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A ILHA DO TOPO DO MUNDO
LONDRES 1907
- Boa-noite, senhor. - Sou o professor Ivarsson.
Sim, o senhor Anthony lhe aguarda.
Está em suas mãos, Marlow.
- Entrarão num acordo. - Muito bem, Sr. Anthony.
Qualquer outro problema, fale com a diretoria.
Sabem o que penso. Professor Ivarsson.
Agradeço muito ter vindo.
Não concordei em vir, Sr. Anthony.
Só sei que me acordaram...
às 6 da manhã ontem dizendo que era o embaixador britânico.
E era o embaixador britânico.
Ele comprou minha passagem de navio da Noruega à Inglaterra.
Depois, um homem grande surgiu à minha porta.
Ele me ajudou a arrumar as malas e me levou ao porto.
Seu trem sai em 10 minutos, senhor.
Ótimo. Venha comigo, Ivarsson.
Mas, Sr. Anthony...
Uma expedição ao Pólo Ártico?
- Não sou explorador profissional... - Deixe-me falar.
Checamos suas credenciais.
Você é o americano da Universidade de Minnesota...
atualmente professor da Universidade de Christiania.
Sua especialidade é arqueologia do Norte.
Já fez várias expedições de sucesso.
Fez muitos trabalhos interessantes na Groenlândia.
Você é o homem certo para o trabalho.
Homem certo para o trabalho?
O que é tão urgente? O que pretende encontrar?
O meu... filho.
A minha esposa morreu quando Donald era criança.
Eu o criei para que tomasse o meu lugar nos negócios.
Eu o pressionei demais. E nós discutimos.
De repente, Donald partiu num navio baleeiro...
como um marujo comum.
Três meses depois, soube que ele havia deixado o navio em Baffin Land.
Por quê?
Não fazia idéia, até que recebi isso...
de uma feitoria no Forte Conger, na Ilha Ellesmere.
Parece que Donald deixou guardado com o feitor...
quando saiu em uma expedição.
Quando não retornou, o feitor me enviou isto.
É uma página dos registros de uma empresa na Baía de Hudson.
Veja o registro de 1 5 de janeiro de 1 856.
''A este posto, neste dia veio John Murchison com seus Esquimós...
que caçam o urso branco muito além do fim da terra.
Ele disse ter visto uma nuvem densa, como que deitada sobre o gelo...
e escondida debaixo dela, uma ilha.
Ele quis examinar a ilha...
mas seus Esquimós se recusaram, dizendo...
que era guardada por espíritos do mal...
pois é o lugar onde as baleias vão para morrer.''
Estamos chegando em Dover, senhor.
Obrigado.
Sr. Anthony, o cemitério de baleias é uma fantasia...
um lugar onde o baleeiro acha que encontrará...
uma fortuna enorme em ossos de baleia e âmbar gris.
O fato é que simplesmente não existe.
O cemitério de baleias é um mito. Só isso.
Mito ou não, o meu filho foi atrás do cemitério.
E eu estou procurando o meu filho.
- Carregador? - Leve nossas bagagens ao píer.
- Sim, senhor. - Sr. Anthony.
Acho que é o fim da linha para mim.
Eu ajudaria se pudesse. Sei o que significa para o senhor.
Mas está tentando o impossível. Encontrar um homem...
tendo apenas a página de um velho registro...
Há algo mais. Donald também deixou isso com o feitor.
Esperava que soubesse do que se trata.
É um osso entalhado. Trabalho de esquimó.
Bastante comum no Pólo Ártico.
- Este é um tipo de mapa. - Mapa?
Com a carta marítima certa, mostraria como funciona.
Meu iate está no píer. Lá tenho todos as cartas.
Este padrão deve corresponder a alguma parte do litoral...
aqui na carta.
Olhe. Viu como são iguais?
Claro que não são do mesmo tamanho.
Então, esta marca vermelha pode ser a ilha que procuramos.
Se tal ilha existir.
- E por que não? - Não há terra lá.
É apenas um mar gigante e congelado. Todos os exploradores concordam.
Peary, Nansen, todos eles.
E qual é a opinião de Ivarsson?
Claro, muita coisa não foi descoberta.
Mas se tal ilha existisse...
se o cemitério de baleias realmente existir...
O mundo jamais saberia, não é?
A menos que você o descubra.
Ou a menos que alguém descubra antes.
Sr. Anthony...
o senhor é um homem esperto.
Eu sou, não é mesmo?
Tenho aqui o seu contrato...
sua saída da universidade e a sua procuração.
Meus ajudantes cuidarão dos seus assuntos na sua ausência.
- Estamos andando. -Já há algum tempo.
