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- Sebas, me dê a bola de gude! - Não.
- Me dê. - Tem outras.
- Para com isso. Me dê elas. - Me deixa!
- Traga agora, elas são minhas. - Meu nariz é que vai ser seu.
Mamãe, diga a Sebas para me devolver!
Tu é idiota?
Vamos.
Tu já sabe que a mamãe não gosta que nós paremos na casa da velha.
Julian!
Vamos.
O que está fazendo?
Se foi para dentro.
Olá!
Senhora,
estou entrando na sua casa.
Vim por causa da minha bola de gude
Senhora,
me devolve a bolinha?
Sebas! Sebas!
Corre!
- Já chegamos? - Venha.
- É aqui? - Ali está.
Que imenso. Tudo isso é a nossa casa?
Tudo não. Está vendo? Aquele lá.
O terceiro andar. Que bonito. Vamos virar reis.
O céu de Madrid apenas para nós.
Olmedo? Por fim chegaram.
- Esteban Ocaña, o administrador. - Mas eu havia falado com Don Felipe.
Sim, claro, meu chefe. Mas não há problema, já estou sabendo de tudo.
Ótimo. Manuel Olmedo Fernández. E minha esposa, Candela.
- Encantada. - Igualmente.
- Vocês vêm? - Sim, claro.
O porteiro está de atestado, mas retorna na semana que vem.
Já estamos providenciando tudo para instalar o elevador.
- São apenas algumas escadas. - É no terceiro?
O meu pai terá problemas para subir até aqui.
Você escutou o senhor Ocaña, mulher. Logo teremos o elevador.
Precisamente. E por esse motivo custou muito mais barato para vocês.
Um apartamento como este, com todas estas comodidades.
Vocês fizeram um excelente negócio, acreditem.
Bem, o apartamento não é nosso, é do banco.
Mesmo vendendo tudo que tínhamos, ainda tivemos que pedir uma hipoteca.
E você? Vai ficar perto do seu trabalho?
Tenho uma carta de recomendação para trabalhar em Galerías.
Isso é ótimo! E você? O que faz?
Eu sempre trabalhei no campo,
mas uma pessoa do povoado me indicou e amanhã começo na fábrica de caminhões Pegaso.
Chegamos, terceiro B.
Entremos.
- O que é isso? - É.. do Mateo.
Não havia lido. É?
Avô,
que fazer aí?
O salão.
Que calor.
Sim, bem, aqui os verões duram até setembro.
Vocês acostumarão. Como podem ver,
está tudo tal e qual o antigo proprietário deixou.
- O que aconteceu? - Faleceu.
- Continuamos? - Sim, claro.
- Janelas grandes. - Olhe, são como as do povoado.
Mas a vista é bem melhor.
Que? Não me digas que não gosta da casa.
- Por quanto tempo ficou fechada? - Por quatro anos, acredito.
Isso foi o que me falaram quando vim aqui.
Olha, temos vitrola.
- Manolo, não faça isso. - Por quê?
Porque dá azar.
Para que nós queremos uma casa tão grande?
Candela, o que há no povoado?
- Nada. - Exato. Nada.
Estamos en Madrid. Madrid é o futuro.
Vamos dar uma oportunidade às crianças. E a nós também,
que está nos fazendo falta.
Venha, verás que felizes vamos ser aqui.
[Se eu fui rainha da luz do dia, ]
[do vento e do mar...]
Me desculpem, mas preciso ir.
Espero que desfrutem da casa.
Sejam bem-vindos... a sua casa.
O que tinha te dito Rafael? Dentro de casa não.
Por que colocou isso aí?
Para nos dar sorte.
Aqui não vai ser como lá no povoado, né?
- Não, a partir de agora tudo vai melhorar. - Alguém me ajuda?
Anda, corre. Chama tua irmã.
- Eu te ajudo. - Não, tu não, Rafinha.
Qual é o meu quarto?
O do fundo.
Rafinha!
- Mãe, mãe, ele asustou a Amparo! - Este garoto...
Cuidado com os pés aí.
Mais para o fundo, no salão.
Aí, junto da mesa.
Cuidado. Cuidado, cuidado, cuidado.
- Perdão. - Com isso conserta tudo?
Amparo, vem.
Leva tuas coisas para teu quarto, anda.
- Candela. - Quê?
- Onde deixo isto? - Onde quiser.
