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"O conceito do assassino quase sempre evoca conceitos"
"do mar e de marinheiros,"
"que naturalmente segue conceitos do mar e do assassino."
"� o conceito de amor e sexualidade."
Ei! Hora de fechar!
N�o me entendeu, Robert? � hora de fechar!
Portanto cerrem a porta.
Robert fica comigo.
O que disse?
Voc� me ouviu. Robert fica comigo essa noite.
O qu� acha disso?
De qu�?
Al�m de tudo, ela � sua esposa.
Acha que estou com ci�mes?
- Bom, seria normal! - Talvez, mas o que � normal?
Temos um trato:
Lysiane faz o que quer...
e me deixa livre para fazer o que quero, entendeu?
Isso � importante para mim.
- Chicago! - Sem d�vida.
Tamb�m, quero ler as cartas dele. Certo, rapaz?
Espero que saiba o que est� fazendo.
Voc� sabe... Eu sei o que quero.
Estive perdido, M�rio.
Vamos beber outro drinque...
"QUERELLE"
Tradu��o/Legendas: "espantalho"
Voc� tem um irm�o?
E da�?
Voc� nunca falou dele.
Por que o faria?
Voc�s s�o muito parecidos, n�o s�o?
Isso � o que dizem...
mas n�o � a verdade.
Querelle � um marinheiro.
Talvez seja verdade.
E voc�s se amam...
mais do que gostariam.
Droga!
Somos irm�os...
e isso � tudo o que existe.
Por que sacode a cabe�a?
N�o sei...
seu irm�o est� em grande perigo.
Em perigo? Que tipo de perigo?
Em perigo de...
encontrar-se a si mesmo.
� dif�cil imaginar o passado desses ombros,
desses perfis em pelo,
desses fortes e suaves rapazes,
sem imagin�-los capazes de assassinato.
Finalmente, terra.
E garotas!
Bocetas suculentas, quentes e �midas.
"Bar Feria"
- J� esteve em Brest antes? - Por que?
Aqui existe o mais esdr�xulo bordel do mundo.
O Feria.
Certo. Esse � o nome do lugar.
Algum de voc�s o conhece?
- Sim, mas s� de ouvir falar. - E o que ouviu?
Nada espec�fico.
Falam de trapa�as no jogo de dados com o dono
se quiser uma prostituta.
Nono. Esse � o nome do dono do Feria.
Est� certo. Nono.
Por que tem que jogar dados com ele?
Essa � a regra.
Quando ganha, escolhe com quem fica.
Quando perde, tem que deixar o dono te foder primeiro.
S�rio?
S�rio... estou certo de que muitos perdem de prop�sito.
- Movem os dados para Nono ganhar. - E como?
"Uma vez sofrida a solid�o que vem da minha peculiaridade"
"pode ser que eu n�, abrace os corpos desses rapazes,"
"que destro�am meu corpo com sua aud�cia e dureza,"
"apesar de eu acreditar nisso com dificuldade."
"Com l�grimas nos olhos, agrade�o a Deus por me conceder esse gozo."
"Minhas l�grimas me enternecem."
"E se misturam � umidade deles em minha face. Me confronto!"
"Fico a girar em ondas de ternura por esses rapazes"
"e sua aspereza, superficial e vulgar."
A grande paix�o de Querelle � seu corpo em repouso.
� como se o refletindo, refletisse toda a sua imagem.
Ele olha para si como se o fizesse atrav�s de uma lente de aumento.
Analisa em min�cias os detalhes, como um entomologista.
Mas, qu�o brilhante � seu corpo na gl�ria de seus espl�ndidos movimentos!
Suas botas, senhor.
Deixe-as al�!
Algo mais, senhor?
N�o, obrigado.
J� que eles mesmos desejavam neg�-lo,
a surpreendente semelhan�a entre os dois irm�os,
parecia atraente s� para os demais.
Eles se viam somente � noite, t�o tarde quanto era poss�vel,
em uma �nica cama de um quarto,
pr�ximo ao qual tamb�m vivera a m�e deles na pobreza.
Quem sabe se encontravam de novo no amor por sua m�e?
Mas em grau t�o profundo
que n�o eram capazes de perceb�-lo.
"Este filme � dedicado � minha amizade
por El Hedi ben Salem m"Barek Mohammed Mustafa."
"Rainer Werner Fassbinder"
Faz tempo que est� em Brest?
Cheguei ontem.
Nunca pensei te encontrar aqu�.
Sou o amante de Lysiane, a dona...
e tenho sido nos �ltimos seis meses.
- E seu esposo? - Ele tem seus pr�prios interesses.
Por qu� veio aqu�?
Tenho um assunto a esclarecer. Procuro por um cliente.
- �pio? - Sim, � isso!
N�o h� problema. Nono � o contato que buscas.
Vou te apresentar.
E o policial que est� com ele?
� parte da decora��o. N�o h� policiais aqu�.
Muito ao contr�rio:
ele garante nossa seguran�a.
Meu irm�o Querelle.
Tem uma proposta a fazer.
Ele � confi�vel.
Ol�.
Boa noite.
Qual � a proposta?
�pio.
Cinco quilos.
Dez mil d�lares.
De acordo.
Em dinheiro.
Naturalmente.
Querelle ficou congelado pelo olhar de M�rio.
Mais que indiferentes,
o olhar e a postura de M�rio foram frios.
Ao mesmo tempo, lhe chamou a aten��o a extraordin�ria for�a do dono
e a beleza do policial.
Nunca hav�a experimentado essa rivalidade verdadeira
que vira estampada na face dos dois.
N�o h� nada suspeito nisso, n�o �?
Comigo, n�o tem com o que se preocupar.
Traga a mercadoria e ter� o dinheiro. De acordo, camarada?
E n�o deixe M�rio te incomodar. Ele � parte do mobili�rio.
Querelle n�o tinha d�vida de que o reino que este sujeito governava
era mesmo terrestre.
Mas, como era poss�vel o policial ser t�o maravilhoso, t�o rico?
Bebamos um drinque!
Quando estar� aqui?
Tenho que averiguar como pegar o material, mas me arranjarei.
N�o quero envolver-me em esc�ndalos!
N�o quero queimar meus dedos.
Dan�a comigo?
Certamente, por que n�o?
Me chamo Lysiane.
Sou a dona do lugar.
N�o sabia...
Sou o irm�o de Robert.
Eu sei.
Dez moedas por seus pensamentos, Querelle.
Reconhe�o a exist�ncia da autoridade de M�rio.
Noto seus gestos objetivos.
A objetividade � a companheira do poder total.
Prevalece s�bre a autoridade moral indiscut�vel.
