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COMO �GUA PARA CHOCOLATE
A cebola tem que ser bem picada.
Sugiro que ponham um peda�o de cebola na cabe�a...
para evitar as l�grimas...
quando se est� cortando.
O ruim de chorar quando se pica cebola n�o � o fato de chorar...
e sim que, �s vezes, n�o se consegue parar.
Mam�e dizia que...
sou t�o sens�vel � cebola quanto Tita minha tia-av�,
que desde o ventre materno chorava...
quando minha bisav� picava cebola.
Sr Ju�n!
� preciso chamar a parteira!
N�o d� mais tempo.
- O que foi? - J� est� nascendo.
Oh! T�o tarde!
Nacha, a empregada, contava que Tita...
foi empurrada a este mundo...
por uma torrente de l�grimas...
que inundou o ch�o da cozinha.
Que felicidade!
Outra menina, Juan! Outra menina, Juan!
Quando o susto passou,
e a �gua, gra�as ao sol, evaporou...
Nacha recolheu o que restou das l�grimas...
foram 20 kg de sal,
que usaram para cozinhar por muito tempo.
� uma menina! E que gracinha ela �!
Ent�o, mais uma bebida. � sua sa�de.
N�o consegue acertar, Ju�n?
J� s�o tr�s filhas.
Quando vai fazer um filho?
A culpa n�o � s� dele...
Porque diz isso?
Corre o boato que Gertrudis...
n�o � sua filha, mas do mulato.
- Senhora... - Nossos p�sames.
Criaturinha inocente. Ficou sem...
leite e sem pai de repente.
Mas n�o se preocupe.
Meus ch�s v�o faz�-la ficar bonita e forte.
O primeiro que a vir vai querer se casar com voc�.
Voc� ver�s!
N�o repita isso, Nacha.
Tita nunca se casar�.
Por ser a mais nova,
cuidar� de mim at� que eu morra.
D� comida �s meninas.
Est� bem, Sra. Elena.
Alimentada por Nacha, Tita cresceu na cozinha...
entre o cheiro de canja...
tomilho, louro, leite fervido...
alho e, � claro, a cebola.
N�o quer mais, padre?
N�o, obrigado.
Boa noite, Don Pascual.
Sente-se, por favor.
Quando Tita sentiu o olhar ardente de Pedro...
compreendeu perfeitamente o que sente a massa...
ao entrar em contato com o �leo fervente.
Foi t�o real o calor que a invadiu e...
temendo que, como na massa,
lhe surgissem bolhas pelo corpo...
no ventre, no cora��o e nos seios,
baixou os olhos e fugiu.
Senhorita Tita quero dizer-lhe...
que estou apaixonado por voc�.
Sei que esta declara��o...
� atrevida e precipitada mas � t�o dif�cil chegar perto...
de voc� que resolvi dizer-lhe esta noite.
S� quero que me diga se posso ter esperan�as.
N�o sei o que dizer.
D�-me tempo para pensar.
N�o...
Preciso de uma resposta agora.
Amor n�o se pensa.
Ou se sente, ou n�o se sente.
Sou homem de poucas, mas firmes palavras.
Juro que ter� meu amor eterno.
Voc� sente o mesmo por mim?
Sim.
- Mam�e? - Sim?
Pedro Muzquiz quer vir falar com voc�.
Sobre o qu� ele quer falar?
N�o sei.
Diga-lhe que, se � para pedir sua m�o, melhor n�o vir.
Ambos perder�amos tempo.
Sabe que, sendo a mais nova...
cuidar� de mim at� eu morrer.
Estamos conversadas.
Eu acho que n�o � justo...
Voc� n�o acha nada!
Nunca, h� gera��es,
ningu�m da fam�lia protestou contra este costume.
N�o ser� a minha filha a primeira.
- Chencha, veja quem chegou. - Sim, Dona Elena.
Convidou algu�m para o seu anivers�rio...
- sem me avisar? - N�o, mam�e.
Dom Pascual Muzquiz...
e seu filho querem lhe falar.
Pelos motivos que j� expus, Tita n�o pode.
Mais se quer que Pedro se case...
ofere�o-lhe minha filha Rosaura.
Ela � s� 2 anos mais velha que Tita...
e plenamente preparada e dispon�vel para o matrim�nio.
Desculpe.
Meninas! Meninas!
Como sua m�e pode ser t�o cruel?
N�o se pode trocar "tacos" por "enchiladas".
O que disse?
Venham cumprimentar Dom Pascual e Pedro...
e brindar o casamento de sua irm�.
Tita se casar� com Pedro?
N�o! Pedro vai se casar com Rosaura.
Ca�mos no rid�culo...
aceitando o casamento com Rosaura.
Onde est� o amor que jurou a Tita?
- N�o tem palavra? - Tenho...
mas se ao senhor negassem casar-se com quem ama...
e para estar perto dela s� lhe restasse se casar com a irm�...
o senhor n�o tomaria a mesma decis�o?
Coma, menina...
as dores, com o p�o, s�o menores.