Gostou?
Por que eu tenho que dormir com o vovô?
- Porque sim filho. Vai ser assim. - Não pode dormir com Amparo?
Tua irmã é mais velha.
Amparo, que está fazendo?
Já sabe que teu pai não gosta de portas fechadas.
Tu não é meu pai. O quarto é meu, não?
Sim, mas este quarto está nesta casa.
Já sei, não precisa ficar me falando.
Pode deixar a porta aberta quando sair.
- Vai tirar tudo? - Sim.
Veja se quer algo. Eu não ficaria com nada disso, é horroroso.
Este é bonito.
Tirando essa cor verde...
Não gosto.
Algo mais?
Sim, pode ir dando banho no Rafinha?
- Agora? - Agora. Vou preparar a janta.
A partir de amanhã tu terás que ajudar
com teu irmão, enquanto eu e teu pai trabalhamos.
Candela, venha cuidar do garoto um momento.
Já vou.
Pode parar quieto?
Nós vamos ficar aqui muito tempo?
Acredito que sim.
Eu gostava mais da casa no povoado.
Podemos jogar de novo?
De novo?
"Porfavorzinho"
Não prefere jogar com o vovô?
"Veja, veja".
- O quê? - "Uma coisinha".
"Que coisinha?".
Começa... com P.
["O que é, o que é.. ".]
- Pente? - Não.
Parede?
- Pêlo? - Não vai conseguir adivinhar.
Vamos, me fala o que é logo.
Paris?
- Que é "Paris"? - Um lugar que não cheira mal.
Ah, isso não vale. Tem que ser algo que vejas.
- Fica aqui um momento. - Ok.
Avô, o quê está fazendo?
Rafa?
Rafa, abre a porta.
Rafael, para de jogar, senão a janta vai esfriar.
Rafa, o que tá acontecendo? Por que não abre?
Rafa, o que está havendo?
- Mamãe, mamãe, tem alguém aí dentro! - O que foi? Que vozes são essas?
Rafael está aí dentro! Está preso! Não consigo abrir a porta!
- Rafa! Rafa! - Sai da frente.
- Como você pôde deixar a criança sozinha? - Podia ter morrido.
- Onde você está com a cabeça, Amparo? Onde? - Eu vi alguém, eu juro.
O que falei? O que falei? Nada de portas fechadas!
Não quero mais essas bobagens na minha casa, Ouviu?
"Bendito Senhor, e benditos sejam os alimentos da nossa refeição..."
Aproveitem.
Me passa o azeite, Pepe.
- Coma, pai. - Venha, Rafinha, coma as batatas.
Coma.
Que foi, Amparo?
Não sei, não...
Acho que estou enjoada da viagem, vou para a cama.
- Que foi, meu amor? - Estou com medo.
O vovô não está bem, necessita desta máquina para dormir.
Parece com as lagostas do povoado.
Fecha os olhos.
Assim, muito bem.
Imagina que cantam para ti.
Melhor?
Boa noite, tesouro.
Boa noite, mamãe.
Rafa, o que está fazendo?
Mágica.
Mágica vai ser a conta se não apagar a luz.
Apaga, vamos dormir.
Olha, Manolo, essa é a linha 25.
Aqui todos se ajudam. A cada duas horas pode sair pra fumar.
E se necessitar ir ao banheiro, avise a um colega para que te cubra.
Qualquer dúvida que tiver, me pergunta, certo?
- Sim, claro. - Sou Miguel. Bem-vindo.
Obrigada.
Bem-vindos. Boas compras.
- Muito obrigada. - Muito obrigada.
O importante é que sempre sorrias.
Isso e que cumpra com os objetivos de venda.. Isso também é muito importante.
- Ah, e leva sempre um batom. - Também é importante?
É importantíssimo.
Deixa eu ver.
Assim.
Pepe,
vai ver como logo encontra algo.
Aqui não é como o povoado, aqui tem lugar para todos.
Inclusive para nós.
Não... queria ir embora.
E eu? Você acha que eu queria ir e deixar o Mateo?
Mas agora aqui estamos, vamos nos adaptar.
Tem leite quente na cozinha,
se você quiser tomar café antes de sair pra procurar emprego.
Rafael, quantas vezes te falei que não é para jogar pião aqui?
Eu sei, mas se não jogar, não vou aprender nunca.
