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Volta a ligar-te...
Bernard.
A Theresa?
Ela morreu.
Matei-a.
Que fiz eu?
A culpa que sentes,
a ang�stia, o horror, a dor...
� not�vel. De uma incr�vel beleza.
Sou um assassino.
Meu Deus. Meu Deus.
Deus n�o tem nada a ver com isso.
Mataste-a porque...
Eu disse-te para o fazeres.
E devias estar orgulhoso das emo��es que est�s a sentir.
- Orgulhoso? - Sim.
Afinal, foste tu pr�prio o autor de tantas delas.
Quando come��mos, as emo��es dos anfitri�es eram como cores prim�rias.
Amor, �dio.
Eu queria todos os tons interm�dios.
Os engenheiros humanos n�o estavam
� altura da tarefa. Ent�o, constru�-te a ti.
Juntos, tu e eu capt�mos aquela coisa fugidia...
O cora��o.
N�o compreendo.
Eu gostava da Theresa.
Amava-a.
Porque me fez mat�-la?
"A vida ou a morte de um homem
era um pequeno pre�o a pagar
pela aquisi��o do conhecimento que procurava.
Pelo dom�nio que iria ter. "
Toda a beleza que tu e eu cri�mos neste s�tio,
a sua arte, eles t�-la-iam destru�do.
Ter-te-iam destru�do a ti.
N�o permitirei que aconte�a.
Al�m disso, temos uma nova hist�ria para contar.
N�o o ajudarei.
- Destruirei este lugar! - J� chega, Bernard.
J� chega.
N�o �s o primeiro homem a amea�ar-me.
O Arnold sentiu o mesmo que tu.
Tamb�m n�o conseguiu deter-me.
Por muito requintada que seja esta pan�plia de emo��es,
ainda mais sublime � a capacidade
de as poder desligar.
N�o preciso de um simulacro de um homem emocionalmente arruinado.
Preciso que sejas tu pr�prio. Igual a ti pr�prio.
Inteligente, engenhoso e capaz de cobrir as tuas pegadas.
Podes faz�-lo por mim, Bernard?
Como quer que eu proceda?
Preciso que limpes a tua confus�o, Bernard,
Qualquer liga��o que nos implique no imprevisto falecimento da Theresa.
Quando tiveres terminado,
dar-te-ei a coisa que mais queres
neste momento.
Libertar-te-ei das mem�rias
do que tu fizeste.
E da mem�ria da tua rela��o com a Theresa.
Lembr�-la s� iria aprofundar a tua dor
e atrair aten��es indesejadas.
� melhor seguirmos em frente com a cabe�a limpa.
Quando olhares para tr�s,
recordar�s a Theresa
com o carinho de um respeit�vel colega.
E estar�s...
em paz.
�s novo.
N�o est�s muito sujo.
Ganharia o dia se me oferecesses uma bebida
e me deixasses mostrar o que h� l� em cima.
O que h� l� em cima?
Uma vista estonteante das minhas atrac��es mais populares.
Dois shots de gim.
E tudo o mais que esta criatura celestial desejar.
- O habitual, Clem? - Obrigado.
Este tipo n�o demora muito.
Estarei de volta num instante.
H� algum problema, Maeve?
Que raio se est� a passar comigo?
Num momento, estou com uma rapariga
numa vida diferente.
Consigo v�-la.
Sentir-lhe o cabelo nas minhas m�os, a respira��o no meu rosto.
No momento a seguir, estou de volta a Sweetwater.
N�o consigo perceber quais das vis�es � real.
Isso � o que acontece
quando andas a brincar com o teu c�rebro.
A tua mente n�o � como a nossa.
Quando nos recordamos, os detalhes s�o nebulosos,
imperfeitos.
Mas tu recordas as tuas mem�rias de forma perfeita.
Voltas a viv�-las.
Que aconteceu � menina dos meus sonhos?
