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Original subtitles

LENFILM

DON QUIXOTE

Roteiro por Ye. SHVARTS baseado em Miguel de Cervantes

Dirigido por G. KOZINTSEV

C�meras A. MOSKVIN, A. DUDKO

Dire��o de Arte Ye. YENEY, N. ALTMAN

7 M�sica Kara KARAYEV

Estrelando

Don Quixote - N. CHERKASOV Sancho Pan�a - Yu. TOLUBEYEV

Governanta - S. BIRMAN Sobrinha - S. GRIGORYEVA

Sacerdote - V. MAKSIMOV Barbeiro - V. KOLPAKOV

Aldonza - L. KASYANOVA Altisidora - T. AGAMIROVA

Carrasco - G. VITSIN

Duque - B. FREINDLIKH Duquesa - L. VERTINSKAYA

Maritornes - G. VOLCHEK Camponesa - O. VIKLAND

Pastor - A. BENIAMINOV Andres - S. TSOMAYEV

- Est� lendo de novo. - N�o tem mais jeito.

Sr. Padre, Sr. Barbeiro, gra�as a Deus.

Chega de chorar, sobrinha, n�o h� motivo para tanto.

As l�grimas, s�o um precioso l�quido do corpo humano...

melhor cont�-las do que derram�-las.

Pobre, como n�o vai chorar. Estamos muito tristes.

Esses malditos livros t�m acabado com nosso amo.

N�o diga mal de todos os livros, mulher.

Somente aos dos contos de cavalaria.

Malditos sejam os contos de cavalaria.

Nosso amo leu um conto e n�o aconteceu nada.

Leu 3 e ficou pensativo, 7 e quer se tornar...

...um cavaleiro andante. Deus nos ajude.

E depois de comer uma torta de cebolas e toucinho...

renunciou ao seu nome, Alonso Quijano...

e come�ou a se intitular Don Quixote de La Mancha.

Est� trancado na biblioteca.

Por isso os acordamos...

para ver se, com a ajuda de voc�s...

averiguamos o que est� fazendo.

Vamos espi�-lo.

Vamos, n�s sozinhas temos medo.

Santa Virgem, perdoe-nos.

E esta armadura?

A coura�a era do av�, o escudo do bisav�.

Meu tio me ensinou tudo isto quando eu era pequena.

Sr. Barbeiro, voc� que tem estudo, diga-me...

O que acontece com meu amo? Os livros podem...

...enlouquecer um homem?

Depende do sangue que h� em suas veias.

Uns leem e se entregam a medita��o, s�o pessoas de...

...sangue denso.

Outros choram. S�o os de sangue aguado.

Nosso fidalgo tem o sangue vivo.

Acredita nas inven��es absurdas como se fossem...

...as santas escrituras.

Fico com medo que isso possa lev�-lo longe demais.

Ou�o o soar das trombetas.

Quer dizer que ir�o baixar a ponte levadi�a...

e Dulcineia aparecer� na varanda.

Levantou-se t�o cedo, como um campon�s.

Perdoe-me, queria dizer como um passarinho de Deus.

Estamos muito contentes.

Nasceram duas bezerras magrinhas como voc�.

Perdoe minha falta de respeito, mas � que estou t�o contente.

Meu pai est� muito feliz. Ouve ele gritar de alegria?

- J� vou! Adeus, senhor. - Adeus.

A mais nobre entre as nobres.

Os ignorantes a consideram uma simples campesina.

Mas � a mais gentil, e mais bela que...

todas as princesas.

Os livros n�o mentem, voc� � a mais bela, Dulcineia.

Frest�n, malvado feiticeiro, a enfeiti�ou.

Minha espada n�o descansar� at� livr�-la desse feiti�o.

Oh, amor meu, Dulcineia de Toboso.

� o homem mais obstinado de toda a Mancha.

Responda, eu lhe ordeno.

Responderia que sim.

Tenho tanto desejo, que n�o posso me conter.

Fale-me de novo em linguagem de cavaleiro, e de certo aceitarei.

Escute Sancho o que escrever�o sobre n�s...

se amanh� partirmos ao amanhecer em busca de aventuras.

Tinha apenas um Apolo, rendido nas grandes terras...

com seus belos cabelos.

Apenas os pequenos passarinhos saudaram com um doce...

cantar na rosada Aurora."

Por Deus, n�o sei fazer.

Assim aconteceu nos c�us e nos bosques...

quando o cavaleiro Don Quixote montou seu cavalo Rocinante...

acompanhado de Sancho Pan�a, seu fiel e intr�pido escudeiro.

Parece t�o real.

O famoso cavaleiro percorreu a Mancha...

e intimidou malfeitores, e confortou os que sofrem."

