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- Art Subs - 12 anos fazendo Arte para voc�!
Legenda - JuLima -
H� algumas semanas aconteceu algo curioso comigo.
Na caixa do correio
al�m de uma revista "Venerd�" e v�rias "TV Sorrisi e Canzoni"
achei o di�rio de uma menina.
O fato de ser escrito com caneta verde
me fez decidir que n�o era interessante.
E o peguei s� para poder preencher com coisas �teis
as v�rias dezenas de p�ginas deixadas em branco.
Comecei a ler numa tarde.
Ap�s me acostumar com a caligrafia imatura e sonhadora,
enfatizei a mim mesmo que estava interessado.
N�o fiquei impressionado com os fatos em si,
mas com sensa��o de retic�ncias misteriosas que me provocaram,
como se nem tudo estivesse realmente no papel,
embora o peso estivesse presente.
Os fatos triviais evocavam o homem trivial
com quem consegui me identificar,
os sentimentos de intensidade renovada,
iam muito al�m da qualidade das linhas.
Senti uma amargura sincera quando as p�ginas pararam.
Desejei todo o resto que senti emergir,
ou apenas outras linhas desconexas de inconsci�ncia infantil
nas quais meditar.
Chega num certo ponto, depois ela n�o escreve mais,
sem aviso pr�vio e sem escrever que n�o escreveria mais.
Talvez tenha achado um di�rio melhor
ou uma vida melhor.
O fato � que fiquei com o di�rio e o continuei,
porque gostei daquela vida.
O que vem a seguir � inspirado em uma hist�ria real.
A hist�ria real � inspirada em uma hist�ria falsa.
A hist�ria falsa n�o � muito inspirada.
As imagens que ver�o agora s�o muito chocantes.
Um massacre familiar aconteceu hoje � tarde em Spinaceto.
De acordo com a reconstitui��o,
os pais de uma beb� de alguns meses
teriam assassinado a rec�m-nascida afogando-a na banheira.
Alguns minutos depois,
eles teriam pulado da sacada do quarto que alugaram.
Ambos os pais faleceram.
No quarto do jovem casal foram encontradas
v�rias caixas de ansiol�ticos e antiespasm�dicos.
Alguns h�spedes do hotel teriam ouvido o casal discutir
e gritar amea�as de morte.
Ningu�m interferiu porque...
Lan�amos um novo sabonete para peles hipersens�veis,
um produto espumante, que n�o agride a pele.
Eu mesmo colaborei tanto na ideia
quanto na realiza��o.
Como se n�o bastasse, tem a nova linha de shampoo.
Shampoo desenvolvido para os olhos das crian�as
porque n�o ardem.
As pessoas podem pensar: "Que atividade estressante."
Mas se voc� tem um emprego
deve sempre tentar al�ar voos mais altos.
Sen�o por que diabos vivemos?
"Voc� quer passar o resto da vida vendendo �gua com a��car
ou quer ter uma chance de mudar o mundo?"
Steve Jobs. Que g�nio! Eu li o livro dele.
Ultimamente as �nicas leituras que posso me conceder
s�o os an�ncios de emprego.
Que tipo de emprego est� procurando?
Qualquer coisa. Algo adequado...
At� porque estou parado h� meses.
Isso n�o faz bem para o c�rebro.
Voc� n�o me parece parado. Est� sempre correndo.
Onde? Dentro de casa.
N�o viu que virei dona de casa?
Se voc� n�o trabalhasse...
Vamos fazer uma coisa, vamos falar de coisa boa.
Crian�as, podem buscar os boletins?
Eles receberam os boletins.
N�o, fique a� mesmo.
Comece voc�.
Italiano, dez. Ingl�s, dez. Segunda L�ngua, dez.
Hist�ria, dez. Geografia, dez. Matem�tica, dez. Ci�ncias, dez.
Tecnologia, dez. M�sica, dez. Educa��o Art�stica, dez.
Educa��o F�sica, dez. Comportamento, dez.
Tudo dez.
Italiano, dez. Ingl�s, dez. Hist�ria, dez. Geografia, dez.
Matem�tica, dez. Ci�ncias, dez.
Tecnologia, dez. M�sica, dez. Educa��o Art�stica, dez.
Educa��o F�sica, dez.
Comportamento...
Nove.
Viola ainda precisa se esfor�ar um pouco mais.
Precisa melhorar duas notas baixas,
mas estamos trabalhando nisso.
� que o professor de apoio dela � um imbecil.
- Pare com isso. - Ent�o n�o � imbecil, � burro.
Ele pode ser bom com deficientes, mas n�o com crian�as normais.
� verdade, ele � um pouco burro.
Que problema, n�o?