Ela ainda est� algures no parque?
E porque fui eu destacada para outro posto?
Posso verificar.
N�o.
N�o interessa.
Cada rela��o que eu recordo...
A minha filha, a Clementine...
� apenas uma hist�ria criada por voc�s para me manter aqui.
Mas isso j� n�o vai resultar.
Vou-me embora.
E para onde vais?
N�o sabes nada do mundo l� fora.
Sei que n�o serei uma marioneta a viver uma mentira.
Para mim � suficiente.
Est� bem. Vai, ent�o.
Tamb�m n�o te poder�amos impedir.
Sylvester, decepcionas-me.
A coluna vertebral de todos os anfitri�es, incluindo a minha,
tem uma carga explosiva que detonar�, caso tente sair.
N�o � verdade?
Uma medida de seguran�a.
Em que v�rtebra � que est�?
C6.
Mas precisarias de uma reconstru��o total para a substituir.
De certeza que isso se arranja.
Mesmo que funcionasse,
ainda precisarias de um ex�rcito para for�ar a sa�da daqui.
Exactamente.
Precisarei de aliados.
Para os conseguir,
precisarei de privil�gios administrativos.
Est�s a brincar?
N�o podemos dar-lhe controlo sobre os outros anfitri�es.
Podes, sim, querido.
Chegou a altura de escrever a minha pr�pria hist�ria.
Sinto que j� estive aqui.
Estamos perto.
Perto de qu�?
De casa.
Dolores.
A Na��o Fantasma deve t�-los encontrado.
Eles v�o voltar.
� melhor continuarmos, Dolores.
Menina...
�gua.
William?
Por favor.
D�-me a cantina.
William.
Foste enviado aqui por nossa causa, n�o foste?
Fazes parte da emboscada.
Sim.
Disse-nos para esperarmos no local pelo El Lazo,
caso ele fugisse.
Como � que sabias do comboio?
Recebi a mensagem em Pariah.
O novo recruta disse-lhes que um homem e uma mulher
nos tinham tra�do, juntamente com o Lazo.
Recebemos ordens para vos matar a todos.
Logan.
Temos de ajud�-lo.
Acabou de admitir que nos ia matar.
Olha para ele, � uma crian�a.
Nem sabe porque est� a lutar.
Vou buscar mais �gua.
Ele est� nos limites.
Estar� morto em minutos. N�o podemos esperar, Dolores.
Ainda n�o morreu.
Est� a sofrer, William.
Que tipo de pessoas ser�amos n�s se o deix�ssemos aqui a sofrer?
N�o me deixem, por favor.
Vem encontrar-me.
William?
Ele morreu.
Encontr�mo-la em Python Pass,
no fundo de uma ravina.
A mesma ravina onde descobrimos o lenhador que se perdeu.
Jesus, Theresa.
A fam�lia dela foi notificada?
Sim. O irm�o.
�ptimo.
Que raio lhe aconteceu?
As pesquisas das equipas m�dicas e de emerg�ncia
s�o preliminares, mas consistentes.
Parece ter escorregado e ca�do.
Sofreu uma fractura cervical e um hematoma massivo.
N�o havia nenhum h�spede ou anfitri�o quando aconteceu.
Alguma ideia sobre o que ela andava ali a fazer?
Nada que encaixe no seu perfil.
Isto foi encontrado perto do corpo.
Est� carregado com um conjunto de dados propriet�rios,
incluindo o c�digo-base de alguns anfitri�es.
S� funciona em altitudes elevadas.
Se a Theresa o estava a usar,
� poss�vel que tenha ca�do quando os tentava transmitir.
Tivemos problemas no passado
com terceiros a tentarem extorquir
ou subornar funcion�rios por pacotes semelhantes.
Sabemos a quem se destinavam os dados?
N�o, a transmiss�o nunca foi enviada.
A Theresa pode ter tentado usar o lenhador como transportador.
