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O Americano Tranquilo
SAIGON NO ANO NOVO CHINÊS DE 1952
Havia um imperador - que governava com o consentimento da França-
- E a 480 quilômetros ao norte de Saigon, esse imperador e os franceses
lutavam contra um exército comunista.
Mas em guerra ou em paz, o ANO NOVO CHINÊS era tempo de
perdoar seus inimigos, saldar suas contas com Deus e credores-
- E ansiar por um mundo, que ao menos por dois dias,
poderia ser considerado um mundo feliz.
Phuong!
- Você sabe onde ele está? - Me disse para esperar aqui.
Combinamos de nos ver depois de jantar com você.
Fiquei esperando, mas não apareceu.
Talvez esteja na missão americana.
Fui até a missão. Não há ninguém.
Com tantas coisas para fazer no último momento, eu...
-Eu sei que estão partindo em breve para a América.
Ele não deve estar longe. Vamos subir e esperar.
Posso esperar aqui.
Não há nada de impróprio nisso. Tenho certeza que ele aprovaria.
Vou esperar aqui.
Ele pode estar no rio...
assistindo o desembarque dos suprimentos americanos.
- Talvez. - Alguns podem ser dele.
Agora que vai voltar para casa, vai querer garantir...
que caiam nas mãos certas.
O que você disse a ela?
Onde vou estar, caso ele chegue e não me encontre.
Por que toda essa conversa e os risos?
Acham que voltei com você.
- Monsieur Fowler? - Eu sou Fowler.
Meus olhos já não são tão jovens. Poderia identificá-la para mim?
Os meus não são mais jovens que os seus. Você sabe quem é.
Não a deixaram entrar comigo.
Há os que se queixam por não poder sair,
e aqueles que protestam por permanecer fora.
Na busca pela justiça, isso deprime...
a impopularidade da profissão.
Você não pode me trazer aqui à uma da manhã...
para aliviar sua depressão.
Há quanto tempo está com ela nessa noite?
Eu a encontrei faz pouco tempo fora do meu apartamento.
- Estava esperando por alguém. - Quem?
Por que não pergunta a ela?
Onde ela estava antes?
Estou pronto para responder qualquer pergunta sobre mim.
Não sou um informante.
Às 18hs, você tomou um drink no Continental.
Os garçons se recordam.
As 19:30, caminhou com um colega -
o correspondente do New York Times...
um homem de boa reputação... até o Hotel Majestic.
Ele se recorda.
Então contratou um cyclo-pousse... o condutor se recorda...
e chegou ao restaurante Vieux Moulin às 20:20.
Jantou sozinho e saiu ás 21h:45.
Algumas senhoras se recordam que chegou em casa por volta das 22hs.
E que não saiu até pouco tempo atrás.
Vigot, é tarde demais e eu estou muito cansado para charadas.
O que você quer?
- Açúcar? - Não.
No restaurante você estava impaciente...
Pela lentidão do garçom para trazer a conta.
Tinha um compromisso em casa as 22hs.
Com quem?
Não é assunto seu.
A inviolável imprensa.
Poderia reter minha identidade e me impedir de ir as conferências.
Em um país em guerra, é difícil manter a legalidade. Faço o que posso.
Às 22hs eu estava esperando um jovem americano na minha casa.
Ele enviou uma mensagem no final da tarde.
Queria me ver por uma razão importante.
Tem alguma idéia do que era?
Tudo é importante para este jovem americano.
Mas ele não apareceu.
Quando a encontrou fora do seu apartamento...
ela esperava o mesmo jovem americano?
Estava preocupada com ele.
É verdade o que dizem, de que eram ...
como dizer ... namorados, e que estavam indo se casar?
Vão se casar, pelo que sei.
Sim. No entanto, há menos de um mês...
perdoe a indelicadeza de um policial...
esta mesma jovem se dedicava, da mesma forma por você.
Devo insistir que não é assunto seu.
Por mais de dois anos e até um mês atrás,
uma profunda devoção entre a jovem e você...
era bem conhecida.
O que você sabe sobre o jovem americano?
Por favor, responda minhas perguntas. Acredite em mim, isso é sério.
Você sabe tanto quanto eu ... provavelmente mais.
Nacionalidade, Americano. Idade, jovem
Muito jovem.
Atividade, nunca entendi muito bem.
Um desses grupos americanos... parece haver centenas deles...
estendendo mãos amigas ao redor do mundo,
oferecendo montanhas de esperança,
Seu nome me escapa.
Amigos para uma Ásia livre.
Muito provável. E ele acredita, literalmente.
Trabalha na profissão por amizade como se fosse direito ou medicina.
Então era um jovem amigável?
Não um desses arruaceiros gritando no bar do Continental.
- Um americano tranquilo. - Muito tranquilo.
- Como ele morreu? - Por que acha que morreu?
Uma pergunta boba de um policial.
Por alguma razão, você o mencionou no passado.
Ele foi encontrado na água, embaixo da ponte Dakao.
Ele morreu do que é chamado de...morte natural?
Nada natural.
O restaurante Vieux Moulin é bem ao lado da ponte.
Tem certeza que eu não saí para matá-lo?
- Tenho certeza. - Bem, ela não fez isso.
Venha ver. Ela ainda está esperando por ele.
Uma das razões pela qual te pedi para vir aqui...
foi por achar que o choque seria mais doce,
Se você contar a ela...em particular, longe dos olhos de um policial.
É humano de sua parte.
Tenho esses momentos.
Você se importaria de identificá-lo?
Não é muito agradável, mas necessário.
Achei seria mais apropriado pedir a um oficial dos EUA.
Talvez não esteja tão certo da minha inocência como disse.
Seus métodos são dramáticos, mas um pouco antigos.
O conceito medieval de que o criminoso confrontado com o crime,
se delata.
A escada está pouco iluminada. Tenha cuidado para não escorregar.
Você vê que não se abrem na minha presença?
As feridas. Deveriam sangrar novamente diante do culpado.
Mas estão congeladas.
Não tinham refrigeração na Idade Média.
Não morreu dos seus ferimentos. Ele foi afogado.
Encontramos lama do rio em seus pulmões.
Eles devem ter feito isso rapidamente.
Eles?
Quem seja.
Não pode nos ajudar em nada?
Pode fumar aqui?
Quem irá se opor?
Você o reconhece?
Sim.
Desculpe.
Estava tão determinado para fazer o bem...
as pessoas, os países, os continentes...
para o mundo.
ele estava em seu elemento,
com todo universo para melhorar.
Quando foi isso? Há alguns meses atrás...
uma vida atrás, pode-se dizer.
Foi no continental, eu me lembro,
No frio passageiro que chega a Saigon
quando termina o dia de trabalho.
Phuong tomava seu habitual milkshake antes do jantar.
Eu comparava a guerra da Indochina vencida em casa nos jornais
com a que os franceses perdiam no norte.
Ficamos em silêncio, contentes de estarmos juntos...
olá.
Joe Morton e eu estamos tomando um drink no terraço.
Querem nos acompanhar?
Claro. Essa é a sta. Hei... Phuong Hei.
Como vai?
O problema é que não terminou seu milkshake.
Posso?
Já provou o leite do bar no outro lado da rua?
O milkshake é muito melhor que os daqui.
Todas as manhãs às 11hs eu tomo um milkshake lá.
Todas as noites às 18 hs tomamos aqui.
Eu prefiro os milkshakes de lá.
Bravo! Até agora foi o mais longo bate-papo em um quase Inglês.
É certamente melhor que o meu Francês.
Claro que o tema te inspirou. Milkshakes.
Bom que vocês encontraram algo em comum tão rapidamente.
Venham amigos. Prazer em ter vocês a bordo.
Sentem em qualquer lugar. O que desejam?
- Vermouth Cassis. - Srta. Phuong?
Ah, você trouxe o seu.
Sempre digo que as cestas de piquenique são bem-vindas.
Apenas uma bebida, filho.
E você, o que sempre disse?
Disse? Ah, Phuong é um nome bonito.
- Como se escreve? - P-h-u-o-n-g.
Isso significa "Fênix" em vietnamita.
Fênix. Uma ave fabulosa.
Ele renasce das cinzas e continua a viver, ainda mais bela.
Só que hoje em dia, nada é fabuloso,
e nada renasce das cinzas.
Nem mesmo um milkshake.
Soa sem esperança. É uma opinião pessoal?
- Como foi? - Rotina.
Foi para o norte na guerra, Dominguez?
Onde está Bill Granger? Disse que nos encontraria aqui.
Meu carro estava no aeroporto. Ele tomou um cyclo-pousse.
Não deve demorar muito.
Quer um milkshake agora? Outro?
Se não se importa que pergunte,
por que não foi a Hanói com os outros correspondentes?
Quero dizer, em vez de enviar seu assistente?
Pensei que você quisesse sentir o cheiro da batalha...
como os outros garotos.
Obrigado, mas eu não sou mais um dos garotos.
Não tenho sido desde meus tempos de escola.
A batalha não cheira, fede. Não gosto disso.
- Você não respondeu ainda. - Qual? Eu a esqueci.
Disse que nada renasce das cinzas hoje em dia...
se era uma opinião ou um fato.
Sugiro que pergunte aos mortos...
franceses ou comunistas, o que for.
Suas cinzas não se distinguem.
E sobre os vivos?
- Não querem ser mortos. - Não importa as condições que vivem?
Se quiser saber se importa permanecer vivo...
sob o colonialismo Francês ou o comunismo Chinês...
a resposta é não, isso não importa.
Perguntava sobre o modo de vida, e não permanecer vivo.
Não acho que Phuong, por exemplo, poderia dizer a diferença.
Pode diferenciar um Francês de um comunista, é claro...
os comunistas se parecem com seu povo...
mas não peça para separar os conceitos,
não espere que compreenda as idéias.
Ela está muito ocupada lutando para existir...
em um mundo super povoado.
Não é uma idéia aterrorizante,
22 milhões de pessoas felizes apenas por estarem vivas?
