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Original subtitles

Legendas: Lu�s Filipe Bernardes

JULIA JOLIET SERVI�O DE F� CLUBE

SECRET�RIA DE LEROY DANE ASSASSINADA

Pode entrar!

Dizem que voc� tem uma cara simp�tica.

Daria pra oferecer uma birita para este pobre policial de folga?

J� que � pobre ter� que aceitar um bourbon.

Nas ter�as prefiro scotch.

Mas aceito bourbon.

Procuram-se herdeiros desaparecidos.

O que voc� faz com seus jornais velhos?

Separo por ano.

- Veio aqui s� pra filar uma bebida? - E por que n�o?

Um d�lar poupado � um d�lar ganho.

Vejo que esteve lendo sobre o caso Joliet.

Secret�ria de Leroy James.

N�o era bem secret�rio. Cuidava do seu f� clube.

Diz que n�o tinha parentes.

Seus bens n�o ultrapassam $3,000. $1,800 na poupan�a...

$500 na conta corrente e bens pessoais cerca de $600.

N�o est� � sua altura.

Um dos pertences de Julia Joliet

era um monte de recortes de jornal referentes ao famoso caso Delaney.

Ainda est� encasquetado com ele?

Ainda penso nele de vez em quando.

Doris Delaney.

A mo�a que tinha tudo na vida.

Saiu do Col�gio McGillian para meninas ontem � tarde...

H� doze anos.

Doris, 16 anos, filha �nica dos milion�rios Jonathan e Eleonora Delaney

disse a sua melhor amiga que ia comer um sorvete num shopping...

a um quarteir�o do col�gio.

Ela nunca chegou � loja.

E os pais gastaram $750,000 durante 5 anos � sua procura.

Contrataram os melhores advogados e detetives.

Recorreram a todas as secretarias de pol�cia do pa�s.

O FBI tinha um dossi� em Washington chamado 'Delaney, Doris'...

'N�o Solucionado'.

Precisa dizer mais alguma coisa?

N�o esqueceu uma coisa?

Quem quer que tenta localizar Doris Delaney doze anos depois

� um pateta.

Quando terminar desligue as luzes ao sair, falou?

Te vejo mais tarde.

- Um u�sque com soda, Peter. - E outra dose pra mim, por favor.

Com licen�a...

N�o estou vendendo seguros, n�o � uma intima��o...

e n�o � pra se mandar da�, mas voc� n�o � Leroy Delaney?

- Claro. Por qu�? - Nada. � s� por perguntar.

Um cara na sua posi��o precisa estar sempre de guarda.

- Voc� � lutador? - N�o, mas o ex�rcito parece que achava.

Ent�o j� serviu, hein?

Eu me dei bem.

No esquadr�o do General Omar Bradley. Sa� com ins�gnia de prata.

A prop�sito, viu um filme que estrelei recentemente

chamado 'Tank Brigade'?

Ainda n�o.

O cara que escreveu nunca viu um tanque na vida.

Queria fazer dinheiro sem conhecimento de causa.

Tive que improvisar quase todas as falas no filme.

Era cada furo que dava pra passar um caminh�o.

- Ou um tanque. - �.

- Amor! - Oi, gatinha.

- Mais tarde, querida, mais tarde... - Tem raz�o.

Voc� est� linda.

Me serve o que ele estava tomando.

D� licen�a um minutinho.

Voc� n�o ia tomar a iniciativa, ia?

N�o.

H� quanto tempo, Tom.

- Voc� est� muito bem, Linda. - Obrigada.

Tinha at� esquecido como voc� � bonito.

- Voc� deve me detestar. - Por que a detestaria?

- Pelo que fiz com voc�. - Isso faz muito tempo.

- Voc� superou? Se casou? - N�o estou casado.

- Alguma mulher deve ter-se interessado... - N�o estou casado.

Nem eu... agora.

Estou acompanhada. Vem sentar conosco.

Harris n�o se incomodar�. E tanto faz, mesmo.

N�o obrigado.

S� vim tomar este drink.

Vi voc� falando com Leroy Dane.

- � amigo seu? - N�o especialmente. � seu?

Voc� est� amargo. Devo t�-lo magoado muito.

N�o estou amargo.

N�o fingirei que n�o magoou, pois magoou.

Mas eu estava bem acompanhado.

Metade do batalh�o passava o dia lendo cartas de despedida das ex.

N�o acredito... Claro. Ficava mais f�cil fazer piada.

Espera a�.

Como se chamava mesmo o cara com quem se casou? Newcomer?

N�o deu certo. E se chamava Newcomb.

Agora preciso voltar para a mesa.

Por favor, vamos conversar mais tarde.

Harris est� come�ando a ficar aborrecido e Nicki parece entediada.

Linda, n�o �? Nicki Kovacs.

Est� com seu noivo, Walter Collinson. J� ouviu falar, n�o?

Sim, t� montado no dinheiro.

Bem, n�o os deixe esperando.

Faz o seguinte, almo�aremos juntos. Eu te ligo.

Como se n�o sabe meu telefone? Nem ia perguntar, ia?

Tudo bem, eu te ligo.

P�e na minha conta, Peter.

Com licen�a...

Sabe onde fica o apartamento do Sr. Klinger?

- N�o moro aqui. Pergunte � gerente. - Obrigado, senhor.

N�o mora nenhum Klinger aqui.

Ele mesmo me disse que morava no condom�nio Greco.

- Este n�o � o Greco? - N�o. Fica a duas quadras daqui.

Como fui me enganar? Desculpe o inc�modo.

Era o que mais acontecia com a pobre Julia.

Tinha medo de estranhos. Por isso mantinha a porta trancada.

- Trancava sempre? - Ultimamente sempre.

- J� acabou? - Sim, Sra. Wilkinson, obrigado.

Espero que n�o tenha levado nada que a pol�cia possa precisar.

N�o. N�o levei nada.

Como voc� entrou?

Entrei pela janela do terra�o.

Isso se chama invas�o de domic�lio.

Eu arrisco.

Ent�o esta � sua casa.

J� andei explorando. Muito bonita. E cara.

E arrumad�ssima. � um bom dono de casa.

- J� dividi muito quarto na faculdade. - Eu sei.

Estou aqui h� mais de uma hora. Bisbilhotei tudo.

Voc� � assinante de dezenas de jornais. Nova York, Chicago...

Denver, Cleveland. Olhei at� seus arquivos.

Cheio de cartas sobre testamentos e herdeiros.

Esse � meu trabalho. Localizo herdeiros desaparecidos.

N�o entendo. Por que voc� faz isso?

Um cara morre sem deixar testamento.

Nenhum parente � encontrado.

Eu encontro e ganho uma percentagem.

N�o sei se me soa muito bem.

Parece coisa de vampiro, viver �s custas dos mortos.

� comum ter parentes que nunca se viu na vida.

Eu apare�o dizendo que herdaram

alguns milhares de d�lares de um tio ou tia-av� qualquer.

Como n�o os conhe�o n�o tem sentimento envolvido.

� como ganhar na loteria.

Gosta de fazer isso?

Ao procurar seu nome na lista telef�nica.

fiquei feliz quando vi seu endere�o em Brentwood.

Voc� era bem-sucedido.

A casa est� � sua altura...

mas acho que esperava mais de voc�.

Na verdade voc� sempre esperou, n�o �, Linda?

- Te conheci estudando direito... - Eu desisti!

Do que mais voc� desistiu?

Faz tanto tempo...

Nem tanto. Podemos compensar o tempo perdido.

Podemos?

- Nunca amei Newcomb. - Por que se casou com ele?

N�o sei. Voc� sumiu por tanto tempo. Eu s� tinha 19 anos.

O que isso tem a ver?

Talvez tivesse medo de voc�.

De como me anulava. Voc� era t�o forte.

N�o queria virar uma dona de casa

limitada a lavar, cozinhar, fazer compras.

N�o se deu bem at� agora?

- Pelo menos eu vivi. - Ent�o o que est� fazendo aqui?

N�o sei.

Mas quando te vi no bar...

percebi que voc� era o homem na minha vida...

e sempre ser�.

Ent�o, almo�o amanh�?

No Brown Derby, Beverly Hills.

Vou investir em voc�.

Quero uma liga��o para Chevy Chase, Maryland.