Estaremos na França pela manhã.
Por que a França? Não é uma rota direta para Forte Conger.
Pelo contrário. Verá que é.
Não podem ir mais devagar?
- Parece até que sairemos amanhã. - E sairemos.
- O quê? - Eu disse que sairemos.
- Logo de manhã cedo. - Impossível!
É inverno! Nenhum navio atravessa o gelo antes da primavera.
- Tenho outros planos. - Que planos?
Se eu lhe dissesse, iria pensar que sou louco.
Sr. Anthony, o senhor é louco.
Agora conhecerá outro maluco. Capitão Brieux!
Monsieur Ross!
Que prazer!
Ele construía isto para um grupo americano...
mas acabou o dinheiro deles.
Eu soube do projeto e o assumi.
- Capitão Brieux! - Boa-noite, Sr. Anthony.
- Professor Ivarsson. - É uma honra.
O prazer é meu, capitão. Posso olhar de perto?
Por favor. É um prazer tê-lo conosco na cerimônia de amanhã.
Muito obrigado.
- Que cerimônia? - O primeiro vôo da minha invenção.
Amanhã, o mundo todo conhecerá a mim e ao meu Hyperion.
- França dominará o ar! - Não sei o que planejou, mas cancele.
Amanhã partiremos para o Ártico.
O Ártico?
O Ártico!
Sr. Anthony, é ridículo!
Não pode ser! É impossível!
Precisaríamos de comida, provisões, combustível para os motores!
O combustível é com você, capitão.
Todas as outras necessidades foram providenciadas pelo meu pessoal.
Monsieur, é melhor nós conversarmos.
Nós já conversamos. Comprei e paguei pela sua nave.
É minha. E pretendo usá-la...
para encontrar o meu filho que está no Polo Ártico.
Mas não posso fazer isso sem a sua ajuda.
Só posso lhe oferecer perigo e sofrimento.
Aceite o seu lugar na história.
- História? - Pense, capitão.
É uma oportunidade que surge uma vez em cada geração.
O mundo lhe conhecerá não só como o primeiro a voar sobre o Ártico...
mas como o primeiro homem a explorar o Pólo Norte!
Hoje fazemos história!
Deveria haver bandeira, música, um discurso do presidente.
E o que temos? Duas crianças e um bando de cabritos.
Não se preocupe, capitão. Quando voltarmos para a França...
a comemoração baterá todos os recordes.
- Estamos prontos para zarpar. - Muito bem, capitão. Vamos.
Silêncio! Ninguém falará.
Contato!
Bem, estamos a caminho.
Um dia glorioso, senhores. Levantamos com o sol.
Parabéns, capitão. Será uma manhã inesquecível.
Alguma coisa no baú de comidas me mordeu.
Esse não é o baú de comidas. É o boudoir de Josephine.
É um cachorro!
Mas é claro. E dos melhores. Francês.
Não me interessa a nacionalidade dele.
- Quem o trouxe a bordo? - Ninguém.
Ela mora aqui desde que começamos a montar a nave.
Não estou administrando um canil voador.
- Livre-se dele. - Muito bem.
Se é o que deseja, monsieur.
Mas levará tempo, é claro.
O sol aqueceu o gás.
Devemos esperar até de noite para voltar ao hangar...
depois traremos a tripulação de terra.
Esperar até de noite?
Seriam 1 2 horas. Não posso perder tempo.
Tem toda razão, Sr. Anthony.
Parabéns,Josephine.
- Será a mascote da nossa nave. - Muito bem.
Mas não gosto de cachorros pequenos.
A Britannia pode governar as ondas...
mas os dirigíveis franceses dominam o céu.
Já voamos triunfantes pelo litoral do seu país.
Chovendo, como sempre. Que distância já viajamos?
- Uns 2 40 km. - 2 40?
Em seis horas?
É isso que chama de ''voando triunfantes''?
Em dois dias iremos mais rápido, mas agora só a meia potência.
E para quê?
Motores novos devem ser amaciados.
Bobagem! Quero velocidade total.
Assuma os controles.
Se quer velocidade total é responsabilidade sua, não minha!
O que diz agora, Sr. Anthony?
Digo que quero velocidade total.
E eu a terei.
Seu desejo é uma ordem.
A culpa será sua.
- O que está acontecendo? - Alguma coisa com a hélice.
Segui suas ordens, e veja o resultado!
Agora voltaremos à França para reparos.
Não voltaremos!
Continuaremos com uma hélice.
Com os ventos do Ártico? Seria loucura.
Sem potência total, minha nave não aguentaria.
- Eu me recuso a continuar! - E eu me recuso a voltar.
Senhores, temos de ir a algum lugar.
