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O enigma
Quem o desafia, n�o tem coragem.
A quem falta, sente-se bem.
Quem o possui, amargamente pobre.
A quem exitoso �, debilitado est�.
Quem o oferta, petrificado �.
Quem o ama, solit�rio fica.
INSTITUTO BENJAMENTA
OU ESTE SONHO QUE CHAMAMOS DE VIDA
A BEATIFICA��O DO ZERO
AS REGRAS EST�O ACIMA DE TUDO
H� tempos algo me acerca.
Por todas as partes, perdura uma sonol�ncia nestes corredores...
...e coisas ainda inconceb�veis continuam a ocorrer.
Este conto de fadas finalmente lhe dir�.
INSTITUTO BENJAMENTA Escola para servi�ais
Gostaria de me inscrever.
Se inscrever?
Certamente.
Siga-me...por favor.
AS REGRAS EST�O ACIMA DE TUDO
Senhor Benjamenta, estou aqui para inscrever-me.
Estes s�o nossos alunos...
...que introduzi na Europa!
Nome...
Data de nascimento...
Etc�tera... Etc�tera... Etc�tera...
Etc�tera...
Von Gunten.
Jakob.
Faltam alguns pequenos detalhes, Senhor Von Gunten
Eu...pe�o para ingressar no instituto Benjamenta,
como aluno.
Para adquirir os conhecimentos necess�rios para converter-me em um criado...
...j� que n�o tenho... grandes ambi��es na vida.
Espero...estou quase seguro...
...que sou apto...
...espero que...estou quase seguro... de alguma maneira para servir algu�m nesta vida.
Algu�m nesta vida...
Jakob von Gunten gostaria de afirmar que...
...queria dizer que n�o importa o que ordene fazer a ele...
...pois � uma ordem a cumprir.
A mod�stia dele n�o tem limites.
Ainda bem que tens cabelo curto.
H� uma invas�o de carrapatos em uma floresta pr�xima.
Deves renunciar a toda ideia de tratamento diferencial.
Todos s�o iguais aqui.
Pode ir agora, Von Gunten,
As li��es da vida j� come�aram.
N�o recebo um comprovante?
Sai! Fora!
Eu me refiro ao seu manual.
O cap�tulo intitulado "O divino dever dos criados"
Obrigada.
Jakob von Gunten
Bom.
Senhor Jakob, estes s�o seus companheiros.
POUCO, MAS INTENSAMENTE
Um:
O servi�o � um bonito jardim repleto de flores.
Precisamos memorizar as regras.
H� apenas uma regra aqui.
Repetida sem cessar.
Incessantemente...
Aprende-se muito pouco aqui...
...e nenhum de n�s ir� progredir muito.
Mais tarde na vida...
...todos alguma coisa...
....muito pequena...
...e...
...subordinada.
Suas orelhas vibram como uma harpa ao som da ordem...
...e fechados - vedados - seus l�bios est�o o tempo inteiro.
Exceto para dizer:
"Sim, senhor!", "Imediatamente,senhor!" "Claro, senhor!"
P�gina seguinte.
Senhor Jakob, por gentileza nos acompanhe na pr�xima vez.
Tr�s:
"A satisfa��o de seu dono dever� ser o para�so do criado,...
...caso contr�rio, um inferno devastador".
REFEIT�RIO
N�o posso...n�o posso... N�o posso comer isto... � imposs�vel.
Eu n�o irei...n�o irei... n�o irei me levantar...
...at� que me prometa um dormit�rio decente.
Senhora Benjamenta, lhe rogo!
Voc� nunca ir�...nunca, nunca, nunca...
...ter� que queixar-se de minha conduta novamente.
Tem certeza? Voc� nunca mais ir� reclamar?
Quanto esc�ndalo! Deves saber onde p�r a cabe�a.
Venha.
Este quarto lhe conv�m?
Bom... � pequeno.. e a janela mal merece a denomina��o...
N�o h� cortinas,...
...mas se incomode, Senhora, eu gostei.
Ainda que nunca mais veja o sol,...
eu gostei.
Obrigado.
Bem...agora meus camaradas certamente ficaram ofendidos.
Agora aquiete-se, Sr. Jakob!
As aulas come�am �s 8. Kraus vir� lhe buscar.
Boa noite.
N�o devo deixar que ningu�m venha me buscar...
...e nunca irei buscar qualquer um.
Por que n�o pode haver luz na luz...
...ao inv�s da escurid�o?
Talvez nunca deva fixar ra�zes ou galhos.
Um dia, alguma fragr�ncia escapar� de meu ser...
...e florescerei.
Inclinarei minha cabe�a, meus bra�os e minhas pernas amolecer�o.
Tudo ir� murchar�...
... e estarei morto.
N�o literalmente morto,..