� um sub�rbio de Washington, D.C.

Liga��o direta para o Coronel Charles Maddock.

Capital 2-6363.

O meu � 0-4626, Sr. Tom Alder.

Certo.

Ol�, Chuck. � o Tom Alder.

Como assim, madrugada?

Aqui � madrugada. A� s�o seis da manh�.

Preciso de um favor.

Preciso da folha de servi�o de Leroy Dane no ex�rcito.

�, o ator de cinema.

Quero saber quando entrou para o ex�rcito, quando pediu dispensa,

seu endere�o atual, tudo que puder conseguir.

Sei o que ele come de manh�. Li na revista do seu f� clube.

Sim, � importante.

Sim, o mais r�pido que puder.

Pode ligar a cobrar, tudo bem.

Mande lembran�as para sua mulher. Tchau.

Voc� � a Nicki Kovacs, n�o �?

Sim.

Meu nome � Tom Alder. Eu a vi no Circle Room outro dia.

Eu sei. � amigo da Linda Foster.

Sei que isso � meio batido, mas...

mas n�o a conhe�o de algum lugar?

- Naquela noite n�o foi. - N�o, digo antes daquilo.

Parece-se muito com uma mo�a que eu conheci.

S� que ela tinha cabelos escuros e foi h� muito tempo.

N�o tinha como ser eu. N�o moro em Los Angeles.

Costuma vir muito a Los Angeles?

Na verdade, esta � minha primeira vez aqui.

Moro em San Francisco.

Ah.

Est� indo para Nova York?

N�o. Chicago.

Apertem seus cintos de seguran�a, por favor.

Sr. Alder...

N�o quis ser seca com voc�.

Linda e eu somos muito amigas. Sei tudo a seu respeito.

Ent�o deve saber que...

n�o via Linda desde 1950.

Sei, sim.

Ah, sabe?

Tamb�m sei que Linda teve uma baita dor de cabe�a ontem � noite.

Harris ficou bem aborrecido.

O que mais voc� sabe?

- Ela superou, n�o foi? - Bem...

Foi o que pensei.

Harris veio tomar um drink conosco no hotel.

Ligou para Linda mas n�o conseguiu encontr�-la.

Harris e Walter foram colegas de quarto em Princeton.

Foi Walter que te apresentou a Linda?

Sim.

Voc� � advogado, n�o �?

N�o, n�o sou advogado.

Estava falando com um ator no bar...

Tem neg�cios com o show business?

N�o, hm...

Linda disse que sou um vampiro.

- Como? - Porque procuro herdeiros perdidos.

Voc� vive disso?

Hm-hmm.

� que, em ess�ncia, sou um homem muito pregui�oso.

S� trabalho quando preciso ou quando algo me interessa.

N�o acredito que seja pregui�oso.

- Voc� amou bastante a Linda... - Ela te disse isso?

Que terminou com voc� quando esteve na Coreia? Sim.

Voc� � casado?

N�o. N�o sou casado.

Bem, isso explica muita coisa.

- Explica? - Sim.

Estudou direito, nunca se formou.

� solteiro e procura herdeiros perdidos...

porque te d� tempo para pensar em Linda e...

se lamuriar.

Quer dizer derramar l�grimas num copo de bar?

- Isso mesmo.

Apertem os cintos, por favor.

Obrigada.

- Estamos chegando? - Sim, dentro do hor�rio.

At� logo.

Sinto um pouco de pena da Linda.

Acho que ela cometeu um erro.

Por favor!

Est� faltando um artigo neste jornal.

Era s� o que faltava. Roubam, rasgam, fazem de tudo.

� importante?

Tem outro arquivo?

Talvez haja exemplares antigos no dep�sito.

Tem quase 50 toneladas de jornais l� dentro.

De vez em quando nos livramos de uma tonelada para abrir espa�o.

Vai levar uma infinidade para procurar...

Qual � a data? 15 de fevereiro de 1948.

Da �poca do caso Doris Delaney. Lembra-se?

Se me lembro? Trabalhei no caso.

Trabalhava como revisor.

Ent�o deve conhecer o cara que cobriu o caso, Desmond Slocum.

O cara bebia feito um gamb�.

Acabou sendo mandado embora. Nenhum jornal queria saber dele.

- Est� vivo? - H� dois ou tr�s meses estava.

Passou aqui pra me pedir um dinheiro.

N�o o deixam entrar mais na reda��o.

Isso n�o � jeito de tratar ningu�m.

Ele foi um dos melhores rep�rteres policiais da cidade.

Cobria tudo.

Assalto, sequestro... Cad� os f�sforos?

- O caso Doris Delaney... - Sabe onde posso encontr�-lo?

Deixa ver...

Ele costumava ir beber na Terceira Avenida.

Um dia passei l� pra tomar uma cervejinha.

L� estava ele, fedendo a �lcool.

Puxou briga com um cliente e botaram ele pra fora.

Quando ele mandava aqui, vou te contar...

ningu�m botava Desmond Slocum pra fora.

Sabe onde o corpo foi enterrado?

Tem algu�m aqui chamado Slocum?

Ali no final do bar.

Aceita uma bebida, Sr. Slocum?

N�o preciso que ningu�m me compre bebida.

Pelo menos hoje.

Doei sangue por $4. D� pra hoje.

Me procure amanh� e beijarei teus p�s por um drink...

mas hoje, n�o. Se manda.

Queria falar com voc� do caso Doris Delaney.

Ah, n�o. De novo?

J� sei.

Voc� � um daqueles escritores de romances policiais.

Um monte de babacas querendo escrever sobre Doris Delaney.

N�o mais comete crimes passionais?

Eu mesmo posso sair por a� e matar uma loura pra voc�.

Arranco sua roupa e ainda deixo minhas iniciais na barriga dela.

Os malucos que leem teus livros v�o se amarrar.

Escuta, n�o sou escritor...

n�o me interesso por crimes passionais...

nem em crimes corriqueiros.

O que me interessa � Doris Delaney.

Qual � a pegada?

E n�o me diga que n�o tem. Caso contr�rio n�o estaria me dando $20.

Estou tentando encontr�-la.

Pronto. Era s� essa que faltava.

Os tiras n�o conseguiram encontr�-la, O FBI n�o chegou nem perto,

centenas de detetives e advogados

sugaram um milh�o d�lares do velho Delaney e agora...

dez anos depois do caso encerrado

vem voc� achando que pode encontrar o corpo por m�seros $20.

Toma um drink, Slocum.

- � 'senhor' Slocum. - Tudo bem, tome um drink, Sr. Slocum.

� bom n�o esquecer.

Houve �poca em que o Secret�rio de Pol�cia me consultava.

O Delaney tamb�m.

'Senhor Slocum', dizia ele,

'minha filha n�o � mo�a de fam�lia...

e se tocar nesse assunto...

ser� processado por inj�ria e difama��o!'

Seu artigo n�o mencionou nada sobre gravidez.

J� falei...

o cara tinha 10 milh�es de d�lares.

O m�dico omitiu isso no relat�rio.

De quem, Doris Delaney?

De quem estamos falando?

Philip, como �? Capricha aqui.

Recebi minha pens�o. $20.

Como estava dizendo...

visitei todos os pediatras da costa leste e alguns na oeste.

Centenas de pediatras.

E encontrei ele. Dr. Drucker.

Ela o tinha procurado e estava em apuros.

'� uma filha', grita o velho Delaney.

'Meu bebezinho, n�o!', grita a m�e.

Bebezinho? A menina tinha 16 anos.

Bebezinhos de 14 j� est�o tendo filhos.

'Imposs�vel', grita Delaney. 'Ela n�o � esse tipo de garota.'

Todas s�o desse tipo.

Esse � seu mist�rio da Doris Delaney.

Amedrontada com a gravidez, tem medo de contar pro pai...

e se d� mal.

Mas o corpo nunca foi encontrado.

Como voc� sabe?

Qual � a apar�ncia de um corpo

depois de duas semanas debaixo d'�gua?

N�o daria pra distinguir tua av� de um bacalhau.

� isso a�. Cobri tudo at� o caso esfriar.

Escrevi um milh�o de palavras sobre ele.

Tudo baboseira.

Tendo do que beber, escreveria at� sobre a vida sexual de peixinhos de aqu�rio.