Capitão, teria uma hélice extra?
- Naturalmente. - Por que não a trocamos agora?
Estando no ar?
- Impossível! - Nada é impossível.
Esplêndida idéia, Ivarsson. Venha. Ajude aqui.
Senhores!
Lembrem-se que quem comanda aqui sou eu.
Somente um idiota tentaria tal coisa.
Eu mesmo farei isso.
Tenha cuidado. Não assuma riscos desnecessários.
Tenha muito cuidado. O vento está aumentando.
Vamos puxá-lo para cima.
Muito bem, capitão. Meus parabéns.
Obrigado, Sr. Anthony. É uma honra.
O que ele aprontará agora?
Marcel, tente acionar.
Contato, mon capitaine.
- Homem corajoso, Brieux. - O homem é incrível.
Corajoso, mas doido de tudo.
- Almiscareiros. - É verdade?
- O que estão fazendo? - Formando um anel de defesa.
Pensam que estamos atacando.
GROENLÂNDIA
Capitão, é necessário voarmos tão baixo?
É mais fácil controlar a nave nesta altitude.
Não precisa alarmar-se, Sr. Anthony. Olhe.
Tenho total controle.
Já provou seu ponto. Não precisa exagerar.
FORTE CONGER
Peguem as cordas.
Não entendo por que Donald levou somente um esquimó com ele.
Porque só conseguiu convencer um.
Sabiam o que ele estava procurando.
A ilha mística onde as baleias vão para morrer.
O mito de um pode ser o Evangelho de outro, Sr. Ivarsson.
E os esquimós acreditam que ela existe.
Morrem de medo dela. Dizem que é guardada por espíritos do mal.
E o esquimó que foi com ele?
O nome dele é Oomiak.
Ele é chamado de ''destemido''...
embora ele não parecesse destemido quando voltou.
- Ele voltou? - Ah, sim.
Na verdade, é ele ali...
mostrando ao capitão como voar.
Mande chamá-lo. Traga-o aqui.
Não conseguirá tirar nada dele, senhor.
Chame-o agora. Não discuta.
Muito bem, senhor.
Qualquer homem que parte com meu filho e volta sozinho...
Farei com que ele fale.
Melhor deixar isso comigo.
Nunca lidou com esquimós.
Têm uma diplomacia que é toda deles.
Dane-se, Ivarsson. Pensa que não tenho tato?
Venha cá, Oomiak.
Aí está você.
Quero um relato exato de tudo que aconteceu...
- Esse é o grande Oomiak. - Quem conhece Oomiak?
Sua fama se espalhou longe.
Que fama? Nem meus cachorros me conhecem.
Você foi o guia do meu filho. O que aconteceu a ele?
Este é o pai de Donald Ross.
- Queremos saber de sua... - Diga-nos o que aconteceu...
quando saiu daqui para procurar a ilha.
- Ilha. - Não se faça de bobo comigo.
Oomiak, acho que já viu isso antes.
É o lugar onde as baleias vão para morrer.
É a ilha que Donald estava procurando.
Bem? Fale logo.
Minha cabeça se esquece.
O destemido tem medo de nos ajudar?
Viajamos muitos dias. Espíritos do mal nos acompanhavam.
Quando encontramos a ilha, fizeram grande tempestade.
E nos atacaram.
Lutei como urso.
Lutei como urso, mas espíritos do mal fortes demais.
Você fugiu e deixou o meu filho?
Não! Nós dois corremos. Cegos pela neve.
Quando a tempestade parou, busquei durante horas.
Nada de Donald. Eu digo a verdade.
Você, pai de Donald.
Eu, amigo de Donald.
- Ele inventou tudo. - Talvez.
Mas é nossa única chance.
Ao menos pode nos mostrar onde se perdeu de Donald.
Começamos nossa busca dali.
Talvez ele fosse conosco.
Ah, não, senhor. Não iria.
Nada nesta terra o faria voltar lá.
Nada nesta terra?
Por que não traz um deles a bordo? Assim contaria aos outros.
Deixe um subir...
Que tal ele? Tem nos ajudado muito.
Gostaria de ver o interior da nave?
- Eu? Gostaria. - Bom rapaz.
Ajude-o, capitão. Por que não mostra tudo para ele?
- Talvez ele nos ajude. - Podemos tentar.
Capitão, uma palavrinha.
Capitão?
Não, monsieur. É impossível.
Não há lugar, estamos sobrecarregados.
Podemos deixar o mecânico e pegá-lo na volta.
Quer que eu voe sem um mecânico?
Mas tem a mim. Diga-me o que fazer.
Posso lhe dizer o que fazer, mas você não faria.
