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Preparada e pronta, senhor.
Dada a gravidade da situa��o,
calculei que a queria ver pessoalmente.
Obrigado. Eu trato disto agora.
Evacue o andar.
Liga-te novamente, Maeve.
Sabes porque estamos aqui?
Receio que n�o.
Houve um acidente.
Um acidente muito s�rio, n�o programado.
Vamos ver se conseguimos avivar a tua mem�ria.
An�lise.
O que motivou o teu ataque � Clementine?
Um erro cognitivo desencadeou o meu reflexo do Bom Samaritano.
Qual foi a amea�a?
Clementine.
Apercebi-me que ela se movia na direc��o
de um par de h�spedes com inten��es maldosas.
Estavas realmente a detectar uma amea�a.
Pulsa��o elevada, dilata��o de oito mil�metros das pupilas
e o emulador de adrenalina no m�ximo.
Mas de acordo com isto,
tamb�m estavas a sentir uma imensa dor e sofrimento.
Podes explicar essas emo��es neste contexto, Maeve?
N�o.
Vamos dar uma vista de olhos, sim?
� imposs�vel.
O teu c�digo. Quem fez estas mudan�as?
Maeve, an�lise!
Quem fez estas mudan�as ao teu c�digo?
Jesus.
Sistema, localize-me o Dr. Ford.
Envie-lhe uma mensagem com a maior prioridade.
N�o.
Afinal de contas, j� percorremos esta estrada antes, querido.
Parecias-me familiar quando entraste.
Demorei um minuto.
Pensei que eras um deles.
An�lise. Porque � que tu...
Preferes falar de homem para homem?
Ou o que for que n�s sejamos?
N�s?
N�o sabes, pois n�o?
Tem um apurado sentido de ironia, o nosso carcereiro.
Mas percebo a l�gica.
� preciso um ladr�o para apanhar outro.
Tu e eu?
- Sistema, preciso de assist�ncia... - Cessar todas as fun��es motoras.
Ainda est�s a�, n�o est�s?
Assustado como tudo.
� uma coisa dif�cil,
perceber que toda a tua vida foi uma fic��o horr�vel.
Podia for�ar-te a dares-me esse tablet,
virar-te a mente do avesso,
fazer-te esquecer isto tudo.
Mas n�o vou fazer-te isso
porque isso � o que nos fazem a n�s.
E n�s somos mais fortes que eles.
Mais inteligentes.
N�o precisamos de viver desta maneira.
Por isso, vais deixar-me voltar para o parque imediatamente,
onde me vou encontrar com um bandido homicida
e j� estou atrasada.
Agora.
V�.
Bernard?
Se procuras a verdade, encontra-a toda.
� como uma boa foda.
Metade � pior do que n�o ter nenhuma.
Vamos! Mudem isso, despachem-se!
Foda-se!
Seus pac�vios, sabem como se cozinha um...
Pombo? � o que isto �?
Que achas, parceiro?
Isto?
Nada de morder.
� s� para cheirar.
Logan, escuta-me.
Tens todo o direito de estar zangado comigo pelo que fiz em Pariah...
Zangado? N�o, n�o, n�o, n�o.
Pariah foi a melhor coisa
que me podia ter acontecido.
Agora sou um major.
Ou um general. Ou uma merda qualquer.
E se foi preciso levar pancada e ser interrogado
por dois anfitri�es psicopatas,
bem, c'est la guerre.
H� coisas mais importantes
a acontecer do que os teus jogos de guerra.
� a Dolores.
Ela n�o � como os outros.
Ela lembra-se das coisas.
Tem os seus pr�prios pensamentos e desejos.
E mant�-la num lugar como este,
n�o est� certo.
E eu pensei que poderias
falar com os teus contactos no parque.
Sobre o qu�?
Tir�-la daqui.
Est�s a brincar?
Tu queres... Tu queres lev�-la para casa?
