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"TREZE FANTASMAS"
MUSEU do CONDADO de LOS ANGELES
Os po�os de piche de La Brea eram armadilhas para os animais.
Eles ficavam presos no piche ou eram levados por seus inimigos.
O piche os prendia e os matava devagar.
Algu�m perguntaria: "Como os p�ssaros ca�am nos po�os?"
Urubus e condores comiam o que tivesse o azar de ficar preso.
�s vezes, as aves ca�am no po�o e eram arrastadas para a morte.
Se algu�m quiser ver de onde essas aves e animais vieram...
os po�os ficam em Wilshire, distrito de LA.
V�o at� l� e tentem imaginar como era h� 40 mil anos...
quando monstros como esses vagavam por onde hoje...
passam carros sofisticados. Por que animais enormes...
mais poderosos que o homem...
desapareceram da Terra, enquanto o homem...
relativamente fraco, sobreviveu?
Com licen�a. S� um momento.
- O que foi, Sr. Van Allen? - Sua esposa est� ao telefone.
- Estou numa palestra. - Disse isso a ela.
- Pode assumir por mim? - Sim, claro.
Cy, em que parte est�?
Explicando como o homem sobreviveu � �poca plistocena.
E como foi? E por qu�?
Al�, querida, o que foi?
Os homens da mudan�a est�o levando os m�veis de novo.
- N�o podem esperar? - N�o.
- Nem at� amanh�? - Estamos tr�s meses atrasados.
Tr�s? Eu me lembro de...
Voc� n�o pagou, Cy. Mas, se pagarmos agora, mais um m�s adiantado...
Vamos fazer isso. Quanto temos no banco?
- Cerca de dois d�lares. - Vou receber logo.
Voc� s� recebe em um m�s, e n�s j� gastamos tudo.
- Acha que o Sr. Van Allen... - N�o.
O Sr. Van Allen n�o ganha muito mais do que eu...
e ele tem tr�s filhos.
- Qual o problema? - Nada.
Ainda bem que os colch�es ficaram. Comprou o presente do Buck?
Sim.
- N�o esque�a de traz�-lo. Tchau. - Tchau, querida.
Por que sempre levam nossos m�veis?
Porque seu pa� � um homem maravilhoso, mas esquecido.
- Como eu? - Como voc�, Buck. �s vezes.
FELIZ ANIVERS�RIO, BUCK
Os outros presentes s�o coisas �teis, como meias.
Voc� deu aquilo pra ele?
N�o h� nada errado com hist�rias de terror, papai.
Mas ele s� l� isso. Tem todos os livros de terror j� publicados.
- Acredita em fantasmas, Buck? - Claro.
- Quer bolo? - Bolo?
Sim, sim.
- N�o. Fa�a um pedido primeiro. - J� fiz.
N�o saberemos se vai se realizar se n�o disser.
- Mas n�o quero que ningu�m saiba. - Ent�o pediu algo ruim.
- Claro que n�o, Medea. - Se n�o quer dizer, � algo errado.
N�o quer que saibamos qual � o seu pedido?
Pedi uma casa com m�veis, que ningu�m possa tirar de n�s.
Sr. Cyrus Zorba?
Telegrama para o senhor.
"Com respeito a um assunto de grande import�ncia a voc�...
compare�a ao escrit�rio de Benjamin Rush, advogado...
amanh�, �s 10 h. Assinado, Benjamin Rush."
- Quem? - Benjamin Rush, advogado.
N�o � nenhum credor. Pelo menos, � o que acho.
- Pode ser uma firma de cobran�a. - Pode ser. O que voc� vai fazer?
- Eu vou. O que mais? - E se fugisse?
Por que fugir antes de saber o que o persegue?
Li sobre um homem que esperou para descobrir...
e acabou sendo comido.
Benjamin Rush, advogado. � no Edif�cio Petro.
- Fez algo para ser preso, papai? - N�o.
N�o ultimamente.
BENJAMIN RUSH - ADVOGADO Toque a Campainha
Voc� herdou a casa, que � o bem principal.
- Mobiliada? - Sim. � antiquada, mas � mob�lia.
- Buck virou vidente? - Como?
Nosso filho, Buck, desejou uma casa mobiliada no anivers�rio.
- Que tipo de casa �? - Receio que ficar� desapontado.
� uma daquelas velhas mans�es constru�das h� 50 anos.
