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Meu filho, nossa fam�lia deve muito aos t�xis de pedais.
N�s trabalhamos duro, dia e noite.
Comendo e dormindo na rua. Pedalando o tempo todo.
Algumas manh�s, as dores nas costas
nos prendem na cama.
Eu n�o sei aonde isso vai parar.
Essa tem sido a minha vida.
Quando eu morrer, n�o terei nada para deixar para voc�.
Se voc� puder, veja se consegue encontrar
algo mais digno.
Est� atrasado!
D� mais uma olhada e veja se estou certo.
"O Comit� Popular conceder� empr�stimos
conforme a pol�tica de luta
contra a pobreza."
Onde est� isso? Me mostre!
Qual a sua idade?
Dezoito.
Ocupa��o dos pais?
N�s somos muito pobres.
Mas onde est�o eles?
Minha m�e morreu ao dar a luz.
Meu pai tamb�m, num acidente...
Como ele morreu?
Um caminh�o... morreu na hora, junto com dois passageiros.
Foi no cruzamento da Hang Xanh, certo?
Sim.
Quem restou?
Meu av� e minhas irm�s.
Elas estudam de manh� e trabalham � tarde.
O que elas fazem?
A mais velha entrega �gua para o mercado, a menor engraxa sapatos.
E o seu av�?
Ele conserta pneus.
Quem lhe alugou o t�xi de pedais?
A patroa em Cholon.
Qual o nome dela?
Eu n�o sei.
Quanto tira por dia?
5.000 dongs.
E o dep�sito?
200.000 dongs.
Est� bem, examinaremos o seu processo
e o informaremos.
Sim.
Nestes dias me d�i
Quando eu urino. Quanto a voc�s?
Eu tamb�m. Queima.
Voc� tem que beber �gua, isso ajuda.
Isso faz voc� suar, � cansativo.
Um m�dico me disse que, tomando qualquer coisa para criar m�sculos,
acabar� est�ril.
At� parece... quem pode pagar um m�dico?
Melhor ir ver um a�ougueiro.
Graxa, senhor? Quer engraxar?
Est� pronto, garoto?
T�xi!
N�mero 8, Rua Le Loi.
Como ousa roubar nossos clientes?
Ela que...
Essa � a nossa zona. Se quer viver, caia fora!
Desapare�a, voc� est� na nossa zona!
Sim, voc� � o meu peixinho.
Ent�o, quanto?
Foi um bom dia. 26.000.
5.000 para voc�, 21.000 para mim.
Algum problema?
Uma gangue me roubou um passageiro.
Cuidado, cada zona tem sua gangue.
Est� com fome?
Quer comer?
D�-lhe um banho e algo para comer.
V� com ele.
Ele nasceu assim, deve ter a sua idade.
Cuide do seu dente.
Viu? Eu lhe disse.
Est� bem, j� chega, saiam.
Vamos vov�, � tarde.
Sim, vamos para casa.
Traga o cigarro do seu av�.
Seu ombro est� melhor?
Fica pior a cada dia.
Sobrou um pouco de pomada?
Quase nada.
Irei trazer um pouco para voc�.
V�, pegue aquela balan�a
que nos mandaram por engano
e mude de emprego, ser� mais f�cil.
Veja como se faz!
Algu�m vem, voc� limpa
e o convida para tentar. 1000 dongs por pessoa.
N�o devemos nada. A balan�a n�o � nossa.
Sim n�s podemos, j� esperamos bastante.
Ningu�m procurou por ela.
O seu ombro d�i.
Voc� n�o pode continuar enchendo pneu.
Vamos esperar um pouco mais.
Sobre os velhos barrancos. Folhas e flores murcham.
O Sol morre, frio, tr�mulo.
Hesitante, atravesso a aldeia.
Lembro de voc�, minha inf�ncia.
Lembro de sua silhueta graciosa.
Voc� me olhava, radiante e terna.
Eu me lembro, o Sol baixava.
No seu rosto de marfim, seus cabelos ondulantes.
Coloque-o na cama.
Amanh� virei ver se voc� est� morto ou n�o.
Levante, irm�ozinho.
