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Teste, teste, teste, teste, teste.
JANEIRO DE 1978
Detetives de Sacramento instalam escuta no telefone
de v�tima de estupro.
Al�?
Al�?
Al�?
Acreditava-se ser uma liga��o do Estuprador da Zona Leste.
Vou matar voc�...
Vou matar voc�...
Vou matar voc�...
Vadia.
Vadia.
Vadia.
"Ele era maluco."
Nunca visto e, portanto, temido em dobro.
O perigo de entrar pela via errada nas catacumbas
"assombra esse caso."
Puta do caralho.
"Procurei detetives aposentados,
lamentei sentir que estava me agarrando a qualquer coisa.
Quer meu conselho? um deles disse.
"Se agarre bem, e s� solte quando n�o tiver nada."
BASEADO NO LIVRO DE MICHELLE MCNAMARA
Vai ser lembrado como um dos maiores mist�rios,
com certeza.
Tudo sobre ele � um mist�rio,
ele � como um bicho-pap�o, sabe?
Ele parece um fantasma �s vezes.
"Em 1979, parecia que o Estuprador da Zona Leste
tinha parado."
� poss�vel que o Estuprador da Zona Leste
gosta de tirar f�rias no ver�o, como voc�.
Vamos torcer para que ele n�o volte para casa.
Nossa for�a-tarefa foi dissolvida,
e nos disseram que agora que ele tinha ido embora,
ele n�o era mais nosso problema.
"Os chefes de Crompton quase dan�aram de tanto al�vio."
Mas na verdade,
o Estuprador da Zona Leste estava a 650 km ao sul,
onde ele seria apelidado de Perseguidor Noturno Original.
Goleta � uma cidade-dormit�rio pr�xima de Santa B�rbara.
Apesar de ter a fama de cidade segura,
poucas pessoas iriam ao Riacho San Jose
"sozinhas � noite."
Michelle e eu, em 2013, fomos de carro at� Santa B�rbara,
e passamos pelos locais dos crimes
associadas � atividade do assassino na �rea.
"O homem que procur�vamos era um perseguidor
e ca�ador compulsivo.
"N�s, que o ca�amos, sofremos do mesmo problema."
Ele ficou debaixo dessa ponte,
e provavelmente passou por essa �rea v�rias vezes.
As pegadas dele foram vistas
por toda a vizinhan�a.
Ele tinha um padr�o �nico.
Ent�o, h� evid�ncias de que ele vagou pelas proximidades.
O Perseguidor Noturno Original ataca A. Himmel + J. Horinek
"Investigadores achavam que sabiam
em que noite ele tinha mudado.
Dia 1 de outubro de 1979.
Nessa noite, um casal de Goleta na via Queen Ann
foi acordado pela luz forte de uma lanterna
e pelo sussurro raivoso de um homem jovem.
Ele ordenou que a mulher amarrasse o namorado.
E ent�o, o invasor a amarrou.
Ele levou a mulher at� a sala, a deitou de bru�os ao ch�o,
e jogou um shorts de t�nis na cabe�a dela para vend�-la.
Eles o ouviram entrar na cozinha cantando para si mesmo:
Vou matar voc�, vou matar voc�, vou matar voc�.
A adrenalina permitiu que a mulher se desamarrasse
"e fugisse pela porta da frente gritando."
N�o � todo dia que se v� uma mulher nua
correndo pelo jardim �s 2h30 da manh�.
Certo, isso acordaria qualquer um.
"O vizinho do casal era um agente do FBI.
Alarmado pelos gritos da mulher,
ele saiu a tempo de ver um homem passar pedalando furiosamente
numa bicicleta Nishiki prata roubada."
Eu o vi sair da casa e ele foi para aquele lado.
E mandou o homem parar ou algo assim?
Eu entrei no meu carro, e ele estava na minha frente.
Eu vi o refletor da bicicleta,
e o alcancei rapidamente.
Depois de alguns metros,
ele largou a bicicleta na cal�ada e pulou a cerca.
"Stan Los acabou sendo criticado pela pol�cia
por n�o atirar no homem."
Por que n�o atirou nele?
- Bem... - Eu s� ouvi um grito...
- E viu um menino de bicicleta. - Um menino de bicicleta.
"Ele n�o podia prever que quando ele reaparecesse,
a algumas quadras dali,
ele se tornaria um assassino sanguin�rio."
Eles deram sorte, se pensarmos bem.
Deram.
Depois disso, ningu�m sobreviveu.
Era um ataque t�pico do Estuprador da Zona Leste.
Eles n�o reconheceram que era o mesmo homem que atacou
no norte da Calif�rnia.
Acharam que era um caso isolado.
"Muita coisa n�o foi considerada relevante na �poca.
Mas rever as coisas � importante."
Uma das formas que o Estuprador da Zona Leste vitimizava
as pessoas que ele escolhia era roubando itens
que eram pessoais e insubstitu�veis,
como alian�as de casamento,
joias que pareciam ser heran�as.
Michelle pensou que se ela pudesse encontrar,
em algum lugar no mundo, um desses itens,
o item poderia ser a liga��o ao Estuprador da Zona Leste.
Eu encontrei abotoaduras similares,
com as mesmas iniciais, que eram iguais, e comprei.
E ent�o, eu sabia que precisava dar aquilo para um detetive,
caso ele pudesse descobrir de onde elas tinham vindo.
DEPARTAMENTO DO XERIFE DO CONDADO DE ORANGE
Voc� est� gravando agora?
S� queria ter certeza... Estou.
Se tiver alguma ideia,
estou completamente aberto a ouvir.
"Eu marquei uma entrevista com Larry Pool,
o investigador de Orange que liderou a for�a-tarefa
de casos arquivados desde meados dos anos 90."
