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Original subtitles

TEATRO MARIINSKY

"ARCA RUSSA"

Abro meus olhos e n�o vejo nada.

Apenas me lembro de que houve um acidente.

Todos buscaram seguran�a cada um como p�de.

S� n�o me lembro do que aconteceu comigo.

Que estranho... onde estou?

Marie, preciso te mostrar uma coisa.

A julgar pelas roupas, deve ser o s�culo XIX.

Aonde v�o com tanta pressa?

E se nos barrarem?

Nunca senti tanto medo.

N�o se esque�a, a menina de branco � minha.

Aonde voc�s v�o?

Est� frio! Fechem as portas.

R�pido!

Sigam adiante!

Fui procurar o melhor modo de fazer.

Esses oficiais n�o sabem o caminho.

Ser� que estou invis�vel? Ou simplesmente passei batido?

Ser�? Tudo isso � uma encena��o para mim?

Devo assumir um papel?

Que tipo de pe�a � esta?

Tomara que n�o seja uma trag�dia.

O que isso tudo significa?

- Para onde devemos ir? - Talvez aqui?

N�o, � aqui.

Aquele homem de preto... ele tamb�m parece perdido.

Ele me cumprimenta, mas vai embora.

Perd�o por falar antes de sermos apresentados formalmente.

Que cidade � esta?

Que cidade? Bom, todos falam russo.

Eu esperava que fosse Chambord no per�odo do Diret�rio.

- Que l�ngua estamos falando? - Russo.

Russo?

Que estranho! Nunca falei russo antes.

O que est�o fazendo ali?

Vamos entrar?

Est� acontecendo alguma coisa.

O que estou fazendo aqui?

De repente falo russo!

Quero ir embora. Sua curiosidade n�o impressiona.

Seria tudo isso teatro?

At� logo!

Nossos caminhos devem se separar.

At� logo.

Voc� respondeu a todas as minhas perguntas.

Onde vai dar esta porta?

Que pena...

talvez nunca mais nos encontremos.

Ele era obviamente estrangeiro.

Quando terei de novo uma oportunidade dessas?

� melhor... n�o me envolver nisto.

N�o vamos perturb�-los.

De qualquer forma, � tarde demais.

Senhor... senhor! Estou aqui.

Meu cicerone russo! Voc� sabe o caminho?

- Sim, vamos juntos. - Este � o seu pais.

Sim, mas n�o � meu s�culo. Como vim parar aqui?

Acho que vi Pedro, o Grande.

Sinto admira��o em sua voz. Foi interessante?

Sim, muito interessante.

Mesmo.

Na �sia, os tiranos s�o adorados.

Quanto mais terr�vel um tirano, mais adoram sua mem�ria.

Alexandre, o Grande, Timur... e o seu Pedro, o Grande.

Est� enganado quanto a Pedro.

Ele permitiu que os russos se divertissem.

Uma escada espiral... para onde foram todos?

Entendo... mas por qu�?

O que � t�o interessante l� em cima?

Voc� vai ver...

Pedro ordenou a execu��o de seu filho.

O mesmo homem que ensinou a seu povo a aproveitar a vida. Engra�ado!

Achei que soubesse aonde est�vamos indo.

Ele construiu uma cidade europeia sobre um p�ntano.

Introduziu costumes mais primitivos.

- Para onde v�o eles? - Mas a cidade continua europeia!

Para uma festa. Mas por que a escadaria de tr�s?

Foram instru�dos a se divertir. Por isso v�o a festas.

E o Oficial e a Dama?

- Na festa. - Onde eles est�o?

Foram para o submundo. Para baixo, para baixo!

E n�o existem mais.

Cuidado... a escada � �ngreme e escura.

Obrigado. Estou vendo.

Viu onde estamos?

N�o, n�o sei ainda.

Senhor, cuidado!

N�o denuncie nossa presen�a.

N�o precisa me lembrar.

N�o esque�a que eu trouxe voc� aqui.

Por favor, n�o se ofenda.

N�o se aproxime dos atores...

Curve-se para mim. Voc� � bonita.

- Voc� se lembra? - Sim.

- Pare de empurrar! - N�o me arranhe!

- Por que ela est� me empurrando? - Voc� a est� empurrando tamb�m.

Que orquestra impressionante!

Devem ser europeus!

- N�o, s�o m�sicos russos. - N�o, europeus!

Italianos!

S�o russos, pelo amor de Deus!

Ent�o?

Digo que � bom.

Muito bom!

Preciso fazer xixi!

N�o consigo mais segurar!

N�o.

Sim.

Senhor... senhor!

N�o grite!

