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Original subtitles

Assim como fizemos com "TRA�DOS PELO DESEJO", a Miramax Films gostaria que o p�blico e...

a imprensa n�o revelassem a natureza ins�lita de nosso principal cliente.

Vamos manter este mist�rio medieval um mist�rio.

Fran�a - s�culo XV, Idade das Trevas...

As pessoas ainda eram ignorantes e supersticiosas, morriam de medo do poder...

de Satan�s e esperavam diariamente pelo castigo de Deus - a peste que devastava a Europa.

Em tempos de tanta incerteza, a Igreja, o Estado e a Lei deveriam ter tido...

uma influ�ncia ben�fica, mas a Igreja era muitas vezes t�o corrupta quanto o Estado.

Os senhores locais, os Lordes, governavam cruelmente em seu favor, e a justi�a...

era representada por uma legisla��o um tanto confusa.

Cada regi�o tinha suas pr�prias leis, mas todas continham uma previs�o estranha.

Os animais estavam submetidos �s mesmas leis civis dos humanos.

Eles podiam ser processados e julgados num tribunal pela pr�tica de crimes.

Por mais inacredit�vel que possa parecer, todos os casos mostrados neste...

filme s�o baseados em fatos hist�ricos.

Roger Landrier...

Voc� foi sentenciado e condenado por crimes contra a natureza.

No caso, teve conjun��o carnal com a jumenta aqui presente.

E nos �ltimos 10 anos, tamb�m esteve envolvido...

com diversas meretrizes de sua pr�pria fam�lia...

e com duas ovelhas...

de propriedade do seu vizinho Deschauffeur.

Voc� ser� entregue ao Mestre de Obras Superiores,

para ser despido, pendurado pelo pesco�o...

e enforcado at� a morte.

Como manda a lei, sua c�mplice, a jumenta...

sofrer� a mesma penalidade na forca ao seu lado.

Que o Senhor tenha miseric�rdia de v�s.

Pare! Pare!

Pare!

O padre Lucian da aldeia de Ezies...

apresenta um abaixo-assinado dos homens de bem de sua par�quia.

"Este documento comprova o bom car�ter...

do animal aqui presente, conhecido por Virginie...

e afirma que ela nunca poderia, espontaneamente, ter participado...

do ato abomin�vel pelo qual est� sendo condenada."

� do meu entendimento...

que a pessoa da jumenta foi violentada sem seu consentimento.

Ela ser� libertada sem qualquer mancha � sua reputa��o.

Prossiga!

Em nome do Pai, Filho e Esp�rito Santo. Am�m.

A HORA DO PORCO

Vamos l�!

No ano de 1452 da Era Crist�...

Eu, Mathieu, escritur�rio, deixei a bela cidade de Paris...

para acompanhar o meu jovem amo, advogado...

em busca dos simples prazeres interioranos.

Meu amo tinha grande esperan�a de que na modesta pr�tica interiorana...

ele pudesse escapar da politicagem e da corrup��o da cidade grande.

De minha parte, havia d�vidas se entre a classe camponesa...

e as manhas de Ponthieu...

encontrar�amos algo pr�ximo do Jardim do �den.

Em todo caso, eu n�o sou o advogado.

N�����o!

Eu estava dormindo, n�?

- Fiz algum barulho? - O senhor estava sonhando, talvez.

Eu n�o sonho, dona. Estava roncando, n�o tava?

Paramos para n�o interromper a ca�a.

Por onde?

Mestre?

- De quem � esse castelo? - � do senhor Jehan d'Auferre.

- Ele � o Lorde de Abbeville, senhor. - Mestre.

O senhor � formado em direito, ent�o o senhor � um mestre.

- Estamos indo trabalhar em Abbeville. - Tem um advogado l�.

Agora v�o ter dois.

Sete horas. Pod�amos ter tido melhor companhia.

A mulher era bastante divertida.

Ela disse que quando o lorde se cansa de ca�ar veado e javali...

- ele ca�a humanos. - N�o ouvi isso.

Estava dormindo, mestre.

Vai ter que se acostumar com a fofoca interiorana, Mathieu.

Mas vai descobrir que s�o pessoas boas, de verdade.

- Boa noite! - Ah, n�o enche!

- Um santu�rio! - Mestre Courtois?

De Paris? Seja muito bem-vindo, mestre.

Reservamos-lhe os melhores quartos, e vizinho ao seu, o do seu criado.

- Mathieu � meu escritur�rio. - Depressa, Isabelle.

- Vai querer lingui�a e carne guisada? - Sim.

N�o! "Sob a folhagem verde ao longo de um c�rrego barulhento...

o campon�s Gontier fez sua refei��o de queijo fresco, ma�� e ameixa...

cebolas picadas num bom peda�o de p�o...

com sal e a melhor bebida."

Sem lingui�a.

O que o animal est� fazendo aqui?

O lorde Jehan d'Auferre perdeu sua presa.

Olha s� a postura dela.

Garotas interioranas, Mathieu.

- Pode esquecer suas prostitutas de Saint-Denis. - Ah, obrigado.

- Meu Deus! Aquele cachorro sorriu pra mim. - Claro que sim, mestre.

Nunca vi um cachorro sorrir.

Amaldi�oo o seu bingolim mole, seu paviozinho enrugado e sujo!

Deus pintou minha alma de preto, senhora, quando me jogou em cima...

- da sua xereca! - Fale-me sobre o advogado daqui.

Ele se chama Pincheon, e � promotor p�blico h� 15 anos.

- E n�o � advogado daqui. - Voc� o conhece?

Se � o mesmo Pincheon, ele � de Paris, Ile de la Cit�.

Sempre devem se reconciliar o pau e a xoxota que se insultarem.

- Meu Deus! - Os simples prazeres interioranos.

Opondo-se agora e para sempre...

- J� o viu trabalhando, este Pincheon? - Ele � bom.

Era bom, se for ele. Ele botou o mestre Delamain no bolso.

Acabou completamente com a reputa��o dele. � o que dizem.

Vejam o assassino aqui embaixo...

com sua grande faca afiada... para o golpe.

Bom, Pincheon podia ter se insurgido contra um promotor mais f�cil.

Ah, mestre Courtois de Paris!

Padre.

Albertus...desta par�quia.

Tem que me fazer uma visita, mestre.

Algu�m que tenha lido um livro � um enviado do Todo-Poderoso.

Ele � muito bom... o padre.

Que maravilha!

S�o Mouros, n�o s�o?

- N�o, eles s�o do Pequeno Egito.

Alguns deles j� chegaram � Paris...

Se espalhando como ratos.

Mestre Pincheon?

Sim.

Ah, mestre! Richard Courtois. Sou o novo advogado.

Estou ansioso para discutir com voc�.

Mestre.

- Meu Deus! Est�vamos sem advogado de defesa desde o ver�o passado.

Alguns est�o esperando h� cinco, seis meses.

Ser�o disputas entre camponeses, Mathieu:

um metro aqui, outro ali de limite de propriedades, direitos de pastagem do av�.

- Ter� que se acostumar com... - Assassinato.

- Assassinato? - Um corno... esmagou o cr�nio do amante da esposa.

Um estupro aqui. E... bruxaria!

N�o. Isso deve ter sido investigado pela igreja.

Estava l�, mestre. Devolveram para a justi�a comum.

Aqui � um sodomita. Sodomizou o pr�prio jumento.

Ah, n�o. Despachado... Aquele.

- Meu Deus, o que � isto? - Deve ser o ar interiorano.

Sua vagabunda!

Estava transando com ele de novo, n�o estava?

Quem � o desgra�ado?

Vou mat�-lo! Vou capar o desgra�ado!

Posso ajud�-la?

- Ah, mestre Courtois! - Padre Albertus.

