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lNGLATERRA 1 194
Est�o prestes a assistir a uma hist�ria de corajosos cavaleiros e lindas donzelas.
Uma hist�ria de amor, �dio e preconceito.
Embora a nossa hist�ria seja antiga,
o amor, o �dio e o preconceito s�o sempre atuais.
-Santo Deus de Abra�o, poupai-me. -Sil�ncio se dais valor � vossa vida.
-Padre, vos imploro. -Sil�ncio.
Segui-me.
Por aqui.
Vedes? T�m estado escondidos � vossa espera.
Onde est� ele? Onde est� o judeu?
-Ent�o? -Foi-se, senhor.
-Foi-se? -Desapareceu.
lmbecil. Deixaste-o escapar.
S�o normandos.
Sax�es ou normandos, o que � que eu tenho a ver com isso?
Alegro-me pelos bravos normandos terem atravessado o Canal
e terem derrotado os bravos sax�es? Qual � a diferen�a?
Ambos nos tratam como c�es. Chamais-lhes corajosos cavaleiros?
-Eu os chamo de ladr�es. -Um mercador rico tamb�m o �.
N�o importa. Salvastes-me a vida e estarei sempre em d�vida convosco.
Se continuardes mais tempo nesta estrada, ningu�m vos poder� ajudar.
Se n�o for por aqui, perco-me.
Eu conhe�o estas terras. Para onde ides?
-Para Ashby. O grande torneio. -Nesse caso, pod�amos ir juntos.
Posso perguntar quem sois v�s, a quem devo o meu salvamento?
Apenas um simples peregrino que regressa da Terra Santa.
Vinde, perder mais tempo aqui seria perigoso.
Al�m. L� est� Ashby.
Que Jacob vos aben�oe, peregrino. Como poderei recompensar-vos?
-N�o quero nada. -Ter�s um cavalo
e uma armadura para o torneio.
-Mas como sabia que eu... -Percebi logo.
Por baixo do vosso manto, a malha de ferro e as esporas douradas.
Tereis tudo o que precisardes.
Devo avis�-lo que o cavalo e a armadura poder�o perder-se no torneio.
lsso � imposs�vel.
A vossa lan�a, bom jovem, ser� poderosa como o cajado de Mois�s.
Meu estimado corcel.
-C�es normandos. -Cuidado, amo.
Dizem que o Pr�ncipe Jo�o tem dez mil ouvidos.
Nesse caso, que me ou�a. Digo-lho na cara.
Quem �?
Chama-se Cedric de Rotherwood, um fidalgo sax�o.
-Referia-me � donzela. -� a sua protegida, Lady Rowena,
da linha real de Alfredo o Grande.
-Ela � linda. -Se � que se pode chamar lindo a um sax�o.
Os desafiantes, Reginaldo Cabe�a-de-Boi!
Maurice de Bracy!
Brian Guilbert!
Ouvi a multid�o. O Pr�ncipe Jo�o est� a ser bem aceite.
Mais valia ele assumir j� o trono,
antes que o Rei Ricardo regresse da Terra Santa.
Ricardo morrer� assim que regressar.
-Fitzurse. -Sim, Vossa Gra�a?
Estamos prontos para come�ar?
Ainda falta a escolha de uma rainha para o torneio, senhor.
Se Vossa Alteza concordar, talvez a minha filha?
N�o, poderia parecer impr�prio anunciar a vossa filha
antes mesmo do in�cio do torneio.
Deixai o corajoso cavaleiro que vencer hoje o torneio escolher.
Estes tr�s nobres desafiantes ir�o combater com todos os participantes.
Cada desafiante poder� ser escolhido, batendo com uma lan�a no seu escudo.
Se o escudo for atingido com a parte de tr�s da lan�a,
n�o ser�o usadas pontas afiadas.
Mas, se for a ponta afiada da lan�a a tocar no escudo,
ent�o, o combate ser� travado com armas afiadas.
Se algum cavaleiro quebrar a lan�a de todos os tr�s desafiantes diante de mim,
o Pr�ncipe Jo�o ir� declarar esse cavaleiro como grande vencedor do combate de hoje.
O Pr�ncipe pretende que o vencedor escolha a rainha.