Obrigada, Nacha, mas n�o estou com fome.
S� um pedacinho de torta enquanto lhe conto que ouvi...
Dom Pascual perguntar a Pedro por que aceitou casar-se sem amor...
e o jovem Pedro disse a seu pai que se casava...
sentindo um amor muito imenso, mas por voc�.
N�o consigo comer. Obrigada, Nacha,
mas quero ficar sozinha.
Naquela noite, Tita n�o conseguiu dormir.
N�o sabia explicar o que sentia.
Pena que os buracos negros n�o haviam sido descobertos naquela �poca...
pois seria f�cil para ela compreender...
que tinha um buraco negro no peito...
que a fazia sentir um frio infinito.
E p�s-se a chorar e tricotar, tricotar e chorar...
at� que terminou a colcha e cobriu-se com ela.
Mas de nada adiantou.
Nem naquela noite ou noutras, enquanto viveu...
p�de controlar o frio.
- O que faz aqui? - Estou ajudando Nacha.
Tinha de ver o noivado de sua irm�.
- Tive enxaqueca. - N�o vai estragar...
o casamento de sua irm� se fazendo de v�tima.
E como estou vendo que gosta de ajudar Nacha...
voc� vai se encarregar dos preparativos do banquete.
E n�o quero v�-la de cara fechada...
ou chorando. Ouviu bem?
Sim, mam�e.
D. Elena, vou preparar a carruagem para entregar os convites.
Est� bem.
Desculpe, Pedro. Machuquei-o?
N�o tanto quanto eu a machuquei, mas deixe-me explicar...
N�o pedi explica��o nenhuma.
Mas preciso que me ou�a...
J� mentiu uma vez. N�o quero ouvir mais.
167...
s� faltam 3.
O bolo est� pronto?
N�o, mas o resto est�, senhora.
R�pido.
� meia-noite, e voc�s t�m que descansar antes da cerim�nia.
- J� vou dormir. At� amanh�. - At� amanh�.
At� amanh�, se Deus quiser.
Solte suas l�grimas, menina...
n�o quero que ningu�m a veja chorando amanh�.
Muito menos Rosaura.
Eu termino. V� dormir.
Eu a ajudo.
Falta pouco.
V� dormir, menina, eu me viro.
S� as panelas conhecem o ponto de fervura das sopas...
mas eu adivinho o seu.
E pare de chorar sobre a massa porque vai estrag�-la.
V� dormir.
Pobre Tita. A irm� vai se casar com seu amado.
Comoveu-me ver, um dia, na missa...
Pedro lhe passou uma carta de amor perfumada e tudo!
E os vi de m�os dadas na pra�a.
Estavam t�o felizes.
Dizem que morar�o na mesma casa.
Sendo Elena, n�o permitiria.
N�o vai me felicitar?
Claro. Que seja muito feliz.
Assim ser�, pois consegui, com este casamento...
ficar perto de voc�, a mulher que amo de verdade.
- O qu� Pedro lhe disse? - Nada, m�e.
A mim n�o engana.
Quando voc� vai, j� estou voltando.
N�o se finja de inocente.
Pobre de voc� se eu peg�-la de novo com Pedro.
Isto est� delicioso.
Um pouco mais, por favor.
Parab�ns!
Sa�de, Pedro.
Um brinde. Sa�de.
Sim, obrigado.
Obrigado.
O choro foi o primeiro sintoma de uma intoxica��o estranha.
Uma grande melancolia e frustra��o...
apossou-se dos convidados, fazendo-os procurar o p�tio...
os est�bulos e os banheiros,
com saudades do amor de suas vidas.
Ningu�m escapou do feiti�o,
e s� uns afortunados conseguiram chegar aos banheiros a tempo...
n�o participando assim, do acesso de v�mito...
coletivo em pleno rio.
Mam�e, Nacha...
Que vomitivo p�s no bolo?
- Vomitivo? - Voc� e Nacha v�o se...
arrepender de terem estragado o casamento.
Nacha est� morta!
Mais conveniente � que esperemos algum tempo at�...
que passem os efeitos da intoxica��o.
- Pedro... - Sim?
O casamento foi h� 3 meses.
J� me sinto perfeitamente bem.
Sim
Senhor, n�o � por lux�ria ou prazer, mas pra gerar um filho a teu servi�o.
Pai nosso, que estais no c�u...
Tita...
eu disse � mam�e que quero cozinhar hoje.
Mas nunca cozinhou... Quer ajuda?
N�o, quero cozinhar sozinha.
� 1� vez que Rosaura cozinha. N�o ficou t�o ruim.
Que acha, Pedro?
Por ser a primeira vez, n�o est� t�o ruim.
Quero ir ao banheiro de novo.
� a comida de Rosaura.
Deu desarranjo em todo mundo.
N�o fa�a isso. Eles s�o o dem�nio em pessoa.
Dizem que basta um olhar, e engravida.
Tita, hoje faz um ano que est� de cozinheira do rancho.
