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Saia.
Potro!
- Para voc�. - N�o tenho dinheiro.
Me convide para almo�ar e est� pago.
Para celebrar, peguem uns.
S�o argentinos.
- Potro? - Estou comendo.
Que beleza de gato.
De quem �? Como se chama?
� meu e se chama Plat�o.
Plat�o? Pelo fil�sofo?
N�o, cara, porque � "plateado".
� um nome muito bonito.
Gato muito fofo tamb�m.
E o que aconteceu com o viol�o?
Carcereiros.
E voc� n�o pode conseguir outro?
No pr�ximo m�s.
- E voc� n�o gostaria de ter um agora? - O que voc� quer, cuz�o?
Sua cela.
� maior que a minha. Eu preciso de mais espa�o.
Os neg�cios est�o indo bem para mim.
Foda-se, imbecil.
Com uma vassoura?
Vem aqui, filho da puta!
- Como voc� � rude! - Saia, cuz�o!
Desculpe, Plat�o!
Voc� � cigano?
Como voc�?
Deveria cortar seu cabelo como o de Sandro.
Sim, amigo.
Pra voc�.
J� havia andado de moto antes?
- Nunca. - E?
� bom.
O vento na cara.
O cheiro do combust�vel, da grama molhada. � bom.
- Voc� estava com medo. - Onde?
- Onde? No corpo todo. - Est� inventando.
Ent�o, por que apertou tanto a minha cintura?
Para n�o cair.
- Ent�o teve medo. - N�o.
Mas eu teria morrido feliz l�.
E por que voc� fez c�cegas na minha barriga?
Porque eu estava feliz.
Que bom.
- Ei... - Mmm...
- Nada. - Fala logo!
N�o.
N�o seja uma galinha, fale!
Eu gosto... do seu sorriso.
Eu realmente gosto.
- Posso te contar um segredo? - Sim.
- Eu roubei esse sorriso. - Como?
S�rio, acredite. Eu era menino, tinha 9 anos, mais ou menos.
Me levaram para o espa�o de recrea��o, l� no Paradero 18.
E um fort�o apareceu, com um olhar tremendo.
Um guitarrista. Trouxeram um banquinho para ele. Ele se sentou.
E ent�o ele sorriu.
E foi um sorriso t�o bonito.
Depois cantou mais tr�s tangos, e depois quando o aplaudiram...
ele sorriu novamente e eu dei uma boa olhada...
at� perceber que estava...
gravado na mente.
Eu sonho com uma assim.
Com a jaqueta?
E a vida.
Nenhuma das duas merdas ser� encontrada aqui no Chile, cara.
Potro, eles precisam de voc� l� atr�s rapidinho.
Vamos l�?
Vamos a uma festa.
E o filme?
Tenho certeza que ele estava te olhando, cuz�o. Vamos.
...que caen al mar...
Y el eco adormecido...
de este lamento...
hace que est�s presente...
en mi so�ar...
Quiz�s est�s llorando...
mis pensamientos...
Y estreches mi retrato...
con frenes�...
Y hasta tu oido llegue...
la melod�a slavaje...
Y el eco de la pena...
de estar sin ti...
Ansiedad...
de tenerte en mis brazos...
Musitando...
palabras de amor...
Ansiedad...
de tener tus encantos...
Y en la boca volverte a besar...
Comecei a me examinar.
O sol estava fraco e entrava pela cela.
Isso me favorece. Estou bem.
Como os outros me veriam? N�o era feio.
Algu�m me acharia bonito?
O que chamaria mais aten��o?
Meus olhos, minha boca, meu cabelo, ou talvez meu corpo?
Ou seria apenas tudo na m�dia?
Por que voc� est� t�o feliz?
Coisas de gente grande.
Me acha jovem demais?
N�o.
Eu tamb�m estou feliz, olhe para mim.
Ah, sim?
Eu n�o acho que seja pelo mesmo motivo que eu.
N�o.
Deve ser pelo motivo contr�rio.
Eu n�o sei. Ser� um segredo.
Conte-me.
Os carcereiros podem ouvir.
Me diga no ouvido.
Quantos banhos por dia voc� toma, Rucio?
Uns 2 ou 3.
E por que tantos?
- Porque aqui tudo est� sujo. - � verdade, est� tudo sujo.
E aquilo?
"O Pr�ncipe s� precisa colocar a metade".
Que auto-estima elevada tem o Pr�ncipe.
Temos que ver isso, n�o �? Vamos ver.
Est� muito bem.
Isso deve ser visto porque...
o Rucia tem...
dois punhos.
Voc� deveria medir o seu, certo?
Voc� gostaria de ter a jaqueta, certo?