Todos os investigadores que conhe�o
que tiveram a oportunidade
de examinar esse caso
sentem que � o caso
que querem que seja resolvido antes deles morrerem.
"Aproveitei a oportunidade no final da nossa conversa
e abri minha bolsa para pegar as abotoaduras."
Preciso contar uma coisa.
Eu tenho ins�nia, ent�o, �s vezes, s�o 3h da manh�
e eu estou pesquisando coisas online.
Eu tamb�m.
E por umas 50 noites, nada aconteceu.
Mas um dia, encontrei umas abotoaduras.
Um pouco incomum.
Porque nunca se sabe...
Eu vou tirar fotos dessas abotoaduras...
N�o, pode ficar com elas!
- Eu posso? - Pode, sim.
Voc� acabou de me deixar muito feliz.
N�o sabia se ficaria bravo por eu fazer isso.
Nem um pouco. Inclusive, acho que amo voc� agora.
Que bom! Fico feliz!
Ele estava muito feliz,
porque ele vem tentando encontrar formas novas
de solucionar esse caso, e n�o pensou nisso.
Ele procurou as v�timas durante o fim de semana
que poderiam ser as donas das abotoaduras,
ent�o ficamos animados.
Mas no fim, n�o eram aquelas abotoaduras.
Ent�o, aquela pista n�o levou a nada,
mas iniciou uma rela��o com os detetives na qual eu...
A primeira vez que ouvi falar
de uma mulher chamada Michelle McNamara,
foi quando Larry Pool falou dela.
E ele disse que uma escritora e blogueira de casos reais
estava interessada em fazer um artigo para a LA Magazine
sobre o caso.
At� a�, eu j� estava envolvido no caso do EAR h� duas d�cadas.
Mas o p�blico n�o sabia dele.
Nossa esperan�a era que, com mais aten��o do p�blico,
a pessoa certa falaria algo e nos daria a pista certa.
Michelle me ligou um pouco depois disso.
Voc� tem algum material que poderia me dar?
Eu fui muito frio.
Coisas que eu disse j� foram tiradas do contexto e publicadas
e ent�o eu dei respostas vagas.
Mas ela voltava e dizia: "Espera, mas e isso aqui?",
e ela citava um fato do caso,
e eu percebi que ela sabia do que estava falando.
Eu comecei a contar sobre a minha investiga��o em off.
Tr�s meses depois do primeiro ataque
em Goleta, em Santa B�rbara,
houve um homic�dio duplo perto do Riacho San Jose.
Certo.
O ataque Horinek-Himmel foi em outubro de 1979,
e o ataque Offerman-Manning foi no final de dezembro de 1979,
e eles estavam a quarteir�es de dist�ncia um do outro.
"Na manh� do dia 3 de dezembro de 1979,
delegados do condado de Santa B�rbara
receberam uma liga��o da casa de um cirurgi�o osteopata,
Dr. Robert Offerman, e sua nova namorada,
a psic�loga Debra Manning.
Amigos do casal foram at� l� para uma partida de t�nis,
"e viram a porta lateral aberta."
O agressor entrou,
amarrou Offerman e Manning de bru�os na cama,
e depois saiu, como sempre, para pegar lou�as e o que seja.
Nos estupros, ele amarrava as pessoas
e saia para comer na cozinha.
No ataque de Offerman, que foi na �poca do Natal,
ele pegou o peru de Natal e o comeu.
Ele voltou para o quarto das v�timas,
e Dr. Offerman havia se soltado,
e ele se levantou e avan�ou no agressor.
O agressor atirou em Offerman
e depois atirou na Dra. Manning, por tr�s da cabe�a dela
e fugiu.
Como o plano dele deu errado,
ele n�o chegou a estuprar Debra Manning.
O que mais me chocou foi...
Sabe que livro estava na c�moda do Dr. Offerman?
Offerman estava lendo algo tipo, "Como Ser Assertivo".
- S�rio? - �, algo que achei meio...
POL�CIA SEM PISTAS DO DUPLO HOMIC�DIO
Eu ouvi falar dos assassinatos no sul da Calif�rnia.
Ent�o, liguei pra Santa B�rbara,
e disse: "Acho que o Perseguidor Noturno Original � o EAR",
e disseram: "N�o sei do que est� falando,
n�o aconteceu nada disso por aqui".
E ent�o, em fevereiro, fui mandado para San Diego,
para fazer um curso,
e conversei com um delegado de Santa B�rbara que estava l�,
e ele disse: "�, tivemos um homic�dio duplo, e por sinal,
houve tamb�m uma tentativa de estupro antes disso".
E eu disse: "O qu�?"
Eu peguei os relat�rios.
As amarras,
a m�scara de esquiar...
Estava tudo ali.
Eu sei que foi a mesma pessoa.
De acordo com Bill Miller,
o departamento mandou um investigador
pra Santa B�rbara semana passada para investigar as mortes
de um m�dico e sua namorada, uma psic�loga.
Duas pessoas foram mortas,
mas s� temos as evid�ncias do local do crime,
que indicam que poderia ser o mesmo homem.
Por�m, quando falei com Sgt. William Baker,
do departamento de Santa B�rbara,
ouvi uma opini�o diferente.
Levando em conta in�meros fatores do caso,
h� poucas semelhan�as, ou que podemos chamar de semelhan�as.
H� provavelmente mais provas de que n�o h� liga��o
entre os casos.
"At� colocarmos um rosto num assassino
que � s� um ponto de interroga��o,
ele continuar� tendo poder sobre n�s.
�s vezes me pergunto se devo dar um tempo.