� melhor do que uma terceira hipoteca e nenhum m�vel.
N�o decidam se mudar at� que a tenham visto.
Aqui est�o a chave e o endere�o.
Isso � muito estranho. Achava que meu tio tinha morrido...
10 ou 12 anos atr�s, na �ndia.
N�o, ele morreu aqui, na semana passada.
Tudo sobre seu tio era estranho. Incluindo seu testamento.
Era esse o tio rico de quem falava antes de nos casarmos?
Ele estava em Los Angeles todos esses anos, e n�o me contou?
Ele queria que o mundo achasse que estava morto.
Ele deixou isso pra voc� tamb�m.
- O que �? - N�o sei.
Isso � tudo? A casa e o pacote? N�o h�...
N�o h� dinheiro, se � o que quer saber.
O Dr. Zorba devia ser rico. Deve ter gastado tudo em experi�ncias.
Lembro-me de que ele andava brincando com o oculto.
- Esp�ritos do outro mundo. - Fantasmas.
O Dr. Zorba colecionava fantasmas do mundo inteiro.
Voc� os herdou tamb�m.
Ora essa!
Eles acompanham a casa.
Vou chamar o tabeli�o.
Cy, isso � demais. Um tio misterioso se levanta da tumba...
uma velha mans�o com fantasmas. Isso � goza��o?
Eu tive um tio chamado Plato Zorba.
E aqui est� seu �ltimo desejo e testamento.
O que h� no pacote? Podia estar cheio de a��es e b�nus.
- Ou s� de dinheiro. - Sim.
- Acha que devemos abri-Io? - Ele disse que era seu.
E se estiver relacionado �quelas experi�ncias?
E se ao abrir a caixa, sair encrenca dela?
Como a de Pandora.
Deve ser uma gravata pintada � m�o. Abra.
Abra voc�.
- Oi. - Ol�. Voc� � Buck?
- Sou Ben Rush. - � o advogado.
- J� se mudaram? - N�o havia o que mudar, s� n�s.
� uma grande casa. Toda mobiliada. Livros.
Ainda falta ver muita coisa. Tem fantasmas.
- Foi o que ouvi. - Sabe de algo?
- Ouvi falar. - J� viu algum?
- N�o. Seu pa� est�? - Est� chegando. H� uma bruxa.
- Viva? - Toque a campainha. Ela atender�.
Por que tinha de abrir a porta? N�o podia ter esperado a bruxa?
Pare de cham�-la assim, ou ela cortar� a sua l�ngua.
- Oi, sou Medea Zorba. - Oi.
N�o quer entrar?
Eu te disse. Ela tem at� vassoura.
- Entendo o que diz. - Deve ser Ben Rush, o advogado.
Nada de patins. Somos os donos da casa. Ou n�o?
- A casa � de voc�s. - Quem � o chefe aqui?
- No Dep. de Patins, sou eu. - Foi o que pensei.
Era aquele o tio do meu pai?
- Era um homem elegante. - Nunca o vi assim.
Quando o conheci, eles j� quase o tinham destru�do totalmente.
- Eles? - Seus fantasmas.
Benjamin Rush, advogado, vivendo no s�culo 20?
Plato Zorba, cientista, mesmo s�culo.
- Colecionava fantasmas. - N�o fala s�rio.
Eu n�o acreditava, como voc�, at� que o conheci melhor.
Pode acreditar, h� fantasmas nesta casa.
Estamos falando como se estiv�ssemos na Idade M�dia.
Mas, se o visse, como eu vi:
costas quebradas...
rostos em frangalhos...
l�bios esgar�ados...
Acha mesmo que herdamos uma casa mal-assombrada?
Preferia que a sua fam�lia n�o tivesse se mudado.
Ol�, Sr. Rush. Oi, querida.
Aqui est�o os pap�is, assinados e autenticados.
E os impostos? O seguro? E essa governanta?
- O Sr. Rush ficaria pra jantar? - Eu adoraria.
- Mesmo se me chamar de Sr. Rush. - Dire� � mam�e... Ben.
Voc� manda nesse departamento tamb�m?
Des�a a escada. N�o escorregue.
Sabe, se n�o tomar cuidado, voc� vai virar uma bruxa.
Para um cara sem dinheiro, ele era bem complicado.
N�s ganhamos uma casa. A hora foi perfeita.
