All language subtitles for Maria Zef (Vittorio Cottafavi, 1981)

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Original subtitles

Tigelas, garfos, conchas...

Coisas que duram, que não quebram.

A mim não interessam.

- Onde está sua mãe? - Você precisa de algo?

Aquilo que se coloca dentro da tigela... E dinheiro!

O sol queimou tudo...

trigo, feijão, batatas...

E a chuva veio para terminar de estragar.

Mande-me para fora da estrada!

Que dia é hoje?

Dia 23 de Outubro.

Lá em cima miséria e pedras, aqui miséria e água.

Mas a seca e chuva não devem chegar a todos os lugares.

Conta.

1, 2, 3, 4, 5, 6...

3, 4...

- 8, 9... - 5...

6, 7, 8, 9...

Conte com vontade.

Elas não crescem se sentem serem contadas.

Quanto?

27 e 40.

Posso ter errado.

Não, eu também as contei.

Perguntamos se podemos dormir no celeiro.

Ela não quer.

Por que não comeu? Esquente-se ao menos.

Deixe-me em paz.

As cintas me fazem mal.

Eu as peguei.

Melhor que nada.

Pegue mais um pedaço.

Você dorme?

Vamos dormir também.

Eu tenho medo... dos ratos.

Eles só vão onde há algo para comer.

Ainda há o pão da mãe.

Ratos gostam de queijo.

E além do mais há o Petoti aqui.

É verdade, mas ele é muito bonzinho.

Mas os ratos não sabem.

Janelas escuras e gratas, se soubessem como falar...

O que disse o meu amor, mas ninguém o saberá.

Venha se lavar!

Tossiu...

Comeu agora há pouco o pão.

Nos esquecíamos da coberta.

Agora descanse. Enquanto isso eu lavo a garota.

Vamos...

Deixe-me onde estou, deixe-me que é o fim.

Não faça isso, ao menos por Rosute.

Quem tem coragem de voltar com a carreta cheia?

De olhar na cara de Barbe Zef.

Voltaremos vazias, vem o tempo bom... vê?

Amanhã venderemos tudo no mercado de Sacile.

Ponha os braços ao redor do meu pescoço.

O que houve?

Ajude-me a colocá-la na carreta!

Eu a levarei no meu carro.

Sua mãe é uma pluma.

- Está melhor? - Sim.

Onde vocês moram?

Então ela não poderá se recuperar aqui.

O hospital é reservado aos pobres da nossa comuna.

E você quer deixá-la pela estrada?

A data de nascimento?

Não me recordo, mas ela tem 43 anos.

Está certa que ela não tem mais?

E a garota?

Deixe comigo.

Coragem.

Não quero.

Tome conta de sua irmã.

O que está escrito?

Coisas que você não pode entender.

Que doença tem minha mãe?

Está feliz?

Ela se recupera. Tem um leito.

Aqui não se falta nada.

O médico, o que disse?

Ela não acorda?

Rosute!

Não se escapa assim do rosário.

Eu não te vejo, mas a Madonna sim.

Vai rezar.

Eu quero estar com mamãe senão ela morre.

É melhor que reze.

Assim ela não morrerá?

O telegrama continua sem resposta.

Ele está sempre trabalhando.

Você não tem outro parente?

Ninguém.

Vai embora! Sai!

E a minha mãe?

Você vai colocar um vestido novo.

Ajude-me a te vestir.

E Mariute?

Que vergonha, chorando assim. Você já é grande.

Santa paciência com as crianças!

Termine você de vesti-la.

Você estava com a mamãe?

Sim, com ela.

- É domingo? - Não. - Então é feriado por aqui?

Não, por quê?

Soavam os sinos, as pessoas saíam da igreja.

Eu vi você também.

Você tem fome?

Não.

Você está com vestido e sapatos novos.

Por que você não me levou à igreja com você?

Você também tem vestido e sapatos novos.

Te agradam?

Não me agradam, são pretos.

E mamãe?

Diga...

Te viu vestida assim?

Escreveram da sua comuna.

No entanto, você pode ficar aqui conosco.

- Obrigada. - Se diz "Obrigada, Madre."

Você sabe que fala com a nossa Madre Superiora.

Não estou habituada, perdão.

Eu não tenho dinheiro para pagar.

Mande-me para casa, a estrada eu conheço.