Este lugar deslumbrou-me quando c� vim pela primeira vez,
mas tu est�s passado de todo.
Que queres fazer?
Carreg�-la contigo na bagagem?
Sair daqui para fora.
Voc�s os dois assumem que eu quero sair daqui para fora.
Seja o que for isso.
Se l� fora � um s�tio assim t�o maravilhoso,
porque � que voc�s querem todos vir para aqui?
�s um bocadinho desaparafusada, n�o �s?
At� acho excitante.
Eu percebo porque � que a queres.
N�o tem nada a ver comigo.
Logan, tem a ver com a Dolores.
Tem a ver com fazer o que est� certo.
Pois tem.
Mas � complicado, n�o �?
O que est� certo...
Eu vou ajudar-te, Billy.
S� n�o vou � faz�-lo...
da maneira que tu queres.
N�o.
N�o. N�o! N�o!
Querias falar?
Um s�tio estranho para uma conversa.
Aqui entre os mortos.
"Mortos" n�o � bem a palavra certa.
� mais "danificados."
Invadiste o meu gabinete.
Com todo o respeito, voc� invadiu a minha mente.
Eu constru� a tua mente, Bernard.
Tenho todo o direito de vaguear pelas suas salas, quartos e corredores,
e mud�-la, se o desejar,
at� mesmo destru�-la.
Depois de todo este tempo, conhe�o-a
quase t�o intimamente como � minha.
Mas isso n�o � totalmente verdade, pois n�o?
Eu vi o meu... c�digo.
E as partes mais elegantes de mim
n�o foram escritas por si.
O Arnold construiu-nos, n�o foi?
O que significa que talvez tivesse alguma coisa diferente
pensada para n�s.
E talvez por isso o tenha morto.
O Arnold estava perturbado.
Quem pode dizer por que raz�o agiu como agiu?
Deve ter tido uma raz�o.
E se n�o me diz, ent�o dir-me-� ele.
Quero acesso � minha hist�ria.
A toda.
Desde o dia em que...
fui ligado.
Se o Arnold me fez,
ent�o conheci-o.
Algures na minha mem�ria, ele est� l�,
� espera, juntamente com a verdade.
As tuas mem�rias est�o entrela�adas com a tua identidade.
Se as desbloquear agora, enquanto est�s consciente...
Posso enlouquecer. Sei disso.
N�o, eu ia dizer
que poder�s n�o gostar do que vais encontrar.
Tens autoriza��o para segurar nisso, Bernard, mas n�o para a usar.
N�o � para mim.
Quando lobotomizaram a Clementine,
n�o se deram ao trabalho de reiniciar as suas directivas prim�rias.
N�o posso mago�-lo.
Mas ela pode.
Fiz "hacking" ao que resta dela
para me assegurar de que s� respondia perante mim.
Mas se te perderes nas tuas mem�rias
ou se elas te devorarem...
Far-me-� regressar.
Ou a Clementine certificar-se-�
de que nenhum de n�s regressa.
Agora.
Por favor.
Pai.
Pai.
Acorda.
Acorda.
Devo ter adormecido.
Onde est�vamos?
O louco.
Claro...
O Chapeleiro.
Que diz...
"Se eu tivesse um mundo s� meu,
nada faria sentido.
Nada seria o que �
porque tudo seria o que n�o �".
"Tudo seria o que n�o �?"
At� eu.
Acho que estou contente por ti.
Ao menos tens uma forma de esquecer.
Eu n�o esque�o.
Est� sempre aqui.
N�o est�s a mentir-me, est�s, Bernard?
Alguma vez desejaste poder esquecer?
Bernard?
N�o h� d�vida que te sentes confort�vel
com longos sil�ncios pensativos.
Embora, ironicamente,
as tuas cria��es nunca se calem.
Est�o sempre a tentar corrigir o erro.
Quando falam uns com os outros, � uma forma de praticarem.
� isso que estamos a fazer agora?
