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"A VINGAN�A DOS PIRATAS"
H� menos de 250 anos...
os �ltimos piratas ainda vagavam pelos sete mares.
Esta � a hist�ria de um pirata que aterrorizou dos mercadores...
do Caribe �s lojas de Londres.
Royal Charles, 300 toneladas, John Haislip, mestre.
Tomado e queimado em Barbados pelo capit�o Providence.
Todos dados como mortos.
Sea Lady, 250 toneladas, Edward Parrott, mestre.
Tomado nas Carolinas pelo capit�o Providence.
�s armas!
Hasteiem a bandeira e estejam prontos!
� Sheba Queen. Preparem para repelir o ataque!
Preparem as armas! Fogo!
Miseric�rdia! Miseric�rdia! Arriei a bandeira.
- Cuidou de todos os feridos, doutor? - S� falta voc�, capit�o.
Tire o casaco.
Uma boa pilhagem. Vai manter estes porcos em rum e mulheres por um ano.
Alguns foram dormir com tubar�es. Temos doze mortos.
- Sobra mais para os vivos. - Sentiremos falta do imediato.
Sorte que n�o acertou nenhuma veia.
- � s� um arranh�o. - Vai ficar uma cicatriz.
Tenho muitas cicatrizes dos ingleses.
- Essa vai estragar sua beleza. - Guarde isso para as mulheres.
- D�i? - N�o.
Demonstrar dor � natural. Todos nascemos com essa capacidade.
Eu escolhi n�o demonstrar.
Nem pena.
- Acabou? - Sim.
Vamos para o conv�s. O que voc� vir pode endurecer sua alma.
S� o rum consegue fazer isso, querida.
Esse � o perd�o dos bucaneiros?
Aprendi a perdoar com os ingleses, capit�o.
Arriei minha bandeira imaginando que receberia miseric�rdia.
Meu irm�o tamb�m fez isso quando foi subjugado.
E voc�s ingleses demonstraram miseric�rdia? N�o.
Acorrentaram-no no cais em Port Royal...
onde os podres das �ndias cuspiram em sua cara.
N�o sei nada sobre seu irm�o.
N�o � o primeiro ingl�s a saber sobre ele.
Se tem �ltimas palavras, capit�o, diga agora.
Se era um pirata, mereceu o fim que teve, como voc� merecer� o seu.
- Deus salve o rei! - Pelas veias em seu nariz...
vejo que brindou seu rei com muito vinho.
Agora, brinde-o com �gua salgada.
Vamos, tragam-no aqui!
Por que ele est� acorrentado?
N�s o encontramos assim no por�o do navio mercante.
Um prisioneiro dos ingleses? Ent�o, n�o � amigo deles. Tragam-no aqui.
- Seu nome? - Pierre Fran�ois.
Est� em vantagem agora.
- Sou capit�o Providence. - Voc� �.
- Enchant�, mademoiselle. - Meu t�tulo � capit�o.
Enchant�, capit�o.
O que estava fazendo a bordo do navio ingl�s?
Era convidado deles, capit�o. Estavam me levando para julgamento.
- Qual o seu crime? - Capturei muitos navios deles.
Voc� se atreve a se intitular bucaneiro?
N�o se exalte, capit�o. S� um cors�rio.
Cors�rio!
Um bucaneiro que n�o tem coragem de se chamar pelo nome real.
- Qual era seu navio? - O Molly O'Brien.
- � um nome irland�s. - Os irlandeses, como n�s franceses...
n�o t�m por que gostar dos ingleses.
- Conhece esse navio? - Sim, capit�o. J� ouvi falar.
� um navio-cors�rio, com registro em Bordeaux.
Com ordens de atacar os navios ingleses.
- Quem deu esse nome? - Eu.
Entre os franceses, os servos d�o nome aos navios?
Era propriet�rio e mestre.
- Barrig�o! - Espere!
Estou interrogando. Ele tem raz�o. Voc� se entope como um porco.
Disse que era o mestre. Voc� � marinheiro?
- Sei navegar. - Preciso de um imediato.
- Mas, capit�o? - Tem coragem para unir-se a n�s?
N�o h� muita diferen�a entre cors�rio e um bucaneiro honesto.
- N�o sabemos nada sobre ele. - Acalme-se, Barrig�o.
Ent�o, senhor?
Devo escolher entre unir-me a voc�s ou andar na prancha?
- Isso. - N�o � dif�cil escolher.
- Gosto da vida. - Fa�a-o assinar o contrato.
Uma parcela de todas as pr�ximas pilhagens.
Tudo bem, capit�o.
Fiquem todos prontos.
Lembro-me bem do Molly O'Brien.
Os ingleses capturaram h� mais de um ano.
Por que esperariam tanto para julgar o capit�o?
Deixem-no ir!
� meu! Meu.
� meu. D� para mim!
Dois c�es ingleses que latir�o quando mandar.
Voc�, doutor.
Duvido que tenha algo a� que me interesse.
- Um livro. S� isso? - H� magia nos livros.
H� mais magia em um canh�o. Um livro afunda um navio?
Livros afundaram os mais poderosos navios.
Destru�ram ex�rcitos, at� derrubaram imp�rios.
Francesinho. O que voc� quer?
- N�o pensei em pegar nada. - � um de n�s agora. Venha.
Ou�a isso.
"O que um homem lucra...
ao conquistar o mundo e perder sua pr�pria alma?"
Francesinho, escolha entre estas tralhas.
Escolho isso.
O vestido? Vai us�-lo?
Dificilmente, mademoiselle, capit�o.
- Tem uma mulher? - Eu sou franc�s.
Fico com a espada.
N�o para mim, para o capit�o Teach.
Barba-Negra. Conhece, Francesinho?
Todos ouviram falar no Barba-Negra.
- N�o o conhe�o. - O maior pirata entre todos.
Pegue o rumo de Nassau. Precisamos de suprimentos, e ele est� l�.
Certo, capit�o.
�NCORA NEGRA
N�o peguei!
N�o peguei!
Nobres damas e capit�es, os lutadores.
