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Original subtitles

Voc� n�o poder� trabalhar aqui.

Aqui costumamos dar uma despedida digna.

A liberdade que voc� sempre falou...

se aplica a n�s dois?

Claro.

Voc� dorme com a minha namorada?

Foi um erro.

Estou mudando para a casa de campo.

Comecei um di�rio.

- Al�? - Interessa dar uma palestra?

Sabem da sensa��o de carregar o peso da ira?

Precisa resolver isso sozinho.

Voc� est� no in�cio de uma depress�o.

Tomar� estes antidepressivos.

Queremos que siga em frente.

O que acontece se perco Deus?

Johannes, Johannes...

HERRENS VEJE S01E06

"Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?". Mateus 27:46.

- Bom dia. - Bom dia.

- Temos que... - Merda.

- Bom dia. - Bom dia.

- Bom dia. - Bom dia.

Bom dia.

Podemos come�ar?

Sim, vamos come�ar.

- Podemos...? - Me v� um ch�?

- Sim. - Sente-se, j� vejo isso.

Come�amos? Vamos.

Devemos revisar o calend�rio da P�scoa...

J� foi enviado, Johannes.

Mas ainda assim podemos olhar.

Bem, tenho que ir.

At� logo. Tchau.

- Tchau. - Nos vemos, Mathilde.

Bem, ent�o come�arei com o Domingo de Ramos.

O bispo confirmou sua presen�a.

Em rela��o a esse t�pico, Naja, como est� a gest�o do coral?

Vai bem.

Contamos com as vozes adicionais de que falamos?

Sim.

Ficarei com a Quinta-feira Santa e o Domingo da Ressurrei��o...

e Lotte far� a Sexta-feira Santa e a segunda-feira de P�scoa.

E para as crian�as, seria �timo se voc� as fizesse ver...

que Jesus � algo mais que essa figura...

- que adoramos no Natal. - Mencionarei isso.

Mas espero poder escrever meu serm�o.

Algu�m tem mais alguma coisa...

- para acrescentar? - Gostaria de saber...

o que o sindicato disse sobre a demiss�o da Ursula.

Este � o nosso novo coveiro...

Jens.

Bem-vindo, Jens.

Eu posso te contar.

Tivemos uma conversa descontra�da com o sindicato.

Isto n�o est� certo.

Assim n�o funciona.

Bem-vindo, Jens. Isso � desconfort�vel.

- Podemos conversar? - Sim.

Perfeito.

Espere por mim!

Agora s� temos que seguir em frente.

- Johannes. - Sim?

Receio que o ambiente est� sufocante.

Acho que encontrei uma maneira de reunir as pessoas novamente.

Uma comida de P�scoa s� para o pessoal. Uma festa.

Boa ideia. Daremos uma festa. Vamos fazer isso.

Sim, ficarei feliz em organizar.

Podemos formar grupos para a comida e a decora��o.

O que ele est� fazendo?

N�o sei.

Posso te ajudar em algo?

- Tem um ninho de vespas. - A�?

N�o ou�o nada.

N�o morrem ou hibernam nesta �poca do ano?

Cresci em uma casa como esta e tivemos problemas com vespas.

N�o conseguimos nos livrar da rainha vespa.

E onde voc� cresceu?

Mais ao Sul.

Eu, em seu lugar, acabaria com essas vespas.

O dem�nio tem que ser extirpado pela raiz

ou tudo pode dar muito errado.

O�, seja bem vinda novamente.

Oi.

- Como foi? - �timo...

Se n�o fosse pelos hot�is. Eu n�o me adapto muito bem.

Eu me sinto mal, como se estivesse enclausurada neles.

Mas no resto, tem sido fant�stico.

Muitas festas tamb�m.

Talvez at� demais.

Ent�o estou um pouco cansada.

Tenho uma pequena lembran�a para voc�.

Desenterrei...

dos jardins do pal�cio Grasten.

Estivemos tocando em Kolding ontem, ent�o...

Tem que plantar em um dia muito espec�fico...

tendo em conta o ciclo lunar.