Ele n�o pode me machucar, eu penso,
sem perceber que cada minuto que passo atr�s dele,
em vez de abra�ar minha filha,
"ele j� est� me machucando."
Michelle foi quem o apelidou de "Assassino do Golden State",
porque faz sentido.
Ele aterrorizou pessoas por todo o estado.
Foi uma forma de reconhecer
que ele foi o predador da vis�o das pessoas sobre a Calif�rnia.
Dos sonhos delas.
Ele passou despercebido, enquanto o Assassino do Zod�aco
e o Filho de Sam tiveram toda a aten��o, e pensei:
"Esse cara teve dez vezes mais v�timas do que eles,
e era dez vezes pior", e dever�amos saber sobre ele
e nos importar e obter justi�a para essas pessoas.
Na noite em que publicamos a hist�ria,
ela foi um estouro.
Ela foi compartilhada e tornou-se cada vez maior.
Roger Ebert tuitou sobre ela.
Foi a primeira grande mat�ria dela.
O que a Michelle fez foi se apresentar
como uma figura importante e compassiva,
e como a pessoa que precis�vamos conhecer,
quase como numa biografia,
e que ajudaria a juntar as pe�as
dessa cole��o de trag�dias distintas e lig�-las.
Sua mat�ria! Na revista! Que legal!
Voc� me fascina e me inspira!
Foi escrita de uma forma t�o linda e pessoal.
Parecia que cada caso era sobre uma pessoa
que era amiga dela.
N�o era s� uma reportagem,
era um pedido sutil para tomarem uma atitude.
Eu n�o tinha lido nada t�o bem escrito nessa �rea
desde a �poca do Truman Capote.
Era algo que fazia os cabelos da nuca arrepiarem.
Ol�, Michelle, � seu pai. Recebi minha revista hoje.
As fotos est�o sensacionais, at� o Grumpus ficou bonito.
Incr�vel, querida.
Foi ent�o que tudo come�ou a mudar para ela.
Querida Michelle, Sou agente liter�rio do Patton.
Sua mat�ria despertou interesse no mundo do cinema e TV.
Queria conversar sobre um livro.
Liguei pra Michelle e disse que eu seria a pessoa certa
para representar um livro dela se ela quisesse escrever um.
Disse que a melhor forma de vend�-lo
seria ir at� Nova York e conversar os editores.
Daniel Greenberg disse que enviaria a proposta
para um livro criminal que transformaria esse g�nero.
O que eu mais gostava era que Michelle humanizava as v�timas
e o fato de ela fazer parte da hist�ria era interessante,
e acho que era isso que fazia Michelle se destacar.
Eu lembro de estar no Shutters, na praia, com a Michelle e Alice
e Michelle recebeu a liga��o avisando da venda do livro,
e est�vamos muito animados.
Eu pedi champanhe, e Alice estava pulando na cama
porque a mam�e estava muito feliz por algum motivo.
Alice, pode descer e ficar no sof� um segundo?
Desculpe.
Alice, des�a, est� bem?
- Quer ver a Mercedes...? - Vamos assistir...
O qu�?
- Vamos, Peppa Pig. - Voc� est� vendo Peppa Pig.
- Mam�e est� conversando. - Eu vou ver Peppa Pig!
Mas...
�, n�o sei.
Como voc� come�aria, ent�o?
Puxa...
Vai assistir Peppa Pig, a� eu visto voc� e assistimos.
Vai, vista suas roupas. Obrigada.
Vista suas roupas.
Eu revisitava as vizinhan�as.
Eu li os relat�rios policiais do ano anterior
e do ano seguinte, sabe?
H� muito a se fazer, mas leva tempo, energia...
Depois de terminarmos a mat�ria, pra mim foi um al�vio.
Eu estava meio traumatizada, tive sonhos estranhos.
Acho que n�o entendi como aquilo ia ser t�xico e assustador.
Mas eu terminei, agora eu come�aria a fazer uma mat�ria
sobre tacos pra pr�xima edi��o da LA Magazine,
mas a Michelle ia continuar.
Ela dizia que tinha que continuar,
que ela precisava continuar trabalhando com aquilo.
Vou escrever um livro para a HarperCollins!
Anima��o misturada com ansiedade.
Tenho 18 meses para terminar.
Sei que terei momentos de estresse e de d�vida,
mas acho que sou capaz de terminar.
E tenho rem�dios.
Deus me ajude. Beijos.
Michelle e eu come�amos a ter uma rela��o amig�vel.
Ent�o, quando o artigo foi publicado,
fiquei tenso at� termin�-lo.
E quando terminei o artigo, pensei: "Gra�as a Deus!"
Ela cumpriu a promessa dela.
"Eu posso confiar nela."
N�s nos ligamos mais vezes,
e concordamos a continuar nos comunicando por e-mail.
E foi naquele momento que deu um clique entre mim e ela.
Ela me provou quem era,
e eu basicamente me abri por completo,
explicando o que estava fazendo nas minhas investiga��es.
Ent�o, nessa planilha,
temos basicamente uma lista geral dos casos
e as datas dos ataques.
Se olharmos os ataques no sul,
vemos que todas as v�timas foram amarradas,
e ele deixava as amarras, mas depois, ele come�ou a levar.
Acha que ele fez isso porque estava evoluindo e aprendendo,
e n�o queria deixar evid�ncias?
� uma possibilidade.
Voc� tamb�m disse algo interessante antes
sobre ele matar defensivamente.
Parece que a partir do caso Smith em Ventura,
ele n�o fazia mais isso.
Era mais por raiva, tipo: "Eu quero matar essas pessoas!"
Isso nos faz pensar que ele escolhia de acordo com a casa.
Voc� consegue ver as pessoas indo e vindo,
mas sem ningu�m suspeitar do que voc� est� fazendo.