Permanecem vivos através da força e nada mais...
importa a eles?
Que não conhecem mais nada e por isso não lamentarão?
Não é possível que exista uma terceira escolha...
uma terceira força?
Uma terceira força?
22 milhões de vietnamitas que decidem como querem viver.
Para os americanos os números têm um significado mágico.
terceira força, cinco liberdades,
sete amuletos, e dois pelo preço de um.
Tempo para mais uma rodada antes do jantar.
Receio que devemos ir preparar nosso próprio jantar.
- Querem jantar comigo? - Bem...
Nunca fui, mas ouvi dizer que a comida do Rendez-vouz é boa.
Teremos prazer em jantar com você.
Eu gostaria filho, mas a Sra. Morton não come nada...
que não venha enlatado ou congelado dos EUA.
Me perdoe. É minha dieta.
Uma noite devemos jantar juntos em um campo de trigo.
Whisky e soda.
Tem certeza que não quer ceder só dessa vez?
Um suco de laranja.
Boa noite, senhor. Está sozinho?
Não. Estou com essas pessoas aqui.
Vejo que não tem uma dama.
Posso apresentar a srta Yvette? E a srta. Isabel?
Muito boas dançarinas. Falam Francês e um pouco de Inglês.
Obrigado, mas venho jantar...
- com meus amigos. - Vai precisar de uma acompanhante.
É constrangedor dançar quando há três numa mesa.
Um sempre fica sozinho.
Não me importo, sério. Temos muito o que conversar.
Dois cavalheiros podem falar com mais liberdade...
quando uma dama tem outra dama para conversar.
- Prefiría que não, caso não se importe. - Obviamente a ela importa.
O que ela disse?
Não tenho idéia. Provavelmente o mesmo assunto..
Não, deixe ela fora disso.
- Tire ele de lá. - Não, ela não deve se envolver.
Como me meti nisso?
Por que não vamos embora? Não quero que Phuong se misture.
Não pode chamar o delegado chinês? Tenho certeza que ela se repete.
Não sei o que diz.
Eu entendo mandarim, elas falam em cantonês.
Isso é mais sério, senhor.
Há uma guerra, você sabe. O negócio não vai bem.
Os soldados não vêm a um lugar como este...
estas damas não são para os soldados.
Aqui, por favor.
Qual foi a fórmula mágica?
Pagamos um jantar extra e mais uma garrafa de vinho.
Elas...como se diz...
jogaram nos dados para ver de quem é o crédito.
Quero me desculpar.
Não tinhamos o direito de te envolver com mulheres como essas.
Elas são boas amigas minhas.
- Eu fui para a escola com elas. - Creio que deveria saber...
quando conheci Phuong há dois anos, ela trabalhava aqui.
Era uma delas?
Por que continua a dizer "uma delas"?
São muito respeitáveis como acompanhantes para jantar e dançar.
Não nas palavras da anfitriã, não para os soldados.
Mas isso não é maneira de... quero dizer, que futuro tem?
Com o tempo, algumas formam uma relação permanente,
- de uma maneira ou de outra. - E as demais?
Quando não são mais necessárias... se aposentam muito jovens...
Acho que a carreira militar é indicada.
Depois de tudo, é uma questão de continuar existindo.
Quer perguntar agora a diferença entre o modo de vida...
e permanecer vivo?
Quer dançar comigo?
Peço para os três ... ou seja, para os quatro?
Talvez por terem ido tão rápido
e eu ficado só tão rápido,
que de repente me vi, como eles me viam...
um homem de meia idade,
mais preocupado com o menu do que com a música.
E ele a segurou decentemente, não muito perto...
do jeito que se deve segurar a mulher de outro homem,
de acordo com as regras.
Por favor não se levante. Posso me sentar?
Parece que já fez isso. Não sabia que estava aqui.
Estou jantando com amigos.
Quem é o homem que está dançando com a minha irmã?
- Um americano. - É rico?
Isso deve perguntar a ele.
Parece tranquilo e confiável. É casado?
Também deve perguntar a ele.
Acho que não.
Quando um americano é casado, parece casado.
Essa é a irmã de Phuong, srta. Hei.
Muito prazer.
Você veio de Nova York?
- Não, Texas. - Por que não Nova York?
Nenhuma razão em particular. Apenas venho do Texas.
Eu tenho um livro de fotos sobre Nova York.
A ponte George Washington está lá.
O seu pai é um empresário de sucesso?
Receio que não. Ele é um professor.
Um professor. Mas um homem importante?
Se considerar que a profissão docente é importante.
Ele vem aqui? Queria conhecê-lo.
- Você tem outra irmã? - Sabe que não. Por quê?
Porque está interrogando este jovem...
como uma agente matrimonial com fome.
Tem alguma noiva especial em mente?
- Só tenho uma irmã. - Exatamente.
Ela precisa de segurança. Merece estar segura.
Ela é boa, e muito, muito fiel.
Bem, devo voltar para os meus amigos.
Gostaria de te encontrar novamente.
Talvez pudéssemos jantar todos juntos...
quando o Sr. Fowler voltar do norte.
- Quando vai ao norte? - Muito em breve.
Dominguez acha que eu devia ver um pouco da guerra.
Então deve jantar comigo e com minha irmã...
quando o Sr. Fowler estiver fora.
Boa noite.
- Ela fala Inglês muito bem. - Se faz entender.
Podemos terminar a dança agora, se quiser.
Se eu quiser?
Nosso jantar será servido em breve. Já devia ter chegado.
Quando chegar nós pararamos.
Eu poderia muito bem estar lá com uma acompanhante.
Era um papel que não queria...
usar um sorriso e ouvir o que diziam,
"Desfrutem Me encanta vê-los dançar."
De repente me senti indisposto.
Antes nunca tivesse ouvido o rumor sobre o combate no Norte.
Esperava que Dominguez dissesse que era apenas um rumor
e que eu não precisaria ir.
Mas lá estava eu,
quase uma semana depois do nosso jantar no Rendez-vous.
Me perguntava quanto havia esperado a irmã de Phuong chamar.
Sinto muito. O barulho dos morteiros te acordaram.
Não conseguia dormir.
Eles não vão atacar hoje a noite.
Já é quase de dia.
Mas continuamos quebrando a concentração deles.
- A concentração, não creio. - Como sr. Granger?
Os comunistas estão concentrados atrás de cada árvore,
Batendo suas baterias de morteiros como patos na mira.
Deixem fazer a sua própria guerra. São os franceses que morrem.
Estão morrendo muitos franceses que não deveriam morrer.
São meus amigos. Não posso ficar insensível aos amigos...
morrendo sem necessidade.
Sem necessidade? O que quer dizer?
Quero dizer em defesa deste país que foi concebido...
no século 19 e luta no século 20,
com fortalezas de Beau Geste que foram construídas uma geração...
antes das trincheiras de Verdun.
Não tinha idéia de que era um analista militar.
Tenho certeza que o comando vai querer te consultar...
antes de fazer outros planos.
Mas seu comando aqui não tem autoridade para fazer planos.
São feitos em Paris, como eram no século 19,
e transmitidos à você... não é assim?
Pouco depois de amanhecer, haverá um vôo de inspeção a baixa altitude...
para os jornalistas. Você precisa dormir.
Em outras palavras, pode se retirar.
Isso é o que recebo por não beber no trabalho.
Caso não tenha notado, estou sóbrio.
Nunca se saberia. Você disfarça bem a sobriedade.
Onde está sua fiel babá Inglesa?
Tenho que arrumar uma nova. Essa babá bebe demais.
Acorda primo, hora de dizer adeus para a cama.
- Yankee suíno. - Esse é meu garoto.
Levanta.
A propósito, qual é o livro que você está lendo?
A poesia de Lamartine.
Me conforta.
Uma fuga, como o whisky ou ...
Este é o século 19.
O que acha que estão tramando?
Por que enviaram um americano?
Olá.
- Conhece este homem? - Acho que sim.
Bom que esteja acordado. Demorei mais que esperava.
Tenho que levar esse jipe de volta a Hanói pela manhã.
O que fazia em Hanói?
Na verdade era um clandestino junto com uma de nossas equipes médicas.
Eu disse que queria vir e ver com meus olhos.
Lamento não poder fornecer um guia.
E por que veio de Hanói?
Apenas pensei em ver o Sr. Fowler.
Apenas pensou.
Passou por não sei quantas patrulhas comunistas,
por nosso próprio bombardeio nas estradas ...
- Dá para acreditar nisso? - Pode acreditar.
Foi o bombardeio Francês? Com certeza é preciso.
Em alguns lugares toda a estrada foi destruída.
Tive que adivinhar por onde retomar.
Obrigado pelo elogio.
E um dia, quando houver paz,
e tempo para isso, quem sabe pode pegar na minha mão...
e atravessar a água comigo... até a América.
Os comunistas controlam as estradas durante a noite.
E se te pegassem e cortassem sua garganta?
Por isso peguei um jipe emprestado com uma cruz vermelha pintada.
Saberiam que não sou um combatente.
Quando você for caminhar com o coronel,
me leve na outra mão.
- Bem, aqui estou. - Sim, para me ver. Para que?
- O que significa isso? - Vai amanhecer em breve.
As tropas comunistas desaparecerem durante o dia.
Escondem seus uniformes...
e se disfarçam de camponeses pacíficos da Terceira Força.
- Não vim para falar de política. - Ainda bem.
Ficou calmo de repente.
Acho que estou apaixonado pela Phuong.
- Veio aqui para me dizer isso? - Tinha que te dizer.
Não podia esperar até o meu retorno à Saigon?
Eu não podia ficar longe dela por tanto tempo.
Quer dizer que se manteve afastado?
Primeiro eu queria te comunicar. Caso contrário não seria ético.
E tudo é ética, seja no amor ou na guerra,
os comunistas não atiram nos jipes da Cruz Vermelha...
Quando você se apaixonou?
Naquela noite no Rendez-vouz, dançando com ela.
Acho que começou antes, quando ela discutiu...
com as mulheres no bar.
