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Temporada 1 - Episódio 4 CONTROLE
Revisão e Sincronia: Konga
Legalmente, eu não tenho que lhe dizer nada.
- Só tenho que ficar uma hora aqui. - Mais três vezes.
Depois, você assina minha ficha de soltura.
Se eu assinar.
Como assim, se?
Eu acho que você não entende o quanto isto é sério, Neil.
O médico do pronto-socorro disse que você não se permite...
defecar há quase um mês.
Será preciso Imodium e muita força de vontade.
Se não começar a falar comigo, você voltará ao pronto-socorro...
onde o vigiarão por 72 horas.
Ou seja, legalmente, eles podem obrigá-lo a defecar.
Você não pode fazer isso.
Se você romper seu cólon, onde pensa que vai parar?
- Só que eu não posso voltar para lá. - Neil, sente-se.
- Droga. - Vá limpar isso! Limpe isso! Limpe!
- Limpe isso! - Acalme-se, Neil. Respire. Paula!
Olhe para o meu dedo. Olhe para cá e respire.
Você terá um ataque de pânico, Neil. Calma.
Traga uma toalha e um saco de papel, por favor.
Limpe. Limpe. Limpe.
- Limpe. Por favor. Por favor. Por favor. - Olhe para o meu dedo.
Ela está vindo. Dê-me o saco de papel. Respire aqui dentro.
Respire fundo.
- Limpe! Limpe! Limpe! - Ela vai limpar.
Eu estou vendo. A mancha já saiu.
E pode ficar com o saco. Eu já terminei meu almoço.
Está ótimo. Obrigado, Paula.
Sente-se.
Ponha a cabeça entre os joelhos. Agora.
Respire fundo.
Você está bem?
Neil, você tem mania por limpeza...
sem falar no maior problema de controle que eu já vi.
Eu quero que você tome o antidepressivo Lexapro.
É uma droga anti-obsessiva.
Minha hora acabou. Acabou.
Eu farei uma receita. Mande aviá-la aqui embaixo.
Neil, mais três sessões.
Jesus, não deixe Paula falar com o senhor aqui, está bem?
Não gostaria que rezassem por você, se estivesse entupido?
Eu não sei como responder a isso.
A resposta é sim ou não...
porque hesitar é coisa de maricas.
Eu juro por Deus, se você fizer isso, estará perdido...
e dará a vitória ao advogado rival.
Você vai se machucar.
A estrada para a paz interior e a saúde...
é pavimentada com dor e ossos quebrados, meu irmão.
Não é, não.
Não estava preocupado comigo? Olhe para mim, Dr. Phil.
Eu estou concentrado como nunca.
Com mais dois ou três níveis deste Krav Magá, eu terei que me registrar.
Eu terei que registrar meu corpo.
- O que disse? - Significa novamente, em hebraico.
Ouça. Meu depoimento será daqui a dois dias. Nós podemos...
Exato. E nós estamos treinando para ele, ao estilo israelense.
Vou tirar esse sentimentalismo bobo de você...
de qualquer jeito. Vamos lá.
Pergunta número 13.
Você podia ter tirado a arma...
de Sam Johnson antes que ele se matasse?
- Deus! Qual é o seu problema? - A resposta à pergunta é não, Huff.
- Eu disse que não iria mentir. - E eu disse que não lhe pediria isso.
Ele lhe ofereceu a maldita arma?
Então, segundo a lei, você não podia tirar a arma dele...
pois poderia levar um tiro.
Amigo, essas perguntas não podem intimidá-lo.
Você só estava fazendo o seu trabalho.
Já bastou eu ter que ver o rapaz se matando, está bem?
Agora, eu tenho que encarar os pais dele...
e agir como se tivesse sido um dia típico de trabalho?
Os Johnson não estarão no depoimento. E não foi?
- Não foi o quê? - Um dia típico de trabalho?
Responda sim, Huff.
E se você não entender isso, nem Johnnie Cochran como advogado...
ajudaria você.
Vamos tentar novamente.
Vamos, benzinho. Seja uma rocha.
Pergunta 13 e meio.
Você poderia, em algum momento...
ter tirado a arma da mão de Sam Johnson?
Droga. Maldição. Droga!
- Droga. - Você é um retardado.
Você está bem?
Estou. Estou bem.
Bela depilação. Deve ser difícil para as morenas, não é?
- Izzy, o alarme. - Certo.
Eu sei o código. Pode deixar.
Mas você acha aconselhável...
desfilar desse jeito com um adolescente na casa?
