All language subtitles for None Shall Escape.1944.Andre De Toth

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Original subtitles

NINGU�M ESCAPAR�

O tempo desta hist�ria est� no futuro. A guerra acabou.

Como foi prometido, os criminosos desta guerra foram levados de volta �s cenas

dos seus crimes para julgamento. De fato, como os nossos l�deres prometeram

NINGU�M ESCAPAR�

Rendi��o incondicional.

Os l�deres do Partido Nazista

s�o julgados hoje na Pol�nia,

bem como em outras capitais europ�ias.

Hoje nos sentamos para julgar os que causaram incalcul�veis mis�rias humanas.

Devemos estar conscientes da nossa grande responsabilidade.

n�o s� pelo passado, mas tamb�m para o futuro.

Durante a ocupa��o dos nazistas nos pa�ses invadidos,

um record completo foi mantido de crimes

nazistas e de colaboradores nazistas.

Os nomes destes criminosos foram registrados;

antecipando-se ao dia em que o julgamento seria feito.

Este tribunal decidir� n�o s� se o acusado � inocente ou culpado,

mas a extens�o do crime.

Este tribunal determinar� que pena o r�u deve pagar.

Esta �, portanto, a base do julgamento com a qual se abre esta sess�o

do Tribunal Internacional, Distrito de Vars�via.

O primeiro acusado � o ex-comiss�rio

do Reich da regi�o oeste da Pol�nia:

Wilhelm Grimm.

O acusado procurou aconselhamento jur�dico,

e desfrutar� de todos os direitos.

Chame o acusado.

Wilhelm Grimm.

Voc� � Wilhelm Grimm, nascido em 02 de outubro de 1890 em Berlim?

Sim.

Foi ferido. Pode se sentar.

Wilhelm Grimm, � acusado de exterm�nio gratuito da vida humana.

� acusado de crimes de homic�dio,

deten��o ilegal, degeneradas atrocidades e roubo comum.

Como se declara?

Inocente.

Onde est� o seu advogado?

Atuarei em minha pr�pria defesa.

Conhece essas testemunhas?

Pode prosseguir.

Primeira testemunha: Reverendo Roman Warecki, sacerdote de Lidzbark.

Se apraz ao tribunal, gostaria antes de fazer uma breve declara��o

oferecendo o meu testemunho.

Gostaria de explicar porque estou testemunhando.

O julgamento destes criminosos � um marco na hist�ria da humanidade.

Pode-se argumentar hoje que tendo derrotado os nazistas,

deveriamos mostrar toler�ncia e compaix�o.

Que esses homens s�o v�timas das circunst�ncias e da hist�ria

e que n�o gozaram de liberdade para agir conforme os ditames

da sua pr�pria consci�ncia.

Gostaria de relatar um incidente que ocorreu h� muitos anos,

provar que o acusado agiu por iniciativa pr�pria

e que tinha liberdade de escolha e vontade.

Foi no in�cio da primavera de 1919 ap�s o final da Primeira Guerra Mundial.

Em nossa pequena cidade de Lidzbark era dia de feira

e o primeiro calor da primavera estava no ar.

Haviam poucas cicatrizes da guerra que se viam na mesma cidade,

mas estavam l�, n�o nos edif�cios,

mas nos cora��es e rostos das m�es e esposas cujos homens nunca mais voltaram,

ou voltaram feridos e destro�ados.

Mas agora estava acabado.

Havia come�ado, pela pra�a, minha caminhada matinal.

Parei para cumprimentar meu amigo, o rabino da cidade.

No lugar da feira estava a atividade habitual

agrupados em carro�as e barracas, vizinhos e granjeiros

falavam da pol�tica do dia.

A grande quest�o, � claro, era o futuro da Pol�nia.

N�o me importa quem assina o Tratado de Versalhes.

Acho que a Pol�nia estar� livre quando voltarmos �s nossas antigas fronteiras,

n�o antes.

- Os poloneses est�o nas m�os de Deus. - De Deus n�o, dos alem�es.

- Bom dia, padre. - Bom dia. - Bom dia, padre.

Aconteceu! A Pol�nia ser� Rep�blica!

Viva a Pol�nia!

Desculpa, padre, mas acredito na Pol�nia para os poloneses.

Aconteceu! Aconteceu! Paderewski foi envidado para Versalhes!

O Paderewski conseguir� nossas demandas, todo o mundo o ouvir�.

Sim, o ouvir�o quando tocar piano.

Vamos levantar um monumento para o Paderewski no centro

da pra�a p�blica, para honrar nossa independ�ncia.

Pelo menos vamos esperar consegui-la.

N�o se preocupe, conseguiremos a independ�ncia.

O que quer dizer com "conseguiremos", Dr. Matek?

Para todos n�s, Oremski, gra�as � Divina Provid�ncia.

E se o padre me perdoa,

gra�as tamb�m ao Tratado que escrever�o em Versalhes.

N�o v� que o Tratado de Versalhes proteger� a Pol�nia?

N�o acredito.

Em que n�o acredita agora?

N�o acredito em nada.

E os alem�es?

Ei, bastardo, n�o ouviu que a guerra acabou?

O imperialismo alem�o foi derrotado para sempre.

Tem raz�o.

Caramba, aquele n�o �. . . sim, � o nosso professor alem�o, Wilhelm Grimm.

N�o o esperava de volta t�o cedo.

Isso � uma surpresa, Sr. Grimm.

Bem-vindo de volta a Lidzbark.

Voc� � muito generoso com o inimigo.

- A guerra acabou. - Voc� acha?

Vejo que sofreu um ferimento.

Um ferimento? Isso soa como carne e osso?

Num minuto as crian�as vir�o gritando e correndo para fora da escola.

Saiba, Wilhelm, que o posto como professor ainda � seu.

E Marja?

Seu posto tamb�m n�o foi ocupado.

Bem-vindo de volta, professor Grimm.

Me reconhece depois de tanto tempo?

Claro, porque n�o? N�o somos crian�as.

Faz s� quatro anos, era uma menina.

Agora � uma jovem.

Como se chama?

Anna Oremska.

N�o acha diferente?

Se refere �quela medalha?

Foi ferido. N�o tem pena?

N�o.

O padre Warecki disse para n�o odiarmos mais os alem�es.

Meu irm�o n�o odeia mais, est� morto.

Ol�.

Wilhelm.

Querido, estou t�o feliz.

Por que parou quando me viu mancando?

Querido, n�o sabia de nada.

Por que n�o escreveu que. . . ?

Que sou um aleijado?

J� n�o basta saber agora?

Teria me esperado se voc� soubesse?

N�o me conhece bem, Wilhelm?

Acha que � diferente para mim porque foi ferido?

A verdade � que. . . n�o entende.

Nada � o mesmo.

O meu amor � o mesmo, Wilhelm.

N�o est� tranquilo aqui, querido?

Bem, pelo menos n�o h� poloneses hist�ricos

pela independ�ncia da Pol�nia e poloneses Republicanos

e bestas polonesas.

Voc� esqueceu, Wilhelm? Eu tamb�m sou polonesa.

Em tr�s dias ser� a minha esposa.

- E ent�o? - Ent�o ser� alem�.

- Como se isso importasse. - O que � o que importa?

Ser sua esposa, mais que tudo.

Esperar tr�s dias parece uma eternidade, Marja.

Ap�s estes anos.

- Estou preocupada, Wilhelm. - Sobre o qu�?

Essas cortinas que consegui para o quarto. Voc� realmente gosta?

Sim.

N�o podia ter encontrado uma casa mais bonita.

� muito pequena e acolhedora.

Nas noites mais frias do inverno, ser� muito quente e encantadora.

Como voc� �.

N�o posso acreditar que � verdade.

