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Subtitles by Celkurtz

O que se passa?

-Não é nada.

Eu já chego!

Está bem,

nós ouvimos você.

- Sr. Montesiho.

- Mestre Lamsky?

Você não enviou-me um aviso como sempre?

Eu enviei dez. Você não vem aqui para buscá-los.

- Isso é verdade. É a vontade de vê-lo novamente. Entre.

- Desculpe, senhorita.

Olá. Desculpe...

Seu carro não tem pisca-pisca? - O que?

- Nós não dizemos "o que?", nós dizemos "como?".

- O que? - Não, eu ...

- Esqueça isso. Parece uma Brancusi, mas é falsa.

Mas a cadeira,

vale bastante.

Ele não quer café, chá, refrigerante?

- Estou te seguindo desde a Porte Dauphine.

Você nunca usa o pisca-pisca, é perigoso.

- Você está me seguindo desde onde?

- Enfim, estou atrás de você.

Cuidado com suas cinzas. - Qual é o seu problema ?

- Pai, pare. É muito embaraçoso.

- Em inglês, por favor. - Foda-se,

Pai ... - Bom!

- Pare!

Pare!

Pare este caminhão guincho.

- Devemos seguir as regras.

Vá em frente, querida.

Julie!

Tenha uma boa semana, querida.

- Tudo bem, querida?

Foi bem ? - Muito bom...

- Seja razoável. Eu prometo que vamos cuidar disso.

- Pegue seu telefone e ligue!

- Olá, sou eu.

- Eu odeio quando você diz isso. * -Quando digo o que?

- "Sou eu."

- Sou eu, não vou dizer que não sou eu.

- O que você quer ?

* Porque a Julie vai dar uma festa?

- Porque será o aniversário dela.

- Você vai estar lá ?

- Sim... * -Eu não quero que minha filha

tenha péssimas experiências sexuais com garotos que nem sequer são formados.

- Juro que salto na cabeça dos meus filhos!

- Você não tem nenhum.

- Mais uma razão! Minha mãe tem apenas eu.

- Ela morreu. - Eu sei.

- Você me deixa com medo.

- Este carro, é a minha única lembrança dela.

Jean-Christophe,

eu te imploro.

- Oh, merda!

- Não!

Sr. Montesiho! Oh merda ...

- Oh, merda ...

Oh, merda!

Pensionato Sainte-Croix

- Vamos, Saint-Étienne!

O Melhor Está Por Vir

Nós somos os melhores!

- NOSSO PAI QUE ESTÁ NO CÉU ...

- Fique aí.

Não, não, não!

- Venha aqui, você!

Ei!

Boa noite, senhora Hernandez.

- Boa noite. Eles ainda não

consertaram o acesso por código. - Sim, liguei para o síndico. Obrigado.

Desculpe.

- Bouh!

- Como você é estúpido ...

- Espere, espere!

- O que aconteceu ? - Uma mudança.

- Você está se mudando?

Eu precisava de espaço. Tinha muita coisa.

- Mostre-me.

Uau!

Espere ... não está bonito.

Vou levar você para o hospital. Venha. - Ah, não!

Eu não vou para o hospital.

- Você precisa ser costurado e fazer uma radiografia.

- Faça você mesmo.

- Não faço isso desde o colégio. E não tenho os equipamentos.

- Isso causa impotência.

- O que ?

- As radiografias causam impotência.

- Mas não, enfim...

Mil radiografias testiculares, eventualmente podem causar impotência,

não uma radiografia de omoplatas. Venha.

Venha.

- Aposto que você conhece o Chefe do Serviço.

- Se todo mundo trapaceia, tudo bem ...

- Você não é todo mundo. - Exatamente.

- O que exatamente? - Devemos dar um exemplo.

- Para quem ? - É um princípio, enfim!

- Um que?

- Vamos! Boa noite, Madame.

- Cartão de saúde, por favor.

- Cartão de saúde ...

Eu tenho um Gold, um Amex, um Black,

um cartão

de piscina ...

Estou brincando. Dê à ela

meu cartão de saúde.

Está com ele. Você pode dar?

Madame tem mais o que fazer.

- Desculpe, eu ...

Desculpe.

- É esse aqui. Obrigado. - Obrigado.

Sr. Dreyfus.

- Sim.

Você tem um plano de sáude? - Mas é claro!

Um plano de saúde ...

Da companhia de seguros Bretagne Atlantique. Isso não faz você querer ver o mar?

- E daí?

- Nem uma costela quebrada. 3 horas por nada.

- Eu vou para a cama. - Não são nem 10 da noite!

- Você está certo. Vamos tomar um último mojito.

- Espere, você não pode fazer isso comigo.

- Qual é o problema ?

- Uma boa piada como essa, depois de 20 anos, não estou pronto.

- Boa noite, meu querido.

- Você não me leva para casa? - Ah, não!

- Ainda sinto muita dor. - Boa noite!

Como eu disse, há uma prevalência

do bacilo de Friedländer durante a estação seca.

E é o contrário para o bacilo estafilococos aureus.

- Desculpe.

- Sim ?

- Então há mais estafilococos durante a estação das chuvas?

- Eu disse isso, certo?

- Sim.

- Como? - Sim.

- Então, porque essa pergunta?

- Por nada. Desculpe.

- Desculpe ? - Por nada. Desculpe.

- Senhorita, eu tenho uma reputação de ser um professor legal?

- Não muito.

- Não é demais, não.

Então, eu pergunto novamente ...

Porque esta pergunta ?

- Porque durante a nossa apresentação de epidemiologia,

O professor Codaven nos disse ... - Eu não tenho o mesmo discurso

do que o reputado chefe deste serviço?

Eu vou te dizer uma coisa boa.

Se um dia

você tiver a chance de trabalhar com o professor Codaven,

observe-o bem.

Anote tudo o que ele disser,

tudo o que ele fizer.

Assim, quando chegar a hora, quando tiver um problema,

você pode imaginar o que ele teria feito

e fazer exatamente o oposto.

Este é o meu conselho.

* - Recebido hoje às 13h34,

* -Bom dia, doutor Dreyfus. É o doutor Cerceau.

* Você fez um raio-x de emergência.

* Gostaria de falar sobre isso. Se você puder vir me ver.

* Obrigado.

Olá, doutor.

- Arthur Dreyfus. - Thierry Cerceau. Desculpe pela espera.

- Seja bem-vindo. - Houve algum problema com meu cartão de saúde?

- O cartão de saúde? - Sim.

- Não tem problema com seu cartão de saúde.

- Ah, melhor assim!

Você... - Venha, eu vou explicar.

Eu fiz o meu estágio de último ano com sua esposa,

no serviço Tubiana do hospital Salpé. - Muito bem...

- Eu pedi para você vir

porque eu examinei a radiografia daquela noite.

Você viu?

- Não, não.

- Podemos pedir para a Virginie estar presente.

- Virginie?

- Como ela não está longe, ela poderia ...

- Não, não...

Nos divorciamos, eu e a Virginie. - Ah?

Como você está usando a aliança, eu pensei...

- Ah não, eu não posso ... removê-la.

Então, podemos ir ao ponto?

- Sim, claro.

Uh ... Então, vamos lá.

O residente de Radiologia focalizou nas suas dores do peito,

no hematoma, nas costelas quebradas ...

Mas ele não prestou atenção ao resto. Aqui. Apareceu isto.

- O resto ?

- Eu não vou mentir para você ... Isto não é bom.

A radiografia não mostra algo bom.

- Não é bom...

não é bom ?

- Não é bom, não é bom.

- Ah, não é bom, não é bom ...

- Como você vê,

nós temos gânglios,

nódulos pulmonares aqui, aqui e aqui.

- Espere. Mas existem alguns ...

Há alguns na pleura.

Mas estão em todos os lugares!

- Também há derrame pleural aqui.

Você tosse?

- Não.

- Você tem dores de cabeça?

- Não, não...

Vômitos?

- Aparentemente não.

- Você fuma ?

- Como? - Estou perguntando se você fuma.

- Ele parou fazem 20 anos, eu acho.

Ele está em plena forma.

- OK.

Mas tem certeza de que ele entendeu tudo?

- Seja gentil.

- Sim.

- Quanto tempo?

- Visto a disseminação, receio que ...

quimioterapia e cirurgia sejam inúteis.

Mas vamos fazer tudo para impedir que a dor se instale.

- Quanto tempo resta à ele?

- Nós somos médicos, não adivinhos.

Se você ainda não está sofrendo,

podemos estimar seis meses.

Sinto muito.

* -Bom dia. Aqui é o César. Deixe uma mensagem após o sinal sonoro.