Estamos prontos para partir. É melho descer.
Soltem as cordas.
Espere. Oomiak ainda está a bordo.
Ele é o único que sabe para onde Donald foi.
Nós o traremos de volta...
depois que nos ajudar a achá-lo.
Sr. Anthony,já que não tenho mais um mecânico...
posso sugerir que primeiro feche a porta...
depois vá recolher as cordas de aterrissagem.
Sim, capitão.
Estamos aqui. Não sei o tamanho exato da ilha.
O mapa do esquimó é um tanto vago.
Está arriscando muita coisa por um pedaço de osso.
Ele também não nos ajuda muito.
Queria que ele ajudasse?
- Sr. Anthony! - Sim?
Suba aqui, por favor! É muito importante.
O que é?
Olhe ali.
- Baleias. - Baleias brancas. Beluga.
Nativas do Ártico.
Agora olhe ali.
Aquela ali é bastante diferente.
A baleia-cinza californiana. Só se encontra no Pacífico.
Um narval, o unicórnio-do-mar.
É uma raridade, Sr. Anthony.
Minha nossa! Há baleias por toda parte!
Todas as espécies.
E todas indo na mesma direção.
Exatamente.
Então as baleias vão a um lugar para morrer.
Capitão! Por este canal de água adiante.
Siga-o!
Se estivéssemos no caminho certo já teríamos visto alguma coisa.
Olhe. Lembre-se do registro.
''Uma nuvem densa, como que deitada sobre o gelo.''
É onde está a ilha?
Caminho errado!
Ilha não está ali! Ilha lá para trás!
- Ele disse o que queríamos saber. - Sim.
Continue firme, capitão.
Olhe!
''Escondida debaixo da nuvem, uma ilha.''
Capitão! O que aconteceu?
Capitão!
Por que estamos parando?
Não é seguro prosseguir com essa nuvem.
Não é seguro? Como assim?
Não enxergo nada para navegar. E os ventos estão fortes.
Meu dirigível pode bater contra penhascos.
Não podemos voltar agora.
Não precisamos. Podemos seguir a pé.
Grande idéia!
Leve-nos até o gelo, capitão.
- Vou preparar tudo. - Não pode abandonar a nave.
Professor! Sabe bem dos perigos.
Mesmo que sobrevivermos ao frio, ainda temos os penhascos.
- Não há como subi-los. - Devemos tentar, capitão.
Eu sei que é um risco, capitão.
Mas a vida do meu filho corre perigo. Eu não tenho escolha.
Não, Sr. Anthony. Eu que não tenho escolha.
Não sou um homem de pedra.
Ás vezes, o coração deve se sobrepor à cabeça.
Enfrentaremos a nuvem!
- Podemos voar acima dela? - Impossível!
- Nossa carga é pesada demais. - Logo será aliviada.
Depressa! Estamos perdendo altitude!
- Você está bem? - Sim.
Não consigo me esquecer do capitão. Coitado.
- Quanto tempo ficaremos assim? - Não sobreviveremos aqui.
Devemos continuar andando até encontrarmos abrigo.
Deve haver cavernas nas montanhas.
Aqui é como o lugar que você e Donald vieram?
Disse, pai Donald.
Não vimos nada na tempestade.
- Depois os espíritos... - E você lutou como urso.
Sim, você disse isso.
- Alguém está vendo. - Onde?
Eu não vejo. Eu sinto.
Besteira!
Algo se moveu!
- Viu alguma coisa? - Acho que não.
Nem eu.
Mesmo assim, devemos seguir naquela direção.
Muito bem.
Para quem não sabe para que lado ir, qualquer um serve.
É incrível. Eu não acredito.
Verde e fértil em todo esse...
gelo e neve.
Ali está a explicação. A ilha deve ser vulcânica.
O calor sobe através das fissuras no chão.
Devem ser termas, exatamente como partes da Islândia.
Há casas ali.
- Parece um vilarejo. - Há pessoas lá.
Então Donald pode estar lá.
O espírito! Espírito!
Esperem aí!
Esperem! Somos amigos.
Entende o idioma deles?
É nórdico. O nórdico antigo das sagas.
As armas, as roupas, toda a aparência deles.
- São vikings. - Vikings?
Pensam que somos invasores. Que viemos tomar a terra deles.
- Nós três? - Pensam que somos os primeiros...
e que milhares mais nos seguirão.
Que ridículo. Fale com eles. Explique por que estamos aqui.
Tentarei. Mas nunca falei nórdico antigo. Eu apenas leio.
- Donald? - É isso!
Donald Ross. Onde ele está?
Diga que sou o pai dele.
- Que foi? Que está acontecendo? - Ele me entendeu.