Todos estes quatro longos anos que esteve fora, fiquei rezando para voltar.

Lembra, Wilhelm, foi bem aqui,

nesta mesma mesa onde pediu a minha m�o.

E quando foi chamado pelo ex�rcito, t�o de repente,

tudo que deixou atr�s para mim foi a esperan�a para o futuro.

Naqueles dias, ainda acreditava no futuro.

E agora n�o? No nosso futuro?

Eu te amo, Marja.

� o �nico ser humano no mundo que eu amo.

Os outros, eu odeio. Todos eles.

N�o s� aqueles idiotas da aldeia que falam idiotamente na feira,

os alem�es tamb�m.

Perderam a guerra, no nosso ex�rcito.

Hoje o povo alem�o fala na liberdade e na democracia,

como os poloneses.

Mas essa � a �nica chance que as pessoas t�m, Wilhelm.

Sem liberdade, n�o h� futuro.

O futuro est� na vit�ria, n�o na liberdade.

A guerra continuar� at� ganharmos. Esse � o nosso destino.

Se a Alemanha tivesse vencido, teria voltado para mim?

Se tivessemos ganho, n�o passaria o resto da minha vida como professor

apodrecendo nesta aldeia.

Se tivessemos vencido, seriamos uma Europa Central Alem�,

Alemanha Bebensraum, de Berlim a Bagd�. Um imp�rio colonial.

Me foi prometido um cargo no Minist�rio da Educa��o.

Morariamos numa cidade grande.

Uma mans�o oficial, com criados e carros.

Teria posi��o, responsabilidade.

Levar a cultura alem� aos b�rbaros.

E a Pol�nia?

A Pol�nia tamb�m pode se beneficiar da cultura alem�, Marja.

Vamos voltar. . . voltamos agora.

Acho que passou para o outro lado, Marja.

Mudou de parecer. Tem certeza?

Tio Roman, tenho medo.

Mudou muito. . . dentro de si.

N�o o conhe�o mais.

Se me casasse com ele agora, seria como casar com um estranho.

N�o posso fazer.

Me assusta.

N�o entendendo.

Prefere n�o v�-lo. Posso lhe dizer?

N�o.

Tem certeza?

- Marja est�? - Sim.

Ah, est� a�.

Recibi seu recado.

Wilhelm, decidi adiar nosso casamento.

Por favor, entenda. Tudo mudou.

Preciso de tempo. N�o estou segura de mim mesma.

Minha irm� est� doente em Vars�via.

Me pediu para ficar com ela um ou dois meses.

Quando voltar. . .

N�o precisa piorar com uma fraca desculpa.

� s� que n�o quer carregar os restos de um homem.

Perna aleijada, carreira aleijada. Por que n�o diz?

Por que n�o admite que vai para Vars�via examinar um jovem mais apto?

Porque n�o � verdade.

Muito sens�vel, Marja.

Nenhum professor pobre para voc�.

N�o era rico antes de partir, Wilhelm.

Sua acusa��o est� errada.

E cruel.

Suponho que � am�vel, depois de tr�s anos de espera,

abandonar e me deixar tr�s dias antes do meu casamento,

me fazendo de chacota para os idiotas da aldeia.

� isso que me incomoda, Wilhelm.

� o meu povo. Sabe que os amo.

Se pensa que s�o imbecis, o que pode pensar de mim?

Acho que � uma camponesa t�pica,

que decidiu colocar seu dote em leil�o pelo maior lance.

Escreva-me muitas vezes, Marja.

Todos os dias.

- Tchau, Marja. Passe bem. - Obrigada, Christina.

Pare!

Venha aqui, venha aqui!

L� est�.

Tchau, Marja.

Eu disse que ela inventou. Minha m�e ouviu a noite passada.

N�o, s� vai a Vars�via visitar a tia doente.

Isso � o que ela diz.

N�o vai deixar nenhum manco entrar na charrete.

- Tamb�m sei porque. - Por que?

Vou dizer por que. Porque n�o � bom o bastante para uma polonesa.

Me parece horr�vel. Gozando dele assim.

N�o desde o sinal desta manh�. Talvez tenha uma chance, Anna.

E voc�!

Repita o que disse.

Repita o que disse.

Certo. Eu disse que n�o era bom o bastante para uma mulher polonesa.

- E n�o sou o �nico que pensa assim. - Jan!

� verdade! Seu pai tamb�m disse isso e outros na aldeia.

Ent�o n�o sou bom o bastante para uma polonesa.

Aula terminada.

Foi dif�cil a decis�o que Marja foi for�ada a tomar,

mas ap�s tr�s meses em Vars�via percebeu que a guerra tinha deixado

sua tr�gica marca em todo o mundo.

O sentimento por Grimm n�o foi exce��o.

Escreveu que voltaria, determinada a realizar o seu casamento,

- mas no dia de volta. . . - Me oponho.

O acusado ter� oportunidade de se defender.

Me garantiu o direito de agir na minha defesa.

Objeto que todos estes contos de antigas esposas,

de rela��es insignificantes s�o completamente irrelevantes.

Senhoria, at� agora n�o havia obje��es.

Evidentemente, porque o que tenho a dizer � extremamente relevante,

o acusado desejar me deter.

Obje��o rejeitada.

Pode proseguir a testemunha.

Como dizia, Marja escreveu que estava determinada a levar adiante o seu casamento.

Sentia que agora mais que nunca, Wilhelm precisava do seu amor e aten��o.

Talvez com sua ajuda ele poderia se adaptar a uma vida normal.

E essa seria sua miss�o. Ent�o Marja retornou a Lidzbark.

No entanto, seria melhor se

tivesse escolhido outro dia para voltar � cidade.

O que foi?

Aconteceu alguma coisa com meu tio?

N�o, h� algum problema com Jan.

N�o faz sentido continuar esta tarde,

Jan. � evidente para todos � culpado.

Eu n�o sou.

O que foi, tio? O que acontece aqui?

Est� tudo bem, querida.

Confessa ao sacerdote ou te repudiarei.

Talvez o padre Roman tenha piedade de voc�.

Sou inocente.

Me desonra! Oremski tem sido amigo e vizinho h� 40 anos!

Confessa ou te arrancarei a verdade a golpes!

Por favor, por favor.

Somos velhos amigos, Jan. Pode falar comigo.

N�o vai acreditar em mim?

N�o h� nada que eu possa dizer, exceto que n�o sei nada sobre isso.

O que diz Anna?

Se recusa a falar com algu�m.

N�o disse uma palavra em tr�s semanas.

� uma muda angustiada.

- Boa tarde. - Boa tarde, Marja.

Posso falar com a Anna?

L� embaixo.

Ol�, Anna.

Acabo de voltar de Vars�via.

N�o vai me dizer ol�?

Anna, te conhe�o h� muitos anos.

Sempre achei que eramos amigas.

Quero te ajudar.

Tudo bem, Anna.

Se arrepender� mais tarde.

Sei que sempre gostou do Jan.

Quando o punirem, pesar� na sua consci�ncia.

O enviar�o para um reformat�rio.

Ser� culpa sua, j� que recusa confessar.

Seu pecado ser� duplamente vergonhoso.

N�o permita que fa�am mal ao Jan.

N�o deixam bot�-lo para fora.

Por que n�o deveriam?

Jan merece o pior castigo que possam dar-lhe.

Por que n�o me matou?

Quem?

Pedi para me matar.

Ele sabia que eu queria morrer.

Podia ter me matado com as grandes pistolas de cabo de prata.

Podia ter me matado com sua bengala.

Wilhelm. Wilhelm!

Eu n�o disse.

Eu n�o disse nada!

Marja!

Anna!

Anna!

Anna!

Marja!

Voc�. . . voc� voltou.

Sim.