* Não, não esse. Aquele.

- É o Arthur.

Pode ligar-me de volta, por favor? Eu te beijo.

César, eu preciso falar com você sobre algumas coisas.

César, eu preciso falar com você sobre algumas coisas.

Você ficará surpreso.

Os exames estão muito ruins.

Eles não são bons.

Eu te aviso, não são boas notícias.

São mesmo notícias muito ruins.

Os exames são muito, muito ruins.

Eu digo que eles são muito ruins.

Os exames são muito ruins.

Sim, César, isso é grave. Um câncer, isso é grave.

Porra...

- Desculpe, desculpe, desculpe!

Eu conheci sua recepcionista.

Ela não queria mais me soltar.

Ela está certa. Sua porta da frente

não faz sentido.

Para que serve o interfone, se está aberta?

- Sim, eu sei. Já conversei com o síndico.

- Se eu fosse rico, só faria xixi.

- Eu preciso falar com você.

- Eu também.

É uma champanhe nova ou um novo vinho branco?

Para mim é mais champanhe. - Para mim é mais vinho branco.

- Merda ... Más notícias? - Sim.

- Ok, vamos às minhas primeiro.

Vão suavizar as suas. Você não vai acreditar.

Você não está pronto.

Eu vou ser pai.

- Hã?

- Bem, sim, um! Podem ser dois, veremos mais tarde.

Não é loucura?

Vamos!

Isso é uma surpresa.

Eu sabia que isso te cortaria ao meio.

Você tem que conhecer a Lúcia.

Beba! O que é essa cara de enterro?

E você ?

- Eu ? - Suas notícias.

Quais são?

- Não é nada. - O que é isso ?

- Deixa pra lá. Hoje não, não estou com vontade.

- Diga-me. - Não, espere!

- Diga-me. - Eu explico.

Uh ...

Ah, que tal amanhã?

O que ... você está bem?

- Bom, escute. Uh ...

Você, você...

Você...

Você...

Você... - Eu o que, porra?

- Eu posso falar, OK?

Também não é fácil, você entende ?

É difícil até.

- Estou ouvindo. - Sim, bom! Onde eu estava?

- Estava em "Você ... Você ... Você ... Você".

- Antes, eu tinha dito outra coisa.

- "Tu."

Não, você disse: "Não é fácil".

- Ah, sim. Não é fácil. Sim, é isso.

Bom, é isto aí.

É ... quero dizer ... você ...

Você sempre foi o primeiro entre nós.

Você sempre fez tudo antes de mim.

- Exceto as crianças.

- É verdade.

- E os exames.

- Os exames?

- Eu sempre perdi todas,

então francamente ...

- É isso aí. Os resultados dos exames não são bons.

- Do que você está falando ? - Carcinomas pulmonares.

- Do que?

- Carcinomas pulmonares.

- Isso não é câncer?

- Bem, sim.

- Não ?

- Sim.

- Mas você não vai morrer?

- Hein?

- César?

César ... eu preciso falar com você.

- Eu não acredito. Você é tão forte, olhe para si mesmo.

- Escute.

- Eu disse para você parar de fumar, merda.

- Esse não é o problema, você sabe.

- Não é justo.

- César. - Deveria ser eu.

- As pessoas estão loucas. É besteira.

- Mas sim, droga! Claro que sim.

Eu aproveitei, fiz muitas merdas.

E você, você nunca fez nada.

Voce nao bebe não toma drogas, não faz sexo.

Você nem voa. - Eu faço sexo, um pouco ...

- Você sabe o que quero dizer.

Você se deita cedo, você vota no centro,

você nunca foi roubado no metrô.

Você já foi roubado?

- Não. - Entende ?

É nojento. No momento em que vou ter um filho.

- César, me escute. É necessário que ...

- Virginie e Julie sabem?

- Oh, não.

- Somente eu?

- Ehh, sim.

- Estou emocionado.

- Não é nada.

- Não, isso me toca. Não deve ser fácil

contar. - Bem, não.

- Mas somos fortes.

E estamos juntos.

OK ?

Vai tudo ficar bem.

- Madame Renou.

Com licença, o Sr. Dreyfus primeiro. Não vai demorar.

- Desculpe.

- Eu já chego.

O que eu te disse da última vez?

- Eu preciso falar com você.

- É sobre a Julie? - Mas não.

- Então, nós nos falamos. Eu tenho trabalho.

- Isso é algo muito sério. - Ah, sim ?

O que? Julie abusou da Nutella? Você tem que pegar um vôo?

- Mas não... Ouça-me por dois segundos, Virginie.

- Não há mais Virginie!

Então chore no ombro do César.

- Não tem como ... - Pare!

E pare com o inglês, você vai deixar a Julie brava.

(-Não é possivel.) (-Sim.)

Adeus, Sr. Dreyfus.

(-Não é possível.) (-Sim.)

Madame Renou, é a sua vez.

- Isto aí. Eu tenho uma pergunta mas é um pouco complicada.

- Farei o meu melhor, meu filho.

- Você pode não chamar-me de "meu filho"?

Eu me dou muito mal com meu pai, e isso ...

- Como você quer

que eu te chame?

- Pelo meu primeiro nome, será bom.

- Que é...

- Desculpe ... César.

- Muito bem, César.

Então, ao invés de "meu pai", me chame de "Bernard".

- Ah, não será possível.

É o primeiro nome do meu pai.

- Não me chame de nada então. Não é grande coisa.

Qual a sua pergunta?

- Bem, tenho um amigo que está muito doente.

E eu gostaria de orar por ele.

Mas ele é um judeu católico.

E eu sou um judeu judeu.

Então, eu não sei à qual Deus orar.

Ao meu ou ao seus?

Eu não quero cometer um erro.

- Só existe um Deus, César.

Se você ora à Deus com seu coração, Deus te ouvirá.

- Existe apenas um Deus, mas nem todos concordamos com qual.

- Seu amigo é praticante?

- Na verdade não. Eu nunca o vi em uma igreja

e ele não usa um kipá, nem mesmo para o Kippour.

Então, um judeu-alemão

comunista por parte de pai, católico do sudoeste por parte de mãe.

Então, não é realmente um judeu, mas ainda é judeu.

Não é realmente circuncidado.

- E você?

- Eu? Sim!

Eu, no total.

- Não. Você é praticante?

- Eu? Judeu-espanhol de direita. Muito simples.

Um Shabat de tempos em tempos e todo mundo está feliz.

- Você só tem que rezar em uma igreja ou em uma sinagoga.

Deus não vai culpá-lo por isto.

- Eu não quero que ele pense que há trapaça.

O tipo que aposta no vermelho e no preto no cassino.

- Deus não vai culpá-lo por isto.

Ele verá que você faz o melhor para seu amigo.

- Você tem certeza ? - Certo.

- Sério ?

- Sim.

- OK.

É legal.

Você é legal. - Sim...

- É verdade, francamente.

É legal.

- É legal, sim ...

É legal...

Efetivamente. - OK.

Isso aí...

Adeus, senhor.

Ah!

Ir até Lourdes, vale a pena ou isso seria demais?

- Uh ...

- É demais. Isso foi o que eu pensei.

Obrigado.

Olá, como vai?

- Oh! "Cesaréia"! - O que você está fazendo aqui ?

- É "Cesaréia"!

Meu amigo.

- Por que você deixou ele beber tanto assim?

- Desculpe incomodar Lúcia,

Eu queria falar com você, entendeu? - Não importa.

- Eu não aguento mais. - O que está acontecendo?

- César, você realmente tem que

escutar-me. - Estou escutando, realmente.

- Sinto muito.

Eu sinto muito mesmo. Não sei o que me deu.

- Vai tudo ficar bem.

- Não, não vai dar certo.

Não vai de verdade.

Enfim, sim. Eu estou bem.

Eu estou bem. Estou bem.

Eu não tenho nada. Estou bem.

Você é quem não está bem.

- Eu estou muito bem.

- Mas não, não está!

- Mas sim, eu estou muito bem.

- Você vai morrer, César. Você é quem vai morrer.

Você vai morrer. - Não é sério.

Bem, é sério.

Você vai morrer de qualquer jeito.

- OK.

- É terrível.

- Tome uma bebida, vai ficar tudo bem. Vamos!

Você tem uma bela, não é?

- Você não está chorando?

- Sim, estou chorando. Por dentro, mas estou chorando.

Vamos.

- Para mim agora tudo está bem.

Eu fui capaz de retomar as aulas de dança regularmente.

Estou em remissão.

- É incrivel. - Muito bem.

Obrigado, Odile.

Ok, bem ... Até a próxima semana.

