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Original subtitles

Essa � a hist�ria de um homem que deixou seu lar, esposa e filho e partiu para a guerra.

Destruiu a cidade de seus inimigos e iniciou o caminho de volta.

Mas Netuno, deus protetor dos conquistadores,

o perseguiu com sua c�lera e o manteve pagando durante 10 anos.

Esta � a hist�ria de Ulysses, que ousou desafiar o deus

e continuou sua jornada para �taca, seu lar

onde sua esposa Pen�lope estava esperando... e esperando...

V�o agora todas voc�s... V�o para seus quartos.

N�o sigam o infeliz exemplo de Milantos,

que se mistura com esses indesej�veis h�spedes na casa de Ulysses.

E lembrem-se sempre que apenas a senhora Pen�lope � quem manda aqui. V�o!

Uricl�ia!

Uricl�ia!

Agora mesmo quando o sol desceu sobre o mar, uma nuvem branca pareceu rode�-lo.

E de repente, uma sombra escura

com a forma de uma vela enfunada cobriu-o completamente. O que pode significar?

Faz muitos anos que voc� desesperadamente procura sinais da volta de Ulysses.

Desde o v�o de p�ssaros e o sangue de oferendas como sacrificio...

Ou a forma de nuvens. N�o se atormente mais dessa forma, Pen�lope.

Como vou fazer diferente?

Quando a luz come�a a desaparecer,

e a noite cai com seu sil�ncio,

meu tormento e dor aumentam.

�s vezes sinto que n�o aguentarei mais...

Est� ouvindo?

Garotos! Meus supostos pretendentes.

Entrando aqui � for�a.

Se aproveitando de uma mulher sozinha e assustada

e de seu jovem filho. Obrigando-a a prometer um casamento terr�vel.

Est� ouvindo?

� o contador de hist�rias?

Agindo como se estivessem desesperados,

os gregos deixaram Tr�ia.

Deixaram em mem�ria dos mortos um cavalo de madeira gigante.

Celebrando, os troianos pegaram o cavalo,

considerando-o um s�mbolo de sua vit�ria.

Mas dentro do cavalo,

estavam gregos comandados por Ulysses.

Preparem-se.

Triunfantes, os troianos levaram o cavalo

para dentro dos muros de Tr�ia.

Enquanto os troianos celebravam,

Ulysses e seus gregos sa�ram do cavalo de madeira.

Eles abriram os port�es e deixaram o ex�rcito entrar.

� noite, a cidade de Tr�ia foi saqueada e queimada.

Naquela noite morreram centenas de troianos.

Foi um grande triunfo para Ulysses.

Foi um orgulho ainda maior.

Tomado pelo orgulho, saqueou o templo do deus troiano,

o poderoso Netuno, rei dos mares,

e o destruiu.

A troiana Cassandra,

-lan�ou uma maldi��o sobre Ulysses. -Amaldi��o os gregos.

Principalmente Ulysses.

Que a ira de Netuno caia sobre voc�.

Que voc� nunca mais tenha paz.

Voc� viver� no ex�lio e morrer� no fundo do mar.

Chega Phileas.

Pen�lope.

-Pen�lope. -Rainha.

Pen�lope, j� fazem meses que voc� veio nos ver.

Cante outra m�sica.

� muito triste,

-relembrar mem�rias antigas. -N�o para n�s.

N�s n�o vivemos de mem�rias.

Fa�am sil�ncio. N�o respeitam sua dor?

Se fosse luto por um morto, j� teria acabado.

E a� poderia escolher um de n�s.

Ningu�m sabe de Ulysses, n�o falem dele como morto,

at� que se veja seu corpo no fogo funer�rio.

Pen�lope, at� fantasias a perturbam.

Dentro de voc� h� d�vida.

Onde ele � mantido prisioneiro? Voc� trabalha demais no tapete.

-Mas nunca termina. -A mem�ria de Ulysses me impede.

Minha dor e l�grimas turvam meus olhos.

Minhas m�os est�o lentas.

-Se sorrisse para pelo menos um de n�s. -N�o h� ningu�m

-que se compare a meu pai! -N�s tamb�m somos homens.

Tamb�m temos for�a e coragem.

Voc�s tem um apetite insaci�vel.

Se aproveitaram da fraqueza de uma mulher e seu jovem filho.

lnvadiram a casa de Ulysses e usaram suas riquezas.

Obrigaram a rainha a prometer um casamento!

Com que direito nos julga?

Ele fala a verdade, invadiram minha casa.

Acabaram com minha paz.

-Me fizeram prometer... -N�o!

N�o � promessa, � o destino de �taca.

-Est� muito tempo sem um rei. -� verdade.

Nenhum de voc�s merece uma coroa.

Continuamos a ter um rei de brumas?

-Uma sombra? -O povo est� cansado, Pen�lope.

O meu povo n�o diz respeito a voc�s.

Voc�s s�o todos estrangeiros nesta ilha.

Ainda sou a rainha.

O povo de �taca ama sua rainha.

Eles entendem minha dor.

Voc� � jovem para dormir s� com a mem�ria.

Eu digo que Ulysses vive.

E quando ele voltar

voc�s v�o se arrepender de ter me ofendido.

Phileas, limpe a garganta e cante novamente.

Conte sobre Cassandra e sua maravilhosa maldi��o.

Saiam, saiam.

Voc� envergonha essa casa.

Voltem para seus quartos e fiquem l�.

-Vou acabar com isso. -Acha que pode dar ordens?

-Sou filho de Ulysses! -Voc� n�o passa de um tolo.

S� preciso de 10 homens armados para expulsar a todos!

Venha valent�o, lute com meio homem.

Aqui, garoto!

Pule, pule!

V� para seu quarto!

Corra para casa.

Um dia eles v�o saber que o tapete n�o � terminado

pois o que � feito durante o dia � desfeito � noite.

Que posso fazer? Fui for�ada a casar com um deles.

