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Original subtitles

E a liberdade? O amor consome a liberdade.

Castra a auto-iniciativa. Conduz à acomodação.

Destrói a individualidade. Leva à fraqueza.

Seja só.

O homem mais forte é o que está mais só.

Não dá pé. O amor não dá pé.

Outro dia, um amigo meu me perguntou...

quantas mulheres eu tinha amado?

Foram 234.

Fora as minhas professoras do curso primário.

Eu tenho visto todo tipo de experiência.

Noivados, ligações perigosas...

namoro, concubinato, amizade forte...

homossexualismo e até esquemas mais complicados.

Isso sem falar no casamento.

Insucesso total.

E mesmo que fosse possível o amor...

como escolher a mulher? As mulheres são muitas.

Todas diferentes. Forma, tamanho...

cor, personalidade. Impossível escolher.

Impossível escolher. Impossível escolher.

Eu sei que eu sou feio, mas isso não é documento.

Se ainda fosse no tempo dos meus pais, ou avós.

Talvez ainda desse.

Agora não.

As mulheres resolveram ser independentes.

O que complica as coisas de modo definitivo.

Num dá pé.

Paulo!

- É o Paulo. - Edu!

Rapaz. Há quanto tempo eu não te vejo.

- Entra aqui. Vem cá. - Faz cinco anos que não te vejo.

Eu não te vejo há uns dez anos.

- Como é que vão as mulheres? - Como é que vão as mulheres?

Você ainda tem esse carro, é?

Me fizeram uma falseta, Edu.

Você nem vai acreditar que eu tivesse caído numa dessa.

- Mulher, é? - Uma chamada Maria Alice.

- Eu conheço, ou não? - Não.

Eu conheci numa festa de Natal que eu dei.

Lembra o Natal que passou em Brasília logo antes da Revolução?

Natal fora do Rio é uma fossa, viu.

Oh, mamãe!

Eu quero te contar uma falseta...

porque foi a maior que me fizeram na vida.

É sério assim, é?

Resolvi dar a festa mesmo com o síndico reclamando.

E chamei todas aquelas nossas mulheres.

- A Martinha maconha foi? - Não, não foi.

Mas fora ela, estavam todas lá.

Eu sabia que não ia acertar.

Nem sei porque minha mão está tremendo.

É a minha vez. Me dá.

Eu vou mostrar para vocês como se joga este troço.

Paulinho, tem gente batendo na porta.

O que uns olhos tem que outros não têm?

O que um sorriso tem que outros não têm?

Eu sei que gamei pela Maria Alice na hora.

Paulo, quero te apresentar um amigo: Leopoldo.

- Prazer. - Ana Cristina, onde você está?

- A sua casa é muito bonita. - É sua, é sua.

Obrigado. Quero apresentar minha noiva, Maria Alice.

Muito prazer. Paulo.

Vocês não querem beber alguma coisa? Gim Tônica?

Minha casa é uma casa grande, sabe, Maria Alice.

E eu tenho o hábito do Natal, sabe, Leopoldo.

Todas as pessoas têm que colocar seu nome numa bola...

e colocar na árvore, assim no ano que vem... ué!

Essa daí eu não conheço.

Essa cobertura custa 150 contos.

- Barata. - Aluguel antigo.

Eu gosto muito do Natal, sabe.

Natal é o aniversário do Cristo.

Eu não sei de onde eu tirei essa mania do colocar...

- recortes na parede. - Ah, essa é linda.

Eu sou jornalista. Estou escrevendo um romance...

meio auto-biográfico nas horas vagas.

Esses aqui são meus cachorros, não são simpáticos?

- Olha como esse é lindo. - Esse aí é o Flynish.

Que gracinha.

Se você gosta de paredes de recortes...

eu tenho uma só de velhos no outro quarto.

Que bonitinho.

Paulo, está na hora de distribuir os presentes.

Paulo, está na hora de distribuir os presentes, hein.

Como é, Paulo, a gente vai ou não vai distribuir os presentes?

Livro, boneco, disco...

Cadê o meu presente?

Cadê o meu?

Do Paulo para o Leopoldo.

E do Paulo para a Maria Alice.

Olha só!

Leopoldo é um sujeito excelente.

- Eu custei a compreender ele. - Olha o que eu ganhei.

Mas cinco minutos depois, ele disse que tinha que ir embora.

Que tinha de trabalhar cedo no dia seguinte.

Aí então eu tive de tomar as minhas providências.

Roubaram a chave da porta. Ai pinóia, eu quero saber...

quem foi o cafona que roubou a chave da porta?

Calma, calma, calma, que vai dá.

Arromba aí, senão não vai.

Calma. Espera. Eu tenho uma técnica. Tem um grampo aí?

Tem grampo? Tem grampo aí? Tem grampo?

Você não tem um grampo aí? Me dá um grampo.

Não sei o que acontece com as festas que eu dou...

que sempre alguém rouba a chave da porta.

Ano passado a turma ficou presa aqui...

até véspera de ano bom.