Surpreso, Sr. Alder?

Quem � voc�?

Ah, sim, um nome. Deseja um nome.

Pois bem, dar-lhe ei um. Winterbottom.

Van Landigen.

Se prefere algo menos pretensioso, Smith, Jones.

Seja o que for, voc� tem um minuto.

Sen�o chama a pol�cia, n�o � isso?

Ah, n�o, voc� � dos valent�es. P�r-me-� na rua pessoalmente.

Mas veja bem, meu caro, debaixo deste casaco...

uma pistola autom�tica?

N�o, n�o � minha carteira. Ela est� no lado direito.

Deixe-me mostrar-lhe.

Deve achar que est� muito magra.

Sim, mas potente.

Gostaria de sua opini�o a respeito deste exemplar.

Ouso dizer que nunca teve uma igual.

Um b�lsamo para os olhos. Uma nota de mil d�lares. � toda sua.

- Por qu�? - Por seus servi�os. Quero contrat�-lo.

- N�o, obrigado. - Mas nem me ouviu ainda.

N�o pode recusar seus servi�os sem antes de ouvir minhas raz�es.

Calma, o minuto j� venceu. Isso � um rev�lver?

Ora essa, Sr. Alder...

Esta nota � uma das dez que possuo.

Todas podem ser suas por um bocadinho do seu tempo,

tempo este que sabe usar t�o bem.

Quero que encontre um homem para mim.

Quem?

Meu irm�o desaparecido, Auguste Pleschette.

- Eu sou Jacques Pleschette, ao seu servi�o. - Como vai?

- Ent�o voc� n�o � detetive? - N�o. Por isso te procurei.

Eu n�o sou detetive.

Estive conversando com um colega seu em San Francisco.

Dei-lhe uma nota dessas para que me fornecesse sua ficha.

Sua vida, suas realiza��es, tudo.

Disse que voc� era o melhor.

Falou-me do seu trabalho extraordin�rio em localizar herdeiros perdidos.

Que tinha talento para isso.

Perspic�cia, um sexto sentido.

Matem�ticos sabem que dois mais dois d� quatro

mas voc� sabe que dois mais dois 's�o' quatro.

E n�o se satisfaz com isso.

Olha em cima, embaixo, do lado, por tr�s.

V� o que o matem�tico n�o v� porque ele aceita os n�meros.

Voc� fala demais.

O que estava fazendo em Hollywood no apartamento de Julia Joliet?

Estava l� por causa de voc�. Eu o segui.

Queria observ�-lo em a��o, por assim dizer, sua t�cnica.

J� me havia decidido a contratar seus servi�os.

Voc� vasculhou a casa da Srta. Joliet, observou...

encontrou pistas despercebidas pela pol�cia.

�, n�?

Que pistas foram essas?

Ora, meu caro, n�o sei. N�o sou seu confidente.

N�o as vi, n�o sei que import�ncia t�m.

- Mas se tivesse que arriscar um palpite... - Arrisque.

Segundo os jornais, a Srta. Joliet trabalhava para o Sr. Dane, o ator de cinema.

Arriscaria dizer que ele a assassinou. Voc� sabe, mas n�o pode provar.

Busca provas aqui em Nova York.

Algo no passado do Sr. Dane.

Ou da Srta. Joliet.

Muito bem, Sr... Pleschette.

Muito obrigado.

Agora gostaria de falar do meu irm�o desaparecido.

Chama-se Auguste Pleschette ou coisa assim, n�o �?

Isso.

- H� quanto tempo est� sumido? - H� muito, muito tempo.

Auguste � 15 anos meu ca�ula. Quinze anos e tr�s meses.

Nasceu tr�s meses ap�s eu lan�ar-me no mundo

para tentar minha sorte, por assim dizer.

E n�o voltou mais para sua terra.

Como podia? Era jovem, estava aprendendo meu of�cio.

Uma vez Auguste escreveu-me uma carta.

Pra que endere�o ele a mandou?

- � necess�rio saber? - S� queria saber.

- Est� me constrangendo. - Por que haveria de constrang�-lo...

um endere�o t�o antigo?

Porque na �poca em que escreveu

eu me encontrava numa situa��o peculiar.

Bem, se precisa saber, o endere�o era um pres�dio em Nova York.

Sing-Sing?

Sim, infelizmente.

Quer dizer que cumpriu pena.

Sou um erudito. Onde mais teria adquirido tanta erudi��o?

N�o tive educa��o formal. Sa� de casa com 15 anos.

Na pris�o sobra tempo para estudo.

E h� excelentes bibliotecas

nas melhores penitenci�rias estaduais.

- Tamb�m sobra tempo... tempo. - Quanto tempo cumpriu?

- Da primeira vez apenas 3 anos. - E a segunda?

Vamos poupar tempo. Estou com...

Bem, passei um total de 26 anos na pris�o.

'Big Frenchie', rei dos golpistas, � assim que me chamavam.

Big Frenchie, hein?

Mas isso � coisa do passado. Sr. Alden...

N�o vai deixar minha vida pregressa atrapalhar nosso acordo.

Vai procurar meu irm�o, n�o vai?

Acho que n�o, Frankie.

Pense primeiro. Amanh� nos falaremos.

A prop�sito, odeio o apelido Frenchie ou Big Frenchie.

Mantenhamos a classe.

Portemo-nos como cavalheiros... Sr. Pleschette, Sr. Alden, sim?

Sr. Pleschette...

Minha miss�o n�o interferir� com seu trabalho.

Pode faz�-lo simultaneamente.

Por favor, pense com carinho.

Aguardarei uma resposta pela manh�.

Sim, eu quero Murray Hill 9...

3636.

Quero falar com o Sr. Honsinger.

Sim?

Pode completar.

Ei, Tom!

Ol�, Jimmy.

Acabo de desembarcar, como vai?

Hmm... estava muito bem at� agora.

N�o me diga que � outro abacaxi como da �ltima vez.

Ah, n�o, o caso Doris Delaney?

Quero umas informa��es sobre as seguintes pessoas, aguenta a�.

Est� pronto? Vamos l�.

Drucker? Sim, lembro. O pediatra.

Sabia que esse seria o pr�ximo.

Sra. Delaney.

Hm-hmm.

New York Globe,

fotoc�pia,

p�gina 4,

se��o 2.

Sim, claro.

Tudo bem.

Quem mais?

Julia Joliet.

Devia ter uns cinquenta e poucos anos, por a�.

Escuta, Jim,

um cara chamado 'Big Frenchie' Pleschette.

Tem um irm�o chamado Auguste...

Auguste?

T� brincando! Deve ser August.

A-u-g-u-s-t-e.

� assim que ele pronuncia.

Jim, quero essas informa��es o mais r�pido que puder.

Estou no Biltmore.

Use quanta gente voc� puder. Estou com pressa.

T� certo.

At� mais tarde.

Al�.

Sim, posso falar.

- Linda? - Quer dizer que me deixou na m�o.

Covarde.

Tenho meus espi�es. Um deles te viu no avi�o.

Tudo bem, foi a Nicki.

Ela me ligou de Chicago. Disse que voc� estava indo pra Nova York.

Da� voc� ligou pra todos os hot�is de Nova York, hein?

Se ela disse que segurei sua m�o at� Chicago, ela tem raz�o.

A prop�sito, disse por que estava indo pra Chicago?

Voo 9 para Chicago e Nova York...

Onde voc� est�?

Estou no... Circle Room.

Com Harris e Walter Collinson.

N�o, n�o estou com dor de cabe�a.

Mas agora tenho que ir. Tchau, querido.

Al�?

Ponha na linha.

Oi, James, n�o esperei que ligasse t�o cedo.

Sei, trabalha dia e noite.

Tenho uns endere�os pra voc�.

Espera pegar um l�pis.

Pode falar.

Doutor Drucker.

220, Rua 72, West.

Jacques Pleschette...

esse � especial, hein?

Nasceu numa cidadezinha chamada Dumas, Dakota do Norte.

Uma ficha e tanto.

- Oito condena��es. - Cara ocupado.

E o irm�o Auguste?

D� um tempo. Nem aprendi a pronunciar o nome ainda.

Sim.

Agora o endere�o dos Delaney.

Sra. Delaney...

645, Park Avenue.