- Mais caf�? - N�o, obrigado.
- Papai? - Por favor.
- E quanto � bruxa? - N�o devemos cham�-la assim.
� um nome perfeito. Parece que ela n�o gosta muito de mim.
- Ela n�o gosta muito de ningu�m. - Dissemos que n�o podemos lhe pagar.
Mas ela pediu pra ficar at� que achasse outro lugar.
- Ela praticamente implorou. - Ela deve ter algum dinheiro.
Ela morou aqui por anos, e o Dr. Zorba lhe pagava bem.
Olhem o que eu achei. O que "Ouija" significa?
Fazia tempo que n�o via uma dessas. � uma t�bua Ouija. V�?
Ou� � "sim" em franc�s.
Ja � "sim" em alem�o.
- Como se brinca? - Onde a encontrou?
Ali. Empurre� algo na lareira que se abriu.
H� uma coisa que a acompanha. Acho que se chama prancheta.
Eu empurrei isso.
Aqui est�.
Parece latim antigo.
Como se usa isso, papai?
"Ouija", o or�culo mistificador.
O m�todo moderno de prever o futuro. Algu�m quer tentar?
Tenho um amigo que pode traduzir. Levarei pra ele amanh�.
Meu chefe, Sr. Van Allen, fala latim enquanto dorme.
Se ele n�o souber traduzir, ningu�m sabe.
- Quer saber seu futuro? - � assim que funciona.
Todos colocam um dedo sobre ela, bem de leve.
Ent�o, algu�m faz uma pergunta.
- Nos concentramos, e ela responde. - Vamos, Cy.
Ela responde. � m�gica. Vamos, coloquem um dedo.
Bem de leve. Algu�m, fa�a uma pergunta.
A prop�sito, se a pergunta for boba, ela n�o responde.
- Ben, fa�a uma pergunta. - Tudo bem. Aqui vai...
A Medea est� apaixonada?
Concentrem-se agora. Nada de trapa�as.
Viram? Foi uma pergunta boba.
- Posso fazer uma pergunta, pai? - Certo, Buck.
De leve.
H� fantasmas nesta casa?
SIM
Empurre� na dire��o do "n�o", mas voc�s combinaram.
Eu estava ajudando-o, Ben. Acho isso uma bobagem.
- N�o quer brincar? - Est� viciada.
Como pode dizer isso, depois do que me disse hoje?
- Isso � um brinquedo. - Quer jogar, papai?
Concordo com Hilda e Ben. Vamos parar.
Quer tentar comigo, Buck?
Fa�a a pergunta.
- Quantos? - Quantos o qu�?
Ela sabe.
-13. -13 oqu�?
Fantasmas.
Voc� pergunta.
Eles v�o nos machucar?
SIM
N�o brinque mais com essa coisa.
Vamos perguntar, mas sem tocar nela.
Voc� pergunta.
V�o matar um de n�s?
N�o pergunte quando. N�o quero saber.
Estava boiando no ar. Nada o estava tocando.
- Deve haver uma explica��o. - N�o sei o que poderia ser.
- Cy, estou com medo. - De qu�? De um jogo idiota?
- De fantasmas. - Escute, querida.
Talvez Zorba fosse estranho e pudesse ver fantasmas...
e fazer coisas sobrenaturais. Mas n�o somos como ele.
Somos pessoas normais, que n�o t�m poderes e nem querem ter.
Aqui est�. Cl�usula 11.
Se n�o morarmos na casa, ela vai para a rede estadual de parques.
Quando nos mudarmos, temos de ficar.
- N�o podemos vend�-la mais? - N�o.
Se n�o morarmos aqui, vai para o Estado. Puxa.
Morar aqui � a diferen�a entre afundar e nadar.
Sem o aluguel, economizo metade do meu sal�rio.
- Cy, por que est� t�o frio? - N�o sei.
- Uma janela aberta, acho. - Est� congelando!
- O que � isso? - O vento, provavelmente.
Vou dar boa noite �s crian�as.
- Deixe a porta aberta. - Certo.
- Medea. - Entre.
- Oi. - Oi.
O velho Dr. Zorba gostava mesmo de antiguidades.
Eu at� que gosto delas.
Espero que n�o esteja perturbada pelo que houve.
- Foi s� um jogo. - Eu sei. Bobagem, n�o?
Essa conversa de assombra��o do Ben nos fez imaginar coisas.