A�, seus esfreg�es podres. Mil moedas de prata no urso.
- Quem d� mais? - Aqui est�o cem.
- Eu cubro. - Duzentos no homem.
Entrem os lutadores!
Limpem o conv�s.
Venha. Lute com ele.
Vamos, pegue-o.
Venha, ele est� aqui.
- Voc� n�o vem, Francesinho? - Se me der licen�a, capit�o...
tenho neg�cios a tratar aqui em Nassau.
Nada pode ser mais importante que conhecer o Barba-Negra.
- Est� com medo? - N�o.
Ent�o, n�o tenha medo. Est� sob minha prote��o.
- Pare a�, seu porco! - O homem teria ganhado!
Annie! Annie, mo�a!
Annie, mo�a. Annie! Que bons ventos a trazem?
Esperava encontr�-lo, sua velha �guia do mar.
Voc� me achou entre gaivotas e pardais...
estes marujos idiotas que se acham piratas.
Voc� � como o vento de nordeste depois da calmaria.
Dougal, balde de gordura escoc�s! Jogue �ncora!
Jogue �ncora tamb�m!
Voc� � a mo�a perfeita para um escoc�s.
- Quem � esse? - Meu novo marinheiro, Pierre Fran�ois.
- Um cors�rio que virou honesto. - Bem-vindo � nossa companhia.
Fran�ois? N�o nos conhecemos antes?
Passei por muitos portos, senhor.
Mas seria dif�cil esquecer o grande capit�o Teach.
Algu�m parecido, talvez. E n�o gosto de elogios.
Doutor, ainda bebendo o verniz do navio?
Bem a�, seu porco gordo.
A caminho de um falc�o dos mares. Mo�a, o que tem feito?
Seis navios mercantes ingleses no m�s passado.
Mais seis almas no inferno pela alma de meu irm�o.
Voc� varreu o mar. Estou orgulhoso.
Voc� que me ensinou o que sei. Em retribui��o...
trouxe uma lembran�a de minha �ltima pilhagem.
N�o precisava, mo�a. Ver voc� j� � suficiente.
Boa l�mina. Experimente.
Balan�a bem. Quem vai experimentar comigo?
Seus gordos in�teis.
- Est� vendo? Frangotes, todos eles. - Estou aqui.
Voc�, mo�a? Por que cortaria voc�?
Quem disse que consegue? Experimente.
Est� bem, capit�o. Capit�o Rackham, d� sua espada.
Capit�o, quando me colocou a bordo do Sheba Queen...
era para garantir que a menina n�o se machucasse.
- Sim. - N�o confio neste franc�s.
Corte as asas dele, jogue-o para fora.
Jogaria, mas ela o colocou sob sua prote��o.
Medo de mulher?
Dessa mulher, ensinada por voc�, sim.
- Pronto? - Pronto, capit�o.
Investigue-o. N�o posso fazer isso, pois partiremos na mar� alta de manh�.
Descubra de onde veio, seu registro e de quem recebe ordens.
Verei isso. Pronto!
Preso! Preso pelo pesco�o por uma garota.
Barba-Negra, seu falastr�o. Poderia ter acabado comigo.
Annie, mo�a.
Rum para todos. Vamos comemorar a queda de Barba-Negra.
Viram, Dougal, Francesinho? Onde est� ele?
Deve ter sa�do durante a luta.
Annie! Venha, mo�a!
- Espere a�, her�i. - Tire as m�os de mim!
Calma! Calma! Mas � melhor sumir com esse sorrisinho.
O que quer?
Se tivesse que se entender s� comigo, poderia se considerar sortudo.
O capit�o quer que v� a sua cabine.
Aqui est� ele, capit�o.
Onde esteve?
Disse que tinha neg�cios em Nassau.
Que neg�cios?
- Meus. - Mulher?
- Por isso, escolheu o vestido? - N�o, o vestido est� em minha arca.
- Talvez seja um espi�o. - Pode pensar isso se quiser.
- Cuidado. Pode disparar. - Acidentalmente n�o. Ainda est� vivo...
s� porque n�o quero sujar o ch�o da cabine de sangue.
N�o acho que seja espi�o. N�o sabe nada dos meus planos.
Quanto a meu paradeiro, toda Nassau sabe que estou aqui.
Quem quer que tenha ido encontrar, n�o foi falar sobre mim.
Foi algo mais.
Ent�o, Francesinho?
Sr. Dougal?
- Prenda-o como quando o achamos. - No costado seria melhor.
N�o, se ele tem um segredo, quero saber o que �.
Certo, capit�o. Aqui, filho.
- Valeu a pena esperar. - Mande o vigia abrir a vela de mezena.
Vamos partir com a mar� alta.
Certo, capit�o.
- Como est� indo? - A tr�s n�s, capit�o.
S� tr�s n�s, com esse vento? Est� cheia de craca.
Carregada demais se encontrarmos algu�m para combater.
Devemos atracar e limpar, antes que vire uma barca�a.
Mude o rumo para Ilha Inagua.
Ajuste o rumo. Tr�s para sudoeste, a oeste a meio-oeste.
Se bater mais um pouco, ele ser� um homem morto.
Devo chorar como uma mulher?
N�o, voc� n�o faz nada como mulher.
Mas acho que posso mostrar uma boa raz�o para ele viver.
Uma raz�o de bucaneiro, por assim dizer.
Basta. Solte-o e leve-o para baixo.
Para minha cabine.
Vasculhei a cabine dele, como pediu.
Minha primeira vez como lar�pio.
- J� cometi todos os crimes. - Pare de enrolar e fale.
Encontrei isso escondido no colch�o.
- Um mapa. - Metade de um mapa.
Foi cortado ao meio. Viu? H� algo escrito nele.
O vento est� em meus olhos.
Desculpe, querida. Esqueci que n�o sabe ler.
Leio um mapa pelo formato da costa.
� s� o que preciso. O que diz?
A palavra � "tesouro". � uma trilha.
sul quarta a leste, tr�s quartos a leste.