� uma organiza��o social perfeita.
Voc� venceu!
Tenho a impress�o que est� irritado.
N�o � culpa minha que minha irm� n�o tenha chegado.
Poderia ter-se encarregado de que chegasse.
N�o pude, Gil. Eu juro.
Sabe perfeitamente bem o quanto gosto de Paulette.
Gosta dela, �?
E acha isso divertido, Roger?
Me diga se acha isso divertido!
Voc� sabe...
Na verdade quero mesmo fazer � com sua irm�.
Imagina como a foderia se a pegasse como te pego agora?
�s Gil, Gilbert Turko, um Polaco.
N�o ganha muito trabalhando tanto tempo como oper�rio
e sempre perde o �nimo.
Ela me excita de verdade.
Cara, queria faz�-la minha.
Voc� tem os mesmo tra�os,
os mesmos olhos,
Mas, piedade, voc� n�o � ela!
O que vai dizer a ela?
Farei um esfor�o para que venha amanh�.
"Rapaz jovem precisa de rapazes com p�nis grandes."
Querelle n�o estava acostumado � id�ia de que era um monstro.
De jovem, conheceu o terror de estar sozinho
aprisionado no mundo dos vivos.
Bravo! Bravo!
Sabe? Por ser ainda menina, canta como um rapag�o!
R�pido, baby! Traga sua garota.
Sen�o ela vai se afogar!
Que bom te ver!
Por qu�?
Te consegui um trabalho como o de Beirute.
�pio?
Sim...
Estarei em terra amanh�, � tarde.
� noite lan�arei uma corda sobre o muro do porto,
� direita da aduana.
�s 6:00, pega um bote, amarra o pacote na corda
e volta a entrar pela aduana.
Nos encontraremos l� atr�s mais tarde.
Quanto?
Trezentos.
Est� bom para mim.
Talvez o amor seja o esconderijo dos assassinos e se isso for certo
Querelle me atrair� a ele?
E eu?
Quando chegar a hora de explodir meus sentimentos por Querelle,
haver� um alarme que soe para me despertar?
Quisera que se apercebessem que o marinheiro Querelle...
nascido dessa solid�o na qual o oficial permanecia ilhado...
era uma figura compar�vel ao anjo do Apocal�pse...
cujos p�s repousam s�bre as �guas.
� intenso meu desejo que Querelle se revele,
como o canalha oculto sob essa capa de rei.
Para ent�o, cair a seus p�s
e beijar-lhe os dedos!
"Um soldado que caiu de frente no curso da batalha...
pediu a seu inimigo, quando este estava para dar-lhe o golpe mortal,
que o esperasse virar-se de frente
por temor a que seu amigo o encontrasse com uma ferida nas costas.
Plutarco: "S�bre o Amor"
Pouco a pouco, nos apercebemos de que Querelle
j� pronto dentro de nossa carne, estava crescendo
e se desenvolvia em nossa alma, se alimentando do melhor em n�s.
Depois de descobrirmos isso em Querelle, queremos que ele
se converta no her�i daqueles que s�o desdenhosos.
Seus documentos, por favor!
Ao buscar seu destino, seu desenvolvimento em nosso interior
podemos ver como ele se ocupa em realizar um s� objetivo at� o fim...
que parece ser a sua vontade e o seu destino.
Esta cena relatada � uma transposi��o do evento
que nos revelou a Querelle.
Podemos dizer que � compar�vel � Visita��o.
Bem, pode passar.
Meu irm�o se encarregar� de tudo.
N�o se preocupe por ele. Est� em Brest, no Feria.
No Feria?
Est� brincando?
Dizem que o Feria � um estranho lugar.
N�o pode crer em todas as bobagens que ouve.
Sabe muito bem o que dizem.
E da�?
Ele est� fazendo com a patroa.
O policial est� coberto de j�ias.
Tamb�m tenho j�ias, mas n�o as ostento.
Soube que o dono tamb�m faz com ele.
Se ele gosta, o que h�?
Se te pedisse, faria com ele?
Por que n�o, se sentisse vontade?
J� fiz coisas piores.
Se visse meu irm�o... ele tamb�m te excitaria.
Poderiam se encontrar como amigos.
N�o me agradaria.
Te digo que gostaria.
Quer um cigarro?
Agradar�as a Nono.
�s um lindo frangote.
Ele n�o teria chances comigo.
E eu? Teria melhor sorte com voc�?
J� basta!
Querelle escutou os tambores e gaitas que tocavam s� para ele.
As oferendas para a morte.
Se envolveu com a prud�ncia e esperou que o anjo atacasse.
De uma forma vaga, Querelle intu�a que nem tudo havia terminado.
Ele precisava terminar a a �ltima formalidade:
sua pr�pria execu��o.
Me diga, o qu� te excita tanto em Lysiane?
Me explica.
Isso � simples.
Gosto dela.
Sabe as regras do jogo. Se ganhar, Lysiane � sua.
Se ganho, �s meu...
Vinte e nove.
Vinte e cinco.
Perdeu...
Senten�a de morte.
O qu� disse?
Nada.
Sem beijos...
Vamos, sem conversas.
S� te darei o meu rabo.
Isso � tudo...
Est� certo. � tudo...
Est� pronto?
Tem que ser cuidadoso, de acordo?
Duvido que isso seja exatamente indolor.
Deixe estar. Esta n�o � a primeira vez que te fodem.
� a minha primeira vez. Te dou minha palavra.
N�o tentes coisas estranhas comigo.
N�o me venha com disparates. A mim, n�o!
Ou pensa que sou um idiota?
Pensa que n�o te vi trapacear quando jogamos os dados?
Com essa, basta!
N�o se esque�a, que eu n�o lhe ped� que o fizesse.
Agora, deita!
- est� enganado. Queria sua esposa. - Vamos l�...
Bom.
Voc� foi um marinheiro?
- Era Zephir. - Zephir?
Um legion�rio em um destacamento de pris�o.
Deite na mesa!
Vamos l�... Isso pode ser r�pido!
� assim que gosto de voc�!
Assim n�o doi...
Tenho que reconhecer isso.
Entende do seu trabalho.
Assim...
Bom dia, Tenente.
Ol�, Querelle.
Queria dizer que est� fazendo um �timo trabalho.
At� sem dizer-me, se ofereceu para fazer outra tarefa.
- Quem lhe mandou carregar carv�o? - Ningu�m, senhor.
N�o lhe parece mais agrad�vel seu trabalho comigo?
Claro, Tenente. Certamente.
Mas decid� voluntariamente substituir um companheiro.
Haviam encontrado algu�m mas...
