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- Sincronizado e traduzido por Marcos Marques.
Já te perguntaste porque lhe chamam El Niño?
Começa com algo tão insignificante: uma anchova.
A anchova prospera em águas temperadas.
Quando os ventos alísios do equador trazem a água fria para oeste,
começa a tostar lentamente ao Sol abrasador.
E quando chegou a Chimbote, no Peru, que é a capital mundial da anchova,
as águas cálidas eram mortíferas para a anchova.
Que tragédia.
Não. Ainda fica pior.
A economia foi afetada.
Fui tudo afetado, não apenas os peixes.
As aves marinhas que se alimentavam das anchovas,
os gansos-patolas, os corvos-marinhos, os pelicanos, todos morreram.
Tal como os animais que se alimentavam deles.
E como este fenómeno coincidia, sem exceção,
com a celebração do nascimento de Cristo,
chamaram-no El Niño de Navidad. "O Menino do Natal."
Vá lá, temos de louvar os peruanos.
Algo tão destrutivo com um nome tão inofensivo: "El Niño de Navidad".
Esta coisa que parece tão insignificante,
ventos que tornam a água quente demais para estes peixinhos viverem, mas não.
É o arauto de algo que descontrola tudo.
Secas, inundações, tempestades. Eventos globais enormes.
Mas não podemos impedir o vento de soprar.
E o que fazemos quando vemos pequenas anchovas a boiar na água?
Seguimos em frente. E preparamo-nos para a catástrofe.
Vá lá! Despacha-te!
Olá a todos. Entrem.
Obrigado por virem.
Encomendei comida. Espero que gostem de tailandês.
Alex Levy.
Marlon. Muito prazer.
É uma honra. A sério.
És muito simpático.
Falar contigo para tomar controlo do programa
é o auge da minha carreira.
És muito amável.
Por favor, entra.
É uma casa fabulosa.
Faz tudo parte da mesma merda. O Fred sabia.
Íamos para os copos, jogávamos golfe, convivíamos,
revelávamos os aspetos mais íntimos das nossas vidas
e ele sabia de tudo, porra.
Nós sabemos que ele sabia, mas precisamos de provas.
Disse que tinha provas,
alguém que corroboraria a cumplicidade direta do Fred.
E cá estamos. Somos todos ouvidos.
Quem é?
A Hannah.
Shoenfeld?
Foda-se, Mitch. Quando dormiste com ela?
Em Las Vegas.
- Sabias disto? - Não.
Não explicitamente.
O Fred obrigou-me a promovê-la e a despedir a porra do Jared,
o que achei um pouco estranho, mas não...
Não questionaste a decisão porque era difícil, não era?
Porque não te vais foder, Mitch?
Não teríamos esta conversa se não fosse por ti.
Vamos acalmar.
Chip, vamos focar-nos no objetivo final.
Sei que trabalhaste muito tempo com o Charlie.
Quero que saibas que o considero um tipo porreiro.
Tenho imenso respeito por ele. A sério.
Mas eis o que eu acho, Alex.
Às vezes, as pessoas suplantam-se umas às outras.
Deixamos de ver alguém claramente quando estamos demasiado tempo com ela.
E eu estou a ver-te muito claramente.
Acho que o The Morning Show precisa de mostrar uma nova Alex Levy à América.
A Alex Levy 2.0.
Pensei que o que tinha acontecido fosse apenas natural, mas não foi.
Não percebi que ela me estava a usar.
És uma verdadeira vítima, Mitch.
Ela sabe alguma coisa sobre isto, ou que eu vou fazer a entrevista?
Eu disse que iam escrever um artigo.
Muito bem. Malta, isto não está pronto para ir para o ar.
É demasiado sensível e importante para o apressarmos.
Não. Não há pressa. Estamos prontos.
- Apanhámos estes cabrões. - Mitch, esta entrevista é minha, não sua.
Ouve, não sabemos
quando é que eles vão publicar a porra da investigação interna,
mas quando o fizerem, estou feito. Não voltarei a trabalhar.
O Chip tem razão. Isto tem de ser feito o mais rapidamente possível.
Estamos quatro pessoas nesta sala
e todos sabemos do plano ultrassecreto de assumir o controlo da transmissão
de uma das quatro maiores estações no seu programa mais lucrativo.
Disseste à Alex que falaste com o Mitch.
- Eu sei. - Ela sabe e não está contente.
E com o passar do tempo,
aumentam as hipóteses de alguém descobrir isto.
Isto tem de acontecer já, ou não vai acontecer,
e acabaremos todos presos por isto.
Mas eu tenho de falar com a Hannah. Nada disto resulta sem a história dela.
Portanto, se não conseguir que ela partilhe a história comigo,
isto não vai avante.
Ponto final.
- Maggie. - Olá, Fred.
Que bom ver-te.
Obrigada por te encontrares comigo.
Sempre. O que tomas?
- Uma vodca tónica. - Está bem.
- Uísque com soda. - Obrigada.
Tenho sempre tempo para ti. Sabes que sim.
Estive preocupada contigo. Soube que foste evacuado.
Escapaste ileso?
Sim, graças a Deus.
Mas os meus vizinhos deram-me nas orelhas
devido à história do TMS sobre bombeiros contratados em bairros ricos.