- Onde voc� est�? - Aqui. Meu Deus, � Catarina II!

Siga-me!

Amo o s�culo XVIII. �poca de g�nios e costumes.

Vou ter que concordar com voc�.

- Nunca me contradiga. - Muito bem.

Onde est� a Imperatriz? Ela se foi.

A R�ssia � como um teatro. Um teatro...

Cuidado!

Acho que sei onde estamos.

Como s�o pretensiosos!

N�o fique para tr�s, senhor.

N�o estou ficando. Acho que estamos falando alto demais.

N�o importa. Eles s�o totalmente surdos.

Tenho cuidado. N�o vou mais tocar.

Teatro... que atores! E que figurino!

Obrigado, senhores. Obrigado.

Eles n�o podem me ver.

Parece o Vaticano. � nele que estamos?

Estas sali�ncias s�o pintadas, n�o?

Que naturalismo!

Estas pe�as n�o foram inspiradas pelos desenhos de Rafael?

Rafael, sim...

Melhor que o Vaticano. Aqui � S�o Petersburgo.

Ent�o s�o c�pias?

Suas autoridades n�o confiam nos pr�prios artistas.

Os russos s�o talentosos em copiar!

Por qu�?

Porque voc�s n�o t�m ideias pr�prias.

Suas autoridades n�o querem que voc�s tenham.

Na verdade, elas s�o t�o pregui�osas quanto o resto de voc�s.

Pregui�osas!

Havia uma galeria de pinturas aqui.

- No andar de cima. - Com 111 pinturas italianas.

- Mas n�o os maiores mestres. - N�o os maiores.

Os czares eram, em sua maioria, russ�filos.

Mas �s vezes sonhavam com a It�lia.

O Hermitage n�o foi criado para satisfazer esses sonhos?

- Rafael n�o � para voc�s. - N�o � para n�s.

- � para a It�lia. - It�lia...

- � quente l�. - Quente...

Que beleza!

A pequena galeria italiana...

O que s�o essas pessoas?

De que classe social elas v�m?

V� aquele vaso?

Sim! O estilo imperial est� por toda parte.

- E as l�mpadas de Voronikhin. - L�mpadas...

Imp�rio, Imp�rio, Imp�rio.

N�o tenho entusiasmo algum por isso. Esse estilo � tolo demais.

N�o se esque�a de que nasceu sob Bonaparte.

Depois entrou na moda de novo.

At� se tornar o estilo nacional...

para o detrimento de sua originalidade.

N�s lutamos contra Napole�o, n�o contra o estilo imperial.

Quem s�o? Quem s�o essas pessoas?

Peterburguenses, de quando a cidade deixou de ser capital.

Melhor assim. Uma capital deve ser...

uma cidade antiga como Moscou. N�o uma quimera.

- Quem s�o essas pessoas? - Devo lhe apresentar?

- S� se n�o for rude. - N�o, eles s�o amigos.

Oleg Konstantinovitch, professor de medicina.

Liev Mikhailovich, ator.

Eles n�o deviam se levantar?

Meu amigo europeu, ele est� visitando a R�ssia.

- Um prazer. - Ele � europeu.

Medicina � uma �tima profiss�o.

Eu n�o falei durante anos.

A n�o ser com meu novo c�mplice.

Por muito tempo... o que � esse cheiro?

Cheiro?

Um cheiro curioso...

Est� h� muito tempo em S�o Petersburgo?

Sim, h� uma hora.

- E veio direto para c�? - Tive minhas raz�es.

Deve amar a arte!

Est�o interessados na beleza ou apenas em sua representa��o?

N�o, marqu�s, estamos aqui para descansar.

"Marqu�s"?

- Como voc�s descansam? - Hoje viemos juntos.

Est� com cheiro de formol.

Formol.

Marqu�s, vou lhe mostrar uma pintura formid�vel.

Estes homens est�o emitindo um cheiro muito estranho.

Marqu�s, olhe este "Nascimento de S�o Jo�o Batista".

O Marqu�s tem cheiro de formol.

N�o, � voc�.

Conhe�o esta pintura. Vi na �ltima visita aqui.

Vem de Paris, da cole��o Crozat.

Catarina II a adquiriu em 1772.

Uma das primeiras pe�as da cole��o do Hermitage.

Tal informa��o � para especialistas.

Para n�s, o detalhe � mais interessante.

Olhe de perto aqui.

Uma galinha e um gato est�o � frente.

S�o figuras simb�licas.

A galinha representa a gan�ncia, a cobi�a...

O gato, o cinismo e a crueldade.

Cinismo e crueldade... o gato...

Ambos se acalmam com o nascimento de S�o Jo�o.