Voc� parece bem assim.
Lhe parece agrad�vel carregar carv�o?
N�o, senhor, mas...
Sim, o que ia dizer?
Nada, senhor.
Deseja algo mais, senhor?
- N�o, por qu�? - S� perguntava, senhor.
- E o qu� far� agora? - Nada, senhor. Estou � disposi��o.
Mas todos os meus companheiros est�o l� embaixo, sozinhos.
Bem, volte para eles.
Cada homem mata o que ama...
Cada homem mata o que ama...
Seu irm�o fez menos pontos.
- Querelle? O qu� quer dizer? - Tudo funcionou muito bem com ele.
- O qu� funcionou? Os neg�cios? - Isso tamb�m saiu muito bem.
Mas me referia a algo mais. Fiz com ele...
Com Querelle?
Isso � novidade para mim.
Eu juro.
Mas por favor, n�o fale do assunto. Nem com ele.
E da�?
N�o � nada da minha conta.
N�o vai me fazer acreditar que fodeu com Querelle.
Eu juro. Eu o fodi no rabo.
E quando tirei o meu pau, estava coberto de merda, se quer saber.
Fiz isso com quase todos, exceto contigo.
Nunca te desejei, entende?
Assim, posso dizer que minha mulher s� se deitou com imbec�s.
Voc� � a �nica exce��o. N�o sei porqu�.
Creio que pud�ssemos t�-lo feito, mas eu n�o quis.
Voc� nem ao menos me interessa! Voc� n�o.
N�o � mais feio que os demais.
S� n�o estou interessado.
� meio rid�culo para o meu gosto.
Se quer saber!
Ol�, M�rio. Como est�?
Comme ci, comme �a. Como est�s?
Bem.
- Por qu� o sorriso? - Nada especial.
Acabo de foder com o irm�o de Robert. Talvez seja por isso!
Est� brincando! � s�rio?
N�o foi Robert, mas... qu� importa? Foi o irm�o!
Olhe para Nono.
�s vezes tem algo muito feminino nele,
especialmente quando faz um desses gestos ternos, idiotas.
Mas Querelle � um rapaz especial.
Ol�, Nono.
Vamos l� fora.
� isso o que quer?
Puto!
Puto!
Deixou esse negro te foder!
Os dois irm�os se pareciam mais e mais.
Sua luta se parec�a mais com uma disputa entre amantes.
Diga uma vez mais!
Me chame de puto outra vez! Diga uma vez mais!
N�o direi!
Cruzo o rio de videiras em flor.
Me Ajude! Vou � sua praia.
Isso ser� duro, irm�o. Posso sentir sua resist�ncia.
O que disse? Mal posso ouv�-lo.
Salta no meu riso! Segura firme. N�o preocupe com minha dor. Salta!
Seja voc� mesmo!
Come�o a ser eu mesmo!
Fale mais calmamente.
Estou fechado, agora.
Te amo mais que a mim.
Meu �dio era s� uma camuflagem.
Uma melancolia perigosa me acerca de ti,
mas minhas batalhas nos separam.
Meu riso � o sol.
Ele orienta as sombras que voc� faz em mim.
Busco as adagas da noite. Construo trincheiras.
Meu riso se fecha em mim. Me faz distante de voc�!
- Voc� � lindo! - Voc� � lindo tamb�m.
Sil�ncio!
N�o devemos nos perder nessa unidade perfeita.
Atira seus c�es de ca�a e seus lobos em mim!
Para que prop�sito?
Cada luta te coroa com a dolorosa paix�o.
N�o perca a coragem! Aja!
Eu o amo. Todos os oficiais me enfastiam.
Por qu� n�o posso ser um marinheiro?
Permane�o parado no vento.
O frio e a dor na cabe�a comprimem minha testa
e me coroam como uma teara de ferro.
Cres�o e me consumo.
Um Oficial Naval.
Quando era jovem e escolhi essa carreira...
N�o me dei conta do �libi perfeito que essa carreira nos provem.
Justifica o celibato.
As mulheres n�o perguntam "porque voc� n�o � casado?"
Lhe sentem pena por s� conhecer amores passageiros...
e jamais o verdadeiro amor.
O mar, a solid�o...
Ningu�m pergunta se sou ou n�o comprometido com nada.
Nem meus camaradas...
nem minha m�e.
Desde o tempo em que me enamorei de Querelle...
relaxei um pouco a disciplina.
Meu amor me faz fr�gil.
Quanto mais amo Querelle
mais a mulher que existe em mim
se mostra gentil, definida e triste.
Porque n�o pode se realizar.
Durante uma dessas estranhas revela��es,
ao definir minha rela��o com Querelle
penso, no meio desses pesares e derrotas interiores,
"Qual � o ponto?"
Degolaram aquele marinheiro?
Sim. Ningu�m sabe quem o matou.
Voc� o conheceu, Querelle?
Sim. Todos nos conhecemos. N�o o conhecia bem.
H� uma passividade masculina
que � expressa...
na indiferen�a diante do cortejar:
o completo relaxamento
antecipado do corpo
em conformidade com seu papel
ao dar ou receber amor.
Quer jogar dados?
7 manda, 14 paga, 21 toma um drinque, okay?
- Joga tamb�m, Querelle? - Claro, por que n�o?
Parem a briga! Parem a briga!
Entre homens assim e s� para eles...
se estabelece um universo onde a id�ia da mulher � banida.
A aus�ncia da mulher for�a os homens
a extrairem um pouco de feminilidade uns dos outros
para inventar a mulher.
"Nos agradaria considerar os momentos de pesar...
como aqueles nos quais mesmo Querelle sentiu...
os asp�ctos de alerta da mem�ria do mal em seu terr�vel corpo."
Estou bem. Pergunte a quem quiser.
E voc�? Est� no navio?
Conheci v�rios marinheiros que gostavam disso.
Isso n�o impedia que fossem homens de verdade.
Talvez.
Se deixou Nono te foder, por que n�o eu?
N�o deveria acreditar em tudo o que ouve sobre Nono.
Sei tudo da vida. Acredite!
Okay, fiz com Nono.
Mas n�o comece a tramar nada!
N�o sou bicha.
Eu sei...
- Mas foi Nono quem fodeu, certo? - Certo.
- Ent�o? - Esquece.
N�o tem que provar a mim que � um homem.
N�s sabemos...
Ambos somos homens.
Quis transar com Nono e n�o � crime.
E no que foi poss�vel ele o tratou bem.
Espero que tenha tido sua parte do prazer.
N�o digo que n�o!
Poderia ter feito com outro rapaz.
Veja, se � divertido e bom n�o h� nada de errado.