Junte-se a n�s...
n�s andamos por a� e voc� ganha a jaqueta.
Vamos?
Ah... Est� com tes�o...
Voc� gosta da ideia, n�o �?
V� arrumar a cama.
Que viadagem era aquela com aqueles babacas no chuveiro, idiota?
- Obrigado, Ricardo. - Filho da puta!
Toca qualquer bosta.
Voc� � uma merda tocando.
Vou dizer ao Roberto que venha dar uma aula para voc� hoje.
Muito bem.
N�o quero mais ver voc� de viadagem com esses caras, entendeu?
Entendi.
Por que voc� tem estado t�o irritado?
- Quando? - Faz uns dias.
Deve ser por causa da senten�a que n�o sai.
Voc� quer ir?
Quem vai querer ficar aqui, cara?
Eu.
� que para voc� tudo isso � novo, idiota.
Aguarde passarem sete anos sem ningu�m vir v�-lo.
Ningu�m vem me ver.
� que voc� n�o formou uma fam�lia, idiota.
Voc� n�o tem filhos. N�o tem esposa.
E a tua?
Deve estar por a�.
Vivendo.
E aquela que veio te ver?
N�o.
N�o era a Cristina.
Cristina era linda.
Aqui as �nicas que esperam que esses bandidos saiam da cadeia
s�o aquelas mulheres gordas, feias e desdentadas.
Com 5 filhos nas costas.
Cristina era bonita.
Trabalhava em um parque de divers�es.
- Na barraca dos gatos. - Como assim gatos?
Os gatos. Um jogo que...
Com aqueles gatos de olhos redondos,
que voc� acertava com uma bola de meia.
Ah, sim.
Passava horas l�, jogando.
Gastava todo meu dinheiro naquela merda de jogo.
Para estar perto dela.
Ela nunca me perdoou pela vida de merda que eu levava.
� que...
ela era uma mulher decente, a Cristina.
Voc� viu o Plat�o, cara?
N�o.
Ele n�o aparece h� dias.
Deve estar por a�.
� um gato.
- Como? - � essa aqui.
Aqui?
Isso!
- Sim. - Essa!
Depois?
Ol�!
Podemos?
Eu venho trazer seu Plat�o.
Ele se escondeu na minha cela.
- Esse gato louco. - Deveria ter avisado antes, bund�o.
Est�vamos apenas esperando por um tango, garoto. Certo?
- Voc� quer um tango? Eu canto um tango para eles. - O qu�? Voc� tamb�m canta?
- Voc� tem que aprender tudo, Potro. - Existe alguma coisa voc� n�o saiba fazer?
Guardar rancor. Eu n�o aprendi.
Ah, que merda.
No sabr�s...
O que aconteceu com Plat�o?
O gato ficou meio esquivo por dias.
Por causa daquele viado argentino.
Entender...
lo que es amar y enloquecer...
Tus besos que queman...
tus labios que embriagan...
y que torturan mi raz�n...
S�...
que nunca m�s...
podr� arrancar del pecho...
este querer.
Y sin embargo me atormento...
porque en la sangre te llevo...
Y a cada instante...
febril y amante...
quiero tus labios besar.
Te quiero siempre as�, est�s clavada en m�.
Como un pu�al en la carne.
Y ardiente y pasional, temblando de ansiedad...
quiero en tus labios... Eu quero nos seus l�bios...
morir. Morrer.
Muito boa!
Muito obrigado, companheiros.
Cante uma chilena, imbecil.
Voc� � ou n�o � chileno?
Ele pediu um tango, Potro. Voc� quer tocar?
Voc� � ou n�o � chileno?
Ou vai negar o seu pa�s?
Vamos, o show acabou, pessoal! Vamos, todos para suas celas! Saiam!
Para suas celas! Para suas celas!
Andem, andem, vamos!
Por que o defende tanto, cara?
Gosta dele, por acaso?
V� se deitar.
- Deita comigo! - Filho da puta!
Com quem mais eu deitaria?
Ei, amigo, podemos sentar com voc�?
N�s viemos da feira. Trabalhamos a manh� toda e queremos tomar algumas cervejas.
Sim.
- Meu s�cio. - Ol�.
- Ol�.
Anda. V� buscar uma d�zia.
N�s o convidamos.
Nos sa�mos bem. Vendemos, tipo, 800 baldes. N�s viemos carregados.
Deixe-me apresentar, me chamam de El Tropical.
N�o apenas por ser quente, mas...
por ser doido, por ser macho, por ser bom de dan�a.
- Jaime. - Um prazer.
Aqui parece divertido, n�?
Isso. Obrigado.
- Sirva o amigo. - Eu tenho a minha.
Filho da puta.