O Pr�ncipe Jo�o anunciou
que o vencedor ter� a honra de escolher a nossa Rainha de Amor e Beleza.
Normandos. S�o os tr�s normandos.
Haver� algum sax�o que os desafie?
Amanh�. Eu luto amanh�.
Procurais algu�m?
Alteza, n�o ser�o usadas pontas afiadas.
Que decep��o.
Colocai.
N�o haver� aqui ningu�m? Ningu�m que os detenha?
Amanh�.
-Quem � ele? -Olhe melhor, meu amo.
-Talvez deva perguntar, quem foi ele? -Um sax�o?
-Sem d�vida. -N�o temos melhor do que isto?
Temos, senhor. O seu nome � lvanhoe.
-O vosso filho, meu amo. -N�o tenho nenhum filho.
Podeis t�-lo renegado, mas continua a ter o vosso sangue
e � digno do seu nome sax�o.
� digno de desprezo e nada mais do que isso.
� desgra�a. � piedade. O meu filho fugiu e deixou a cidade.
Pr�ximo! Quem � o pr�ximo?
Vossa Gra�a, n�o h� mais ningu�m para enfrentar os desafiadores.
Ser� poss�vel? V�o deixar que estes invasores normandos ven�am?
A honra de lnglaterra est� em risco. Certamente que v�s...
Que chatice termos de terminar t�o cedo. T�o rapidamente. Ainda assim...
Ainda assim, como � reconfortante saber que os tr�s cavaleiros mais fortes
s�o leais apenas a v�s, Majestade.
� ele. � ele. O peregrino.
Desdichado. O Cavaleiro Deserdado. Bem-vindo.
Tendes hip�tese de escolher. No entanto, o resultado ser� o mesmo.
Que decep��o. Queres trocar comigo, Cabe�a?
Jamais. Este � meu.
Sax�o. Aposto que � sax�o.
Posso esperar que me deis agora a oportunidade?
Que pena, Brian. Agora j� n�o vais ter a tua oportunidade.
Quem � ele? Descobri quem ele �.
Confessastes-vos esta manh� para colocardes assim a vida em risco?
A ponta afiada. V�o usar as pontas.
Ent�o, preparai-vos. Contemplai o sol pela derradeira vez.
Parem! S� podem usar a lan�a. N�o podem usar a espada.
V�s, Cavaleiro Deserdado.
Proclamamo-vos campe�o do torneio de hoje.
Encontrar-nos-emos novamente amanh� quando n�o houver quem nos separe.
Bravo cavaleiro, louvamos o vosso valor.
E premiamo-vos com este bravo corcel para corresponder � vossa coragem.
lntitulais-vos O Deserdado?
Por que outro nome havemos de vos tratar?
Como forasteiro, podeis pedir aux�lio na escolha de uma rainha.
Deixai que vos informemos que a bela Alicia � tida como a melhor em beleza e estatuto.
Quereis apresentar a vossa lan�a?
Agora, podeis indicar a vossa escolha.
Magnificente.
Magnificente seja o audaz cavaleiro.
Longa vida � Rainha do Amor e da Beleza.
Longa vida � Rainha do Amor e da Beleza.
Longa vida � Rainha do Amor e da Beleza.
Longa vida � Rainha do Amor e da Beleza.
N�o podeis desperdi�ar toda a vossa vida com rancor, pai.
Rancor? Falais de rancor? O que quereis que sinta?
O nosso senhor e amo, o Pr�ncipe Jo�o,
exige o dobro da contribui��o que lhe dei o m�s passado.
Contribui��o. � um resgate.
Mas certamente que o Rei Ricardo voltar� para lnglaterra e reassumir� o trono.
Que diferen�a faz para n�s, Ricardo ou Jo�o?
Neste pa�s perverso seremos sempre perseguidos.
N�o. Os crist�os n�o s�o todos iguais.
Pensai no cavaleiro corajoso que lutou hoje.
Esse era um jovem corajoso e nobre.
Aposto que aquele peregrino era judeu.
Sim, Beaslin?
Est� um estranho � porta, senhor. Deseja falar-vos.
Parece-vos perigoso?
N�o creio. Usa as vestes de um peregrino.
Colocai o v�u.
Meu amigo.
Senhor, perdoai a intrus�o. Vim pagar-vos a minha d�vida.