- Papai. - Sim, querida?
Acha mesmo que h� fantasmas aqui?
Claro que n�o.
E agora est� na hora de garotas bonitas irem pra cama.
Boa noite.
N�o se preocupe.
- Vou deixar aberta. - Tudo bem.
Tudo limpo com as crian�as.
Vou pegar um livro. J� volto.
13!
13!
13!
13!
DEP. de PALEONTOLOGIA
Conseguiu algo?
- Se consegui? - N�o consegue ler, Van?
- Consigo. � latim. - E a�? Sobre o que �?
Sobre o que �?
Cy, no in�cio, achei que seu tio fosse uma daquelas fraudes.
Agora n�o tenho certeza.
Olhe.
Achei isso nas publica��es da universidade.
Foi publicado h� 10 anos.
"O professor que procura casas mal-assombradas...
para fotografar fantasmas � o Dr. Plato Zorba...
um cientista de reputa��o inquestion�vel.
A experi�ncia do Dr. Zorba com fantasmas em v�rios locais...
concluiu que eles est�o presos aqui por problemas n�o resolvidos.
O Dr. Zorba aperfei�oou um aparelho para ver fantasmas...
e estuda um m�todo de fotografia por raios ultravioleta...
que permitir� que ele tire fotos permanentes...
do mundo sobrenatural."
Ele n�o era uma fraude.
Isso � um registro de anos de trabalho no mundo dos esp�ritos.
Se uma parte for verdade, nem digo tudo, s� uma parte...
ent�o seu tio penetrou mais longe no sobrenatural...
do que qualquer outro homem na Hist�ria.
- Ele capturou 11 fantasmas. - Capturou?
O Dr. Zorba achava que, se visse o fantasma, poderia control�-lo...
at� certo ponto.
Creio que sim.
Uma se��o descreve como fez as lentes desses �culos.
Demorou anos. Ele, ent�o, viajou pelo mundo.
Achou um fantasma num castelo na Irlanda...
e outro nas catacumbas sob Roma. Pegou um numa vila na It�lia...
e outro no Tibete.
Qual deles eu vi ontem � noite?
Cada fantasma tem uma se��o separada.
Este � o �ltimo...
Fantasma 12.
Voc� disse 11.
12.
"Eu, Plato Zorba, sou o 12�.
Preso � Terra, n�o pelos crimes que cometi...
mas pelos crimes cometidos contra mim, os quais vingarei...
antes de ser liberado de assombrar a Terra."
E aqui est� algo curioso. Ele escreveu: "Fantasma 13".
O resto da p�gina est� em branco.
Paleontologia. Van Allen.
Sim. Espere.
- Al�. - Cy? Quero que venha pra casa.
Estou muito ocupado, querida. Qual o problema?
N�o adianta tentar explicar. Quero que venha agora. Cy!
Estou a caminho.
- Tenho de ir pra casa, Van. - Os fantasmas?
- N�o sei. - Eles machucaram algu�m?
N�o sei.
Hilda!
Hilda!
Hilda!
Voc� est� bem?
As crian�as?
- E ent�o? - Entre aqui.
- O que houve? - Sa�ram da estante e se quebraram.
- Quer dizer, eles ca�ram? - Eles sa�ram.
Pra mim chega, Cy.
Pare! Mandei parar!
- Era o Emilio. - Quem?
Emilio. Um chefitaliano que matou a esposa.
Matou a sogra tamb�m. E a cunhada.
Com um cutelo de a�ougueiro.
� melhor ficarem ali.
- Pra qu�? - Ele n�o bagun�a sempre...
mas quando bagun�a...
- Agora o Emilio j� acabou. - Agora acabou para mim.
- Quem te disse isso tudo? - Elaine, a bruxa.
- Ela sabe muito que n�o sabemos. - Como o qu�?
Ela conhece a maioria dos fantasmas. At� j� viu alguns.
� a pessoa mais estranha que j� conheci. Voc� n�o acha?
Bem, ela � diferente.
Talvez ela tamb�m seja um fantasma. E agora?
- E se machucarem as crian�as? - N�o acho que o fariam.
Aquele cutelo quase o pegou. Veja a queimadura na sua m�o.
Como sabe que n�o machucar�o Buck, Medea ou voc� novamente?
- Tudo vai se acalmar, Hilda. - Cy, vamos embora daqui.
Corremos perigo.