Eu vi. Surpreende-me que não a tenhas impedido.
Sei bem como és.
Notícias são notícias. Estou aqui para as transmitir, não impedir.
Ainda bem que pensas isso.
Parece-me que tens algo mais a dizer.
Estou a terminar um artigo de investigação
sobre as altas esferas da UBA.
A sério, Maggie?
Lamento, Fred.
Oficiosamente. Estás a trair-me?
Logo tu?
Não pretendo prejudicar-te.
Mas se o fizer, não quero que seja à traição
nem que seja de surpresa.
Maggie, não te ajudei o suficiente?
Contaste sempre com o meu apoio.
E eu sempre te apoiei, Fred. Sempre.
Se não for eu, vai ser outro qualquer.
Um conglomerado dos média de 30 mil milhões de dólares em apuros
devido à maneira como lida com a má conduta sexual?
Estas histórias já não são abafadas.
Eu rejeitei-as dezenas de vezes.
Mas encontram sempre maneira de chegar até mim,
e são cada vez mais escandalosas.
Pelo menos sabes que serei justa contigo.
Isso não me interessa.
Interessa-me que retribuas os favores.
Vou escrever o artigo, Fred.
Se vai ser bom ou mau para ti, ainda não sei.
Mas não há nada que possas fazer.
A história já foi escrita.
Só nos resta revelá-la.
Entrarei em contacto.
Cuida-te, Fred.
Credo, Vicki. Como não viste isto?
A porra da Maggie Brener vai cobrir a história.
Sim, estou a...
Não me interessa, porra. Conclui a tua investigaçãozeca.
Entrega as tuas conclusões até terça-feira.
Sim, com certeza.
Tens um dia e meio para escrever algo
que eu podia ter escrito no primeiro dia.
Já não posso arranjar.
Já não consigo comer isso.
- Olá. Bom dia. - Olá.
A Isabella ligou aos agentes do The Rock para a promoção do novo filme.
Sim. Ele quer falar contigo
para discutir umas coisas que ele quer referir.
O quê?
Sim. Deem-me só um momento.
Podem dar-me um momento? Eu vou lá ter.
Olá.
Alex.
Queria...
... ver como estavas.
- Não sei o que responder. - A sério?
É esta pergunta que vai arruinar a tua busca incessante pela verdade?
Vemo-nos no estúdio.
Céus.
- Desculpa. Olá. - Desculpa.
- O fim de semana foi bom? Divertido? - O costume. E o teu?
- Sim, o costume. Foi bom. - Até logo.
- O Cory está ao telefone. - Ligo depois.
Adeus. Tenho de dar isto ao Joel...
- Joel. - Sim?
Perfeito. Obrigado.
- Isto é para hoje? - Sim.
Acho que resultaria melhor amanhã.
Podemos tratar do programa de hoje e não com o de amanhã?
Está bem.
Olá, Hannah. É a Maggie Brener, da New York Magazine.
No seguimento da minha mensagem, liga-me quando puderes.
Hannah Shoenfeld.
Olá. Daqui fala Derek Colby. Sou o produtor executivo do UBA 365.
Olá.
Sei que está ocupada, por isso serei direto.
Um dos nossos produtores vai-se embora e os RH da UBA recomendaram-na.
Trabalhamos a partir de LA, por isso teria de se mudar,
mas estamos ansiosos por conhecê-la.
É um cargo superior. É uma excelente oportunidade.
Muito obrigada por pensar em mim.
Estou um pouco ocupada. Posso ligar mais tarde?
Sim, claro.
A minha assistente irá enviar um email com o meu contacto,
depois falamos, sim? - Está bem.
Hannah.
E depois passamos...
- Vamos antecipar a tragédia da praxe. - Está bem.
- Olá. - Muito obrigada.
O último será o segmento de culinária com o Emeril.
O que é que ele vai cozinhar?
Caramba. Vejamos...
Dás-me um segundo?
- Hannah... - Está bem.
Podemos falar depois do programa?
Quero a tua opinião sobre algo.
- Sim, claro. - Ótimo.
No meu camarim?
- Está bem. - Boa.
- Há algum problema? - Não. É um assunto privado.
Estavas a falar do Emeril?
Vai fazer carbonara.
- Ótimo. A carbonara. - Tem um ótimo programa.
- Bradley. - Olá, Alison.
- Olá, Daniel. - Ora viva.
Como estás?
Eu? Nunca melhor.
Igualmente.
No ar em 30 segundos.
- Estás bem? - Estou.
- Um copo de água? - Não, estou bem.
Está bem.
- Ela sabe? - Em breve.
No ar em dez segundos.
Revi o teu texto.
Obrigada, querida.
Muito bem. Saiam todos.
Silêncio, por favor.
E em cinco, quatro, três, dois...
Bom dia a todos.
Obrigada por assistirem.
Eis as histórias principais da manhã.
Sim?
- É boa altura? - Sim. Entra.
Está tudo bem?
- Sim. Queres sentar-te? - Claro.
Apenas queria falar contigo acerca de um assunto.
O quê?
Estou a preparar uma entrevista... com o Mitch.
É sobre a cultura nesta estação que...
... permitiu que a má conduta sexual dele continuasse por tanto tempo.
Espera.