Temos que partir.

Senhor, experimente o elmo, j� est� pronto.

Coloque-o.

Estou como um p�ssaro em sua gaiola.

Sente-se nesse tronco.

N�o, senhor, porque conhe�o a for�a de sua m�o.

- Coloque o elmo. - Tudo bem, eu coloco.

Primeiro vou experimentar sem a minha cabe�a dentro.

Mais vale um valente vivo, do que morto.

D�-me aqui, homem de pouca f�.

No livro que explica as fa�anhas do cavaleiro...

Amadis de Gaula...

encontrei uma f�rmula m�gica para faz�-lo resistente, derramei sobre...

...este elmo uma garrafa inteira.

Por acaso n�o acredita nos livros de cavalarias?

Sim, mas n�o obstante...

experimentaremos primeiro com o tronco.

Que seja o que Deus quiser.

Senhor, n�o se ofenda, mas n�o irei com voc�.

Al�m disso, minha mulher n�o quer, e � ela quem manda.

Al�m do mais, quanto me pagar�?

Quanto a isso n�o se preocupe.

Irei nome�-lo governador da primeira ilha que conquistar.

Promulgar�s leis em sua pr�pria ilha.

Comer�s e beber�s em vasilhas de ouro.

Enfim, seja o que Deus quiser. Quando partimos, senhor?

Amanh� ao amanhecer.

Os sinos tocam em honra das nossas futuras aventuras.

Mas n�o � por n�s, meu senhor.

O sacrist�o chama a mo�a da vila vizinha.

Ou�a, uma, a segunda, a terceira, vir� �s tr�s.

N�o toque sacrist�o, quem toca muito, agrada pouco.

Basta, nosso atraso prejudica a humanidade.

Maldito buraco.

N�o Sancho, a culpa n�o � do buraco.

Toda a nossa vila maldiz este buraco do dem�nio.

Meu vizinho me pede que tape o buraco com pedras.

E eu lhe pergunto, porque eu, fa�a voc�. Ele responde...

- eu, fa�a voc�. Eu digo... - J� chega.

N�o falei nem a metade, senhor.

Contesto com bons modos que devo ter...

porque � meu vizinho...

e me responde com insol�ncia. E por que eu?

Sem d�vida ignora, que este buraco foi escavado...

...pelo pr�prio mago Frest�n.

N�s nos encontraremos com ele, mas nunca recuarei.

Nem um passo para tr�s, em frente, Sancho.

Perdoe-me, amo, n�o o farei mais.

- Ouve, Sancho? - Sim, vamos voltar.

Siga-me, plebeu, algu�m chora e precisa de nossa ajuda.

- N�o farei isso nunca mais. - Onde est� minha ovelha?

Indigno cavaleiro, monte seu cavalo...

...e fique em guarda.

Pedro, pela direita, Antonio, atr�s...

...saquem as facas, vamos � briga.

N�o fa�o nada de mal. S� uma li��o neste pastor ladr�o.

- Liberte a crian�a. - Ele � o meu criado.

- Liberte-o. - � para j�, senhor.

V�, Andr�s, pode ir meu filho, Andr�s, est� livre.

- E o sal�rio? - Que sal�rio?

- Quantos meses te deve? - Nove meses, senhor.

- Mentiroso. - Pague-lhe, imediatamente.

O guardo em casa. Pagarei meu querido, Andr�s...

...agora mesmo. Vamos, meu filho.

- Jure por Deus. - Eu juro.

Juro por todos os santos que pagarei o que merece...

que me leve para o inferno.

Juro pela mem�ria dos meus antepassados.

Senhor cavaleiro, senhor cavaleiro...

... um momento, por favor.

Se eu ficar aqui, meu amo me matar�.

N�o v� embora.

N�o tema, filho.

Ele jurou que n�o o maltratar�. N�o perder� sua alma...

... por t�o pouco.

Nunca ningu�m me defendeu.

Na verdade, tenho pena do pequeno pastor.

Viu com que admira��o nos olhava como se f�ssemos her�is.

Ir� seu amo pagar o que lhe deve?

Sinto-me orgulhoso de ser seu escudeiro.

A gratid�o desse rapaz me consolar� em batalhas futuras.

Basta, sigamos. A Espanha e o mundo necessitam...

... de cavaleiros andantes.

Cuidado, Sancho.

Neste lugar, sem d�vida, t�m drag�es para me enfrentar.

Algum sentir� a nossa presen�a e ao sair, acabarei com ele.

Drag�es? Que nojo.

Que medo. Eles podem aparecer, ou n�o.

N�o � mesmo?

Aparecer�o, Sancho.

Olhe.

Aten��o, aproxima-se um carro diab�lico.

