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NOS ANOS 90, A INVAS�O DA IMPRENSA NO CASAMENTO REAL
ALCAN�OU UM N�VEL SEM PRECEDENTES.
EM 1993, O PARLAMENTO CONVOCOU
OS L�DERES DOS TABLOIDES DO REINO UNIDO.
O ASSUNTO ERA A PRIVACIDADE.
Num inexplic�vel...
Deixe-me continuar um segundo. Deixe-me...
- Pergunta... - Estou c� para responder.
Pergunte, vou responder-lhe.
N�o, tem de me deixar terminar. Vai deixar-me terminar?
KELVIN MACKENZIE ERA EDITOR DO THE SUN, O TABLOIDE MAIS VENDIDO DO RU.
Referiu-se ao seu jornal como o jornal que defende o direito a saber,
o direito do leitor a saber.
Saber o qu�?
H� algum limite?
H� algum dom�nio de privacidade no qual
at� o The Sun e os leitores n�o devam intrometer-se?
H� algum direito complementar da parte do cidad�o comum,
complementar ao seu direito a saber?
O seu direito � paz?
Acho que � uma quest�o interessante.
Acho que n�o � uma resposta f�cil.
Quando comecei a minha vida p�blica,
compreendi que a imprensa podia estar interessada
no que eu fazia.
Mas n�o tinha no��o
do qu�o esmagadora essa aten��o se tornaria.
A imprensa e a Diana precisavam uma da outra,
alimentavam-se uma da outra.
Ela era muito boa a lidar com isso,
por vezes, at� os manipulava.
N�o podem usar isso sem que volte para assombrar-vos.
Era como uma barragem num rio.
Estava subitamente a rachar.
Algo que controlava imenso poder.
Simplesmente...
... explodiu.
A Gr�-Bretanha tinha perdido a sua sanidade coletiva.
Ela estava a descobrir a celebridade no cargo.
Ela tentou fazer algo com isso,
tentou fazer algo de valioso.
Nas cinzas do seu casamento,
ela teve sucesso em criar-se como marca.
A princesa do povo.
� poss�vel suportar uma situa��o dif�cil
e criar uma vida muito animada.
Quando chegou o an�ncio, eu n�o quis acreditar.
N�o conseguia aceit�-lo.
Diana, Princesa de Gales, ficou gravemente ferida.
Todos os donos e editores...
... t�m sangue nas m�os.
A Princesa Di est� morta.
E a quem devemos pedir satisfa��es?
Como � que isto p�de acontecer? Vamos a meio da hist�ria.
Muitos de n�s j� sabiam que o Pr�ncipe Carlos estava
apaixonado por outra.
E sempre tinha estado.
JORNALISTA DE MODA
Gostavam muito um do outro,
o Carlos e a Camilla.
E acharam que enquanto fossem discretos...
BI�GRAFA REAL
... podiam ir de f�rias juntos, ocasionalmente.
Ele encontrou uma alma g�mea,
partilhavam muito mais em comum.
As suas paix�es s�o mais parecidas.
PRIMA DE CARLOS
A Camilla gosta de ser mais privada
e n�o precisa de ser uma estrela num palco.
Em 1986, a Diana sabia perfeitamente
o que se passava.
Dava para ver nas imagens.
Era a outra coisa nela que era t�o paralisante.
CORRESPONDENTE ABC
Dava para ver nas fotos como eles se davam.
Quando ela percebeu que era s�rio, deve ter sido um abalo...
BAILARINO DA ROYAL BALLET
... provavelmente muito perturbador.
A imagem p�blica era de uma mulher feliz a divertir-se
e a aproveitar a vida.
E havia um v�cuo enorme em redor da sua vida.
AMIGO DA DIANA
Ela era muito infeliz.
Ao longo da hist�ria, n�o seria uma surpresa
os homens pensarem que tinham direito a ter uma amante.
HISTORIADORA
Mas n�o eram apenas os homens,
era geralmente aceite entre as esposas
que tinham de produzir um herdeiro e um suplente.
E depois podiam arranjar um amante.
� assim.
"QUANDO TINHA 24 ANOS APAIXONEI-ME INTENSAMENTE...
ELE FOI O MELHOR AMIGO QUE ALGUMA VEZ TINHA TIDO."
Quando a Diana decidiu procurar amor fora do casamento,
n�o surpreende que um dos primeiros homens tenha sido o Barry Mannakee,
que era o seu guarda-costas.
Algu�m cujo trabalho era proteg�-la.
EDITOR-CHEFE, PEOPLE
Ela sentia-se segura com ele.
Carlos e Diana estavam num avi�o privado para o Festival de Cinema de Cannes...
BI�GRAFA REAL
... em 1987.
Antes de entrarem, o Carlos soube que o Barry Mannakee
tinha morrido num acidente de motorizada.
POL�CIA DE DIANA � MORTO
E ele teve de dar-lhe a not�cia.
Ela estava inundada em l�grimas
e a aia dela estava a tentar consol�-la.
Mas nada parecia resultar.
Ela queria algu�m que a amasse.
Ela procurou ser amada incondicionalmente.
"FIQUEI FELIZ EM ABDICAR DE TUDO ISTO."
James Hewitt foi uma rela��o muito importante para ela.
Se n�o tivesse casado com o Pr�ncipe,
o James Hewitt podia ter sido o homem com quem casaria.
Ela e o Carlos estavam tantas vezes separados
que Hewitt estava com os filhos dela
e eles aprenderam a gostar dele.
Foi transferido para a Alemanha
e esse foi o fim.
O padr�o dos �ltimos anos da Diana
com muitos parceiros masculinos...
HISTORIADOR
... � um argumento para os que diziam que
n�o era propriamente culpa do Carlos.
N�o estou a sugerir que fosse prom�scua, pelo contr�rio.
N�o acho que ela desejasse sexo com estes homens.
Ela desejava amor.
Ela passava tempo com as pessoas, mas n�o eram
pessoas para passar o resto da vida.
AMIGA DA DIANA
No fundo do seu cora��o,
era o Carlos.
A Diana esteve no 40� anivers�rio da irm� da Camilla.
A Diana usa essa ocasi�o para confrontar a Camilla
cara a cara, sobre o que se passava.
E disse, resumidamente,
n�o fa�as de mim idiota.
Ela n�o podia viver uma mentira.
N�o � poss�vel quantificar a intensidade s�smica que isso foi,
na natureza da monarquia.
Foi uma cena...
... no seu c�rculo pr�ximo.
Exp�s que
a Camilla e o Carlos tinham um caso.
CARLOS E DIANA: MOTIVO PARA PREOCUPA��O
At� alguns editores da imprensa sabiam disso.
O MIST�RIO ADENSA-SE
A nossa escritora Judy Wade,
foi a primeira a reparar
que esta rela��o n�o estava bem.
Disse que viu as m�os separadas...
EX-EDITOR ASSISTENTE, THE SUN
... vi o olhar dela, acho que se passa algo.
33 DIAS
Com tantos jornais concorrentes, houve sempre competi��o intensa.
� H� QUANTO TEMPO VIMOS OS REAIS JUNTOS EM P�BLICO
E eles tinham de ter contactos dentro do pal�cio,
tinham de ter fontes.
EMPREGADO REVELA AGONIA SECRETA
E quantias incalcul�veis de dinheiro trocavam de m�os.
SOZINHA: DIANA LEVA WILLIAM DO HOSPITAL PARA CASA
Pagam a mordomos, pagam a colegas de casa...
CORRESPONDENTE NPR
... pagam a mo�os de entregas. Fazem-se passar por algumas pessoas.
Acho que ficar�amos um pouco paranoicos.
Quem ser� o pr�ximo a enganar-me?
Havia engano em todo o lado,
podia confiar-se em algu�m?
Ela foi espiada, precisava de privacidade...
AMIGO DA DIANA
... e n�o tinha muita privacidade.
� um s�tio vulner�vel para se estar.
� como descobrir
que o quarto est� sob escuta.
Ela preocupava-se que algu�m estivesse a ouvir
a central telef�nica do Pal�cio de Kensington.
Era a sua preocupa��o.
Come��mos a usar destorcedores,
lig�vamo-lo e distorc�amos a mensagem.
Muitas vezes t�nhamos um minuto de conversa nos destorcedores,
em que a oposi��o ouvia...
Era discurso distorcido. E a linha era cortada.
Era muito s�rio.
Ela estava a ficar paranoica
com tudo, e com raz�o.
CHEF DE DIANA
Com tanta coisa � volta dela.