Estás a dizer que a entrevista será feita neste programa?
Vais fazê-la?
Antes de mais, isto não acontecerá sem o teu consentimento.
Quero que saibas isso.
E agora estás a falar com o Mitch.
Sim.
E andam todos a falar de mim pelas minhas costas?
Não são todos. Sou só eu.
Não podes usar o meu nome.
Eu certificar-me-ia de manter a tua anonimidade.
Passa-se alguma coisa.
Primeiro, o Mitch vem falar comigo.
Depois, a Maggie Brener consegue magicamente o meu número
e quer falar comigo. - O quê?
E alguém do UBA 365 oferece-me subitamente emprego em LA.
Posso ser sincera?
Queria sair desta merda, esquecer isto tudo.
Espera. A UBA ofereceu-te relocalização e uma promoção? C'um caraças!
Sim! É o que estou a dizer, vem um furacão na minha direção e não sei porquê.
Porquê agora? Mas não me agrada e não quero.
Não me quero envolver.
Hannah, eu percebo. Eu também me sentiria assim.
Mas a UBA está a tentar silenciar-te.
E temos a oportunidade de alterar isso.
Sabes que mais? O meu trabalho não é esse, porra.
A minha vida não está ao dispor da tua agenda.
Talvez te sintas confortável a atraiçoar pessoas, mas eu não.
Só quero viver a porra da minha vida.
Não quero ser a imagem da tua causa. Deixa-me de fora.
Gabinete de Charlie Black.
O Fred quer falar com o Chip às 16:00.
Ele está ocupado às 16:00. Pode ser noutra altura?
Rena, acho que aquilo que o Fred quer falar
irá libertar a agenda dele.
Lamento.
Vá lá. Não foi assim tão mau.
Não achas que foi mal feito?
Então, temos um problema, porra.
Porque vou reparar nesta merda na próxima vez.
Vão todos reparar e não vamos ser a porra do programa desleixado.
Quem é que levou o meu café?
E porque estás atrás de mim?
O que foi?
Reunião às 16:00 com o Fred.
Está bem.
Está bem.
Quero cortar isto pela raiz...
... porque vocês são a minha equipa e...
São os meus heróis desconhecidos
e vocês são desconhecidos por minha causa, e lamento por isso,
mas não sou bom a elogiar.
Mas não significa que não sejam cá dos meus.
Percebem?
Digamos que foi um dia mau.
Sabem? Porque vocês não são desleixados.
E isto é para ti, Rich.
Sei que sabes como se escreve a palavra lorpa.
Portanto, da próxima vez, no teleponto. Obrigado.
Desculpem por ter berrado.
Pensei que fosse engraçado.
Na verdade, malta...
Vocês dão conta disto.
Sabem? São a minha equipa.
Obrigado.
Hannah Shoenfeld: Pensei melhor, vamos falar.
O que te fez mudar de ideias?
Remorsos, acho eu.
- Pensar noutros na mesma situação. - Obrigada.
Pois.
Importas-te que grave isto? É só para mim.
Pode ser.
Muito bem.
O que queres saber ao certo?
Comecemos pela tua experiência com o Mitch e as consequências.
Na altura do tiroteio em Las Vegas,
eu estava no estúdio enquanto eles reuniam a equipa para a cobertura.
O Chip mandou-me para lá.
Era marcadora júnior na altura. Fiquei radiante.
Foi difícil. Era um ambiente duro.
Estava a ficar deprimida, por isso fui dar uma volta pela avenida.
Encontrei o Mitch.
Ele foi simpático e animou-me.
Passeámos e falámos um bocado.
Era tudo muito confortável e familiar.
E acabou por me distrair
porque senti-me especial por passear e falar em público com o Mitch Kessler.
Como se eu fosse famosa.
Foi muito especial.
Ele convidou-me para a suite dele para ver uma comédia.
Na altura, pareceu-me boa ideia.
Mas em retrospetiva, não sei o que me deu.
Vimos um pouco do filme.
E depois comecei a pensar em tudo o que acontecera em Las Vegas...
... e na minha mãe.
E lembrei-me vivamente da altura em que ela faleceu.
Onde eu estava, o que vestia, como me senti.
Não conseguia parar de pensar nisso.
Comecei a chorar.
Disse que era melhor ir-me embora.
O Mitch aproximou-se e abraçou-me.
Ele parecia muito amável.
Aliás, paternal.
Precisava de um pai.
Não o tive durante muito tempo.
E depois ele disse que gostava de mim e...
... pôs a mão entre as minhas pernas.
Não sei o que aconteceu depois.
Estava na cama, a cabeça dele entre as minhas pernas.
Não sabia o que dizer.
Achei que o devia fazer.
Não me matou.
Vi-o no trabalho, quando voltámos.
Ele mal me reconheceu.
Não sei por que o fiz.
Eu não sou assim. Mas desabei.
Não podia ser.
Entrei pelo gabinete do Fred e contei-lhe.
Ele ofereceu-me uma promoção.
Disse que fazia um ótimo trabalho.
Ele nem sabia quem eu era.
Lamento que tenhas de reviver isso.
Como disse, sobrevivi. Mas sou muito dura.
És dura.
Forte.
Podes falar um pouco sobre como isto afetou o teu trabalho,
a tua autoimagem, a tua vida?