Meu senhor, � uma carro�a.

Parados.

Bela dama, confie em Don Quixote de la Mancha.

- � prisioneira? - Sim, valente cavaleiro.

Marcha veloz Rocinante, adiante por Dulcineia.

- Renda-se. - O perdoe por desafi�-lo.

Seus desejos s�o ordens.

Concedo-lhe a vida, mas com uma condi��o.

Ir� ao encontro da bel�ssima Dulcineia de Toboso.

De joelhos, lhe contar� sobre esta fa�anha...

... que fiz em sua honra.

E est� muito longe?

Bela dama, meu escudeiro lhe mostrar� o caminho.

Parece-lhe bem me privar de meu fiel servo?

N�o me disse que era prisioneira?

Sim, do t�dio da viagem, mas voc� me libertou.

N�o � um agradecimento, mas, posso ser a dama...

... dos seus pensamentos...

... depois de ter visto a sua fa�anha?

N�o? Diga-me, senhor.

N�o sou digna de ser amada? N�o mere�o o seu amor? N�o?

Olhe para mim.

Por acaso n�o me acha bela?

N�o me tente, te suplico, n�o posso, sou fiel.

A dama de meus pensamentos � Dulcineia de Toboso.

- N�o lhe diremos nada. - N�o posso.

- Seremos discretos. - N�o posso.

- Ningu�m vai contar. - N�o posso.

Seu olhar me penetra at� � alma.

Afaste a cabe�a, n�o me atormentes.

Sente-se junto a mim, e falaremos da situa��o.

Eu preciso de algu�m para falar de amor. De amor.

� voc�, � voc�.

- Estou esperando. - Muito bem, estou indo.

N�o, de maneira nenhuma.

Descubra onde ele mora.

Que tonto divertido. Se o apresento ao Duque...

... me agradeceria.

Pobre tio. Faz tanto tempo que se foi.

A cada dia trazem not�cias. Ficou famoso...

... em toda Espanha.

Atacou um babeiro e roubou sua bacia de barbear.

N�o sei porque. Por 3 reais lhe venderia a minha...

... que � nova.

O coitado pensa que tem um elmo m�gico.

Por que ele atacou alguns peregrinos...

que levavam a imagem da virgem, choravam seus...

... pecados em penit�ncia?

Pensava que a estavam roubando.

Coitado dos peregrinos.

E as ovelhas? As ovelhas?

Confundir um rebanho com um ex�rcito de gigantes.

Se ao menos trouxesse as ovelhas at� aqui...

... j� ter�amos encontrado lugar para guard�-las.

Esperemos que pastores guerreiros nos...

... tragam not�cias suas.

Entre.

Aldonza, mulher que deseja? Traz-nos leite?

N�o, trago not�cias do nosso amo.

O que houve? Est� doente?

N�o, s�o not�cias assombrosas. O senhor se apaixonou.

- Virgem Sant�ssima, n�o pode ser. - � o que me disseram, Padre.

O senhor se apaixonou por uma ilustre dama chamada...

- Dulcineia de Toboso. - De Toboso?

Sim, meu pai disse que se conhecem desde pequenos.

Apaixonou-se por uma velha?

Deve tratar-se de sua filha, ou de sua neta.

Ele est� t�o apaixonado.

Quando se prepara para o combate, pensa nela.

Pensa nela a noite toda, lhe comp�e belas can��es.

Fala dela com tanto carinho, como de um filho...

... um p�ssaro delicado.

Sua Dulcineia. Adora-a. A ama mais...

... que a sua pr�pria vida.

- At� fico com inveja. - Por qu�?

Ningu�m me amar� assim.

Pedro s� me d� apert�es e belisc�es.

Feliz Dulcineia de Toboso.

- O que est� pensando, Sancho? - Quanto tempo levamos...

... desde a aldeia.

- Quanto calcula? - Contando as feridas e toda a sorte...

... de desventuras, me parece que j� fazem pelo menos vinte anos.

Os cavaleiros n�o contam as feridas.

Senhor, me desculpe a insol�ncia. Posso saber onde est� a ilha?

Estamos lutando a tanto tempo. N�o ganho a recompensa?

J� vai ver. Que culpa tenho eu?

Frest�n arruinou com as almas mais do que se esperava.

Quem s�o os desventurados?

S�o presidi�rios do rei. Os levaremos para as galeras.

- Por qu�? - Pergunte a eles.

Seu maior prazer � divulgar seus crimes.

Que pecados voc�s cometeram?

Apertei a minha amada e uma mulher chiou.

Um malvado nos separou.

Maldi��o.

Por acaso, o amor tamb�m o leva para as galeras?