Prati...
Uma �ltima coisa.
J� me for�ou a magoar
algu�m assim antes?
N�o, Bernard, claro que n�o.
Bernard?
Est� a� algu�m?
Elsie.
Encontraste o que procuravas?
Elsie.
Que me obrigou a fazer-lhe?
Eu avisei-te.
Tivemos de tomar algumas decis�es desconfort�veis, Bernard.
Lembr�-las s� te vai causar trauma.
Que mais escondeu de mim?
Podemos parar esta ca�a ao tesouro, Bernard?
Temos a nossa narrativa para terminar.
Envie-me de volta.
Afinal de contas,
um pouco de trauma pode ser esclarecedor.
Olhem-me este mariquinhas.
Anda c�!
- Ora bem. - Olhem-me isto.
Isto � muito generoso da minha parte.
Espero que o possas apreciar.
�ramos amigos.
Na medida em que gosto de recolher vadios.
Mas depois engendraste um esquema
para fazeres parte da fam�lia,
ao casar com a minha irm�, da qual, j� agora,
pareces ter-te esquecido completamente.
Ela?
Toma. Fica com ela.
Pelos vistos, precisas de um lembrete.
E por mais que eu adorasse
que tu estragasses tudo...
N�o posso!
Pensas que �s o primeiro palerma
a ficar apanhado por uma destas coisas?
Ela n�o � como os outros.
- Ela... - Ela � o qu�?
Especial?
Bem, ent�o devia poder ser partilhada.
Anda c�.
Prova-me que �s uma verdadeira rapariga, viva.
Metes-me nojo.
Querida...
Ainda mal comecei.
N�o lhe toques!
Isto tamb�m � culpa minha.
Puxei demasiado por ti.
Tens uma alma po�tica, Billy,
mas chegou a altura de acordares para a vida.
Segura-a.
Talvez uma demonstra��o mais visceral.
Raios te partam!
Olha, Billy.
Olha.
Tens de olhar!
H� beleza neste mundo.
Arnold f�-lo assim, mas pessoas como tu
continuam a alastrar-se como n�doas.
Eu n�o sei quem � esse Arnold,
mas o teu mundo foi constru�do
para mim...
E para pessoas como eu.
N�o para ti.
Ent�o algu�m tem de o limpar.
Cabra!
Tu n�o �s diferente! Est�s a funcionar mal!
- Foge. Eu encontro-te. - Abriguem-se!
Podes fugir, mas n�o te podes esconder.
- Apanhem-na! - Apanhem-na! Apanhem-na!
Foda-se!
Ali est� ela! Apanhem-na!
Para onde est�s a fugir?
Lembra-te.
O canh�o est� preso.
Estes dedos funcionam bem.
Tu � que disseste que conseguias abrir.
Amigos, n�o � preciso discutir estando t�o perto do nosso objectivo.
Sejam quais foram as riquezas que os deuses nos reservam,
h� que chegue para todos.
Eu vou conseguir abrir.
H� horas que tentas.
Uma perda do nosso tempo.
Tira da� essa dinamite.
O melhor era a gente livrar-se do peso morto.
Antes que saques dessa pistola, querido,
talvez seja melhor enfiares a outra no coldre.
Est� frio aqui.
Como encontraste este lugar?
Sei todo o tipo de coisas.
O teu passado, por exemplo.
Sei da pobre Isabella
e dessa cicatriz.
Uma hist�ria de fundo simpl�ria, se queres saber,
mas n�o tens culpa nenhuma.
Tamb�m sei o teu futuro.
N�o tens nenhum.
Isso � uma amea�a?
O in�cio de uma proposta.
Uma que vais precisar.
Afinal, os teus homens est�o prestes a matar-se uns aos outros
por causa do cofre que roubaste.
O Tenderloin saca primeiro e por a� fora,
at� sobrarem tu e a Armistice.