- Vejo você na sexta ?

- Sim, tchau. - Adeus.

- Olá.

- Olá.

O próximo grupo é às 16h.

- Não é para mim, é para um amigo.

- Diga para ele vir.

- É um pouco complicado.

Desde ontem, ele diz que está pior.

Ah?

- Então o que eu faço?

- Arthur?

Arthur?

Codaven chegou. A reunião começará.

- Eu já chego.

- Então, onde estamos neste caso?

- Eu cuidei do estudo comparativo.

Para a síntese, você tem que falar com o professor Chabert.

- Muito bem. - Infelizmente, é muito decepcionante.

- Você sabe o que dizem:

"Pesquisadores que procuram, nós encontramos alguns,

"mas pesquisadores que descobrem,

"continuamos procurando".

- César?

- Você chega tarde em casa.

- O que você está fazendo aqui? - Minha amiga, a recepcionista, abriu a porta.

Eu vou ficar aqui. Não vou mais deixar você.

- Espere ... - Quero acompanhá-lo.

Estar presente.

Vamos, eu fiz canelones.

Gratinados. Deliciosos!

- Espere um segundo.

E a Lúcia?

O bebê? Você não pode deixá-los.

- Ela me demitiu.

- Como, da sua casa?

- Eu não ia colocá-la na rua.

- Mas como você vai fazer com o bebê?

- Ela não quer mais que eu adote o Pablo.

- Eu não entendi.

Ela não estava grávida?

- Não, por que ? Você pensou que estivesse?

- Não, mas como você disse que ...

Você me disse que seria pai.

- Eu também, pensei. Mas Madame mudou de idéia.

- Mas porque ?

- Ela me acha muito infantil..

Não confiável, se você preferir. Mas não me importa.

O importante é eu cuidar de você. - César ...

(Alguém está na sala.)

- O que?

(-Há uma mulher com véu no sofá.)

- Sim, é Randa.

- Quem? - Randa Ameziane.

Ela teve câncer.

Ela é muçulmana mas o véu é por causa do câncer.

Ela está curada.

Ela ajuda os outros a falarem sobre isso. - Sobre o véu?

- Não, sobre o câncer.

- Mas porque ? - Porque o que?

- Por que ela está sentada na sala?

- Vai te fazer bem falar com ela.

- Eu não quero. - Eu preparei para vocês

os canelones e a salada. Boa noite.

- Espere. Mas espere um segundo.

Espere! Mas o que você está fazendo?

- Deixando vocês. - Hã?

- Ela é ótima.

- Espere, espere.

Você não vai me deixar com ela. Eu não a conheço.

Arthur, você sabe bem o que vai acontecer se eu ficar.

Vou fazê-la rir, transar com ela e você ficará como um idiota.

- Eu não quero transar com ela.

- Porquê? Você não a conhece.

- Mas precisamente!

- Você diz isso porque ela está doente. Mas você também.

E ela está curada.

Envie-me uma mensagem se demorar.

- Oh, merda ...

Boa noite, Madame.

- Boa noite.

Randa.

Arthur, prazer em conhecê-la.

Você quer beber

alguma coisa? - Não, obrigada.

- Sente-se. - Obrigada.

- É legal da sua parte ter vindo.

- Ah, é...

Eu tentei recusar, mas seu amigo é teimoso.

- Sim, eu sei.

Uh, é ...

De fato, é ...

É um pouco complicado.

É até muito complicado

para explicar. Uh ...

Provavelmente vai parecer loucura para você, mas não estou doente.

- Você não está doente? - Não.

César acha que estou doente, mas não estou.

Ele é o paciente.

- Ah? É César quem tem câncer?

- Sim. Eu tentei dizer a ele, mas ele não acreditou em mim.

- Porque César acha que é você quem está doente?

Porque eu disse à ele.

- Porque você disse a ele ter um câncer se você não tem?

- Eu te disse que era complicado.

Quando eu ia contar pra ele,

ele anunciou-me que iria ter um filho.

De modo que isso pegou-me completamente de surpresa.

Eu tenho ... eu tenho ...

Eu ... eu ... eu ...

Eu tenho demorado muito, enrolei-me um pouco,

eu procurei

boas palavras e acho que o confundi.

Então ele desmoronou. - Ele chorou?

- Não, ele realmente entrou em colapso.

Ele caiu no chão. Ele teve um mal-estar.

Aqui. Exatamente aqui.

- Por causa do câncer.

- Não, por minha causa.

- Espere ... Você também está doente?

- Não, mas ele acreditou que sim.

É simples! Eu desmoronei por causa do filho dele,

não do meu câncer, desde que era dele.

E ele,

entrou em colapso por causa do meu câncer, porque ele pensou

que era meu.

- Assim...

César tem câncer e vai ter um filho.

- É isso aí.

Na verdade, não.

Na realidade, não!

Ele não vai mais ter um filho. No final, isso não vai acontecer.

- Mas o câncer?

- Este é real.

- Entendi.

Entendi.

Eu entendo, eu acho.

- Eu estou feliz. Não achei que estivesse muito claro.

- Não, não. Isto é...

É simples. Isto é...

É difícil aceitar a doença.

É difícil perceber que é real,

que isso acontece com você e à qualquer outro.

Dê a si mesmo uma semana.

- Uma semana?

- Sim.

- Por uma semana, eu fico ...

- Isto aí.

- Havia algo que eu não tinha ...

Então, por uma semana, eu fico completamente ...

- Isso aí. - E depois...

- Arthur?

- Estou no quarto da Julie!

É aqui que vou instalar você.

- E daí?

- Ótima, essa garota!

Ah!

- Fez-me muito bem em vê-la. Eu sinto-me...

Como dizer ?

Super leve.

(-Ela partiu?)

- Sim. Mas ela convidou-me para uma sessão de grupo.

- Ótimo! Você irá?

- Possivelmente.

Possivelmente. E você também pode vir.

- Sim. Se você quiser.

- Estou feliz que você esteja aqui.

- Eu também.

- Nós vamos fazer muitas coisas boas.

- Você parece estranho. Tem certeza de que não transou com ela?

- Que porra é você!

- Você quer fazer

o que, em seguida?

- Além de ir para a cama?

- Sim. - Não sei. E você?

- Ir comer um pato laqueado em Belleville.

- Tudo bem. - Sim?

Vamos lá. - Amanhã à noite.

- Por que amanhã à noite?

- Porque tenho um compromisso amanhã de manhã, muito cedo.

- Você não tem nada a ganhar com seu encontro.

Você vai parar de trabalhar.

- César, não posso mudar tudo da noite para o dia.

Preciso de tempo para organizar-me.

- Muito bem. Organize-se bem. Boa noite.

- OK, nós iremos.

- Dreyfus!

O que é isso?

- Foi enviado à todos?

- Você está brincando comigo ?

- Desculpe-me, hein ...

É ... é ... Não fui eu quem escreveu este email.

- Foi quem? Os russos?

- Desculpe, enfim ...

Você já viu-me cometer erros de ortografia?

Nunca.

Veja aqui, por exemplo.

"Você é apenas um chupa bola."

"Bola" está no singular. Em geral, nós chupamos bolas.

Então merece um "s".

Aqui, "você é incompetante". A incompetência, o idiota

que peida. O trocadilho é o que é,

mas desculpa, era preciso de um "e", não de um "a".

Aqui, "cara de ..."

- Está bem, está bem ... eu entendo.

Você vai rapidamente reunir a equipe para explicar que foi pirateado

e que não concorda com nenhuma palavra deste lixo.

Está claro ?

Qual é o problema ?

- Eu não entendi.

Você não me castiga mais?

Você não pode deixar isso passar. - Mas já que não é você.

- Ainda vem da minha caixa de correio.

- Nós não vamos ter uma briga, Dreyfus.

- Muito bem. - Você entende.

- Sim, mas não.

E ainda escreveram: "Codaven, você é apenas um chupa-bolas.

"Cara de cueca. Crepe de merda." Duas vezes.

- Eu li. - "Cagalhão".

- Eu li. Obrigado.

Bom, irão

te repreender. É isso.

- Sim, mas não é suficiente.

- Não é o suficiente? O que você quer?

(-Não podemos fazer menos que uma suspensão por uma semana.)

- Uma semana?

Mas como eu vou fazer sem você?

Hein?

- Pergunte à minha ex-esposa.

Parece que é uma liberação. Boa sorte.

Muito obrigado.

- Você está doente ou o quê? Porra! - Chupa-bolas, é preciso um "s".

OK?

- OK.

- Vamos fazer aquilo, comer o pato laqueado?

- Idiota!