Depois tivemos que chamar o corpo de Bombeiros.

Tinha gente com fome.

É, mas Leopoldo é um cara muito jeitoso.

Ele vai abrir esta porta num instante.

Essa ele não abre não. Yale, minha filha, Yale.

- Abri! - Abril!

Maria Alice? Ei, Maria Alice, abri.

Abri. Abri com um grampo. Com um grampo. Vamos embora.

- Mas que falseta. - Coisa nenhuma, rapaz.

Naquela noite mesmo eu consegui o endereço...

- da onde ela trabalhava. - Mas como?

Com a Glorinha. Lembra dela? Aquela do globo feminino?

Meu amor, você não pode negar esta informação. Não pode.

Maria Alice, que coisa curiosa.

Sabe que eu vinha pensando em você?

Trabalha nesta cidade, é? Não tem cara.

Faz o quê? Secretária?

É, de manhã. Eu tenho dois empregos, sabe.

Gosto de ganhar meu dinheiro. Não adianta nada, gasto tudo.

Escuta, eu não te conheço de algum lugar antes da festa?

- Sério. - Ah, sei...

Sabe o que você me lembra? Carnaval. Você me lembra carnaval.

É possível. Ano passado desfilei no Salgueiro.

Ei, baixinho, vem cá. Me dá um aqui.

- O velhinho. Me dá o velhinho. - O velhinho para o cavalheiro.

- Toma. Fica com o troco. - Obrigado. Muito obrigado.

- E estudar, você estudou aonde? - No Sion.

Então você conhece a Martinha Maconha, ela também estudou lá.

- Não, não era da minha turma. - Ah, é. Martinha é mais velha.

Escuta, vamos ver um instantinho só o homem que alimenta os pombos.

Tá na hora. Ah, vamos. Um instantinho só.

- Como vai o Leopoldo? - Bem, obrigada.

Você não acha chato não Maria Alice...

namorar um cara chamado Leopoldo?

Como é que ele é?

- Quem, Leopoldo? - É.

Por exemplo, o que ele tem que eu não tenho?

Sei lá, Leopoldo é um cara bacana.

- Um sujeito que se leva a sério. - Então você não me acha bacana?

Porque eu não me levo a sério. Ou levo?

Mas você também é um cara bacana.

Por quê?

Porque você não se leva a sério.

Maria Alice, eu te acho uma pequena inteligente...

a quem se pode dizer as coisas.

De modo que...

Olha, tô levando a maior chance de ficar apaixonado por você.

Você tem alguma coisa contra isto?

Por exemplo, nós dois...

na sua opinião, tinha alguma chance de dar certo?

- Ah, isso é difícil de dizer. - Eu sei, mas é que...

Sabe o que eu acho do amor, Paulo?

Acho que o amor é uma coisa que depende da gente.

Sabe, um objeto. Que a gente gosta e não quer que quebre...

ou coisa assim.

Então tem que cuidar, limpar todo dia.

Pois é, eu acho que o amor é uma coisa assim.

Por isso que o Leopoldo e eu vamos dar certo. Eu acho.

Magnífica.

Licinha magnífica.

Oi, Paulo.

Pensei que nós tivéssemos nos entendido ontem.

O Leopoldo está para chegar a qualquer momento.

Olha quem veio a praia.

Dá um trabalhão danado. Suja tudo.

Mas tá muito meu amigo.

Chato né, que você mora sozinha.

- Como é que você sabe? - Eu não sabia.

Maria Alice, eu vim te convidar para você me levar hoje à tarde...

no parque de diversões. Quer não?

Eu adoro parque de diversões.

Hoje é domingo, eu vou ao cinema com o Leopoldo.

Eu vou te dar uma sugestão.

Por que você não manda seu noivo ficar noivo de outra noiva...

e fica noiva de mim que não tenho noiva.

- Oi, Leopoldo, como vai? - Como vai?

Gostei muito daquela sua festa ontem.

Gosto muito desses lugares diferentes, sabe.

Vamos cair n' água?

- Vamos? - Num tá fria a água?

Não, tá ótima. Vamos lá, meu.

Vamos.

Segura o rádio. Eu trouxe óleo para você. Toma.

Pera aí, que eu vou abrir a barraca, tá?

Que onda!

- Tadinho. - Será que ele sabe nadar?

Paulinho, há quanto tempo que não te vejo. Que saudade.

Paulo, vou te contar uma coisa genial.

Exagerada.

- Fiquei noiva. - Aqueles ali são seus amigos?

Desculpe perguntar, Maria Alice...

mas aquele cara está dando em cima de você?

Tá.

Mas que coisa chata, rapaz tão simpático.

- Vamos para outro posto? Quer? - Vamos.

Paulo, fiquei noiva. Vou me casar no fim do ano.

- Adivinha com quem? - Quem?

Com o Orlando, filho do Coronel Ricardino.

- Quem? - O chefe de polícia. Que alienação.

Mas é estranho que ele tenha dado em cima de você.

