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Sven? Sven! Venha me ajudar!
- Runa. - Shh. Estou aqui.
- Hora de dormir. - Não consigo.
- Penso nele o tempo todo. - Sei, sei
- Mãe! - Sim.
- Não tenho dormido bem últimamente. - Está doente ou preocupada?
Tenho pesadelos quase todas as noites.
Tem medo de voltar a dormir?
Não. E acordo pensando no que eles significam.
Parece com o seu pai. Seu avô, ele também costumava sonhar.
Isso não é bom. Isso vai passar.
Se acalme. Lembre-se de respirar, Runa.
Sinta a calma da floresta.
Farei isso.
- Acertei - Ouvi.
Papai era muito melhor na minha idade.
- Ele te disse isso? - Sim.
Na sua idade, ele não gostava de nada, só do que amava, arcos e flechas.
Até ficava com eles na cama à noite. Mas isso o torna melhor?
Não... deixe o arco descansar, Runa.
Faça outra coisa por um tempo. Algo que realmente gosta.
Gosto de me tornar melhor.
Soa exatamente como ele.
♪ Posso te ouvir. ♪
Te contei sobre quando meu pai assustou a rena irritada?
Não, não lembro.
Papai e eu estávamos procurando por abelhas quando o gnu apareceu na nossa frente.
E acho que as renas também tem medo.
Quando ele nos viu ficou irritado e nos atacou com seus chifres.
- Sabe o que aconteceu depois? - Não, o que aconteceu?
Papai estendeu os braços para cima e gritou, para assustá-lo.
E ele ficou bem alto, e olhando nos seus olhos.
Isso a assustou.
Vovô, acha que o pai está morto?
- Não, acho que não. - Muitos morreram durante o ataque.
E muitos estão voltando. Ele está atrasado, isto é tudo.
Quando voltar, lembre-se de que ele fez isso por nós.
Faz dois anos. Talvez ele não volte.
Quando penso nele, é como vê-lo através da água ou do nevoeiro.
Também entrei num ataque quando era jovem.
Só queria voltar com um bom nome e riqueza.
E fiz, mas foi um tesouro caro que recebi comigo.
Não durou muito. Tinha bons olhos na época,
e meu objetivo era claro.
E quando me mostrei à mãe de Ylva, ela deixou sua avó se casar comigo.
Posso agradecê-la por isso.
Então nós temos Joar e suas irmãs,
e meus olhos começaram a desaparecer.
Os nórdicos controlavam meu destino.
Este é o verdadeiro preço da minha felicidade.
E ficaria feliz em fazê-lo novamente se tivesse que escolher.
- Vamos entrar. - Sim.
Runa, não jogue fora seu amor pelo cavalo. Precisamos vendê-lo.
- Mas não pode vendê-lo, é o ultimo do pai. - Vá pescar.
Mãe, não podemos todos ir pescar?
- Vamos Bothild. - Ela fica comigo.
- O que aconteceu? - Caí.
- Dentro do lago? Como? - Só cai. Nada mais.
Estou pensando no que papai viu em sua viagem.
Prometeu trazer algo para mim.
Sei que trará algo para você, querida.
- Sinto falta dele. - Sei.
Todos nós sentimos.
Obviamente não sente falta de nós senão, encontraria o caminho para casa agora.
Runa...
Talvez esteja frio no chão e ninguém queira falar sobre isso.
Onde está minha mãe?
Mãe...
Faça isso de novo.
- O quê? - Apenas sente-se e não faça nada.
Não posso fazer nada em minha própria casa sem você reclamar.
Não sou ingenua.
- Pare agora. - Mãe, o que está acontecendo?
Não está sozinha nisso. Também estamos aqui, sofrendo com você.
- Você não conhece minha mente, filha. - Porque você não fala nada.
Não use esse tom comigo!
Você pensa no pai, certo? Não tem trabalho a fazer?
Estão prontos. E os seus?
Fora daqui. Vá com sua irmã.
- Não. - Fora daqui!
Quero falar sobre o pai. Vá com sua irmã.
- Porque não faz mais isso! - O que você quer que eu diga?
Que sinto falta dele? Que ainda o amo?
Que acredito que retornará em um garanhão negro?
Ele não vai. Não vai!
Ele nos deixou para que pudéssemos apodrecer como excluídos.
Não percebe que você o ama?
- Papai tentou pelo menos, mas... - Talvez queira ir também, então vá.
Pegue seu arco e vá embora.
