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Original subtitles

OS MOEDEIROS FALSOS

- Aquele livro era sobre o qu�? - Era um guia da Arg�lia.

- Muito caro. - Quanto?

Dois francos e meio.

Vai compr�-lo, eu espero.

Nada � mais dif�cil que observar seres a crescer.

S� � poss�vel observar de fora.

O que queres fazer com isto? � muito antigo...

N�o me importo. Aquilo de que mais gosto � geografia.

- E queres ir l�? - Sim...

- Moras com os teus pais? - Sim.

E n�o gostas deles?

- Por que me perguntas isso? - Por nada...

Gosta de perseguir meninos do secund�rio?

Edouard vai � casa da sua irm�, Pauline Molinier,

para um almo�o de fam�lia.

Entendes, Oscar, sinto-me bem em Londres...

Mais coisas dispon�veis e mais tempo para escrever.

�s vezes, sinto falta de Paris e � por isso que tenho a casa aqui...

Vieste para o casamento da Laura Aza�s com esse...?

Douviers, F�lix Douviers...

A Laura amava-te muito, ou estou enganada?

N�o, n�o est�s. Eu tamb�m a amava muito.

Eu amo-a muito.

Pobre Aza�s, acho que nosso Georges ser� o �ltimo a chegar a casa...

Ele � antiquado. Ningu�m manda os filhos estudar depois das aulas.

Sem contar que os protestantes s�o uma minoria,

por isso, qual � o objectivo?

E os custos, enfim...

� dif�cil lidar com tantas despesas.

E tu, Olivier, o que achas da Pens�o Aza�s?

Eu tamb�m vou l�, mais vezes do que o Georges...

M�e?

Aqui, a falar no diabo...

N�o d�s um beijo ao teu tio Edouard?

O meu tio?

Sim, o teu tio, � assim que se chama ao irm�o da tua m�e...

� estranho que voc� conhe�a o Vincent e o Olivier, mas n�o o Georges.

Eu estava a viajar quando o Georges estava a crescer.

N�o sei, � a for�a do acaso.

Mas vi-o no ber�o, s� que ele n�o se lembra.

Vamos para a mesa daqui a tr�s minutos, querido.

Tenho trabalhos de casa, vou para a sala ao lado.

Na verdade, vim a Paris para ver...

a nova edi��o do meu primeiro livro.

"Terminus"?

J� o leste?

Sim, claro.

Que pena, eu trouxe-te uma c�pia...

Posso ficar com ele na mesma?

Se contares aos meus pais do livro, digo-lhes que me tentaste tocar.

"Quer me leias ou n�o, espero ver o Olivier em breve".

"Terminus" � um t�tulo engra�ado, para um primeiro livro.

�, n�o �?

Aqui tens.

E o Vincent, onde est�?

Est� a estudar medicina.

Ele mora aqui, mas j� mal o vemos.

Passa o tempo livre a cuidar do pai, que � escritor, como tu...

Robert De Passavant.

N�o gosto da reputa��o desse homem...

Gostas dos livros do Passavant?

Devo que dizer que...

N�o.

E tu?

S�o ast�nicos, mas interessantes.

Tenho que ir. Estou muito atrasado.

Olivier,

mostra ao teu tio Edouard o poema que me mostraste no outro dia.

Quero saber a opini�o dele.

Vou ver o que est� a fazer o Georges.

Mostras-me o poema?

Eu dei-te o meu livro, mostra-me o teu poema...

Vou contigo?

� muito mau.

Eu sei.

Esta parte � boa.

No Jardim de Luxemburgo.

Edouard encontra-se com F�lix Douviers, noivo de Laura Aza�s.

Douviers!

Ol�!

Perguntei a Laura se voc� se importaria que casasse com ela.

Ela respondeu-me que a aconselhou a faz�-lo.

Quero agradecer-lhe...

por n�o achar isto rid�culo, muito sinceramente...

Porque � que a Laura lhe contou sobre mim?

Casamento no templo, Laura Aza�s e F�lix Douviers,

celebrado pelo pai da pr�pria noiva, o pastor Aza�s.

Duvois!

Que a gra�a e a paz do Senhor estejam convosco.

� a partir dele e de Jesus Cristo, nosso Senhor,

que todas as fam�lias existem.

A igreja acolhe quem � alegre.

F�lix e Laura,

neste momento decisivo das vossas vidas,

ela rodeia-vos com todo o seu carinho.

Com voc�s, ela expressou a sua gratid�o a Deus.

Senhor, n�s viemos agradecer-Vos.

Destes vida ao homem e � mulher aqui presentes.

Por V�s, foram levados a este momento de uni�o...

diante de V�s, com liberdade e alegria.

Ele parece aquele pastor...

da foto na minha mesa.

Para compartilharem os dons e formarem um casal...

por meio do qual v�o procurar o trabalho da vossa cria��o.

Voc�s s�o testemunhas desta uni�o e, agora, t�m a palavra.

Quiseram estar com eles hoje...

N�o ligo, sou cat�lico.

Como querem estar com eles todos os dias, para sempre.

N�s vos louvamos, Senhor.

Tudo nele me atrai e � muito misterioso.

Encontramo-nos na pens�o? Deixo o Olivier contigo...

Vens?

N�o pensei que conhecesses os Aza�s assim t�o bem...

Morei com eles durante dois anos...

Tinhas um contrato?

Nessa altura, era conveniente.

- Laura? - Exacto.

Ainda l� est�o. Acho que ningu�m reparou...

J� foi h� dez anos.

Dez anos?

Sim! Ouve. Queria dizer-te...

Talvez n�o nos vejamos durante muito tempo...

Queria saber se posso contar contigo...

Contar contigo como amigo...

Aconte�a o que acontecer...

Tio Edouard, lembras-te do meu irm�o?

Como est�s, Vincent?

Conhecem-se?

N�o propriamente...

Vai ver o pastor. Ele est� no escrit�rio.

Ele vai gostar muito.

Est�s a ver estas flores?

Sabem transmitir a gl�ria do Senhor melhor que os homens.

A escolha da Laura surpreendeu-me.

Duvido que F�lix Douviers seja o homem certo para ela...

O que achas?

Quem sabe?

De qualquer forma, acho que � um rapaz honesto.

- N�o �? - Claro.

P�ra!

P�ra, o que est�s a fazer?

O que est�s a fazer? Meu Deus!

Eles v�o...

Eu vou ver o Sr. Lap�rouse.

O fog�o apagou-se...

Tive que o esvaziar...

Est� claro que mudei, n�o �?

Quando toco uma fuga de Bach, tenho que recorrer ao caderno...

Estou a perder a minha mem�ria.

Muitos gostariam de a ter.