Mandou me chamar?
Sim, Elaine.
H� algumas perguntas que gostaria de lhe fazer.
Quanto tempo trabalhou para o Dr. Zorba?
- Por muitos anos. - Sabia de suas experi�ncias?
Eu o ajudava. Quando ele estava vivo, conseguia control�-los...
mas agora, eu tenho medo.
Nunca tive medo antes, mas, agora, eu tenho.
Tenho a impress�o de que nossa vinda pra c� e tudo o que houve...
� parte de um plano. O Dr. Zorba quer que fa�amos algo.
- Mas o qu�? - N�o posso ajud�-lo.
Ele confiava em mim, e eu o ajudava com as c�meras e as lentes.
Mas, durante a �ltima, ele n�o confiava em ningu�m.
- Voc� e Ben eram seus �nicos amigos? - S� o Ben. Ele se voltou contra mim.
Estava fazendo tolices, eu queria que parasse, mas ele n�o parava.
- Suas experi�ncias? - Tamb�m.
Eu era contra que ele convertesse tudo em dinheiro:
a��es, b�nus, im�veis, tudo.
Ele sacou todas as suas contas banc�rias. Foi tolice.
- O que ele fez com o dinheiro? - Ningu�m sabe. N�o h� sinal dele.
Ben e eu passamos dias procurando quando ele morreu, e nada.
- Talvez tenha gastado. - Como? Tinha tudo o que precisava.
- Al�m disso, nunca sa�a de casa. - Talvez tenha doado.
Eu conhecia Plato Zorba bem. Ele nunca doou nada.
Esta casa n�o � um presente de verdade.
� um fardo, talvez uma maldi��o.
A �ltima coisa que ele escreveu foi sobre um crime contra ele.
- O que ele queria dizer? - N�o sei.
Como ele morreu, Elaine? E onde?
Eu mostro.
Vou ficar aqui.
Esse era o quarto do Dr. Zorba.
- Foi ali que ele morreu. - Como ele morreu, Elaine?
- Esp�ritos do outro mundo. - Foi o que disse ao legista?
Ele n�o teria acreditado em mim, como voc�.
A causa oficial da morte foi asfixia.
Quem o viu por �ltimo? Havia algu�m aqui quando morreu?
Eu estava na casa, mas n�o o vi naquela noite.
Ele e Ben trabalhavam no testamento.
- Ben o viu morrer? - N�o. Ben j� tinha ido.
O Dr. Zorba morreu mais tarde naquela noite.
Eu o achei no dia seguinte, ali.
O que a pol�cia disse?
Eles falaram mais com o Ben. Eu o chamei primeiro.
Eu odiava esse quarto. Por anos, eu n�o entrei aqui.
Mas, naquela manh�, entrei. N�o sei por qu�.
Alguma coisa parecia me atrair para esse lugar.
Se ficar aqui, aprender� a n�o entrar nesse quarto.
Como assim, se eu ficar aqui?
Deve sair dessa casa agora. Hoje!
Foi uma noite ador�vel, Ben. Obrigada.
- Que tal um caf�? - N�o, obrigado. Hoje n�o.
Queria que morassem em outro lugar. Esse lugar me d� arrepios.
- Sempre me deu. - N�o comece de novo.
Preocupo-me com voc�, Medea. Por mim, voc� ter� cuidado?
Por voc�, vou cobrir a cabe�a hoje � noite.
- Te vejo amanh�? - Espero que sim.
N�o se preocupe. Terei cuidado.
- Obrigada de novo. Boa noite. - Boa noite.
- Papai! Papai! - Querida!
- O que houve? - Venha c�.
Bom dia.
- E a�? Como vai ela? - Vou levar o caf� dela agora.
Ainda bem que tinham sobrado umas p�lulas. J� chamou Buck?
Sim, gritei a caminho daqui.
SHADRACK, O GRANDE
ENFIAR� A CABE�A NA BOCA DE UM LE�O FEROZ
Pra tr�s, le�o! Sou Shadrack, o Grande.
Pra tr�s! Abaixe-se, le�o. Sou Shadrack!
- Vi um le�o. - Que bom.
E um homem sem cabe�a.
Leve isso para Medea. Depois volte e tome seu caf�.
- Bom dia, Buck. - Oi, Ben.
Medea est� na cama. Viu um fantasma ontem � noite.