Por isso lhe trouxe estas rosas.
Jogue fora.
N�o jogue fora.
Pode preparar codornas ao molho de p�talas de rosa.
Isso � um manjar dos deuses!
Est� muito salgada.
Com licen�a, estou me sentindo mal.
Parecia que, num estranho fen�meno de alquimia...
n�o s� o sangue de Tita, mas todo o seu ser...
se havia dissolvido no molho de rosas, no corpo das codornas...
e nos aromas da comida.
Deste modo, penetrava no corpo de Pedro...
voluptuosa, arom�tica e completamente sensual.
Parecia um novo c�digo de comunica��o...
em que Tita era a emissora, Pedro, o receptor...
e Gertrudis, a afortunada em quem se...
sintetizava esta rela��o sexual atrav�s da comida.
Cheiro de rosas que Gertrudis exalava havia chegado longe, muito longe.
E obrigou o chefe Villista a ir procurar algo desconhecido
num lugar indefinido.
N�o foi dif�cil ach�-lo. Parecia que cavalo e cavaleiro...
obedeciam a ordens superiores.
Tita, o que est� acontecendo aqui?
Os federais puseram fogo no banheiro.
- Onde est� Gertrudis? - Eles a raptaram.
Mam�e acreditou na hist�ria. Ficou muito doente...
e quase morreu quando o padre Ign�cio lhe disse...
quem saber� como veio a saber que...
Gertrudis estava trabalhando num bordel perto da fronteira.
... n�o uma casa sagrada.
Ela proibiu que mencionassem o nome da filha...
e mandou queimar seus retratos e certid�o de nascimento.
"CODORNAS EM MOLHO DE P�TALAS DE ROSAS VERMELHAS."
"Hoje comemos este prato, e Gertrudis fugiu de casa."
Minha Gertrudis...
Tita! Onde est� voc�?
- Sua irm� est� aqui? - Sim, mas o que lhe importa?
Entregue isto a ela e volte.
N�o quero que mam�e saiba.
- Onde voc� estava? - No banheiro, mam�e.
Vai tomar conta do rancho hoje.
Vou a El Paso comprar o enxoval para o filho de sua irm�.
Est� bem, mam�e.
Tita, Tita!
Tita, vai nascer.
Vou chamar o Dr. Brown.
Cuide de Rosaura. Volto logo.
N�o demore. Tenho o que fazer.
Nacha, ajude-me, por favor.
Surpreendeu-me a forma como Tita se saiu.
Rosaura por pouco n�o morre.
Por falar em minha filha...
n�o conv�m vir v�-la todo dia?
Seria melhor, devido ao seu estado de sa�de.
Ao preparar o "mole",
Tita sentiu na pr�pria carne como o contato com o fogo...
altera os elementos...
como a massa se transforma em um "tortilla"...
como um peito que n�o passou pelo fogo do amor � um peito inerte...
uma bola de massas sem nenhuma utilidade.
Em alguns instantes, Pedro transformou os seios de Tita...
de castos em voluptuosos, sem toc�-los.
Srta Tita, uma bala perdida acertou a cabe�a da ama-de-leite de Roberto...
quando vinha para c�.
Est� morta.
Tita n�o podia ver ningu�m chorando de fome...
que ia logo aliviar a necessidade.
Este desejo fez seu peito virgem poder alimentar seu sobrinho.
Tita, e o menino? Ele comeu?
Tomou seu ch� e dormiu.
Bendito seja Deus.
Pedro, o que est� esperando? Leve o beb� para sua esposa.
Crian�as devem ficar com a m�e.
O beb� fica mais lindo com uma tia t�o bela!
Obrigada, doutor.
E n�o � seu.
Imagino como ficar� linda carregando seu pr�prio filho.
Desculpe... eu disse o que n�o devia?
N�o � isso.
� que n�o posso me casar e nem ter filhos porque tenho...
que cuidar de mam�e quando ficar velha.
Mas isso � rid�culo!
� assim que deve ser.
Agora, com licen�a. Vou atender os convidados.
Este "mole" est� �timo!
Quero a receita.
Claro... mas o segredo est� em faz�-lo...
com muito amor.
Ela acha que sou boba.
Preocupa-me que...
Rosaura precise de m�dico e n�o possamos traz�-lo.
Como quando deu � luz. Creio que seria conveniente...
ir morar com seu marido e filho no Texas, em San Antonio...
na casa do meu primo. L� tem m�dico.
N�o, dona Elena.
Como est� a situa��o pol�tica a senhora precisar� de um homem...
em casa que as defenda.
Nunca precisei.
Cuidei do rancho sozinha e com minhas filhas.
Os homens n�o s�o importantes para se viver, padre.
Nem a revolu��o � t�o perigosa quanto a pintam.
Pior � comer pimenta sem �gua por perto.
Dona Elena! Sempre t�o brilhante!
- Pedro? - Sim?
N�o chegue perto quando eu amamentar o menino.
Minha m�e suspeita e quer que mudem daqui.
