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A MARCHA SOBRE ROMA
04 de Novembro, 1918.
Após quatro anos de guerra,
a Itália consegue sua vitória e seu lugar na mesa da paz,
ao lado de suas nações irmãs.
Ela finalmente começou uma era de bem-estar, de ordem e trabalho para todos.
Bem, talvez não para todos.
MILÃO 1919
É uma desgraça que você ainda veja essas coisas por aí.
- Tem um cigarro? - Não. Cai fora!
Coloquei todos os bolcheviques na parede, é isso que eu faço!
- Tenente, bom dia. Lembra de mim? - Acho que não.
Desculpe, mas não era do 3º Batalhão Alpino?
- Na marinha! - Exatamente!
Eles me transferiram de Batalhão!
- Eu me lembro do senhor, lá em... - Ancona.
Ancona! Claro! Também me lembro do comandante, um fortão!
Se você lembra, fui ferido em uma operação terrestre
e ganhei essa medalha por bravura.
E depois três meses internado em Monfalcone.
A comida era terrível no hospital, olha só como fiquei!
87 quilos! 87 quilos, senhor!
Não estou pedindo por mim, sei que está de luto,
mas minha mãe está em Roma, eu não a vejo há cinco anos!
Onde eu arranjaria dinheiro? O que fazer? Pagar com a medalha?
Obrigado, senhor! Vida longa à Itália!
Muquirana!
- Um saquinho de castanha. - Não vendo castanha.
- O que você vende? - Nada.
E por que está aqui?
- O que disse? - Porque estou cansado!
- Bom dia, tenente! - De novo?
- É a terceira vez! - Devia sentir vergonha.
Está bem, está bem!
Bom dia, tenente! Lembra-se de mim?
É claro! Rocchetti Domenico.
2º Batalhão, 3ª Companhia. Sou o Capitão Paolinelli.
Você mudou. Não tinha barba antes!
E você não mudou nada, o mesmo preguiçoso de sempre!
Quer fazer joguinhos comigo, mas não caio na sua!
- Joguinhos? - E o que seria isso?
- A medalha! Não é nada... - Quando a ganhou?
É brincadeira, senhor. É só para... Você sabe...
O que está fazendo? Não pode me bater!
Caramba, que tapa! Você é maluco.
- Espere. O que faz em Milão? - Nada. O que acha faço aqui?
Não devia bater nas pessoas!
"Preguiço"? Passei três anos na linha de frente na guerra.
E tire logo essa medalha! Agora!
Está bem, está bem.
"Preguiçoso". Ele disse "preguiçoso".
Se eu fosse preguiçoso,
não andaria com luvas furadas, ou sapatos nestas condições,
seria como os outros,
que se sacrificaram e agora comem e bebem
na cara de todos que lutaram por esse país.
Eu sei, eu sei.
Mas agora há homens, verdadeiros italianos, patriotas,
que se uniram em um movimento para acabar com essa vergonha!
É mesmo? Não sabia.
Não sigo a política. Gostaria, mas não tenho os meios.
Sabe onde eu durmo, senhor?
Sabe o que o senhorio disse para mim ontem?
Disse: "Levante e trabalhe!"
A medalha? Se eu não tivesse, ele teria cuspido em mim!
- Já comeu, Rocchetti? - Não, é claro que não!
Pra ser exato, Rocchetti não come há três dias!
Não se preocupe. Deixe comigo.
- Obrigado. - Tome, meu bom homem!
Aqui! Eu tomo conta disso, senhor.
- Advogado! - Estou fazendo seu discurso!
Por favor, escolha! Eu não poderia...
PROGRAMA DO FASCISMO
- Achei que era o cardápio! - É o programa do movimento.
Aprovado pela Fundação fascista em 23 de março.
Alguns acham a comida deste cardápio indigesta, garanto!
Aposto que sim!
"Proclamação da República Italiana".
O que deseja, senhor? Hoje temos guisado de vitela!
Está bem, eu aceito o guisado. Com feijão.
Permita que eu apresente: Domenico Rocchetti.
E batatas no azeite, está bem?
- Este é o camarada Gioacchino. - Também é um camarada?
Não tenho certeza. Ainda preciso olhar o programa!
Digamos que ainda não!
Ele vai pagar?
- E o senhor vai querer o quê? - Um risoto.
- Também vou querer um risoto. - Droga, ninguém paga por aqui!
"Soberania da População". Um programa proletário, forte...
- Forte é quem nos guia! - É claro!
Capitão, preciso de sua opinião no discurso.
Dada a complexidade do argumento, e o exemplo do vocabulário,
cheguei a conclusão de que é melhor escrever uma nova...
- Do que se trata? - Seu discurso de amanhã!
Sim, claro!
- Virá conosco? - Mas é claro! Onde?
- No comício eleitoral. - É claro que eu vou!
- Amanhã lançamos o programa... - Desculpe.
- O que está fazendo? - Numerando as páginas.
- Como eu dizia, amanhã... - Sim?
Mostraremos nosso programa para milhares de rostos...
de trabalhadores e fazendeiros.
"Oito horas de trabalho por dia." É muito importante.
Muito bem, esse programa...
Senhor, o seu camarada só meu deu osso!
Não apenas a vitória foi mutilada,
como também a pátria,
magnífica e dolorosa, nossa mãe,
que olha por nós, implorando,
com olhos cheios de lágrimas.
- Vão ignorar isso? - Bela voz!
Em suma, vocês não adorariam
chamar de "sua" esta terra banhada com vosso suor?
- O que é isso? Só perguntas! - Como assim?
Ninguém vai responder nada aqui.
Seguinte: Em vez de um simples monólogo
- quis questionar... - Está bem! Está bem!
- Capitão, quer que eu responda? - Este é um país de subversivos.
Eles precisam de porrada, não de palavras!
- Isto é uma campanha eleitoral! - E quem se importa?
Temos que chegar ao poder com o voto, não com violência!
- Vou mostrar pra eles! - Estúpido!
- Seu porco! - Que vulgar.
Já chega! Vamos embora daqui!
- Já estamos indo, senhor? - Estamos.
- Arrumem e carreguem tudo! - Sim, senhor!
E depressa! Coloquem tudo na carroça.
- Anda logo! - Rápido, pedale!
Idiotas!
Andem logo, o que estão fazendo?
- Anda logo, sua besta! - Vamos, rápido!
Porcos!
Abaixo os fascistas!
Saia daí, seu verme! Diga isso na nossa cara!
Vá se ferrar!
Sórdidos! Imbecis!
- Aqui está sua democracia! - Vamos derrubar a porta!
- Vamos acabar com você! - Mostrem o que conseguem.
- Vamos arrebentar a porta! - Estão atacando pelo lado!
Bolcheviques!
Abaixe isso! Eu parto você ao meio!
Adoro brigas justas, e você? Cem contra oito?