Sim...

vamos almo�ar juntos, James, se eu tiver tempo.

Mas n�o traga nenhuma namorada, hein?

Podes crer. T� certo. At� logo.

O Sr. Alder, senhora.

Mande entrar.

Pode explicar isso?

- J� leu? - Sim, j� li.

Sua letra � firme e clara. Diria indicar uma personalidade forte.

Meu marido era um home muito forte.

N�o havia sequer um osso desonesto em seu corpo.

Quanto a voc�, meu senhor,

n�o � s� um vigarista...

como tamb�m um mentiroso.

Pegue isso!

"Sua filha est� viva."

Voc� n�o sabe nada dela.

Queria me ver ent�o usou esse artif�cio para ter acesso.

- N�o acredita que sua filha esteja viva? - Claro que ela est� viva!

Se estivesse morta eu saberia.

Ent�o acredita em percep��o extra-sensorial.

Um charlat�o me procurou com essa conversa h� dez anos.

Voc� me desaponta, Sr. Alder.

N�o disse que acreditava nisso. Perguntei se acreditava.

Eu n�o acredito!

Sei que minha filha esta viva, sen�o teria sido informada de sua morte.

Ela pode n�o se comunicar comigo estando viva.

Mas sei que teria deixado uma carta ou um bilhete...

para ser-me entregue ap�s sua morte.

Isso n�o tem nada de extra-sensorial.

Bem...

estou esperando sua desculpa

por ter escrito este cart�o.

O que acha que aconteceu com sua filha h� 12 anos?

Estou esperando sua resposta.

Vai me deixar responder com minhas pr�prias palavras?

N�o o convidei para sentar-se...

porque ainda n�o decidi quanto tempo permitirei que fique.

Ora, sente-se, Sr. Alder.

Aproxime a cadeira.

Quero ver seu rosto.

Saberei se est� mentindo.

H� dois dias assassinaram uma mulher em Los Angeles.

N�o sua filha.

Uma mulher mais velha chamada Julia Joliet.

Seu assassinato foi...

bem, terei que entrar em detalhes meio �ntimos.

Tenho idade para isso.

Levou muitas pancadas e provavelmente foi estuprada.

Aparentemente, o agressor queria alguma coisa escondida na sua pessoa.

Quando a pol�cia revistou o apartamento encontrou uns recortes de jornal.

Recortes sobre sua filha.

Ora, continue.

Sra. Delaney...

minha profiss�o � procurar pessoas desaparecidas.

O caso Doris Delaney � um cl�ssico. Sempre me interessou.

Est� come�ando a me desinteressar.

Ent�o tentarei reaviv�-lo.

A men��o do nome de sua filha

ligado ao assassinato de Julia Joliet despertou minha curiosidade.

Joliet era apenas uma secret�ria. Ningu�m teria raz�o de mat�-la.

Nada foi roubado.

Ent�o por que a mataram?

Talvez alguma coisa ou alguma informa��o que tivesse da sua filha.

Havia um nome no caso...

um nome famoso...

E se esse homem tivesse matado Julie Joliet?

Investiguei esse homem.

Leroy Dane?

Percebi que n�o dizia a verdade. Mentiu sobre quase tudo.

Como sabia seu nome?

Ainda leio jornais, Sr. Alder.

Nomes de artistas famosos s�o t�o importantes aqui quanto na Calif�rnia.

Continue.

Julia conhecia Leroy Danes. Era sua secret�ria.

E tamb�m estava interessada em sua filha.

Uma menina sumida h� 12 anos.

Novamente, por que a mataram?

Talvez porque tivesse alguma informa��o, informa��o da sua filha.

Talvez o assassino quisesse esconder essa informa��o.

Seria uma possibilidade interessante,

especialmente se o assassino viesse a ser um ator famoso.

� ele o assassino?

N�o sei.

Ainda n�o tenho certeza.

Est� escondendo alguma coisa de mim, Sr. Alder.

Bem, sugeriu-se que...

apesar da idade de sua filha, ela poderia estar...

Gr�vida?

Sim.

Meu marido n�o admitia essa sugest�o.

Contudo, teria aceitado.

Ele at� aceitou, aqui em sua pr�pria casa. Mas a quest�o n�o foi essa.

Nem nada do que possa estar pensando.

Ent�o o que acha que aconteceu com sua filha?

Acredita que minha filha fugiu?

� uma opini�o.

Eu sempre achei que ela fez isso.

Fugiu.

Nunca acreditei nas outras coisas.

Escrava branca, sequestro.

Posso pedir mais um favor?

Posso ver uma foto dela?

- Mas j� viu nos jornais... - Eu sei, mas s� vi uma.

Quero ver os seus.

Me diga uma coisa, Sr. Alder.

Voc� vai encontrar minha filha?

Acredito que sim.

Acha que vai ter �xito...

enquanto tantos outros fracassaram?

Posso ver?

Sim.

- Quando foi tirada esta �ltima? - No Natal.

Um pouco antes...

antes de ela partir.

- E esta? - Alguns meses antes, perto da P�scoa de 1947.

Esta � a melhor de todas. A favorita do pai.

Por isso que deram para os jornais e a pol�cia?

Tamb�m porque � a sua imagem exata.

N�o tanto quanto esta.

Seu pai...

vendo sua filha crescer...

orgulhoso de sua filha...

Ele a v� como uma crian�a.

Inconscientemente devia ressentir-se de que estivesse crescendo.

Talvez ressentisse em sua filha o desabrochar da mulher...

a marca da maturidade.

Esta foto � de uma crian�a.

Um rosto muito bonito, mesmo assim uma crian�a.

Em poucos meses rostos n�o mudam muito.

Para uma menina de 16 anos, parece a foto de uma mulher.

O su�ter... t�o justo.

Definitivamente ela n�o era uma crian�a.

A pol�cia estava procurando uma crian�a, eu sinto muito.

Ora...

s� por ter apontado um detalhe vital que eu n�o tinha notado?

Falar da maturidade de minha filha...

talvez fosse um assunto delicado demais para se tocar.

Embora importante.

� importante, n�o �?

Hm-hmm.

Queria que tivesse conhecido minha filha em 1948.

� gentil de sua parte dizer isso.

Bem...

Muito obrigado.

- Adeus. - Adeus, Sr. Alder.

- Tom Alder! Como vai? -Ol�, James, tudo bem?

- Vamos, sente-se. - Obrigado.

- Que tal um u�sque ou um bourbon? - Nenhum dos dois.

- N�o bebe mais? - Estou trabalhando.

Ora, eu tamb�m. Para voc�.

- Por qu�, n�o sei. - Como assim?

Francamente, acho que imagina em que est� se metendo.

Sei muito bem, acabo de estar com a Sra. Delaney.

Isso � piada? H� dez anos que ela n�o fala com ningu�m.

Comigo falou.

Ela � uma ermit�. Odeia o mundo.

Especialmente tiras.

Por falar em tiras.

- A tal mulher de Los Angeles... - Julia Joliet?

�.

Vulgo Kate Carmen...

vulgo Frida Fay... uma simpatia de mulher...

Condenada duas vezes por chantagem, multa de $1,000,

liberdade condicional em 14 de janeiro de 1919,

Faz... 42 anos.

Declarou ter 21 anos.

Novamente presa em 1929.

Fian�a de $50 d�lares que ficou devendo.

� isso.

Nenhuma convic��o depois de 1929?

Aqui n�o. Deve ter-se mudado ou talvez trocado de nome.

Cheque na Calif�rnia depois de 1929.

Sim?

Ponha na linha.

Honsinger falando. Pode falar.

Certo.

Certo. Aguenta a�.

� o Fred Tamm, de Washington. Cara muito legal.

Diz que tem um arquivo do New York Globe na Biblioteca do Congresso...

incluindo uma c�pia da edi��o de 15 de fevereiro de 1948.

Pergunte o que tem na p�gina 4, se��o 2, coluna 3.

Fred, o que tem na p�gina 4, se��o 2, coluna 3?

Uh-huh.

Uma foto? Ent�o v� por artigo abaixo.

Certo.

Danny Kanig.

Bom trabalho, Fred.

Tire uma fotoc�pia e mande pelo correio imediatamente.

E mande a conta.

Quer mais alguma coisa de Washington?

N�o. Tenho um amigo coronel. Ele me dar� o que preciso.