Antigamente eu gostava de bazares de rua,
mas os �ltimos se tornaram piegas.
N�o te interessa o que os vizinhos vendem,
� sempre a mesma coisa.
Ningu�m compra e voc� s� queima sua cara.
Quanto custa?
Tipo muito dinheiro.
- Quanto voc� tem? - Nada.
N�o basta.
Sim, mas quanto custa?
Trinta euros.
- Voc� me d� 30 euros? - Como �?
- Me d� 30 euros? - Para fazer o qu�?
- Uma coisa did�tica. - Pe�a para sua m�e.
M�e, pode me dar 30 euros?
S� porque j� vendemos duas coisas.
- Traga o troco. - Pode deixar.
Nem sei se custa 30 euros mesmo.
Pode valer muito mais.
Vamos perguntar para minha m�e.
Ei, m�e.
Quanto custa aquele neg�cio...
De metal... o detector?
Custa 15 euros.
Escute aqui.
Como voc� tem dinheiro sobrando...
n�o est� a fim de...
Vai se foder.
Querid�o! Daqui a pouco voc� estar� melhor.
Se n�o chamasse "supress�o" seria muito mais f�cil.
"Pacifica��o", ou melhor, "repacifica��o."
Ou melhor, n�o.
Geremia, esse � um momento entre voc�s dois.
Despe�a-se do Bau pela �ltima vez.
Despe�a-se! Fa�a tchau com a m�ozinha!
Geremia, por favor, n�o fa�a isso.
Infelizmente ele tem uma doen�a que fode a cabe�a dele. Vamos!
Ele entendeu que voc� se despediu.
Ele sabe que voc� o ama, confie em mim.
Vamos. Coragem.
Ele acordou.
Lembra como era antes? Voc� estava sempre doente.
Malandr�o!
Olhe s� para ele, est� chorando.
Melhor raiva do que depress�o. Ou talvez n�o.
Bau, vou te levar para tirar f�rias.
Volto em duas horas, no m�ximo.
Vou buscar a pizza. Voc� quer croutons tamb�m?
Jogue bola, fique aqui. Fique sossegado, certo?
Vamos, Bau!
M�e!
Acabou a porcaria do molho!
Voc� est� acabada.
Aquela � a sala dos professores e tamb�m � minha sala.
Ent�o aquela � a �nica geladeira que tenho quando trabalho.
Se eu colocar algo meu,
n�o significa necessariamente que � para dividir com todos.
Sen�o significa que n�o podemos nem trazer comida de casa
e devemos passar o intervalo enfiando dinheiro
no maldito distribuidor, certo? Fala s�rio!
Guerrini! Esquisito, o que voc� tem?
Precisam de um reserva no restaurante e estou indo.
Hoje acabou meu primeiro ano de ensino fundamental.
Para as f�rias, nos deram para ler "O Fantasma de Canterville."
Eu j� li, mas n�o contei para ningu�m
para evitar fazer resumo para os outros.
Tenho muitas coisas para fazer neste ver�o.
Talvez eu me apaixone, como no ano passado.
E a�, ot�rio.
D� para tirar os p�s da�?
Pode deixar uma para mim?
Tudo bem.
Ficou gostoso?
Ei, d� uma risada!
Quando vai nascer?
Daqui a dois meses.
Mas...
voc� tem certeza que quer ter um filho?
Vai se foder!
Como foi o curso de flauta?
Achei algo meio... amador.
O pavilh�o n�o estava equipado.
Tivemos uma hora livre antes do professor chegar.
Ele se atrasou.
Est� certo.
Vamos mudar ent�o.
Certo?
Tem muitos cursos por a�.
� bom se as crian�as...
aprenderem v�rias coisas diferentes.
Um pouco de flexibilidade.
Ainda mais que a primeira aula � gratuita...
Certo?
Ei, Dennis!
Cuspa.
Vai, beba um gole d'�gua.
- Ele engasgou! - Tome!
- Est� morrendo engasgado! - O que diabos devo fazer?
Vamos l�, cuspa!
Cuspa!
- Ele est� sufocando! - O que devo fazer, porra? Cuspa!
Cuspa logo!
- Voc� est� bem? - Claro que est�.
N�o, fique calma.
Alessia...
Alessia, calma.
N�o aconteceu nada.
O que houve aqui?
O que aconteceu?
Vamos l�.
Deu tudo certo.
Vamos l�!
Amor, acalme-se, por favor.
Vamos comer agora.
Estou com fome.
Que porra de hist�ria.
Agora chega. N�o me irritem!
Vamos comer.
Est� certo.
Entendi.
N�o podemos nem comer um bife em paz nesta casa!
Que mundo de merda!
