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Original subtitles

AGATHA CHRISTIE PARCEIROS NO CRIME

UM ÁLIBI INCONTESTÁVEL

Alguma coisa interessante?

Não me mantenhas em suspense.

Muito bem, querida! Era essa a palavra que eu procurava.

- Não percebo. - "Manter algo pendurado".

- Continuo a não perceber. - Suspenso.

Era essa a palavra.

- Estás a fazer palavras-cruzadas? - Bem tento, mas esta não sabia.

Mas que perda de tempo!

Albert, viste o pano do...

...ditafone? - Na primeira gaveta da secretária.

- Uma mula que perde o chão... - Não tens mais nada para fazer?

Como proprietário de uma agência de detectives

no meio de uma aparente,

e espero que temporária, descida na criminalidade,

a resposta, minha querida esposa, é... não.

Pareces o Lloyd George a responder no Parlamento.

Fui tão eloquente como ele, mas faltou-me o sotaque galês.

- O que se passa? - Estou aborrecida.

Pobrezinha... Por quê?

Combine¡ ir hoje com a Janet à Galeria Wordsworth.

Queria muito ir.

Ah, sim, a exposição. Li sobre isso no jornal.

- Já os encontraram? - Não.

Aqui está. "De acordo com a Scotland Yard,

as aguarelas do séc. XVIII da autoria de Matthew Herrick

roubadas da Galeria Wordsworth em Albermarle Street, esta semana,

devem estar agora em Paris,

nas mãos de colecionadores privados sem escrúpulos."

- Não diz mais nada? - Não.

Além de que a galeria oferece uma recompensa de cinco mil libras.

- Por que esperamos? - Queres ir para Paris?

Encontramos os quadros e trazemo-los de volta?

Um belo golpe publicitário para a agência de detectives Blunt?

- Exatamente! - Esquece, minha querida.

Sabes quantos colecionadores privados devem existir em Paris?

Está fora de questão.

Vou continuar a exercitar o cérebro com as palavras-cruzadas.

E eu faço o quê?

Treina para seres a secretária ideal e assim impressionares os clientes.

E como faço isso?

- Estudando a primeira lição. - E qual é ela?

Aprenderes a sentar-te no meu joelho.

É a primeira boa ideia que tiveste esta semana.

Desculpe...

- Ainda bem que não era um intruso. - Por quê?

Estas mãos são mortíferas. "Touché"!

Em que posso ajudá-lo?

É esta a agência de detectives Blunt?

Desde a última vez que vi... É, sim.

Esplêndido. Posso falar com o Sr. Blunt?

- Tem hora marcada? - Não.

Pensei que podia aparecer...

Não vai dar?

O Sr. Blunt está numa reunião muito importante.

- Sr. Blunt... - Srta. Robinson...

- Mas que pena... - Pode ser que tenha sorte.

Talvez demore apenas alguns minutos.

Se fosse a secretária ideal, sabes o que faria agora?

Não, o quê?

Um cliente!

Tens batom nos lábios...

Parece que está com sorte. A reunião já acabou.

- Excelente. - Por aqui.

- Com certeza, Sr. Major... - O Sr. Montgomery Jones.

Bom dia, Sr. Montgomery Jones. Obrigado, Albert.

- Presumo que seja o Sr. Blunt. - Exatamente.

- Sente-se, por favor. - Obrigado.

Em que posso ajudá-lo?

É a minha secretária, Srta. Robinson. Pode falar à vontade à frente dela.

Presumo que seja um assunto delicado.

De certa forma, sim.

Espero que não esteja metido em problemas.

Não, de todo.

Peço-lhe então que relate os factos, usando as suas próprias palavras.

Nem sei por onde começar.

Talvez pense que é uma tolice...

Uma espécie de brincadeira.

Pregaram-lhe uma partida misteriosa, foi isso?

Não propriamente.

Não tenha pressa.

Tudo começou ao jantar.

- Sente¡-me ao lado de uma jovem. - Sim?

Não a consigo descrever, mas era simplesmente uma das mais...

Ela é australiana, está cá há uns tempos.

Alinha em tudo.

Nem imaginam o efeito que teve em mim.

Nós imaginamos, Sr. Jones.

Conheço-a de vista há algum tempo, frequentamos os mesmos círculos,

mas isto deixou-me completamente estarrecido.

Sente¡-me ao lado dela ao jantar e, sem mais nem menos...

Virou o seu mundo do avesso.

Foi exatamente isso. Muito bem dito.

Mas acho que ela não ficou impressionada comigo.

Pode não parecer, mas não sou muito interessante.

- Não seja tão modesto. - Sei que não sou grande espingarda.

É por isso que tenho de levar isto por diante.

É a minha única oportunidade.

- Desejamos-lhe muita sorte. - Obrigado, Srta. Robinson.

É tão honesta que não voltaria atrás com a palavra dada.