Aqui, pegue isso!
Vou comê-lo vivo!
Jamais nos rendemos!
Ficou maluco? O que está fazendo?
Socorro!
O que estão fazendo? Me deixem! Sou um veterano!
Também quer entrar nessa?
- Estão atirando em mim. - Seu imbecil!
Miserável!
- Fascista! - Não atire!
- Covarde! - Toma essa!
Me deixem em paz!
Jesus, Jesus, Jesus!
Vai se ferrar.
Bom cachorro!
Domenico Rocchetti?
Umberto Gavazza?
Vá se ferrar!
Por que os fascistas roubam? Eu quero saber por quê?
Sabe por que estou cuidado de você? Pergunte a si mesmo.
Porque lutamos juntos na guerra, por que fomos soldados?
Não, meu amigo, está enganado. É uma caridade cristã.
Nas trincheiras dividimos pão, mas aqui não dividimos idéias.
- Então, pode comer sozinho! - Cuidado!
Só queria saber por que somos uns tratantes.
Porque são um bando de mentirosos.
Sério? Então, senhora, lamento lhe dizer isso,
mas seu irmão não entende nada da causa,
porque são bolcheviques, como você, que engana as pessoas!
Ouviu isso, Adelina? Ele acha que sou bolchevique.
- Não, até parece! - Eu não sou bolchevique!
- Não, eu é que sou, certo? - Certo, agora eu sou!
Por que é tão contra os fascistas?
- Vou lhe dizer. - Diga!
Um: Porque sou lavrador.
Dois: Porque estou desempregado, moro com minha irmã,
por causa da exploração dos donos de terras que vocês defendem!
É aí que você se engana, depois eu explico. Continue!
- Cinco... - Cinco? Mas e o três e quatro?
Digo, são 5 bocas pra alimentar e uma pessoa trabalhando!
- Você? - Não, meu cunhado!
Está bem, mas vocês são quatro!
E ela não conta?
Ela come por dois, sabe.
- Então são cinco. - Prossiga.
Três: Faço parte do sindicato.
Parte do quê?
Liga dos Lavradores de Don Bosco.
Isso é bom! Então não precisa se preocupar com nada!
Um dia um anjo aparecerá e lhe dará tudo!
Uma casa, um bom pagamento, um carro, e até uma cafeteira!
Vá em frente, pode rir, seu romano cretino!
Você e aquele seu chefe. Qual o nome? Mustolino?
Mussolini! Viu como você é ignorante?
Por quê? Segundo você, estamos ao lado dos patrões.
Na verdade, somos um partido para os operários e camponeses.
Escuta aqui!
"Constituição dos fascistas. Santo Sepulcro, 23 de Março."
Eu vou ler. "Primeiro". Na verdade, um:
"Proclamação da República Italiana".
Claro, até amanhã!
Espere!
"Dois: Desarmamento geral." Ouviu isso?
E isso não é tudo, ouça: "Abolição do serviço obrigatório."
Bem, eu já servi quatro anos no exército!
E daí? Não se importa com seu filho?
- Porque e cínico! - Não, porque sou solteiro.
Logo mais terá um sobrinho. Não é, senhora?
Não vê o tamanho da barriga? É uma menina.
Se for menina, um dia terá um namorado.
Assim, o rapaz não terá que ser soldado!
Por que se importa com o namorado da minha sobrinha que nem nasceu?
Lá vai ele. O cínico!
O que é isso, polenta?
"A abolição de títulos nobres."
Certo, isso não é da sua conta, mas isso, sim!
"Terra aos lavradores, com possibilidade de cultivo..."
Então teremos nossas terras?
Claro! E há mais dez artigos, cada vez melhor.
Pegue e dê uma lida, vamos!
"Confisco das terras improdutivas." O que isso significa?
É simples. Por exemplo,
esta polenta não é minha, mas ninguém está comendo!
O fascismo diz: "Coma antes que esfrie!"
E eu digo: "Não é minha!". "Quem liga?", diz o fascismo.
"Coma logo de uma vez!" O que achou da ideologia?
- Depois são contra os fascistas! - Boa noite.
Bertazzoni quebrou o braço e o levaram ao hospital.
Mas vamos mostrar àqueles covardes!
Se a polícia não tivesse aparecido...
Este é meu cunhado, Cristoforo Giovanni.
- Meu amigo, Domenico Rocchetti. - É um prazer.
- Por favor, vá embora! - É com você?
Não, ele não é educado comigo.
- Porque experimentei um pouco? - Sim, é um motivo.
Por favor, vá embora!
Por que está tratando ele assim? Servimos juntos no exército...
Essa é outra razão, também há outra:
Odeio fascistas!
Mas, senhor! Temos idéias liberais.
E também está chovendo e eu estou ferido...
- Saia! - Agora foi com você.
- Não, é com você mesmo! - E ande logo,
- ou eu mesmo o coloco pra fora! - Espere. Ninguém me toca.
Domenico Rocchetti coloca a colher na mesa e se despede.
Não, espere! Escute, Cristoforo, não posso permitir...
O que não pode permitir?
Em um ano você trabalhou 10 dias, não paga nada,
e ainda traz um amigo desse para casa! Saia você também!
Adelina, diga a seu marido que vou embora se ele continuar assim.
Saia daqui!
Agora está falando com nós dois. Vamos.
- Não tem nada a dizer, Adelina? - E ela fala alguma coisa?
- Então vou embora. - Seja homem!
Juntos temos um futuro, e aqui você vai ser humilhado.
Está bem. Mas sabe o que eu acho?
Melhor ser um fascista que um bolchevique como você!
Vai embora, seu hipócrita!
E quando os fascistas estiverem distribuindo terras,
não me venha pedir nada!
- Droga, olha essa chuva! - Me dá o guarda-chuva.
Vamos!
Sei que eles incomodam, mas é minha família.
Meu cunhado não é ruim, logo virá atrás de mim.
- Umberto! - Não se vire!
- Não se corrompa. Ande! - Sim, Cristoforo.
Aonde está indo?
Esse guarda-chuva é meu, e eu o quero de volta!
Viu só, Umberto! Agora entende?
Vamos andando, homem!
Com o futuro que terá, porque liga pra seu cunhado?
- Não consegue se virar sozinho? - Me deixe em paz!
- Me dá essa jaqueta. - Por quê?
- Vou nos cobrir. - Quer minhas calças também.
Não vai entrar? Vamos!
A essa hora já devem saber o resultado das eleições.
- Acha que ganharemos? - O quê? É claro que sim!
Uma bela vitória, você vai ver!
Venha, aja como um guerreiro!
- Como se chama? - Aldo Segundo...
À nós!
- Onde nasceu? - Em Roma.
- Quando? - 18 de Novembro, 1895...
Sim, sim! E Monforte? E Lambrate?
Permita lhes apresentar Umberto Gavazza.