Paulo, vamos lá pro fundo?

Não. Eu não gosto de passar da rebentação, é perigoso.

Eu nado mal.

- Então vamos para lá. - Vamos pra lá.

Eu vou comer um sanduíche.

Escuta só, Paulo. "Estou desesperada..."

"porque meu namorado vive abraçado com um colega."

"Adoro ele. E se vier a perdê-lo..."

"darei fim a minha vida."

"Paranaense arrependida e desesperada."

Resposta: "ora essa..."

"que grande amor é o seu que Ihe permite abraçar colegas?"

Que mulherzinhas chatas!

Deus meu!

Tão gostosinhas...

e tão chatas.

Será que a Maria Alice vai ficar muito tempo dentro d'água.

Naquele tempo eu não sabia, isto foi antes da festa...

que a Maria Alice quando entrava na água ficava lá mais de 1h.

Maria Alice adora praia.

Um dia ela tentou explicar, e aí disse: ouve bem.

"Na praia, Paulo..."

"eu me sinto em casa." Bonito isso.

- Não é bonito, Edu? - É.

A melhor coisa que pode acontecer a uma moça...

é namorar um cara da polícia.

Afinal é a lei.

Outro dia eu estava no Lê Bateau quando de repente...

batida de negócio.

Pele macia.

É uma virtude pele macia.

Ah, Paulo, aqui está você nesta curva do caminho.

Uma mulher no mar, outras na terra...

Não se pode dizer não a uma mulher. Nunca

Seria impiedoso, imoral e indecente.

As mulheres... é preciso conhecê-las profundamente.

E não há muitas formas de conhecê-las profundamente.

O Don Juanismo... ai...

é um sentimento cristão.

Paulo, eu vim me despedir. O Leopoldo...

Nós vamos ali no outro posto. Tem uns amigos esperando a gente.

Então eu vou também. Vamos os três pra lá.

Paulo, que grossura. Nem apresenta.

Muito prazer, Dorinha. Muito prazer.

Escuta, meu bem, nós não podemos mudar de posto.

- Por quê? - Você marcou com mil pessoas.

- Não lembra não? - Inclusive com o Horacinho.

É sim, Paulete, inclusive com o Horacinho. Num dá.

- Então foi esta a falseta. - Nada.

Aí foi a preparação.

Porque no dia seguinte... aliás para falar a verdade...

cinco minutos depois que ela foi embora da praia...

eu fiquei com saudade. Eu sei que é ridículo, Edu.

Estou apaixonado por você.

No duro. Sério. Apaixonadíssimo.

"Apaixonado: Particípio passado do verbo apaixonar."

"Dominado de paixão, entusiasmado..."

"possuído de grande amor."

E como é que você conseguiu me descobrir aqui?

Esperei na porta do teu trabalho uma hora e meia, depois te segui.

- Que livro é esse? - É sobre educação.

Eu estou muito interessada no assunto, sabe.

"Em nossa escola..."

"damos aos alunos desde o primeiro dia o direito de escolha."

"Não há horário fixo de aula, nem currículos pré-fixados."

"Nada é obrigatório."

"No princípio as crianças assustam com essa liberdade..."

"mas depois se acostumam."

"É isso que tentamos criar."

"Uma liberdade sem medo..."

"em Sumerville, Inglaterra." Bacana.

Paulo...

tá ficando chato esse negócio de você andar atrás de mim.

- Leopoldo já percebeu. - "Chato:"

"adjetivo do latim 'Platos'."

"Vulgar, rasteiro..."

- Impossível falar com você, Paulo. - "inoportuno..."

Você é um palhaço.

E as piadas, meu amor, as piadas que inventaria para te divertir?

Se você me namorasse, juro, riria o tempo todo.

Então vamos fazer uma aposta. Aceita?

Qualquer uma.

Você tem que me fazer rir agora. Se me fizer rir agora...

neste momento, eu juro que te namoro um pouco.

Maria Alice...

Maria Alice?

Maria Alice?

Pronto.

Perdi a aposta.

Você não tá rindo, sabe.

Tá até bem séria.

Não me esquece, tá?

Eu realmente gosto de você.

Se quiser me telefona, se não, juro que não a importuno mais.

Você tem o meu telefone?

É evidente que naquela noite eu não dormi...

esperando o telefonema.

No dia seguinte levantei, tomei um banho...

Alô? Alô?

Alô?

Alô? Alô?

Alô?

"Tentação:"

"Substantivo feminino."

"Disposição de ânimo..."

"para a prática de coisas censuráveis."

"Indução ao mal, por sugestão do Diabo."

Escuta, você tem alguma coisa para fazer hoje de tarde?

Ou pode me levar ao parque de diversões?

Aquele dia foi tão bacana que eu só me lembro do fim da noite.

Vamos tomar um café?

Não.

Vamos lá pra casa.

Amor, não vai dar tempo de eu dormir não.

Tá na hora de trabalhar.

Você fica aí dormindo, tá?

Quando eu chegar, te acordo.