� s� isso, Fred. Obrigado.

Como esse coronel vai te ajudar?

Ele conseguiu a folha de servi�o de Leroy Dane, o ator.

Dane disse que foi um her�i durante a guerra.

S� se for com outro nome, n�o Dane.

Jim...

V� o que consegue sobre esse Danny Kanig.

Tudo bem, mesmo que n�o esteja entendendo nada.

N�o faz sentido.

Uma foto que sumiu.

Chantagista na Calif�rnia, um ator,

Doris Delaney.

N�o fecha.

Al�.

De Chicago? Sim...

Linda, pensei que estivesse em Los Angeles.

Menti. Estava no aeroporto quando te liguei.

Nicki tinha ligado nas n�o queria que eu contasse pra ningu�m.

Parecia ser muito importante, coisa de fam�lia.

Por isso estou em Chicago.

Estou no Palmer House, mas ela n�o est� nem registrada.

Espera, deixe ver se entendi.

Nicki ligou de Chicago, parecia coisa importante...

algo de fam�lia e n�o queria que contasse.

- Tem certeza de que era Nicki? - N�o, mas a voz era igual.

E sua fam�lia mora em Chicago, pelo menos perto.

Ela ia visit�-la.

Ora, ela n�o especificou que ficaria no Palmer House.

Est� me confundindo. Deixa pensar. Tive a impress�o de que...

Hm...

N�o falou em problema, s� que era importante.

N�o grita comigo, querido. N�o consigo pensar assim.

Claro que disse que avi�o eu ia tomar.

Chegamos a Chicago hoje �s 7:00, vim direto para o hotel...

quando vi que ela n�o estava registrada

imaginei que estivesse com sua fam�lia e me telefonaria mais tarde.

Ela sabe que me preocupo e tem muita considera��o.

Mas como ia saber? Voc� s� a viu uma vez.

Claro, ela me contou tudo.

Mas duvido muito que tenha tentado seduzi-la num avi�o lotado.

S� estou implicando.

Mas estou mesmo preocupada com a Nicki.

Estou com uma pressentimento estranho.

N�o acredito em pressentimentos. Ela � esperta. Vai aparecer.

Mas acho que devia ligar pro Collinson. � noivo dela, tem direito de saber.

Sim, pode deixar, eu te ligarei.

- At� logo. - Tchau.

Sim?

Querido!

Senti tantas saudades.

Nunca mais vou te largar. Nem por Nicki, ou quem quer que seja.

N�o � melhor fechar a porta?

Ei, que beijo foi esse? O que aconteceu?

Nada. J� soube da Nicki?

N�o e pouco me importa.

Pensei que fosse amiga dela.

E eu pensei que seu neg�cio em Nova York fosse importante.

Decidi que n�o era t�o importante assim, falou?

Est� t�o preocupado com a Nicki.

Pois bem, apaixone-se por ela.

Mas voc� n�o tem o dinheiro de Walter Collinson.

Nem o dinheiro do Harris Toomey.

Isso � maldade. J� disse o que acho do dinheiro dele.

Ah, n�o vamos brigar.

Tudo bem.

Quando me ligou estava preocupada com Nicki. Podemos falar disso?

- Ela ligou? - N�o.

- Ligou pro Collinson? - Sim, por volta de 13:00.

- Falou com ele? - Falei com Harris. Collinson ligou de volta.

Est� vindo pra c�. Ele tem um avi�o particular.

Como o Sr. Collinson reagiu?

Ficou muito nervoso, chegamos a discutir.

Achou que eu era culpada em parte. Isto �, por ela ter vindo pra c�.

Pelo que notei, foi uma decis�o de �ltima hora.

Coisa de momento.

De repente decidiu viajar ontem de manh�.

Perguntou o endere�o da fam�lia dela?

Ele n�o sabe.

N�o sabe o endere�o da fam�lia?

Foi o que disse. Ele nunca conheceu sua fam�lia.

Acho que Nicki sempre teve um pouco de vergonha da fam�lia.

Ela n�o � muito de falar...

mas uma vez, quando perguntei,

ela foi muito evasiva.

S� falou que o pai era tcheco...

ou iugoslavo, sei l�.

N�o estou ajudando muito, n�o �?

Voc� � t�o preciso, eu nunca tenho certeza de nada.

N�o vou adiantar nada no seu trabalho, n�o �?

Bonita como est�, acho vai.

At� daqui a pouco.

Onde voc� vai?

Deixei minhas malas em Nova York. N�o trouxa nem pasta de dente.

Vou fazer umas compras.

Arranjarei um quarto e te chamo para jantarmos.

Tchau.

- S�o f�zocas do gal�. - Quem �?

O maior de todos, Leroy Dane. Em carne e osso.

- O que ele est� fazendo aqui? - Ele vem sempre.

Dando aut�grafos, entrevistas, tanta coisa...

- Tem um quarto? - Sim, senhor.

Liga��o interurbana, por favor..

Sim, quero ligar para o Sr. Honsinger.

Nova York, Murray Hill 9336.

Tom Alder.

Sim?

Ponha na linha.

- Tom! - Ol�, James.

�, estou em Chicago.

Alguma informa��o sobre o Kanig?

Nada de especial. Um vigarista de segunda categoria.

Pris�es de todo tipo, proxenetismo, pequenos furtos...

Foi morto em 1948.

E nosso amigo Auguste Pleschette?

A tal fotoc�pia de Washington, n�?

Tinha uma informa��o que pode ser importante.

Pleschette e Kanig eram parceiros.

Pelo menos na �poca da foto.

Como � que o Pleschette parece?

N�o sei. S� encontramos esta foto.

S� d� pra ver seu bra�o algemado ao de Kanig.

E o Kanig, como se parece?

Espera.

Parece ser alto,

1.90m, cerca de 80kg, cabelo castanho...

Hmm... meio boa pinta.

Bem, obrigado, James.

Quer que te mande a foto?

N�o, segura ela a�.

A prop�sito, onde enterraram Kanig?

O registro policial diz que o corpo foi identificado por parentes.

Hm...

Obrigado, James. Volto a falar com voc�.

Por favor...

me liga com a telefonista de interurbanos.

Quero uma liga��o para Washington, D.C., para o senhor...

isto �, Coronel Charles Maddock.

Sim, Pent�gono, departamento de informa��es.

Eu aguardo.

Chuck? Tom Alder aqui.

Tudo bem... olha s�...

preciso de outro favor.

Quero que investigue mais alguns caras.

Pronto? Auguste Pleschette.

Todos t�m o mesmo problema.

Danny Kanig.

Isso... quero o mais r�pido poss�vel. Estou no Palmer House em Chicago.

Fico aguardando.

At� mais. Adeus, Chuck.

- Boa noite. - Boa noite, senhor.

- Um steak New York, mal passado. - Com licen�a, senhor.

Boa noite. Podem me acompanhar.

Aceita um aperitivo?

- Um martini. - Boa ideia.

- Dois martinis. - Obrigado.

Ei, lembro de voc�. Da outra noite.

No Circle Room, Hollywood. Falamos sobre guerra.

� verdade... Sr. Dane, Srta. Foster

Boa noite, Srta. Foster.

- Linda mulher. - Obrigada. Sou grande f� sua.

Se for para Hollywood, garanto que meu est�dio a contrata.

Acredito que conhe�a meu noi...

um amigo meu que frequenta seu clube de golfe, Harris Toomey.

Claro, grande jogador.

J� jogamos juntos algumas partidas bem disputadas.

Sr. Dane, se est� sozinho n�o quer se sentar?

Obrigado, ser� um prazer.

Como se explica que nunca a vi com o Harris?

Como se explica que nunca a vi com o Harris?

Costumo sair muito. Se a conhecesse tenho certeza de que me lembraria.

N�o fa�o o g�nero esportivo.

Quase nos conhecemos outro noite no Circle Room

quando conversava com o Sr. Alder.

Devo ser cego que nem um morcego se n�o lembro de t�-la visto.

Voc� estava acompanhado...

Acompanhado? N�o me lembro.

Ah, sim! Uma zinha que peguei por a�.

Est� para estrelar algum filme em breve?

Daqui a algumas semanas.

- Filme de guerra? - S� podia ser.