Ex-combatente de ontem, Neo-Camarada de hoje!
Quieto! Alô? Alô? Sim, alô?
Sim, mas e os resultados?
Porta Ticinese? Bovisa?
Na periferia estão os verdadeiros fascistas e os proletariados!
É lá que o coração das pessoas pulsam!
- É lá... - Quieto!
Olá? Sim? Diga os resultados.
111!
111 mil!
111 mil o caramba!
Foram só 4 mil votos no total! Eles nos ferraram!
Isso é um golpe! Vamos exigir uma recontagem!
Droga! Traidores, bolcheviques, ladrões!
Vou matar cada um deles!
Umberto Gavazza!
3ª Batalhão, 2ª Companhia, 4º Pelotão.
- Bravo! Que felicidade! - Na verdade...
O que faz aqui? Amor ao combate? Ódio pela desordem?
- Não, Rocchetti! - Bom homem. Venha, Gavazza!
Quanto às terras aos lavradores, como diz no programa...
É claro, todos teremos terra!
Por que não?
Como os legionários de César, mas não antes da vitória!
Mas já que a vitória não vai acontecer...
Eu digo que venceremos!
Mas que caras são essas?
Perdemos a eleição, está bem?
Mas venceremos pela coragem que mostraremos nas ruas!
A teoria de Soler sobre a violência ainda que considerada subversiva...
- Onde estava? - Fui ligar para o Capitão.
- Que no fim se transforma em... - Camaradas!
Agora há pouco tive a honra de falar com nosso líder.
O imperativo do momento é:
"Menos palavras, mais ação."
De uma ação parlamentar, passamos a uma direta.
Lutaremos nas ruas. Estão preparados?
Sim!
Sim.
É assim que se faz!
Tome, trabalhe!
Você aí, sem conversar! Vamos, alunos!
Vocês dois preguiçosos! Trabalhem firme!
Está bem, lutar nas ruas! Estamos nas ruas!
Achei que fosse algo mais audacioso.
Acabar com a greve dos varredores de rua não é o bastante?
Eles dizem que estão reivindicando.
O quê? Eles fazem greve sob ordens de Lênin!
Foi o que o capitão disse.
Sério? O Capitão também disse:
"Perdemos a eleição, mas quem se importa?"
Desculpe, isso não parece certo.
- Por que não? - Posso ser chucro, mas sei ler!
Veja o que está escrito no programa.
"Soberania das pessoas com eleições livres."
E daí, seu bobo? Já que não conseguimos
votos o bastante na eleição,
teremos uma soberania ao nosso próprio modo, entende?
Vou riscar isso aqui.
- O que essa mulher está fazendo? - Viva a Itália!
- O que é isso? - Trabalhadores!
- Eu quero um! - Muito bem, muito bem!
Obrigada!
"Dos Amantes da Ordem de Milão para os substitutos dos garis
"que estão em greve, e que estão limpando a cidade, obrigado!"
De nada!
Embora agradeçam pela limpeza,
ficam sujando as ruas para nós limparmos!
E vamos trabalhar! Cumpra seu dever cívico.
Que belo cavalheiro!
Você também aparenta ser um cavalheiro!
Por favor, demonstre, pegue a vassoura!
Não vejo nenhum problema nisso.
Me dê aqui! Veja como é que se varre!
Eu lutei na guerra e sempre cumpri minhas tarefas.
- Sou industrial, mas sei varrer. - Também lutei na guerra, sabe.
Fez muito bem.
Eu era um simples soldado. Esqueceu uma alface ali.
Onde está essa alface? Pronto, pronto!
- Desculpe por isso. - Não se preocupe!
Esses milaneses, limpeza moral!
Não, estou com vocês. Não faço políticas.
Não pode fazer isso!
Domenico, dei sorte.
- Achei alguém pra me ajudar. - Olhe as mãos dele!
- Fascistas, à nós! - À nós!
Rápido, por aqui!
O que está fazendo, quer me acertar?
Está fechado. Espere.
Aí vem a cavalaria!
Tire essa mulher daqui!
- Saia, eu cuido disso! - Não, são os guardas reais!
- Está encrencado! - Podia ter me impedido.
O descontentamento público
e a inconveniência causada a esta comunidade
parece ter sido um pretexto ao abuso de poder.
Assim, e para que os acusados sirvam de exemplo,
apesar do fato de eles não serem pessoas ruins,
mas, sim, mal aconselhados,
peço a pena máxima prevista para tal crime.
Não se preocupem, nossa defesa cuidará de tudo!
Excelência, senhores do júri,
a catarse da política histórica
que se espelha em nosso país,
levou meus clientes ao banco dos réus.
Para esses jovens patriotas e sua impulsividade,
a única justiça cabível só pode ser uma total e inegável absolvição.
Uma absolvição que trará honra a este país...
Um ano e oito meses por sua culpa!
- Não aguento mais você! - E oito meses!
Eu nunca tinha sido preso.
A culpa é sua, seu romano idiota!
Então esse é o futuro brilhante?
Por quê? Estava melhor na sua casa!
Você quis vir, não foi? O que quer de mim?
- Agora a culpa é minha? - Não, é minha!
- Então a culpa é minha? - Suma da minha frente!
- Não toque em mim. - Você que não me toque.
O que foi isso?
- Parem! - Parem! Já chega!
Vem aqui. Você vai ver!
Vou te pegar!
- Quem começou isso? - Foi ele!
121.
Por que está cantando, idiota? Acha que estamos na primavera?
- Boa tarde! - Espere aqui!
Para os que não me conhecem, me chamo Suffreghin.
Suffreghin em Milanês significa enxofre.
- Também é ativista? - Sou, sim.
- Como vão os fascistas? - Que fascistas?
- Os fascistas da Liga? - Não sei nada sobre eles.
Suffreghin, não precisa ter medo de falar aqui.
Aqui somos todos camaradas da fé política.
O que estão fazendo? Estão se impondo, lutando?
Essa não é minha linha de trabalho.
Como assim? Você não é um ativista?
Eles me pegaram por roubar a carteira do senador!
Estou indo!
"Caro, Cristoforo,
aproveito a ausência do seu cunhado, Umberto, para lhe escrever
e informar que em alguns meses o querido Umberto,
o pobre Umberto,
sairá da cadeia e procurará um lugar para ficar de novo.
Sei que o aceitará, desde que ele não saiba que eu pedi."
"Já que ele é orgulhoso
e jamais permitiria que eu o ajudasse." Escreveu?
"Quando o expulsou de casa
ele ficou muito ofendido, querendo sua cabeça."
- "Querendo sua cabeça." - Umberto, vai estragar tudo!
Eu estou escrevendo, não você!
Você sugere as idéias e eu escrevo.
"Não apenas ficou ofendido, mas também triste
com a falta de notícias suas."
Escreva para ele...
"Escreva para Umberto
uma bela carta de reconciliação
e não seja mais tão duro com ele.