E deixe-me ficar aqui.
- Onde você vai? - Caçar.
Às vezes acho que posso vê-lo novamente.
Então percebi que é fruto da minha imaginação.
O som da floresta
o cheiro de folhas e flores.
Crescimento e podridão.
Nascimento e podridão.
Tudo está muito claro para mim... Tão perto e tão poderoso.
Já vivi o bastante.
Em breve vou apodrecer e me tornar solo.
Espero que cresça muito musgo verde em mim.
Musgo verde e doce.
Talvez você possa trazer um pouco de casa, falar com o meu túmulo e cantar para meus ossos.
Você vê sua própria morte?
Não, não vejo nada.
Mas me recuso a morrer até falar com meu filho uma última vez.
- Você está preocupada? - Vi algo hoje.
O que é que viu?
Quando mergulhei na água, senti como se estivesse sonhando...
... mas sei que estava acordada.
Acha que viu um alerta?
Sim.
Me diga.
Vi minha mãe, você e Bothild.
Definitivamente não era nada.
Está ficando mais difícil de lembrar.
Tem certeza de que não havia nada?
Havia algo mais. Foi depois... vi caídos
muitos pássaros já mortos, no chão.
Não entendo o porquê.
Alertas ruins e pássaros mortos. Parece que bateu sua cabeça, Runa.
Não procure os sinais em tudo que vê.
Só leva à tristeza e agitação.
Quem está aí?
Não fiz por mal.
Está tudo bem.
- O que aconteceu? Quem é o homem? - Vá chamar a mãe. Rápido.
Bothild, pare!
- Um guerreiro. Onde o encontrou? - Na floresta perto de Närlunda.
- Precisamos salvá-lo. - Não.
Mal consegue se mover. Precisamos ajudá-lo.
Deveria tê-lo deixado na floresta. Leve-o de volta antes que acorde.
O pai ficaria envergonhado se a ouvisse agora.
Está com febre muito alta. Poderá morrer esta noite ou em alguns dias.
Não podemos fazer muito.
Existe alguma chance dele sobreviver?
Não tenho certeza,
esta flor pode ajudar.
Obrigada.
Esconda a arma. Vamos colocá-lo no curral das cabras.
Seja como for, está vazio. Não o quero dentro de casa.
Quem é ele?
Nós não sabemos.
O que ele disse?
Falou de ouro quando veio para cá.
Espero que sobreviva, mas a febre é um perigo. Terá de dormir fora.
Parece um viajante. Talvez saiba algo sobre o pai.
Ou irá cortar nossas gargantas enquanto dormimos.
- Bothild pode pegar água para ele? - Não, e não chegue mais perto dele.
Odin, deus da grandeza, do trono em seu templo, derrame sua graça para ele.
Um cavalo que cai e quebra seus ossos.
Deus ao seu lado.
O sangue limpa osso por osso. Abençoado seja.
- O que se foi? - Aquele homem...
ele está com dor.
Não tenha medo. Acho que temos de levá-lo para dentro.
- Forçe-o a beber água. - Está bem.
- Aonde está indo? - Tenho que ir ao mercado.
Sem nós?
Tem que cuidar da sua irmã. Não pode ficar sózinha.
Bom garoto. Me desculpe por isso.
- Desejo-lhe saúde, Magnhild. - A você também, Ketill.
Então... aqui temos.
Não tinha certeza se viria. Não a tenho visto no mercado ultimamente.
As pessoas sentem falta de suas peles.
Estava começando a achar que a floresta havia engolido sua família.
- Estava ocupada. - Compreendo.
Deve ser difícil sem o seu marido. Ragnvald ainda está vivo?
- Sim. - Garanhão velho e forte.
É obvio que você vai perder tudo, não acha?
- Pensei que sua filha viria. - Não, desta vez não.
- Este é o cavalo do seu marido, não? - Sim.
Sei que está triste.
Mas vendi as peles e trouxe isso para você.
- Posso experimentar? - Sim.
É bonito. Obrigada mãe.
Você se lembrou do porco, Magnhild?
Faço tudo por você, Ragnvald.
- Bom homem. - Obrigado.
Você é cego, senhor?
Sim, sou.
- Está com sede? - Sim.
Obrigado.
Obrigado.
Sou Torulf Ulfsson, de Gallstadir.
Rangvald Ingvarsson daqui deste buraco de merda.
Ragnvald.
Eu viajei com seu filho.