Tá.

O bom dela, Edu...

é que me surpreendi a cada momento.

A Maria Alice me surpreendia a cada momento.

Bom dia.

Saiu a bolsa, Neuzinha.

Vou pro México. Não é formidável? México!

Estudar a cultura Asteca. Os astecas são uma tribo de índio...

absolutamente fantástica.

Você sabia que antes, antes da descoberta da América...

eles já tinham inventado o jogo de futebol? Não é fantástico?

Sabe, eu estive pensando...

pensando muito, muito mesmo.

É claro que eu assumo total responsabilidade dos meus atos.

Mas o que nós estamos fazendo com o teu marido...

não é justo, Ismênia. Não é justo.

Florinda, existe uma hora que o homem perde a visão.

E outra hora que ele recupera a visão.

Eu não posso mais suportar o que você anda fazendo comigo.

Você pensa que eu não sei que enquanto você me namora...

namora também o Edu.

Ah, você sabia é? Que chato.

O tempo apaga tudo, Edu.

Mas sabe que logo depois, ela fez a mesma coisa comigo.

Namorava eu e o Firmino ao mesmo tempo.

Bom, ela era meio neurótica.

Valéria. Não se assuste.

Foi o único jeito que eu consegui de entrar aqui.

Preciso conversar com você.

Precisamos acabar nosso caso.

É que tem uma garota aí que resolveu me namorar...

de modo que... você sabe como é...

uma fidelidadezinha assim no início para entusiasmar a moça.

Infelizmente é assim, Leopoldo.

Quer dizer, não sei se é infelizmente, mas é assim.

Eu acho que estou gostando do Paulo.

Eu e você sempre nos demos bem demais...

para ter que dizer mais do que isso.

- Deixou de gostar de mim? - Claro que não.

Você acha que vai continuar gostando dele?

Não sei, Leopoldo. Isso é difícil de dizer.

Não precisa dizer mais nada, Maria Alice.

Eu compreendo que agora você queira conviver mais com o Paulo.

Afinal se eu gosto de você, tenho que respeitar seus desejos.

Pensei em devolver os bonecos que você me deu. Mas depois...

- achei que era bobagem. - Claro que é bobagem.

Eu só quero um, para me fazer companhia.

Maria Alice, eu quero que você saiba...

que eu num gostei nunca de uma moça como eu gosto de você.

E que eu vou telefonar todos os dias para saber...

como você tá passando.

Minha vida com Maria Alice foi maravilhosa.

Mas e a falseta?

Ela gostava de uns programas diferentes, me ajudava...

e conversava muito comigo.

"A anatomia comigo se vê louca.

Sou todo coração.

Maria Alice...

- Maria Alice? - Eu.

Lê e me diz o que você acha.

Então, o que você acha?

Eu acho muito ruim.

Mulher tem que ser burra, Maria Alice.

Ficar em casa cozinhando, lavando louça.

Eu não acho não. Vocês homens são todos iguais.

Gostam das mulheres independentes, e as que não são.

Talvez você tenha razão.

O pior é que eu acho que nós mulheres é a mesma coisa.

Nós também. Nós queremos ser independentes.

E não queremos.

O pato vinha Cantando alegremente

Quando o Marreco sorridente Gritou

Carcará, pega, mata e come

Fiz a cama na varanda

Como você é desafinada.

No entanto é preciso cantar.

Olha lá uma estrela cadente.

Não é não.

Tá andando muito devagar.

Deve ser um satélite artificial.

Tem razão.

Mas agora não adianta, eu já fiz o pedido.

Qual?

Não, eu tenho vergonha.

Tem nada de ter vergonha não. Conta.

Um dia... eu quero casar na igreja.

De véu e grinalda.

Maria Alice?

Vem aqui em cima que eu quero fazer uma coisa.

Mas aí em cima?

Tô com uma vontade danada de dançar. Vamos dançar, Maria Alice?

Tem uma boate que eu ia com a minha turma...

que é animadíssima. Genial. Vamos?

Mas agora? Eu já ia dormir, né Paulo.

Ah, deixa disso, nenê, a vida é curta. Vamos lá.

Vem. Se você quiser, dorme lá.

Oba, Vieira, como vai? - Bem, obrigado.

Cadê o resto do pessoal?

- Tá meio vazio. - Ultimamente tem estado assim.

Sabe, Maria Alice, há quanto tempo eu não vinha aqui?

Oito meses.

Muito bom.

E cadê a tua turma?

Pois é, né.

Oh, meu amor, que saudade!

Maria Alice, eu queria te apresentar uns amigos.

- Aqui o amigo... - Einstein.

O Ulisses, o Albino...

- Albino, como vai? - Maria Alice, há quanto tempo.

- Tudo bom? - Vocês já se conheciam, é?

- Morávamos na mesma rua. - Morávamos na mesma rua.

Mas que desanimação, pessoal. Vamos dançar todo mundo.

Vem dançar. Vamos.

- Vem dançar, meu amor. Vem. - Vamos.