Essas pistolas podem disparar?

Sim.

Ent�o, se ainda te resta honra pode us�-las em voc� mesmo.

Marja, o que. . . ?

O que � isso?

Marja!

Dr. Matek!

Dr. Matek!

O que foi?

Dr. Matek, aconteceu algo terr�vel!

Anna, a levam para dentro.

- Procure o padre Warecki. - Sim, senhor.

Oremski, Oremski, Oremski!

Deixa ele. Deixa ele, por favor.

Sua v�tima se jogou no lago.

E que o Senhor tenha piedade da sua alma.

As �guias arrancar�o seus olhos da forca!

Por favor, por favor v�o para casa. Tudo ficar� bem.

Obrigado.

Sabe algo da Marja ultimamente?

- N�o lhe disse? - Nem uma palavra.

Pensei que tinha dito para todos.

- Uma carta muito interessante. - Bem.

Sim, finalmente. Concertos, livros.

Come�a achar Vars�via interessante.

Mencionava um jovem.

Um jovem faz uma cidade interessante.

Claro que, por hora, voc� sabe, n�o � nada s�rio.

Claro que n�o. Apenas. . . interessante.

Ah, a vida � boa para os jovens.

Mesmo as feridas profundas podem cicatrizar em seis meses.

O que � isso no mundo?

O que o traz aqui, Sr. Grimm?

Acabo de receber alta do hospital.

Procurava uma licen�a na casa de Deus.

N�o esperava a sorte de encontrar dois dos seus servos aqui.

S�o os �nicos que podem me ajudar.

� o seu dever ajudar, certo? N�o condenar.

Certo. Ent�o, me ajude.

Me d�em dinheiro suficiente para atravessar a fronteira e

voltar � Alemanha, onde posso come�ar minha vida novamente.

Aqui est� tudo o que tenho.

N�o sei se � sorte sua, ou azar, que o tribunal n�o poderia

encontrar provas suficientes para conden�-lo.

Hoje existem dois caminhos:

num caminha a humanidade, o amor fraterno e a compreens�o humana.

No outro correm as selvagens for�as da destrui��o.

Come�ou no caminho errado, Grimm,

mas n�o � tarde demais para voltar.

Caminhe conosco, na luz de Deus.

Devolverei o dinheiro quando puder.

Isso foi em 1919.

Oramos por ele e esperamos que encontrasse paz numa nova vida.

A defesa deseja perguntar � testemunha?

Sim. H� um momento pedi que toda esta lam�ria fosse

retirada da grava��o como irrelevante e imaterial.

Minhas obje��es foram negados.

Agora gostaria fr fazer tr�s perguntas � testemunha.

Prossiga.

Teve alguma prova que molestei aquela jovem?

O juri arquivou o caso por falta de provas?

� verdade que devolvi o dinheiro emprestado por voc� e aquele judeu?

Sim.

Sem mais perguntas.

Obrigado.

Pr�xima testemunha.

Karl Grimm.

Seu nome � Karl Grimm?

Sim, Senhoria.

� parente do acusado?

Sou seu irm�o.

Esta testemunha � da acusa��o ou da defesa?

Isso o Tribunal deve decidir.

S� quero contar a verdade.

Continue com o seu testemunho.

Wilhelm e eu realmente eramos mais que irm�os.

S� nos separavam 14 meses e de quando me lembro,

eramos t�o pr�ximos um do outro como g�meos.

Na escola, na universidade, e tamb�m na Primeira Guerra.

Estava ao seu lado no campo de batalha, quando perdeu a perna.

Fui eu quem ajudou lev�-lo ao hospital base.

E como era justo e natural,

meu sangue que foi usado na transfus�o

que salvou sua vida.

Era tamb�m a minha vida.

Em. . . em 1923, a Alemanha estava em frangalhos.

Parecia que a Rep�blica nem vivia nem morria.

Era uma na��o desconcertada, irritada e indefensa.

N�s, a classe m�dia, n�o sabiamos que caminho seguir.

N�o via o meu irm�o a cinco anos.

Queria saber o que havia acontecido com ele, porque por todo esse tempo,

nunca escreveu.

Viviamos em Munique minha esposa, Alice, dois filhos pequenos, Willie e Elsa e eu.

Willie, isso � apenas sua boca, n�o um t�nel.

N�o ponha tanta comida de uma s� vez.

Sim, m�e.

Esperando algu�m?

N�o.

Bem, querido, vamos ver quem �.

Willie, veja quem �, por favor.

- Boa noite. - Boa noite.

- Boa noite. - Boa noite.

Wilhelm!

- Karl! - N�o te reconheci, desculpa. . .

- Onde esteve? - Ah, n�o importam as perguntas.

Estamos apenas jantando.

N�o est� com fome?

Ah, vamos, parece meio faminto.

Venha sentar-se. Deixa eu preparar algo para comer.

Como v�, tenho uma pequena Elsa. E se lembra dele, claro.

N�o. . . n�o, acho que esteve bastante aqui quando se foi.

Willie, este � o seu tio Wilhelm.

Wilhelm, lhe apresento seu sobrinho. Colocamos o seu nome.

Tio Wilhelm, o que aconteceu com seu olho?

Willie, pare de fazer perguntas.

Sente-se, Wilhelm. A conversa pode esperar.

- M�e? - Sim?

Posso fazer s� uma pergunta, por favor?

Certo, s� uma.

Tio Wilhelm, o que aconteceu com seu olho?

Willie!

Alice, por favor. Todos queremos fazer a mesma pergunta.

Eu perdi h� muitos anos, na Pol�nia.

Voc� perdeu? Quer dizer que ele caiu?

- Willie! - Vou contar tudo, pequeno Willie.

Que tipo de desculpa � a de estar viajando?

Ainda podia ter escrito, Wilhelm.

Durante tr�s anos, tentamos descobrir se estava vivo ou morto.

N�o queria incomod�-los com meus problemas.

Ah, Wilhelm, como nos incomodaria?

Bem, Karl e sobre voc�?

Estamos aqui envelhecendo. Nossos filhos est�o quase crescidos.

N�o, n�o, n�o. Quero dizer no geral.

As condi��es aqui na Alemanha s�o muito ruins. . . S�o intoler�veis.

N�s conseguimos sobreviver.

Consegui um bom emprego, escrevendo editoriais para o "Munich Post".

Um jornal socialista?

Por que n�o?

Por que n�o, heim?

Esteve muito tempo fora, Wilhelm.

Aqui as coisas mudaram.

Quando voltar ao trabalho, voc� vai ver.

Deve viver aqui conosco, Wilhelm

e aprender a relaxar novamente.

Isso � muito gentil da sua parte, mas como posso me instalar com sua fam�lia?

Nossa fam�lia? J� n�o fez parte da nossa fam�lia?

Hoje em dia, Wilhelm, n�o restam muitas coisas al�m da fam�lia.

Voc� acha? Deixa eu dizer algo.

Um novo esp�rito est� nascendo, uma nova religi�o de sangue e ra�a.

E o homem que a lidera j� est� em Munique.

Quer dizer aquela criatura de Hitler?

Isso mesmo, Karl, ria.

E voc� tamb�m, Alice.

Todos riem das coisas que n�o entendem.

Toda a Alemanha vai rir,

mas quando parar, ser� tarde demais.

Quando parar, ter� tomado Munique

e toda a Alemanha.

Por que parar na Alemanha? Por que n�o o mundo inteiro?

Por que n�o?

Sim, riam.

Tudo parecia muito engra�ado em 1923.

Hitler entrava numa cervejaria e se proclamava

o novo l�der da sua pr�pria autoridade.

Mas quando no dia seguinte realmente tentava

marchar pelas ruas de Munique,

as autoridades em seguida metiam ele e sua banda, na cadeia.

