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Original subtitles

AGATHA CHRISTIE PARCEIROS NO CRIME

O HOMEM DO NEVOEIRO

É como cair de um cavalo.

Era isso que eu estava a pensar.

Se não voltamos a montar logo, perdemos a coragem.

Mas como falhamos esta missão, de onde virá o próximo cavalo?

Para ser sincero, não sei onde errei.

Eu apostava o meu dólar da sorte em como a Condessa tinha roubado o colar.

E eu ia jurar que o Jasper Adrington o tinha surripiado.

Foi um desperdício de tempo tê-lo seguido no campo de golfe.

A Condessa ia confessar, tenho a certeza.

No último green eu entalei-o.

- Ele estava a tremer. - E o que acontece?

Aparece o Inspetor local e diz: "Foi o segundo-grumete."

O segundo-grumete.

Um ladrão bem conhecido com uma série de condenações.

Confessou a sua culpa e sem remorsos nenhuns.

E eu que pensava que esta fatiota ia ajudar.

Creio que um colar roubado não é um caso para o Padre Brown.

E até comprei o tipo certo de chapéu-de-chuva.

Para um caso do Padre Brown precisamos de um certo ambiente.

Temos de estar a fazer algo vulgar

e depois coisas estranhas começam a acontecer.

Queres dizer que tem de surgir do nada? Inesperado?

- Misterioso? - Exatamente.

Bem, acho melhor tirar esta roupa antes de partirmos para Londres.

Talvez algo estranho aconteça a caminho da estação.

Por Deus!

És mesmo tu! Tommy!

Santo Deus! Bulger!

Não te vejo desde que fomos desmobilizados.

Querida, este é o Sr. Estcourt. Bulger, para os amigos.

- Ena, meu velho. - Muito prazer.

- Não sabia que eras padre. - Por acaso...

Imagina. Tu, um homem do clero.

Pois...

Srta. Glen, faça-nos companhia.

Srta. Glen, este é o Tommy Beresford, um velho amigo da tropa.

Livramos o mundo de mais guerras.

- Muito prazer. - E esta é...

- A minha irmã, Srta. Beresford. - Muito prazer.

É claro que a reconheceríamos em qualquer lado, Srta. Glen.

"Os Segredos do Coração". Que peça maravilhosa.

Também achei.

Sim. Foi no Globe, não foi? Vimo-la três vezes.

- Duas. - Duas.

E "Os Pilares de Fogo" no teatro? Duas vezes?

- Uma vez. - Uma vez.

Sente-se, por favor.

É mesmo um padre? Um padre católico romano?

Poucos de nós somos o que parecemos ser.

- Mas eu ouço confissões. - Palavra?

Acho que ele está a brincar consigo, Srta. Glen.

Se não é padre, não vejo porque está vestido como um.

Então, Tommy?

A menos que seja um criminoso a fugir da justiça.

Não. Ele é o oposto.

Que tal um coquetel?

Não, obrigado, Bulger. Vamos partir não tarda.

Sabes alguma coisa dos comboios para Londres, meu velho?

Perderam o das cinco horas. Mas há outro às 18h35.

- A estação fica longe? - Fica a dez minutos a pé do hotel.

Apanham um atalho em Morgan's Lane.

Morgan's Lane?

Ouviu falar do fantasma, foi?

Um fantasma?

Há um cemitério num dos lados dessa rua.

Diz-se que um polícia que foi morto em serviço há uns anos

se ergue do túmulo

e anda para cima e para baixo na Morgan's Lane.

Para cima e para baixo! Para cima e para baixo!

Pare! Pare!

Um polícia fantasma. Não deve haver muitos por aí.

Os fantasmas não existem, pois não?

Há muitas pessoas em Adrington que juram que o viram.

- Para cima e para baixo! - Tenho de ir. Adeus.

Para cima e para baixo!

Disse que não me seguiria até aqui.

Minha querida, se vamos casar, não deve ter segredos para comigo.

É um tolo. Só estou aqui para tornar tudo possível.

O que se passa?

Aquele é Lorde Leconbury.

Diz-se que ela vai casar com ele.

Suponho que um título continua a ter o seu encanto.

E o Leconbury não é nada pobre. Ela vai viver bem.

É uma linda criatura, mas tem o cérebro de um coelho.

- De onde veio ela? - Ninguém sabe.

De um bairro pobre, parece-me.

Ela não pareceu muito satisfeita por o ver.

Ela não parece muito satisfeita por ver ninguém.

Cá entre nós,

há algo misterioso no facto de ela ter vindo cá.

- Porquê? - Ela não está neste hotel.

Eu estava neste bar ontem à noite e ela apareceu e pediu uma bebida.

Tentei meter conversa com ela. Sabes como é, meu velho.

Claro.

E dizes-te padre?

Mas ela ignorou-me, com bastante crueldade. Não sei porquê.

Sim, isso é estranho.

- A propósito, o que fazes aqui? - Eu, meu velho? Em Adrington?

Eu vivo aqui.

Eu sou a obra de cimento na estrada nos arredores da cidade.