Vem, Maria Alice.

Genial, Alicinha, eu sabia que você levava jeito para este troço.

Toma. Bebe.

Meu amor, vou parar um pouco tá?

Cansei. Mas você fica aí.

Ei, Vieira, como está o resto do pessoal?

Como é, o Aristide continua brigado com a mulher?

Ele se suicidou, não soube não?

- E você, como é que vai? - Bem.

- Solteira? - Solteiríssima.

Puxa, o que é que eu tô perdendo, hein.

O que é que eu tô perdendo?

Norma, sabe o que você parece?

Um cavalo. Você parece um cavalo.

Maria, cansei, vamos embora.

Paulo, eu não queria vim. Você pediu, eu vim.

Agora eu tô querendo ficar. Fica um pouco.

- Deixa de ser cansado. - Paulo, deixa ela ficar?

Não!

Se você quiser, fica sozinha. Eu vou embora.

Só mais 15 minutos, Paulo?

Não. Eu já esperei duas horas.

Então vai você. Eu não vou.

- Vai. - Não vou.

Par ou impar?

- Par. - Impar.

Um, dois, três e já.

Ganhei.

Ganhou.

É... então eu vou.

Jogo é jogo.

Nós vivíamos bem. Eu e ela.

Mas um dia deu um bolo. Deu um bolo.

Amor, eu acho que vou aproveitar os finais das minhas férias..

para visitar meu irmão em Curitiba.

Meu sobrinho nasceu, e eu ainda nem conheço ele.

Não tem nada de visitar sobrinho não.

Essa casa é muito grande para eu ficar aqui sozinho.

Ah, Paulo, deixa de ser chato.

Se você for, quando é que você vai?

Esse fim de semana, né. Senão as férias acabam.

Ah, essa não, Maria... Alô?

Primo Paulo, quanta saudades.

Aqui é a prima Barbara.

Há quanto tempo não nos vemos, Paulo. Tenho saudades.

O que houve com você? Adoeceu?

Casou?

Que simpático.

Venha nos visitar, Paulo.

Eu e Dunia precisamos te ver.

Algumas amigas minhas estão morando comigo.

Eu e Dunia falamos tanto de você.

Todas querem te conhecer.

Além disso, virá também minha amiga argentina. Atriz.

Absolutamente fantástica.

Eu e Dunia inventamos jogos absolutamente fantásticos.

Traga também sua mulher. Se não houver outro jeito.

É duro para mim, Maria Alice...

mas é justo que você queira ver seu sobrinho.

Afinal, você ainda não conhece ele.

É só esse fim de semana.

Se ficar com saudade, volta logo tá.

Tá.

- Tá pensando em quê? - Tô chateada de te deixar.

- Eu também. - Eu vou ficar com saudade.

Eu também.

- Quando eu chegar te telefono. - Não esquece, hein.

- Não me esquece você. - Nunca.

Você não vai me trair, vai?

Boba.

Tá pensando em quê?

Vamos ter um filho um dia desses?

Pra não ter que ver o do meu irmão?

Sei lá, Alicinha. Eu ainda sou muito moço.

Isso eu também.

Te cuida, hein.

Tchau.

Cuide-se também.

Tchau.

- Bom dia. - Bom dia.

- Barbara? - Está lá embaixo.

Está na sauna.

No início...

era um imenso vazio.

Negro.

E Deus... um cilindro...

vermelho.

De dez metros de altura.

Com dois olhos numa das pontas.

Não se sabe qual, pois no vazio não havia ponto de referência.

Deus...

evidentemente...

não tinha nada pra fazer.

Então pensava.

Tudo que aconteceu... que acontecerá...

em mim. Em você.

E um dia...

tinha pensado tudo o que havia para pensar.

Então vagou pelo vazio.

Um milênio.

Ou dois.

E morreu de tédio.

Então... entrou em decomposição.

O cilindro foi perdendo sua forma...

e virou aquela primeira nebulosa...

que se fala nos livros.

Primo Paulo...

eu bebi tanto ontem...

estou me sentindo mal.

Mal.

Como vai você?

Bem?

E tia Julinha, como vai passando?

- Que jogo é esse? - Tuti.

- Tem lugar para mais um? - Tem.

- Senta. - Então vamos lá.

Pra você sempre tem.

Sabia que ia acabar jogando Tuti com as minhas primas.

Enquanto isso, em São Paulo...

Maria Alice vivia uma aventura que se poderia chamar de...

extraordinária.

Boa tarde. Eu queria uma passagem para Curitiba...

no vôo das dezoito horas.

Nosso avião para Curitiba não é as 18 horas só às 23 horas.

- Só às onze? - Só.

Se a senhorita quiser companhia, para fazer hora pela cidade...

tô a sua disposição.

Não resta a menor dúvida de que a mulher...

não é a fêmea natural do homem.

Num trágico fenômeno sísmico...

o homem perdeu a sua fêmea natural.

E talvez nesse mesmo fenômeno...

a mulher também perdeu seu macho natural.