Era realmente muito divertido.

Afinal, como algu�m poderia levar a s�rio aquele hist�rico

enrolador e sua multid�o de bandidos?

E ent�o n�s riamos.

Assim que tomar o mundo, heim?

Bem, flores. . . e caviar.

Nada mau para um alem�o.

Mas o seu olho. . . nos disse. . .

Olha. . . O partido oferece tudo.

Sim, eu vejo.

Sente-se.

Tudo, exceto a liberdade.

N�o se preocupe.

- Wilhelm. . . Wilhelm. - Sente-se.

Tem um boato pela cidade que v�o fazer

cumprir dois anos de senten�a.

S� boato. A press�o do partido os for�ar�

- nos liberar. - Ah, talvez.

Olha, Wilhelm. Posso tir�-lo daqui, agora mesmo,

com a condi��o de deixar Munique.

E o que o nosso F�hrer pensar� desta proposta?

Agora est� l� em cima, escrevendo seu livro.

Livro? Algo que mudar� o curso de toda a hist�ria. Estou certo?

Sim.

E felizmente, sua f� n�o � compartilhada por todos.

Ent�o n�o aceita a minha oferta de te ajudar sair daqui.

Acho que est� louco,

mas se esse � o modo que quer, concordo.

Naturalmente, isto n�o � muito confort�vel.

Em seis meses, estarei livre.

J� � hora.

Adeus, Wilhelm. Boa sorte.

Heil Hitler!

Entre irm�os prefiro isso. . .

Mas Wilhelm tinha raz�o. Foram libertados em seis meses

e sentimos. Toda a Alemanha sentiu.

Mesmo nos primeiros dias, a t�cnica nazista era aparente.

O rid�culo da Rep�blica era a sua linha pol�tica.

Criaram disturbios, suspeita. Promoveram agita��es pela comida.

Divide e conquista era o seu objetivo.

A situa��o se agravou tanto, que em 1929

as autoridades decidiram par�-lo.

A Rep�blica de Weimar lan�ou uma campanha

para erradicar a anarquia. Nesse momento est�o

escolhendo os l�deres. Este � um aviso. Com efeito,

imediato, � ilegal para qualquer cidad�o ensinar

- para qualquer membro do partido nazista. . . - Tio Wilhelm!

"Nossas not�cias terminaram.

Esta � a R�dio de Munique."

- Onde est�o todos? - L� fora, menos eu.

O que aconteceu?

- Acabo de ouvir no r�dio. . . - Ou�a com aten��o.

- Provavelmente a pol�cia. . . - Tamb�m v�o atr�s de voc�?

Acho que sim.

Sim, o apartamento de Karl Grimm � dois andares acima.

Obrigado.

Quando perguntar por mim. . . diga que estou em Berlim,

que estou l� h� duas semanas.

Mas por que mentirmos?

S� h� uma verdade. O nacional-socialismo.

- Sim. - Me obedecer�?

Sim senhor, mas acho que procurar�o por toda a casa.

N�o far�o. N�o, se falar as coisas certas.

Odeio esses lugares sem elevadores.

Seu pai est� em casa, filho?

- N�o, senhor, n�o tem ningu�m. - Seu pai trabalha

- em Berlim, certo? - N�o senhor, o meu tio Wilhelm.

- Esse mesmo, Wilhelm Grimm. - Tamb�m n�o est� aqui.

Foi para Berlim, a semana passada.

Abra a porta, filho. Daremos uma olhada.

N�o, n�o podem entrar. � proibidos. A pol�cia

n�o pode procurar numa casa sem um mandado. Essa � a lei da

Rep�blica de Weimar.

Certo?

Quanto seu pai demora para vir?

Talvez um hora.

- Vamos v�-lo ent�o. - Sim, senhor.

A� est� sua Rep�blica de Weimar.

At� um garoto pode faz�-los hesitar.

Chama de democracia, est�pido.

Bom trabalho, Willie.

Tem o necess�rio para um jovem l�der.

Para onde vai?

Ficarei fora seis meses.

Vejo voc� quando voltar.

Compre os melhores patins que encontrar.

Ah, tem algo mais, para dar sorte.

Guarde-o sempre.

Obrigado, tio Wilhelm.

N�o diga nada ao seu pai do que aconteceu esta noite.

Fica chateado muito f�cil.

Tchau.

N�o direi. Tchau, tio Wilhelm.

Claro, Willie me disse. De algum modo tinha que explicar sobre o dinheiro.

Eu era muito sentimental naquele tempo.

Era o meu irm�o

e o amava mais do que odiava a sua pol�tica.

Ent�o nos anos seguintes, tentei convenc�-lo que estava errado.

Mas estava escalando um posto influente.

S� ouvia o Partido Nazista e o som de promessas

feitas pelos l�deres do partido,

que o povo decente e inteligente da Alemanha n�o levava a s�rio.

Ent�o s� perceberam o que estava acontecendo em 1933.

Chegou ao ponto em que todo homem que ainda tinha honestidade

e integridade devia tomar partido.

A escolha n�o foi f�cil.

Nascemos em Munique e vivemos l� a vida toda.

- Boa noite, pai. - Boa noite, Elsa.

Por que chega t�o tarde, Karl?

Sente-se. Vou preparar o jantar.

As crian�as j� comeram.

- Alice? - Sim.

Deixei o jornal. Vamos embora.

Karl, o que aconteceu?

J� comprei as passagens, ent�o � melhor come�ar a empacotar.

Vamos pela manh� para Viena.

Viena! Ah, papai, � uma bela cidade, n�o?

Eu vi em fotos.

Sim, acho que gostar� de l�, Elsa.

Karl, estou muito feliz. Cada minuto que ficava fora

desta casa, ficava apavorada. Esta manh� levaram

o a�ougueiro para um campo de concentra��o. Eu. . .

- Viu isso, pai? - Boa noite, Willie.

Boa noite. Veja, uma foto do Tio Wilhelm no jornal.

V�o lhe dar uma medalha esta noite no Hotel Patzer-Hoff.

Sim, eu vi.

Bem, vamos l� parabeniz�-lo.

Willie, amanh� vamos para Viena.

Para Viena? Por qu�?

Ofereceram um emprego l� para o seu pai.

O tio Wilhelm sabe?

Vamos v�-lo e nos despedir dele?

Sim. . . Vou v�-lo.

Por seus distintos servi�os ao partido

como antigo lutador e portador da Ordem do Sangue.

Em apre�o da sua constante lealdade ao F�hrer

durante os �ltimos meses onde o F�hrer teve que desempenhar

seu inexor�vel dever como supremo juiz da na��o e do partido

contra os traidores. Em nome do F�hrer,

lhe nomeio camarada do partido, Wilhelm Grimm, F�hrer da SS

e chefe assistente do Escrit�rio Uniforme para o espa�o Vital

no Minist�rio da Educa��o.

Heil Hitler!

Karl, veio me parabenizar. Que bonito!

- Num momento estou com voc�, Arthur. - Certo.

N�o, n�o vim parabeniz�-lo, Wilhelm.

Eu vim me despedir.

Sa�mos amanh� de manh� para Viena.

Acho que faria melhor ficando aqui.

N�o ficaria bem para um homem na minha posi��o ter um refugiado

pol�tico na fam�lia. N�o poderia permitir.

Pior que isso, eu permitir que um irm�o seja l�der da SS.

Por que voc� n�o vem conosco, Wilhelm, antes tamb�m que

se envolva nisso tudo? Mostra um pouco de coragem.

Meu registro fala por mim.

Seu registro s� mostra que teme se separar desses assassinos.

Cale-se, idiota.