Olha, está estragando o chão. Acabou. Me dê esse pião. Já.
Desculpa.
Vamos tomar café da manhã?
Venha, já, Rafael, por favor, tomar teu café.
- Quer que te sirva? - Consigo sozinho.
Ah, ótimo.
Mas coma tudo, ok?
Sim, sim.
Sim o quê?
Rafita.
- Que tu disse? - Você me perguntou.
Não, não te perguntei nada.
[Me perguntou.]
Vovô?
Não te mexa. Você me ouviu?
Que?
Muito.
[Um globo, dois globos, três globos.]
[A lua é um globo] [que me escapuliu.]
[Um globo, dois globos, três globos.]
[A terra é um globo] [onde eu vivo.]
[Um globo, dois globos, três globos.]
[A lua é um globo] [que me escapuliu.]
[Um globo, dois globos, três glo...]
[Tralará, larita, ]
[estou muito contente.]
[Tralará, larota, ]
[estou muito contente.]
[Estou esperando] [que cheguem meus netos.]
[Cozinhei biscoitos para eles...]
[Mas que garoto tão lindo.]
[e que grande.]
[Como te chama?]
[Não vai dizer para a vovó Berta?]
[como te chama?]
[Vou ficar muito triste.]
Rafael Olmedo Jiménez.
[Que nome bonito.]
[Diga-me uma coisa, Rafael, ]
[Você gostaria.. de brincar?]
Vovô, por amor de Deus, posso saber aonde vai?
Para a fazenda?
Mas que fazenda.. Já não a temos mais, vendemos.
Tenho que pegar a espingarda.
Teu pai com certeza sabe onde está.
Ele não trouxe para esta casa.
Ele também disse que voltaria a ver onde estamos.
Vovô, por favor, vamos para casa.
Vou levar ela.
Quem? O que você disse?
Ela.
["Veja, veja".]
- "O que?". [-"Uma coisinha".]
"Que coisinha?".
["Começa com a letra...]
[B.]
[" O que é, o que é? ".]
Paris?
[Não]
Pião?
O Pepe sabe colocar na mão e tudo mais. Vai me ensinar.
[E tu?]
[Não quer... tentar?]
Não me deixar jogar.
[Mas agora estás... sozinho.]
Amparo.
[Amparo não está.]
[Está sozinho... comigo.]
[Vou chamar uma amiga] [para que venha te cuidar.]
[Ela sabe muitos jogos.]
[Não imagina a vontade] [que tem de...]
[te conhecer.]
Vovô, fique aqui e não se mexa, Quer?
Tenho bastante já.
Rafael, acabou teu café?
Rafael?
Rafa, saía!
Para de brincar.
Rafa!
Rafa!
[Que bondosos, ] [me deram umas bolachinhas.]
[Aqui agora virão.] [Estou muito nervosa.]
[Não, não são eles. Muito atrasados.]
[Tem uma pistola.] [Pim, pam, pum. Dispara sozinha.]
[Ai, que nervoso...]
Muito bem,
quer adicionar algo?
Meu pai saiu para a rua
Está desorientado
Não está bem. Tem algo na cabeça, não... não se aplica.
- Minha filha saiu atrás dele. - E deixou a criança sozinha?
Bom.
Revistamos o edificio de cima abaixo: depósitos, telhado, o barracão...
Perguntamos em todos lugares nos arredores e ninguém sabe de nada.
E era isso? Não vão fazer nada mais?
Vamos avisar a todas as delegacias de Madrid.
O melhor é que não saiam de perto do telefone, podem ligar.
Estamos sem linha, acabamos de nos mudar.
Voltaremos a nos ver se tivermos notícias. Senhor, senhora, boa noite.
Manolo, não está vendo que...?
Já sei, tem razão. Venha.
- Aonde vai? - Buscar-lo, não vou ficar esperando.
- Eu ... também. - Vou com você.
Não, eu venho toda hora e te dou notícias.
Não vou ficar aqui, morrendo de angústia.
- Posso ir? - Não, fica com o vovô.
Nós vamos encontrá-lo.
[Amparo?]
Rafael, cadê você?
[Não me deixe sozinho]
Querido, não vamos te deixar sozinho, mas tens que me dizer aonde está.
[Não sei.]
Ok.
O que enxerga à tua volta?
[Shh... Que vão te ouvir.]
- Está aí? [- Sim.]