Aqui poderá ajudar.

O que você fazia na sua região?

Cuidava de cabras.

Mas posso lavar, varrer...

ou ajudar os doentes.

Você gostaria de se tornar freira?

Não sei. Sou habituada aos meus bosques.

Sabe ler e escrever?

Meu tio me ensinou um pouco mas ele não tinha paciência.

Frequenta a igreja?

Só na Páscoa. No Natal a neve está alta.

E quando o tempo está bom, nos domingos ou outras festas?

Pare de brincar com os sinos.

A primeira comunhão e a crisma, você fez?

Não me recordo.

E ela?

Mas somos batizadas!

A mãe de vocês as ensinou a rezar?

Minha mãe trabalhava tanto...

De tarde estava cansada, e depois ficou doente.

Mas o Pai Nosso e a Ave Maria eu sei.

Reflita sobre a minha proposta.

Será uma outra vida aqui.

Agora eu devo ser mãe dela.

A propósito, uma senhora daqui se oferece para cuidar dela.

Será uma boa fortuna, não?

Eu não sei.

Se é pelo seu bem...

Se ela ficar feliz...

Conversaremos, agora vai...

Como é a comunhão?

O padre te dá a hóstia no altar.

Do que é?

Redonda, branca, de farinha fina.

Doce?

Não. E você deve engoli-la sem mastigá-la.

Então eu não gosto da comunhão.

Mas dentro dela está o Senhor.

E a Crisma?

O Bispo te dá um tapa na cara.

Eu não farei a Crisma também.

Mas a madrinha te dá um presente.

Então vamos fazer.

O que ela dizia sobre aquela senhora?

Quer ajuda?

Você fugiu de mim!

Eu quero ficar com você.

A senhora é boa!

Ela vai te mostrar a casa dela e tantas coisas bonitas.

Venha comer chocolate!

Mamãe me comprava balinhas!

Chocolate é melhor. Venha!

- Vamos. - Venha você também.

Não posso ir com você, devo trabalhar.

Ótimo. Te levamos de volta para a sua irmã.

Mariute!

Mariute!

Mariute!

Mariute!

- Está contente que eu voltei? - Sim! Muito!

Entende o italiano?

Eu só estive na América, mas falo o friúlio.

E os seus documentos?

Em ordem.

Então você será o tutor das garotas e de tudo que elas possuem.

Eu não tenho nada. Tudo que carrego é para mim.

Aqui dentro está quanto te deixou sua cunhada.

$27,60 liras.

E aqui está o dinheiro da venda da carreta e dos demais pertences.

$265 liras.

Pode controlar.

Só por escrúpulos...

Barbe Zef!

Está contente de voltar para casa com seu tio?

Tio Barbe Zef, te ajudaremos como fazia a mamãe.

Petoti também virá, né?

- Estou com fome. - Diz ao Barbe.

Diga você.

Vamos dar um pouco ao Petoti.

Deixe o pão e salame na mesma mão.

Por quê?

Com a outra você recolhe as migalhas.

São boas.

Olhe para a sua irmã.

Você não o faz?

Pão e salame, eu os ganho.

Quando chegamos?

A tempo.

- Tenho que fazer xixi. - Segure. - Não posso.

Ela precisa ir ao banheiro...

Venha.

Espere o trem partir.

Meus pés doem.

Não é por conta dos sapatos novos. Eu me machuquei.

Em casa a gente vê isso. Aqui não posso fazer nada.

Encontrei.

Olá! Mariute!

Não me reconhece? Sou Pieri!

Eu vim pelo carvão.

Eu te reconheci de primeira.

E não me cumprimentou?

Eu fiquei mais feliz de encontrar você do que o bilhete.

Não é um grande cumprimento.

É a verdade...

Estou vivo por milagre...

Pieri!

Alguém me fez festa!

E você, Barbe Zef, como vai?

Enquanto houver saúde...

E um pouco de grappa...

Eu dizia a ela das cartas.

Você vai se casar?

Eu? E com o quê?

Meu pai não me dá um centavo.

Eu vou para a América.

Em que bandas?

Na Argentina.

Eu estive com o pai delas.

Como foi?

O pai delas morreu lá.

Eu devo retornar.

Eu tenho um primo por lá. Coisa segura.

Bom para você.

Não é para sempre. Uns 4 ou 5 anos.