E, quando ando,

parece que ainda caminho r�pido o suficiente,

mas, na rua, todos me ultrapassam.

Anda-se muito mais r�pido hoje em dia.

A s�rio?

Os estudantes aqui s�o todos mais r�pidos que eu...

Hoje em dia, toda a gente tem pressa...

Vais ficar com frio...

- Vamos acender o fog�o. - N�o...

Tenho que endurecer...

Sempre lutei contra mim pr�prio.

Conseguir essa vit�ria � bom, mas se o corpo sucumbir...

Estava com medo que fosses embora sem me ver.

Para onde?

Est�s sempre a viajar...

Queria dizer-te...

Que vou partir em breve.

Vais viajar?

Entendes bem o que te digo.

H� um ponto do qual prometi a mim mesmo que n�o passaria.

Nunca entendi porque a religi�o se op�e a isso.

Deus passou por cima de mim...

Ele vinga-se de n�s...

Por que � que ele quer isso?

Nunca te falei do meu neto...

- Quantos anos tem? - Treze anos.

� muito delicado.

Chama-se Boris.

Nem sabia que tinhas filhos.

Um filho. O meu filho. Est� morto, morto...

E Boris, onde � que ele mora?

N�o sei.

Est� na faculdade na Pol�nia...

Em Vars�via, acho eu...

Ele viaja muito com a m�e.

Os m�dicos cuidam dele.

Diz-me,

� poss�vel amar uma crian�a que nunca vimos?

Hoje, ele � o que tenho de mais valioso no mundo,

e n�o sabe nada sobre mim...

Vai, depressa.

N�o fiques muito tempo sem voltar...

S� ouso contempl�-lo quando ele n�o me v�.

�s vezes, estou na rua sem que ele saiba.

Onde vais, t�o r�pido?

A lugar nenhum.

Tenho sempre pressa quando n�o tenho nada para fazer.

Amanh� parto para Londres.

De repente, decidi ir.

Est� na hora.

Se ao menos pudesse lev�-lo!

Alguns meses depois. Vincent, irm�o mais velho de Olivier,

aposta e perde tudo o que tem na empresa de Robert De Passavant,

cujo pai tratou.

Fa�am as vossas apostas, senhores.

Fa�am as vossas apostas...

Fa�am as vossas apostas...

O jogo come�ou.

Acabaram-se as apostas.

Ah, Pedro!

24, preto, par e passa.

- Quando vais ver o meu pai? - Amanh� � tarde...

Para com esse mau humor...

Eu falei-te dessa jovem, a Laura...

A que gosta de ti, n�o �?

Esta noite, perdi tudo o que lhe ia dar para ajud�-la...

E agora, est�s a sentir-te culpado.

Vais ver como tudo muda...

- Queres ir para casa? - Sim.

Perdi tudo.

Apostei, e n�o tenho nada...

Vincent...

Vincent...

Vincent...

Vincent...

Vincent...

Vincent...

Calma, os meus irm�os est�o a dormir...

� culpa minha, mas ouve...

N�o posso fazer nada por ti.

Volta para o teu marido.

Conta-lhe a verdade...

Bernard Profitendieu, melhor amigo de Olivier,

sozinho em casa, descobre o segredo da sua vida...

Dhurmer!

Ele est� a falar de uma mulher,

mas n�o sei se o vestido dela � vermelho ou branco.

Para mim, � simples, quando n�o h� cor, n�o vejo nada...

A Rep�blica, na Fran�a, � o reinado do estrangeiro.

O que te fez a Rep�blica?

N�o gosto...

N�o devias ler jornais, est� a afectar-te.

Mal falamos de Maurras, ficaste verde...

Diz-me, r�pido. Tenho pressa.

Disseste-me que n�o dormes perto dos teus pais?

Sim, porqu�?

- Disseste que o Georges dorme l�. - Sim.

- Ele vai ficar quieto? - Quem?

O pequeno.

Se for necess�rio, sim... Porqu�?

Ouve, eu vou sair de casa.

Ainda n�o sei para onde vou.

Posso ficar contigo por uma noite?

N�o chegues antes das onze.

A minha m�e despede-se todas as noite, e tranca a porta...

E ent�o?

Eu tenho outra chave.

Entras em sil�ncio para n�o acordares o Georges.

Bem, vou indo.

Eles est�o a olhar...

O que quero � contar uma hist�ria, n�o de uma pessoa, mas de um lugar.

Por exemplo, um caminho como este,

narrar o que acontece da manh� � noite...

- Ol�, senhor. - Ol�, Antoine.

Antes de sair, o Sr. Bernard deixou uma carta na sua mesa.

Como assim?

Muito bem.

Onde disse que est� essa tal carta?

No seu escrit�rio, senhor.

Senhor, segundo uma recente informa��o que obtive nesta tarde,

devo parar de v�-lo como meu pai,

e isso � um enorme al�vio.

Como quase n�o sinto amor por si,

acreditava, h� muito, que era um filho desnaturado.

Prefiro saber que n�o sou seu filho, de qualquer forma.

Assino com o seu apelido rid�culo,

que gostaria de poder devolver e que anseio por desonrar.

Cecilia, querida, podes parar, por favor...

Est�s mal?

N�o, n�o.

A tua m�e ainda est� em casa?

N�o, j� n�o.

L� isto.

N�o posso.

N�o posso.

Tens que ler.

N�o lhe devias ter dito... Porqu�?

Eu n�o lhe disse nada.

Como � que ele soube? Como?

Est�s a perceber?

Porque � que me perdoaste?

Eu nunca devia ter voltado... nunca!

Na mesma noite. Vincent, na casa de Passavant.

Entre.

�s tu, Vincent!

Estou a escrever um manifesto para o jornal do seu amigo Dhurmer...

Mas, claro, n�o o assinei...

Principalmente visto que estou a escrever a minha eul�gia.

Como se chama o teu irm�o?

Olivier?

Ah, Olivier, � isso!

Puxa uma cadeira...

Ele escreve poesia, n�o �?

Fazia-me bem l�-la, ficaria surpreendido se fosse m�.

Diga-lhe para vir ver-me, sim?

Bom...

Ouve, Vincent...

N�o sei porqu�, estou a pensar na pobre rapariga que me falaste.

Aquela quantia...

Eram cinco mil francos, n�o eram?

E essa quantia... considero que ta devo.

Se a ganhares, devolves-me. Caso contr�rio, boa sorte!

Vai � casa do Pedro,

o carro vai-te levar. Depois volta para me vir buscar,

leva-me � Sra. Griffith, onde pe�o-te que me encontres.

Ent�o, vamos contar o dinheiro?

O carro vai levar-te de volta a casa do Pedro...