- Pelo amor de Deus. - Izzy, ninguém mais aqui...
levanta antes das 7:15.
E nós não temos uma regra para as manhãs?
Bem, só porque vocês dormem até tarde...
eu não preciso passar fome, não é?
- Você tem sua própria cozinha. - Minúscula.
Não é só uma panela elétrica e uma chapa quente.
Byrdie, você já está acordado, e são apenas 6:57.
- Bom dia. - Por que acordou tão cedo?
Vou dar aula particular, lembra? Você permitiu.
Eu me esqueci que começava hoje.
É claro que se esqueceu. Como você poderia lembrar de tudo?
Você cuida da família e planeja festas o dia inteiro.
- Eu não sei como você consegue. - É alguém que conhecemos?
É uma aluna do último ano chamada Gail.
- Pensei que você estivesse no 1 º ano. - Ele é um gênio...
- como o pai. - Veja isso.
A família inteira está de pé, e são só 6:58.
Eu disse a Russell que iria a uma coisa com ele.
Pai, desde quando o tio Russell faz algo...
antes das 9h, a menos que não tenha dormido?
- Que coisa? - Uma aula de autodefesa criada...
pelo exército israelense. Ele acha que será treino para o meu depoimento.
- Você deve estar brincando. - Eu disse que ia.
Ouça. Tenha cuidado, querido. Os judeus podem ser cruéis.
Marilyn Newburger disse a todos...
que eu tinha secura vaginal...
só porque lhe negamos um lugar na excursão.
- Eu falo sério. - Eu me lembrarei disso, mãe.
E tenho certeza de que Byrd jamais se esquecerá.
Até logo.
Até mais tarde.
Tchau, querido. Tenha um bom dia.
Pensei que eles nunca sairiam. Vou pegar meu café.
O que é este aqui, seno ou co-seno?
Seno?
Você entendeu.
Chance de 50 por cento.
Eu não acredito que você só tem 14 anos. Você é muito inteligente.
- Genética. - E simpático.
Ninguém mais daria aulas tão cedo.
Você faz alguma atividade, depois da aula?
Estudo bíblico.
- Todos os dias? - Segundas, quintas e sextas.
Você não é religioso, é?
Só Natal e Páscoa.
Você é um Natáscoa. Bem, é muito divertido.
É como um clube.
Está vendo meu bracelete?
- O-Q-J-F. - O que Jesus faria?
Quer ver algo mais?
Você come com essa coisa?
Meus pais surtaram até eu explicar...
que é meu modo de ficar mais perto de Deus.
Pelo menos não está em seu nariz, ou algo assim.
Isso é nojento.
A palavra seno é feia, não é?
Na verdade, é.
Parece que está faltando alguma letra.
Eu acho que o diabo criou a matemática.
Diante de uma ameaça em potencial, o objetivo é passar...
do estado passivo para o agressivo...
para minimizar os danos a si mesmo. De frente para seus parceiros.
Se for atacado, revide com mais força. Controle a situação. Não deixe...
a situação controlar você. A melhor defesa é uma boa ofensiva. Vamos.
Você entendeu. Agora, vamos ver o que seu amigo sabe fazer.
Enforcamento frontal.
Enforcá-lo?
Exatamente.
Apenas enforque-me. Nada demais.
Acabo de chutar seu rosto com minha bota, desgraçado.
Isto é loucura.
E lembre-se. As partes que mais doem são os olhos e os testículos.
- Acalme-se. - Eu posso lhe fazer perguntas?
Está pronto para a 26? Pergunta número 26.
Você teve relações homossexuais com Sam Johnson em sua sala?
- O quê? - Responda à pergunta!
Você teve relações homossexuais com Sam Johnson em sua sala?
Responda à pergunta!
A resposta é não, cretino.
Isto será muito difícil, mas eu sei que você consegue, está bem?
Isto se chama dessensibilização sistemática.
Significa que faremos isso várias e várias vezes...
até você dominar seu medo.
Por favor, tire-me daqui.
Você sempre teve problemas com fluidos corporais, certo?
- Saliva, urina e fezes. - Deus. Pare. Pare!
Quanto antes você falar comigo, mais rápido sairemos daqui.
É...
nojento. Isto é, tudo que sai é...
Certo. Neil, também é natural.
É parte de ser humano. Isso o mantém limpo...
além de vivo.
Você não quer morrer, quer?
Acalme-se. Acalme-se. Respire.
Muito bem.
Eu quero que você entre aqui e se sente.
- Mas outras pessoas... - Não tire a calça.
Eu ficarei aqui ao lado, se quiser.