Depois eu voltarei para nossas bandas.

Mesmo que eu não tiver dinheiro. Alguém me leva.

Mariute, ou então eu.

Que insolente!

E o carvão?

Primeiro você procurou por ele. Agora cabe a mim trazê-lo.

Eu viria de novo se não tivesse que partir.

Você vendeu tudo?

Até a carreta.

Aqui estamos nós.

Preparem-se.

Alguém deve ter esquecido.

São nossos. Deixe onde você achou.

E isso?

A roupa da minha mãe.

Sinto muito. Não sabia.

Meus pés doem.

Me carrega nos braços.

Eu te carrego.

Então me dê a roupa da minha mãe.

Não pesa nada.

Aonde vai o sol?

Aquecer outras pessoas.

Na América também?

Claro.

A lua não é como o sol, perderemos a estrada.

Barbe Zef a conhece.

E o Petoti consegue ver no escuro.

Está contente de voltar para casa?

Em casa eu vou tirar o vestido preto.

Não foi mamãe quem me comprou.

Nós o colocamos para não ofender as freiras.

Mamãe não queria a caridade de ninguém.

Veja, eu moro naquela pequena casa logo ali.

Eu estou pesando?

Não, não pesa.

Sem sobrecarregar?

Uma vaca está parindo.

Se ela morrer antes que o patrão retornar...

- Quem é o seu patrão? - Guerino.

Estou indo.

Vamos.

- Como se chama? - Vermelha.

Coragem, Vermelha.

Parece ruim.

Os pés antes da cabeça.

- Tem pão velho? - Sim, vá pegá-lo.

Mariuta, banhe-o no vinho.

Força, tiremos!

Força!

É uma bezerra!

Cubram-na.

Mereço uma grappa ou devo me contentar com um cigarro?

Eu me contentaria com um pouco de vinho.

Não sei se tem.

Ela quer ajuda para se levantar.

Eles fazem isso antes que nós.

Olhe as tetas.

Só tem uma gota.

Conta ao seu patrão. Ele sabe quem é Barbe Zef.

Eu já cheguei, e isso não me agrada.

Não posso caminhar.

Eu virei cumprimentá-los antes de partir.

Sim, sim, venha.

- Até mais, Mariute. - Até. E muito obrigado.

E você, Barbe Zef...

Muitos carvões e muitos porcos!

Ouve as corujas? Você está perto de casa.

Cumprimente a América por mim!

Aqui a gente ficava sempre com mamãe a repousar.

Por que aqui não crescem mais árvores?

Ainda estão nos meus olhos aqueles pinheiros.

Quando os estrangeiros os talharam...

avalanches começaram e nada mais cresceu.

Vocês as ouvem? Elas permaneceram.

Você janta?

Amanhã.

- E você Rosute? - Eu tenho sono.

Nunca é o bastante para vocês?

Negro como o carvão.

Pobre do meu estábulo.

Rosute! Não despeje.

Eu já me lavei, mas não consigo fazer a cama.

Com aquele lençol! E o pé?

Está curado.

Não se cansa?

Onde está Barbe Zef?

E as cabras?

Deixe-me ir com elas.

- Prometa-me que vai devagar. - Sim.

O que é?

É o que nos resta para comer.

Te basta?

Temos que sair para Forni.

Veremos Pieri?

Vá brincar lá fora.

Há sol e ar. Você está magra.

Vai mal...

Quanta sujeira...

Por onde devo começar?

Isso também precisa de ar.

O que é?

Grappa.

Quem escondeu?

Mamãe...

Barbe Zef fica ruim quando bebe.

Você vai ficar com frio... o bosque é longe.

Não escolhi.

Não há mais farinha para a polenta.

E também as batatas.

Acabou tudo.

Eu devo terminar o carvão.

Se a chuva o leva, me doerá.

Vou eu para a cidade.

Isso deve bastar.

O que eu compro?

A sua mãe não te ensinou?

Para quê é a armadilha?

Para as lebres, raposas e veados.

A raposa come a galinha.

E também as cabras.

As lebres, não.

Se você as pegar, não vou comer.

Então nós a venderemos.

E assim compraremos a polenta.

Você o remenda?

É claro, só temos esse.

Barbe Zef precisaria de um par.

Talvez dois.

Eu faço sem.

Essa noite as corujas não são ouvidas.