Que interessante...

Por que ele est� vestido assim?

Cle�patra, por exemplo... O que sabem dela?

Massimo Stanzione...

Cle�patra est� na mesma parede...

que "A Circuncis�o de Cristo", do virtuoso Ludovico Cardi.

- O que te incomoda? - Me incomoda?

Bem ao lado de "Sainte Cecile"? J� imaginou?

De Carlo Dolci...

E ao lado de "Natureza Morta Oriental"!

- Por que isso te incomoda? - N�o discuta, Oleg.

Como cat�lico, isso me choca.

O que acha de Wagner?

Quem � Wagner?

Oleg, ele n�o conhece Wagner.

Wagner � aquela crian�a que se comportou mal...

com meu melhor amigo, Meyerbeer.

Nunca escutei Wagner!

- Amplie seus horizontes! - Esse m�dico � t�o insistente!

- Mas n�o estou doente! - Desejamos-lhe muito sucesso.

Senhor, por que est� t�o mal vestido?

Meus amigos, como ia pensar...

que voc�s se dariam bem?

Um dia lhes contarei. Estou numa estranha situa��o.

Por que discutir com todos?

Se o fizer, nunca descobriremos por que estamos aqui.

Estas roupas matam a ess�ncia criativa do homem!

Por que acha necess�rio abra�ar a cultura europeia?

Por que raz�o?

Para que emprestar tamb�m os erros europeus?

Meu Deus! O que � tudo isso?

M�e!

Canova!

Que vis�o elevada da arte!

Que intui��o de material!

Que maravilhoso!

Ele � um verdadeiro herdeiro dos mestres da Antiguidade!

Canova quase se casou com minha m�e.

Sua m�e era uma escultora?

Sim. Em Roma.

Em Roma? Sua m�e, uma escultora...

Nesta cole��o de Canova, h� esculturas precisas...

que o Czar Alexandre comprou da esposa...

De Napole�o?

Sim. Foi em 1815, eu estava no Congresso de Viena.

O que voc� fazia l�?

- Eu era diplomata. - Diplomata?

Esta cole��o foi objeto de uma disputa acirrada.

Veja onde estamos agora!

Isto � um sonho?

Talvez, talvez...

N�o sei quanto a voc�, mas eu estou bem acordado!

� impressionante como eu falo bem russo!

Sim, muito bem...

Quem era aquele homenzinho? N�o era Puchkin?

- Bom dia. - Bom dia.

� aquele o seu grande poeta? O seu adorado?

Eu o li em franc�s. Nada especial.

Senhor...

Meu Deus, como voc� � sens�vel!

Perd�o.

Desculpe-me se ofendi seus sentimentos nacionalistas.

O que � isso, sentimentos nacionalistas?

O que � aquilo ali?

- Por favor... - Quem � aquela?

Por favor, n�o se apresse...

Toda sozinha, sem uma aia?

Seria mais sensato n�o falar com aquela dama.

N�o a incomode.

Vamos seguir adiante.

Com licen�a, a senhora perdeu seu guia?

Obrigada por perguntar, mas conhe�o bem este lugar.

Claro... voc� trabalha aqui?

N�o mesmo. Estou aqui admirando o trabalho dos grandes mestres.

Voc� me acompanharia ao pr�ximo sal�o?

Para ver os mestres flamengos?

Com prazer. Seus dedos delgados veem tudo.

- 140 passos, em frente. - 140, � mesmo?

Quantos faltam?

Olhe por onde anda.

N�o se pode ser indiscreto, eu lhe disse.

N�o � o momento certo para isso.

� tudo culpa sua.

- Voc� est� me comprometendo. - Ah, n�o fa�a isso.

Como se atrevem? Quietos!

- Chegamos. - Sim.

Podemos ir para mais perto daquela pintura?

Gostaria que eu te contasse sobre ela?

"A Virgem com Perdizes", de Van Dyck.

Catarina II a adquiriu.

Fale-me sobre esta pintura...

Por favor, me fale...

Veja a calma e a serenidade em torno de Nossa Senhora e de Jos�.

- Jos�, sim... - Deus os protege.

N�o h� d�vidas sobre Sua presen�a invis�vel.

A macieira representa a vida. Os girass�is representam a piedade.

Em cima, � direita, as perdizes representam a frivolidade.

- Elas est�o voando para longe. - Perdizes...

Anjos dan�am e brincam.

Muitos outros s�mbolos que podemos interpretar.

Senhor, deixe- a. Ela � um anjo.

Por que voc� ficou quieto?

As perdizes, as crian�as, a Nossa Senhora...

Obrigado, senhora, obrigado.

