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H� um lend�rio um Rei chamado Lear,
com quem tenho muito em comum.
Ele tem um reino e tr�s filhos que adora.
Ele ainda planeja fazer de Jo�o o Rei.
Claro que planeja.
Meu Deus, que trio ganancioso sois!
Rei!...
Dois dever�o conviver com a decep��o.
Vosso irm�o mais novo, Filipe, � o Rei de Fran�a agora.
Exige o casamento ou o dote de volta.
Alais se casa com Ricardo ou vamos retomar o Condado imediatamente.
H� momentos que sinto a vossa falta.
- Muitos? - Duvidas?
Esse � o meu c�o pastor peludinho!
Se vos mandar casar com Jo�o, � com ele.
E assim a terei por perto
e possuir-te-ei conforme desejares.
Ficarei com a Aquit�nia, Alais e a coroa.
N�o desistirei de um para ficar com outro.
- Faremos um acordo com Filipe. - Porqu�?
Por est�s fora da jogada e Ricardo dentro.
E se eu fosse Rei?
Meu Ricardo � o pr�ximo Rei, n�o vosso Jo�o.
Agora s� me resta um desejo:
v�-lo um Rei.
A �nica coisa que queres ver � papai vegetando numa cama.
Uma vez que Jo�o tenha Aquit�nia, ser�s livre.
Ofereces a mim
a �nica coisa que desejo,
se desistir da �nica que prezo. - Assines.
E darei uma feliz not�cia:
a Rainha livre, Jo�o herda Aquit�nia
e Ricardo se casa com Alais.
Tornar�s uma linda noiva! Ser� que vou chorar?
- D�s impress�o que vais mesmo. - E vou.
- O que ganhas nisso? - Aquit�nia, claro.
O que � isso novamente?
Vossa m�e consegue liberdade e eu Aquit�nia.
� a proposta, n�o �?
Foi tudo fingimento e acreditei em tudo.
- Fui sincera em tudo. - N�o h� casamento.
N�o vai haver nenhum casamento!
N�o vai haver casamento.
O LE�O NO INVERNO PARTE 2
Tradu��o e Sincronia: Lady Devon
Revis�o: Dhara-Maria Revis�o Geral: jluizsd
Apoio: Equipe InSanos
Como me deixas bela!
O que Salom�o poderia cantar se visse isto?
N�o posso...
Viraria uma est�tua de sal!
Derrotada novamente.
Estou acabada desta vez.
Haver�o outros Natais.
Penduraria isto nos peitos, mas chocaria as crian�as.
Beijaram-se com ternura, n�o?
Da pr�xima vez, ele ser� meu. Mal posso esperar!
Estais a�! Meu consolo e companhia.
Estamos presos por mais um ano.
Por mais quatro esta��es.
Que desola��o!
Trabalho de uma vida!
� exagero?
Certifiques de olhar com clareza ao se aproximar.
Pode se surpreender com a minha beleza.
Feliz Natal!
Por isso que vieste aqui?
Para dizeres isso?
Achei que pudesses estar sozinha.
Aqui, Chanceler, experimentes para teres id�ia.
� surpreendente!
Lembro-me do meu terceiro anivers�rio.
N�o s� de imagens do jardim ou presentes, mas
quem fez isso para quem...
e como isso machucou.
Tenho meus lapsos lembran�as dessa �poca, mas nem uma vez lembro-me
de qualquer coisa entre tu e papai mais calorosa que a indiferen�a.
Por que isso?
N�o sei.
N�o foi uma pergunta f�cil para mim, n�o mere�o essa resposta.
Estou cansada...
queres uma simples resposta e n�o a tenho.
Estou t�o farta de todos v�s.
Pensei em vir para ridicularizar um pouco.
Mam�e est� cansada. Alfinetes amanh� de manh�, reagirei mais.
N�o vai ter gra�a chatear algu�m esta noite.
O bastardo imobilizou-nos!
O que acontece, querido?
Somos prisioneiros dele, se interessas saber.
Por que interessar-me-ia? J� sou prisioneira dele de qualquer modo.
Foi... Corrija-me se estiver errado, mas
foi minha impress�o que querias o trono de Henrique para mim?
N�o podemos ganhar, Ricardo. Perdemos desta vez.
Achas que estou liquidado, n�o?
Acredito que sim.
Sofri mais derrotas do que os dentes que ainda tens. Sei quando acontece comigo.
Tomes o vosso rem�dio como um bom garoto.
Engulas e v� pra cama.
- Eu serei Rei. - Sim, mas n�o este ano.
Desistas, Ricardo. Deixas passar, por enquanto.
N�o posso!
N�o � t�o dif�cil, repetidas o que te digo: "Jo�o ganhou".
"Eu perdi. "
E se Jo�o morrer?
Meu Deus, parem com isso.
Ele tem uma faca!
Claro que tem uma faca. Ele sempre tem uma.
Todos temos facas! O ano � 1183 e somos os b�rbaros!
Vamos deixar claro!
Minhas porcarias...
somos os motivos de guerra.
Nem o poder hist�rico,
nem os tempos, nem a justi�a ou falta dela,
nem as causas, nem religi�es,
nem tipos de governo ou qualquer outra coisa.
Somos os assassinos.
Geramos a guerra!
Carregando-a como s�filis das entranhas.
Mortos apodrecem nos campos e rios pois os vivos s�o corruptos.