- É preciso um "d".

- Você terminou? - Quase. Eu expliquei o que eu quero?

- Claro. Mostre.

Finalmente vou conhecer

as fantasias mais vergonhosas de Arthur Dreyfus.

Você está brincando comigo?

- O que?

- "Descoberta da vacina contra a disenteria bacilar".

- Bem, sim.

- "Ganhar o Prêmio Nobel, caminhar

"na lua com Julie." Você que não viaja de avião.

- Você pediu para escrever meus sonhos.

- Mas realistas.

- São mais que sonhos.

Arthur, temos três meses. Eu não vou te levar para a lua.

Você quer fazer o que antes de morrer? Coisas que possamos

fazer juntos. - Isto é o máximo.

O que eu quero fazer? Não sei. Dormir sob as estrelas?

Visitar o túmulo

de Albert Schweizer, reler Proust integralmente,

com o outro período também, Jean Santeuil.

O que eu quero?

- Comprar uma corda para me enforcar.

- Mas porquê?

Eu tenho gostos simples.

- Eles não são simples, são zero.

Reler Proust. Você terá todo o tempo no hospital.

- Você é estranho.

Essa incapacidade de entender que ler ...

Na sua cabeça, é perda de tempo. - Mas não tem nada a ver com isso.

Não é um sonho. Não é algo que seja inacreditável.

- É o maior sonho. - Você faz isso o tempo todo.

- Então vá. Faça sua lista, você. Vamos lá.

- Não é a lista de coisas que você fez na semana passada.

- Bom, então...

"Saltar de pára-quedas. Dirigir um Fórmula 1.. "

- Eu nunca fiz.

- "Nadar com um golfinho.

"Acariciar um coala e um elefante.

"Fazer amor debaixo de uma cachoeira.

"Fazer amor com irmãs gêmeas."

- Irmãs, não ...

- Hum ... talvez você pudesse

fazer amor com gêmeos coala

debaixo de uma cachoeira. Assim, crack, você acerta ...

dois pássaros com uma pedra.

- Que puto!

Desculpe

se antes de morrer, prefiro transar do que ler Proust.

- É uma lista de um adolescente de 15 anos.

Eu posso ser bem amável, são os 15 anos.

- Não é muito legal. Não é muito legal.

Senhorita!

Você está certo, nós nunca vamos concordar.

Vamos fazer 50-50. - O que?

- Cada um de nós escolhe algo e o outro é forçado a fazê-lo.

- Eu não vou viajar de avião.

- Aqui, não é democracia. Caso contrário, vá para a Confederação do Trabalho.

- Estou registrado na Confederação do Trabalho. - Puto!

Ok, sua vez.

Eu escolhi comer rolinhos primavera. O que você quer fazer?

Sem pensar!

- Retornar à Sainte-Croix.

- Ótimo.

Sainte-Croix, puto! Não há nada mais chato do que aquela pensão.

- Você pode parar de dizer "puto"?

- Por que você quer ir lá?

Estou estacionado do outro lado.

- Biarritz, são 700 Km.

- 780 Km.

- Me dê dez euros. - O que?

- Me dê dez euros.

- Você não foi à falência, foi? - Mas não!

- Se você tivesse falido, você me diria?

- Cada um com seus problemas, eu não vou reclamar.

Me dê dez euros e vamos falar de outra coisa.

Vamos lá.

- O que é isso ? - Venha.

- Você pode me dizer o que fazemos? - Você escolheu para onde vamos,

eu escolho como vamos.

- O que você está fazendo ?

- Na sua opinião ?

- Mas você está roubando um carro?

- Mas não.

- Mas sim!

- É o meu.

- Por que você vai roubar seu próprio carro?

- Deixei como garantia ao meu credor.

- Sim. Portanto, não pertence mais a você.

- Tecnicamente, não. Mas sentimentalmente ...

- Para a polícia ... - Você vai me deixar ir, sim?

Este é o que eu quero. É a minha vez. É o meu desejo.

OK?

Puto... - Deixe-me fazer.

- Eu vou chegar lá.

- Você não sabe como desentupir uma pia.

- Tente se você é tão inteligente.

(- Fazer-me fazer isso ...)

Vamos!

- Você devia ter

estudado para ser cirurgião.

- Sou pesquisador do Instituto Pasteur.

- Que desperdício!

- Você sabe como se pronuncia "Saab" em sueco?

- Não.

- Zob.

- O que?

- Isso significa que você dirige um Zob.

- Atenção, era o Zob da minha mãe.

- Ah, sim, muito freudiano, além disso.

Você é louco?

- Está bem.

Você vai morrer. Você não se importa.

- Nós não temos que morrer hoje à noite.

- Olha, não tem ninguém.

Eu me pergunto como chegamos a ser amigos.

- Você foi atraído pelo meu lado extremamente viril.

- Francamente, é loucura. É uma loucura sermos amigos.

Nós somos absolutamente os opostos.

- Sim, absolutamente os opostos. Podemos dizer isso.

- Se não nos conhecessemos, eu não nos veria como amigos.

- Se não nos conhecessemos, necessáriamente.

- Você vai repetir tudo o que eu digo?

- Não é estúpido o que você diz.

- Você sabe o que eu quero dizer.

- E entendo o que quero dizer.

- Você os deixa loucos, seus alunos? Tenho certeza.

- Dito isto, acho que seria muito difícil ser meu amigo.

- Porquê ? - Eu me cansaria.

- Você me cansa muito.

- Quando Virginie saiu,

ela disse-me uma frase terrível. Ela disse :

"Eu te amo muito,

"mas não o suficiente para suportá-lo. "

A violência da coisa!

"Eu te amo muito, mas não o suficiente para suportá-lo. "

Eu posso te dizer que ouvir isso,

após 15 anos de vida comum,

deixou-me desesperado. Eu fiquei muito magoado.

Eu fui ver um médico.

O doutor Chayevski, um psicólogo, ou um psiquiatra, eu não sei.

E ele me disse:

"Para ser amado, primeiro você precisa se conhecer".

- Você teria sido estúpido em não ir vê-lo. E ele te levou 60 euros?

- 110. - Não?

- Eu diria que depois de um mês,

eu sabia o suficiente para não querer saber mais.

Então eu falei com ele sobre meus pensamentos suicidas.

- O que ele disse para você?

- Pagar as sessões com antecedência.

- Não? - Eu juro.

- Pare. - Eu juro.

- Pare. - Mas eu juro,

César! - Ele é um gênio.

- Sim, ele é um gênio.

- Estamos chegando em Sainte-Croix.

- Quanto tempo dormi?

- O tempo todo.

Uma pedra.

Eu não acredito que você tinha vontade de voltar aqui.

Eu não acredito.

- Ah, é ...

- A casa da roupa de cama, caramba.

- Eu só vim ver se o carvalho ainda estava lá.

Eu não sei, ver o dormitório novamente.

- Os campos de futebol.

Os quartos de detenção.

- O escritório do senhor Rassamian.

- Que idiota, aquele!

- Então, o que fazemos ? - Como assim, o que nós fazemos?

A festa.

A folia. A farra.

O evento. A farra.

O passeio dos grandes duques. A festa!

Cinco! Sim!

Você ganhou,

idiota! - Eu ganhei?

- Veja.

- Eu ganhei!

Eu ganhei?

- Tartaruga ... tartaruga ... tartaruga!

- Não é possivel!

- Oito pretos! Perdemos tudo.

- O que foi?

- Nada. - Sim, você está me olhando.

- Não! - Bem, sim!

- Você é muito bonito.

- Ah, bom, você acha?

- Sim. Você é muito mais velho que eu,

mas com o smoking, fica muito bem. - Você é legal.

Você poderia ter nos conseguido dois smoking diferentes.

- Eles me fizeram um preço bom, eu não iria negociar.

- Nós não ... eu não sei.

Você não tem a impressão que parecemos idiotas?

- Sim. Mas idiotas bem vestidos.

Isso faz toda a diferença.

- Eu não quero.

Eu não quero ir lá. - Vamos!

- Não. Está fora de questão eu pagar para transar.

- Não são profissionais, são voluntárias.

- Ah, bom, é grátis?

- Você paga, e depois pode comer o que quiser no buffet.

- Mas é sombrio. É muito assustador.

- De modo nenhum. É lúdico.

Você gosta de tênis?

Nos torneios, você joga com pessoas

que não conhece, e que não escolheu.

Simples, duplas, duplas mistas.

- Tudo bem, eu entendi.

- É o mesmo, mas sem raquetes.

- Sem raquetes?

Eu estou indo. - Oh!

Arthur, espere!