N�o vamos lhe dar motivos. V� embora, por favor.
Tita?
Nunca corto melancia como sua m�e.
S� ela sabe cortar.
Quando se trata de cortar coisas, sua m�e � mestra.
Verdade!
N�o diga bobagem. Vamos levar o gelo antes que ela grite.
Gelo?
Tita?
Onde voc� estava?
No banheiro, mam�e.
Tita!
A �gua est� muito quente.
Parece que n�o aprendeu nada em tantos anos!
Traga para mim.
A toalha! Quer que eu fique toda enrugada?
Que houve com o robe?
Queimei-o, mam�e.
No que est� pensando?
Guarde as l�grimas para quando eu morrer.
Me d� o sujo mesmo, sen�o vou me resfriar.
Abriu muito a porta. Quer me matar de pneumonia?
Est� puxando meu cabelo!
Deixe! V� � cozinha terminar o chouri�o.
Por que est� chorando? N�o gosto de v�-la chorar.
O que foi?
Nicol�s j� voltou de San Antonio e disse que ele morreu.
O que disse?
- Quem morreu? - O menino.
- Que menino? - Seu neto.
Tudo o que comia lhe caia mal, e morreu!
Sente-se para trabalhar.
E n�o quero l�grimas.
Pobre criatura. Que o Senhor a guarde.
Mas n�o nos curvemos � dor.
Tem muito trabalho.
Termine, depois fa�a o que quiser.
Menos chorar. Ouviu?
N�o obede�o mais suas ordens!
J� me cansei de obedecer.
Voc� � a culpada pela morte de Roberto!
Diga a Nicol�s que tire a escada do pombal...
E que s� ponha amanh�.
Tita, minha crian�a.
Chencha.
Por que Tita n�o desce?
N�o quer. Ficou louca.
Se est� louca, vai para o manic�mio.
Minha casa n�o � lugar de dementes!
Quero ver meu pai.
Est� com uma paciente.
Que houve com ela?
Quieto.
Ela � louca?
Calma, depois eu te conto.
Comprei-lhe isto porque sei que gosta de tricotar.
A cor est� boa, ou quer que troque por outra?
Vejo que n�o gostou da comida.
N�o a culpo.
Sue Ellen cozinha muito mal.
Mas eu e meu filho Alex temos que aguentar.
Claro que voc� n�o � obrigada a comer...
direi que voc� est� enjoada.
N�o se preocupe.
Ao ver as m�os livres das ordens da m�e...
n�o sabia o que pedir � elas.
Podiam fazer qualquer coisa ou transformar-se.
Ah, se pudessem virar p�ssaros e voar para longe!
Queria que a levassem bem longe!
Queria fugir de si mesma.
N�o queria tomar decis�es...
nem voltar a falar de novo.
N�o queria que suas palavras gritassem sua dor.
Em 1669, Brandt um alquimista de Hamburgo...
que buscava a pedra filosofal...
descobriu...
o f�sforo.
Minha av�, Luz do Amanhecer...
que era uma �ndia kikapoo dizia que...
todos nascem com uma caixa de f�sforos dentro de si...
mas n�o podemos acend�-los sozinhos.
Necessitamos, como nesta experi�ncia...
de oxig�nio e da ajuda de uma vela.
S� que, em nosso caso o oxig�nio deve vir...
do h�lito da pessoa amada...
a luz da vela pode ser qualquer coisa.
Uma melodia, uma palavra...
uma car�cia...
um som...
qualquer coisa que dispare o detonador e acenda um dos f�sforos.
Agora, cada pessoa tem que descobrir quais...
s�o seus detonadores para poder viver...
porque � a chama de apenas um f�sforo...
que nutre a alma de energia, Tita.
Se n�o h� detonador para os f�sforos,
a caixa umedece...
e jamais poderemos acender nenhum deles.
H� muitas maneiras de secar uma caixa de f�sforos �mida.
Pode ter certeza de que tem rem�dio.
Claro que tamb�m � importante acender os f�sforos um por um...
porque, se uma emo��o intensa acender todos de uma vez...
produzir� um resplendor t�o forte...
que aparece diante de nossos olhos um t�nel esplendoroso...
que nos mostra o caminho que esquecemos ao nascer...
e nos chama de volta � nossa perdida origem divina.
Uma sopa pode curar qualquer doen�a...
f�sica ou mental.
Pelo menos esta era a cren�a de Chencha e de Tita...
que por muito tempo n�o acreditou.
Agora tinha que aceit�-la como certa...
pois tinha se recuperado depois de...
uma boa sopa de carne.
John, n�o se v�, por favor!
Oh, menina!
E eu que a imaginei amarrada no meio de loucos!
Tamb�m, com a m�e que voc� tem.
Estou ficando quase louca.
Ela n�o tem mais a quem dar ordens e vive me atazanando!
E me d� conselhos.
Diz que as mulheres desobedientes que saem de casa...
"acabam no rio sujo do pecado."
Acho que se referiu � Gertrudis.