Eu... Que bela manh�!

S� estava... fazendo a digest�o.

Est� indo para a cidade? Oh, n�o, n�o.

Sim. Eu... bem. Tenho que ir. Eu...

O seu futuro lar, mestre.

O projeto do construtor.

Senhores, voc�s ouviram o mestre Pincheon acusar o meu cliente, Valliere...

este decente e honrado fazendeiro...

do b�rbaro assassinato de um homem que ele acreditava ser amante da sua esposa.

O mestre lamenta que a lei n�o lhe permita...

chamar a esposa do acusado para dar o seu testemunho.

No entanto, pe�o-lhes que observem a prova que ela vos apresenta.

Ali, senhores, est� o objeto do desejo.

N�o duvido que a megera cumpra com os seus deveres.

Mas tenho que lhes perguntar: � esta a mulher por quem a lasc�via carnal de um homem...

e o sangue quente do ci�me no outro, levaram a t�o terr�vel vingan�a?

A verdade, como sempre, senhores, � simples.

O falecido era um b�bado... e ladr�o.

V�rias testemunhas declararam isso.

Ele chegou na casa do acusado � noite...

foi surpreendido enquanto roubava...

e na luta que se seguiu, bateu com a cabe�a contra o piso da lareira...

e morreu.

O acusado nada tinha a ganhar...

e tudo a perder com a morte de um meliante.

Agora, � uma prerrogativa dos senhores, coloc�-lo em liberdade.

Ele est� sob suas responsabilidades.

Assim reconhecida por parte de Valliere.

N�o t�o esperto como pensava, o famoso Pincheon.

Devo-lhe minha vida, monsenhor. N�o vou me esquecer disso.

A causa n�o era boa. O mestre fez o melhor que p�de.

N�o, eles teriam me pendurado num barbante se n�o estivesse aqui...

e tudo por causa daquele desgra�ado!

Eu devia ter feito isso h� anos.

Qualquer coisa que desejar, mestre, pe�a ao Valliere.

- Mathieu, voc� acha... - Sim, mestre.

Que o homem realmente tra�ou a esposa dele, aquele ratinho de igreja?

Deduzo que o falecido tra�ou um n�mero razo�vel de esposas...

inclusive as de v�rios membros do judici�rio.

"Fofocas interioranas."

- Vamos ver a bruxa.Eles podem queim�-la. - Elas as enforcam aqui.

Onde est� a sua gl�ria, Babil�nia?

Onde est� Nabucodonosor agora? Onde est�o os malfeitores do passado?

No m�s passado, s� a morte por enforcamento de Roger Landrier...

e o perd�o milagroso de sua pr�pria jumenta, pela gra�a de Deus.

Veja como os vermes devoram o justo Absal�o.

A carne dele era macia. Mas que pena, o ventre...

ficou exposto pelos ferimentos fatais.

- O que � isso? - Coitado do garotinho! Todo ensanguentado.

O que aconteceu?

- Deve ter sido uma queda feia. Parecia grave! - Ele parecia morto!

Um garotinho judeu. Uma pena, mesmo assim!

- Como sabe que era judeu? - A m�e dele.

Tinha c�rculos brancos no busto. Elas t�m que us�-los.

- H� quanto tempo est� aqui, Mathieu? - Ao todo, cinco dias, mestre.

A marca do dem�nio, mestre.

Est� vendo? O terceiro mamilo.

- A teta da bruxa. - Eu era ama de leite, monsenhor.

Era uma marca de nascen�a at� voc� espetar suas malditas agulhas nela.

E voc� a deixa nua, n�o �, como um animal?

Ela se picava duas vezes por dia, mestre.

Em casos de bruxaria, a prova pode ser obtida � for�a...

e o prisioneiro ser� despido para o ord�lio.

Labatier diz que tenho tetas parecidas com as de uma vaca leiteira.

Labatier, voc� n�o � oficial da Inquisi��o. N�o tem nenhum direito.

Tenho sim. Sou comiss�rio autorizado.

Liberte-a... e traga as roupas dela agora.

Sim, eu amamentei L�cifer.

Mas desde ent�o tenho experimentado do sangue de Cristo pelas suas cinco chagas.

N�o tem que me falar nada. Quero-a vestida agora.

N�o estou do lado deles. Est� me entendendo?

Anote a�! O corpo est� muito marcado...

H� sinais de tortura de segundo e terceiro graus.

Mestre, viajei pela luz, me humilhei diante do dem�nio...

- e serei enforcada por isso? - N�o.

A Igreja a excomungou e entregou-a � justi�a comum.

O tribunal n�o est� preocupado com bruxaria. Voc� est� sendo acusada de malef�cio.

A sua bruxaria causou dano aos seus vizinhos.

Magia n�o � um delito comum.

- Est� entendendo? - Eu os ajudei.

Quando as mulheres n�o conseguiam parar o sangramento..

- ou quando as crian�as estavam morrendo... - Voc� rogou uma praga ao seu vizinho...

- Jehan Lours. - Ele derrubou a minha cerca.

- Provocou impot�ncia nele. - Ele j� n�o levantava h� anos.

Bom, isso conta como dano. E voc� "procurou e subornou ratos...

para morder e infectar Jehan Perrinot para que ele morresse de um miasma."

Foi uma reca�da da doen�a. Todo mundo sabe disso.

Bom, � a acusa��o com que temos que nos preocupar.

Se puder livr�-la do caso dos ratos, confessar� as outras acusa��es.

- Elas n�o s�o capitais. - N�o fiz mal nenhum.

Confie em mim! � um acordo. � assim que fazemos.

Vou lhe dizer o que tem que falar.

Chegou mais uma, mestre: um matador de crian�a.

- Assassinou um garotinho judeu. - Assassinato, �?

O pior, mestre.

- Vamos v�-lo. - � ela, mestre.

Vou lev�-lo at� ela.

- O que � isto? - Sua cliente, mestre.

Courtois, est� me dizendo que n�o � o respons�vel por todo esse processo...

- de acusa��o de animais? - N�o, senhor.

Na cidade nunca tive a oportunidade de lidar com isso.

Mestre Pincheon, est� de acordo com tudo isto?

Levar adiante essa coisa de ser o douto acusador de uma porca?

- Tem testemunhas? - Tem.

Eles viram as crian�as mortas?

Deduzo que quando o corpo foi encontrado, um porco foi visto fugindo.

- Um sinal de culpa, � isso? - Decerto, mestre.

Sabe que o animal � mantido preso junto com os outros prisioneiros?

Est� tudo de acordo com o livro, mestre:

- Alojamentos iguais, comida igual, 3 vezes por dia. - Pense nisso, Courtois!

O animal precisa ter um defensor, o estado paga seus honor�rios.

Agora, senhores...

Com rela��o ao caso da mulher, a acusada de bruxaria....

Se eu puder convencer o tribunal do malef�cio, o caso dos ratos...

- temos um acordo? - Se conseguir contestar o dos ratos...

a� eu acho que ela seria favorecida nas outras acusa��es.

Ela perderia sua propriedade, claro, e...

O que mais posso dizer?

Tamb�m n�o existe muita bruxaria na cidade, hein, Courtois?

Voc� leu os textos?

A lei de Ponthieu pode ser bem confusa.

Acho que o advogado da cidade ir� adapt�-la, um dia de cada vez, mestre.

Perdoe-nos, mestre.

� a nossa porca. Eles levaram nossa porca.

Eu, eu pensei que voc�s n�o pudessem...

Pensei que a religi�o de voc�s n�o permitisse.

O mestre n�o deve pensar que comemos s� crian�as.

Perdemos nossa f� h� muitos anos, e h� mil milhas de dist�ncia.

Me chamo Mahmoud. Minha irm� � Samira.