Pelo amor de Deus.
N�o podemos amar uns aos outros s� um pouco?
� assim que a paz come�a. Temos tantos motivos para nos amar!
Temos tais possibilidades, meus filhos.
Podemos mudar o mundo.
Enquanto nos abra�amos, o que Filipe faria?
Santo Deus, o Filipe.
Pretend�amos come�ar uma guerra.
Se o papai descobrir, estarei arruinado!
Calma, Jo�o, n�o entres em p�nico.
Que porcaria de conselheiro �s!
N�o fa�as nada sem mim, deixes que cuido disso.
Ele fez um pacto com Filipe.
Aconselhaste Jo�o a declarar guerra.
Que rapaz destemido! Deserdou a si mesmo!
Quando Henrique descobrir, quando contar o que Jo�o fez...
Preciso de um pouco de tempo.
Consegues afastar Jo�o de Filipe at� que mande?
Qualquer coisa que disserdes.
Ricardo, o quero fora daqui antes deste estrago. V�s atr�s de Filipe.
Mostre-se desesperado. Prometas qualquer coisa: Vexin, Bretanha...
Logo que estiver livre e nada a favor de Jo�o, faremos mais planos.
Conversais com Filipe, sois diplom�tica. Encontre-se com ele!
Tu �s...
..um amigo.
Tu o conheces.
Eu n�o.
Ricardo.
Prometas qualquer coisa.
Tenho o mais velho agora. O idiota acha que ele ama Jo�ozinho.
Acredita nisso. � onde a faca apunhala!
Facas!...
Onde est� o espelho?
Sou Leonor, posso olhar para qualquer coisa!
Meu Deus! Que ador�vel garota!
Como seu Rei foi capaz de deix�-la?
Est� funcionando. Pela manh� posso ser o filho escolhido.
Posso herdar a Coroa. Ainda estais comigo?
Teremos que lutar com todos eles.
V�o se unir logo que aconte�a. Tenho vossa palavra?
Tenho a vossa?
Todo Reino ingl�s na Fran�a,
se vos apoiar.
Somos aliados, ent�o?
Nascemos para ser.
Deveria dizerdes algo digno, mas n�o tenho tempo.
Saio para contar ao papai que Jo�o � um traidor.
Seu...
nojento!
Saibas isso: �s um dedo duro, seu nojento!
Venha aqui comigo e acabaremos com isso.
Vou mat�-lo. Cad� a espada?
Bob�o! Se �s um pr�ncipe, at� macaco africano tem chance!
Mantive-o salvo.
N�o ia atr�s de papai, mas ele sim.
Ele iria at� Henrique e te trairia. Olhe para sua cara.
� verdade. N�o sei quem s�o meus amigos.
Filipe.
- Podemos? - � para isso as cortinas.
Estraguei tudo, nunca aprendo.
Ricardo.
Ol�, Ricardo.
Estava para se deitar. Esperarei pela manh�.
Por favor, entres.
- A minha m�e mandou. - Entres, de qualquer forma.
Nossos alquimistas descobriram arte fervendo o vinho Burgundy.
Demos o nome de brandyzee*. *conhaque
Sou prisioneiro de Henrique.
- Achas isso fascinante? - N�o.
Ent�o por que o sorriso fascinado?
Lembrei-me, n�o sei porqu�, da vossa �ltima visita a Paris.
- Foi h� dois anos atr�s? - Pode ser.
Preciso de um ex�rcito, Filipe.
- Manterei a indiferen�a longe. - Preciso de soldados.
Envelheci?
Pare�o mais velho?
Tem sido dois anos terr�veis.
Estudei e treinei para ser Rei.
Preciso de uma resposta: sim ou n�o.
Ter�s quando a der.
Vejas: eu mudei!
N�o sou mais o menino que ensinaste ca�ar 2 anos atr�s.
Lembra? Correndo atr�s de javalis,
tu na dianteira e atr�s eu, arrastando-me.
- Todo dia, at� anoitecer. N�o v�s. - Preciso saber, vai me ajudar?
Sente-se e discutiremos.
- Nunca escreveste. - Para ningu�m.
Por que deveria torn�-lo Rei ingl�s? N�o seria melhor Godofredo ou Jo�o?
Por que lutar contigo quando poderia lutar com o idiota...
ou com o dem�nio?
- Ter�amos que lutar? - Estamos lutando agora.
Boa noite.
Ainda �s um menino!
Em alguns sentidos. Qual imaginaste?
N�o perguntaste a mim quando vale vossa ajuda.
- Diga-me. - Podes ter Vexin de volta.
- E que mais? - Toda a Bretanha.
- � de Godofredo. - Isso importa?
Talvez para Godofredo. E que mais?
� tudo que vossa vale.
E em troca, o que desejas de mim?
- Dois mil soldados. - Que mais?
- 500 cavaleiros. - E que mais?
Armas e equipamento de cerco.
E que mais?
Nunca escrevi porque achei que jamais responderia.
- Casaste! - Isso faz diferen�a?
N�o faz?
Passei dois anos em cada canto do Inferno.
Que estranho!
N�o te vi l�.
Nunca disseste que me amaste.
Tudo tem seu tempo certo!
Filipe.
- N�o � muito tarde? - Esperava que vieste.
N�o podemos deixar as negocia��es como est�o.
- Continuo vendo vosso pai em ti. - N�o � ele aqui.