N�o, meu caso � a ternura. Sou muito terno...

... em vez de dizer que n�o disse que sim.

Por um sim, peguei seis anos de pris�o.

E voc�, por que raz�o est� aqui?

Ocorreu que n�o tinha dez moedas de ouro.

Com elas teria amolecido o cora��o do juiz.

Guarda, estes desgra�ados n�o merecem ir para as galeras.

Com bons protetores, o juiz lhes perdoaria.

Est� certo.

Meu senhor, arrume-nos um protetor.

Irei encontr�-lo, e os deixar� em liberdade.

Sou um cavaleiro andante.

Fiz voto de defender os desafortunados.

Guarda, soltem-nos.

Endireite o elmo que leva na cabe�a, e d� o fora.

Senhor, voc� � uma besta.

Amigos, dirijam-se r�pido at� onde indicarei.

Iremos ver minha dama em Toboso.

Contarei as fa�anhas que fiz em sua honra.

N�o nos irrite.

Negam-se a isso, mal-agradecidos?

Senhor, voc� conhece a forca?

O agradecimento � mais forte que o medo.

Que agradecimento? Agora somos livres.

Acabou de organizar uma fuga.

Sua cabe�a � uma ab�bora.

- Eu os ensinarei a agradecerem. - Somos gente sofrida.

- � para o bem de voc�s. - Peguem o delator.

- Ele nos libertou. - Mas depois se vendeu.

Pe�o um favor, meu senhor.

N�o conte a ningu�m que apanhamos.

As pessoas se aproveitariam, e nos maltratariam ainda mais.

Sempre h� quem queira humilhar um desgra�ado.

As desgra�as nunca v�m sozinhas. A corda se rompe...

... pelo lado mais fraco.

Quando for governador da minha ilha...

O estou ouvindo como se estivesse longe...

... de tanto zumbir meus ouvidos.

Estou dizendo que quando for governador...

O que foi?

Est� t�o p�lido que d� d�.

Veio-me � cabe�a um pensamento.

Algo muito cavalheiresco, meu senhor.

Imagine, um pensamento. � assombroso.

Que pensamento?

Acrescentar um sobrenome ao glorioso Don Quixote.

Cavaleiro da Triste Figura".

Muito bem, assim seja.

Um s�bio escrever� nossas gloriosas fa�anhas.

Ele lhe deu esse pensamento...

porque na minha tem um grande alvoro�o.

- Veja, um castelo encantado. - Como? � uma pousada.

Digo-lhe que �.

Que desapare�a meu burro se n�o � uma pousada.

- � um castelo. - Uma pousada.

Senhor, j� voltou a imaginar coisas outra vez.

Estes forasteiros deveriam nos convidar.

N�o devemos pagar o jantar e a pousada.

O nobre senhor do castelo nos envia ilustres donzelas.

Senhoritas, este cavaleiro defender� a pureza de voc�s.

Deem a ordem, e morrerei protegendo a honra de voc�s.

Chegou um louco divertido.

N�o nos incomode agora.

Ele nos chamou de puras e ilustre donzelas.

Parece que tem cinco anos.

Sauda��es, meus amigos.

Tem neste castelo oprimidos ou cativos?

Digam-me, e eu restabelecerei a justi�a.

Sou Don Quixote de la Mancha.

Cavaleiro da Triste Figura.

Senhor. Todos os quartos est�o ocupados. S� posso lhe...

... oferecer uma cama no quarto de despejo.

N�o est�o vendo que mal consegue ficar de p�?

- Quem lhe bateu? - Ningu�m, filha.

Meu senhor caiu do alto de um penhasco.

N�o, n�o h� ningu�m que possa vencer o meu senhor.

Passaremos o dia sem fazer nada. Tive uma ideia...

... para ridicularizar este cavaleiro. Ser� divertido.

Bem, temos motivos de riso para muito tempo, mas escute...

... a segunda parte do meu plano.

A feliz empregada pega os melhores rapazes e n�o cobra nada.

Vamos lhe dar uma li��o.

Seu apaixonado � um pi�o que dorme tamb�m...

... no quarto de despejo.

Senhora, d�-me tamb�m um pouco desse unguento.

Voc� tamb�m caiu?

N�o, mas quando ele caiu fiquei machucado...

... s� de ter acontecido.

Eu, quando sonho que caio, fico machucada depois.

O que est� sussurrando?

Que tolo, est� com ci�mes.

Sussurro para n�o acordar o senhor que est� doente.

Vamos, v� embora, nos encontraremos esta noite.

Gosto que tenha ci�mes. Mas n�o posso mim�-lo.

Claro, sou homem e quando te vejo, sinto pelo corpo c�cegas.