Nem o vento, estamos quase sós por aqui.

Me ensina uma canção?

Não sei.

Então ontem você cantava sem perceber.

Quem a te ensinou?

Mamãe.

Eu nunca a escutei cantar.

Eu era pequena.

O papai ainda não estava morto nem na América.

Tinha uma bela voz.

Se atente às cabras, estão se distanciando.

Petoti, não durma!

Pieri!

- Pieri! - Rosute!

Está frio?

Vem da neve, ali.

Como nos encontrou?

Eu sou um bruxo.

Eu fecho meus olhos e vejo.

Prova...

Vejo quando voltarei da América.

O pé dela melhorou, né?

Pensava que já tivesse partido.

Sem me despedir?

Quando parte?

Fico triste por minha mãe.

E por tantas outras coisas, entende?

Mas a gente luta o ano todo por um pedaço de pão.

O estado... não chega mais aqui.

Você se torna solitário.

Quando voltar, comprarei uma casa.

No vilarejo.

Para ficar com as pessoas e não sempre só com a neve.

Você é homem e pode fazer isso, já nós mulheres...

Eu estarei de volta aos 23.

Agora eu tenho 19 anos.

E você?

Quase 15. Em menos de dois meses.

Eu também. Quase 19.

Rosute, atenção às cabras!

Elas vão voltar sozinhas.

Elas sabem.

Deixe que eu carrego.

É trabalho de mulher, e depois estragaria a sua roupa.

Nos acompanha?

- Se tua irmã quiser. - Por que não?

Como vai com Barbe Zef?

Não tenho nada a reclamar.

- Cumprimente-o por mim. - Certo.

Eu conheço uma canção.

Quero ouvir.

Vai pelo bosque e pela montanha...

o rouxinol apaixonado.

E encontra...

O que encontra?

Não me recordo. Cante você, Mariute.

Pergunte ao Pieri.

Cantemos juntos.

Outra vez.

Quando, se eu vou partir?

Quando você voltar.

4 anos é muito tempo. Contentemos Rosute.

Vai pelo bosque e pela montanha...

o rouxinol apaixonado.

E se encontra a companheira...

confidencia a sua dor.

Continuemos. A canção não terminou.

O bosque talhado...

Rosute, como continua?

No meu coração há uma estrela, mas ninguém...

ninguém...

Minha irmã sabe melhor.

Mas não quer cantá-la.

Ela te cantará quando você retornar da América.

Atrevida!

Tome. Use para as cabras.

Se lembrará de Pieri.

Ela manda as nuvens embora?

Não é provável.

Mas é uma varinha de bruxo.

Deixe Mariute provar.

Vou escrever um cartão postal.

Até mais, garotas.

Se o vento continuar assim...

a nossa porta vai junto com a casa.

Durma...

Petoti tem medo.

Sacramento!

Quebrado aqui também.

Não é culpa minha.

E vocês durmam.

A lareira virou um rio.

Sacramento! Tenho que fazer tudo de novo.

Com 8 dias de chuva...

Esperamos que não se apague.

Deixe-me te ajudar.

Eu estou habituado a fazer sozinho.

Se você quiser fazer os buracos no entorno...

Você voltará antes de anoitecer?

Quando terminar.

Tem o teto para arrumar.

É céu de neve, Rosute. Chega o inverno.

Eu gosto da neve.

Mande as galinhas para dentro.

Barbe Zef vai dormir com as galinhas?

Veja com ele.

Com a gente ele ficaria quente.

Ele é quem manda.

Terminou?

Demora mais. Dura o quanto durar.

A neve!

Acendo?

Precisa economizar óleo.

Comeremos no escuro?

Basta o claro do fogo.

Eu queria andar e olhar os ovos com Petoti.

O Petoti não precisa de luz, a ele basta o faro.

Então se ele sente o cheiro de galinha, ele come.

Fica pronto num instante.

Com a neve assim alta, quem olhará por mim?

Pelas vacas, pelos porcos...

A quem venderei o carvão?

Mariute, dorme?

Sim, estava dormindo.

Petoti me acordou.

A ele os sinos acordaram.

Por que soam?

Não sei. Durma...

Talvez seja véspera... e amanhã é Natal!

Para os de Forni. Nós perdemos a contagem dos dias.

Agora sabemos. Vamos celebrar!

Mamãe comprava torrone.