Ainda mais que o partido fascista acabou."
Está bem, continue!
"O fascismo chegou ao fim de seu ciclo histórico.
Atenciosamente, Camarada Domenico Rocchetti."
O que está havendo?
Que barulho é esse?
Deve ser algum festejo!
Hoje é dia da Santa Úrsula!
Libertem os ativistas! Soltem nossos camaradas!
Estão jogando pedras, senhor!
Estão armados e são perigosos.
O quê? Só tenho 30 homens e todos eles têm famílias!
A polícia local?
Eu chamei. Estão ocupados!
Mandaram os homens a Trevignano para a greve dos lavradores!
Queremos nossos camaradas!
Soltem os fascistas ou arrombaremos a porta!
Senhor, se você não sabe o que fazer, como eu vou saber?
Libertem os fascistas!
- Vê algum fogo de artifício? - Não vejo nada!
Esqueça Santa Úrsula, isso é um motim!
- Fora, camaradas, estão livres! - Em condicional?
Como assim, condicional? Quem liga para isso?
Eu disse que eles viriam!
Derrotista, tome, é sua!
- Vamos, andem! - Viva! Viva!
Ande logo, rápido!
Rápido! Venha, vamos!
Andem, suas bestas! Estão livres!
Quem é você? Está com a gente?
Sou um ativista! Rocchetti! Gavazza!
Ele não é ativista, é fascista! Está conosco! Saia daqui!
O que aconteceu? Nós ganhamos?
Estamos prontos para marchar sobre Roma!
- Eles vão nos dar terras? - À Roma!
Que homem esse Mussolini!
Ofereceram a ele seis pastas em Roma e ele recusou todas.
- Ele recusou. Por quê? - Porque ele queria mais.
No dia 24, em Nápoles, ele disse: "Não queremos pratos de lentilha.
Ou eles nos entregam o governo, ou vamos tomá-lo a força."
- Deve ter uma bela... - É claro!
Capitão Paolinelli!
É nosso Capitão! Capitão! À nós!
Roma ou morte, capitão!
- À nós! - Sua mão, capitão!
Saudações romanas!
- À Nós! Viva a Itália! - À Nós! À Nós!
Mas o que está acontecendo?
Tire-os da estrada. Agora!
Por que este silêncio aqui?
Acordem, crianças! Vamos!
Quem lançar antes de 10 é um covarde!
Um, dois, três,
quatro, cinco,
- Seis... - Que amigo. Tome!
Sou um covarde!
Pessoal, essa é minha vila!
Que bela vila! Cheio de bolcheviques.
Fizemos um comício eleitoral, até me machucaram.
Quanta experiência, camarada! Eu o invejo!
Atiraram uma pedra bem aqui.
Uma pazada!
Deixem-nos passar!
Essas vacas de novo! Deixem o caminhão passar!
Andem!
Para trás!
Saiam do caminho!
Saiam da estrada!
- Está é minha vila! - Que lugar sujo.
- Quer um pouco? - Dá um gole!
Adelina, sou eu, Umberto! Cristoforo! Como chama o bebê?
Como vai o trabalho? Ruim? Vamos para Roma.
Vão nos dar terra!
Você vai ver, Cristoforo! Assim é o fascismo!
Não estou bravo com você. Cristoforo!
Como se chama o bebê? Qual o nome dela?
O neném?
O que foi?
- Eles podiam ter acenado. - São camponeses, malcriados!
- Saia, é minha cadeira! - O que quer? Não o ouça.
Tudo bem, apenas saia. Sente-se, idiota!
Pessoal, vocês têm uma hora!
Não incomodem as mulheres.
Vamos mostrar que podemos ser a classe dominante!
Ouviram isso?
É hora de liderar com os pulsos! Vamos, estiquem-nos!
Queimem! Queimem o papel!
Vamos mostrar aos comunistas quem somos.
Dêem-lhe uma calorosa boas-vindas!
UNIDADE PROLETÁRIA
Queimem a cadeira também!
Queimem tudo! Joguem fora!
Queimem! Queimem!
Limpem as ruas!
Domenico, não querendo ser chato,
mas eles acham que nós somos idiotas?
- O quê? - Um bando de idiotas!
- Por quê? - Isso não está no programa.
É isso aí!
O que o artigo 14 diz? "Liberdade da Imprensa".
- E daí? - Então, por que essa fogueira?
Por que está frio?
Você não sabe como essas coisas funcionam! Deixe-me explicar.
A: Se há liberdade da imprensa, há liberdade para queimar!
B: Se tivessem medo de queimar, não haveria imprensa!
Joguem a cabeça!
Joguem-no na fogueira com os outros comunistas!
- C... - C: Vão nos ferrar...
Pense o que quiser, só não me aborreça!
Vou riscar essa linha!
Tome uma caneta e faça o que quiser.
Queimem!
Brigadeiro, muitos nem têm porte de arma.
E daí?
Você, volte ao trabalho! Quero toda essa cidade escrita!
Sim, senhor!
O restante, os que sabem escrever,
vão buscar tinta!
Escrevam nas paredes, nas casas, nas igrejas:
"Vida longa ao fascismo! Abaixo o comunismo!"
Aonde está indo? Ache uma parede e escreva!
Agora mesmo, camarada! O que está fazendo parado?
Vá buscar uma lata de tinta! E vá rápido!
- Você também! - Eu também?
"Fassi..." "Facist..."
Umberto, como soletra "fascista"?
Domenico, isso é terra boa!
Terra grossa,
confiável... Olha isso!
"Fascista." É com "S" ou com "C"?
E o cheiro! Incrível!
Mas tem muito fertilizante. O solo é bem ácido.
Deve ser adaptado para grãos.
Por que se importa com a terra?
- Gosta de pão, não é? - Anda, Ginetta!
Pesado, não?
Claro que está. Sua cabeça não está bem no meio!
- Posso dar uma mão? Ou uma cabeça. - Obrigada.
Sabe, eu era lavrador, então, entendo do assunto.
Fez a coisa certa,
prefiro levar um tiro a trabalhar na terra o dia todo.
Eu posso levar um tiro porque quero uma terra, por isso estou aqui.
Aqui, deixe que eu levo!
- Está pesado. - Não se preocupe!
Pesado mesmo! O que é? Feno molhado?
Estou cansada disso.
Quero sair daqui. Melhor ser servente na cidade!
Cuidado com o que faz, a terra sempre será terra.
Se plantar trigo, vai ter trigo. Plantando rabanete, terá rabanete.
Mas nunca ganhamos dinheiro! E à noite está morto de cansado.
- Como? - É uma vida de cão!
Já é o terceiro fardo que levo desde as 5h da manhã.
E o feno machuca todo o meu pescoço. Olha!
Nossa olha isso! E vai até o outro lado.
- Olha, olha isso! - Posso ver? Que absurdo!