É um homem ou uma mulher? Diz.
[Me viu.]
Rafael!
Mamãe!!!!
Rafael! Rafael, está aí?
Rafael!
- Ajuda, por favor! Ajuda! - Tem como saber de onde vem essas vozes?
- Amparo, que foi? - O Rafael, está aí dentro. Escuta.
- Rafael? - Impossível, no terceiro não vive ninguém.
- Minha filha disse que escutou o garoto. - Pai, você escutou? Está aí dentro.
Fujam
Rafael, filho!
Rafael!
Estão vendo? Não há ninguém, o andar está vazio há séculos.
Está aqui.
Me parece que tenho uma lanterna em casa.
Rafa!
Rafael, carinho!
Saia agora, garoto.
Rafa.
Rafa?
Rafa, está aí?
Papai.
Oh, meu Deus.
Rafa, sou eu, Amparo.
Rafa, venha, saía, que nada vai te acontecer.
Rafa.
Esta parede não é da nossa casa?
Sim.
Amparo!
- Amparo! - Amparo!
Amparo! Amparo!
- Amparo! - Amparo, que está acontecendo?
Amparo, sou eu, olha! Olha! Olha! Olha!
O que foi?
Filha, o que foi?
Filha, olha para mim.
O que está acontecendo? Que foi, Amparo? Que foi?
- Aqui não tem nada. - Encontraram ele?
Me ajuda a levá-la para a casa, por favor.
Venha, vem aqui. Vem aqui.
Venha.
Já está, ja está.
Já passou, já passou.
Como vamos ir trabalhar sem saber onde está o garoto?
Só trabalhamos um dia, não podemos faltar.
Necessitamos o dinheiro para pagar a hipoteca.
Candela, temos que ir trabalhar. Não temos escolha.
A criança disse que tem certeza que o viu.
- Não comece outra vez, por favor. - O viu.
Ali não tinha ninguém, ninguém.
O que você vê, viu... ou imaginou.... ou....
Pois, estou muito nervosa...
- O que sei, não sei. - Mas aonde está?
Disseste que iriamos nos dar bem na cidade.
Não posso sair desta casa sem o meu filho.
Candela, olha pra mim.
Está com medo, é normal. Eu também tenho medo.
Mas não podemos perder a cabeça, nem a esperança.
Não podemos.
Machucam meu calcanhar.
Tenho certeza que está tudo bem.
Como você sabe?
Porque sou seu pai.
Olá?
Falou com a Susana?
Sim, sim.
Não, não, não me conhece.
Olha...
moro na rua Malasaña, número 32, no terceiro andar, B.
Queria perguntar se você conheceu quem morou lá antes.
Ei, Susana?
Olá, menina.
Olá?
Com licença, posso ajudar em alguma coisa?
Veio sozinha?
Veio sozinha?
Lola, querida.
- Desculpa, não sei o que pode ter acontecido. - Como você se chama?
- Eu? - Sim.
Candela.
Desculpe a minha filha, ela fica nervosa quando não estou por perto.
Deve ter visto algo em você.
Se eu puder te ajudar em algo...
Lola quer que eu te entregue isso.
Se quer que meu marido venha aqui, ou...
Leia para os seus filhos.
- Mas... - Isso vai te ajudar.
- Está tudo bem, senhora Davalos? - Sim.
Precisa de nós para levá-los a lavandreia?
Eu já a atendo.
Sim, claro. Com licença.
Clara?
Olá?
Clara?
Clara.
Olá.
Vovô?
Sou aquele...
que te persegue todas as noites.
Sou aquele...
que, por te querer, já não vive mais.
O que te espera...
o que sonha com você...
o que quer ser seu dono...
de seu amor, de seu amor.
Eu sou aquele...
Vovô.
Vovô, você está se queimando.
Amparo.
Me ajude.
Tem que me tirar daqui.
Me ajuda.
Pega o telefone, Amparo.
Pega.
Rafael?
Rafa!
Rafa.
Fecha os olhos.
Rafa...
Rafa.
Está tudo bem?
Manolo!
- Manolo! - Sim, estou aqui.
Telefone para você, é sobre o seu filho.
Agora estou ouvindo seu coraçãozinho.
Seu estado normal é não falar, mas...
pode demorar alguns dias para fazer de novo.
Tenho um neto da mesma idade, tem que ter mil olhos com eles.