Dois, tr�s, quatro e cinco...

Vai, r�pido!

E o seu pai?

Esqueci-me de te contar. Ele morreu, ele tinha...

Sapristi, foi demasiado tarde!

Sim, ele morreu h� umas quatro horas.

- E n�o ficou... - Para tratar dele?

N�o, ele est� com a empregada.

Ela trata melhor dele que eu.

Apressa-te e vai ter comigo � Lilian.

E devolve-me o carro depressa.

Conforme combinado,

Bernard encontra-se com Olivier no quarto que divide com Georges,

o seu irm�o mais novo.

Vais voltar para casa?

Nunca.

Por que vais embora?

Isso, meu amigo, � um assunto de fam�lia...

E onde vais morar?

N�o sei.

Com o qu�?

Veremos.

Tens dinheiro?

- Para comer amanh�. - E depois?

Vou ver, eu arranjo-me.

Qualquer coisa, menos ir para casa.

Bom, para aquele lugar...

E o barco, pensaste nisso?

Vou apanh�-lo.

Na pior das hip�teses, posso ir busc�-lo em Outubro.

Vou ficar bem, vais ver...

Volta para a cama, vais ficar com frio...

- �s tu quem vai dormir... - Est�s doido? Despacha-te.

Anda comigo. N�o vais dormir no ch�o.

Tenho de me habituar.

Achas que o Barr�s vai ser eleito?

- Isso preocupa-te? - Bem...

N�o, n�o me importa...

Digo...

O meu irm�o tem uma amante...

Georges?

Vincent!

- Ele contou-te? - N�o.

Eu descobri sem querer...

Nem os meus pais sabem...

O que diriam?

N�o sei.

O meu pai dizia-lhe para acabar tudo ou para casar com ela...

Sim, os cidad�os de respeito n�o entendem...

que � poss�vel ser honesto de uma maneira diferente...

Como soubeste?

Normalmente n�o o vejo quando ele volta, mas, ontem � noite, n�o dormi.

Que horas eram?

Tr�s, talvez...

Encostei-me � porta e ouvi-o a conversar com uma mulher...

- Ela dizia-lhe coisas. - Que coisas?

Coisas como "Vincent, meu amor, n�o me deixes."

"Aonde queres que eu v�?"

"Que vai ser de mim?" Coisas assim, entendes?

E, quando ele entrou,

ela ficou ali, e ouvi-a a chorar.

No teu lugar, tinha aberto a porta...

Fazes tudo o que te passa pela cabe�a.

Sabes quem � essa mulher?

Como queres que saiba?

Tem a certeza que o Georges n�o nos ouviu?

N�o, ele est� a dormir...

E tamb�m n�o entenderia.

Idiota, eu ouvi tudo! E agora, sil�ncio, estou cansado...

Calem-se!

O que vais fazer amanh�?

� quinta-feira, n�o tens escola.

De qualquer forma, vou voltar e preparar-me.

Amanh� vou � Esta��o Saint-Lazare �s 11h30.

Tenho que ir buscar o meu tio Edouard, que vem da Inglaterra.

O teu tio Edouard?

Sim, � meio-irm�o da minha m�e.

Eu mal o conhe�o, mas gosto muito dele.

Ele escreve...

Romances?

Sim, tipo isso...

Por que n�o me contaste?

Se os lesses e n�o gostasses...

O qu�?

Ia ser triste.

�s onze e meia...

Como sabes?

Ele escreveu um postal � minha m�e.

Ele n�o sabe que vou estar l�.

Vais almo�ar com ele?

N�o, tenho que estar de volta ao meio-dia.

Quando te voltarei a ver?

S� quando os meus problemas acabarem.

Eu posso ajudar-te...

N�o, se me ajudares, vou achar que estou a fazer batota.

Vamos dormir.

Passavant e a Sra. Lilian Griffith, na casa dela,

esperam por Vincent.

Vais ficar careca, amigo.

Levas a vida muito a s�rio.

N�o quando estou contigo.

Disse ao Vincent para vir?

Pediste-me que o fizesse.

Emprestaste-lhe dinheiro?

Os cinco mil francos que vai voltar a perder com o Pedro.

Porque queres que ele perca?

Ele n�o tem paci�ncia, joga de forma errada.

Esta noite, vai ganhar. Queres apostar?

Se quiseres...

Se ele ganhar, o dinheiro � teu,

mas, se ele perder, tu pagas-me, est� bem?

E se ele n�o perder nem ganhar?

Isso nunca acontece.

� engra�ado como te interessas por ele.

� estranho que tu n�o te interesses por ele.

Est�s interessada porque est�s apaixonada por ele.

Isso � verdade, meu caro.

Mas n�o posso diz�-lo.

Vamos beber em honra � aposta, e depois em honra ao vencedor.

Acho que o teu Vincent � infantil.

N�o foste tu que o trouxeste para mim!

Tens todas as caracter�sticas de um homem culto.

Vaidoso, hip�crita, ego�sta...

Fico confuso...

Tens charme, mas nunca ser�s um bom romancista.

Porqu�?

Porque n�o sabes ouvir.

J� sei tudo o que ele me poderia dizer.

Conheces a hist�ria dele com essa mulher...

que ele colocou "numa m� situa��o"?

Assuntos do cora��o, uma das coisas mais chatas do mundo.

Tamb�m gosto muito quando ele fala de hist�ria natural.

� ainda pior, hist�ria natural...

N�o o achas chato?

Eu amo-o.

E ele... ama aquela mulher?

Amava...

Depressa, antes que ele venha...

O meu pai morreu.

O que diria de ser Condessa de Passavant?

Mas, meu caro, j� te disse...

Deixei um marido esquecido em Inglaterra.

N�o, vamos ficar como estamos.

Amigos, n�o �?

Ele perdeu a aposta!

- Ele perdeu a aposta! - Qual aposta?

Quanto ganhaste?

Deixei o jogo aos 50 mil...

Muito bem! Muito bem!

Agora s�o da Sra. Lilian.

Sai com ele e volta daqui a quinze minutos.

Vens?

Acho que vou a p�. Preciso de apanhar ar fresco.

Adeus, ent�o...

Abre a m�o, mostra-me isso...

� quinta-feira.

O teu irm�o n�o est�,

diz-lhe que me venha ver �s quatro horas.

De manh�, Bernard sai do quarto de Olivier.

Achas que n�o sei no que est�s a pensar?

Est�s desapontado por teres de deixar a Laura...

Entendo que tenhas pena dela, mas... o que est�s a fazer?

Edouard no comboio que o traz de volta, de Londres para Paris,

onde Olivier o espera.

Recebi uma carta de Laura na manh� da minha partida para Paris.