- Estava com ele no ataque? - Sim.
- Está vivo? - A última vez que o vi, estava vivo.
Apenas uma semana atrás... eu acho.
Já terminou com isso, certo?
O que disse este homem agora?
Você deve ser Runa.
É Runa. Te trouxe aqui e tratou suas feridas.
Devo isso a você.
- Quem fez isto com voce? - Meus ex-companheiros de navio.
Mas escapei deles.
Companheiros de navio?
Tinha 24 anos quando deixei Akru há dois anos.
Navegamos primeiro pela costa em Östra Saltsjön para Quland.
Não demos sorte lá.
Fomos até Garderich
e lutamos com os locais.
Tinham uma forte defesa.
Quando o inverno chegou, servimos como guarda costas de um cavalheiro.
Ele nos pagou com prata, mas não foi suficiente.
Decidimos ir tentar a sorte no sul, nos países eslavos.
Mas outros tinham estado lá antes de nós.
Fomos mais ao sul... e encontramos um mercado.
E atacamos como um lobo faminto.
Éramos pessoas estúpidas, pobres.
Nunca tinhamos visto algo assim antes. Perdemos a cabeça.
Esquecemos de vigiar.
Os franceses nos atacaram. Eram três vezes mais do que nós,
e fortemente armados.
Lutamos por nossas vidas na costa francesa.
Quando escapamos, mal tínhamos pessoas para remar.
Perdemos metade da nossa tripulação e todas as nossas presas.
Nós todos estaríamos mortos se não fosse por Joar e seu arco.
Então nós fomos cada vez mais para o norte
e finalmente chegamos ao continente.
Enterramos os que morreram dos ferimentos no mar.
Naquela noite, um dos tripulantes encontrou uma árvore caída,
com as raízes apontando para cima, como um dedo alcançando o céu.
Na raiz disso, havia um grande anel de ouro
Foi como um presente dos deuses.
Nós cavamos debaixo da árvore e encontramos um cemitério antigo
cheio de tesouros.
Joar nos avisou... Nos disse para sairmos.
É uma coisa muito ruim roubar dos mortos.
O que nós fizemos?
Dividimos o tesouro entre nós
e finalmente Joar pegou a sua parte.
Dormimos aquela noite.
Ao amanhecer, tudo havia mudado.
O que aconteceu?
Os homens começaram a se atacar uns aos outros.
Cada um queria o ouro para si.
Joar e eu fugimos.
Eu ainda estava ferido após lutar com os franceses, então ele me mandou ir na frente.
Um dos bastardos me perseguiu.
Peguei todo o meu ouro e prata e joguei na lama.
Isso os fez me esquecer por um tempo.
- O que aconteceu com o nosso pai? - Então...
Vi Joar e ainda não estava ferido.
Mantinha seus perseguidores afastados.
Antes de nos separarmos, me chamou e me pediu para encontrá-lo aqui.
Só ele e eu sabemos como chegar aqui.
Bem, ele ainda não voltou.
- Runa, o que está fazendo? - Vou procurá-lo.
- Você não vai a lugar nenhum. - Runa, seu pai conhece a floresta.
Certamente tomará precauções para não ser seguido antes de chegar em casa.
Está bem.
Como sabemos que está dizendo a verdade?
Que não irá nos trair e a Joar assim que ele vier com o ouro?
- E que não é um dos perseguidores? - Você está certa.
É sensato me perguntar isso... mas quando ele voltar,
irá dizer que podem confiar em mim.
Há uma coisa que pode fazer.
Jurar pelo seu colar.
Em nome de Thor, juro que minhas palavras são verdadeiras.
Vocês precisam dormir e descansar e deixar os homens fazerem o que fazem melhor.
Vangloriar-se de ontem, divertir-se hoje e esqueçer o amanhã.
- O que ele fez? - Ele comeu o mingau.
Era o capacete dele.
Aquele homem não era bobo.
- Preciso de um tempo. - Por quê?
Tenho que sair para encontrar uma árvore.
- Mas não quero acordar quem está dormindo. - Não precisa fazer isso.
Também precisei encontrar uma árvore.
Quando se chega à minha idade, descobre que homens mais velhos costumam fazer xixi à noite.
E esse velho pai cego aqui, não iria
continuar a cair sôbre as mulheres adormecidas, então construí uma meia-porta para mim.
Me siga.
Ragnvald.
Vou salvá-lo.
Bom dia.
