caindo do helic�ptero

oferecendo um ramo de rosas �s garotas.

Cumprimente!

N�o, a elei��o est� totalmente controlada.

N�o se preocupe, Guzm�n.

Mas est�o fazendo barulho, Ministro.

Isso pode dificultar qualquer medida que se tome depois.

Medidas ser�o tomadas.

Dedique-se a desacredit�-los,

e mostre a esses palha�os o que realmente s�o.

Isso vai desconcertar o povo do "N�o".

E quem � essa gente?

N�o conseguimos nenhum artista famoso.

Est�o todos com eles.

Isso � o que sobrou.

A raspa do tacho.

Est� bem, quero ir embora.

Agora a ideia � que�

N�o importa qual seja a sua op��o,

ou por quem votar, o importante � o que sentem,

O que sentem com esses programas de TV.

Ent�o...

A mo�a far� algumas perguntas, e a ideia � termos

entre n�s uma conversa.

A do "N�o" me parece muito s�ria...

Muito estranha.

Ou seja s�o coisas que n�o me interessam, coisa de velho.

Matilde, conta-me o que lhe tocou na campanha do "Sim".

Eu n�o gostei, � muito violenta.

E suja tamb�m.

Suja?

Olhe.

E voc� como se chama?

Creio que necessitamos de mais testemunhos.

N�o.

N�o, mais humor.

O que gostou da campanha do...

Certo, voc� disse algo divertido...

Inclusivo.

Cuidado com essa lente, por favor!

Desliguem o projetor.

Vejamos, um minuto de aten��o!

Muito obrigado por virem.

Me ajuda.

Estamos contentes e ser� muito importante para todos.

Ver seus m�sicos, seus atores,

e seus artistas. comprometidos com o "N�o".

Certo, vamos filmar.

Vamos.

Vamos a 24 e d�-me um 2.8, por favor...

Marco Ant�nio, um pouco mais a frente, por favor.

Sim.

Sim...

Vamos fazer.

O importante � que estamos mostrando a cara.

Certo, com alegria!

Vamos, som.

C�meras.

Marca... A��o!

Chile, a alegria est� chegando!

Chile, a alegria est� chegando!

Chile, a alegria est� chegando!

Chile, a alegria est� chegando!

Chile, a alegria est� chegando!

Chile, a alegria est� chegando!

Chile, a alegria est� chegando!

Esta terra n�o � um lugar prop�cio

para caudilhismos e golpismos.

- A nova democracia... - � ele.

N�o � ele?

N�o �.

N�o, n�o � ele.

Um dia de capa e uniforme

e outro com roupa de civil.

Depois de tanto �dio e amea�as,

agora oferece a paz.

Fala sozinho.

Ficou falando sozinho.

Senhor, o que dirias a um ditador?

N�O

Faz 15 anos que temos uma ditadura que come�a aqui

e nos deixa at� aqui!

Mas que termine aqui! N�O

- Meu amor, diga que "Sim"! - "N�o"...

- Diga. - "N�o".

- Diga que "Sim", por favor. - "N�o". "N�o"!

Por favor.

Chega de "N�o"!

Com a vit�ria do "Sim", vai ser tudo melhor!

� mostrado o resultado das �ltimas pesquisas

em n�vel nacional.

Qual � a conclus�o definitiva?

Ganha o "Sim".

Um pa�s vencedor... "Sim"!

Companheiros,

a alegria est� chegando.

Destr�i...

A alegria est� chegando!

Pela vida e pela paz!

Isto s�o horas de chegar?

Dev�amos fazer outra coisa antes.

Com a for�a da minha voz

Vamos dizer que "N�o"!

Eu canto sem medo

Vamos dizer que "N�o"!

Todos juntos a triunfar

Vamos dizer que "N�o"!

Pela vida e pela paz...

Mesmo que o marxista se vista de seda,

continua sendo marxista.

Chile,

a alegria vai embora...

Hoje se realizaram

massivos atos para fechar as campanhas eleitorais.

A op��o "Sim" celebrou aos p�s da imponente cordilheira

recebendo efusivamente

a Sua Excel�ncia, o Presidente Augusto Pinochet.