- Está vendo? - Estou!
- E adivinha quem fez isso? - Certo, seu chefe!
Então, que trabalho é esse? De meeiro?
Quando eu era lavrador o pagamento não era tão ruim.
Umas três liras por dia,
mas eram só umas três vezes por semana.
E tinha meu cunhado bolchevique.
Por isso estou aqui. Por nada mais!
Disse que quer trabalhar na cidade, minha cara,
lá não é um mar de rosas, sabe?
É dureza, eu lhe digo!
Porque a terra é como uma mãe.
Quando eu era pequeno, e fui abandonado,
quando estávamos nos campos, parecia que minha mãe estava perto.
Camaradas, é o Capitão Paolinelli!
Camaradas, próxima parada, Mantova!
Mais pessoas para purificarmos!
- Tome a lista. Fulminante: À nós! - À nós! À nós!
Dr. Antonio Baragli, médico!
Vou dar a ele um pouco do próprio remédio!
Mario Arpinati, farmacêutico!
Também temos que ir?
- É obrigatório? - É um ato de justiça voluntária.
Se vira!
- Milziade Bellinzoni! - Mitraglia!
- Como disse? - Bellinzoni!
O homem que os condenaram por suas ideologias!
- Aquele sacana. - De barba e bengala?
Mas o leão perdeu as garras! Hoje ele está aposentado!
Ouviu isso? Primeiro nos condena, depois se aposenta!
Vamos, camaradas! Vamos eliminar os antifascistas!
Armas e sacolas, vamos!
Homens, estamos em Mantova!
Batutas! Cassetetes! Medalhas comemorativas!
Lembranças da Marcha sobre Roma!
Batutas! Cassetetes! Medalhas comemorativas!
Eles têm caveiras bordadas no peito.
Devem ser da Ordem do Santo Giovanni Calasante!
Saia da frente, camarada!
Com licença, Reverendo!
- E a saudação? - Perdi dois dedos na guerra!
E?
Abaixe, sua besta!
Saiam da frente! Saiam!
- Fiel Mantova! - Obrigado, querida!
Por sua excelência!
Eles cumpriram o trabalho, agora é a nossa vez.
Vamos!
Aqui!
Umberto!
Resumindo: Eu o agarro, seguro seu pescoço,
o jogo no chão e você coloca óleo na goela dele, está bem?
É ele!
E se ele ficar bravo e começar a chutar e tal?
Daí acertamos a cabeça dele.
Mas batermos na cabeça, ele vai desmaiar.
E como faremos pra ele beber o óleo?
Só precisamos inclinar a cabeça dele.
Droga, ele nem responde. Arrombe a porta, vamos!
Eu?
Segure isso! Vou mostrar como se faz!
Cuidado, aí vou eu!
Professor Bellinzoni mora aqui?
Bellinzoni, pode sair!
- Onde ele está? - Você é da companhia de carvão?
- O quê? - Procuram o professor?
- Tem hora marcada? - Sim. Faz dois anos!
Espere um minuto.
Eu vou chamá-lo.
Bellinzoni, agora é a sua vez.
Umberto! Nada de fraqueza.
- Eu estava ouvindo o relógio. - O que tem o relógio?
Talvez esteja escapando! Rápido, ali.
Bom dia. Não foram acomodados?
Não, não fomos.
Por favor, entrem!
- Onde colocou a garrafa? - Droga, eu a deixei lá!
Fique à vontade! Que garrafa?
Então, temos uma hora marcada?
- Não se lembra de nós? - Não.
- Ouviu? Ele não lembra da gente. - Não lembra?
Milão, 1920.
A greve sangrenta dos garis.
Corte criminal, dois anos atrás das grades.
ÓLEO DE RÍCINO
Senhores, vocês me lembraram
um momento muito difícil da minha vida.
Marta, o vermute!
Minha família é, por tradição, uma família de magistrados.
Meu bisavô foi um, meu avô e meu pai.
Sim, por toda a vida deles. E eu decidi renunciar!
É mesmo? O que temos a ver com sua renúncia?
Um magistrado pode julgar só se for independente,
e um homem é independente quando é totalmente livre.
Mas eu não era mais um homem que gostava da liberdade.
E foi aquele que tirou a nossa liberdade, por dois anos!
Francamente, vocês tiveram azar naquele julgamento, meus jovens.
Hoje, vocês encontrariam mais indulgência
por parte dos juízes.
Então, se hoje fossemos a julgamento...
Não! Não, eu não mudei!
Saúde!
Eu pediria que fossem sentenciados hoje
assim como foram naquela época!
- Você não bebe? - Não.
Vocês são irresponsáveis,
mas a culpa não é de vocês.
Quando o fanatismo tomar o lugar da razão,
o caminho estará repleto de enganos.
E o maior deles será:
Que alguém vai amar a própria pátria,
só se esta pátria for um lugar
onde todos pensam do mesmo modo.
E, assim, alguém acaba amando uma nação de escravos
e não percebe que eles mesmos são escravos.
Pronto!
Agora...
Eu tenho que ir vocês sabem pra onde.
E vocês, voltem para aquele Benito Mussolini!
Marta!
Acompanhe esses senhores para fora.
A garrafa!
O cassetete!
Aonde estão indo? É por aqui.
Por aqui, vamos!
Tenham um bom dia, até mais!
Tirem suas mãos de mim!
Deus, vocês estão impossíveis! Tirem suas mãos de mim!
Irresponsáveis!
- Quem? - Nós! Nos chamou de irresponsáveis!
- E também de escravos! - Não...
- Ou ouvi, caramba. - Eu não ouvi nada.
Enfim, ele disse um monte de mentiras!
Um monte de mentiras! Além do mais, ele é o escravo.
Ele até bebeu o óleo de rícino
após eu dizer pra encher a taça. Saúde!
- O quê? - Não falei nada!
Não beba muito se não aguenta.
Silêncio! Desliguem a música! Vamos embora!
Escutem, amanhã cedo partimos para Roma!
Quanto deu essa conta?
Não, camarada, isso não é justo, vamos dividir.
Dividiremos quando eu disser! Eu pago!
- Quanto? - 20 liras.
- Como está caro! - O que é isso?
Cinco, dez...
- Tire suas mãos de mim! - Dezoito...
- Não me toque! - E dois, vinte!
- O que é isso? - Não está vendo, sua besta?
São fotos de Mussolini, valem uma lira cada uma!
Se me permite, camarada, eu dou a gorjeta.
Tome, esse é Ítalo Balbo.
- Vamos, camaradas! - O que está fazendo?
Saia, seu cretino, seu salafrário, porco!
- O que foi? - Domenico...
O que você quer?
- Quem somos nós? - Em que sentido?
No sentido que disse: "Vamos Mostrar ao professor quem somos".
Claro, vou explicar.
O que éramos antes de tudo isso?