Seguramente Nono se aproveitou muito... Ele � interessante...
E voc� � muito bonito!
- Minha apar�ncia � comum. - Besteira! Imagino Nono...
Certamente ele teve uma ere��o � primeira vez que te viu.
- Me diga, � bom fazer com ele? - Basta!
Me diga, ele � mestre em sua arte?
O qu� interessa isso a voc�?
Deixou voc� todo excitado, n�o foi?
Quem sabe gostaria de provar um pouco?
Se � bom, por qu� n�o?
- Me diga, como ele faz? - Ele faz bem!
Est� satisfeito, agora?
- Te satisfez? Foi fant�stico? - Experimente.
- Me diga, � bom? - N�o � mal...
Quando ele coloca doi um pouco...
mas logo, tudo bem.
S�rio? � agrad�vel?
Foi minha primeira vez.
� diferente do que pensava.
Aposto que tem um p�nis grande. Gostou do p�nis dele?
N�o prestei aten��o!
Bem, se incomoda, Deixemos de falar dele.
N�o me incomoda.
Quando falo disso, tenho uma ere��o de medo. Acredite!
Est� brincando!
- N�o acredita? - Que te provoca uma ere��o?
Olha s�! Venha. Toque nele.
Besteira!
N�o est� com ere��o!
V� em frente. Toque! Vai sentir tudo...
Nada. Chama isso de ere��o?
Venha c�. Aperte. � um monstro!
Claro, as roupas o fazem maior.
Ponha a m�o. J� vai ver.
Abra.
Ver� que n�o estou mentindo.
Tem raz�o. Nada mal!
Gosta dele?
Te disse, o tamanho n�o interessa.
Venha! Me masturbe.
"Pela primera vez, Querelle beijou um homem na boca.
Lhe pareceu como se pressionara seu rosto
contra um espelho que refletia sua imagem,
como se enfiasse a l�ngua,
no r�gido interior de uma cabe�a de granito."
Se parece com sopa? � �gua suja de merda!
Urina grossa, � isso que �!
Precisa de vegetais na sopa...
mas vegetais est�o dif�ceis de encontrar.
Talvez precisemos apertar os cintos um pouco mais.
Talvez possamos achar alguns vegetais aqui por perto.
Acreditam nisso?
Talvez algu�m tenha colocado algum no rabo!
H� pessoas que gostam disso: comer com seu rabo!
Voc� preparou esse pequeno ato, n�o foi, Theo?
Deixe-me lhe dizer uma coisa:
N�o suportarei essa merda por muito tempo!
Est� falando de qu�?
Te esquenta, te excita, n�o?
Mas relaxa... estarei por aqui quando precisar.
Quer me foder?
N�o se envergonhe!
V� em frente!
E voc�s riem!
Acham divertido!
Tem mais algu�m que quer me foder?
Por favor!
Basta, Gil.
Seus problemas com Theo n�o s�o assunto nosso.
O qu�? N�o tenho problemas com Gil.
N�o dou um peido por ele. Nem um peidinho!
Porque n�o dei um soco na boca de Theo, agora?
Poque n�o quebrei a cara desse fodido?
S� porque o cara paga minha bebida?
Eu o odeio porque tem poder sobre mim.
Queria ser seu amigo, mas n�o assim.
Me fez de rid�culo na frente de todos.
E tudo porque n�o o acertei quando foi preciso.
Por que n�o quebrei a cara desse fodido?
Paulette...
minha doce merdinha com essa boceta ador�vel.
Vai provar de novo do meu pau?
Sou homem. E fodo outros homens!
E te fodo tamb�m, Theo!
Por que n�o lhe quebrei a cara, fodido?
Te fa�o em peda�os, Theo!
Quando me der na cabe�a.
- Roger! - Ol�, Gil.
Roger, meu amigo, bebamos um trago juntos.
- Como est� indo? - Bem, espero!
N�o tem que se preocupar comigo.
Theo n�o mais existe.
N�o tem que me colocar no mesmo barco que ele.
N�o sou uma bicha, mas ele n�o � homem.
� um puto, um escroto!
Voc� e eu, somos amigos.
E temos direito de s�-lo. Mas ele � um verme imundo!
Acho que bebeu demais!
N�o fique desse jeito.
Paguei a bebida com o meu dinheiro.
Ele pode tomar seu dinheiro...
e enfiar no rabo!
te digo, ele n�o � nada...
e vou arrenbentar com ele.
Ol�, Gil.
� voc�, Theo!
Est� comprando? Estou aqui com um amigo.
Claro. Por qu� n�o, querido?
Agora voc� n�o vive mais aqui!
Como conheceu Gil?
Assim, sem mais... estava atr�s de minha irm�.
Ele teve um caso com sua irm�?
Com Paulette? N�o. Por qu�?
Achamos essas fotos debaixo do seu travesseiro.
N�o sei o que dizer...
Voc� fez... com ele? Teve um caso com ele?
Jamais, Inspetor. Eu juro.
E esse Theo, o que Gil assassinou...
voc� fez com ele?
Jesus Cristo, s� o conhecia de v�-lo por a�!
Mas esse Gil tentou te seduzir.
N�o, nunca, Inspetor.
De onde vem essa id�ia?
Simples, Gil � homossexual.
- N�o � verdade! - Por que est� t�o seguro?
Porque andava atr�s de minha irm�, � por isso.
Nunca tentou te tocar?
- O que � me "tocar"? - Sabe a que me refiro.
Te fez algo indecente?
J� lhe disse: nada.
Alguma vez apalpou voc� por cima da cal�a?
Ele j� tentou tocar entre suas pernas?
N�o. Ele nunca...
� como eu disse. Ele nunca me tocou.
Est� bem.
N�o puderam arrancar nada dele. E agora amava Gil, mais que nunca.
A princ�pio o amava como a um menino com imagina��o f�rtil.
O crime lhe permitiu entrar em um mundo...
onde os sentimentos s�o violentos.
Pode ir, agora.
Que desejo repentino? Nada mais sou que desejo.
De in�cio, s� mecanicamente...
minhas m�os formavam seios femininos em meu peito...
como se fossem enxertados.
Estava feliz!
Cumpri com as formalidades, de novo... e estou feliz.
Estou pleno.
Retiro minhas m�os e estou pleno!
- Est�o me procurando? - Sim, estamos.
- Isso �, se for o Tenete Seblon. - Sim, sou eu.
Somos da pol�cia. � sobre o marinheiro assassinado.
Fala de Vic? Foi o que pensei.
N�o me diga!
Estamos investigando o caso de Vic Rivette...
e at� agora poucos progressos.
- Realmente? - Sim.