- Eu não consigo. - Ouça.
Eu lhe farei uma proposta. Cinco minutos lá dentro...
ou o resto da sessão aqui fora.
Você decide.
- Não consigo ficar uma hora inteira. - É uma decisão muito boa.
Está bem? Vamos. Eu sei que você consegue.
Isso mesmo.
Eu estou logo atrás de você.
Está tudo bem.
Vá em frente e pegue isso. Está bom.
Eu estou bem aqui. Sente-se.
Muito bom. Eu estou olhando meu relógio.
Eu prometo que não vai doer.
Não é tão ruim, certo?
Apenas respire.
O que está acontecendo aí dentro?
Está tudo bem. Eu sou médico. Ele é meu paciente.
Bem, se anda e soa como um pato...
- provavelmente é um... - Estava com um paciente, meu Deus.
Se ele ouviu isso, não é à toa que ele queria entrar.
Dr. Huffstodt, o senhor tem uma esposa que o apóia.
Sra. Huffstodt, a senhora tem um marido pervertido.
Beth, onde está meu blazer azul?
A Mitzi não conseguiu levá-lo à lavanderia. Use o marrom.
Posso perguntar por que nós a pagamos...
se ela não consegue ir à lavanderia a tempo?
Eu tinha 12 dúzias de balões dizendo...
Feliz Aniversário de 500 anos, Marv.
Marv tem 50 anos. Eu tive que mandá-la buscar outros.
- Eu preciso do blazer azul, Beth. - Você fica mais bonito com o marrom.
Azul é sinceridade, e marrom dá azar.
O Russell diz que é importante...
saber o que vestir para depor.
E ele é pago para representar pessoas que não o conhecem?
Psicologicamente, se você parecer inocente...
- tem mais chance... - Querido...
você podia usar uma tanga e um gorro xadrez...
e nada de maI lhe aconteceria, porque você é inocente.
Não sei se isso importa em um tribunal.
Você pode passar na lavanderia a caminho do depoimento.
Ela não estará aberta.
Querido, acalme-se.
- Querida... - Deixe-me adivinhar.
Nada de diversão com líderes de torcida antes do jogo?
Líderes de torcida?
Ei, Mikey.
O que você tem aí?
Eu dei uma coisinha a ele. Ele estava faminto.
- Você deu cereal açucarado para ele? - Ele adora.
Ele está de dieta.
Sua família também está? Você maI os alimenta.
Eu acordei cedo para fazer o café de Byrd...
- Izzy, nós temos uma regra. - Você tem uma regra.
O resto de nós é mais flexível.
É demais pedir para ficar em minha própria casa...
com minha própria família, sem você estar sempre aqui?
Eu pensei que avós faziam parte da família.
Mas, se você quer assim...
Byrd, talvez eu o veja no Natal.
Isto é, se eu for convidada.
Eu preciso dar aula, está bem, mãe?
Não deixe que ela a irrite.
- Acabe com eles, pai. - Vou tentar.
Ei, querido. Você está lindo.
Como um vencedor.
Vencedores não vestem marrom.
Uma hora. Duas, no máximo. Lá está ele.
Ele parece um imbecil.
- Heard. Heard. - É Heard.
Bom dia, Dr. Huffstodt. Tupper.
- Olá, Dick. - Bom dia.
Acho que você está na minha cadeira.
- Estou? - Aí se senta o advogado principal.
É?
Puxa. Onde você quer que eu me sente?
Lembre-se, Huff, respostas de uma palavra.
De preferência sim, não, eu não me lembro.
Só responda da melhor forma que puder, Dr. Huffstodt.
Não se alongue. Palavras curtas.
- Se atacarem, ataque com mais força. - Sr. Tupper, eu posso lembrá-lo...
que o senhor está aqui como advogado secundário?
Espero que nós dois juntos formemos um advogado completo.
Certo, rapazes. Vocês podem pensar em mim, agora?
Bom dia, senhores.
Carl Berkowitz. Esta é minha colega, Kathy Goodman.
- Russell Tupper. - Craig Huffstodt.
Dick Heard.
- Bom dia. - Muito prazer, Kathy.
- Eles não deveriam estar aqui. - Legalmente, eu não podia negar.
Você sabia que eles viriam, e nem nos contou?
- Não posso fazer isso na frente deles. - Foi por isso que eles vieram.
É uma tática barata. Não deixe que isso o intimide, está bem? Sente-se.
Muito bem.
Este é um depoimento no caso Johnson contra Huffstodt.