A partir de um ponto na outra metade.
H� uma palavra aqui, meio apagada.
Um M, um O e pode ser um B ou um R.
"Mob" ou "Mor".
- Pode ser Morgan? - Morgan. Sim, Morgan e tesouro.
Capit�o Henry Morgan!
Quando tomou a Cidade do Panam�, exigiu um resgate do rei.
Nem tudo foi encontrado. Posso contar hist�rias.
Que costa � essa?
O nome n�o est� escrito.
Venha comigo.
Desculpe-me por n�o me levantar.
Onde o tesouro de Morgan est� enterrado?
Como sabe a respeito?
Fale, Francesinho, se ainda gosta da vida.
Comprei h� cinco anos...
de um estalajadeiro na zona portu�ria de Bordeaux...
que encontrou no corpo de um h�spede.
D�-me isso.
Aqui.
Ande.
Vim para as �ndias com uma ideia.
Encontrar o resto do mapa.
- N�o tive sorte. - Continue.
- Por que confiar em voc�? - N�o h� outra alternativa.
O que voc� sabe, posso descobrir.
Mas poupar� tempo se formos parceiros.
Sen�o cortarei seu pesco�o e buscarei o tesouro sozinha.
Parceiros iguais. D� sua palavra?
Minha e de minha tripula��o. Em nome...
da barba do capit�o Teach.
- Am�m. - Continue.
Um homem em Porto Bello me falou de um portugu�s em Nassau...
de confian�a de Henry Morgan.
Estava em busca dele, quando fui pego pelos ingleses.
- E ele tinha a outra metade? - N�o, mas ele me disse quem tem.
Quem, Pierre? Quem?
Um caribenho, chamado Pedro Mendoza...
mora em Port Royal, na Jamaica.
- Port Royal. - A cova do le�o.
Quartel-general do Esquadr�o Caribenho Ingl�s.
Ele pode estar mentindo?
Eu juro que � aut�ntico.
O pergaminho � bem antigo.
� dif�cil falsificar a tinta apagada.
E o tesouro � o resgate do rei.
N�o � de espantar que n�o quisesse dividi-lo.
Cuide dele, doutor.
Que fique saud�vel de novo.
Vamos para Port Royal?
Depois de limparmos.
Se vou passar com o Sheba Queen debaixo das armas dos ingleses...
� preciso um casco limpo.
Capit�o.
Ent�o?
Tem o mapa. Sabe o que ele sabe.
- Por que n�o corta o pesco�o dele? - Dei-lhe minha palavra.
Enquanto o navio est� desprotegido, se algu�m aparecer...
o canh�o abrir� caminho pelo recife.
- � um belo truque. - Barba-Negra me ensinou.
Mas h� pouca chance de sermos surpreendidos.
S� eu e ele conhecemos esta enseada.
Parece que o Barba-Negra lhe ensinou tudo.
H� quanto tempo o conhece?
Desde que n�o sabia limpar meu nariz sozinha.
Ele foi pai, m�e, professor para n�s, eu e meu irm�o.
- O irm�o que os ingleses... - N�o tive outros, nem irm�.
Era meu meio-irm�o. Sangue espanhol dos dois lados.
E voc�?
Meu pai era ingl�s, � o que dizem.
Chamava Providence?
Minha m�e nunca disse o nome dele.
Ela morreu quando eu era crian�a. Eu era chamada de Anne Providence...
porque nasci na ilha de New Providence, perto de Nassau.
N�o tenho outro nome.
Mas fez seu pr�prio nome, � temido pelas �ndias.
Algum dia, far� com que tremam em Londres.
- J� faz. - O qu�?
- O que sabe a respeito? - Conversas que ouvi em Port Royal.
Charleston, Nova York.
- J� viajou muito pelo mundo? - O que h� para ver.
- Onde nasceu? - Em Paris.
Sempre pensei nisso, Paris.
Dizem que as casas s�o como o mar.
Para onde voc� olha, s� h� casas.
- N�o � limpo como o mar. - Mas � bonito.
- Qualquer parisiense dir� o mesmo. - Ent�o, me diga.
- Melhor, leve-me l�. - Agora?
Depois de pegarmos o tesouro. Vamos juntos, como parceiros.
Mas ririam de mim, os aristocratas.
- N�o do capit�o Providence. - Um peixe em terra.
Para quem voc� escolheu o vestido?
- Ningu�m. - Ningu�m?
Talvez uma mulher que esperava conhecer um dia.
Continuem raspando e cal�ando, e trabalhem � noite.
Certo, capit�o.
Boa tarde.
- Por que n�o est� trabalhando? - Dougal est� l�.
Posso ajudar, capit�o?
Ajude com estes n�s.
- N�o consigo prender. - Certo, capit�o.
V� devagar. Acha que sou feita de ferro?
Uma mo�a que segue a moda faz isso todos os dias.
Deixe-me ver. A� est�.
� um corpinho de pil�o.
As mulheres s�o loucas. Como se mexem presas assim?
N�o se mexem.
Esperam que os homens se mexam.
- Bem melhor. - Os homens gostam disso?
Qualquer homem seria tolo se n�o gostasse.
Por qu�?
� a natureza dos homens.
Quer dizer que um homem v� uma mulher assim...
e quer fazer amor com ela?
Sim.
Como?
Claro que voc�.
Voc� os viu em Nassau.
Aqueles piolhentos. Pegam mulheres como se fossem rum, de barril.
Como um franc�s faz amor, um cavalheiro?
Capit�o! Capit�o!
Capit�o, eu.
O que h�, Sr. Dougal?
Um navio vem vindo em dire��o � ilha.
Um navio!
D�-me a luneta.
� o Revenge. O navio de Barba-Negra.
Reconhe�o a forma da vela de mezena em qualquer lugar.
O que ele veio fazer aqui?
Fiquem prontos para ele. Tragam um barril do melhor rum da Jamaica.
Certo, capit�o.
Aqui, ajude-me.
- Qual a gra�a? - O Barba-Negra.
Ele me arrancaria a pele se me visse usando isso.