Mas agora foi soar o alarme, chamar todo o povo.
Devemos ser vigiados de perto e acompanhá-los.
Isso não é bom. Se pensam que somos invasores...
então Donald deve ter ficado preso todos esses meses.
Pergunte onde ele está. Oomiak! Não!
Idiota. Poderia ter matado todos nós.
Mas ele luta como um urso.
- Disse que ela salvou a vida dele. - Ainda bem.
Diga que não quero que nada aconteça com Oomiak.
Obrigado.
Ele diz que seu filho está aqui e está bem.
Vive em uma fazenda com a família do homem que o encontrou...
depois da grande tempestade.
Eu sabia. Eu sabia que ele estava bem.
- O que está acontecendo? - Vamos parar para comer.
Acabo de falar com nosso amigo.
Descobri porque entram em pânico com invasores.
Ah, é. Por quê?
Esse povo está aqui há séculos.
São descendentes das primeiras expedições vikings.
- Descobrimos uma colônia perdida. - Isto é surpreendente.
Ficaram aqui tão isolados...
que agora acreditam que todo o resto do mundo...
é um campo congelado de gelo e neve.
Que estranho.
Nenhum deles jamais saiu da ilha?
Não têm motivo para isso.
Chamam de a Ilha Astragard...
e acreditam ser o jardim dos deuses...
perfeito e único, em um mundo isolado...
e reservado só para eles, para sempre.
- Por que têm medo de invasores? - Porque têm uma profecia.
Haverá um dia em que os bárbaros do gelo e da neve...
tentarão conquistar o paraíso deles.
Então, isso explica.
Acham que somos os selvagens que vieram destruí-los.
Pode ser complicado.
Assim que eu falar com o líder deles, explicarei tudo.
Renas. Provavelmente usadas como gado.
Esta é a casa onde Donald está morando.
Donald está aqui? Ora, vamos!
Alto!
Meu filho! Não o vejo há dois anos.
Diga a eles, Ivarsson.
Irei com eles, mas não sem ver o meu filho.
Obrigado, meu rapaz. É muito gentil.
Não estão feliz em nos ver.
- O caçador deve tê-los avisado. - Não vejo Donald com eles.
Obrigado, senhor.
Donald. Donald Ross.
Onde ele está? Pode nos dizer?
Pergunte a ele sobre o Donald.
Verdade que você é pai do Donald?
- Nossa! Você fala inglês. - Donald me ensinou.
Ele mora conosco desde que chegou. Este é o meu pai.
Fico grato por ter cuidado de meu filho.
Onde ele está agora?
Ele quer que entremos na casa. Não podemos conversar aqui fora.
Muito bem. Obrigado.
Levaram o Donald? Quem o levou?
Os homens de Godi. Vieram armados.
Godi é o alto sacerdote deles.
Foi por causa do caçador.
Ele desceu a montanha correndo e gritando sobre os invasores.
- Foi aquele homem a cavalo. - Sim.
Quando Godi ouviu, ele soou o corno.
O corno é a chamada deles à guerra.
Guerra? Que Guerra? O que tem a ver com Donald?
Quando falaram que um dos invasores era pai de Donald...
Godi disse que Donald era um espião...
que veio aqui para nos entregar ao inimigo.
Não é possível que acreditam nisso.
Nós não, porque conhecemos o Donald.
Mas muitos acreditam nisso...
porque viram um aviso no céu.
Aviso?
Um monstro, como uma baleia. Mas muito maior.
Ah, querida. Isso é fácil de explicar.
As pessoas viram o meu dirigível.
Sabe, é como...
É como um de seus barcos, só que navega no ar.
Se eu pudesse falar com Godi, eu explicaria tudo.
Seremos levados diante do conselho, no templo.
Erik é membro. Terá sua chance para falar.
Aquela moça fala inglês melhor que Oomiak.
E também é mais bonita.
Se ela aprendeu com Donald...
devem ter passado muito tempo juntos.
- Não pode culpá-lo por isso. - Não posso, não.
Este é o sonho de todo arqueólogo.
Voltar na história...
e caminhar sobre a Terra, como era dez séculos atrás.
Sugiro que se esqueça do passado e comece a pensar no futuro...
o qual, avaliando a situação, não parece muito promissor.
As roupas que usam, as armas que carregam.
Todos seriam uma peça de museu.
É disso que eu não gosto. Dessas peças de museu.
Olhe só!
Um barco viking, exatamente como eram centenas de anos atrás.
Nada disso. Parem.
Pobre coitado.
É tudo culpa minha.
O templo. É lá que encontraremos o conselho.
Ótimo. É sempre melhor falar direto com o chefe.