Mas quem sabe possa dizer se esse Vic Rivette...
teve alguma rela��o especial com algum dos companheiros.
Como acha que uma rela��o amorosa como essa seria reconhecida?
N�o disse nada sobre "rela��o amorosa."
N�o? Prov�velmente entendi mal.
Prov�velmente...
mas talvez saiba mais sobre as rela��es de Vic.
As rela��es f�sicas entre meus rapazes n�o s�o assunto meu.
Inclusive se algu�m matou Vic,
em conex�o com uma dessas aventuras, n�o estaria informado.
Est� certo, Tenente, mas seria poss�vel...
que tenha ouvido algo a respeito, n�o seria?
Deve estar brincando. Eu n�o espio meus homens.
Ademais, creia-me:
Esses jovens se envolvidos em aventuras amorosas...
certamente n�o gostam de falar no assunto.
Esses encontros...
est�o repletos de segr�dos.
Esses homens suspeitos est�o muito bem organizados.
Parece que considerou amplamente esse assunto em particular.
� o que parece!
Basicamente, n�o me interessa esse tipo de coisa.
S�rio?
A prop�sito, seu �libi j� foi checado?
Meu �libi?
Certamente. Pode checar os expedientes.
Est� certo disso?
Tudo de bom, Tenente.
Igualmente.
Possuo encantos capazes de conquistar outro?
Os encantos de Querelle conquistaram algu�m mais al�m de mim?
Como poderia me converter nele?
Subo as mangas do pijama...
para deixar os bra�os livres quando me masturbo.
Esse simples movimento me converte em um homem.
Da� me apresento a Querelle como um domador de le�es.
Mas tudo isso ter� um final tr�gico!
Os policiais te interrogaram?
Sim, mas n�o disse nada.
O que havia para dizer?
Certo.
E Paulette?
O que faz Paulette agora?
Nada especial.
Ainda n�o voltou a trabalhar.
Simplesmente fica em casa.
Falou de mim para ela?
Acho que n�o � uma boa id�ia.
� muito perigoso. Paulette nem sempre � discreta.
Sua foto est� no jornal.
Dizem que tamb�m matou esse marinheiro.
Quem diz?
A pol�cia.
Est� no jornal.
Mentira!
Nem eles acreditam nesse conto de fadas.
Acharam seu isqueiro junto ao cad�ver.
Meu isqueiro?
Meu Deus, eu o perdi h� tempos, n�o foi?
- Acho que sim. - Agora, veja?
Camarada, sua irm�!
Como gostaria de possu�-la nesse momento!
� t�o engra�adinha!
- Se parece comigo. - Eu sei.
Ela � muito mais bonita...
Se a estivesse tocando como toco voc� agora...
me tombaria com ela como um louco.
Pena... voc� n�o ser uma garota!
Realmente?
� t�o lindo como uma garota!
O que h�? Com medo?
N�o.
Ent�o... o que acha que quero?
N�o se sente seguro com um cara como eu...
N�o �?
O que voc� acha?
Se fosse assim, n�o teria vindo, n�o acha?
Certo.
Tem que ver Robert.
Tenho pensado nisso tudo.
Quem sabe ele e seus amigos me ajudam a sair daqui.
Okay, Gil.
Vou tentar fazer contato com Robert.
� melhor voc� ir agora.
- Sim? - Venha c�!
Te conhe�o.
� o amigo de Turko.
Gil Turko, o que cometeu o assassinato.
N�o me conhece?
Sim, voc� � Querelle...
Irm�o de Robert.
Certo.
Acho que posso ajudar seu amigo se ainda est� em Brest.
O que acha disso?
Bem, j� que � o irm�o de Robert...
Eu voltarei.
Uma ansiedade chegou a Querelle, e lhe perturbou a mente.
Pela primeira vez iria conhecer um outro criminoso...
um assassino de sua pr�pria estatura e com ele falaria de neg�cios.
Conhe�o Querelle. Sabe, o irm�o de Robert?
Quer te ajudar. Posso traz�-lo aqui?
Claro! Por que n�o o trouxe?
- Pensei que... - Se apresse! Traga-o!
Est� bem. Venha comigo.
- Obrigado, garoto! - Meu nome � Roger. Roger Bataille.
Obrigado, Roger. Roger Bataille.
Agora, nessa pris�o abandonada...
Querelle iria conhecer um jovem que havia matado.
Esse pensamento o encheu de ternura.
O assassino era um jovem torpe, um assassino sem sentido.
Um tolo.
Mas, gra�as a Querelle, seria agraciado com um homic�dio real.
Me diga...
Por que matou esse marinheiro?
N�o entendo...
Vamos. Me diga. Por que fez isso ao marinheiro?
Ele n�o fez.
- Se ele n�o fez, quem fez? - Palavra de honra. Eu n�o fiz!
N�o sei lhe dizer quem fez, mas juro...
n�o fui eu.
O jornal diz que foi voc�.
Acredito em voc�...
mas nunca convencer� a pol�cia.
Acharam seu isqueiro junto ao corpo.
Fora, Roger. Suma daqui!
N�o posso ag�entar mais, hoje! Para o inferno!
Perdi meu isqueiro.
Nem me dei conta.
Como pode um isqueiro ser t�o importante?
Finalmente sei porque n�o deixa outras garotas usarem lingerie preta.
Por qu�?
Porque s� voc� � enaltecida pela lingerie preta.
Ela te faz muito bela...
te d� um ar solene...
e ao mesmo tempo fica insuport�velmente ardente!
Te fa�o ardente?
Quer ver?
Okay, pode come�ar!
Voc� � sozinho no mundo.
A noite cai sobre a solid�o...
de um espa�o sem fim.
Como um reflexo duplo de seu irm�o no espelho...
voc� vive a sua dupla solid�o.
Voc� me preocupa.
N�o h� raz�o para esconder...
Sua semelhan�a me assusta.
Estou farta de suas obscenidades.
Certo? Suas obscenidades.
Acha que n�o sei?
Estou farta delas.
Tudo o que v�em s�o voc�s mesmos.
Nem existo para voc�.
Quem sou eu, ent�o? Onde � meu lugar?
Voc� s� vive nos olhos de seu irm�o.
Dentro de seu irm�o e ele vive dentro de ti.
N�o h� um lugar para mim no meio!
Estou na porta.
Sou demasiado gorda!
� isso. Sou muito gorda!
Sua mente estava ofuscada pela fus�o
extrema, precisa, indescrit�vel desses dois corpos musculosos e vigorosos.
Ela tentara se colocar entre eles com seu corpo...
macio, suntuoso e sua fragilidade.