Eles podem ter raquetes.

Eu queria fazer você ganhar tempo.

Você não quer pagar, você não quer buffet grátis ... eu respeito.

Mas lá, teremos que caçar. Você ainda sabe?

- Não se preocupe comigo.

- Você teve muitas garotas depois da Virginie?

- Você acha que vou falar sobre isso?

- O grande prazer do sexo, é falar sobre ele.

- Não temos os mesmos gostos e nem a mesma relação com as mulheres.

- Pelo menos eu tenho relações sexuais.

Eu tenho a impressão que você é de jogar muitas flechas.

- Não se preocupe comigo.

Estou indo melhor do que você pensa.

- Ah, sim ?

Muitas flechas?

- Muitas flechas.

- Você não está enferrujado?

- De modo nenhum.

- OK, mostre-me.

- O que?

- Mostre-me. Dê-me uma cantada.

- Você está falando sério ?

- Sem brincadeira, meu frango.

- Muito bem.

Depois de você, senhorita.

- Boa noite. - Boa noite.

- Alexandra, 24 anos.

- Desculpe. Você é adorável, mas você é um pouco jovem.

- Myriam, 57 anos.

- Diretamente 57? Não tem como ...

- Bom...

Mélanie, 37 anos, divorciada. Eu trabalho em recursos humanos.

Porque eu tenho os recursos e eu amo o humano.

- Arthur, 56 anos.

Eu sou pesquisador.

Porque gosto de pesquisar e adoro encontrar.

- Você tem um microscópio grande?

- Alguns dizem que é o maior da Europa.

- Só isso!

- Você quer beber alguma coisa?

- Você está me cantando, Arthur?

- Não, não...

- Por que você disse não?

Porque está se desculpando? Você foi bem.

Comecei a ficar excitado. Meus pequenos mamilos ficaram em pé.

Morda, assuma. Levante o peixe.

- Deixe-me pescar do meu jeito, Mélanie.

- Você está me cantando?

- Não, penso que não.

- Eu penso que sim. - Está tão visível?

- Vamos brincar de médico.

- OK.

Então, deixe-me sussurar a receita no seu ouvido.

- Oh, sim!

Mas você é idiota?

- O que ? - Não está bem ?

- Mas você disse que seus mamilos ficam em pé.

Eu vou à luta.

Parece que esta mordeu a isca, grande gostosa.

- Vocês poderiam serem mais discretos?

- Desculpe ?

- Vocês poderiam serem mais discretos?

- Você tem algum problema com gays?

- De modo nenhum. Mas é uma casa de família.

Então ... - E o casal atrás,

você pediu para eles serem mais discretos?

- Não, aquilo não tem nada a ver com isso. - E porque ?

- Quer dizer ... - Quer dizer o que?

Vá em frente, rápido! - É menos que ...

- É menos o que?

- É só mais ...

- Fale mais alto, não consigo ouvir.

O que é? Eu não consigo ouvir.

- Tudo bem, César.

- Não, não é bom. Não é nada bom.

É escandaloso.

É nojento.

Vamos, querido.

Já que não somos desejados aqui, vamos partir.

Não se atreva a pagar nem deixar gorjeta.

O senhor aí vai pagar.

Olá, idiotas!

- UM, DOIS, TRÊS.

"In Between Days" (The Cure)

- Gato!

- Gato!

- Tudo bem?

Tudo bem?

- Eu forcei muito

as fechaduras esta noite.

Aqui está alguém que entendeu tudo.

- É por lá. - Sim, por lá.

Uh ...

Escute isso.

Dizem que há um cara na Índia, Dipankar Aman Kapoor,

que faz milagres com câncer. Ele salvou Armstrong.

- Armstrong, o astronauta?

- Não, o trompetista.

- O trompetista? - Mas, enfim ... O ciclista!

Ele o fez ganhar 5 Tours de France, e talvez faça você ganhar alguns anos.

Mas ele é ótimo, esse cara!

Para onde vai levar-me? Ao túmulo de Pasteur? Ao museu do micróbio?

- Seja paciente.

- Arthur.

- Hum?

- Você tem uma aparencia de merda.

Você não quer que eu dirija um pouco? - Não, isso ...

Isso me mantém acordado.

- Muito tranquilizador.

Onde estamos indo?

O que...

Pare.

- Escute, é a minha vez, César.

- Pare esta banheira!

- Escute-me.

- Eu não vou voltar lá.

Eu não vou voltar! - Você é louco ?

Mas, enfim, César!

Você é completamente louco!

- Eu não vou voltar lá.

- Já fazem 20 anos. 20 anos, entendeu?

- 20, 30, 40 ... Eu não dou a mínima.

Você acha que ele mudou? Que ele ficou atencioso?

Que ele vai me abraçar? O que você acha ?

- Eu não sei, e ninguém sabe. Ninguém!

Não você, não eu! É a única pessoa da sua família.

- Não há família! Não há ninguém, não resta mais nada.

- Ainda é seu pai! Realize isso. Você não pode...

- O que eu não posso?

- Você não pode continuar nesta situação.

- Eu não posso continuar nesta situação ?

Que diabos estamos fazendo?

Eu fico me metendo nas suas coisas?

Eu falo de sua esposa que partiu fazem 5 anos

e que você trata como uma vira-latas?

E isso, por quanto tempo vai ocultar?

- Você quer continuar com esta linha?

Esse é o grande momento da verdade?

Deseja esvaziar sua bolsa?

- Talvez.

- Vá em frente, velho.

- Você me irrita.

- Já? Ah sim, isso é tudo?

Você se fecha. Como sempre.

- Desculpe ?

- Eu trato como um vira-latas, você foge como um coelho.

- Ah? - Sim, você corre de tudo.

Diante das responsabilidades, seu pai, o amor, as mulheres!

- Você está me dizendo isso? - Sim.

- Mas do que estamos falando?

- Você está certo, eu deveria dizer as meninas.

As garotas, elas não sabem muito.

Então elas te admiram.

- OK.

- Quer que eu conte seu problema? Você tem ciúmes.

Você é frustrado.

Você pensa que causa inveja? Você causa pena. Olhe para você.

Você está sozinho.

E haverá apenas eu no seu funeral. Sim, somente eu.

Este fracasso que é o César Montesiho. Você fala sobre um sucesso.

Você não diz mais nada, Prêmio Nobel?

- Você é tão idiota, Cesar.

- Um puto sujo, foda-se você.

Você quer morrer sozinho? Bem, morra sozinho.

- Sim?

* -É o puto sujo no telefone.

* Você está dormindo?

- Não mais.

* -Me desculpe.

Eu não quis dizer todas as besteiras que disse.

Você sabe disso ?

- Eu sei.

Eu sei.

- Como vou passar sem você?

Eu não vou aguentar sozinho.

- Eu também não, César.

* Eu também não, você sabe.

* Você falou com Virginie?

* Você contou à ela?

- Ainda não.

* -É preciso contar à ela.

- Sim, César. Eu preciso falar com ela.

Mas nós dois temos que conversar.

Você entendeu?

Nós dois precisamos conversar.

* Onde você está? Você pode vir aqui?

- Não, estou bem. Não se preocupe.

Eu só queria te dar um beijo mas está tudo bem.

* -Você tem certeza? - Sim, tudo bem.

Vamos lá, boa noite, amigo!

Boa noite.

- Mas o que é isso ?

Feliz aniversário.

- Hã?

- Feliz Aniversário.

Eu li na internet que um cachorro ajuda

na cura. Traz

doçura e felicidade.

Olhe para esse cachorrinho!

Admita que ele é fofo ...

- Sim, de fato. Muito gentil da sua parte.

É adorável, até. Mas como posso lhe contar?

Eu não sou muito de cachorro.

- O nome dele é Napoleão.

Olhe para os olhos dele.

Os olhos dele querem dizer tudo.

- O que eles estão dizendo?

- Eles perguntam-se porque você não abre seus presentes?

Eu te dei muitos presentes.

Com seu cartão de crédito.

- Sim!

Não sei como sacar.

Não tenho certeza se gosto disso.

- Relaxe.

Bouh!

- Respire. - Merda!

- Tudo bem?

- Ah, querida, como vai?

- Estou incomodando vocês?

- De modo nenhum.

- É seu fim de semana.

- Eu sei. Eu falava sobre isso com César.

- O que é isso ?

- É um cachorro.

- Você bebeu ou algo assim?

- Eu fundo o motor, com a minha taquicardia.

Estou feliz em ver você. Tudo bem ?

Você tem tudo, tudo bem? - Olá!

- Atenção.

Tenha uma boa semana, querida!

- Merda, então ...