Tanto tempo na escuridão pode ter causado o choque.
Quando ele recuperar sua voz, ele com certeza dirá o que aconteceu.
É melhor descansar para que evite qualquer problema.
- Muito bem. - Obrigado, doutor.
- De nada. - Por aqui.
Manolo.
O que?
Não gosto dessa casa, não gosto de Madri.
Não está sendo fácil para mim também.
Estou pensando que posso falar com o meu primo...
e ele pode te conseguir alguma coisa temporária.
Candela, me escuta. Não temos nenhum puto.
Tudo que tínhamos investimos nessa casa.
Não temos como voltar.
Vem cá, vamos descansar.
- E se Deus está nos castigando? - E cá estamos nós outra vez!
- Nem sequer podemos nos casar. - Não quero falar nisso de novo...
Tá bom?
Não quero, chega.
Amparo.
- O que está fazendo acordada? - Nada.
- Vai sair? - Não, não. Pra onde eu iria?
Está bonita.
Mamãe.
O que foi?
Nada.
O que foi?
Está vendo alguma coisa?
Candela, a luz está apagada.
Meu Deus, isso é muito velho.
Amparo.
"Estou vendo, estou vendo".
"O que está vendo?"
Candela, o que foi? Onde você está?
Amparo.
Amparo, o que está fazendo?
Joder.
Mamãe!
Meu]
Meu]
- Mamãe! - Manolo, chame o meu pai!
Amparo! Amparo!
Pepe! Pepe!
Meu.
- Amparo! Amparo! - Mamãe!
Se afaste!
Corra!
São 360 pesetas pela noite.
390 com banheiro. Posso ver o livro de família?
O livro da família?
Acho que não temos isso. Tivemos que fugir.
Bem, não posso deixá-los ficar se não me mostrarem o livro de família.
Eu pago por dois quartos, mas vamos ficar todos juntos.
Amanhã quero vocês fora.
"Pai nosso que estás...
nos céus...
san... tificado seja seu nome.
Venha a nós...
Vosso reino."
"Seja feita a tua vontade, assim na Terra como no céu."
O pão nosso de cada dia nos dai hoje.
Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tenha ofendido.
E não nos deixei cair em tentação...
mas livrai-nos do mal. Amém."
O que foi?
Eu o consultei.
Muito obrigada.
Demos o dinheiro a eles e agora eles têm que nos pagar o que devem.
As coisas acontecem naquela casa.
Que coisas? Tem goteiras? Existem pragas?
- Existe um espírito... - Não nos importamos de perder o dinheiro...
nem as contas que já foram pagas.
Certamente há algo que podemos fazer, podemos vender o carro.
Senhores, uma hipoteca é para sempre.
Por isso fizeram um seguro de vida.
Eu aviso que você deve continuar pagando rigorosamente sua dívida...
morando ou não nessa casa, tenham um bom dia.
Me escuta. Me escuta, seu filho da...
- Me despediram. - Como assim, te despediram?
Desapareci sem explicação. O que eles fariam?
- Vamos, Candela, vá com calma. - Como você quer que eu me acalme?
Me dá um tempo. Agora não consigo pensar, mas vou arrumar tudo.
Eu prometo.
Não vou colocar meus filhos naquele apartamento.
E o que vamos fazer? Vamos dormir num colchão embaixo da ponte? O que vamos fazer?
Candela, onde você vai?
Alguém vai ter que continuar criando essa família.
Dê para eles... dê para eles...
dê para eles... dê para eles...
dê para eles... dê para eles...
O que está fazendo?
Quer entregar pessoalmente ao cliente?
Nunca pensei em fazer algo assim.
Está chegando tarde e quase não temos vendas.
No fim do mês vai ter que me dar explicações.
- Julia... - Estou tentando mesmo.
Estou tentando mesmo, mas não está fácil pra mim.
Me fale seu nome, eu confiei em você mesmo não sabendo...
Mesmo não sabendo de que?
Não sei o que poderia esperar de alguém que estava se deitando com o cunhando...
com a irmã morrendo no quarto ao lado.
Você não teve o suficiente...?
Amargurando nossa vida na vila...
e também quer apodrecer nossa vida aqui?
Não se meta na minha vida.
Boa tarde.
- Boa tarde. - Posso ajudar?
- Estou vindo de Galerías. - Pode deixar comigo.
Posso falar com a dona da casa?