Wilhelm, saia agora do Partido Nazista, que prometo que a primeira coisa

que vou fazer quando chegar em Viena � escrever um artigo

sobre tudo que sei do inc�ndio do Reichstag e o assassino de Schleicher,

com o seu nome e todos os outros relacionados com isso.

N�o me deixa escolha.

Ent�o vir�?

Juntos podemos ser livres para come�ar uma nova vida

e o pouco dinheiro que economizei compartilharei com voc�.

- Quando voc� vai? - Amanh� de manh�.

Me espera esta noite.

Meu irm�o. � um cara nervoso.

Como muita gente hoje em dia, � muito dif�cil fazer uma escolha.

Tem coragem, heim?

N�o se preocupe com a escola, Elsa.

Entrar� no mesmo grau que estava aqui.

T�m muitas escolas melhores.

- N�o vou gostar. - Voc� n�o vai gostar.

Nem mesmo esteve l� ainda e j� sabe que n�o vai gostar.

N�o vejo porque temos que mudar.

Sabe que � chato para ele, Karl. Quer entrar na Juventude Hitlerista.

Claro, os outros alunos da escola est�o nela e t�m muitas divers�es,

f�rias longas e corridas de bicicletas.

Logo vem uma educa��o para assassinar.

Sabe por que seu tio Wilhelm mudou de id�ia?

- Vem realmente com a gente? - Sim, claro.

Por que mudou de id�ia sobre o partido?

Porque percebeu a verdade sobre elas.

Eu n�o entendo.

Olha, Willie, realmente quer saber por que vamos embora?

Porque tenho medo, n�o s� pela sua m�e

e a pequena Elsa, mas por voc�.

Sinto que tenho a oportunidade de deix�-lo crescer num lugar onde

os homens ainda vivem por suas convic��es, n�o s� por medo.

Veja, chega uma hora na vida de um homem que tem que tomar

alguma grande decis�o e quando essa hora chegar para voc�, quero que

esteja preparado para isso.

Bom pai voc� tem. Pede uma bicicleta e te dou um discurso.

D� um discurso e eu empacoto tudo.

Wilhelm! Veja?

Acabou de empacotar antes que n�s e tenho um trabalho

para voc�. Quando tirar esse uniforme est�pido, pode come�ar

colocar a marteladas um pouco de juizo na cabe�a deste jovem.

Capit�o Verner! Em nome do Terceiro Reich,

ser� conduzido para doutrina��o. � para o seu pr�prio bem.

Ele perdeu seu senso de dever, e deve ser reabilitado.

- Ao campo de concentra��o. - Est� doente.

T�m que lhe curar novamente.

Certo, Wilhelm. Est� com medo, mas n�o pode matar

esse tipo de medo. Responder� algum dia,

- sei que vai. - Levem-no!

Vamos.

Willie! Lembre-se disso!

Lembre-se sempre disso, Willie!

Lembre-se, Willie!

Havia pouca esperan�a que o Willie conseguisse se lembrar.

Comigo fora, seu tio poderia exercer toda a sua influ�ncia

sobre o menino.

Seis meses depois, minha esposa escreveu que Wilhelm tinha

colocado ele no Grupo Nazista da Juventude, sob sua supervis�o pessoal.

Durante todos aqueles anos no campo de concentra��o, soube

que este dia chegaria.

Sabia que todos os povos do mundo

se levantariam e exigiriam uma explica��o.

S� a minha f� nessa gente me manteve vivo.

Deseja perguntar para a testemunha?

N�o.

Obrigado.

Chame a pr�xima testemunha, por favor.

Seu filho. Disse que se chamava Willie.

Conhece ele?

Minha esposa, minha filha. Ainda est�o vivas?

Em setembro de 1939, A Pol�nia foi invadida.

Em tr�s semanas, a guerra acabou.

Inclusive para mim, foi uma longa guerra.

Meu marido morreu durante os primeiros dias de combate.

Nossa casa em Vars�via estava em ru�nas.

Ent�o voltei para Lidzbark com minha filha Janina.

Estavamos determinadas a melhorar a nossa situa��o,

que era como a de outros milhares.

Com eles, reconstruiriamos nossas vidas,

procurariamos nas ru�nas algo como a paz.

Queria trabalhar de novo.

O professor de Lidzbark foi assassinado e eu era necess�ria

no lugar dele imediatamente.

Marja.

- Tio Roman. - Querida.

Bem, aqui estamos.

Duas refugiadas.

Bem-vindas de volta ao seu antigo ref�gio.

Marja, ter� seu antigo quarto.

Ser� grande o suficiente para as duas.

Meus pesames, Marja. Tente ser forte.

Obrigada.

Foi uma guerra ruim. Perdemos.

Bem, agora acabou.

Acabou?

Acho que est� apenas come�ando.

Sente-se Marja e descanse.

Tio Roman, tenho que tentar tirar a Janina daqui.

Para longe, onde fique segura.

Talvez a Litu�nia.

Sem voc� eu n�o vou, m�e.

Naturalmente est� ofendida, Marja,

- mas realmente n�o h� perigo. - O que pode acontecer?

Afinal, a guerra acabou e n�s somos civis.

Ei, voc�!

Reportagem em pra�a p�blica, imediatamente.

- Todos voc�s! - Claro.

Obrigado.

R�pido!

Formem fila r�pido. Sorriam, todos.

Pare�am felizes!

Quero que mostrem sorrisos, caras rindo.

Tenho o nome e endere�o de cada homem e mulher

. . . vamos sorrindo.

vamos, vamos, pare�am felizes!

Ei, fora da fila, judeu!

N�o pedi comida. Fui obrigado vir aqui.

Fora!

N�o pode fazer nada.

Vamos, mexam-se,

sorriam, pare�am felizes!

Isso mesmo. Vamos, sorriam!

Vamos, sorriam. . . mais!

- Mais sorrisos de todos! - Certo.

C�mera.

- Vamos, sorriam, sorriam, sorriam, sorriam! - Vamos!

Isso mesmo.

- Voc�! - Sim.

- Voc� � o padre da par�quia? - Sim.

Onde est� o prefeito?

Dr. Matek, ao seu servi�o.

O comiss�rio do Reich quer ver voc�s dois.

- Sigam-me, por favor. - Sim senhor, j� vamos.

- Sim, j� vamos. - Vamos.

- Acho que temos o suficiente. - De sobra.

Isso � tudo.

Entrem, entrem.

Ent�o voltamos a nos ver.

Quero que conhe�a dois velhos amigos meus:

o Reverendo Warecki, o Dr. Matek.

Senhores, meu sobrinho, o Tenente Wilhelm Grimm.

Prazer. Isso � uma surpresa, Herr Comiss�rio.

Para gente que dorme o tempo todo, acordar pode ser uma surpresa.

� claro. Feliz por usar o meu escrit�rio.

Se tivesse me consultado, teria lhe oferecido.

Formalidades, meras formalidades.

N�o os chamei aqui para fins sociais, senhores.

Foi fixada uma cota para este distrito.

Como l�deres da comunidade, ser�o respons�veis pela coopera��o.

O distrito deve fornecer Para a Alemanha todo m�s uma certa quantia

de gr�os, carne bovina, su�na e produtos l�cteos.

Meu pessoal agora est� trabalhando com os n�meros.

Receber�o eles dentro de 24 horas.

Ter� pouco para tirar daqui, Herr Grimm.

A guerra nos arruinou. N�o temos sequer para n�s.

Ajudaremos em tudo que pudermos, Sr. Grimm.

Afinal, � uma quest�o de neg�cio.

Qual a diferen�a se os granjeiros vendem para n�s

ou para os alem�es?

Ser�o pagos.

Falando em pagar, o povoado de Lidzbark ainda est� em d�vida

com o Reich por alimentar a popula��o.

Isso � tudo, senhores.