Eu vou acabar me tornando uma bruxa de verdade.

Sim, mas n�o qualquer bruxa.

Uma muito delicada e excepcional.

Sim.

Muito obrigada de cora��o.

O que voc� quer agora?

Aconteceram muitas coisas comigo.

Eu gostaria de me desculpar.

Ent�o...

Desculpe.

Quando estiver com Mark,

diz que eu gostaria de falar com ele?

N�o estamos mais juntos.

Tentamos quando ele voltou, mas...

foi imposs�vel, n�o deu certo.

Sinto muito.

Eu n�o queria nada.

S� dar um oi.

N�o consigo.

Tudo bem.

Sei que n�o est� legal.

Tudo voltar� a ser como antes.

Mas vamos parar de falar de mim.

Que tal o trabalho?

- N�o acho que voc� quer ouvir. - Quero.

� t�o chato.

Vamos, me conte tudo.

Todos estamos resignados.

Faltam recursos e pessoal.

A sa�de p�blica est� uma merda.

N�o aguento mais.

�s vezes penso em pedir licen�a m�dica.

Assim n�o teria que me sentir t�o incompetente...

e t�o frustrada.

Odeio esses rem�dios.

Por qu�?

Eu ganhei peso...

estou muito cansado e minha boca est� seca.

E me fazem n�o querer minha esposa.

� curioso que chamem "comprimidos da felicidade".

E as alucina��es?

Foram embora?

- Sim. - E continua vendo...

a mulher que voc� atirou?

N�o, tamb�m se foi.

J� teve vis�es em outras ocasi�es?

Acho que uma vez.

Vi algo que voc� n�o poderia entender.

Foi em uma viagem de estudo a Jerusal�m.

O que aconteceu?

Eu vi algo que n�o sei explicar.

Deus me mostrou algo.

Um anjo talvez.

Parece clich�, n�o?

N�o, acho que � lindo.

Voc� sabia que no hospital psiqui�trico de Jerusal�m...

existe uma ala dedicada aos pacientes que afirmam ser Jesus?

A verdade � que eu n�o sabia.

� uma loucura, n�o?

E seu pai? Falou para ele como voc� est�?

- Ele morreria se me visse aqui. - Por qu�?

Estou tomando antidepressivos e em terapia com um judeu e ateu.

O que acha que ele pensa que voc� deveria fazer?

Ele me disse que tenho que ser forte.

E buscar a ajuda de Deus orando.

O que acontece quando voc� ora?

Nada.

Os confirmandos, �s vezes...

podem mostrar pregui�a ou falta de concentra��o.

E eu planejei uma reuni�o regular para evitar.

N�o � obrigat�ria.

Chama-se a bolsa de Lotte.

Na bolsa tem...

Por favor, n�o ria.

Isto � muito s�rio.

- Podemos ver muitos assuntos. - Sim.

Tiram um da bolsa... N�o, fa�a voc�.

A bolsa de Lotte.

Desculpem, n�o quero interromper.

Sem problema.

Leia em voz alta.

Culpa e castigo.

Falamos sobre esses conceitos...

e procuramos casos representativos na B�blia.

Meus confirmandos est�o ligados a Sodoma e Gomorra...

O sexo e a viol�ncia sempre venderam muito bem.

Eu acho que para eles...

a tenta��o de ir contra a vontade de Deus...

e arriscar a sentir sua ira � recorrente.

N�o posso acreditar que ainda usa essa estupidez da bolsa.

Bem, teve uma boa aceita��o nos �ltimos anos.

N�o dever�amos ensin�-los...

que Deus � �ntimo e onipresente...

em vez dessa hist�ria que aprendem na escola?

E como voc� ensinaria?

Bem, eu diria a eles como devemos nos abrir para Deus.

� sobre ter coragem, certo?

Que Deus acolhe em seu cora��o somente

aqueles que demonstram coragem?

Veja s�, isto � incr�vel.

Requer vontade de dizer sim a Deus.

Nisso estamos de acordo, n�o?

E se mesmo assim Deus n�o se manifesta?