Naturalmente.

Mas não vejo em que o possamos ajudar.

Céus, ainda não vos disse?

Não, ainda não.

Bem, foi assim... A Una, é como ela se chama, Una Drake.

Tentei todas as artimanhas para atrair a sua atenção,

mas não tive êxito algum.

Mas depois começamos a falar de romances policiais

e descobri que ela era tão apaixonada por eles como eu.

- Não me diga. - Digo, pois.

Falamos de um em especial.

Eu disse... Não, ela disse... Quem foi afinal?

- Não interessa. - Certo.

Este romance gira à volta de um álibi.

Começamos a falar de álibis e da melhor forma de os forjar.

- E eu disse... - Não, ela disse.

Não, fui mesmo eu.

Disse que seria muito difícil forjar um álibi,

mas a Una discordou.

- Bastaria algum raciocínio. - Isso só não chega.

- É óbvio, Monty. - Não creio.

No livro, o tipo julga que se safou,

mas teve de pedir a terceiros que mentissem por ele

e eles acabaram por se desmanchar, como acontece sempre.

Nem sempre. Não se julgarem estar a dizer a verdade.

Perdão?

Só apanhamos alguém em falso se ele souber que está a mentir.

Disparate.

Peço desculpa, Una,

mas é difícil engendrar um álibi à prova de bala.

É mesmo impossível.

- Eu seria capaz. - Mentira!

Vamos fazer uma aposta.

Quanto aposta que consigo produzir um álibi incontestável?

- Aposto o que quiser. - Se fosse a si, não arriscava tanto.

- A vantagem é minha. - Não tenha tanta certeza.

Se perder e eu lhe fizer um pedido, aceita?

Venho de uma família de jogadores, honro sempre as minhas apostas.

Se eu ganhar, peço-a em casamento.

Muito bem, está apostado.

E se eu ganhar, não nos voltaremos a ver.

Como veem, está nas minhas mãos.

É a única hipótese que tenho com ela.

- Ela vai mesmo honrar a aposta? - Sem dúvida.

É uma aposta muito curiosa.

Devem estar habituados a fazer estas coisas,

investigar álibis para ver se não são falsos.

Estamos, sim.

Mesmo muito.

Sei que estão ocupados, mas pago o que for.

- O que for? - Preciso.

O que for preciso.

Não há problema. O Sr. Blunt vai aceitar o caso.

Sim, podemos tratar disso.

Mas o que devemos investigar ao certo?

Aqui está. Foi isto que ela me enviou.

"Envio provas como estive em dois sítios ao mesmo tempo.

De acordo com uma história,

jantei sozinha no restaurante "Bon Temps", no Soho,

fui ao Duke's Theatre e ceei com um amigo,

o Sr. Le Marchant, no Savoy.

Mas, nessa noite, fiquei também no Castle Hotel, em Torquay,

regressando a Londres na manhã seguinte.

Tem de descobrir qual é a história verdadeira

e como consegui engendrar a outra." - Estão a ver?

Um dilema muito interessante.

Muito ingênuo.

Aqui têm uma foto da Una. Vão precisar dela.

Obrigada.

Diga-nos o nome completo e a morada da senhora.

Una Drake. Mora no 180, Clarges Street.

Fico feliz por aceitarem o caso.

Por onde pensam começar?

O Sr. Blunt vai querer que eu confirme todos os factos.

Está quase na hora de almoço. Vou começar pelo "Bon Temps".

Isso é que é pensar rápido. Gostaria de a ver em ação.

Posso convidá-la para almoçar, Srta. Robinson?

- Mas que bela ideia, Sr. Jones. - Monty.

Todos me tratam por Monty.

- Obrigada, Monty. - Excelente.

Sim, obrigado. Aceitamos com prazer.

Excelente.

É muito aconchegante, muito francês. Sempre quis vir aqui.

Está muito na moda.

Os mais jovens param muito aqui.

- Como está, Henri? - "Bonjour", M. Monty.

- "Bonjour" para si também. - É um prazer vê-lo.

E a si também, M. Beresford. Seja bem aparecido.

"Mademoiselle"...

Beresford? Pense¡ que se chamasse Blunt.

Beresford é um nome que uso quando investigo um caso.

Pensei que nunca tinha vindo aqui.

Já não vinha há muito tempo. costumava vir de vez em quando.

- Nos meus anos de mocidade. - Não deve ter sido há muito tempo.

O seu patrão é uma incógnita, aposto que as tem todas pelo beicinho.

- Fique de olho nele. - É o que pretendo fazer.

- São tempos que já lá vão. - Não pense que nos engana.

Talvez quisesse ter convidado alguém para vir conosco.

Não, de todo.

Que pena, Sr. Blunt. Teria sido fascinante.

Vamos voltar ao que interessa.

Henri, tem um minutinho?

Reconhece esta jovem?

