All language subtitles for Catherine Breillat - Une vieille maîtresse (2007 The last mistress FrE)

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Original subtitles

UMA VELHA AMANTE

Paris, Fevereiro de 1835

No s�culo de Choderlos de Laclos...

Minha cara...

Voc� decidiu apanhar-me pela...

�nica coisa que me resta, a minha paix�o suprema,

Aquela que fecha a porta a todas as outras,

O pecado capital da gula.

infelizmente...

O �nico pecado que � o ultimo.

Sem duvida!

S�o as del�cias de Capua!

Mas n�o deve, Hannibal, prolongar-se nestas del�cias!

N�o, n�o eu irei a Canossa por voc�. Prometo!

Mais precisamente no n�. 46 da Rua des Carmes, na casa da Senhora Vellini.

� assim que esta esp�cie se chama?

Sim, ela � espanhola.

Nascida em 1799 em M�laga, de modo que... de modo que...

De modo que... ela tem 36 anos.

Entre nos.. � uma boa idade para se livrar da gente.

Ser� que sua melhor amiga, a Marquesa de Flers, ficou maluca?

O que � que este Marigny lhe fez?

Ele � muito bom entre as mulheres, ao contr�rio do jogo...

- Eu sei, eu sei... - E ela oferece seu titulo,

por ele se casar sua neta? A flor da aristocracia francesa. � o c�mulo.

Ela que sempre foi esperta, desta vez perdeu totalmente o sentido!

Se ela o ama tanto, porque n�o casa com ele!

O que voc� est� inventando?

� o que se diz por a�, minha cara amiga!

Estamos chegando ao n�mero 46 da Rua des Carmes!

Informarei a Senhora sobre o pr�ximo casamento,

da senhorita de Polastron,

com o seu amado Marigny, e espero provocar um esc�ndalo.

Se ao menos servisse para acabar com esse casamento,

voc� estaria dando o maior prazer que j� tive na vida.

Ingrata!

- Senhor de Prony! - Em pessoa.

Como tem se comportado, minha querida?

- A Senhora tem visitas esta noite? - Sim, senhor.

Fico com a bengala, preciso dela.

O senhor de Prony, minha senhora.

Bem... Como estamos, deusa do capricho?

Voc� � t�o caprichoso quanto eu, meu caro visconde.

Voc� vinha me visitar antigamente, vinha muitas vezes.

Parecia me querer bem. E basta...!

E um belo dia, voc� desapareceu sem dar qualquer explica��o.

Eu estava bebendo �gua, minha pequena. De modo que...

Bebendo �gua durante dois anos?

Esta brincando comigo, visconde!

De qualquer maneira a sua gota n�o melhorou!

O tempo n�o nos rejuvenesce, minha cara!

Voc� continua a ver o senhor de Marigny?

Com certeza.

Mas... H� muito tempo que ele veio visit�-la?

Ele vem quando quer, ele � livre.

Quem se v� todos os dias ap�s dez anos?

Dez anos que n�o foram de uma fidelidade perfeita.

Nem eu nem ele fomos fi�is.

A nossa rela��o foi incomum.

Com mais �dio do que amor.

Ainda bem!

N�o gostaria de v�-la infeliz.

Voc� est� sabendo do casamento do senhor de Marigny?

N�o se preocupe, toda mulher que ele teve,

no seu mundo ou no meu, sempre me contaram,

Duas vezes ao inv�s de uma!

Ele voltara para mim, como habitual!

Hoje � mais do que uma rela��o, trata-se de um casamento.

Bem.. se voc� insiste,

� uma rela��o e um casamento,

mas n�o � o fim.

O fim...

na liga��o que existe entre Marigny e eu,

n�o h�, senhor De Prony!

Voc� � infiel esta noite, a sua bela noiva, senhor de Marigny?

Voc� n�o est� na casa da Marquesa de Flers?

N�o senhor. Nem voc� na casa da condessa de Artelles.

N�o, mas jantei l�!

O que voc� tem?

N�o � nada...

Olha como mente.

Me deixa, Ryno!

- Me deixa... - Fora de quest�o!

Porque deseja escapar me mim?

O que � que a v�bora do Visconde veio lhe dizer para ficar assim?

Nada que eu j� n�o soubesse.

Ele parecia t�o satisfeito s� por me contar.

Est� se magoando.

D� muita import�ncia as pessoas e no que elas falam.

O que sabem de voc� e de mim?

O que compreendem?

Nada...

� exatamente, eles n�o compreendem nada...

Ele n�o vem mais, j� passa da meia-noite.

- Talvez ele venha ainda. - E quando ele vier?

N�o quero que te encontre aqui, ele percebeu que era esperado.

Estar�amos bem adiantadas!

N�o devemos dar satisfa��o aos homens desta maneira,

O amor, o mais sincero, n�o � isento de vaidade.

A sua av� tem raz�o.

Pior para ele! Vai dormir em calma,

e amanh� mostra-lhe a sua frieza.

Finge sobretudo, que n�o est� interessada nele.

Agora que ela foi embora, posso predizer-lhe,

que ela ser� incapaz do mais simples estratagema!

Ela o ama tanto que d� medo.

O que h� de assustador, em amar o homem

com quem se casar� dentro de uma semana.

Nos somos velhas por uma raz�o, minha cara.

Voc� sabe t�o bem quanto eu que nunca devemos dar a um homem,

a certeza da conquista.

Mesmo as jovens e as suas m�es se deixam conquistar,

� a lei da esp�cie.

Nunca nos tornar�amos m�e se tiv�ssemos lucidez.

Mas... que as av�s...

n�o conseguem ficar livres desta lament�vel com�dia da sedu��o...

Isso � porque sou mais jovem do que a minha idade aparenta.