Diz que est� gr�vida.

Do F�lix Douviers, o seu marido,

que ela deixou e que nada sabe sobre a sua condi��o,

que o pai da crian�a a abandonou,

e que depende de mim.

Est� em Paris, sem dinheiro, num pequeno hotel...

O romance que preparo � diferente

de tudo o que escrevi at� agora.

N�o sei se "Os Moedeiros Falsos" � um bom t�tulo.

N�o o devia ter divulgado.

Eu tinha a certeza de que estarias aqui...

Tinha coisas para fazer.

Vou colocar isto num lugar seguro, e mais tarde vou-te buscar.

12 de Novembro.

�s vezes, sigo-o na rua sem que ele saiba.

Ontem, estava a andar atr�s dele,

e ele virou-se abruptamente, n�o tive tempo de me esconder.

"Onde vais, t�o r�pido?" Perguntei eu.

"A nenhum lado."

"Tenho sempre pressa quando n�o tenho nada para fazer", disse ele.

Ao teu sucesso...

Quando � o exame?

Daqui...

Daqui a dez dias.

Est�s preparado?

Acho que sim.

- Ainda escreves versos? - De vez em quando...

Preciso de conselhos...

Os conselhos de um velho s�o in�teis.

Os teus pais devem estar � tua espera para almo�ar.

Adeus.

O pai da crian�a abandonou-me.

Estou em Paris sem dinheiro no Hotel Git Le Coeur,

na Rua Git Le Coeur, n�17, e preciso de ti.

Adeus, que j� n�o sei o que estou a escrever.

Entre.

Com licen�a, senhora.

O seu amigo Edouard chegou a Paris esta manh�...

Tenho algo de urgente para lhe dizer.

Pensei que talvez pudesse dar-me a morada dele.

Mas eu n�o sei a morada dele.

Se ele est� em Paris, espero que me venha ver.

Diga-me quem � voc�, e eu digo-lhe...

Eu sou...

Eu sou amigo de Olivier Molinier.

Irm�o do Vincent, o homem que a abandonou...

Desculpe.

Sabia que estava a passar dificuldades.

Queria ajud�-la.

Voc� est� bem?

N�o. Obrigada.

Esta cadeira � rid�cula.

Se voc�...

Se me deixar ficar aqui, evito que caia.

N�o me disse o seu nome.

Bernard.

Sim. E o apelido?

J� n�o tenho fam�lia.

O nome dos seus pais...

N�o tenho pais.

Sou bastardo.

Como a crian�a que voc� carrega.

Mas como...

Voc� n�o tem o direito de saber...

Sei o que o meu amigo Olivier sabe.

E o que seu amigo Edouard sabe...

Cada um deles sabe metade do seu segredo.

E eu sou o �nico, al�m de si, que sabe de tudo.

Entende como precisa de mim como amigo?

Foi o Edouard que te mandou?

N�o.

Entre.

Laura, tenho de falar com este senhor.

Se ele me seguir at� ao corredor...

Pensei que te encontraria aqui.

Esperava encontrar-te.

Primeiro, desce e acerta a conta da Sra. Douviers...

com o dinheiro que encontraste na minha mala.

Volta daqui a dez minutos.

J� que est�s aqui, imagino que tenhas lido os meus pap�is?

Deixa-me chorar um bocado, faz-me bem.

Deves saber o que vais fazer.

Mas o que queres que fa�a? Para onde queres que v�?

H� quantos dias est�s aqui?

J� n�o sei. Estava � tua espera.

Agora, acho que n�o consigo ficar aqui nem mais um dia...

Leva-me, leva-me...

Prometo que vamos pensar numa solu��o.

Mas para de chorar.

Quando te vejo a chorar, n�o consigo pensar...

Aqui est� ele... como se chama?

Bernard.

Posso perguntar-lhe, senhor,

quando me vai devolver os meus pertences?

Quando quiser, senhor...

Devo-lhe uma explica��o.

Ontem, fiquei sem casa, sem fam�lia,

e se n�o o tivesse conhecido, ter-me-ia atirado ao mar.

Segui-o esta manh�, quando o meu amigo Olivier

foi busc�-lo � esta��o.

Ele falou-me de si.

Eu queria uma maneira de me aproximar de voc�.

Quando voc� perdeu o formul�rio, senti-me aben�oado pela sorte...

Peguei na sua mala s� para poder contact�-lo.

E agora?

E agora...

Voc� precisa de um secret�rio?

Sim, sim.

Vamos ver...

Venha ter comigo aqui amanh�, � mesma hora,

se a Sra. Douviers permitir.

Sim? Ent�o at� amanh�.

E, quando puder, deixe a minha mala na recep��o.

At� amanh�.

Olivier na casa de Passavant.

Pedi-te para vires, antes de mais, para poder voltar a ver-te.

Aquilo que disseste, da �nica vez que nos encontramos, interessou-me.

Ou n�o te lembras?

Sim, sim.

Hoje, tenho algo de espec�fico para te dizer.

Acho que conheces um certo algu�m chamado Dhurmer...

Acabei de v�-lo.

Viste-o?

T�nhamos que falar...

de uma revista que ele vai dirigir.

Dirigir! Foi o que ele te contou?

� o que me costuma dizer, j� h� muito tempo.

Sim, pedi-lhe para ler os manuscritos comigo.

Para ele, talvez seja essa a defini��o de ser director.

- N�o fumas? - N�o, obrigado...

Posso chamar-te Olivier?

Olivier,

deixe-me dizer-lhe que tenho mais confian�a...

no teu gosto que no de Sidi Dhurmer.

Aceitarias ser director liter�rio?

Sob a minha supervis�o, claro.

Preferia que o meu nome n�o aparecesse na capa.

O meu exame...

A revista n�o ser� publicada imediatamente,

mas precisamos de ter v�rias edi��es prontas antes de Outubro,

e seria necess�rio reunir no ver�o para falar sobre isso...

Quais s�o os teus planos para as f�rias?

Poderias alter�-los um pouco?

A minha m�e n�o vai gostar.

Posso falar com o teu irm�o...

Com o Vincent? Seria in�til...

Mas, se houvesse boas raz�es para contar � tua m�e...

- N�o pretendes ser um cr�tico. - N�o.

Versos?

Sei o que fazes, o teu irm�o traiu-te.

Olivier,

esta revista deve ser uma plataforma para a juventude.

� raz�o da sua exist�ncia.

Quero que me ajudes a escrever uma esp�cie de manifesto.

Vamos falar disso depois.

Tens de escolher dois ou tr�s ep�tetos,

palavras antigas e muito gastas,

vamos carreg�-las de novos significados,

e vamos imp�-los...