"Mais oui, Mademoiselle" Drake.

"Elle est charmante. Tout à fait charmante."

Lembra-se se jantou aqui sozinha na terça-feira passada?

Não costuma vir sozinha, mas não seria a primeira vez.

Deixe-me pensar. Terça-feira passada...

Se jantou sozinha na terça-feira... Penso que sim.

Mas vem aqui muitas vezes, não tenho a certeza.

Talvez um dos seus empregados se recorde.

Sou sempre eu que a atendo.

Sim, creio que esteve aqui.

Mas, por outro lado, talvez não.

Não nos ajudou muito.

Disse que ela vive em Clarges Street?

Divide o apartamento com uma amiga, Marjorie... qualquer coisa.

Quando acabarmos de comer vou lá falar com a srta. Drake.

Não pode fazer isso.

Se ela descobrisse que você e o Sr. Blunt me estão a ajudar...

Afinal, é a minha inteligência que ela está a pôr à prova.

- Ela pode anular a aposta. - Pois...

- Para onde foi quando saiu daqui? - Espere um pouco.

Entregou-me o canhoto do bilhete. Para o Duke's Theatre.

É onde está em cena o musical "Delphinium Blue".

- Quero muito ir vê-lo. - Deveras?

Não nos ajuda muito. Qualquer um podia ter comprado o bilhete.

E podia ter ido ver o espetáculo em qualquer altura,

para não a apanharmos em falso quando nos contasse o enredo.

Acham que a história de Londres é falsa?

Parece-me bastante débil.

Diria que ela foi para Torquay e que inventou a história de Londres.

Mas depois do teatro disse que ceou com alguém no Savoy.

- Peter Le Marchant. - É com ele que temos de falar.

- Como é ele? - É má companhia para a Una.

Trabalha em importação-exportação. Demasiado vistoso.

Não faz nada o gênero dela.

- Quer gasosa? - Só um cheirinho.

Obrigada.

Pois bem... Que conversa é essa sobre a Una?

É verdade que cearam juntos no Savoy, terça-feira, dia 19, Sr. Le Marchant?

- É verdade. Quer gasosa? - Não, obrigado.

- Qual é o problema? - Era só para confirmar.

- Ela está metida em sarilhos? - Não, de todo.

Estamos só a confirmar o álibi de um dos nossos clientes.

Disse que esteve no Savoy nessa mesma noite,

mas que só se lembra de ter visto Srta. Drake.

Compreendo. Porque não lhe perguntam isso a ela?

É preferível ter a confirmação através de uma terceira pessoa.

Senão, nunca saberíamos se ela o estaria a proteger.

Com certeza.

A vossa profissão é fascinante.

Muito mais interessante do que ficar fechado num escritório.

O negócio parece correr de feição, Sr. Le Marchant.

Não me posso queixar.

O negócio das importações está em fase de crescimento.

Estou sempre à procura de jovens com iniciativa para a minha firma.

Pode falar-nos de Srta. Drake?

Somente aquilo que sei.

Veio para cá há uns anos, muito vivaça,

independente como a maioria dessas raparigas australianas.

Conheci-a na pista de Sandown. Parece que gosta de apostar.

- Já tínhamos percebido. - Mas ela gosta mesmo é de Arte.

Arranjou trabalho na "Trinchas e Baldes"

ou lá como se chama aquilo, aquela revista de arte.

- "Pincel e Palete"? - Essa mesmo.

Foi promovida a editora. A vida corre-lhe bem.

- Conhece-a bem? - Não tanto como queria.

Se é que me faço entender... Não deixa ninguém aproximar-se.

Eu cá sou a favor da proximidade.

Tem a certeza que Srta. Drake esteve consigo naquela noite?

Claro que sim, já lho disse.

Vocês são muito desconfiados.

Acham que me pode ter pedido para dizer isso.

Não necessariamente. Mas mais alguém vos viu?

Um casal chamado Oglander que estava na mesa ao lado.

- Conhecem Srta. Drake? - Sim.

Não são amigos do peito, mas conhecem-na.

É a Una que vos interessa, não é?

Ela anda a tramar alguma?

Talvez. Mas é algo inofensivo.

Nunca se sabe o que ela tem na manga.

Sabe onde esteve nessa noite antes de se encontrar consigo?

Foi ver um musical, creio.

O que está em cena no Duke's Theatre.

Não gostou muito.

Agora que penso nisso, disse algo muito estranho.

Sim?

Fiz-lhe um elogio,

que estava muito atraente, que era um prazer estar com ela,

e ela disse-me... Como foi mesmo?

"Acha que estou aqui a jantar consigo,

"mas estou a 320km daqui, em Devonshire."

O mais engraçado é que, uns dias mais tarde,

o Dicky Rice me disse que a tinha visto antes.

- Dicky Rice? - É apenas um amigo.