Ele tem todo o tempo do mundo. Os impacientes somos n�s.

E se houver o sil�ncio?

Acha que algum desses garotos de 13 ou 14 anos...

vai fazer essa pergunta?

Eles podem surpreender.

Eu acho que a bolsa � uma �tima ideia.

Sim, eu n�o deveria ter expressado dessa maneira.

Eu perdi cerca de 4380 dias da minha vida por estar com raiva.

Durante aqueles dias, n�o acreditei

em nenhuma das minhas decis�es...

porque as tomei com rancor.

Eu ia dormir muito tarde ou acordava cedo demais.

Sempre correndo para pegar o trem...

e sempre sem f�lego.

Quantos tentaram pegar o trem e terminaram exaustos?

Agora imagine que est�o a 4000 metros de altitude...

na frente de um monge careca muito sorridente...

e que, quando atingiram o ponto m�ximo da raiva...

ele diz que � porque n�o respiram bem.

S� h� uma coisa que incomoda mais...

e � assumir que o idiota tem raz�o.

Esta � a experi�ncia que quero compartilhar.

Porque essa experi�ncia...

mudou minha vida.

Gostaria de fazer um exerc�cio.

Introduzam os dedos indicadores...

nos ouvidos e depois inspirem.

Expirem fazendo o som das abelhas.

Como se estivesse com raiva, para jogar tudo para fora.

�timo.

Parecem idiotas, mas se sa�ram muito bem.

Oi.

Pare de aparecer no meu trabalho sem avisar.

Voc� veio ao meu.

Muito obrigada.

- Obrigado. - Foi fant�stico.

Que bom, que bom.

- Muito obrigado. Inspirador. - Que bom.

Bem, s� vim para dizer...

que agrade�o por suas desculpas.

Significam muito para mim.

Bem...

nos vemos.

Sim, claro. Nos vemos.

O que ia lhe dizer? Posso lev�-lo se quiser.

Vai para Norrebro, n�o?

Para Veddinge Bakker.

Para Veddinge Bakker?

� muito bonito.

Embora velho.

Foi constru�do pelo meu bisav�.

Meu av�...

herdou e depois meu pai.

Na minha fam�lia costumamos...

passar as coisas de uma gera��o para outra.

Acha que Mark vai voltar a falar comigo?

Triste porque ele te deixou?

N�o foi ele quem deixou.

Isto � privado, Amira.

"A divina acessibilidade."

N�o vivo conforme a cultura ocidental...

sou um produto dela.

Neste tempo dizem que tenho direito a tudo...

e que posso conseguir facilmente...

- Posso ler tudo? - N�o.

Por que n�o?

Porque s�o anota��es.

N�o est� terminado.

Deixe-me ler.

Obrigada.

Meu pai � um grande homem.

Vem de uma fam�lia abastada.

Uma fam�lia de sacerdotes.

As pessoas admiram meu pai. Ele � uma pessoa incr�vel.

Culto. Inteligente.

Conhece as obras de Grundtvig, Kingo e Brorson.

Ele me ama agora?

Mas no fundo est� zangado com Deus.

E essa f�ria foi sofrida de gera��o em gera��o.

Ele me ama agora? Responda!

Acabamos no Testamento errado.

Ele me ama agora?

Pregamos o Novo Testamento, mas vivemos no Velho.

Ele me ama agora?

Isso � muito bom, Christian.

Termina e publica.

Esquece.

H� muita gente...

procurando por algo diferente.

Gente que quer fugir de tudo isso que pesa sobre eles.

E o que voc� escreveu sobre o seu pai � muito bom.

Para voc�, � a hist�ria...

do seu pai.

Para mim, poderia ser da minha m�e.

N�o sou escritor.

Mas ser� se publicar um livro.

Me d� vontade de virar monge.

- Esquece... - S�rio.

Quero alcan�ar a sabedoria enquanto empilho lenha...

e aprendo a respirar. Um cara do meu escrit�rio...

trabalhava como editor, chama-se Nicolai.

Envie para ele. Quero ajudar. Vamos, levante.