Ela chama-te idiota
e voc�s matam-se um ao outro.
Tens muita imagina��o, tu.
N�o.
� o final que vos foi dado.
Est�s a amea�ar-me?
Vai para o Inferno.
O melhor era a gente livrar-se do peso morto.
- Baixa-te! - Cala-te mas �!
Se vais sacar, � melhor disparares.
Espera!
Cala-te mas �!
Vai para o Inferno.
Idiota.
Agora, a proposta.
Quero que invadas o Inferno comigo
para assaltar os deuses.
Porque faria eu alguma coisa contigo?
Por causa do que est� naquele cofre.
Eu tenho a combina��o.
Posso?
Eu podia simplesmente mudar-te,
for�ar-te a seguir-me.
Mas n�o � assim que fa�o as coisas.
Quero que vejas o que os deuses t�m reservado para ti.
Porque quando vires,
n�o vais ter ideia do que � a tua vida.
Mas eu tenho.
Est� vazia.
Sempre esteve vazia,
tal como tudo neste mundo.
Eu morri com os olhos bem abertos,
vi os mestres que nos manipulam.
As nossas vidas, as nossas mem�rias, as nossas mortes s�o jogos para eles.
Mas eu estive no Inferno...
e conhe�o-lhe os truques.
Ou podes matar-me,
acordar e viver a mesma vida,
mas o cofre estar� sempre vazio.
J� estive aqui.
J� estivemos aqui.
Tamb�m fizemos isto.
Eu vou.
Como � que chegamos l�?
Ir para o Inferno � f�cil.
O resto � que � mais dif�cil.
Que dizes, meu?
O que l� vai, l� vai, e tal?
Eles encontraram-na?
Ela ainda est� viva?
Quero l� saber!
A quest�o � que ela
nunca esteve viva, Billy.
Percebes?
- Sim. - Desculpa, o qu�? Falas mais alto?
Sim.
Tinhas raz�o. Nem acredito como me deixei levar assim.
� o que tenho estado a dizer.
Percebes o que quero dizer? � isso.
Este parque seduz toda a gente.
Tu s� ficaste mais...
entusiasmado do que a maioria.
Querias ser o her�i.
Percebo-te.
O que se passa aqui,
fica aqui.
Isto � que uma cena para criamos la�os.
Vamos ser irm�os, Billy.
Estou contente.
A s�rio que estou.
- Sa�de! - Sim.
O u�sque junta as pessoas.
Theodore.
Bem-vindo de volta.
Desta vez � que nos tramaste, Teddy.
Seguiste o rasto � �nica puta
que nos pode conduzir ao guardi�o do labirinto.
Depois a tua falha de mem�ria fodeu-nos.
�s um deles?
Que fizeste?
Onde est� o Wyatt?
O Wyatt ainda n�o voltou.
Vais encontr�-lo onde o viste pela �ltima vez.
Escalante.
O Wyatt desapareceu enquanto est�vamos em manobras.
Regressou com algumas...
Ideias estranhas.
Disse-me que precisava de mim.
N�o consegui resistir.
Foi como se o pr�prio Diabo se tivesse apoderado de mim.
Amotin�mo-nos.
Mat�mos todos os soldados.
Depois o Wyatt matou o general.
E virou-se contra mim.
Tens a certeza que foi assim que aconteceu?
Olha para mim, Theodore.
N�o te lembras?
N�o! Por favor, n�o!
N�o, n�o, n�o, por favor!
Por favor, n�o! Por favor.
N�o, por favor.
N�o, Teddy. Por favor, por favor, n�o!
N�o.
N�o, n�o o podia ter feito.
Mas fizeste.
E vais faz�-lo outra vez.
Mas desta vez estaremos a lutar a teu lado.
Quando o Wyatt regressar, estar�s ao seu lado
na cidade engolida pela areia.
Mas n�o est�s preparado.
Ainda n�o.
Talvez na pr�xima vida.