Foi visitar uma tia a Torquay e disse que a tinha visto lá.

Perguntei-lhe quando e ele disse: "Terça-feira, à hora do chá".

Disse-lhe que devia estar enganado,

mas depois lembrei-me do que ela me tinha dito.

Não é estranho?

Segundo as suas palavras,

a Una Drake apanhou o comboio em Londres, ao meio-dia.

Teria chegado a Torquay à hora do chá.

E a tempo de ser vista pelo Dicky Rice.

Dá entrada no hotel, desfaz a mala e apanha o comboio para Londres

a tempo de se encontrar com o Peter Le Marchant no Savoy.

Podia ter apanhado o das 16h40.

É um comboio mais lento que chega a Paddington às 21h10.

Bate certo!

- Mas depois fica mais complicado. - Como?

Há um comboio à meia-noite que sai de Paddington,

mas seria muito cedo.

Podia ter ido de carro.

Fica a 320km de caminho.

Os australianos conduzem como uns loucos.

Suponhamos que conduz depressa.

Podia ter chegado por volta das 07h00.

E depois ter entrado no Castle Hotel furtivamente.

Ou explicando que tinha passado a noite fora

e que queria fechar a conta.

Somos uns idiotas, Tommy!

Ela nem precisava de ter voltado a Torquay.

Mas ela enviou a factura ao Jones.

Bastava ter pedido a uma amiga para levantar a bagagem e pagar a conta.

Assim, teria uma factura com a data correta.

É simples.

Creio que aventamos uma hipótese muito plausível.

Fizemos um bom trabalho.

Achas que foi assim tão simples?

As melhores respostas são simples. Só temos de as detectar.

Ela também enviou ao Monty a factura do almoço no comboio.

O Monty...

Podemos confirmar se ela esteve no comboio.

- Impossível, minha querida. - Por quê?

As probabilidades de serem os mesmos empregados,

já para não falar do mesmo comboio, são astronômicas.

Que pena.

- Desejam pedir? - Sim.

- O salmão parece-me bem. - Foi apanhado hoje. É escocês.

- E o rosbife? - É carne do lombo. Uma delícia.

Como acompanhamentos temos batatas cozidas ou assadas,

cenouras salteadas, ervilhas e couve-flor.

Não vamos comer nada.

Jantamos quando chegarmos. Dois gim com gasosa.

- Com certeza. - Desculpe...

Por acaso não se lembra

se esta senhora almoçou aqui na terça-feira passada?

Sim, a jovem australiana.

- Lembra-se dela? - Muito bem, a foto faz-lhe jus.

Tem a certeza que foi na terça-feira?

Não me podia esquecer. Foi ela que chamou a minha atenção.

- Deseja mais café? - Sim, obrigada.

Peço imensa desculpa, quase entornei no seu vestido.

Não havia esse perigo. A terça-feira é o meu dia da sorte.

- Sinto muito. - Não se preocupe com isso.

Já lhe disse, a terça-feira é o meu dia da sorte.

Estou há 10 anos nesta profissão

e foi a primeira vez que quase escaldei alguém.

Não me podia esquecer disso. Trago já as vossas bebidas.

Não é estranho que ele se lembre?

Sim, foi uma grande sorte

termos encontrado o empregado que a serviu.

E nem sequer é terça-feira.

Pelo menos ficamos a saber que ela viajou para Torquay.

Mas como sabemos que esteve em Londres nessa noite,

resta-nos descobrir como regressou a tempo.

Sim.

Tommy...

Estou esfomeada.

É preferível jantarmos no hotel, sempre interrogamos o empregado.

Matamos dois coelhos de uma cajadada só.

Já chegamos tarde?

Durante a época baixa, o restaurante fecha às nove. Lamento.

Não se arranja nada para comer?

Posso pedir à criada para vos levar umas sanduíches ao quarto.

- Sanduíches... - Seria ótimo, obrigado.

Assine o registo, por favor, Sr. Blunt.

Com certeza.

Julgo que esteve aqui uma amiga nossa, na terça-feira.

Srta. Una Drake.

Sim, lembro-me dela. Era australiana, creio.

É uma bela foto dela, não acha?

É mesmo. Captou muito bem a sua expressão.

- Ficou cá muito tempo? - Apenas uma noite.

Apanhou o expresso para Londres na manhã seguinte.

Na manhã seguinte?

Pareceu-me uma viagem muito longa para quem veio passar só uma noite.

Mas as senhoras australianas devem estar habituadas a grandes viagens.

Ela é muito aventureira.

Está sempre metida em... aventuras.

Não foi aqui que ela foi convidada a jantar com uns amigos,

enfiou o carro numa valeta e só voltou na manhã seguinte?

Não. Srta. Drake jantou no hotel.

Tem a certeza? Como é que sabe?

- Eu vi-a. - Deveras?