Eu era um zero, assim como você.
- E agora? O que somos? - Um par de zeros!
Isso, um par de... uma dupla de homens!
E você sabe do que os homens precisam, não é?
- Agora mesmo? - Sim.
Eles precisam de uma mulher!
- Não... - Sai daqui, vagabundo!
- Volte aqui! - Deixe-a em paz, é uma vadia!
Um homem precisa se sentir importante,
poderoso, não como esses tolos aqui. Entende?
Por isso eu amo o fascismo!
Porque mesmo um tolo pode se sentir poderoso.
É isso! Deixe-me te dar um beijo.
- Vira-lata! - Vou te dar uma...
Você não, o cachorro!
Nada de cama ou comida?
Então, venha com a gente e vire um camarada!
Você tem um cunhado?
Então, vá falar com ele e verá que ele o respeita.
Até tira o chapéu para você!
- Não como na minha casa. - Por quê? O que fizeram com você?
Muito bem:
"Umberto, fale baixo que Cristoforo está dormindo!"
E sabe o que eu fiz?
- Falou baixo! - Isso mesmo, baixinho!
"Umberto, agradeça Cristoforo por cuidar de nós!"
- E você o agradeceu! - Não, nada disso!
Porque até eu tenho um pouco de dignidade, caramba!
Sabe o que ele fez?
Ele me mandou limpar todo o esterco do estábulo!
Você não sabe como é!
Que panaca! Que terrível! Como você sofreu!
Mas não devia ter me batido com aquela pá!
- Que pá? - Não devia ter me batido!
- Que pá? - Eu, um amigo!
- Eu não fiz por mal! - Então, jure!
- Eu juro! - Por sua vida!
- Pela minha vida! - Está bem, chega!
- O que houve? - Não tem ninguém aqui.
Foram embora.
Droga, nos deixaram para trás!
Venha, vamos!
- Me deixe calçar os sapatos! - O quê?
Não consigo dormir de sapatos.
Também devia ter trazido o pijama!
Camaradas! Estamos partindo?
Domenico Rocchetti! A seu comando!
Quem é?
O que você quer?
Quem está aí?
Minha nossa, são os comunistas!
Vão calma. O que eu fiz para vocês?
Vão com calma!
Não! Jesus Cristo!
Umberto! Umberto!
Umberto! Vocês estão em quantos?
Não! Socorro!
Socorro! Umberto!
Vá com calma! Estou com você!
Sou amigos dos trabalhadores!
Sou amigo do povo! Viva o povo!
Estou cansado!
Espero que você queime.
Um câncer vai te comer inteiro, você vai ver!
Ei, amigos!
Viram um caminhão lotado de fascistas passando por aqui?
- Estou falando com vocês! - Pessoal, ele é fascista!
Não, o que estão fazendo? Ficaram malucos?
Parem com isso! Sou lavrador como vocês!
Seus desgraçados, é isso o que vocês são!
Mas a culpa não é de vocês!
Vocês não conhecem a justiça,
mas um dia vão me agradecer!
Droga, isso dó! Minha nossa!
Você são todos uns desgraçados!
Ninguém me ama, todos jogam pedras em mim, droga!
Jesus... Droga!
Caramba.
Domenico!
- Pra onde está indo? - Covarde!
Seu covarde inútil!
O que eu podia fazer pra ajudar? Por que está correndo assim?
Me mandaram correr 10 km sem parar ou começariam a atirar!
Está louco? Já correu mais de 10 km!
Não chegou nem a nove!
- Vamos, descanse! - Me solta!
Domenico! Domenico!
Animais! Animais selvagens!
Pelo menos está inteiro, jogaram pedras em mim!
Jogaram pedras? Dá só uma olhada nisso!
Nossa, que feio! Foram eles?
Não, fui eu! Disseram que não trabalhavam aos domingos!
Então tive que insistir! Imbecil, eu podia te matar!
Ele me arruinaram! O que é aquilo?
São os comunas, eles voltaram!
Não, é um senhor em um carro!
Não está vendo? É uma limusine!
Não, não confio! Eles são sorrateiros, vamos!
Vou parar!
Pare! Pare!
O que está acontecendo?
O que é isso? O que você quer?
Desculpe, mas como perdemos contato com nossa unidade,
e temos que encontrá-la, vamos precisar do seu carro!
Não, não, nada disso! Lamento, não tem espaço.
Olha, há três assentos aqui atrás! Está tentando nos prejudicar!
Afaste-se! Afaste-se!
Com quem acha que está falando? Devia ter um pouco de respeito!
Entre, Umberto, vamos.
Tire suas mãos de mim! Está brincando com a morte!
Somos do Pelotão Fulminante, não deve ter ouvido falar de nós!
Que cara difícil!
Miseráveis, não sabem com quem estão falando!
E quem é você?
Sou o Marquês Veniero Bellotti Spini.
Ouviu isso, Umberto? É o Marquês Bellotti Spini.
Sério? Em carne e osso?
Quem é que liga quanto a isso?
Eu é que não! Os títulos serão abolidos!
E já que não está colaborando, sabe o que vai acontecer?
Você vai sair e andar, porque o carro foi confiscado!
Entendeu?
Vamos, Umberto, ajude o marquês a sair.
Vamos, Marquês Bellotti Spini, saia do caminho!
Patifes, esta é minha terra, vou chamar meus empregados!
Esta coisa tem freio de mão?
São trabalhadores? Rápido, Domenico, estão vindo!
- Solte, marquês! - Socorro!
Já dissemos, o carro foi confiscado!
Não podemos fazer nada! Solte o carro!
Vamos, vai se machucar! Quer soltar?
Não se preocupe, vai ter o carro de volta...
- Para Roma, para Roma! - Quando estivermos no poder!
Adeus, marquês!
A minha perna, que dor! De vagar, por favor!
Minha nossa!
Senhoras, pra onde fica Via Cassia?
Por ali! Não há como errar!
- Obrigado. - De nada.
Vamos, por ali!
Para onde está indo? Elas disseram pra ir reto!
- Acha que sou idiota? - Para a direita!
Os lavradores não confiam em nós. Acham que somos os inimigos.
Então, se indicam direita, eu vou para a esquerda.
Elas disseram à direita.
Lembra, o nome dele é Pietro!
"E continuando a marcha, foi recebido com entusiasmo..."
Tome!
Olá, camaradas!
Gavazza! Rocchetti!
- Por onde andaram? - O que aconteceu com vocês?
Tivemos um probleminha com os comunas!
- Devia vê-los! - Onde está o Capitão Paolinelli?
A 2 km mais pra frente.
Até mais, pessoal!
Sempre em frente. Não há como errar!
- Para onde está indo? - As marchas são invertidas!
À nós!
- A estátua! - Estou vendo!
Meu reflexo é lento.
E esse carro é uma porcaria!
Camaradas Rocchetti e Gavazza se apresentando!