Ela não está, mas posso te ajudar sem problemas.
Rosario, quem é?
Você já conhece a Lola, certo?
Ele pode te ouvir perfeitamente.
Olá.
Porque demorou tanto para vir?
O que viu quando nos conhecemos em Galerías?
Como você soube?
A Lola vê coisas que não vemos.
As presenças precisam de...
uma mente enfraquecida para se comunicarem...
uma mente que não coloca barreiras...
para entrar nela.
Algumas pessoas estão nesse mundo por uma razão.
E essa é a razão da Lola.
Deve ter sido terrível o que aconteceu naquele apartamento...
para que o ex-inquilino não queira sair.
Mas porque? Isso é o que eu não entendo.
Não temos culpa de nada. Por que você não nos deixa em paz?
Lola sabia como vê-lo em você e continua a vê-lo.
Seu marido e filhos já carregam essa dor com eles.
O que você quer dizer?
Você pode sair, vender o apartamento ...
É a mesma coisa, já está dentro.
A dor vai assombrá-lo até que você possa se acalmar.
Pode nos ajudar?
Quer alguma coisa da sua família, Candela.
Algo que vocês tem.
Pepe, onde você estava?
Como você pode pensar em deixar seu irmão sozinho com tudo o que aconteceu, cara?
É... o que me foi dado... pelo metrônomo.
Você chegou em casa.
Faltam doze pesetas...
do metrô.
Olá.
Dona Susana López García?
No telefone parecia diferente.
Tem quantos anos?
- Dezessete. - Dezessete anos...
meu Deus.
Está tudo bem?
Sim, está.
Obrigada.
- Você já fez isso antes? - Sim.
- E Amparo? - Não estava com você?
Ele disse... que estava... procurando você.
- Temos que esperar por sua filha. - Por que temos que esperar?
- Manolo. - Não, Manolo não.
Não sei porque as crianças precisam estar aqui.
Você pode nos ajudar, certo? Faça o que você tem que fazer, mas sozinha.
Não se faz isso assim, senhor Olmedo.
Ah, não se faz assim. E como se faz?
Ele quer que entremos.
Todos os dias vêm diferentes. Eles me fazem companhia.
Obrigado por me receber. Pensei depois de falar ao telefone ...
Não gosto de telefones.
Mas acontece, acontece, que eu não vou comer com você.
Hoje a Júlia vai ficar com você, querido.
Mamãe...
Não é nada, filho.
Dona Susana, não sei se você poderia me dizer quem morava na casa.
Por que você quer saber?
Seu número é o único que aparece na lista telefônica.
E nas contas.
Sempre ligava.
Mas não atendia.
Quem era?
Quantos são em sua família?
Minha mãe, meu avô...
- Manolo... - Irmãos? Alguma criança?
- Rafael. - Idade?
Cinco anos.
E o que fez com ele?
Ele o pegou, mas já o devolveu para nós.
Porque uma criança está a caminho.
Ainda sinto o cheiro das barrigas.
Não morava sozinha?
Vamos lá.
Meu Deus.
Minha filha.
Dona Susana?
Acho que vou embora.
Não sou eu.
- O que está acontecendo? - Não toque nela.
Os castigos eram inúteis.
Meu pai o trancou no relógio.
Ele chorava de gritar até que o tiravam de lá.
Mas não adiantava...
no dia seguinte fazia a mesma coisa...
e pegava o meu vestido verde.
Meu pai ficou louco, quando viu ele no andar de cima...
andando na ponta dos pés...
fingindo que estava grávida.
Meu Deus.
Houve um dia em que meu pai o encontrou com o vizinho no porão.
Deu-lhe uma surra que quase o matou.
Era seu irmão.
E sabe o que você disse?
Que não era Miguel...
que chmássemos ele de Clara.
O filho é nosso.
Não os machuque...
eles não tem culpa de sua desgraça.
Você tem que ir.
Ele não percebeu que estava machucando alguém.
Ficou sozinho a vida toda nessa casa?
Não podíamos deixá-lo sair, ele estava obcecado em ser mãe.
Por isso levou seu irmão embora.
Quando ele descobriu que estava grávida, ele o libertou.
E agora quer o seu filho.
Imagine o que eles teriam dito sobre nós se o tivessem visto assim:
vestido e maquiado.
Meus pais não o deixavam sair nem na porta da rua.