Tenho saudades dele.
Ricardo ou a Rainha vieram v�-lo?
Isso importa? Se n�o vieram, acabar�o vindo.
Quero chegar a um acordo. Ofereci muito pouco antes.
Sim, nada � muito pouco.
Lamento que n�o sejas t�o amig�vel comigo, rapaz.
Vosso pai sempre dizia: "Sejas amigo dos mais fortes"
- Nada admir�vel, amava a todos. - Vim para oferecer-lhe paz.
- Dane-se vossa paz. - Vosso pai teria chorado.
- Meu pai era um chor�o! - Se enfrentar-me, perder�s.
� posso perder, Henrique. Tenho tempo.
Olhe para v�s, com armas enormes e pesadas.
Poderiam me esmagar como uma folha de papel.
E cada ano, ficam mais pesadas.
A areia vai caindo de um lado ao outro na ampulheta.
N�o tenho pressa alguma, Henrique, tenho tempo.
E se apressar as coisas?
Imaginaste a Inglaterra em guerra com a Fran�a?
Da� a Fran�a se rende. N�o tenho que lutar para ganhar, Henrique.
Pegues o que quiser,
este ou aquele Condado, n�o ser� por muito tempo.
- Que tipo de coragem tens? - A das mar�s: vai e vem.
Meu Deus! Adoraria deix�-lo � merc� de Leonor.
Mais um pouco de conhaque.
Identificaste?
J� o ferviam na Irlanda antes de separa��o das "serpentes".
Bem...
As coisas parecem pretas para Henrique, n�o?
Dizei sim ao que Ricardo pedir-lhe: armas, soldados, qualquer coisa.
Seria tolice recusar.
E retirada completa antes que inicie a batalha.
N�o faria o mesmo no meu lugar?
Por qu� lutar com Henrique se os filhos cuidar�o disso por v�s?
Exatamente.
Tu prometes, rapaz.
- Racioc�nio de primeira categoria! - Obrigado, Senhor.
Boa noite.
Boa noite? Est� indo?
Mas n�o resolvemos nada.
Abriremos os presentes de Natal ap�s a missa.
N�o podes concluir as pend�ncias isto comigo.
Mas estou... foi muito satisfat�rio.
O que � t�o satisfat�rio?
� a vit�ria. Acabei de ganhar. Com certeza notaste!
Nem uma maldita coisa!
Pelo modo que pensas, revelo o tipo de homem que �s.
Acabaste de mostrar cada detalhe estrat�gico que tomarias.
Sei exatamente o que far�s e o que n�o far�s.
E n�o te disse absolutamente nada.
Para esses olhos cansados, garoto, � assim que a vit�ria se parece.
- "Dormez bien" - Tu...
Fizeste de meu pai um nada!
Tu o tiranizaste.
Dormiste com sua esposa.
Arrasou-o em todas as guerras.
Deturpaste cada tratado.
Disfar�aste de santo!
E o fizeste amar por isso!
Vosso pai era um homem ador�vel e n�o aprendeste nada disso.
Aprendi o quanto os pais vivem pelos filhos!
Um Rei como vos tem pol�tica preparada para tudo!
Qual a posi��o oficial sobre sodomia?
Como garantir� vossa Coroa com garotos que gostam de garotos?
Ricardo est� envolvido com muitas lendas.
Vamos comparar com as vossas.
Ele me procurou pela primeira vez quando tinha 15 anos.
Fomos ca�ar estava quase anoitecendo,
o meu cavalo caiu e fui arremessado.
Acordei com Ricardo me tocando.
"Filipe, tu ama-me?" E disse que sim.
Sabes porque disse sim?
Para que um dia pudesse te contar sobre tudo isso.
Nem podes imaginar o que o sim causou-me!
Ou talvez possas.
Imagines: deitar-se com uma vadia com s�filis,
esbo�ares uma esp�cie de sorriso e dizeres:
"Sim, amo-te".
"E acho que �s linda. "
N�o sei como consegui fazer isso.
N�o foi nada assim!
- Claro que foi. - Amou-me.
Nunca.
Saias, por favor. N�o quero-te aqui.
Estar aqui n�o � um prazer.
O "pegador real" considera-me, ent�o, uma aberra��o, n�o?
Direi a sua m�e, ela ficar� contente.
Ela sabe, ela mandou-me.
�s o filhinho dela por completo!
Tiveste quatro filhos. Quem declaras sucessor?
N�o o Henrique, meu falecido irm�o,
aquele monumento para esterco, aquele idiota �pico.
Por que ele? Por que sempre ele e nunca eu?
Era o mais velho, nasceu primeiro.
Cristo! Henrique, isso � tudo?
Eras grudado com Leonor.
Nunca chamaste por mim. Nunca disseste meu nome.
Teria caminhado ou rastejado. Teria feito qualquer coisa.
N�o � culpa minha. N�o serei culpado.
- S� queria a v�s. - N�o, foi pela coroa.
- Queres o meu reino. - Fiques com o vosso reino.
- � o que farei. - Espero que isso te mate!
Gra�as a Deus por ter outro filho.
Agrade�o a Deus por Jo�o!
E a quem agradecer�s por Godofredo?
N�o pensas muito em mim!
Muito? N�o penso em ti de modo algum!
A tutora costumava dizer que tinha vossas m�os.