Eu s� vi um le�o e um homem sem cabe�a.
- Como assim? Sem cabe�a? - Acho que o le�o a comeu.
- E o homem a procurava. - Trago uns documentos pro seu pai.
Ele foi trabalhar. Tenho de levar o caf� pra Medea.
- Onde conseguiu todo esse dinheiro? - Achei no ch�o.
- Quando? - Pouco antes de voc� chegar.
Onde exatamente o encontrou?
- Bem ali. - Exatamente?
Por ali. Acha que � de algum fantasma?
- Voc� o achou. Pertence a voc�. - Posso ficar com ele?
Claro. Estava no ch�o?
- S� essas duas notas? - US$ 200 � muito dinheiro.
O que estava fazendo quando encontrou o dinheiro? Patinando?
Nada de patins na casa.
Escorrendo pelo corrim�o?
- Vai contar a Medea? - Somos amigos. N�o sabia?
Guardo seus segredos, e voc� guarda os meus.
Certo. Mas n�o tenho segredos.
Vou te dar um. Leve o caf� da Medea e depois volte aqui.
N�o diga a ela que estou aqui. Promete?
- Sei guardar um segredo. - N�o diga nada sobre o dinheiro.
Eu j� volto.
Aqui est� o seu caf�.
Acabei de ver um le�o e um homem sem cabe�a. O que voc� viu ontem � noite?
- Uma apari��o, na janela. - Temos isso tamb�m?
Somos a �nica fam�lia no mundo que tem apari��es e fantasmas.
- Por que n�o se levanta? - Pra que, se voc� me trouxe o caf�?
- Onde est� a mam�e? - Na cozinha.
- Onde est� Elaine? - N�o sei. Tenho de ir.
- O que � t�o importante? - Tenho de manter um segredo.
Que segredo, Buck?
Ben!
Ben!
Buck!
- N�o contou a ela? - N�o.
Bom menino.
Agora vou te contar o maior segredo que j� ouviu...
se prometer n�o contar a nenhuma viva alma.
N�o contarei nem aos fantasmas, que n�o est�o vivos.
H� um tesouro escondido nesta casa.
- Piratas? - Mais ou menos.
Antes de morrer, Dr. Zorba escondeu todo o seu dinheiro.
- Isso deve ser parte dele. - H� muito mais.
- Voc� e eu vamos ach�-lo. - Se Medea se levantar, ela ajuda.
N�o. Este � o segredo.
Voc� e eu vamos achar o dinheiro sozinhos.
N�o vamos dar nada ao papai? Ou � mam�e? Ou � Medea?
Vamos dar tudo a eles. Mas deixe-me perguntar algo.
Suponhamos que tenhamos de fazer um buraco na parede.
Se contasse ao seu pai, o que ele diria?
- Talvez ele n�o entendesse. - Por isso, precisa ficar entre n�s.
- Certo. Quando come�amos? - Primeiro, tem de esconder isso.
Depois, preciso fazer uns planos. Hoje � noite, come�aremos.
- Podemos procurar hoje! - Certo. Mas tenha cuidado.
Se algu�m aparecer enquanto estiver procurando, disfarce.
N�o conte a ningu�m que achou o dinheiro. N�o fale do tesouro.
Buck, n�o conte a ningu�m que estive aqui hoje.
- Certo? - Certo.
Ben...
e se algu�m me perguntar: "O Ben esteve aqui hoje?"
Eu n�o estive aqui, Buck. � assim que deve ser.
Quem era, Buck?
Quem saiu?
Ningu�m, Medea. Al�m disso, � segredo.
Entre.
- Ol�, Ben. - Se estiver ocupado, volto depois.
Que bom que tenha vindo. Quero falar com voc�. Sente-se.
Ben, estamos naquela casa h� duas noites.
Na primeira, ganhei isso. Ontem, eles atacaram a Medea.
- Medea? - N�o a machucaram.
Por que a Medea? Ela estava usando os �culos do Zorba?
N�o, ela n�o estava.
O que acontecer�? Minha fam�lia ser� aterrorizada toda noite?
Talvez tenha a resposta, Cy. Acho que posso fazer que o Estado...
- pague a voc� pela casa. - Mas o testamento dizia...
- Est� na casa s� h� tr�s dias. - Os dias mais longos que j� tive.
Aposto que ficaria feliz em tirar sua fam�lia de l�.