Pedes pouco, não?
Não quero que isto volte a acontecer.
Alguém te está a ajudar a processar isto, Hannah?
Não, não preciso de ajuda. Está feito. Acabou.
Acabou mesmo?
Como assim? Não sou a Ashley Brown, está bem?
Não vou dizer: "Estou devastada",
a chorar, para a porra da tua entrevista.
Como poderia? Estou bem.
Acontecem merdas maradas diariamente
com que não sabemos lidar.
Porquê remoer nisso? Já tens o que precisas.
Tens algo contra a estação.
Gostaria de aceitar o emprego novo antes da entrevista, está bem?
- Quero sair de Nova Iorque. - Percebo, Hannah. Acalma-te.
Não me digas o que fazer e como me sentir. Acabou.
O que é preciso para que saias? O que tenho de dizer?
Que fui violada?
Que estava assustada?
Que estava indefesa?
Que penso nisso todos os dias,
centenas de vezes por dia?
Que isto me definiu, que foi assim que fui promovida, que é quem eu sou?
Como nos sentimos quando vemos alguém que amamos e respeitamos em cima de nós...
... a usar-nos, a usar o nosso corpo...
... a desejar-nos e a não se importar connosco ao mesmo tempo?
Querer um pai e ter uma pila enfiada dentro de nós,
e depois viver com esse ruído permanente na cabeça para o resto da nossa vida,
o ruído que diz que somos porcas, que provocámos isto, que a culpa é nossa.
Ver pessoas a perderem o emprego e vidas desabarem
porque não fui capaz de dizer "não".
- Hannah... - Não te aproximes.
Vou apenas... Estou preocupada contigo.
Não estejas. Como disseste, sou dura.
Isto foi um erro. Desculpa.
Não tenho de fazer a entrevista.
Não. Fá-lo. É importante. Faz o que eu não consegui.
- Tens a certeza? - Sim.
Está bem.
Ouve.
Liga-me quando quiseres.
Terei o telefone junto à cama.
Estou bem. Faz o que tens a fazer.
Sabes que não tiveste culpa, certo? Sabes isso?
Com todo o respeito, Bradley, pega na tua retórica e sai, porra.
Que tal? Ele é bestial, não é?
Sim, é bom.
É bom. E sem dúvida que é dedicado.
- E o Marlon adora-te. - Sim.
Ele já te adorava.
Ligou-me depois da reunião. Disse que te adorava ainda mais.
É dessa paixão que falo.
Ouve. Dá-me só um minuto, sim?
Vou precisar de me habituar a isto.
Espero que se entendam, porque basta dizeres e o acordo fica concluído.
Eu sei.
Sei que terás de te habituar
e que vai haver um período de adaptação.
Mas o Greg será o teu apoio.
Terás o apoio total da estação,
incluindo um contrato chorudo como a merda para comprová-lo.
Depois dos avanços e retrocessos das últimas semanas,
terás até aprovação de coapresentador por escrito.
Está bem? Ganhaste.
Céus.
Quem me dera fechar os olhos,
pestanejar e as três últimas semanas sumissem.
Alex, as peças foram colocadas há anos.
Não há querer ou estratagema que possa alterar isso.
O Chip fez a própria cama e o Mitch fodeu toda a gente nela,
enquanto nós ficámos à entrada do quarto sem nos apercebermos.
Ouve. Que se foda o Mitch.
Deve haver maneira de pôr o Chip em licença administrativa.
Contrata o Marlon temporariamente e quando isto passar, trazemos o Chip.
Não. Nem pensar.
- "Nem pensar"? - Temos de mostrar
que este comportamento não será tolerado na UBA nem no The Morning Show.
Temos de mostrar que os nossos atos têm consequências.
Disseste-o de forma tão eloquente, como mulher, nem sempre são suficientes.
Como foi que disseste?
"Tenho orgulho em trabalhar numa estação
e viver num país que apoia consequências."
Tu és a contadora de verdades, Alex.
Céus. Está bem.
Muito bem.
Fantástico! Está feito.
Espero que não te sintas tão mal por foderes a Bradley Jackson.
Ela vai ter uma indemnização do caraças
para uma louca que nas poucas semanas que cá esteve tentou matar a nossa marca.
Talvez seja assim,
mas o que acontecer àquela rapariga para o resto da vida, será culpa minha.
Eu tirei-a da obscuridade e tornei-a infame.
- Céus. - São 15:55. A reunião começa às 16:00.
Obrigado.
Muito bem. Tenho de ir.
Tenho de ver como vou dizer à Bradley que o Daniel a vai substituir.
Isto é ótimo, Alex.
Tudo.
Para o programa... e para ti.
Senta-te.
Estou bem assim.
A Stern and Young concluiu a investigação interna.
Não me mantenhas na expectativa.
Eles consideraram-te responsável pelo ambiente permissivo.
Há várias páginas de provas que suportam isso.
Deves ter usado bons escritores de ficção para criar isso.
Um pouco melhores do que quem escreve os programas do horário nobre.
Comporta-te, Charlie. Isto é um assunto sério.
É algo sério, Fred. Sem dúvida.
Sabes que isto não me agrada.
Não me agrada saber que alguém que trabalhou para mim tantos anos
tenha demonstrado tanta negligência e colocado em risco os meus funcionários.