- Capitão Paolinelli está aqui? - Está com Sua Excelência.
Vá chamá-lo!
O que está olhando?
Umberto, por que não damos o carro a Sua Excelência
em vez de Paolinelli?
Agora que quebramos tudo, até aquela bela estátua!
Mussolini pagará pela estátua. O carro só precisa ser limpo,
de um novo para-lama, e ficará lindo!
Vamos!
Capitão, combatemos o inimigo!
Muito bem! Apresentem-se, rápido!
Camaradas Gavazza e Rocchetti se apresentando!
Excelência, combatemos o inimigo e o derrotamos.
Havia cinco e eles saíram correndo...
E após uma árdua batalha, também confiscamos um veículo.
Por isso, Excelência, ficaríamos honrados
se aceitasse esse carro como um gesto de modéstia!
Aí estão eles! Ladrões! São eles! São eles!
- Criminosos! - Marquês, acalme-se!
Vamos cuidar de tudo. Eles são fascistas!
Mas são uns salafrários!
Capitão, dê uma lição nesse capitalista dono de terra.
Quieto!
Por favor, acalme-se, marquês. Foi só um terrível engano.
Se eles soubessem que o senhor está conosco...
Olhem, olhem meu carro!
Olhem o que ele fizeram comigo!
Pilantras! Ordinários!
Eles também destruíram a estátua!
Sentimos muito, senhor, mas eles não sabiam quem você era!
- Mas eu falei pra eles! - É mesmo?
Falei e eles riram na minha cara!
Eles me jogaram e me machucaram, veja o que fizeram com meu pé!
Por favor, perdoe-os! São jovens, impulsivos...
Excelência, isso é uma ofensa a seu principal patrocinador!
Após tanto dinheiro que forneci para sua causa,
e você sabe o quanto, é assim que me agradece?
É isso que recebo em troca?
Um camarada fascista
deve ignorar a recompensa
quando se comporta como herói. Estou certo?
Sim, Excelência!
Mas deve aceitar o castigo
quando se comporta como um imbecil.
Estou certo?
Sim, Excelência!
- O que está fazendo? - Deus, está machucando!
- Por favor, deixe-nos explicar! - Pare!
- Não, na cabeça, não! - Droga, isso dói!
Também quero um gole.
Livre-se dessa imundice! Isso que é cigarro bom.
Desculpe, é o último.
Se continuarmos assim chegaremos em Roma daqui a três horas.
Deixe-me ver.
- Você herdou isso, Soffreghin? - Sim, do meu pai.
Essa folha de novo! O que vai riscar dessa vez?
"A abolição dos títulos nobres."
Já era!
"Terra para os lavradores e cultivação associada": Foi-se!
Sabe o que eu acho? É melhor assim.
Não terá que trabalhar na terra e poderá mudar de profissão!
Pode ser um industrial!
Bela voz!
O que quer dizer com "Putin"?
Viva os fascistas!
Adeus, lindas mulheres! Estamos indo para Roma!
- Viva! Muito bem! - Adeus, loira!
Seus molengas! Nos vemos em Roma!
Rápido ou não vai sobrar nada!
Anda logo, sua lesma!
- Venha aqui, idiota! - Ligue o motor!
Eu dou as ordens por aqui! Você entendeu?
- O que houve? - O imã deve ter saído!
Ande logo, sua besta!
O trem! O trem!
Parem! Subam a bordo, covardes!
Não está vendo o trem?
- Vamos, voltem para o caminhão! - Escute o rapaz!
É só uma locomotiva. Está parando!
Está parando nada.
Veja onde eles pararam!
- O que estão fazendo? - Não estão parando.
- Pare, somos fascistas! - Parem!
Quem são essas pessoas?
São fascistas!
São fascistas mesmo!
Então, vamos lá, a toda velocidade!
Seus desgraçados!
Voltem aqui. Eu acabo com vocês!
Ouça, pessoal! Vamos andando para Roma!
Saiam! Saiam! Vamos, pessoal, estamos quase chegando.
Saiam! Saiam!
Vamos lá. Aurelia fica no alto da colina.
Andem logo!
- Precisa de ajuda, Mitraglia? - Cai fora, seu fracote!
Cantem!
"Com zelo sagrado seus corações estão repletos,
"Enquanto seus passos alados varrem o chão,
"Eis que Jerusalém desponta no horizonte!"
"Eis que Jerusalém seus olhos saudarão!"
Sente-se! Reservaram alguns quartos do hotel para os oficiais?
Acho que sim. Enfim, adoraria que viesse comigo essa noite
pra nos encontramos com a Condessa Chigi Strucchi,
que exala beleza e tem um corpo luxuriante,
assim como um marido cego e tapado, quer dizer...
Para onde está indo?
Você! O que está acontecendo?
São os soldados. Bloquearam a estrada.
É o General Cittadini, eu devia saber!
Somos homens decididos a chegar em Roma a qualquer custo.
E você, meu jovem, tem a responsabilidade de...
- Escute, meu senhor... - Sou coronel!
E eu sou capitão de Sua Majestade, não sou um jovem!
Enfim, todas as estradas que levam a Roma estão bloqueadas.
15 mil homens, coronel!
E seu governo acha que pode impedir nossa marcha vitoriosa?
Se a estrada não estiver livre após o terceiro toque da corneta
abriremos fogo!
Vai viver para se arrepender desse dia.
Toque a corneta!
- Recuar, estão abrindo fogo! - Não dê ordens a meu pelotão.
Recuar, estão abrindo fogo!
Rápido, pessoal, vamos embora daqui!
Capitão!
Chegamos, o atalho funcionou! Estamos em Aurelia!
Agora não teremos que andar! Onde estão os outros?
Devem estar por perto, ouvi o som de uma corneta.
Ali estão nossos homens!
- À nós! - Camaradas!
Fogo!
O que está havendo?
Não atirem, eu me rendo!
- Saiam daqui! - Rápido, pessoal!
Depressa!
Você atacou a barricada?
- Por que estão atirando? - Vá perguntar ao rei!
- É ele quem dá as ordens. - O rei?
Mas ele é tão pequeno!
- O que está comendo? - Um elástico. Quer?
Legal, não é? Isso me lembra a guerra.
As coisas eram melhores antes.
Não, esse cheiro me lembra ensopado de carne.
- Que cheiro? - Não está sentindo?
- Vamos lá. - Para onde?
Soldado!
Escuta, somos só nós dois, eu e meu amigo...
E daí? Saiam daqui!
Você também é de Roma?
Somos todos romanos! "Maldito seja", viu?
Menos, menos.
O que estão fazendo aqui? Por que não vão para casa?
Estamos obedecendo a ordens, assim como você!
O que está comendo? Batatas?
Um pouco de arroz com carne.
Gostoso, aposto que está quente! Pode até molhar um pão.