Viu o que voc� fez?
Voc� fez seu pai chorar.
Fomos � praia p�blica.
O papai disse que vamos � praia para entrar no mar
e o mar n�o muda,
� o mesmo para todos, ricos ou pobres.
Mas ele foi o primeiro a n�o se divertir.
E a sua filha?
J� nasceu.
Mas est� no hospital.
Na incubadora.
No fim do ver�o irei busc�-la.
Est� quase quente.
Cheguei!
Trouxe um lanchinho para todos! Peguem!
Voc�s s�o uns amores, estudam at� nas f�rias.
O sonho de todas as m�es.
O que est�o fazendo?
Precisamos terminar o projeto antes do in�cio das aulas.
Se quiserem, tem melancia l� embaixo.
� s� n�o engolir os caro�os,
sen�o nasce um p� nas suas barrigas.
At� logo.
O papai achou em oferta uma piscina pr�-fabricada
que armamos no jardim.
Uma varia��o econ�mica aos ver�es normais.
Como muitas pessoas est�o nas mesmas condi��es que n�s,
nossa piscina e nosso jardim
viraram o jardim e a piscina do bairro inteiro.
- Bruno! - E a�?
Susanna e eu n�o sabemos como agradecer voc�s.
- O trabalho n�o me d� folga... - Imagina.
Saber que podemos deixar as crian�as num lugar seguro.
� um prazer. N�o � nada de mais.
Vou pegar minha filha. Voc� a viu?
Meu Deus...
Ali est� ela.
Coloque os sapatos.
Vamos.
- Agrade�a o tio Bruno. - Obrigada.
Tchau.
Aquela porcaria de piscina naquela casa de merda.
Acalme-se, por favor.
Acalme-se uma ova, Susanna. N�o me acalmo porra nenhuma!
Se ela n�o pegou l�, onde pegou?
A piscina...
com piolhos.
Que fam�lia de pulguentos, carrapatos comunistas.
Voc� est�... linda.
Hoje de manh� acordamos com uma not�cia horr�vel.
Ao sair no jardim,
vimos que destru�ram a piscina com uma picareta.
Dennis e eu ficamos dez minutos parados, im�veis
diante da banheira rasgada irremediavelmente.
S� o papai conseguiu nos encorajar.
Eu gostaria de ter o car�ter do papai.
A crueldade humana nem o surpreende mais.
Algu�m compra uma piscina, abre a pr�pria casa aos outros
e ainda assim vira v�tima da inveja alheia.
O papai falou de ciganos, quase certeza que foram eles.
Ciganos com picaretas, ciganos sem piscinas.
Pronto.
Pietro, precisa tirar as bexigas que pendurou l� fora.
Levei meia hora para pendurar e agora vou tirar?
Desculpe, mas se a Viola as vir ao chegar,
n�o ser� mais uma festa surpresa.
Leia, Viola. Leia.
Muitas, muitas felicidades da fam�lia Placido.
Que lindo.
- Voc� gostou? - Gostei.
Foi a Alessia que escolheu.
- Obrigada. - Viola, olhe aqui.
Espere... Isso, �timo.
Fique ali, Bruno. Entre ali.
- Preciso sair na foto? - Vai ficar bonita! A fam�lia...
Sorriam. Fiquem bem perto.
Se aproxime mais.
Muito bem. Esperem. Esperem um pouco.
Desculpa.
- Vai logo! - Espere.
Est� sem calcinha. Voc� viu? Olhe direito.
- Tamb�m com aquela bunda... - A bunda dela s� falta falar.
- Que porra est� vestindo? - Ela fez de prop�sito.
Fez de prop�sito.
Eu enfiaria uma faca, l� embaixo...
Com certeza, Bruno.
Faz�-la esguichar na sua cara.
Isso, vai rindo mesmo.
Que puta. Ria na cabe�a do meu pau.
Algu�m precisa enfiar na boca dela.
� o que dever�amos fazer, sem dizer porra nenhuma.
Era s� peg�-la, jog�-la...
Um dia ainda esbarro com ela sozinha. E foda-se!
Por mim, podia ser hoje mesmo.
Levaria s� um segundo.
Olha l�, veja s� como ri.
Lindinha! De que diabos est� rindo, puta?
Vem c�. Ria na cabe�a do meu pau.
Imagina quantos pintos comem o cu dela � noite.
TRANSANDO COM UM VELHO E ENGOLINDO ESPERMA
JOVENS FAZENDO BOQUETE NO PARQUE
RUIVINHA SENTANDO EM RAPAZ NEGRO
Seu pai n�o percebe que voc� espia o celular dele?
Imagina, uso a desculpa que a c�mera dele � melhor
e quando eu pe�o, ele me d�.