Robert...
me faria muito feliz...
que ficasse a s�s comigo uma vez.
Me faz infeliz.
Receio por voc�.
Temo que nunca mais seja livre!
Quando Madame Lysiane se encontrou de frente com Querelle
olhou sua braguilha apesar de n�o ser sua inten��o.
Talvez essa noite a cal�a n�o estivesse t�o frouxa...
e delinearia seu p�nis, seus test�culos,
deixando ver a Madame Lysiane a diferen�a entre os irm�os.
Desejava que seu p�nis fosse menor que o de Robert.
"� de estatura mediana, saud�vel, bem proporcionado.
"Seu cabelo � abundante e os olhos cheios de desd�m.
Tem rea��es comuns.
Sua express�o � severa. Sua voz, poderosa e apagada.
Todo o seu ser est� enrigecido pelo medo.
Sua atitude exibe uma frieza extrema.
Falso, incerto, misterioso...
parece impenetr�vel para assim ocultar o seu segr�do."
"Retrato de Saint-Just" de Paganel.
Lysiane h� muito espera pelo amor.
Os homens nunca a estimularam muito.
Por volta dos 40...
desenvolveu um apetite por homens musculosos e fortes.
Ao desfrutar a felicidade, come�aram os terr�veis ci�mes.
Mas ela n�o admitia.
Ela ama seu irm�o.
Robert � seu homem.
O primeiro real, acredito.
Mas fazem amor como homossexuais...
e Lysiane despresa gays.
Voc�s amam um ao outro.
Amam um ao outro com sua beleza.
N�o posso impedir...
Sempre encontram o caminho de volta um para o outro.
Ama seu irm�o mais que a mim.
N�o posso evitar!
� o tipo de desgra�a...
que pode acontecer a uma mulher na minha idade.
Sempre permaneci indiferente...
aos desejos que outros me mostravam...
mas minha castidade mental...
construiu um campo em meu interior...
que pode facilmente ser semeado...
com as sementes do milagre.
Tendo-a visto nesse primeiro dia...
Querelle n�o pensou mais em ver Lysiane.
Mas pouco a pouco, com sua autoridade usual...
ela se imp�s e se apossou dele.
Nem meu irm�o nem eu gostamos tanto do amor...
para buscar novas experi�ncias.
Nem precisamos satisfazer um impulso higi�nico.
No seu jogo com Querelle, Nono v� uma manifesta��o...
energ�tica e prepotente de uma excita��o...
que acredita ter descoberto em Querelle.
Seria o mesmo que uma orgia em um mosteiro:
um pouco de divers�o agrad�vel onde Nono tamb�m partilhasse...
por causa de seus ombros poderosos.
Sei que n�o arrisco nada...
porque absolutamente nenhuma emo��o ofusca a pureza do meu jogo.
Nenhuma paix�o.
� um jogo sem medida.
Dois homens ocupando o tempo de suas vidas em virtude da de um deles...
sem complica��o, oferecendo seu rabo ao outro.
Nono aceitara comer Querelle mais ou menos para ser am�vel.
N�o lhe parecia que o marinheiro estivesse apaixonado por ele...
mas precisava disso para continuar vivendo.
Devido � natureza forte de Querelle, Nono n�o lhe sentia despreso.
Gosta de me foder, n�o �?
Por que n�o? N�o � mal.
Se dissesse que sinto algo por voc�, estaria mentindo.
Nunca entendi como algu�m pode se apaixonar por um homem.
Nunca poderia me apaixonar por um homem.
Deixo que me fodam porque gosto.
- J� tentou foder um cara? - Nunca.
Nem ao menos me interessa.
Mas n�o se importa que outros te fodam?
Por que n�o?
Como eu disse, � s� por divers�o.
Nono n�o me ama...
mas sinto mais e mais que algo de novo acontece.
Um sentimento me prende a Nono.
Nunca admitiria que Nono me dominasse s� porque me fode.
Mas n�o se pode jogar o mesmo jogo todos os dias...
sem em seguida ceder a ele.
Lysiane est� fora disso.
Minha amizade contigo me faz feliz.
Por essas raz�es...
perdi o desejo de continuar esse jogo com Nono.
"Sab�am que n�o arriscavam nada. Que nada turvaria a pureza de seus jogos. Nenhuma paix�o!
Gil sentiu uma estranha emo��o quando pela primeira vez...
viu seu nome no jornal.
Estava na primeira p�gina.
Pensou que escreviam dele e mais algu�m
e ao mesmo tempo sobre ele.
N�o obstante, os juizes realizar�o...
Realizar o qu�?
Que juizes?
N�o est� pensando em se entregar, est�?
Seria realmente idiota!
Esteve escondido tempo demais. Te imaginam culpado...
O nome dele o exp�s e o exp�s completamente nu.
Essa era a gl�ria...
terr�vel sentir vergonha dela...
entrar nela pela porta do despreso.
O qu� tem a perder?
Se roubas algo agora, nem sequer aparece em sua ficha.
O que � um ladr�o frente a um assassino?
N�o h� muita coisa que um marinheiro como eu possa fazer, mas farei.
Procurava por um lugar seguro...
e encontrei um.
S�rio?
Se tivesse dinheiro...
poderia comprar outras roupas e sairia daqui seguro.
Qual � o plano?
Meu Tenente tem um encontro hoje.
Sempre traz muito dinheiro...
E o que pensa fazer?
F�cil.
F�cil?
No seu trajeto, passa em um mict�rio que usa sempre.
L� dentro, se volta para o grafite.
Vista isso.
Ningu�m suspeitar� de voc�.
E se quiser lutar comigo? Eu penso...
Ele nunca luta. � muito medroso para isso.
Ele � uma bichona!
E se quiser lutar?
Pensei nisso. Tem que pensar em v�rias coisas.
Por isso comprei essa...
Uma arma?
S� em �ltimo caso.
N�o precisar� dela. Estou certo.
O terno est� perfeito em voc�!
Voc� acha?
Se eu digo...
Te colocarei um bigode.
Perfeito.
� o mict�rio entre o cais e a Igrela Cat�lica.
"Somada � solid�o moral do assassino est� a solid�o do artista, que n�o admite autoridade, sen�o a de outro artista."
Brandy duplo.
M�os para cima!
- Do que se trata? - Cale-se!
S� me passe a maleta ou atiro.
N�o faria isso se fosse voc�.
Cale-se e n�o se mova.
Me passe o dinheiro ou atirarei pra valer!
Prossiga. Atire.
Vamos. Atire!
Vamos!
Tudo certo?
Quase.
Quase?
O que significa isso?
Ele n�o quis me entregar o dinheiro.