O papai o carregava na mala...

antes de você nascer.

Por que você não comprou em Forni?

Fale baixo. Vamos acordar Barbe Zef.

Ele dorme como uma pedra.

Então seja boazinha.

O torrone eu comprei.

Onde está!?

Amanhã...

Eu queria comê-lo agora, aqui, na cama.

Eu vou te deixar um pedaço.

As cabras também farão festa.

Nós não tiraremos leite delas e elas vão ficar surpresas.

Terminaram?

É Natal, Barbe Zef!

Não diga a Barbe Zef, ok?

Não deixe que ele seja visto comendo.

É dinheiro desperdiçado com ele.

Só vou colocar o vestido preto se formos à Missa.

Com os seus pés? A neve está alta lá fora.

Barbe Zef tira com a pá. Petoti, vamos ajudá-lo.

É o espelho de mamãe.

Você não mudou nada.

Não, já sou crescida.

Me trocar...

por quê?

Para quem?

Esperar quatro anos...

Mas não, vou me trocar, é Natal!

Quanto tempo até tirar toda a neve do vilarejo com a pá?

A sua idade.

Um veado!

Ai!

Não o deixe escapar.

Conduza-o à minha armadilha.

Bom para nada! Cão doméstico!

Tinha que ter tido cuidado.

Foi por culpa do cervo.

Você precisa de algo?

Queria celebrar o Natal.

Mas devo me contentar como as cabras.

Procure a grappa.

Não quero ir ao médico.

Mas está inchado.

Vai sarar sozinho. Não vou ao hospital!

Me dê uma mão.

Não me deixe só.

Você é um homem.

A pequena não está habituada. A viagem é longa.

Então se mexa e vamos.

Como vai?

Estou com frio.

Eu também.

Mas você se esquenta caminhando.

Então o sortudo sou eu que te carrego.

É uma pequena. Você quer trocar?

Você deixou o que comer à Petoti?

Não quero ir.

Não chore, você irá sarar rápido.

Acompanhe-a você, eu vou comprar qualquer coisa.

Era melhor ter vindo antes.

Com tanta neve...

Deve se recuperar em observação.

Posso ficar com ela?

Se tiver como pagar.

Os doentes se curam melhor sem os parentes em volta.

Daqui a uma semana poderá voltar a vê-la.

Ela vai ficar mais que uma semana?

Isso é com o médico.

Mariute...

A saída é por ali.

Mariute!

Mariute!

E então?

Eles a internaram.

Só até se curar.

Me deixe com ela. Assim se habitua um pouco.

E quem paga?

Temos o dinheiro da mamãe.

Da sua mãe?

E a carreta de quem era?

Os copos, garfos, colheres, quem os fez?

Entre para lhe dar tchau.

Seria pior.

Tenho que passar na taberna.

Não demore...

Barbe Zef...

Barbe Zef...

Já é tarde.

Uma tigela de sopa para a garota.

Sente-se aqui.

É minha sobrinha.

Ah, a filha de Gaspare...

Um bom homem.

Melhor que eu.

Por isso está morto.

O que falta a você?

Dinheiro e roupas.

Mas tem uma bela sobrinha.

Compadre Guerrino.

É o patrão da Case Rotte.

Já entendi.

Aqui todo mundo sabe quem ele é.

E todo mundo sabe quem é Barbe Zef.

Salvou-me uma vaca.

Estávamos em três.

Eu, o rapaz...

e um outro jovem. Como se chamava?

Pieri.

Com as vacas eu sempre me saí bem.

E com os porcos?

Para comê-los, tenho que matá-los.

Sem ofensas...

dessa vez eu pago.

Mas eu estou em débito.

Pela bezerra.

Temos que fazer o bem, se estamos vivos.

É tarde... a garota está cansada.

Durma na minha casa e parta amanhã de manhã.

Os corretores fazem assim.

Para me casar, preciso de uma mulher...

que me entenda e me obedeça como a minha Moretta.

Por que não me chamou para matar os porcos?

Culpa da neve...

- Você sabe. - É Compadre Luigino?

Eu te reconheci pela voz. Quem é a garota?

Minha sobrinha.

Parece com a mãe.

Ficamos sabendo da desgraça.

É a minha bezerra?

Já se tornou uma novilha.

E então, que lhe parece a Case Rotte?

Por que esse nome?