N�s tamb�m faremos sexo uma vez, n�o faremos?
Assim teremos feito tudo.
Claro, certo.
Voc� tem algum dia livre na semana?
Que seja entre quarta e sexta-feira.
Vai se foder, sua vadia...
Voc� gosta...
Voc� gosta de patinar?
� melhor chegar j� no fim.
Confie em mim, fui a centenas de festas assim.
As meninas me convidavam uma vez por semana.
Elas sempre me convidavam.
�s vezes eu ia, outras n�o.
Dependia de quem convidava.
Quando elas me viam ficavam t�o felizes!
Elas n�o ligavam se eu n�o levava presente,
o presente era eu.
Sabe o que me disseram no trabalho?
Que eu pare�o o coiso...
O Antonio Banderas.
Sabe quem �? Aquele dos filmes.
Quem poderia imaginar?
Se n�o formos � festa, que se foda.
Comeremos um sandu�che de presunto e queijo.
Estou com fome...
Eles que se fodam! Eu nem gosto deles.
Principalmente daquela menina. N�o sei, ela � meio estranha.
� isso a�!
Muito bem!
Oi, professor. Est� calor, n�o?
- Est�. - Um exagero.
Desculpa.
Isso aqui est� meio bagun�ado.
Voc� nunca para de trabalhar?
Estou dando aula de recupera��o para uns idiotas.
Dinheiro f�cil.
E voc�? N�o me d� tr�gua mesmo.
Quer mesmo estudar nas f�rias?
N�o, ainda � a mesma mat�ria.
S� que... algumas coisas ainda n�o est�o bem claras.
Ainda bem, sen�o significaria que voc� � um g�nio.
Os g�nios t�m uma vida horr�vel.
O que voc� trouxe?
Nada, coisas que ainda n�o entendi direito.
Certo.
Agora de manh� faremos isto,
mas � tarde voc� n�o vai encher meu saco
e vai sair por a� olhando as meninas de biqu�ni, certo?
Muito bem, querido!
Assim mesmo.
� isso a�!
Veja s�! Voc� est� voando! Muito bem!
Isso a�!
Isso!
Seu filho da puta!
Voc� � igual a mim! Entendeu?
Voc� � igual a mim! � igual a mim!
Bom garoto!
Isso a�!
Voc� � igual a mim! Entendeu?
Puta que o pariu!
Puta que pariu voc� � bom nisso, porra!
Isso a�! Porra! Isso mesmo!
Puta que o pariu!
Como voc� est�?
Melhor?
Caramba.
Sabia que eu trouxe sobras do restaurante para voc�?
Eles iam jogar para os c�es.
E eu disse: "Dar para os c�es? Eu tenho um filho!"
Voc� quer comer aqui ou na mesa comigo?
N�o se preocupe, eu trago, certo?
� de cogumelo e lingui�a.
Sinta s� esse cheirinho!
Veja s�!
Coma.
Tenho outra boa not�cia, sabia?
Encontrei a m�e daquela menina. Sabe qual delas?
Aquela da festa de anivers�rio que est�vamos indo outro dia.
Ela soube que voc� est� com sarampo.
Ficou toda feliz e disse que a filha ainda n�o pegou
e acha que essa � uma boa oportunidade.
Porque os filhos dos amigos dela j� tiveram e n�o podem ajud�-la.
Vamos marcar com elas de passarem uma tarde aqui,
assim ela traz a filha,
voc� fica com ela, ela pega sarampo
e voc� pega ela, certo?
N�o ficou feliz?
Sem isso, voc� arriscou perd�-la porque est� sempre emburrado.
Agora coma um peda�o de pizza.
Isso, fa�a como eu, os dois juntos.
Estou louco para transar.
A m�e daquela menina ligou.
Elas pegaram tr�nsito, mas est�o vindo.
Vamos l�, levante-se.
Elas chegaram, s�o elas mesmo.
Acene, vamos l�!
Sorria.
Mandei sorrir!
Vai falar com a menina!
Vai logo!
Oi, lindas!
- Bem-vindas! - Obrigada.
- Como vai? - Tudo bem.
Ol�.
- Que bonito! � um bolo? - Oi!
- N�o, � uma rosca. - Rosca!
- Ainda bem que j� tive sarampo. - Eu tamb�m.
Sim, � uma rosca que fiz. Ficou bem gostosa...
E eu trouxe a metade.
Tenho sorvete no congelador, mas a rosca � melhor.
- Voc� � que sabe. - Claro.
- Est� certo. - Bem, vamos entrar.
- Vamos. - Por aqui.
Venha, Viola.
Esta � a minha casa.