Tenho muita estima por sua opini�o sobre os trabalhos de Van Dyck.

Vai definitivamente se interessar por outra pintura.

Muito cuidado!

Uma de Rubens.

Senhor... n�o me perturbe!

"A Festa na Casa de Sim�o, o Fariseu"

O Fariseu...

N�o a vejo.

Onde est�?

36, 37...

N�o est� aqui.

N�o, aquela pintura n�o est� aqui.

N�o � parte da cole��o do Czar.

Sim, est� aqui.

Esta de Rubens em particular n�o est� aqui!

Sim, ela era da cole��o do Lord Walpole.

Como "A Virgem com Perdizes".

Mas a de Rubens n�o fica exposta.

Mas est� aqui.

- Onde voc� est�? - Que perfume maravilhoso!

Este cheiro de �leo...

Senhor, vamos sair daqui agora.

N�o, vamos ficar um pouco.

Que pinturas maravilhosas!

O que aqueles homens est�o contando?

Voc� tinha raz�o. Eu encontrei.

Vamos olhar mais de perto.

Ali est�.

Estamos quase l�. Olhe a pintura diretamente.

Ali est�.

Sim, ali est�.

- Algo a dizer de Rubens? - Van Dyck...

Rubens considerava Van Dyck como seu melhor aluno.

Sabe, houve uma �poca em que todas estas pinturas...

eram colocadas muito mais no alto e bem mais perto umas das outras.

O pr�prio Czar supervisionava como eram penduradas.

- Quem � voc�? - Sou um marinheiro.

- Ins�gnias... - Sim, a Marinha.

O Czar visitava sua cole��o toda manh�.

Ele, em pessoa, salvou tudo isso...

durante o inc�ndio.

- Que inc�ndio? - Em 18?

Est� me perguntando?

Chega, vamos.

- � hora de eu ir. - Posso te acompanhar?

Que pena...

Tenho que te pedir para ir embora.

O museu est� fechando.

Por favor, dirija-se � sa�da.

Quieto... feche a porta.

O museu est� fechando.

- Como ficou minha cena? - Eu n�o me impressionei.

Eu estava brincando.

Brincando...

- Voc� ouve m�sica? - Ou�o alguma coisa.

A m�sica russa me faz sentir coceira no corpo todo.

Aquilo n�o tem nada a ver com m�sica.

Por que voc� me olha assim?

- Farrapos... um cachorro... - Farrapos... um cachorro...

- Pessoas eternas... - Pessoas eternas...

Vivam e continuem vivendo.

- V�o sobreviver a todos n�s. - Pessoas eternas...

O que est� fazendo? Escutando escondido?

Voc� se interessa por pinturas?

Que belas m�ozinhas!

Fique longe de mim!

Am�m. Am�m.

- Bonito, n�o? - Certamente!

- Voc� � cat�lico? - N�o, n�o sou cat�lico.

Por que pergunta?

Pareceu-me que voc� estava perdido em pensamentos...

enquanto admirava as imagens dos fundadores de nossa Igreja.

N�o sei. N�o pensava sobre isso.

Voc� n�o estava...

Sabe que aqueles s�o os ap�stolos Pedro e Paulo?

Sim, foi o que ouvi dizer.

Foi o que ouviu dizer... e ent�o?

Eu olhava para eles porque gosto deles.

Gosta deles...

- Um dia, todos os homens... - Todos os homens...

- se tornar�o iguais a eles. - Mesmo?

Como pode saber o que as pessoas v�o se tornar...

se n�o conhece as Escrituras?

Por que n�o fala nada?

Veja as m�os deles...

As m�os s�o bonitas. E dai?

Como pode saber o que as pessoas v�o se tornar...

se n�o conhece as Escrituras?

Para voc�, eles s�o apenas dois velhos empoeirados.

- Apenas carne. - Est�o cobertos de p�...

Vindos de sua longa estrada para aparecer nesta pintura.

- O que aconteceu? - Eles s�o bons e s�bios.

Como pode conhecer o car�ter deles...

se n�o leu os Evangelhos?

Como pode saber tudo isso?

Senhor, por que o amedronta? Ele j� estava com medo.

Ele n�o est� com medo. Estas pessoas nunca t�m medo.

Deixe- o em paz.

Melhor apreciar o perfume das pinturas.

- Que cheiro bom. - Muito bom.

N�o precisa temer.

Que estranho ouvir essas palavras.

Agora entendo... Estamos na galeria.

Sim, eu entendo...

Estamos na galeria do Czar...

perto do retrato de um fan�tico medieval.

At� onde vagamos?

Aquela m�sica era boa, no final. Quem era o compositor?