Devemos agradecer por eles esperarem o tapete ser terminado.

Espero que nunca descubram.

-M�e. -Fale, Tel�maco? O que aconteceu?

Preciso ir, m�e.

-Para onde voc� quer ir? -Fora daqui. N�o aguento os insultos.

Preciso procurar meu pai.

-Voc� tamb�m quer me deixar. -Precisamos ter certeza.

Vou procurar os amigos de Ulysses, o rei de Pilos e de Esparta.

N�o me deixe s� com eles, Tel�maco.

Voc� acha que meu pai est� vivo?

Sim, Tel�maco.

Diga a verdade, m�e.

N�o acredita, n�o �?

Precisa viver mais do que eu.

Fique, n�o me deixe.

Se for...

Tudo o que tenho � sua presen�a e sua voz.

Desde pequeno preencheu minha solid�o.

Em seu rosto, em seus olhos,

vejo o rosto e os olhos de Ulysses.

Encontrei em voc� a for�a que me abandonou.

Fique comigo, Tel�maco.

Lutaremos juntos. N�o me deixe!

Precisa lutar, m�e. Precisa acreditar.

lmporta em que acredito?

Ulysses est� longe.

lsso � tudo o que sei.

Por isso o tapete aumenta a cada dia,

e � desfeito a cada noite.

Assim engano os pretendentes para me esperarem.

Enquanto espero por Ulysses.

Ulysses.

Nausica.

Nausica, o que est� fazendo?

-H� um homem morto aqui. -Onde?

Atr�s das pedras.

Cuidado, n�o toque nele. Est� morto.

-Est� vivo! -� verdade!

Onde estou?

No reino de Alcino. Sou sua filha.

Em que parte do mundo?

Na ilha de Fe�cios, voc� deve conhecer.

� perto de �taca.

�taca.

N�o conhece �taca?

Quem � voc�?

-Qual o seu nome? -N�o sei.

N�o h� nome em minha mente.

N�o sabe nem o nome do seu pa�s?

N�o lembro de nada.

R�pido, garotas, chamem Calips.

Devemos lev�-lo imediatamente ao pal�cio.

Cuidado, Nausica pode ser um deus.

�s vezes os deuses tomam formas humanas.

Espero que n�o seja.

Quero que seja um homem.

Sabe que sou habilidoso ao misturar ervas e preparar po��es.

Mas meus rem�dios n�o ajudaram o homem da praia.

O estrangeiro n�o lembra do passado.

Curei seu corpo, mas a mente...

-N�o sou um deus. -Voc� o sangrou?

Esquel�pio diz que sangrar n�o � curar.

� uma forma de provar que � m�dico �s custas do paciente.

Como pode um homem esquecer todo o seu passado?

Aqui est�o duas alternativas:

Os deuses o esqueceram ou ele n�o quer lembrar dos pecados passados.

Concordo com a segunda.

Pai... pai!

Pai, ele est� aqui.

Que o reino se torne mais poderoso e o rei mais s�bio.

Meus m�dicos disseram que a mem�ria falhou completamente.

O passado se foi.

Mas voc� sabe tratar um rei.

Seu porte, suas boas maneiras,

voc� deve ter conhecido outros reis al�m de mim.

-N�o h� nada que se lembre? -Eu n�o lembro de nada.

Nada.

� estranho.

Quem quer que seja, ser� nosso convidado de honra.

Ordene o banquete, as dan�as e os jogos.

Bravo!

Quem lutar� com Draco?

-V�, voc� pode. -N�o posso com esse matador.

Quem vai lutar com Draco?

Quem vai lutar com Draco?

N�o v�, meu amigo.

Ele n�o deveria lutar.

Uma pancada na cabe�a pode cur�-lo.

Ele tem truques, deve ter sido um lutador.

Dionne acredita que ele era um soldado.

-N�o � t�o f�cil. -Pensei que estivesse brincando.

Com licen�a.

Pai, ele venceu! Venceu!

Sim, Nausica, venceu.

Por que me olha?

Porque vejo uma mulher no lugar da minha crian�a.

J� conheceram um verdadeiro her�i?

Havia her�is no passado. Ulysses era um verdadeiro her�i!

Ulysses era muito forte.

Vi ele quebrar um touro com um golpe.

Ele n�o � fraco, mas n�o pode ser comparado a um her�i.

Este presente � do rei Alcino pela sua vit�ria.

Agrade�a ao rei.

Esse � meu presente.

� um ung�ento raro.

Cheiroso, n�o?

Como a primavera.

A f�rmula � m�gica.

Uma mulher da montanha me deu.

Em uma noite pode curar qualquer ferida.

-Restaura a juventude. -Juventude?

Me d�, preciso de v�rias garrafas.

Juventude.

Esse bra�o n�o � de um garoto.

Voc� � o homem mais jovem de Fe�cia.

Para mim voc� nasceu h� alguns dias na areia.

Quando voc� abriu os olhos e me viu.

Vou cham�-lo de Stenas, o forte.

Voc� � muito bem-vindo.

O que aconteceu?

O que foi?

N�o sei.

Me veio um pensamento.

Um nome, uma voz.

Foi meu nome? Foi Nausica?

Nausica.

Talvez tenha sido.

25 passos.

48 passos, o jogo acabou.

Voc�s ainda duvidam da minha vit�ria?

Veremos no dia do casamento.

N�o esperaremos muito, agora que sabemos do truque do tapete.

Pode casar com Milatos, por ter contado. Eu caso com Pen�lope.

Joga!

-O que apostam? -O dote da rainha.

-Dote? Ela vai casar com um de voc�s? -Claro.

Ganhei!

Tenho o est�bulo e metade dos cavalos, tenho chance.

Ganhei de novo!

Pen�lope, apostei todo seu dote!

Se me escolher saber� que foi por amor.

Ser� punida, revelou o segredo do tapete!

Sua traidora imunda, traidora!

V�!