As acusações são de negligência médica e de homicídio culposo...
de seu filho de 15 anos, Sam...
um menor sob os cuidados do réu, na época do suicídio.
Meu Deus.
Desculpem-me.
Eu estou bem.
Por favor, diga seu nome.
- Craig Huffstodt. - Dr. Craig Huffstodt.
Cuidar de si mesma é muito importante.
Mostra o desejo de sobreviver.
- Não é mesmo, Brenda? - A senhora disse tudo.
Quando está bonita, você se sente bonita.
Meu Deus. Izzy, o que você está fazendo?
Olá, Betty. Nós estamos deixando sua mãe linda.
Você pediu permissão ao médico dela?
Porque ele teria dito não.
Como você vai enxaguar isso?
Comadre e água mineral.
Izzy, eu gostaria...
que você me consultasse, antes. Minha mãe está muito doente...
e ela não precisa de mais emoções.
Viu?
- Por favor, tire isso. - Se lavar agora, o cabelo dela ficará...
laranja como o do Bozo.
É muito bom para ela, não é?
Ela é minha mãe, Izzy, e eu sei o que é melhor para ela.
Quer saber?
Eu vou pagar à Brenda e virei vê-Ia amanhã.
Está bem?
Divirta-se com Betty, agora.
Mãe, você deveria saber que não pode, está bem?
Sim, sou eu. Você remarcou minha conferência por telefone?
É o paciente quem direciona o tema da conversa, na sessão.
Apenas responda à pergunta, doutor.
Fantasias eróticas homossexuais era um tema...
apropriado para discutir a sós com um rapaz de 15 anos?
Só em meu consultório ele se sentia seguro.
A resposta é sim.
O senhor tocou em Sam, fisicamente, durante alguma sessão?
Nunca tocou o braço dele?
No ombro, uma batidinha no joelho?
Qual deles o senhor quer que ele explique primeiro?
O braço, o ombro ou o joelho?
O senhor tocou em Sam fisicamente, durante alguma sessão?
Eu devo ter tocado.
E o senhor incentivou Sam a concretizar...
os pensamentos homossexuais que discutiram?
Eu incentivei Sam a ser sincero consigo mesmo, como faço...
- Apenas responda a pergunta. - Ele está respondendo.
- Estou tentando responder. - Sim ou não. O senhor o incentivou...
- a concretizar esses pensamentos? - Sim, incentivei.
Quantos anos Sam tinha quando o senhor começou a tratá-lo?
- Acho que tinha 13 anos. - Ele lhe disse que era homossexual...
na primeira sessão?
- Isso não foi discutido. - Sim ou não.
Então, Sam virou homossexual...
- sob seus cuidados. - Pelo amor de Deus!
Sam percebeu...
sua orientação sexual durante o tratamento...
no mesmo estágio que a maioria dos garotos dessa idade.
E o senhor o incentivou a explorar esses sentimentos homossexuais.
Eu não o desencorajei. Isso já acontecia muito na casa dele.
E o senhor nunca discutiu os problemas de Sam com os pais.
O senhor decidiu orientá-lo sozinho nessa questão.
Eu nunca tive a chance. Os pais nunca me perguntaram nada...
sobre a vida do filho. Eles só pagavam a conta todos os meses.
Então, o senhor conhecia Sam melhor que seus pais?
Eu conhecia alguns aspectos da vida de Sam mais do que eles.
Então, como profissional experiente que alega ser...
o senhor percebeu que Sam era suicida...
- muito antes de ele... - Sam não era suicida.
Talvez o senhor queira rever seu diagnóstico, doutor.
Com o consentimento de meu estimado colega...
- gostaria de saber por quanto tempo... - Só mais uma pergunta.
Então, vamos logo. Foi um longo dia.
Dr. Huffstodt...
por que não tentou tirar a arma de Sam...
antes que se matasse?
- Dr. Huffstodt? - Eu não tive tempo.
O senhor não teve chance de salvar a vida do rapaz?
Ele está mentindo.
É claro que podia ter pegado a arma. Deus, ele era só uma criança.
- Poderia controlar sua cliente? - Nós pedimos a sua ajuda...
e você o matou. Foi como se você mesmo...
tivesse atirado, seu desgraçado!
Você matou meu filho!
Você!
Se você acha que isso é poderoso aqui, espere até um júri ver.
É nossa vez, amanhã. Vá para casa e descanse.
Nós estamos bem. Você foi ótimo. Sério.
Você foi ótimo.
Tenho certeza de que não foi tão ruim assim.