- E dele tamb�m. - Claro.
De n�s dois. Como pode ver, estamos rodeados de verde.
� um lugar lindo!
Meu pai plantou todas essas �rvores.
- Ele morreu h� um ano. - Sinto muito.
Ele plantou aquela quando eu nasci.
Estamos em reforma. Logo v�o levar esses tijolos.
- Que bom. - Veja que temos duas entradas.
E n�s entramos por aqui.
- Entre, por favor. - Claro.
Vamos deix�-los a s�s que somos chatos.
� verdade.
- Pode segurar a rosca? - Claro.
Geremia, vem c� um segundo.
Querido, coloquei precau��es dentro da sapateira, caso...
- Fique � vontade. - Sim.
- Sinta-se em casa. - At� logo, Viola.
- Como ela � bonita! - Sim.
� o meu tesouro.
Pode entrar. � direita, por favor.
- Certo. - Por a� mesmo.
- Muito obrigada. - Voc� veio sozinha?
Sim. Vim.
- Porque meu marido... - Coloque em cima das bananas.
Vamos fazer agora?
Agora, agora... Que horas s�o agora?
N�o sei, quatro horas?
Est� certo.
- Tenho que deitar? - Acho que sim.
Jesus, est� fervendo!
Vem c�.
- Pode tirar a roupa. - Voc� � quem manda...
Ou�a, assim n�o vai rolar.
N�o estou acostumado com isso.
Quer dizer, � muito estranho.
Tudo muito estranho.
Vamos fazer assim.
Voc� vai ficar aqui.
Eu irei rapidinho pra l�. Vou me concentrar, me acalmar
e voltarei cheio de energia, entendeu?
Entendi.
Por que n�o coloca a peruca assim?
Assim como?
Assim. N�o, espere.
Isso, assim.
Voc� continua bonita.
Claro, eu sei.
- Voc� acha que j� peguei? - Sei l�.
N�o sei se sou capaz.
N�o seja p�o-duro, passe para mim!
Passe logo!
Voc� fica bonito quando sorri.
Se voc� rir, o sarampo sair� da sua boca e eu pegarei.
Sen�o terei que te beijar.
Beije minha boca, assim encerramos isso
e voltarei para casa com minha m�e.
O que voc� prefere?
Para mim j� est� bom se voc� s� ficar aqui comigo.
Voc� me faz bem.
Voc� est� lendo a minha m�o?
- Estou. - E o que diz?
N�o � da sua conta.
Tchau. Dirija com cuidado!
V� devagar! At� logo!
E ent�o? Como foi?
Homenzinho, veja o que voc� ganhou!
Uma cerveja. Agora vamos beber.
Voc� j� notou como a vida � estranha?
Eu teria comido aquela m�e, mas n�o parecia o caso.
Ela come�ou falar do marido,
dos problemas dele, do emprego dele.
Saber que voc� se divertiu para mim j� � o suficiente.
Isso � o que importa para o papai.
Se voc� n�o sabia antes, agora sabe.
Vai, comedor, vamos brindar!
Viva essa porra de ver�o!
Retardado! Sairei em dois minutos.
Normalmente, vivo os �ltimos dias de f�rias com ansiedade.
Fa�o contagem regressiva
enquanto tento parar o tempo, at� a �ltima noite.
Mas eu n�o paro nada e aquele dia chega.
Meu pai abre a porta e diz: "Acordem!"
Mas este ano n�o senti nenhuma ansiedade.
N�o fiz contagem regressiva, nem sequer na �ltima noite.
S� assisti a um filme.
Acho que Dennis e eu nos acalmamos.
N�s amadurecemos.
Meu pai abriu a porta e nos acordou.
Puta que o pariu, seu idiota!
Boqueteiro de merda. Puta que o pariu, vai se foder!
Caralho! Meia hora!
- Voc� n�o tinha carro? - Perdi minha habilita��o.
Por qu�?
Est� dando em cima de mim, moleque?
Como acha que est� se saindo?
Muito bem.
Vai � merda.
Se eu te contar um segredo,
promete n�o contar para ningu�m?
Voc� � bicha?
N�o, � s�rio.
O que voc� quer?
Estou construindo uma bomba
para explodir o bairro inteiro.
Assim tudo isso acaba.
Ali�s, n�o sou s� eu que estou trabalhando no projeto.
Mas sou eu quem decide tudo.
Vai se foder!
S� quis te avisar por causa da sua beb�.
Pare de encher meu saco!
Estou indo trabalhar.
Sua prima ligou, ela vai passar aqui depois.
Aquele menino estava construindo uma bomba dentro de casa.
No pr�prio quarto.
Ele a mantinha l�.