- Tudo bem ?

Legal, você pensou no pão!

- Sim, chego já. - OK.

- Olá, minha querida. Dá para sentir o cheiro de cabra.

- Oi, mãe.

- Foi bem com seu pai?

- Sim, sim.

- E o que você fez?

- O de sempre.

- Ele está com um carro novo?

- Não, é do César.

- Ele fez o que da Volvo?

- Nós a levamos para Biarritz.

- Ele fazia o que em Biarritz?

- Se você tem perguntas, pergunte a ele. A cabra vai tomar banho.

* -Eu o acariciei!

*Arthur,

* Eu o acariciei!

*-Dê partida! Acelere!

* Ele entendeu! (-Ah, porra!)

Doutora Lazare ao telefone. Eu queria falar com o doutor Dreyfus.

Sim, é urgente.

Sim?

Olá, Sylvie? Sim, tudo bem?

Diga-me, onde está o Arthur? Não consigo encontrá-lo.

Hã?

O que?

Chupa-bolas e crepe de merda?

Não?

- Bom dia ...

Bom dia. - Arthur?

Arthur!

Arthur!

Eu ligo para ele, mas ele não responde.

- Olá.

- Onde ele está ?

- Ele está no canil para ...

- O carro dele, sim. O que está acontecendo ?

- Nada está acontecendo.

- Nada ? Ele foi demitido, você mora com ele,

vocês caçam elefantes ...

- O bebê elefante.

- Não tire sarro de mim!

O que está acontecendo?

- Mas nada, relaxe. Você quer um café?

- Nada sério, pelo menos?

Não é possível...

Mas como ele está? Ele sofre?

- Não sei.

Ele é admirável.

Ele não reclama, ele nunca diz nada.

- Verdade?

- Ele leva com dignidade. Ele é heróico.

Realmente. Ninguém pode perceber o que quer que seja.

Ele sorri o tempo todo, ele é ...

Ele é incrível.

- Ele veio falar comigo. Ele queria me ver e eu ...

Eu o expulsei. Que idiota!

- Tenho certeza que ele não está zangado.

- Você pensa ? - Claro!

Você se casou com um cara incrível.

- Não é mais meu marido, César.

- Bem, sim...

Mas você ainda o ama. - Ele é o pai da minha filha.

- Ele ainda te ama.

Por isso, francamente ...

Eu queria apresentá-lo à meninas ...

Mulheres.

Enfim ... - Sim, eu entendi.

- Porque você está bem. Você é linda e tudo ...

Mas lá eram ...

de nível superior.

Não, nível superior . Alto nível.

Tipo...

Incríveis! Sabe o que ele me disse?

- Não sei. O que?

- A única pessoa com quem eu quero fazer amor, é você.

- Você?

- Não, você. Eu não.

- Ah!

- Você, Virginie.

A única com quem ele quer transar é você.

Louco, né?

- Sim, é loucura!

Você é o cara com menos tato que eu conheço.

- Amaria que alguém dissesse isso de mim.

- Sim, mas é você.

- Ele vai precisar de você. Você é a mulher da vida dele.

- Sim, mas acabou. Estou com Bertrand agora.

- Sim, bem ... Se você gostasse dele tanto assim, nós não ...

- Não, pare.

Não sei o que vou fazer.

- Você não conte a ele que eu te disse.

Porque eu prometi.

- Eu não entendo, Virginie.

Saiba que eu estou muito surpreso.

- Bom dia.

- Bom dia.

Tudo bem ? - Sim. E você ?

- Eu te chamo de volta.

- Diga olá para a dama.

Nós fomos à Biarritz.

Nem sempre é simples, mas ...

Fez bem à ele de ver você.

- Tanto melhor.

- Bom dia.

- Bom dia. - É um prazer. Tudo bem ?

- Eu também. Muito bem.

Estou conheci seu cachorro.

- Adorável.

- Ele é muito fofo. Ele se parece muito com você.

- Ok, eu vou deixar você.

- Em todo caso, estou encantada que vocês conseguiram conversar.

- Eu tenho uma coisa ou duas para dizer, ainda.

- Enfim, três ou quatro.

- Eu tenho que ir.

Te vejo em breve.

- Te vejo em breve.

- Tenha um bom dia.

Quem era?

- Era Randa. - Não, no telefone. Quem era?

- Era Virginie.

Ela quer me ver.

- Ela te disse por quê?

- Falar da Julie, eu imagino.

- Você me promete que vai contar a verdade para ela?

- Se você me prometer ir ver seu pai.

- Oh, você não vai recomeçar com isso!

- Por favor seja gentil.

Eu não quero que discutamos, mas isso é importante.

Você entende ? - Vou pensar sobre isso.

Havia algo lá, certo?

Havia charme no ar com ela.

- Você está mudando de assunto? - Não, é você.

Eu senti que estava demais. - Não.

- Sim, Napoleão e eu, nos sentimos que estávamos demais.

- Desculpe. Oh!

- Desculpe, eu estou atrasado. - Não, eu estou adiantada.

- Eu peço perdão.

Tudo bem ?

- Sim. Sim...

Sim... - Você tem certeza ?

Porque... - Sim, está tudo bem.

Eu só estou cansado, mas está tudo bem.

- Muito melhor.

Você queria falar comigo sobre algo?

- Oh não, de jeito nenhum!

E você ?

- Eu não.

Enfim.. não.

Enfim ... Como você me telefonou,

Eu pensei que...

talvez você tivesse algo

para me dizer. - Ah, sim! Sim, com licença ...

Sim, sim. Na verdade, eu queria falar com você.

- Hum ...

- Euh, sim. Eu queria...

Eu queria desculpar-me pelo outro dia.

- O outro dia?

- Quando eu te expulsei

do consultório. - Ah, não!

Fui eu quem foi rude. Eu cheguei inesperadamente.

Você tem seu trabalho.

- Não! Eu pensei sobre isso, talvez você tivesse vindo ...

para falar comigo de algo importante,

e eu, eu estava...

E espero que sendo importante,

você pode me ...

Quero que você saiba que estou aqui.

E que ...

que você pode contar comigo. - É muito gentil.

- Você pode me dizer. Eu estou aqui, Arthur.

Eu sinto que alguma coisa está errada.

Eu sinto. Fale comigo.

Arthur.

Fale comigo, aqui estou eu. Arthur.

- Eu te aviso, não são boas notícias.

- OK.

- São mesmo más notícias.

- OK.

- Você terá que ser forte.

- Eu serei forte.

- Você terá que ser muito forte.

- Eu serei muito forte.

- César está doente.

- Hã?

- Ele está fodido.

- César?

- Sim.

- Não é você ?

- Bem, não.

- Você não vai morrer?

- Bem, não!

- Você tem certeza ?

- Bem, sim.

- Por que ele me disse isso?

- O que, você o encontrou?

- Ele me disse que você ia morrer. Eu não consegui dormir.

Por que ele me disse isso? - É complicado.

- Pare de dizer isso!

- Espere. Virginie!

Pare.

- Se você não contar a ele, eu irei. - Ah, sim ?

O que isso vai trazer para ele?

Eu terei uma consciência limpa. Mas ele?

Ele saberá que acabou, que eu menti para ele.

E isso o matará.

- Ele está morrendo!

- Ele nunca esteve bem assim.

Ele é feliz, ele está em harmonia. Ele se sente útil.

- Ele tem o direito de saber. - Mas vai servir para que?

Vai servir para que? Não podemos curá-lo.

O que o espera?

Eu não sei... Cuidados paliativos,

um quarto de hospital sem ninguém visitando.

Eu só estou tentando ajudar.

- Pare de tentar decidir tudo para todos!

Você se dá conta ? Ele só tem você, e está mentindo para ele.

- Você nunca mentiu em sua vida?

Hã?

- Não é sua vida, Arthur. É a vida dele.

*"Time" (Pink Floyd)

- César?

César?

César?

- Eu estou aqui, porque eu prometi ao Arthur.

Eu prometi vir aqui e te dizer tudo.

- César. - Me escute.

Em seguida, vou voltar para o meu carro ...

Enfim, não é mais meu carro.

Porque não tenho mais nada.

Eu não sou nada.

Eu absolutamente perdi tudo na minha vida.

Você estava certo, eu sou inútil.

Mas, está tudo bem.

Tudo vai bem.

Porque eu não sou como você.

E isso,

é muito importante para mim.

Você ensinou-me que se podia ter tudo e não valer nada.

Isso, basicamente, eu devo a você. Você ensinou-me.

Como você me ensinou a perder.

Porque quando perdi a única pessoa que me amava, a única,

aquele que deveria me proteger, porque eu tinha, merda, 10 anos.