D�vida? Qual d�vida? Devo-vos a minha vida.
Nem pensar.
A minha filha, Rebecca.
� uma honra.
N�o me deveis nada. Pagastes-me totalmente no torneio.
Posso oferecer-vos uma ta�a de vinho?
Ainda assim, trouxe o vosso cavalo e tenho aqui o pre�o da armadura.
Ficai com eles. S�o vossos.
Sinto que, no m�nimo, devo pagar-vos algo...
O meu pai deve-vos uma bondade maior do que quaisquer corc�is ou armaduras.
Por favor, deixai-nos considerar que � a nossa d�vida pela vida dele.
Se � esse o vosso desejo.
O vinho?
Perdoai-me, por favor. Devo preparar-me para o duelo de amanh�.
Senhor, foi muit�ssimo generoso.
Foi uma honra conhecer-vos.
Obrigado. Desejo-vos boas noites.
Assustaste-me.
Esperai, vou sair e entrar de novo.
Pronto. Ainda estais com medo?
Diz-me. Diz-me j�. Quem era o misterioso cavaleiro?
-Quem era ele? -Quem?
Wamba, por favor, n�o brinques comigo.
O que disse ele?
A sua voz n�o p�de ser ouvida.
A sua cara, os olhos, o nariz, a boca, n�o puderam ser vistos.
-Porqu�? -Ele n�o estava l�.
-Wamba. -Desapareceu. Na noite.
O bom cavaleiro desapareceu na boa noite.
Acho que foi melhor assim.
Melhor?
Ser� que o lvanhoe, se estivesse aqui,
n�o ficaria com ci�mes de um novo e corajoso cavaleiro?
N�o teria raz�es para tal. Sou fiel ao lvanhoe.
E se o Cedric vos casar com o nobre su�no, Athelstane?
-Nunca. -Ele ir� insistir.
E eu irei recusar.
Quieto!
Wamba!
E ent�o?
O que foi que ela disse?
Falaste com ela?
Ela n�o me esqueceu? Diz-me que ela n�o me esqueceu.
A senhora � leal. Faria uma ora��o.
-Por mim? -Pelo corajoso cavaleiro que venceu hoje.
S�o a mesma pessoa? Como vos chamais?
Vai-te, velhaco. Sai daqui.
A Rainha do Amor e da Beleza ser� conduzida ao seu trono
pelo nosso suserano, Pr�ncipe Jo�o.
-Onde est� o Athelstane? -Amo, essa � uma boa pergunta.
-Est� a preparar-se para o combate? -Ele � convidado no nobre Lorde Gurtog.
Da �ltima vez que os vi, estavam a comer um veado, um animal gigantesco.
Que fique claro que � proibido trespassar com a espada.
Apenas podem bater.
A ma�a ou o machado de guerra podem ser usados sem limita��es,
mas a adaga � proibida.
Qualquer cavaleiro que caia do cavalo pode retomar o combate a p�.
Qualquer cavaleiro que quebre as regras deste torneio
ser� alvo de ridiculariza��o p�blica e despojado das suas armas!
Gl�ria aos valentes!
Muito bem. Eles que comecem.
Cuidado!
Podeis parar o combate a qualquer momento.
Par�-lo? Por Deus, n�o o farei.
Ele ganhou o pr�mio ontem. Dai agora a vez a outros.
Rendei-vos.
Esperai. Parai o duelo.
Honra ao valente!
Gl�ria ao valente!
Honra ao valente!
Gl�ria ao valente!
Honra ao valente!
Gl�ria ao valente!
Honra ao valente!
A sua cabe�a deve estar destapada para aceitar a coroa.
lvanhoe!
A coroa, senhora.
Concedo-vos, honroso cavaleiro,
esta coroa como pr�mio pela vit�ria de hoje.
E sobre estas feridas temerosas, n�o h� outra prova maior de valentia.
lvanhoe!
Ajudai-o.
Ajudai-o.
O vosso pr�prio filho. N�o ides fazer nada?
O meu filho abandonou a minha casa. Abandonou o meu pa�s.
Renunciou � causa sax�nica. Ele n�o � meu filho.
Temos de o ajudar rapidamente, pai.
-Como? -Levai-o para nossa casa.