- N�o posso ajud�-los. - Mas vamos a julgamento...

- N�o sou empregado deles e n�o defendo porcos. - Mestre, isto poderia funcionar se n�s...

- Deus nos proteja! Eles n�o podem ficar aqui. - Tudo bem, Mathieu.

Nossa porca n�o fica solta. Ela fica amarrada o tempo todo.

- Foi assim que eles a levaram. - Uma porca preta, de orelhas furadas...

marcada na parte inferior do olho e da boca.

- 3 testemunhas viram a porca de voc�s perto da igreja. - Elas est�o mentindo!

Minha irm� diz que se for dinheiro,

- ela pode conseguir algum. - Aposto que sim.

Mathieu! Voc�s perderam a porca de voc�s, s� isso.

Saiam da cidade, v�o embora, comprem outra!

N�o passei por tudo isso para ser um advogado de porcos.

Quer falar sobre os ratos agora, mestre?

Enquanto eu viver, n�o vou acreditar que uma mulher...

possa voar pelos ares como um melro ou um falc�o.

E quando as pobres criaturas se deitam para dormir...

o inimigo que nunca dorme, aproxima-se delas para lhes incutir ideias.

Ele o faz t�o sutilmente que ela pensa que faz...

o que s� faz nos sonhos.

Pode at� sonhar que viaja numa vassoura ou num raio de luz...

mas nem a vassoura nem outro podem segur�-la.

Padre Ign�cio provou que n�o existiu um �nico caso de bruxaria...

em 50 anos em Arras, baseado em ind�cio real.

Eles tamb�m o queimaram, claro.

Diria tudo isso no tribunal?

Richard, eu gosto daqui. Levo uma vida muito boa.

Queimar meu saco em p�blico poderia me tirar grande parte desse prazer.

� um ambiente democr�tico, t� vendo?

Camponeses, belas damas, ladr�es, gente da alta sociedade.

- Padres? - Sim... por raz�es medicinais.

Tenho esta irrita��o na pele pelo menos uma vez por semana.

Pensei que a nudez fosse uma coisa abominada por Deus.

S� a do teu irm�o... e irm�.

Bom dia, irm�.

Deus, penso nelas o tempo todo.

- J� foi mais al�m? - N�o.

Em sua sabedoria, ele as enviou para nossa tenta��o.

Ainda bem! Ele sabia o que estava fazendo.

- Uma porca. - Querem que eu defenda uma porca.

� loucura. O que � que eu fa�o?

Meu filho, n�o me pergunte. Sou um padre do interior.

Estudei Teologia em Rheims, Artes Liberais em Oxford, Filosofia Natural em Paris...

e veja o que fa�o!

Padre, � um pecado mortal transar com a minha cunhada?

N�o, meu filho. � o que definimos como ato vergonhoso.

Padre, a alma � feita de p�o ou vento?

Bom, hoje � p�o; amanh� ser� vento.

� heresia segurar uma vela na boca de um moribundo?

Bom, quem est� ligando! Se ele est� morrendo, pode meter uma no rabo dele tamb�m.

As almas dos pecadores penetram nos corpos das mo�as?

Bom, quem n�o se arriscaria um pouco?

O sexo � menos pecado com a esposa do que com uma amante?

Uma vez, meu filho, que afinal tudo � proibido, ent�o tudo � permitido.

Bom, isso � catarismo.

- Poderiam queim�-lo direitinho por isso. - �?

Ou sofisma? Tudo o que estou dizendo �...

- O que isso tem a ver com uma porca? - Tudo o que estou dizendo �...

que num mundo onde nada � razo�vel...

no fim das contas, nada pode ser totalmente insano.

Deixe-me entender, Courtois. Para refutar a acusa��o...

de que a mulher subornou os ratos para causar a morte do vizinho...

voc� quer que chamemos esses ratos como testemunhas?

E como � que o mestre quer que executemos o mandado?

Que mandemos xerifes armados para prend�-los?

N�o, mestre. Eles devem testemunhar de acordo com suas vontades.

Direito romano, Estado de Ponthieu...

1.432, no caso de intima��es de testemunhas sem resid�ncia fixa:

"Exibam-se em local p�blico as intima��es das testemunhas."

Pe�o que os avisos sejam afixados em portas de celeiros e em toda �rvore...

onde se saiba que os ratos se re�nem, intimando-os a comparecer em ju�zo.

- N�o pode funcionar. - Pode.

Demore-se e confunda.

Meirinho, afixe os avisos.

Voltamos a nos reunir amanh�.

Se os ratos n�o aparecerem, a acusa��o ser� aceita.

Suas testemunhas, mestre.

Elas n�o compareceram.

- Que interessante!

E os avisos foram escritos claramente na l�ngua francesa?

Ent�o, acho que sua defesa est� prejudicada.

- Devemos ir para a pr�xima? - N�o. Com todo respeito.

"Se uma pessoa intimada para comparecer como testemunha num lugar para a qual n�o pode vir com seguran�a...

ela pode recusar dita intima��o ou ordem."

Chamo a aten��o do tribunal para a vigil�ncia incans�vel...

dos inimigos mortais destes ratos:

isto �, cada gato e cachorro que os esperam, com um �nico objetivo...

em cada esquina e corredor.

Tenho pra mim que as testemunhas, temendo por suas vidas...

tenham exercitado o direito de recusar as intima��es.

Lamento que haja outras medidas que ir�o tomar mais tempo deste tribunal.

Apague essa refer�ncia dos autos:

"Subornando os ratos". O resto da confiss�o dela mant�m?

Jeannine Martin...

no que se refere a causa��o de malef�cio aos seus vizinhos...

voc� ser� exposta...

em uma gaiola suspensa por um dia e uma noite.

Os doutos procuradores t�m permiss�o para sair...

enquanto eu delibero sobre o segundo julgamento.

N�o existem mais acusa��es, monsenhor.

Mas tenho que conferir for�a de lei � decis�o dos Santos Padres. Sou obrigado, n�o sou?

N�o � de seu interesse, mestre. N�o se preocupe!

As acusa��es seculares est�o encerradas. N�o pode agir pela igreja.

N�o existe tribunal na Fran�a...

N�o est� no belo reino da Fran�a agora.

Estamos falando da lei de Ponthieu: nossa lei.

Talvez devesse estud�-la mais.

Em seu depoimento aos Santos Padres...

voc� confessou que aos 34 anos...

fez um pacto com o dem�nio...

e tirou uma colher de sopa de sangue do seu corpo para selar este pacto.

Espere! Devo pedir permiss�o para examinar isto.

Ela n�o confessou? Voc� confessou?

- Sim. - Ela confessa que confessou.

Mas eles a condenaram. Ela foi excomungada.

Vai ficar em sil�ncio ou ter� que deixar este tribunal.

Jeannine Martin...

voc� ser� levada para fora da cidade...

onde ser� pendurada pelo pesco�o...

e ser� enforcada at� a morte.

- Seu corpo ser� queimado. - Mas o mestre me disse...

Espere! Isto � ilegal! Espere! Prometeu poupar a vida dela.

Isso � que teria sido ilegal, ou n�o? Levem-na.

Perguntei se tinha lido o texto.

- N�o existe nada parecido no direito romano. - Costume e pr�tica, mestre.

Por que eu n�o sabia disso?

Por que voc� n�o sabia?

H� escurid�o em toda a sua volta.

Voc� pode trazer a luz.

Cuide do garoto, mestre!

Cuide do garoto!

Voc�!

- O que est� fazendo aqui? - Estamos batizando-os.

Est�o seguindo o caminho de todas as boas almas crist�s.

- Eles iam parar aqui. Acredita nisso? - Xerife!

N�o existe nenhuma lei que impe�a estas pessoas de acamparem aqui.