Um verdadeiro clima de carnaval e de verdadeira alegria

neste momento na Alameda Bernardo O'Higgins.

Milhares de pessoas em caravana chegaram para dizer "Sim",

para dizer que est�o com o Presidente Pinochet,

e que reafirmar�o em maioria no 05 de outubro.

Os correspondentes n�o quiseram filmar imagem alguma

dessa alegria. N�o lhes conv�m mostrar

que milhares de pessoas est�o com o Gal. Pinochet.

De outra parte, os simpatizantes da op��o "N�o"

marcharam hoje pela estrada norte-sul at� Santiago.

O principal orador deste ato foi o porta-voz da campanha "N�o"

e Presidente da Democracia Crist�,

Patricio Aylwin.

Eu disse claramente

que sempre que atos se realizem em condi��es corretas,

reconheceremos seu resultado qualquer que seja ele.

- Pela vida! - "N�o"!

- Pelas crian�as! - "N�o"!

- Pela fome! - "N�o"!

- Pelo ex�lio! - "N�o"!

- Pela viol�ncia. - "N�o"!

- Pelo suic�dio! - "N�o"!

Todos juntos, vamos dizer que "N�o"!

"N�o", "n�o...

- "N�o", "n�o"... -Viva!

N�o!

N�o, n�o...

N�o!

Dan�aremos e diremos que "N�o"!

N�o, n�o...

Pedimos �s autoridades que n�o agridam nossa gente!

Porra, meu carro!

Por favor, todos calmos.

Venha, segura. D�-me a sua m�o.

N�o reajam � viol�ncia!

Sem viol�ncia!

Por favor!

Pedimos �s autoridades, exigimos!

Venha, fecha os olhos.

Fecha os olhos!

Fica quieto! Voc� quer levar porrada?

Assassinos! Assassinos!

Assassinos! Assassinos!

Assassinos! Assassinos!

Assassinos! Assassinos!

O que est� fazendo?

- O que est� fazendo a�? - Leve-o para casa!

Venha.

Fique aqui. Eu j� venho te buscar.

Venha, entre aqui.

N�o saia da�, ouviu?

Leve o Sim�n para casa!

Ela vem comigo!

Leve-o para casa! Entendeu? Leve-o para casa!

Onde vai?

Aonde vai Saavedra?

- � a minha mulher. - N�o � com voc�.

J� para casa.

Bom dia.

- O oficial de guarda. - Sim, meu Coronel.

Est� aqui, acabaram de avisar.

Obrigado, Lucho.

N�o se preocupe, � o que eu faria

por qualquer empregado meu.

A alegria.

Parab�ns!

Imbat�vel!

- Muito obrigado. - N�o foi nada.

Bom dia, este � nosso �ltimo programa.

Durante 27 dias estivemos juntos a voc�s,

mostrando o Chile em todos os seus aspectos.

Queremos partir esta manh� com todos

em suas cassa, seguros em um dia de descanso e dizendo:

"N�o" ao �dio.

"N�o" � viol�ncia.

E nessa mensagem n�o estamos s�s.

Lembre-se que o voto � secreto.

e que o futuro de seu pa�s

est� em suas m�os.

A dor do Chile ao longo desses anos

tem sido a nossa dor.

Nossos melhores desejos est�o com voc�s

em 05 de outubro.

Qual vende mais? Bandeiras do "Sim" ou do "N�o"?

Do "N�o" se vende nada.

E do "Sim"?

S� um pouquinho.

Qual est� vendendo bem?

Eu vendi umas 1.500 do "N�o", e do "Sim", umas 50.

Mais do "N�o", como v�. Tenho poucas pe�as.

Porque...

� o que mais se vende.

Em poucos segundos, este programa deve terminar,

n�o temos mais espa�o.

A partir deste instante

somente poder� conhecer a opini�o oficial.

Que o Chile seja livre e tenha uma TV livre s� depende de voc�.

A alegria est� em suas m�os.

At� logo.

� SEGUIR A OP��O "SIM" FAR� USO DOS SEUS 15 MINUTOS

Meu amor,

diga-me "Sim"...