Tive que atirar!
E ele est�...
S� o fer�.
O acertei no ombro.
Quanto dinheiro tinha?
Cinq�enta mil.
Atirei a maleta ao mar.
Bom. Isso � muito bom.
E agora?
Comprei suas passagens para Bordeaux.
Para quando?
Hoje... 4:20.
Para j�? Hoje?
Cada segundo que fique em Brest � perigoso.
Agora voc� tem dinheiro. Pode cuidar de s�.
Cinq�enta mil te garantem por enquanto.
Tenho muita sorte por ter me ajudado, Querelle.
- Sabe disso? - Esque�a.
Tem que ter cuidado para que eles n�o te peguem.
Posso confiar que nada dir� se eles te pegarem?
Com certeza!
A pol�cia jamais vai tirar algo de mim.
Nunca ouvi falar de voc�.
Bem, � melhor que me v�.
Sim, lhe desejo o melhor!
Lamento por isso, velho amigo.
Realmente.
- Gostei de voc�. - Gosto de voc� tamb�m.
Nos encontraremos de novo.
Nunca te esquecerei.
Diz isso agora.
A vida passa r�pido.
Daqui a pouco me esqueceu.
Claro que n�o, amigo.
De modo algum.
N�o sou esse tipo de cara.
Realmente?
N�o me esquecer�?
Se eu digo que n�o, voc� sabe que n�o!
Interessante, qu�o bons amigos nos tornamos.
Fomos bons amigos, desde o in�cio.
Espero que n�o te aconte�a nada.
A amizade de Querelle por Gil evoluiu na divisa do amor.
Como ele, Gil havia matado.
Era um pequeno Querelle por quem Querelle mantinha...
um estranho sentimento de respeito e curiosidade.
Como se estivesse diante do feto de um Querelle beb�.
Queria fazer amor com ele...
porque acreditava que sua ternura se fortaleceria nele.
Porque estaria mais �ntimamente ligado a Gil...
e ele estaria mais �ntimamente ligado a Querelle.
Mas n�o sabia como faz�-lo...
pois ele, sempre foi passivo, n�o sabendo como foder um cara.
Um gesto o constrangiria...
- Voc� � doce, sabe disso? - Por qu�?
Me deixa te beijar assim, sem se queixar.
Por que me queixaria? J� disse que sou seu amigo!
- Isso n�o te incomoda, n�o �? - N�o.
Tem que ser meu amigo especial para sempre.
- Compreende? - Sim.
- Voc� tamb�m ser�? - Sim.
De um modo pouco claro...
Querelle entendeu que o amor � volunt�rio.
Voc� tem que quer�-lo.
Quando voc� n�o ama homens...
permitir que te fodam pode dar prazer...
mas para fod�-los, � preciso am�-los...
mesmo que seja s� no momento em que est� fodendo.
Se ele fosse amar Gil, teria que deixar de lado sua passividade.
Querelle tentou.
Meu amigo.
Que pena que n�o podemos ficar juntos para sempre.
Mas, nos encontraremos de novo.
Estar juntos como aqui...
Gostaria disso.
A solid�o onde seu amor se desenvolvera...
fez aumentar seu amor por Gil.
E sentiu que era tudo para ele...
seu �nico amigo, sua �nica fam�lia.
Nunca amei um homem antes.
- Voc� � o primeiro. - � verdade?
� verdade.
Gil finalmente se resignara do outro crime.
Aos poucos, assumiu a responsibilidade pelo homic�dio do marinheiro.
Ol�.
Quer algo de mim?
Depende.
De qu�?
De voc�.
Tenho uma informa��o para M�rio.
Mas � preciso prometer que ningu�m saber� de onde saiu.
Ningu�m.
Nunca.
Est� claro?
Eu prometo. � tudo o que posso dizer.
Ent�o, basta!
Pode dizer a M�rio...
que esse Polaco...
o Gil Turko...
estar� no trem que vai para Bordeaux �s 4:20.
Tchau.
"Querelle havia feito um pacto t�cito com o diabo.
N�o lhe havia cedido nem seu copro, nem sua alma.
Sen�o algo que era igualmente valioso: um amigo.
E a morte desse amigo santificaria seu crime.
� nosso dever expressar a qualidade universal de um fen�meno espec�fico.
N�o falamos de uma obra de arte, j� que uma obra de arte � livre!"
Mas amado por Querelle...
gostaria de ser amado por todos os marinhos da Fran�a...
porque ele � um comp�ndio de todas as virtudes ing�nuas masculinas.
Se desejo autoridade...
essa forma admir�vel que evoca amor e medo...
devo despertar um sentimento por essa autoridade...
no cora��o dos marinheiros.
� necess�rio que me amem.
Quero ser o pai deles e os ferir.
Eu os marcarei. Eles me odiar�o.
E face a seus sofrimentos permanecerei impass�vel.
Mais e mais, o sentimento do poder perfeito me preencher�.
Tendo conquistado minha compaix�o, serei forte...
e estarei triste quando observar meu pat�tico disfarce.
Sei que nunca deixarei Querelle.
A ele dedicarei toda a minha vida.
Bom dia.
Quando sofro, n�o posso acreditar em Deus.
Na dor, s� conto comigo mesmo...
na desgra�a tamb�m tenho que agradecer a algu�m.
Sempre soube que era um assassino!
Vamos! Apunh�la-me!
Devemos agradecer a Jesus por podermos glorificar a humildade...
j� que Ele a fez como um sinal do divino,
a divindade em nosso �ntimo mais profundo...
Para que dever�amos renunciar � viol�ncia desse mundo
se essa Divindade � para confrontar a viol�ncia?
Ela deve ser forte se � para alcan�ar a vit�ria.
A humildade s� pode nascer da humilha��o.
Por outro lado, � apenas vaidade!
Guarde sua faca!
- Bom dia Tenente. - Bom dia. Em que posso ajudar?
Seria bom que pudesse me acompanhar � delegacia de pol�cia...
Certamente. Qual o motivo?
Gostaria que visse um suspeito. � referente ao roubo.
- T�m um suspeito, ent�o? - Temos.
Ent�o � um fato?
Ent�o � um prazer acompanh�-los.
Vamos.
Querelle agora era amante de Lysiane.
A excita��o dela ao pensar na identidade dos irm�os...
a exasperava at� o ponto de sentir-se perdida.
O qu� esperava conseguir...
atacando seu colega Theo Celine?
- Queria mat�-lo. - Ah! Sim?
Ent�o j� planejava mat�-lo quando quebrou a garrafa...
com que o feriu mortalmente?
Sim, eu queria mat�-lo.