Mas ele � crist�o. Segundo as leis, s� podemos ter rela��es comerciais.
Ele est� gravemente ferido e n�o podemos recusar ajud�-lo.
Pensai. Se morrer ao nosso cuidado...
Ele n�o morrer� a menos que o abandonemos.
E se assim for, temos de responder perante Deus pelo seu sangue.
Depressa. Os inimigos dele est�o a chegar.
Wilfred de lvanhoe. lsto n�o ser� apenas uma batalha de um dia.
Se o lvanhoe regressou da Terra Santa, poder� o Rei Ricardo estar muito para tr�s?
Ele que venha. Vamos coroar o irm�o antes que ele consiga reunir as suas tropas.
O diabo dar� as boas-vindas a Ricardo.
Eu, Brian Guilbert, fa�o-te esta promessa.
Encontrar-me-ei com Wilfred de lvanhoe num combate mortal
e envi�-lo-ei para a eternidade.
Voltem l� para tr�s. Afastem-se. Afastem-se.
-Quem �? Quem � aquele que o leva? -Algu�m mais bondoso do que n�s.
Em frente.
Minha senhora.
V�s.
O meu pai e eu,
trouxemo-vos aqui para tratar as vossas feridas.
Temos ervas especiais, formas de curar as feridas, embora nunca a inflijamos.
Ervas?
Preparados secretos passados para n�s desde os dias de Salom�o.
Devereis poder voltar a usar a armadura daqui a oito dias.
Podeis repousar na nossa casa em York at� recuperardes as vossas for�as.
Partiremos de manh�.
N�o h� mais ningu�m aqui em Ashby
-que pudesse cuidar de mim at� eu... -Hoje ningu�m foi em vosso aux�lio.
Minha cara, nobre donzela, eu...
N�o. Eu n�o sou nobre.
N�o passo de uma pobre judia.
� por causa da nossa ra�a?
� por isso que n�o pretendeis viajar connosco?
N�o desejo incomodar-vos.
Aceito a vossa ajuda com gratid�o.
Agora, descansai. Vou deixar-vos.
-Vossa Majestade. -Erguei-vos.
-Havei-lo encontrado? -Na casa de lsaac, o judeu de York.
Est�o a planear lev�-lo para York de manh� cedo.
Foi um golpe de sorte.
lrei encontrar-me com o Wilby, o Forbes e o Witherstone em York esta semana.
Reunirei l� todas as minhas tropas para enfrentar o meu irm�o.
-ldes viajar sozinho? -Por agora, tem de ser assim.
Podeis retirar-vos. E, Phillippe...
-Majestade? -Bom trabalho.
Obrigado, Majestade.
Muito bem. Onde est� ela? Onde est� a rainha do torneio?
-Ela... -Sim? Ela � a vossa protegida, n�o �?
Onde est� a Lady Rowena?
Ela est� esgotada com os acontecimentos de hoje.
Pede permiss�o para recusar o vosso am�vel convite.
N�o estamos habituados a tal rejei��o por parte das rainhas eleitas.
� da tradi��o que elas estejam presentes.
Os vossos costumes n�o s�o os nossos costumes.
Bem. Talvez n�o se oponha a que bebamos uma ta�a
em honra do campe�o deste duelo.
Ao vosso filho, Wilfred de lvanhoe.
N�o posso beber.
-Em honra do vosso pr�prio filho? -Ele abandonou-nos.
Deixou a sua casa, o seu pa�s, para combater em terras distantes
com o vosso irm�o, o Rei Ricardo.
Nesse caso, esperemos que o meu irm�o o tenha em maior estima do que v�s.
N�o posso perdo�-lo. N�o irei perdo�-lo.
Um jovem obstinado que recusa as ordens e costumes dos antepassados.
Eu encho a minha ta�a em honra do pr�prio Cedric.
Esta vossa protegida, Lady Rowena.
Sim.
Uma rosa de graciosidade.
E, creio, uma j�ia de riqueza?
Uma sax� de posses avultadas.
� minha inten��o que despose este valente e nobre cavaleiro, Athelstane,
o �ltimo da linha real de sax�es.
Mas ela � menor, n�o �?
E, como tal, est� � nossa disposi��o para casar.
Efectivamente.