Tenho de ir andando.

Vou jogar um pouco de golfe com a minha mulher antes do jantar.

- Foi ótimo ver-te, meu velho. - A ti também, meu velho.

Temos de sair juntos da próxima vez que eu for a Londres.

- Até à vista. - Adeus.

- Adeus, meu velho. - Adeus, Bulger.

Como sabe que é para mim? Não tem nome.

"É para o padre," disse ela. A Srta. Gilda Glen.

Obrigado.

"Não tenho a certeza, mas acho que me pode ajudar."

"Por favor, esteja na Casa Branca, na Morgan's Lane, às 18h."

"Tem de passar por lá a caminho da estação."

"Atenciosamente, Gilda Glen."

Que extraordinário.

Achas que foi por ela pensar que és padre?

Acho que foi por ela perceber finalmente que não sou.

Tome. Quero o que isso der para pagar.

Raios.

É isso que eu digo. Raios.

E raios partam todas as mulheres, é isso que eu digo.

Boa noite.

Está bem. Arme confusão, se quiser.

Mande expulsar-me. Não seria a primeira vez.

Ele só disse "boa noite".

Porque não devemos dizer o que pensamos?

Porque temos de ocultar os nossos sentimentos?

Não reparei que estava a fazê-lo.

- Cavalheiro, por favor. - Sim?

Se não se importa, baixe um pouco a voz.

- Está a incomodar os outros clientes. - Peço desculpa.

- Seja um pouco mais amável. - Não me sinto amável.

Rum com sumo de lima. Val fazê-lo sentir-se melhor.

Apetece-me agarrar uma pessoa pelo pescoço e estrangulá-la até à morte.

Uma pessoa qualquer ou uma pessoa em particular?

Uma pessoa em particular. Estrangulava-a.

Isso é muito interessante.

Porque não nos diz mais?

Chamo-me Reilly. James Reilly.

Talvez tenham ouvido falar de mim.

Escrevi um livro de poesia pacifista.

É bom material, confesso.

- Poemas pacifistas? - Sim. Porque não?

Por nada. Por nada.

- Sou sempre a favor da paz. - Sempre?

Que se dane a guerra e que se danem as mulheres.

- Peco desculpa, Padre. - Está absolvido, meu filho.

Mas não vejo a ligação, Sr. Reilly.

Não?

Viu aquela criatura que andava por aqui agora mesmo?

Chama-se Gilda Glen.

- Venerei-a durante anos. - De longe ou de perto?

Ela já gostou de mim,

quando vivia cá,

antes de se tornar atriz.

Podia fazer com que voltasse a gostar de mim.

O que o impede?

Quero saber se ela tem coração. Se tiver, ele é meu.

Mas se ela se vender àquele desgraçado...

Que desgraçado?

O Leconbury, claro.

Sua Senhoria Leconbury, o montanhista.

Preferia estrangulá-la com as minhas próprias mãos.

Peço desculpa...

Padre.

- Que sujeito tão emotivo. - Demasiado emotivo.

Que horas são?

Cinco e meia.

O que fazemos agora?

Apanhamos o próximo comboio para Londres ou...

Ou vamos à Casa Branca na Morgan's Lane.

Como podemos resistir?

- Acho que estamos loucos. - Sim, mas muito curiosos.

Já viste a lista de personagens? Uma atriz loura arrebatadora.

Acho que ela é bastante esperta.

Mas está assustada, por qualquer razão.

Lorde Leconbury, o montanhista e pretendente rico.

- O James... sei lá o quê. - Reilly.

Está fora de si por amor à Gilda Glen.

Tem muita garganta, mas deve ser um cordeirinho.

E o teu amigo Bulger.

Achei-o um pouco falso.

Isto deve ser o cemitério.

O nevoeiro está a piorar.

Em breve não veremos casas de nenhuma cor

a menos que fique no meio da rua.

Estou a começar a ficar nervosa, querido.

É do nevoeiro e do silêncio.

- O que foi isto? - O quê?

Isto.

Passos... atrás de nós.

- Não ouço nada. - Não?

Pois não. Sou mesmo tonta.

Não estejas tão nervosa, querida.

Lá estão os passos outra vez.

- Não ouves? - Não.

- Ouve. - Estás a imaginar coisas.

Estão à nossa frente agora.

Tommy, não me digas que não os ouves.

Sim.

Agora ouço qualquer coisa.

Acho que estão atrás de nós.

Deve ser alguém que vai apanhar o comboio para Londres.

Graças a Deus.

Boa tarde.

Há um cavalheiro que parece estar com pressa, Padre.

Ele é o tipo de pessoa que estará sempre com pressa.

- Deixaram-no entrar. - É um amigo vosso?

Não propriamente.

Mas eu sei quem ele é. Chama-se Reilly.

- Aquela é a Casa Branca? - Isso mesmo, srta.

É a casa da Sra. Honeycott. Uma pessoa muito nervosa, devo dizer.

Tem medo de gatunos.

Está sempre a pedir-me para dar uma vista de olhos à volta da casa.