Estás a gozar comigo?
É bom que sejas rápido,
antes que perca a cabeça e te atire para a Quinta Avenida.
Como queiras. Estás despedido com efeito imediato.
Vamos anunciá-lo após a divulgação do relatório amanhã.
O James tem uma caixa para as tuas coisas.
Leva o que puderes. O resto será enviado para casa.
Ótimo. É tudo?
Não, mais uma coisa.
Vai-te foder por não abafares a história dos bombeiros privados como te pedi.
O incêndio esteve a um pentelho da minha casa.
O meu programa comprou-te a merda da casa
e eu reduzo-a a cinzas se bem me apetecer, porra!
Foda-se.
- Olá, Bradley. - Olá. Falei com a Hannah.
Foi muito difícil.
Lamento. Tens o suficiente para a entrevista?
Talvez, sim.
Ótimo. Fazemo-la amanhã.
Amanhã? É muito cedo.
Tem de ser amanhã, a abrir o programa.
Bradley.
Sim. Está bem.
Ótimo. Vou avisar o Mitch e o Cory que vamos avançar.
Eu aviso a Hannah. Ofereceram-lhe um cargo em LA.
Credo. Não têm vergonha, porra.
Vou começar a trabalhar. Adeus.
Ligou para a Hannah Shoenfeld.
Deixe mensagem e eu volto a ligar.
Hannah, é a Claire.
Sinto-me muito mal.
Lamento ter ficado tão chateada contigo.
Acho que fui apanhada de surpresa.
Sei que devias estar preocupada comigo.
Podemos falar?
Não aceito um não como resposta.
Se não devolveres a chamada,
vou ficar à espera à porta do teu prédio e seguir-te para o trabalho de manhã.
Vou perseguir-te até aceitares as minhas desculpas.
Levo café.
Por favor, Hannah.
Lamento muito.
Adeus.
Alguém te está a ajudar a processar isto, Hannah?
Não, não preciso de ajuda. Está feito. Acabou.
Acabou mesmo?
Como assim? Não sou a Ashley Brown, está bem?
Não vou dizer: "Estou devastada",
a chorar, para a porra da tua entrevista.
Como poderia? Estou bem.
Acontecem merdas maradas diariamente
com que não sabemos lidar.
Porquê remoer...
- Olá. - Olá.
Entra.
Ainda bem que vieste. Preciso da tua ajuda.
Queres sentar-te?
Sim. Obrigado.
Não vou mentir.
Estou a ficar nervosa por irmos em frente.
Eu percebo. É angustiante.
Ouve, antes de começarmos, tenho de dizer uma coisa.
- O quê? - Não vou lá estar amanhã.
Como assim? Tens de lá estar.
Bradley, fui despedido.
- Quando? - Antes de me ligares.
Amanhã vais anunciar as conclusões da investigação interna.
O Marlon Tate, o novo produtor, começa amanhã.
Muito bem.
Então, estamos feitos.
Não. Bradley, ainda podemos fazer isto.
"Podemos fazer isto"?
Tenho de esgueirar uma pessoa no estúdio,
apoderar-me de um segmento sem a Alex saber, e tudo sem a tua ajuda.
Como é isto possível?
É o que vamos descobrir. Mas tens de fazer isto.
Por um lado, porque expor a porra do Fred é a coisa certa
e por outro, porque isto vai descontrolar a emissão de amanhã.
Eles vão acabar por ter de cortar a emissão
e no meio da confusão, as conclusões da merda da investigação
não serão publicadas porque... - É disso que se trata para ti.
Queres abafar a investigação.
Aqui ninguém tem motivos puros, sim?
Tu sabes disso. Sejamos francos, sim?
Se fizeres isto, serás um ícone histórico.
É um grande motivo por que o fazes.
A sério? Ícone histórico? Talvez. Talvez não.
Mas não é por isso que o faço.
O mais certo é que estou a tentar destruir o único emprego decente que tive
porque sou uma doida destrutiva.
Credo. Quem se está a cagar para isso?
É egoísta? É altruísta?
Descobriremos isso quando estivermos no lar.
Agora temos a oportunidade de ficarmos ligados à merda de uma causa moral.
Nós temos de fazer isto. Temos.
"Nós." Estás sempre a dizer "nós". Mas basicamente sou eu, está bem?
Tu já não estás lá. Foste despedido.
- Eu é que corro riscos. - Pronto...
É uma loucura.
Já era uma loucura, mas agora é ridículo ao máximo.
- Sabes disso, certo? - Sim, sei.
Queres que faça isto sozinha e nem tenho capacidade para isso.
Nem sei como consegui a porra deste emprego.
Podes crer que não o mereci.
- Na maioria do tempo, estou a fingir. - Calma.
Estou a fazer o melhor que posso,
mas parece que estou num maldito reality show.
- Pronto... - Sabes que mais,
eu arrastei aquela miúda para isto e ela instável.
Ela está a sofrer e o Mitch disse a verdade sobre o Fred,
mas ninguém quer saber! - Respira.
Ninguém se importa que aquela coitada se sinta destroçada!
Bradley, tens de te acalmar.
Raios partam! Não me abraces.
Que bem é que isso fará?