Confio que. . . usar�o a influ�ncia sobre a popula��o

para cooperarem.

Essa � a �nica maneira de irmos juntos.

Bom dia.

Willie, devia estar comigo na fila do p�o

h� um instante. N�o s�o gente, s�o c�es.

Mas bons c�es, pode trein�-los.

Sorria ou n�o tem comida.

� como dizer: "Salta pelo aro, ou n�o tem osso".

Saltaram.

Voc� tem sorte, Willie. Saiu a tempo da escola.

A partir de agora, sem teoria. Come�amos a fazer hist�ria.

Os meus quartos est�o preparados, Gersdorf?

Vou averiguar imediatamente, Herr Comiss�rio do Reich.

Viu a express�o facial do padre, quando me reconheceu?

Mas isso realmente n�o � porque estamos aqui, tio Wilhelm,

� apenas um monte de gente que costumava conhecer.

- Desapontado? - Sim.

O m�nimo que podemos fazer � morar na capital da prov�ncia.

Este � um lugar terr�vel. Aqui est� morto.

Muito em breve mudaremos para Posen.

Primeiro tenho trabalho para fazer aqui neste lugar terr�vel.

Sempre quis voltar e mostrar para essa gente o que aconteceu

com aquele pobre cara que conheciam.

Vamos sair, Willie. H� algo que eu quero mostrar.

V�o para os seus lugares.

Tamb�m podem ouvir a m�sica dos seus assentos.

N�o precisa correr para a janela, ou sair da escola.

Outra coisa: que ningu�m aceite comida de um funcion�rio da cozinha alem�.

Tamb�m � importante para cada menino e menina que entenda. . .

Sim.

Assim como a deixei.

Muito pequenas modifica��es.

Sim, Marja. Meu sobrinho, o Tenente Grimm.

O passar dos anos n�o te favoreceu, Marja.

E provavelmente tem sido uma vida dura.

Eu me viro.

Sabe, Willie, justo nesta sala tentei enfiar

o conhecimento dentro das cabe�as destes pequenos provincianos idiotas.

A �nica coisa que conseguiam aprender era a obedi�ncia.

Sim, sabiam como obedecer.

Classe em p�!

Por serem bons alunos, vou recompens�-los.

Levem seus livros para fora e queime-os.

Os novos livros chegar�o da Alemanha em alguns dias.

Aula terminada.

Bem, o que acha dele, Marja?

� bonito, heim?

V� aqui a indestrut�vel juventude alem�.

M�e, o que aconteceu?

Minha filha, Janina.

Comiss�rio Grimm.

Tenente Grimm.

Sua m�e e eu fomos velhos amigos.

Conheci o seu pai?

Eu n�o sei.

Aonde mora, Marja?

Na casa paroquial.

Jantaremos com voc�s esta noite.

- Uma honra. - Sim, em honra do retorno do professor Grimm.

Me acostumei comer muito bem hoje em dia. Enviarei minha pr�pria comida.

Convida o Dr. Matek.

At� esta noite, ent�o. . .

Ah, a prop�sito, e o Jan Stys? Tamb�m gostaria de v�-lo novamente.

Era um pilantra quando era garoto.

Era um atirador de pedras.

Jan est� no ex�rcito polon�s.

Que ex�rcito polon�s?

Janina, v� � granja do Stys agora. Diga para o Jan ir embora,

- que o Wilhelm Grimm est� aqui. - Mas m�e, est� muito mal,

ferido n�o pode se mover.

Diga que tem que ir embora.

Bom caf�, heim?

Sim, temos o melhor de todos.

O melhor e n�o � suficiente.

N�o se expandiram o suficiente?

N�o t�m agora Lebensraum com a �ustria e Tchecoslov�quia?

E a Pol�nia.

Pequenos bocados, meros bocados, aperitivos.

R�ssia.

� a� onde a comida fica s�rio.

Poderia ser um pouco grande demais.

A Pol�nia nos levou tr�s semanas.

Quando estivermos prontos, a R�ssia n�o levar� mais que seis.

- Posso te ajudar? - Obrigada, posso me virar.

� um prazer te ajudar.

Herr Grimm, nunca se casou?

Casado? N�o.

Ningu�m iria querer um aleijado.

E ainda menos se est� na mis�ria.

N�o � verdade, Marja?

Fui recompensado de outra maneira.

Tenho o meu sobrinho. Para mim � como um filho.

Sim, um �timo rapaz, aparentemente.

O que est� fazendo neste pequeno buraco de cidade?

Ensino no jardim de inf�ncia.

N�o, me refiro nas noites.

N�o h�. . . n�o h� m�sica aqui?

Nem mesmo um teatro?

Lidzbark � uma cidade pequena, mas as vezes temos m�sica.

Costumavamos ter.

Eu. . . eu gosto dos bosques e dos lagos ao redor.

Sabe? Tamb�m em casa, s� que muito mais bonitos.

- Saudades, tenente? - N�o, deveria dizer que n�o.

Esta guerra � muito divertida.

- Esporte. - N�o mude de assunto.

Bem, se vou ficar por aqui durante um tempo,

voc� e eu temos que nos ver muito.

Diga, o que faz para se distrair?

Bem. . . me distraio sozinha.

� puramente uma quest�o de matem�tica.

Os ex�rcitos requerem muita comida, os civis deve fornec�-la.

O que me lembra que quero uma lista, em 24 horas, de todos os granjeiros

- do distrito. - Para qu�?

Tamb�m uma lista de todos os homens entre 16 e 60 anos.

Posso perguntar porqu�?

Com certeza, algu�m aqui sabe o paradeiro do Jan Stys?

N�o estamos em contato com o Ex�rcito Polon�s, Herr Grimm.

Que Ex�rcito Polon�s?

Willie, � hora de irmos.

Boa noite.

Espero que tenham gostado. . . do jantar.

N�o acho que as coisas v�o t�o mal.

Afinal, somos homens de boa vontade. Parecia razo�vel.

- Acho que encontraremos uma solu��o. - S� h� uma solu��o.

Jan!

- N�o levou a minha mensagem? - Levou, Marja.

- Isso � o que eu decidi. - Mas n�o devia ter vindo aqui.

- Sente-se, Jan. - Como pode falar de solu��o ou racionalidade?

E voc�, estava l� fora na janela da cozinha. Eu ouvi.

Ouvi voc� e aquele jovem nazista. O que faz para se distrair. . . ?

S� tem uma distra��o concedida aos poloneses: matar alem�es.

Pergunta por que querem listas de granjeiros. Traga para os alem�es

e expulsam nosso povo. Listas de homens de 16 a 60 anos para trabalhar nos campos.

A Pol�nia se tornar� uma na��o de escravos. � essa sua ideia de

razo�vel, Dr. Matek? Acha que a guerra acabou

porque nosso ex�rcito foi derrotado. N�o, a guerra apenas come�ou.

Se aceita a derrota, ficar� sozinho entre o povo polon�s.

Marque este outubro de 1939. A luta est� come�ando.

Temos armas e muni��es escondidas nos bosques e p�ntanos.

- Nunca nos deteremos. - Jan. . . Jan, n�o devia

estar aqui. Sabe que ele vai atr�s de voc�. Sua vida est� em perigo.

Claro. Por isso estou lutando.

Todos n�s.

� perigoso, doutor.

No dia seguinte, soubemos por que Grimm queria a lista de nomes.

Meninos de 14, homens de 60, levaram todos,

arrancados de suas fam�lias e enviados

em caminh�es aos campos de trabalho.

Quanto �s nossas garotas, o seu destino � bem conhecido.

Os oficiais chamavam de seu clube.

Nossa roupa foi confiscada. Cada casa da cidade,

cada granja em todo o pa�s foi v�tima de saque de comida e gado.