Me senti mal ao imaginar que terminaria como elas.
Sua irmã te convidou para sair depois que eu fui embora, não é?
Sim, mas me mantive distante. Não foi fácil.
Mas era ético.
Lógicamente, se estivesse casado com Phuong seria diferente.
Não me envolveria entre um homem e sua esposa.
Parece seguro que pode se envolver.
- Isso ela irá decidir. - Tem um cigarro?
Fica com o maço. Tenho mais.
Eu pedi um cigarro, não ajuda financeira.
Não quero que me impressione com todos os pacotes que tem.
É só porque eu ainda tenho meio pacote em Hanói,
e os teus acabaram.
Não posso me casar com ela. Tenho uma esposa em casa.
Nunca me daria o divórcio.
Ela é um membro da Alta Igreja, se sabe o que isso significa.
Episcopal. Eu também sou. Temos isso em comum.
Não comigo. Você e minha esposa.
Eu sou um ateu.
- Se casaria com Phuong? - Claro.
Uma mulher tem direito a segurança do casamento.
São as palavras de sua irmã.
Nem tudo o que disse sua irmã está errado.
Porque ela pensa que você é rico e eu pobre.
Nisso está errada. Não tenho um centavo.
Ah, mas tem a infinita riqueza de ser respeitado.
E a juventude. Eu invejo isso.
Mas tenho a intenção de ficar com Phuong...
Seja o que for, ambos temos interesse no seu coração.
Estou farto dessa bobagem de briga entre irmãos...
sobre a grande segurança para o futuro atômico.
Não me importo com os interesses de Phuong,
você pode ter os seus. Eu quero ela. E quero comigo.
Prefiro destruí-la e estar com ela do que...
me preocupar com seus interesses.
Vai amanhecer a qualquer momento, é melhor eu voltar.
Deixa eu te pagar uma bebida antes de sair.
Eu poderia tomar algo.
Dois whiskys.
Alemão?
Legião Estrangeira. Há muitos nesse destacamento.
A propósito, tenho um telegrama para você.
Chegou depois que saiu de Saigon. Domínguez me pediu para te entregar.
Já te ocorreu que Phuong poderia escolher...
ficar comigo?
É estranho que nenhum de nós pode dizer "Boa sorte".
Ponha um pouco de lama na cruz. Mesmo de dia é um alvo tentador.
Obrigado pela bebida. Nos vemos em Saigon.
Ele não sabia, mas trouxe sua vitória com ele.
o telegrama era do meu escritório em Londres,
telegrama de congratulações pela promoção...
o fim de Phuong e eu.
Tinha que voltar para ser o novo editor internacional,
morar em Londres...
passar a vida em Bloomsbury Square,
no ônibus 73 e no Clube de Imprensa.
podiam mantê-lo.
Passaram quase duas semanas antes que eu pudesse voltar...
do norte até Saigon.
Parecia impossível.
Embora Phuong estivesse me esperando, parecia impossível.
Esse telegrama que enviei... era importante?
Como sabe que foi entregue?
Pelo jovem americano, no dia que retornou.
Ele teve a gentileza de me convidar para um chá no Majestic...
com a srta. Phuong e sua irmã.
Os milkshakes são bons no Majestic.
Acho que devo te dizer que comecei a escutar...
como posso dizer... rumores sobre rumores.
Era de se esperar.
Parece que além da sua organização,
ele importa itens de higiene pessoal...
livros e documentos para seus estudos, eu presumo.
Imagino que ele e Phuong estão inseparáveis.
Recentemente uma das suas caixas foi aberta...por engano.
- O que continha? - Plástico americano.
O que faria com plástico?
Tive medo que me saudasse... se estiver aqui para me saudar...
com um "oi".
É um termo americano usado por aqueles que não têm tempo...
de dizer um "Olá".
Seu Inglês deve ser melhor que isso.
Deve ser um handicap. Como se comunicam?
Mostrando seu livro de fotos?
"Comunicar?"
Com o americano... como você fala?
Minha irmã e ele falam a maior parte do tempo.
É muito sério, muito calado.
Seus sentimentos já são bastante ruidosos.
Deve escutá-los quando estão a sós.
Nunca estamos sós, nunca.
Nunca?
Somente quando dançamos.
Mas na mesa, minha irmã está sempre lá.
Para onde vamos...algumas vezes minha irmã com outras pessoas,
mas sempre minha irmã.
Minha irmã diz que ele me ama.
E você o que diz?
Como podemos amar alguém que está rodeado de gente?
- Ele tem um cachorro bonito. - Equipamentos de qualidade.
O cão me ama. Acho que amo ele também.
- Talvez. - Preciso observar este cão.
Pode ser a terceira força.
Tem fair play, melhor amigo do homem, a torta de maçã da mamãe.
Prepara o chá.
Entre.
Espero não interromper.
Nem um pouco. Não vai sentar?
Chegou na hora do chá.
Obrigado.
Pode pedir ao seu cão para tirar as patas de cima de mim?
Pensei que o Inglês adorava cães.
Não. Achamos que os americanos adoram dólares, mas nem todos.
Você é um Inglês excepcional, admito.
Pensei que fosse pedir para sair. Ele tem um nome, não é?
Vamos, Duke.
Acho que ela te disse que estamos nos vendo.
"Vendo" foi precisamente o jeito que ela colocou...
em lugares lotados. Não tem uma canção sobre isso?
Entendo que as noites não foram encantadas.
Não está me facilitando as coisas.
A- porque te facilitaria as coisas?
B- o quê?
Vim assim que soube do seu retorno.
- Tem algo a me dizer? - Sabe que tenho.
Oh, Deixa eu adivinhar. Plásticos?
Vai fazer um modelo de plástico...
- da democracia nacional? - Como você soube do plástico?
Ou planeja se casar e entrar no mercado de brinquedos?
Quase chegou lá.
A indústria de brinquedos começou a produção para o ano novo chinês.
Só faltam alguns meses.
Eu tive a idéia que, se ajudássemos a quem usa plástico,
para máscaras, cornetas e coisas assim, seria mais barato fabricar...
e mais pessoas poderiam comprar.
E eu pretendo me casar. Isto é o que vim te dizer.
Se bem me lembro, Phuong deve escolher entre nós.
Ah, não. Ainda não.
Eu não teria a menor chance agora. Só quero que ela saiba o que sinto.
Bem, como vamos fazer?
Afinal, você é o time visitante.
Como no críquete, você deve dar o primeiro golpe.
Eu tenho uma enorme desvantagem.
Meu francês é sofrível.
Estou tendo aulas, mas ainda não adianta.
Sim, aqui você está em desvantagem. O Inglês de Phuong não é bom.
Ainda melhor do que o meu francês.
Provavelmente está entendendo muito pouco do que falamos.
Conversamos muito rápido.
Mas se falar devagar, ela vai entender o básico.
E se ela fala devagar, eu posso entender o seu Francês.
Se houver dúvida, ficarei feliz em ser o intérprete.
Essa é uma situação ridícula, mas obrigado.
Sim, é verdade, mas...de nada.
Eu disse que tinha algo importante a dizer.
que você ia falar muito lentamente,
e que ela deveria prestar atenção.
Eu estou apaixonado por você.
Eu entendo.
Não foi fácil omitir isso enquanto ele estava fora.
Não queria que pensasse que eu faria amor com você escondido.
E não quero que ninguém diga que você...
estava sendo desonrosa com ele.
Eu entendo.
Há uma pequena confusão aqui sobre a palavra "desonrosa".
Ela pensou que significava "honra". Eu corrigi.
Você sabe muito pouco sobre mim.
Não houve muito tempo e quase nenhuma oportunidade.
Você entende isso?
Quero que você também me ame.
- Porque quero me casar com você. - Casar comigo?
Para te fazer feliz e garantir seu futuro.
Acho que temos um bloqueio aqui.
O futuro não significa nada para ela, nem mesmo em Francês.
Duvido que ela entenda até em vietnamita.
O futuro é... um tempo verbal desconhecido.
As pessoas que vivem o dia a dia têm pouca utilidade para ele.
Mas eu posso te fazer entender.
Posso te mostrar que o futuro vai ser feliz para você.
Por isso, agora que ele está de volta pode me ouvir...
pedir que saia comigo, que fique comigo...
a sós o mais rápido possível.
Eu entendo...acho.
- Você tem whisky? - Pode se servir.
Presumo que agora seja meu turno.
Já que estamos sendo justos, não vou tirar proveito...
- falando em Francês. - Vá em frente.
Não. Faz tempo que não jogo críquete...
Quero ver o que posso fazer.
Você vai me deixar por ele?
Ele poderia se casar com você. Eu não posso.
- Você sabe porque. - Vai me deixar?
- Não. - Nunca?
Me parece que ela entende bem o futuro.
Ninguém pode prometer isso.
Nem ele pode. Casamentos se rompem.
Eles costumam acabar mais rápido que uma relação como a nossa.
- Eu não quero ir embora... - Mas?
Não deveria mostrar o seu saldo bancário neste momento?
Eu não tenho. É de você que ela espera isso.
Vá em frente, faça ela se sentir querida e segura.
Ela teve isso de mim por dois anos. Eu a fazia feliz.
Como estará segura casada com você?
Com seu chofer quando estiver no escritório?
Diga a Phuong, quando resolver seguir sua vida, o que vai deixar para ela?
Ou ela se conforma com a mobília?
Na verdade, o mobiliário não é meu.
Na verdade, ela também não. Quer se casar comigo?
Diga em francês! E diga isso por você mesmo!
- Quer se casar comigo? - Manda seu cachorro se calar!
- Venha comigo agora. - Esta casa é minha, não dele!
Diga a ele para ir e levar o seu cão junto.
Não. todos de uma vez, eu não entendo.
Ela enfrenta as situações da sua maneira. Está preparando o jantar.
Você quer ficar?
Não, obrigado.
Sabe, quem dera você pudesse se casar com ela.
Mesmo?
Essas garotas do Rendez-vous...