Mexam! Mexam! Mexam!
Remos.
Pequeno falc�o do mar.
- Bem-vindo, velha �guia do mar. - Dougal, Sr. Fran�ois.
Doutor. Um velho amigo deve secar nesse sol quente?
Procurei voc� em Tortuga e pela Windward Passage.
Adivinhei que estaria aqui tirando a craca.
Voc� foi r�pido.
O Revenge navega bem quando � preciso.
N�o t�o bem quanto o Sheba Queen, mas tem mais armas.
Bebam bem, amigos.
- Barbados! - Jamaica!
Vi suas armas no promont�rio.
Lembra-se de tudo que lhe ensinei, mo�a.
- Tudo, menos uma coisa. - Sim?
Achei que tivesse ensinado voc� a nunca confiar...
em um filho de Ad�o, a menos que eu o aprovasse.
Maldito traidor!
- Traidor? Do que est� falando? - Que ele diga.
Conte-lhe a verdade, senhor Pierre Fran�ois!
Tenente Pierre Fran�ois La Rochelle, da Marinha francesa!
Deveria t�-lo reconhecido naquela noite em Nassau.
Lembra-se, tenente? Lembra-se da Martinica?
Onde voc�s franceses enforcaram Sam Austin na ponta de verga?
N�o sabia que eu estava l�, sabia? Mas eu o vi.
Estava no cais, com outros oficiais...
com suas dragonas douradas...
enquanto o pobre Sam chutava na ponta da corda...
sobre suas f�tidas cabe�as perfumadas.
Voc� ouviu meu juramento de me vingar de voc�s.
Aqui. Espere!
Pierre, � verdade?
� verdade que uma vez trabalhei para a Marinha francesa.
- Voc� mentiu para mim. - N�o, capit�o.
Tudo o que lhe contei � verdade.
S� n�o mencionei este trabalho...
pois lembrar esses fatos me � muito doloroso.
Fui dispensado da Marinha, em desgra�a.
- Bobagem. Mera conversa mole. - N�o enforquei Sam Austin.
N�o estava no navio que o pegou nem no tribunal que o julgou.
Estava no cais aquele dia, pois todos os oficiais...
receberam ordens para estar ali.
Bobagem. E ainda aumenta.
Tenho algo que vai fechar sua boca.
Capit�o, voc� est� no comando. N�o estamos no conv�s dele.
Apelo a voc�. Assinei seu contrato.
Ele tem raz�o. Assinou o contrato. E sou o capit�o aqui.
- Voc� �. - Espere! Voc� me ensinou isso.
Um capit�o deve seguir o contrato com seus homens.
Ouviu as acusa��es, senhor.
Tem algo mais a dizer em seu favor?
S� isso.
Desde que sa�mos de Nassau, eu lhe servi bem e lealmente.
Como servirei nos pr�ximos eventos que planejamos para o futuro...
juntos. S� pe�o para ser julgado pelo que fiz...
n�o pelo que ele diz que fiz.
Voc� � meu capit�o. Coloco meu destino em suas m�os sem medo.
Confiando em sua justi�a.
Abaixe a espada. Acredito que seja inocente.
Annie, mo�a, ele fez sua cabe�a com sua fala mansa.
Abaixe, j� disse. Sou o capit�o aqui.
� o capit�o porque eu a fiz capit�.
Fui um tolo em achar que uma mulher poderia ser algo mais.
Mas o que fiz posso desfazer.
Voc� deu seu julgamento. Observe o meu.
Annie, mo�a. Fiz pelo seu bem.
Seu assassino.
Vai pagar por isso.
Sr. Dougal! Desarme os homens dele e coloque-os no bote.
Pule!
Doutor, cuide do Sr. Fran�ois.
Se estiver morto, voc� morre aqui na areia, ao lado dele.
N�o, n�o est� morto, ainda.
Dou sua vida por favores antigos.
Volte para o Revenge e levante �ncora.
Se eu vir suas velas do promont�rio daqui a meia hora...
eu acabo com seu navio.
O oceano � grande, mo�a. mantenha a dist�ncia entre n�s.
A menos que tenha esquecido tudo o que lhe ensinei...
deve se lembrar de que o Barba-Negra nunca perdoa um insulto.
- Ele sobreviver�? - Sim.
Doutor, acredita nele?
H� tempos, minha querida, deixei de acreditar em tudo.
Pierre.
Terra!
Terra � vista! A estibordo.
� a Jamaica. Mantenha em barlavento, Sr. Dougal.
- N�o chegue � costa at� escurecer. - Certo, capit�o.
Todos para as cordas! Segurem firmemente.
Ol�, Barba-Negra.
- Estou t�o mal assim, doutor? - N�o.
- N�o. - Chegamos � Jamaica.
Bom.
- O que acha dele, doutor? - T�o bem quanto um dobr�o de ouro...
se � sobre a sa�de.
- Gostaria que raspasse. Faz c�cegas. - Preciso disso l� fora.
Em vez de um franc�s de cara limpa com sorte...
escapar dos ingleses, serei um bucaneiro de barba.
Deveria fazer tran�as e enfeitar como o Barba-Negra.
N�o fale o nome dele. Se ele o encontrar...
Ou voc�.
- Pierre, estou com medo. - O capit�o Providence com medo?
� perigoso para voc� em Port Royal.
Deixe-me ir. Posso achar o homem de Morgan t�o bem como voc�.
N�o h� perigo.
Os ingleses acham que andei na prancha h� tempos.
Sim, sei. Mas tenho uma sensa��o de desgra�a se o deixar ir. Deixe-me ir.
Voc�? Com todos os ingleses das �ndias de vigia...
pelo capit�o Providence?
N�o, para mim, ser� f�cil. E eu encontrei isso.
Quero ter a satisfa��o...
de colocar a outra metade em suas m�os.
Cuide-se, meu amor.
Se tiver cuidado, nada vai dar errado.
Dougal vai lev�-lo � costa no bote.
- Ele vai esper�-lo na praia. - Dougal? Por que Dougal?