Ela sabia que ia haver uma explos�o.
Estava a tornar-se inevit�vel algo ser revelado
sobre o casamento ser um desastre e assim.
Ia acontecer.
E a sua maior preocupa��o
era os seus dois filhos.
Como os meninos eram os herdeiros da institui��o,
a institui��o podia envolver-se e dizer: "A partir daqui � connosco."
N�o eram apenas os filhos dela,
eram herdeiros e suplentes ao trono.
Ela podia ter sido marginalizada e...
Acho que isso teria sido um desastre.
O que ela precisava
era de avan�ar primeiro.
Ela precisava de fazer-se ouvir.
Ela queria contar ao mundo.
Havia uma esp�cie de medo nela
e o medo transformou-se em revolta
e for�a ao dizer ao mundo qual era o seu ponto de vista.
Ela viu o Andrew Morton, era f�cil de o ver,
ele era alto e belo.
Andrew Morton j� tinha escrito sobre ela,
tinha-o feito de forma bondosa e solid�ria
e ela apreciava isso.
Ent�o, ela gravitou na dire��o dele.
Ele j� estava a escrever a sua biografia. Diana disse que talvez
devesse ajudar o Morton e o livro.
N�o estava preparada para confiar em mim para contar a sua hist�ria,
nem nos seus amigos, nem nos jornalistas dos tabloides.
Queria ser ela mesma a falar � na��o.
Eu disse: "N�o podes ser entrevistada por ele, sen�o ficar�s vulner�vel.
Pensa muito bem
no que realmente queres fazer e certifica-te de que
n�o danificas a organiza��o
de que os teus filhos acabar�o por fazer parte."
Era um projeto secreto da Diana.
O Carlos n�o sabia disto.
Foi um procedimento muito deliberado,
o Morton decidia o que queria.
Escrevia as quest�es.
Entregava-as ao James Colthurst.
Eu recebia as quest�es.
Eu aparecia, ela tirava-me as perguntas da m�o e dizia:
"Ser� mais r�pido se as ler e responder agora."
E abriu-se.
Depois eu voltava e entregava a cassete.
Acho que ela estava aliviada por ir ser ouvida pela primeira vez,
e talvez compreendida.
Quando a Princesa Diana casou com o Pr�ncipe Carlos,
esperava-se que ela se envolvesse.
Mas n�o se esperava que fosse independente.
E essa � a diferen�a chave.
Antes do livro do Andrew Morton ser publicado,
ela come�ou a ficar nervosa e preocupada.
Ela sabia que o mundo estava prestes a cair-lhe em cima.
7 DE JUNHO DE 1992
O primeiro excerto do livro
aconteceu em junho de 1992.
O Carlos e a Diana passavam o fim de semana em Highgrove
e estavam a receber o designer de interiores do Carlos, Robert Kahn,
que estava sentado � mesa do pequeno-almo�o,
e algu�m trouxe um fax
que tinha a primeira parte deste livro,
e entregou-o ao Carlos.
E o Robert Kahn viu-o a ler isto.
E viu um olhar de alarme na cara do Carlos...
DIANA LEVADA A CINCO TENTATIVAS DE SUIC�DIO POR CARLOS
... porque isto ia aparecer no Sunday Times daquele dia.
E abalou a Fam�lia Real.
Foi completamente sem precedentes,
n�o se fazia isto.
Os jornais desta manh� falam no rumor que a Princesa Diana
fez cinco tentativas de suic�dio.
O livro pinta uma imagem deprimente de um casal em guerra.
PRINCESA DIANA "TENTOU SUICIDAR-SE"
Disseram que a Princesa tinha colaborado e dado fotografias.
PEDE AJUDA
O Pal�cio de Buckingham nega que ela tenha colaborado com o autor.
As revela��es foram chocantes.
A bulimia e os casos.
Por outro lado,
havia muito gente a simpatizar,
pois tornava-a real.
PARCEIRA DE CARIDADE DA DIANA
"A BULIMIA COME�OU NA SEMANA DO NOIVADO...
O MEU MARIDO P�S A M�O NA MINHA CINTURA E DISSE
'UM BOCADO GORDINHA AQUI, N�O �?'"
Ela trouxe algo a p�blico que nunca tinha sido falado antes.
Tirou o estigma dos dist�rbios alimentares.
Foi uma mensagem incrivelmente poderosa.
Fez-nos perceber que ela tinha os mesmos problemas que todos os outros.
A HIST�RIA VERDADEIRA
O p�blico simpatizou muito com ela, principalmente as mulheres.
A Diana teve um impacto enorme
nas pessoas que passaram por batalhas emocionais.
9� CONDE SPENCER IRM�O DE DIANA
Identificaram-se com ela e com o que lhe aconteceu.
"N�O ACHEI QUE FOSSE SUFICIENTEMENTE BOA PARA A FAM�LIA DELE,
POR ISSO DESCONTAVA EM MIM MESMA...
MAGOEI-ME A MIM EM VEZ DE VOS MAGOAR A TODOS."
Finalmente, ela estava num caminho dirigido por ela mesma.
E o feminismo trata-se disso mesmo,
encontrar o caminho interior e depois agir.
Quando as cartas come�aram a amontoar-se,
ela percebeu que tinha tocado em muitas pessoas.
As cartas eram muito importantes para ela.
O tema era gratid�o.
Sempre gostei muito da Diana,
pela sua sinceridade e...
... pelas coisas por que passou.
Acho que ela devia ser rainha.
Ela � uma mulher contempor�nea.
E acho que todos a admiramos.
Ela estava ansiosa por tentar controlar a sua pr�pria narrativa.
E ela viu o livro do Morton
como uma forma de o fazer.
E saiu-lhe o tiro pela culatra.
Ela era muito boa a lidar com a imprensa,
�s vezes em manipular a imprensa,
mas quando fazemos da nossa vida um ativo,
n�o temos controlo nenhum.
Subitamente, duas conversas telef�nicas clandestinamente gravadas
foram publicadas.
� muito dif�cil, muito complicado,
ele torna a minha vida numa verdadeira tortura.
Era v�spera de fim de ano
e a Diana e o seu amante da altura, o James Gilbey,
estavam a conversar por telefone.
N�o acho que fosse uma rela��o terrivelmente s�ria.
Mas o tom da conversa transmitia intimidade,
o uso de
alcunhas como "Squidgy".
Squidgy, beija-me.
Meu Deus.
Adoro.
Sem que o James Gilbey e a Diana soubessem,
aquele telefonema estava a ser gravado.
E algu�m tinha uma grava��o dele
que chegou aos escrit�rios
de um jornal tabloide.
S�o duas pessoas a falar sobre
estarem apaixonadas.
Uma delas, por acaso, � a Princesa de Gales.
Uma delas n�o � o Pr�ncipe Carlos.
� mau,
mas vai ficar pior.
Entretanto, uma conversa telef�nica entre o Carlos e a Camilla
foi ilegalmente gravada.
N�o consigo come�ar a semana sem ti.
Eu encho o teu tanque.
Enches, sim.
O Pr�ncipe Carlos ia tornar-se Rei de Inglaterra.
� do Rei de Inglaterra que estamos a falar.
AS GRAVA��ES DOS TELEFONEMAS DA DIANA E DO CARLOS
FORAM ENVIADAS PARA OS TABLOIDES ANONIMAMENTE.
OS TABLOIDES DECIDIRAM PUBLIC�-LAS,
AFIRMANDO QUE ERAM DO INTERESSE P�BLICO.
Qual era a necessidade
do p�blico saber,
que interesse p�blico, no meu ponto...?
Est� a tentar explicar o que acha que � not�cia.
Est�, sim, a todas as pessoas...
Espere, deixe-me responder, o senhor j� falou.
Kelvin Mackenzie era editor do The Sun.
E, de certa forma, era a personifica��o perfeita
de um editor de tabloide.
Era duro, exuberante,
o facto de poder envolver destruir as vidas das pessoas
n�o era problema dele.
A palavra que o descreve seria iconoclasta.
Houve muitos outros ep�tetos, desde ent�o.
Creio que � hostil para com a imprensa
e n�o quer que as pessoas saibam a verdade
sobre a vida p�blica.
Mas devo dizer que os seus modos ofensivos e agressivos
n�o nos ajudam a ver o seu lado.
Exceto o parlamento, n�o conhe�o ningu�m preocupado com a imprensa.
Mas preocupam-se com o que se passa nos altos cargos.
E querem que jornais como o The Sun os exponham.