Fui seduzida e hipnotizada da mesma maneira,

e sou feliz por isso, minha cara Condessa,

que todos os seus press�gios de desgra�a n�o tem o menor poder...

de abalar o meu otimismo.

O que est� dizendo � grave!

Ele virou sua cabe�a mais do que da sua neta.

Pois n�o! Tome mais uma x�cara, para se animar.

Voc� n�o tem remorsos, na v�spera deste casamento,

de casar a sua neta com um cavalheiro sem t�tulos,

um aventureiro sem dinheiro.

Hermangarde � rica o bastante!

Um libertino not�rio, que n�o teve escr�pulos

-...em comprometer as suas conquistas. - Nos somos do tempo de Laclos, que diabos.

Pertencemos a uma �poca que estas coisas eram perdoadas facilmente!

As pessoas jovens que conhecemos, e gost�vamos,

faziam pior que os jovens de hoje,

e isso n�o nos tornou mulheres solteiras.

Nossas m�es tiverem a coragem de nos casar com estes sujeitos horr�veis,

e tivemos a felicidade de n�o sermos muito infelizes.

Fale por si, voc� tinha enfeiti�ado o Marqu�s de Flers!

Hermangarde � muito mais bonita que eu. Ela far� a mesma coisa.

Ela n�o tem a sua estrat�gia!

No amor o primeiro a sofrer, j� perdeu.

- Ela j� est� apanhada. - Hermangarde � o que eu tenho de mais valioso no mundo.

Voc� pensa que vou deix�-la navegar sozinha neste oceano de trai��o,

que � o cora��o dos homens? N�o!

Este casamento ser� a minha obra-prima.

A vossa obra-prima! Voc� esta mais maluca do que se diz por a�.

Adeus, minha amiga!

E onde � que ele se encontra esta noite?

Ele tem uma amante, cara Marquesa.

E isso j� faz dez anos.

S� havia voc� e eu que o ignor�vamos. At� hoje.

Eu te odeio!

Voc� voltar� para mim, Ryno!

Digo isso com um sentimento de felicidade, um sentimento de orgulho.

N�o tem nada a ver com ci�mes.

Humilhar� o cora��o da mo�a com quem casar� e voltar� para mim.

Nunca amei ningu�m como ela.

Nem mesmo a voc�, Vellini!

Os sentimentos que faziam meu cora��o ferver h� vinte anos atr�s,

ela os fez renascer num cora��o de trinta anos.

Velho e gasto.

N�o se trai uma pessoa que se ama com outra que j� n�o ama.

Acredita nisso?

Eu avisei que era a minha noite de despedida.

Ent�o, adeus!

Apesar de tudo, espero que seja verdade...

Oliva, Oliva! Acompanhe o senhor de Marigny!

O senhor de Cerisy est� a espera h� duas horas na biblioteca.

Ele que espere! Ou que se v� embora!

Em todo o caso, eu sou livre. N�o tenho que dar satisfa��o a ningu�m.

Dizer que quando todos em Paris est�o escandalizados,

pelas rela��es com a senhora de Mendoze.

Ele a enganava rapidamente com essa criatura.

Uma cortes� no regresso...

bastante vulgar, parece. Adivinha o que os homens procuravam nela.

Vulgar ou n�o, � preciso que esta mulher seja bastante habilidosa

para retirar dos bra�os de todas as outras mulheres,

um homem como o senhor de Marigny.

Depois da suavidade doce.

Acontece que se prefere o perfume da "Alkali".

Mesmo assim, dez anos!

Os casamentos persas s� duram 7 anos!

Dez anos de possess�o integral sem estarem obrigados pela lei!

� algo de �nico em plena Paris!

Eu sei que estamos atrasadas.

Se alugamos um camarote, � para eu poder chegar atrasada quanto eu quiser!

Tem que se retirar, minha filha.

Tenho que falar uma �ltima vez com o senhor de Marigny.

Voc�s est�o conspirando para fazer-me segredinhos?

Talvez! D�-me um beijo e deixa-nos!

N�o vai ficar com ci�mes? Daqui h� dois dias ele ser� todo teu.

E voc�, eu permito que a beija... Aqui.

E se este fosse um beijo de despedida?

Sim. Se este fosse o �ltimo beijo...

que voc� n�o deveria ver mais a Hermangarde,

e se acabasse com este casamento?

- O que eu fiz? - Escolhi-o para neto,

apesar dos avisos de todos.

Ou�a-me, senhor de Marigny, nesses �ltimos tempos

estes avisos tomaram um rumo assustador.

Tinha a certeza disso.

Quando cruzei com o Visconde de Prony

que sa�a da casa de uma mulher que conhe�o h� bastante tempo.

Desconfiei que tinha vindo como emiss�rio da condessa de Artelles.

Ela na verdade, tentou de tudo para conseguir romper o meu casamento!

Falemos abertamente.

Voc� �... o que todo mundo chama, um libertino.

Quero acreditar que voc� tem o cora��o maior que a sua moral.

E tamb�m sabe-se que voc� conhece intimamente uma certa Vellini.

Uma esp�cie de dama de entretenimento,

e que voc� vive com ela h� dez anos.

� verdade. Essa mulher foi durante muito tempo a minha amante,

-...mas n�o � mais. - Como assim n�o �?

Quando voc� n�o est� aqui, vive enfiado na casa dela.

Quando somos apanhados, como estou sendo,

e que tenhamos a gra�a de sermos correspondidos,

por uma pessoa t�o sublime que � a senhorita de Polastron.

N�o h� lugar para outro sentimento.

Que voc� ama sinceramente a minha neta, eu acredito.

Mas o que aconteceria se eu n�o acreditasse,

que esta liga��o, que tem admitido e que dura 10 anos,

est� encerrada.

Quando esta mulher n�o tem parado de v�-lo?