Aqui est� o e-mail dele e o telefone.

N�o est� terminado. Demora. N�o � f�cil.

Foi bom para voc� aprender a respirar.

Obrigada pelo caf�.

Ligue para ele, Christian.

T�MULO DA FAM�LIA KROGH

- � anivers�rio de seu pai? - Sim.

Um pastor incr�vel...

e um pai absolutamente nefasto.

Como vai, chefe?

O que voc� acha? Estou dormindo no meu escrit�rio desde o Natal.

- N�o quer voc� na cama? - Svend...

N�o posso... Esse assunto � muito pessoal.

Ser� toda a orquestra ou apenas um pequeno grupo?

Certo, est� �timo. Obrigada por tudo.

Tchau.

� para mim?

Oi.

Valeria para quase todas as igrejas de Copenhague.

O que voc� disse?

Est� brincando!

O qu�? T�nhamos um acordo.

Onde v�o?

Para a igreja de Grundtvig?

Tente encontrar outra pessoa.

Sim, sim.

Bom dia.

- Bom dia. - Bom dia.

N�o temos um coral para o domingo.

O coral?

Sim, o coral. Seria um bom espet�culo.

T�nhamos contratado mais tr�s vozes.

� Domingo de Ramos...

Dizem que duplicaram a reserva por engano.

O bispo vir�. Estava falando disso antes.

Mostrar�amos do que somos capazes.

Vai dar tudo certo, Johannes.

- Liv, pode tocar no domingo? - Johannes, � folga dela.

N�o pode pedir que trabalhe em seu dia de descanso.

- Mora aqui de gra�a. - N�o � por a�.

Tudo bem. Adoraria tocar.

�timo!

- Sim! - Sim.

E sobre morar aqui...

s� estava brincando.

- Era uma brincadeira? - Sim, claro.

Talvez queira passar a escut�-la.

Voc� fica um tempo sem ir.

E esta escurid�o?

Fumando?

Eu comecei a fantasiar com outros homens.

Homens que vejo na rua ou no trabalho.

Imagino como seria ser namorada e ter rela��es com eles.

Ter filhos.

Emilie.

Marquei consulta em uma cl�nica...

para fazer um tratamento.

Sei que voc� quer usar o m�todo da vontade de Deus, mas eu...

Foda-se a vontade de Deus.

Neste momento eu...

O "neste momento" j� n�o me serve.

Nunca � um bom momento para tentar de verdade.

Desse jeito vai transformar

tudo em sua volta no mal que sente.

Vou deitar.

Desculpe pelo que disse antes.

"A raiva est� em mim".

Mas Jampa disse...

que sou um monge de 26 anos.

Eu atravesso o p�tio.

E ao mesmo tempo penso: 'Tudo isso n�o existe'.

� apenas um sonho que eu tenho que acordar.

Eu sou...

um rapaz dinamarqu�s de 30 anos.

Estou atravessando um p�tio no Nepal.

Sinto o vento das montanhas no meu rosto.

Talvez n�o exista...

mas come�a a fazer sentido.

Se eu deveria estar aqui...

em um p�tio no Nepal, sentindo o vento em meu rosto...

n�o posso ficar com raiva do meu pai ao mesmo tempo...

Ent�o...

quando descrevem como Jesus foi a Jerusal�m em um jumento...

n�o se trata apenas da entrada f�sica na cidade.

Tamb�m do seu acesso simb�lico aos nossos cora��es.

E Soren, que est� sentado aqui ao lado...

Como de costume, pergunta:

Como as duas coisas se relacionam?

- Exato. - T�pico de um matem�tico.

Deus n�o nos enviou um rei pretensioso e arrogante...

montado sobre um enorme elefante...

Para incutir medo e subjugar.

Ele nos enviou o filho do homem, feito da mesma carne e sangue...

que todos n�s.

E permitiu que ele andasse entre n�s...

e tamb�m entre os ricos, os pobres...

os marginalizados, os criminosos...

Pessoas sem amor.