N�o deixaram passar nada.

Quem disse que pode queimar essas coisas?

Quero ver se o Jan tem sua comida?

Volto j�.

- M�e! - Marja!

Agora o futuro n�o est� na vit�ria, nem na liberdade. Nossos cavalos

s�o mais importantes que os judeus, isso � tudo.

Perdeu todo o sentimento humano, Wilhelm?

O sentimento humano � um luxo que as na��es vitais n�o pudem ter.

O sentimento humano � o �ltimo recurso da decad�ncia.

O que te trouxeram os sentimentos humanos?

Bem?

O que est� olhando?

Estou tentando ver um pingo de miseric�rdia.

Em que olho?

O esquerdo.

Esse � o de vidro.

Eu sei.

Vem, Marja. Olha que interessante.

Guardo meus sentimentos humanos para o meu garoto.

Acho que sua filha tamb�m faz.

Sua vida est� realmente absorta naquele rapaz, certo, Wilhelm?

- Completamente. - Sim, sabe que �

uma hist�ria interessante, Marja. Como educadora, pode aprender

algo com ela.

Durante 15 anos, viveu com sua fam�lia e meu irm�o.

Estava completamente corrompido.

Quando meu irm�o foi enviado ao campo de concentra��o,

me encarreguei da educa��o do garoto.

Seu pr�prio irm�o foi enviado a um campo de concentra��o.

- Ainda est� l�. - N�o pode impedir?

Impedir? Eu o enviei.

Estava envenenando o garoto.

Tudo aquilo foi apagado.

Todos os vest�gios do passado foram tirados da sua mem�ria.

Pode ver nele o novo alem�o, indestrut�vel.

� como se fosse seu pr�prio filho, n�o?

Espiritualmente � meu pr�prio filho.

Me sinto renascido nele.

Um belo relacionamento.

Anime-se! Voc� leva a vida muito a s�rio.

� porque voc� � muito jovem.

N�o sou jovem.

Leva a vida muito superficialmente, como se nada acontecesse.

� embara�oso.

N�o entendo voc�, Janina. Olha, precisamos de cavalos

e os cavalos precisam de est�bulos, ent�o os colocamos na sinagoga.

De todo jeito, n�o eram gente, s� judeus.

Janina, n�o v�, por favor.

Quero falar com voc� e te entender.

Quando era jovem, me senti diferente, como voc�.

Ent�o me ensinaram que a vit�ria para a na��o alem� era tudo o que importava.

Essa gente n�o significa nada para voc� ou para mim.

Nada para voc�, eu sei. Mas para mim significam muito.

S�o meus amigos, meus vizinhos, meus colegas de classe.

Gente velha que conhe�o desde que era crian�a.

Jovens que cresceram comigo.

Por que os trata como animais?

Pior que animais.

Janina, por favor, n�o me olhe assim.

N�o gosto de ver o �dio e o desprezo em seus olhos.

Janina, olhe para mim.

O que acontece comigo?

Janina. Venha para casa, Janina.

- Eu garanto, senhora, que meus. . . - Te pro�bo de ver a minha filha

- de novo. Est� claro? - N�o, n�o est�. Por qu�?

Porque voc� n�o � bom. Voc� traiu o seu pai,

certo? Quando mais precisava de voc�.

N�o, n�o � verdade. Foi meu pai que me abandonou,

- ele foi um traidor. - O traidor � voc�.

Meu tio teve que expulsar o meu pai.

Era seu dever, sua lealdade ao nacional-socialismo

- que lhe deu for�a! - Seu tio � um covarde!

Igual voc�.

O Dr. Matek est�?

- Sim. - Por favor, quero v�-lo imediatamente.

Amanh� eu vou.

N�o. O doutor disse n�o antes de tr�s dias.

O doutor. . . sabe muito disso.

Algo deve ser feito

Algo deve ser feito

Dr. Matek, por favor me ajude.

Use sua influ�ncia. Deve ter algu�m que pode argumentar com eles.

Meu querido rabino, n�o sei o que dizer.

Leve-me l�, falarei com o Grimm.

N�o me interprete mal, farei o que puder.

Sente-se ali.

Eu n�o entendo, tio Wilhelm. Qual � a diferen�a

se est�o l� ou em algum outro lugar?

N�o � geogr�fica, Willie, � matem�tica.

N�o h� muita comida � nossa disposi��o.

Deve ter menos bocas para alimentar.

Eu disse matem�tica? Aritm�tica simples.

O que vai acontecer com eles?

Tem um trem de carga vindo de Vars�via.

Engatar�o esses vag�es nele.

- Quando? - Talvez no dia seguinte.

- O qu�? Sem comida ou �gua? - N�o tenho d�vida que alguns

conseguir�o sobreviver.

Acho que me conhece, Herr Comiss�rio do Reich.

O conheci quando lhe deram dinheiro para fugir

- para a Alemanha 20 anos atr�s. - Acho que a d�vida foi paga.

Me pede judeus como juros?

Miseric�rdia como juros, sim, eu pe�o.

Deve recordar o que � miseric�rdia. Voc� recebeu de n�s,

- quando precisava. - Eu s� cumpro ordens.

Tem medo de n�o seguir as ordens?

Diante de Deus e do homem, protesto por este crime contra a Humanidade.

Para tudo o que significa, fa�a se sintir-se melhor.

Posso dizer algumas palavras ao meu povo antes de

os levarem?

Se acha que vai parar com o barulho, sim.

Deixe-o invocar ora��es silenciosas.

Ei! Voc� de novo?

Gersdof, vai acalm�-los. Deixe-o falar.

Meu povo, tenham calma. Ou�am. Preparem-se

para enfrentar este momento supremo

em nossas vidas. Esta � a nossa �ltima viagem. N�o importa

se � longa ou curta. Durante s�culos

s� buscamos a paz. Fomos submetidos

a muitas degrada��es acreditando que atrav�s

da raz�o, alcan�ariamos a justi�a. N�s tentamos

tomar nosso lugar honestamente, com dec�ncia, ao lado de toda a humanidade,

para ajudar a tornar o mundo melhor. Um mundo no qual

todos os homens vivam como vizinhos livres. Tivemos esperan�a

e rezamos. Mas agora vemos que as esperan�as n�o foram suficientes.

Foi bom se submeter?

A solu��o nos trouxe momentos estranhos na hist�ria,

em que fomos tolerados. . . Tolerados! Tem maior degrada��o

que ser tolerado?

Que nos permitam existir?

Nos submetemos tempo demais! Se quisermos igualdade e justi�a,

devemos tomar o nosso lugar, junto com os outros povos oprimidos,

independente de ra�a ou religi�o!

Sua luta � nossa! A nossa � a sua!

N�o nos resta muito tempo!

Seremos lembrados por nossas a��es!

Esta � a nossa �ltima oportunidade livre,

nosso momento na hist�ria! E eu digo: vamos escolher lutar,

aqui, agora!

Obrigue-os a entrar!

N�s nunca vamos morrer!

Ser�o voc�s, todos voc�s.

David.

Me ajuda levantar.

Me ajuda. . . � tarde demais.

Por favor. . .

Tinha raz�o, David.

Nunca morreremos.

Me preocupa o tio Roman, deix�-lo aqui sozinho.

Nada podemos fazer.

N�o podemos ficar mais aqui.

N�o depois do que vimos esta noite.

O que podemos fazer?

Amanh� � noite, quando o Jan se for,

iremos com ele para o bosque. Teremos muito a fazer.

- Bem. Ainda est� ferido, Jan? - N�o h� tempo para ferimentos

que cicatrizem lentamente.

O tio Roman trar� o Dr. Matek.

Ouvi mencionarem o seu nome.

� o Jan. Jan Stys.