Ambas as grava��es foram terrivelmente desconfort�veis.
A publica��o dessas cassetes foi
a pior quebra de protocolo da imprensa, moralidade b�sica e dec�ncia.
Isto ia transformar
como todos seriam tratados, todas as celebridades.
O n�vel de intrus�o foi elaborado durante os anos da Diana.
Era como uma barragem num rio.
Era algo que controlava um poder enorme.
Come�aram a aparecer excertos
na imprensa australiana.
ESCANDALOSO! EXPL�CITO! REALEZA CHOCANTE
Uma revista australiana publicou o que alega ser
uma chamada telef�nica entre o Pr�ncipe e...
Uma revista australiana publicou o que diz ser o gui�o n�o censurado...
Sempre houve a d�vida de como foi l� parar.
Quem publicou as cassetes?
EDITORA-EXECUTIVA, VANITY FAIR
TRANSCRI��O ESCALDANTE
A revista australiana New Idea n�o diz como obteve a cassete,
mas cr� ser aut�ntica.
A revista � de Rupert Murdoch,
cujos jornais ingleses incluem o The Times e o The Sun.
The Sun publicou um esc�ndalo que envolve a Diana.
THE SUN NOMEIA HOMEM NA CASSETE DA DI
O Sr. Murdoch negou conhecer a decis�o de publicar.
O jornal que convidou o pa�s a ouvir em qualquer telefone.
Ou�am a conversa e julguem.
O que � que o seu dono, ou quem o abordou...?
O Sr. Murdoch contratou-me.
Rupert Murdoch tem muito interesse
no que acontece neste pa�s.
O Sr. Murdoch alguma vez discutiu consigo a pol�tica do jornal
em rela��o � monarquia e � Fam�lia Real?
A Diana era
um pe�o, num jogo de xadrez maior.
Era o Murdoch e o The Sun contra a Fam�lia Real.
N�o se conta a hist�ria
da evolu��o da imprensa e do jornalismo
no mundo da l�ngua inglesa sem nos centrarmos no Rupert Murdoch.
O Rupert Murdoch ter comprado The News of the World, em 1968,
e depois o The Sun em 1969,
foi um ponto de viragem enorme na hist�ria dos jornais brit�nicos.
Mais um elo na cadeia vasta de um imp�rio que se expande.
AUSTRALIANO FALA DOS PLANOS PARA O MUNDO
Como australiano, ele tinha pouco carinho pela Fam�lia Real.
N�o via a necessidade deles.
Nunca seria poss�vel abrir-se para a sociedade
at� enfrentarmos este sistema de classes.
E era dif�cil ver como o fazer com a Fam�lia Real presente.
A FALAR EM 1989
Ele viu-os como forragem.
Forneciam uma quantidade inacredit�vel de material para as suas publica��es.
Anteriormente, os editores
tinham decidido o que devia entrar nos seus jornais,
impondo os seus pr�prios valores, as suas �ticas,
os seus padr�es.
O Murdoch apareceu e disse:
"N�o estou interessado nisso.
S� quero dar �s pessoas o que elas querem.
Como vou descobrir isso?"
Em 1970, vamos p�r uma rapariga nua no jornal.
Isso � popular? �, sim. Certo.
Foi a funda��o do nascimento da Mi�da da P�gina 3.
As Mi�das da P�gina 3 do The Sun eram um exemplo perfeito de um jornal
que exigia ser levado a s�rio, de certa forma,
mas mesmo assim reduzia as mulheres aos seus corpos.
A Diana tamb�m foi reduzida � sua apar�ncia, � sua figura.
O Rupert Murdoch decidiu
que isto era uma das grandes narrativas que iam usar,
e iam us�-la durante anos.
MAM� DAS BAHAMAS!
Arranjariam forma de a p�r em fato de banho?
DI AO SOL
Se vissem o rabo real, seria publicado?
EST�S NOVAMENTE RABOLICIOSA
A Princesa Diana era como carne fresca.
DIANA: PARA ONDE FORAM AS CURVAS?
Dar �s pessoas o que elas querem, era t�o simples como isso.
A VERDADE NUA... SEM CINTURA, ANCAS E RABO
Quanto mais bela se tornava, mais as pessoas gostavam
de a tentar humilhar.
DI AOS ESTALOS
UMA ESTALADA NA CARA MANT�M-NA JOVEM, MAGRA E SENSUAL
O p�blico brit�nico estava a ficar muito perturbado
pelo que a Diana estava a passar,
mas continuavam a comprar as revistas e os jornais.
Com o tempo, esqueceram-se de que era uma pessoa real
e viam-na apenas como uma comodidade.
A revolu��o come�a aqui: MSNBC.
Houve uma explos�o de canais por cabo.
Ela era como um catalisador para aquela ind�stria.
ESPECIAL CNN
A Princesa tagarelou aos tabloides.
A Diana tornou-se na mulher mais fascinante do mundo.
Ao mesmo tempo,
as not�cias de 24 horas tornavam-se parte das nossas vidas.
O que fazemos para encher isso?
Os tabloides enlouquecem.
E revelaremos as palavras dela sobre o JFK Jr.
E chamam-se "not�cias".
A institui��o pode estar condenada.
N�o por haver algo que seja not�cia no que se passa.
� porque o p�blico quer ler sobre isso.
Subitamente, os jornais t�m competi��o a s�rio, diariamente.
Isso deixa-os mais desesperados.
A TV era agora uma amea�a verdadeira � exist�ncia deles.
Sabe que ela est� de f�rias? Tem-na perseguido para tirar fotos.
Tem as suas compensa��es.
H� alguma coisa que n�o faria por uma foto?
Nem por isso. N�o acho que haja.
N�o acho que devesse haver algo que nos impedisse de tirar fotos.
Ent�o, o melhor � faz�-lo descaradamente,
e depois, pelo menos, chate�mo-los por algo no final.
O apetite global
por fotos de paparazzi tornou toda a gente num paparazzo.
Tornou-se claro para as pessoas no gin�sio da Diana:
"Aqui est� ela a treinar,
vou tentar conseguir uma foto e vend�-la."
Alegadamente, foram tiradas sem ela saber.
Os jornais diziam que n�o eram eles mas, na verdade,
os jornais brit�nicos eram piores do que os paparazzi estrangeiros.
FOT�GRAFA REAL
Pagavam vastas quantias de dinheiro a estes paparazzi.
Ela deve ter-se sentido muito violada.
Apareciam-lhe de todos os �ngulos.
TRAIDOR REVELA SEGREDOS DA DIANA
Uma das maiores trai��es foi quando o James Hewitt
vendeu a sua hist�ria.
PRINCESA APAIXONADA
Princesa Apaixonada, escrito com a colabora��o do Major Hewitt,
foi publicado.
Ela estava destru�da.
TRAI��O DE UMA PRINCESA
Ela sentia-se cercada.
- Uma foto. - N�o!
N�o!
Eles gritavam para ela olhar e isso.
Mas diziam coisas piores,
para provocar algum tipo de rea��o que desse uma foto valiosa.
"Diana, n�o se sente envergonhada?"
"Diana, o que pensa agora da Camilla?"
"O que faz com ela na cama que n�o fez consigo?"
Todo o tipo de coisas. "Quem anda a ... agora?"
N�o acho que o Rupert Murdoch
tivesse conhecimento sobre
as atividades il�citas que se passavam.
Mas ele criou a cultura
em que ocorreu o que fizemos � Diana.
Diana!
Deixem-me em paz.
Al�m de t�nis, tamb�m joga golfe?
Podia fazer um hole in one com este grupo.
Deixem-me em paz.
Sou editor do The Sun h� 12 anos,
agora, a imprensa est� no seu melhor comportamento.
Diria que se comporta melhor agora,
do que em qualquer altura de que me lembro.
D�-me uma foto e vou embora.
N�o!
As pessoas gostam do que fazemos.
N�o o veem como voc�s o est�o a ver.
Da perspetiva dos nossos leitores, � incr�vel. � fant�stico!
Fora!
Fora. F-O-R-A, fora.
Fa�a uma boa viagem.
De certas formas, a Diana serve como a nega��o
� ideia
de que os jornalistas aderem a um princ�pio mais elevado.
Ela n�o era uma coisa, era uma pessoa,
e trataram-na como um objeto.
N�o pode haver d�vidas de que ultrapass�mos a marca.
Perdemos qualquer sentido de �tica.