Chencha, obrigada pela visita.
N�o imagina o bem que me fez.
Vou lhe pedir um favor.
Diga � minha m�e que me viu...
que estou bem...
mas que nunca mais volto para o rancho.
E agora, Tita?
Pode adivinhar o que estou pensando?
Aceita casar-se comigo?
Sim, aceito.
Chencha!
Venha ver isto!
O que querem?
Soltem-me!
Mam�e Elena!
Soltem-me! Soltem-me! Animais!
E vamos dan�ar?
Doutor... Aconteceu algo grave no rancho.
Eu me encarrego. Vamos!
Saia da�! Quem pensa que �?
Com que direito rouba minhas coisas?
Ao conhecer o segredo de sua m�e, Tita chorou.
N�o pela mulher que a reprimia...
mas por este ser que viveu um amor frustrado, como ela.
� uma menina.
Ela est� bem?
Para uma crian�a prematura, sim.
Mas vai precisar de muitos cuidados.
E Rosaura?
Teve um parto muito complicado.
Tive que oper�-la...
E n�o poder� mais ter filhos.
Sinto muito.
Mas est� bem?
Sua condi��o � delicada.
Fraca demais para cuidar da menina.
Sabe, estamos querendo dar-lhe seu nome...
porque, como voc�, nasceu de um sofrimento...
e vai ter que viver na cozinha e tomar ch�.
E como ser� minha �nica filha...
N�o gosto da ideia.
Porque n�o lhe p�em outro nome?
Que tal Esperanza?
N�o sei...
Tita, por que ela chora quando est� comigo?
- Acho que n�o gosta de mim. - N�o � isso.
Deve estar sentindo falta do cheiro e do calor da cozinha.
Mas quero que ela fique comigo.
Para a menina ficar com Rosaura tiveram que faz�-la crer...
que estava na cozinha com Tita.
Papai, quero me casar com esta garotinha...
Como voc� e Tita.
- Voc� ainda � pequeno. - Nunca.
Ela vai cuidar de mim.
Nunca se casar�.
� verdade, pai?
Tita ficou t�o irritada...
com os planos de Rosaura para Esperan�a...
que desejou que sua irm� nunca...
tivesse dito t�o indecentes...
e repugnantes palavras.
Tita queria que ela as tivesse engolido...
para que os vermes as comessem.
Obrigado, meu amor.
De nada.
O motivo da minha visita...
� pedir a m�o de Tita.
E quando pensam em se casar?
O mais r�pido poss�vel.
N�o h� nada que o impe�a.
T�m o nosso consentimento.
Vamos marcar a data.
Parece que agora...
eu tenho que lhe dar isto.
Brindemos aos noivos!
Cuide-se bem.
Eu n�o demoro,
prometo.
Estou quase acabando.
Chega por hoje!
At� amanh�, menina.
At� amanh� e obrigada.
Pedro! O que faz aqui?
Tita, venha c�.
- Tita n�o est�. - Olhe!
Virgem Sant�ssima!
Leve a alma de D. Elena para que vagueie...
- no purgat�rio. - Que disse, Chencha?
S� pode ser o fantasma da falecida!
Algo que ela deve estar pagando!
Perto daquele lugar, n�o vou mais.
Nem eu.
Manteiga de cacau � �tima para os l�bios.
Os de Tita no inverno se partiam,
e ela usava para poder sorrir.
Mas agora era s� por vaidade e n�o porque queria sorrir.
A suspeita de que estava gr�vida...
n�o tinha gra�a nenhuma.
Tita.
N�o a ouvi entrar.
Eu percebi. Voc� est� muito pensativa.
Sinto saudades de Gertrudis...
e acho que ela queria estar aqui conosco hoje � noite.
Ah, Tita... preciso do seu conselho.
Sobre o qu�?
Primeiro saiba que ando querendo falar com voc�...
mas os ci�mes n�o deixavam.
Agora � diferente.
Mas, se voc� quisesse Pedro, n�o se casaria com John.
Bem... quero que voc� me ajude a reconquistar Pedro.
Eu?
Sim, s� voc� pode.
Eu acho que minha gordura, meus gases...
e meu mau h�lito afastaram-no de mim.
Que posso fazer?
Me dar uma dieta para emagrecer...
porque Pedro n�o quer nem me tocar.
N�o chore.
Minha dieta especial vai deix�-la muito bonita.
E como controlo os gases e o mau h�lito?
Hortel� resolve o mau h�lito.
Pode purificar o h�lito mais pestilento.
E vou afastar de voc� toda comida que possa produzir gases.
Mas n�o chore, sen�o vou chorar tamb�m.
� uma boa irm�.
Estou feliz que estamos juntas de novo.
Vou pegar umas folhas de hortel�.
Tita...
n�o mandei ficar longe de Pedro?
Porque insiste?
Eu tentei, m�e, mas...
N�o tem mas!
O que voc� fez n�o tem nome!
Esqueceu-se do que � a moral...
e o respeito aos bons costumes!