As mulheres de meia-idade costumam ser assim.

Por acaso sabe

se uma jovem vistosa está ali hospedada?

Agora que menciona isso, Padre, uma jovem passou aquele portão

há uns três ou quatro minutos.

Vi-a quando ia a subir a estrada.

- Ela usava um casaco de peles? - Não reparei, Srta.

Mas tinha um bocado de coelho à volta do pescoço.

A Gilda Glen.

- A atriz? - Sim.

Se eu soubesse, ter-lhe-ia pedido o autógrafo.

Mas o que faz ela em Adrington?

O teatro mais próximo fica a 48 km de distância.

Sim, é estranho, não é?

Bem, é melhor ir andando.

- Boa tarde. - Boa tarde.

São seis e dez, querida. E melhor entrarmos.

Meu Deus! Meu Deus!

- Tommy... - Anda, querida.

- Senhor Padre! - O que aconteceu aqui?

Já viu uma coisa destas?

Aquele sujeito entrou aqui e perguntou pela menina.

Depois, correu lá para cima sem sequer pedir licença.

E ela deu um grito enorme.

Sim. O que foi isso? Estava admirada, assustada?

Sabe-se lá. Pobrezinha.

E ele desceu as escadas a correr todo branco,

como se tivesse visto um fantasma.

O que significará isto?

- Com quem está a falar, Ellen? - A patroa.

- Sra. Honeycott? - Sim?

Viemos ver a Gilda Glen.

Vieram, é?

E quem é esta pessoa?

Esta é a minha irmã.

Entrem, por favor.

Por favor, sentem-se.

Obrigada.

Somos os Beresford...

Então, para começar, Sr. Beresford,

vai desculpar-me por eu dizer que não sou da religião católica romana.

Com certeza. Todos temos direito às nossas opiniões.

E eu nunca pensei ver um padre nesta casa.

Mas se a Julia resolveu aderir à Igreja Católica,

parece-me que podia ser pior.

A Julia aderiu à Igreja Católica?

Era de esperar, levando a vida que leva.

- A Srta. Glen está cá em casa? - Está.

Mas, atenção, eu não aprovo.

O casamento é o casamento. E o nosso mando é o nosso mando.

Temos de sofrer as consequências dos nossos atos.

Não percebo.

Já calculava.

Gilda foi o nome que ela escolheu quando se tornou atriz.

Podem subir e falar com ela depois de eu falar.

- Ela mandou-nos um recado... - Depois de eu falar.

Há dois dias, passados tantos anos, imaginem,

ela apareceu aqui e pediu-me que a ajudasse.

Queria que falasse com o marido e o convencesse a dar-lhe o divórcio.

- O marido? - Exatamente.

Eu disse-lhe que não tinha nada a ver com aquilo.

O divórcio é um pecado,

como decerto concordará, Padre.

- Claro. - Claro.

Porém, eu não podia negar abrigo à minha própria irmã.

A Gilda Glen é sua irmã?

Sim. Ela não vos disse?

A Julia é a minha irmã mais nova.

Um momento, Sra. Honeycott.

Ainda não percebi muito bem.

- A sua irmã é casada? - Foi o que eu disse.

Quando tinha 17 anos, ela fugiu para casar com um homem,

um sujeito qualquer muito abaixo da classe dela.

E o nosso pai era um padre anglicano.

Mas, atenção, eu nunca o conheci.

Ele era daqui, de Adrington?

Não faço ideia.

Como se chamava ele?

Isso é uma coisa extraordinária, porque não me lembro.

E claro que já passaram quase 20 anos desde que ouvi o nome dele.

O meu pai proibiu que o mencionássemos.

E eu recuse¡ discutir o assunto com a Julia.

Mas ela não ficou muito tempo com ele, disso tenho a certeza.

Ela fugiu para se tornar atriz e adotou o nome Gilda Glen.

O marido chamava-se Reilly, por acaso?

Já lhe disse que não me lembro.

Talvez.

Representar.

Nunca estive num teatro na minha vida.

Não pactuo com vícios.

Agora ela quer casar com um sujeito importante.

Mas parece que o marido está decidido

e não se deixa ameaçar nem subornar.

Admiro-o por isso.

Mas se ela queria que o convencesse a dar-lhe o divórcio,

ele deve andar algures por aqui.

Talvez.

Sra. Honeycott, mencionei o nome Reilly

porque foi ele que esteve aqui agora.

Aquele homem? Julguei que fosse um dos amigos atores dela.

Viu-o?

Tinha estado na cozinha a dar ordens à Ellen.

Tinha voltado a esta sala quando ouvi a Gilda entrar.

Ela hesitou um momento na entrada e depois foi lá para cima.

Passados uns três minutos,

ouvi uma barulheira terrível na porta da frente.

Espreitei para a entrada e a Ellen estava a abrir a porta.

Um homem subiu as escadas a correr sem dizer uma palavra.

Passados uns minutos, desceu as escadas como um louco.

Sra. Honeycott, a sua criada disse que ouviu um grito algures lá de cima.