Querida, a mãe dele tem olhos de laser...
e o pai é completamente passivo-agressivo.
Eu me senti como o Sam. A forma como ele os descrevia...
sentados lá, julgando-o.
O Russell estava certo. Fizeram isso para intimidá-lo.
- Nem me diga. - Pelo menos, sua armadura voltou.
Então, a mãe é uma figura?
Beth, é inacreditável.
O Sam dizia que nem conseguia respirar com ela por perto.
Ele sentia que o ar estava lá somente para ela.
- Inacreditável. - Vamos falar de outra coisa...
antes que eu finja que vou dormir?
Certo, querido.
Embora mães que sufocam...
seja um tema fascinante.
O que foi, agora?
- Esqueça. Eu sinto muito. - O que foi?
É bobagem.
Você não deve achar bobagem, já que mencionou. O que foi?
- É a regra das 8h. - Beth...
Eu sei, eu sei. Mas ela é a primeira pessoa...
a chegar à cozinha, de manhã...
antes de todos nós. Nós não temos privacidade.
Eu nem posso andar nua pela casa...
sem ter meus pêlos púbicos analisados.
- Agora você está exagerando. - Não estou exagerando.
- Ela não faz isso todo dia. - Todo santo dia.
- Ela não faz, por favor. - Sim, ela faz.
Ela deve se sentir solitária e não quer tomar café da manhã sozinha.
Ela devia ter pensado nisso, antes de alienar...
todo mundo.
Eu aposto US$ 5 que ela não fará isso amanhã.
Ela fará isso amanhã.
- Boa noite, querido. - Boa noite.
Droga.
PORTA DA COZINHA
Mas o quê...
- Esse não é o código. - Agora é.
Você me deve US$ 5.
Beth, o que você fez? Uma armadilha para minha mãe?
Oito horas. É tudo que eu peço.
Eu não entendo. Digitei o código como sempre faço.
A Beth o mudou, ontem.
Entendo.
Eu não sou mais bem-vinda em sua casa.
- Mãe... - Ela nunca gostou de mim.
Ela a ama, mãe. Todos nós a amamos.
Então, por que ela faria uma coisa dessas?
Bem, ela exagerou um pouco.
Mas mãe, no fim das contas...
é impossível esperar até as 8h para entrar em casa?
- Parece que é. - Você é tudo que me resta, sabia?
Teddy.
O homem que costumava ser seu pai. A pobre Lois.
Todos eles me deixaram.
- Como está Lois? - Ela é um pepino!
Mas, mesmo naquele estado, ela nunca está sozinha.
A filha dela está sempre a seu lado.
Mãe, você sabe que nós estamos aqui sempre que precisar.
Obrigada, Craig.
- Mas não antes das 8h. - Vocês dois poderiam...
entrar em um acordo a respeito disso?
Melody?
O que você está fazendo aqui? Como me encontrou?
Eu não estava procurando você.
- O que está havendo? - Eles trouxeram uma testemunha...
para falar sobre sua competência como psiquiatra.
Deixe-me esclarecer algo, colega.
Melody Coatar é uma psicótica viciada em remédios...
que seu assistente pode influenciar em 45 segundos.
Houve uma briga entre vocês em uma delegacia...
- que o senhor não me informou. - O incidente é irrelevante, sabe disso.
Ela o atacou fisicamente, e ele se defendeu.
- Ele vive fazendo isso. - Porque você, Dick, não faz.
Calma. Calma.
Os Johnson aceitam um acordo.
Um acordo? Eu pago uma fortuna...
para me livrar disto, embora eu não tenha feito nada de errado.
Não é um mau acordo, considerando as circunstâncias.
Quais circunstâncias? Melody?
É uma psicótica que me atacou, então, eu a dispensei.
US$ 29.999. Se for menos que US$ 30 miI...
sua licença não será suspensa.
Não haverá um gasto maior, se formos a julgamento, e...
Julgamento?
Por que ir a julgamento? Você já o condenou.
Você é um maldito coletor de empresas de seguro.
É minha responsabilidade, como agente da Conesco Seguros...
aceitar qualquer acordo que minimize nossa exposição.
Com licença. Sua exposição?
E quanto à minha exposição? Aceito o acordo, e admito ser responsável...
pela morte de um paciente de 15 anos?
- Tenha dó! - US$ 30 miI não é nada para eles.
Esses acordos acontecem o tempo todo.
Não comigo.
O senhor tem uma testemunha potencialmente hostil.
Se recusar o acordo, não será mais representado por mim...
e a Conesco não será mais responsável pelo senhor.