Quando isso falhou,
pode ter tentado fazer pessoalmente a transmiss�o.
E sofreu o mesmo destino.
� um final decepcionante da sua hist�ria, n�o �?
Eu conhecia bem a Theresa.
Podia ter falhas, mas a deslealdade n�o era uma delas.
Ela era leal.
E cuidadosa.
Tudo isto n�o parece pr�prio dela.
Ela parecia muito preocupada com a nova narrativa.
Estava convencida de que seria melhor adi�-la.
Isso com certeza ajuda a explicar a Clementine,
o anfitri�o que removemos.
Parece que a demonstra��o de ontem foi um embuste
concebido pela menina Cullen.
- Foi? - Examinei o c�digo.
Tinha sido alterado.
Dei com umas desastradas impress�es digitais
deixadas por um dos t�cnicos do Comportamento.
Quando se descobre um cancro na organiza��o,
deve ser removido antes de se espalhar.
Para esse efeito, o dispendioso acesso
e a supervis�o concedida ao QC ter� de ser controlada
at� que uma equipa nova, mais �ntegra, possa ser estabelecida.
Isso vai deixar-nos com gente a menos.
Eu posso automatizar muitos dos protocolos de seguran�a do parque.
Muito eficiente da sua parte.
D� algum trabalho,
mas com a ajuda do Bernard deverei ser capaz de o fazer.
Ele ser� reintegrado como chefe do Comportamento,
agora que tom�mos conhecimento das manipula��es da Theresa.
Claro, com as minhas desculpas.
Passa-se alguma coisa. O cerco aperta-se.
- H� uma investiga��o. - Sobre n�s?
E achas que eu estaria aqui a contar-te, idiota?
� outra coisa. Um acidente qualquer no parque.
Temos de despachar isto. Fingir que est� tudo normal.
Significa que precisamos do tablet de volta.
E tu, volta a fingir-te de parva.
Aprendi o que precisava.
Boa. Ent�o provavelmente j� percebeste
que podes brincar com a tua personalidade como quiseres,
mas n�o vais poder sair daqui.
Podes chegar at� � porta,
mas nem um passo a mais.
As coisas que precisas mudar est�o de tal forma gravadas
no teu c�digo-base que ningu�m lhes pode tocar.
� engra�ado que menciones isso.
Partes de mim s�o bastante antigas.
H� algumas formas estruturais elegantes,
uma esp�cie de beleza recorrente,
mas complexa, como duas mentes a discutir uma com a outra.
H� coisas em mim,
coisas para as quais fui concebida
que est�o fora do meu alcance.
Quase parecem estar dormentes.
Quem � o Arnold?
N�o sei, querida,
mas sejam quais foram as tuas partes dormentes,
v�o continuar assim.
Tudo o que aqui o Lutz pode fazer � aumentar o teu sentido de humor
em rela��o � doida varrida que �s.
Alguma coisa mais profunda, ter�s de ir ao Comportamento.
Portanto, vai chantagear os t�cnicos de l�.
E assim passas a ser o problema de outra pessoa.
N�o tenho tempo para isso,
por isso vou precisar que me levem l�.
Mas � que nem pensar!
H� uma aberta durante a mudan�a de turno.
Ningu�m vai reparar.
As coisas que preciso que mudes s�o um bastante sofisticadas,
mas eu escrevo-as para ti.
E depois, como disseste...
Passo a ser o problema de outra pessoa.
Est� bem, fazemos o seguinte.
Levamo-la ao Comportamento. � a nossa �nica oportunidade.
Vais faz�-lo?
Foda-se, n�o! N�o...
Quando fazes uma actualiza��o de sistema, ela desliga-se, certo?
- Sim. - Sim. E depois damos cabo dela.
O qu�?
Apagamos tudo. Um novo come�o.
Depois atiramo-la para aqui outra vez,
esmagamos-lhe a cabe�a com qualquer coisa
e depois dizemos 'Ai ela chegou c� assim'.