Meu amorzinho. N�o, est� bem?

Diga-me sim.

N�o vai dar.

-N�o posso. -Vamos, diga que sim...

"Sim".

"Sim"!

E a outra op��o, isso termina com um "N�o".

Nesta termina com um "Sim".'

Escolha.

Pensem no que vai... Este pa�s est� destinado

a ter grande� Um grande futuro!

Grandes expectativas!

N�o o desperdicem.

Eu n�o me recomendo.

Analisem-me.

Se fiz alguma coisa errada, perdoam-me.

Mas creio que, no final das contas,

tenho mais pr�s do que contras.

Um pa�s ganhador, "Sim"!

Em cumprimento �s disposi��es referentes

a programas eleitorais,

os canais de televis�o integraram cadeia nacional.

A partir deste instante,

podem continuar com suas transmiss�es...

Chi-chi-chi!

L�, l�, v�... Viva o Chile! Pinochet!

Mas com toda raz�o...

Tem uma liga��o para o senhor.

- Com licen�a, telefone. - � vontade.

N�o se preocupe, n�o fique nervoso.

Est� tudo bem. Onde vai comemorar?

Com a fam�lia,

amigos...

E...

O senhor est� confiante?

Isso deixou de ser uma campanha e se tornou quest�o de Estado.

Deixa estar as coisas.

Haver� uma festa? Uma celebra��o?

Bem, sim.

E v�o comer?

De norte a sul,

a melhor equipe, informa��o.

Not�cias no lugar onde acontecem

para todo o pa�s.

TVN Chile.

Na regi�o metropolitana, assim como no resto do pa�s,

a instala��o das mesas se iniciou cedo pela manh�.

O p�blico, seguindo as recomenda��es das autoridades,

chegou aos locais de vota��o

desde muito cedo, o que produz algumas aglomera��es

e longas filas em alguns setores...

Faltando poucos minutos para �s 11h,

o Presidente da Rep�blica

exerceu seu direito de cidad�o neste recinto

entregando seu voto � mesa n�mero 1.

As imagens mostram como o Chefe de Estado

procedeu para votar.

E concluiu a vota��o de Patricio Aylwin Az�car,

mesa n�mero 16...

...89, 90, 91, 92, 93

94, 95...

96, 97...

O Subsecretario de Interior est� no edif�cio Diego Portales�

Farei a leitura

da terceira parcial oficial do Minist�rio do Interior.

At� o momento apurou

57,36% para o "Sim"

e 40,54% para o "N�o.

Esse desgra�ado n�o pode dar esses dados.

...a partir das 20h30, ser�o entregues por este Minist�rio.

L�gico que querem ganhar, mas n�o podem.

N�o podem, certo?

Eu creio que n�o.

Calma, fiquem tranquilos.

N�o quis dizer l�, pois eu n�o podia,

mas fomos informados que o velho de merda

parece n�o querer aceitar o resultado.

Don Patricio, que acompanha a contagem, deve saber.

A pol�cia est� bloqueando.

N�o entendo o que acontece.

Liguem para o Ricardo para ver se ele sabe algo mais.

Simon!

Simon, venha c�.

O que aconteceu?

- A luz logo voltar�. - Vai voltar?

Essa bosta � autogolpe.

- H� equipamentos de emerg�ncia. - Querem nos ferrar.

A primeira coisa � assegurar as informa��es dos computadores.

Tem algo a se fazer nesses casos?

Est�o fazendo contagem manual.

Contagem manual o qu�!

Lembrem-se:

- Cada um � respons�vel... - Est�o nos roubando.

Nada, mas est� cheio de estrangeiros de toda parte.

- E da�? - Nada.

N�o deve ser nada.

Acha que gente de fora far� algo?

Devemos buscar ajuda!

Chamar algu�m da imprensa,

ajuda internacional ou estamos fritos!

Este momento � muito importante. N�o podemos perder.

Ent�o, como vai? Novidades?

Jos� Tom�s, venha.

Nossa contagem paralela

indica que estamos com uma clara maioria.

Creio que isso n�o mude. Eu n�o sei...