Onde ficaria a parte de tr�s da casa?
Acho que � aqui, n�o �?
�, � aqui.
Esse � o quintal da v�tima.
"Lyman Smith era um promotor conhecido,
prestes a se tornar um juiz associado da Suprema Corte.
Sua esposa, Charlene, era designer de interiores
e trabalhava com joias."
TR�S DIAS DEPOIS DO ATAQUE
Era um domingo qualquer, e meu irm�o ca�ula, o Gary,
tinha ido aparar a grama da casa do meu pai.
Mas quando ele entrou na casa, ele ouviu o alarme tocando.
Ele achou que eles estavam acabando de acordar,
o que era estranho, porque era meio-dia, quase 1h.
Ele continuou tocando.
Ent�o ele foi at� o quarto, viu que eles estavam na cama,
e pensou que precisava dar privacidade para eles,
mas achou estranho eles n�o se mexerem
e o alarme continuar tocando.
Ent�o, ele deu a volta para o lado do meu pai da cama.
Ele desligou o alarme, levantou as cobertas,
e viu uma cor que imagino que seria sangue seco.
Ele sabia que n�o estavam se movendo e algo estava errado,
ent�o ele o cobriu de novo,
pegou o telefone do lado da cama e ligou para a pol�cia.
Descobrimos o que aconteceu
na casa e como eles morreram, como tinham sido assassinados,
e foi muito pior do que poder�amos pensar.
O agressor deixou Lyman de bru�os e amarrado,
provavelmente fazendo Charlene amarrar Lyman.
Ele at� enfiou o cobertor
debaixo dos bra�os dele
para dificultar mais ainda uma fuga de Lyman da cama.
Em vez de sair do quarto e levar a mulher para a sala,
como ele geralmente fazia,
acho que ele abusou de Charlene com o Lyman na cama.
Em algum momento, ele pegou uma madeira
e bateu neles com ela at� a morte.
Os homic�dios at� ent�o foram mortes a tiros,
porque ele reagia defensivamente.
Essa foi a primeira vez que tudo foi como planejado,
e ele provavelmente sentiu uma catarse muito forte
ap�s completar esse ato.
Cinco meses ap�s o homic�dio dos Smith,
o pr�ximo ataque foi em agosto de 1980, em Laguna Nigel,
das v�timas Keith e Patrice Harrington.
Esse caso era id�ntico ao caso Smith em Ventura.
Ir numa vizinhan�a fechada, escolher isso...
Ele estava se aperfei�oando, por assim dizer.
Acho que ele achou assassinatos mais prazerosos.
"Keith era um estudante de Medicina do quarto ano.
Sua esposa h� quatro meses, Patty, era enfermeira."
Keith e Patrice Harrington foram encontrados de bru�os,
na cama, golpeados at� a morte com um objeto n�o-identificado.
"Um fragmento compat�vel com cobre
foi encontrado no ferimento na cabe�a de Patty.
Isso poderia sugerir que uma pe�a do sprinkler no jardim
foi arrancada e escondida dentro da casa.
Numa �rea com port�es vigiados, isso seria arriscado,
sugerindo que o prazer do assassino derivava, em parte,
"desse risco maior."
E seis meses depois,
em fevereiro de 1981,
o Perseguidor Noturno Original apareceu em Irvine,
e atacou Manuela Witthuhn.
Investigador Veach, da pol�cia de Irvine.
S�o aproximadamente 14h05, e est�o investigando
um suposto homic�dio que ocorreu no final da noite.
"Manuela estava usando um roup�o marrom
e estava parcialmente dentro de um saco de dormir,
no qual ela dormia �s vezes quando sentia frio."
O saco de dormir estava na cabe�a dela,
e ela foi golpeada na cabe�a com um objeto,
deixando um furo no pr�prio saco de dormir.
"O sumi�o do abajur deu � pol�cia uma ideia de qual objeto
teria sido usado para espancar Manuela at� a morte."
No caso da Manuela, ela foi estuprada, amarrada
e espancada at� a morte como as v�timas anteriores.
Mas agora, n�o havia nenhum homem presente.
Acho que ele invadiu
achando que atacaria duas pessoas naquele caso,
era para o marido estar l�.
Meu irm�o, Dave, estava com infec��o respirat�ria,
e recomendaram que ele ficasse no hospital por uns dias.
Ele sofreu muito de s�ndrome de sobrevivente.
Ele disse v�rias vezes: "Se eu estivesse em casa,
isso n�o teria acontecido".
Alguns dias ap�s o enterro, eu fui ficar com meu irm�o.
Ele estava tomando cerveja
e percebi que ele estava bebendo muito,
e do nada, ele disse:
"Drew, eles acham que eu a matei".
- Ele achou que suspeitavam dele? - Ele disse...
Ele disse: "Eles acham que eu a matei".
"Acham que fui eu".
Eu n�o sabia o que dizer, ent�o eu perguntei: "Foi voc�?"
Foi o que saiu.
E ele disse: "N�o, n�o fui eu, Drew".
- Entendi. - "Eu n�o matei minha esposa".
"Eu jamais a machucaria, nunca faria nada com ela.
N�o, de jeito nenhum, eu a amava muito".
E eu acreditei nele.
"As mortes de Manuela Witthuhn e Patty e Keith Harrington
tinham semelhan�as, tanto grandes quanto pequenas.
A an�lise forense n�o revelou nada em comum,
mas a sensa��o era a mesma.
A de que uma �nica mente estava por tr�s disso.
Algu�m que n�o deixava pistas, n�o falava, e escondia o rosto.
Algu�m que passava despercebido por pessoas da classe m�dia.