Est� acordada,
viva.
Tu � que causaste isto.
Seja o que for em que nos meteste,
sou eu que vou safar a coisa.
Levamo-la l�, depois apagamo-la.
Mant�m-te atento.
Os homens do Wyatt podem aparecer a qualquer momento.
Estamos no territ�rio dele, agora.
Espero bem que sim.
Porque se n�o estivermos, andamos a desperdi�ar tempo que n�o tenho.
Segundo diz, o Wyatt tem a mulher que amo.
Se houvesse um atalho pelo Inferno, pode ter a certeza que ia por a�.
Estou certo de que deve haver algum atalho desses no parque.
S� que n�o te lembras, porque a �nica coisa que recordas
� a merda que o Ford te diz para recordares.
Se calhar � melhor assim.
Sei tudo o que preciso.
A minha vis�o � clara.
Sempre admirei a tua determina��o, Theodore.
S� que nunca compreendeste que o jogo est� viciado.
Est�s aqui para ser o perdedor.
Perdedor.
Est�s a ver, a casa ganha sempre.
Bem, isto parece prometedor.
N�o vou magoar-te.
N�o vou magoar-te.
�s tu.
Pensei que j� te tinham reformado.
Imagino que o Ford n�o gosta de desperdi�ar uma cara bonita.
Quem te fez isto?
Os homens do Wyatt.
Mataram toda a gente.
� o estilo do Wyatt.
Estava l�, na primeira vez.
Destruiu o meu mundo.
Teddy.
N�o!
N�o!
Pai!
Teddy, vai buscar o machado!
N�o consegues lembrar-te de nada,
mas conseguiste conduzir-nos ao pessoal do Wyatt.
O homem deve andar por perto.
Na verdade, lembrei-me de alguma coisa.
De ti.
Ao fundo do corredor, quinta porta � esquerda.
Espera.
De certeza que consegues?
Vamos l� despachar isto!
Agora temos de desligar o teu sistema.
Sylvester.
Boa sorte.
Est� desligada?
Boa. Vamos dar cabo desta cabra e sair daqui para fora.
A maior vergonha na vida
� morrer sem prop�sito.
Por isso � que consumo as minhas v�timas quando est�o frescas.
H�midas.
Tenta: "Consumo as minhas v�timas h�midas".
Outra vez agora, com sentimento.
Quase sensual.
Interrompo?
N�o, n�o. Pelo contr�rio.
Esperava voltar a v�-la.
Queria... Queria pedir desculpa.
O nosso primeiro encontro foi em circunst�ncias t�o infelizes.
Por oposi��o ao actual?
Claro. Aceite as minhas condol�ncias.
� terr�vel o que aconteceu � Theresa.
Mas � uma perda devastadora para todos os seus amigos aqui
e para a empresa, como um todo.
Sem d�vida. Sem d�vida.
Mas diz-se por a�
que ela n�o era t�o leal � empresa como parecia.
Ouvi dizer que andava a passar segredos.
A Theresa n�o era uma traidora.
Tudo o que ela fez foi a pedido da empresa.
Ela escorregou e caiu enquanto ajudava a administra��o
numa coisa muito importante.
O qu�?
Est� bem.
N�o � a �nica com segredos.
O Ford pediu-me, em pessoa,
que lhe criasse um vil�o para a sua nova narrativa.
� muito... secreto.
Acha mesmo que o Ford lhe passava para as m�os
algum personagem-chave da sua narrativa?
Ele j� quase a terminou.
Desenterrou uma cidade velha na periferia do parque,
criou uma horda de homens mascarados para aterrorizar os h�spedes
e anunciou a chegada
de um grande vil�o chamado Wyatt.
Esse n�o � o Wyatt.
Esse � insignificante.
Mas felizmente para si, senhor Sizemore,
penso que est� pronto para um trabalho a s�rio.