V� se lavar!
Se eu, a Gar�a, devo morrer fervendo.
Que seja em �gua clara.
Para aliviar a dor de meu filho.
V� atr�s deles!
E n�o diga uma palavra a ningu�m.
Bom tem um leque feito de folhas de palmeira.
O Homem Rico diz, eu lhe darei
tr�s vacas e nove b�falos.
N�o quero seus b�falos.
Eu lhe darei
um a�ude de peixes.
N�o quero seus peixes.
Eu lhe darei
uma jangada de madeira nobre.
N�o quero sua madeira
Eu lhe darei
um p�ssaro...
Amanh�, v� at� a f�brica de gelo.
Eu lhe direi o que fazer.
Agora v�, e seja discreto.
Qual o problema?
Quem � ele?
Por qu�?
Ele roubou meu t�xi.
N�o seja idiota, ele trabalha para a patroa.
Vamos!
Espere aqui!
N�o saia.
A n�o ser para comer.
E n�o tranque a porta.
Feche a boca, isso fede.
Tem dinheiro?
N�o!
Esperamos outra noite acordadas.
Vamos dormir.
Posso dormir aqui?
Outro dia.
N�o quero fazer isso.
Vim porque
voc� queria que eu fizesse.
Eu chamei, ningu�m respondeu.
Posso entrar?
N�o toque nela.
� a sua primeira vez.
Tem vontade de mijar?
Quer urinar?
Pipi, quer?
Me entende?
Vamos, mije!
Beba... vamos, beba!
Beba e mije.
Mije, por favor!
Beba mais!
Mais uma vez, beba!
J� chega! Mije!
E fa�a isso de p�!
Eu lhe trouxe dois amigos.
Est�o elogiando muito voc�
Voc� � um samaritano.
Tentou salvar um homem que se afogava, n�o �?
A patroa est� feliz.
Ela lhe mandou essa recompensa.
Droga, voc� est� nojento.
Ela quer ver voc�, para um outro trabalho...
Qu�? O que voc� disse?
N�o aceito.
N�o pedi sua opini�o!
Voc� ousa recusar?
O que que ele quer? Diga de novo para ver...!
Abra a boca!
Abra!
Isso � um aperitivo.
Da pr�xima ser� de verdade
Sabotagem!
250 toneladas de arroz mofado.
Sabe quem fez isso?
Voc� se imagina nas manchetes de jornais?
� pris�o perp�tua!
Rio an�nimo.
Nasci solu�ante.
C�u azul, terra imensa.
�gua negra do c�rrego.
Cresci com os meses, os anos.
Sem ningu�m para me cuidar.
An�nimo � o homem.
An�nimo � o rio.
Flor sem cor.
Um perfume.
Sem voz.
O, rio! O, tu que passas!
Nesse ciclo completo.
De meses, de anos.
N�o posso esquecer meu dever com minhas ra�zes.
E vago.
Atrav�s dos mundos.
Rumo a minha terra...
Seu pai n�o me deixa trabalhar.
Fico aborrecida.
N�o h� muito o que fazer.
Ent�o me ocupo
com pequenas coisas.
O papai est� bem?
Acabou de chegar.
Quando ele sai me sinto t�o s�.
Voc� est� magro.
Quando ele era pequeno seu nariz sangrava
Isso ainda acontece?
Sim. De vez em quando.
Vou lhe mostrar uma foto.
"O que est� procurando?"
"Ele ainda est� aqui?"
"Ele � seu filho."
"Por favor, fale com ele."
"Ele veio com a puta dele?"
"Por favor!"
"O que est� procurando?"
Ele tinha cinco anos.
Fique para comer com a gente.
- M�e... - N�o, ele n�o me deixa.
N�s est�vamos famintos...
Sem arroz...
Pessoas morrendo em todo lugar...
N�s nos am�vamos profundamente.
Aos 16 ou 17
beb�amos �lcool,
para esquecer nossa fome.
Um pouco de pasta de camar�o...
na ponta da unha...
e beb�amos...
Isso durou um ano...
Ent�o nasceu a crian�a.
Saiu ao contr�rio.