Estas duas espécies essencialmente diferentes...

vivem até hoje juntas...

numa simbiose anormal.

Um dia eu voltarei a literatura...

para escrever um romance de amor...

cujos personagens serão insetos.

- Que música é essa? - É Rita, tocando piano.

Não conhece?

Vamos conhecer o desconhecido.

Mulher linda.

Estranha.

Triste.

O que você sabe a respeito.

Meu caro, ninguém poderá responder sua pergunta.

A vida de Rita é um mistério.

Consta que ela foi casada 3 vezes, tentou o suicídio uma...

e certa vez perdeu uma fortuna numa mesa de Bacará...

em Monte Carlo.

Gostei da moça, sabe.

Tem vida interior.

Chá com torrada, por favor.

Vamos jogar o jogo da verdade?

Vocês ainda jogam isso, é?

Jogamos, por quê? Você não topa?

Topo.

Se você tivesse que escolher uma mulher para esposa...

que critério usaria na escolha?

O difícil não é escolher uma...

é desistir de todas as outras.

Você me dá licença? Eu queria me sentar um instante. Um instante só.

Você deve ter reparado, estou Ihe seguindo...

faz algum tempo já. É o seguinte:

Você parece muito com uma...

pessoa que eu conheci.

Não. Eu sei. Eu sei que isso é uma coisa comum de se dizer.

Mas não é comum de ser verdade.

Eu gostaria de Ihe explicar porque eu me sentei aqui.

É que como você se parece muito com essa...

moça que eu conheci...

eu gostaria de Ihe contar a minha história...

e dizer a minha frase.

Gosto muito da minha história e da minha frase.

Falo disso pro maior número de pessoas que eu posso.

Aliás é a única coisa que eu falo.

Essa moça...

eu gostei dela.

Ela gostou de mim...

fomos felizes...

foi tudo muito simples.

Simples. Bem simples.

Depois ela deixou de gostar de mim.

Não. Não pensa que isso me desespera. Não me desespera.

Só porque as coisas foram certa vez...

não tem obrigação de continuar sendo.

Foram.

O meu desespero...

se é que eu posso chamar assim...

é que...

o tempo que eu fui feliz...

eu não aproveitei tudo que pude.

Quando eu podia... não aproveitei.

Minha história é só isso.

Minha frase...

eu li na parede do colégio quando era menino.

Desde então nunca me saiu da cabeça.

Eu nem compreendi, mas foi assim.

Agora a minha frase.

"Em cada momento..."

"dê ao próximo..."

"o melhor e o maior..."

"de seu amor e ternura."

"Porque ninguém nunca..."

"passará duas vezes pelo mesmo caminho."

O que é que mais te atrai no amor?

O que é que mais te atrai no amor?

As mulheres.

Se você pudesse agora, Paulo...

escolher uma de nós.

Qual você escolheria?

Todas.

Que processo você sugere...

para tornar a vida mais digna.

O suicídio.

Na sua opinião qual é a personalidade...

mais importante do mundo atual?

James Bond, na minha opinião.

Acho que agora já podemos...

- jogar o jogo do pinto. - Que jogo é esse?

Um que eu inventei. Você aceita ser a prenda?

O jogo é muito simples.

Quem achar o pinto, faz o que quiser da prenda.

Mas Barbara, eu sou a prenda.

Perco, de qualquer modo.

Não, meu caro, você joga também.

Se achar, faz o que quiser de si mesmo.

Já de volta? Ainda é cedo, hein.

Não gostou de São Paulo.

Aposto que é carioca.

O que houve? Desistiu da viagem?

- Desisti. - Por quê?

Tô com muita saudade do meu marido.

Ah, não consigo escolher, te passo a vez, vem.

Ganhou! Você ganhou!

Você pode fazer de mim o que você quiser.

O que você quer fazer de mim?

Eu me lembro, Edu...

que ainda olhei bem, para ver se dava pra recusar.

Mas não dava, Edu. Não dava.

Mas, Paulo, no sofá da sala?

Bom, e a falseta?

Não pode ir embora não.

Não tem nada de ir embora.

Meu amor, eu posso explicar, eu fui a festa da Barbara.

Você conhece a Barbara.

Pára com essa arrumação. Afinal você sempre gostou de mim.

Confiou em mim.

Meu amor, elas me sortearam no jogo do pinto. Eu era a prenda.

É a fraqueza humana. Você não podia ter me deixado sozinho.

Você leu o médico e o monstro?

Meu amor, eu não podia fazer nada.

Afinal eu gosto de você. E as mulheres, Licinha?

E as mulheres que eu perdi por sua causa?

Por sua causa.

Eu não quero que você vá. Eu te amo.

E se eu te amo, estou automaticamente perdoado.

Ah, é, é?

Meu nenê... Estou pedindo, Maria Alice.

Eu juro que isso não vai voltar a se repetir.

Juro por Deus. Juro pela saúde da minha mãe.