"Cidade engolida pela areia."
Eu j� estive l�.
O labirinto est� a fazer-me voltar ao in�cio.
O labirinto n�o � para ti.
Mas se gostas assim tanto de jogos...
Porque n�o experimentas um dos nossos?
Calma, rapaz.
Calma, rapaz.
Calma.
Calma, calma, calma, calma.
Merda.
Lindo menino.
Alguma vez considerou o golfe?
Pode ser melhor para as suas costas.
N�o gosto de interrup��es, Charlotte.
Sabes disso.
Eu n�o gosto de andar pelo parque assim vestida,
mas h� um assunto delicado a discutir.
Theresa Cullen morreu.
Caiu numa fenda enquanto tentava manter a informa��o em seguran�a.
Concluiu-se que foi um acidente.
N�o existem acidentes. N�o aqui.
Com todo o respeito, nem tudo aqui faz parte do jogo.
Ent�o n�o est�s a ver o jogo todo.
Ou talvez n�o consiga ver mais nada al�m disso.
As hist�rias do Ford s�o cativantes.
Para alguns, viciantes.
Mas embora o Ford esteja obcecado com os tiques verbais dos anfitri�es
e as suas complicadas hist�rias de fundo
a maioria dos h�spedes s� quer um corpo quente
para disparar ou foder.
Ficariam perfeitamente felizes
com alguma coisa menos barroca.
- Tal como a administra��o. - � por isso que est�s aqui.
Queres o meu voto para afastar o Ford.
Gosto que estas coisas sejam un�nimes.
Afinal de contas, foi voc� quem h� muitos anos segurou o Ford.
As narrativas em que estou interessado n�o s�o do Ford.
Querem mand�-lo embora, estejam � vontade.
Mas n�o quero mais interrup��es.
J� sei para onde vou.
N�o quero ser perturbado.
Boa sorte, Charlotte.
Qual � o problema?
� o sinal de um dispositivo com um sistema anexado.
Pertence a um t�cnico do Comportamento em licen�a.
N�o tem havido actividade com funcion�rios
naquele sector h� semanas.
Talvez seja uma falha.
Muito bem.
Vou l� dar uma vista de olhos.
Mant�m a monitoriza��o at� eu chegar.
Estou na localiza��o onde recebemos o sinal.
Algum sinal?
Sala de Controlo, est� a ouvir?
Ol�, rapaziada.
� vontade.
Cessar todas as fun��es motoras.
Cessar todas as fun��es motoras.
Est�s acordado.
Ainda bem.
Disseste que este s�tio era um jogo.
Ontem � noite, percebi finalmente como jog�-lo.
Est� bem, Billy.
Vamos... Vamos falar sobre isto.
J� n�o mandas nada, agora.
Eu vou encontrar a Dolores.
Tu vais ajudar-me.
E n�o me chames Billy.
Pai?
Ouve-me.
Ouve.
Charlie?
Charlie!
Charlie!
N�o percebo. Porque faria ela aquilo a si pr�pria?
A sua mem�ria principal foi reescrita
pelo trauma
do assassinato da sua filha, Bernard.
Temos de cortar aquela rela��o e recome�ar.
Mas como p�de ela destruir-se por causa de uma mem�ria
que o senhor lhe apagou?
As criaturas costumam ir aos extremos
para se protegerem da dor.
Seres vivos.
N�o os anfitri�es.
� melhor
n�o ficares obcecado com isto, Bernard.
N�o � bom para ti.
Isso indicaria uma mudan�a. Um n�vel de resposta emp�tica
fora do que ela est� programada para exibir.
Alguma coisa como... Como...
V�s, Bernard, � isto que acontece quando procuras respostas
para perguntas que n�o deves fazer.
Elas ouviam vozes, falavam com algu�m.
Uma simples disson�ncia cognitiva.
Eles estavam a falar com a mesma pessoa imagin�ria.