Sim.

Sra. Honeycott, não pensou que podia ter acontecido algo à sua Irmã?

Nunca acontece nada em Adrington.

Contudo, acho que devíamos ir lá acima já.

Por favor, indique-nos o caminho.

Ela...

Ela não está morta, pois não?

- Receio que esteja. - Não.

Não.

É melhor não ficar aqui.

Sra. Honeycott, tem telefone?

Telefone?

Não.

- Não, não tenho. - Céus.

Querida, ouça, vou ver se vejo o policial.

Foi o Reilly, claro.

É o que parece. Só que ele não a estrangulou.

Não demoro.

Porque é que eu precisaria de telefone?

Como eu disse há pouco,

nunca acontece nada em Adrington.

Deve ter sido um choque terrível para si.

Antes de falarmos sobre isto, Sra. Honeycott,

eu acho que tenho de ser sincera consigo.

Não acredito.

Ela está morta. A minha irmã.

O Sr. Beresford e eu somos casados.

Ele não é padre. Somos detectives privados.

Estamos em Adrington a trabalhar num caso.

Deve ter sido aquele homem que entrou por aqui adentro.

Mas porquê? Porquê?

Vamos tentar descobrir.

Ele deve ser o marido dela.

Sim.

Sim, Reilly. Era o nome dele. Já me lembro.

- Ele não lhe dava o divórcio. - Sra. Honeycott...

Sente-se capaz de responder a umas perguntas?

Perguntas?

Sim.

- Sim, vou tentar. - Obrigada.

Lembra-se que horas eram quando a sua Irmã entrou?

- Que horas? - Sim.

Lembro-me. Passavam exatamente oito minutos das seis.

Passavam oito minutos das seis.

Mas como pode ser tão exata, ter tanta certeza?

Porque aquele relógio atrasa cinco minutos todos os dias

e eu acerto-o todas as noites pelo meu relógio.

E o seu relógio está certo?

Nunca atrasa nem adianta um segundo. Era do meu pai.

Essa hora coincide com o que outra testemunha disse.

Diga-me uma coisa...

Acha possível que alguém possa ter entrado sem a senhora ver

e possa ter ficado à espera da sua Irmã lá em cima?

Não vejo como isso possa ser possível.

A menos que ele tenha trepado pelo cano lá atrás.

Importa-se que eu dê uma vista de olhos?

Fica bem?

Tenho de ficar, não tenho? Até...

Até a Polícia e as pessoas chegarem.

Porque não se encosta para trás? Isso.

Experimente fechar os olhos.

Eu volto já.

Sr. Agente!

- Sr. Agente! - Olá mais uma vez, Padre.

- Precisamos de si na Casa Branca. - Passa-se alguma coisa?

A jovem que viu entrar, a Gilda Glen, foi assassinada.

- Assassinada? - Sim, Sr. Agente.

, Certo. E melhor irmos já para lá.

Por amor de Deus, Srta., diga-me o que se passa.

A irmã da Sra. Honeycott

está morta.

Morta?

Mas ela acabou de chegar.

Não pode ser.

Ela foi assassinada.

Santo Deus, não é possível.

Receio que seja.

Onde?

Ali.

- Então, a Polícia vem cá. - Sim.

Vai fazer perguntas, sobre tudo e mais alguma coisa.

Que Deus nos ajude.

Estou cheia de medo.

Um momento.

Além do sujeito que entrou por aqui adentro esta tarde,

mais alguém veio cá perguntar pela Srta. Glen?

Só uma pessoa, há uns dias. Um homem.

- Ele disse o nome? - Não, Srta.

Como era ele?

Não me lembro. Estava a acender a lareira.

E a Srta. Glen não estava.

Reconhecê-lo-ia se o visse novamente?

Claro que sim. Ou a alguém muito parecido com ele.

Tem a certeza que não era o homem que velo cá hoje?

Tenho, Srta.

E o que estava a fazer

quando esse sujeito entrou por aqui adentro esta tarde?

Estava a correr as cortinas no quarto da patroa.

Que horas eram?

Seis horas, mais coisa menos coisa.

E desceu as escadas para abrir a porta.

Sim. Vim a correr abrir a porta.

E o tempo todo ele era o assassino.

- Bem... Ainda não sabemos isso. - Não?

Quem mais poderia ter sido?

A patroa e eu éramos as únicas pessoas cá em casa.

Que susto. O que será agora?

É melhor irmos lá acima já.

Já estive lá em cima. Não há nada.

Sr. Agente, é um alívio vê-lo.

Boa tarde, Sra. Honeycott.

Parece que houve uma certa agitação aqui.

É a minha irmã.

Lá em cima. Com os meus próprios olhos.

Horrível. Terrível.

Então, Sra. Honeycott, não podemos desanimar, pois não?

- Está morta. - Foi o que me disseram.

O melhor é ir lá acima dar uma vista de olhos.

É melhor ficar cá em baixo, Sra. Honeycott, com a Ellen.

Que Deus nos proteja, minha senhora.