Alicinha, Escuta. Você não me ama. É isso. Não me ama.

Mulherzinha teimosa, hein?

Também você dava muita colher de chá.

Ela tinha que te fazer essa falseta.

Não quis voltar de jeito nenhum.

- E a argentina? - Ficou esperando.

Então você aproveitou a noite, pôxa.

Naturalmente. Já tava perdida.

Psicológico, Rita.

Eu juro que isso nunca me aconteceu.

Psicológico.

Psicológico, psicológico, psicológico.

O que aconteceu depois, não me lembro.

Não me lembro bem.

Só guardei a impressão.

Paulinho, meu amor, como é que você vai? Tudo bom?

Ótimo. Tudo ótimo.

Vida de solteiro é ótima.

Onde é a festa sábado?

Alô?

Alô? Alô, Alicinha? Alô?

Eu sei que é você, Alicinha.

Por que você não responde?

Eu tô sofrendo, meu amor.

Como é que você me deixa sofrer assim?

Será que você não entende que foi um momento?

- Acho que entendo. - E não me perdoa?

Acho que perdôo.

Então por que você não vem para a nossa casa agora?

Não sei, Paulo. Eu acho que não devo.

Por quê?

Sabe, talvez eu devesse ter ficado com o Leopoldo.

Não. Maria Alice, escuta...

Um dia, eu resolvi trazer ela de volta, no peito e na raça.

Abre, Maria Alice.

Eu sei que você está aí. Não adianta fingir.

E se tiver alguém contigo, eu o mato! Mato!

Olha ele. Palhaço.

Vai plantar bananeira.

Maria Alice, eu te amo.

Eu sei.

Eu também te amo.

Isso não basta?

Não.

Descobri que não posso viver sem você.

O mundo tem muitas mulheres, Licinha.

Talvez você não seja a melhor...

mas é a que eu gosto.

Eu fui uma criança numa mesa cheia de doces.

Agora aprendi.

- Tua comparação é engraçada. - E verdadeira.

Acredita.

Eu sou muito sozinha, Paulo.

Eu gosto de ser sozinha.

Mesmo quando eu amo, gosto de ficar sozinha.

Deixa eu decidir, Paulo. Tem calma.

Não vai ser fácil.

Eu me lembro também, Edu que foi nessa época...

que eu descobri... que a despeito de mim mesmo...

eu amava a Maria Alice.

Você voltou meu amor? Voltou?

Me perdoa.

Mas não faz mais isso comigo não, tá?

Eu também sofro muito.

Com ela não tinha. Não tinha.

Não resisto mais. Vou te contar como era Maria Alice na cama.

- Mas não conta pra ninguém. - Juro.

Era...

uma especialista. Uma vocação.

Maior que a de professora.

Você sabe aquele tipo de mulher que quando...

você não tem mais nada pra inventar e aí inventa mais uma?

Fazer amor com Maria Alice era...

como dar a volta ao mundo.

Dou dois sets de vantagem no primeiro jogo. Você não é de nada.

Você que não é de nada.

- Nossa, Paulo, como é grande! - Que bacana!

- Vida saudável neste fim de semana. - Paulo, onde você está?

Porque a partir de segunda-feira...

eu quero escrever pelo menos oito páginas por dia.

- Maria Alice, onde você está? - Tô aqui, amor.

Bom dia, dia.

Maria Alice, escrevi um poema para você.

Eu não sei se é bom, mas é teu.

De modo que eu vou dizer.

"Se não fosse meu o segredo Do teu corpo"

"Eu gritaria para todo mundo"

"De teus cabelos"

"Agrestes sob os quais Faz noite escura"

"Tua boca"

"Que um poço no berço Onde eu nasci"

"De teus dedos" "Longos como gritos"

"Teu corpo"

"Para compreendê-lo, Maria Alice"

"É preciso muita convivência"

"Teu sexo" "Um rio"

"Onde navega o meu barco ao Vento de sete paixões

"Longo caminho"

"Poucos viajantes o percorreram Impunemente"

"E tua alma"

"Tua alma é teu corpo, Maria Alice"

Promete...

que você nunca mais vai ter outro homem na vida...

que não seja eu.

- Não. - Por quê?

Não gosto de juramentos eternos.

Promete você.

Que nunca mais vai ter outra mulher na vida que não seja eu.

- Não. - Por quê?

Não gosto de juramentos eternos.

- Que dia é hoje? - Segunda-feira.

Preciso telefonar pro Pacheco. Alô?

- Salve. - Desculpe o atraso.

Que nada. Alicinha está fazendo o jantar.

Vai ser na varanda? Ótimo.

Mas como não há bem que sempre dure...

nem mau que não se acabe.

Um dia o Leopoldo resolveu interferir.

Pô, mas o Leopoldo, é?

Pensei que ele tivesse saído dessa história.

Pois é, eu também pensei.

Admiro muito vocês. Os artistas.

É uma gente alegre...

despreocupada.

Inventam coisas... sei lá.

Mas não adianta nada.