- Desculpa. - Não, eu é que peço desculpa.
Não, desculpa.
Dás-me um copo?
- Toma. - Obrigado.
Como vamos fazer isto?
Agora que o Chip foi despedido?
Deixa isso connosco. Só tens de aparecer elegante.
Obrigado por teres vindo cá para me dizer isso.
Não. Vim cá para te dizer para não te meteres com a Bradley.
Como assim?
Vi a maneira como falaste sobre a Hannah... te ter usado.
Por isso, acho que ainda não entendeste.
Estou a falar coisas que incluem, mas não estão limitadas a...
... fingires que és a vítima inocente em direto
e dar a entender que a Bradley é a facilitadora.
Bom, tenho de melhorar isso.
Tenho de arranjar uma maneira de manipular a Bradley amanhã.
Sabes, Mitch, se eu fosse a ti, pensaria na entrevista de amanhã
como o início da minha turné de redenção e regresso.
E se for esse o caso, está na altura de mudares a porra do teu alinhamento.
Com toda a sinceridade, nunca fui teu grande fã.
Eras mais do agrado do meu pai, e ele era um parvalhão e está morto.
Na verdade, quando dá esse tipo de "música",
tenho de mudar de estação, pois posso partir a merda do rádio.
Mas tu és inteligente, bastante inteligente.
Talvez tenhas encontrado uma nova plateia.
Portanto, vê se não arruínas o teu primeiro programa após o regresso.
E, se puder prolongar a metáfora,
se tudo correr como planeado, dentro de três dias...
... acho que serei o responsável por alguns dos maiores recintos
da grandiosa Terra de Deus
e tenciono passar a música que eu quero ouvir.
De que porra estás tu a falar?
Amanhã é a tua oportunidade.
Confessa, senão estás feito.
Olá, daqui fala Hannah Shoenfeld.
Estive a pensar
e estou muito interessada em ir a LA para reunir consigo sobre a oferta.
Por favor, ligue-me. Obrigada.
ALARME
Quero pedir-te uma última coisa, mas é uma coisa em grande.
Está bem.
Quero que esgueires o Mitch no estúdio.
A Bradley vai entrevistá-lo em direto. A Alex não sabe.
Meu Deus. Piraste de vez, porra.
Agora sei porque te despediram.
O Mitch tem provas de que o Fred tem encobrido má conduta sexual
por toda a porra da estação e vamos expor o sacana.
- C'um caraças. - Pois.
Vou ser sincero.
É melhor procurares outro emprego.
Já ando a procurar há anos.
Como é que isto vai funcionar?
Às 7:40, a Alex vai descer para fazer o segmento táxi contra partilha de viagem.
Assim que ela entrar no elevador,
desces pelas escadas das traseiras, abres a porta das descargas.
Como fizemos com o Jagger nos anos da Alex.
Sim. Vais descer as escadas, levas o Mitch à Bradley no palco.
A Alex fará o segmento como planeado, mas não vamos emiti-lo.
E vai ser nessa altura que a Bradley vai entrevistar o Mitch.
O Cory estará na sala de comando,
a garantir que a câmara está virada para onde queremos,
pelo menos até a UBA se passar dos cornos e desligar tudo.
Confias no Cory?
Não sei. Mas tenho de confiar.
Então, acho que também tenho de confiar nele.
Desculpa por te arrastar para isto.
Ficaria ofendida se não o fizesses.
É melhor ir para lá.
Rena?
Sic semper tyrannis.
Referência discutível. Mas percebo o que dizes.
Sic semper tyrannis.
Não sei há quanto tempo foi. Podem vir até cá?
Sim, 103 Wooster Street.
Sim.
Por favor, fique em linha até eles chegarem.
Nunca tinha feito isto.
O que aconteceu?
Conhece-la?
Ficámos de nos encontrar ontem.
Eu conheço-a.
Hannah.
É sempre difícil perder alguém com quem trabalhámos estreitamente.
Sei que é para todos vocês.
O forte do Chip era ser muito participativo.
Mas ser muito participativo significa, como infelizmente viemos a saber,
que ele sabia do comportamento censurável do Mitch e permitiu que continuasse.
Isso é imperdoável.
O Chip não era o único grande produtor.
Irão descobrir isso muito em breve.
Mas isto é mais do que um trabalho, ou de gerar lucro para a estação...
Vou ligar. Atende. Urgente.
... nem transmitir as notícias.
Isto é sobre o vosso bem-estar.
E com o Marlon Tate, podem sentir-se seguros quando vierem trabalhar.
Obrigado, Fred.
É verdade. Já fui produtor assistente no Rise and Shine Seattle.
Portanto, aquilo que vos pedir para fazer, eu próprio já o fiz.
Depois de Seattle, tive uma epifania.
Disse para comigo: "Marlon, os sonhos..."
O que se passa?
Bradley.
- Eu... - O que foi, Claire?
Tenho de... dizer-te uma coisa.
Não sei como o dizer.
É a Hannah.
Ela está morta.
Teve uma overdose.
Não deixou bilhete.
Talvez tenha sido um acidente. Não sei.
Bradley?
Ainda vou trabalhar.
Faz o que tens a fazer.
Está bem.
Malta...
... tiremos um momento para honrar...
... e recordar a Hannah...