O est�dio acha que fico bem de uniforme. S� me chamam para filmes de guerra.

Uso tanto uniforme que outro dia bati contin�ncia pra mim mesmo.

For�a A�rea, Ex�rcito, Marinha,

at� em submarinos. "Fire 1, Fire 2"...

Voc� viu?

N�o, acho que tamb�m n�o vi.

Eu vi. Voc� estava magn�fico.

Obrigado, � gentileza sua.

- E voc�, o que voc� faz? - O que eu fa�o?

Sua profiss�o. Voc� � agente? Parece que j� o vi em Hollywood.

- N�o sou agente. - Empres�rio?

- N�o. - Desisto.

Eu ca�o pessoas.

Ele gosta de fazer piada de tudo.

- Ele � investigador. - Inves...

- Ah, um detetive. - N�o sou detetive. Eu...

eu procuro herdeiros desaparecidos.

Isso � um emprego?

Os herdeiros encontrados gostam. Entram na grana.

Vai entender.

- Linda. - Walter! Harris!

Surpresa?

Apresento-lhes o Sr. Toomey e o Sr. Collinson.

Sr. Alder e creio que conhe�am o Sr. Dane.

- Como v�o? - Ol�, Dane! Prazer em rev�-lo.

- Est�vamos falando de voc�, Harris. - Bem n�o era, eu aposto.

Collinson, 'o' Walter Collinson? Estaleiros, cobre?

Prazer em conhec�-lo. N�o sabia que era amigo do Harris.

Ent�o voc� � a antiga paix�o da Linda.

Eu sou Harris Toomey.

- Espero n�o estarmos interrompendo. - N�o, tudo bem.

Quando Linda me falou de Nicki tive que vir imediatamente.

- J� soube dela? - N�o, ainda n�o.

Isso � rid�culo. N�o pode simplesmente ter desaparecido.

- Sua esposa, Sr. Collinson? - Noiva. Vamos nos casar m�s que vem.

Aconteceu alguma coisa?

Deve ser o susto. Com certeza n�o houve nada.

Quem sabe n�o te deu o hotel errado?

Tenho certeza de que disse Palmer House. N�o posso estar enganada.

Estava muito nervosa quando ligou, mas sei que disse Palmer House.

Com licen�a, meu jantar chegou. Se me permite uma sugest�o, Sr. Collinson,

o Sr. Alder � detetive. Talvez possa dar sua opini�o.

Quer dizer que � um detetive. Interessante.

Mas acho que n�o devemos discutir isso em p�blico. � um assunto particular.

Vamos nos registrar e faremos planos.

Boa ideia, Harris. Podemos nos encontrar depois do jantar.

- Isto �, se Nicki ainda n�o tiver aparecido. - Linda, eu estou preocupado.

- Acho que n�o precisaremos do Sr. Alder. - N�s mesmos podemos resolver.

N�o precisam esperar at� depois do jantar.

- J� vou indo. - Isso � que n�o!

- Vou dar um telefonema. - Vou com voc�.

- S� estava pensando no Walt. - Vai se catar, Harris.

Tom.

Tom, espere.

Sinto muito. Ele estava sendo insultuoso.

Como acha que eu teria reagido

se tivesse conhecido o tal do Newcombe nesses circunst�ncias?

�...

pode falar, Coronel.

Preso por proxenetismo, suspeito de proxenetismo...

Preso por... Gente fina, Hein?

�..

Recebeu indulto em 1948.

Fargo, Dakota do Norte.

N�o... � s� do que preciso, Coronel.

S� que � a ficha de um homem que morreu em 1948.

Bem...

explicarei mais tarde, Chuck.

Sim... at� logo.

Vamos, do�ura, vamos at� ali.

Essa est� pra mim.

Ol�, belezura, ganhou um pombinho.

Pombinho? Parece mais um frango.

- Ora, vamos dan�ar. - Estou tomada.

Como assim, tomada?

Um tenente? Tenente n�o d� pra te bancar, garota.

- Se manda, Coronel. - Tudo bem. Fica pra pr�xima.

Obrigada.

Eu disse obrigada.

Eu ouvi.

Tamb�m vai ouvir se pedir que me pague uma bebida?

Claro.

Ito, champanhe, por favor.

Ent�o...

Vamos tomar um porre?

Porre com ginger ale?

- Est� pagando por champanhe. - Mas bebendo ginger ale.

Escuta aqui, Z�... ou tenente Z�, como quer que se chame,

Sabe que lugar � este?

Fa�o ideia.

Pois eu tenho que dan�ar.

Ganho comiss�o pelas dan�as e pela bebida que voc� comprar.

N�o posso ficar de conversa. A menos que pague pela hora.

Tem dinheiro?

Tenho algum.

Muito bem. Quer beber ou dan�ar?

O que foi? Acha que n�o valho?

Olha pra mim.

Olha pra mim!

Tem cada maluco!

Espera.

Senta.

Tem certeza que tem dinheiro?

Olha, n�o estou a fim de beber e...

est� barulhento demais aqui pra conversar.

Podemos ir pra outro lugar?

Claro, se puder pagar.

Acho que n�o tem dinheiro suficiente.

- De quanto precisa? - Cem d�lares.

Tenho cem d�lares.

Tudo bem. Podemos subir pra conversar no meu apartamento.

� o que vamos fazer, Tenente. Conversar.

Melhor me pagar agora, Tenente.

Tem bastante dinheiro aqui, Tenente.

Sal�rios atrasados.

Onde voc� esteve? Perdido numa ilha deserta?

Pra que me deu isso? N�o me impressiona.

Quando despachou o coronel l� embaixo eu...

O coronel estava b�bedo! N�o ponha minhocas na cabe�a.

Voc� � muito bonita.

Obrigada.

Tem...

tempo contado pelos $100?

Eu s� gostaria de...

ficar sentado aqui...

estou meio cansado.

Parece que a noite vai ser longa.

Gostaria de ficar sentado um pouco...

queria ficar te olhando, pode ser?

Como preferir, tenente.

Tudo bem se s� quiser olhar.

Na verdade, voc� tamb�m n�o � nada mau de olhar.

Espera a�...

n�o est� t�o cansado assim.

Voc� foi ferido.

Estou bem agora.

Vou pro hospital amanh�.

Por isso vim aqui hoje.

- Para uma �ltima aventura? - Se importa?

N�o.

Quer conversar?

� alguma mulher, Tenente?

Como se chama?

Se chamava Linda.

Linda.

Significa bonita em espanhol.

Ela era bonita?

Era.

Me fale dela.

Como a conheceu?

Na sala de matr�cula...

da UCLA, na Calif�rnia.

Ela era caloura.

E voc�?

Eu...

estava me matriculando no curso de Direito.

Come�amos a sair juntos...

�amos nos casar...

A� Tio Sam me mandou uma carta...

O Ex�rcito, n�?

Fiquei um tempo estacionado no Forte Ward.

Eu a visitava em Los Angeles e ela vinha me visitar.

Como quer que te chame?

Nessa �poca eu j� estava aqui.

Vim para T�quio em 1948.

Me chamo Lily Brown.

Continuo te chamando de Tenente?

Hm-hmm... Tom Alden.

Voc� estava apaixonado por ela e ela te escrevia sempre.

At� a �ltima carta.

Tipo "Caro amigo"...

Bem, n�o te perguntarei sobre a Guerra, Tenente.

Acho que me contaria mesmo.

Se feriu, te mandaram pra c� e...

e ainda est� apaixonado por ela.

Agora ela est� casada...

Tem raz�o, ainda devo estar apaixonado.

Voc� � desse tipo de homem.

Gostaria de dormir um pouco, Tenente?

Se importaria?

Claro que n�o?

- Vamos, relaxa. - Chega.

Ei, qual �? Estou com montes de fichas.

Engula-os.

Bom dia.

Uh... bom dia.

Acho que peguei no sono.

Sim, dormiu a noite toda.

N�o durmo bem assim desde...

Desde que recebeu a carta?

Desde que recebi a carta.

Escuta, sei que n�o � da minha conta,

mas n�o � s� voc� que tem problemas.

� o que mais tem no mundo.

Tem raz�o.

Bem,

acho que...

Acho melhor ir andando.

Quer um caf� antes de ir?

Sim.

- Leite e a��car? - N�o, uh...