Só perguntei porque pensávamos que jantara com amigos em Torquay.

Não, senhor. Ela jantou aqui.

Lembro-me porque ela tinha um vestido amoroso.

Fiquei verde de inveja.

Era de chiffon preto com contas e uma saia com amores-perfeitos.

- Devia ser muito elegante. - E era mesmo.

Vou buscar a vossa chave.

Vou pedir para levarem as malas para o quarto.

E vou tratar pessoalmente das sanduíches.

Agradeço-lhe imenso.

Fale com o empregado acerca de Srta. Drake.

Ainda deve estar na sala de jantar. Fica a seguir à sala de estar.

- Ele deve lembrar-se dela. - Muito obrigado.

Sinto muito, meus senhores. O restaurante está fechado.

Sim, nós sabemos.

Mas uma amiga nossa ficou aqui na terça-feira

e disse que a sala de jantar era um espanto.

Talvez se lembre dela.

Usava um vestido de chiffon preto com contas

e uma saia com amores-perfeitos... creio eu.

É esta senhora.

Srta. Drake, claro. É australiana.

- Ela jantou aqui? - Na terça-feira passada.

Conversamos e ela perguntou-me se havia algo para fazer na cidade.

- Falei-lhe no teatro, o Pavilion. - Ela saiu depois do jantar?

Não.

Acabou por ficar por cá.

Ficou a ouvir a Sra. Purvis a tocar piano.

Ela toca de segunda a sexta.

Aos sábados, temos um conjunto de cordas.

Lembra-se a que horas desceu para jantar?

Já passava das oito horas. Não havia aqui quase ninguém.

- E a que horas saiu? - Deixe-me ver...

Solha, bife do lombo,

tarte de laranja, queijo e café.

Para uma jovem franzinita alimentava-se bem.

Já devia passar das nove.

Ela conseguiu animar o ambiente.

Pediu à Sra. Purvis para tocar o "Waltzing Mathilda"

e riu a bandeiras despregadas. Até nos alegrava o coração.

- Raios e coriscos! - Ao quadrado.

Não está a correr nada bem. Parecia tudo tão definido...

sabíamos que não seria fácil.

E está a ficar bem complicado.

E ainda não te perdoe¡ por não termos jantado no comboio.

Quando penso no salmão e no rosbife...

Esqueci-me que estávamos em época baixa.

E depois começaste a fazer olhinhos à lambisgoia da recepcionista!

- Mentira. - Estavas todo derretido.

Estás a ser injusta, Tuppence.

- E tu? - Eu?

O teu amigo Monty estava de rastos por causa da Una Drake,

mas não tirava os olhos de cima de ti!

- Isso é diferente. - E com o Le Marchant foi ainda pior!

Tentou seduzir-te mesmo à minha frente!

As senhoras recebem atenções, mas não as incentivam.

Vai dizer isso à recepcionista!

Desculpa, querida.

Estamos ambos cansados e famintos.

E de quem é a culpa?

Esta investigação não está a correr bem.

Concordo.

Sinto muito, Tommy.

Também eu.

Onde está aquela criada com as sanduíches?

É a nossa última esperança.

Não podia ter apanhado nenhum comboio depois das nove?

Nenhum que a deixasse em Londres a tempo de ir ao Savoy.

- Estávamos à sua espera. - Boa noite, meus senhores.

- Deixo-as aqui? - Sim, obrigado.

Têm aqui sanduíches de fiambre, de queijo e tomate e de sardinha.

- Quer que sirva? - Não...

Sim, obrigada.

Reconhece a minha amiga que está nesta fotografia?

Não, minha senhora. Não conheço essa jovem.

Que tolice...

Referia-me a esta aqui.

- Esta, sim. É a jovem australiana.

O seu quarto era duas portas abaixo. É sua amiga?

É por causa dela que estamos aqui.

Quem diria... É muito simpática.

Muito amável e conversadora.

E ficou muito bem nesta fotografia.

- Falou com ela? - Bastante, senhor.

Era uma senhora muito interessante.

Naquela noite, terça-feira à noite,

fui ao quarto dela para arrumar a cama...

Se não me despacho, chego atrasada ao jantar.

Tem muito tempo. Passa pouco das oito.

Importa-se de me ajudar com o fecho? Não consigo...

- Já está. - Obrigada.

- É um vestido muito bonito. - Obrigada.

Perdoe a ousadia, mas não é inglesa, pois não?

Não propriamente. Mas sou britânica como a árvore da goma e o canguru.

Nasci em Melbourne, no estado de Vitória.

- Onde nasceu a Nellie Melba. - A cantora de ópera?

Essa mesma. Dama Nellie.

O seu apelido vem de Melbourne.

Quem diria?

Falou-me muito da Austrália.

- Por acaso não a viu mais tarde? - Vi, sim.

Pediu uma botija de água quente por volta das dez.