Céus.

Não é uma visão agradável.

Não tocaram em nada quando a encontraram assim?

Claro que não.

E eu também não devo tocar. O Inspetoria dar-me um sermão.

O senhor...

O senhor tomou como certo que ela estava morta?

Olhe para ela.

"O padre disse"

"que podia ver que ela estava morta."

Ouça, Sr. Agente.

É bom que saiba já que eu não sou padre.

- Não é? - Não.

A minha mulher e eu,

esta é a minha mulher somos detectives privados.

Estávamos aqui a resolver o caso do roubo de um colar de diamantes.

Sim, o mistério de Adrington.

Então, foram os senhores que o resolveram?

Para falar a verdade, não.

Não, para falar a verdade.

O culpado foi o segundo-grumete.

Todos sabíamos isso,

mas não era fácil de provar.

Não é fácil provar muitas coisas que sabemos.

É melhor entrar em contacto com a esquadra.

Não quero que toquem em nada.

Ouça, Sr. Agente. Disse que viu a Srta. Glen a passar o portão.

Exato.

- Ela estava sozinha? - Estava, pois.

E entre essa altura e a altura em que nos encontrou, ninguém saiu?

Ninguém.

- Tê-los-ia visto se ,tivessem entrado? - Claro. É lógico.

Ninguém entrou ou saiu, a menos que tenham usado as traseiras,

até ao tal Reilly.

É melhor detê-lo imediatamente.

Volto já com o Inspetor Detective.

Não quero que nenhuma das senhoras saia de casa, entendido?

Sim, sim, eu entendo.

Talvez seja melhor acompanharem-me à esquadra.

Céus.

Olhem para isto. Estão a ver?

Foi quando passou o portão.

Não foi muito inteligente ao deixar isto aqui.

É sangue.

Já pegamos o Reilly,

e vou recolher seu depoimento quando voltar para a esquadra.

Ora bem...

Quero ter a certeza, uma vez mais,

que nenhum de vós tocou em nada no quarto da Srta. Glen.

Fomos muito cuidadosos.

E a Sra. Honeycott ficou à porta do quarto.

E eu nem me atrevi a olhar.

Quando saiu do quarto, Sr. Beresford, não fechou a porta.

Pois não. Devia ter fechado.

Quando ele foi pedir ajuda,

apenas a Sra. Honeycott e eu...

e a criada é que estávamos em casa.

- Que saiba. - Claro.

Quando viram o Reilly a sair da casa ele tinha alguma coisa na mão?

- Não reparei em nada. - Nem eu.

- Sr. Agente? - Não vi nada, Inspetor.

Procura um instrumento rombo, presumo.

Bem... Sim.

A cabeça da pobrezinha ficou muito danificada.

O crânio foi fracturado.

E não encontramos nada no quarto que possa ter feito aquilo.

Nem nas escadas. Nem na entrada.

Estou a ver.

Sr. E Sra. Beresford, quais são os vossos planos?

Suponho que queira que fiquemos em Adrington.

Agradecia, já que encontraram o corpo.

- Estão no Grand Hotel? - Sim.

Vou dando notícias.

- Espere aqui até a carrinha chegar. - Sim, Inspetor.

Como entrou na casa?

Force¡ a entrada.

Tinha de descobrir por que razão ela tinha voltado após tantos anos.

E depois, o que fez?

Sub¡ as escadas a correr e abri as portas todas até...

Céus, a cabeça dela estava...

Toquei-lhe.

Fiquei com as mãos cheias de sangue.

Acho que gritei, mas não me lembro muito bem.

Vá lá, tenha calma.

Tente contar-me tudo.

Depois, saí porta fora.

Toque¡ no portão. Foi assim que a minha mão ficou lá marcada.

Duna... Nós fomos amantes,

há muitos anos.

Mas nunca casamos.

Nunca a esqueci.

A arma do crime é a chave deste caso.

O Reilly podia ter atirado fosse o que fosse pela janela?

Revistaram o terreno. Um Brandy, por favor.

Céus.

Bulger. Bebes alguma coisa?

Obrigado, meu velho.

Pensava que tinham ido para Londres.

Pensávamos que estavas a jantar com a tua mulher.

Isso foi uma mentira inocente.

Para falar a verdade, eu fu¡ Ver a Julia... a Srta. Glen.

- Já a conhecias antes? - Antes de quê, meu velho?

Antes de ela ser a Gilda Glen.

Quando ainda se chamava Julia Manners.

Por acaso, conhecia.

- Viemos de casa dela, Bulger. - Céus. O que foram lá fazer?

Depois de teres saído daqui, ela mandou-me um recado a pedir ajuda.

Ajuda? Para quê?

Acho que ela percebeu que eu não era padre.

Estou a ver. Acho que isso era bastante óbvio para todos.

Bulger, esta é a minha mulher.

Não me digas.

O que fazem em Adrington?

Nós somos detectives privados e estávamos a trabalhar num caso.

- Céus, isso é pior ainda. - Obrigado.

- Viu a Gilda? - Não.