O que vos parece, De Bracy? Soube que gost�veis da donzela?
Gostar�eis de a tomar como vossa esposa?
Se as terras dela me agradarem.
Cumprirei os desejos de Vossa Alteza.
O dia em que a minha protegida desposar um normando, ele n�o viver� outro dia.
Esperai. Sentai-vos. Os dois.
Trouxemos estes distintos convidados aqui esta noite
e continuar�o a ser distintos convidados.
Oferecemos um brinde em honra de Cedric de Rotherwood
e agora, por favor, nomeai um normando.
� uma tarefa �rdua, para o conquistado, entoar louvores ao conquistador.
Mas nomearei um normando, pese embora ele tenha desencaminhado o meu filho.
Continua a ser o melhor da vossa ra�a infeliz.
Bebo esta ta�a � sa�de de Rei Ricardo, o Cora��o de Le�o.
Longa vida ao Rei Ricardo.
E agora pe�o que nos deis licen�a. Permanecemos aqui tempo suficiente.
Erguei-vos, nobre Athelstane.
Desejamo-vos uma boa noite.
Receio, Majestade, que os c�es sax�es tenham sa�do triunfantes.
N�o � poss�vel, pois n�o?
Poder� Ricardo estar de novo em lnglaterra?
De que importa isso?
Tendes aqui os servi�os de Maurice de Bracy, Cabe�a-de-Boi
e a minha humilde espada.
� o suficiente para derrotar um ex�rcito.
Aqui vai o meu brinde e promessa solene.
Ao Pr�ncipe Jo�o, o nosso pr�ximo Rei de lnglaterra.
Pr�ncipe Jo�o!
Pr�ncipe Jo�o! Pr�ncipe Jo�o! Pr�ncipe Jo�o! Pr�ncipe Jo�o!
Pr�ncipe Jo�o! Pr�ncipe Jo�o! Pr�ncipe Jo�o! Pr�ncipe Jo�o!
Onde est� ela? Onde est� a Lady Rowena?
-A chorar. -A chorar?
-Vinde. Temos de partir imediatamente. -lr�eis sem o vosso filho?
lvanhoe quis seguir o seu caminho.
-Assim seja. -Ele escolheu...
Ele est� mais disposto a fazer os truques dos normandos
do que a defender a honra da sua linhagem inglesa.
Quem foi que derrotou os normandos no torneio?
Sil�ncio. Nem mais uma palavra. Partimos imediatamente.
-Vossa Alteza. -Sim.
lsto chegou esta manh� de Fran�a.
-N�o! -O que se passa?
-''O diabo anda � solta. Tende cuidado.'' -Ricardo.
Ele escapou de Fran�a. Voltou para lnglaterra.
N�o h� um instante a perder, Vossa Alteza.
Reuni as vossas tropas em York
e enfrentai olhos nos olhos quaisquer tropas que ele tenha.
Vossa Alteza.
lmediatamente.
Meus amigos.
-Meus amigos, partimos para York. -York?
-Vamos juntar-nos ao Pr�ncipe Jo�o. -Com que prop�sito?
Com o prop�sito de enfrentar o Rei Ricardo.
Finalmente.
York fica apenas a tr�s dias de viagem. Temos muito tempo.
� claro.
Pelo caminho, ser�o meus convidados em Torquilstone.
Cerveja e veado que chegue para encher at� essas vossas barrigas.
O que dizem?
O que estais a fazer? Porque parastes?
Bandidos.
Bandidos? N�o h� bandidos.
Sim, talvez haja na floresta. Vamos embora.
N�o podem fazer isso. N�o podem deixar-nos aqui.
N�o? J� estamos a ir.
Parem. N�o podem levar esses cavalos. S�o propriedade minha. Ladr�es!
Ladr�es!
Tomai. Bebei isto.
Pronto. Agora, descansai. Descansai.
Eles foram contratados para nos levar at� York.
T�m o meu dinheiro. Para que se h�o-de importar?
Fomos abandonados. Deus de Abra�o, o que fiz eu?
-Porque nos fazem tanto mal? -Pai, olhai.
Que Deus fa�a com que sejam misericordiosos.
Alto.
Fervorosas sauda��es, senhor. Espero que estejais de boa sa�de.