As coisas não são como a gente inventa.

Por exemplo, agora...

eu estou escrevendo uma peça para a televisão...

que tem de ser uma história de amor com final feliz.

Coisa que evidentemente não existe.

Vou ter dá uma idéia.

Por que você não escreve sua história com Maria Alice?

Que canal vai ser? Quero assistir, hein.

Eu e Licinha temos os nossos problemas, não é amor?

Maria Alice é muito geniosa.

Fora isso, não tem nenhum defeito.

Eu, por exemplo...

tenho certeza, que nunca mais...

vou encontrar outra igual para mim.

Bom esse camarão. Você que fez?

Levou molhou inglês, né?

Leopoldo, você é um sujeito calmo...

É... lá em casa é todo mundo assim.

Somos onze irmãos. Eu sou o caçula. É todo mundo calmo.

Quando você me deixou, Maria Alice, preferiu o Paulo...

Aí, sim, aí eu fiquei nervoso.

Precisei tomar até uns calmantes. Mas agora, sei lá...

Essa noite tão agradável... esse jantar...

vocês dois juntos... não sei...

eu acho que foi melhor.

Aliás, depois que passa, eu sempre acho que foi melhor.

Tá por fora, Leopoldo. Os homens morrem e não são felizes.

É. Isso também tá certo.

Olha. Olha, Paulo, como ela ri bonito.

Leopoldo, te amo.

Maria Alice...

escrevi uma coisa genial. Escuta.

"E seus gritos de amor alcance a última estrela"

"E também o vazio"

"Atrás da última estrela" Não é genial?

- Alô? - Maria Alice? Aqui é o Leopoldo.

Que bom ouvir a tua voz. Desculpe não ter telefonado ontem...

mas tive muito ocupado.

Sabe, fui nomeado aqui no banco. Sub-gerente da carteira.

Não é formidável? Tô muito contente.

Apesar da saudade que tenho de você.

Tua boneca ficou aqui na minha mesa para dar sorte.

E dá.

No começo, o pessoal aqui ficou muito assustado, mas depois...

Amanhã eu também não vou poder telefonar.

Vou passar o fim de semana na casa do meu chefe, em Cabo Frio.

Vou trazer uma lembrança pra você.

Fico muito contente em saber que você vai passando bem.

O Paulo vai bem, né?

Ótimo. Um beijo, Maria Alice. Minhas saudades.

- Até segunda. - Até segunda.

Até segunda.

Até segunda.

Até segunda, hein.

Quer dizer que o homem morreu, é?

Na hora.

E olha que o Leopoldo não tinha cara de que ia morrer não

- É. - Ah, Edu, foi uma parada.

Maria Alice entrou numa fossa...

que eu pensei que ela não fosse sair mais.

E o pior é que eu não podia fazer nada.

Meu amor, fiz uma cafezinho. Você quer?

Não. Obrigada.

Eu tentei todos os processos.

Meu amor, eu tô triste.

Mas não se preocupe.

Quando eu puder, fico contente de novo.

Você espera, não espera?

UMA REVELAÇÃO

Maria Alice tinha saído da fossa, Edu.

Maria Alice sai das fossas, rapaz.

Existem dois tipos de mulher, Edu.

Lunares e solares.

Maria Alice era uma mulher solar.

Maria Alice...

vamos ter um filho?

Um filho, nós dois?

Você acha que vale a pena?

Tive a certeza disso, agora mesmo.

Maria Alice, vamos ter um filho?

E a falseta foi essa. Casamos de véu e grinalda.

Tô com dois filhos agora.

Paulo, mas que horror.

Por causa de Maria Alice, desisti de todas as mulheres do mundo.

Ah, quando eu penso no Don Juan que o mundo perdeu.

Mas não pode tá dando certo. Essas coisas não dão certo.

Pois eu acho que dá, sabe.

Quer dizer, a gente briga, mas no fim da certo.

Agora então estamos animadíssimos.

Porque mamãe topou ficar com as crianças durante 3 meses...

no princípio do ano que vem.

Eu arranjei uma passagem pelo jornal...

e com umas economiazinhas, vou também levar a Maria Alice.

Inglaterra, Edu.

Ela tem muita vontade de conhecer a Inglaterra e fazer uns cursos.

Mas não pode tá dando certo, Paulo. E as outras mulheres?

É mole, rapaz. Casa que eu te ensino.

Tem um troço que descobri outro dia que é genial, até escrevi.

O amor, Edu, é como um objeto...

você precisar cuidar, tomar conta. Entendeu?

Depois te explico melhor.

- Mas e as outras mulheres? - É verdade, e as outras mulheres?

Como é que elas vão?

Dorinha, Solanginha, Martinha Maconha...

Janinha Vintém, Isabel?

- Leila? - Vão bem.

Ah, Edu, tive uma idéia. Domingo que vem o Paulinho faz 1 ano.

De modo que nós vamos dar uma festa para as crianças do prédio.

Por que você não traz a turma para conhecer a Maria Alice?

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