Odin, Thor e Frey.
Os maiores deuses vikings.
Espero que estejam do nosso lado.
Talvez precisemos de muita ajuda.
O Conselho Viking, como nos livros de história.
É o pai da moça. Ele parece ser uma pessoa sensata.
Talvez ainda chamem aquele com o cajado de guardador da lei.
Todos eles parecem razoáveis.
Poderiam ser a minha junta de diretores...
não fossem as roupas extravagantes.
Ele disse: ''Tragam o outro prisioneiro''.
- Donald! - Pai!
É o meu filho!
Ando procurando você!
Achei que andaria.
- Ele é meu. John Ivarsson. - Donald.
- Como vai? - Ele é o rei do passado.
Arqueologia.
Desculpe tudo isso. É um tanto complicado.
Donald Ross.
Ele diz que quando cheguei a essa ilha...
eu jurei que vim sozinho e em paz.
Agora, outros chegaram e com eles...
um aviso ruim no céu que não pode ser ignorado.
É o meu dirigível.
Que falem os prisioneiros, antes de serem julgados.
- Exatamente o que eu queria fazer. - Pai...
Deixe comigo. Traduza para mim.
- Qual o nome desta ilha? - Astragard. Mas, pai, é...
Honorável Conselho de Astragard...
Vim ao seu lindo país como amigo...
em paz...
buscando apenas o meu filho, que estava perdido.
O Godi.
Está dizendo para não ouvirem nossas mentiras.
É óbvio que somos bárbaros que cobiçam a terra sagrada deles.
E devemos ser condenados imediatamente, sem julgamento.
Mas já expliquei...
Não é mais questão para o Conselho, pois os deuses falaram.
Se estes homens não morrerem, outros virão...
em hordas armadas...
para saquear e profanar nossa terra sagrada.
Só existe uma punição para os invasores:
a morte.
Que grande despedida.
Com todas as honras vikings.
Tudo muito autêntico.
E bastante final.
- Sinto muito, pai. - Bobagem, meu filho.
Devemos uma a você, minha jovem.
Lá vêm eles!
Remem!
A praia! É nossa única chance.
Fiquem aqui. Vou espantá-los.
- Não, é perigoso demais. - Ele tem razão.
Estão atrás de vocês, não de mim.
Há uma caverna do caçador ali...
com comida e roupas.
Voltarei quando for seguro.
Lá vêm eles.
Acho que ela conseguiu. Boa moça.
Não deveria tê-la deixado. Se a pegarem...
Não se preocupe, meu filho. Ela sabe o que está fazendo.
Vamos encontrar essa caverna.
Olá!
Meu querido e velho amigo! Que prazer vê-lo.
- Todos nós. - Pensei que tivesse morrido.
Não se pode matar Oomiak.
Eu me escondo na água e nado longe, como urso.
Ótimo! Mas agora vamos.
- Eu vigio agora. - Ainda não há nada.
Ivarsson está lá em cima, vasculhando?
Bom-dia, pai.
Bom-dia!
- Dormiu bem? - Pessimamente.
Você também deve estar cansado.
Estou preocupado com Freyja.
Eu também, meu filho.
Eu também.
Bem, eu estraguei tudo, não é?
Tudo o quê, pai?
Toda esta confusão.
Tudo isso, o pesadelo que estamos vivendo.
É tudo culpa minha. Tudo.
Culpa sua? Por quê?
Se existe um culpado sou eu que saí atrás de meus arco-íris.
Você não é responsável por isso.
Sou. Desde o começo.
Sempre quis moldá-lo...
do meu jeito.
Provocando, brigando...
sem dar uma folga.
Se eu não o tivesse afastado de casa, isso não teria acontecido.
Pai, você não me afastou.
Atravessei o mundo voando para lhe dizer isto.
Se sairmos desta...
você pode fazer o que quiser.
Estará livre de mim. Eu prometo.
Mas não quero ficar livre de você. Nunca quis.
Vim aqui em busca de aventura.
E certamente encontrei.
Mas meu lugar não é aqui.
Quando sairmos daqui... E nós sairemos...
irei para casa com você.
Quero compartilhar de seu trabalho e suas responsabilidades...
se você me deixar.
Se eu deixar?
Você não se arrependerá.
Eu me certificarei disso.
Ele estava muito preocupado com você.
Eu voltei para a fazenda.
Será como combinamos. Papai nos dará o cachorro e um trenó.
O que combinaram?
Freyja e eu, há tempos, planejamos sair da ilha.
Se conseguirmos, tentaremos chegar em Forte Conger.
Vocês dois juntos?
Acha que eu a deixaria para trás?
Não se fosse filho de seu pai.