- Glinka. - Quem � ele? Um alem�o?

Um russo.

Mas todos os compositores s�o alem�es.

Todos os compositores s�o alem�es?

El Greco...

Muito bonito.

Parece Rembrandt.

El Greco... p� das estradas.

Que p� das estradas?

Bonito, muito bonito.

- Algo de que voc� n�o goste? - De modo algum.

- � bonito, muito bonito. - Bonito...

Mais carne... muito bonito.

Estas s�o belas pinturas.

Belas pinturas...

Est�o ficando cada vez melhor.

Al est� um anjo.

Perd�o por me dirigir a voc� sem uma apresenta��o...

Para quem foi dirigido aquilo?

Por favor, me diga.

- Estou falando com a pintura. - Por favor, continue...

Que interessante!

- Tenho que me expressar. - Por favor, continue...

� assim que se comunica com ela.

Gostaria de tentar?

Devo tentar? Muito bem.

- Assim. - Assim?

Agora, assim.

Agora uma volta.

�s vezes, prefiro falar sozinha.

Esta pintura e eu...

temos um segredo.

Mesmo?

- Mesmo. - Agora acabou.

Isso � tudo, cavalheiros. Adeus!

Aonde est� indo, senhora?

Ela se ofendeu. Foi embora.

At� mais.

Adeus!

At�, cavalheiro.

Que encantadora!

Ela se ofendeu. Mas � t�o encantadora!

Aonde ela foi?

M�rmore...

uma pedra branca...

muito branca.

Bastante frio, n�o?

Quando veio aqui pela primeira vez deve ter sido desastroso.

Foi logo depois do inc�ndio.

Eu estive aqui antes, mas � como se n�o tivesse estado.

Quanto luxo!

O que � aquilo?

Foi sob a Conven��o que tudo foi devastado.

Voc� n�o conhece a hist�ria russa do s�culo XX.

Nossa Conven��o durou 80 anos.

Uma verdadeira revolu��o. Muito triste.

Que tipo de sistema � agora? Uma rep�blica?

N�o sei.

Nunca acreditei que uma rep�blica servisse...

para um pais grande como a R�ssia.

Voc�s, europeus, s�o democratas que se condoem pela monarquia.

- Voc� � franc�s, n�o? - Quem � voc�?

Desculpem-nos, estamos perdidos.

- Por favor, tomem seu rumo. - Deixem-nos viver! Deixem!

- Permanecer aqui � proibido. - Ajudem-nos, por favor.

Quem pro�be? O que � proibido?

Que modo de falar! Tudo � proibido!

� melhor n�o discutir.

Estamos indo, estamos indo...

Sei onde podemos nos esconder.

De repente tenho medo. N�o gosto de uniformes militares.

- N�o se apresse. - Tem uma porta logo ali.

- Esta porta n�o, senhor! - Mas gosto dela.

- Que linda porta! - N�o, essa n�o!

Nunca estive aqui.

Por que � t�o frio?

Disse-lhe para n�o entrar...

Que frio! Molduras... mas onde est�o...

Onde est�o as telas?

Vamos voltar, eu te imploro...

- Quem est� ai? - Sou eu.

- O que est� acontecendo? - Nada. Simplesmente entrei.

- Chegue mais perto... - Estou indo.

Talvez precise de ajuda, caro senhor...

Quem � o "caro senhor"?

Eu... voc�...

Nem aqui, nem ali.

N�o tem ningu�m.

Somente caix�es e cad�veres. Venha ver.

- Estou indo. - Esse � meu caix�o.

- Seu caix�o? - Sim, eu mesmo fiz.

Por que esse estranho tom, caro senhor?

Por que caix�es no Hermitage?

� o meu caix�o!

- � o meu caix�o. - Sim, � seu.

- Ele parece bem alimentado. - Mas onde est�o os cad�veres?

Por que pergunta "onde"? N�o pise nos cad�veres.

Ele parece bem alimentado! Voc� pisou nos cad�veres!

- O que aconteceu? - Uma guerra.

Que guerra? Contra quem?

- Contra a Alemanha. - O que � a Alemanha?

O estado unificado dos alem�es...

No s�culo XX, a R�ssia entrou em guerra com a Alemanha.

Os alem�es cercaram a cidade.

Mas a cidade n�o se rendeu.

Mais de um milh�o morreram.

- Mais de um milh�o? - Sim.

Isto � um pre�o alto a se pagar. Muito alto.

S�o Petersburgo e o Hermitage pagaram caro...

Na R�ssia, diz-se que a liberdade n�o tem pre�o.

Um pre�o muito alto...

mas talvez n�o.

Mas j� foi pago.