Não tenha tanta certeza que não importam para ela.
Tchau.
"Querida Helen", eu escrevi
"Estou voltando à Inglaterra, para assumir o posto de editor.
"Você pode imaginar que não estou muito contente.
"A Inglaterra é para mim, o lugar do meu fracasso.
"Planejei nosso casamento para durar muito tempo
como se eu compartilhasse suas crenças cristãs..."
Você escreve sobre o combate no Norte?
Não. Esta é uma guerra antiga.
"Antes do casamento, me advertiu que não haveria divórcio.
"Eu aceitei o risco: não posso reclamar.
"Ao mesmo tempo, estou te pedindo agora.
"Por mais de dois anos, alguém tem sido...
"muito fiel a mim.
"É estúpido te dizer isso... coloco uma resposta na sua boca...
"mas por favor acredite perdê-la seria, para mim
o começo da morte".
- Terminou? - Terminei.
Pedi o divórcio a minha esposa. Nunca tinha pedido antes.
Há uma chance?
Uma pequena.
Ele é jovem.
- Quem? - O americano.
Não é importante.
Eu menti para você.
O jornal está me enviando para casa em breve.
Eu poderia ir com você. Gostaria de conhecer Londres.
Seria desconfortável para você sem estarmos casados.
Poderia ir mesmo assim.
Tem arranha-céus em Londres?
Não. Na América.
E a Estátua da Liberdade?
Na América, também.
A religião Cao-Dai foi inventada em 1926
por um funcionário civil vietnamita.
É uma combinação de Budismo Cristianismo e Confucionismo.
Há um papa e cardeais masculinos e femininos.
Em 1951, havia mais de dois milhões de seguidores.
Pelo menos uma vez por ano, Cao-Dai celebra um festival
na sua Santa Sé em Tay Ninh,
que se estende por 80 Km a noroeste de Saigon.
A audiência a estas celebrações era boa
a atração principal não era tanto a jovem religião
mas o jovem exército Caodista com vinte e cinco mil homens.
Eram neutros nesse momento... mas sempre se pode esperar.
O mais urgente era voltar para Saigon antes do anoitecer.
Pela estrada dos campos de arroz protegida durante o dia.
A noite, como todas as outras estradas,
pertencia aos comunistas.
As Sombras já haviam alcançado a montanha sagrada
onde ficava o General Thé,
até recentemente, o Chefe do Estado Maior da Cao-Dai.
Ele já não era neutro.
Mas ninguém falava sobre ele naquele dia.
Agora todos tinham visto o show
e queriam ir embora o mais rápido possível.
O regresso a Saigon havia começado,
enquanto sob o olhar de Deus, alguns de nós tentavam
obter uma notícia de última hora pelo representante do papa.
Eminência, é verdade...
que o General Thé está reunindo seus homens nas colinas...
para lutar contra os franceses e os comunistas?
Eles vão voltar. Somos neutros.
Somos uma religião de fé.
Nós não reconhecemos a guerra.
Com um exército de vinte e cinco mil homens?
É verdade que o General Thé pediu o seu apoio...
em favor de um governo democrático nacional...
que não é pró-Francês, nem pró-comunista?
O governo de uma terceira força?
O amor é a única força real...
que, com o tempo, vai unir o mundo.
Me diga como tudo acaba.
Sua Eminência, sabemos como se sente sobre o amor.
O que pensa do General Thé?
Somos neutros. Nós não reconhecemos a guerra...
eu reconheci o comandante Caodista.
Ele tem sido um dos assistentes mais próximos do General Thé
antes de Thé marchar para as colinas.
Eles pararam de falar quando eu cheguei.
Me pareceu que interrompi uma conversa privada.
Comandante, como está o General?
Que general?
Certamente na fé Caodista todos os generais estão unidos...
mesmo o General Thé.
Tenho um problema com o meu carro. Não está ligando.
Eu mandei para um mecânico no quartel.
- Vai chegar logo. - Espero que sim.
É hora de voltar a Saigon.
Bem, vou me refrescar um pouco na catedral .
Vejo você antes de ir.
O conceito da Catedral,
segundo a história, chegou a seu fundador em um sonho.
Uma fantasia de Walt Disney no oriente, dragões e serpentes,
sem vidros nas janelas...
e em toda parte o olho de Deus sobre nós.
Não tem gasolina.
Os Cao-Dais devem ter esvaziado...
enquanto o olho de Deus me vigiava.
Me pergunto por que apenas o seu carro, quando haviam
dezenas com tanques maiores e de acesso mais fácil.
O que suspeita, de uma rede de espionagem?
Muita Coincidência, só isso.
Primeiro meu carro enguiça sem nenhuma razão.
Você veio sozinho...logicamente me daria uma carona de volta.
E o seu carro tem gasolina suficiente para nos deixar aqui.
Nesse caso, Ava Gardner deve estar nos esperando...
nessa torre de vigilância.
Se não, os guardas podem ter um pouco de gasolina de sobra.
Pelo menos chegamos ao território do exército vietnamita.
Vai ficar escuro em breve. Então, não importa que bandeira nos abriga.
- Alguém olhou? - Não.
Vou ligar para saber se podemos subir.
Nem uma maldita palavra.
E nem uma gota de gasolina.
Abaixem essas armas!
Sentem-se!
Claro que veriam o carro. Consegui tirá-lo da estrada.
Você quase conseguiu foi minha cabeça estourada. Suba.
Conheça alguns companheiros, guerreiros da democracia.
São apenas crianças.
O que podem fazer se os comunistas atacarem?
Disparar um tiro, possivelmente,
e depois tentar desaparecer nos campos de arroz.
Muito sensato.
A noite vai ser longa, tenho medo.
Ainda assim, há quarenta destas torres entre nós e Saigon.
Melhores chances que a roleta.
Se tivéssemos cartas podíamos ensiná-los a jogar bridge.
Por que não dá uma lição sobre a democracia nacional?
Este é o público perfeito... prisioneiros.
Não acredita em nada disso, não é?
acredito que essa parede está nas minhas costas.
Acredito que essas armas estão carregadas.
Duas crenças, ambas confinadas nesse barracão, nesse momento,
e ambos assustados.
Um cigarro? Ou estou sendo pretensioso?
Eu daria pra os guardas. Melhor ser amigos deles.
Não imaginei que fosse utilizar a ajuda financeira...
para comprar amigos.
Eles estão com medo. Eu não os culparia...
se nos entregassem aos comunistas.
Também não acreditam em nada.
Só querem arroz o suficiente.
Querem que os dias sejam iguais.
Não querem nossas peles brancas ao redor, dizendo o que eles querem.
Está dizendo o que não querem,
que é a mesma coisa.
As peles na Rússia seguem sendo brancas.
- Se toda a Indochina vai... - Conheço esse discurso.
Birmânia vai, Malásia vai, Indonésia vai.
Mas o que significa "vai"?
Não sei por que falo de política. Isso não me interessa.
Sou jornalista... Não estou envolvido.
Meu amigo, você está muito envolvido.
Sou imparcial, vença quem for, sigo reportando.
Se eles vencerem, não poderá nem mesmo acreditar no que reporta.
Essa importância repentina do indivíduo e sua liberdade...
por que só agora descobrimos isso?
Há 50 anos ninguém falava sobre isso.
- Não estava sendo ameaçada. - A nossa não.
Mas quem se importava com a deles?
Não venha para o Oriente com esse discurso...
sobre uma ameaça para a alma do indivíduo...
a menos que esteja preparado para fazer algo a respeito.
Neste momento, para essas pessoas,
são os outros que defendem o indivíduo.
Para nós, há muitas unidades...
no conceito de estratégia global de qualquer um.
Isso infelizmente é real.
E o que pensa fazer a respeito?
Eu? Venho de um país que tem menos de 200 anos...
em um mundo muito velho.
Nesses mesmos 50 anos atrás, mal éramos levados a sério como nação,
quanto mais como uma força de sabedoria e decisão.
Mas agora, um segundo mais tarde na história,
o mundo espera com raiva pelas nossas respostas...
que não conseguiu encontrar por cinquenta séculos.
Uma patrulha em um tanque Francês.
Empurrar seu carro da estrada não foi tão inteligente quanto pensei.
Talvez possamos fazer um sinal quando voltarem.
Se eles voltarem.
Bem, enquanto isso,
não há nada melhor para fazer do que tentar dormir.
Não tem sono?
Estava pensando.
O que você acha que Phuong está fazendo agora?
Agora? certamente está esparramada na cama,
com uma vareta de incenso queimando para afastar os mosquitos,
recordando a sua coleção de álbuns de fotos.
Ela sabe mais do que eu sobre a família real.
Ele pode te fazer visitar o Grand Canyon.
Gostaria que fizesse.
Parecia uma mina.
Imagino que esse tanque não vai voltar.
Não.
Acho que agora sim temos problemas, estou com medo.
O que ele disse? Pode adivinhar?
Provavelmente um ultimato para esses caras se renderem.
- Parece um gramofone. - Onde eles estão?
Não vejo. Acho que a cerca de 180 metros.
Não podemos ajudá-los. Vamos sair daqui.
Direto pro campo. Aponte para o arroz.
- Não sei a profundidade da água. - Só vamos descobrir quando chegarmos.
Pare!
Meu pé! Quebrei alguma coisa. Quando pulei...
- Vamos! - Não banque o herói.
Cabeça para a grama alta, como se diz no Texas.
- Não quero que me ajude. - Escreva uma carta para o "Times"
Há algo estranho nessas crianças...
Não fugiram.
Eu queria ter ficado. Prefiro morrer em terra.
Poupe seu fôlego.
Quem te pediu para salvar a minha vida?
Não somos um casal de Marines no cinema.
Nem sequer vai ficar com a garota no final.
É uma pena pelo carro. Espero que tenha seguro.
Muito atencioso.
Típico...
Odeio ver um carro danificado...
sem um seguro para pagar a conta.
Se não se importa, gostaria de voltar para a vala e ficar na horizontal.
Isto é muito doloroso.