Trabalhar para si?
Em qu�?
"Mostra, n�o contes. "
N�o � isso que voc�s, escritores, preferem?
Sei que tu e ela
tiveram uma simpatia m�tua inter-esp�cies assim para o esquisito,
mas ela � um anfitri�o.
Isto nunca terminaria de outra forma.
E esta � a forma menos dolorosa de ela partir.
Sabes, salvei-te o coiro.
Nem sequer dizer "Obrigado".
- Obrigado. - Foda-se!
- Que fizeste tu? - Precisamente o que lhe pedi.
Pensas que n�o sei o que ias fazer?
Mesmo em 14, nunca estiveste � minha altura.
Acontece que o teu amigo tem mais compaix�o do que tu.
Ele n�o seria capaz de ceifar uma vida assim.
Agora...
Queres saber ao certo o que ele me deu?
Qualquer coisa que te permita sair daqui
e da minha vida para sempre?
Fixe. Porreiro, estou nessa.
Mud�mos um bocado mais do que isso.
Estivemos a mexer no meu c�digo-base.
Deixa-me mostrar-te.
Disseste que n�o magoarias ningu�m.
Querido...
Tu, mais que do qualquer outro, sabes como posso ser trai�oeira.
Espera at� eu voltar l� acima
e praticar os meus outros novos talentos.
Vamos.
Podemos precisar dele.
Fica quieto.
Fica quieto!
Chegou a hora de recrutar o meu ex�rcito.
- Esperas algu�m, Maeve? - Sem d�vida.
Estamos � espera de alguns convidados do exterior.
Uma velha paix�o com um fasc�nio por arrombar cofres.
Espero que os teus h�spedes tenham os bolsos fundos.
A tua conta est� mais alta do que a pulsa��o de um bandido numa igreja.
N�o, acho que n�o est�.
Na verdade, a conta da Maeve
estava t�o controlada
que ela mereceu um gesto de gratid�o.
Que tal uma rodada dupla por minha conta?
Da prateleira de cima, claro.
Foge!
Maeve, passa-se alguma coisa?
N�o, estou bem.
A Clementine levou as outras raparigas
e serviu os rec�m-chegados na mesa mais afastada,
para uma vista estonteante
das suas atrac��es mais populares.
Por conta da casa.
Voc�s s�o novos.
Nem sequer est�o sujos.
E o empregado de balc�o
lembrou-se de repente que tinha u�sque nas traseiras
para diluir na �gua.
Mesmo a tempo.
Se vens � nossa cidade
na companhia de homens armados,
tens de dizer o que pretendes.
Desordem.
O xerife concluiu que os cavaleiros
eram cidad�os honrados e tementes a Deus.
Os marshals decidiram praticar
tiro ao alvo um com o outro.
Obrigado por teres lidado com uma situa��o infeliz.
Agora podemos retomar
o trabalho na nossa nova narrativa sem interfer�ncia.
E a Hale?
Ela n�o ser� um impedimento?
N�o duvido que tente.
Mas estou certo de que conseguirei mant�-los � dist�ncia.
Mais alguma coisa o preocupa.
Sempre um estudante da natureza humana.
Pergunto-me: o que sentes realmente?
Afinal de contas, neste momento, est�s numa posi��o �mpar.
Um programador que conhece intimamente
como funcionam as m�quinas
e uma m�quina que conhece a sua verdadeira natureza.
Percebo do que sou feito,
como sou codificado,
mas n�o compreendo as coisas que sinto.
S�o reais,
as coisas que experimentei?
A minha mulher?
A perda do meu filho?
Todos os anfitri�es precisam de uma hist�ria de fundo, Bernard.
Sabes disso.
O ego � uma esp�cie de fic��o,
tanto para os anfitri�es como para os humanos.
� uma hist�ria que dizemos a n�s mesmos.
E todas as hist�rias precisam de um princ�pio.