Eu estava errado, a prop�sito...

quando critiquei os seus czares...

por toda esta beleza e opul�ncia.

Mesmo que todos eles tenham sido...

tiranos.

Mais baixo, por favor.

Mas � lindo, n�o �?

O que voc� v�? Quem �?

Talvez Catarina II, mas n�o posso ver...

N�o podia estar mais incerto.

Chega! Lisa, traga as crian�as.

N�o chegue muito perto dela.

Se for Catarina, ela tem um sexto sentido...

Assim...

Mais baixo, mais baixo!

Isso � tudo.

As velas, as velas...

Est� abafado aqui.

N�o, Benfeitora, ai n�o. Est� frio demais.

- L�. - N�o, n�o vou deixar voc�.

Pronto.

Est� realmente frio.

Senhor!

Onde voc� est�?

Ou�o seus passos. Onde voc� est�?

Mortais n�o devem perseguir a realeza.

Cuidado para n�o a alcan�ar.

Eu ou�o seus passos.

Eu os ou�o.

Senhor, o que est� fazendo? Est� frio!

- Venha por aqui. - Sim, est� frio.

- Ela desapareceu. - Eu sei.

- Ela desapareceu de novo. - Chegue para o lado.

- Sabe aonde ir? - Ajude-nos. Vem...

Deixe-nos passar. Temos permiss�o.

Onde est� a porta? Onde est�?

Meus cumprimentos!

N�o se intimide. Vem... N�o ficaremos muito.

Muito obrigado. Um novo penteado � necess�rio.

Que lindo cabelo voc� tem! Estes cachos!

Ch�! Quer ch�?

Eu n�o, mas elas insistem. Onde est� o ch�?

Estamos com pressa. Onde est�?

- Sei que sou linda. - Linda tamb�m.

O que quer que eu diga?

- Vamos! - N�o tenho nada a dizer!

O que � isso?

- Voc� escreveu este livro? - Eu, n�o. Foi ele.

Nem ele nem eu. Mas ele far� uma dedicat�ria.

Me siga.

Senhor, o que est� olhando? Vamos continuar?

O que eu vejo? Neste momento, nada.

Algumas pessoas est�o obviamente esperando alguma coisa.

Vamos proceder com cuidado... Estes loucos podem nos comer.

Gostaram do seu cabelo.

Claro, bons escritores sempre t�m cabelo bonito.

- Agora, mais cuidado e sil�ncio. - Estou te seguindo.

- Feche a porta rapidamente. - J� o fiz.

Da �ltima vez que me receberam aqui no Pal�cio de Inverno...

ele estava sendo reformado depois do terr�vel inc�ndio.

- O assoalho n�o range. - N�o range...

- O Embaixador da P�rsia! - Desculpe-nos pelo atraso.

Senhor, vamos.

O Embaixador de Sua Alteza, o X�...

Pr�ncipe Khozrev-Mirza...

o filho do futuro X�, com seu s�quito.

- Sabe o que est� acontecendo? - Ainda n�o.

Somos testemunhas...

Nicolau l recebe uma desculpa dos emiss�rios persas...

em respeito ao assassinato dos diplomatas russos.

Griboedov foi um, acho eu.

Que interessante.

Consegue ver?

Que uniformes!

Luxo... Imp�rio...

Poder...

Olha ali. Mais alto...

Pode ver?

Sim, agora eu vejo!

Deve-se acreditar neste mundo. Voc� tem raz�o.

Cuidado... Oficiais da corte s�o astutos.

Alguns deles s�o m�diuns.

Podem perceber nossa presen�a.

Obrigado pelo conselho.

Geminianos s�o curiosos por natureza.

Eu vou adiante. Talvez encontre velhos conhecidos.

Boa sorte. Mais tarde o encontrarei.

Ele � t�o jovem...

"Poderoso e soberano Imperador!

A natureza pacifica da P�rsia... e a uni�o sagrada que existe...

entre Sua Majestade e o X�... ambas foram perturbadas pelo Mal.

Sob seu poder, uma multid�o fren�tica em Teer�...

cometeu atos desconhecidos de maldade.

A vitima resultante foi a miss�o russa.

O cora��o honesto de Fetkh-Ali-Shah...

ficou horrorizado com a ideia de que um bando de malfeitores...

possa destruir nossa paz e uni�o.

Sua Majestade, o X�, me enviou, seu neto...

para requerer que o senhor, Soberano...

apague de sua mem�ria este evento.

Deixe o mundo saber que, apesar deste terr�vel evento...

dois monarcas s�bios, em sua infinita sabedoria...

falam abertamente e subjugam toda a suspeita.

Com grande alegria, apresento-me ao senhor...