O que voc� fez, filho da puta?
A puta que te pariu! O que houve?
Filho da puta, cuz�o. - Toma, Potro!
Eu quero falar!
Ajudem, ajudem! Ajudem!
Parem eles ou eles v�o se matar! Fa�am alguma coisa!
N�o, n�o vamos entrar. Eles nos matariam.
E o que voc�s v�o fazer?
Aqui quem morre, apenas morre, garoto.
Filho da puta!
Separem, separem! Eles v�o se matar! Separem eles, por favor!
Mata ele!
N�o! Me deixem passar!
N�o! N�o! N�o!! N�o!!
Venha aqui, acalme-se! Voc� vai ficar bem, idiota!
- Vamos, vamos! - Calma, calma!
Merda.
Por que enfeita tanto, se tenho que jogar fora de qualquer maneira, idiota?
Fa�a o que tiver que fazer.
Deixe-me fazer o que tenho que fazer.
Pegue.
- N�o quero. - Vai te fazer bem.
Voc� quer comer?
N�o estou com fome.
Eu tamb�m n�o.
Vai dormir na minha cama?
E voc�?
Eu vou dormir no ch�o.
Durma comigo.
Ou�a...
Ricardo est� esperando por voc� na enfermaria.
Ande.
Oi.
Oi, pr�ncipe.
- Por que voc� est� rindo, idiota? - Nada, cara.
Vamos, diga, o tempo est� acabando.
N�o, idiota. V�o me dar alta agora.
A jaqueta.
- � para mim? - N�o, idiota, para mim.
Vista.
Agora sim.
Agora sim voc� parece um pr�ncipe.
Fique bem r�pido, ok?
Sim.
Eu tamb�m tenho um presente para voc�.
- S�rio? - Sim.
- Trago para voc� na pr�xima visita. - Ok.
Se preocupe apenas em melhorar, cara.
- Em alguns dias ele receber� alta. - Que bom.
- Quero dar a ele um presente. - O qu�?
Um gato. De materiais.
Como aqueles nos carross�is.
E que se pare�a com Plat�o.
Como vai, Jaime?
Ei, e quem � seu amigo?
- El Tropical. - �s suas ordens.
Prazer em conhec�-lo, Tropical.
Omar! Traga outra d�zia aqui.
Ei, cara, � um prazer em conhec�-lo.
Um prazer conhec�-lo tamb�m, cavalheiro.
E voc�...
o que faz?
Na vida?
Eu vivo.
E pronto!
- Voc� � boa pinta, hein, Cigano! - Voc� acha, Tropical?
Se eu n�o gostasse tanto das minhas pernas,
eu te convidaria para dan�ar.
E qual � o preconceito?
- Sou ousado. - Venha com seu rei.
Vida...
Si quieres mi vida...
dilo calladito...
que te la dar�...
Dame s�lo un poco...
Nada m�s que un poco...
de ese amor que escondes...
y ser�s mi bien.
- Bom dia. - Bom dia.
Eu venho para informar que...
o preso Ricardo Garc�a...
faleceu hoje na enfermaria.
As minhas condol�ncias.
Viemos buscar seus pertences.
- Como? V�o lev�-los agora? - Agora.
Amanh� � o funeral.
- Eu ordeno imediatamente. - Eu fa�o.
Ricardito!
Ricardito!
Meus mais sentidos p�sames.
Ricardo era meu melhor amigo.
- Posso? - Entre.
Sinto muito.
Te pegarei dormindo, filho da puta.
Como te permitiram ir ao funeral?
Gonz�lez!
E este?
Este � o novato.
Ficar� aqui.
Eles te castigaram, garoto.
Como se chama?
- Mauro. - O seu dinheiro?
- N�o tenho. - Voc� tem que ter.
Vai dormir ali.
E voc� se comportar� com respeito, porque aqui estamos de luto.
Voc� sabe respeitar?
Muito bem.
E isso?
� o meu r�dio.
Vai ter que voltar a sua cela algum dia.
Sim, eu sei.
Amanh�.
Posso ficar com voc� hoje?
OK.
E agora para o banho. Est� imundo.
J�, vamos.
Eu os pe�o...
para irem para suas casas...
com a alegria digna...
de uma vit�ria limpa alcan�ada.
E que esta noite,
quando acariciarem seus filhos,
quando forem dormir,
que lembrem...
no duro amanh� que teremos em frente,
quando teremos que por
mais paix�o e mais carinho...
para fazer cada vez maior o Chile,
e cada vez mais justa a vida em nossa p�tria.
Allende! Allende!
Legenda por: Z� Ricardo Gay Dream Filmes e S�ries gaydreamfilmes.blogspot.com
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