"Vital", por exemplo,

"Inconsciente e vital", que tal?

"Elementar, Robusto e Vital".

Sim.

Podia ser ainda melhor.

Fora de Paris, num restaurante, a Sra. Griffith...

e Vincent jantam com Passavant.

Trouxemos v�rios animais estranhos do fundo do mar,

onde a luz n�o penetra.

Ach�vamos que eles n�o tinham olhos, e descobrimos que quase todos tinham.

Porqu� olhos? Se n�o d� para ver nada?

De facto, todos esses animais...

emitem e projectam a sua pr�pria luz, em torno de si.

Cada um deles ilumina...

Ilumina...

Quando os resgatamos, de noite,

e os atiramos para o conv�s do navio,

parecia que a noite estava toda iluminada...

Quem viu diz que foi um esplendor �nico.

Tive uma conversa agrad�vel com o teu irm�o Olivier.

Gosto muito dele.

Ofereci-lhe trabalho como editor.

Editor-chefe de uma revista, na idade dele, � extraordin�rio...

T�o extraordin�rio que pode at� assustar os meus pais.

Precisamente, gostaria de lev�-lo comigo este ver�o.

N�o tive a honra de conhecer os teus pais,

e n�o v�o deixar o Olivier ir comigo se n�o intervieres a meu favor.

Os teus pais devem entender que, na idade dele,

tem de ver o pa�s.

Vais tratar disso, n�o vais?

Na Pens�o Aza�s,

Edouard visita o Sr. Laperouse.

Sei onde est� ele.

Quem?

Boris...

O meu neto. Sei onde est�.

Espere...

Tenho a morada dele aqui.

Saas-F�e, sabe onde �?

� na Su��a.

Procurei no mapa, mas n�o consegui encontrar.

� uma aldeia no Matterhorn.

� muito longe daqui?

N�o muito, talvez possa ir...

Farias isso?

�s boa pessoa.

J� eu, sou demasiado velho.

No entanto, parece-me...

Parece-me que eu iria mais facilmente...

se pudesse v�-lo.

Farei tudo o que possa para traz�-lo.

Ir� ver o seu pequeno Boris, prometo-lhe.

Obrigado, obrigado...

Mas prometa-me que vai parar de pensar...

em partir.

Esse � outro assunto.

Se pud�ssemos redescobrir a intransig�ncia da juventude,

ficar�amos indignados com o que nos tornamos.

No alto dos Alpes, em pleno ver�o,

Edouard � acompanhado por Bernard e Laura.

N�o foi dif�cil encontrar o pequeno Boris.

Ele n�o sai de perto da filha da m�dica que cuida dele,

a pequena Bronja.

Ol�!

Doutora.

Por favor, chame-me Sophroniska...

Li o seu livro...

J�?

Eu s� fiz isso, sabe...

� muito interessante...

Eles s�o raros, creio eu,

romancistas ou dramaturgos...

que n�o se contentam com uma psicologia pr�-feita.

Obrigado.

Mas temo que essa psicologia seja a �nica que satisfa�a os leitores.

Estava a olhar para o Boris?

Sim, estava a olhar para o Boris, ouvi-o.

Exactamente, o que � que ele tem?

Quer saber o nome da doen�a dele?

Vai ficar satisfeito com um belo nome acad�mico...

Simplesmente, diga-me do que ele sofre.

Ele sofre de v�rios problemas, tiques, manias,

o que pode levar algu�m a dizer que � uma crian�a nervosa...

Ele � muito delicado e a presen�a da m�e � in�til para ele.

S� aceitei cuidar dele sob a condi��o de que ela

o deixasse inteiramente aos meus cuidados.

Que tipo de cuidados?

Apenas deix�-lo falar.

Todos os dias, passo uma ou duas horas com ele.

Fa�o-lhe perguntas, mas poucas.

Ele come�a a contar-me os seus sonhos da noite anterior.

Como sabe que ele n�o inventa?

Se for o caso, as inven��es de uma imagina��o doentia s�o reveladoras.

Para si ou para o Boris?

Para ele, claro...

Mas para mim, antes dele...

Acho que uma vis�o clara limpa a consci�ncia...

como um raio de sol purifica a �gua suja.

J� sei muitas coisas, e sinto muitas outras...

As perguntas de que ela me falava pareciam,

naquele momento, intrusivas, mas era dif�cil protestar.

Ela � a verdadeira m�dica de Boris...

� a minha filha.

Pode contar-nos sobre o seu futuro romance?

N�o posso contar tudo.

Como vai ser?

Diferente de tudo o que j� existiu.

Porqu� reescrever?

Mas...

o tema...

Eu gostaria de escrever sobre o que vejo, o que sei,

tudo que aprendo das vidas dos outros e da minha, sem escolher...

Vais matar os teus leitores de t�dio...

De modo algum.

Estou a criar uma personagem central que � romancista,

e o assunto do livro � justamente a luta

entre o que a realidade lhe oferece e o que ele pretende fazer com ela.

J� sei o que vai acontecer. Esse romancista �s tu.

N�o, vou garantir que ele seja muito desagrad�vel.

Pronto, toda a gente vai reconhecer-te.

J� escreveu muito?

Depende do que quer dizer com "muito".

Na verdade, n�o escrevi uma �nica linha do livro em si.

Mas trabalho muito.

Vejo que nunca mais vais escrever esse romance.

Vou contar uma coisa, n�o me importo.

Se n�o escrever este livro, quer dizer que a hist�ria

me interessa mais do que o livro em si,

e isso ser� muito melhor.

Perdoe-me, � por indiscri��o que sei o t�tulo do seu livro...

Eu sei.

Parece-me que...

que esse t�tulo anuncia uma hist�ria...

Vamos l�, diz-nos o t�tulo.

Se quiseres...

mas posso mud�-lo. � verdade, � enganador, acho eu...

Diz-lhes, Bernard...

Posso?

Os Moedeiros Falsos.

Mas diga-nos, esses moedeiros...

Quem s�o eles?

N�o sei.

Est�s com medo?

N�o, nunca tenho medo.

Sabes, mudei muito desde que sa� de casa...

Ali�s, desde que te conheci.

Mas talvez n�o entendas?

O qu�?

Tu sabes...

Porque queres que eu diga?

Meu pequeno Bernard...

N�o me digas que te est�s a apaixonar por mim.

N�o foi o que eu disse.

Foi bom n�o suspeitar de ti.

Em breve, estarei deformada e inchada, e isso passa-te.

Se for uma doen�a, prefiro n�o ser curado.

L� isto.

Quando recebeste esta carta?

- Esta manh�. - Pensei que ele n�o sabia de nada.

- Escreveste-lhe? - Sim. Contei-lhe tudo.