Muito tarde... quase morto.
O m�dico disse: "anormal."
Covarde. Ele era um covarde.
O pai nos abandonou.
Por que covarde?
Ele tinha apenas 17 anos.
Mais jovem que seu filho agora.
E ent�o...
Quanto � uma garrafa de gasolina?
5.000.
E isso?
10.000.
Nada mal! E tudo sozinho! Voc� � realmente profissional!
Nenhum policial consegue me pegar.
Conhe�o todos os atalhos...
Claro, voc� � um taxista de pedais.
Voc� gosta de saias?
Vestidos?
Isso era tudo o que tinha.
Voc� tem certeza que � homem? Me mostre!
Esse � o meu presente. Pegue, de verdade.
Quero me juntar � gangue.
O que foi que ele disse?
O que voc� acabou de dizer?
Fiquei surpreso tamb�m.
De que gangue est� falando?
Quero ser como voc�s.
Levem-no para o Sr. Can��o de Ninar!
Olhe minhas m�o? V�?
Em 1956
eu tinha 17 anos, uma bala me cortou um nervo,
minha m�o se atrofiou.
Olhe para isso...
Uma bala, atravessou a garganta.
Saiu pelas costas.
Sabe qual buraco � o maior?
E isso
aqui,
em 57, uma bala
estilha�ou minha canela.
Sabe por que estou lhe contanto tudo isso?
Eu sei o que est� pensando ficando frente � morte.
Eu entendo voc� t�o bem.
O vento de outono sopra.
Durma minha crian�a, durma.
A noite � longa.
Tomarei conta de voc�.
At� a noite acabar eu tomarei conta de voc�.
Preste bem aten��o
na arte de sincopar.
Durma, minha crian�a, minha querida.
Minha pequena crian�a.
Guarde isso de lembran�a.
Pegue!
Ah, tomaria um ch� gelado!
Gar�om! Um ch� gelado!
Por que n�o me ama tanto quanto a elas?
Vamos!
Espere aqui. Ele voltar�.
Entre.
Sente-se.
Acabei de passar.
Estavam se perguntando onde voc� estava.
Eu tenho isso h� muito tempo.
Agora tenho que vend�-lo.
Sabe o que � isso?
� um AK-47.
Uma famosa cantora.
J� ouviu suas can��es?
N�o!
Ent�o escute. Nota de base.
E aqui vai sua m�sica.
Irm�zinha, Han�i, velhas ruas.
Voc� � tudo o que me restou, aroma de orqu�dea.
Voc� � tudo o que me restou,
minha flor de alstonia.
Chuva sussurrante nas ruas desertas.
Esperando pela mulher, cabelos ao vento, tr�mulo.
Voc� � tudo o que me restou, �rvore de inverno.
Voc� � tudo o que me restou, rua gelada e abandonada.
Crescente lua de inverno.
Velha morada onde ecoa a voz do piano.
Tarde da noite um sino ainda toca.
Voc� � tudo o que me restou, cor do tempo.
A tarde morre, teus cabelos se agitam.
Sutil.
Atrav�s das ruas, o poeta vaga em v�o.
Percebendo de repente que havia se perdido.
Voc� � tudo o que me restou, ruas velhas cobertas de limo.
O telhado fr�gil.
Em minha mem�ria confusa.
Boiando sobre as ondas do Lago do Oeste.
De repente o crep�sculo. Quando caiu, eu n�o sei.
Voc� � tudo o que me restou, �rvore de inverno desolada.
Pare ou ent�o quebrarei o vaso.
Acho que estou gr�vida.
Quem � o pai?
Essa � uma flor de b�tele?
O que tem dentro?
N�o sei.
� a primeira vez.
Mas voc� olhou para isso o dia inteiro.
Voc� vai me levar para o interior?
O que est� carregando?
Carne de porco.
Tire isso.
De onde vem isso?
Do matadouro 43.
Escute bem. Vou furar a carne.
Se n�o encontrar nada, lhe darei passagem.
Pai!
Sonhei com a sua morte, Pai.
Voc� morreu uma segunda vez, para me salvar.