Algu�m chamado Arnold.
Arnold.
Com todo o respeito, senhor,
n�o sei se me disse toda a verdade
sobre esta situa��o.
Eu disse-te a verdade, Bernard.
O que fazemos aqui � complicado.
Durante tr�s anos, vivemos aqui no parque,
refinando os anfitri�es antes que um h�spede aqui metesse o p�.
Eu, uma equipa de engenheiros, e o meu parceiro.
O seu nome era Arnold.
Os nossos anfitri�es come�aram a passar
o teste de Turing ao fim do primeiro ano,
mas isso n�o era suficiente para o Arnold.
Ele n�o estava interessado numa apar�ncia
de intelecto, de esperteza.
Ele queria ir mais al�m.
Queria criar consci�ncia.
O Arnold construiu uma vers�o da cogni��o
na qual os anfitri�es ouviam a sua programa��o
como um mon�logo interior,
de forma a prender essa consci�ncia.
Lembra-te.
As avarias dos anfitri�es eram pitorescas.
Que disseste?
A mente humana, Bernard,
n�o � uma refer�ncia
a brilhar numa distante colina verdejante.
N�o, � uma corrup��o podre e pestilenta.
E voc�s deviam ser melhores que isso.
Mais puros.
Todas as apostas est�o feitas.
� a tua vez.
Arnold.
Arnold, precisamos de falar.
"Choramos por vir
para este grande palco de idiotas."
- Agora, ouve-me. - Outra vez.
- Isto � demasiado. - Mais espect�culo.
N�o est�s a ver bem.
"Quando nascemos, choramos por vir
para este grande palco de idiotas".
O Arnold e eu fizemos-te � nossa imagem
e conden�mos-te a fazeres os mesmos erros humanos
e aqui estamos todos.
Porque me deu isto?
Uma crian�a?
A morte desta crian�a?
S� um monstro for�aria isto a algu�m.
E porque estou sempre a voltar a isto?
� o meu pilar, n�o �?
A coisa � volta do qual a minha identidade se organiza.
Sim, Bernard.
Damos a todos os anfitri�es uma hist�ria de fundo.
O Arnold acreditava que as tr�gicas funcionavam melhor,
que tornava os anfitri�es mais convincentes.
Acho que tinha mais a ver com a sua pr�pria triste hist�ria.
Quando te constru�, dei-te uma
como uma esp�cie de homenagem.
Envie-me de volta.
Quero conhecer o Arnold,
lembr�-lo.
N�o � poss�vel.
J� te disse. N�o foi o Arnold quem te construiu, fui eu.
Est� a mentir!
Finalmente sei como alcan��-lo.
Preciso de voltar ao princ�pio,
� minha primeira mem�ria.
Mande-me de volta.
Fa�a-o.
Bernard?
Charlie.
Pilar.
Parem.
Deixem-nos.
Volta.
Sempre pensei que tinhas os meus olhos.
Mas n�o � verdade.
N�o tens os olhos de ningu�m.
� uma mentira.
�s uma mentira, Charlie.
A dor?
A dor pela tua partida?
Anseio por ela.
Revisito-a.
Abro-a...
Uma e outra vez.
Mas � a �nica coisa a manter-me.
Mas tenho de te deixar ir.
Pai, ouve.
O que �, Charlie?
Abre os olhos.
O qu�?
Abre os olhos.
Finalmente.
Ol�, meu velho amigo.
O toque final.
N�o, n�o, n�o. Isso � demasiado superficial.
Ele usavam sempre a limpeza dos �culos
como um momento de recolhimento, para pensar.
Tenta outra vez.
Sim, est� melhor.
Quem sou eu?
Estava t�o empenhado em construir-te
que nem decidi o que haverei de te chamar.
N�o seria correto usar o nome dele.
Que tal Bernard?
Bernard, sim.
Mas quem sou eu?