Pens�mos que estava ali algu�m que tinha privil�gio
e tinha sacrificado o seu direito � privacidade,
simplesmente por ter o privil�gio que ela tinha.
"DESDE O PRIMEIRO DIA, SABIA QUE N�O SERIA A PR�XIMA RAINHA."
Pal�cio de Kensington, o Pr�ncipe e a Princesa de Gales dormiram l�
mas cr�-se que foi em suites separadas.
Os Pr�ncipes come�aram uma digress�o de quatro dias na Coreia do Sul.
A visita � vista como um passo importante na promo��o das trocas com a Gr�-Bretanha.
Mas foram incapazes de evitar continuar a especula��o
sobre o estado do casamento deles.
Os relat�rios ouvidos incluem especula��o
de que a Rainha a for�ou a ir com o Pr�ncipe � Coreia do Sul,
num esfor�o de salvar o casamento.
Estava claro que mal falavam um com o outro.
N�o conseguiam olhar um para o outro, estava complicado.
Foi uma viagem muito fria.
E essa foi a �ltima viagem que fizeram juntos.
Quando ficou claro que as coisas estavam mal,
a Rainha e o Pr�ncipe Filipe
convocaram uma esp�cie de sess�o de aconselhamento familiar,
em que se sentaram
com a Diana e o Carlos e disseram:
"V� l�, vamos falar sobre isto.
Podemos ajudar-vos de alguma forma?"
E o Carlos disse: "O qu�?
Querem que fale sobre o que sinto,
para amanh� de manh� estar na capa dos jornais?"
E olhou para a Diana.
A Diana desatou a chorar.
E estava feito.
9 DE DEZEMBRO DE 1993
� anunciado pelo Pal�cio de Buckingham que, com muito pesar,
o Pr�ncipe e a Princesa de Gales decidiram separar-se.
Os Pr�ncipes deixaram claro que n�o planeiam divorciar-se.
A separa��o foi uma surpresa e um choque para os ingleses.
HISTORIADORA
Foi anunciada por John Major, no Parlamento,
e isso mostra como o casamento real era importante.
Foi um momento importante na hist�ria inglesa.
Sua Majestade e Sua Alteza Real
esperam que as intromiss�es
na privacidade do Pr�ncipe e da Princesa
possam agora parar.
Apoiado.
ACABOU.
A realidade da separa��o foi muito dura.
Ela estava muito infeliz.
E isso levou-a a decidir retirar-se da vida p�blica.
CORRESPONDENTE ESTRANGEIRO, PEOPLE
Senhoras e senhores, Sua Alteza Real, a Princesa de Gales.
Durante os meses seguintes,
vou procurar uma forma mais adequada
de combinar um papel p�blico relevante
com, espero eu, uma vida mais privada.
Num discurso emotivo, a Princesa retirou-se eficazmente
da maioria do seu trabalho p�blico.
DI ABALADA RETIRA-SE DA RIBALTA REAL
DIANA: QUERO ESTAR SOZINHA
Ela ficou completamente farta disso.
Ela sentia que eles tinham tido o suficiente.
ELA SAIU DA EMPRESA
ELA VAI FICAR MUITO ABORRECIDA
Claro que t�nhamos o evento que, a meu ver,
foi o in�cio da detona��o da bomba Diana.
29 DE JUNHO DE 1994
E isso foi o document�rio feito por Jonathan Dimbleby
sobre o Pr�ncipe de Gales.
A ideia era mostr�-lo numa perspetiva melhor.
Mas teve o efeito oposto.
Tentou ser fiel e honrar a sua esposa
quando fez o juramento do casamento?
Sim. Claro que sim.
- E foi. - Sim.
At� se ter tornado
irremediavelmente destru�do.
CARLOS: TRA� A DIANA.
Isto fez a Princesa Diana pensar: "Tenho de voltar a ter voz."
Acho que se ela quisesse ficar quite,
era suficientemente experiente para usar a imprensa.
APRESENTADORA DE NOT�CIAS ABC
Ela devia ir a uma galeria de arte.
Mas parou o carro a cerca de 100 metros.
E caminhou em dire��o das c�maras, completamente deslumbrante.
A Princesa Di usava a moda como uma arma extremamente eficaz.
As pessoas derrubavam-se para tirar fotografias.
No dia seguinte a hist�ria seria sobre Carlos e o seu adult�rio...
FOT�GRAFO REAL, THE SUN
... mas a capa seria a Diana.
E foi.
ENQUANTO A NA��O V� O DOCUMENT�RIO REAL,
UMA PRINCESA DIANA RADIANTE E CONFIANTE FAZ UMA APARI��O P�BLICA.
Ela viu-o como uma esp�cie de guerra pela aceita��o p�blica.
A VINGAN�A DE DIANA TOMA L�!
As pessoas n�o se fartavam da Princesa Diana.
Ela sabia disso e sabia como usar isso.
A Princesa sa�a e dizia: "Acho que hoje � um dia forte, Colin."
Conduz�amos at� � frente,
vir�vamos � direita e n�o importava quem nos via.
GABINETE DE PROTE��O
Sim, as fotografias seriam tiradas.
H� mulheres que genuinamente n�o querem estar em p�blico.
Mas a Diana n�o era a Greta Garbo.
Ela disse-me para lhes dar sempre algo.
� imprensa.
Posso ter falado sobre a imprensa,
como sendo dem�nios a perseguir a Diana,
mas isso era apenas parte da imagem.
Ambos os lados eram c�mplices nisto.
Pod�amos chamar a Princesa Diana de v�tima,
mas ela n�o era apenas uma v�tima.
Por mais que se sentisse perseguida pela imprensa,
ela tamb�m se sentia emocionalmente alimentada
e sustentada pela imprensa.
A Diana via os jornais todas as manh�s,
para ver se estava na capa.
Ela usava os jornalistas.
JORNALISTA DE GUERRA
Havia jornalistas que ela conhecia e a quem contava coisas,
e depois elas apareciam nos jornais.
Ela esperava que estiv�ssemos l�.
Era parte do plano dela.
Tal como ela n�o existia para n�s sem estar nos jornais,
ela n�o existia para si mesma
a menos que pudesse ver a sua mais recente imagem,
refletida na p�gina impressa.
Quem vai fotografar agora?
Ainda vamos fotografar a Diana durante uns tempos.
A imprensa � um animal selvagem.
N�o se pode usar isso sem que volte para assombrar-nos.
Receio que isso tenha sido
o in�cio de um per�odo
que culminaria na sua morte.
Quando o casamento come�ou a desmoronar,
ela fez um �timo trabalho em termos de usar a imprensa
em sua vantagem.
DIANA EM TEMPESTADE NA BBC
Ela jogava com o sistema, porque era �gil e jovem,
e normalmente estava dois passos � frente do pal�cio.
VINGAN�A DE CONTAR-TUDO DA DIANA
E isto foi...
... a sua arma secreta.
Foi a maior arma que ela alguma vez usou.
Ela teve de passar por muitos subterf�gios
para chegar ao programa.
Entraram c�maras em segredo no pal�cio.
Ela n�o disse a nenhum funcion�rio...
Di ao vivo 21h40
... at� quase � v�spera da transmiss�o.
Acho que � indicativo que ela sentia, novamente,
que n�o podia confiar em muita gente.
Martin Bashir tornou-se confidente da Diana,
e ela queria apresentar a sua vers�o.
O que ela fez, em grande.
Foi a entrevista mais brilhante,
a televis�o mais fascinante, que alguma vez vi.
Foi trai�oeiro, pensei.
N�o acho que muita gente queria que eu fosse rainha.
Na verdade, quando digo muita gente, refiro-me ao sistema com que casei,
porque eles decidiram
que sou uma incapaz.
VIRAM, HORRORIZADOS, ENQUANTO SE FAZIA HIST�RIA
Quando pensamos na raz�o de ela fazer isto,
temos de ver as circunst�ncias.
Quer estivesse certa ou errada nestas decis�es,
ela sentiu-se num aperto.
�ramos tr�s neste casamento.
Por isso, era gente a mais.
N�o era preciso ver para saber o que tinha sido dito...
�RAMOS TR�S NESTE CASAMENTO ERA GENTE A MAIS
... porque saiu em todos os jornais do mundo.
Eu n�o o podia evitar.
DIANA: O HEWITT FOI MEU AMANTE
N�o conseguia acreditar.
DI DECLAROU GUERRA � FAM�LIA DE CARLOS
A vossa rela��o foi mais do que uma amizade pr�xima?
Foi, sim.
DI TEVE UM CASO
Foi infiel?