Poderia ter mais de ti. Tentai-vos ver em mim!
N�o tenho a experi�ncia militar de Ricardo,
mas era ele que estava aqui traindo-te, n�o eu.
N�o deposito em Jo�o... N�o sei o que...
S� Deus sabe o que vedes em Jo�o, ele te traiu tamb�m!
Pensas que alguma vez f�-lo-ia Rei?
Far-me-� Rei porque sou tudo que restou-lhe.
Era para ser Chanceler dele. Pergunte-lhe qual o motivo.
- J� ouvi o suficiente. - Por induzir Jo�o a trai��o!
N�o duvido que ele ofereceu e n�o duvido que tentaste induzi-lo.
E n�o duvido que Jo�o me ama.
Como um guloso que ama seu almo�o!
Seu merda!
- Ent�o, Jo�o? - N�o � o que pensas.
- O que estou pensando? - O que Godofredo disse.
Jamais conspiraria contra v�s. Jamais!
Eu sei.
�s um bom menino.
J� posso ir, por favor?
� tarde. Devia estar na cama.
N�o podias ter esperado? N�o podias ter confiado em mim?
Era tudo teu. N�o podias acreditar nisso?
Ir�s escutar o desgra�ado?
Para quem achas que constru� este Reino?
Para mim? Papai, fizeste ele todo para mim?
Quando posso t�-lo papai? S� depois de te sepultarmos.
�s igual a eles.
Depois de tudo que lhe dei. Admito.
- Sei o que deste. - Eu amava-te, Jo�ozinho!
Sois frio, um sanguin�rio filho da m�e!
E n�o amas nada.
Sou o indicado e tudo que resta.
Aqui, papai...
Aqui estou.
Minha vida, quando narrada, ser� melhor lida que vivida.
Henrique, "FitzEmpresszee - filho da Imperatriz" primeiro Plantagenetazee,
Rei aos 21 anos,
o soldado mais competente de uma �poca de poder.
Liderou bem os seus homens, procurou ser justo quando podia.
Governou por 20 anos um Reino t�o imenso quanto o de Carlos Magno.
Casou-se por amor com uma mulher lend�ria.
Nem Roma, Alexandria ou Camelot...
existiu igual Rainha e ela deu-lhe muitas crian�as.
Mas nenhum filho.
O rei Henrique n�o teve...
filho algum.
Teve tr�s coisas barbudas,
mas deserdou-as.
N�o s�o meus.
Renego a todos v�s!
Nenhum ter� direito � minha Coroa!
N�o vos deixarei nada e vos amaldi��o.
Tomara que todos os vossos filhos morram pela culatra.
Meus filhos morreram.
Meus filhos morreram. Perdi meus meninos!
Meu Deus! Todos os meus meninos!
Ningu�m mais est� celebrando o Natal. Est� mais pro jejum da Quaresma.
Quando eu era pequena,
o Natal era �poca que causava uma enorme confus�o em mim.
Havia dois Reis na Terra Santa: Deus e o tio Raimundo.
Nunca soube qual anivers�rio que est�vamos celebrando.
- Henrique n�o est� aqui. - �timo, podemos dele pelas costas.
Vinho com especiarias.
Esqueci que Henrique gostava disso.
Posso ficar?
O quarto � tanto teu como meu. Estamos as duas em casa!
Apertados como miser�veis, tr�s numa cama.
- Alguma vez amaste Henrique? - Alguma vez?
- No passado, antes do dil�vio? - Antes da �poca de Rosamund?
Isso j� � pr�-hist�ria, cabritinha!
N�o h� registros do passado ou sobreviventes.
H� quadros, ela era mais bonita do que v�s.
E tinha mesmo todos os dentes.
Isso � raro, um belo atributo mesmo que seja pelos dentes.
Ria em excesso, mas mastigava com distin��o de realeza.
E a detestais at� agora.
N�o, mas j�.
Veja, ele a colocou no meu lugar...
e isso foi muito dif�cil.
Como tu, se sentava na mesa ao lado dele, mas esse posto � meu.
Portanto a envenenaste.
N�o, n�o envenenei Rosamund.
Rezei para que ela partisse e sorri um pouco quando se foi.
Por que n�o estais feliz?
Henrique continua convosco. Deves ser mais esperta que eu.
Tentei ter pena de ti, mas isso sempre muda para outra coisa.
Por que pena?
Amas Henrique, mas o Reino dele tamb�m.
Olha para ele e vedes cidades, terras, costas, impostos.
Tudo que vejo � Henrique.
- Deixe-o para mim, podes? - Eu o deixei h� anos atr�s.
Pensei que pudesses afast�-lo.
Fostes sempre assim?
Anos atr�s, quando era jovem e te admirava, j� era assim?
Muito prov�vel.
Menina, estou na reta final.
Vim para dar-lhe qualquer coisa que pedir.
Sabes o que gostaria no Natal?
Gostaria de v�-la sofrer!
Alais, fa�o qualquer coisa por ti.
Tenho medo, mam�e.
- Minha pequenina. - Mam�e!
O c�u est� repleto de estrelas.
Que olhos os s�bios deviam ter para ver uma nova com tantas?
- Pareces ter frio. - Aque�a-se com vinho.
Pergunto-me: onde as pouqu�ssimas estrelas se encontram?
N�o sei, imagino que exista um mist�rio nisso.
- O que � isto? - Vinho quente.