O Edouard sabe?

O que pensas fazer agora?

Voltar para ele.

� com ele que tenho que viver...

Achas que se pode amar o filho de outra pessoa tanto quanto o nosso,

acreditas nisso, verdadeiramente?

N�o sei se acredito, mas espero que sim.

Eu, agora, acredito que sim.

Fica com o Edouard.

Vais ajud�-lo.

E deixa que ele te ajude.

Ele � boa pessoa.

Tu ama-lo.

N�o tenho ci�mes do Douviers nem do Vincent, mas do Edouard, sim.

Porqu�? Gosto do Douviers e do Edouard, de formas diferentes.

Se eu tiver que te amar, ser� outro amor ainda...

Doutora.

Acho que o Boris est� curado.

N�o est� a ser precipitada?

N�o.

Estou um pouco preocupada.

Bronja � quase m�stica, sabe...

Ela influencia-o muito.

Pode ser da idade.

Almas como as de Boris e Bronja n�o podem viver sem uma quimera.

Se viverem, sucumbem.

N�o tenho o direito de quebrar a confian�a dessas crian�as...

Que confian�a?

Eles conversam com os anjos, veja.

Eu n�o acredito nos dogmas da igreja...

mas acredito na efic�cia da f�.

Eu falei-lhe da pens�o Aza�s...

Os pais da Laura, sim...

Acho que Boris ficaria bem l�,

com rapazes da idade dele, perto do av�...

Ele espera-o, ele est� � espera.

E acha que ele saber� como cuidar dele?

Creio que um ambiente acad�mico...

ser� muito ben�fico para ele.

Pode ser uma boa ideia.

Espero que a m�e dele concorde.

Sim, acho que vai concordar.

Entretanto, Passavant trata de Olivier.

Queres uma bebida, querido?

Desculpe!

Diga-me.

Bebidas para as senhoras.

E para os senhores?

N�s? Bebemos champanhe.

Odeio prostitutas.

Nunca fui a um bordel.

- Espero que tu tamb�m n�o... - N�o.

Ficava muito zangado contigo.

J� ouviste falar dos animais marinhos...

de �guas profundas que t�m a sua pr�pria luz?

N�o.

Sobrevivem sem luz natural.

Eu chamo-lhes "luzes perp�tuas", algo como uma revela��o, uma gra�a...

� muito bonito, devia escrever sobre isso.

� a minha p�rola secreta.

S� tem Rastas para exibir eleg�ncia, especialmente quando � falsa.

Pelo menos ele acabou o secund�rio.

E esta nota toda rabiscada?

Arrependimento, suponho.

Boa noite, senhores.

A Laura mostrou-te a carta que recebeu de Douviers?

Ele vai adorar a crian�a.

Bernard, temo ter come�ado com o p� esquerdo contigo...

Tenho muito carinho por ti.

Mas tenho a impress�o...

de que fazes mal em continuar a acompanhar-me.

Eu acho que entendo...

mas gostaria de lhe pedir para esperar.

Talvez seja um disparate...

O pequeno Boris vai para a Pens�o Aza�s,

se percebi bem.

E a Sophroniska diz temer que ele se sinta um pouco perdido.

Ent�o,

com uma recomenda��o da Laura,

posso encontrar um emprego a servir �s mesas, ou algo assim, n�o �?

A Sophroniska gosta de mim e o Boris d�-se bem comigo,

eu poderia ajud�-lo, proteg�-lo,

e trabalharia para si, entretanto.

O que acha?

Vamos ver.

Mas n�o largue o teu Bach.

Quero perguntar novamente.

O que acha do Conde Passavant?

Meu Deus! Pode imaginar...

E tu?

Eu...

Eu era capaz de o matar.

Como prometido, de volta a Paris,

Edouard re�ne o Sr. Lap�rouse com o seu neto Boris.

Foi um erro deix�-los sozinhos tanto tempo.

De volta � escola, na pens�o de Aza�s.

Como nos �ltimos anos, podem contar com a preciosa ajuda do Sr. Lap�rouse.

Apresento o Sr. Profitendieu, que tamb�m estar� � disposi��o,

para vos apoiar.

Ap�s estes longos meses de f�rias,

t�m a tarefa de acolher um novo ano, que traz a explos�o...

de ardor juvenil que devem ao futuro.

Em Outubro,

Bernard termina a licenciatura.

Est� bom?

Sim, est� bom...

N�o te tinha visto. Est�s t�o chique.

Vamos?

Esta noite, os Argonautas v�o dar um banquete.

O Passavant quer participar,

quer a revista em bons termos com o p�blico mais velho.

Devias vir, e trazer o Edouard...

Onde vai ser?

No Bouillon Racine...

A primeira edi��o est� quase pronta.

Por que n�o mandaste nada para a revista?

Porque n�o tenho nada.

Mas qualquer coisa serve.

Vou colocar o teu nome pr�ximo ao meu.

Se for preciso, esperamos um pouco.

Ouve.

N�o sei se me daria bem com esse tal Passavant...

Mas sou o director, ele deixa tudo comigo!

Mesmo assim, n�o quero escrever.

Sei que "mesmo assim" vindo de ti, � sempre bom...

Nem sei se vou escrever...

Se vou escrever algum dia.

Para escrever um romance,

ainda n�o sei o suficiente sobre a vida dos outros.

E eu pr�prio, ainda n�o a vivi.

E a poesia irrita-me, excepto a deRimbaud.

� o que digo no manifesto.

Ent�o, n�o vale a pena dizer outra vez.

N�o, n�o sei se vou escrever.

Sinto que escrever impede que se viva,

que � melhor expressar-se por actos do que por palavras.

Obras de arte s�o ac��es que duram.

Ent�o, esta noite? A que horas?

Acho que dez horas � cedo.

Mas vens?

Vou tentar convencer o Edouard.

Ele n�o gosta muito do Passavant, s� vai para te ver.

Vamos l�, dois a dois.

Ol�, Bernard, sou a Sarah.

A Laura falou-me de ti nas cartas que enviou da Su��a.

Vieste de Inglaterra?

Sim, esta manh�.

Podes ajudar-me com os trabalhos de casa?

Agora?

No meu quarto, por favor.

Vai, eu j� vou.

Est�s ocupada esta noite?

N�o propriamente, porqu�?

Podias vir comigo a uma festa...

Eu vou com o Edouard, ele vai ficar feliz por ver-te.

A que horas?

Vou buscar-te �s nove e meia, pode ser?

Est� bem.

O Edouard est� � nossa espera na esquina.

Est� bem.

Sil�ncio, os meus pais n�o sabem que vou sair.