Ela disse que chamaram o esquadr�o antibombas
e eles levaram tudo.
Ali�s, isso era um perigo,
mas um perigo para todos, n�o s� para a fam�lia.
Estou sem palavras.
Ouvi dizer que ele � meio... Ele � estranho, n�o?
- Um desajustado. - N�o tenho palavras.
Eu tamb�m n�o.
N�o h� palavras, se pensarmos que...
Quer dizer, ele realmente tinha uma bomba
em cima da mesa do quarto.
O pai disse que nem sabia
enfim, ele nem tinha notado.
Disse que o filho falou...
que precisava fazer uma pesquisa.
Uma coisa da escola, sabe?
Bem, n�o h� palavras, voc� disse bem.
Dalila?
- Voc� est� a�? - Desculpa, preciso desligar.
Preciso atender uma liga��o do trabalho.
- Me desculpe. Tchau. - Tchau.
Vou fumar l� fora.
O que voc� tem, m�e?
Nada, Alessia. Fique calada.
Estou menstruada. A mam�e est� menstruada.
Ou�am, hoje a mam�e est� de saco cheio para cozinhar.
V�o ao cinema, assistam algo e comam pipoca.
- Podem ir. - M�e, 100 euros?
V�o logo! Podem ir!
Como foi o filme, legal?
- Foi? - Sim.
Que bom.
Vamos dar uma volta, s� n�s tr�s?
O papai n�o quer voltar para casa.
N�o, por favor, estou cansada.
E amanh� tenho aula.
� mesmo? Claro.
Mas � o papai quem decide.
Vamos dar uma voltinha mesmo assim.
Pai.
Posso perguntar uma coisa?
Pode falar, Dennis.
Mas voc� e a mam�e...
Voc�s est�o bem?
Quer dizer...
Est� tudo bem entre voc�s dois?
Saia um pouco, garoto.
- Mandei sair. - Por favor, pai!
Alessia, calada, n�o falei com voc�.
Dennis, saia do carro. Saia logo!
Vem c�!
Venha!
Repita o que disse.
- O que voc� disse? - Nada.
- O que disse? - Nada.
Agora vou te mostrar como eu e sua m�e estamos.
Vem c�! Venha!
Como eu e sua m�e estamos?
Eu e sua m�e como estamos?
Seu imbecil!
Vem c�! Levante-se que n�o fiz nada!
Voc� n�o passa de uma merda humana!
Entre no carro, cale a boca e ai de voc� se respirar!
Eu e sua m�e estamos bem!
Eu e sua m�e...
Voc� n�o tem nada a dizer, Alessia?
N�o quero ouvir nem mais um pio!
N�o quero ouvir ningu�m chorar!
Eu sou o �nico que deveria chorar!
Fizemos piquenique hoje.
Foi estranho porque n�o era nem domingo nem s�bado
nem qualquer feriado.
Mas n�o dissemos nada,
porque precis�vamos de um piquenique.
Durante a viagem passei mal no carro,
mas quando sa�, imediatamente me senti melhor.
Eu me senti melhor e fiquei diante desse lindo campo verde.
O papai estava com dor de dente e a dor n�o passou.
Voc� deve ficar feliz por ter dois pais assim.
Voc� deve ficar feliz.
Entendeu?
Porque � normal que �s vezes as coisas n�o sejam
como voc� quer.
Entendeu?
A mam�e tamb�m quando era pequena
e vivia com a vov�...
n�o podia fazer muitas coisas...
e queria ir embora...
Alessia!
M�e!
Cad� todo mundo?
Dennis?
M�e?
Pai?
Voc� � o melhor pai que eu conhe�o.
Voc� tamb�m � a melhor m�e que eu conhe�o.
Eu gosto de comer a massa sozinha.
Veja, assim.
Tire tudo. Experimente.
Assim.
Enfim, decidi te tirar daquela escola.
H� muito mal-estar naquele ambiente.
Mudaremos de casa, escola e cidade
e seguiremos adiante.
Ent�o por um tempo voc� n�o vai estudar
enquanto procuro um lugar novo.
Eu iria direto para Roma.
O que acha? Esse campo j� deu no saco!
Est� cheio de fan�ticos que vivem no atraso.
S�o um monte de merda.
Vou perguntar para o meu primo de Casal Bruciato
se podemos ficar com ele.
Podemos dividir uma cama na sala.
Vai ser engra�ado! Que legal, n�o?
Lembra quando pass�vamos todas as noites juntos?
Que sorte!
Que bacana.
Oi.
Voc� tamb�m vai embora?
Vou.
Encontrei isto no salgadinho.
� seu, te dou de presente.
Est� certo. Tchau.
Vamos fazer compra.
Vamos.