� fogo de palha, est�o ganhando tempo.

Advirto que isso pode continuar acontecendo

cada vez com mais frequ�ncia. Acredita?

N�o sabemos de nada tamb�m.

Gringos malditos.

A TV, por favor.

Estamos na porta do Pal�cio da Moeda,

onde chegam Generais de todas as For�as Armadas,

os quais foram convocados para uma reuni�o de emerg�ncia

pelo Presidente Pinochet.

Gal. Mattei, o Governo j� possui resultados oficiais?

Parece que realmente ganhou o "N�o".

Ao menos a mim, j� vejo claramente.

Foi o Comandante Chefe da For�a A�rea, Gal. Fernando Matthei...

Os Generais est�o abandonando o Pinochet.

Bem...

Isso quer dizer que eles est�o fazendo reconhecer.

E dizer que essa palha�ada acabou.

Ganhamos, ent�o.

Acabou?

Percentual para a op��o "Sim", 43,04%.

Percentual para a op��o "N�o", 54,68%.

J� ganhou...

J� ganhou, j� ganhou, j� ganhou!

J� ganhou, j� ganhou, j� ganhou!

J� ganhou, j� ganhou, j� ganhou!

Hoje nasce um novo Chile!

Mais justo, mais solid�rio...

Sem privilegiados.

Onde todos teremos direito a pensar diferente.

Onde todos

teremos as mesmas oportunidades.

Por que ap�s esta larga jornada e sem derramar

uma s� gota de sangue, derrotamos essa feroz ditadura,

simplesmente dizendo forte e claramente "N�o"!

Por isso...

- Viva o Chile! - Viva!

Chile, alegria est� chegando!

Chile, alegria est� chegando!

Viu?

- L� em cima! -Usamos o conceito da alegria.

Devia dar coragem �s pessoas para irem votar sem medo,

e vencemos o medo!

N�s estamos contentes, ganhou o Chile!

Agora seremos uma democracia.

De igualdade e respeito.

N�o foi apenas o Chile,

mas tamb�m pessoas que representam

uma op��o, eu diria.

Aqui no precisa interpor �s op��es pessoais, creio eu...

Chi...

...le!

Chi...l�,l�,l�! Viva o Chile!

E j� caiu, e j� caiu... E j� caiu!

E j� caiu, e j� caiu...

E j� caiu, e j� caiu!

E j� caiu, e j� caiu...

E j� caiu, e j� caiu...

Quem n�o pular � Pinochet! Quem n�o pular � Pinochet!

Quem n�o pular � Pinochet!

Agora deixarei com voc�s o Ren�, quem apresentar� a pe�a.

Ren� � um dos principais

publicit�rios da exitosa campanha "N�o".

Obrigado, Lucho.

Bem, ent�o...

Eu gostaria de mencionar,

antes de mais nada, que o que ver�o a seguir

est� marcado dentro do atual contexto social.

Nos acreditamos

que o pais est� preparado para uma comunica��o de tal natureza.

Com certeza.

Sejamos honesto.

Hoje,

o Chile pensa em seu futuro.

Ent�o?

Vejamos.

O heliporto da Torre Santa Maria foi ponto de reuni�o

de 10 audazes mulheres em trajes de gala

e cinco rapazes que admiravam aquelas belezas.

De improviso o gal� da novela, Esteban Greve,

interpretado pelo ator Osvaldo Silva,

apareceu em um helic�ptero mostrando um ramalhete de flores

ao grupo de "Belas e Audazes".

Essas imagens ao estilo dos filmes de James Bond,

servir�o para promover a nova novela do canal TVN.

Eu sou, Kiki Blanche...

Tenho cinco filhos,

sou dona de um sal�o de beleza,

E h� muitos anos fui vedete do "Bim Bam Bum".

2 ANOS DEPOIS, EM 11 MAR�O DE 1990...

Patricio Aylwin Az�car recebeu a faixa presidencial.

A ova��o � para... esses...

novos quatro anos de Governo

para esse mandat�rio.

O cumprimento

pertinente de ambos mandat�rios

daquele que sai,

e de quem agora governar� por quatro anos o Chile.

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