Puro.

Voc� parece...

diferente hoje.

N�o estou diferente.

Acho que falei muito ontem...

Voc� sabe tudo de mim e eu nada de voc�.

N�o tem muito pra saber.

Ainda sou uma mo�a que gosta de dan�ar.

Tamb�m gosta de ler...

e escutar m�sica.

- Isso n�o tem nada de especial... - N�o quis dizer isso, � que...

uma mo�a como voc�...

N�o quis dizer isso, eu...

O que queria dizer, Lily...

Tudo bem te chamar de Lily?

Claro.

S� estava pensando...

Posso te ver de novo?

Pode, se quiser.

- Mas aqui n�o. - N�o pensei em ser aqui.

Pensei em sairmos...

Podemos jantar fora ou...

dar uma volta...

ou sentar por a� e conversar.

Gostaria, sim.

Tom.

Pedi que n�o viesse aqui.

Precisava te ver, Lily.

Podemos subir?

Vou embora amanh�.

- Amanh�? - O avi�o sai �s 6:00.

- Ent�o s� temos... - At� as 5:00.

Quero falar com voc�.

Quero te contar umas coisas.

Linda n�o ser� problema nenhum entre n�s...

N�o. Linda n�o � o problema.

Escuta...

- Quando falei do seu trabalho... - N�o! N�o fa�a perguntas.

Nunca perguntei antes. S� agora, depois esqueceremos.

As perguntas e respostas n�o far�o diferen�a alguma.

Eu s� quero saber.

Tem umas perguntas que voc� n�o vai responder.

Tem perguntas que n�o responderei.

Por qu�?

N�o � o momento certo para n�s dois, Tom.

Momento e mundo errados.

N�o entendo...

Momento errado, mundo errado...

N�o fale, Tom.

Me ame, me ame...

Sim, um momento.

Pensei em tomarmos alguma coisa.

Para nos conhecermos melhor.

Por que n�o?

Eu pe�o. O que voc� quer?

Melhor conversarmos primeiro. Pode mudar de ideia quanto � bebida.

O qu�?

Voc� subiu aqui...

pra perguntar se estou chegando perto, hm?

- Perto de qu�? - De voc�.

N�o sei do que est� falando.

Estou falando de um vigarista chamado Pleschette.

Auguste Pleschette, j� ouviu falar?

N�o.

E um cara chamado Kanig?

- Te diz alguma coisa? - Nada.

Nunca ouvi de nenhum Kanig ou Kleshette ou Pleschette

Meu nome � Dane, Leroy Dane.

Falei com um amigo meu em Washington...

Ele disse que nenhum Leroy Dane

serviu no ex�rcito na Segunda Guerra Mundial.

Mas disse que um tal de Kanig tinha servido.

S� que n�o tinha servido em nenhum esquadr�o, nem ora oficial.

Se eu fosse uma dessas pessoas...

n�o acha que poderia acontecer alguma coisa com voc�?

Algo meio desagrad�vel?

N�o creio.

Acho que Pleschette tem um lado meio covarde...

digamos, bem grandinho.

At� mais.

Talvez.

- Al�? - Sr. Tom Alder, por favor.

- Tom Alder falando. - Chamada interurbana, Sr. Alder.

Pode falar, senhora.

Tom?

Nicki?

Nicki, onde voc� est�?

Telefonista, essa chamada... - Sinto muito, era interurbana.

Eu sei, pode descobrir de onde foi feita?

- Pode aguardar, senhor? - Sim eu espero.

Sua chamada foi via Minneapolis. Minneapolis, telefonista.

-...enviada de Custer City, Dakota do Norte. - Custer City, Dakota do Norte.

- Foi dada de uma cabine telef�nica... - Cabine telef�nica.

- ...2426 - Brule Lodge. � uma linha m�ltipla.

- O que significa isso? - Significa que � uma extens�o.

- Posso ajudar em mais alguma coisa? - N�o, � s� isso, obrigado.

Boa noite, Sr. Alden. Ou melhor, bom dia.

- Entendo que esteja surpreso. - Estou, sim.

Imaginei que sim.

Eu pulei Chicago trocando de avi�o.

Pensei que n�o o veria mais depois de Nova York.

Pois pensou mal. Eu estava atr�s de voc� todo esse tempo.

Eu o segui.

Como sabe, segui-o quando visitou a Sra. Delaney...

e aquele detetive, o Honsinger.

Segui-o at� o aeroporto,

Vi-o embarcar e tomei o avi�o seguinte.

Ei, algum de voc�s se chama Alder?

- Thomas Alder. - � uma situa��o meio estranha.

Precisarei de alguma garantia, digamos $200.

N�o tenho dinheiro comigo

mas quando chegar a Custer City te mando um cheque, falou?

N�o precisa. O pre�o � o mesmo para um ou para dois.

Dividiremos o transporte a�reo meio a meio.

- Frenchie, eu viajo sozinho. - Que desperd�cio.

Ademais, j� me conhece muito bem. Estarei logo atr�s de voc�...

...sen�o adiante.

Vamos, iremos juntos a Custer City.

Aliviaremos o t�dio da viagem. Tome, senhor...

nossa comiss�o.

O verdadeiro amigo do homem � o dinheiro. Nunca o deixa na m�o.

Ele conforta e revigora em momentos de desespero.

N�o concordo com o ditado...

que o dinheiro � a raiz de todos os males.

Dinheiro n�o � um mal.

N�o por si s�.

Tudo bem. Duas passagens.

Ele n�o vai desequilibrar o avi�o, vai?

Sim, Sr. Alden. Meu irm�o � uma alma perdida.

� deplor�vel, mas � verdade.

Se mete em atividades nef�rias, mentiu, roubou...

- Voc� tamb�m. - Ora, mas h� uma diferen�a.

Nunca fui genuinamente um ladr�o. como meu irm�o,

- Soube que o infeliz j� foi at� gatuno. - Ele j� foi ladr�o, proxeneta...

- Proxeneta? - Foi traficante e assassino.

Deveras completa a investiga��o que voc� fez de Auguste Pleschette.

Fala com bastante autoridade.

- Estudou linha por linha... - O livro todo.

Mas a quest�o � o que vamos fazer?

N�o faremos nada.

Deixaremos 12 pessoas decidirem. Chama-se j�ri.

Dev�amos examinar a personalidade do meu irm�o.

Do que ele mais gosta? N�o � dinheiro?

Muito bem. Tire o dinheiro dele.

Ele sofrer� mais que o fogo perp�tuo dos infernos.

Isso se chama chantagem.

Magn�fico, caro senhor.

Essa sua mente afiada, sua l�gica fria vai direto no ponto.

N�o posso dizer tanto de voc�.

Trocando em mi�dos, est� falando de chantagem, n�o �?

Mas ele tem tanto...

Ele tem tanto e eu t�o pouco.

- Deseja uma cabana? - N�o, queria uma informa��o.

Cabanas eu tenho, informa��o n�o.

Tem uma mulher hospedada aqui, cerca de 30 anos,

muito bonita, loura?

- Sua mulher, hein? N�o, n�o � minha mulher.

Ah...

Escuta, estou com pressa...

acho que ela fez uma chamada da sua cabine ali.

Sim, teve uma mulher aqui ontem � noite.

Ela usou a cabine. Me perguntou como chegar a Dumas.

Ei disse que n�o daria pra ir de noite.

A estrada � bem ruim. Cabine 6.

Obrigado.

Mas ela n�o est� l�.

Saiu bem cedo hoje de manh�.

Obrigado.

Voc� est� bem?

Sim.

Estava procurando aquela casa ali embaixo.

Faz muito tempo, Lily.

Faz, sim.

Queria esquecer, mas n�o conseguia.

Eu tinha que lembrar.

Foi a �nica coisa que me deu for�as depois que me deixou em T�quio.

Oh, Tom, quando voc� foi embora s� queria morrer.

Mas n�o podia, porque...

Tom, tenho que te contar uma coisa.

N�o sou Nicki Kovacs e...

tamb�m n�o sou Lily Brown.

- Meu nome verdadeiro � Doris Delaney... - Eu sei.

Como... quando voc� descobriu?

Hoje.

Ou ent�o outro dia quando sua m�e me mostrou uma foto sua em crian�a.

Ou talvez h� muito tempo.