E, na manhã seguinte,

pediu para a acordar às 07h30, e quis café em vez de chá.

Trabalho aqui há 18 anos

e é muito invulgar as pessoas pedirem café.

Mas como era australiana...

Estava na cama quando entrou no quarto?

Claro que sim.

Não estaria a fazer exercícios ou coisa parecida?

Costuma fazer exercício de manhã.

Não, fui eu que a acordei.

Deseja mais alguma coisa?

Não, obrigada.

- Então, boa noite. - Boa noite.

Boa noite.

- Isso deita tudo por terra. - Arrasa por completo.

Até perdi a fome.

Nellie Melba... "Waltzing Mathilda"... Terça-feira é o dia de sorte...

- Está a rir-se às nossas custas. - Às custas do Monty Jones.

Uma coisa é certa.

Ela passou a noite aqui, no Castle Hotel.

Disso não há dúvida.

O que faz do Peter Le Marchant um mentiroso rematado.

Ainda não confirmamos a história dele com as pessoas da mesa ao lado.

Os Oglander. Ela deve pensar que não os conseguimos encontrar.

E não conseguimos. Pelo menos, enquanto estivermos aqui.

- Só temos comboio amanhã de manhã. - Só temos comboio amanhã de manhã.

Agradeço-lhes em demasiado! Achava que os tinha enganado!

Podemos provar que esteve em Torquay?

Sim. Deu entrada no Castle Hotel por volta das 16h30,

jantou e dormiu lá,

e só saiu para apanhar o expresso na quarta-feira de manhã.

E podemos provar que não esteve em Londres?

Assim que o Albert regressar da entrevista com o tal casal...

- Os Ogles... - Oglander.

Obrigado, Srta. Robinson.

E provar que a história do Peter Le Marchant é falsa,

o caso ficará resolvido.

Liguem-me assim que tiverem notícias.

Fala-se no diabo...

Posso ir dizer à Una que tenho provas que passou a noite em Torquay.

- Não faça isso. - Por quê?

- Porque ela esteve em Londres. - Em Londres?

- Sem margem para dúvida. - Não é possível.

Não podia estar em dois sítios em simultâneo, pois não?

Não.

O que vamos fazer agora?

Não faço ideia.

Não compreendo.

Nem eu, Sr. Jones.

Se nos dá licença, precisamos de ter uma reunião.

Com certeza. O que devo dizer à Una?

Por enquanto, nada. Nós depois ligamos.

Não queria trazer o assunto à baila,

mas o vosso anúncio garante resultados em 24 horas.

Vamos precisar duma prorrogação do prazo. Bom dia.

- Londres?! - Venho de casa da Sra. Oglander.

Falou com a Una Drake às 22h30, no Savoy,

e, à meia-noite, ainda estava com o Peter Le Marchant.

Mas é quando podemos provar que estava deitada no Castle Hotel!

- Exatamente. - Cala-te.

- Voltamos ao ponto de partida. - Ou ainda mais atrás.

Já confirmamos as duas histórias e estamos num beco sem saída.

Resta apenas uma hipótese:

Marjorie Leicester, a companheira de casa.

Se falar com ela, Sra. B. não deita a aposta a perder?

- Teremos de arriscar, Albert. - Eu vou contigo.

É melhor não. Talvez precise de usar os meus dotes femininos.

Estava faminto. Fui ao "Bon Temps". Vai lá ter.

O que descobriste?

Diz que a Una esteve lá na terça-feira.

- No apartamento delas? - Dormiu lá.

Só me adiantou que a Una Drake anda muito agitada.

Não me espanta nada.

Alguém está a mentir, mas quem?

O mais estranho é que me parece que ninguém está a mentir.

Eu sei. Todos eles parecem muito convictos e verdadeiros.

É fisicamente impossível

uma pessoa estar em dois sítios ao mesmo tempo.

Existirá alguma explicação astrológica?

Astrológica?

- Não pode ser... - Tuppence?

- Tive uma ideia. - Desembucha.

Não te posso adiantar nada. Preciso de enviar um telegrama.

Até já.

- Bom dia, Albert. - Bom dia.

- Mas que belo dia. - A sério? Onde passaste a manhã?

- Por aí. - A perseguir astros?

Por acaso, sim. E encontre¡ um deles.

O Monty foi buscá-lo.

Já vais perceber, prometo.

- Se és tão esperta, ajuda-me aqui. - Não se¡ fazer palavras-cruzadas.

Experimenta.

Nove letras. "O poeta viu dez mil".

Narcisos.

Perdão?

Dez mil vi eu duma vez. Uma miríade de narcisos dourados.

Wordsworth.

Pensei que não sabias fazer palavras-cruzadas.

- Há novidades dos quadros roubados? - Não.

- Deus do Céu... - O que foi?

Uma notícia de última hora.

"O cadáver do empresário Peter Le Marchant...