Para ficar claro, se ele for condenado, vocês aumentam os bônus dele...
e ele fecha o consultório. É isso que vai acontecer.
Você sabe quanto eu paguei a vocês nos últimos 15 anos?
A escolha é sua, doutor. Se continuar e perder...
o risco é seu. Pessoal e profissional.
E, se eu não continuar, perderei mais rápido, certo?
Aliás, quem se importa com certo e errado, certo?
Nós não vamos perder.
Não vamos perder.
Suma daqui, Dick.
- Boa sorte, Dr. Huffstodt. - Vá embora, Dick.
O que eu acabei de fazer?
Você revidou. Não o deixou assumir o controle. Agiu certo.
E usou o terno certo, também. Vamos lá.
- É paciente dele há quanto tempo? - Quase oito anos.
Então, você era adolescente...
quando ele começou a tratá-la.
E sua terapia não progrediu?
Poderia fazer perguntas relevantes, Carl?
Nesse período de oito anos, quando você via o Dr. Huffstodt?
Duas vezes por semana, às vezes mais.
Então, você conhece bem...
- as técnicas dele como psiquiatra? - Muito bem.
Atualmente, você é paciente do Dr. Huffstodt?
- Por que não? - Ele me despediu.
Ele a despediu?
Ele a abandonou, como paciente?
Melody, como você se sentiu?
Com vontade de me matar.
Por causa do que o Dr. Huffstodt fez?
E do que ele disse.
E o que ele disse?
Que, se eu quisesse melhorar, teria que ser responsável...
- por meus atos. - Sem qualquer ajuda dele?
Só que essa era a ajuda.
Ele sabia o que era melhor para mim.
Só ele me fez ver...
o que eu precisava fazer para melhorar.
Eu não seria quem sou hoje se não fosse por ele.
Eu lhe farei uma pergunta, e quero que diga a verdade.
Você dormiu com ela?
Sério?
Lembre-se de que você está sob juramento...
como em um tribunal.
Tudo que eu disse é verdade.
Ele é um médico maravilhoso, e um homem maravilhoso.
Obrigado.
Nós não temos mais perguntas.
Advogado.
Eu acho que esta linda jovem já se estressou muito, hoje.
Obrigado, querida. Nós entraremos em contato.
Melody.
Melody, espere.
Você não pode se livrar de mim, agora.
Você está ignorando minhas ligações...
ou gosta de sentir o celular vibrando?
Ele teve o cólon perfurado no nível reto-sigmóide...
o que já havia provocado sepse. Tive que fazer uma colectomia completa.
Ele terá de defecar em um saquinho pelo resto da vida?
Você não podia ter dado um laxante, na primeira vez?
Não podemos obrigar um paciente a aceitar o tratamento.
É mesmo?
Por isso nós o mandamos para o senhor, para convencê-lo.
- Eu só o vi duas vezes, sabia? - Você devia tê-lo salvado.
Não posso impedir um paciente de se matar, se ele quiser.
O senhor deve ser um péssimo psiquiatra, Dr. Huffstodt.
O que disse?
Que deve ser muito difícil ser psiquiatra, Dr. Huffstodt.
Às vezes.
Ele só chamou pelo senhor.
- Eu não morri. - Eu sei.
- Eu não queria morrer. - Eu não pensei que quisesse.
A médica disse que você me chamou.
Se nós conversarmos, vai ajudar?
Espero que sim.
Eu também.
Paula, o andar inteiro está cheirando maI.
O que é isso? Maconha evangélica?
É sálvia, para afastar as más vibrações.
E para atrair o corpo de bombeiros.
Aquela maluca voltou, agindo como se fosse normal.
Então, eu concluí que ela deve estar possuída.
- Melody esteve aqui? - Ainda está.
- Apague isso, por favor. - Converse com ela primeiro.
Você não devia estar aqui, Melody.
Sua tarde estava livre, então, eu mesma marquei uma hora.
Eu não sei o que você pretendia, hoje.
Ouça.
Eu salvei você, cretino.
- Você está me devendo. - Eu não lhe devo nada, Melody.
Você poderia ter aumentado nossos problemas, hoje. Você me atacou...
você se infiltrou em meus problemas legais...
- Aquela vadia me procurou. - Você foi dispensada...
e isso ainda vale.
Eu me mato.
- Eu juro que me mato... - Quando você vai crescer, Melody?
Ela estava certa. Ela disse que você não se importava.
O filho dela disse que se mataria, e você nem ligou!
- Ele não disse. - Ele disse! Ela falou que ele disse!