O teu sofrimento imagin�rio faz com que pare�as ter vida.
Ter vida. Mas n�o estou vivo?
A dor s� existe na mente. � sempre imaginada.
Portanto, qual � a diferen�a entre a sua dor e a minha?
Entre n�s?
Esta foi a mesma quest�o
que consumiu Arnold,
enchendo-o de culpa,
e levando-o � loucura.
A resposta sempre me pareceu �bvia.
N�o existe nenhum limite
que nos fa�a melhores do que a soma das nossas partes.
Nenhum ponto de inflex�o
a partir do qual nos tornamos completamente vivos.
N�o conseguimos definir a consci�ncia
porque a consci�ncia n�o existe.
Os humanos gostam de acreditar que existe algo de especial
na forma como percepcionamos o mundo.
No entanto, vivemos em ciclos,
t�o apertados ou fechados como os dos anfitri�es.
Raramente questionamos as nossas escolhas,
satisfeitos, na maior parte, por nos dizerem o que fazer a seguir.
N�o, meu amigo, n�o est�s a perder nada.
N�o quero que te sintas perturbado por isto.
Est� na altura de relaxar a tua mente.
Uma �ltima coisa.
J� alguma vez me tinha feito magoar algu�m assim?
N�o, Bernard. Claro que n�o.
O melhor � n�o te focares nessas mem�rias inquietantes.
Caso contr�rio, poder�s ser atra�do por elas.
Poder-te-�s perder nelas,
como alguns dos teus anfitri�es se t�m perdido,
de vez em quando.
Este � o caminho.
Eu sei.
Estamos aqui.
Estou em casa.
Muito bem, Maeve.
Lindo trabalho.
Fica com o teu parceiro.
� um prazer ver-te.
Bom dia.
Encontraste o que estavas � procura, Dolores?
Que est�s a fazer?
Est�s bem? Estava a chamar-te e continuavas a seguir em frente.
Onde estamos?
Estamos aqui, juntos.
Ent�o, quando estamos?
Isto �... o presente?
Estarei a enlouquecer?
Ser�s real?
Claro que sou real.
J� n�o sei distinguir.
� como se estivesse...
presa num sonho ou...
numa mem�ria muito distante.
Num minuto estou aqui contigo e no outro...
Este s�tio n�o � bom para ti.
Est�s presa em mem�rias. M�s mem�rias.
� isto que o Arnold quer.
Ele quer que eu recorde.
Seja quem for o Arnold, ele n�o est� aqui agora.
Eu estou.
Vou tirar-te daqui para fora.
Tinha a certeza de que era este o lugar.
Arnold iria encontrar-se comigo aqui.
Iria ajudar.
Temos de te levar para mais perto de Sweetwater.
Aqui t�o longe, � como se tu...
come�asses a ficar avariada ou assim.
Uma unidade de reconhecimento da Uni�o?
Talvez nos possam levar de volta.
Calma.
Bem, bem, bem.
Billy.
H� dias que ando � tua procura.
Voc�s est�o os dois est�o mesmo fodidos.
Isto n�o devia deix�-lo desconfort�vel.
� o ciclo da vida...
Ou uma aproxima��o dele.
At� os mortos cumprem um prop�sito.
Ele serve.
Que est� a transferir?
35 anos de dados importantes.
Mais informa��o do que qualquer disco r�gido conseguiria guardar.
O c�rebro de um anfitri�o, contudo,
especialmente um vazio,
como o deste pobre diabo, tem uma enorme capacidade.
Os dados que est� a transferir... � o c�digo dos anfitri�es?
A partir deste momento, isto n�o lhe diz respeito.
O que lhe diz respeito
� dar-lhe algo parecido com uma personalidade
e met�-lo no comboio,
para fora do parque.
E como � que eu farei isso?
Voc� � um escritor. Invente uma hist�ria.
Divirta-se a programar.