Ele gritou e berrou at� eu aceitar.
- Ele � leal, Pierre. - Sim, ao Barba-Negra.
- N�o, a mim. - Voc� � o capit�o.
- Estamos desembarcando. - Sim, vou me preparar.
Para frente. Para frente. Frente.
Para frente. Frente. Frente.
- Est� vendo Portland Point? - Ainda n�o.
- Na marca, � pedregoso. - A mar� est� descendo.
Ali. Aqui, � frente do farol.
Recolha a vela principal, Bosun. Fique por a� para baixar o bote.
- Sim, capit�o. - Um quarto a menos, cinco e pouco.
Aqui est� o ouro, em guin�us ingleses.
Se ele quiser mais, ofere�a uma parte do tesouro.
Se n�o voltar quando amanhecer, afaste-se e volte amanh� � noite.
Cuidado.
Espere por mim aqui.
Senhor Fran�ois.
Se tiver algum jogo em mente, arranco suas entranhas.
com minhas m�os. E mal posso esperar.
- De que jogo est� falando? - Nada, mas o estou avisando.
Cuide-se.
TAVERNA DO GOVERNADOR PORT ROYAL
- O que quer? - N�o me conhece, Greenough?
Nossa, capit�o La Rochelle.
E traga-os aqui.
� melhor que eu n�o saia �s ruas de novo. Sim. Ande.
- Greenough, ela est�... - Sim, vou pegar a chave.
N�o precisa.
Sim?
Como se atreve?
Pierre, achei que tivesse morrido. Querido.
Calma, querida. J� acabou.
Cuidado, meu amor. � onde seu marido teve a honra de ser ferido...
pelo grande Barba-Negra.
- Barba-Negra, voc� o viu? - Vi todos.
Vi navios ser queimados, homens mortos.
Mas � uma longa hist�ria, depois conto.
O importante � que acabou.
Acabou mesmo? O plano deu certo?
Sim, deu certo.
Por tr�s meses, naveguei como imediato do capit�o Providence.
N�o chore, querida.
Soubemos que o �ltimo navio em que estava foi capturado.
Disseram que todos morreram. N�o ousei ter esperan�a.
E, depois, achei que poderia ser ainda pior...
estar vivo em poder daquele homem horr�vel.
O capit�o Providence n�o � homem. � uma mulher.
Uma mulher? � imposs�vel.
� inacredit�vel. Mas � real, viva...
est� a menos de dez milhas desse quarto.
- Sim? - Capit�o La Rochelle, est�o aqui.
Vou descer.
J� volto, querida.
- Senhores? - Ent�o, capit�o?
Como me instru�ram, embarquei em diversos navios mercantes...
em dire��o a �guas que o capit�o Providence frequenta.
As primeiras duas viagens foram tranquilas.
Na terceira vez, embarquei no Gemini saindo de Trinidad...
...e foi capturado em Ant�gua. - Pelo capit�o Providence?
Sim, fui encontrado preso, como planejado.
Sim, ent�o?
O Sheba Queen est� em Portland Point...
e ficar� ali at� o amanhecer. O capit�o n�o suspeita de nada.
Fez muito bem, capit�o.
Vamos, senhores. N�o h� um minuto a perder.
- Precisamos avisar o almirante. - N�o. Esperem!
Cumpri minha parte do trato. Cumpram a sua.
Devolvam meu navio.
Vamos cumprir o acordo, capit�o. Deve se lembrar...
que seus crimes contra n�s ser�o perdoados...
e seu navio lhe ser� devolvido...
assim que o capit�o Providence estiver em nossas m�os.
Ent�o, e s� ent�o, o Molly O'Brien ser� seu.
Boa noite, senhor.
Ou�a. Est� ouvindo um bote?
Muito cedo.
Os franceses da Martinica chamam as noites caribenhas...
de Nuits de Folie, Noites de Loucura. Pois as mo�as enlouquecem.
Pare de falar e ou�a.
Ou�a. � o bote. Ele voltou.
Tem raz�o, minha cara. Devo-lhe desculpas por duvidar de voc�.
Pare com isso, pegue o bote. N�o temos tempo.
Todos no conv�s. Bosun, levante as velas, r�pido.
Sr. Dougal. O que � isso? Onde est� Pierre?
Na costa, bebendo rum com os homens do rei.
Ele nos levou para uma armadilha. R�pido, seus in�teis.
Est� mentindo. Parem com isso.
� um motim, Sr. Dougal.
Chame como quiser, mas nunca confiei naquela cobra.
Eu o segui at� Port Royal. Ele nos vendeu.
Ele nos entregou para os homens do rei.
- Mentira. N�o faria isso. - Fez.
- Ele me ama. - At� nisso ele a enganou.
- Fale. Conte-me tudo. - � casado.
- Tem uma esposa em Port Royal. - N�o.
Sim.
Seu tolo. Vamos partir.
Mentira. N�o acredito nele. Dougal sempre o detestou.
Em frente, Sr. Dougal. Vou arcar com cada detalhe.
Eu assumo daqui. Certo, capit�o.
Abram as velas.
Homem! Est� vendo navios?
Nada � vista.
Conseguimos nos livrar deles.
Quais suas ordens, capit�o? Que rumo tomamos?
Pelo Cabo Negril, para o norte da ilha.
Fora da costa.
Mas os navios do rei est�o pr�ximos.
- S�o minhas ordens, Sr. Dougal. - Certo, capit�o.
Eu...
Qual � o seu nome, Senhor? Por favor, n�o pode entrar a�.
� contra as regras, senhor.
- Capit�o Harris. - Aqui � um clube privado, capit�o.
J� que fechou as portas para mim, n�o tive escolha a n�o ser vir aqui.
- N�o temos nada a tratar. - Meu navio, senhor. Temos um acordo.
- Fizemos um trato. - E o senhor n�o cumpriu.
O Sheba Queen continua livre para pilhar navios ingleses...
enquanto s� ouvimos uma hist�ria incr�vel...
de que o capit�o Providence � uma mulher.
Outra carta, por favor.