Podemos dizer que nunca tomou posse. Quando pode se mudar?
- Imediatamente, acho. - �timo.
N�o ficaria mais uma noite naquela casa sob nenhuma circunst�ncia.
Zorba, Paleontologia.
Oi, Buck.
Sim, tudo bem.
Um segredo? Ent�o me conte, filho.
Certo, Buck. Como quiser. At� mais tarde.
- Buck est� todo empolgado. - Algum problema?
Ele tem um segredo.
- Uma grande surpresa pra mim. - O que �?
N�o quis dizer.
Aposto que n�o me contaria nem sob tortura.
Bom garoto. Ent�o, vai se mudar hoje?
N�o temos muito o que mudar, al�m de n�s mesmos.
Acho que consigo US$ 10 mil do Estado.
Cy? Isso vai te interessar.
- Desculpe. Falo com voc� depois. - N�o, Van. Fique.
- Este � o meu chefe, Sr. Van Allen. - Prazer.
Prazer. Ou�a. Quase a �ltima coisa que o Dr. Zorba escreveu.
"Hoje termino de converter meus bens em dinheiro...
e os coloco fora do alcance de homens inescrupulosos."
- Onde seria isso? - Ele nunca saiu da casa.
N�o se esque�a, ele escreveu isso h� menos de um m�s.
O que acha? Talvez n�o dev�ssemos ter tanta pressa de nos mudar.
Pouco prov�vel. Cuide� dos neg�cios de Zorba por um ano.
N�o creio que tivesse escondido tanto dinheiro de mim.
Depois de ler isso, n�o ficaria surpreso de nada...
natural ou sobrenatural, que Zorba tenha feito.
Por exemplo, ele falava com os esp�ritos dos mortos...
como voc� e eu falamos com o quitandeiro.
Ele e a m�dium Elaine Zacharides costumavam sentar numa sess�o...
e conversar com gente morta h� cinco s�culos.
Tudo o que tem a fazer � achar Elaine Zacharides.
N�o preciso ach�-la. Ela � a governanta.
Ela faria uma sess�o com voc�?
- N�o sei. - Eu duvido. Ela � meio teimosa.
E voc� est� se mudando, ent�o n�o ter� tempo.
Se ela o fizesse, n�s ficar�amos.
Talvez fa�a uma sess�o hoje. Poder�amos nos mudar amanh�.
Se pud�ssemos trazer o esp�rito de Zorba de volta...
o que ser� que descobrir�amos?
- O que � uma sess�o? - Voc� fala com os esp�ritos.
Buck, por que n�o vai arrumar suas coisas?
- Como funciona? - N�o sei. Me passe o vestido.
- Como Elaine sabe? - N�o sei.
Ficarei feliz em sair desta casa.
O que acontece?
Nos sentamos em volta de uma mesa segurando as m�os.
- Buck, v� ajudar a mam�e. - Pra que serve isso?
- Os esp�ritos falam com voc�. - O que eles dizem?
N�o sei.
Buck, pode ir, por favor?
Por que arrumar? N�o vamos a lugar nenhum.
Voc� ouviu o papai. Vamos embora amanh� cedo.
Medea?
Sim, Buck?
Suponha que tivesse um segredo, como voc� o guardaria?
Voc� tem um segredo?
- O que �? - Bem... n�o vou te contar.
- Quem te contou? - Ben.
- Sobre o que �? - Posso dizer sobre o que �?
Claro, contanto que n�o fale do segredo em si.
Bem, Ben e eu...
- Precisa de ajuda? - N�o, j� acabei de arrumar.
Se n�o fosse essa bobagem de sess�o, poder�amos partir agora.
- N�o posso ir � sess�o, posso? - Claro que n�o.
Nunca fui a uma. Ser� divertido.
- Talvez algu�m seja assassinado. - N�o pode ir a essa.
- Est� na sua hora de dormir. - Vou te contar tudo depois.
N�o � como ver.
Por aqui. Estamos prontos pra come�ar.
Pode sentar-se ali, Sr. Zorba? Sua esposa aqui, sua filha aqui.
A coisa mais importante � a concentra��o.
Deixem suas mentes pensar somente em trazer o esp�rito do Dr. Zorba.
D�em as m�os agora.
- Acha isso mesmo necess�rio? - Por favor, querida.
O que podemos esperar? O que vai acontecer?
Talvez nada... Ou qualquer coisa.