Milatos, vai se arrepender.

O que faremos agora que o segredo foi descoberto?

Nada, sua m�e deve casar-se ou eles nos matar�o.

-Tem tanto medo da morte? -Sou um velho.

Estou preocupado com sua seguran�a e a de �taca.

Chega mentor, sua raiva � justa, embora in�til.

Outro, � como mosca no mel.

-Voc� o conhece? -N�o vejo bem.

Ele lida bem com os cavalos.

Antinomus da Cefal�nia.

-� longe. -J� tem muita competi��o aqui.

Guarde os cavalos e prepare minha cama.

-Por que veio? -Para ver Pen�lope.

Nenhum de n�s se atreveu a entrar nos aposentos.

Eu fico contente. Serei o primeiro.

-Espere! -Afaste-se.

Quem � voc�? Sou Tel�maco, filho de Ulysses.

Acalme-se, Tel�maco, serei seu amigo.

Meus cumprimentos, Pen�lope.

Sua beleza vai al�m do sonho do poeta.

Quem � voc�?

Sou Antinomus da Cefal�nia.

Sei do truque do tapete, Pen�lope.

O que quer em minha casa?

Voc�.

N�o vim gastar sua fortuna como os outros.

Nem para viver como parasita.

N�o atravessei o mar s� para ver seus olhos, Pen�lope.

Vim para cumprir seu destino.

-Como ousa falar assim? -Entendo toda a sua solid�o.

Se tornou vi�va logo que se tornou esposa.

O fantasma de Ulysses j� assombrou demais esse lar.

Um homem precisa govern�-lo e afastar os pretendentes.

Devolver-lhe a vida, Pen�lope.

Chega, poder� ser nosso h�spede se desejar.

N�o vim procurando teto, o c�u est� bom para mim.

Vim acabar com essas longas horas de espera.

Vim acabar com sua solid�o.

Deixe-me pensar mais um dia.

Que diferen�a far� um dia?

Decida agora, Pen�lope.

Na lua nova, no dia dos jogos de Apolo.

Farei minha escolha.

Tel�maco! Tel�maco!

Uricl�ia, siga-o e traga-o de volta.

Por favor, agora v�.

Por favor, v�!

Sua longa espera acabou, Pen�lope.

Me deixe, pe�o que me deixe!

-Escute, Tel�maco. -J� ouvi bastante.

Ouviu as palavras dele? Minha m�e aceitou o casamento.

-Minha m�e tamb�m traiu Ulysses. -N�o fale assim.

N�o podemos desistir t�o f�cil, temos que fazer algo, Uricl�ia.

Como? Somos apenas uma velha e um garoto.

Encontraremos pessoas, algu�m que ainda acredita em Ulysses.

Quem? Outras velhas e garotos como n�s?

O arco de Ulysses.

S� ele podia dobrar este arco.

� estranho como as m�os lembram o que a mente esqueceu.

Voc� vai usar nos jogos de hoje?

-N�o sei. -Outra vit�ria agradaria � noiva.

Quando tinha 4 anos, Nausica disse ao pai que s� casaria com um guerreiro.

Um guerreiro.

N�o haveria melhor presente para ela,

do que a mem�ria de seu nome e seus feitos.

Meu nome.

Meus feitos.

Dia e noite eu os procuro no escuro.

Essas coisas n�o se curam rapidamente.

-Me deixe! -Como quiser.

Como quiser. A solid�o pode ser um excelente rem�dio.

Um excelente rem�dio.

Que dia lindo para o meu casamento.

Que sua felicidade dure como a nossa.

Como poderia ser diferente?

Jovens nunca conhecem com quem se casam.

Mas � raro casar com um homem que n�o conhece a si pr�prio.

Que mais poderia saber sobre ele?

Stenas � bonito e gentil, o que mais importa?

Estou t�o feia hoje.

Se ele n�o gostar de mim assim?

Se eu ver a d�vida em seus olhos?

N�o suportaria. Tenho que v�-lo.

Nausica, n�o pode.

N�o pode v�-lo agora.

Pai... � um costume tolo manter os amantes afastados.

De que adianta ser rei se n�o pode mudar os costumes?

S� dessa vez pela sua filha.

N�o vou s�. Cl�sia, Aten, venham.

-Venham comigo. -V�o, acompanhem.

Depressa.

Stenas!

Meu nome.

Meus feitos.

Quem sou eu? Quem sou eu...

Amaldi��o os gregos.

Que a ira de Netuno caia sobre voc�.

Peguem os remos!

Para que o fogo?

� um sacrificio para Netuno, protetor de Tr�ia e dos troianos.

Onde ele estava quando a destru�mos?

Ofendeu um deus e agora deve oferecer algo em sacrificio.

Voc� n�o � marinheiro? De volta ao posto.

Venham, vamos... vamos. Vamos logo com essa vela!

Estamos indo com o vento.

Muito peso. Vamos afundar.

Veja, est� partindo! Joguem toda a carga ao mar!

-O ouro? Est� louco? -Sim, o ouro, a prata...

Levou anos para conseguirmos as riquezas.

E levar� minutos para irmos ao fundo do mar.

Joguem a carga. Joguem a carga.

Devemos oferecer um sacrificio a Netuno.

N�o h� Netuno, s� vento, �gua e as profundezas.

Volte ao posto e ajude a velejar.

Netuno!

Boa ca�ada, Ulysses.

Voltaremos com comida e �gua.

Preparem o fogo para o sacrificio � Atenas.

Quieto.

Corra, corra.

A fome cega. N�o adianta correr.

Voc� vai errar de novo.

Venham, r�pido.

-� enorme. -Um p� de gigante.

Outro.

A pegada de um deus.

Deve ser s� um homem com o p� grande.

Vamos voltar para o navio.

O medo faz esquecer o est�mago vazio.

lremos quando encontrarmos comida para n�s e para os outros.

Venham.

Uvas. Olhem essas uvas.