Voc� n�o vale nada.
N�o respeita nem a si mesma!
Jogou na lama o nome da minha fam�lia...
desde os meus antepassados at�...
esta maldita criatura que guarda nas entranhas!
N�o! Meu filho n�o � maldito!
�, sim!
Eu o amaldi�oo. Ele e voc�, para sempre!
N�o, por favor!
Feche a porta, filha.
Est� frio.
Tem andado muito estranha.
Qual � o problema?
Rosaura, que prazer.
Os lobos est�o aqui.
Os outros j� querem partir o p�o.
Sim, vamos. Me ajuda, Pedro?
Conversamos mais tarde.
- O que aconteceu? - Nada.
- Padre, boa-noite. - Boa noite, D. Paquita.
Que surpresa.
Como vai?
Que lindo.
Que foi?
A menina est� quase a desmaiar!
- Que foi? - Nada.
O c�o est� velho e late por qualquer coisa.
Que susto!
- Sente-se melhor? - Sim.
Parece estar tonta e tem um olhar estranho...
Se n�o fosse uma mo�a decente...
diria que est� gr�vida.
Gr�vida! Que ideia!
E o que o olhar tem com isso?
Eu sei ver nos olhos de uma mulher...
quando est� gr�vida.
Gertrudis!
Vim cortar o p�o e tomar chocolate.
Bem-vinda!
Sargento Trevino! Leve os homens para o p�tio.
Sim, minha generala.
Tita, meu esposo.
Juan Alejandrez, seu criado.
Prazer. Entrem, por favor.
N�o sei de onde Gertrudis tirou tanto ritmo.
Mam�e detestava dan�ar e dizem que papai dan�ava mal.
Estava com saudade da comida.
Mais ainda dos biscoitos de nata.
As revolu��es n�o seriam ruins...
se pud�ssemos comer com a fam�lia.
Quando Juan e eu nos reencontramos...
ele me disse que veio aqui para me procurar.
Que saudade me deu da sua comida.
Quando v�o ficar prontos?
Minha conversa a aborreceu?
N�o, Gertrudis. Por qu�?
Nada.
Seu pensamento est� longe.
� o Pedro, n�o?
Sim.
Se ainda o quer, como vai se casar com John?
N�o posso me casar com ele.
N�o posso.
Eu tiro isto do fog�o e pode continuar chorando.
E por que n�o pode se casar?
Porque estou gr�vida.
E Pedro � o pai.
- Sim. - Rosaura sabe?
N�o, ningu�m sabe. Nem Pedro.
Quando Rosaura souber a verdade...
A verdade!
Olhe, Tita, a �nica verdade � que n�o existe verdade.
Depende de muitas coisas.
No seu caso, a verdade � que Rosaura se casou com Pedro...
sem se importar com o amor de voc�s.
- S� que ela � a esposa, n�o eu. - Que importa isso?
Este casamento mudou o que voc�s sentem?
- N�o. - Claro que n�o!
Este � o amor mais puro que conhe�o.
Voc�s dois t�m de assumi-lo...
e ningu�m mais.
Ainda mais agora que mam�e morreu.
Ent�o me aconselha que fale com Rosaura?
Enquanto conversamos, que tal preparar a calda para os biscoitos?
Pedro devia saber que espera um filho.
Pedro, mais que coincid�ncia!
Minha irm� quer falar com voc�.
V�o conversar l� fora enquanto preparo a calda.
Sargento Trevino!
�s suas ordens, generala!
Sabe fazer biscoitos de nata?
Para dizer a verdade,
n�o. Mas, se quiser, eu tento.
Claro que quero.
Voc� nunca me decepcionou.
Que n�o seja esta a primeira vez.
Por que n�o me disse?
Primeiro eu queria tomar uma decis�o.
- J� tomou? - N�o.
Pois saiba, antes que a tome...
que para mim ter um filho com voc� � minha maior alegria...
e para goz�-la como se deve...
vamos para longe daqui.
N�o podemos pensar s� em n�s.
E Rosaura e Esperanza?
O que acontecer� a elas?
Viu o que voc� est� causando?
Voc� e Pedro s�o dois sem-vergonhas.
Se voc� n�o quer ver sangue correr nesta casa...
v� embora antes que seja tarde.
Voc� � que deveria ir.
J� me atormentou demais.
Deixe-me em paz!
S� irei embora quando voc�...
se comportar decentemente!
O que � se comportar decentemente? � como voc� fazia?
Sim.
Bem, � como estou comportando.
Tamb�m n�o teve uma filha ileg�tima?
Maldita seja por falar assim.
N�o mais do que voc�.
Cale a boca! Quem voc� pensa que �?
Sei bem quem eu sou!
Uma pessoa que tem direito de viver como quiser.
Deixe-me em paz!
N�o a suporto!
Eu a odeio! Sempre a odiei!
Com estas palavras m�gicas,
Tita afugentou o fantasma da sua m�e...
e se livrou de sua gravidez psicol�gica...
mas n�o impediu que a m�e se vingasse de Pedro.