Est� me ofendendo.

Quando dei minha palavra de honra a marquesa de Flers,

a av� da senhorita de Polastron deve acreditar em mim!

Ent�o, acredito em voc�.

H� quanto tempo essa mulher j� n�o � a sua amante?

H� muito tempo.

Mas no entanto temos que nos entender...

Eu quero ser inteiramente franco consigo.

Voc� est� muito acima das outras mulheres para censurar...

uma sinceridade que voc� invocou.

Posso dizer que h� muito tempo que a Vellini n�o � a minha amante.

Nos separamos de m�tuo acordo, muito antes de conhecer Hermangarde.

Mas se eu negasse a for�a do h�bito...

que me levava para essa mulher, outrora amada...

e que...

a cada vez...

que l� voltava por algumas horas, sob as ardentes sensa��es do passado.

Ent�o mentiria.

Compreendo esta diferen�a, e posso aceita-la.

No entanto, para Hermangarde e aos olhos do mundo, com ou sem amor,

esta mulher � a sua amante.

O mal, o perigo, s�o menos importantes aos sentimentos do que na situa��o.

Voc� tem raz�o, mas a situa��o acabou.

O dia em que o visconde de Prony cruzou-se por mim,

Tinha ido me despedir da Senhora Vellini.

E porque n�o come�ou por a�, meu filho?

Teria me aliviado.

Eis me ent�o, descansada.

Mas diga-me senhor de Marigny,

tem certeza que essa mulher n�o far� esc�ndalos...

no Domingo no seu casamento? A condessa de Artelles e...

o senhor de Prony est�o convencidos...

Eles n�o conhecem a Vellini. Ela � muito orgulhosa para se rebaixar dessa maneira.

Alguns podem trat�-la como uma simples criatura,

mas ela � uma mulher de incr�vel nobreza.

� amanh� que compreenderei que voc� t�m medo de uma fraqueza minha.

Quero expressar meu desejo de me afastar o mais depressa poss�vel...

de Paris, ap�s o meu casamento.

Prometo que ser� definitivo.

Eu n�o exijo tanto! Voc� ama tanto Paris,

para se enterrar de corpo e alma na prov�ncia

E depois n�o terei a obriga��o de ser a av�...

que guarda fidelidade devida de sua neta.

� a Hermangarde que eu amo.

Mas no entanto...

Apesar de estar tudo acabado entre Vellini e eu...

a proximidade de tal mulher n�o � boa para ningu�m!

E eu mais que outro homem, devo rece�-la e evit�-la.

Deus, foi preciso am�-la tanto para rece�-la assim?

Para o inferno com o ch�, bebemos antes um pequeno Porto!

Ser� mais alegre para nos dois.

Imagine, eu organizei esta noite na �pera, eu que detesto sair.

Somente para v�-la de perto!

Teria ficado desiludida.

A Vellini n�o justifica o poder que ela exerce sobre alguns.

Me disseram isso!

Mas voc�, como � que foi uma das v�timas dela, senhor de Marigny?

Voc� que tem a reputa��o dos mais terr�veis Dom Juan!

A verdade esta t�o longe daquilo que se conta!

Podemos dizer que eu fui a sua vitima durante dez anos.

S� que fomos ambos v�timas.

Por vezes, um de cada vez. Por vezes em conjunto.

- � uma triste hist�ria. - Conte-me.

Para qu�?

O que voc� pode dar de melhor, como sinal de amizade,

a uma velha amiga que ser� sua av� no Domingo,

que a confiss�o do seu passado?

Assim n�o ignorarei nada do marido que escolhi para a Hermangarde.

Porque voc� o exige...

Come�ou h� dez anos.

Regressava de Baden, era o final do ver�o.

Foi l� que me envolvi com jogos e mulheres.

Eu estava disposto em continuar � procura de prazeres intensos.

Tinha ido a �pera, com uma mulher casada.

Que me concedia os seus favores h� j� algum tempo,

achava que tinha alguns direitos sobre mim.

Eu j� venho.

Ryno!

Que boa surpresa! Sente-se!

- Para onde corria, dessa maneira? - Fugia!

Se os maridos fi�is, que invejam as nossas conquistas,

soubessem como somos infelizes. Cada vez que uma das mulheres deles,

que idolatramos em sonhos cedem aos nossos avan�os.

A desilus�o.. e o aborrecimento que resultam de todos estas coisas!

Regressei da Espanha.

Trouxe uma grande quantidade de curiosidades.

Logo uma, que eu gostaria de lhe mostrar.

N�o � uma coisa, � uma mulher.

de M�laga...

Ela � caprichosa mas jamais desvia do Sol o seu olhar de fogo.

Coincid�ncia incr�vel! Voc� vai v�-la, ela chegou!

- Acho que voc� n�o vai entender... - Como assim?

Ela � um pouco..."moura".

Tem que vir jantar amanh�, ser� mais simples.

Dou uma pequena festa com mascaras, e pouso ao casal.

Voc� a ver�, entender� o que vejo nela.

Filha ileg�tima de uma princesa italiana,

e do mais famoso toureiro da Espanha...

Ela vivia na rua em Sevilha, at� ser salva por um casamento,

de previd�ncia com um bar�o ingl�s!

Voc� n�o � velho ou ingl�s o suficiente para ser apanhado por uma... feiosa.

- Isto seria pura mentira! - Baixe a voz, podem ouvi-lo!

Tarde demais, ela j� ouviu.

Senhorita Marie-Cornellie Falcone!

Voc� � a primeira!

Sir Reginald Annesley. � a nossa mais c�lebre soprano.

Londres a admira!

- O que canta atualmente? - Acabo de terminar a "Efig�nia".

Senhor Ryno de Marigny!

Ryno, est� id�ntico a voc�.

Odeio me mascarar.