S�o muitas.

Ovelhas!

Deve ser a caverna do gigante.

Olhem o tamanho da cesta.

Aqui est�o as ovelhas.

Olha o queijo!

Excelente!

Tamb�m h� leite aqui!

Venham comigo.

Que lugar � esse?

Est� pronto!

-Depressa com a ovelha. -Tudo bem.

N�o gosto daqui, lembra das pegadas?

Pare de se preocupar.

Olha o tamanho do queijo.

Acenda o fogo.

Jogue aqui.

Vamos tomar vinho.

� melhor do que leite.

N�o existe banquete sem vinho.

Vamos levar tudo o que pudermos.

Devemos sair assim que poss�vel. Esqueceu a fome de novo. Coma.

Quase pronto.

-Vire. -Mal posso esperar.

Vamos, queime.

Ajude com o queijo, h� homens famintos esperando.

Depressa.

lrelicus, sei que est� com pressa.

Mas por favor n�o desperdice vinho.

R�pido, vamos embora.

Que �?

Cuidado!

Parados, todos.

Quem s�o voc�s?

-S�o ladr�es... -N�o s�o?

N�o. Somos gregos voltando de Tr�ia.

Oh, Gregos.

S�o bem-vindos.

Pe�o que se lembre das leis de hospitalidade.

A lei de Zeus.

Por que me importaria com Zeus?

Sou Polifemo, filho de Netuno.

Netuno! N�o!

N�o!

Os gregos tem carne dura.

Carne ruim.

N�o, pare, n�o!

Onde vai?

Aqui est� algo que tornar� saboroso at� mesmo um grego.

-O que �? -Vinho!

Vinho?

-Parece sangue. -E �.

Sangue da terra.

-Por que me oferece? -Se gostar...

talvez seja hospitaleiro e nos deixe partir.

Deixe-me provar.

Ah, � bom!

Muito bom! Como faz o vinho?

-Uvas. -Uvas?

Aquelas frutinhas que crescem no sol.

D�-me mais. Gostei.

N�o h� mais. -N�o h� mais? Quero mais.

lremos pegar mais uvas.

Alitus, Diadus, venham!

Encheremos todos os recipientes de uvas.

Acha que eu deixaria voc�s irem?

Vou pegar as uvas. Voc�s ficam aqui.

Fiquem aqui.

Volto logo.

O que est�o fazendo?

100 homens n�o moveriam a pedra. Voltem.

O que faremos? Estamos presos.

-Ele nos matar�. -Disse que est�vamos demorando.

Nunca sairemos.

-O que est� tentando? -N�o importa, traga aqui.

R�pido antes que volte.

Encoste na parede.

Cleitus, me ajude a apontar.

Me d� um machado.

O que quer fazer?

Vou tentar nos tirar daqui.

-Vamos mat�-lo? -N�o, ele precisa tirar a pedra.

Tenho uma id�ia. Fa�a um fogo ali atr�s.

Ajude-o!

Depressa, baixe isso.

O resto se esconde.

Aqui est�o as uvas.

Fa�am mais vinho.

Que foi? Est�o com medo de mim?

Vou embora, n�o vou incomodar.

Vamos fazer vinho para ele.

Ouviram, vamos fazer vinho.

N�o tenha medo.

Vinho.

Mais um.

Vinho para Polifemo, filho de Netuno!

Quero mais vinho.

Me d� mais.

Mais vinho para o filho de Netuno.

Bom.

Mais. Mais. Mais...

-Mais vinho. -Mais vinho!

Vinho para Polifemo, filho de Netuno.

Fazemos mais vinho.

Fazemos mais vinho.

Mais vinho.

Mais vinho para Polifemo.

Voc� me deu vinho e vou recompens�-lo.

Voc� ser� o �ltimo a ser comido.

Como me prefere, mestre? Assado, escaldado, temperado ou cru?

T�o delicioso.

Temperos me queimam por dentro.

No olho!

Atr�s.

O que fizeram comigo?

Estou cego.

Estou cego!

Voc�s me cegaram.

Onde est�o, covardes?

Os matarei!

Netuno, ajude-me!

Ajude-me a pegar esse gregos.

Que os deuses os destruam.

Aqui estou!

Aqui, atr�s dessa pedra!

Pegarei voc� atr�s da pedra!

N�o, est�pido, aqui.

Grego, onde est�?

Onde est�?

Vamos, tirem as ovelhas.

R�pido.

Depressa.

Vamos r�pido.

Adeus Polifemo, filho b�bado de Netuno.

Aproveite o vinho e lembre do que os gregos fizeram na sua caverna.

-Voc� sabe onde estamos? -Sil�ncio, deixe-me gabar.

Quem � o mestre? O deus e seu tridente ou o mortal e suas uvas?

Corra, seu b�bado cego.

Encha o mar de pedras!

Jogue mais. Quando seu pai perguntar quem levou seu olho,

diga que foi Ulysses!

Ulysses, o destruidor e saqueador de Tr�ia.

Filho de Laertes e rei de �taca.

Remadores, subam a vela.

Subam a vela.

Tomem cuidado!

Leve vinho para os homens l� em cima.

-Coma. Vamos, est�o com sede. -Tudo bem, j� vou.

Aqui est�.

Distribua.

N�o h� vento, mas h� corrente.

-Ficou feliz, n�o? -N�o te deu prazer tamb�m?

Uma parte de mim ama o familiar,

o fim da viagem, o fogo da lareira,

mas existe a outra parte.

Essa parte adora a viagem,

o mar aberto, a tempestade, ilhas estranhas, dem�nios e gigantes.

Sim, lrelicus.

Uma parte de mim sente falta do desconhecido.

Sim eu entendo, � por isso que vou com voc�.

Mesmo quando morro de medo.

Tamb�m tenho medo.

Que cheiro estranho.

-Sim, � verdade. -Fragr�ncia seca.

Como um jardim de flores mortas.