Assim fazem os bombeiros. Aprendi nos Escoteiros.
Ensinaram errado.
Devia ter me deixado onde estava.
Minha boa ação do dia.
Phuong pode perder sua bondade e seus presentes ocasionais.
Então fez isso pela Phuong? Também é típico.
O americano acredita que as mulheres gostam de heróis.
Nem sempre. Poderia ser sua se eu estivesse morto.
- Tente não mover muito a perna. - Em seu lugar, eu teria te deixado.
Não, você não faria isso. Eu já volto.
Onde pensa que vai?
Descer a estrada para buscar uma patrulha francesa.
Não seja bobo, eles vão atirar antes de saber quem é você.
- Se os outros não te pegarem primeiro. - Vejo você mais tarde.
Se movia como um herói numa história de aventura,
vestindo seu heroísmo como um distintivo de Escoteiro,
e ignorando o absurdo da sua improvável aventura.
Mas o absurdo e improvável, como os escoteiros e Marines,
é que no final a vitória é mais frequente do que pensamos.
Algumas semanas depois, chegou o dia de voltar para casa
do Hospital de Saigon.
"Caro Thomas,
"Não fiquei surpreso ao receber sua carta.
"Você não é um homem que pode ficar sozinho por muito tempo.
Parece pegar mulheres como seu casaco pega poeira..."
Será que ela permite que se case comigo?
Ela ainda não disse.
"Realmente se casararia com ela? Talvez.
"Acho que como todos nós a medida que a vida passa
"você não quer viver sozinho.
"Há momentos que eu mesma me sinto só.
"Até mesmo uma mulher separada, se ainda tiver tempo,
pode encontrar outro companheiro... mas você não me deixou esse tempo".
O que foi isso?
O cognac está acabando.
"O casamento não te impede de deixar uma mulher, não é?
"Só atrasa o processo.
"Disse que seria o fim da sua vida se perder essa mulher.
"Uma vez você usou a mesma frase para mim.
"Creio que não fui a primeira a ouvir, e ela não será a última.
"Você sempre deu muita importância a verdade,
"mas tua verdade é sempre temporária.
"E nunca fui capaz de discutir contigo ou convencê-lo.
"Assim é mais fácil agir como minha fé me diz para agir
"e simplesmente escrever: Não acredito em divórcio.
Minha religião proíbe. A resposta é não".
A carta é ruím? Ela disse que não?
Nada disso. É...é muito animadora.
Ela está consultando um advogado.
Portanto é uma carta feliz!
E você leu com um rosto arregalado.
Pode levar algum tempo. É um pouco complicado.
- Poderia fazer um acordo. - Não tenho dinheiro.
Minha irmã disse que você poderia ter...
...um seguro de vida.
Sua irmã tem a alma de um poeta.
Posso comprar dois lenços de seda novos...
- Para o meu enxoval? - Três, se você quiser.
É uma modesta contribuição dos bens deste mundo.
Entre.
- Olá. - Como se sente?
Melhorando. Na verdade, estava indo para casa.
- Eu sei, por isso estou aqui. - Esqueci de te dizer.
porque tem um carro americano grande e aberto,
Pedi a minha irmã para perguntar a ele se podia nos buscar.
Em um carro pequeno, sua perna não caberia.
- Ela não devia ter feito isso. - Muito amável de sua parte.
Não é incômodo para mim.
- Essa é a sua mala? - Não se preocupe com isso.
Você tem suas muletas para se ocupar.
Eu quis te escrever enquanto estive aqui, para agradecer.
Você certamente me salvou de um final difícil.
Pronto para ir?
A propósito, tenho notícias que vai ficar encantado em ouvir.
Sempre disse que os interesses de Phuong...
eram o que tínhamos no coração.
Acabei de receber uma carta da minha esposa.
Ela aceitou mais ou menos o divórcio.
Te desejo toda felicidade.
É muito digno de você.
Menti cruelmente para eles.
Mas eu pensei que...
ao menos ela não vai me deixar até que eu precise ir.
Não está muito cedo para preparar a árvore do Ano Novo Chinês?
Faltam várias semanas.
Se esperarmos, as melhores flores desaparecem.
Que lenço decidiu manter?
- O amarelo. - Por que não me mostrou?
- Está guardado com os outros. - Eu quero ver.
Entre.
- Bom dia. Interrompo? - Nem um pouco.
Estamos adiantados em seis semanas do Ano Novo Chinês.
É muito gentil.
- Como está sua perna? - Melhorando.
Não vou precisar dessa bengala por muito tempo.
- Sente-se. Café? - Talvez soda, se possível.
Bem, qual é a novidade?
Com a rapidez que você sempre me entendeu.
Se é uma novidade, é apenas para você.
Nas mãos erradas, de alguém menos objetivo,
poderia ser deturpada e virar uma calúnia.
- Parece importante. - É possível.
Obrigado, muito amável.
Gostaria de te apresentar um amigo chinês, o Sr. Heng.
Deve esquecer o seu nome, e claro, que o viu.
Do que se trata?
Eu prefiro que você escute de sua boca.
Tem visto o jovem americano ultimamente?
Não desde a manhã que me trouxe do hospital.
Quando foi isso? Duas semanas? Três?
- Não me lembro. - Acho que deveria.
Você pareceu indicar que foi um dia feliz.
Mas você o conhece bem?
- De certa forma. Por quê? - Suas atividades...
parte de sua organização de caridade e seus estudos?
Só o que me disse... esse absurdo sobre plásticos.
A terceira força?
Todo mundo já ouviu falar sobre isso.
Dizem que se tornou uma obsessão para ele.
Ele defendia isso quando chegou aqui.
Isso só mostra que ele não aprendeu nada.
E que precisa encontrar um líder para esta terceira força.
- Quem sabe encontrou seu líder. - Isso importa?
Eu não sei.
Podemos ir ver o meu amigo?
Se acha que vale a pena.
- Vou voltar para almoçar. - Vai estar pronto.
- Seu amigo não parece estar aqui. - Disse para você entrar,
e que viria encontrá-lo.
- Como vou saber quem é? - Ele vai te reconhecer.
Eu vim com Dominguez. Ele disse que queria falar comigo.
- Não conheço nenhum Dominguez. - Claro.
Pode me acompanhar, por favor?
- Está vendo isso? - O que é?
"Diolacton." Receio que não signifique nada para mim.
Tive dois desses tambores aqui.
Foram recolhidos por acaso com outras porcarias,
em uma garagem do Sr. Phan-Van-Muoi.
- Você o conhece? - Não, acho que não.
Sua esposa tem relação com o General Thé.
Ainda não vejo...
Será que você sabe o que é?
Parece uma peça do teto de um banheiro.
É um molde. Este molde foi feito nos EUA.
Diolacton é uma marca americana.
Começa a entender?
Francamente, não.
Houve um defeito no molde... Por isso foi descartado.
Mas não deveriam ter feito isso.
Nem os dois tambores vazios de Diolacton...isso foi um erro.
O Sr. Muoi veio aqui pessoalmente.
Naturalmente não encontrei o molde, apenas um dos tambores.
Daqui o Sr. Muoi foi para a casa do americano.
Poderia estar sendo usado para reparar o seu carro americano na garagem.
Mas não estava e nunca esteve. A visita do Sr. Muoi foi privada.
Parece ter estabelecido algum tipo de conexão...
entre o americano e o General Thé,
mas é muito remota...certamente não é uma notícia para se publicar.
Talvez ainda não.
E os Americanos ainda consideram que o ópio vicía.
Curioso.
Sua neutralidade é bem conhecida... por isso está aqui.
Sabe simpatizar com as convicções de todos os tipos.
Se está insinuando que você é comunista, não se preocupe.
Eu não tenho uma política.
É importante para o meu comitê que alguém tenha uma visão justa.
Por isso que te mostrei isto e isto.
O que é na realidade o Diolacton? Tem som de leite condensado.
Não tem nada a ver com leite.
Pode ver a poeira fina e branca na parte inferior?
É um plástico Americano.
Sim, ele me disse que está importando para fazer brinquedos.
Não para brinquedos.
Nós só queremos que você se lembre do que acaba de ver.
Talvez um dia tenha uma razão para escrever sobre isso.
Mas nunca diga que viu o tambor aqui.
Nem o molde?
Especialmente o molde.
Esse caminho o levará direto ao seu amigo.
Obrigado.
Talvez você possa estar nas barracas de flores do Boulevard Charner...
a uma e meia desta tarde?
a uma e meia?
Seu amigo... vive aqui em Saigon?
Vai e vem, eu acho.
Os comunistas têm alguns comitês...
se especializando em assassinatos.
O seu não seria um deles, seria?
Desculpe a minha ignorância.
Uma e meia.
O momento mais quente do dia. Espero que valha a pena.
- Olá. - Como vai?
Quer sentar e tomar algo antes do almoço? Ou não tem o hábito?
As vezes. Não é um ritual.
- Eu não quero me sentar. - Desculpe se eu permanecer sentado.
- Por que não pertence a uma igreja? - Pensei que esse assunto estava encerrado.
- Não tenho fé em seus deuses. - Você não tem fé em nada.
Isso não deveria te manter longe de uma igreja.
Por causa das vantagens sociais?
Acho que na América, pertencer a igreja protestane certa...
Precisa de um depósito para a culpa e o ódio...
que sente por si mesmo como ser humano.
- Eu não. - Seu maior talento...
é não prestar atenção nisso.
Presumo que está querendo me dizer algo.
Quando vai a uma igreja escolhe quem escuta os seus pecados,
pelo menos a sua versão deles, que te dê a absolvição.
Saia daqui.
Quando eu terminar.
Poderia mentir para a igreja.
Enganá-la...como você faz com as pessoas que confiam em você.
Você, por exemplo?
Por exemplo.
Não deve confiar em ninguém quando há uma mulher envolvida.
Temia não poder ganhar sem mentir para Phuong?
Duplicidade Européia. Precisamos compensar nossa falta de suprimentos.
Como descobriu?