Olá! Os barcos! Eles vêm!
O que faremos agora?
Acho que podemos chegar ao topo sem sermos vistos.
Está resolvido.
Não podemos ficar aqui. Os cachorros nos encontrarão logo.
Olhe, o Godi está conosco.
Caçador insaciável. Vamos, pessoal.
Vamos subir.
Eles vão. Eles vão!
Nós conseguimos. Eles finalmente desistiram.
Graças a Deus.
Cuidado, pai!
Descuido meu. Agora os lobos virão atrás de nós novamente.
Acho que sim, pai.
É incrível. Totalmente incrível.
- Que lugar arrepiante. - Oomiak, olhe lá embaixo.
- Precisamos nos esconder. - Mas onde?
- Conhecem a ilha todo. - A Baía das Baleias!
Fica ao sul. É sagrado. É um tabu.
- Os vikings não se aproximariam. - Então vamos!
Não, Donald, por favor.
- Os espíritos. - O que foi?
Os espíritos são bons.
Não protegeram seu povo logo que chegaram?
Certamente nos protegerão.
Eles vêm! Nós vamos!
Freyja, confie em mim.
Vamos subir.
Estranho, dizem que esse enxofre é bom para os pulmões.
Sr. Anthony, não é hora de descansar.
Espero encontrarmos logo essa Baía das Baleias.
Vamos!
Meu pai!
Pai!
Uma hora ardendo, congelando na outra.
O homem pode morrer aqui.
Esta é a parte interessante do Ártico...
suas contradições.
Em minha primeira expedição a Baffin Land...
Ivarsson, por favor. Parem!
Nós precisamos de uma conferência.
Conferência? Sobre o quê?
Bem, se encontrarmos a Baía das Baleias...
e se for verdade que Godi não nos seguirá até lá...
o que fazemos então?
Nos escondemos um tempo...
tentamos atravessar as montanhas até a fazenda de Freyja.
Não podemos voltar naquele inferno.
Encontraremos o barco de gelo. Flutuamos.
- Muito bom. - Barco?
Do que ele está falando?
Encontrar uma placa de gelo e flutuar ao redor da montanha.
É impossível!
É onde as baleias vão para morrer.
Todas as grandes criaturas de todos os mares...
lá dormentes desde o início dos tempos.
Olhe todos aqueles ossos de baleias...
valendo milhões de libras.
Imagine o preço que custaria um âmbar gris.
Mas isso agora não importa, não é, pai?
Não tenha medo. Pense na saga.
Não diz que há muito tempo foram as baleias...
que guiaram o seu povo até aqui? Onde encontraram paz e felicidade?
Não há o que temer.
Acredite.
Precisamos de barco de gelo. Como descemos?
Como? Não por esses penhascos, obviamente.
Deve haver um jeito. Os vikings desceram.
Freyja, não está na saga? Diz como subiram o mar?
Com a ajuda dos deuses.
Dizem que eles atravessaram a boca do inferno.
Isto não explica direito.
Espere um pouco.
O vulcão na Islândia, Monte Hekla.
Os cristãos acreditavam que era a entrada do inferno.
O quê?
Entrada. É uma idéia maluca.
Vamos!
- A cratera de um vulcão morto! - Quieto!
Ouviram? Lá embaixo há um rio subterrâneo.
O rio deve desembocar no mar.
Deve haver uma passagem do fundo da cratera até a baía!
Vamos!
Olhem! A água está saindo. Vamos.
- Para onde? - Para onde for a água.
- Todos bem? - Olhem!
Não se preocupe. Eu sempre caço focas assim.
Não estou preocupado com isso. E sim com eles.
Eles nunca desistem?
Não entendo por que os arqueiros não atiram em nós.
Eles não precisam.
Estão esperando para nos ver morrer.
A saga diz que a baía é protegida por monstros marinhos.
Não podemos escapar.
- Baleia assassina. - O que fazemos agora?
Tudo que pudermos.
Aí vem outra.
Segurem-se.
- O que aconteceu? - Olá!
O Hyperion.!
Louvado sejam os céus! Nosso velho amigo, o capitão!
Parabéns, capitão. A comida é ótima.
E tem uma pontaria excelente. Salvou nossas vidas.
- Obrigado. - Um prazer inesperado.
Desde que aterrissei dois dias atrás, tenho tentado me salvar.
Mas sair daqui será um grande problema. Não é, capitão?
Tenho a solução.
Minha nave pode estar judiada e quebrada...
mas a mente que a construiu ainda funciona.
Como vêem, perdeu muito gás...
mas ainda consegue manter... a flutuação?
Se reduzirmos bastante o peso...
então ela subirá.