N�o fez nenhum esfor�o, est� perfeito.

Vem!

Lady Vellini Annesley... Ryno de Marigny.

N�o vejo, no que se disfar�ou?

Eu perguntei em que se disfar�ou.

Em diabo!

Comprei uma pequena curiosidade...

� uma caixa.

Cuja a tampa me faz recordar estranhamente...

uma das nossas mais belas convidadas.

Tome, olhe e passe....

Voc� mal olhou!

Gostei muito de voc� em "Alice" de Robert Le Diable.

Voc� tem a mais bela voz da �pera.

Obrigado.

O que � isto?

Trouxe o meu vestido da pe�a, disse a mim mesma que ficava bem.

S�o um pouco chatas estas festas a fantasia.

E voc� disfar�ou-se de diabinha?

N�o, de diabo! Odeio tudo que seja feminino!

Exceto nos jovens rapazes, evidentemente.

Evidentemente!

� como o retrato de "Lorenzo de M�dici" de Titian...

ou o retrato de um jovem rapaz, de Louren�o Lotto.

Enganou-se de copo!

Tenho vontade de ler os seus pensamentos.

Sem chance!

Meu Deus, minha senhora, voc� cortou-se por minha culpa?

N�o por sua culpa, por sua presun��o que � bem mais indesculp�vel.

Ent�o n�o me desculparei!

Ent�o?

Meu caro conde, se pensava tomar posse exclusiva dessa mulher...

n�o deveria ter me convidado para jantar!

Estou decidido em disput�-la consigo.

Aceito o desafio!

Mas aviso. Ela o detesta.

Veremos isso.

Creio que se voc� j� n�o estivesse casada, a pediria em casamento de imediato.

Mas... voc� n�o � suficientemente velho, nem suficientemente ingl�s,

para cometer tais caprichos.

Seria puro v�cio.

As espanholas t�m tanta vaidade como as francesas.

N�o.

Mas sentem os insultos.

Elas sabem odiar muito mais do que sabem amar.

Desculpe-me.

Foi um julgamento precipitado, com certeza que eu...

foram palavras para o ar.

N�o tenho nada a perdo�-lo.

As simpatias s�o volunt�rias e as antipatias tamb�m!

Deixe-me jogar contra ele.

� a minha mulher que me d� sorte.

Regressava assiduamente ao hotel de Mareuil.

Com a certeza de que essa criatura surda de cora��o e de esp�rito,

l� encontrava-se.

E que ria da loucura das minhas tentativas...

O Sir Reginald Annesley n�o est�, senhor.

Sim, eu sei que ela est� aqui, eu a vi.

Senhor tenho ordens para n�o deix�-lo subir.

Fa�o como quiser, o conde de Mareuil � um amigo pessoal!

Ent�o, andam aos socos na minha casa?

Deixe o senhor de Marigny.

Venho todos os dias, para deixar umas cartas.

N�o sei porque mas a antipatia da Senhora por voc� s� aumentou

nesse jantar onde voc� mexeu com a cabe�a dela.

Tamb�m teve o prazer de excitar o ci�me do seu marido,

por meio da corte que a fez t�o abertamente,

tornando sua virtude em ofensa.

Atrevida!

De modo, bastante correto Sir Reginald Annesley,

o mais cavalheiro dos bar�es,

acha-se autorizado em nunca mais agir consigo como homem,

mas sim como um marido prevenido.

- Deixe-me v�-la. - N�o � poss�vel.

Eu me desgracei por ela.

Dependo disso para sobreviver,

e perderia o que me resta se eu pudesse me aproximar dela mais uma vez.

Voc� que vive ao p� dela n�o pode defender a minha causa?

N�o adiantaria nada! � melhor esquec�-la...

Ou ent�o rezar!

Na igreja de Saint Gervais, nas v�speras.

As espanholas s�o muito devotas.

Serei-lhe eternamente grato.

Vamos! cavalo.

O meu orgulho n�o podia me oferecer nenhum consolo.

Parece que eu desagradava-lhe na verdade, como ela me tinha dito.

Pus-me a assombrar todas as tardes o bosque de Bolonha,

na hora em que passeiam as pessoas elegantes.

Para tentar a sorte e o acaso de encontr�-la.

Senhora...

O acaso � melhor que voc�, encarregou-se de marcar um encontro,

que eu n�o ousaria em pedir-lhe.

O acaso � uma bobagem.

N�o � um compromisso, mas um encontro.

� o seu caminho senhor, e � o meu! Passe!

Eu � que seria um tolo, senhora, se deixasse passar esta ocasi�o inesperada.

Sir Reginald acabou de parar a sua carruagem.

E estar� aqui num instante.

� muito mau gosto falar do seu marido.

Diga-me que acredita no meu amor e no meu arrependimento.

S� tenho a dizer-lhe isso, senhor de Marigny,

pela segunda vez, passe!

Senhora, voc� marca t�o bem, a primeira vez, as coisas que lhe pertencem,

para que elas n�o necessitem de uma segunda impress�o.

Reginald! Reginald!

Senhora, � pior que uma chicotada ouvir este nome!

Vou abaf�-lo nos seus l�bios.

A quatro passos e fogo!

Agora n�o senhor. N�o na frente da senhora.

Amanh�, na hora que lhe convier.

Amanh� �s seis horas.

E neste bosque que viu a afronta...

e que ver� o castigo.

E porqu� n�o agora?

Gostaria de v�-lo morrer hoje.

Olhe!

Ela espera tanto me ver morrer que vem em pessoa!

Isto � ultrajante.

Tenho vontade de elucidar Sir Reginald, do seu feito.

Protesto com a presen�a de uma mulher aqui.

Sobretudo n�o fa�a nada.

A filha do toureiro tem sede de sangue, ela que o veja correr!