"Um homem comum com uma perturba��o constante."
Ela levava voc� para um lugar sombrio.
Eu lembro de quando ela enviou umas p�ginas, e no t�tulo,
ela escreveu: "N�o leia isso sozinha � noite".
Ela foi encontrando mais e mais pessoas
que queriam falar com ela, e mais caminhos para tomar,
e vi o quanto envolvente e sedutor o caso era,
e como ele era viciante.
- Voc� � uma boa entrevistadora! - Eu sou?
Que bom.
Quando decidiu fazer isso?
� a primeira vez que pensou em escrever um livro?
N�o, eu sempre quis escrever um livro,
mas n�o sabia que seria sobre isso.
E o que a editora quer que eu fa�a de diferente
seria escrever como eu mesma.
E � a� que est� meu bloqueio, n�o me sinto confort�vel
pra falar de mim e da minha vida.
De certa forma, estou com dificuldade nisso.
A voz da Michelle era parte da proposta
e sempre foi um ponto forte,
ent�o, era claro que ela estaria no livro de alguma forma,
mas sei que parte dela estava com d�vidas sobre isso.
Ela n�o era uma pessoa muito focada nela.
Ela estava mais interessada nos outros
do que em falar dela mesma.
Oak Park.
Oak Park.
Merda!
Oak Park fica do lado oeste de Chicago.
Ernest Hemingway, que era de l�, chamou-a famosamente
de uma cidade de campos abertos e mentes fechadas.
Mas minha experi�ncia l� n�o foi assim.
Mor�vamos numa casa vitoriana de dois andares,
num beco sem sa�da no centro da cidade.
Michelle era a ca�ulinha,
e ela nasceu quando eu tinha 12 anos.
A diferen�a de idade era grande entre a Michelle e n�s.
Eu deixei de brincar com bonecas e passei a ter uma de verdade.
Minha m�e estava mais do que feliz de deix�-la com a gente.
Era como se a Michelle fosse uma filha �nica,
porque n�s j� t�nhamos crescido.
"Olhando agora, era como se eu tivesse chegado numa festa
que j� estava acabando."
Como ela era muito mais nova,
ela encontrou sua pr�pria voz muito cedo,
e era um esp�rito livre e independente.
Ela nasceu forte.
Ela nasceu com um temperamento forte.
Quando Michelle come�ou o ensino m�dio,
que � quando, tipicamente, come�a a rebeldia,
a rela��o entre Michelle e minha m�e ficou complicada.
Michelle via a nossa m�e mais como uma inimiga
do que como algu�m que a apoiava.
Como a Michelle era a mais nova,
ela queria mais afeto f�sico e mais aten��o,
e minha m�e era muito reservada.
Nunca duvidamos de que ela nos amava profundamente,
e sab�amos que ela fazia o que podia para nos apoiar.
Mas ela tinha, em certos momentos,
uma certa dificuldade em nos elogiar diretamente.
A comunica��o delas era muito diferente,
e nenhuma delas baixava a guarda.
Minha m�e.
Nossa rela��o sempre foi estressante.
"N�s nos provocamos a vida inteira."
T�nhamos uma casa de veraneio no Lago Michigan.
Me lembro de uma tarde, quando era crian�a,
de brincar nas ondas enquanto ela lia um livro
numa cadeira de praia.
Eu percebi que as ondas estavam altas o bastante
para eu poder ficar submersa e levantar para respirar
quando a onda estivesse alta e me escondendo.
Esperei minha m�e se arrumar na cadeira
e olhar para �gua.
Esperei ela largar o livro e ficar de p�.
Esperei ela correr at� a �gua, se preparando pra gritar.
S� ent�o eu levantei, indiferentemente.
Ela me apelidou brincando, mas nem tanto, de bruxinha.
Podemos seguir em frente ou nos afogar
com as dificuldades da vida.
Ela fez o que p�de para me encorajar
de maneiras que ela n�o foi encorajada.
Mas eu sentia suas expectativas, a transfer�ncia das esperan�as,
e eu me assustava.
Eu desejava a aprova��o dela
"enquanto achava seu incentivo sufocante."
O Assassino do Golden State parecia confort�vel
usando essas vias fluviais.
Vimos esse h�bito na �rea de Sacramento,
e quando ele chegou a Santa B�rbara,
ele voltou para uma �rea onde ele atacou duas vezes.
E sempre perto desse ponto geogr�fico.
Um riacho.
Quinto assassinato do Perseguidor Noturno Original.
Cheri Domingo + Greg Sanchez
27 de julho de 1981
"Na manh� do dia 27 de julho de 1981,
um corretor de im�veis encontrou os corpos deles.
Cheri Domingo, uma s�sia de Natalie Woods,
era uma rom�ntica � moda antiga que amava dan�ar.
Seu namorado, Gregory Sanchez, era um programador
"que era t�cnico de beisebol e andava de moto."
O caso Domingo-Sanchez.
Eles estavam na cama, no meio da noite.
Houve uma briga horr�vel.
Muito violenta.
O agressor entrou no quintal por um port�o lateral,
e parece que Gregory sentiu que havia um invasor l� fora,
porque quando ele entrou no quarto,
Gregory Sanchez j� estava de p� olhando pra ele.
O agressor pegou uma arma e atirou em Gregory.
No entanto, Greg se levantou,
e o agressor entrou num combate f�sico
com Greg Sanchez, de 1,90m.
Foi uma briga horr�vel.
O suspeito golpeou Greg e ele acaba num closet,
onde ele foi encontrado morto,
e Domingo foi espancada violentamente.
Anos depois, quando falei com a cientista forense,
ela ainda estava chocada
com o n�vel dos danos cometidos contra ela.