O que est� segurando? Mostre para mim.
O que � essa porcaria? Jogue fora. Anda logo.
Vamos logo, mexa-se!
Pode entrar.
- O sol est� bonito hoje, n�o? - Ol�, professor. Sente-se.
Oi.
Ent�o...
Com certeza voc� est� sabendo das press�es consider�veis
que n�s sofremos...
nesta escola, por pais e professores.
Mesmo sem...
Mesmo sem inten��o...
foi voc� que forneceu as no��es
que os alunos posteriormente colocaram em pr�tica.
Digo, para construir as duas bombas.
Exato.
Como eu ia saber que aquele menino era doido?
Os pais n�o notaram e eu deveria ter notado?
Mas infelizmente, devido a situa��o que se criou...
tudo o que nos resta � substitu�-lo por um colega.
- � mesmo? - Sim.
N�o pense que me chocou.
"Meu Deus! Demitido desta escola de esquisitos!"
Ali�s, eu tinha percebido
pelo jeito que todos me olhavam na entrada.
Ent�o n�o banque a superior.
Bem, a situa��o � essa.
Agora saia, por favor, tenho muitas reuni�es hoje.
Claro, entendo.
Posso ao menos dar minha aula hoje?
Claro que pode.
- Bom dia. - Bom dia.
� nossa filha que est� chorando?
N�o est� vendo que � um cachorro?
N�o, pareceu nossa filha.
- Ela j� � uma cadela. - Como voc� � idiota!
Seja adulto.
- Eu sou adulto. - Claro...
Voc� � o pai, porra.
E voc� � a m�e.
Estamos sendo adultos.
Fizemos muito bem em sair de l�.
Se ainda estivesse com sua m�e, a beb� j� estaria morta.
Certo.
� verdade, mas � s� o primeiro passo.
- Agora precisamos crescer. - Vamos crescer.
De uma vez.
S� d� para crescer uma vez mesmo.
Beleza...
Amanh�, ao chegarmos em Spinaceto, planejaremos melhor.
Ficaremos numa pens�o.
Falarei com meu amigo que � ajudante de pizzaria.
Ele ganha muito dinheiro. Assim eu tamb�m ganharei.
Se voc� ficar entediada em casa, pode arranjar um emprego.
Pode trabalhar num bar como gar�onete.
Agora se interessou, n�o? Assim teremos dois sal�rios.
No ver�o iremos dan�ar em Ibiza.
Em Ibiza.
Em Ibiza ou onde der na telha.
Amor, mas primeiro precisamos ir ao cart�rio.
N�o podemos chamar nossa filha como uma m�sica do Vasco Rossi.
Escolhemos o nome juntos, do que diabos est� rindo?
Dev�amos cham�-la de Sara.
Como a m�sica do Meneguzzi, lembra?
Lembro.
- Aquela � a nossa m�sica. - Beleza.
Como assim?
Mas que porra...
Que porra � essa?
Sob o sol
Voc� decidiu partir
Para buscar uma outra vida
Para seguir
Sara, que caminha Contra o sol
Contra os outros Contra todos
Quer viver cada instante
Da vida
Vilma.
Est� chorando por causa do nome?
N�s podemos mudar o nome.
Vilma...
Acorde, s�o 4 da manh�.
- Preciso ir ao banheiro. - Pode ir.
Dennis.
Meu Deus, esses dois...
Alessia!
Alessia!
Crian�as.
Crian�as.
Meu Deus! Socorro!
Socorro!
Meu Deus, Bruno! Bruno!
Algu�m me ajude!
Meu Deus!
Socorro!
Bruno!
Bruno!
Meu Deus!
Bruno!
Estranho eu nunca ter falado para voc�s do Malathion.
No entanto, � um assunto muito interessante.
O...
Malathion.
Isso.
Quantos de voc�s t�m jardim?
Aposto que todos, acertei?
Tenho certeza que em todas as garagens,
seus pais guardam um frasco de Malathion.
O Malathion � um inseticida poderoso.
Devemos a ele a vit�ria contra a mosca do Mediterr�neo
nos anos 80.
Socorro!
Ele � capaz de paralisar as termina��es nervosas
de mosquitos e outros insetos,
al�m de eliminar os ovos de piolhos adultos.
Estamos falando de um produto realmente perigoso.
Dada a irreversibilidade da sua a��o inativadora
nas colinesterases, talvez ele seja
o pesticida mais perigoso no com�rcio.
Enfim...
ele � facilmente encontrado em muitas lojas.
E tamb�m � bem barato.
Ada.
Amor, acorde.
Estou descendo para trabalhar.
Vejo voc� no almo�o, combinado?
As p�ginas do di�rio terminam aqui.