Por que est� t�o silencioso?

Nem d� para ouvir os remos.

Olhe!

-A pedra das sereias. -Sereias.

Nenhum homem que as ouve escapa.

Temos que fugir! Elas nos matar�o!

-Vamos. -Talvez seja tarde.

Coloque cera no ouvido de todos.

Diga para n�o olharem para os lados.

Remar � o que pode nos salvar.

Depressa!

N�o olhem! N�o olhem!

Coloque no ouvido e remem.

Cleitus.

-Que foi? -Me amarre.

N�o obede�a �s minhas ordens.

-Que vai fazer? -Quero ouvir a m�sica.

-Est� louco! -Amarre-me!

-Se assim deseja. -Bem forte.

-Ponha cera no ouvido. -Me d�.

Mais forte.

N�o desamarre.

Abaixe os olhos e a cabe�a.

-Que foi? -Ele ordenou.

-Por que? -Quero ouv�-las.

Est� louco. Ponha isso nos ouvidos.

Ponha nos seus antes que seja tarde.

Me d� cera tamb�m

Ulysses.

Ulysses.

Sou eu, Pen�lope.

Pen�lope.

Pen�lope, a fiel.

Sua jovem noiva, quando partiu para Tr�ia.

Sua viagem acabou.

Est� de volta em �taca.

�taca, parem de remar!

Esperei por voc� mil noites.

Voc� est� cansado de viajar.

Venha para a cama.

Est� em casa, em �taca.

-Finalmente. -Parem de remar!

Estamos em casa, em �taca.

-Mudem os remos! -Pai.

Sou seu filho Tel�maco.

-Tel�maco. -Sou seu filho Tel�maco.

Voc� me deixou pequeno ainda.

Agora sou quase um homem feito e n�o conhe�o meu pai.

-Tel�maco. -Venha para seu filho, seu lar.

Seu reino, sua esposa.

-Desamarre-me! -Pai, n�o me deixe!

Desamarrem-me!

Desamarrem-me, seus monstros!

N�o me separem da minha mulher e filho!

N�o me deixe.

N�o me deixe.

-O perigo passou. -O perigo passou.

Tirem a cera.

Ulysses.

O que ouviu?

Os deuses n�o tem piedade.

Seus truques s�o impiedosos.

Para onde vamos?

Balance um pouco.

H� algo estranho.

Existe vento, mas a vela n�o enche.

-Deve ser a corrente. -N�o h� corrente.

Estamos remando, mas a ilha nos puxa de volta.

Nunca vi nada igual.

N�o posso controlar o navio.

Abaixem a vela, vamos para a ilha.

llha? N�o sabe o que h� l�.

N�o, ser� interessante descobrir.

Des�am a vela!

lrelicas!

lrelicas!

Plites.

Sumiram, Ulysses.

-Quem � voc�? -Circe.

Circe, a bruxa.

Que palavra feia. Por que n�o deusa?

Foi voc� que puxou o navio?

Estava s�.

O que quer comigo?

Ajud�-lo e encher seu navio de riquezas.

Dar-lhe um vento favor�vel para ir para casa.

Por que quer fazer isso por mim?

Faz alguns anos que os homens chegam � minha ilha.

Homens famosos pela bravura e feitos her�icos.

Cada vez eu ficava mais sozinha do que antes.

Desde que os ventos trouxeram seu nome at� mim,

e o eco trouxe seus feitos,

eu tenho esperado por seu navio, Ulysses.

Pela primeira vez o eco e o vento n�o mentiram.

O que foi?

Estranho.

O mesmo rosto orgulhoso,

os mesmos olhos escuros de Pen�lope.

Estranho.

Por que � estranho?

A diferen�a n�o est� s� na cabe�a dos homens?

N�o.

Pen�lope nunca deixaria um estranho beij�-la.

Nem mesmo o estranho Ulysses?

Onde est� sua senhora?

Por que n�o respondem? Onde est� Circe?

Surdas-mudas, ideal em um lugar assim.

Procurava por mim, Ulysses?

N�o vejo muito bem.

Por que est� escuro?

Para proteger seu sono.

Detesto escurid�o.

No mar, sempre durmo no conv�s...

Para acordar com o sol.

Deixem-nos.

O sol j� nasceu, voc� dormiu por muito tempo.

Faziam muitos anos que eu n�o dormia em uma cama macia.

-Onde est�o meus homens? -Seguros, n�o tema.

Gostaria de v�-los.

H� tanto o que ver nesta ilha.

N�o tenho tempo, preciso partir.

Plites, Diadus.

lrelicus! lrelicus...

O que esses porcos fazem aqui?

Saiam! Circe, tire-os.

V�o embora. Por que n�o responde?

Onde est�o meus homens?

Voc� acabou de chut�-los.

Sua bruxa!

Enquanto dormia voc� transformou uns her�is em porcos.

Foi mais f�cil do que imagina.

Gostaria de ter feito o mesmo comigo, n�o?

N�o seria t�o f�cil. Voc� odeia homens.

Talvez me odeie.

Devolva meus homens.

N�o entende por que tive que fazer isso?

Por que os tirei de voc�?

Para que ficasse s�.

-Como eu estou s�. -Devolva-os, dem�nio, bruxa, deusa...

� in�til t�-lo como inimigo.

Voltem � forma de humanos.

Ulysses.

-Onde esteve, Ulysses? -Como est�?

-Est� bem? -Claro, comemos.

Dormimos tamb�m, mas parece que fui chutado.

Subam � bordo, partimos em uma hora.

Sim, Ulysses est� ansioso para ir.

Preparem-se, n�o temos muito tempo.

Adeus, Circe.

Obrigada por me deixar menos s� por um dia maravilhoso.

-Preciso ir. -Eu sei.

Diga adeus.

Devemos ir antes do vento parar.

O vento ainda nem come�ou.

Nesta ilha sempre fica calmo at� o p�r-do-sol.