...mas apenas de uma certa maneira.
Morto.
E logo seguirei morrendo ao longo dos pr�ximos,digamos, sessenta anos.
Em lugar de envelhecer, rejuvenes�o.
Aquele que cr� na possibilidade disto ser� feliz por toda a sua vida.
Um dia, grossos flocos de neve cair�o no p�tio do castelo.
Para viver o inverno aqui...o inverno apenas. Quando come�ar a nevar...
Nevar� sobre n�s t�o docemente,...
...t�o intensamente...
...em tal dimens�o...
Sil�ncio.
A vida n�o tem come�o, nem fim. Tudo em um cinza nevoento.
N�o mais o c�u... N�o mais o ar...
N�o mais ruas...
Conhecer o mundo.
�s vezes h� mais vida escondida na abertura de uma porta..
...que em uma pergunta.
O passado e o futuro giram ao redor da gente.
Agora sabemos mais.
Agora sabemos menos.
PARA A FLORESTA DOS CERVOS.
O PERP�TUO MOVIMENTO EXIGE A MORALIDADE
O que era o instituto antes de ser o Instituto?
EJACULA��O EMPOEIRADA DE UM CERVO (Em �poca de cio)
POR FAVOR, INSPIRE.
Estar� a vida planejando esquemas mais sutis que o meu?
POUCO,MAS INTENSAMENTE
Ainda acredito que o que a senhora Benjamenta ensina...
...vale a pena saber.
N�o � muita coisa... E n�s estamos sempre revisando.
Talvez h� algum sentido oculto em todo este nada.
Nos assenhoramos de uma coisa...
...e isto � a �nica coisa que temos.
N�o possu�mos algo, � algo que nos possui.
A ORDEM � A PRIMERA LEI DO PARAISO
"Senhor, resgatei o gato em uma grande �rvore no jardim"
"Senhor, resgatei o gato em uma grande �rvore no jardim"
"Cuidado! Visconde, o campan�rio n�o � seguro!"
"Cuidado! Visconde, o campan�rio n�o � seguro!"
"Alteza, n�o coma este bife, �..."
"Alteza,n�o coma..."
"O instituto n�o � um local para seus vis caprichos, senhora duquesa."
"Por favor, remova vossa m�o de meu joelho!"
"Acorde! Acorde, senhora duquesa! O quarto do beb� est� em chamas!"
"Acorde!...
Acorde! Acorde, senhora duquesa! O quarto do beb� est� em chamas!"
"Entreguei os meninos ao chefe da brigada dos bombeiros...
...n�o � preciso preocupar-se, olhe...
...tenho apenas ligeiras queimaduras no lado esquerdo...
V� com as crian�as, n�o se preocupe comigo..."
"Sim, o perd�o por n�o saber o que fazer."
"O perd�o, Sua Alteza, por n�o saber o que fazer"
Kraus, comporte-se como se planejasse ficar por mais um s�culo aqui.
A palavra 'esperar' deve estar gravado em seu cr�nio.
Como est�, Jakob? Voc� est� bem? Acomodado o suficiente?
Claro, sra. Obrigado.
E est� bem com os outros estudantes?
Respeito a todos, sem exce��o.
Ainda h� pouco estava rindo de Kraus,n�o �?
Escute-me Jakob, Deus ofertou um Kraus a este mundo...
...para fixar um profundo e insol�vel enigma.
Este enigma nunca ser� entendido, porque n�o h� uma �nica pessoa viva.
O que eu acho que exista...um delicado significado...
...detr�s deste inomin�vel, monossil�bico e discreto Kraus.
Nada lhe � grato. N�o h� necessidade de gratitude.
Kraus nunca levantara voo,...
...pois dever� haver vazias e am�veis dificuldades confrontando-o.
Talvez eu...
...seja a �nica pessoa que realmente entende Kraus.
O que Kraus representa...
...ou o que representou.
O modo como os alunos vivem aqui...
Estas s�o as c�maras internas?
Poderei alcan��-las?
Inomin�vel,...
...monossil�bico,...
...e discreto,...
...Kraus.
Me diga,...
...N�o acha a vida aqui...
...est�ril?
Minha mente est� morrendo.
Perdoe-me por falar t�o...
...intimamente.
Por ser t�o fraco.
Voc� provavelmente deve estar rindo de mim �s escondidas...
Mas, aten��o!
V� esta parede?
Poderia arremess�-lo contra ela t�o violentamente...
...que nunca mais veria ou escutaria!
Mas n�o tenha medo.
Eu poderia lhe fazer mal...
� agrad�vel falar contigo...
...como se fossemos parentes.
Tua forma de falar,...teus gestos,...
...tua boca...
Tudo.
� delicioso comportar-se desta maneira t�o...
...eu diria, fr�gil...