- Está melhor? - Sim, obrigado à você e sua família.
Não temos muito para compartilhar. Se pode andar, pode trabalhar pela sua comida.
- Vou com prazer. - Bom. Pode me ajudar com as minhas coisas.
Trabalha duro para a família.
Você é forte. Joar sabe disso.
Sua mãe...
Magnhild faz o seu melhor. Faz de tudo para fazer você se sentir bem.
Sim, ela é uma boa mulher, não é?
Bom coração, educada, generosa. E me faz rir e rir.
Às vezes me sinto órfã.
Bothild toca e canta, mas ela está tão sózinha no mundo quanto eu.
Ela simplesmente não percebeu.
Minha mãe perdeu a centelha quando meu pai foi embora.
Às vezes quando conversamos ela sonha acordada.
Não diz nada e não ouve nada.
- Acha que ela não se importa com você? - Não.
Não, está apenas triste e preocupada.
Ela teme que não possa nos proteger.
Além disso, tenho medo de deixá-la.
Você quer?
Disse alguma coisa para ela?
Ela sabe que preciso dela como mãe.
Seu pai falou muito sobre você.
Também disse que é muito boa com o arco.
Você é boa.
Se quiser me ensinar alguns truques mais tarde, te ensinarei como usar isso.
Pode ser muito cedo. Afinal, estava na cama até a poucos dias.
Mas não estou fraco demais para trabalhar para você!?
E irei enferrujar como uma ferramenta antiga, se não praticar.
Segure mais em baixo. Assim seus dedos não serão atingidos.
De lado, agora. Para lá.
Tem a mente certa para isso.
Me ensine mais.
- Tem que ser mais rápida. - Mais uma vez?
Vamos.
Mãe! Vovô! Mãe!
- O que foi? Droga. - Runa!
- Runa. - O que aconteceu?
- O que é isso? - Alguém quer me dizer alguma coisa?
Falem!
Joar!
Seu filho voltou.
Meu filho. Estava com medo do pior.
Sabia que você voltaria.
Irmão de sangue, você conseguiu.
Torulf, quer acender o fogo?
Joar... venha. Vamos servir a comida.
Joar está de volta!
Minha querida... estamos ricos.
Vai demorar.
Quero sair. Pegue-o.
Joar.
Não se sinta envergonhado. Fizemos o que tínhamos que fazer.
Agora você é um homem rico. Você merece isso.
Parece mais um fardo do que uma recompensa.
Deve ser um alívio para você e sua família.
E você salvou minha vida.
As flechas voavam. Nunca vi um arqueiro assim.
Torulf. Acho que Joar precisa de paz e sossego.
Como você está? Parece pálido.
♪ Viajantes estrangeiros enquanto dormem ♪
♪ Viverjar se enrola ao longo da árvore de cinzas ♪
Tudo bem?
Alguma coisa parece ter assustado os animais.
O pai parece diferente.
- Você sente? - Sim. Algo o está incomodando.
Acabou de voltar para casa. Passou por muita coisa. Está cansado.
- Não, é outra coisa. - O que quer dizer?
Ainda não sei.
O que aconteceu?
Toque...
Precisa conversar agora.
Não posso ajudá-lo, a menos que me diga o que está errado.
Por que quer ficar sózinho quando sua família o deseja tanto?
Por favor me abraçe.
Não, não, não.
Agora vá para a cama.
A melhor defesa é conhecer as armas do seu inimigo.
Agora é a sua vez. Acerte minha perna.
Ficou descoberta. Tem que ser mais rápida. Ainda não acabou.
- Vamos! - Tem que se defender.
Torulf.
- Como estão os ferimentos? - Melhor a cada dia.
Bom. Queremos que você parta agora.
Precisamos nos unir com uma família.
E Joar precisa descansar e deixar suas aventuras para trás.
- Espero que entenda, irmão. - Compreendo.
Perdeu sua parte do tesouro, mas não perdeu seu amigo.
Irmão.
Muito bem. Volte para casa em segurança.
Muito bem, Torulf Ulfsson, meu amigo.
Será bem-vindo no inverno para boas bebidas e histórias antigas.
Não duvido disso, Ragnvald... meu amigo.
Não acredito que o mandaram embora. Ainda não se recuperou.
Não se preocupe comigo. Adeus, Runa.
Espero que nos encontremos em breve.
- Tem que me ensinar como dominar o arco. - Irá precisar de dois braços saudáveis.
No devido tempo, no devido tempo.