Ent�o, antes de acert�-lo estava claro que poderia mat�-lo com a garrafa?
Absolutamente, Inspetor.
Eu queria mat�-lo.
Por que queria fazer isso?
Ele feriu minha honra e minha alma.
Como ele fez isso?
Se divertiu e riu de mim na frente de todos...
inclusive eu.
E essa foi a raz�o para voc� matar um homem?
Acaso um homem pode fazer a outro algo pior...
que ferir sua honra?
Bem...
Suponho que existam diferentes opini�es nesse asp�cto.
Repito mais uma vez:
voc� matou o marinheiro Vic Rivette para roubar seu dinheiro...
e matou Theo Celine porque feriu sua honra.
Est� correto?
Sim.
Est� correto?
E o roubo do Tenente Naval Seblon?
Foi exatamente como lhe disse.
Nada tive a ver com esse.
Mantem a mesma vers�o da hist�ria, correto?
- Marcellin? - Sim, Inspetor.
Bem, Tenente, aqui est� ele.
O reconhece?
Voc�, tire o capacete.
E levante-se.
N�o, n�o � ele.
Desculpa, Tenente, devo lhe pedir que o considere cuidadosamente.
Talvez se lembre desse jovem homem.
N�o entendo a que se refere.
Me preocupo tamb�m com a justi�a. N�o posso acusar um homem inocente.
Tem absoluta certeza?
Absoluta.
O reconheceria de imediato, pois seu rosto estava muito perto do meu.
Tenente, pode ir agora.
Nem sequer tem uma ere��o descente.
N�o fica ereto eternamente.
Compre um de borracha.
Sabe...
Tenho sonhado muito com seu pau.
�?
� mais bonito nos seus sonhos?
N�o.
Estou muito satisfeita.
Tem um pau s�lido, pesado e grande.
N�o elegante, mas forte.
E bem diferente do de Robert.
Diferente, como?
Seu pau tem mais personalidade.
Por que me repeliu por tanto tempo?
N�o te repeli.
S� que era a amante do meu irm�o.
E agora?
Agora estou me vingando de meu irm�o.
Ent�o...
essa � a raz�o.
E eu?
E eu?
Voc�?
Voc� � apenas uma mulher.
Cada homem mata aquilo que ama...
Alguns o fazem com um olhar amargo.
Alguns com uma palavra lisonjeira.
Os covardes fazem com um beijo.
Cuidado, Querelle!
Se se perde dos seus p�s pode cair, quem sabe, muito longe.
Obrigado, Inspetor.
O qu� disse? Joga dados comigo?
N�o.
Nunca mais jogarei dados contigo.
Me d� um whisky duplo.
Eles sempre est�o b�bados no mesmo dia.
Os "Santos Irm�os."
Eu disse duplo.
Alguns matam o que amam quando s�o jovens.
E outros quando velhos.
Alguns o estrangulam com m�os de lux�ria.
Outros com m�os de ouro.
Onde est� indo?
N�o interessa a ningu�m.
Me ouviu?
Ei, quer que te foda? vamos, baby!
Quer que eu te foda?
Isso.
- Filho da puta! - Pegou uma garota indefesa.
Se fosse um homem de verdade...
Cuidado, est� com uma faca!
N�o seja demente! Isso � pura loucura.
N�o quero voc� envolvido nesse tipo de coisa.
Guarde essa faca.
Vamos. Venha comigo!
Voc� � um amigo!
Todos os outros s�o imbec�s, mas voc� � amigo!
Tudo o que quiser de mim , � seu!
Fica quieto. Se um oficial se aproxima...
Que me importa, caralho!
No que me diz respeito, voc� � tudo.
Para de gritar!
Vai terminar no calabou�o!
Ficaria entristecido se fosse para a pris�o.
S�rio? Diz isso sem sentir.
�s um oficial. O que te importa?
Sabe perfeitamente bem que n�o � assim.
Estou perto de uma vergonha de onde nenhum homem se recupera.
Mas s� nessa vergonha encontrarei minha paz eterna.
Estou muito fr�gil.
Eu fui conquistado.
Totalmente conquistado.
E meus pensamentos s�o tristes.
Tenho sentimentos de outono...
impurezas...
ferimentos mortais em mim.
Nunca encontrarei paz at� que voc� me penetre.
Deve fazer de modo que depois...
eu possa deitar na sua coxa como a Piet�...
acolhendo Jesus morto.
Esse � o rapaz que atirou em mim. O reconheci.
Querelle, finalmente!
Por que me fez esperar tanto tempo?
Quer me magoar?
Me destruir?
Senti saudades de voc�...
� t�o forte...
t�o profundo...
sem fim.
Do que trata isso?
Por qu� est� chorando?
Porque est� me desejando?
Sabe a quem tem estado a desejar?
O namorado do seu marido!
uma parte da bunda dele!
Olha para ele. Grande Nono!
O maior garanh�o que jamais existiu!
- N�o pode ser verdade! - Por que n�o pode ser verdade?
Basta, garoto!
Isso n�o faz sentido!
Fodeu com Nono...
s� porque...
ama seu irm�o loucamente, n�o?
Cada vez mais Lysiane era deixada fora do jogo.
O mais bonito e incr�vel aconteceu sem ela.
Acredite no que quiser.
Ent�o, menino, voc� n�o � nada mais que uma bicha, certo?
- O qu� � t�o divertido? - Nada.
Mas isso faz de Nono uma bicha tamb�m!
Isso � bastante gracioso!
- E Robert? - O qu� quero saber de Robert?
- Eu sou eu! - Voc� � nojento!
� meu inimigo!
Me destruiu.
Tem poderes misteriosos,
que se multiplicam infinitamente.
Voc� n�o � um ser humano!
N�o pertence a esse planeta!
Ao ver Querelle, Lysiane j� havia perdido esse sentimento...
que os esgrimistas chamam "a fraternidade da espada. "
Estava s�.
Sei, agora...
porque me sinto t�o abandonada.
A harmonia interna de Querelle era indestrut�vel...
porque foi selada no c�u dos c�us...
onde a beleza se une � beleza.
O qu� h� contigo?
Me equivoquei! N�o tem nenhum irm�o.
Entende?
Foi uma confus�o! Me ouviu?
Nunca teve um irm�o!
Ele n�o tem irm�o de jeito nenhum!
Sua data de nascimento diz...
"Nascido em 19 de dezembro, 1918, 10:00 A.M.
M�e: Gabrielle Genet.
Pai: Desconhecido.
Al�m de seus livros nada se sabe sobre ele.
Nem a data de sua morte...
que para ele parecia pr�xima. Jean Genet. "
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