As minhas testemunhas.

O senhor de Marigny fez-me o pedido primeiro.

E o senhor conde de Cerisy.

E s�o as minhas.

Espero que o meu marido o mate.

- V� buscar o m�dico! - Meu Deus. O senhor est� ferido!

N�o se mexa!

Voc� � doida, o que est� fazendo?

Eu quero beber o sangue dele e ningu�m me impedir�!

Ele vai morrer?

- Ele vai morrer? - Depois do que voc� fez!

Ele tem grandes chances de ter a ferida infectada!

A ferida era t�o perigosa que fiquei dois meses entre a vida e a morte.

Consumido pela mais atroz das dores.

No entanto submetia-me aos cuidados do m�dico.

Com a obedi�ncia cega de um homem desesperado em se curar.

Marquesa, eu queria curar-me para rev�-la.

Meu Deus, sempre este sonho.

Meu Deus, ainda estou sonhando.

Eu me rendo, Ryno.

Por mais que eu lute... fui vencida.

Desde que recuperei-me da minha ferida,

ficava trancado num apartamento onde Vellini vinha todos os dias, bem cedo.

Para ir embora antes do anoitecer.

O odor do amor.

Aperta-me... eu gosto...

Ryno...

J� sinto a sua falta.

N�o tem uma c�pia da chave, espero?

Juro!

� muito f�cil. Jura sobre a minha cabe�a!

Juro.

- Vai me trancar? - Com duas voltas!

Como o seu escravo?

O meu prisioneiro.

Depois ser� o meu escravo.

Sete horas e dez! � pontual!

Podemos ter a certeza de que n�o chegar� antes da hora,

podemos trabalhar com toda a confian�a.

O que faz levantada?

Estou tentando te explicar.

Visto o lado extremamente limitado da nossa vida em comum,

poderia, se quisesse,

dormir todos os dias fora sem que voc� perceba.

Ou�a o que estou tentando dizer!

Me solta!

E vai... vai dormir com a sua bebedeira como � de h�bito.

Desculpa! � a minha mulher!

N�o por muito tempo.

A minha partida n�o tem nada a ver contigo.

Serei-lhe sempre grata de ter me feito a sua mulher legitima.

Mas eu amo Ryno de Marigny.

N�o se pode fazer nada contra isso.

Adeus.

No dia seguinte, Paris inteiro,

A Paris dos jovens que rondam os caf�s chiques,

e dos camarotes da �pera...

souberam que a senhora de Annesley tinha deixado o seu marido.

O esc�ndalo foi imenso.

Eu que pertencia a alta sociedade de Paris por meu nascimento e rela��es,

inspirava subitamente todo o tipo de horrores �s mulheres que voc� conhece,

e no entanto n�o se afastavam de mim.

Vellini, que n�o pertence a esta sociedade hip�crita

n�o tinha que sofrer desses julgamentos.

Apesar de passarmos em Paris, todo esse ano de nossa rela��o,

que duraria dez anos.

A� esta!

Ah n�o, n�o se vai calar agora!

Eu quero saber tudo desses dez anos.

Ao fim daquele ano, partimos para a Arg�lia.

Tivemos uma filha.

J� passou cinco dias... n�o podemos ficar assim.

Temos que enterr�-la.

Queima-a, em vez!

Esta coisa...

que... est� aqui neste lugar...

n�o era amor, mas uma f�ria sem fim...

uma esp�cie de viola��o b�rbara.

Que eu reprovava do fundo de minha alma.

Mas nada fiz...

Foi preciso que isso acontecesse,

Que eu me deixasse levar...

Que nunca antes tinha sentido repulsa de mim.

N�o deve ter vergonha, meu filho. Eu compreendo.

De volta a Paris...

a nossa rela��o foi uma mera repeti��o miser�vel daquela noite.

A morte da nossa filha ergueu um muro entre n�s...

Eu n�o existia mais aos olhos dela...

Exceto...

exceto que ela era completamente organizada para o prazer...

que ela precisava sempre...

Naquele momento eu a odiava.

Odiava ao ponto de desejar a sua morte.

Comecei a inund�-la de palavras amargas, envenenado pelo meu desgosto.

Fugia cada vez mais de casa.

Prometendo-me de romper a rela��o.

E quando voltava a casa, a encontrava como a tinha deixado.

A �nica coisa que nos mantinha ainda juntos,

era o abismo sem fundo das car�cias,

e lan��vamo-nos de cabe�a, marquesa,

pior que nunca.

E todo o �dio desaparecia nesse fogo.

Mas um dia ou outro,

o amor acaba por morrer nesses jogos terr�veis, n�o �?

Ele cai, mutilado nesta batalha entre dois cora��es.

Ele volta a erguer-se por algum tempo,

para cair ainda mais mutilado...

N�o nos amamos mais?

Minha pobre filha.

Voc� sabe t�o bem quanto eu, que j� n�o nos amamos.

Est� escrito at� na sua testa.

O dissabor d� cabo de voc�.

Voc� n�o � uma criatura fraca que mente a si pr�pria.

Nos separemos. � o �nico meio de acabarmos com nobreza.

Continue, � entusiasmaste!

Eu disse-lhe que continuar�amos amigos,

e provei-lhe.

Sa�mos muitas vezes juntos, Vellini e eu, quando est�vamos separados.

A levava ao teatro,

Passeava a cavalo com ela.

Os meus amigos elegantes...

que atiravam suas amantes pela janela quando estavam enjoados,

riam-se de mim,

e desta suposta separa��o sentimental.

Um amigo dizia-me que nunca me livraria dessa mulher.

Que eu a amava!

E eu marquesa, tinha a certeza do contrario.

Tinha regressado a minha vida de solteiro em completa felicidade,

para duvidar um minuto do controle que eu tinha sobre mim.