...foi encontrado hoje no seu escritório, na cidade.

O ferimento parece ter sido causado por um instrumento rombo.

A polícia suspeita de crime."

- Achas que... - Estou a tentar não pensar nisso.

A morte estará relacionada com o nosso caso?

Não.

Mas a Una Drake pode ficar perturbada.

Se tiveres alguma surpresa para ela, é melhor esperares um pouco.

Sim.

Mas preciso de falar outra vez com a companheira de casa.

- Queria falar com a Marjorie? - Tinha essa esperança.

- Ela não está. - Quando é que volta?

Não volta. Já não mora aqui.

Não mora?

É um apartamento pequeno e é meu.

Falávamos nisso há muito tempo e ela decidiu mudar-se.

Não me falou disso ontem.

- É você a jornalista que ligou? - Sim.

Já tinha ligado na terça-feira passada.

Não me teria encontrado. Passe¡ a noite em Torquay.

- A Marjorie disse que estava aqui. - Enganou-se.

Disse que a viu na cama, de manhã.

Sabe como é, vemos aquilo que queremos ver.

Deve ter visto a cama desfeita e partiu do princípio que estava lá.

Mas isso não interessa.

Claro que não, Srta. Drake.

Muito bem, Srta...

Robinson.

Em que posso ajudar?

Estou a escrever um artigo sobre mulheres que trabalham

para o "Society Illustrated" e...

Como a Marjorie não está disponível, talvez me possa ajudar.

Como editora duma revista de arte e frequentadora da alta sociedade

tenho a certeza que os meus leitores gostariam de a conhecer, Srta. Drake.

Compreendo.

Mas é uma revista muito pequena e eu não pertenço à alta sociedade.

Os seus leitores não acharão a minha vida muito interessante.

Não quero incomodá-la tão cedo após a morte do seu amigo,

Peter Le Marchant.

O Peter Le Marchant... Sim, foi um grande choque.

Não éramos muito chegados. Há várias semanas que não o via.

Mas fiquei abalada na mesma.

Compreende que não estou na disposição de dar entrevistas.

Com certeza.

Também gostava de compreender.

Negou ter estado em Londres na terça-feira passada?

Afirma ter estado em Torquay.

Porque planearia dois álibis tão elaborados

para depois desperdiçar um deles? - Exatamente.

E porque está empenhada

em provar que não esteve com Peter Le Marchant na terça?

Mas não lhe aconteceu nada na terça-feira.

Peço desculpa, senhor.

Liguei para a Associação de Imprensa assim que saiu.

A "Society Illustrated" não existe. Foi por isso que decidi segui-la.

Vocês foram contratados pelo idiota do Monty Jones, não foram?

É escusado negá-lo, Srta. Drake.

Já devia saber que ele pediria ajuda.

- Digam-lhe que cancelo a aposta. - Imagino como se sente.

Duvido.

E agradeço que vocês e o Monty não se metam nos meus assuntos.

Só para sabermos, Srta. Drake,

qual dos álibis era o verdadeiro?

O de Torquay, mas isso agora não interessa.

Interessa sim, Srta. Drake. Mente e queremos saber por quê.

Como se atreve?!

Esteve em Londres e tenho provas disso.

- Que provas? Provas circunstanciais e rumores.

Algo mais concreto do que isso.

Porque não quer que se saiba que esteve com o Peter Le Marchant?

- Está a fazer blefe. - Garanto-lhe que não.

Seria melhor que não fossem tão espertos.

Avise¡ para não se meterem nos meus assuntos!

Entregue-me a arma. Não a vai usar.

Não tenha tanta certeza.

Não a vai usar porque seria uma tolice.

E você não é tola.

Não se aproxime!

Matar-nos não adianta de nada. Perdeu a aposta.

Só vocês é que sabem disso. Estou metida nisto até ao pescoço.

Ela está a chegar.

- Não acredito em si. - Vai chegar daqui a nada.

Vou correr esse risco.

Não abram!

- Una, trouxe a... - Vera!

Una!

- Estás bem? - O que fazes aqui?

Devias estar escondida. Estragaste tudo!

Estava preocupada contigo. Disseram que estavas em apuros.

Eu fico com isto.

Astrologia?

O signo de gêmeos!

Elas são gêmeas!

Não chores. Está tudo bem.

Nem queria acreditar quando a vi sair do navio.

Era a única hipótese possível.

Enviei o tal telegrama para Melbourne

e disseram que a irmã gêmea da Una, a Vera, chegara na passada segunda.

Foi ela que esteve em Torquay.

A Una tinha de ficar em Londres onde todos a conheciam.

A Vera concordou ajudá-la e foi para Itália no dia seguinte,

onde prosseguiu a sua viagem. - Como soube onde a encontrar?

Felizmente, ela deixou morada na Casa da Austrália

e depois liguei para o consulado em Roma.