Ora, pois �.
Saias agora, minha vi�va deseja ver-me.
Ela lhe quer de volta.
Ent�o me quer de volta?
Ela acha que quero.
Acha que a necessidade de amar jamais acaba.
Ela tem um prop�sito.
Surpreendo-me contigo depois de todos esses anos,
ainda como uma ponte levadi�a democr�tica, afundando todos.
Na minha idade n�o h� mais tr�fego sobrando.
A vossa eterna sa�de.
Bem, esposa...
o que tens em mente?
Henrique...
- Criamos essa bagun�a. - Henrique?
- Acabei de falar com Ricardo. - Que garoto espl�ndido!
- Disse que discutiram. - Como sempre fizemos.
Ele teve impress�o que pretendes deserd�-los.
Como imagino, devo ceder, n�o?
N�o importa-me muito.
De fato, Henrique, nem sei se me importo com alguma coisa.
Pergunto-me se tenho a fome como antes e se todos os meus
desejos, como paix�es num poema, n�o s�o realmente lembran�as.
Deus, poderia ouvi-la mentir por horas.
Ent�o, vosso desejo est� enferrujado!
- Estou muito cansada. - Ent�o, durmas.
E sonhes comigo servido com croutons.
Henrique "� La mode": o ci�me!
Henrique, parai-vos.
- Leonor, nem comecei. - O que queres?
Queres minha assinatura? Assinarei qualquer coisa.
Queres Aquit�nia para Jo�o? � dele, � vossa e de quem for.
Em troca de qu�?
De nada. Por um pouco de sossego.
Dai um final para isto, pelo amor de Deus!
Mande-me de volta para a Inglaterra, encarcere-me,
percas a chave e deixei-me em paz.
Tens meu juramento. Dou minha palavra.
Gostarias de uma almofada?
Uma manta?
Que tal uma banqueta?
Vossas promessas s�o profanas, vossas palavras, uma maldi��o,
vossa assinatura, um desperd�cio!
Estou cansado de tuas cal�nias, por Deus, prestes aten��o!
Como? Do jeito que come�amos, jamais passar�amos deste Natal!
- Um passo depois do outro. - O que acontecer� comigo agora?
A curiosidade matou o gato!
Se queres saber meus planos, apenas pergunte-me.
Conquistar a China, saquear o Vaticano ou virar freira.
Nisso, n�o tenho interesse.
Apenas deixe-me assinar, passo minhas terras a Jo�o e vou dormir.
Sois t�o gentil!
- N�o posso aceitar. - Vamos, homem!
Assino at� com sangue ou com cuspe ou em tinta azul viva.
Vamos justamente dar um basta nisto.
Vamos nada. N�o.
- N�o quero tua assinatura em nada. - N�o mesmo?
Que prazer que ainda sinto por irrit�-la!
N�o queres que Jo�o fique com minhas terras.
- Acertaste no alvo! - Claro, n�o suporto tua arrog�ncia.
- Sei e como. - N�o queres Ricardo nem Jo�o.
Come�ais entender.
Muito bem, ent�o destrua-me.
Deixa-me entender. O que desejas?
Uma nova esposa.
Ent�o, estou para ser invalidada.
O Papa vai invalidar-me, achas?
O Pont�fice deve-me o Papado. Acredito que dar�.
Sai Leonor e entra Alais. Por qu�?
Porque uma nova esposa... vai gerar-me filhos.
Essa � a �nica coisa que julgava que estivesses farto.
Quero um filho.
Poder�amos povoar o interior com as camponesas que geraram-lhe filhos.
Quantos mesmo? Deixa-me contar os bastardos.
Todos meus filhos s�o bastardos!
- Realmente pretendes fazer isso? - Sim, do fundo do meu cora��o!
Vossos filhos s�o parte de ti!
Como verrugas e papos, vou remov�-los.
N�s os fizemos, s�o os nossos meninos!
Sei e Santo Deus, olhe para eles!
Godofredo: eis a pe�a fundamental.
N�o � de carne e osso, um dispositivo com rodas e engrenagens.
O Jo�o.
A �ltima dele trai��o foi vossa id�ia?
Peguei-o mentindo e disse: "Ele � jovem".
Peguei-o trapaceando e disse: "� apenas uma crian�a".
J� o vi roubar, prostituir-se e a�oitar criados e... n�o � nenhuma crian�a!
- Ele � o homem que fizemos! - N�o o divida comigo, � tua obra!
E Ricardo � a vossa!
Deus!
- Como mandou-o negociar com Filipe? - Estava...
cansada, ocupada.
- Eram amigos. - Leonor, ele era o melhor.
Desde a inf�ncia cuidaste dele. Nunca tive uma chance.
- Nunca quiseste uma. - Como sabes? Tomaste-o.
A separa��o de vosso marido suportaste, mas n�o a do filho!
Seja l� o que tenha feito, conduziste-me a isso.
- Expulsaste-me do leito por Ricardo! - N�o at� rejeitar-me por Rosamund!
N�o � t�o simples assim! E duvido que seja!
- Eu o adorava! - Nunca!
E ainda adoro-te.
De todas as vossas mentiras, esta � a pior delas.
Sei disso e por isso a guardei para este momento.
Henrique, destru�mos tudo que tocamos.
Negues se assim desejar, mas est�vamos bem.
Lembra-se quando nos conhecemos?