O Dr. Zorba e eu t�nhamos contato intenso com certos esp�ritos.
Com outros, n�o faz�amos contato algum.
Se ele voltar, ele pode falar por meio de mim ou um de voc�s.
- Um de n�s? - Sim.
Embora eu seja a m�dium, ele pode escolher um de voc�s.
Ele pode at� aparecer. N�o h� como dizer.
O que pode acontecer se ele aparecer?
- Poderemos conversar? - � poss�vel.
Vamos tentar por pouco tempo. � muito dif�cil ser m�dium.
E perigoso. Al�m disso, como disse...
o Dr. Zorba n�o confiava mais em mim. Pode apagar as luzes?
- Devemos nos concentrar. - S� um momento, por favor.
Prontas?
O tesouro!
Buck!
- Devia estar na cama! - Eu...
S� estamos sentados � mesa. N�o aconteceu nada.
N�o quero ver fantasmas. Estou esperando Ben. Temos um segredo.
Ben? Ele vem aqui hoje?
Talvez. � um grande segredo.
Sim, voc� me disse. Mas pode esperar at� amanh�.
Posso esperar mais 5 minutos, se prometer n�o espiar?
Certo. Cinco minutos.
Desculpe.
Dr. Zorba!
Dr. Zorba!
Dr. Zorba!
Dr. Zorba!
Zorba!
Zorba!
Na morte!
Na morte!
N�o se mexa!
N�o importa o que houver, n�o se mexa.
Ben, eu achei! Vamos.
- Viu? - Bom trabalho! Bom trabalho!
- Mais algu�m sabe? - N�o! Vamos contar a eles.
- Est� me machucando! - Desculpe, Buck.
- Ainda n�o podemos contar. - Mas vamos nos mudar amanh�.
Certo. Temos de nos aprontar. E, quando estiverem partindo...
- n�s lhes damos o dinheiro. - Ent�o n�o precisaremos mudar.
Certo. Temos muito a fazer amanh�.
� melhor voc� se deitar, Buck. Descanse o m�ximo que puder.
- N�o estou com sono. - N�o est� com sono?
Vou acord�-lo t�o cedo, que o sol nem ter� nascido.
- Temos muito trabalho. - E a� contaremos a eles?
Amanh�. Agora durma.
- Tamb�m j� vou pra cama. - Certo. Boa noite.
Pode me acordar quando quiser. N�o me importo.
Boa noite, Buck.
V� direto pra cama.
- Cy! Ajudem-no! - N�o! Fique onde est�.
13! 13!
Morte essa noite.
Um de voc�s.
Voc� est� bem?
Traga-o de volta, por favor. Precisamos saber mais.
N�o adianta. H� muita interfer�ncia.
Os fantasmas est�o inquietos, zangados.
Hoje a morte ronda de novo esta casa maldita.
De repente, fiquei com frio.
E, por um instante, perdi a consci�ncia.
E ent�o...
ouvi uma voz estranha sair de mim.
Mas n�o me lembro.
Voc�, quer dizer, a voz disse: "morte essa noite", e o n�mero 13.
E depois ele disse que seria um de n�s.
- Aonde voc� vai? - Ver se o Buck est� bem.
Buck!
� Ben! � Ben! A cama est� machucando-o!
98, 99, 100! Nunca pensei que fosse me cansar disso.
Por que Ben se vestiu de fantasma e apareceu pra mim?
Queria amedront�-la. Sabia que o dinheiro estava aqui.
Depois de ter matado Zorba, ele tentou encontr�-lo.
Ent�o nos mudamos pra c�. Queria nos tirar daqui.
- Onde ser� a nossa casa nova? - Casa nova?
Por que ir�amos querer uma casa nova?
Buck!
- Buck, tire isso. - Posso ficar com ela?
- O caf� est� pronto. - Estou faminto.
Elaine, acha que ainda h� fantasmas nesta casa?
N�o. Os esp�ritos presos � Terra foram libertados.
- N�o quer tomar caf�? - Estou vigiando o dinheiro.
- Elaine? - Sim, Buck?
Voc� � mesmo uma bruxa, n�o �?
N�o me fa�a perguntas, e eu n�o direi mentiras.
E os fantasmas n�o foram mesmo embora, foram?
Eles voltar�o. Eles voltar�o.
Em breve, espero.
CASA � VENDA
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