Sua irmã. Ela sabe que o seu jornal o chamou de volta para casa.
Ah, isso.
Sim, eu contei a Phuong. Ela deve ter dito a sua irmã.
E a carta da sua esposa? A mentira sobre o divórcio?
É quase hora do almoço.
Prove um bife a inglêsa uma vez.
Uma mentira deprimente, Fowler.
Sentimental, se me perdoa o americanismo.
A mentira clássica do marido desesperado, de meia idade, de classe média...
que tenta se agarrar a uma aventura extracurricular.
Como a carta chegou as mãos da sua irmã?
Phuong a achou.
Levou com orgulho e alegria para a tradução.
Devia ter imaginado que descobriria.
A razão para a mentira é mais que óbvia.
Queria ficar com ela.
Por comodidade... uma comodidade antiga...
até que esteja pronto para deixá-la. Com o quê?
Certamente não com uma geladeira e uma televisão.
Seu anti-americanismo está bastante desgastado também.
Agora alguns viraram anti-britânicos.
Já pensou que ela pode querer uma casa,
um lugar próprio, filhos?
Brilhantes cidadãos americanos prontos para testemunhar? É mais atualizado?
Nem tanto, mas a distorção é melhor.
Então, seja grato a mim.
Pode largar seus escrúpulos e continuar sem eles.
Nem estou tão certo que é escrupuloso...
longe do mundo sentimental.
- Com o plástico, por exemplo. - Plástico?
Já é quase uma hora.
Do que está falando?
Espero que saiba o que está fazendo.
Acho que tem bons motivos. Bem, eles sempre são bons.
As vezes eu gostaria de ter alguns maus motivos..
Pode ajudar a entender um pouco mais o ser humano.
Sabe...
para pessoas tão especializadas como você,
o uso de certas palavras deveria ser licenciado, como as armas.
Palavras como "ser humano" e "entender".
Em suas mãos, elas são uma ameaça para a sociedade.
Operação bicicleta.
O que está acontecendo? Parece um ballet policial.
Ainda não é uma e meia.
Meu relógio deve estar quatro minutos atrasado.
- O que vai acontecer a seguir? - Por enquanto, isso é tudo.
O que é tudo isso?
Deixa eu te mostrar uma coisa.
Olhe com cuidado.
Olhe para a bomba.
Te lembra alguma coisa?
Sim, o molde para o plástico.
Tem a mesma forma do meio de uma bomba de bicicleta.
Achei que estaria interessado.
Vamos tomar uma bebida. Gostaria de saber mais.
Sinto muito. Eu poderia te dar uma opinião prejudicada.
A garagem do sr. Muoi é ali.
Mas o Sr. Muoi não está lá agora.
Nos dias seguintes apereceram juntos algumas vezes,
no cinema,
passeando com o cachorro no jardim botânico,
passando de carro em frente ao Continental,
rindo e sendo jovens juntos.
Ainda não estava pronto para correr atrás deles,
então me encontrava de vez em quando,
em lugares como o Le Pavillon.
Le Pavillon era um centro com café e fofocas,
para as esposas não asiáticas, um andar acima da rua,
considerado elegante e limpo.
Era pouco provável...
que Phuong ou o americano fossem ali.
Além disso, eram onze da manhã,
e eu sabia exatamente onde Phuong estava...
tomando seu milkshake no bar em frente ao Continental.
- O que é isso? - Uma bomba, Monsieur.
Um grande desastre! Perto do Continental.
Imprensa Inglêsa!
Vigot!
Diga para me deixar passar!
Tenho que chegar no milk bar! Uma amiga minha está nele!
Todo mundo tem amigos lá.
Missão Cristã DOS ESTADOS UNIDOS
- Phuong está no milk bar. - Ela não está lá.
Deve estar. Sempre vai as onze.
- Não esta manhã. - Por quê não? Como você sabe?
- Eu adverti que não fosse. - Você advertiu...?
O que quer dizer com advertiu?
Disse a ela para ficar longe.
Haveria um desfile militar Francês.
Foi cancelado no último minuto.
Havia rumores sobre algum tipo de demonstração...
como essas bombas-bicicletas.
- Não essas bombas...suas. - Minhas?
Olhe bem e veja os danos que pode causar um tambor de Diolacton.
- Diolacton? - Quero que você veja!
E por que a esta hora...
a hora das compras, quando o lugar está cheio de mulheres e crianças?
O que você está falando?
Achou que o seu general Thé cancelaria a explosão...
devido ao cancelamento do desfile?
Não. Isto é muito melhor que um desfile. Notícia de 1ª página.
O sangue de mulheres e crianças... essa é a verdadeira notícia.
Você deve ter perdido a cabeça.
Colocou o seu General Thé no mapa.
A cor vermelha na rua... Aí está sua Terceira Força.
E essas coisas sobre macas... Aí está sua democracia nacional.
Por que não cala a boca?
Por uma vez na vida por que não cala a boca e ajuda alguém?
Vá na casa da Phuong contar sobre a morte heróica!
Umas dezenas a menos de sua gente para se preocupar!
- Alguém quer ver você. - Alguém...
- Seu amigo? - Se quiser, posso te levar até ele.
Eu estava lá, no meio de tudo.
- O sangue... - Eu sei.
Desculpe por te trazer aqui.
Pensamos ser melhor nos encontrar onde fosse menos provável...
que nos procurem... este lugar de estranha adoração.
Não mais estranho do que São Paulo ou São Pedro.
A polícia vai estar ativa hoje.
Mas não teve nada a ver com você. Foi o americano de novo.
Seu General Thé não é um personagem muito controlado.
E os plásticos não são para os meninos do Texas.
Como posso ajudar? Ele deve ser detido.
Deve tentar manter a calma.
Quantas bombas e crianças mortas pode causar...
um tambor de Diolacton?
Se está convencido de que precisa ser detido,
está preparado para nos ajudar?
Ele vem tropeçar aqui e outras pessoas tem que morrer...
por causa dos seus erros.
Uma pena não terem sabido que ele estava na torre naquela noite.
Poderiam tê-lo capturado.
Teriam salvado muitas vidas.
Ficamos muito tempo no mesmo lugar.
Concordamos com você que ele deve ser detido.
Se o convidar para jantar hoje no restaurante Vieux Moulin...
- entre 8:30 e 9:30, - Que...que...?
Gostaríamos de falar com ele no caminho.
Ele pode se recusar. Ou...não poder.
Então peça para ir a sua casa antes das 6:00.
Ele irá com certeza.
Se aceitar o convite para jantar, coloque um livro na janela,
como se buscasse mais luz.
- Porque o Vieux Moulin? - É perto da ponte Dakao.
Podemos falar sem que nos perturbem.
O que vai fazer?
Eu prometo que vamos agir com toda a calma possível.
Vai nos ajudar?
Eu não sei ... Eu não sei.
Mais cedo ou mais tarde, deve tomar uma posição.
Não é assim?
"Coloque um livro na janela
como se buscasse mais luz."
As instruções do sr. Heng parecem um melodrama barato.
Certamente deve haver um livro, uma passagem pertinente.
Entre.
Encontrei sua mensagem embaixo da minha porta.
- Foi indulgente em vir. - Eu penso que sim.
- Gostaria de uma bebida? - Só posso ficar um minuto.
Deve ter um dia muito ocupado.
A mensagem dizia que queria me ver. Sobre o que?
Eu pensei que no caso de estar livre, poderíamos jantar juntos.
Por que?
Talvez para conversar.
Tudo bem. Acho que deveríamos.
No Vieux Moulin entre 9:00 e 9:30?
Onde quiser.
Devemos tentar nos entender de novo.
Tentaremos durante o jantar.
Que sabe sobre o General Thé?
Não tenho visto ultimamente.
Pensei que viria a Saigon ver o efeito de sua bomba.
Por que está tão certo que foi sua bomba?
Não foi?
Ele é um homem imprevisível. Eu não sei. Acho que não.
Eu não confiaria tanto nele. Acredite, a democracia nacional...
é algo que sai de um livro.
Desse?
Não. Tentava me lembrar de uma passagem favorita.
O General Thé nada mais é que um bandido com alguns milhares de homens.
Não é o líder da sua Terceira Força.
Não é a minha terceira força. E quem disse que ele era o líder?
Seu país não deveria confiar em homens como o Thé.
Me prometa que não vai mais ajudá-lo.
Ajudá-lo? Meu país? Prometer?
Está falando idiotices de romances de espionagem.
Esqueci... você é um estudante.
Um cidadão privado salvando o Oriente com leite em pó, DDT,
e o transporte nos ombros.
O General Thé realizou um seminário de auto-administração?
Ou se especializou em plásticos?
Plásticos novamente.
Será um longo jantar. Temos que esclarecer muitas coisas.
Não. Melhor cancelar o jantar.
Talvez em outro momento.
Outro momento pode ser o momento errado.
Bem, podemos conversar aqui.
Depois...depois, podemos sair para jantar. Onde quiser.
Vou pegar um ciclo-pousse e te encontrar no restaurante.
Vamos, Duke.
Meu carro voltou a dar defeito esta tarde.
Você carrega uma arma agora? Depois daquela noite na estrada de Tay-Ninh?
Esta é uma pergunta esquisita. Por que deveria?
Sabe, eu ia esperar o jantar,
mas você tem realmente uma imagem estranha de mim.
Em primeiro lugar, é verdade que eu tive contato com o General Thé.
- Cigarro? - Não.
Mas por uma vez, nossas verdades coincidem.
Após terminar a faculdade,
fiz pós-graduação em Princeton.
Uma das universidades de graduação...
em relações públicas e teatro?
Einstein tinha uma opinião melhor.
Enquanto estava lá conheci um proeminente Vietnamita...
- exilado em Nova Jersey. - Quem era ele?
Você sabe...ou deveria saber... tão bem como eu sei.
Porque, se tudo correr bem
e o Vietnã se tornar uma república independente,
este homem será o seu líder.
E este futuro líder te enviou para o General Thé?