At� o �ltimo momento e a cor de vossas meias.
Mal lhe via devido � luz do sol.
Estava chovendo, mas n�o importa.
Pouqu�ssima conversa, pelo que me recordo.
Pouqu�ssima!
Nunca tinha visto tanta beleza.
Aproximei e toquei nela.
Deus, onde encontrei coragem para isso?
Nos meus olhos.
Amava-te.
- N�o haver� anula��o. - O qu�?
N�o haver� anula��o.
- N�o? N�o vai? - N�o.
Infelizmente ter�s que viver sem ela.
- Bem, foi s� um capricho. - Fico t�o aliviada.
N�o queria perder-te.
S� por curiosidade, de intelectual para intelectual.
Em nome de Jesus, como podes me perder? Alguma vez nos vimos?
Alguma vez estive junto convosco ou perto? Onde mais j� estive?
Escrevemos? Trocamos cartas?
Presentes ficam flutuando pelo T�misa para v�s?
- �s lembrada? - Tu �s.
N�o fazes parte de mim, n�o temos qualquer liga��o!
- Como me podes perder? - N�o podes sentir as correntes?
Leonor, conhece-me bastante pra saber que n�o posso ser impedido.
N�o quero impedi-lo, apenas atras�-lo.
Todos os vossos inimigos t�m amigos em Roma.
Custar-te-� tempo!
Que � isso? N�o sou decadente e e n�o estou batendo as botas.
- Vou durar anos. - Quantos anos?
Suponhas, por exemplo: que te segure. Consigo, � poss�vel.
Que vosso primog�nito morre. O nosso morreu, � poss�vel.
Que depois tendes uma filha. Como tivemos, tamb�m poss�vel.
Quantos anos tem papai, ent�o?
Que tipo franzino, perebento, branquelo, raqu�tico,
remelento, m�rbido e defeituoso ir�s colocar no Mundo?
� confort�vel o vosso cuidado.
Quando morreres, o que � lament�vel, mas necess�rio.
Que ser� da vossa fr�gil Alais e do teu pr�ncipe debilitado?
Achas que Ricardo esperar� teu monstrinho crescer?
- N�o o deixaria fazer tal coisa. - Deix�-lo-ia?
Empurraria a porta da jaula.
N�o sois t�o cruel.
N�o preocupe-se. Esperaremos que morra para fazermos.
- Leonor, o que desejas? - O mesmo que v�s, um filho Rei!
Podes ter mais, mas eu n�o. Achas que quero desaparecer?
S� me resta um filho e o coloca de lado e achas que sou cruel?
Nestes dez anos tendes vivido com tudo aquilo que eu perdi
e ainda por cima amaste outra mulher e a cruel sou eu?
Sou capaz de esfol�-lo vivo!
At� Deus clamaria por justi�a!
Vou morrer logo.
Um dia vou demorar muito para acordar
e em Westminster gritar�o: "Vida longa ao Rei" para algu�m.
- Imploro-te que sejas um filho meu. - As l�grimas n�o me comovem.
- N�o tenho filhos! - Tens muitos filhos!
N�o precisas de mais.
Deseja-me sorte, estou de partida.
- Para Roma? - � l� onde fica o Papa.
N�o ousarias.
Ao meio-dia, se falares de novo, dir�s ao traseiro de meu cavalo.
Cabritinha!
Estarei livre de ti na P�scoa. Podes contar teus dias de reinado.
- Ides a Roma e lutaremos contra v�s. - Quem ir�?
Ricardo, Godofredo, Jo�o e Leonor de Aquit�nia.
No dia que esses brutamontes se unirem, porcos criar�o asas!
Amanh� haver� porcos em �rvores. Deste-lhes uma raz�o comum:
novos filhos. Se deixares o Reino, ir�s perd�-lo.
- Todos os tr�s de uma vez? - E Filipe, se juntaria a n�s.
Tendes raz�o, se juntaria.
E agora, a vossa viagem a Roma?
Peguei-o!...
Deveria levar mil homens armados ou � demais?
Como blefas!
Pobrezinha!
Como deverei vos dar a not�cia?
- Acabas de calcular mal. - Como?
Deverias mentir e prometer se portar bem enquanto partisse.
Teria deixado vossos 3 filhos livres e ent�o poderiam lutar contra mim.
- N�o prenderias vossos filhos aqui. - Por que diabos n�o?
- N�o se atreverias. - Por que n�o?
- Que fiquem em Chinon por um tempo. - Pro�bo-lhe disso.
Pro�be-me disso!
Vosso pai dormiu comigo ou n�o?
- Naturalmente me dir�s que dormiu. - Perturbaste com isso?
E os milhares de homens? E sou o escandaloso! Vais pro inferno!
Espl�ndido!
Henrique, n�o me deixes.
Estou no fundo do po�o.
Farei qualquer coisa para vos deter.
- Creio que achas que consegues. - Pedi qualquer coisa.
Leonor, � tarde demais! Passou!
- Testa-me, nomeies uma lei. - N�o h� nenhuma!
A respeito da fornica��o com vosso pai.
Sim se existir podes morrer!
Ides primeiro, velhote!
S� espero estar l� para ver. A morte lhe assusta e tens tanto medo dela.
Pobre Leonor, se ao menos mentisse.
E menti. Nunca disse que amava vosso pai.
Sempre posso contar contigo.