Tem sim... a minha.

N�o, senhor. Eles est�o fora da cidade. E eu sou advogado.

- N�o pode impedi-los. Qual � o problema? - �gua e cal.

- Eles vieram do sul. Podem estar com a peste negra.

Tenho todo o direito.

Sim. Bom, depois pode deixar que eles parem aqui ou continuem. Entende?

E voc� e seus homens n�o encostar�o um dedo neles.

O que houve, mestre?

Sabia que fala enquanto dorme?

- Foi um sonho bom? - O qu�?

N�o. N�o, n�o foi...

Agora... Acho que deve ter sido.

Est� tudo bem, mestre. Tenho irm�os.

Bom, eu n�o sei.

J� passou a primeira alvorada e acho que o galo esteja pronto para cantar de novo.

Sabendo usar, n�o vai faltar.

- Mestre, voc� est� bem? - Sim!

"Jehan d'Auferre, Lorde de Abbeville...

pede ao mestre Courtois que o visite amanh�...

antes do meio dia, se vier."

Ol�!

Aproxime-se, mestre!

Desejo-lhe longa vida, monsenhor, e...

honrado por ser convidado da sua casa.

Est�o muito bem...

Minha esposa escolhe a decora��o. Sou um comerciante, ex-fazendeiro...

aquele a quem chamam de novos lordes.

Ganhei meu dinheiro em Joinville. Comprei a terra aqui...

- da� vem o t�tulo. - Ent�o, h� quanto tempo voc�...

Portanto, como sou um simples comerciante...

Vou dizer o que tenho que dizer, e ent�o poderemos conversar.

Voc�...

conseguiu uma boa reputa��o na cidade.

Dizem que conhece o direito consuetudin�rio e � transparente e justo nos seus neg�cios.

N�o est�o acostumados com isso aqui.

Pincheon j� fez o suficiente por mim.

Mas...Bom, ele � da escola antiga.

Est� ultrapassado. N�o acha?

Sim.

Monsenhor, estou honrado por sua confian�a, acredite.

S� que o senhor entender� que deixei Paris por um prop�sito.

- Queria servir ao povo, n�o aos... - O qu�, aos camponeses?

Bom, sim, eles tamb�m, mas principalmente...

Quatrocentas livre por ano.

- Perd�o? - � o dobro que pago a Pincheon.

Quatro vezes o que ganhar fazendo seus bons neg�cios.

Bom, pense nisso.

Senhor, pe�o permiss�o para falar em nome dos eg�pcios.

Eles estando sendo submetidos a insultos di�rios e 2 de seus homens foram brutalmente agredidos.

Eles ser�o deixados em paz.

Est� defendendo o porco deles?

N�o. N�o h� raz�o para tal.

A raz�o � a ordem: ordem e lei.

Levar um porco a julgamento traz ordem?

Sabe, mestre, h� coisas que um advogado do interior tem que fazer.

Ent�o por que n�o declara a sua paz, pega o dinheiro...

e deixa que enforquem o animal?

� s� um porco.

Como ela estava?

Ela falou.

Algu�m gritou: "E a maldi��o da bruxa?"

Todos o fizeram se calar.

E a� ela apenas olhou fixamente para a multid�o...

- e disse, n�o, ela n�o amaldi�oaria a cidade. - N�o vou amaldi�oar esta cidade.

- Ela deixou uma b�n��o. - Vou deixar-lhe uma b�n��o.

- Ela disse: - Passamos por maus momentos...

e vir�o piores antes do dia da sua liberta��o.

Vejo a vinda de um cavaleiro elegante...

numa armadura t�o reluzente quanto o sol.

Ele estar� carregando as armas do poder e da equidade.

E ele os livrar� da paralisia e do mal...

e ir� fazer daqui um lugar digno para todos voc�s.

Os sinos pararam por um instante.

Quando o carrasco a abaixou, ningu�m se mexeu, gritou, nada.

N�o se veem muitos cavaleiros elegantes nos dias de hoje.

Talvez ela se referisse a voc�.

Loucura.

- Vai me trazer seda? - O qu�?

De Paris. Nunca possu� seda.

Vai trazer?

Loucura.

Oh, n�o!

N�o pode ficar aqui,por favor.

N�o.

Quero que v�.

- S� quando disser que sim. - Mestre?

Sim? N�o! Pensei que n�o soubesse falar...

- Mestre, n�o consigo encontr�-los. - O qu�?

Os documentos de Lamartin. Mestre?

Deixe isso para amanh�.

"Deixe isso para amanh�."

N�o quero que fa�a isso.

Eu acho que quer.

Se venderia por uma porca?

A porca � tudo o que temos.

Todo o nosso dinheiro, e no inverno, nossa comida at� a primavera.

- Se matarem a porca, ficamos sem nada. - Pode trabalhar para comprar outra.

Seis meses.

N�o.

Faz com que me sinta mal, mestre.

� minha culpa, eu acho.

Mas mesmo assim, faz com que me sinta mal.

Agora que se anima.

O que � isso?

Vou pensar sobre a... porca.

- Meu Deus! Por que n�o...? - Eu...

N�o dizem que os negros s�o possu�dos pelo dem�nio?

Bom, sim... e os gatos e ratos...

e a coruja que pousa no telhado, e o cachorro preto que cruza o seu caminho.

Mas isso � para os camponeses, meu filho.

- Como � que um padre pega as mulheres? - Medo da maldi��o eterna.

Alguns padres vendem a absolvi��o por dinheiro...

mas quando uma dessas lindas e jovens esposas v�m se confessar...

Voce n�o...!?

- Faz amea�a para lev�-las pra cama? - Elas sabem que tudo isso � um jogo.

E a ame�a as absolve da culpa.

- Deve ter muito padre no inferno. - N�o posso fazer nada por eles.

Acho que esta pode ser a melhor hora, sabe:

para a porca. Encerrando o caso de vez.

Albertus, tem alguma coisa que eu precise saber?

Esta � a minha esposa, Catherine d'Auferre.

Gerard, meu filho, e minha filha Rosaline...

conhecida por pouqu�ssimos que a amam como Filette.

Espero que o mestre advogado n�o me prenda...

- nem me ponha numa pris�o apertada. - Senhorita...

seria melhor que eu fosse o seu prisioneiro.

E acho que sua pris�o n�o seria t�o desagrad�vel.

Responda ao belo discurso do mestre.

- N�o tenha tanta certeza, mestre Comtois... - Courtois.

Na verdade, vi recentemente aquele que eu desejaria fazer meu prisioneiro.

Faria uma cela fria para det�-lo?

Nada disso! A cela onde pretendia coloc�-lo � bem quente...

- e ele desejaria nunca mais sair de l�. - Fillette!

Est� muito apressadinha, minha jovem.

Pelo amor de Deus! Quanto mais r�pido, melhor na idade dela.

Pergunte!

Oh, meu filho gosta de ca�ar. Quer saber se poderia acompanh�-lo.

N�o.

Me perdoe. Eu, n�o vou.

Lorde, desejamos longa vida ao senhor e a sua esposa.

Sim, sim. Sente-se, Poiccard!

Aquele � o astr�logo da minha esposa.

Ela � minha cunhada...

Minha esposa e cunhada.

Dispensa do papa. Mantenho-a com meu patrim�nio.

O primeiro marido dela, seu irm�o, morreu?

Sim... lamentavelmente.

Tem uma esposa, al�m das criadas e das exc�ntricas prostitutas negras, claro?

A nossa pequena Filette lhe agrada?

- Claro, mas n�o imaginei que... - Imagine o que quiser!

Voc� � um homem culto. Ela j� tem mais de 20 anos.

N�o tem nenhum t�tulo,e eu estou perdendo as esperan�as... rapidamente.