Quando meus pais estavam ausentes, dividíamos o apartamento em dois:
o A é meu e o B é dele.
Eu tive que sair de casa para não ouvir as fofocas dos vizinhos.
Que vergonha.
Desde então, eu não quis saber nada sobre ele.
Ele continuou ligando até a noite em que morreu.
E então o telefone parou de tocar.
Talvez tudo que ele precisasse fosse de um pouco de companhia.
Não...
não sei se ele merecia.
Por que não poderia ser como os outros?
O que custava?
Por culpa dele não podíamos ser uma família.
- Podiam, mas não quiseram. - Não!
Era um monstro!
Entenda uma coisa.
Se há algo que ele não conseguiu na vida, ele vai...
continuar tentando até conseguir, mesmo depois de morto.
"Creio em Deus pai todo poderoso, criador do céu e da terra...
e em Jesus cristo seu único filho, nosso senhor...
que foi concebido, pelo poder do Espírito Santo.
Creio na remissão dos pecados na ressurreição da carne...
- e na vida eterna. Amém." - Não!
"Creio em Deus pai todo poderoso..."
Rafa. Rafa.
Lola! Lola, não, filha.
Mamãe!
Rafael!
Solta o meu irmão!
Me dá ele!
Não.
Não.
Sei que o que fizeram para você foi horrível.
Você merecia vida melhor, não isso.
Eu sinto muito, Clara.
Me dá ele!
Meu!
Tem que ir embora.
Papai!
- Não! - Não!
Eles têm tudo?
Avisarei se tiver algum comprador interessado.
Não se preocupe, ninguém vai descobrir o que aconteceu nessa casa.
Pelo menos com o seguro do seu marido...
podem quitar toda a hipoteca e podem...
voltar a viver tranquilos no povoado.
Me mande a máquina de costura quando puder.
- Me dê. - Não, eu faço.
- Amparo. - Pepe...
Está pronto, mamãe.
Você vai ficar bem, senhora.
Para a estação de trem, por favor.
Legendas por: Samantha Schmidt Legendas por: Tatá Xavier
LEGENDA EXCLUSIVA SCARY TORRENT
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Você confundiu um sonho com um plano. Bem-vindo à cidade grande.
Ninguém vai lhe dar atenção. Eles nem olharão para você...
quando você escorrer pelo ralo.
Nem é por ser sangue ruim...
simplesmente é porque não se parece com ninguém.
Então você entende que o que você tem em casa é o que é importante...
e o que está por vir não vai ser fácil.
Não temo o fogo...
nem seus insultos...
o que eu tenho medo é...
ver um muro...
que cresce...
entre você e eu.
Tudo é tão grande, e tão frio.
O monstro sabe, que...
nos deixa...
divididos.
Não se afaste de mim.
Você não acredita em mim.
Te pergunto e não acredita em mim.
Olha pra mim e não acredita em mim.
Sou eu, mas não acredita em mim.
Diga que acredita, e vai ficar tudo bem.
Diga que acredita só mais uma vez.
Diga que acredita e não minta.
Minta pra mim. Acredite em mim.
Ninguém escapa.
E no fim de tudo que acontece aí fora você sempre vai voltar pra casa, sim.
A cidade é hostil, eu sei, mas aguenta...
quando as coisas vão bem em casa.
Nada me assusta. E ao contrário, o que me aterroriza...
é o que posso encontrar ao voltar, porque eu sempre volto.
Eu e você, pode acreditar.
Eu e você, contra essa cidade, que pros outros é sempre igual.
Devemos ser um lugar, um lugar...
nosso, um oásis de paz.
Eu e você contra essa cidade, que pros outros é sempre igual.
Devemos ser um lugar, um lugar...
nosso, um oásis de paz.
Não acredita em mim.
Eu peço e não acredita em mim.
Me olha e não acredita em mim.
Sou eu, mas não acredita.
Acredite em mim.
Diga que acredita em mim, e tudo vai ficar bem.
Diga que acredita em mim mais uma vez.
Diga que acredita e não minta.
Minta pra mim. Crê em mim.
Perdão, deve ser um erro, eu acho...
porque acho que não te conheço.
O que? Quem é você?
Quer que chame alguém? Está tudo bem?
Eu simplesmente não sei o que diz.
Não grite comigo, por favor. Peço que se acalme.
Como? Malasaña 32? Não existe.
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