Isso aqui era uma ruína quando comprei.

O mato me tocava até aqui.

Não sabia.

Mulheres, vos confio!

Os rapazes nos disseram quem você é.

Eu sou Orsola. Ela é Caterina e aquela é Teresina.

Venha se esquentar.

Que coragem vir com tanta neve.

Quando se deve...

E depois, serve para ver as pessoas.

Esse é o vovô. Só dorme.

Ou come!

São quinze: sete meus, oito dela.

Mais os animais.

Aqui até os cães e gatos se dão bem.

Eles se sentem amados.

Prepare a mesa!

Se está com fome, coma o pão.

Isso é o quê?

Dê de beber aos músicos.

Abram caminho!

Vamos procurar um galo!

Jovens, baladas!

Você ganhou uma pluma de galo.

E você ganhou uma dança comigo.

Agora que me lembrei, falta carvão na minha casa.

Barbe Zef o levará.

Vou eu à sua casa, assim eu te vejo.

Quem não procura, acha: quatro garotas ao invés de três.

Mas vocês são cinco.

Eu estou a postos.

Se Barbe Zef vier dar um jeito nos porcos, vem com ele?

Não te faltam companhias.

O mérito é seu.

O mérito é seu.

Você tem algo que agrada a todos.

Você está sendo generoso.

Garotas belas são muitas, mas nenhuma como você.

Eu já recebi o bastante ao longo dos anos.

Senão eu poderia cometer um erro.

Ninguém teria bailado comigo...

se não fosse por você, que é um senhor.

Eu sou uma garota pobre, mal vestida...

O que conta é o que há por dentro.

- Quantos anos tem? - Quinze.

Quinze? Não parece.

E você tem um cheiro bom.

Você não tem uma bela vida por lá.

Venha trabalhar por aqui.

Para mim é sempre melhor estar mal por lá.

Você não provou.

Eu conheço bem a sua família. Você seria como uma filha.

Agradeço, mas não posso.

Eu devo olhar por Barbe Zef.

Ele sabe se arranjar.

Ele sim, mas e a minha irmãzinha?

Ela estará melhor se você mandar dinheiro para casa.

Mamãe me disse antes de morrer: "Tome conta da garota".

Essa é para Orsola!

Essa é para Teresina!

O olho para Catinute, a boca para Mariute.

Essa vai para todas!

Agradeçamos ao Compadre Guerrino e digamos boa noite.

Agora um baile!

O primeiro e o último, devo me contentar.

Você é o melhor.

E o mais bondoso.

Se é bom quando não se pode ser outra coisa.

Você me fez esquecer quem eu sou.

Para mim é muito... mas não posso vir para cá.

Se você mudasse de ideia...

Eu posso te ajudar.

Quanta pressa, parece que estamos te mandando embora!

A viagem é longa.

Saco vazio não para em pé.

Você se arrisca a ficar doente sem chapéu essa hora.

Assim a pluma do galo não se resfriará!

Tome cuidado para não escorregar.

Petoti!

Cuide das cabras.

Rosute está no hospital, Petoti.

O que ele te disse?

Para ir lá trabalhar.

E o que você respondeu?

Que tenho que cuidar de Rosute e de você.

E que estou bem aqui.

Ótimo!

Enquanto Barbe Zef vive...

não te faltará nem uma fatia de polenta.

Você não vai se arrepender, Barbe Zef.

Eu vou ganhar a polenta e a comida que me dá.

Para mim e para minha irmã.

Eu sei que você é uma ótima menina.

E eu quero debitar tudo o que devemos no passado.

Por minha mãe e por nós duas.

Coma.

Estou com frio.

Beba.

Me faz mal.

Faz passar o frio e os pensamentos.

Vá com calma.

É fogo.

Você fez uma boa impressão no Compadre Guerrino.

Ele teve mais mulheres que cabelos na cabeça.

Todas aquelas que o serviram em casa...

Suas cunhadas...

E continua!

O dinheiro faz esquecer a corcunda e a idade.

Não te conto histórias.

Você não percebeu?

Ele se comportou bem comigo.

A quem você diz!

Eu vi como ele a apalpava com os olhos.

Cale-se.

Para mim foi bela a noite.

Sem o mal e a sujeira que você diz.

Não estrague tudo!

O que vale é o que eu senti.

Eu falo pelo seu bem!