Quem sois v�s? Falai a verdade, infiel.
Chamo-me lsaac de York.
Contratei uma escolta para nos levar a York, mas abandonaram-nos, como podeis ver.
Porqu�?
Dizem que h� bandidos na floresta. Mas n�o passam de boatos.
lmploro-vos que nos deixeis viajar sob a vossa protec��o.
C�es infi�is. Saiam da frente.
Senhor, permitis que fale, por favor?
Temos algu�m connosco, uma idosa gravemente doente.
lmploro-vos que permitis que esta doente seja transportada
sob a vossa protec��o.
N�o nos diz respeito.
Esperai.
Se essa infeliz corre realmente perigo de vida,
e se estas duas pessoas bondosas e s�rias n�o podem defender-se,
temos de lhes prestar ajuda por caridade.
Assim seja. Podem viajar na retaguarda.
O que se passa? Qual � o alarme?
N�o h� qualquer alarme. Est� tudo pronto para si no castelo.
S� queremos inform�-lo que h� um grupo de sax�es na floresta.
Sabeis quem eles s�o?
Cedric de Rotherwood, Lady Rowena e o nobre cavaleiro, Athelstane.
Qual � o tamanho desse grupo?
Dez ou onze. Os criados n�o est�o armados.
Meu bom amigo, De Bracy. Aposto que chegou a hora.
-O qu�? -� hora de te entregarmos a tua esposa.
A tua esposa, De Bracy, espera-te.
-O que foi aquilo? -O qu�? N�o ou�o nada.
Perdoai a intrus�o, minha senhora, tenho o prazer de anunciar
que agora � convidada do meu bom amigo, Cabe�a-de-Boi.
Preferia ir com bandidos. Mas, de facto, � isso que sois.
De Bracy? Tens a certeza que queres casar com esta l�ngua afiada?
Ora, o que temos aqui?
Acho que podemos ter capturado mais do que um p�ssaro desta vez.
Uma infiel.
E incrivelmente bela.
N�o podemos fazer-vos mal, senhor.
Temos aqui uma velha mulher que precisa dos nossos cuidados.
Ela t�-los-�, prometo-vos.
CASTELO DE CABE�A-DE-BOl EM TORQUlLSTONE
C�es. C�es normandos.
B�rbaros. Mas ir�o certamente dar-nos comida.
Parai.
O que �? Qual � a doen�a dessa bruxa velha?
N�o vou chegar perto para descobrir.
Ponde-a no ch�o. Por favor, ponde-a no ch�o.
Ent�o? Podeis sair.
Pronto. Est� tudo bem.
Calma. Descansai tranquilo, lvanhoe.
N�o vos assusteis. N�o griteis, imploro-vos.
Estamos... Estamos em York?
Somos prisioneiros.
Tirai as m�os de cima de mim. Largai-me.
Novamente perdido. Novamente perdido. O que hei-de fazer?
Levaram o meu amo, deixaram o louco.
-Bandido ou patife? -Nenhum dos dois, senhor.
O que sois, ent�o?
Sou um louco. Wamba, o bobo do meu amo, Cedric de Rotherwood.
Um sax�o?
-Um nobre sax�o. E prisioneiro. -Prisioneiro? Onde?
No castelo de Cabe�a-de-Boi. Com Lady Rowena e o nobre Athelstane.
E tamb�m... lmportais-vos, senhor?
Obrigado.
E tamb�m lsaac, o judeu de York, e a sua filha, Rebecca.
Foram raptados?
Efectivamente, senhor. Sem d�vida.
T�o seguramente quanto v�s e eu.
V�s? Eu? De que falais?
Olhai em volta, senhor. Os arbustos est�o a mover-se.
Bem-vindos, cavalheiros. O que quereis? Um louco ou um cavaleiro?
Soltai-o.
O Cavaleiro Negro.
O torneio em Ashby. Salvou o jovem lvanhoe.
-Tendes isso contra mim? -Contra v�s?
N�o h� nada que mais aprecie do que a vida de um cidad�o ingl�s.
Se fordes t�o bom ingl�s como sois enquanto cavaleiro,
ent�o tenho-vos em grande estima. O que vos traz pelo nosso caminho?
A dist�ncia mais curta para York.