O s�men do agressor foi encontrado,
em pouca quantidade, mas foi encontrado no cobertor.
Ent�o n�o se sabe que tipo de intera��o sexual ocorreu,
mas ele chegou a deixar um pouco de s�men.
"Cinco anos depois, ele matou uma jovem de 18 anos,
Janelle Cruz.
Manuela e Janelle viviam na mesma �rea,
a tr�s quil�metros de dist�ncia.
Suas v�timas mulheres eram substitutas sem sorte
das mulheres sensuais e debochadas.
M�es e esposas que faziam parte de um c�rculo de rejei��o
nos sonhos do assassino.
O ato de espancar era a excita��o,
"fermentado em �dio."
Minha m�e e eu �ramos chamadas o tempo todo de irm�s.
Ela amava a praia, e ficar ao ar livre,
ela era uma californiana mesmo.
Ela era...
Ela era incr�vel.
Quando minha m�e foi morta, eu era crian�a,
acho que estava no final do primeiro ano do ensino m�dio.
Se eu tivesse hor�rio pra voltar, voltaria depois.
Se ela criasse uma regra, eu jogava a regra pela janela.
Deus a aben�oou, n�o sei como ela n�o quebrou meu pesco�o.
Cerca de acho que duas semanas antes dela ser morta,
tivemos uma briga terr�vel,
e gritamos horrores uma com a outra,
e a �ltima coisa que disse para ela foi:
"Por que voc� n�o sai da minha vida?",
desliguei na cara dela, e foram as �ltimas palavras
que eu disse para ela.
Ela n�o sabia o que fazer comigo,
- coitada dela... - A minha m�e...
Que interessante,
porque eu e minha m�e t�nhamos uma rela��o complicada,
mas nunca grit�vamos uma com a outra.
Ela passava envelopes por baixo da porta do meu quarto.
E eu tinha... Eu me lembro claramente!
"Voc� � convencida, ego�sta e grossa", coisas horr�veis,
e ela s� escrevia,
porque n�o conseguia dizer isso em voz alta.
�ramos muito diferentes...
"No meu casamento,
eu e minha m�e tivemos a nossa maior briga.
Passei muito tempo, talvez at� demais,
planejando tudo.
No jantar, coloquei grupos pequenos que n�o se conheciam
na mesma mesa.
A �nica coisa que disse � que eles tinham uma coisa em comum
e tinham que descobrir o que era.
Minha m�e veio falar comigo enquanto eu ia ao banheiro.
Ela apontou para as mesas.
"Voc� tem muito tempo livre", ela disse.
Estava evitando falar com ela porque uma amiga cometeu o erro
de me contar que ela disse para minha m�e
que eu era a melhor escritora que ela j� conheceu.
"Eu sei, eu tamb�m acho", minha m�e disse.
"Mas n�o acha que j� � tarde demais para ela?"
Fui ao banheiro, me tranquei em um boxe,
e me permiti chorar por cinco minutos.
"Depois eu sa� e fingi que estava tudo bem."
Oi, amor, � o Patton.
As p�ginas novas que voc� me mandou s�o incr�veis.
Tenho s� uns coment�rios, mas nossa... Ficou muito legal.
Especialmente o �ltimo par�grafo. Meu Deus!
- Oi, � Patton, estou em Miami. - Estou em Toronto.
Estou indo para Isl�ndia!
Minha mulher � dez vezes mais esperta que eu.
Ela pensa e age num n�vel superior,
e eu s� vejo coisas peidando e aponto, rindo...
At� ela dizer: "N�o aponta". E eu falo: "Est� bem..."
Quem � ele, Alice?
Quem est� na TV?
Papai!
� o papai?
Papai...
Como voc� est�?
"Estou lendo o rascunho do livro do Patton, e � incr�vel!
Apesar de estar feliz por ele,
estou com aquela sensa��o nauseante de inveja e desamparo."
Michelle era...
Ela era dura consigo mesma.
Com a escrita dela,
se perguntando se era uma boa m�e,
e Patton estava trabalhando muito.
Ent�o eu vou encontrar voc� na livraria.
Tenho uma sess�o de aut�grafos. Vou gravar pra Spin Magazine.
Estou quase terminando esse filme maldito.
Li seu e-mail, vou fazer tudo agora.
Voc� queria ir para uma aula �s 2h?
Vou fazer tudo o mais r�pido poss�vel.
Me ligue se precisar que eu fa�a mais alguma coisa. Tchau.
Oi, � o Patton. Indo pra casa o mais r�pido poss�vel.
- Voc� est� num cavalinho! - Oi, � o Patton.
Me ligaram da ag�ncia, eles conseguem nos arranjar,
- Voc� est� no cavalinho! - pra essa quinta,
dois ingressos para o show do Prince.
Parab�ns, Michelle!
Esse � um lembrete da farm�cia para Michelle McNamara.
Voc� precisa de refil para os seguintes medicamentos...
Ol�, Michelle. � o seu pai,
ligando para desejar feliz anivers�rio.
Adoraria ter 41 anos de novo. Que del�cia!
Nos falamos em breve.
ANIVERS�RIO DA ALICE 15 DE ABRIL
Sabe, a Michelle...
Michelle era uma investigadora brilhante.
Al�m de ser uma �tima escritora,
ela tinha uma mente muito investigadora.
Ela n�o fazia s� o m�nimo.
Ela pensava criativamente sobre crimes.
Fiquei chocada ao ouvir que Crompton ligou pra Santa Barbara
e disseram a ele no telefone que os assassinatos n�o aconteceram.
Eu fiquei chocada!
Ele disse que era diferente na �poca.
Muita coisa deu errado porque as pessoas n�o conversavam
com colegas de trabalho, o que � loucura.