... a nossa cara colega.
Temos más notícias.
Pois. Sobre o Chip?
Não.
O que foi?
Olá. Podemos avançar.
A Rena vai ajudar o Mitch e...
A entrevista foi cancelada.
Como assim? Temos de fazer isto hoje.
Não há alternativa.
Não, Chip. A Hannah morreu.
Teve uma overdose.
A culpa é nossa, Chip.
Não posso.
Não posso fazer isto, agora que ela morreu.
Não consigo.
Eu percebo.
Vou avisar o Mitch.
Obrigada.
Preciso de um momento.
Tenho de falar contigo.
O que... Aonde vais?
Vou-me embora. Não sei para onde, mas vou-me embora.
Ia entrevistar o Mitch nas tuas costas, em direto, hoje.
Apesar de me dizeres para não o fazer.
Aliás, principalmente por me dizeres para não o fazer.
O quê?
E o Mitch ia contar-me o que aconteceu depois de dormir com a Hannah.
A Hannah?
Sim, a Hannah.
O Fred promoveu-a para proteger o Mitch e para a silenciar.
Para a silenciar do quê?
O que achas, Alex?
Fui ao apartamento dela para corroborar a história do Mitch.
Para saber a verdade.
Mas isso não me bastou. Portanto, queria destruir o Fred.
Queria arrasar com a porra da estação.
Queria fazer tudo para conseguir a melhor história possível.
E vi que ela estava a evitá-la, mas pressionei-a.
Porque sou uma besta de todo o tamanho.
E obriguei-a a reviver aquilo tudo.
E isso fez com que ela falasse de algo com que não suportava e suicidou-se.
Mais valia ter pegado numa arma e matá-la eu mesma.
- Por isso, vou-me embora. - Brad...
Meu...
Não. Céus.
Céus. Não.
Bradley!
Bradley, por favor. Espera.
Bradley, isto não é culpa tua.
Não te podes culpar por isto.
Tinhas as melhores das intenções. Eu sei que sim.
Que se fodam as minhas intenções, Alex.
Parte das minhas intenções era arrasar contigo.
Sabes que mais? Se calhar, eu mereço ser arrasada.
Porque sabes o que fiz, porque sou uma besta de todo o tamanho?
Fui ter com o sacana do Fred e implorei-lhe ajuda.
Especificamente para que fosses despedida.
E foi o que fiz. Sou uma besta desse tamanho.
Lamento que tenhas precisado de implorar ao patriarcado, mas eu vou-me embora.
Não, não podes.
- Bradley, não vás. - Sim, posso! Ora vê!
Não podes. Não vás. Temos de consertar isto.
Por favor. Consertar isto? Como vais fazer isso?
Bradley, eu não sabia da Hannah.
Não sabia do Mitch nem sabia do encobrimento do Fred. Não sabia...
E do clube de rapazes que disseste que nunca mudaria?
Sabias disso?
Não... Não sei.
Eu disse isso. Não sabia quão marado... Eu só...
- Adeus, Alex. - Não. Bradley, não consigo fazer isto.
Preciso que me ajudes hoje.
- Preciso de ti. - Não posso.
- Preciso de ti hoje. - Morning Show!
- Posso tirar uma selfie? - Agora não. Lamento.
Sai daqui, porra!
- Já disse que não! Dá cá a câmara. - Alex!
Dá-ma cá, cabrão! Achas que sou tua?
Achas que estou sempre disponível porque me vês todas as manhãs
a fazer-te sentir melhor com este mundo miserável?
Não estou! Adivinha?
- Alex. - Estou exausta!
- Para. - Estou exausta.
Sabes como é? É assim.
Quando digo "não", é mesmo não.
Alex, podes acalmar-te, porra?
Eu volto contigo se calares a matraca e lhe devolveres o telemóvel.
- Sim. - Devolve o telemóvel!
Aqui tem a porra do telemóvel.
Anda.
- Merdoso! - Deixa-o!
Credo. É só hoje. Não passa de hoje.
- Eu sei. Só hoje. - Anda.
Alex, Bradley, onde se meteram?
Estamos quase a começar, malta.
Eu trato da Alex. Ela está bem.
- Vais ficar? - Claro.
Muito bem.
Faltaste ao anúncio,
mas consegui que disponibilizassem psicólogos.
Aonde vais?
Vou pirar-me daqui. Acabou.
Ouve. Sei que é horrível, mas não podes desistir do programa.
Podes deixar-me ir?
Não consigo sentar-me junto dela. Já não consigo fingir.
Tens provas contra o chefe desta empresa
e vais-te embora?
Não permanecerás pura
se te limitares a ir embora sempre que alguém te desilude.
Achas que será melhor noutro lado?
Não.
A natureza humana é espantosamente universal e universalmente dececionante.
Mais te vale ficar e lutar, Bradley Jackson.
Não. Não preciso de acompanhante.
Não vamos em frente.
Lamento que aches isso, mas já não és produtor.
Mitch, a Hannah morreu. Teve uma overdose.
O quê?
Depois de ter falado com a Bradley sobre ti e o Fred.
Tens algo a dizer? Queres justificar...
Seu cabrão!
Cabrão!
Fui eu. Fui que revelei a história ao Times.
Por isso, vai-te foder, Mitch! Vai-te foder!