Vamos brindar, ent�o,

ao come�o de uma nova estrela na afirma��o da nossa literatura.

Vamos brindar ao nosso amigo Robert De Passavant.

Por fim, vamos brindar ao talentoso Olivier Molinier,

infante dos verdadeiros poetas,

que vai gostar de nos mergulhar no profundo do abismo,

inferno ou c�u, n�o importa,

no profundo desconhecido para encontrar novos...

Tudo bem? Vou apresentar-te ao Passavant.

N�o � preciso, estou bem.

Tenho a impress�o de que j� te conhe�o,

ouvi falar de ti...

E vice-versa.

Olivier deu-me esperan�as de que viesses.

Fiquei feliz porque...

queria perguntar-te.

Tens not�cias do teu outro sobrinho, o meu amigo Vincent?

N�o.

S� sei que ele estava a viajar.

Sim, eu apresentei-o a um amigo,

queria distra�-lo da sua triste aventura com essa Sra. Douviers...

Essa...

Laura Douviers, que voc� conhece, segundo Olivier...

Mas quem � essa crian�a linda que est� consigo?

� a Srta. Sarah Aza�s, irm� da minha amiga Laura Douviers.

Seria muito gentil que nos apresentasses.

D�-me a garrafa. Vou rebent�-la!

Com o seu poliedro afiado,

a simp�tica senhora h�-de alcan�ar a perfura��o de suas partes internas.

Quem � este palha�o?

� Alfred Jarry, autor de Ubu Roi.

Acho que ainda est� b�bado.

S� pode estar. Eu vi-o a beber dois copos grandes de absinto.

Queres um cigarro?

Tens de fumar para evitar seres asfixiada...

Voc�s j� se conhecem, acho eu...

Lucien Bercail, Bernard Profitendieu...

Se eu escrever, terei um pseud�nimo...

A s�rio?

Este nome � muito estranho!

O pequeno Bercail vai ser envenenado. Pus veneno no copo dele.

Aquele � o Jerry? Achei que era um empregado.

Garanto que ele � engra�ado quando o conhecem...

Prefiro n�o o conhecer. Parece feroz.

Basicamente, � muito doce.

Mas, esta noite, bebeu muito, e s� absinto.

O Passavant teme que...

O qu�?

N�o, nada.

Porque n�o enviaste algo para a revista?

Porque n�o tinha nada pronto.

Obrigado por ter vindo, foi muito bom...

Esta tarde, toquei � sua campainha.

Estava na casa da tua m�e...

Bebes demais.

Planeias viver neste ambiente?

N�o me vou deixar levar.

Tens a certeza?

Acha que estou errado ao ser condescendente com as pessoas?

Nem todas, talvez, mas com algumas, de certeza.

L� est� o Mestre Passavant a namoriscar, para variar.

E agora, vamos estudar o pequeno Bercail.

Repitam em voz alta.

E agora, vamos estudar o pequeno Bercail.

Pode acabar mal, escondam-se debaixo da mesa...

Olhem para o Molinier, t�mido como uma mulher!

Venha c�.

Venha c�, parece um maluco...

Leve-me.

E os teus pais?

N�o sabem que estou em Paris.

Na manh� seguinte, na casa de Edouard.

Falou de um suic�dio.

Um dia, sim.

Sim, ele disse isso.

Ele entendeu que poderia um dia cometer suic�dio, mas...

s� depois de chegar a um pico de alegria tal que...

a descida fosse o �nico caminho.

Posso v�-lo?

� melhor deix�-lo sozinho, est� a descansar

Volte amanh�, pode ser?

� atrav�s dele que eu sinto e respiro.

O Sr. Profitendieu segue Bernard,

que vai � casa de Edouard para ver Olivier.

Esta manh�, ele perguntou se voc� n�o veio ontem.

Pensei que ele estava inconsciente, mas deve t�-lo ouvido...

Levei-o para o meu quarto para n�o o incomodar.

Vim ter not�cias tuas.

Estava � tua espera.

Vou embora, se estiveres cansado.

Fica.

Voltas amanh�?

Foi um disparate, o que eu fiz...

Eu explico-te...

Eu explico-te...

� t�o lindo...

N�o quero acord�-lo. D�-lhe um beijo por mim.

Fico mais tranquila por saber que ele est� na tua casa.

Fica melhor contigo do que comigo.

Sinto que o amas tanto quanto eu.

N�o precisas de ficar envergonhada...

Acredito que lhe possas fazer bem. Depende de ti.

Fazes de mim uma pessoa melhor.

� o Olivier que te vai fazer melhorar.

Edouard...

Promete-me...

Promete-me...

Nunca me perguntes porque quis matar-me.

Eu pr�prio j� n�o sei.

Eu acho que...

se quisesse dizer, n�o poderia...

Edouard vai at� Passavant para levar os pertences do Olivier.

E a m�e dele � sua meia-irm� ou algo assim?

Olivier disse-me isso a tempo.

Exactamente.

Ent�o � natural ele ir morar consigo.

Em minha casa, a presen�a dele seria mais...

sinistra,

voc� entende.

� uma das raz�es que me fizeram...

querer que ele se fosse embora.

- Sim. Era do interesse dele. - E o Vincent? Alguma novidade?

N�o me escreveu, mas recebi uma carta da Sra. Griffith...

At� pode l�-la.

Aqui tem.

Obrigado, n�o preciso de l�-la.

Como est� ele?

A Sra. Griffith n�o fala dele.

Eu queria dizer-lhe.

Sabe que eu tinha pensado no Olivier para dirigir uma revista?

Naturalmente, j� n�o h� d�vidas.

Naturalmente.

Os pertences do Olivier est�o no quarto que ele ocupou...

- Vai de t�xi? - Sim, est� � minha espera.

- Que bom. A prop�sito, como est� ele? - Muito bem.

No Jardim de Luxemburgo,

Edouard troca palavras com F�lix Douviers, marido de Laura.

� uma vergonha, amar e abandonar.

Sem este abandono, a Laura n�o teria voltado para si...

Mas vou amar este filho como se fosse meu. Prometi-o a mim mesmo.

H� mais m�rito na felicidade simples que no tormento.

A felicidade simples � muito dif�cil de alcan�ar.

Talvez tenha inveja?

Porque n�o?

Inconsequ�ncia das personagens.

As personagens que agem na trama, do in�cio ao fim,

exactamente como planeado.

Propomos, para nossa admira��o, esta constante,

que eu reconhe�o, pelo contr�rio, que � artificial.

O Sr. Profitendieu aborda Edouard na rua.

Sabe, senhor...

Uma crian�a pode fazer-nos muito infelizes.

Se Bernard o visse, o cora��o dele derreteria.

� verdade.