Sim, adorava-o, estava apaixonada.
AMAVA O JAMES HEWITT
Mas fui muito desapontada.
Ela est� a falar de dist�rbios alimentares e depress�o p�s-parto,
de se sentir isolada e sozinha.
As pessoas n�o falavam dessas coisas, em 1995.
Mal falamos sobre isso agora.
F�RIA DA RAINHA
A entrevista Panorama foi longe demais para a Rainha.
MANTIDA NO ESCURO PELA PRINCESA QUE CONSIDERAVA UMA FILHA
F�RIA DO PAL�CIO POR ACORDO SECRETO DE TV
Obviamente, a Rainha estava zangada. E, obviamente, sentiu que era pessoal.
Analisando isso agora,
o que todos estavam a tentar fazer era claramente delirante.
E nesse sentido, a transmiss�o Panorama trouxe o del�rio ao fim.
ACHO QUE CARLOS NUNCA PODERIA SER REI
Aquele foi o momento em que a Diana teve de
come�ar a sair da realeza.
O PAL�CIO N�O PERDOAR�
Hoje a Rainha enviou uma carta ao filho Pr�ncipe Carlos...
A RAINHA EXIGE O DIV�RCIO
... e � sua esposa afastada, Diana...
DIANA FAZ UM ACORDO
... a pedir-lhes que se divorciem, r�pido.
DIV�RCIO HOJE
QUE TRISTE EXEMPLO PARA TODOS N�S
A RAINHA RETIRA O T�TULO A DIANA
Alegadamente, receber� 26 milh�es de d�lares.
Manter� os apartamentos no Pal�cio de Kensington.
E continuar� a ser conhecida como "Diana, Princesa de Gales".
A SUA HUMILHA��O REAL
Expulsaram-na como se fossem precisar de um mergulhador para a encontrar.
PRINCESA CONCORDA COM DIV�RCIO
Mas ningu�m ia brincar assim com a Diana.
FIM DO CONTO DE FADAS
DIANA: METO O CARLOS NUM BOLSO
DIVORCIADA, ENVIA UM SINAL PARA ATERRORIZAR A FAM�LIA REAL
A Diana usou o seu encanto e entendimento do poder da imagem...
DI DESLUMBRA CHICAGO
... e sim, este sistema enorme, em sua vantagem,
para recriar-se, das cinzas do seu casamento,
e tornar-se na princesa do povo.
Quero receber a convidada de honra,
Diana, Princesa de Gales.
DI LIVRE PARA ENCONTRAR AMOR
VIT�RIA DO DIV�RCIO DE DIANA
A Diana sabia que aparecer ia melhorar a sua imagem p�blica,
ia torn�-la mais popular do que j� era.
DI ESTEVE MUITO BEM!
O SEU FUTURO COME�A DI-V�RCIO!
Sim, estamos a descer a Gloucester Road.
A Di e os filhos.
Acho que parece o Harbor Club.
Voc�s, v�o para a relva, ali.
Podem ir para ali e dar-lhes algum espa�o?
Tradicionalmente, se n�o se � de sangue real,
n�o se � protegido quando
deixamos o �tero, por assim dizer.
E eu pensei: "Como � que ela vai sobreviver?"
Ela � agora um ex-membro da fam�lia real.
E a pol�cia decidiu que
ela n�o precisava de prote��o.
Tornou-se uma guerrilha. Foi quase como uma guerra.
Lembro-me de ela ter sido vista a ir a uma livraria.
Ela tinha conseguido despistar todos.
Mas um fot�grafo tinha-a visto.
Este fot�grafo ficou l�, literalmente...
E n�s pensamos:
ele deve perceber que
aquilo � horr�vel de se fazer.
Mesmo na cara dela, mesmo perto.
Era o que as pessoas queriam.
Estavam fartas das fotos falsas,
todas produzidas e belas.
Queriam ver a realidade.
Queriam v�-los nas suas atividades di�rias.
Era assim que �amos ver as celebridades
no futuro.
Sinto que, de certa forma, somos todos c�mplices,
porque se ningu�m comprasse essas revistas,
ou ningu�m abrisse essas fotos, eles n�o as vendiam, mas n�s compramos.
Todos o fazemos.
Eu estava farta daquilo.
E entendo que ela tamb�m.
Eu estava farta daquilo.
E pensei que j� n�o queria este trabalho.
N�o � bom. N�o � agrad�vel.
Uma das minhas colegas com quem eu viajava sempre,
estava sempre a dizer: "O que tens?
Porque n�o vens? Vais perder as minas terrestres.
Vais perder... Quem vai a Angola."
E eu disse: "N�o vou. N�o quero ir."
E naquele momento, senti um grande al�vio por me afastar.
Se senti isso, como acham que ela se sentiu?
Odiaria ter estado na posi��o dela.
Tudo o que ela fazia
era seguido e documentado.
E ela nunca estava fora da ribalta.
Mas tamb�m vi a forma como ela a usou.
M�OS CURATIVAS
O que se passa, Fran�ois, � que tenho o interesse da imprensa.
Sim.
Vamos lev�-los onde possam ser positivos e documentar uma situa��o,
que seja angustiante como esta. Sim?
Fui l� a pensar que n�o seria uma viagem s�ria.
E, na verdade, a viagem foi muito diferente.
Devido ao que fa�o, estava habituada a ver coisas assim.
Mas, mesmo assim, foi chocante.
Ela perdeu a crian�a?
Ela podia cheirar numa sala e sentir quem estava a sofrer mais,
quem estava mais deprimido ou suicida. Quem estava mais ferido...
PARCEIRO DE CARIDADE DE DIANA
E ela atra�a aquelas pessoas para si, como um �man.
Os amigos n�o a ajudam?
N�o a ajudam, pelo que sei.
Quem trabalhou com a Princesa, em 1997,
teve o privil�gio de a ver no seu melhor.
Isto � ela a mandar, a pegar no seu poder
e a us�-lo.
Ela fez a caminhada famosa pelo campo de minas.
Est�vamos todos a pensar se ela o ia fazer mesmo.
E ela estava a caminhar por um caminho.
Mas havia minas nos dois lados.
E, no final,
alguns jornalistas, a brincar,
estavam a dizer-lhe que n�o tinham fotos boas,
para ela repetir.
E ela repetiu.
Pensei que � enervante caminhar num campo de minas.
Ent�o, faz�-lo uma segunda vez...
Mas ela sabia o que aquelas fotos significariam.
Algumas pessoas n�o gostaram.
Houve cr�ticas por parte de alguns ministros do governo.
Um ministro disse que a senhora era um perigo � solta
por apoiar esta campanha.
Quer comentar?
S� estou a tentar abordar um problema que se passa
em todo o mundo, � s� isso.
Estou quase a desfazer-me em l�grimas.
N�o se preocupe com isso.
Quem sou... Quem disse que sou um perigo?
S� ESTOU A TENTAR AJUDAR
Ela queria chamar a aten��o,
n�o havia muito que o governo pudesse fazer.
Ela tinha muito mais aten��o do que qualquer ministro na Gr�-Bretanha.
DIANA, A DESAFIADORA
Tive o privil�gio de trabalhar com l�deres em todo o mundo.
Num vi esta luz carism�tica
a sair energicamente de algu�m.
E, na verdade, a mudar as coisas.
Quando fomos negociar a proibi��o de minas terrestres,
a imprensa estava l�,
e ajudou-nos a garantir que o tratado inclu�a provis�es para as v�timas.
Foi o 1� tratado de controlo de armas com provis�es humanit�rias.
Por causa da Princesa de Gales.
A MINHA CRUZADA DAS MINAS TERRESTRES, POR DIANA
E, dessa forma, ela pressagiou, at� certo ponto,
pessoas como o George Clooney, a Angelina Jolie,
talvez at� o Bono,
a mostrar como se podia usar a celebridade
e, desde que se soubesse onde estavam as c�maras, como atrair a aten��o,
e do que se falava,
podia fazer-se o bem.
MISS�O DE MISERIC�RDIA
Ela n�o se tornou famosa porque n�o havia do que falar.
Ela continuou a ser famosa porque ela era a Diana.
Agora ela era livre.
Agora, quem � o pr�ximo?
E essa � uma hist�ria �tima.
"Quem ficar� com a Diana?"
Antes era: "Quem ficar� com o Carlos?"
ALGUMA VEZ DESCOBRIR� O MARIDO N�MERO 2
Era muito dif�cil para a Diana namorar.