Sua Majestade Imperial.

Cumpro o desejo de meu av�.

Que fortale�amos a paz...

entre nossos dois povos."

"Sua Majestade Imperial...

ordena-me assegurar a Sua Excel�ncia...

de seu prazer ao ouvir sua explica��o.

Assim como o integro apelo...

de Sua Soberania..."

Estava o observando. Quem deixou que entrasse?

- N�o tem nada a fazer aqui. - Est� correto.

Ent�o deve sair imediatamente.

Vamos, senhor! Saia daqui!

- N�o tinha inten��o de ficar! - Fora!

Esta cerim�nia continuar� ainda por algumas horas.

Como ex-diplomata, sei disso.

Um terr�vel t�dio se instalar�. Terr�vel!

Deixe-me em paz!

- E o que � isso? - O que disse?

Adoro o luxo e o esplendor r�gio.

Stassov n�o era um arquiteto ruim.

Amava a disciplina, mas deixou espa�o para se respirar.

A cerim�nia terminar�. Ent�o todos entrar�o.

Meu Deus!

Porcelana de S�vres, meu fraco!

- Lindo... - Sim, sim!

- Inimit�vel! - Lindo...

Este � o servi�o camafeu?

Sim, �.

N�o t�o perto, por favor.

Que ouro!

Senhor, � impratic�vel p�r a mesa com voc� aqui.

Pode admirar mais tarde, quando se sentarem.

Que pureza de tons!

O azul e o ouro s�o encantadores.

E a cor de sedimento de vinho!

Sempre h� cozinheiros maravilhosos aqui no Pal�cio de Inverno.

Lembra-se do gosto da comida?

- N�o, eu me esqueci... - Voc� se esqueceu...

Visite os outros sal�es enquanto espera pelo sinal do jantar.

- Que azul! - Por favor, senhor.

Est�o dan�ando... vamos. Vamos sair daqui.

- Estamos sendo expulsos. - Expulsos...

Est� muito escuro aqui.

C�us!

Vejo que voc� nunca viu um Czar.

Nem grandes pr�ncipes em toda sua magnific�ncia.

- A monarquia n�o � eterna. - Como se eu n�o soubesse...

N�o tenho o direito de sonhar um pouco?

Somos livres, voc� e eu. Sonhe � vontade...

Tem algu�m aqui. Ouve as vozes?

Senhor, voc� as ouve?

N�o, n�o ou�o nada.

Veja, algu�m est� se movendo ali...

Onde?

Sr. Orbeli, eu n�o compreendo. O que o incomodou tanto?

Voc� e meu pai sabem... Nenhum inseto pode afligir este trono.

- � de prata e carvalho tratado. - N�o � o trono...

Estou muito preocupado.

Veja aquele veludo de Lyon. Est� todo gasto.

- Vamos restaur�-lo. Calma. - N�o h� tempo.

Tem raz�o, Boris. N�o h� mais tempo algum.

Nunca mais o ver�o.

Fale!

Ele � seu filho.

Que dificuldade est�o tendo? Parecem perturbados.

O que voc� esperava?

Voc� desce dos c�us...

e n�o sabe mais como se comportar...

Seu filho � diretor do Hermitage.

Como voc� e eu antes dele.

As guerras pela frente... guerras terr�veis.

Mas conseguimos preservar tudo isso atrav�s das cat�strofes.

N�o consigo mais ouvir.

E voc�?

Sim, eu ou�o. Mas n�o com muita clareza.

O que est�o dizendo?

O Petrovski mais velho pergunta...

se o telefone do diretor ainda est� sob vigil�ncia.

Seu pai diz a ele: "esque�a isso.

"Prefiro te contar sobre os gatos do Hermitage.

Eles ainda est�o aqui..."

Existem tantas pessoas que n�o pude ajudar.

10 anos se passaram, Sabem do que estou falando.

Mas todos falam bem de voc�...

Seus livros ainda s�o editados. Os do Sr. Orbeli tamb�m...

Isto � particularmente admir�vel.

Os mortos choram de alegria quando seus livros s�o reeditados.

Especialmente 37 anos depois, Mikhail.

Algo ainda o incomoda?

S�o as autoridades?

Elas querem glandes sem carvalhos.

N�o est�o interessadas em saber como cultivar a �rvore da cultura.

Mas ser� o seu ocaso, se a �rvore cair.

Ent�o n�o restar� nada. Eles n�o conseguem entender?

Sr. Orbeli, o que nos aguarda?

- Eu j� vou! - Fale!

- Escute, Mikhail... - Deixe que ele v�.

Voc� est� totalmente s�.