Pense:
Eu...voc� deve...
...confessar-me ante a ti!
Meu pequeno e pat�tico verme,...
...poderia lhe esmagar, se assim quisesse.
D�-me a tua m�o.
Bom...
Devo dizer-lhe...que ganhou minha admira��o.
E agora...
...tenho que pedir-te algo.
Voc� poderia...
...gostaria de ser meu confidente?
Um pequeno guardi�o...de meus segredos?
Estou lhe perguntando.
Pare e pense um pouco.
Por favor, v�... N�o agora, Jakob!
Est� na hora.
Tr�s horas e um quarto.
A mesma coisa.
Sem cessar.
No momento em que pus meus olhos nesta figura,...
...sabia que se tratava de Jesus.
Em pessoa, em p� diante de mim.
Porque...n�o estava morto!
Estava diante de mim, em meio a neve,...
...ternamente...
...com seus...
...celestiais, mas t�midos olhos.
Ambos iluminados.
Cheios de uma maravilha...
...e terr�vel luz.
Fechei todo o meu ser nesta apari��o.
Perguntei-me: O que fazia Jesus?
Aqui,...
nos confins da cidade,...
haver� realmente algo que ele possa fazer neste mundo...
algo que ele possa se ocupar?
E se sim...
Qual seria a maneira mais prov�vel escolhida por ele...
para revelar-se a n�s?
E um belo e grande zero para voc�.
Olhe!
O sol!
Nossa planta!
Que lindo!
Johannes, s�o uma e quinze.
Ele sempre atinge nosso planeta nesta hora.
Planta, eu disse.
Sim, planeta.
Porque n�o h� mais nenhuma esta��o verdadeira por aqui?
Johannes, nunca mais conversamos...
Lisa,...
pessoas que se conhecem t�o bem como n�s dois...
n�o precisam conversar � toa.
Quem poderia conhecer a n�s dois sen�o n�s mesmos?
Irm�o e irm�, eu digo.
Branca de neve...
esperando que a vida a reviva.
Lisa...
Morte!
Ser nada mais do que morte e sorriso!
Como eu me aque�o debaixo deste sol!
Eu que nunca conheci os c�lidos deleites da vida.
Lisa...
N�o ouvi a senhorita entrar...
Ela p�s suas m�os em meus ombros...
Como se estivesse angustiada e precisasse de ajuda.
Eu quase tive a impress�o de pertencer a ela.
Venha comigo, Jakob.
Quero te mostrar algo.
Como � belo aqui, Jakob!
Se voc� pudesse ver...
Por�m n�o deve!
Isto n�o � para voc�.
Mas voc� pode tocar.
O gelo, Jakob!
Como espera...
Como espera pacientemente e cresce...
Beije-o, Jakob!
Beije o gelo.
� a tua professora, Lisa Benjamenta, quem pede.
N�o o deixe roubar sua respira��o!
Este gosto � o de teu sangue.
Venha.
Est� quente, Jakob.
Voc� pode sentir.
Sinta, Jakob.
Sinta.
Suas m�os n�o est�o em chamas?
Est� queimando!
Est� queimando...
Mas n�o h� como se livrar do gelo...
Ainda est� l�, Jakob...o gelo!
Ainda est� esperando.
N�o posso sentir voc�, Jakob!
N�o posso senti-lo!
De repente, eu estava de volta, sentado � minha mesa.
A jovem Benjamenta ainda estava atr�s de mim.
Ela acariciava minhas bochechas.
Mas era como se ela confortasse a si mesma.
N�o a mim.
Estou vivendo em um conto de fadas?
Estou vivendo em um conto de fadas?
O sol brilha...
Meus jovens...
solit�rios...
poderia estar com...
meus an�es...
meus jovens...
Meus jovens cervos ...
solit�rios... poderia estar com eles.
...preste aten��o...
...preste aten��o...
Meus pequenos... meus jovens cervos...
Meus jovens,...voc�s n�o est�o prestando aten��o!
Voc�s falharam ao abrir o manual...
O cap�tulo se intitula: "O divino dever dos dom�sticos."
O par�grafo se intitula:...
"Armadilhas e tenta��es."
Que �...
Voc�s podem me ouvir?
Que �...
Repitam depois de mim.
S�brios, concisos...
e saud�veis conselhos.
Para aqueles a ponto de cometer o pecado...
de pensar em si mesmos al�m de suas obriga��es.
Este fen�meno se chama...
Peppino!
Febling!
Imigo?
Este fen�meno se chama...
Como tudo est� diferente por aqui...
N�o h� novos alunos no Instituto.
Tudo est� t�o...
fr�gil.
Frequentemente, a senhorita permanece olhando pela janela, como se...
j� vivesse em algum lugar.
As aulas continuam.
Continuamos seguindo as regras � risca.