Ele explora os pobres.

Não faz nada sem interesse.

E assim ele faz conosco.

Você o salvou a bezerra.

O jantar era o suficiente.

Cabia a você não aceitar.

Seria uma ofensa.

E além do mais...

Nós precisamos dele.

Somos pobres.

Sacramento!

Quero jogar fora as coisas dele!

Mas vamos aproveitar...

- Beba. - Não, não posso mais.

Não jogue toda a culpa em mim.

Ele quer que eu banque o cafetão!

Ele veio ao estábulo: eu fingi dormir.

Mas ele se inclinou e falou ao meu ouvido.

Não, Barbe Zef. Não...

Barbe Zef!

Basta por essa noite!

Você se machucou?

Sacramento!

Barbe Zef!

Perdoa-me, eu não fiz por mal.

Barbe Zef... onde você está? Diga qualquer coisa.

Petoti, responda-me você.

Aonde vai?

O mais longe que posso.

Está louca?

Talvez, assim não recordarei.

Se me tocar de novo...

Eu bebi demais. Acontece...

Eu dormi e a embriaguez passou.

Isso é tudo para você? Deixe-me ir.

Você morrerá pela estrada.

Já estou morta.

E amanhã?

E depois?

Eu faço sozinho.

Se eu não fizer algo, vou enlouquecer.

Petoti, quem sabe o que faz Rosute no hospital?

Eu quero ir visitá-la.

Iremos lá em alguns dias.

E a traremos de volta para casa.

Tem medo que eu escape, não?

Um dia eu o farei.

E sua irmã?

Virá comigo.

Você não tem idade para fazer o que quer.

Tínhamos que buscá-la em uma semana.

Já passaram duas.

O que faz?

Volte para a cama!

Eu esperava Barbe Zef e Mariute.

Com tanta neve, quem sabe quando chegarão?

Se você ficar boa, te levarei na capela.

Mas não é domingo.

Se você rezar, ficará bem.

Eu já orei para eles virem.

Mas eles não vieram mesmo assim.

Nossa Senhora ajuda a todos.

Estou com sede.

Você está com sono.

Vá dormir.

Depois eu vou.

Não tem mais grappa.

Do que você tem medo?

Eu vou dormir.

Abençoado você.

Sacramento!

Não me sinto bem.

Eu não te chamei para me ajudar.

Eu preciso de médico.

Lá você sentiria falta daqui.

Me leve com Rosute.

O que há?

Sacramento!

Que vida é essa?

A vida comigo.

Eu faço o que eu posso.

Cozinho, lavo, costuro, tudo.

Como antes...

Mas não fala!

E não responde!

Apesar de tudo, sou eu que a mantenho.

O patrão sou eu!

Não mexa aí!

São as roupas do meu pai.

Vou ver Rosute.

Você fica aqui.

Não é para ir ao médico.

A velha não está sozinha, Petoti.

E eu devo me confidenciar somente com ela.

Quem é?

A filha de Catine, do Bosque Tagliato.

Eu vim aqui uma vez com a minha mãe.

E sua mãe?

Está morta.

Há quatro meses.

E o que quer?

Eu vim por um conselho.

Eu trouxe isso.

Está sozinha?

O que deseja?

É um desgraçado.

Abandonado por todos.

Não fala, não ouve.

Mas a vida o poupou de fazer e sofrer o mal.

E agora...

Você vive com algum homem?

Um homem.

Ele se aproveitou de mim pela força.

Quantos anos você tem?

15.

Completos no mês passado.

Eu estou aqui para fazer o que eu posso pelas pessoas.

Ciática, pneumonia, coqueluche...

Conserto os ossos.

Mas não posso fazer nada por você.

Pelo amor de Deus.

Eu caminhei tanto para chegar até aqui.

Minha mãe confiava em você.

Ajude-me.

Se você está grávida...

e veio aqui com a ideia

que eu te ajude a fazer o aborto...

Vá embora depressa.

Eu não faço isso.

Não, não é para isso que você pensa.

Faz pouco tempo o que me sucedeu.

Não sei. Não creio estar grávida.

Mas é que eu não me sinto bem.

Há pressa para saber se está grávida.

Vá ao médico. Ele saberá o mal que você tem.

Eu não entendo.

Eu não posso ir ao médico.

Diga-me você o que eu devo fazer.