Alguém me diz o que se passa?

Queríamos que a sua irmã nos dissesse, Vera.

- Gostaríamos de a ajudar. - Ninguém me pode ajudar.

Tem alguma coisa a ver com o Peter Le Marchant?

Pensei que o amava.

Foi por causa dele que me quis livrar do Monty,

por isso engendrei os álibis.

Sabia que a Vera estava a chegar e que alinharia.

Achei que não seria desmascarada.

Mas hoje fingiu que não via o Peter Le Marchant há semanas.

Foi porque estava com medo?

- Esteve com ele ontem à noite? - Sim, estive com ele.

Fui ao escritório dele e tivemos uma discussão.

Matei-o.

Una!

Conte-nos o que se passou.

Eu tinha dívidas de jogo.

Estava em maré de azar e afundei-me ainda mais para tentar pagá-las.

Não conseguia resolver a situação

e o Peter sugeriu uma maneira de ganharmos dinheiro sem riscos.

Um esquema criminoso?

Tenho muitos contatos em museus e galerias de arte.

Fiquei encarregue de vigiar a segurança

e estar atenta a objetos de especial valor.

Ele trataria de os roubar e de os exportar para o estrangeiro.

Deixou-se envolver num esquema desses?

- Sim. - Una...

Os quadros da Galeria Wordsworth!

Devia ter sido o último golpe.

Só aceitei participar porque estava desesperada.

Os quadros do Herrick foram os mais valiosos que roubamos

e com a minha parte podia saldar as dívidas e livrar-me dos credores.

Mas o Peter recusava-se a dar-me a minha parte.

Arranjava desculpas para não se encontrar comigo,

mas eu sabia que ontem à noite ele ficaria a trabalhar até tarde,

e foi por isso que fui até ao seu escritório.

- Peter... - Una, quem te deixou entrar?

Peter, não posso esperar mais!

- Vais ter de esperar. - Preciso do dinheiro.

Achas que tenho essa quantia aqui no escritório?

Peter, estou à beira de um ataque de nervos!

Estás a precisar de uma bebida.

Não costumas ser tão emotiva.

Alguns dos credores já me fizeram ameaças.

Não vão esperar para sempre.

Temos de começar a planear o próximo assalto.

- Já disse que para mim acabou! - Não sejas parva.

Onde pensas arranjar assim tanto dinheiro?

Fiz isso para pagar as dívidas. Custou-me horrores.

Não aguento mais.

Estás a falar a sério?

Mas que pena.

Posso dar-te... 500 libras.

- Preciso de mais. - É melhor aceitares.

- Como assim? - É a tua parte.

Vendeste os quadros por 30 mil libras. A minha parte é um terço.

Era um terço!

A menos que mudes de ideias em relação ao próximo assalto,

é só isso que te vou dar.

- Peter... - Talvez seja melhor assim.

Não gosto que detectives privados me interroguem sobre ti.

Já te expliquei isso. O Monty deve tê-los contratado.

Sabes que mais? Jogaste a cartada errada.

Em vez de engendrares os álibis para te livrares dele,

devias ter-lhe pedido o dinheiro. Ter-te-ia saldado as dívidas.

É estúpido a esse ponto.

Como podes dizer isso? Pense¡ que gostavas de mim.

Foste útil. E és bonita.

Fui útil...

Aproveitaste-te de mim?

Muito bem, acabou.

Mas só me vou embora quando pagares o que me deves.

Caso contrário, vais à polícia?

É melhor aceitares as 500 libras,

antes que me arrependa e te expulse daqui.

Sua...!

Desaparece! E fecha o bico, senão trato-te da saúde!

Peter...

Peter...

Una...

Ouviram o que ela disse? Foi sem querer. Foi um acidente!

- Vai chamar a polícia? - Tem de ser.

Sinto muito, Vera. Tuppence, Leve-as para o seu escritório.

Pode ficar com ela até a polícia chegar.

Obrigada.

Vai safar-se, não vai?

Provavelmente, se contar a história assim.

Mas será julgada pelo roubo dos quadros.

Vai precisar de um bom advogado.

E terá o melhor que existe.

É muito correto da sua parte, Sr. Jones.

Sei que não mudará de opinião sobre mim, mas...

Posso fazer mais alguma coisa?

Sim. Importa-se de se livrar disto?

Isto pode ficar entre nós.

Você também está a ser muito correto, Sr. Blunt.

Bem...

Parece que resolvemos três casos de uma penada.

Será um recorde, meu caro?

Já te deste conta que nos oferecerão a recompensa pelos quadros?

Já tinha pensado nisso.

Nem parece justo. Afinal, caiu-nos no colo.

Podemos sempre recusar.

Nem pensar!

Já pensei em muitas maneiras de gastarmos o dinheiro.

Que tal num fim de semana em Torquay?

Ressincronização por @maopequena

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