Sendo obrigados a seguir mon�tonas repeti��es.
Finalmente, entrei nos aposentos particulares.
E devo dizer...
que n�o existem.
Em lugar do mist�rio...
h� apenas um peixe dourado.
E Kraus me ensinou como limpar o aqu�rio,...
trocar sua �gua...
e aliment�-lo.
A senhorita Lisa me disse algo muito estranho.
"Jakob", disse ela...
Isto deve ficar apenas entre n�s dois.
Algo est� me incomodando...
Como isso,... veja como estou respirando sobre voc�.
E voc� sempre exalando este g�lido h�lito sobre mim...
Por tr�s...
Estive pensando...
minha respira��o est� se distanciando de mim...
Estou morrendo de...
daqueles que poderiam me ver e ajudar.
Estou morrendo...
pela vacuidade das preocupa��es nas pessoas inteligentes.
Basta...
Agora voc� deve esquecer tudo isso.
Ningu�m dever� saber.
Especialmente meu irm�o.
Ter o direito de obedec�-la.
Enquanto eu obedec�-la, ela viver�.
Tudo que � proibido, vive cem vezes mais.
Senhor Benjamenta?
Jakob Von Gunten aqui.
O senhor me chamou?
Jakob... Com ele � poss�vel ousar um atrevimento muito grande,...
ou algo muito delicado.
V�, Jakob,...
como conhe�o as palavras de cor?
Porque...
� meu cora��o que as dizem.
Jackob, n�o poder�amos...
Poder�amos tentar, eu e voc�...
O pequeno e o poderoso.
N�o poder�amos enfrentar a vida juntos?
Ombro a ombro.
Lado a lado.
Mas... Senhor Benjamenta...
O senhor � meu diretor.
Este lugar est� acabado! Voc� n�o entendeu?
N�o aceitarei mais alunos!
Voc� foi o �ltimo.
Voc� pensou...
O Instituto Benjamenta...
foi um daqueles lugares hoje,...
e ser� os de amanh�?
� voc�...
Tudo aconteceu depois que voc� chegou.
Quem � voc�?
Jesus!
Adeus, Jakob.
Beije-me, Jakob!
S� uma vez.
Seja suave.
Basta...
sem desespero.
Tudo est� bem do jeito que �.
� maravilhoso, n�o �?
N�o desejar mais nada...
De agora em diante, s� haver� trevas neste mundo,...
e por mim todo.
Imagine eu...vindo para voc�.
Seguramente, o Rei est� morto. Acabou.
Jakob, estou t�o... s�...
Senhor Benjamenta!
Descanse.
Tenha doces sonhos.
A senhorita repousa ali sem vida.
Exatamente como havia me dito que ficaria.
Seus olhos ainda estavam abertos,....
n�o por completo,...
mas como se ela ainda estivesse sorrindo.
A mim, parecia que ela deveria viver por toda eternidade.
Apenas para estar na eternidade, sem nunca ter vivido.
Em n�s, o som de sua voz...
seguir� vivendo.
Nos retiramos, deixando o irm�o com a irm�.
O diretor com a diretora.
O solit�rio com a solit�ria.
O vivo...com a morta.
Eu seguramente continuarei vivendo,...
Mas o que ser� de voc�?
Fa�a algo!
Olhe atr�s da cortina, Jakob.
Olhe atr�s da cortina.
Ela pode estar escondida aqui.
Certa vez... fui coroado com sucesso.
O mundo sorria para mim.
Mas eu odiava o mundo.
Odiava a exist�ncia.
Odiava aqueles a quem eu dizia para obedecer ordens.
Odiava a mim mesmo por adorar dar ordens.
Tudo... Odiava tudo.
Por�m, n�o mais.
Agora que n�o sou o rei.
Agora...
n�o viverei!
Tenho fome de vida!
Jakob, todos se foram at� o... Kraus.
Eu proclamei a morte do Instituto.
Estamos livres.
Venha comigo.
Siga-me...afora deste mundo.
Para sempre.
E nevar� sobre n�s, t�o intensamente.
Em um grande...
Sil�ncio.
Sem princ�pio nem fim.
Tudo coberto por uma acinzentada brancura de neve.
Sem c�u... Sem ar.
Eramos teus alunos....
agora todos abandonados.
Assim parece, assim �.
Quando comermos, o garfo nos dir�...
o modo como desejar� ser segurado...
e o conhecimento que obtemos...
nos lembrar� de voc�.
Em n�s, o som de sua voz...
continuar� vivendo.
Por todas as partes, perdura uma sonol�ncia nestes corredores...
...e coisas ainda inconceb�veis continuam a ocorrer.
Legendas traduzidas do ingl�s e espanhol por Chevalierdepas e Davidonato
Revis�o: Chevalierdepas
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