P�r-do-sol?

N�o tem sentido ir ao mar antes do vento.

Acabaria com os remadores.

S�o homens bravos, devo a eles considera��o.

Eles ficar�o gratos.

Ulysses.

Bem-vindo, amigos.

Faz tempo. Receberam o vinho?

Estamos cansados de comer e beber sem objetivos nesta ilha.

Temos lar e fam�lia em �taca.

Eu tamb�m tenho, lrelicus.

Assim que dermos mais uma dem�o de piche no navio, partiremos.

-Poder�amos ir agora. -J� perdemos tempo.

J� trocamos a vela.

O navio est� cheio. Queremos partir.

N�o esqueceu nada, lrelicus? Eu sou o capit�o!

N�o, venha conosco agora.

Agora? T�o cedo?

Cedo? Depois de 6 meses?

Seis meses?

Faz tanto tempo?

Pareceu uma noite de ver�o.

J� se decidiu?

Sim, claro.

Lindo, n�o? Presente de Circe.

Espero que goste, lhe cai bem.

� verdade, n�o �?

lrelicus, temos que levar isso at� �taca.

Partiremos sem voc�. Sem voc�.

Um momento!

N�o deve ir, o navio afundar�.

Hoje � noite haver� uma tempestade.

-N�o v� que mente? -Ela � traidora.

Se escut�-la nunca partiremos.

Pare e diga aos homens que trabalhem.

Logo partiremos.

Que os deuses o d�em for�as para escapar desse feiti�o.

Adeus.

N�o partir�o sem mim.

S�o homens bons, mas est�o perdidos sem mim.

N�o partir�o.

Circe!

Circe!

Onde est�o? O navio sumiu.

Onde est�o?

Olhe.

Est�o se afogando.

J� est�o mortos.

Pois se recusaram a me ouvir.

Eram meus homens.

Eu os abandonei.

Eles o abandonaram.

Prometi lev�-los para casa.

lrelicus, Plites, Criton.

Eles n�o tem tanto valor. N�o muito.

Eram apenas pequenos homens.

-Por isso os amava. -Nunca estar�o mortos para voc�.

Venha comigo.

Ulysses.

O que est� fazendo, Ulysses?

Voc� acha que pode me deixar?

J� a deixei h� muito tempo.

Quando meus homens morreram na tempestade.

Voc� acha que sua viagem vai durar mais que a deles?

N�o pode me prender.

Escute.

Algo que o far� esquecer seus pequenos sonhos,

seu reino miser�vel e sua velha esposa.

Fique e hoje � noite,

o Olimpo receber� um novo deus.

-Ulysses. -lmortal?

Meu presente � o maior j� oferecido a um homem.

N�o.

H� presentes melhores.

Nascer, morrer e viver como um homem.

Viver como homem? Cheio de medos bobos?

Somente quem teme sabe da coragem.

E a velhice? Essa carne vai apodrecer.

No fim, s� sobra a morte, essa heran�a terr�vel.

Eu aceito a heran�a.

N�o me vejo mais morrendo em batalha ou em uma tempestade.

Partirei com muito menos.

Um vento frio, uma certa noite.

Mesmo assim, essa massa vulner�vel de medo, lutou com um deus

e ainda n�o foi derrotada.

Ser� isso que falar�o de mim.

Espero que tenham orgulho de eu ter sido um humano.

O orgulho n�o acalanta no reino da escurid�o.

Ofere�o s�culos de luz.

N�o ficarei triste em fechar os olhos...

-quando for a hora. -Deixe-me mostrar sua felicidade.

Agamenon, Aias,

Aquiles, meus colegas mortos.

Aquiles, ainda amargo e mal-humorado.

O que mais esperava de um morto?

A morte pode trazer algo bom!

Aquiles foi honrado na morte.

Poupe-me dos consolos, Ulysses.

Preferia ser um escravo de b�rbaros,

a ser um rei entre os mortos.

Minha vida foi curta e gloriosa.

Mas minha morte � longa e opressiva.

Aias.

Sofro por ter ajudado a mat�-lo.

Os vivos n�o sabem de sofrimento, somente os mortos.

Venha Ulysses, o Olimpo o aguarda.

V� para o Olimpo com Circe.

O mundo me amou.

Todos amavam Agamenon, menos a mulher que amava.

Quando voltei para casa, ela me abra�ou.

Quando fechei meus olhos com prazer,

seu amante enfiou uma faca no meu pesco�o.

Fique com Circe, Ulysses.

Venha.

lrelicus.

Voc� n�o me conhece?

Deveria ter destru�do nosso navio aquela noite.

N�o deveria t�-lo deixado.

Voc� sofreu?

N�o, mas estou sofrendo agora.

Venha, Ulysses.

Ulysses.

-M�e! -V� embora. Eu n�o a chamei!

M�e, est� morta.

-Morri esperando por voc�. -V� embora!

Ficou fora muito tempo, filho.

-Eu sei. -Volte para �taca.

Pen�lope ainda o espera.

Trai��o e morte est�o em seu lar.

Sim m�e, voltarei.

M�e! M�e!

Cabe�a dura. Orgulhoso de um breve sonho

chamado vida.

Todas as suas fraquezas e pecados miser�veis,

voc� � fascinado pela morte e nem os deuses podem com isso.

V�, se assim deseja.

O mar o aguarda.

-L� est�. -Onde?

Atr�s das pedras.

Alcino, rei da Fe�cia, escute!

Me lembro de tudo.

Meu nome, meu lugar, minha origem. Sou Ulysses.

Filho de Laertes, rei de �taca, conquistador de Tr�ia.

Do outro lado est� meu lar,

a casa que constru�, meu filho

e minha esposa.

H� anos tento chegar l�.

Mas a f�ria dos deuses me perseguiu.

Muitos desastres me abalaram.

Sereias e tempestades.

Fui enfeiti�ado e meus homens se afogaram.