Tudo o que Ele nos pediu...

foi abrir nossos cora��es.

E Jesus escolheu um jumento entre todos os animais.

Porque ele queria lembrar a si mesmo e a n�s...

a tenta��o da pompa e esplendor.

A tenta��o est� sempre presente. Estamos de acordo, n�o?

Apresenta-se de diferentes formas.

N�o quero dizer chocolate extra com caf�.

N�o est� presente a�.

Falo fundamentalmente...

do desejo por coisas que n�o nos pertencem.

O desejo por aquilo que n�o necessitamos.

A inveja...

pelo gramado sempre melhor cuidado do vizinho.

Ou o que Jesus aponta aqui, de alguma forma...

a necessidade de ser exaltado pelos

outros para nos distinguirmos.

Para se destacar dos outros.

Para nos libertar dos outros.

E, finalmente, para ser t�o livre do resto...

que n�s mesmos...

sejamos Deus.

Devido a nossa natureza...

todos queremos ser Deus.

Mas existe apenas um Deus.

Esse � o �nico.

E, desde que o posto n�o fica vago...

devemos aceitar que somos todos humanos.

Em troca, n�s, simples humanos...

nunca estaremos sozinhos...

se abrirmos os cora��es...

para que Ele fa�a sua entrada.

Am�m.

Devemos nos levantar...

e saudar quem est� ao lado. Fa�am como sempre.

Tenham todos a paz.

Obrigado por vir.

Obrigado pelo seu maravilhoso serm�o.

Obrigado a voc�. E obrigado por vir.

Tenho que te dar meus parab�ns, Johannes.

Foi um bom serm�o, sim.

Voc� atinge o cora��o das pessoas.

Obrigado.

Vamos deixar o passado para tr�s, n�o acha?

Desde agora.

Eu falo mais sobre economia e pol�tica como bispo...

do que um pastor do seu talento teria gostado.

Tem bolo e caf� na sala de reuni�es.

O �nico dia que todos podem � sexta-feira, sexta-feira santa.

Desculpe? O qu�?

A festa de P�scoa.

Sim! Comemoramos a Sexta-Feira Santa.

Isso. �timo.

Voc� est� na decora��o.

- Viu a Monica? - Sim.

Acho que estava impressionada.

- Falou com ela? - N�o.

- Ela parecia feliz. - Parecia.

� um daqueles dias em que tudo se encaixa.

Foi incr�vel, o violino. Incr�vel

O seu serm�o tamb�m.

Obrigado.

Voc� sabe...

que apenas seus elogios contam.

Voc� sabe, n�o?

Desculpe.

Seu bobinho.

- Vem c�. - Mam�e mandou um abra�o.

E quer que voc� venha jantar na Quinta-feira Santa.

Procura nos recipientes de supermercado?

Sim.

Controla a rejei��o budista a comida.

E essa lenha?

Isso � o bom budismo.

N�o acho que o Nepal tenha feito algum bem a voc�.

Trago comida de verdade.

Costelas de cordeiro.

Queijo feta.

- Baconzitos. - Baconzitos.

Cozinhamos?

- Sim, vou jogar isto. - Sim.

Encontrei um antigo amor...

ontem � noite na rua.

Ela parecia t�o feliz em me ver. Eu apenas sorri.

Falamos sobre os velhos tempos.

Tomamos algumas cervejas.

Ainda est� uma loucura depois de todos esses anos.

Ainda est� uma loucura depois de todos esses anos.

Ainda est� uma loucura depois de todos esses anos.

Quando posso ir a uma das suas palestras?

Mam�e disse que foi para te ver.

Parecia...

muito animada.

N�o tem nada a ver porque � sua m�e.

Esteve l� na semana passada.

Eu falo do papai. Eu acho que ela est� cansada dele...

Deu uma isolada nele.

Estou falando do quanto...

eu estava cheio na minha vida...

- e como tento mudar. - O que estava errado?

Tudo.

Eu estava cansado do papai.

Cansado de todo mundo.

Eu dormi com a namorada do meu melhor amigo.

A namorada do Mark?