Preenchi as �ltimas escrevendo cada vez menor,
apertando as palavras nas margens.
Fiquei tentado a comprar um novo di�rio,
para continuar com os eventos seguintes,
ent�o um dia fui at� a papelaria
e folheei v�rios.
Todos eram �timos, baratos e completamente vazios,
mas senti que n�o era a mesma coisa.
Olhando para eles, n�o soube como os preencheria.
Eu n�o tinha inspira��o.
Ent�o n�o comprei nenhum di�rio novo.
Peguei os jornais "Gazzetta" e "Guerin Sportivo"
e voltei para a monotonia do ver�o
feito de mercado da bola, descascar frutas
e maldi��es dos turistas.
Eu solucionei assim.
E aconselho voc�s a fazerem o mesmo.
Meu querido!
- Caramba! - Vem c�.
Como voc� est� bonito, puta que o pariu!
- O que voc� fez? - Como assim o que eu fiz?
- Perdeu cabelo? - Deixa pra l�.
- Est� ficando velho. - Estou h� uma semana
sem m�quina de lavar, Rosaria tem lavado minhas roupas.
- Ela ainda n�o morreu? - Nem a morte a quer.
- Veja s� esse moleque! - Viu s�?
Voc� virou um varapau. D� um beijo no tio.
Vamos l�! Lind�o! Entre, venha para dentro.
- Me d� sua mochila. - Vou deixar isso aqui.
- Voc� trouxe biscoitos? - Sim, peguei direto do forno.
Estou muito feliz que ficar�o um pouco aqui comigo, sabia?
- Eu tamb�m. - Vai conhecer todos do bairro.
Querido, sente-se.
- Voc� lembra deles? - Claro.
Mimmo...
O pr�ncipe, a lobinho.
- Viu... mas e o Omar? - Omar se foi h� dois anos.
Ele foi preso?
Foi assassinado. Atiraram nele aqui no parquinho.
Eu n�o sabia.
N�o repare na bagun�a,
passei uma semana com febre e n�o consegui arrumar.
- N�o ligue. - N�o se preocupe.
Vou ficar por aqui esta noite.
Eu durmo aqui e voc�s ficar�o no meu quarto.
- Nem pensar. - Ser� um prazer.
Est� certo. Eu agrade�o.
Ou melhor, n�s agradecemos.
O doido estava construindo uma bomba no quarto.
- E da�? - Ele fez tudo sozinho!
Nota-se que ele � inteligente, tem o nosso sangue.
Pois �...
- Sabe onde ele pode trabalhar? - Onde?
Na NASA.
Ser� que tem um equivalente � NASA no pa�s?
Claro, com certeza. N�s n�o somos atrasados.
Vamos jantar por enquanto.
Mortadela, mu�arela de b�fala, copa su�na, vinho.
E foda-se quem n�o gosta de n�s.
- Eu te amo. - Eu tamb�m. Muito.
Que dia incr�vel, n�o?
Amanh� acordaremos �s 7h.
Vamos procurar uma rebarbadeira barata.
Depois passaremos na oficina do tio.
Mas antes tomaremos caf� no bar, com croissant e cappuccino.
O que acha?
Bom.
Boa noite.
Sinto muito remorso por ter contado
essa hist�ria sem sentido, amarga e pessimista.
Talvez voc�s merecessem algo mais realista,
uma hist�ria normal, daquelas que ocorrem diariamente.
N�o o desabafo de algu�m entediado com a vida.
Pe�o desculpas a voc�s.
Vamos come�ar do zero.
O GP da Mal�sia foi suspenso
por causa das m�s condi��es clim�ticas
que n�o garantiam condi��es ideais para a realiza��o da corrida.
Uma decep��o enorme...
- Te atrapalhei? Quer que abaixe? - N�o.
Voltamos ao est�dio.
Eu sempre demoro um pouco para pegar no sono.
As imagens que ver�o agora s�o muito chocantes.
Um massacre familiar aconteceu hoje � tarde em Spinaceto.
De acordo com a reconstitui��o,
os pais de uma beb� de alguns meses
teriam assassinado a rec�m-nascida afogando-a na banheira.
Alguns minutos depois,
eles teriam pulado da sacada do quarto que alugaram.
Ambos os pais faleceram.
No quarto do jovem casal foram encontradas
v�rias caixas de ansiol�ticos e antiespasm�dicos.
Alguns h�spedes do hotel teriam ouvido o casal discutir
e gritar amea�as de morte.
Ningu�m interferiu porque a furiosa discuss�o
foi seguida por uma hora de tr�gua.
Traremos novos detalhes nas pr�ximas edi��es.
FAVOLACCE
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