Mas estou aqui, inteiro...

vendo meu lar do outro lado do mar.

lmploro, irm�o e rei Alcino,

por um navio que me leve a �taca.

Ulysses.

Rei de �taca e nosso vizinho.

N�s daremos o navio.

Esperamos que o conduza de volta a seu reino.

Nausica.

Carrego comigo suas l�grimas.

Em um mundo de �dio e rancor,

encontrei amor.

Deus aben�oe e aceite o sacrificio.

Honramos o deus, amanh� ser� favor�vel.

Se ganhar, dormirei na cama de Ulysses.

Agrade�o pela magn�fica vit�ria.

Vou matar todos os cabritos da �rea.

Nasceu para ser l�der, lradicus.

Para isso tudo arriscar�.

-N�o tenho inveja do vencedor. -Pode n�o querer ser rei de �taca.

O novo rei deve ter sono leve.

-Como assim? -Haver� tigres em cada coluna.

Veneno em todo copo, um plano em cada sorriso.

Calma, Ulysses est� no fundo do mar.

Ou em alguma praia apodrecendo e sendo devorado por animais.

-N�o me preocupo com Ulysses. -De quem fala?

-Tel�maco. -Tel�maco � um garoto.

-Voc� viu seus olhos? -Como assim?

Assim que acabar o casamento,

deve haver sacrificios.

Concordam?

Pen�lope.

Desculpe a intromiss�o.

Tenho tanto a falar.

O que temos a falar?

Sei que est� triste.

Est� perturbada e aflita, mas quero dizer que

n�o precisa ter medo.

Trarei felicidade para voc�.

-Voc�? -Tem d�vidas que vencerei amanh�?

Depende de voc�, mas n�o reclamarei por escolher um homem assim.

Fala finalmente como uma grande mulher.

A mulher que deveria ser.

A mulher que amo.

Se me ama, Antinomus,

pe�o um favor, uma promessa.

O que quiser.

-� s� pedir. -Salve meu filho.

Tel�maco?

Ele n�o pode morrer!

Prometo que ningu�m tocar� nele.

O tratarei como meu pr�prio filho.

Se pudesse acreditar.

Tem que acreditar.

Como deve acreditar que te amo.

Confio em voc�, Antinomus.

Pen�lope, h� um mendigo da ilha de Fe�cia.

Quer falar sobre Ulysses.

H� anos pessoas vem � essa casa,

dizendo a mesma coisa e querendo hospitalidade.

Mas ele disse que lutou com Ulysses.

Se o conhecia, fale-me dele.

Por que n�o fala?

Quem � voc�?

Sou amigo de Ulysses.

�ramos amigos antes da guerra de Tr�ia.

Muitas noites, enquanto esper�vamos as batalhas,

cheio de tristeza, falava de voc�.

-O que dizia? -Ela � escura,

linda e jovem.

Seu riso � macio e feminino.

Ela tem um jeito de mexer nos cabelos enquanto costura,

e enquanto olha o filho dormindo.

�s vezes ele falava de Tel�maco,

que chupava o dedo, sorria e dormia.

Um dia os navios partiram para Tr�ia.

Ele falava da despedida.

Falou de como a segurou nos bra�os, na praia, dos navios...

Estarei aqui quando voltar.

Quando voltar.

Muitas vezes v�amos estrelas cadentes,

atrav�s das muralhas de Tr�ia via tudo o que amava,

do outro lado do mar.

Ele falava desta casa

e do quarto onde esperaria por ele.

Esperei por muitos anos.

Primeiro eram not�cias da guerra.

A guerra durou meses e os meses se tornaram anos.

Passei os anos me perguntando:

''Onde ele est� agora? Estar� com os soldados?''

Talvez tenha outra mulher, linda e cheia de vida.

Talvez tenha me esquecido.

Mas Pen�lope continua fiel.

Era t�o f�cil ser fiel.

Mas um dia vem a not�cia de que a guerra terminou.

Todos est�o felizes.

Reis e soldados voltam para casa.

Mas ele n�o est� entre os outros.

A espera recome�a.

Meses e anos.

De anos para mil horas, dias e noites.

As noites,

acordada na cama vazia.

Esperando.

Est� certa.

�s vezes volta-se tarde demais.

Espere, n�o v�.

Falei com amargura, pois amanh� escolherei um marido,

contra a minha vontade. Devo cumprir a promessa...

Ningu�m pode me salvar.

Voc� pode se salvar.

Eu? Como?

Lembra do concurso quando voc� e Ulysses se casaram?

Lembra de como a flecha passou por 12 machados?

Sim, eu fui o pr�mio.

O arco era pesado, imposs�vel de dobrar.

Somente Ulysses poderia dobr�-lo.

Com a ajuda da deusa Atenas.

Obrigada, estranho.

V� at� a cozinha, ser� bem-vindo.

Precisa de mais alguma coisa?

N�o depois que a vi e falei com voc�.

Voc� � bem-vindo em minha casa.

Obrigado, Pen�lope.

Argus.

Voc� me reconheceu.

Quieto, Argus, quieto.

Velho c�o, ambos mudamos.

Lembra como ca��vamos na montanha o dia inteiro?

Voc� era sempre o primeiro da matilha.

Era r�pido e feroz.

Agora est� fraco at� para levantar a cabe�a.

Mas me reconheceu.

Sim... fui bem recebido.

Ele o reconheceu.

Quem � voc�?

Tel�maco.

-Meu filho. -Pai.

Pai... Pai!

Quieto!

Ningu�m pode saber que estou aqui.

Estou ansioso para contar a todos!

-Eu os farei tremer de medo. -N�o diga a ningu�m.

N�o at� estarmos prontos.

Por que essas roupas?

Por que vir como um mendigo?

Quando cheguei os deuses me aconselharam.

Tamb�m deram outros conselhos.

� a mam�e, ela est� desesperada.

-Diremos que voc� voltou. -N�o!