Joar, irmão, você voltou.
Sim, estou em casa.
Olá.
- Bem vindo. - Obrigado.
- Runa, não é? - Sígrun.
Tome um gole deste drinque, está ótimo.
- Sua família também está aqui? - Sim, eles estão.
Não ouvi uma palavra dos que foram nesta jornada.
Seu pai voltou? Não é bom?
- Sim, ele voltou. - Esta é uma boa notícia.
Deve ser bom não ficar sózinha na floresta.
Mas ouvi dizer que você tem certeza de garantir a família.
Talvez as coisas mudem agora? Joar teve sucesso nesta viagem?
Não, na verdade não.
Pelo menos está de volta. Sei de alguém que você deveria conhecer.
Se lembra do meu filho, Ari? Se tornou um homem jovem e bonito.
Está aqui em algum lugar. Tome-o antes de outra mulher solteira.
Aqui, tome outro gole.
Pássaros mortos sobre as plantações em todo lugar.
Mas o pior foi o cheiro.
Cheiro de intestinos e vômitos, de carne apodrecida.
Quase vomitei.
Minha irmã viu algo estranho mais ao norte.
Havia alguém a observando entre as árvores.
Ela estava com o marido, armado com uma boa lança.
O estranho não se assustou com ele. Ficou lá sem dizer nada, só olhando.
Vai ver era um padre cristão. Eles são muito estranhos.
- E raramente fazem amor, ouvi dizer. - Ele não era padre.
Minha irmã e seu marido estão assustados. E eles não se assustam fácilmente.
De repente, o marido correu em direção ao homem com a lança levantada
mas ele virou as costas lentamente... e esperou.
- O que aconteceu? - O louco ficou lá.
Era um homem louco... e cheirava, disse minha irmã.
Cheirava?
- Como se estivesse prestes a apodrecer. - Forte decomposição?
Tem alguém aí?
Quem está aí?
Vá embora!
Gostou de dançar? - Sim.
O fogo está apagado.
Alguém esteve aqui.
- Quem está aí? - Somos nós, vovô. Abra a porta.
- Cadê eles?! Podem estar perto. - Do que está falando, Ragnvald?
Era um criminoso ou ladrões tentando roubar o ouro?
Ele fedia a peixe. Quase vomitei.
E ficou completamente calado. Então tentou entrar.
Felizmente, estava bêbado, senão teria feito xixi nas calças.
Estava sózinho?
- Nem sei se era um homem ou não. - O quê?
- Talvez não seja humano. - Não fale assim. Isso traz azar.
- Deve ter sido um animal. - Não, olhe para as marcas.
Seria bom se Torulf estivesse aqui. Precisamos olhar em volta.
Ragnvald.
Você não come?
Tenho que sair.
Pai?
- Runa... minha filha forte e corajosa. - Oh, pare.
Sei que está escondendo alguma coisa.
Queria que ficasse conosco.
Quero meu pai de volta, não uma bolsa de ouro.
Não é ouro. É terra.
Tive que correr o risco, Runa.
Não há futuro aqui para você e sua irmã vagando na floresta como um lobo e urso.
Agora temos o ouro e você está aqui como se o sol não surgisse no céu.
Conheço você.
Sei que não está me dizendo tudo.
Foi errado roubá-lo e agora temos que sofrer por isso.
Talvez seja apenas na minha cabeça. Pesadelo, culpa...
Provavelmente vou melhorar com o tempo.
Nós temos tempo.
♪ Viajantes estrangeiros enquanto dormem ♪
Conhece as palavras, mas sabe o que isso significa?
♪ Para o pôr do sol ♪
♪ Viverjar vigia a árvore com salgueiros ♪
Ele se foi.
Papai me deu.
Não vá perder.
Ele voltará.
Onde está Bothild?
Não sei.
Bothild?
Bothild?
Bothild?
Quieta.
Temos que sair daqui.
Corra!
Corra para casa!
- Runa não está aqui? - Não sei.
Oh, Bothild! Está machucada? O que aconteceu?
- O que aconteceu? - Os Vikings estão perto.
- Que cheiro é esse? - Meus companheiros de navio.
- Temos que sair daqui. - Sair? Cadê Joar?
- Nos deixou. - As deixou? - E levou o ouro.
Tem que dar aos Vikings para nos deixarem em paz.
Dei o meu. Mas não se importaram.
Não temos chance na floresta. Nos cercam como gado.