Ele disse que ia se matar, logo antes de vir ver você.
Você nem ligou para ela. Por que não tentou salvá-lo?
Espere um pouco. A mãe de Sam lhe disse que sabia que ele era suicida?
Ela confiava em você...
como eu confiava.
Mas você é um mentiroso. É um mentiroso.
Tome. Você parece perturbado.
Engraçado.
Você sabe que agiu certo ao recusar a oferta deles.
Eu posso voltar atrás e aceitá-la amanhã.
E pode contar a Russell o que Melody disse da mãe de Sam.
Ela é maluca. Eu não posso confiar no que ela diz...
e muito menos deixá-la depor.
Se eu perder, nossa principal fonte de renda acabará...
e nós dependeremos de Izzy para comer e morar.
Deus!
Você está com remorso por prendê-la lá em cima, não está?
Não estou.
Quem você quer proteger, afinal?
É você ou ela. Só um de vocês pode vencer, sabia?
O que vai fazer? Vai me expulsar de casa...
se eu não impedir que mamãe venha aqui pela manhã?
Não a sua mãe. A mãe de Sam.
Toda vez que eu olho para ela...
tento odiá-la pelo que ela está fazendo comigo. Mas não consigo.
A questão é que, no fim do dia...
eu encontro o meu filho, e ela não.
Mas você se sente culpado por algo que não é sua culpa.
E é por isso que Izzy lê meu jornal antes de mim.
Vamos deixá-la em paz, por favor?
O marido a deixou depois de 40 anos. Ela está com medo de fazer plástica...
sua melhor amiga está morrendo.
Eu sei que ela é manipuladora, irritante e implacável...
mas nós temos que criar essa regra neste momento?
Está bem. Se não for por mim, faça isso por Mike.
Se ela der mais um cereal açucarado para ele...
ele precisará de um novo trato digestivo.
Eu atendo.
Nós tínhamos aula?
Eu tirei C na prova.
- Isso é bom? - Você está brincando?
Significa que eu sei 50 por cento da matéria.
Na verdade, 75 por cento. Mas você quer entrar?
Por um segundo. Meu pai está esperando no carro.
Ele também ficou feliz com a prova.
Eu queria lhe dar algo pelo trabalho que você teve...
então ele me trouxe.
- Obrigado. - Nós temos toneladas delas.
Marquei uma passagem especial. Ande. Leia.
Em voz alta.
Busquemos para nosso senhor, o rei, uma donzela virgem...
que sirva o rei e tenha cuidado dele...
e durma em seu seio...
para que ele se aqueça.
O que você está fazendo?
Excitando você.
Deus...
- Obrigado pelo C. - De nada.
Sei que a senhora ainda deve estar em estado de choque...
e ninguém aqui está negando a sua dor, Sra. Johnson.
Sam era seu único filho, certo?
E a senhora diria...
que sua família era unida?
- Sim, muito unida. - Então, a senhora...
- e seu marido conheciam bem Sam. - Ela só pode falar por si mesma.
É claro.
Só pode dizer se a senhora conhecia Sam muito bem.
É claro. Ele era meu filho. Eu o adorava.
Então, ele desabafava com a senhora regularmente?
Ele lhe falava das sessões de terapia?
- Às vezes. - Com que freqüência?
- Ocasionalmente. - Uma vez por semana?
Uma vez por mês?
- Talvez. - Então, a senhora acha...
que uma vez por mês é...
desabafar regularmente?
A vida de Sam não se resumia às sessões de terapia.
- É claro que não. Ele jogava tênis. - Ele adorava tênis.
Ele lhe disse por que parou?
Eu sinto muito. A senhora não... Ele não lhe disse que parou?
Sam largou a equipe de tênis.
Não, eu não sabia disso.
Então, a senhora também não deve saber...
da relação física que ele queria ter com um colega da equipe.
Meu filho não era gay.
Ele nunca lhe disse que era gay?
Ele lhe disse.
- Ele disse uma vez. - Só uma vez?
- Uma vez ele disse isso. - No dia em que se matou.
Mas a senhora não acreditou nele.
Eu pensei que o Dr. Huffstodt...
- o mandara dizer aquilo. - Certo. Seu marido acreditou nele?
- Eu... - Ela só pode falar por si mesma.
Perdoe-me.
Seu filho culpou seu marido por seu homossexualismo?
Eu já disse, meu filho não era homossexual.
Ele culpou alguém?
Não se apresse. Deve ser difícil lembrar...
cada detalhe da última conversa...
que a senhora teve...
com seu filho.