O pombo voa at� sua pomba. Entretenha o senhor juiz...

... que eu j� tenho tudo preparado.

Diga-me amigo, � verdade que sua mula...

... � t�o geniosa que ningu�m a quer alugar?

� verdade, at� parece mulher que precisa apanhar.

Veremos como podemos ajud�-lo.

Que r�pido voc� veio, n�o te esperava agora.

Pensei que ainda estava trabalhando. Estou cansada...

... mas fico feliz em te ver.

O que foi, vai ficar parado como uma est�tua?

Condessa, que grande honra.

N�o seja bobo. Por que tanta cortesia?

� por causa da minha lealdade, amo outra dama.

E a minha fidelidade s� permite um abra�o fraternal.

- Perd�o, errei de cama. - N�o se v�, senhora.

Depois dos golpes, agrade�o o carinho e o toque de suas...

... m�os delicadas.

Sou puro em fidelidade, mas n�o v�.

Depois do cobertor e da ingratid�o, a car�cia e a do�ura.

N�o v�. Estou sempre s�. Sempre um contra todos.

N�o vou.

Vagabunda.

N�o toquem no senhor.

Saiam todos daqui, selvagens.

N�o veem que � como uma crian�a? Ele � bom, ele � bom.

Sancho, voc� viu como a senhorita...

... a condessa, dona do castelo, lutou por mim como um cavaleiro?

N�o � filha de nenhum conde, � uma criada.

- E voc�? - Eu o qu�?

Frest�n o enfeiti�ou.

Recupere os sentidos. Este castelo � encantado.

Ouve os cochichos, as risadas diab�licas?

Prepare-se, Frest�n.

Em frente, nem um passo atr�s.

Senhores, n�o se v�o. Pegarei esse maldito feiticeiro.

Lutarei por voc�s, s�o pessoas boas e almas nobres.

Os defenderei de todos os perigos...

Est�o dominados pelo mago, est�o enfeiti�ados.

Eu vou libert�-los, e arrancarei a m�scara de seus rostos...

para voltarem a ser humanos, com minha espada invenc�vel vou alto...

Onde est�o, malditos?

Chega de risadas, pois ir�o morrer.

Nosso amo � muito entranho. Quando apanhava pelo caminho...

... estava alegre como uma lontra. Agora o trazem para casa doente.

Pelo menos ficar� tranquilo.

Ele abriu os olhos.

N�o incomodemos o s�bio bacharel.

Senhor, me reconhece?

Voc� � o estudante Carrasco, filho de Bartolom� Carrasco.

Voltou de Salamanca com o t�tulo de bacharel.

- Felicito-os. - Eu o felicito tamb�m, senhor.

Voltei cheio de avan�os m�dicos. Feito a perna...

... de um cordeiro cheia de carne.

- Assim que pensa me curar? - Sim, a pedido de sua sobrinha.

Esse barbeiro ignorante, o sangrava �s segundas de manh�.

A ci�ncia demonstrou que deve ser as quintas, pela tarde.

Seu sangue flui, � liquido e conseguiu recuperar o ju�zo.

A partir de agora, n�o deve sair de casa.

Vou embora, enquanto recupero as for�as.

Minha demora prejudica o ser humano.

Escute um bacharel que acaba de se graduar.

Os tempos de cavaleiro acabaram, n�o existem, desapareceram.

Foram-se para sempre.

Os tempos mudaram, estamos no ano de 1605.

Este ano, como o anterior, como a cem anos...

os desgra�ados pedem ajuda, e os felizes n�o escutam.

S� n�s, os cavaleiros andantes...

Quantos s�o?

N�o compete a mim contar, minha tarefa � combater.

N�o permito que saia.

A ci�ncia exige tratar o doente com rigor.

Salvarei o bom Sr. Quijano do louco Don Quixote.

Sancho, enlouquecerei se n�o nos pusermos a caminho.

At� eu de alma tosca, o compreendo.

Desde que chegou a primavera, n�o posso ficar em casa.

Cada dia � o mesmo, sempre o mesmo.

E o senhor j� sabe, o refr�o, estamos � frente.

Conhecemos muitos perigos no caminho, mas n�o desistimos.

N�o sei se � m�gica ou minha consci�ncia.

Mas, todas as noites...

... escuto os pobres homens me pedindo socorro.

Coitados, devem sofrer muito.

Amanh�, ao amanhecer, passe por aqui...

- ...como se fosse sem querer. - Pode deixar, senhor.

- Senhor cavaleiro, senhor cavaleiro. - Quem �?

Um pobre velho despejado de sua casa por d�vidas...

durmo feito um cachorro, e n�o tenho quem me defenda.

- Senhor cavaleiro! - Quem est� me chamando?