Nem mesmo ela deve saber.

N�o at� amanh�.

A� saberei se ela ainda ama Ulysses.

Como amava quando part�.

O que quer? Como entrou?

Como qualquer mendigo, pelo port�o de servi�o.

V� ou vou soltar os cachorros. V�!

-Deixe-me falar com os nobres. -N�o.

Tel�maco � meu amigo e n�o se opor�.

Tel�maco n�o manda mais aqui, saia!

Deixe-o ficar. Deixe-o...

Voc�! Venha c�. Venha c�.

Esmola para um desafortunado.

Nobre amigo.

Esmola para um desafortunado.

Por que n�o pede a Tel�maco?

Ele n�o estar� entre n�s por muito tempo.

Mendigos sempre foram bem-vindos na casa de Ulysses.

Sujo... e insolente.

Fala como se j� fosse senhor da casa.

-Somos ambos h�spedes. -Saia, seu imundo!

Esmola para um desafortunado.

Aqui!

Est� com sede? Beba!

Beba mais.

Obrigado senhores, que os deuses os recompensem.

Aqui, pegue, � tudo o que posso fazer.

Voc� � mais gentil que os outros.

Fuja assim que puder ou ser� tarde demais.

O que est� dizendo? Est� louco? Saia!

At� que os jogos acabem, eu ordeno quem sai dessa casa.

Ele est� certo, Antinomus.

Voc� pensa demais.

Encantado em v�-lo.

Para que servem os machados?

� o desejo da rainha. Ela explicar�.

-Onde est� a rainha? -Tenha paci�ncia, Antinomus.

Est� se preparando como noiva.

O cora��o est� cheio de amor, n�o h� espa�o para paci�ncia.

-Bom, Antinomus... -Voc� se expressou por todos n�s.

A rainha.

Que os deuses nos protejam.

Sua beleza nos ilumina,

como um sol divino, Pen�lope.

Chegou o dia de cumprir minha obriga��o.

Casarei com o vencedor dos jogos.

Esperamos muito e ansiosamente.

Escolhi um jogo que havia sido esquecido h� muito.

O arco de Ulysses.

Casarei com o homem que dobr�-lo e lan�ar a flecha atrav�s dos machados.

lsso n�o � dos jogos de Apolo.

Se tem medo pode sair do concurso.

N�o tenho medo, Pen�lope.

Aceito o desafio.

Fui o primeiro a vir aqui, h� muitos anos,

pedir a m�o de Pen�lope. Serei o primeiro a dobrar o arco.

Deve ser o primeiro a sair....

N�o... consigo... dobrar!

Deixe-me tentar.

N�o consigo dobrar nem um pouco.

Voc� est� muito gordo, Leodes.

Esse arco foi amaldi�oado.

�... deixe-me tentar, h� algo estranho.

Apolo est� ofendido e nos tirou a for�a.

Como Apolo pode tirar o que nunca teve? D�-me o arco.

- Vamos, Antinomus. -Voc� consegue.

Vamos.

-Deixe-o tentar, ele conseguir�. -Conseguir�, vamos l�...

Dessa vez ele consegue.

Dobra!

-N�o dobra, a for�a � sobrehumana. -� um truque!

-lsso � um truque. -O tapete de Pen�lope.

-Sim. -O tapete.

N�o aceito.

Exijo sua promessa, Pen�lope.

A rainha me permite pegar o arco?

Um mendigo competindo com pr�ncipes?

Eu posso competir. E voc�?

� incr�vel que o mendigo queira comparar sua for�a � nossa.

Pen�lope, gostaria de casar com o mendigo?

N�o tenha medo, n�o casaria,

j� sou casado.

Se o desejar, pode pegar e competir.

N�o pode!

Saia. V�!

Vamos, essa farsa j� vai longe demais.

-lncr�vel! -lmposs�vel!

� Ulysses!

-Ulysses. -Leve minha rainha para seguran�a.

-Pai! -A outra porta.

Antinomus,

o primeiro pretendente, o mais orgulhoso,

o mais arrogante e o primeiro a morrer.

N�o, lridicus!

Aqui, mate-o.

Vou mat�-lo, Ulysses.

Tel�maco.

N�o, Ulysses.

Tarde demais.

Avisei que n�o dou de presente a vida duas vezes.

Atenas, obrigada.

Deusa poderosa.

Protetora da casa.

Voc� tamb�m protegeu Ulysses enquanto eu esperava.

Obrigada pelo seu retorno.

Coisas horr�veis aconteceram comigo.

Mas nada pior do que trazer a morte para casa com a minha chegada.

N�o � culpa sua, pai.

Diga aos criados para purificarem o quarto com fogo.

-Que a vingan�a dos mortos n�o nos atinja. -Sim, pai.

Atenas, a vingan�a foi justa, mas terr�vel.

O Ulysses que trouxe de volta � um homem irado.

For�ado a matar sem piedade.

� divina Atenas. Sua longa trilha de volta ter� que ser t�o cheia de sangue?

Pen�lope!

Ulysses.

N�o havia outro jeito de voltar � voc�.

Retornou... Finalmente!

Tantos anos de juventude desperdi�ada com a guerra.

Fiquei perdido perambulando sem imaginar

-tanta solid�o. -Eu estava sozinha.

Pen�lope...

Compensarei voc� com anos tranq�ilos pela frente.

-Sim, juntos. -Pen�lope...

Ulysses...

Os s�culos n�o diminuiram a gl�ria, os feitos her�icos de Ulysses.

Na caverna de Polifemo ainda ecoam os gritos do filho de Netuno...

O rosto sofredor de Pen�lope ainda olha para o mar...

E distante, Circe ainda fazia magia.

A imortalidade recusada por Ulysses lhe foi dada por um poeta...

O poema �pico de Homero fala do her�i e de sua saudade de casa.

FlM

legendas e autora��o: Heraldo Medeiros - STUDlO MlLLE

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