Nunca te toquei sem pensar: Godofredo...
No dia em que me ferirdes, vou gritar!
Corneei-o mais do que Lu�s.
- E devo me importar? - Mato-te se me deixares!
- Podes tentar! - Adorava o corpo dele, era lindo!
- Nunca aconteceu! - Vejo-o agora, tentarei descrever.
- Leonor, espero que morras! - Bra�os rudes, com cicatrizes.
Posso sentir os bra�os dele!
- Que foi? Magoei a v�s? - Deus, vou ficar doente.
Fizemos amor!
Estavas no quarto ao lado quando fizemos!
E fizemos mesmo!
Bem...
Que fam�lia n�o tem altos e baixos?
William!
Quando a �gua bate no traseiro do Rei, ningu�m dorme!
William, diga-lhe para arrumar suas trouxas, partir� de dia.
- E prendes os rapazes. - Vamos, depressa!
Estou com frio.
N�o sinto nada.
Absolutamente nada.
N�o poder�amos voltar...
n�o poder�amos, Henrique?
N�o poder�amos voltar, n�o?
Ricardo.
Ricardo.
Como atrevem-se?
Pai! N�o...
Larguem-me!
Levante-se agora!
N�o ter� nenhuma satisfa��o minha. N�o me ver� implorar.
Por que idiota? Como se importasse pelo modo que algu�m caiu.
Quando o tombo envolve tudo que se tem, preocupa.
A barca parte �s onze. Vim me despedir.
Henrique sabe que estas aqui?
Trouxe uma coisa para cada. Escolhi especialmente.
O que ele pretende? Vai nos manter� aqui?
- Qual a quantidade de guardas l� fora? - Est� sob controle.
E os do p�tio de entrada?
Est�o montando a comitiva de Henrique e est� um caos.
Sairiam sem ser notados.
- Henrique? - Vamos fazer as malas e partiremos.
Estamos em guerra?
- O que aconteceu, Henrique? - Nada, para variar. Acreditas?
- Onde estiveste a noite? - Organizando nossa comitiva.
- Para qu�? - Vamos a Roma ver o Papa.
Ele o excomungou novamente?
Ele ir� me libertar.
Vou ter meu casamento com Leonor anulado.
A na��o ficar� chocada por saber que nosso casamento n�o foi consumado.
- N�o brinques. - Falo s�rio.
Creio que vamos nos casar pelo Papa em pessoa.
Pretendes mesmo?
N�o � outro truque?
Os festejos de casamento est�o sendo preparados nos pavimentos.
Vamos para Poitiers, ele espera por isso.
Mas vamos receb�-lo com um ex�rcito quando voltar.
Fiquem junto de mim e quando mand�-los correr, corram mesmo!
- Por que correr? Devemos ficar. - O que? Ficarmos aqui?
At� que Henrique venha. Ele vir�, n�o? E sozinho.
Eu conto tr�s facas contra uma.
- Achas que conseguir�amos? - Faria tudo errado, tu matas.
- Eu fico assistindo. - Onde vais?
- Tomar ar fresco. - N�o, detenha-a!
N�o achas que vou deixar isso acontecer?
Se lhe disser, haver� r�pidas execu��es e isso n�o queres isso.
N�o queres perder nem um de n�s. Nem mesmo a mim.
�s esperto mas me pergunto se tens raz�o.
Se o alertares, ser� o nosso fim.
Se n�o, ser� o fim dele. Est� claro!
- Peguem as facas e fujam! - N�o, Godofredo tem raz�o.
- N�o �s um assassino! - Olhes novamente!
- Ricardo... - Poupe-me disso!
Trouxestes essas coisas. Se o queres morto, mate-o.
�s anormal!
Anormal, mam�e? Ent�o, diga-me o que � ser normal?
Se cogumelos venenosos crescem e beb�s nascem corcundas,
se caro�os aumentam, c�es pegam raiva e esposas matam os maridos...
o que � anormal?
Venha, aqui est� o vosso cabritinho!
Vamos, cubra-o de beijos, ele � todo teu.
Tu n�o �s meu.
- N�o sou respons�vel. - Com quem achas que aprendi?
Que idade tinha quando fizeste-me enfrentar Henrique pela primeira vez?
Eras jovem, n�o sei.
Quantas guerrinhas j� assisti?
Guerrinhas, mas n�o facas escondidas atr�s da porta.
Nunca vi um defunto reclamar de frio. O que imaginavas quando discutiam?
- Em ti. - Na vossa aberra��o?
- Fiz tudo por ti. - Querias papai morto.
- N�o, nunca. - Tentaste mat�-lo, n�o?
- Sim! - Por qu�? O que querias?
Queria Henrique de volta.
Mentirosa.
Queria Henrique...
..de volta.
Mentirosa!
N�o acredite nela. Ir� avis�-lo se tiver chance.
Queridos... N�o importam-se com a mam�e?
- Encontrar� um jeito de impedir-nos. - Como? N�o estar� aqui.
Vai para a Torre de Salisbury quando os ventos mudarem.
Descer� o rio na hora do almo�o.
Se ela n�o nos impedir, Ricardo impedir�.
N�o mais, o prendi. Est� na adega com os irm�os e o vinho.
Os filhos reais est�o envelhecendo com o vinho do porto real.
Ainda n�o disseste-me "sim".
Gostarias de uma declara��o formal?