E como reduziria o peso?
Deixando os motores.
As hélices estão quebradas mesmo. A gôndola também.
Tiramos tudo que seja pesado.
E o que teremos? Um balão livre.
- Minha nossa! - Nos levaria até a baía.
- Se chegarmos à placa de gelo... - Iremos além disso.
Os ventos vão para o sul.
Se permanecerem assim, chegaremos à Groenlândia.
Chegando no litoral, descemos...
e vamos a pé até a habitação mais próxima.
Capitão Brieux é um homem impressionante.
Sempre achei isso.
Não estão exagerando?
Não é hora de cerimônias. Vamos andando.
Por favor, Sr. Anthony. Este momento deve ser saboreado.
Outra vez estamos no limiar de uma grande aventura.
Á minha Hyperion.!
Que ela se levante...
como uma fênix das cinzas do desespero...
e que flutue como a imaginação de um homem...
até a Groenlândia...
e muito além.
Á Hyperion.
- Agora vamos andando? - Claro, monsieur.
Agora mostrarei as concatenações geniais...
que fiz para a nossa partida.
Talvez tenham observado que soltei a gôndola...
e a nave está presa a ela por um cabo.
Assim como os motores e a cauda...
esta seção também está presa à nave por um cabo.
Quando eu soltar esses cabos...
a gôndola, os motores e a cauda se desprendem...
e nós subimos.
Tem certeza?
Você verá.
Agora, senhores, se me ajudarem.
A gôndola.
Os motores e a cauda.
Quando eu disser ''três'', puxem com toda força.
Certo.
- Permissão para prosseguir? - Quê?
Ah, sim. Prossiga.
Muito bem.
Um...
dois...
três!
Bem, Sr. Anthony?
Funcionou perfeitamente!
Mais uma vez, capitão, eu o subestimei.
Acho que vou descansar.
Vou dormir. Não durmo bem desde que saí da Inglaterra.
Sr. Anthony?
Dê uma olhada.
Acampamentos.
Ainda estão esperando por nós.
Pena que iremos desapontá-los.
O que foi?
Ainda está com medo?
Um pouco.
Não deveria estar. Acabou tudo.
Estamos seguros agora.
Eu sei.
Não é isso.
O quê, então?
É o mundo, além das nossas montanhas.
O seu mundo.
O meu mundo não é realmente tão diferente.
É maior e tudo move-se mais rapidamente.
Vivemos seguindo relógios e máquinas...
em vez de marés e estações.
Você se acostumará...
e você será feliz...
porque estará cercada de pessoas que ama...
e que amam você.
Queria que meu pai pudesse estar conosco.
Eu sei.
Mas a casa dele é em Astragard.
O coração dele sempre estará aqui.
Sim.
O meu está com você.
Quando sai o primeiro navio para Groenlândia na primavera?
Geralmente no início de abril.
Então, com sorte, voltaremos à Inglaterra...
em seis semanas.
Eu não contaria com isto.
O vento mudou.
Estamos voltando para a ilha.
Não podemos fazer nada?
Não tenho como comandar o vento.
- Estamos subindo. - A corrente de ar.
- O vento contra os penhascos. - E se chegarmos ao topo?
Desçam! Depressa!
Verdade que os deuses estavam zangados...
mas foi o Godi quem errou...
ao liderar seu povo com o ódio e a violência.
Fico feliz que tenham reconhecido isso.
Os prisioneiros podem partir em paz, com uma condição:
que façam um juramento sagrado...
de nunca revelarem a existência desta ilha sagrada.
Seria justo.
Para garantir que o julgamento seja sempre honrado...
devemos exigir uma coisa.
O quê? O que é?
Que deixe um refém aqui.
O seu filho.
Eu me recuso a continuar com essa conversa.
Como vou deixar você para trás?
- Por que acham que vim aqui? - São exigências deles.
Eu não permitirei.
Sem um refém, ninguém sairá daqui.
- Então serei eu o refém. - Não, Sr. Anthony.
Na verdade,já foi tudo arranjado.
E ficou satisfatório para todos, acho eu.
Tem certeza que é isso que quer?
Tem certeza que quer ficar para trás?
Tenho certeza.
É uma chance que nenhum arqueólogo deve deixar passar...
não só de estudar o passado, mas de revivê-lo.
Está tudo aqui, escondido atrás da névoa há milhares de anos...
e só vi um detalhe.
Além disso, quem disse que ficarei para trás?
A visão do arqueólogo é maior.
Civilizações inteiras já desapareceram.
Talvez chegue um dia em que esse será o último refúgio de um homem.
Boa sorte.
Certo, então!
Vamos!
Adeus, meus amigos!
FIM
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