Poderiam ter solucionado esses casos.
Sem sombra de d�vida.
E acho que as pessoas ficaram surpresas
em saber como investiga��es podem sair eixos
e n�o dar em nada.
Todos com quem falei parecem reclamar de Santa Barbara.
Voc� acha que isso est� no passado?
Quando eu comecei a investigar em Santa B�rbara,
acabei num beco sem sa�da.
Quando eu trabalhava em Santa Barbara,
havia muitos casos de roubos, perseguidores, e de estupros.
Para mim, o n�mero de estupros era espantoso.
E muitos tentavam justificar os estupros dizendo:
"� cidade universit�ria. O que voc� esperava?
O que voc� esperava?"
O que eu nunca entendi � por que Santa Barbara
foi diferente de outras jurisdi��es.
Eles queriam evitar uma aten��o negativa?
Por que acha que era assim?
Bem, a fazenda de Reagan estava a 24km, bem na costa.
Na �poca, Ronald Reagan estava no processo de declarar
sua candidatura � presid�ncia, e n�o queriam um estigma...
- N�o queriam chamar aten��o. - N�o queriam chamar aten��o.
E tinha tamb�m Montecito,
onde todos os famosos no mundo t�m pelo menos uma casa.
Isso mostra a influ�ncia do dinheiro e da pol�tica l�.
Eu lembro de perguntar para o sargento:
"Por que voc�s n�o divulgam esses casos de estupros?"
"O xerife fez um acordo com o conselho de corretores
para n�o divulgarmos certos crimes".
Meu Deus...
Porque isso desvalorizaria as propriedades.
N�o queriam que as pessoas tivessem medo de comprar casas,
porque Goleta estava crescendo.
E por isso, na �poca dos homic�dios,
n�s ficamos...
quietinhos.
Ol�, Mich, � a Mary Rita. Acabamos de visitar o papai.
Ele estava sedado e fora de si, mas obviamente,
as pr�ximas 48 horas ser�o cr�ticas.
Vamos avisando. Obrigada, tchau.
Vou ligar para o papai, como ele est�?
Estou com ele esperando os resultados do exame.
Ele disse ao m�dico que precisa viver mais 12 meses
para ler o seu livro.
Ol�, aqui � North Star Security.
Um alarme tocou para a porta dos fundos da esquerda.
Aqui � North Star Security, telefone 323-730-4935.
Voc� esteve aqui e deixou a porta dos fundos aberta?
Sei que � paranoia porque achei que tivesse trancado,
mas talvez n�o...
BAB� Eu abri para tirar o lixo.
Deixarei trancada. Desculpe pelo susto!
"Instalamos um sistema de seguran�a..."
"Pode parecer paranoia, mas melhor prevenir do que remediar."
Uma das telas da janela estava torta, acho que...
Ia dizer isso mais, mas melhor n�o deixarmos Alice no carro...
Sei que estou paranoica...
"N�o tenho cabedal para escrever um livro sobre isso."
- Voc�s t�m uma arma? - N�o.
- Deveriam. - Eu sei... quer dizer, n�o.
Patton � quase cego, eu sou agitada.
Somos as �ltimas pessoas que deveriam ter uma arma.
Ele gosta de atirar, mas n�o podemos ter uma em casa.
Tem balas de festim, mas parece real.
Eu digo sim.
O papai conseguiu dormir?
Hoje foi dif�cil. Ele nunca esteve t�o mal.
Achamos que talvez voc� deveria vir v�-lo.
Ele pode estar se segurando s� por isso.
Ol�, Michelle, � seu pai.
Ol�, Michelle, � seu pai. Soube que a revista foi publicada.
Parab�ns por mais essa, querida.
Ol�, Michelle, � s� seu pai. Queria saber se houve
algum avan�o no caso do Assassino do Golden State.
31 DE OUTUBRO DE 1931 15 DE JUNHO DE 2019
Quando ele morreu, ela literalmente chegou
assim que ele perdeu consci�ncia ou o que seja...
Ent�o, ela n�o teve aquele �ltimo momento com ele.
Foi muito chocante pra ela.
Michelle e meu pai tinham uma rela��o especial.
Eles simplesmente batiam, digamos assim.
Depois dele morrer, ela disse que a dedicat�ria do livro
que ela queria seria: "Para meu pai, que acreditou".
Mas ela continuou focada e trabalhando.
Olhando em retrospectiva, ela deveria ter desacelerado
e tirado um pouco mais de tempo pra si mesma.
Voc� vem estudando esse caso h� tanto tempo,
e vendo aquilo como um quebra-cabe�as,
que o horror n�o deve afetar voc� mais.
N�o tenho certeza.
- � mesmo? - Quer dizer... �.
Assim, eu ainda n�o durmo bem todas as noites,
ainda bem que tenho calmantes, mas n�o � uma vida com paz.
N�o vou parar, mas acho que ele se infiltrou no meu c�rebro.
Acho que voc� disse num e-mail que sentiu que, depois disso,
- havia uma tristeza em geral... - Bem, dava pra sentir.
Dava pra ver nele, ele estava desanimado.
Pensamos que em poucos dias teriam suspeitos.
Que seria um cara do bairro, e ele seria preso.
Para o meu irm�o, essa suspeita pareceu nunca desaparecer.
TESTE NO POL�GRAFO
Profissionais com boas inten��es investigaram esse crime,
mas eles n�o tinham suspeitos.
Ent�o, ele teve de continuar sendo um suspeito.
N�o sei como ele lidou com isso emocionalmente, dia ap�s dia,
ano ap�s ano.
Manuela foi morta em 1981,
e s� em 2000 meu irm�o deixou de ser um suspeito.