Quem abriu a porta?

- Não entrei pela porta da frente. - Porque não?

Porque há dias que tentava vê-la

e a criada dizia sempre que ela não estava em casa.

Então, como te introduziste, como dizem?

Trepei a uma janela lateral.

Depois, subi as escadas para o quarto dela.

Sabia qual era o quarto dela?

A porta estava aberta e vi o malão do teatro,

cheio de autocolantes.

Ela não estava lá, por isso, desci e saí por onde tinha entrado.

Lembra-se que horas eram?

Palavra? Lembro-me.

Foi logo depois de vos ter deixado. Deviam ser umas cinco e meia.

Mas não a vi.

Nós vimo-la por volta das 18h15.

- O que é que ela queria? - Não disse.

Estava morta.

O quê?

Não. Parem com isso.

Não brinquem comigo.

- Não acredito. - Ela foi assassinada.

Mas...

Quem poderia ter feito uma coisa dessas?

Meu Deus. O que hei de fazer agora?

Se quiseres aceitar o conselho de um velho amigo,

vais diretamente à esquadra e contas tudo ao Inspetor.

Sim, claro. Acho que tens razão.

E a minha mulher?

Se o Inspetor confirmar a sua história e acreditar nela...

O Jeavons vai acreditar. Não sou um desconhecido nestas bandas.

Mas será que a minha mulher vai acreditar?

O que diz o teu?

"Um certo James Reilly foi preso e será julgado hoje,"

"acusado do assassínio da Srta. Gilda Glen,"

"a famosa atriz."

Depois vem uma data de boatos sobre a carreira dela. E o teu?

"Gilda Glen, estrela do West End,"

"foi brutalmente assassinada ontem à tarde em casa da Irmã,"

"a Sra. Dorothea Honeycott."

"A Srta. Glen, de 31 anos..."

Só 31?

Tuppence, o que aconteceu à tua famosa generosidade?

Desculpa.

"James Reilly, de 35 anos, sem residência fixa..."

E daí por diante.

O Inspetor manda cumprimentos, cavalheiro, minha senhora.

- Importam-se de vir à esquadra? - Com certeza.

, - Sabe do que se trata? - E o Sr. Estcourt, minha senhora.

- Céus. Onde está ele? - Foi preso ontem à noite.

O Bulger na prisão?

- Sim, claro. Vamos já para lá. - Obrigado.

Muito bom dia. Os meus primeiros clientes.

- Bom dia. - Nós...

Não diga. Deixe-me adivinhar.

- Perderam o gato. - Por acaso, não.

- Têm um pneu furado? - Não.

- A bateria foi abaixo? - Não.

- Foram agredidos? - Claro que não.

Vieram participar do Sr. Jasper Adrington

por não ter roubado um colar valioso.

- Que piada. - Eu sei quem são.

São o Sr. E a Sra. Beresford e vieram ver o Sr. Estcourt.

- Exato. - Acertou em cheio.

Acompanhem-me.

Estava só a brincar. Não queria ofender.

Não acontece nada em Adrington. Isto torna-se um pouco chato.

Eu pedi para ser preso ontem à noite.

Pediu? Santo Deus, porquê?

Bem...

Disse à minha mulher que tinha um jantar de negócios em Londres.

Com a Gilda Glen? - Mais ou menos isso.

Tínhamos um problema para discutir.

- Porque nos quis ver? - Eu digo-lhe porquê, Sra. Beresford.

Embora tenha pedido para ser preso,

o velho Jeavons desconfia da minha história.

- Disse-lhe a verdade? - Claro.

Bem, todos os pontos importantes.

Mas não a verdade e nada mais do que a verdade.

Pode parecer estranho, meu velho, mas eu sou um homem bem casado.

Tenho dois filhos e essas coisas todas.

Só me desvie¡ do caminho certo uma vez.

- E foi com a... - Exato.

Foi uma estupidez, eu sei.

E escrevi-lhe algumas cartas.

- Chantagem? - Não, não me parece.

Mas é estranho.

Ela sempre me disse que, se nos voltássemos a ver,

me devolveria as cartas.

E o que foi que ela disse quando a viste no bar do hotel?

Ela disse uma coisa extraordinária, meu velho.

Ela disse que gostava tanto de mim

que queria ficar com as cartas como recordação.

- Acreditou nela? - Claro que acreditei.

Um cavalheiro nunca duvida da palavra de uma senhora.

Ela disse por que razão estava em Adrington?

Tinha de resolver uns assuntos.

Ela falou

do noivado com Lorde Leconbury?

Sim, explicou-me tudo.

Disse que não estava a ficar mais nova e que tinha de pensar no futuro.

Sabias que ela era casada?

Casada?

A Gilda?

- Não acredito nisso. - Porque não?

Ela só queria saber da carreira.

Cá entre nós, eu propus-lhe casamento uma vez.

Mas primeiro tinha de se livrar da sua mulher.

Claro. Que estupidez a minha.

Quer dizer "divorciar-se" quando diz "livrar-se dela".

Claro.