A senhora dormia na cama de Sam?
- Claro que não. - Nem uma vez?
Nem quando ele era pequeno, ou...
Talvez quando ele estava doente, ou algo assim.
Qual é a resposta? Sim ou não?
Sim, o quê?
Sim, eu dormi na cama de meu filho quando ele era menor.
E ele mencionou isso, em sua última conversa?
Ora, era nisso que Huffstodt queria que Sam acreditasse.
O que a senhora disse, quando ele admitiu que era gay?
Eu não sei. Eu achei que ele estava confuso.
Que o Dr. Huffstodt o havia confundido.
E o que seu marido disse?
- Eu não me lembro. - Qual foi a atitude dele?
- Ele aceitou? - Isso é especulação, advogado.
Perdoe-me. Deixe-me reformular. Seu marido ficou irritado...
- quando Sam disse que era gay? - Ele ficou um pouco aborrecido.
Ele o ameaçou?
Seu marido não disse a Sam...
que seria melhor ele morrer?
Sam revidou a ameaça de seu marido?
Ele ameaçou a senhora?
Só a si mesmo.
Sam ameaçou a si mesmo?
Sim ou não, Sra. Johnson. Sam ameaçou a si mesmo?
Sam não ameaçou a si mesmo, seu cretino.
Ele nunca disse que ia se matar?
Nunca disse que tiraria a própria vida...
concordando com o pai que seria melhor morrer?
Sra. Johnson, seu filho nunca ameaçou se matar...
antes de ir ao consultório do Dr. Huffstodt, naquele dia?
Ela disse que não. Ela disse que não!
Você devia ter nos contado que ele estava tão doente!
- Nós não acreditamos nele. - Não acreditaram que ele era...
- gay, ou que se suicidaria? - Ele não disse isso, Doris.
Ele disse.
E nós não acreditamos.
Meu Deus.
Como pudemos deixar de acreditar nele? Como?
Sr. Berkowitz, se os Johnson sabiam...
que Sam era suicida...
antes de ir até o Dr. Huffstodt...
e decidiram não fazer nada, como podem acusar meu cliente...
de homicídio culposo?
Estou pensando em processá-los por...
- Nós já entendemos. - Incriminação inconseqüente...
perda de fonte renda...
- Mãe? - Estou ocupada, querido. Já vou.
- Eu abro a sua correspondência? - Desculpe-me, senhora.
A que eu devo essa honra, no meio do dia?
Bem, meu caso foi arquivado.
Achei que gostaria de saber.
Eu sabia que aquele rapaz gay não se matou por sua causa.
Geralmente, são os pais que os deixam assim.
Eu nunca saberei como você escapou disso.
Mãe, eu sinto muito, mas temos que falar do caso das manhãs.
Querido, não peça desculpas pela Beth.
Nós sabemos como ela foi criada.
Eu não vim pedir desculpas, mãe, eu vim reforçar.
- Reforçar o quê? - A regra.
Eu agradeceria se não entrasse em nossa casa antes das 8h.
Eu não acredito.
- Como? - Beth o obrigou a fazer isso.
- Não obrigou, mãe. - Eu sei quando você está blefando.
- Eu sempre soube. - Pode acreditar.
Não é blefe. 8h, por favor.
- Se é isso que você quer. - É isso que eu quero.
Obrigado, mãe.
Eu vi Lois, ontem.
Ela está indo muito bem. Até o cabelo dela estava bonito.
São as pequenas coisas que importam, não são?
Esse é dos grandes.
Parece o que construímos com Donny Ross, lembra?
Seis baralhos.
Eu devia ter batido uma foto. O maldito gato da mamãe...
Eu era alérgico àquele gato.
E ela não se livrou dele.
Boa notícia. Eu fiquei livre, hoje.
Eu também. Duas vezes.
- Eu quis dizer do meu caso. - Eu estava brincando.
Eu sou louco, não retardado.
Acho que nós dois tivemos um dia bom, então.
Eu tive um ataque, no almoço.
Arremessei uma bandeja.
A moça da cantina levou 19 pontos.
Voltei e comecei a fazer isto.
Você precisa parar quando começa a piorar, certo?
Isso mesmo.
Eles me deram um Halcyon, também.
Eu acho que acabei.
Vamos bater uma foto.
Não, é só nosso.
Como aquele com Donny Ross.
Eu terei que fazer outro em breve, de qualquer modo.
Está bem.
Eu fico com as vermelhas, você fica com as azuis.
Azul é minha cor de sorte.
Revisão e Sincronia: Konga
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