O que te faz pensar que um governo ou um homem sensato,
me enviaria para uma missão como essa?
Então quem o enviou para o General Thé?
- Eu mesmo. - Qual foi o seu negócio com ele?
Acredito profundamente nessa Terceira Força.
Queria descobrir até onde iria a lealdade do General...
depois que regressou ao Vietnã.
E descobriu?
É uma pena que não vai estar aqui. Será um grande show.
E você espera que eu acredite nisso?
Não.
Acho que você acredita no que precisa acreditar.
Que direito tem o seu governo de te enviar nesta estúpida missão...
de se meter com a vida de outras pessoas?
Eu já disse. Meu governo não tem nada a ver com isso.
- Estúpida ou não, foi idéia minha. - Por que não detiveram você?
Fizeram isso...e não foram agradáveis.
Por isso tenho que terminar rápido.
Me enviarão para casa na próxima semana. Phuong vai comigo.
Vamos nos casar.
Então, pela primeira vez ele falou de Phuong...
de levá-la com ele...
de me deixar para trás, sozinho.
Parece que vamos poder levar a sua irmã...
para o casamento.
A casa vai estar cheia. Posso ver minha mãe agora...
pensando onde vai acomodar todo mundo.
Ainda está procurando aquela passagem favorita?
Acabei de me lembrar.
"Embora eu seja malicioso em minhas suposições,
como, confesso, é praga da minha natureza... "
"Othello", não é? Não pare.
"...para espionar os abusos,
o meu ciúme se converte em culpas que não tenho".
Nunca haverá outro como ele, não é mesmo?
Que pense coisas sobre os humanos como nunca foram pensadas.
Ele continuou, lembrando suas anotações da sala de aulas
da introdução ao drama Elisabethano.
De repente eu fiquei muito cansado.
Queria que fosse embora logo e morresse...
para que eu e Phuong e o mundo, tudo
ficasse como era antes dele chegar.
Imagino que a capacidade de expressar um pensamento com a palavra certa...
- pode ser chamada de talento. - Imagino que sim.
- Você é talentoso com as palavras. - Obrigado.
Você depende delas,
como se ao dizer algo efetivo isso se torne uma verdade.
Não devemos deixar a verdade para o jantar?
Vamos, Duke.
O que você teme afinal?
Como um adolescente que diz palavrões o tempo todo...
para não pensarem que ele não sabe do que se trata.
Vai odiar isso, mas acho que você é um dos...
homens mais inocentes que eu conheci.
Nos vemos no jantar.
- Podemos deixar para outro dia. - Como?
Se o seu trabalho tomar mais tempo do que o esperado,
- não se preocupe em ir jantar. - Eu posso ir.
Se não puder, passe por aqui mais tarde.
Se não for, volto às 10 e te espero aqui.
Não havia mal nenhum em dar outra oportunidade a ele.
Mas o que eu esperava?
Uma espécie de milagre?
Um método de discussão organizado pelo Sr. Heng
que não seria... a morte simplesmente?
Não era mais a minha decisão.
Eu tinha entregado a alguém que não confiava.
Você pode intervir se quiser, de muitas maneiras...
um telegrama em sua mesa, seu cão pode ficar doente,
o ministro pode querer vê-lo,
seu trabalho, ou o que seja, pode atrasar algum tempo...
Você não pode existir a menos que possa alterar o futuro.
Eram exatamente 05:47 da tarde.
As 6hs eu estaria tomando um drink no Continental.
Os garçons se lembrariam.
Abra a porta!
Abra essa porta!
Uma negligência indesculpável. Eu não sabia que ainda estava aí.
Deve estar gelado até os ossos. Quer um conhaque?
vou para casa agora se já terminou comigo.
Claro. Tenho um motorista esperando.
Não deve ser agradável ver um amigo pela última vez...
- nessas condições. - Não.
Pode não ser totalmente legal,
mas talvez queira ter isso como uma lembrança...
uma memória mais agradável dele.
Foi encontrada em sua carteira vazia na lama do rio,
indicando que o motivo do assassinato foi roubo.
É muito amável, mas eu tenho outras lembranças.
A propósito, onde está o cão? Estão procurando?
Provavelmente... obrigado...
voltará para casa quando tiver fome.
Se não tiver comido ainda.
Se ele voltar, pode analisar a terra em suas patas.
Talvez possa me imortalizar em um romance sobre detetives.
Inspetor Lecoq, Inspetor Maigret, inspetor Vigot.
O cão estava com ele quando o viu pela última vez?
- Não. - Quando foi isso?
Eu já lhe disse.
Não, você disse que esperava vê-lo em sua casa as 10hs.
Quando o viu pela última vez?
Esta manhã. Bem, agora ontem de manhã.
Logo depois da explosão no Continental.
Logo após o assassinato cruel e sem sentido de dezenas de inocentes...
Ontem de manhã.
- E não voltou a vê-lo? - Não.
Deve estar muito cansado. O motorista está te esperando.
Boa noite.
- Onde você estava? - Em sua casa.
O carro dele está lá, mas ele não.
O que eles queriam na segurança?
O que disseram? Onde ele está?
Ele está morto.
Está morto.
Como ele morreu?
- Alguém o matou. - Quem?
Eles não sabem.
- Por quê? - Não sabem.
Onde você vai?
Não pode andar nas ruas. A polícia vai te levar.
Então eles terão a ele e a mim.
Não me deixe sozinho!
Não parece estar descobrindo muitas provas.
Não há nada pior que o refrigerantre Americano.
Você quer um?
Por outro lado, seu gosto musical era excelente.
Debussy, é claro.
Um país estranho, a América.
O que você pensa depende sempre...
do americano que você tem em mente naquele momento.
Encontrou o resto dos seus pertences?
Da jovem? Não estão aqui.
Deve ter levado.
Deixando para trás seus álbuns de retratos?
A hipótese mais lógica é que suas coisas...
não estavam aqui.
Claro. O casamento tinha que ser adequado para a família.
Passar pelos censores. Residências separadas até o final...
- Sendo o casamento o final.
Se importaria se eu levasse os álbuns de retratos?
Temo que sim.
- Não eram dele. - Nem seus.
- Tudo bem, mais uma vez - Por que, então?
É uma lição de Inglês, Se lembra?
Depois é a sua vez.
Ok, espera um minuto Vamos um pouco... vem aqui.
Agora, uma palavra. Diga "prune"(ameixa).
Muito bem. Mais um pouco.
Muito bem. Outra vez.
Eu gosto dessa palavra.
Que palavra?
Querida, ninguém no Texas diz "ameixa" como você.
Agora sabemos porque ele não usou o carro na noite passada.
- Faltou gás. - Pode dizer gasolina comigo.
Desculpa. Pensei como um americano.
Obviamente era necessário...
caminhar ou usar um cyclo-pousse...
para que pudesse ser morto de forma silenciosa.
É um velho ditado, mas eles parecem gostar.
Eles?
Qualquer um.
Me lembro de outro momento em que o carro do americano...
parou de funcionar de repente.
Há menos de dois meses. Você não lembra?
Você tem um... não, não precisa.
Também me lembro que foi muito amável...
e ofereceu uma carona para ele no carro alugado...
pelo seu assistente... Perez?
Dominguez.
E curiosamente, este carro também ficou sem gasolina...
obrigando vocês a passar a noite de baixo de um ataque comunista.
Foi quando o americano salvou sua vida, não foi?
Eu não pedi. Disse que ele estava sendo um tôlo.
É deprimente como o ser humano...
instintivamente faz tolices...
e coisas piores.
Sabendo o quanto você deve lamentar...
a morte de um amigo que salvou a sua vida,
apesar da sua própria objeção,
e de ter pensado nele durante a noite,
pode me ajudar de alguma maneira?
Desculpe, não pensei nele durante a noite.
Estava muito cansado. Dormi profundamente.
Então como um homem de sono pesado,
como jornalista, tem alguma idéia?
Quem sabe foi morto pelos comunistas.
Mataram muitas pessoas em Saigon.
Uma possibilidade óbvia. Mas por quê?
Talvez não gostassem da sua amizade com o General Thé.
Os franceses podem tê-lo matado pela mesma razão.
Uma possibilidade remota.
Afinal, Thé combate os franceses e os comunistas.
Talvez Os Cao-Dais o mataram para punir o General thé por deixá-los.
Talvez o próprio General o matou porque conhecia os Cao-Dais,
e bem... talvez foi assassinado porque alguém queria seu dinheiro.
De qualquer forma, temos descartado o suicídio.
Não está pensando em algum interrogatório eletrônico?
Não sei porque,
mas tenho pensado no cachorro do americano.
- Não foi encontrado? - Ele nunca se perdeu.
Você me disse que sim...
Eu te disse que não estávamos procurando.
Quando você o encontrou?
Ontem a noite na lama, não muito longe do americano.
Imagino que tenha se recusado a deixar o corpo.
- Eles o mataram também. - Lamento muito escutar isso.
Queria saber porque você mentiu para mim.
O americano te visitou ontem. Pouco antes de ser morto.
De onde tirou essa idéia?
Onde você mora, ao pé da escada,
o piso está sendo reparado.
Os trabalhadores terminaram de espalhar o cimento...
ontem as 4 da tarde, em seguida foram para outro trabalho.
Deve haver um monte de pisos em Saigon sendo reparados.
Com as pegadas de um cão que correspondem exatamente...
as do pobre animal morto?
Não tenho nada a dizer... nada em absoluto.
Talvez mais tarde, então.
Quando estiver menos... envolvido.
Você acha que eu o matei.
Não.
Então por que é importante saber se eu vi o americano ontem...
antes de eu... antes de morrer?
Escritório do Sr. Joe Morton.
Olá, srta. Hei? Não desligue.
Liguei para sua casa durante vinte minutos.
Você disse para Phuong não atender o telefone?
Vai parar de mentir para mim? Eu sei que ela está lá!
Então, onde ela está?
Sim, eu sei que você está trabalhando,
e vou continuar incomodando até encontrar Phuong!
Quer tomar algo?