Sim, agora � sua ex.

- Merda... - �.

Nunca quis dormir com outra? S� com Emilie?

Agora n�o sinto vontade nem de dormir com ela.

S�o...

S�o aqueles rem�dios que o psiquiatra me faz tomar.

N�o consigo.

Mas fora isso, temos...

boas conversas...

sobre minhas emo��es e minha vida sem sexo.

E sobre Deus.

- Papai sabe? - N�o, ele n�o sabe de nada.

Eu costumo falar dele tamb�m.

O que voc� diz?

Que � dif�cil am�-lo.

E tamb�m odi�-lo.

Que � generoso...

e mesquinho ao mesmo tempo.

Que � a pessoa mais incr�vel que conhe�o.

Voc� sim que � incr�vel.

A terapia te ajuda?

- N�o tenho nem ideia. - Se sente melhor?

N�o muito.

Est� se sentindo pior?

- N�o. - Ent�o vai bem.

Porque...

Ainda est�...

uma loucura depois de todos esses anos.

Ainda est� uma loucura depois de todos esses anos.

N�o sou esse tipo de homem com tend�ncia a socializar.

Eu mantenho caminhos conhecidos.

N�o me deixo enganar com can��es de amor...

sussurradas em meus ouvidos.

Ainda est� uma loucura depois de todos esses anos.

Ainda est� uma loucura depois de todos esses anos.

Ainda est�...

uma loucura depois de todos esses anos.

Voc� o odeia tamb�m?

Christian?

�s vezes voc� tamb�m o odeia?

Sim.

Ainda tem medo dele?

- Oi. - Oi.

Christian est�?

Sim, sim. Vamos, entra.

- Faz frio. - Que frio.

Desculpe, n�o esperava visita.

Claro.

- Oi, sou August. - Amira.

Sou irm�o dele.

- Oi. - Oi!

- Que bom te ver. - Eu tamb�m.

Voc� n�o � a ex do Mark?

- Um caf�? - Sim, obrigada.

Devo sair?

N�o.

Trouxe p�ezinhos, se voc� quiser...

Fant�stico! Parece delicioso.

Falei com Nicolai...

e parece que voc� escreveu algo diferente do que eu li.

Olha...

Estou indo.

Se esperar cinco minutos, Amira pode lev�-lo para casa.

- Vai para Copenhague. - � mesmo?

Por que deixou seu pai quase todo fora do rascunho?

- Um livro sobre o papai? - N�o.

- Por que n�o me contou? - N�o tem import�ncia.

Vou pegar o �nibus.

V� com a Amira. N�o seja rid�culo.

Nos vemos.

Sem essa, Amira...

Publicarei seu livro com a condi��o...

de que seu pai retorne nos mesmos

termos para o rascunho.

- O confronto era bom material. - N�o h� confronto.

Claro.

Por que n�o pergunta se ele quer ir a uma de suas palestras?

Eu recebi a heran�a do meu pai.

Vou correr o risco.

Fiz um estudo de mercado.

Este tipo de livro atinge 50.000 c�pias ou mais.

Vamos investir cerca de 20.000 e calcular uma porcentagem...

- sobre o lucro. - Esquece. N�o quero conversa.

Voc� joga pesado nos neg�cios.

E voc� � muito cruel.

- Pode apostar que sim. - Sim, estou saindo.

Nos vemos. Pense bem nisso.

Tchau.

Para que precisamos de todos esses ovos?

Para uma pequena festa da equipe.

Podem comemorar na Sexta-Feira Santa?

- N�o foi quando Jesus morreu? - � s� para reunir a equipe.

E Johannes est� no grupo respons�vel pela decora��o.

Certo.

Este � lindo.

Oi.

Oi, querido.

Oi.

Oi.

Vem c�.

Oi.

Bom te ver.

Voc� se diverte na casa de campo?

- Sim. - N�o � muito fria?

Um pouco.

Mas temos muita lenha que ajuda.

- Comecei a escrever. - Escrever?

E sobre o que est� escrevendo?

Ainda n�o sei onde vou com o argumento.