Quando a deixei em T�quio tive muito tempo para pensar.

A forma como nos conhecemos...

voc� n�o parecia se encaixar com o que fazia.

Um dia li um artigo de revista sobre Doris Delaney.

Sobre o que poderia ter acontecido com ela.

Eu pensei, talvez Doris Delaney apenas tenha fugido.

Fugi, sim. Tinha que fugir.

Isso � o que eu n�o entendia. Por qu�?

Sabia que era algo que n�o podia enfrentar, algo para onde n�o podia voltar.

E era.

Quer me contar o que foi?

Quero te contar tudo, Tom, mas...

Estou do seu lado, n�o sabe?

Vamos, falar ajuda.

Bem, um homem que...

Eu o conheci num shopping perto da escola.

Ele foi legal comigo...

Algumas semanas depois...

ele me convidou ao seu apartamento para conhecer uns amigos.

Oh, Tom...

eu era t�o jovem, n�o sabia o que estava fazendo.

N�o tinha ningu�m l�.

Eu resisti...

mas ele bateu em mim e...

Mais tarde descobri que estava gr�vida e...

liguei para ele e disse.

Ele disse que me ajudaria.

Ent�o voltei at� seu apartamento.

Mas ele n�o ajudou... foi pior.

Havia um amigo com ele...

Eu sei, Danny Kanig.

Ele me segurou enquanto o amigo...

Havia um rev�lver...

enquanto me debatia eu atirei nele...

Havia tanto sangue, Tom.

Eu entrei em p�nico. Sa� correndo. Corri sem parar.

J� passou, Lily.

Mas n�o podia voltar. Minhas digitais estavam no rev�lver.

A �nica maneira que podiam me incriminar seria se eu morresse...

e tirassem minhas digitais.

- Eu sei... - Tantas vezes eu quis isso.

Mas eu n�o podia... n�o podia por causa da minha fam�lia.

Eu sei.

Eu perdi a crian�a.

Mas... eu tinha matado um homem.

e tinha que me enfiar num buraco bem escuro

onde ningu�m tivesse ouvido falar em Doris Delaney...

e, se suspeitassem, nunca acreditariam.

Foi onde voc� me encontrou.

Te contei tudo menos o nome do homem.

Foi o Auguste Pleschette.

Leroy Dane.

Por isso � que eu vim aqui.

Eu tinha que descobrir.

E se estivermos errados, Tom?

N�o estamos errados.

Quero que voc� ou�a pessoalmente. Vamos.

O que voc�s querem?

Quero fazer algumas perguntas sobre seu filho.

V� pro inferno. N�o vou falar de ningu�m.

Tudo farinha do mesmo saco.

Querido papai, est� vivendo sozinho h� tanto tempo.

Melhor viver sozinho que ouvir voc�s tagarelando.

Figura curiosa, n�o, Sr. Alder?

Seja bem-vindo � casa do mau pai.

- A casa da minha juventude. - Sabe por que viemos, n�o �?

Claro, a cena final do drama. N�o quer entrar para esperarmos?

N�o preciso esperar. S� quero perguntar uma coisa a seu pai.

Mas precisa esperar o desfecho.

E isso s� com todos os atores em cena.

O �ltimo est� para chegar.

Leroy Dane?

Ele j� interpretou muitos pap�is e usou v�rios nomes.

Sim, meu irm�o Auguste.

Era o que quer�amos saber.

Vamos entrar e ficar mais � vontade?

- Auguste n�o vir�. - Vir�, sim. Eu o chamei.

Desarrumado, n�o?

Se fosse um ator de cinema...

se ganhassem um milh�o de d�lares bruto...

e recebessem um telegrama dizendo:

"Perigo ronda em Dakota onde tudo come�ou".

O que faria, Sr. Alden, se recebesse esse telegrama?

Faz muito tempo. Auguste est� morto.

Enterrei ele em 1948.

Existe um t�mulo, mas os restos do meu irm�o n�o est�o l�.

Quem est� l�, Danny Kanig?

O homem cuja identidade meu irm�o assumiu em 1948, quando...

O homem que eu matei ou...

achei que tinha matado.

Voc� matou um homem, n�o importa se era meu irm�o...

Espera, vamos esclarecer uma coisa.

Voc� n�o matou ningu�m.

Ela feriu um homem que sobreviveu.

E a�, meu irm�o?

Voc� caiu nessa com os olhos bem abertos.

'Big Frenchie', rei dos golpistas.

Esperava mais de voc�.

Chegou aqui antes de mim?

- Duas horas antes. - Papai, voc� n�o me disse.

Todos aqueles anos que voc� passou na pris�o...

n�o te ensinaram a garantir suas apostas?

Nunca mandou um centavo pro velho.

Mas eu me garanti.

Passei por aqui m�s passado

quando soube que algu�m estava revirando as cinzas.

S� me custou $300.

Uma televis�o, um telefone.

Um seguro.

E voc� n�o sossegou. Teve que vasculhar tudo de novo.

Meu irm�o querido...

Sem essa, n�o vai ganhar nada com isso.

J� teve a sua chance.

Depois que me livrei da Joliet voc� podia ter parado, mas n�o.

- Teve que contar pro Alder. - N�o foi assim.

Auguste, meu caro...

Voc� n�o sabe metade, quase nada do que aconteceu.

Esquece, Frenchie.

Dessa voc� n�o escapa.

Do que est� falando?

Acha que voc� vai escapar?

N�o. Mas seu irm�o acha.

Vai te propor um acordo, a nossa vida pela dele.

N�o d� ouvidos a ele. Podemos resolver isso entre n�s.

Vamos l� fora. Tenho uma coisa de import�ncia vital para te contar.

Ele vai lhe contar que sou Doris Delaney.

Doris Delaney?

Sim... me pareceu familiar quando te vi em Hollywood.

Doris Delaney.

Se soubesse que era bonita assim depois de todos esses anos...

e com tanto dinheiro...

poderia ter feito pior.

Devia ter-me casado com voc�.

Isso voc� nunca conseguiria.

Voc� fugiu depois de me balear.

Pensou que tinha me matado.

Pois a bala s� passou de rasp�o pela minha cabe�a.

Eu me levantei assim que voc� saiu.

Ent�o foi voc� que matou aquele homem... o outro homem.

Me pareceu uma boa ideia na ocasi�o.

Teu pai tinha 50 milh�es de d�lares e...

Danny Kanig era um vigarista.

Ele nunca tinha sido visto junto com Doris Delaney.

Seus colegas e o pessoal na sorveteria

nunca associariam um vigarista como Kanig a...

Sua foto foi publicada no jornal.

Foi meu �nico golpe de sorte. O resto eu tive que batalhar.

Algum fot�grafo tirou uma foto de n�s ap�s um golpe.

Trocaram os nome. Me puseram como Kanig...

e Kanig como eu.

Somos irm�os, Auguste, O sangue � mais forte.

Ele j� matou duas pessoas.

- Tr�s ou quatro a mais n�o far�o diferen�a. - Tem raz�o, Sr. Alden.

Nunca matei um homem na minha vida.

Mas meu irm�o...

Sr. Alder, acabo de matar um homem.

N�o vai me prender?

N�o sou policial, Frenchie. Quer ser preso, chame o delegado.

Claro.

O delegado, por favor.

Aqui � da resid�ncia dos Pleschette.

Pode mandar um policial imediatamente?

Um homem acaba de ser morto.

Isso mesmo.

Claro que aguardarei. Obrigado.

N�o precisarei disso onde estou indo.

Com licen�a.

Sr. Alden, espere.

Para falar a verdade, n�o me sinto t�o mal.

Meu irm�o era vil.

Ele feriu muita gente durante sua vida.

Voc�, por exemplo, Srta. Delaney.

O mundo me ignorou.

Meus amigos mesmo est�o todos na pris�o.

Mas terei tempo para estudar. E talvez...

talvez at� escreva minhas recorda��es.

Se escreve t�o bem quanto fala ser� um sucesso.

Talvez venda bem.

Quem sabe eu fique famoso? Posso ganhar uma condicional.

Um indulto.

Todo um mundo novo pode se abrir para Jacques Pleschette.

Sim, se puder publicar meus refinados dotes liter�rios...

Legendas: Lu�s Filipe Bernardes

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