Guarde essas dicas pra você.
Soldado, olha só,
poderia nos dar um pouco, só pra nos aquecer?
Estão com fome, camaradas?
Não, é que nosso cozinheiro só faz comida apimentada!
- Precisamos de comida de soldado! - Com carne, também!
Eu sei, mas como vou dar isso pra vocês?
- Eles vão atirar! - Deixe no chão!
Vou deixar aqui, mas jamais nos falamos, está bem?
Rápido, ou vai esfriar!
- Anda logo! - Quem, eu? Vá você!
- Por que eu? - Eu fico vigiando!
Está bem.
E eu sou mais velho que você. Ande!
Mexe esse traseiro!
Malditos, tenham dignidade!
- Quem está atirando? - Os fascistas!
Vamos nos esconder ali.
- Aqui! - Saia, não tem espaço!
- Vocês não têm nada para comer? - Macarrão com vitela!
Se quiser frango ainda tem um pouco!
- Saia do caminhão! - Que camaradas vocês são?
Muito bem, falei com nossos superiores. Está tudo bem.
É só uma pausa rápida enquanto resolvem os últimos detalhes.
Amanhã quero todos prontos para a última investida!
Camaradas, boa noite e durmam bem!
Ao seu comando, capitão!
- Ouvi direito? - É claro que ouviu.
Eu não queria que o pânico se espalhasse,
mas o comando em Perugia não respondeu nada!
- Então? - Então, o quê?
Acontece que o duque foi para a Suíça.
- Por que Suíça? - Como vou saber?
E se livre desse guarda-chuva!
Para onde estão indo? Andem logo!
Feche este treco! Pense na impressão que estamos causando!
- Não ouviu? Sem guarda-chuva. - Quem vai ver?
- Vamos! - Fiquem juntos!
Essa água é uma bênção para a terra!
Precisamos do Kaiser!
- Soffreghin, venha aqui! - Rápido, Soffreghin!
- Me dá uma agulha! - Eu não tenho!
A da medalha!
Dá para ele!
Ele é bom!
- Ele tem mãos de ouro! - É um profissional!
- Todos a bordo! - Está vendo?
- Rápido, entrem! - Vamos!
Rápido! Não empurrem!
Andem logo, estamos ficando encharcados!
O que está acontecendo?
Não podem ficar aqui.
E quem vai nos impedir? Vamos, saia daqui!
- Vocês devem estar loucos! - Saia daqui!
Vou perder meu emprego! Tirem suas mãos de mim!
- Quer sentir meu cassetete? - Seus locos, precisam sair!
Está bem, mas informarei aos soldados.
Idiotas, parem-no!
- Aonde está indo, miserável? - Por quê? O que vão fazer?
Ele está morto.
Ele pediu por isso.
Agora não contará para ninguém. Livrem-se do corpo!
Vamos, andando!
Andem, suas bestas! Vamos, andem logo!
Vocês dois, o que estão fazendo?
Entrem logo!
Abram caminho para seu superior!
Livrem-se desse guarda-chuva! E fechem a porta!
Umberto!
Umberto!
Umberto!
- Aonde está indo? - Urinar. Por quê?
- E precisa calçar os sapatos? - Você urina descalço?
Vamos, não minta! Você ia fugir!
E se eu fugisse?
Escuta, eu aguentei todas as suas besteiras.
Mas, agora, sabe o que penso desse seu programa?
É isso o que eu penso! Entendeu?
Eu não gosto de matar pessoas, nem gosto de ver.
E você acha que eu gosto? Olha o que faço com o programa?
Quem liga?
Umberto Gavazza!
- Não pode sair assim, eu proíbo! - É mesmo?
E quem lhe dá esse direito?
- Eu sou o mais velho. - Verdade.
- Mas vou mesmo assim. - Não vai, e fale baixo!
- Não, eu vou, e falo como quiser! - Não, vai ficar aqui!
- É mesmo? Estou indo! - Coitadinho!
- Mexa-se pra ver o que acontece! - Coitado de você. Estou indo.
Não, acho que vai ficar!
- Está bem, eu fico. - É isso aí!
Disse que ficaria!
- Me solte! - Vou te mostrar!
Eu vou te matar! Vamos, fique aí!
- Fique abaixado! - Não!
Fique parado, caramba!
- Acha que é mais forte que eu? - Muito mais!
- Você desiste? - Desisto.
É melhor acreditar! Vamos voltar!
Quer brigar comigo? Sou o dobro do seu tamanho!
Muito bem, vamos!
Que bela amizade essa! Vai me deixar sozinho!
Se é meu amigo, por que não vem comigo?
Espere!
Vou pegar meu sapato!
Aonde está indo? Espere!
- Rápido! - Espere!
Por que está correndo?
Vocês dois!
Parem aí!
Aonde estão indo?
Vamos voltar! Aqui estou, Mitraglia!
- Estavam fugindo? - Estou aqui!
Eu não, ele estava.
Eu fui impedi-lo. Venha para cá, Gavazza!
Seu porco assassino!
Mitraglia, já chega!
Pare com isso! Está machucando-o!
Está me ouvindo! Já chega!
Lute com alguém do seu tamanho!
Tome isso!
Tome essa!
Desgraçado!
Umberto, socorro!
Seu assassino!
Umberto, depressa!
Rápido!
Ande, vamos sair daqui!
Caramba, você acabou com ele!
Isso significa rendição!
Não, é claro que não, coronel.
Os fascistas estão dispersando, e quer que os deixem passar?
Entendo.
Ontem nos disseram o contrário. Não pode ser um engano?
De acordo! Às ordens, coronel!
Ouviu isso? Liberem a estrada!
Deixe-os passar. Ordens do General Cittadini!
- O que estão esperando? - Sim, senhor!
Por aqui. Está vendo?
Voltamos para a estrada.
Agora só precisamos decidir.
Roma, ou Orta.
Camaradas, atenção!
Escutem!
A revolução fascista venceu! Vamos para Roma!
Todos em suas posições!
Rápido, carreguem os caminhões! Em suas posições!
Juntem tudo! Armas e equipamentos!
Alinhem-se! Pelotão Fulminante, em posição!
Está vendo isso? Eles conseguiram!
Eu não teria tanta certeza.
Devem ter o governo nas mãos, mas isso não vai durar!
Vai ver como as coisas mudam. De assim para assim.
Prometo!
E quanto ao rei? Botaram-no para fora?
Com para fora? Ele quem os pôs para dentro.
Quer dizer, diga adeus à republica!
Espere, ele vai falar.
A última palavra é dele! E quando ele fala, nossa...
Almirante, em sua opinião, o que acha dos fascistas?
Acha que o país estará em boas mãos?
Diga de verdade o que acha,
porque ainda há tempo de os expulsarmos.
Honestamente, majestade, eles parecem sérios.
Está bem, vamos tentar por alguns meses!
FIM
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