Meu Deus.
Meu Deus.
Anda cá.
Lamento muito.
Alex, sou eu.
Se calhar vais saber disto em breve.
Eles estavam a investigar o Mitch, mas queriam despedir-te.
Revelar a história ao Times...
... foi um último recurso.
Não sabia o que aconteceria.
CHAMADA PERDIDA
Mas sabia que, se não tivessem o Mitch,
iam precisar de ti.
E eu precisava de ti.
Bom, foi sempre tudo por ti.
Sempre.
Pronto. Obrigada.
Obrigada por ficares.
No ar em 30 segundos.
Nem imagino como deve ser difícil
e quero salientar o meu grande apreço pelo vosso profissionalismo.
Vamos fazer isto pela Hannah.
Desparece-me da frente, porra.
- Meu Deus. - Obrigada. Retoca aqui.
Estás bem?
Sim. Não, estou bem.
Deixa isso! Que importa, porra?
Vamos fazer isto.
Cinco, quatro, três, dois...
Bem-vindos, malta.
Obrigada por assistirem.
A nossa...
A nossa história...
... principal de hoje...
- Bradley, tratas disto? - Sim, claro.
Um cruzeiro de luxo da Golden Trident Cruise com destino à Papua Nova Guiné,
que transportava 5 mil passageiros, encontra-se no quarto dia de quarentena.
- Mais de dois terços dos passageiros e... - Alex, estás bem?
Fica na três. Aguarda, um.
- O que está ela a fazer? - Não sei.
Segue o texto, Bradley.
O navio está ancorado a mais de 600 milhas náuticas de Honolulu.
Espera-se que um barco de resgate chegue esta tarde
com antibióticos... - Cabrões.
... e equipamento médico para tratar os doentes a bordo.
Um representante da companhia de cruzeiros
afirma que estão a trabalhar noite e dia
para devolver todos os infetados para a segurança das suas casas
assim que for possível...
- Como te chamas? - ... e que estão, cito...
- Joe. - Joe?
Quinze anos e não conheço o Joe.
- Meu Deus. - Mas que raio?
Todos os tripulantes terão direito a um reembolso total devido ao surto.
Fica na três.
Aguarda, um. O que fazemos?
Ponham-na na cadeira!
Eu... Alex, o que...
- Alex, senta-te. - Népia. Não me quero sentar.
Não me vou sentar.
- Caramba. - Cabrões.
- A chegada estava prevista... - Ouve. Posso interromper?
Sim.
Olá. Desculpem.
Não temos sido francos convosco.
Quero dizer, não com as notícias.
Não me refiro a isso.
Estou a falar de nós.
Que porra estão a fazer? Preparem-se para a gravação.
- Preparar gravação. - Não contamos tudo,
nem um bocadinho.
Este estúdio... Isto...
É muito diferente do que... do que pode aparentar.
Acontecem aqui coisas muito más.
Coisas muito más. Muito más... Há pessoas más e...
Vamos mesmo fazer isto?
Sim, queres?
Temos de ser rápidas. Vão cortar a emissão.
- Temos um minuto. - Vamos.
- Passa a gravação. - Ignora, Donny. Não passes a gravação.
- Fica com elas e apanha tudo. - Está bem.
Aproxima-te, Gene. Apanha tudo.
Queremos partilhar alguma informação sobre a nossa estação.
Acreditamos que o Fred Micklen foi fulcral na criação de um ambiente
que silenciava mulheres que... - Não. Foda-se.
... se queixavam de má conduta sexual. - Filhos da puta! Não!
A UBA está prestes a revelar uma investigação interna
que afirma que estão ilibados.
Isso não é verdade.
São tretas, na sua maioria.
É tudo tretas. São tretas e não vos vou mentir mais.
Não vos vamos mentir mais.
Porque também sou culpada por não ter denunciado ou ajudado
a acabar com a má conduta sexual que acontece na porra deste edifício.
A 1 de outubro de 2017, Mitch Kessler viajou para Las Vegas
para cobrir o massacre horrendo.
PATOLOGISTA
Durante a estadia, ele dormiu com uma colega.
Ela era jovem. Ele era o chefe dela.
A cultura corporativa vem do topo para as bases.
E o Fred Micklen impunha uma cultura de medo, silêncio...
... paranoia e dor.
E impregnava-se em tudo, incluindo o The Morning Show.
Eu vi.
Vi como afetava as mulheres e nunca o impedi.
Porque era bem-sucedida.
E sei que isto não chega...
... mas peço desculpa a muita gente.
A uma pessoa em particular...
Fui muito injusta contigo e lamento profundamente.
Farei tudo ao meu alcance para corrigir a situação.
O abuso de poder, a corrupção corporativa, tem de acabar.
Não podemos aceitar uma cultura de silêncio, nem aqui nem em lado nenhum.
Aqui. Câmara dois, anda cá. Aproxima-te.
Donny, quero um grande plano.
Aproxima-te, por favor.
Por muitos Fred Micklens que haja por aí,
há milhares de milhões como eu, como a Bradley e como vocês.
Por isso façam barulho.
Esperamos que os Fred e os Mitch...
- Sincronizado e traduzido por Marcos Marques.
- Sincronizado e traduzido por Marcos Marques.
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