- Deixem-me aqui. - Não.
Ficamos e lutamos. Eu matei um deles.
São guerreiros, assassinos experientes. Mas agora estão espalhados.
- Pegam tudo o que temos. - Temos ir antes que se reunam de novo.
- Agora o cheiro está lá atrás. - Vocês dois entrem, agora.
Acho que posso ouvi-los.
- É loucura. - Sei quando defender e lutar.
- Agora temos que ser inteligentes. - Pegue a lança. - Está bem.
As trancas de segurança.
Entrem agora! Vão. Vão!
Feche a porta!
Fomos pegos como um ganso numa armadilha.
- Devíamos todos ficar bêbados. - Quantos são? Uma dúzia?
- Sou mais do que deveria ser. - O que está querendo dizer?
- Não podemos vencer. - Podemos sobreviver a isso.
Temos que fazê-los acreditar que não vale a pena já que não temos nada de valor.
Acho que sei o que querem...
- Querem vingança. - Vingança por quê?
Vi Sven lá. Ficou sentado ao meu lado, em silêncio por quase dois anos.
- Era um amigo. - Então fale com ele.
- Precisa fazê-lo parar. - Não acho que me ouvirá.
- Por quê? Começe a falar! - Não! Não fale.
Vi ele morrer, Runa. Na manhã seguinte, encontrei o tesouro.
Foi esfaqueado e não pôde sobreviver.
Eles são caminhantes.
Drauger. Os mortos-vivos.
Não os ouço. Eles se foram?
- E o pai? - Ele não sabia.
- Talvez possa estar vivo. - Talvez tenha visto o que são e fugiu.
- Como encontraram o caminho até aqui? - É o tesouro. Sentiram o cheiro.
Joar, virá nos salvar. Fará isso por nós.
Mexam-se.
Se fossem humanos, teriam incendiado a casa.
Não irão nos deixar assim tão fácil.
Não fale assim na frente de Bothild.
Estão reunidos do lado de fora da porta.
Feche os olhos e fique perto de mim.
Logo vamos acordar com os deuses e o Pai nos espera lá.
Vá com o seu avô.
Valhalla! Sentarei na mesa de Odin.
Conheça as pessoas de Freja.
Haverá prados e ramos em abundância e nada a temer.
Tudo se acabará em breve. Quem morre em batalha vai para os salões dos deuses.
Sabe Bothild,
nesses salões, há muita música...
... e cantos e rostos amigáveis.
E carne de porco bem macia.
Você sabe que te amo. Precisa sair pela porta dos fundos agora.
- Não posso te deixar, irmão. - Vá com elas. Te guardarei um bom lugar.
Vamos lá, Bothild. Fique perto de mim.
Os deuses amam aqueles que morrem em batalha!
- Vovô! - Ele queria isso. Agora precisamos sobreviver.
Wisha...
Pérola, onde está a pérola dourada?
Sinto muito.
Você engoliu?
- O que você fez? - Papai me deu.
Corre!
Salve-se, Bothild!
Fuja, Bothild! Corre!
De volta!
Hakon, o que aconteceu com você?
Bothild, corra!
- Runa! - Vá com ela. Nós os seguraremos.
- Não posso te perder. - Ficarei bem. Vai!
Não!
Não!
Não!
Não!
Não!
Não!
Mãe, vamos enfrentá-los... e cairemos.
Vamos nos encontrar com Bothild, Ragnvald e papai.
Temos que estar juntos novamente como uma família.
- Pegue a lança. - Cubra meu lado esquerdo.
Cubra meu lado esquerdo. Estão vindo.
O que aconteceu? Porque estão recuando?
É por isso.
Joar.
Joar!
Não, Joar!
Runa, Runa! Não!
Runa.
Conhece as palavras, mas sabe o que isso significa?
♪ Viajantes estrangeiros enquanto dormem ♪
♪ Viverjar vigia a árvore de cinzas ♪
Pode me ouvir?
♪ Viajantes estrangeiros enquanto dormem ♪
♪ Viverjar vigia a árvore de cinzas ♪
♪ Para o nascer do sol ♪
♪ Viverjar vigia a árvore com salgueiros ♪
♪ Agora você tem que se perguntar ao acordar ♪
♪ Viverjar, por que você está sentado na sombra? ♪
♪ Então você ouve da floresta ♪
♪ Viverjar canta: estamos aqui ♪
♪ E mantemos nossa promessa ♪
Legenda: Nosferatu
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