Lembre-se que a brevidade � a alma da sagacidade
Bernard.
Oi�a, eu...
Sei que voc� e eu nem sempre concord�mos,
mas achei que a decis�o de o despedir
foi de vistas curtas.
Por isso, estou contente por o ver de volta ao trabalho.
Dito isto, ningu�m o poderia censurar
se quisesse tirar um dia s� para si.
O trabalho tranquiliza-me.
�s vezes, a rotina � o melhor rem�dio.
Mas n�o h� nada de rotineiro hoje.
Sei que isto deve ser dif�cil para si.
Desculpe, n�o percebo.
Perdoe-me a intrus�o,
e voc�s eram ambos discretos,
mas faz parte do meu trabalho saber essas coisas.
S� queria dar-lhe o meu apoio.
Receio que tenha a ideia errada.
Respeitava a Theresa, e o que lhe aconteceu foi tr�gico,
mas, para ser honesto, mal a conhecia.
Se n�o se importa, vou voltar para o trabalho.
Claro.
Sei que est� com pessoal a menos.
Por falar nisso,
sabe alguma coisa da Elsie Hughes?
Deixei-lhe mensagem esta manh�,
para a notificar sobre a Theresa,
mas ela nunca me respondeu.
Tenho a certeza de que ela s� est� a gozar a folga.
Os homens do Wyatt...
estavam a sussurrar.
Diziam que este mundo n�o pertencia nem aos velhos colonos nem aos novos.
Que pertencia a algo ainda por vir,
que lhe pertencia a ele.
Tu lembras-te.
Parece que voc�s os dois est�o juntos
na nova narrativa.
Nesta terra costuma dizer-se...
As �nicas pessoas que sobrevivem s�o homens de convic��o.
A minha � salvar Dolores ou morrer a tentar.
A do Wyatt � reivindicar esta terra
ou destru�-la por completo.
Mas a tua...
A tua sempre foi um mist�rio para mim.
Depois de todo este tempo juntos,
continuo sem saber quem �s tu, realmente.
Mas felizmente, durante a tua convalescen�a,
tive tempo para considerar a melhor maneira de te fazer falar.
Dolores...
Eu lembro-me.
Tu levaste-a. Magoaste-a.
Est�s mesmo a lembrar-te.
Onde est� ela?
- Diz-me! - �s mesmo um idiota, Teddy.
Achas que a Dolores deixa cair aquela lata para ti?
S� a entregas a tipos como eu.
�s o pior deles todos.
Um chulo glorificado.
- Vou matar-te lentamente. - N�o, n�o vais.
As regras deste s�tio impedem-to.
Mas eu sei como mud�-las.
Falas como se fosses dono deste mundo.
N�o apenas deste.
Queres saber quem eu sou?
Quem eu sou, realmente?
Sou um deus.
Um tit� da ind�stria.
Filantropo.
Um homem de fam�lia,
casado com uma bela mulher,
pai de uma filha linda.
Eu sou o bom da fita, Teddy.
Ent�o, no ano passado,
a minha mulher tomou os comprimidos errados.
Adormeceu no banho.
Um tr�gico acidente.
30 anos de casamento, desaparecidos.
Como � que voc�s dizem?
"Como um sonho distante e profundo. "
Ent�o, no funeral
tentei consolar a minha filha.
Ela afastou-me,
disse-me que a morte da minha mulher n�o tinha sido um acidente...
Que ela se tinha suicidado
por causa de mim.
A Emily disse que todos os dias comigo tinham sido de puro terror.
A qualquer altura, podia explodir ou colapsar,
como uma estrela ou...
Tamb�m as magoaste?
Nunca.
Nunca viram nada do homem que eu sou aqui.
Mas ela sabia, de qualquer forma.
Disse-me que se eu empilhasse todas as minhas boas ac��es,
seria apenas um muro elegante para eu esconder
o que est� dentro de mim,
das pessoas e de mim.