Cavaleiro, meu namorado foi comprar as alian�as...

o velho depravado, quer derrubar a minha porta e me bater.

Cavaleiro! Cavaleiro!

Senhor cavaleiro...

venderam nossas coisas, n�o temos o que comer.

Senhor cavaleiro...

sou um velho despejado de sua casa, n�o tenho quem me defenda.

- Salve a minha honra cavaleiro. - Salve a todos os cavaleiros.

J� vou, Rocinante.

Se voc� � esperto, eu sou mais.

Desse jeito me obrigas � brigar, senhor.

Venham! Ajudem-me.

- Eu imploro, n�o o mate. - Volte para casa...

n�o vai sair com essa idade, est� muito frio.

- Volte, lhe darei leite fresco. - Volte para a cama.

Acabou, j� n�o vamos a lugar nenhum.

Como podemos vencer os gigantes e drag�es, se perde para fam�lia?

O que o senhor espera, um milagre? Estamos em 1605, j� n�o,...

existem mais.

Vive aqui o famoso Don Quixote de la Mancha?

Aqui, aqui mesmo. Aqui � onde vive.

Chegou � tempo. Temos que defender algu�m, lutar com...

...gigantes e magos.

N�o temas, meu amo e eu sairemos logo para salvar � todos.

Cale-se! Traga �gua para meu cavalo.

- Voc� � Don Quixote? - Sim, senhor.

Veja...

N�o sei como me explicar.

Uma bela senhora est� apaixonada por voc�.

Deseja receb�-lo em seu castelo.

- O que quer que responda? - Que entre.

Vamos agora!

� Dulcineia de Toboso.

- Veio para rir de mim? - N�o estou para brincadeiras.

Fiz at� aqui um caminho detest�vel.

O amor pode me empurrar para os piores caminhos.

Falei ao conde de sua coragem.

O conde quer v�-lo com seus pr�prios olhos...

... o espera em seu pal�cio.

- Senhora! - N�s lhe fizemos uma sangria.

Os desejos do conde s�o ordens.

Senhor Don Quixote, esperamos que venha, imediatamente.

Irei.

Vamos, Rocinante.

N�o chore, senhorita.

Onde quer que v�, o trarei de volta pra casa.

Fizemos coisas bem mais dif�ceis em Salamanca.

Senhor, de quem � esse carro, e o que leva a� dentro?

O carro � meu, senhora.

Dentro, h� um le�o para o rei...

... a mando do governador de Or�n.

- Deixe-me ver. Abra. - Como quiser, senhora.

Que animal soberbo.

Mostre-nos sua valentia lutando com o le�o.

O que est� fazendo, senhora? Meu amo precisa de calma...

... e n�o de tenta��es.

Conhe�o muito bem os homens.

Diante das garras do le�o ficar� tranquilo.

Nobre amigo, sente-se solit�rio na Espanha?

Eu tamb�m.

O que est� fazendo?

N�s nos entendemos muito bem.

Mas o cruel destino nos obriga a lutar at� � morte.

Como? Sim, obrigado, j� estou restabelecido.

Durante a minha enfermidade pensei muito.

Escute.

Quando um estudante comete um erro...

... escreve, apaga e volta a escrever at� achar uma solu��o.

Assim s�o minhas fa�anhas.

Eu luto e jamais me detenho.

O que importa � n�o ser um covarde.

Sem tr�gua, fa�anha atr�s de fa�anha.

Coragem, saia da�, vamos lutar.

Que ela aprenda de uma vez por todas...

que nobreza e valentia n�o s�o apenas palavras.

Senhor, n�o discuta com ele.

O le�o sabe que essa senhora nunca poder� ser mais s�bia.

O que lhe importa nossas fa�anhas?

Valentes, o perigo j� passou.

Tive uma ideia, o Cavaleiro da Triste Figura, ser� tamb�m...

Cavaleiro dos Le�es."

Os assuntos do governo me cansam.

� hora de um pouco de divers�o.

O que faremos?

Estamos ocupado com um velho que vive nos...

... tempos de Amadis de Gaula.

Don Quixote est� preparado para a audi�ncia?

Completamente. Tive que anim�-lo.

Suas virtudes est�o afiadas...

... como as cordas da harpa que soam ao menor toque.

Muitos valentes perdem a cabe�a diante de mim.

- N�o se assustar�? - Don Quixote � sempre Dom Quixote.

Curioso. Agora ir� v�-lo, senhor.

Assim o espero.

Que entrem os cortes�os.

Uma moeda de ouro abrir� os olhos de Quixote.

- Est� com medo do novo bobo? - N�o, n�o h� piadas novas.

H� ilus�es, v�cios e pervers�es...