Sem querer, estou seguindo seus passos, dando palestras.

Eu queria saber se voc� gostaria de vir a uma delas.

Eu falo sobre minhas viagens, sobre ideias que surgem e...

Agora estou muito ocupado.

� Semana Santa, voc� sabe como �.

N�o precisa ser agora.

- Em algumas semanas. - Acho que n�o posso, Christian.

Sua m�e j� me contou do que tratam suas palestras.

De certa forma, fa�o parte delas.

Voc� diz a eles que teve uma inf�ncia dif�cil...

ao lado de um pai maldoso.

Isso � simplificar.

Se suas hist�rias permitem que voc� fique est�vel e se aceite

ent�o continue fazendo isso.

Use-as para seguir em frente.

Mas nossas hist�rias n�o se correspondem.

Minha hist�ria sobre sua inf�ncia � muito diferente.

Eu n�o posso ser sua testemunha...

e voc� n�o pode ser minha.

No fundo voc� entende...

Certo?

Sim.

Um detalhe que me pediu.

Bem tenro.

Tenham cuidado com as pimentas. S�o frescas e muito ardidas.

Se puserem muito, ter�o problemas.

Ave, nosso Salvador e Redentor.

O mundo te coroa com espinhos.

Voc� v� que tenho em mente...

enrolar um ros�rio ao redor da cruz.

- Al�? - � o Christian.

Oi.

Vou publicar o livro.

Certo.

Quanto voc� quer de porcentagem?

N�o sei, Christian. Uns 40?

Est� bom.

Nos vemos.

Certo. Tchau.

Neste dia de Sexta-feira Santa, Jesus morreu na cruz...

pelos nossos pecados.

Jesus sentiu a presen�a de Deus?

Duvidou, inclusive, da miss�o que lhe foi confiada.

Isso n�o p�e em d�vida os fundamentos da nossa f�?

Pai nosso que est�s nos c�us,

santificado seja o Vosso nome. Venha a n�s o Vosso Reino.

Seja feita a Vossa vontade, assim na Terra como no C�u.

O p�o nosso de cada dia nos dai hoje.

Perdoai as nossas ofensas.

"Meu Deus, por que me abandonaste?"

Foi o que Jesus disse quando estava na cruz.

Hoje, Sexta-feira Santa...

pouco antes de morrer por nossos pecados.

Jesus talvez teve d�vidas.

Talvez...

n�o sentiu a presen�a de Deus.

Onde est� Deus quando mais precisamos dele?

Quando sofremos...

quando nos sentimos in�teis.

Quando somos marginalizados.

Est� aqui quando recebemos a comunh�o...

ou se trata de um ritual vazio?

Est�o aqui?

Conhecem seu Deus o suficiente?

Onde est�?

Acho que tirei toda a geada do ch�o.

Eu gostaria de te beijar.

Eu gostaria de te beijar o tempo todo.

Desculpe, Liv, mas n�o posso.

Entendo.

Desculpe, eu...

Acho que j� est� bom.

S� precisa de �gua.

Sem d�vida parece uma mistura caseira.

Conhaque com nozes, abrunhos e absinto.

- Absinto? - Sim, tem absinto aut�ntico...

- Absinto? - e mandr�gora.

- O n�rdico est� na moda. - N�o � perigoso?

Bem, vamos ter em mente que hoje � Sexta-feira Santa, n�o?

Sim, sim.

Sim, claro.

Sa�de!

Certo.

� um desastre o tema da Ursula, n�o?

Sim.

N�o pode ter essa bagun�a nesta �poca.

- N�o gosto do Jens. - Sim. Ningu�m gosta.

Mathilde acha isso divertido.

N�o aguento mais, Svend. Vou embora.

Voltou para a sua cama?

Svend, isso n�o � da sua conta.

V� para casa.

Temos que fazer alguma coisa, droga!

O fogo est� fora de controle!

Calma! N�o podemos fazer nada!

- O que vamos fazer? - Calma!

Apenas olhe.

S� podemos olhar.

legendas @drcaio

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