Sei que ela zurra feito uma jumenta...

mas ela � at� boa... pura sensualidade.

V� as p�rolas sobre os seios? Sempre achei o maior charme das mulheres.

E esse olhar dissimulado bem peculiar que algumas delas t�m!?

Significa que entre suas coxas est� permantemente �mido.

Ah, um dos meus mais jovens senescais. � o tesoureiro da minha irmandade.

- Irmandade? - Sim.

� um tipo de associa��o.

E ela j� tem 500 hectares de terra...

al�m de... um territ�rio em vista.

Tem suficiente para dois porcos. Tome.

Vamos reaver nossa porca.

Por favor, apenas aceite e v�.

Fugir?

- Voc� foi o primeiro homem a me rejeitar. - Tenho certeza que sim.

Ent�o por que est� sendo t�o generoso agora sem nenhuma recompensa?

- Quero ajudar. - N�o, quer se livrar da gente e paga pra isso.

Nossa porca vai atrapalhar os seus planos?

Eu n�o sei.

Pensei que fosse o promotor.

Eu n�o sou daqui.

Pensei que seria simples e tranquilo...

mas existe muito medo neste lugar.

De onde � o seu povo?

Caldeia, Izmir...

Guzerate, das terras do Indo e do Nilo.

Meu av� era de Tata.

- Nasci na estrada. - Onde?

Na periferia de Perpignan.

O magistrado visitante, mestre Boniface.

No caso do Estado contra A Porca, primeira controv�rsia.

O animal tem defensor? �timo! Pincheon?

S� para dizer, monsenhor, que o delito � complexo.

Al�m de ter matado a crian�a...

a porca comeu partes de seu corpo... embora fosse uma sexta-feira.

- O qu�? - O consumo de carne...

neste dia � contr�rio...

� pr�tica crist� do jejum �s sextas-feiras.

Primeiro livro do Digesto:

"De nenhum animal que care�a de intelig�ncia, racioc�nio...

poder� se dizer que ele tenha causado dano intencionalmente."

Monsenhor, a justi�a � como a natureza,

a qual os fil�sofos afirmam fazer nada em v�o...

"Nihil operantur frustra."

Agora lhes pergunto: pode haver coisa mais in�til do que intimar...

um animal irracional para ter assento nesta solene sess�o de seu julgamento?

A acusa��o s� pode ser feita contra algu�m capaz de celebrar contrato.

N�o se pode intimar uma crian�a de 6 anos de idade, nem um louco!

- Como se pode ent�o acusar um animal mudo? - Pincheon?

Senhores...

Assassinato � assassinato, seja cometido...

por um d�bil mental ou por uma porca de incr�vel aprendizado.

O mestre sabe que h� precedentes para o julgamento desses animais.

Que alguns animais nascem com o mal dentro de si.

Criminosos natos.

N�s dizemos: "olho por olho,

dente por dente, golpe por golpe".

Temos um caso a solucionar.

"Dico quod sic".

O processo ter� prosseguimento...

daqui a oito dias.

Estamos esperando permiss�o para enterrar o garoto, mestre.

Como ele era pag�o, ter� que ser fora da cidade.

Acha mesmo que uma porca tenha matado uma crian�a de 9-10 anos?

Aconteceu, mestre. Porcos, c�es, touros.

Acontece e pronto.

Voc� � o cirurgi�o apotec�rio?

Veja bem.

A carne foi cortada aqui e aqui.

J� viu ferimentos assim causados por um animal?

N�o diria que...faltou a viol�ncia suficiente?

Est�, est� muito...

� poss�vel, mestre. Um animal com dentes afiados.

Mas na hora o sangue estava escuro.

- Quando? - Quando vi o corpo pela primeira vez.

- Viu depois que ele foi morto? - Ah, sim.

Ele j� estava morto h� muitas horas.

- Ent�o ele pode ter sido morto em outro local? - Isso � poss�vel.

Ou a morte aconteceu... N�o poderia dizer com certeza, n�o.

- Quero que seja testemunha. - Isso n�o ser� poss�vel.

Assim como esta infeliz crian�a, tamb�m sou judeu.

Meu testemunho n�o pode ser aceito num tribunal crist�o.

Dizem que voc� est� sendo zeloso no caso da porca.

E n�o deveria, senhor?

Acho que ainda n�o est� bem a vontade entre n�s. � a fofoca interiorana?

N�o!

Sei que os camponeses gostam de falar de coisas sigilosas em p�blico.

Mas as coisas n�o s�o bem assim.

Agora, com rela��o � porca...

Parece sem import�ncia, mas a morte do garoto foi estranha.

E uma esp�cie de medo se espalha aqui... facilmente.

Melhor que acabem logo com isso.

E se o animal for inocente?

Sei que anda se encontrando com a negra. Todo mundo sabe.

Ent�o, pelo amor de Deus, vamos acertar as contas com ela e deixar isso pra l�.

Eu j� tentei. Ela me perguntou que planos meus a porca iria atrapalhar.

Mas o assunto ser� decidido por um juiz e os jurados, n�o entre n�s.

Eu tenho outro...

direito antigo.

Jehan d'Auferre...

lorde de Abbeville e Toquin...

vai ele pr�prio presidir o caso do Estado contra O Porco.

Senhores.

Monsenhor...

a queixa sob a jurisdi��o destes honrados e doutos senhores...

� que na terceira sexta-feira de abril...

Ela fugiu como se fosse culpada.

Ent�o voc� tem grande familiaridade com os su�nos?

Diga-me, como � que � uma porca quando ela tem o ar de culpada?

Bom, ela fugiu rapidamente.

A que velocidade... esta porca impressionamente gorda?

Ela trotava, cavalgava, galopava, senhor?

Ela se movia rapidamente.

Para uma porca, quer dizer.

E o rosto dela lhe � familiar...

entre centenas de porcos correndo soltos pela prov�ncia?

N�o existem muitos porcos pretos. Nunca tinha visto uma marcada como ela.

- E a viu nas depend�ncias da capela? - N�o, fora.

Fora? A que dist�ncia?

Ela estava perambulando na areazinha por tr�s...

Ent�o, depois de parar de galopar ou trotar...

ela come�ou a perambular, esta porca criminosa.

Senhores, isto � loucura! Pe�o o depoimento do cirurgi�o apotec�rio...

Negado, mestre.

Fique ciente de que se mentir sob juramento...

ir� pagar o pre�o com a sua alma imortal.

Talvez ela j� n�o seja suficiente.

- Isso deve ser desconsiderado, senhor. - Voc� foi subornado...voc� e os outros?

Exclua isso dos autos.

Porca grande, preta...

e ela era marcada na parte inferior do olho, e estava correndo...

- Como se fosse culpada. - Como se fosse culpada.

S�o perfeitas, estas testemunhas. Dizem suas falas como se fossem atores natos.

N�o sei o que isso quer nos dizer, Courtois. Que frequentaram a escola?

- � poss�vel, senhor. - N�o me parece que seja importante. Continue!

Marcada na parte inferior do olho.

Queira se virar. Fique de frente pra l�.

Qual lado? N�o, n�o se vire.

Esquerdo ou direito? Qual � o lado?

Esquerdo.

Olhando para o porco, o sinal era no esquerdo?

- Sim. - Obrigado.

S� um minuto. Vire o rosto para mim.

Agora, eu notei que quando fez o juramento...

N�o, melhor. Olhe para os seus bons vizinhos.

Agora, levante sua m�o esquerda.

Obrigado.

J� que o interrogat�rio de Courtois tomou a melhor parte do dia...

voltamos a nos reunir depois do s�bado.

Minha nossa!

Bom, mestre, est� se elevando como uma catedral.