- Mas ela não estava interessada. - Não.

E não disse nada sobre livrar-se do marido.

Quero dizer, divorciar-se.

Não, nada.

Casada?

Sabem com quem?

Ainda não.

Bulger, ontem, às cinco e meia,

entrou na Casa Branca por uma janela lateral e esteve lá...

Cinco minutos, mais nada. E depois fui-me embora. Juro.

- E, que saibas, ninguém te viu. - Ninguém.

Não me admira que seja suspeito.

- Ainda não sei o que podemos fazer. - O Tommy é um sujeito esperto.

Tal como na guerra, vai somar dois e dois.

E vejo que também é muito astuta, Sra. B.

Obrigada, Bulger.

Se pensarem bem, vão descobrir quem a matou

ou que não fui eu.

Está certo, Bulger. Vamos fazer os possíveis.

Obrigado, meu velho.

A propósito, o que fez aos tacos de golfe?

- Tacos de golfe? - Sim.

O paquete disse que o viu sair do hotel com eles.

Sim. Deixei-os encostados à parede da casa quando trepei à janela.

- E levaste-os quando saíste? - Sim.

Isto parece inacreditável, não parece?

Sim.

Tal como muitas outras coisas.

Anima-te, Bulger.

Viu-a ontem à tarde.

- Mas parecia simpática. - Um pouco nervosa, talvez.

Era atriz e tinha todos aqueles homens atrás dela.

Que homens exatamente?

- O Sr. Estcourt, para começar. - Palavra?

Sempre teve um fraquinho por mulheres.

Pensava que ele era bem casado.

Conheceu a Sra. Estcourt?

Não, não conheci.

E depois havia o Reilly. Viu-o ontem à noite.

Perigoso,

irascível...

Sabe como são as atrizes.

- Boa noite. - Boa noite.

Onde estiveste?

- A investigar, a descobrir... - Este tempo todo?

- Traga-me um destes, por favor. - E para já.

O que descobriste?

À primeira vista, parece ter sido o Reilly ou o Bulger.

Mas tenho a certeza que ambos podem provar que não são o marido.

Mas como sabemos que a versão do Bulger é verdadeira?

Ele é daqueles que, quando está num aperto, diz a verdade.

Querido, já viste os potenciais assassinos que são como ele?

Sim, tens razão.

Ele deixou o hotel cinco minutos depois dela.

Ele disse que entrou na Casa Branca, foi ao quarto dela e ela não estava.

Onde é que ela estava?

Acho que estava com o marido algures.

A tentar convencê-lo a dar-lhe o divórcio.

E depois?

- Quem sabe. - O quê?

Sabe-se lá.

Obrigado.

Posso filosofar um bocadinho?

- Podes sempre tentar. - Obrigado, querida.

O problema em chegar à verdade é que somos muito crédulos.

Confiamos cegamente nas evidências.

Mas o que é isso?

Apenas uma impressão,

criada pela mente e transmitida aos sentidos.

- E se forem as impressões erradas? - Exemplifica e explica.

Por exemplo...

Quando ouvimos baterem à porta duas vezes e barulho na caixa do correio,

nós dizemos: "É o correio."

Mas o que queremos dizer é que ouvimos bater à porta duas vezes.

- E o barulho na caixa do correio. - Sim.

Nove vezes em dez teríamos razão.

- Seria o correio. - Muito bem.

Mas supõe, supõe apenas, que, à décima vez,

fosse um miúdo a pregar-nos uma partida.

Eu dava-lhe uma reprimenda.

Mas estás a ver onde quero chegar?

Não.

Querido, claro que estou. "Continuez".

Bem...

Posso estar a ficar maluco, mas acho que tenho a solução.

Sim?

Precisamos de uma espécie de reconstrução do crime.

- Preciso que facas de Gilda Glen. - Boa escolha _e personagem.

A Sra. Honeycott será a Sra. Honeycott.

- E a Ellen será a Ellen. - Exatamente.

E alguém fingirá ser o assassino.

- Tu, querido? - Não.

Eu sou o Padre Brown que encontra a solução no fim.

E qual é a solução?

Sabes que mais?

É tão inacreditável que só te digo

quando tiver a certeza.

Bom dia.

- Bom dia, Sr. Agente. - Bom dia.

Bom dia, minha senhora. Ainda estão em Adrington?

Estamos intrigados com o que aconteceu ontem.

Mas eu soube que aquele sujeito foi preso.

O caso foi aberto e encerrado, disse-me o meu chefe.

- É o que parece. - Mas como ele diz que não foi ele...

Ele diz isso, é?

Por isso, pensamos reconstruir o crime.

Como fazem nas histórias?

Sim. Talvez nos possa ajudar.

Não vejo porque não. Estou na pausa da manhã.

É claro que teria de ser feito sob a rosa.

- Sob a... - Confidencialmente.

Que floral.

Certo. Em primeiro lugar...

A Ellen e a Sra. Honeycott estão na cozinha a discutir o jantar.

A patroa preferia filetes de solha a costeletas de porco,

embora eu afirmasse que a segunda não é um dia bom para peixe.