Diga-me como posso ajudar.

Ele tem um bom cora��o.

Sim, eu sei.

Voc� pode fazer muito.

Sei que ele esteve consigo este ver�o.

Sei que terminou a licenciatura.

Sabe muitas coisas.

A pol�cia fez um bom trabalho.

Se ele suspeitasse que, desde que foi embora,

n�o parei de pensar nele,

n�o parei de o acompanhar...

N�o lhe diga isso a ele,

ele � naturalmente assim, orgulhoso, t�o desconfiado...

Por�m,

pode dizer-lhe que me viu.

Pode dizer-lhe que n�o o culpo.

Que o amo como um filho...

Tamb�m lhe pode dizer...

que a m�e dele me deixou.

Sim, neste ver�o, para sempre.

E, se ele quiser voltar...

Sim, falarei com ele.

N�o nego que ainda d�i tentar explicar porque � que...

Bernard abandonou o lar para se juntar a si.

O que antes me impedia de o procurar.

Conhecemo-nos porque ele � amigo do meu sobrinho, Olivier Molinier.

Ah, sim.

Confesso que a conduta dele me atrai.

Apesar da dor que ele me causou.

Vejo...

mostras de coragem, valor...

Vou falar com ele, prometo.

Vai ficar frio!

Na Pens�o Aza�s, Edouard e Sr. Lap�rouse.

Eu durmo muito mal.

Quando finalmente chego ao ponto de adormecer,

n�o perco a sensa��o de sonol�ncia.

Isso n�o � dormir de verdade, pois n�o?

� algo que me incomoda...

N�o me diga, � in�til...

Imagine-se contra a minha cama, na parede,

h� algo que faz barulho no alto da minha cabe�a...

Vamos ao seu quarto, se quiser, e mostra-me...

Sim, vamos, talvez possa conseguir dizer-me o que �.

Como est� o Boris?

J� sabe, ele n�o fala muito comigo.

Acho que ele se d� bem com o seu amigo Bernard.

O Boris � muito t�mido, sabe.

Temo que o rapaz tenha o cora��o seco.

N�o, ent�o... Ele ama-o.

Podia demonstr�-lo um pouco mais...

De manh�, quando ele vai para a escola com os outros,

eu inclino-me na janela para os ver partir.

Ele sabe.

E n�o se vira.

Porque n�o quer mostrar aos colegas...

Sim, sim.

Obviamente,

n�o tenho o direito de esperar que o pequeno fique feliz por ver-me.

A m�e dele nunca lhe falou de mim!

D�-lhe tempo para o conhecer.

Ou�a...

Coloque o seu ouvido contra a parede.

Ou�a.

Est� a ouvir?

O barulho da rua disfar�a esse barulho...

Para si. Eu ou�o-o na mesma.

Muito bem.

Tentei de tudo, mudei o lugar da cama, coloquei algod�o nos ouvidos...

Eu n�o devia contar essas coisas,

sou s� um velho.

Agora, mantenho isto perto de mim.

O qu�?

A minha arma, a�...

No outro dia, carreguei-a...

Sim, carreguei-a, est� a ver, ainda...

Encostei-a � testa.

Fiquei com ela na cabe�a durante muito tempo.

Mas n�o disparei.

N�o consegui.

N�o tive coragem de disparar.

� vergonhoso diz�-lo.

A verdade � que, embora n�o esteja morto, n�o estou livre.

� como se Deus n�o quisesse que eu fosse.

N�o est� a entender.

N�o est� livre para entender...

Percebo agora que Deus se diverte.

Ele faz-nos fazer as coisas,

gosta de nos fazer acreditar que quer�amos faz�-las.

� o joguinho sujo dele.

D�-me a arma, n�o precisa dela.

N�o se preocupe, sei que nunca o faria.

Preciso de me lembrar que sou apenas um brinquedo nas m�os de Deus.

Estou vivo, mas estou morto.

Ou�a.

L� v�m eles...

Essas crian�as assustam-no?

N�o, mas... Porque pensa isso?

Preciso de ir.

Tenho de cuidar deles.

Sil�ncio! Deviam ter vergonha.

Ele � curioso...

Devemos contar-lhe?

N�o vale a pena, ele n�o ia entender.

Ela estava nua, meu Deus, completamente nua.

Sabes o que significa? Uma mulher nua?

Bem, �...

Uma mulher com barba...

Vamos criar uma fraternidade...

Com quem?

Bem, n�s os tr�s...

mais o Boris.

Est�s doido?

N�o! Ele faz o que quisermos.

Temos que pensar num nome.

A Irmandade dos Homens Fortes.

Certo.

"Um homem forte n�o se retrai ao enfrentar a vida."

Combina contigo, esse lema?

Vamos dizer que � de C�cero.

Vamos fazer uma tatuagem.

No bra�o direito.

Isso d�i.

H� tatuadores em todos os portos.

Sim, deixa vest�gios...

N�o, um juramento solene � suficiente.

Quem mentir ser� recusado para sempre, ser� um traidor.

Quem mentir sobre o qu�?

Vai haver um teste.

Claro, vamos garantir que o Boris n�o passa.

Qual � o teste?

Eu disse-te que vi uma pistola no quarto do Padre Lap�rouse.

N�o vou...

�s burro? � uma piada.

Se n�o quiseres, � s� dizer. N�o precisamos de ti.

Mas diz agora, porque, depois de assinar...

Est� bem, d�-me a folha.

Tu tratas do Boris.

Assina por ele.

Por mim, tudo bem, mas � o Gh�ridanisol que n�o te quer.

- Quem? - Gh�ri...

Ele n�o confia em ti. Diz que vais recuar.

O que � que ele sabe de mim?

Ele diz que vais falhar no primeiro teste.

Veremos.

Tens coragem?

Sim.

Sabes o que � o...?

N�o.

Quero saber.

O lema da irmandade �: "Um homem forte se retrai."

� verdade que assinaste?

- �... - O qu�?

N�o, nada.

Diz ao Gh�ri que pode contar comigo.

Assinas?

Se quiseres.

Boris.

N�o tens cora��o, meu pobre velho.

Cinco passos.

Se estiveres nervoso, nem vais dar um �nico passo.

N�o vou ficar nervoso.

Bem, at� amanh�.

Dez minutos.

"Tem certeza de que a arma n�o est� carregada?"

Mais cinco minutos.

Senhor, senhor!

Sr. Boris, exijo que volte imediatamente para o seu...

Depois da trag�dia, Georges volta para casa.

M�e!

O retorno de Bernard.

Senhor! O Sr. Bernard est� de volta...

"Poder� ter continua��o"

� com estas palavras que gostaria de terminar...

os meus Moedeiros Falsos.

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