Fizemos um trato, capit�o Harris.
Para cumprir minha parte, fui acorrentado...
apanhei e fui torturado.
Estive sob a l�mina do pr�prio Barba-Negra.
Chamei aqueles carniceiros de amigos.
Fiquei assistindo assassinatos e outras coisas, n�o s� isso.
- N�o. - Outra carta, por favor.
Com a chance de enfrentar a prancha o tempo todo.
Elogiei, rastejei e concordei com tudo...
com o pior dos monstros que o mar j� viu.
Acho que nem os mares v�o limpar meu nome.
Voc�s, senhores, � que erraram.
Ainda mere�o minha parte.
De um jeito ou de outro, capit�o Harris...
terei meu navio. Est� ouvindo? Pegarei meu navio.
Mantenham a contagem, senhores.
- Capit�o La Rochelle. - Ent�o...
se quer mesmo o Molly O'Brien...
pode recuper�-lo sob algumas condi��es.
Quais condi��es?
N�o pode ter navegado com o capit�o Providence...
todos esses meses sem aprender nada.
Posso receber meu navio se me transformar em pirata?
Coloca muito direto, capit�o. Posso conseguir uma tripula��o.
Verdadeiros lobos do mar, prontos a fazer qualquer coisa por ouro.
E para voc�?
Para mim, e meus amigos, uma parte do capit�o.
Diga a seus amigos que tive minha cota de pirataria.
- Quero meu navio para uso honesto. - N�o � seu navio, capit�o.
� um bem do rei, e podemos dispor...
como quisermos.
H� outros capit�es em Port Royal, sabe.
ESCRITO POR DR. JAMESON E DITADO PELO CAPIT�O PROVIDENCE
A MENSAGEM
VOC� NUNCA MAIS VER� SUA ESPOSA VIVA
Traga-a aqui.
Deixem-nos a s�s.
Ent�o, � a ideia dele de um parceiro para a vida.
Se quer cortar meu pesco�o, corte agora, e acabe com isso.
Cortar seu pesco�o? O que acha que eu sou?
- Uma desgra�a para nosso sexo. - Palavras dele?
N�o, minhas. N�o falou mal de voc�. Teve pena.
Pena! Ele se atreveu a ter pena! O maldito traidor!
Antes de falar mal dele, pe�o que se lembre de que ele � meu marido.
- O melhor que conseguiu arranjar? - Voc� n�o o teria.
- E voc� n�o o ter� de novo. - Ent�o, vai me matar.
N�o, n�o lhe farei mal.
Meus planos para voc� s�o outros. Uma vida de viagens.
Novos lugares, novos rostos.
Talvez um pr�ncipe �rabe ou um rico mercador do Levante.
Um senhor de engenho do Brasil...
quem pagar mais pelo privil�gio de sua companhia.
Voc� n�o.
Por enquanto, � minha convidada at� ancorarmos em Maracaibo.
Sr. Dougal.
Fa�a o que quiser comigo. N�o tenho defesas.
Mas uma coisa voc� n�o pode mudar.
Sou esposa dele.
Pense nisso. Que penetre em sua alma...
...se tiver uma. - Leve-a para baixo.
Desculpe-me, capit�o...
mas a companhia se pergunta quais suas inten��es.
Assinamos para ouro ou similares...
mas j� passamos por tr�s navios recheados...
sem sequer olharmos para suas velas.
- Procuramos uma presa mais valiosa. - Que presa, capit�o?
- O Sheba Queen. - O Sheba Queen?
Ent�o?
Desculpe-me de novo, capit�o. N�o temos medo de qualquer presa.
Mas o Sheba Queen �...
Se dissesse que ela leva um tesouro valioso.
- � verdade, capit�o? - Dou minha palavra.
H� um tesouro pelo qual eu daria minha vida.
- Mas, se os senhores t�m medo... - Eu n�o. N�o.
Muito bem.
Hoje vamos at� Nassau, onde espero ter not�cias.
Pe�o que volunt�rios des�am comigo.
Preciso de vinte homens.
E minha parte � justa
E grito para que o amor volte
Pois tu �s a causa
de minha tristeza
- Tu �s - Senhores.
Fiquem sentados. Coloquem as m�os sobre a mesa...
e n�o se mexam.
Pegue as armas, Sr. Hackett.
Ent�o, est� vivo. Vou pendurar aquele m�dico na viga do navio.
Ele � muito bom.
N�o tenho problemas com voc�, capit�o Teach.
Ou com os senhores aqui.
Procuro not�cias do Sheba Queen.
Dou 50 guin�us ingleses a quem puder me dar not�cias.
O que disse?
Cinquenta guin�us por not�cias do Sheba Queen.
O que quer com o Sheba Queen?
Assunto meu, capit�o.
Ent�o? Com certeza algu�m aqui tem not�cias.
- Cinquenta guin�us. - Est� perdendo tempo, Francesinho.
Ofere�o 500 guin�us pela mesma informa��o.
Cinco mil e n�o regateio.
Deve ter atracado aqui, ou em algum lugar para suprimentos.
N�o? Ningu�m sabe. Muito bem.
Pe�o desculpas por interromper sua divers�o, senhores.
Podem continuar com seus prazeres.
N�o ser� bom para ningu�m se algu�m colocar a cabe�a para fora.
Esperem.
Estamos sendo seguidos.
Calma, capit�o, calma. N�o lhe quero mal.
- O que quer? - Ouvi direito?
Daria 50 guin�us por not�cias do Sheba Queen?
- Sabe onde est�? - Sim. Est�.
O Barba-Negra ofereceu quinhentos. Por que n�o conta a ele?
Eles me chamam de louco...
mas n�o chego a esse ponto. O Barba-Negra n�o cumpre o que diz.
- E ofere�o a informa��o a voc�. - Onde est�?
Estava em Tortuga h� uma semana...
quando atracou l� para carne e �gua.
E?
A tripula��o disse que seguiriam para Maracaibo...
e atacariam o que encontrassem no caminho.