Como a sua mãe...

O que você quer dizer?

Ela estava mal.

'Vá ao médico', eu disse.

Não me escutou.

E fazia o que queria.

2, 3 vezes. Sempre com risco de vida.

E sabe quem a ajudava?

Barbe Zef.

Da última vez que ela veio...

Ela tinha a morte no rosto.

Eu te perguntei sobre ela...

Mas ficaria surpresa se ela ainda estivesse viva.

Compreendi agora o que eu não tinha entendido.

Lembro-me de tudo...

Pobre mamãe.

Agora eu sei por que se calava.

Agora eu sei por que não nos beijava mais.

Porque com 40 anos, já era velha.

E sei por que morreu.

Se eu falei, é só pelo seu bem.

Não faça como ela.

Você está cansada.

Descanse primeiro antes de caminhar.

Volte a me procurar se precisar.

Sua mãe sabia que eu não podia ajudá-la.

Mas lhe dava alívio se confidenciar.

E eu a escutava.

Muito obrigada.

Mãe, me ajude!

Mãe, quero morrer!

Me dê coragem.

Me leve com você, mãe.

Longe daqui.

Se você ainda for algo em algum lugar...

Os lobos, Petoti.

Você não pode me defender.

Como eu. Nós não podemos fazer nada um pelo outro.

Você, volte para a casa, Petoti.

Eu quero desaparecer.

Me desfazer... como a neve.

Petoti, basta!

De onde você vem?

Você andou caminhando?

Isso é para você.

Eu vendi tudo.

Eu fui jantar na Case Rotte.

O avô morreu.

Tinha pão escondido no colchão de palha.

Compadre Guerino queria notícias de você.

Sabe o que me disse?

Falo em teu interesse, responda!

Você esteve no hospital para ver Rosute?

Para ver Rosute? Não.

Você fez mamãe morrer!

Agora você arruinou a mim também.

Pobre Zef...

Basta!

Amanhã vá ver Rosute.

Diga a ela que eu estou mal.

Inventa uma desculpa. Para você também.

Para que não se sinta esquecida.

Entendeu?

Sacramento!

Havia mais!

Entendeu?

E Rosute?

Amanhã a trago para casa.

De Compadre Guerino. Tome.

Quanta limpeza, é Páscoa?

É para Rosute que volta.

Eu a esperava hoje. Por que amanhã?

Porque eu quero.

Eu costurei a ela uma saia.

Ela está no hospital sempre com a mesma roupa.

Já que está nisso, prepara também as suas roupas.

Por quê?

Amanhã...

Compadre Guerino...

Busca-te para servir-lhe.

E Rosute?

Você a ajudará.

Eu não a deixo.

Já é grande o suficiente e além disso sou eu quem manda.

Eu sustento os três.

É hora de você ganhar o próprio pão.

Mãe, me ajude!

Não gosto de quem murmura.

Como era o meu pai?

Parecia com você?

Você o conheceu.

Morreu quando eu tinha três anos.

Então olhe a fotografia.

Eu tenho 15 anos. Rosute, 9.

E daí?

Eu entendi bem.

Eu não a abandono.

O que passou, passou.

Cada um sabe de si.

É preciso estar por dentro do que acontece.

Os fatos nem sempre são o que parecem.

Por que a sua mulher não volta mais aqui?

Porque o que ela deixou é só miséria e pedras.

Ela tinha razão.

Até o bem se compra e se vende no mercado.

As corujas...

Eu não as ouço.

Não muda nada.

E agora meu querido Zef...

Basta com a grappa.

Você tem um longo caminho pela frente amanhã.

Você as escuta?

Você ao menos tem a mim, Petoti.

Eu não tenho nem alguém para me chutar.

Ninguém no mundo.

Isso é vida?

Você as escuta?

Não dão sossego.

A vida não raciocina.

Mas quer que eu raciocine por ela também. Por quê?

Uma vez me cuspiram na cara.

Quem saberá se eu tinha razão?

Eu já tive o bastante de tudo.

Também ela terminou.

A grappa, ao menos...

Ajuda-me a viver.

Ou a desmoronar.

Ao menos me deixe levar Rosute comigo.

Rosute fica comigo.

Você vai a serviço.

Eu o prometi...

e o mantenho.

Barbe Zef... é um homem de palavra.

Rosute...

Rosute...

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