... e h� insol�ncias sobre indec�ncias femininas.

Don Quixote de la Mancha e Sancho Pan�a.

Divertido.

Tem o olhar inocente como a de uma donzela.

� uma grande honra receb�-lo em meu castelo.

Pe�o-lhes que se ocupem de nossos convidados.

- Algo o incomoda, senhor? - Efetivamente, senhora.

Poderia ajud�-los?

Sim, leve meu burro � cavalari�a.

Sancho!

O meu burro est� no p�tio.

Tem muitos cortes�os. N�o quero que o roubem.

- Eu me encarregarei do burro. - Obrigado, Excel�ncia.

Pegue-o pelos lados, porque d� coice se for por tr�s.

Sancho, eu te mato.

N�o, n�o nos prive de um convidado t�o querido.

As lutas contra feiticeiros devem t�-los deixado esgotados.

O que esgota � ficar de bra�os cruzados...

... quando existem muitos precisando da minha ajuda.

S� em combate se encontra o descanso.

J� salvou muitos da desgra�a e da desonra?

Ainda n�o, mas Deus sabe que tenho tentado.

Esque�am tudo. Ter� tempo para continu�-las.

Agora, descanse entre todos os amigos.

Diga-me, por que rejeitou a bela Altisidora?

Qual foi o motivo?

Meu cora��o � de Dulcineia de Toboso.

Mandamos emiss�rios a Toboso...

... n�o existe nenhuma Dulcineia.

Essa Dulcineia existe?

Existe, s� que est� enfeiti�ada.

Ningu�m sabe, exceto eu, qu�o bela e infeliz �.

Este Don Quixote � mesmo um louco.

N�o deveria incentiv�-lo � continuar com essas...

loucas aventuras sem prop�sitos.

E voc� cabe�a oca, quem o fez crer que � um cavaleiro?

Talvez um louco disse que � um cavaleiro andante, e que...

pode sair por a� lutando com gigantes e magos?

Volte para sua casa para criar seus filhos...

... como os homens sensatos.

Deixe de andar pelo mundo sem destino...

... e fazendo as pessoas rirem com suas loucuras.

Sem d�vida acredita que � justo se meter na vida dos outros.

Julgar os cavaleiros andantes. Acredita que � justo...

Sou cavaleiro, e morrerei cavaleiro com grande prazer.

Sa� para lutar, minha miss�o � essa e n�o outra.

Venci gigantes, castiguei os maus e ajudei os bons.

S� quero fazer o bem, e n�o causar dano a ningu�m.

Se por isso mere�o ser chamado de tonto e mentecapto, ent�o, sou.

- Assim seguirei sendo. - Senhor cavaleiro...

... sua resposta foi digna de Amadis.

- Sancho, soube que deseja ser governador. - Sim, Excel�ncia...

... isso � uma grande verdade.

Gostaria muito de ocupar um cargo de governador.

Perdoe-me n�o dizer mais, porque para um...

... bom entendedor meia palavra basta.

Peguem imediatamente uma ilha para Sancho Pan�a.

Como quiser, Excel�ncia.

Eu mesmo os acompanharei at� os aposentos.

Vamos, senhor cavaleiro, e senhor governador.

Viu s�, Don Quixote acabar� com todos os...

... bobos da corte da Espanha.

Est� enganada, Don Quixote n�o � tonto, � sincero.

N�o viver� entre hip�critas como voc�s, por muito tempo.

Eh, touro!

Tenho certeza, senhor, de que me achar� um adivinho.

Por qu�?

- Sei como conseguiu essa armadura. - � mesmo, como?

Um estudante de Salamanca que a ganhou jogando dados...

... com um padre que adora essas antiguidades. Acertei?

De fato, senhor.

O que n�o entendo � o que vai fazer com ela...

... sendo bacharel. Falta muito para o carnaval.

Quando se tem bom humor, todos os dias s�o carnaval.

- Aonde vai essa gente? - � pra�a.

- Hoje chega nosso governador. - Governador? Nesta aldeia?

- Barataria n�o � uma aldeia. - E o que �, ent�o?

Uma ilha. E s�o fi�is porque vieram at� aqui.

N�o conhece nosso duque.

Decretou faz pouco tempo que aldeia seja considerada como uma ilha.

Para mim, o duque de voc�s parece maluco.

- Ei voc�s, o que est� acontecendo? - S� direi se me der dinheiro.

O governador est� chegando! Essa � not�cia.

- Ele vem de qu�? - A cavalo.

De carro�a. Numa liteira.

Qual o nome do sr. Governador?

- Sr. Sancho Pan�a. - Sancho Pan�a? Meu Deus, vamos.

Vejam, um governador que anda de burro.