Disse que o telhado estaria pronto hoje! Ainda n�o tem nem parede.

� a madeira. � dif�cil conseguir a madeira.

E com o pre�o do barro subindo diariamente...

Ei! Aqui!

Deve ter uns 9 ou 10 anos.

Algumas crian�as desapareceram aqui no ano passado?

O garoto Levy no ver�o passado.

Um judeu? De que idade?

Acho que um lobo o pegou. N�o resta mais nada dele.

Mestre, algo em torno de 200 soldos.

- O qu�? - Para o barro, mestre!

N�o tem nada a ver com este assunto...

O menino Levy est� desaparecido h� mais de 10 meses ou mais.

Justamente. Ambos eram judeus, e ambos tinham a mesma idade.

� bem poss�vel que tenham morrido da mesma causa, e a porca � inocente!

- Pe�o adiamento. - Monsenhor...

os custos deste caso para o estado j� s�o enormes.

- Preciso descobrir umas coisas. - Examinando um montinho de ossos?

- N�o, acho que n�o. - Do que � que trata tudo isso?

Duas crian�as est�o mortas. Que tipo de jogo � esse?

Naquele tribunal, voc� � um juiz. Prestou um juramento solene.

E eu sou um advogado, e digo-lhe que tenho o direito.

Sete dias.

H� quanto tempo est� aqui, o calad�o l� de cima?

- N�o muito. - Mas ele est� nos vigiando, n�o?

- H� quanto tempo? - Mestre, ele chegou dias antes de n�s.

- Cinco meses ent�o, s� isso? - Vamos assumir a reivindica��o das terras, Les Ezies?

Algum outro estranho na cidade? E os atores? Ah, n�o.

Not�cias bem quentinhas, monsenhor.

A tortura de Jeannine, a Bruxa, e a agonia de sua morte no cadafalso.

- Deixe-nos em paz! - E muitas outras mulheres honestas sob coa��o.

Dois judeus, ambos com quase a mesma idade.

Persegui��o dos judeus de Mainz pelos irm�os crist�os.

Persegui��o dos crist�os de Mainz pelos judeus de l�.

V� embora!

"O assassinato de um jovem judeu...

por uma das dia...

diab�licas irmandades flamengas na cidade ateia de Haia."

D'Auferre tem uma irmandade.

Claro. Por que um propriet�rio de terras dirigiria uma associa��o?

O que eles fazem l�?

� um mist�rio! Disputam jogos com garotinhos.

Pense nas ordens antigas, as mais secretas:

dos c�taros e dos templ�rios.

Nos ensinaram na escola que o rei da Fran�a...

queimou todos os hereges de tr�s gera��es anteriores.

Mas e se alguns malucos mantiverem a cren�a? Dando-lhe oxig�nio por mais 100 anos?

� uma fam�lia de c�taros.

D'Auferre. Eles eram c�taros.

- Como soube disso? - � o meu trabalho, mestre. Sou seu escritur�rio.

Descubra quando eles se re�nem.

O que prefere Richard...?

Uma esposa verdadeira e pura...

embora seus vizinhos a chamem de falsa...

ou uma esposa que voc� sabe que � falsa...

embora pare�a pura para o resto do mundo?

Desculpa... Uma esposa?

Esse � o caminho, Courtois.

O qu�?

Aqui n�o.

Ah, merda.

Est� parecendo � vontade agora, mestre...

Madeira, "wode"...

cinabre, garan�a...

pentes de cardador, cardos.

N�o podemos exigir mais da cidade. J� conseguiram bastante.

Linho: 2 livres, 1 d�zia de pe�as de tecido.

- � demais! Quem s�o? - Os comerciantes da Sax�nia.

- Meio livre. Quanto � o nosso? - Metade.

Metade disso ou podem levar para Paris.

N�o, n�o gostei desse. N�o vou comprar.

Banha, sab�o, musselina.

- Concordam com os impostos de Aquit�nia? - Os d�zimos do milho s�o os mesmos?

- N�o, temos um acordo. N�o vou voltar atr�s. - Eles podem nos obrigar.

N�o t�m controle sobre n�s. N�o quero saber quem sejam.

Concordam em ficar como estamos?

Desculpe, eu...

- Acho que est� perdido, mestre. - Perdido?

N�o est�?

A porta � ali.

O que ouviu?

Muito pouco. Voc� � c�taro?

Meu av� foi um dos �ltimos. Teve as pernas queimadas pelo rei Felipe.

- Qual foi o pouco que ouviu? - Sobre pre�os. O pre�o do linho.

Algo sobre o d�zimo anual.

- � isso, a irmandade? - O que esperava?

Que beb�ssemos o sangue das virgens?

Meu Deus, olhe pra eles. Todos j� est�o com uma perna na sepultura.

� assim que mantemos o controle: ordem e lei.

Fixamos d�zimos e pre�os para toda a prov�ncia.

Isso impede que os comerciantes estrangeiros vendam mais barato. Voc� est� p�ssimo!

Um pouco de febre.

Cuidado, pode ficar sem sua l�ngua se pensa em contar essa hist�ria.

N�o devemos nos encontrar at� que isso termine.

- O que fizemos? - N�o � o que fizemos, � o que pensam que fizemos.

Olha, tenho que... Quero voc�!

- N�o consigo pensar em outra coisa. - Agora n�o! J� disse!

O que est� fazendo comigo? Voc� mexe comigo. Eu...

Tudo! O que eu queria fazer aqui est� dando errado.

Tudo!

O que quer de mim?

Ora vejam, o mestre est� metendo a m�o...

na cassarola de sua egipciazinha, n�o �?

�tima, mas suja, n�o �, a xerequinha preta dela?

Dente por dente. Golpe por golpe.

Vejo uma sombra escura atr�s de voc�, meu filho.

Parece assumir a forma de uma grande cabra preta.

N�o ser� o seu mestrinho, Satan�s?

- Isso n�o � da sua conta, padre. - � da minha conta sim, xerife.

O padre desta par�quia n�o deve testemunhar aos Santos Padres o que ele v� com os pr�prios olhos?

T� vendo? Funciona.

Fique comigo esta noite.

Quando me perguntou se eu menti pra voc�...

S� esta noite.

Fique dentro de mim.

"Tu �s negra mas graciosa, minha irm�, minha esposa;

tu tens..."

Dessa forma, padre, um animal sem alma, n�o pode ser portanto excomungado.

N�o. Pode ser amaldi�oado. H� uma diferen�a clara.

Acredito que os cl�rigos est�o indecisos sobre se a mulher tem alma.

Cl�rigos bem ultrapassados, eu acho, mestre.

A crian�a era judia, n�o era?

O crime do animal seria menor se ela fosse uma crist�?

Eu n�o saberia dizer!

Um judeu pode ficar abaixo do crist�o na ordem divina...

mas certamente estar� acima do bode e do jumento.

Num n�vel talvez de um cachorro?

Bom, faz s� 30 anos que um morador de Paris...

foi queimado por sodomia porque morava com uma judia...

Consideraram que estaria no n�vel...

da c�pula com um cachorro.

Interessante, padre!

Assim, um homem que sabidamente tenha se deitado com uma pag� pode pagar com a sua vida.

N�o nos dias de hoje, espero, monsenhor.

Bom... concluiu, mestre?

Est� nos dizendo, padre, que na sua teologia...

� in�til amaldi�oar ou executar...

um animal inanimado?

N�o, n�o.

O animal deve estar possu�do pelo dem�nio, que � amaldi�oado, e o animal, morto.

Um dem�nio na porca? Um dem�nio no gato que rouba o peixe?

No gafanhoto que destr�i a colheita...

O gafanhoto � grande o suficiente para acomodar o dem�nio, padre? Um inseto?

Interessante a quest�o do inseto.