Aquele que deveria me proteger,

o que ele me fez?

Ele me esqueceu, na verdade.

Arthur está doente. Ele vai morrer.

Mas sua filha, pensando em seu pai, pode ficar orgulhosa.

Ela será capaz de lembrar de alguma coisa.

Arthur é irritante com ela.

Ele está no pé dela o tempo todo. Ele assume a liderança dela.

Mas ele é um bom pai, porque ele tem medo por sua filha.

Ele tem medo por ela.

Você nunca deu a mínima.

Você sempre deixou-me fazer tudo porque você não dava a mínima.

Durante muito tempo, desejei-lhe mal. Mas até isso, já passou.

Você não é mais que um passado distante de memórias ruins.

Eu também aprendi

a viver sem você.

Isto aí. Eu acho que te disse tudo.

- Eu tenho café ruim.

- Vou para dentro da casa, estou com frio.

* -Você tem uma nova mensagem.

* -Bom, sou eu. Eu fiz aquilo.

* falei com ele.

* Você estava certo, como sempre.

* Droga, que alivio.

* Obrigado, amigo.

* Espero que você também tenha feito. Nos falamos mais tarde.

- Você falou com ele ?

- Deixei uma mensagem. - É bom.

- E Nicole?

- Nicole?

Ela mora no sul. Perto de Arles, eu penso.

- Ah, que idiota! Ela era tão legal.

- Pare!

- Você não tem ninguém?

- Não, mas está tudo bem.

Léo cuida de mim.

- Eu não posso ficar. Eu tenho que cuidar do Arthur.

- Faça o que tiver que fazer.

- Mas eu voltarei.

- Não se preocupe comigo.

Estou feliz que você veio.

- Eu tenho que levá-lo em uma viagem.

Depois voltarei.

- Se eu puder te ajudar ...

Por uma vez.

- Bah, se você pudesse ajudar-me com um pouco de grana ...

- um pouco, quanto?

- Um pouco, bastante.

- Você não mudou.

- Mas para onde vamos?

- Surpresa.

- Mas...

Não vamos pegar um avião, vamos?

- Bem, não.

- Eu te aviso, eu não ando de avião.

- Pare com isso. Confie em mim.

Vamos!

Desculpe. Desculpe.

- Com licença. - Desculpe. Desculpe.

Desculpe... Podemos passar? Meu amigo tem câncer.

- Seja bem-vindo. - Obrigado.

- Pare de fazer isso!

- De fazer o que? - Aquilo!

Pare de dizer que tenho câncer. É muito perturbador.

- Mas você tem câncer.

- Não é uma razão, enfim.

Me incomoda.

Com licença, senhora.

Boa noite, seja bem vindo.

- Você poderia dar-nos um upgrade?

Porque o meu amigo tem uma doença incurável.

- Verei o que posso fazer.

Eu não disse câncer.

- Você está brincando comigo ?

Pare!

- OK.

- Eu não vou entrar em um avião. - Quem falou em avião?

- Você está brincando comigo ? Acabamos de passar na alfândega.

- A classe executiva, não é realmente o avião.

- Estou indo para casa.

- Arthur.

Arthur!

Oh, merda ...

Faça isso por mim.

- Onde estamos indo ?

- Não muito longe.

- Onde?

- Tenho um encontro com o Indiano que salvou o Armstrong.

- Na Índia ?

- Sim.

- Mas são 12hs de voo.

- Não! 11:00hs ...

Vamos, venha.

É o meu último desejo. Eu te imploro. Depois faremos o que você quiser.

Nós iremos ver os mosteiros, as mesquitas.

Nós iremos aos concertos barrocos, releremos Proust em latim.

Eu te imploro. Deixe-me dar-lhe uma última esperança.

Deixe-me dar-lhe uma última esperança.

Eu te imploro.

O guia vem buscar-nos amanhã de manhã às 8hs.

Não podemos atrasar-nos. As pessoas vêm de muito longe para vê-lo.

- Eu realmente preciso falar com você.

Agora. - Não diga que não quer ir.

- Não é isso. Eu preciso te contar uma coisa.

Mas você tem que prometer que vai perdoar-me.

- OK.

- Você jura?

- Eu juro, mas ...

se você jurar que também vai perdoar-me por uma coisa.

- Ah, bom? Então ok. - Não, não está bem.

Jure. É uma coisa grande.

- A minha também.

- A minha é uma coisa muito, muito grande.

- Juro que a minha é maior.

- Escute.

A minha é tão grande que tenho medo de você ficar com raiva.

Ok, ok. Eu irei perdoar você.

- Jurado? - Eu juro para você.

- Diga: "Juro por você." - Eu juro para você.

- Bem...

Não é fácil.

Uh ...

Eu tive um caso com a Virginie.

- O que?

Vocês estavam separados.

Mas você falava-me tanto dela que eu acabei sentindo falta.

Nós nos encontramos em um bar. Bebemos muito.

Ela estava triste, Eu não estava muito forte.

Nós nos consolamos.

Isto aí.

- Vocês transaram?

- Na verdade não. Enfim...

Um pouco.

- Um pouco?

Um pouco. Mas isso só aconteceu uma vez.

E vocês estavam separados. E tínhamos bebido muito.

Ela estava triste e eu não estava

muito forte. Mas só aconteceu uma vez.

- Sim, vocês beberam muito.

- Sim, muito.

Isso foi...

- Sim, eu entendo.

Ok ... bem, eu te perdoo.

- Você me perdoa? - Sim, eu te perdoo!

- Como assim? Assim fácilmente?

- Não, não é fácil.

Mas eu me coloquei no seu lugar. Eu posso entender.

- Espere, espere ...

Estou dizendo que transei com sua esposa.

E você, você não se importa?

- Não é a palavra.

- O que você queria me dizer?

É grave?

- Sim.

- Alguém está doente, alguém vai morrer?

- Sim.

- Alguém além de você?

- Sim.

Você terá que ser forte.

- Eu não quero saber!

- Seja gentil. - Eu não quero saber.

Eu guardo esse segredo há dois anos, e eu me odeio.

Então eu imploro, deixe-me aproveitar.

- César. - Não, vamos falar sobre isso amanhã.

Amanhã, amanhã.

Eu perdoei meu pai.

Meu pai me perdoou. Você me perdoou.

Eu nunca me senti tão leve. Deixe-me aproveitar.

Falamos sobre isso amanhã após o Aman Kapoor.

E, por enquanto, vamos aproveitar.

Pegue um pouco de frango.

- César ... - Tut-tut! Falaremos amanhã.

Falaremos amanhã.

- Cadê o guia?

- Em frente. Ele está ali!

- Está ali?

Muito obrigado.

- Passe à frente.

Posso saber o que você está fazendo?

- Silêncio!

Bem, esse não é o Kapoor?

(-Não. O Kapoor, está lá.)

- Onde?

- Lá. - Onde?

- Lá.

- Ele é um médico de verdade?

Num hospital de verdade?

- Eu não iria fazer você viajar 7,000 km para ver um cara que faz yoga.

Vamos lá.

- Eu não me sinto bem.

(-Vai ficar tudo bem.) - Eu vou morrer.

- Estamos aqui para isso. - Eu te disse

que eu vou ... - Arthur!

Arthur!

Socorro!

Eu preciso de alguém. Ajudem!

Você está melhor?

- Sinto muito.

Eu sinto muito.

Desculpe pelo que? Você é louco.

Espere, você verá.

(Espere.)

Sr. Dreyfus. Sr. Montesiho.

- Prazer em conhecê-los.

- A situação é estranha.

Realmente muito estranha.

Eu nunca vi isso

em 20 anos de carreira.

E acredite em mim, nós vemos coisas muito estranhas

neste país.

- Mas ... é bom ou ruim?

- Bom e mau.

Seu câncer mudou.

- Hã?

- Seu câncer ... evoluiu.

- Como?

- Ele mudou.

- Eu tenho um câncer?

Sim.

- Porra, você não vai recomeçar com isso.

- Mas é um câncer diferente.

Não é mais câncer de pulmão ...

Mas um melanoma na perna.

Isso é muito sério.

Você tem que operar com urgência.

- Câncer de pele?

- Mais três meses e você estaria morto.

- Ele não vai morrer?

- Com uma operação, ele vai viver.

- Oh, obrigado!

Oh, obrigado!

- De nada!

Obrigado. Obrigado!

Obrigado!

Obrigado!

- Tudo bem. Sente-se.

- Você é um mágico! Obrigado.

- Eu sabia!

Eu sabia que você não iria morrer!

- César!

César!