Eles n�o dir�o nada a ele. Eu sei, me pergunte!

Estou perguntando a voc�...

Todos podem ver o futuro...

mas ningu�m se lembra do passado.

Veja como s�o bonitos! Que belos jovens!

Belos uniformes, mesmo eu n�o gostando dos militares.

Voc� n�o respondeu minha pergunta.

Nada, voc� n�o sabe nada.

Senhor! Espere!

Ele n�o me ouve.

Devo me desculpar.

Eles disseram outras coisas.

Eu mal podia ouvi-los.

Inventei tudo, sobre Orbeli... Sobre Petrovski tamb�m.

- S� Deus pode julgar voc�. - Inventei tudo.

Somos livres, voc� e eu. Voc� mesmo disse.

Por favor, n�o corra.

Corram! Posso imitar voc�s.

Passarinhos...

Crian�as!

Anastassia, aonde voc� vai?

Elas s�o...

t�o leves!

Voc� est� sempre me observando.

Tenho um mau pressentimento.

N�o se alarme.

Reze. E eu rezarei por voc�.

Ouviu isso?

- Ouviu tiros? - Acalme-se. Deus est� com voc�.

Acho que algu�m est� nos seguindo.

Acalme-se, Aleksandra.

Se ao menos Al�xis pudesse correr...

M�dicos n�o servem para nada. N�o h� esperan�a.

� minha culpa.

Crian�as!

Crian�as, comportem-se.

Desculpe, com licen�a...

Venha aqui, Anastassia. Onde voc� esteve?

Procurei por voc� a manh� toda.

Est�vamos brincando.

Vamos.

Onde est� Aleksei?

- Obrigada, eu me sirvo. - Claro.

- Est� com dor? - Estou bem, m�e.

Chegue sua cadeira para frente.

Chegou tarde para o ch�.

Perdoe-me.

O que voc� acha? Devemos perdo�-la?

Anastassia n�o far� mais isso.

Viu, tudo resolvido.

Adeus.

Voem para longe, meus anjinhos!

E aqui � a gaiola deles.

Est�o todos aqui, claro.

H� tempos n�o vinham tantos h�spedes.

Boa noite.

Veja que sujeito estranho.

Mas...

para onde foi o meu europeu?

Onde est� ele?

L� est�!

Ele n�o me v�.

Eu deveria ir at� ele.

Caso contr�rio, se ofender�.

Senhor! Ele n�o me ouve.

Mas depois eu falarei com ele.

N�o seria �timo saltar por ai daquela forma?

Sabe...

Aristarkh Konstantinovitch ser� mandado para a �frica.

Que tigre! Ele poderia comer qualquer um!

Sua m�e treinou bem os servos.

N�o pode se intimidar com a mazurca.

Voc� est� indo bem.

T�nhamos um acordo...

O grande sal�o de Nicolau � ideal para dan�ar.

S�o Petersburgo tem os melhores bailes da Europa.

Todos s�o t�o desembara�ados. Como uma grande fam�lia.

Deve haver mais de 3 mil pessoas...

Talvez menos...

Eu esqueci tudo!

Dan�o t�o mal! Esqueci tudo!

Mas est� tudo voltando!

Bom, muito bom!

Onde voc� esteve? Perdi voc�.

Estou aqui.

Perdi voc�.

Perdido...

Estou triste.

Vamos.

Para onde?

Onde? Adiante...

Adiante...

- O que encontraremos l�? - L�? N�o sei.

Vou ficar.

At� mais ver, Europa...

Acabou.

Posso dizer isso, cresci aqui...

Mas n�o sou bem eu mesma...

Como se estivesse na casa de outra pessoa...

Escutem! Olhem aqui!

Pobre homem, sua mulher foi embora!

- Voou para longe, como um p�ssaro! - Foi embora...

Em um segundo!

Olhe � nossa volta... A nata dos oficiais russos!

Tenho uma ideia. Vamos jantar no "O Urso".

Esperaremos l� embaixo. Traga a carruagem.

Pe�a que venham as carruagens. E n�o as perca!

Quando voltarmos a Kursk, devemos fazer um baile.

Pelo menos no fim da Quaresma.

Devemos convidar seu sobrinho e tamb�m Varenska. Deixe-o ver.

Nathalie!

Parece que estamos flutuando...

Parece que tudo isso n�o passa de um sonho.

Mas voc� a encontrou! Nada aconteceu.

Custine!

Deixe-me passar.

Senhor... Senhor...

Que pena que n�o est� aqui comigo.

Voc� entenderia tudo!

Olhe...

O mar cerca tudo.

Estamos destinados a navegar para sempre...

A viver para sempre.

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