Foi debatido durante 3 dias na congrega��o de Rheims e n�o se chegou a nenhuma conclus�o.

N�o acredita realmente em tudo o que est� dizendo aqui, n�o �?

Isto � inaceit�vel!

Acredita, padre?

Acredito, mestre.

Em cada palavra.

Senhores...

a morte de qualquer homem � terr�vel, inexplic�vel.

A morte de uma crian�a...

mesmo sendo hebreu...

mestre, mais ainda.

Leva-nos a questionar a lei natural,

a ponderarmos em nossa ang�stia as raz�es do pr�prio Deus.

Onde est� a ordem... e a lei?

E o que fazemos quando encaramos...

o desconhecido e o incompreens�vel?

Nos entregamos ao medo.

Todos os dias, cada um de n�s...

espera aterrorizado...

por um novo desastre, uma nova escurid�o.

� a maldi��o do nosso tempo...

senhores!

N�o � a peste negra...

mas o medo... que � muito mais tenebroso.

E o que, a n�o ser nossas ora��es,

pode nos ajudar a suportar este fardo?

Eu lhes diria...

a lei.

A lei n�o � s� castigo e recompensa.

A lei pode purgar um contrato, p�r um fim no cap�tulo, fechar o livro.

Quando vemos a justi�a feita...

voltamos � nossa vida normal...

sabendo pelo menos que da pr�xima vez que os medos voltarem...

eles ser�o submetidos...

ao mesmo processo imut�vel.

Uma crian�a est� morta.

Matando a porca n�o vamos traz�-lo de volta.

Mas servir� para que digamos:

Est� encerrado dessa vez, e devidamente encerrado.

Por enquanto...

o ciclo se fecha novamente.

Est� completo.

Mestre Courtois?

Abrimos m�o da nossa r�plica e pedimos clem�ncia � corte.

Assim creio que possamos continuar o julgamento.

- Os sinos. - Que sinos?

As festividades pelo nascimento de Cristo come�aram.

O julgamento depois da primeira semana est� terminado.

Minha nossa!

Bom, voc� nasceu para pregar o Armagedon.

Juraria que voc� quase acreditou nele.

Eu acredito...

do contr�rio, n�o continuaria.

Quer saber o seu futuro, Courtois?

Olhe pra mim.

Eu sou o mestre Courtois,

o advogado do interior, daqui a 20 anos.

Bom... 30 anos.

Vai se dar bem por aqui.

Voc� aprende r�pido e... � bom.

Mas s�o p�rolas para os porcos, bem sabe.

� isso o que s�o, essa pobre gente daqui.

Desconfiado, supersticioso, ego�sta...

lascivo, o sal da terra...

a esc�ria da terra.

Volte para a cidade que l� � o seu lugar.

N�o v� envelhecer nem se cansar num lugar como este.

- Nunca vai voltar? - N�o.

Ganha-se muito dinheiro em Paris atualmente...

mas, por alguma raz�o, n�o acho que se ame o direito.

Acho que voc� sim.

Outrora, talvez.

Mas agora...

N�o consigo me lembrar...

Pincheon...

havia coisas por tr�s disso tudo que nenhum de n�s sabia.

N�o...

mestre.

DIA SANTO DO LORDE 1� SEMANA ANTES DO NASCIMENTO DE CRISTO

Este � o verdadeiro inferno de Jehan d'Auferre.

Uns poucos hectares empestados de gansos, ilustrando...

a corrup��o absoluta do poder.

- Decepcionante, eu sei. - � verdade o que dizem sobre sua ca�a?

- Minha... - A presa.

Dizem que voc� usa humanos como presa.

Ah, usei uma vez, sim. Foi um esc�ndalo e tanto.

- At� a morte? - Meu Deus, n�o. N�o sou um b�rbaro. N�o!

Sofreram alguns galos e escoria��es, mas foram bem pagos por isso.

- Est� lembrado da seda, mestre? - O qu�? Maria!

A seda de Paris.

N�o...

- Tudo bem. Talvez depois. - Sim.

Olhe para eles.

Os frutos proibidos... pensam eles.

Mas voc� e eu sabemos, Courtois...

que o �nico divertimento que vale o que se paga...

� proporcionado pelo verdadeiro objeto do desejo.

N�o se preocupe! Ela est� aqui porque quer. Eu lhe disse que pago bem.

Bom, e agora,o que podemos fazer?

- O garoto a insultou. - Ossos do of�cio, diria eu.

Ela n�o sabia quem era ele. Deixe-a ir, por favor.

O que foi, Courtois? Acho que n�o o ouvi.

Est�vamos falando sobre o futuro. Ainda h� tempo de p�r as coisas em ordem.

N�o se esperava que abandonasse suas pequenas fraquezas, apenas que fosse prudente.

E claro, entenderia onde est� sua lealdade.

Um animal divino, um pouco selvagem. Sei como � tentador.

Deixe-a ir... pela manh�.

Os guardas podem se aproveitar dela at� l�... se n�o estiverem muito b�bados.

O que disse l� dentro? Uma praga?

�... como � que chamam? Para as crian�as?

- Can��o de ninar? - Se � assim que chamam...

Venha beber comigo, monsenhor.

Esse � para os olhos e as orelhas de Jehan d'Auferre.

Pode dizer que ele venceu. Todos voc�s venceram.

Pode dizer que o advogado est� voltando para a cidade grande.

Mas acho que todos voc�s, os bons crist�os, s�o meros espectadores...

enquanto o dem�nio se aproxima lentamente de sua linda cidadezinha.

E nenhum de voc�s se atreve a falar.

Tem visto de tudo por aqui, monsenhor conde Dr�cula.

Viu algum homem destemido?

Voc� � muito devagar, Mathieu.

� a nossa �ltima noite aqui. Anime-se e vamos a um bordel!

Um bordel!

N�o tem neste t�dio de cidade, mas em Laviers tem.

Mestre, o bordel � aqui.

A hospedaria de Abbeville � o prost�bulo de Abbeville.

Est� se referindo �quela magricela? Ela � paga pra isso?

- Nunca dei um soldo � Maria. - Est� tudo no pre�o que pagamos por semana.

� considerado como tarifa de hospedagem.

Entenda, mestre, que a mente tem um pequeno olho.

O que aparece em nossos sonhos � aquilo que olhamos enquanto acordados, mas n�o enxergamos.

A escurid�o est� em toda a sua volta. Voc� pode trazer a luz.

- Cuide do garoto, mestre. - N�o tenha tanta certeza, mestre Courtois.

Na verdade, vi recentemente aquele que eu desejaria ter como meu prisioneiro.

Parece sem import�ncia, mas a morte do menino foi estranha.

E uma esp�cie de medo se espalha por aqui... facilmente.

Melhor que seja encerrado logo.

E se o animal for inocente?

Pode ser que a porca esteja possu�da. As opini�es divergem.

Lembro-me de que uma vez em Joinville...

Por que vi aquele rosto?

Aqui! Aqui! Me ajudem!

Aqui! Ei! Ei!

Aqui!

Boa noite.

Socorro!

Socorro! N�o! Me ajudem!

- Ei! - N�o! N�o!

- Quem era? Viu o rosto dele? - N�o.

Algu�m viu?

Quem � voc�?

Sou quem tudo v� e tudo ouve, mas n�o a mando de Jehan d'Auferre.

De quem ent�o?

Voc� mesmo disse, meu amigo.

Sou aquele que n�o precisa ter medo.

Ele tentou levar outro garoto.

Desta vez n�o era judeu. Nenhuma pista.

- Eles me disseram que iriam parar. - Disseram?

Bom, n�o vai parar enquanto um padre perjurar sua alma imortal...

para proteger um monstro...

para manter seu modo de vida confort�vel e todos os seus pequenos divertimentos.