Vellini concordava que n�s j� n�o nos am�vamos,

e tinha pregado as suas garras sobre o Cerisy.

Foi ent�o a sua malaguenha que arruinou o pobre do Cerisy?

Veja, n�o estou inventando nada sobre ela.

Digo-lhe com franqueza as coisas.

E qualquer outra come�aria a protestar,

e negar que poderia estragar uma parte da sua vida por tal criatura.

Meu filho,

t�nhamos menos destreza de esp�rito no s�culo 18 do que neste!

E � preciso acreditar que eu fiquei, ferozmente presa no s�culo 18!

� voc�, Ryno!

N�o estava a minha espera?

Meu Deus, est� fervendo. Est� com febre?

N�o sei, mas estou aborrecida.

Talvez seja este sol da Espanha que d� saudades do teu pa�s.

Toma... Deve ter raz�o!

Voc� continua a mesma, Vellini!

Sempre a mulher louca a quem ningu�m pode resistir!

Bem... � a vida que me resiste.

N�o sei o que eu tenho, mas sofro!

Era mais feliz contigo Ryno.

Ser� que o Cerisy te contraria, minha pobre filha?

Ele? Foi isso que te disseram?

N�o ele n�o me contraria, pobre rapaz.

Ele n�o se arriscaria.

Ele � submisso, paralisado,

totalmente � minha devo��o!

S� que isso me aborre�a.

Gostava mais quando me detestava.

E voc� � feliz ao menos.

E se eu n�o fosse?

N�o minta, Ryno!

Encontrou uma mulher em Londres,

e voltou com ela a Paris.

H� dez dias que voc�s regressaram.

Essa mulher de quem fala � da nobreza Parisiense.

No estrangeiro assim que conhecemos compatriotas, nos ligamos naturalmente,

sem pensar nas conseq��ncias.

Por outro lado, ela viajava com o seu marido.

N�o est� apaixonado por essa mulher?

N�o estava ontem, na �pera com ela?

Voc� estava l�, Ryno! Eu te vi.

Mas voc�, toda a sua aten��o estava na sua nova amante.

- Nem mesmo me viu. - E se fosse verdade?

Ser� a primeira mulher que eu amei desde que nos separamos.

Porqu� que fica assim?

Eu sei que estou errada.

Porque deseja tanto deixar de me amar?

Deixar de amar � a pior das desgra�as.

N�o me responde?

Fez-me sofrer muito.

N�o quero voltar atr�s.

Mas gosta de voltar aqui, quando quer,

e pelo tempo que deseja. Nariz no ar, m�os nos bolsos,

sem nenhum compromisso! � muito pr�tico...

Enquanto que com...

a sua condessa...

A sua condessa... como � que ela se chama? A sua condessa de Mendoze.

Pare j� com isso!

Ou n�o voltarei a por os p�s aqui!

E ent�o? Imagina que eu ainda te amo?

O que � que tenho a ver contigo e com a sua pequena condessa de Mendoze?

N�o acredita em mim?

Ent�o, coloque a sua m�o no meu cora��o...

e conta-me sua felicidade com sua nova amante.

Se ele bate mais acelerado, me despreza.

Conta-me como ela faz amor.

� uma grande senhora,

incrivelmente fria e recatada.

E que repudia o amor f�sico.

Ela acabou por ceder sobre um pranto de l�grimas,

como se ela quisesse morrer,

mas o amor � mais forte que tudo...

Ela n�o abriu as pernas.

Ela apertou as pernas.

- Gostou? - Quase que a forcei.

Ela fecha os olhos, n�o quer me ver.

E ela chora, � impressionante.

Como � que ela sente prazer?

N�o � a quest�o. Acho que ela n�o tem prazer.

� o seu abandono, o seu sacrif�cio que � sublime!

Encanta a sua pequena vaidade.

Isto n�o � amor...

A maioria das mulheres recusam saber...

o que � entregar-se a um homem.

� tentar prender um homem no seu ventre.

O que pode encontrar de extraordin�rio nela?

Principalmente voc�!

N�o entendo...

Se ao menos tivesse me trocado...

por algu�m cem vezes mais capaz do que eu para te dar prazer...

Teria morrido de ci�mes.

Talvez...

mas ao menos n�o seria humilhada.

� o fato de ela ser condessa que te excita?

Cala a boca! � uma grande senhora, j� te disse.

Se a conhecesse, calaria a boca!

N�o lhe chega aos calcanhares.

J� � dia. Devo t�-la cansado com tanta conversa.

Meu jovem amigo, n�o minha idade j� n�o durmo.

E j� passei muitas noites em branco na minha �poca.

Longas hist�rias a beira da lareira s�o os bailes da velhice.

E agora, n�o ignoro mais nada do marido que escolhi para Hermangarde.

Voc� deu-me a confian�a que nunca tive.

Acreditou em mim, apesar de mais ningu�m acreditar em Ryno de Marigny.

A minha verdadeira fam�lia n�o compreendia nada, aquilo que eu era,

nem aquilo que eu poderia vir a ser.

Obrigado.

Obrigado, voc� � a minha verdadeira m�e.

Eu a amo com o amor de um filho... Aquele que nunca tive pela minha m�e.

E amo Hermangarde mais do que tudo.

Eu sei! A minha neta � o que tenho de mais valioso no mundo.

E estou orgulhosa de n�o ter me oposto a sua felicidade,

nem ao de Hermangarde!

Voc� sabe que ele teve a ousadia de lhe contar a sua hist�ria.

Fez dela uma gl�ria!

Minha cara, � como sempre digo. A prova da influ�ncia nefasta

da leitura de alguns romances bastante audaciosos

sobre o bom senso feminino!

Lerei-vos um texto escolhido pelos futuros esposos,

extra�do do evangelho, segundo S�o Mateus.