E, uma vez, ela disse-me: "Lana, quem me quereria?"
Onde quer que fosse, eles seguiam-na,
o que quer que ela fizesse, era muito dif�cil para ela.
A Diana apaixonou-se por um cirurgi�o paquistan�s chamado Hasnat Khan.
E eles tiveram um romance,
que foi muito discreto.
E ela sentia
que ele a compreendia.
REI DE COPAS DA DI PRINCESA DIZ: CIRURGI�O � INSPIRA��O
Ela admirava o seu trabalho humanit�rio,
ela desejava ser algu�m como o Hasnat Khan, que salvava vidas.
"RAINHA DE COPAS" E CIRURGI�O CARD�ACO
VISITAS AO HOSPITAL � MEIA-NOITE
Encontrar um parceiro que pudesse lidar com a Diana...
... AGORA SABEMOS PORQU�
... e tudo o que isso envolvia,
era uma empreitada
incrivelmente complicada,
e ela estava apaixonada pelo Dr. Khan.
Ele n�o gostava nada da ribalta.
DIANA E EU DOUTOR ATRAENTE
Isso n�o o atra�a
e, por isso, a rela��o n�o funcionou.
DI DEVASTADA AP�S M�DICO, COM QUEM ESPERAVA CASAR, A DEIXAR
Foi devastador para ela.
HASNAT PARTIU O CORA��O DELA
Quando Dodi Fayed surgiu na sua vida,
ela encontrou algu�m que gostava da ribalta
e n�o se importava de lidar com isso.
GLAMOROSO, APAIXONADO, SEDENTO DE ATEN��O
Tamb�m encontrou algu�m com meios financeiros para cuidar dela.
FEITOS UM PARA O OUTRO
Met�-la em avi�es privados e contratar a seguran�a necess�ria.
E comprar-lhe alguma privacidade.
De muitas formas, ela provavelmente viu-o
como o seu Aristotle Onassis.
Achei, principalmente no �ltimo ano,
que ela era uma mulher muito entusiasmante.
Mais relaxada e mais...
... sem o v�u por cima dela.
Estava feliz em seguir com a vida.
Acho que ela cresceu.
Achei que foi �timo ver algu�m florescer.
Ela tra�ou um plano
de como o futuro ia ser para ela, na vida.
N�o acho que a rela��o com Dodi fosse s�ria.
Acho que ela tamb�m estava a divertir-se muito.
Mas ela precisava da prote��o.
Os Fayeds eram capazes de fazer avan�ar a situa��o
e de cuidar dela, com a sua pr�pria seguran�a.
Mas acho que n�o poderiam estar preparados para a enormidade do interesse
na Princesa Diana e no filho deles.
UM HOMEM PARA DI
O que me chamou a aten��o neles
foi terem uma rela��o de seis semanas
que come�ou em meados de julho, de 1997.
E s� em in�cios de agosto
� que a imprensa descobriu
que o Dodi e a Diana tinham um romance.
E depois perseguiram-nos.
Estavam sempre em cima deles, tiravam todo o tipo de fotos deles,
a passar tempo juntos, em v�rios iates Fayed.
Estavam em alta-persegui��o, sete dias por semana,
porque era uma rela��o ex�tica.
O BEIJO
DODI VIAJA PARA COMPRAR ANEL DE NOIVADO A DIANA
Os ca�adores tamb�m vinham de fora. Tornou-se num frenesim
e isso foi uma pena.
Mas houve alturas em que as pessoas disseram
que, no iate, ela parecia provoc�-los.
Estiveram no Sul de Fran�a, na �ltima semana de agosto.
Por capricho, decidiram
ir passar a noite a Paris.
Os filhos da Diana, William e Harry, ainda estavam em Balmoral.
Por isso, ela ia voltar para uma casa vazia.
Ent�o, porque n�o?
Ligou para o escrit�rio, falou comigo e disse:
"Eu voltar � desperdi�ar tempo."
Eu disse: "Sem problema, minha senhora,
fico a postos, at� quando for preciso."
Naquela noite, a 30 de agosto,
em que o Dodi arranjou um plano para despistar os paparazzi,
os paparazzi foram mais espertos do que o Dodi,
e estavam � espera atr�s do Ritz.
N�o se pode proteger algu�m o tempo todo.
N�o se pode.
Nunca se sabe quando eles v�o aparecer.
Agentes de prote��o pr�xima s�o uma coisa,
mas paparazzi em motas muito r�pidas s�o outra coisa.
Era meia-noite e meia.
E recebo uma chamada a dizer que a Diana tinha tido um acidente.
A perguntar se podia apanhar o primeiro avi�o da manh�.
O telefone tocou e a minha esposa atendeu.
Era uma da manh�.
Era um dos pol�cias de Balmoral a telefonar.
Disse para pedir ao Colin para se levantar,
para se sentar na cama e me ouvir.
Ele disse: "Colin, a tua patroa est� ferida,
ela teve um acidente rodovi�rio."
E eu disse: "Muito obrigado, pode dizer-me quais s�o os ferimentos?"
Ele disse: "Acho que um bra�o, uma perna e outros cortes e contus�es."
Se lermos o caso, foi o que aconteceu. Achavam que ela estava ferida.
Este � um relat�rio especial da ABC News.
Boa noite, sou o Kevin Newman. Houve um acidente terr�vel,
envolvendo a Diana, Princesa de Gales, em Paris.
O pr�ximo telefonema foi do secret�rio privado: "Anda para c�."
Diz-se que est� nos cuidados intensivos...
Estavam a chegar relat�rios confusos.
O Dodi estava muito ferido.
A Diana estava numa m�quina de suporte de vida, ou assim.
N�o sabemos precisamente a condi��o dela.
Recebemos relat�rios a dizer que tem uma concuss�o.
Algures ap�s a meia-noite, hora local,
estiveram envolvidos em algum tipo de colis�o.
N�o sabemos com o qu� ou... mas sabemos qual foi a consequ�ncia.
O carro capotou, ficou virado ao contr�rio.
A especula��o cresce sobre serem not�cias sinistras.
Cerca de uma hora depois, o escrit�rio ligou e disse:
"Fret�mos um avi�o em Heathrow, vai j� para l�."
E literalmente deixei a minha mulher em casa, peguei nas c�maras...
Acho que eram tr�s horas, tr�s e meia,
o Michael Gibbons estava � nossa frente e disse:
"Ela morreu,"
assim.
Ela morreu.
Como assim, morreu?
Este tipo na televis�o, atr�s de si,
diz-nos que ela est� ferida.
Diana, Princesa de Gales, ficou gravemente ferida num acidente, em Paris.
Estou preocupado com a falta...
com a falta de not�cias
ou falta de uma declara��o.
Perguntamo-nos se nos est�o a dizer a verdade toda.
Stephen, tenho de interromper,
porque nos �ltimos momentos
a Press Association na Gr�-Bretanha, citando fontes brit�nicas an�nimas,
informou que a Diana, Princesa de Gales, morreu.
Isto ainda n�o foi confirmado por nenhuma fonte oficial.
A primeira coisa que ele disse: "Certo, Colin,
vais a Paris e representas-me?"
E a minha esposa, generosamente, conseguiu arranjar
dois lugares no primeiro avi�o.
Que estava cheio de imprensa, completamente cheio.
O agente da Princesa de Gales que estava a viajar para Paris
teve de sentar-se num assento da tripula��o, � frente.
Estava a abarrotar.
Ao aterrar em Paris, o escrit�rio ligou e disseram que ela tinha morrido.
Quatro e meia, lembro-me de aterrar no Aeroporto em Le Bourget.
O telefone tocou e havia mais membros da imprensa no avi�o.
Eu disse: "A Diana morreu."
HOSPITAL UNIVERSIT�RIO
Entrei no hospital e estava...
... ca�tico, mesmo.
Estavam l� muitas pessoas.
Percorri o corredor at� ao quarto em que a Princesa estava.
Ela estava numa cama,
com len��is normais,
coberta at� aqui.
Uma janela enorme � esquerda.
E pude ver, muito rapidamente, que estavam pessoas no telhado,
a uma grande dist�ncia.
E podiam ainda n�o ter localizado o quarto em que est�vamos.
Entretanto, estava a discutir p�r len��is nas janelas,
o que fizemos.
Para a imprensa n�o ver.
Eu vivia na �frica do Sul, na altura, e os meus quatro filhos viviam comigo.
Eram muito novos.
Eu disse-lhes: "Lamento, a tia Diana morreu."