Veja, este e o meu melhor perfil. Est� em todas as moedas.
Melanc�lica Alais, casa-se comigo?
Sejas a minha Rainha.
Acertei! Vai-me dar filhos,
vamos amar um ao outro e teremos seis,
um a mais que Leonor.
Chamaremos o primog�nito de Lu�s, se gostares.
Lu�s "Le Premier". Que tal para o Rei de Inglaterra?
Henrique?
- N�o pode jamais solt�-los. - Agora me distraiu. Soltar quem?
Vossos filhos.
Coloque-os no calabou�o...
e mantenha-os l�, para sempre.
Agora?
Se estiverem livres quando morreres,
� pris�o ou o convento para mim.
Henrique, e o nosso filho?
N�o incomode-me com a crian�a, o pestinha ainda nem nasceu.
Se estiverem soltos, eles matam-na.
N�o quero viver para ver nossos filhos sendo mortos.
Henrique, ir�s libert�-los ou mant�-los-� presos?
Serias capaz de dizer para um filho teu
que veria a luz do sol pela �ltima vez?
�s capaz de fazer, Henrique?
Senhor.
- Estais horr�vel! - V�s tamb�m.
- Dormi muito pouco. - Bem...
daqui a pouco, todos vamos descansar.
- Que belos rapazes! - O que queres conosco?
Deveis estar louco. Por que vieste aqui?
Por que vieste, maldi��o?
Tu...
..eras o melhor.
Disse isso a ela tamb�m.
Tu, eu amava-te.
Vai nos manter aqui.
Jamais poder� me libertar.
Sabes que jamais pararei.
Eu tamb�m n�o posso parar.
Rapazes valentes!
� Bravos rapazes. E isso que consegui!
O que � isso?
Enfrentai-me! Sois o Ricardo, n�o?
- E tu �s Henrique. - Papai.
Por favor, aceita-me de volta.
- Vamos tentar novamente. - De novo, Jo�o?
- Fizeste isso antes. - Sim, foi antes.
V�, execute-o.
S�o assassinos, n�o? Foi trai��o, n�o?
J� que lhe deste a vida, pode tir�-la.
O que disseste foi monstruoso?
Sou o Rei, n�o?
Clamo por justi�a!
Eu, Henrique,
pela Gra�a de Deus, Rei de Inglaterra,
Senhor da Esc�cia,
Irlanda e Pa�s de Gales,
Conde de Anjou, Bretanha, Poitou
e da Normandia, Maine,
Gasconha
e Aquit�nia.
Condeno-os a morte...
que realizar-se-� no dia de Natal em Chinon,
no anivers�rio de Deus, do ano de 1183.
Certamente...
n�o era isso que pretendia.
Filhos.
Os filhos s�o...
tudo o que temos.
V�o!
Estou acabado, terminamos.
V�s e eu...
terminamos.
Nunca mais voltem.
Perdoa-os do castigo, estragas esses meninos!
- N�o pude, Leonor. - Ningu�m achou que pudesses.
Venhas descansar.
N�o quero nenhuma mulher na minha vida.
- Estas cansado. - Poderia ter conquistado a Europa.
Toda a Europa.
Mas tive mulheres na minha vida.
V�, saia!
V�!
Deveria lhe ter matado anos atr�s.
Colocaste-me aqui.
Fizeste-me a fazer loucuras.
Fizeste-me sofrer.
Carregues isso convosco, n�o coloques nas minhas costas.
Pegues a culpa e carregue-a. Eu consigo.
Minhas perdas s�o obras minhas.
Que perdas? Sou o �nico sem nada.
Perdestes o trabalho de vossa vida, perdeste?
As prov�ncias n�o s�o nada, a terra � porcaria.
Poderia ter derrotas como v�s e sorrio. Fa�o assim.
Se est�s destro�ado, porque �s fr�gil.
Eu te perdi...
e jamais poderei t�-lo de volta novamente.
Sois tudo que sempre...
amei.
Cristo!
N�o sabes o que � nada!
Quero morrer.
- N�o queres! - Quero morrer.
Vou abra��-la.
Quero morrer!
- Vou abra��-la. - Henrique, quero morrer.
- Leonor. - Quero morrer.
- Deixe-me abra��-la. - Quero morrer.
Ir�s morrer, mas...
em algum dia.
Apenas esperes um bom tempo...
que isto vai acontecer.
Assim ser�.
Estamos na adega e voltar�s pra vossa pris�o.
Minha vida est� destru�da.
E perdemos um ao outro
Mesmo assim ides sorrir!
� assim que lido com a falta de esperan�a.
Tudo existe na vida, exceto esperan�a.
Estamos vivos.
E pelo que sei...
� o que denomina-se esperan�a.
Somos criaturas selvagens, Henrique.
A escurid�o est� nos rodeando.
Vejas as n�bulas, pelos cantos.
Consegues ver os seus olhos.
E elas conseguem ver os nossos.
Sou p�reo para qualquer coisa.
E ti?
Teria que ser uma grande tola...
para n�o amar-te.
Bem...
Celebramos sempre a P�scoa na Corte.
Vai-me soltar na P�scoa?
Chegando a Ressurrei��o, podes me atacar novamente.
Talvez conseguirei da pr�xima vez.
E talvez n�o.
Sabes...
- Espero que nunca morramos! - Eu tamb�m!
Achas que existe alguma possibilidade disso?
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