"Os fariseus aproximaram-se de Jesus e disseram-lhe para o porem � prova,"

"Teremos o direito de mandar embora a nossa mulher por qualquer motivo?"

"Ele respondeu: voc�s n�o leram que o criador,"

"no princ�pio fez o homem e a mulher"

"e disse ainda, e por causa dela que o homem deixar� o seu pai e a sua m�e"

"e se unir� a sua mulher, e os dois formar�o uma s� carne."

"Assim n�o ser�o mais dois, mas sim, uma s� carne."

"O que Deus uniu, que o homem jamais o separe."

"Eles dizem-lhe, porque que Mois�s manda dar uma carta..."

"de rep�dio antes de mandar embora a mulher?"

"Ele respondeu, Mois�s por causa de vossa rigidez"

"permitiu que voc�s mandassem embora as vossas mulheres."

"Mas no princ�pio n�o foi assim."

"Digo-vos, quem mandar embora a sua mulher, s� se for em caso de prostitui��o"

"e se casar com outra � adult�rio."

"Os disc�pulos dizem, se tal � a condi��o do homem com a sua mulher,"

"vale mais n�o se casar."

"Ele respondeu, nem todos entendem estas palavras,"

"mas somente a quem Deus as deu."

"Mal dos eunucos que j� o eram no ventre das suas m�es."

"H� eunucos que foram feitos eunucos pelo homem"

"e h� eunucos que se tornaram eunucos por causa do reino dos c�us."

"Compreenda quem pode compreender."

Imitem-me como eu imito Cristo.

Quero que saibam que Cristo � a cabe�a de todos os homens.

e o homem a cabe�a da mulher � Deus a cabe�a de Cristo.

Todo o homem que reza ou profetiza de cabe�a coberta,

envergonha a Deus.

Toda a mulher que reza e profetiza a Deus sem ter a cabe�a coberta,

envergonha a Deus, como se n�o tivesse cabelo.

Se uma mulher n�o colocar o v�u, � como se n�o tivesse cabelo,

se � vergonhoso para uma mulher n�o ter cabelo,

ent�o deve colocar o v�u. Pois o homem n�o deve cobrir a cabe�a,

j� que ele � a imagem e a gl�ria de Deus,

Mas a mulher � a gl�ria do homem.

Pois o homem n�o vem da mulher, mas a mulher do homem.

Pois o homem n�o foi criado para a mulher, mas a mulher para o homem.

� por causa disso que a mulher deve ter o sinal

sobre a cabe�a por causa dos anjos.

Epistola de S�o Paulo aos cor�ntios!

Como o mar sobe!

S�o as grandes mar�s. O senhor de Marigny deve ter esquecido.

Se demorarem muito. N�o sei como far�o para voltar.

Voc� n�o est� preocupada?

N�o quero que eles apanhem frio.

Voc� fez como eu, marquesa? Escreveu a algu�m?

Vejo uma carta em suas m�os.

Mas a quem voc� queria que eu escrevesse, minha querida?

N�o tenho como voc�, o visconde de Prony para repreender!

N�o. Esta carta aqui, n�o � para mim e nem � minha.

Est� endere�ada ao senhor de Marigny, acabam de me entregar.

- � de Paris? - Sim, � de Paris.

Voc� conhece esta letra?

Meu Deus, marquesa, que horr�veis rabiscos.

N�o conhe�o ningu�m que escreva desta maneira.

- � letra de mulher. - De uma criada!

N�o as criadas n�o dobram desta maneira as suas cartas,

e elas n�o tem carimbo como este aqui. Veja!

Meu Deus!

Ser� que esta velha amante que n�o tinha se manifestado at� agora,

- mudou de id�ia? - � bem poss�vel!

Ela se fez de morta durante 4 meses e depois do nada ela ressuscita!

Bastante astucioso.

Ela pensou que ao fim deste tempo,

a alegria de ter uma mulher jovem e bela j� teria passado.

Ela se engana! Porque o senhor de Marigny continua apaixonado pela sua mulher,

- ...ela esta perdendo o seu tempo. - Vindo de voc�.

- Este otimismo me tranq�iliza. - Sim, fique tranq�ila.

Sosseguemos. O que � uma carta, afinal?

Chegaram.

Fomos surpreendidos pela mar�. Tivemos que voltar de barco.

Voc�s est�o encharcados, aque�am-se junto � lareira.

Se ficarem doentes, estaremos bem arranjados!

N�o tenho frio, tenho que me acostumar com o vento,

j� que sou mulher de um apaixonado pelo mar.

Senhor de Marigny, entregarem-me uma carta vinda de Paris para voc�.

Obrigado.

Porqu� que veio aqui?

Porque tive vontade.

Porque os espa�os abertos n�o me pertencem como a todo o mundo?

Eu vim aqui...

porque me aborrecia n�o te ver.

Porque n�o respondeu as minhas cartas.

Porque me persegue at� aqui?

Eu gosto de viver a beira-mar,

de passar os meus dias nesta fal�sia.

Ser� que isso tudo n�o me pertence como a voc�?

Do que tem medo?

Talvez l� no fundo, n�o tenha tanta certeza.

Gosto deste pa�s e vou viver aqui.

Se eu incomodo, vai embora!

Quanto a mim, tomo posse hoje mesmo.

Parece que cheguei aqui como uma mendiga,

implorando o perd�o do soberano.

Que me...

Que me exilou!

Se eu tra�sse o amor que prometi, me odiaria.

E voc� me odiaria...

Se voc� recusar em colocar os seus bra�os,

por um minuto em sua malaguenha.

� melhor que me mate,

assim ao menos, n�o sofrerei mais.

O que est� esperando?

Estamos sozinhos aqui!

Olha, n�o h� ningu�m!