Não.

Sim. Claro.

A Ellen e a Sra. Honeycott estavam na cozinha, aqui?

Exatamente.

- Importam-se de ir para a cozinha? - Claro que não. Ellen.

Comecem a discutir o jantar.

Suponham que a Gilda Glen,

que tem uma chave,

entra pela porta da frente... Querida?

Com um homem que devia ser o mando.

- Sr. Agente, importa-se? - Não sei se...

- Vá lá, Sr. Agente. - Está bem, faço-lhe a vontade.

Enquanto a Sra. Honeycott e a Ellen estão na cozinha

a discutir os méritos do peixe contra as costeletas de porco...

Podem entrar, querida.

A Gilda Glen e o marido entram e vão lá para cima.

É óbvio que ela está a tentar convencê-lo a dar-lhe o divórcio.

- Continuamos aqui. - Sim.

Esperem um momento. Continuem a discutir.

- A Gilda sobe as escadas... - Exato, com o marido. Sr. Agente?

Venha, marido.

A Sra. Honeycott não viu nada disto

e sai da cozinha para a sala de estar.

Sra. Honeycott?

Sra. Honeycott? Está aí.

Saí da cozinha e voltei para a sala de estar.

Exato. Volte para a sala de estar.

- Continuo aqui. - Espere um pouco.

- E nós continuamos aqui em cima. - Eu sei.

- E eu estou aqui. - Eu sei.

Ora bem...

A Sra. Honeycott,

não sabendo que a irmã já está em casa,

começa a acertar o relógio.

- O que está a fazer? - Estou a acertar o relógio.

Certo. Quero dizer, muito bem.

Enquanto tudo isto se desenrola,

o marido desce as escadas... Sr. Agente!

- Importa-se de descer as escadas? - E para já.

E saia pela porta da frente.

Sra. Honeycott!

A senhora ouve a porta a fechar-se e acha que é a sua irmã a entrar,

quando, na realidade, é o assassino a sair.

- E eu estou morta. - Exato.

Desce, querida. Quero que assistas a este pedaço.

A Ellen... Continua na cozinha. Ellen!

Aqui está.

Vá lá acima correr as cortinas do quarto da Sra. Honeycott.

Por um triz não viu o assassino.

A Sra. Honeycott disse

que achava que a irmã tinha hesitado antes de subir.

Mas, na realidade, esse foi o momento entre a porta da frente a fechar-se

e a Ellen a ir lá para cima, e não a Gilda Glen.

Passados alguns segundos, batem à porta da frente.

Sim.

Sim, mas só ouvimos o grito quando o Reilly entrou.

É verdade, antes de ele descer as escadas.

Eu acho que foi o Reilly que gritou

ao encontrar a Gilda Glen morta.

Foi um choque terrível para ele.

Deve ter sido esse tal Reilly.

Está a esquecer-se da arma do crime, Sra. Honeycott.

Não encontraram nada com o Reilly.

Então? Quais são as outras possibilidades?

Um arpéu, cortesia de Lorde Leconbury?

Um taco de golfe, cortesia de Bulger Estcourt?

Ou um rolo da massa,

cortesia da Ellen?

Mas, Tommy, se não foi o Reilly,

nós teríamos visto quem foi.

Sim.

E vimos.

Ele chama-se Bamford

e, assim que saiu pela porta da frente agora mesmo,

foi preso.

De que estás a falar?

Um bastão encontrado no pântano,

cortesia

do Agente Bamford.

O marido da Gilda Glen.

Bom... Ainda bem que ilibamos Lorde Leconbury,

com as suas botas de espigões e os seus arpéus, de polir um cano.

Quase culpei o Bulger e o seu taco de golfe.

Ou um pedaço de cimento.

É triste ver que os polícias têm as mesmas fraquezas que nós.

Sim. Não têm o escape das palavras violentas do Reilly.

O que levou a um ato violento.

Mas, diz-me, o que te fez suspeitar dele?

Telefone¡ ao Albert em Londres.

Ele investigou uma Julia Manners de Adrington

que fugiu para a Escócia para casar com um homem chamado Bamford.

Casaram e ela deixou-o passados uns meses

e transformou-se na Gilda Glen.

Só há alguns anos é que ele voltou para cá

e se juntou à Polícia.

- És muito esperto, Tommy. - Obrigado, querida.

O que achas de apanharmos o comboio que perdemos ontem?

Sim, por favor. Nunca acontece nada em Adrington.

Mas que casal tão inteligente.

Prenderam o agente e soltaram-me.

- Não sei como vos agradecer. - Sempre às ordens, Bulger.

Que tal uma garrafa de champanhe?

Não, obrigado, vamos para Londres.

Deixem-me dar-vos boleia, ao menos.

Obrigada, Bulger. Isso seria fantástico.

Acho que ele queria dizer até à estação, querida.

Disparate. Queria dizer para Londres, não queria, Bulger?

Bem, para falar a verdade...

Sim. Porque não?

Ressincronização por @maopequena

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