Esta manh�, sinto-me estranhamente calmo
como se vivesse em seu corpo
em sua silhueta no seu andar, seu gesto.
Estes dedos ossudos, esta m�o enrugada.
� sua ou minha?
Sinto seus m�sculos em meus bra�os.
Esta pele... � a sua. Queimada, endurecida
desafiando o calor, o frio, os anos.
Estas veias... voc� chamava caminhos da vida.
Agora o compreendo.
Preciso de um favor seu.
Eu sempre lhe obedeci.
Agora estou com medo.
Aqui est� o dinheiro que voc� me deu.
Se n�o for suficiente.
Deixem-me voltar ao t�xi de pedais.
Irei lhe pagar aos poucos.
Velho, onde est� voc�!?
O que eu disse sobre a pintura?
Lembra-se, seu velho asqueroso?
Isso � uma pistola.
Esta � a trava de seguran�a.
Agora voc� pode atirar.
Agora est� travada.
Apenas carregue e dispare
pelas costas.
Desse jeito.
Por esse lado, assim.
Sempre dois tiros. Entendeu?
N�o jogue a arma fora. Ningu�m se aproximar� de voc�.
Saia tranquilamente, uma vez fora, corra
na dire��o da m�o da pistola.
Na ponte,
atire a arma na �gua e desapare�a na multid�o.
N�o se preocupe, � pior com uma faca.
Se ficar nervoso, tome estas p�lulas.
Agora. Tente uma.
� incr�vel! N�o ter� medo de ningu�m.
Tome a segunda antes do servi�o.
Uma de cada vez ou ficar� louco. Entendeu?
Amanhece em minha alma.
Um pouco de sol para cada lugar.
Um pouco de luz para todos.
De baixo da copa, uma folha chacoalha.
E o orvalho lembra as nuvens.
E a terra exala um enorme vento.
E a vida estremece, estremece.
Pipa da minha inf�ncia.
Fr�gil esperan�a suspensa no c�u.
Cora��es se abrem, moradas humanas.
Em um mundo onde ningu�m � exclu�do.
N�o, n�o quebre!
Desgra�ado! Ela era virgem!
Ele disse que n�o sabia.
Ele sugeriu que esque�amos isso.
Ele lhe deu 600 d�lares.
� mais do que vale uma virgem.
Ele disse que os cortes n�o s�o culpa dele.
Um gosto de p�
Casca de longana
roubada.
Uma m�o
quente
lava minha cara.
Papai.
Brilho esverdeado
de um camar�o vivo.
O mercado fecha,
mam�e volta para casa.
Arroz frio
De castigo...
em segredo, na noite,
mam�e me alimenta.
Calor sufocante
das tardes secas
Fedor de carambola podre
na chuva.
Eu tremo.
Peixe frito,
Mingau de arroz,
Folhas de lim�o,
Casca de laranja,
�gua cor de marfim,
minha pele marrom.
Cara de peixe!
O que eu lhe disse?
Por que voc� ama tanto pintar?
Onde encontrou esta cor?
Nossa fam�lia n�o a usa.
Venha comer!
Convide a mo�a para comer conosco.
Acorde! Voc� est� acordado
Escute...
Ontem, voc� pirou.
O Sr. "Can��o de Ninar" deveria ter acabado com voc�.
Mas l� em cima o protegem.
Est� grudento, vou ajud�-lo.
O ano do Porco come�a hoje.
Desejo-lhe paz
sa�de
uma vida normal, como todo mundo.
N�o nos veremos novamente.
Quando sair, deixe a porta aberta.
Meu pequeno... est� morto.
Oh, Deus!
Por qu�?
Ontem, o gato voltou.
Pensamos que estivesse morto.
Est� mais bonito que antes
t�o bonito, que ningu�m o reconheceu.
Lembro do meu pai pouco antes de morrer.
Era um domingo,
o �nico dia em que cochilava em casa.
O gato estava dormindo no sol.
Um corte cruzava sua cara.
Meu pai dormia
balan�ado sua perna.
Eu era uma crian�a.
Lembro de ficar olhando o joelho de meu pai por um longo tempo...
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