Pegue sua arma, pegue!

Est� vendo...

Se ouvirem, diga que errou uma gaivota.

Se eu cair na �gua,

voc� ter� a certeza que � fiel. Dispara!

� doida!

Agora n�o!

Ela est� dormindo.

Fique sossegado.

Um beijo! S� um beijinho!

Um verdadeiro!

N�o ia passear os c�es?

Ryno n�o a acordou, vov�?

Minha filha, o seu marido n�o me acordou. Eu n�o estava dormindo.

Creio ter percebido que voc� queria nos deixar?

O inverno est� chegando. E a umidade faz mal para o reumatismo.

Gosto deste pa�s, sou feliz.

Mas gosto mais de voc�, do que qualquer pa�s do mundo.

Se eu pedir, Ryno regressar� a Paris.

Espero que n�o fa�a isso!

Voc� n�o sabe, meu amor, como � fr�gil a felicidade de uma mulher.

Ryno te ama demais.

Aqui, o que ele amaria, se n�o voc�? Enquanto que em Paris...

Ele tem muitas distra��es, e para uma mulher amada,

todas as distra��es s�o uma inimiga mortal.

Voc� tem raz�o, vov�.

Nenhuma mulher pode se gabar de guardar durante muito tempo

a chave do cora��o de um homem.

Mas quando tiver saudade, � s� escrever e voltaremos a Paris.

N�o h� um casal mais bonito em toda Paris!

Ryno!

N�o v� t�o depressa!

N�o percebi que n�o me seguia.

Sou uma idiota.

- Ent�o doutor? - A senhora de Marigny esta gr�vida.

De agora em diante, est� proibida de se aproximar de um cavalo.

J� percebeu, quando penso nisto sinto um frio na barriga...

� o meu filho!

A senhora pode pegar um resfriado.

N�o seria bom.

Faz um tempo lindo. Preciso de ar fresco.

Agasalhe-se bem, o tempo aqui muda depressa.

Eu sou bem grandinha!

Mas � a senhora do solar, a filha da marquesa!

Senhor Griffon!

Senhor Griffon!

Voc� sabe quem � essa mulher sentada l�, numa pilha de cordas?

Voc� n�o a conhece? Aqui todo mundo j� a conhece.

�s vezes, ela vai pescar conosco.

Voc� continua bonito como a primeira vez que te vi.

E estamos juntos de novo.

Cale-se!

E depois, n�o, fala...

Diga o que quer.

� bem verdade que estou aqui.

Deus � testemunha.

Voc� foi a causa de mais beijos,

de mais ternura para a Hermangarde, que eu nunca lhe teria dado

se voc� n�o existisse!

Beijei-a...

como um homem que se afoga, beija a sua b�ia de salva��o.

Parece que nas batalhas...

quando os cavalos puro-sangue s�o ligeiramente feridos pelas baionetas,

uma incompreens�vel atra��o pela dor,

leva-os a avan�ar,

e deixarem-se perfurar at� ao cora��o.

� a mesma coisa contigo,

desde de o dia em que voltei a te ver.

� o meu cavalo?

� o vento. N�o me deixe, �...

� o vento.

N�o � nada.

N�o pode ser ela?

Olha, n�o h� ningu�m!

Anda, entra.

Repreende-me.

Diga-me o que est� pensando.

N�o se preocupe, Ryno. Est� tudo bem.

N�o h� nada pior do que este sil�ncio.

Por acaso, n�o. Pensava na condessa de Mendoze.

Ela morreu, voc� sabia?

Ser� que ela est� mais feliz agora?

Voc� acha que eu mato todos que se aproximam de mim?

Eu n�o disse isso.

H� alguma coisa de terr�vel no meu destino!

Eu sempre soube.

Ap�s dezoito meses de incertezas, venho neste instante...

obter a prova de algo que j� havia previsto e calculado...

como se calcula um eclipse.

Com de fato, � um eclipse tamb�m.

O exemplo dos maridos, o senhor de Marigny...

O senhor de Marigny?

fez como o c�o da b�blia. Ele regressou...

Voc� sabe aonde?

Mas � de muito mau gosto o que voc� me diz.

Bem, dizer n�o � fazer! Vejamos...

s�o dez horas em ponto.

Onde voc� acha que o senhor de Marigny est� agora?

O g�nio do amor conjugal!

Meu Deus!

Minha pobre amiga. A marquesa de Flers estaria melhor se morresse.

Ele est� na Rua des Carmes, n�mero 46,

- ...na casa da senhora Vellini. - Tem certeza disso?

Ele esteve na �pera ontem a noite, com a mulher dele.

Ele saiu quase ao mesmo tempo do que eu...

Eu o vi entrar em sua carruagem sob as arcadas.

Foi logo ap�s o segundo ato.

Ele deixou a senhora De Marigny no seu camarote,

acompanhada da senhora De Spaur e da senhora De Vanves.

Mas que provas o levam a dizer que ele est� na rua des Carmes?

Eu o vi subir!

Com a sua carruagem estacionada a porta

atesta suficientemente o fato.

O senhor De Marigny n�o gosta de segredos.

O que eu gosto nele � que... Se um dia for ministro,

sua gl�ria o tornar� bastante impopular.

N�o conhe�o ningu�m que desafia a opini�o p�blica melhor do que ele!

Assim s�o os homens!

E no entanto... N�o precisa acreditar em mim, senhor De Prony.

Mas juro que ele amava a Hermangarde feito um louco.

E que fui testemunha deste amor e que nunca o esquecerei.

E far� muito bem, Condessa.

Pelo menos algu�m ir� lembrar.

Porque ele provavelmente j� n�o pensa mais nisso.

Sincronia e Tradu��o PT: Hawkeye147

Adapta��o Pt-BR: Ping�im-SP

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