N�o, Tita! N�o me deixe!
N�o o deixarei, Pedro.
Cubra-o com "tepezcohuite".
Sentirei sua falta.
E eu a sua. Eu queria ajud�-la...
mas tenho que atacar Torreon.
- Cuide-se bem. - Voc� tamb�m.
As recrutas, para n�o engravidar, lavam-se com �gua e vinagre.
Tome cuidado.
Chega. Agora � minha vez.
Obrigado.
Diga a Pedro que, quando acabar a revolu��o...
faremos um dueto.
Vamos, que j� est� tarde.
Sargento Trevino!
Sim, minha generala! Vamos embora!
Enfim vou poder descansar.
Pedro, parab�ns.
Sua recupera��o � �tima.
Vou lhe dar alta logo.
Que bom, obrigado.
Foi sorte voc� chegar a tempo.
Eu n�o saberia usar direito o "tepezcohuite".
O m�rito n�o � meu, � de minha av�.
Suas experi�ncias com esta casca um dia ser�o reconhecidas.
Al�m disso, com uma enfermeira t�o amorosa como voc�...
quem n�o ficaria bom rapidamente?
� verdade.
Eu lhe preparo uma bebida.
N�o, obrigado.
Quero que tenha tempo de preparar o jantar de hoje.
N�o disse que o doutor viria jantar.
� que minha tia, que veio para o casamento...
est� ansiosa para conhecer Tita.
S� esperava o seu restabelecimento para que a visita fosse oportuna.
Agora entendo. Por isso, Tita, cuidou de mim com tanto interesse.
Exatamente! At� que enfim voc� entendeu.
Venha, John. Acho que Pedro quer descansar.
At� amanh�, Pedro.
Devia ter mandado Chencha com a comida.
O jantar vai sair atrasado.
Quando vai dizer que...
n�o casar� porque espera um filho meu?
N�o posso dizer isso a ele.
N�o quer magoar o doutorzinho?
N�o � isso. Seria injusto trat�-lo desta maneira.
Ele merece todo meu respeito.
Se voc� n�o disser, eu digo.
N�o, n�o vai lhe dizer nada.
Primeiro, porque n�o permito. Segundo, porque n�o estou gr�vida.
O que disse?
Foi s� um atraso de menstrua��o.
- J� normalizou. - Ent�o � isso.
Livre de mim...
tem d�vida se cuida de um doente...
ou se casa com John, n�o �?
Voc� n�o est� mais doente.
Boa raz�o para me deixar, n�o?
Meu amor n�o tem import�ncia.
E nem todos os sacrif�cios que eu fiz por voc�.
Por mim? Quais?
Casei com sua irm� para ficar perto de voc�.
Preferia que voc� tivesse me raptado.
Precisamos conversar, n�o �?
Sim, desde que voc� se casou com meu namorado.
Comecemos por a�. Teve um namorado que n�o devia ter.
Segundo mam�e ou voc�?
Segundo a tradi��o que rompeu.
E vou continuar rompendo.
Eu tamb�m tinha o direito de me casar.
Voc� n�o tinha direito de separar duas pessoas...
que se amavam profundamente.
N�o t�o profundamente.
Ele a trocou por mim sem problema.
Me casei com Pedro porque ele quis.
Para sua informa��o:
Casou-se com voc� s� para ficar perto de mim. Mas n�o a queria.
O passado n�o importa.
Pedro se casou comigo e pronto.
N�o permitirei que me fa�a de boba.
Ningu�m quer faz�-la de boba.
Oh, certamente!
Ent�o com que cara eu fico...
quando voc� e Pedro s�o vistos de m�os dadas?
De palha�a?
E n�o me importa se voc�s ficam se...
agarrando no escuro.
� bom que fa�a com voc�...
porque em mim ele n�o toca mais.
Mas, na frente dos outros, ainda sou a esposa...
ai de voc�s se algu�m os vir juntos.
E deixe que eu cuido de minha filha.
De voc� s� ter� mau exemplo.
Pode estar certa disso. N�o permitirei que arru�ne a vida dela...
com uma tradi��o est�pida.
N�o poder� impedir.
As mulheres da rua...
n�o ficam junto de meninas decentes.
Acha que nossa fam�lia � decente?
Minha pequena fam�lia �.
E para continuar sendo afaste-se da menina...
ou a expulso da casa que mam�e me deixou.
N�o se preocupe, menina...
a tradi��o morrer� em mim.
Ningu�m ir� te machucar.
Isto est� delicioso, Tita!
Obrigada.
Voc� tem sorte, Johnny...
porque Tita, al�m de ser bonita e inteligente cozinha muito bem.
Voc� vai at� engordar se casando com ela.
A comida de Sue Ellen � horr�vel.
Algum problema, Tita?
Sim, mas falo depois.
Sua tia n�o vai gostar se n�o falarmos em ingl�s.
N�o se preocupe. Est� completamente surda.
Ent�o como conversa t�o bem?