Eu vi num jornal num domingo de manh�.
Eu abri e vi a foto do meu irm�o.
Acharam uma liga��o por DNA entre a morte da Manuela
e a de outros.
Ele foi liberado, de acordo com o artigo.
-Mas viver com aquela suspeita, -Certo.
e por tanto tempo...
Ele nunca se recuperou.
Ele estava tomando rem�dios por conta pr�pria pra depress�o.
- Claro, com certeza. - Isso destruiu a vida dele.
Ele morreu dormindo.
"Quando laborat�rios come�aram a testar DNA em casos
no in�cio dos anos 90,
o condado de Orange priorizou casos de homic�dio
que envolviam agress�o sexual.
Cada cent�metro de tecido e mil�metro de amostras
era promissor.
Em 1996, Mary Hong foi uma das cientistas
encarregada de focar em casos arquivados.
Um cientista forense mais velho conversou com ela.
Ap�s 15 anos, ele ainda n�o havia esquecido de sua suspeita.
Witthuhn, ele disse.
"Harrington. Sempre achei que foi o mesmo cara."
Esse caso foi o primeiro caso arquivado que investiguei,
e foi em 1997.
Eu trabalhava no condado de Contra Costa,
eu era um jovem cientista forense.
Tinha acabado de come�ar a treinar com DNA.
Um dia, eu vi um arm�rio de arquivos
que nunca tinha visto ningu�m abrir.
E o que chamou minha aten��o foi um "EAR" em vermelho
escrito nos arquivos.
Foi ent�o que eu soube do Estuprador da Zona Leste.
Eu fiquei fascinado.
N�o poder�amos fazer nada porque eles n�o prescreveriam,
mas queria saber se eu poderia identificar o cara
e solucionar essa s�rie.
Acabei ligando para Larry Crompton.
Eu recebi uma liga��o, e um homem disse:
"Sou Paul Holes, do laborat�rio forense em Contra Costa".
E eu disse: "Paul",
eu sei de cinco homic�dios no sul da Calif�rnia,
eu sei que foi nosso estuprador,
mas ningu�m quer falar comigo e ningu�m quer ajudar".
Eu soube que o condado de Orange estava trabalhando com DNA,
ent�o liguei para Mary Hong,
mas n�s us�vamos tecnologias diferentes,
n�o pod�amos comparar os perfis.
Demorou quatro anos para usarmos uma tecnologia online
para podermos revisitar o caso do Estuprador da Zona Leste.
"Os tubos que aproximariam o caso de uma resposta
foram abertos e testados.
Quando os resultados sa�ram,
Paul Holes ligou para Mary Hong.
"� o mesmo cara, Mary disse."
No caso de Ventura, de Lyman e Charlene Smith,
t�nhamos o s�men.
No caso de Patrice e Keith Harrington,
t�nhamos o s�men.
Para Manuela Witthuhn, t�nhamos o s�men.
Domingo-Sanchez.
Janelle Cruz.
Cinco casos com evid�ncias contendo s�men que,
ao testarmos o DNA,
vimos que era o mesmo agressor, o mesmo perfil de DNA, e claro,
na minha jurisdi��o, em Contra Costa,
havia tr�s casos com evid�ncias de agress�o sexual
que eram iguais ao DNA de cinco casos
do Perseguidor Noturno Original,
e essa liga��o foi feita em mar�o de 2001.
Acreditamos que ele � culpado de pelo menos 12 assassinatos
e 50 estupros entre 1976 e 1986.
Ainda n�o temos um nome, e esse � nosso objetivo:
Encontrar um nome para esse perfil de DNA.
DNA liga casos de estupros dos anos 70
a casos de massacres em s�rie.
O assassino desconhecido era o Estuprador da Zona Leste.
Ol�, Michelle, aqui � o Daniel Greenberg.
Falei com a Jennifer.
A �nica coisa que ela perguntou � se em dezembro
voc� poderia terminar o livro em vez de janeiro.
Vamos tentar conversar na semana que vem
Espero que esteja tudo bem. Nos falamos em breve. Tchau.
DIA DE A��O DE GRA�AS, 2015
Ol�, querida...
Por favor, entenda que quero ajudar e ser honesto.
Mas percebi que est� fazendo o mesmo que eu fiz
quando estava na reta final do meu livro.
Ou seja, encontrar algo para substituir a imensa press�o
da data de entrega.
Vou reabastecer os carros. Cuidando da roupa pra lavar.
Banho e cama toda noite,
e levar ao futebol de fim de semana.
Vou cuidar de tudo. De tudo.
S�o 7h07 nessa manh� de Dia de A��o de Gra�as,
dia 26 de novembro.
Feliz Dia de A��o de Gra�as!
E nas pr�ximas 54 horas?
Voc� s� precisa acordar cedo, pegar seu caf� e seu cereal,
e escrever seu livro.
Amo voc�.
Acabei de fazer o check in. Voc� pensou em tudo por mim!
Eu sempre penso em tudo.
Agora tome um vinho, coma alguma coisa, e escreva.
Al�?
Al�?
Al�?
Vou matar voc�.
Vou matar voc�.
Vou matar voc�.
Voc�s me amam, n�o �?
Mesmo se eu surtar e rasgar tudo que escrevi?
Eu sinto que cheguei num ponto em que perdi o �nimo.
Que bela mensagem de Dia de A��o de Gra�as...
Isso quer dizer que est� quase acabando.
Tudo de criativo quer ficar na seguran�a e no aconchego
da sua mente.
Voc� est� tentando trazer tudo isso para fora.
Alice e eu estamos nos bancos, torcendo por voc�.
Agora derrube esse cara no ch�o e pegue seu trof�u.
Voc� merece.
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