Voc� � engra�ado, padre...

Com seu "conhecimento dos s�bios que guardam seus segredos"

e o tipo especial de confiss�o de mulheres.

Foi tudo uma brincadeira, eu falei.

Com cada um deles?

Ou pode estar se referindo a 2 ou 3 que se assustaram?

- Cuide do garoto. - O qu�?

Disse que a bruxa tinha dito, "cuide do garoto." E a�, cuidou?

Sim. Encontrei uma pequena quantidade de ossos e outros bons cidad�os muito assustados para...

Errado...

Garoto errado.

Seu filho matou aquela crian�a, monsenhor.

Vai negar mas eu vou provar mesmo que leve 20 anos para isso.

N�o vou negar. N�o sei de nada, mas � poss�vel.

Deve estar possu�do pelo dem�nio, com certeza.

E ele realmente feriu uma crian�a em um de seus joguinhos particulares.

Mandei um padre de Joinville exorciz�-lo. Sempre passamos o ver�o l�.

Funcionou por um tempo, at� encontr�-lo pregando c�es em �rvores.

Tr�s deles crucificados, o do meio, acima dos demais naturalmente.

Teria sido queimado, se n�o o tivesse visto.

E a outra crian�a, a que morreu anteriormente?

Sim, essa tamb�m talvez.

Ele � a minha ru�na, Courtois, sempre foi.

- Mas este tipo de coisa... - N�o podemos permitir que venha a p�blico.

Uma lei para o rico...

Sim. Sempre.

Lorde, vou mandar prender o seu filho por minha conta e ordem.

E haver� um novo julgamento presidido por um novo juiz.

E recaindo ou n�o um Armagedon sobre nossas cabe�as...

Vou levar o rapaz ao tribunal e para poder se chegar � verdade.

Pode achar que n�o,mas sou advogado o suficiente para isso.

N�o duvido, mas acho que n�o ser� poss�vel.

Meu filho partiu da Fran�a nesta manh� para a Inglaterra, na verdade.

Tem uns cirurgi�es mu�ulmanos l�, talvez consigam ajud�-lo.

Acho que sem a presen�a do acusado, sua hist�ria vai se perder na narra��o.

Deixa estar, Courtois.

Vou dar a senten�a amanh� e os eg�pcios v�o em paz quando tudo estiver terminado.

� apenas uma porca.

N�o, n�o. Aquela porca, n�o. N�o dessa vez.

Podemos interceptar a carruagem em Angers, mestre.

Encontre o servo e sua esposa, Valliere, o que matou o homem.

Encontre-o e traga-o aqui.

Seu tempo j� se esgotou, mestre.

Temos que come�ar o julgamento.

- Pe�o ao tribunal uma toler�ncia um pouco maior. - N�o, j� chega.

Ir� perceber, monsenhor, que as duas porcas s�o id�nticas.

Uma pode ser facilmente confundida com a outra.

Elas s�o pretas, com uma marca sob o olho.

Este homem ir� jurar que sua porca j� comeu duas de suas pr�prias ninhadas,

matou um bezerro rec�m-nascido em frente da m�e, e atacou um beb� no ber�o.

Este n�o �, monsenhor, um animal maligno e criminoso?

Ela estava solta e desapareceu no dia em que a crian�a morreu.

E quando ela voltou, estava com sangue na boca.

Este bom cidad�o vai testemunhar sobre tudo isso.

E este bom cidad�o est� ciente das penalidades por levantar falso testemunho?

Assim como todos que est�o aqui, monsenhor, neste tribunal...

inclusive o merit�ssimo juiz.

Pincheon?

N�o estou feliz em dizer isto, mas a lei exige novo julgamento.

Tudo isso de novo?

Tudo, monsenhor, com a porca sob cust�dia...

�s custas do estado at� que um novo advogado chegue para defend�-la.

- Eu n�o estarei aqui. - N�o, n�o, n�o, isto � imposs�vel.

N�s s� temos a palavra do homem.

N�o � a mesma coisa que se a porca tivesse confessado.

Quer que eu leve ao seu conhecimento?

Como advogado da primeira porca...

eu n�o deveria tentar fazer com que este assumisse a culpa?

Voc�, porcs, se estiver possu�da pelo dem�nio, e se ambos se declararem...

- culpados por este assassinato brutal... - Senhor?

Courtois, este caso � um tanto grave.

Em caso de confiss�o, queiram se expressar perante esta corte por duas vezes.

Sen�o,podem ficar calados.

Se falar, seja clara, para que todo o tribunal possa ouvi-la.

Em caso de confiss�o total e espont�nea, a minha decis�o �...

que a primeira porca n�o � culpada da acusa��o contra si.

Este animal deixar� o tribunal sem qualquer m�cula na sua reputa��o.

Quanto � segunda porca...

"Em repulsa e horror a esse crime brutal...

esta porca ficar� detida at� que a senten�a seja prolatada:

a que determine seja ela pendurada e enforcada...

em local p�blico at� morrer."

Vamos embora daqui e voc� vai ficar.

E quando voltar para casa, ir� encontr�-la completamente queimada...

com sua esposa negra e bruxa dentro dela.

Carne de porco, assada.

Acho que sou um pouquinho animal pra voc�...

n�o um animal irracional como eles pensam...

mas sim...

uma bela e estranha criatura que gostaria de ter ao seu lado na sua cama.

V� embora daqui!

Fa�a seu trabalho! Ganhe dinheiro!

Case-se com uma dama distinta!

Tenha lindos filhos, bem branquinhos!

Eu te amo.

Eu poderia am�-lo.

Mas n�o saberia cantar suas can��es, s� as minhas...

Can��es perdidas, de longa data...

mas que s�o minhas.

Uma parte de voc� fica aqui.

Uma parte de mim vai com voc�.

Quem era o homem sentado aqui?

O nome dele � Fournier.

Ele vem aqui a cada dois anos...

e os Santos Padres logo chegam atr�s dele.

Ele � um espi�o da Inquisi��o.

Ele n�o sabe que sabemos.

Chegaremos a Paris antes do anoitecer?

Chegar�, mestre.

Vou ficar em Abbeville.

Mestre Pincheon me conseguiu um emprego.

Se ainda se lembram da profecia de Jeannine, a Bruxa...

ela disse que eram momentos dif�ceis, e que ainda viriam mais.

E a� chegaria um belo cavaleiro de armadura mais reluzente que o sol.

E que carregaria as armas do poder e da equidade.

E nos livraria da paralisia e do mal...

e faria daqui um lugar digno para todos n�s.

Ser� que chegamos a Paris antes de escurecer?

Sim.

Estou levando minha afilhada para morar l� em Saint-Denis.

Seremos vizinhos ent�o.

Sou advogado.

Exerci o cargo em Abbeville por um tempo, mas...

realmente a cidade � que o lugar de...

ganhar a vida.

A peste negra finalmente chegou � Ponthieu, trazida pelo viajante desconhecido.

De acordo com a legenda, ele era um cavaleiro errante.

Enquanto Courtois ficou famoso em Paris, Mathieu, seu escritur�rio, ap�s escapar...

da destrui��o causada pela peste, desistiu do direito.

Ao lado de sua esposa, a criada Maria, ele mudou-se para Joinville e tornou-se...

propriet�rio da hospedaria local.

Assim, Mathieu prosperou e, contra todas as probabilidades, finalmente se adaptou...

� vida tranquila do interior.

O personagem de Richard Courtois foi baseado no advogado real,Bartolomew Shassenee...

Que atuou em muitos julgamentos de animais, historicamente documentados.

Ele continuou a representar,principalmente clientes b�pedes, com tanto sucesso...

que se tornou o maior criminalista do s�culo.

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