- Maracaibo? - Sim...
a inaugura��o do mercado de escravos este m�s.
Agora, quero aqueles guin�us, se n�o se importa.
Muito obrigado, capit�o.
� melhor dormir um pouco. Esteve acordada a noite toda.
Entre.
N�o, obrigada.
Em algumas horas, atracaremos no porto de Maracaibo...
...o pior lugar do Caribe. - � bem-vindo depois de seu navio.
Uma porcaria, doutor.
Tenho quase vergonha de coloc�-la � venda.
Tenho de pensar em minha reputa��o.
Voc� n�o se sente enjoada ao pensar nela?
Aqui.
Coloque isso. Vou enganar os �rabes e vend�-la como uma dama.
Com essa roupa de prostituta?
N�o tor�a o nariz. Seu marido escolheu para voc�.
Depois mudou de ideia e deu para mim.
Quer dizer que voc� roubou. Ele n�o daria nada meu.
Coloque.
Vista. Ou quer que chame a companhia para vestir em voc�?
Graciosa.
Os �rabes gostam dessa pele branca...
apesar de me lembrar uma barriga de peixe branca.
Vai atingir pelo menos cem libras esterlinas.
Noventa e nove a mais do que vale.
Voc� nasceu no lixo ou optou por isso?
Leve-a daqui, antes que eu me esque�a e estrague a mercadoria.
- � melhor deitar um pouco. - Hoje? Nunca.
� hoje que venderemos o tesouro do capit�o La Rochelle.
Lembra, doutor? Ele nos prometeu um tesouro. Tesouro.
Aten��o, senhores.
Quanto oferecem por essa beleza?
Esta n�o � uma mercadoria qualquer.
Mas uma filha orgulhosa dos astecas, uma princesa do Novo Mundo.
Mil dracmas de Yussef Ibn Ibrahim.
Algu�m d� mais? Vendida para o nobre xeque por 30 libras.
Ande. Com as outras.
Sabe o que acontecer� quando ele souber disso.
Ande.
Senhores, agora, ofere�o tr�s irm�s de Trinidad.
Nascidas na mesma hora e com beleza similar.
- Voc� se considera uma mulher? - Est� pedindo piedade.
Para seu pr�prio bem. Um dia, ele a encontrar�.
Assumo o lugar para oferecer-lhes algo raro.
Voc�s me conhecem, capit�o Providence do Sheba Queen.
N�o engano ningu�m e s� trabalho com as melhores mercadorias.
Esta � adequada ao mais nobre de voc�s.
Uma mulher de ra�a e temperamental.
Com personalidade como das melhores na Ar�bia.
Suave como as sedas da China.
Senhor? Dois mil dracmas? Est� brincando.
- Senhor? Ouvi tr�s? - Pare. Pare.
� uma mulher decente. Uma mulher honesta...
roubada do marido por uma mulher enlouquecida.
Capit�o, somos comerciantes pac�ficos.
Se ela realmente foi levada do marido...
Pierre!
Capit�o, entre em seu navio e saia do porto.
E leve esta mulher com voc�.
N�o queremos nos envolver nesta quest�o.
- Por favor, saia agora. - Venha, seu tola.
V� para sua cabine. Falarei com voc� depois.
Estamos presos, capit�o, n�o h� espa�o para manobra.
Ele pode acabar conosco sem que possamos reagir.
Talvez tenhamos uma resposta. Leve a mulher para frente.
Certo, capit�o.
Pronto para atirar, Sr. Hackett. Mire no alto, para derrubar o mastro.
- Sim, certo, senhor. - Espere.
Na viga frontal, viu?
- N�o atire. - O que quer, capit�o?
Aproxime-se e tome com espadas e adagas.
Ela vai acabar conosco antes.
Fa�a o que eu disse. A mulher � minha esposa.
- Estibordo. - Estibordo.
Calma.
O que � isso, Sr. Hackett?
Capit�o, assinamos para ouro e coisas assim.
N�o fomos contratados para ser alvo...
em nome da mulher do capit�o, esposa ou n�o.
- Em frente. - Voc� nos enganou, capit�o.
- Vai entregar o navio para n�s. - N�o entregarei nada. Em frente.
Ent�o, vamos lutar.
O primeiro a atirar, e eu arrancarei a cabe�a.
De volta ao rumo. Vire quando ordenar.
Leve-a � frente. Sr. Dougal, coloque um bote ao lado.
Eu o quero, e quero vivo.
Pierre!
Leve-a para baixo.
N�o. N�o.
Levem-no a minha cabine.
Deixe-nos a s�s.
Ent�o, Pierre?
N�o pe�o clem�ncia. Pe�o apenas que poupe minha esposa.
Por que a pouparia?
Por que n�o ter o prazer de ver sua cara...
enquanto deixo os homens da companhia jogarem os dados por ela?
- Ela n�o lhe fez nada. - D� uma raz�o melhor do que essa.
Voc� � mulher.
Voc� me ensinou a ser mulher.
Disse que sinto por isso. N�o era parte do plano.
Quais s�o seus planos, capit�o La Rochelle?
Diria que est�o em suas m�os, capit�o.
Ent�o, preciso pensar em algo divertido.
Voc� rastejaria de joelhos por ela, por exemplo?
- Faria qualquer coisa. - Qualquer coisa por ela. Nada por mim.
Nada mesmo, Pierre? N�o lembra de nada?
Eu menti uma vez. N�o posso mentir de novo.
Ent�o, eram mentiras. Cada palavra.
Sr. Dougal, leve-o e tranque-os juntos.
- Juntos? Voc� � generosa. - Quero incentivar o amor verdadeiro.
O �nico que conheci era s� de mentiras.
Quando as frotas espanholas passavam por aqui do istmo...
era onde os piratas largavam os homens.
H� bastante �gua, s� que salgada...
sombra, mas precisa cavar por ela...
e boas companhias.
Est� vendo, meu amor...
arranjei uma nova lua de mel para voc�s dois.
N�o vai durar muito.
As melhores coisas na vida s�o curtas e doces.
como nossas semanas juntos.