Ent�o tendes de ficar um pouco. Experimentar a nossa hospitalidade.
Por favor. Suplico-vos.
Se gosta realmente de ingleses, ajude a salvar o meu amo.
Ele fala de Cedric de Rotherwood.
Lady Rowena. O nobre Athelstane.
Prisioneiros, todos eles. Prisioneiros no castelo de Cabe�a-de-Boi.
Quanto a mim, unir-me-ia a qualquer tentativa para os salvar.
-Onde est� o Jo�o Pequeno? -Vem a caminho de Totherdam.
-E o Will Scarlet? -Acabou de chegar.
E onde est� o Frei Tuck?
-Chamou, meu amo? -Onde tendes andado?
Nas v�speras a dizer ora��es por todos os bons ingleses.
Parece que estivestes a beber mais do que o habitual.
Talvez um trago ou dois do nosso vinho sagrado.
Credes que estais em condi��es de nos prestar servi�o em combate?
Tenho uma sibila��o aqui e uma fraqueza aqui.
N�o sei.
Sim. J� passaram as duas. Estou pronto.
Ent�o, vinde, padre demon�aco.
Vamos embora, Cavaleiro Negro.
O bobo ir� conduzir-nos ao seu amo.
Quereis a minha vida? Quereis a minha fortuna?
� demais para v�s, normandos,
o facto de n�s, sax�es, ainda termos terras no nosso pr�prio pa�s?
Muito bem, matai-nos.
S� vos pe�o que liberteis a Lady Rowena em honra e seguran�a.
Porco normando!
Meu Deus, quem imaginaria que v�s, o descendente de reis sax�es,
seria prisioneiro de um vil normando
na casa onde os nossos antepassados convocavam cortes.
Talvez estejam a pedir um resgate moderado.
C�es.
A minha l�ngua cola-se ao c�u da boca. Ter-se-�o esquecido de nos mandar vinho?
Porque n�o se senta, senhora?
Se estiver na presen�a do meu carcereiro, prefiro ficar de p�.
Car�ssima senhora, estais na presen�a do vosso prisioneiro, n�o do carcereiro.
N�o vos conhe�o, senhor.
E nenhum homem com esporas e cota de malha
deve importunar uma donzela desprotegida.
� uma desventura que n�o me conhe�a.
Espero que o nome De Bracy seja conhecido de todos por actos de cavalheirismo.
De Bracy? Hoje n�o vejo qualquer acto de cavalheirismo.
Sois injusta, Lady Rowena.
N�o permitis, sequer, a paix�o de um homem assolado pela vossa beleza?
Senhor, falais a linguagem comum de um menestrel.
Talvez a linguagem severa fundamente melhor uma atitude severa.
Uma coisa vos digo,
n�o saireis daqui a menos que seja como esposa de Maurice de Bracy.
Vossa esposa?
Bem sei. Tendes um grande orgulho. Admiro isso.
Torna-vos ainda mais apropriada para ocupar o lugar ao meu lado.
Quando eu casar, senhor, n�o ser� com algu�m que despreza
a forma como fui criada.
Talvez sonhe que o Rei Ricardo reassuma o trono.
� um sonho vazio. Posso garantir-vos isso.
O seu destino ser� t�o in�til quanto o do lvanhoe.
O qu�? O lvanhoe?
Finalmente noto um acesso de afecto?
Onde est� ele? Sabeis onde ele est�?
-Sei. -lmploro-vos que me digais.
Est� gravemente ferido num quarto de torre�o l� em cima.
N�o acredito em v�s.
N�o vos incomodastes em olhar.
Ele viajava na liteira com lsaac, o judeu de York.
Quando informar o nosso anfitri�o desse facto,
lvanhoe deixar� de respirar.
Sorri, estimada donzela.
Sorri simplesmente � minha proposta e ele n�o ter� nada a temer.
N�o posso crer que o vosso prop�sito seja t�o cruel e o vosso poder t�o forte.
H� outros. Cedric, o vosso guardi�o.
O destino de todos depende da vossa decis�o.
Lady Rowena, preferia que mantiv�sseis a vossa raiva inicial do que isto.
Estai certa, por favor, n�o tendes ainda raz�es para chorar.
Agora irei deixar-vos
para que penseis na vossa decis�o.
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