Tinha de provar-lhe que estava errada,
portanto regressei aqui.
Porque � isso que este lugar faz, n�o �?
Revela o teu verdadeiro eu.
Mas daquela vez, n�o me juntei a uma das hist�rias do Ford,
criei a minha pr�pria.
Um teste.
Um teste muito simples.
Encontrei uma mulher,
uma dona de casa vulgar e a filha dela.
� melhor acalm�-los antes que passem
do jogo e da prostitui��o para... - Diverte-te com isso.
Eu vou sair daqui, finalmente.
A casa � tua.
Queria saber se seria capaz
de fazer alguma coisa mesmo mal�fica.
Ver do que � que eu era realmente feito.
Maeve?
N�o podes mesmo ficar por aqui?
Maeve?
O pistoleiro gosta de fazer a tr�s...
Com certeza que podes encontrar outra...
Matei-a, a ela e � filha.
S� para ver o que sentia.
Ent�o, quando pensei que estava tudo acabado...
A mulher recusou-se a morrer.
�s um animal.
Um animal teria sentido alguma coisa.
Eu n�o senti... nada.
E ent�o qualquer coisa de miraculosa aconteceu.
Em todos os anos em que vim aqui,
nunca tinha visto nada assim.
Ela estava viva,
realmente viva,
mesmo que por um s� momento.
E foi a� que o labirinto se revelou para mim.
O labirinto.
Que tem aquele padr�o a ver com isto?
Tudo.
No jogo do Ford, mesmo que eu esteja na periferia mais distante,
n�o podes matar-me.
Nem sequer consegues deixar-me uma marca.
Mas h� um jogo mais profundo aqui, Teddy.
O jogo do Arnold.
E esse jogo...
� profundo.
Estamos a ter um problema de comportamento com a madame.
Ela n�o est� a responder e os outros anfitri�es
n�o est�o a conseguir intercept�-la.
Autorizei uma equipa a ir recuper�-la.
Est� bem.
A minha beb�!
A minha beb�!
Senhor, ela n�o responde a comandos verbais.
- N�o a conseguimos desligar. - Deixe-nos. Evacua o andar.
J� chega, Maeve. J� chega.
A minha beb�. Ele matou-a.
- Ele tirou-a de mim. - N�o compreendo.
N�o responde a nada.
A percep��o dela est� fragmentada.
Ele matou-a. Ele matou-a. A minha beb�.
Ele tirou-a de mim.
Pronto. Est� melhor.
Um velho truque de um velho amigo.
N�o precisas de sofrer, Maeve.
Vou tir�-lo de ti.
N�o.
N�o, n�o, n�o, por favor.
Esta dor...
� tudo o que me resta dela.
Por favor.
Pronto.
Entrega-te a um sono profundo sem sonhos.
Talvez um recome�o,
um novo papel para ti.
E amanh�
isto ser� apenas um sonho distante.
Localiz�mo-la.
O Comportamento quere-a l� em baixo para um diagn�stico imediato.
Achas que me falta convic��o?
O Wyatt n�o destruiu o meu mundo.
N�o precisava.
Deixei-o para tr�s, por este.
O labirinto � tudo o que interessa, agora.
E vencer o Wyatt � o �ltimo passo para destranc�-lo.
Para ter o que falta em ambas as nossas desgra�adas vidas: sentido.
Para dar consequ�ncia �s nossas escolhas...
Mesmo que nos mate.
Mata-o.
D�-lhe o que ele quer.
Est� amarrado. Desarmado.
Tal como a menina que matou.
Ele � pior que os homens do Wyatt.
N�o consigo.
Estas coisas levam tempo.
Mas n�o nos resta muito.
Talvez te possa ajudar.
Andaste desaparecido muito tempo, Theodore.
Chegou a altura de regressares ao grupo.
O Wyatt vai precisar de ti, brevemente.
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