Talvez um pouco de Whisky Inglês com soda.
Entendo que não vai voltar para casa,
e o seu jornal vai autorizar que fique.
Recebi a carta esta tarde.
- Quando leu? - Esta manhã.
Sorte que chegou depois do assassinato e não antes.
Sim, você teria uma grande prova contra mim.
Por isso pensou que eu estava envolvido na sua morte?
Que meu motivo era ter Phuong de volta?
Agora que o americano morreu...
Posso tomar mais um pouco de soda?
- Ela voltou para você?
Ou que meu motivo foi uma vingança por perder Phuong?
Você não o matou. Mas ambos sabemos quem foi.
Na verdade, nunca vai encontrar o homem ou os homens que o mataram.
Ele foi morto a longa distância,
mais por um ideal do que qualquer outra coisa.
Um ideal?
Ao longo da vida, ele foi semeando esse ideal...
com livros e slogans, púlpitos e mesas de leitura.
Um ideal tão repulsivo assim que foi morto por ele?
Você teria sido um bom padre.
O que tem em você que torna tão fácil uma confissão?
Se houver algo para confessar.
Preparou um drink mas não está bebendo.
Seria imprudente. Não há segredo de confessionário na sua profissão.
O segredo raramente é importante para um homem que confessa.
Tem outros motivos.
- Purificação? - Nem sempre.
As vezes quer se ver claramente.
As vezes só está cansado de decepções.
Se eu admitir que eu estou cansado de decepções,
significaria que estou decepcionado?
Isso depende. Por exemplo?
Vamos começar com bombas de plástico para bicicletas.
O jovem americano importava plásticos, você sabia?
Foi a primeira decepção que tive em mente.
Esteticamente devo concordar com você.
Faz o mesmo barulho, é mais barata,
mas, infelizmente, não quebra.
São bastante eficazes para arrancar a perna de um homem.
Trompete de plástico?
Só por uma vez...enfrente a verdade.
Ontem de manhã pelo menos cinqüenta pessoas inocentes...
foram destroçadas por uma bomba de 90 quilos de Diolacton...
que o americano forneceu ao General Thé.
Se isso for verdade, é uma verdade importante.
O que é Diolacton?
É uma marca de plástico americana.
É um nome fictício.
Não há nenhum produto... plástico ou o que seja,
Americano ou não... que se chame Diolacton.
Que diferença isso faz?
Se fosse uma ficção ou entretenimento,
não existiria.
Mas você associou a um desastre histórico real.
Onde ouviu esse nome?
Eu vi o nome pintado em um tambor de ferro...
descoberto esta tarde no depósito do sr. Heng.
- Você o conhece? - Não.
É o líder de um dos comitês comunistas de assassinatos por aqui.
Ele está preso.
Que diferença faz o nome do plástico?
Seja qual for o nome, os mortos estão mortos.
Todos.
Você descreve a bomba como tendo 90 quilos de...
podemos chamar de plástico americano...
de algum modo usado como um explosivo.
- Como? - Não sou um especialista no assunto.
É lamentável que o seu francês não seja melhor do que é.
O que meu francês tem a ver com isso?
Você sabe o significado da palavra francesa "plastique"?
Bem, "plástico", é claro.
Há um significado mais mortal.
Plastique é um explosivo muito conhecido,
descorberto, creio eu, pelos britânicos.
É como uma massa de vidraceiro, moldada em várias formas.
Existem grandes quantidades dele aqui na Indochina,
Desde 1945, pelo menos.
Não tem nada a ver com o plástico americano.
Mas eu vi a imprensa na garagem do Sr. Muoi.
Foi plantado para a imprensa. Feito infantilmente para você.
Você sabia que a Sra. Muoi é parente do General Thé?
Você sabe quem é o Sr. Muoi?
Também está preso.
Mas a culpa... a culpa pelo massacre de ontem!
Agora pergunta pela culpa?
A culpa que você já tinha atribuído...
antes mesmo do crime ser cometido?
E pelo qual a sentença foi pronunciada?
Sobre um jovem idealista, como você diz.
Para quem seria tão terrível a presença deste ideal aqui,
que justificasse matar um jovem por isso?
Porque o ideal é que tinha de ser eliminado.
O americano apenas o tinha em seu poder, por assim dizer.
Não foi longe o suficiente?
Por que não se retira...
e arquiva o caso sem resolver.
Meu arquivo está resolvido. O seu que não está.
Então saia.
Sabe, é um erro dizer que o comunismo...
atrai as pessoas de inteligência superior.
Acho que isso só é verdade quando os mais inteligentes...
são atrasados emocionalmente. Você não concorda?
Há tantas mentes brilhantes e sensíveis,
internamente torturadas por medos e ódios inexplicáveis,
que encontram uma serenidade temporária...
- Em falsos pretextos. - Eu não sou um comunista!
Se fosse, seria menos triste.
Se achavam que era tão necessário matá-lo,
poderiam ter feito isso em qualquer momento.
Mas alguém foi escolhido para ajudar a matar o ideal...
alguém hábil no uso das palavras para defender a justiça...
não defendendo as causas.
- Alguém tão envolvido emocionalmente,
que não permitiria sequer que sua capacidade como jornalista...
rejeitasse uma história ridícula, alguém tão emocionalmente envolvido...
Você fica se repetindo infinitamente!
Mesmo na Inquisição, as confissões chegavam ao fim.
Está bem, mea culpa. O que você quer de mim?
Vê-lo pela primeira vez sem essa fachada intelectual.
Teria acreditado no que foi dito, sem questionar,
sem hesitação,
se não estivesse com medo de perder sua garota para um jovem?
Teria concebido um julgamento de morte...
se ele não tivesse tomado sua mulher?
Saúdo sua lealdade às suas tradições...
Vive la France e cherchez la femme.
Nunca subestime nem uma coisa nem outra.
Você tem procurado pela garota.
Ela pode ser encontrada a partir de hoje no Rendez-vous...
onde jantará ou dançará com você... ou ambas as coisas...
se estiver disposto a pagar.
E este é um telegrama para você.
Estava com Dominguez.
Estava?
Deixe Dominguez livre. Não faria mal a uma mosca.
- É inocente e gentil... - um santo.
Não foi ele que alugou o carro quando você foi a Tay-Ninh?
A propósito, foi o Sr. Heng que danificou o carro do americano...
e esvaziou o tanque do seu.
Em seguida tentaram matá-lo.
Estavam preparados para matar você também.
Mas Dominguez não, só porque alugou um carro...
Seus sócios me disseram que foi Dominguez...
que percebeu o seu medo obsessivo de perder a garota.
Foi Dominguez que te mentiu sobre os plásticos.
Foi Dominguez que te enviou para o Sr. Heng.
Dominguez te seguiu no dia da explosão...
Você tem razão. Eu continuo infinitamente.
Leia seu telegrama. Eu já li.
Um final estranho para essa história.
Pode agradar a você, mas odeio finais felizes...
tipo os dos filmes americanos antigos...
ou dos filmes europeus mais novos.
Para você a pior coisa é ter se dado conta...
de que simplesmente foi usado,
foi manipulado como uma criança.
Se me perdoa a tentativa de Inglês coloquial...
eles fizeram você parecer um idiota.
"Tenho pensado sobre sua carta.
"Agi de modo irracional como você esperava.
"Disse ao meu advogado para iniciar o divórcio.
Motivo, deserção. Helen."
Espere por mim!
Me dá uma carona até o Rendez-vous.
Até isso.
Tenho algo para você. Um feliz Ano Novo para nós dois.
Sinto muito. Eu não leio Inglês.
Mas... bem... deixa eu ler então.
É da minha esposa. Chegou hoje.
Sobre o divórcio. Ela me dará.
Viu? Eu não estava mentindo, afinal.
E isso veio do escritório. Esta carta chegou pela manhã.
Dizem que eu tenho que ficar aqui. Você entendeu?
Podemos nos casar e ficar aqui.
Tudo o que queríamos está aqui em minhas mãos.
Talvez algumas dessas pessoas falem Inglês, elas vão te dizer.
Onde está Vigot? Ele vai te dizer.
Você acredita no inspetor francês, não é?
Tudo o que queríamos está aqui em suas mãos? O que é isso?
estar juntos outra vez. Ter o que tínhamos.
- E o que nós tínhamos? - Não podemos falar disso aqui.
- Não conhece essas pessoas. - São meus amigos.
- As coisas serão diferentes agora. - Já é diferente.
Houve um homem que me deu alguma coisa...
O que? Lições de canastra, comida congelada?
- Ele mesmo.
Conheci um homem que me amou. Está morto.
Não pode me deixar assim...
Alguma vez você me amou?
Alguma vez sequer mentiu dizendo que me amava?
...Só estou te pedindo uma dança.
Eu tive alguém que ia se casar comigo porque me amava...
Eu tenho que te falar...
- não porque foi forçado a pagar o preço da competição.
Qual foi o preço? Uma refeição?
Uma garrafa de champanhe sem gás e uma taxa fixa?
Não se meta.
O que vai ser de você nesse lugar, com pessoas como essas?
Desde quando o futuro te preocupa?
Nunca foi mais longe que o seu próprio cachimbo.
- Desde agora. Agora me preocupa. - Agora é tarde demais para você.
- Não é assunto meu. - Exato.
E não concordo com culpa por associação...
Também é inocente, Wilkins, eu te absolvo também.
Não da raça humana, não pode.
Deixa eu colocar como algo profissional:
"A celebração do Ano Novo Chinês foi interrompida esta noite
"em um restaurante Cholon por um caucasiano mal vestido,
"de meia idade que apareceu de repente na pista de dança,
"barba por fazer, sujo e indesejado,
"pertubando a ordem pública com discursos
para uma jovem vietnamita."
Gostaria que existisse alguém... a quem eu pudesse pedir perdão
Vou passar pela catedral.
Para o povo da República do Vietnã...
seu presidente eleito e sua administração...
nossa gratidão pela ajuda e gentileza.
Tradução e legendas Paulo Edu
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