A Eliza, lembro-me de olhar para mim com o seu sorriso e dizer:
"Mas n�o na vida real, pap�."
Ela achava que era uma hist�ria terr�vel que devia ser um conto, ou assim.
E isso foi
muito triste, sim.
O Pr�ncipe veio ter comigo e disse:
"Colin, obrigado por teres vindo e pelo que fizeste.
Vais voltar no avi�o."
E sempre me lembrarei...
... da Lady Sarah McCorquodale,
a dizer: "Acho que teremos um funeral privado sossegado, Colin."
N�o sei se j� estiveram numa rua com tanta gente que n�o se podem mexer,
mas quando sa�mos do aeroporto e vir�mos � esquerda,
que � a A40 para Londres,
n�o havia carros,
havia pessoas,
pessoas em cima de pessoas, o caminho todo.
Provavelmente eram seis a oito quil�metros.
Fiquei t�o chocado que voltei para a cama,
e voltei a ficar em estado de coma. N�o consegui lidar com aquilo.
Voltei para a cama, entorpecido.
Eu estava gr�vida de seis meses, da minha filha.
Senti que o meu cora��o tinha sido arrancado.
Uma descren�a de que algo t�o horr�vel lhe pudesse acontecer.
Foi um choque, literalmente, foi um choque.
Uma perda muito triste.
� uma trag�dia.
Vamos sentir muito a falta dela. Nem sequer percebemos, at� ter acontecido.
Como � que isto pode acontecer, estamos a meio da hist�ria?
Era algu�m que tinha sido arrancada no auge da sua vida,
quando pens�mos que ela ia para um lugar mais feliz.
Ela era a mulher mais famosa do mundo e foi assassinada aos 36 anos,
num acidente de carro, perseguida por uma horda de paparazzi, num t�nel,
com um motorista b�bado ao volante.
E ia sem cinto.
O que poderia ter feito, pensamos sempre,
meu Deus, quem me dera ter podido proteg�-la...
Foi devastador.
S� lhe deram meia vida.
A PRINCESA EST� MORTA
Acho que est�vamos todos juntos de luto.
A natureza tr�gica da implos�o daquele conto de fadas.
O presidente russo, Boris Yeltsin,
disse que a Princesa Diana era conhecida e amada pelos russos.
Fiquei muito impressionado com ela.
Deixem-me repetir,
eu e a Hillary estamos muito tristes com o acidente horr�vel,
que tirou a vida � Princesa Diana.
N�o � altura para recrimina��o, mas para tristeza.
No entanto, diria que sempre acreditei que a imprensa acabaria por mat�-la.
Mas nem eu podia imaginar que teriam influ�ncia direta na morte dela,
como parece ser o caso.
Fiquei furioso, n�o fiquei s� zangado.
Fotografei o caix�o a sair
e entrei num t�xi para voltar ao hotel, para processar o filme.
O t�xi n�o me levava. Disse: "� um assassino."
PAPARAZZI ASSASSINOS
Nesta altura, j� se sabia que os paparazzi perseguiam o carro,
e todos pensaram que foi esse o motivo para ela ter morrido.
Pensei que tinha dito: "� assim que isto acaba."
Esta hist�ria terr�vel
de manipula��o e crueldade nojenta.
Fez um sentido terr�vel, teria sempre de ser assim.
Algo de terr�vel aconteceria devido a esta
fome absoluta e intermin�vel
por mais da Diana.
Foram voc�s que a mataram.
Foram voc�s, imprensa, que a mataram.
Voc�s s�o o lixo.
Ela est� morta por vossa causa, dos fot�grafos.
Horr�vel.
Porque � que os paparazzi os perseguiam? Se n�o houvesse dinheiro nas fotos,
n�o estariam a persegui-la no t�nel.
O que aconteceu em Fran�a foi imperdo�vel.
E terrivelmente triste.
Tiraram-lhe a vida.
Desculpem.
Culpo o jornal The Sun e os da sua laia.
Mataram a Diana.
DIANA MORTA
Como ela foi perseguida no t�nel por fot�grafos, n�s, na imprensa,
tivemos um sentido absoluto de responsabilidade pela morte dela.
O DIA QUE NUNCA ESQUECEREMOS
Foi um momento de introspe��o.
Sem d�vida. Ainda �.
DIANA MORTA
PRINCESA E DODI MORTOS EM ACIDENTE
Estou em Hyde Park, com milh�es de pessoas.
Sim, a culpa � um pouco nossa, pois compramos os vossos jornais, ent�o...
Mas � uma trag�dia.
DIANA, PRINCESA DE GALES
NASCEU: 1 DE JULHO DE 1961 MORREU: 31 DE AGOSTO DE 1997
Ol�, obrigado por terem vindo.
A Princesa Di morreu.
E a quem devemos pedir justifica��es?
O motorista do carro? Os paparazzi?
Ou as revistas e os jornais que compram estas fotografias
e tornam os fot�grafos em ca�adores de pr�mios?
ONDA DE REPUGN�NCIA EM RELA��O A T�CNICAS DE TABLOIDE
Quando h� um choque, queremos culpar algu�m.
E os jornais estavam aterrorizados.
� HOMIC�DIO?
ESQUADR�O DO TERROR DET�M 7 PAPARAZZI PARA INTERROGAT�RIO
Acredito que houve uma press�o calculada
dos jornais tabloides para redirecionar a f�ria p�blica
para longe deles e em dire��o � monarquia.
EDITORES DE TABLOIDE BARRADOS DA ABADIA
A principal atitude era que n�o �ramos n�s, a culpa n�o era nossa,
o motorista estava b�bado e a culpa era toda dele.
Perceberam rapidamente que � sempre melhor atacar do que defender,
em termos da forma como os jornais se organizam.
O SEU POVO EST� A SOFRER FALE CONNOSCO, MINHA SENHORA
Foram os primeiros a destacar que a Rainha tinha sido lenta
a reagir numa forma que acharam ser apropriada.
O DEVER REAL, USAR UMA CARA CORAJOSA
Acho que houve um elemento de...
... da imprensa divergir a aten��o sobre si, de forma deliberada.
PODE CULPAR-SE O PR�NCIPE CARLOS?
Mas o comportamento da Fam�lia Real
n�o ajudou.
Acho que a nossa Rainha devia estar em Londres, com o povo.
� a na��o dela
e eles deviam saber como o povo se sente em rela��o a Diana.
E um dia, dois dias, tr�s dias,
passaram-se dias e n�o houve uma palavra da Fam�lia Real.
Foi surpreendente.
Acho que a trataram de forma terr�vel. Um aut�ntico choque.
S�o as pessoas mais frias do mundo.
O mundo queria que a Rainha e a Fam�lia Real
viesse para Londres.
Havia uma sensa��o estranha de que...
... a Rainha podia agir como algum tipo de b�lsamo...
O VOSSO POVO FALOU, AGORA DEVE FALAR, MINHA SENHORA
... a m�e consoladora, que se ela estivesse em Londres,
todos se sentiriam melhor.
PORQUE � QUE A FAM�LIA REAL N�O PODE MOSTRAR A SUA DOR?
Muitas pessoas esperaram esta semana
com uma enorme antecipa��o para que a Fam�lia Real se envolvesse,
e a Rainha voltou ontem.
Esta fam�lia que estava em luto e em choque,
foi obrigada a dar um espet�culo em p�blico,
para salvar-se.
4 DE SETEMBRO DE 1997
Esta semana, em Balmoral, temos tentado ajudar o William e o Harry
a aceitar a perda devastadora
que eles e n�s sofremos.
Quando o ouvimos, percebemos subitamente
que esta mulher n�o � apenas uma Rainha.
Ela � a av� daqueles rapazes.
Estavam preocupados com pessoas a gritar, a falar mal.
E, na verdade, aconteceu o oposto.
A crian�a ofereceu flores.
Aquele � um dos minutos em que a humanidade se torna verdadeira.
Porque n�o foi ensaiado
e ela pensou genuinamente...
Desculpem, estou a ficar comovido.
... que as flores estavam a ser-lhe dadas,
para as pousar para a Diana.
Ela perguntou: "Devo...
Queres que ponha as flores � Diana?"
E a menina disse: "N�o, s�o para si."
E...
... acho que...
Acho que � o momento, tal como podem ver...
... pela minha rea��o...
Foi o momento em que tudo mudou.
Estar aqui, na Abadia de Westminster, � uma experi�ncia extraordin�ria.
Atr�s de mim est�o milhares de pessoas.