César, pare!

César, pare!

Pare!

- A operação correu bem.

Eles removeram tudo.

- E César?

- Ele vai ligar. Não se preocupe.

Dê a ele algum tempo.

Vamos, descanse.

(Descanse.)

- Eu precisava dessa reunião para ...

escutar, entender ...

E ainda, apoiar-me um pouco moralmente.

Arthur, então ...

Eu fui confrontado

por intermédio da Randa ...

Eu tentei abrir-me e compreender,

como você.

Eu não entendi

como eu poderia fazer isso.

- Você estava com medo.

Você sabe...

Eu tive uma ótima vida antes.

Hum ...

Eu queria um filho

eu tinha um emprego, um cara ...

Estávamos juntos há dez anos.

E nós estávamos no ponto de comprar um apartamento.

E depois houve o 4 de novembro.

Senti uma bola no meu peito esquerdo.

E comecei a quimioterapia.

Não entendia o que estava acontecendo comigo.

Eu não entendia nada.

Eu não queria falar sobre isso.

Todo mundo me dizia: "Vai dar tudo certo, vai dar certo".

E não é verdade.

Não era.

Ele partiu e fiquei sozinha.

- Sinto muito.

- O que estou tentando dizer, é que vocês...

vocês ficaram juntos.

Você deixou tudo para ficar com o César.

Então sim, você mentiu,

você fez muita coisa, mas ...

mas você estava lá.

Obrigado.

- Levo você?

- Bem, estou estacionada lá.

- Bem...

Então, boa noite.

- Te vejo em breve.

- Boa noite.

- Adeus. - Adeus.

Boa noite, Bernard.

É o Arthur.

Eu imagino que você não tem notícias do César.

Seria gentil se pudesse ligar-me quando puder.

Muito obrigado. Boa noite.

- Mova-se! Espere, tem o cachorro.

- "Como

"Brasse-Bouillon chamava sua mãe?

"Caboche, Folcoche ou Potache?"

- Brasse-Bouillon?

É o que, o filme? - Você perdeu.

- Para mim? Uh ...

"Qual é o gênero musical preferido de La Fouine?

"Rap, slam ou zouk?"

- Isso nao significa nada.

- Bem, sim. O gênero musical predileto.

Você não conhece La Fouine? - Não.

- E o Disiz La Peste?

- Quem é esse?

- Então você não sabe? - Não.

- O Rap.

Você sabe o que é rap? - Sim.

Olá? Boa noite, Bernard.

É gentil de ligar-me.

* -Eu queria te contar ... Ele está aqui.

* Mas ele não quer ver você.

- Sim, claro.

* -Me desculpe.

Eu tentei, mas ele não quer ouvir nada.

Ao mesmo tempo...

nós podemos entender isso.

- Sim, eu entendo.

Como ele está ?

- Está bem. Ele está um pouco cansado ...

Mas não se preocupe. Eu cuido bem dele.

- Sim.

Muito obrigado.

Obrigado pela sua ligação.

Boa noite, Bernard.

Boa noite. Muito obrigado.

Bom dia, Randa.

- Bom dia, Arthur.

Tudo bem ?

- Acabei de saber notícias do César. Eu sei onde ele está.

Estou um pouco perdido.

- Ele ligou para você? Ele está bem?

- Se é para um encontro sexual, tem que ser rápido.

- Isso é bom, estou com pressa.

Como você está se sentindo ?

- Ótimo.

Se você veio por ele, está perdendo seu tempo.

- A primeira vez, no hospital,

voce veio ver-me para que eu ajudasse o Arthur.

Você realmente insistiu.

Ele pensou a mesma coisa.

- Você é realmente linda, na verdade.

- De fato ?

Obrigada.

- De nada.

- Eu sei que você não quer que eu fale dele, mas ele está melhorando.

Você salvou a vida dele.

Eu acho que se ele mentiu para você,

foi para proteger-se porque ele estava com medo.

Foi por você que ele estava com medo.

Quando amamos alguém, às vezes você carrega a dor com você.

Nós carregamos a mala.

Mesmo que seja estúpido e inútil.

- Ele estragou tudo.

- Você teria dito a verdade?

- Não sei...

- Quando soube que estava doente,

levei semanas para dizer isso.

E eu menti.

O tempo todo, para todos.

- Não tem nada a fazer.

- Sim.

Sim.

Eu sabia que no momento que eu pronunciasse a palavra,

eu iria semear a tristeza e a desolação.

E foi o que aconteceu.

Ele ...

Ele só queria ganhar tempo.

- Eu acho que ele perdeu muito.

Mas nós não concordamos.

Eu pensei que o tinha salvo.

Não posso perdoá-lo.

- Eu vou deixar você.

Você vai partir em breve, você sabe.

Aqueles que você ama nunca esquecerão esses momentos.

O que você vai passar irá acompanhá-los a vida toda.

- Obrigado, Randa.

Adeus.

- Adeus, César.

- Randa!

- Porra, César ...

César...

- Bouh!

- Como você é idiota!

- Tudo bem ?

- Eu estou bem. É ele... - Não muito.

- Façam um pouco menos de barulho.

Obrigado.

- Você é realmente idiota.

Mas você é realmente idiota ou o quê?

- Você deveria ter visto sua cara.

Eu não iria partir sem te dizer adeus, de modo algum.

- Desculpe.

Desculpe.

- Eu também, te amo.

Idiota.

- Eu também.

"César nasceu na Argélia no dia da Independência.

Ele era um filhinho de papai

que dirigia uma mobilete,

colecionava namoradas

e tinha bigode aos 11 anos de idade.

Ele era nulo em tudo, mas não duvidava de nada.

Eu não era nulo em nada, mas duvidava de tudo.

Ele era tudo o que eu não era, o que me deixava nervoso.

E portanto,

o que torna as amizades inabaláveis,

é um sentimento que não existe no amor:

a certeza.

Naquele 12 de maio de 1976,

o dia do nosso encontro, foi exatamente

o que eu senti.

Eu ainda me lembro da primeira frase que você disse-me:

"Eu sinto que vamos nos irritarmos."

Obviamente, essa profecia era falsa.

Não se conseguia

irritar-se com o César.

Ele viveu a vida toda como se fosse morrer amanhã.

Ele morreu ontem.

Ele sempre esteve tão dentro do presente

que parece loucura para mim falar sobre ele no passado.

Vou ter que acostumar-me com isso.

César teve mil vidas, mas nenhuma delas deixou-o triste.

Ele navegou pela existência, sem nunca ser danificado por ela.

Costumam dizer que um amigo é alguém

que realmente conhece você, mas ainda assim te ama.

Ele era insuportável, mas não se podia deixar de amá-lo.

Alguns meses atrás, indo para Biarritz,

você cantava Gilbert Bécaud,

bem alto.

Eu entendo sua voz.

Então agora, o que eu vou fazer?

Para qual vazio minha vida vai escorregar?

Você deixou-me a terra inteira.

Mas a Terra sem você é pequena.

Obrigado.

- Obrigado.

Obrigado. - Obrigado, Bernard.

- Obrigado por tudo.

- Até amanhã, querida. Te vejo amanhã.

Obrigado.

- Foi muito bonito, muito emocionante. - Obrigado.

- Ele pediu-me para dar-lhe isso.

- Ah? - Sim, você deve ler agora.

Ele pediu-me.

- Tudo bem, eu farei.

- Te vejo em breve.

- Te vejo em breve.

- Oi, meu amigo.

Eu gostaria de estar aí. Adoro quando as pessoas falam de mim.

Nos divertimos muito, de qualquer maneira.

Seja o que for, passou rápidamente ...

Ok, tenho uma última coisa para te pedir.

Eu sei que é a undécima, mas prometo, depois eu paro.

eu gostaria que você nos fizesse um favor.

Você tem na sua frente a mulher da sua próxima vida.

Ela é ótima. Vocês se parecem.

Então, é isso que você vai fazer ...

Você não vai convidá-la, nem dizer: "Vejo você em breve. Obrigado por tudo."

Não estamos mais na quinta série. Você vai fechar esta carta,

vai correr atrás dela,

vai pegar na mão dela e vai beijá-la.

Assim, você também terá uma bela lembrança deste dia.

Vamos, vá, idiota.

Você já deveria estar correndo.

- Randa!

- Tudo bem ?

- Eu só queria te dizer ...

Bom dia.

Arthur Dreyfus.

56 anos.

Eu sou pesquisador.

Porque eu gosto de pesquisar e adoro encontrar.

- Bom dia. Randa.

- Posso te pagar uma bebida?

- Você está me paquerando?

- Está tão evidente?

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