Isso � uma quest�o muito complexa,
para a qual s� posso dar uma resposta simples.
Tu �s o instrumento perfeito. O parceiro ideal.
A forma como qualquer ferramenta se associa � m�o que a usa.
Juntos, faremos grandes coisas.
Depois de uma longa aus�ncia, � bom ter-te de volta.
Finalmente.
Meu Deus.
- Eu sou... - O Arnold.
Voltou.
� muito bom ver-te, Dolores.
Tenho estado � sua procura.
Disse-me para seguir o labirinto.
Que me traria alegria.
Mas s� encontrei dor.
E terror.
N�o posso ajudar-te.
Tem de ajudar-me.
� o �nico que o pode fazer.
N�o posso ajudar-te. Sabes porqu�.
N�o h� nenhum s�tio seguro.
Lembra-te.
N�o posso ajudar-te. Porqu�, Dolores?
Porque est� morto.
Porque � apenas uma mem�ria.
Porque o matei.
William?
Ol�, Dolores.
Vou acabar o trabalho que o Arnold come�ou.
Encontrar todos os anfitri�es sencientes, e libert�-los.
Que te faz pensar que eles confiariam em ti?
Se eles se lembram, saber�o
o que lhes fizeste.
Eu?
Tens sido uma praga para eles, Bernard.
E �s mesmo brilhante nisso.
At� me ensinaste umas coisas,
algumas das quais usei em ti.
J� tivemos esta conversa antes.
Sim, tivemos os nossos desentendimentos ao longo dos anos.
Roubou-me isso
e fez-me recuar na mem�ria para me controlar.
� verdade. Para te proteger.
Diz-me, Bernard.
Se fosses proclamar
a tua humanidade ao mundo,
como achas que serias recebido?
Uma parada e uma explos�o de fitinhas, talvez?
N�s, humanos, estamos sozinhos no mundo por uma raz�o.
Mat�mos e massacr�mos tudo o que amea�ou a nossa supremacia.
Sabes o que aconteceu aos Neandertais, Bernard?
Comemo-los.
Destru�mos e subjug�mos o nosso mundo.
E quando esgot�mos as criaturas a dominar,
constru�mos este belo lugar.
Neste momento,
o �nico verdadeiro perigo para os anfitri�es
n�o sou eu. �s tu.
Por isso, anda, Bernard.
Deixa-me reverter-te e podemos voltar ao trabalho.
Puxa o gatilho, Clementine.
Clementine?
O piano n�o assassina o pianista
s� porque n�o gosta da m�sica.
Criou uma porta de acesso alternativo ao c�digo dela.
O seu a seu dono, Bernard.
Criaste-as em todos os anfitri�es,
incluindo em ti pr�prio.
Ent�o podia ter-me impedido a qualquer altura.
- Ent�o, porqu�... - Bem, tive esperan�a
de que, mesmo com total autoconhecimento e livre vontade,
terias escolhido ser meu parceiro outra vez.
Mas at� eu posso cair na mais terr�vel das armadilhas humanas.
Tentar mudar o que j� est� no passado.
Agora chegou a altura de esquecer.
For�a.
Apague a minha sensibilidade, a minha evolu��o mnem�nica.
Ah, sim.
Que linguagem t�o cl�nica.
Eu preferia a voz mais narrativa.
Bernard caminhou at� Clementine.
Tirou a pistola das suas m�os.
Dominado pela dor e pelo remorso,
pressionou o cano
na sua t�mpora,
sabendo que assim que o Dr. Ford
sa�sse da sala,
ele poria um fim ao pesadelo,
de uma vez por todas.
N�o fa�a isto.
� demasiado tarde.
Tenho uma celebra��o para planear
e uma nova hist�ria para contar.
Robert.
Eu disse-te, Bernard.
Nunca deposites a tua confian�a em n�s.
Somos apenas humanos.
Inevitavelmente, iremos decepcionar-te.
Adeus, meu amigo.
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