O Comiss�rio do Reich procura voc�.

E ent�o?

Leve-o.

Leve-o e se orgulhe.

Capturou um homem ferido e indefeso.

� um her�i! Lhe promover�o e lhe dar�o uma medalha!

- Sou apenas um soldado. - Um soldado mec�nico

que funciona com rodas e molas. Giram a chave e salta!

- Um oficial do Reich! - Eu sei, obedece ordens!

Mas obedece ordens porque n�o tem coragem

para desobedecer! N�o se atreve!

- N�o � quest�o de atrevimento. . . ! - � a �nica quest�o!

Seu tio n�o ousa desobedecer, mesmo sabendo que est� errado!

O Rabino nunca teve escolha como um homem livre,

mas voc� tem medo!

Seu pai se atreveu!

Falam de uma ra�a superior! Homens como o seu pai s�o superiores!

Voc� e seu tio, escravos! V� em frente, leve-o!

Leve-o e pense no seu pai enquanto lev�-lo!

N�o me diga o que tenho que fazer!

Ningu�m pode me obrigar a fazer o que n�o quero!

Tomo minhas pr�prias decis�es!

Ei, voc�!

Mexa-se!

Levanta!

Levanta!

Sargento, perdeu o ju�zo?

Est� doente!

Acontece algo, tenente?

Para que desperdi�ar a boa for�a alem� com um velho?

N�o podem trabalhar, atira.

Vamos, se mexam!

Isso � tudo.

Pensei que gostaria de saber.

Que estranho. N�o imagino por que o Tenente

se comportou desse jeito.

Acho que sei, Herr Comiss�rio do Reich.

Sim?

Como sabe, o tenente e eu fomos � escola juntos.

Muitos de n�s sempre pensamos que ele mostrava alguma fraqueza.

Pensavamos que talvez fosse influ�ncia do pai.

- Idiota! - � o que

os outros dizem, Herr Comiss�rio do Reich.

Claro, era est�pido.

O Tenente se formou com muitas honras.

- Se puder fazer uma sugest�o. . . - Sim.

Na minha opini�o, o Tenente v� muito aquelas mulheres,

a m�e e a filha.

Ele faz.

Aquela garota goza de privil�gios especiais.

Alguns dos homens t�m perguntado por qu�.

Acho que seria mais satisfat�rio, em todo o assunto,

se fosse enviada para viver no clube dos oficiais.

Sou eu quem toma todas as decis�es aqui.

Claro, senhor.

Estava apenas oferecendo uma humilde sugest�o.

Um pouco tarde, n�o?

- O que � que. . . ? - Tenente.

Sim, o que foi?

O Herr Comiss�rio do Reich Grimm quer v�-lo imediatamente.

Certo. Obrigado.

Ent�o sabia onde te encontrar, heim?

E se a gente comer?

- N�o tenho fome. - Uma bebida? Podia ajudar

no seu apetite.

N�o, para mim n�o. Obrigado.

Willie, n�o est� se apaixonando por aquela garota, certo?

N�o.

Certo.

Posso entender a atra��o. � muito bonita.

� apenas uma garota.

Willie, como sabe, podemos cometer o erro de considerar

essas mulheres polonesas como a gente.

Est�o aqui para trabalhar para n�s e. . . para fins recreativos.

O que isso tem a ver com Janina?

Sabe que o sinto t�o proximo como se fosse

meu pr�prio filho. N�o h� nada no mundo que n�o faria por voc�,

- Willie, voc� sabe. - Eu sei.

O que fiz hoje � por voc� tamb�m.

O qu�?

Mandei aquela garota para o clube dos oficiais.

Mas. . . � muito jovem.

As garotas crescem r�pido hoje em dia.

Al�m disso, foi necess�rio. Alguns oficiais come�avam

perguntar o que aquela garota particularmente tinha

para gozar de privil�gios especiais.

Disse que voc� fez por mim?

Sim. Faz parte da sua educa��o.

Como oficial do Reich n�o pode ter mais que lealdade.

Tio Wilhelm.

Aquela. . . aquela garota, Janina.

� tudo em que acredito.

N�o posso dizer o quanto significa para mim. N�o posso explicar.

Disse que faria qualquer coisa por mim! Ent�o tire-a de l�, por favor!

- N�o seja rom�ntico. - Eu te imploro!

� tarde demais. Eu dei a ordem.

N�o, n�o �. Est� no comando aqui.

Se deu a ordem para lev�-la,

pode dar a ordem para tir�-la.

Gersdof! Gersdof!

Veja o que est� acontecendo.

Sim, senhor.

Vigie a entrada.

Alto!

Celebram um servi�o especial?

N�o sei.

O que foi?

O que � isso? Quem deu permiss�o para celebrar um servi�o especial?

N�o preciso de permiss�o.

O servi�o n�o acontecer�.

Acontecer�, sim.

Se desobedecer minhas ordens, sofrer� as conseq��ncias!

Mande o povo para casa. Gersdof, vigie a entrada.

� perigoso interferir nas ordens do Reich!

� perigoso interferir nas ordens de Deus!

O que � isso?

Um acidente.

Uma das garotas do clube dos oficiais.

Atiraram nela.

Se lembra da Anna?

Ordeno aos guardas que os deixem passar, Herr Grimm?

Est� louco! N�o pode entrar a�! � um oficial!

Seja o que for que sentir, agora n�o importa!

Pense em mim, Willie!

N�o significo nada para voc�?

Fa�a isso por mim, s� isso por mim,

� tudo que eu pe�o. N�o entre a�.

- Devo entrar. - Por qu�?

Quero rezar. Quero rezar para o meu pai,

pedir para me perdoar. Quero que saiba

que agora entendo o que fiz.

Quero ser perdoado por ter abandonado ele

e a minha m�e, por ser um traidor.

N�o foi, Willie. Isso n�o � verdade.

- Ele foi. . . - Antes que seja tarde demais,

Tio Wilhelm, venha comigo.

Como oficial do Reich, te ordeno, que volte

para o seu quartel! Volte para o seu quartel!

Sorte.

Isto vai causar uma m� imagem aos trabalhadores do quartel general.

Wilhelm Grimm deixou Lidzbark naquela noite.

E aqueles de n�s que achavamos que tal crueldade,

total falta de dec�ncia humana, era pr�prio

apenas dele, aprendemos algo diferente nos anos que se seguiram.

Os que vieram depois dele podem ter variado suas formas

de tortura e brutalidade, mas eram os mesmos.

Todas eram as de Wilhelm Grimm.

Eram nazistas.

N�o o viu mais depois disso?

N�o at� hoje, neste Tribunal.

Deseja perguntar � testemunha?

N�o.

Obrigado. Isso � tudo.

Acusado, Wilhelm Grimm, nega que o testemunho

declarado pela testemunha seja verdade?

Para negar ou afirmar a boataria que foi oferecida aqui,

bastaria simplemente admitir para a autoridade

deste Tribunal, o que recuso fazer.

Sei que este Tribunal exercer� seu poder provisional,

mas lembrem-se � apenas provisional.

S� ganharam uma batalha, numa luta que n�o acabou!

N�s, do Partido Nazista, somos o destino da Alemanha!

O destino de lutar e conquistar!

N�o podem nos esmagar! Resurgiremos novamente!

Ouviram as testemunhas e a defesa do acusado.

Homens e mulheres das Na��es Unidas, todos voc�s s�o o j�ri.

Ir�o finalmente julgar todos os criminosos

e determinar a puni��o necess�ria para depois.

Pois esta guerra s� ser� vossa,

se a vit�ria final lhes trouxer justi�a

e uma verdadeira e duradoura paz entre os povos.

LEGENDAS : Laercio GRUPO ALLIED FORCE Tradu��o da legenda em Espanhol

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