� porque l� os l�bios...
mas s� em ingl�s.
Voc� pode falar com tranquilidade. Al�m disso...
quando come n�o conhece ningu�m.
Olhe.
Tia...
vou me casar com Tita porque a pobrezinha est� louca.
Tita, nos casamos em uma semana.
Se h� algum problema, � melhor resolvermos agora.
John, � melhor suspender o casamento.
Mas por qu�?
N�o me fa�a dizer agora.
N�o quer mais?
N�o sei.
No per�odo em que se ausentou...
tive rela��es com um homem...
de quem sempre gostei.
Perdi minha virgindade.
Por isso n�o podemos nos casar.
Gosta mais dele que de mim?
Quando voc� n�o est� sinto que � dele que gosto...
mas, quando vejo voc�, tudo muda.
Com voc�, me sinto tranquila...
segura...
em paz.
Mas n�o sei... n�o sei...
� t�o lindo ver jovens apaixonadas chorar de felicidade.
Quando eu estava para me casar...
eu sempre chorava tamb�m...
sempre.
N�o devemos mais constranger Tita com nossas considera��es.
Com licen�a.
Que houve?
Tita, n�o me importa o que aconteceu...
n�o tem import�ncia, se n�o modificou o essencial.
Quero ser seu companheiro de toda a vida.
Voc� decide se quer que este companheiro seja eu ou n�o.
Se disser que sim, nos casamos dentro de uns dias.
Se n�o serei o primeiro a felicitar Pedro...
e tamb�m...
primeiro a pedir a ele...
a exigir dele...
que d� a voc� o lugar que merece.
Lembra-se da primeira vez que escutamos esta m�sica?
Jamais esquecerei.
Naquela noite, n�o dormi pensando em pedir sua m�o.
N�o sabia que teria que deixar passar 22 anos...
para tornar a perguntar se quer ser minha esposa.
- Fala s�rio? - Claro.
N�o quero morrer sem que voc� seja.
Sempre quis entrar com voc� numa igreja cheia de flores brancas.
Sendo voc� entre todas a mais bela.
- Vestida de branco? - Mas claro!
Nada a impede.
Al�m disso, quero um filho.
Ainda est� em tempo, n�o?
J� que Esperanza vai casar e nos deixar...
precisamos de companhia.
E ningu�m vai me convencer do contr�rio.
N�o importa o que pensa a minha filha ou os outros.
Passamos muito tempo preocupados com o que dizem.
Pobre Rosaura! Se n�o tivesse morrido...
ia adorar o casamento da filha.
Voc� mesma me disse que n�o queria deix�-la se casar...
que Tita defendeu a menina...
e a casa virou um campo de batalha.
Foi sim... mas deixe-me chorar, sim?
Por sorte, as brigas entre Tita e Rosaura...
n�o duraram muito...
porque depois de 3 dias de viol�ncia entre as irm�s...
Rosaura morreu devido a graves problemas digestivos.
Srta. Gertrudis!
Olha que eleg�ncia!
Bendito seja Deus que chegaram!
Que prazer!
Que linda garota!
Sua filha � igual ao av�, hein?
- Que bonito! - Felicidades, Pedro.
Sua filha n�o encontraria melhor partido que Alex por aqui.
Alex Brown � �timo.
Seu mal � que vai fazer doutorado em Harvard.
Mal! Isto � muito bom!
Mas vai levar minha filha e nos deixar s�s.
Coisa horr�vel! O que vai fazer, Tita?
Sem Esperanza aqui, pegaria mal voc� morar com Pedro.
Antes de ir, n�o se esque�a de me dar a receita...
dos chiles. Ficaram �timos.
O segredo � faz�-los com amor.
Um dia voc� aprende.
Que grosseria, hein?
Seu filho � um lindo noivo.
Que bom que se casou com Esperanza.
Sim.
Sim, � verdade.
Por que a tristeza?
Dance comigo, meu marido n�o est�.
A pr�xima m�sica, Chencha.
- Seja muito feliz, filha. - Tome conta dela, ouviu?
Te amo.
Estamos sozinhos.
Te amo.
Ningu�m nos ouve.
Te amo.
Se uma emo��o intensa...
acender todos os f�sforos de uma vez...
produzir� um resplendor t�o forte...
que veremos um t�nel esplendoroso...
que nos mostra o caminho que esquecemos ao nascer...
e nos chama de volta � nossa perdida origem divina.
Quando Esperanza, minha m�e, voltou da viagem...
s� encontrou, sob os escombros do rancho...
este livro de culin�ria, ela me deixou quando morreu.
Que narra esta hist�ria de amor enterrada.
Minha m�e, Esperanza...
que saudade da sua comida, do cheiro da sua cozinha.
Da sua conversa,
das tortas de Natal...
n�o sei fazer como ela.
E n�o sei porque choro tanto quando as fa�o.
Talvez eu seja t�o sens�vel � cebola quanto Tita...
minha tia-av�...
que continuar� viva enquanto algu�m preparar suas receitas.
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