- Pe�o um favor. - N�o, Pierre.
Coloque minha esposa em um porto civilizado.
Vou com voc�, segundo seus termos, para onde quiser.
N�o, prefiro morrer.
Ela tem mais coragem que voc�. Mas � tarde demais.
- Muito tarde. - Ent�o, atire em n�s.
Deixe que morramos limpos.
E estragar a lua de mel? N�o. Quero que aproveitem.
Ver seu amor escaldar e inchar sob o sol.
A l�ngua ficar preta e enrolar.
Os olhos mudarem at� que a �nica luz seja a luz da loucura.
At� cortar os pulsos com as conchas, para tomar o pr�prio sangue.
Ningu�m a n�o ser voc� faria algo assim.
Os homens que conheceu, por pior que fossem.
Bonnet ou Rackham, mesmo o Barba-Negra.
- Nenhum deles seria t�o baixo. - Sou o capit�o Providence.
N�o d� mais do que o Barba-Negra daria, uma morte limpa.
Gosta de bancar o homem. Ent�o, aja como um.
Mas sou uma mulher, como voc� gosta tanto de me lembrar.
Deveria ter pensado nisso quando me traiu.
Estou garantindo que seus �ltimos pensamentos sejam comigo.
N�o. N�o. Ele prometeu.
Ele prometeu... Prometeu.
� melhor descer. Tr�s dias e noites disso.
N�o.
- O que �, Anne? - Nada, estava sonhando.
Uma luz. Acenda uma luz.
Melhor n�o. Mais disso, e voc� morre.
Est� me impedindo?
- Sou pago para lhe aconselhar. - Ent�o, diga por que eu sonho.
Em outro ser humano, chamaria de consci�ncia.
Vamos, doutor. Est� sendo cauteloso.
Seria a ideia dos dois sozinhos naquela enseada.
Esperando para morrer.
Que passem semanas assim. Para aprenderem.
Eu gostava de voc�. Pediam, e voc� n�o dava clem�ncia.
Mas era galante e, de certa forma, limpa...
mas agora � uma criatura t�o vil...
que mesmo sua tripula��o n�o a aguenta mais.
- Chega, sanguessuga. - O ci�me � um assassino.
Mas ele mata com calor, e n�o maliciosamente, a sangue-frio.
Voc� tamb�m me traiu. Embora o tenha tirado do lixo...
e feito de voc� um homem de novo.
Saia.
Voc� mesma se traiu, querida.
Coloquei provis�es e �gua em um bote.
Mastro e vela, com uma b�ssola e um mapa.
Assim, podem ir ao porto que quiserem.
Bom. Anne, eu...
Meu t�tulo � capit�o. Voc� levar� o bote.
Precisam de um m�dico. Tire as correntes.
Como eu volto para o navio?
N�o volta. Vai com eles.
Tirei seu nome do contrato.
Ningu�m viaja comigo se n�o me respeita.
Talvez tenha mudado de ideia.
Eu n�o mudei. Isso � o que farei por minha consci�ncia...
...mas � a �ltima coisa. - Certo, capit�o.
Pode me dar a m�o?
Que Deus a aben�oe, querida.
- Bosun! - Sim, capit�o.
- Rumo para... - Barco � vista!
- Que barco? - Consegue ver?
� o Revenge.
O bote j� chegou na enseada?
Sim, capit�o. O doutor est� descendo.
Se o Barba-Negra se aproximar, ele os ver�.
E o Francesinho vai andar na prancha, afinal.
Devo avisar o Sr. Dougal para seguir, capit�o?
Sim, avise.
- Prepare-se para partir. - O mesmo rumo.
Abra a vela principal.
Volte para boreste, o mais pr�ximo poss�vel.
Todos em seus postos. Abram as velas.
- O que est� fazendo, Sr. Dougal? - Quero me afastar dele, capit�o.
Aproxime-se, o Sheba Queen pode ultrapass�-lo.
- Que pague. Vamos a sotavento. - Assim vamos sob os canh�es.
O Francesinho era meu prisioneiro, Sr. Dougal.
- Decido em que prancha ele anda. - Mas...
- Ouviu a ordem, Sr. Dougal. - Certo, capit�o.
- Vamos em meia-nau! - Em meia-nau!
Est� se aproximando, capit�o. Quer lutar.
- O qu�? - Est� se aproximando.
Posso acabar com ela. Ela sabe disso.
Ela deve ter perdido a cabe�a. Eu a ensinei melhor que isso.
Quer se afastar, capit�o?
N�o, se ela quer brigar, vamos brigar.
- Homens �s armas. - Certo.
Olhe! Est� indo em dire��o ao Barba-Negra!
Sim, para esconder nossa fuga.
Est� nos dando nossa vida do �nico jeito que pode.
N�o somos p�reo para o Revenge, Anne.
- Meu t�tulo � capit�o. - Os homens est�o reclamando.
Sabem que uma barracuda n�o consegue vencer um tubar�o-tigre.
Voc� trabalha para o Barba-Negra. Se quiser, pode deixar o navio.
N�o, capit�o. Ele me colocou a bordo para cuidar de voc�.
N�o saio sem ordens dele.
- Os canh�es longos. - Reaja.
Pronto! Fogo!
Os homens est�o esmorecendo. Em frente, Sr. Dougal.
Use o chicote se precisar.
Arrie a bandeira!
Pare!
- Arrie a bandeira! - Pare!
Hasteie a bandeira! Hasteie!
N�o, n�o. Afaste-se dele! Ela enlouqueceu.
A vela mestra se foi, Anne. Fuja!
- Algum canh�o ainda dispara? - Disparei o �ltimo.
Espadas, Sr. Dougal.
Barba-Negra, seu velho lar�pio.
Venha a bordo se tiver coragem!
N�o atirem, marujos.
Pare.
Est� em casa, enfim.
Que o mar a guarde.
SHEBA QUEEN, 250 TONELADAS, CAPIT�O PROVIDENCE.
O navio pirata Sheba Queen afundou em Barbados.
Anne Providence, mestre.
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