Come�aram a chegar ontem e algumas at� no dia anterior.
Acho que, como fam�lia, quer�amos reclam�-la e dar-lhe paz.
Ent�o... Esper�vamos um funeral pequeno aqui, para come�ar.
Mas depois tornou-se claro que isso n�o era apropriado, porque
as pessoas tinham o direito de se despedirem.
Lembro-me de as pessoas programarem os despertadores para a verem casar.
A morte dela foi
n�o apenas um evento enorme, como o casamento tinha sido,
foi... uma grande trag�dia.
As pessoas tocavam-me, agarravam-se a mim...
Porque a conhecia e lhe tinha tocado pessoalmente.
Achavam que teriam um pouco dela, tocando em mim.
Foi assim poderoso.
O centro de Londres era como um cemit�rio. N�o havia tr�nsito, nada.
Tirando as pessoas que iam para o funeral. N�o havia nada.
Era como se tivesse havido uma explos�o nuclear.
O que, de certa forma, tinha havido.
Mesmo em frente ao Pal�cio de Buckingham, a Rainha baixa a cabe�a.
MAM�
No funeral dela, senti que tinha o dever de lembrar
as pessoas que ela teve de aturar muito lixo dos jornais.
E elas n�o gostaram de o ouvir,
mas tinham de o ouvir.
Acho que ela nunca compreendeu porque � que as suas boas inten��es
eram ridicularizadas pela imprensa.
Porque parecia haver uma luta permanente para a destruir.
� desconcertante.
� um ponto para recordar,
que entre todas as ironias sobre a Diana,
talvez esta tenha sido a maior.
Uma rapariga com o nome da deusa antiga da ca�a,
foi, no final,
a pessoa mais ca�ada da era moderna.
A coisa que mais me impressionou,
e que nunca esquecerei,
foi quando o Spencer discursou sobre a Diana,
que foi incrivelmente certeiro,
sem se alongar nem exagerar.
S� factos.
E, subitamente... Vou desatar a chorar.
Acima de tudo, agradecemos a vida de uma mulher.
Tenho muito orgulho em poder cham�-la de irm�.
A �nica,
a complexa,
a extraordin�ria e insubstitu�vel, Diana,
cuja beleza, tanto interna como externa,
nunca desaparecer� das nossas mentes.
Podia ouvir-se um alfinete a cair, enquanto ele falava.
Depois, o que ouvi...
... foi a chuva ou as flores do outono no ch�o.
Tal como agora sabemos, foi um aplauso a come�ar nos parques e nas ruas.
E apesar daquele aplauso se aproximar cada vez mais,
e literalmente come�ou no topo final da abadia,
e atravessou a congrega��o.
Noventa e nove por cento das pessoas l�, incluindo os filhos, aplaudiram.
E foi o momento mais fant�stico, foi mesmo,
aquele som � algo que nunca esquecerei.
De longe, a parte mais dif�cil do dia n�o foi discursar,
mas foi caminhar atr�s do caix�o da minha irm�, com os filhos dela.
Particularmente, naqueles dias, o Harry era pequenino
e eu estava muito preocupado.
Que trauma que � uma crian�a caminhar atr�s do corpo da m�e.
� horr�vel.
E pensei, meu Deus, espero que consigam ultrapassar isto.
E fiquei espantado por se terem portado t�o bem. Foi mesmo incr�vel.
Ela foi uma v�tima das circunst�ncias.
Mas a hist�ria da Diana n�o � sobre vitimiza��o.
� sobre reden��o.
A Diana foi pioneira em termos de ensinar a usar o seu perfil
para tornar o mundo num lugar melhor.
E, assim, espero que compreendam porque quis fazer a minha parte
para trabalhar na dire��o de uma proibi��o mundial destas armas.
No Diana Award, referimo-nos a ela como uma perturbadora positiva.
Ela perturbou sistemas de forma positiva.
Ela fez-nos pensar fora da caixa.
Quando a Princesa Diana morreu, perdemos muito mais que um �cone da moda.
Perdemos uma lutadora incans�vel
pelos desfavorecidos,
pelos fracos, pelas pessoas que n�o tinham voz.
E a morte dela deixou um buraco enorme na sociedade.
ADEUS, DIANA
Penso nos pais
que nesta noite est�o de volta de uma cama de hospital.
Os dois pr�ncipes est�o muito melhor equipados como resultado do que ela
era e de como ela era,
do que estariam se tivessem um rato como m�e.
Este ver�o marca os 20 anos desde a morte da nossa m�e.
Desde ajudar a destruir o estigma da SIDA,
a lutar para banir as minas terrestres e apoiar os sem-abrigo,
ela tocou as vidas de milh�es.
Nunca saberemos o que a nossa m�e continuaria a fazer,
mas, de certa forma, eu e o Harry
sentimos que a nossa m�e vive nos atos incont�veis
de compaix�o e coragem
que ela inspira nos outros.
Acho que a Diana sabia que estava a criar um futuro rei.
Mas acho que o que ela queria fazer
era ter, antes de um rei,
uma pessoa baseada em amor, afeto
e no mundo real.
E esse � o seu principal legado.
O que perdemos com a morte da Princesa Diana foi uma mulher bela,
uma princesa bela, que era uma m�e maravilhosa.
Quem sabe o que a vida dela a levaria a fazer?
Mas ela deixou dois filhos extraordin�rios
e um legado incr�vel,
que vai viver para sempre.
E adoro ver a forma descomplicada
com que lidam com as pessoas e as deixam confort�veis.
� t�o f�cil ligar os pontos entre eles e a m�e deles.
Algures no mundo, agora, um pai faz a pior das escolhas:
arriscar cultivar um campo minado ou deixar a sua fam�lia passar fome.
Isso n�o � nenhuma escolha.
Ela foi a maior estrela e depois a estrela apagou-se.
E agora, quando olhamos para o William e o Henry,
vemo-los com uma sensa��o nova.
Eles n�o eram apenas a Fam�lia Real,
eram meninos que perderam a m�e.
E acho que isso nunca mudou.
O que � fant�stico para mim � que a passagem do tempo,
agora o William e a Catherine
t�m quase a idade que a Diana tinha quando morreu.
Uma das grandes trag�dias, claro,
� que a Diana teria sido a melhor av� de sempre.
Est�s a gostar?
Adoro o facto de ainda existir muita venera��o na sua fam�lia,
pelo que ela era e o que significava, e acho isso fant�stico.
PRINCESA KATE SEGUIR OS PASSOS DE DIANA
Aquele brilho que a Princesa Diana trouxe � monarquia
ainda l� est� hoje.
Como feminista, acredito que o legado da Diana
para as mulheres, e para o mundo em geral,
� ela ter-se tornado
na escritora da sua pr�pria hist�ria.
Que tenha come�ado como...
... uma folha ao vento,
sem dire��o, a fazer o que se esperava dela.
E depois, simplesmente, tenha sido um reator,
reagindo a coisas sem vis�o clara de quem era,
do que queria fazer ou ser.
E atrav�s de uma jornada pessoal longa e dolorosa,
que a levou a alguns s�tios escuros,
ela tenha chegado ao outro lado e se tenha tornado numa mulher
confiante, direcionada, controlada,
que tinha ag�ncia, autonomia e autoridade.
Essas tr�s coisas que todas as mulheres modernas precisam e ela conseguiu ter.
Nunca poder� haver outra Diana.
Ela representou um momento no tempo em que o mundo mudou.
Ela foi um novo tipo de realeza.
Se todos fizermos a nossa parte
para que os nossos filhos se sintam valorizados,
o resultado ser� tremendo.
Sair e fazer aquelas coisas todas contra as probabilidades,
tornou-a num centro de poder que nunca ser� esquecido.
Por quanto as vende?
Essa vai por 3,40 euros.
- S� isso? - Sim.
Vamos ter princesas, celebridades, realeza,
mas nunca haver� ningu�m como ela.
Quantas vezes faz o exame para ver se o tumor est� a encolher?
Ela � �nica.
Ela � uma das mulheres mais importantes do s�culo XX.
Um dos motivos para querer falar agora
� porque, ap�s 20 anos,
uma pessoa passa de pessoa contempor�nea a hist�rica.
E a Diana merece um lugar na hist�ria.
� importante que as pessoas com menos de 35 anos,
que, provavelmente, n�o se lembram dela,
saibam que foi uma pessoa especial, e n�o s� bonita.
FILHOS DE DIANA COMO A SUA MORTE OS MOLDOU
Legendas: Ana Braga
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