Obrigado, obrigado, amigos.

Triste seria, se me recebessem com l�grimas.

Mas voc�s est�o rindo porque est�o contentes em me ver.

� engra�ado ver um governador montado em um burro.

Mas um burro como governador, deixa de ser engra�ado.

Explicarei porque monto num burro, porque � baixo.

Se fosse num cavalo, seria imposs�vel...

... ouvir as queixas de voc�s.

E ir de burro � como ir a p�.

Estou aqui, abaixo est� a terra e a�, voc�s...

... meus queridos s�ditos.

Justi�a! Justi�a, senhor governador, justi�a.

Justi�a para mim, governador, se n�o me ajudar, falarei com o duque.

Se necess�rio irei ao rei, ou at� ao c�u.

- Mulher, v� direto ao assunto. - Tenho que ser discreta, senhor.

- Conte-me ent�o no ouvido. - Sim, senhor. Escute.

� for�a?

Canalha.

Confesse, pastor, ofendeu esta mulher?

N�o, Excel�ncia, foi ela. De minha parte fui cort�s.

Sentem-se. Vamos resolver o caso.

Eu ia sossegado pelo meu caminho quando essa mulher me chamou.

Eu a ajudei, e o dem�nio entrou em meu corpo.

� mentira.

Estava tudo bem, at� que comentei ter vendido 4 porcos.

Ent�o, a senhora me exigiu que lhe desse mais dinheiro.

Que imposto � esse, disse eu. Al�m disso, me tratou como imbecil.

E me disse: "Ou me d� a bolsa, ou o desonro publicamente.

Lan�ou-se sobre mim com seus fortes bra�os, e tentou me bater.

Fez isso.

- N�o foi assim. - Sil�ncio.

Deixem-me pensar.

Ter� sido capaz a desavergonhada ter-lhe pedido a bolsa?

Pastor, d� o seu dinheiro a esta mulher.

Pastor, v� atr�s dela e tire-lhe a bolsa.

Excel�ncia!

Este bandido quer me roubar a bolsa que me deu.

E n�o conseguiu?

Nunca, s� me matando.

Nem com pin�as, nem com garfos do diabo...

...conseguiria arrancar de mim.

Porque sou uma mulher que sabe defender a sua bolsa.

Mostre-me a bolsa, respeit�vel dama.

Aqui est�, governador.

Tome, pastor. E voc� quieta.

Se voc� defendesse sua honra com metade...

... da for�a com que defendeu a bolsa...

... nem um gigante conseguiria mexer com voc�.

V� embora com os dem�nios, fique longe de minha ilha.

Depressa!

Corre, ladra.

Viva o governador.

Voc�s me aclamam porque fui justo.

Distingam ent�o, a verdade da mentira.

Ent�o, por que n�o vivem segundo a verdade e a justi�a?

- Tentamos. - "Tentamos".

O Sr. Dom Quixote me disse, que a fama de perigoso...

... n�o � melhor que a de amigo.

Se mandasse que os a�oitassem, j� teria um volunt�rio.

Se mandasse que fizessem carinhos, n�o teria um.

Viva o governador!

Obrigado, amigos.

Mesmo os estimando e sendo bom, estou morrendo de sono.

Voltem aos seus afazeres.

Por onde entro?

Ah, senhor.

Compartilhei com voc� tantos tormentos e inquietudes.

Meu senhor Don Quixote, onde est�?

Ah, Sancho, � t�o dif�cil sem voc�.

A agulha caiu, e n�o consigo encontr�-la.

Que situa��o. Estou com a meia furada,...

e a bela Altisidora insiste em me ver, mas n�o posso...

... me apresentar assim.

Tenho que dizer que n�o posso ser seu, porque perten�o �...

Dulcin�ia de Toboso.

Como direi t�o belo discurso com a meia furada?

Ah, meu irm�o Sancho.

Encontrei-a, Sancho.

Estou salvo da desonra.

Quem faleceu?

- Onde est� sua senhora? - Em seu leito de morte.

- De que morreu? - De amor por voc�.

Perdoe-me, Altisidora...

... n�o sabia que me amava tanto.

N�o merecia tanto.

� uma pena que a morte n�o me conteste...

... se � desafio para uma luta.

Teria lutado para reparar essa cruel injusti�a...

... daria minha pr�pria vida...

... em troca da sua.

Mas o verdadeiro amor � algo imortal.

Meu cora��o est� chorando como quem enterra um filho.

Deus sabe que n�o tive culpa, meu cora��o...

pertence � outra dama.

� mesmo, Don bacalhau seco.

Acreditou mesmo que morri de amor por voc�?

� mesmo um tonto, um velho rid�culo.

Acredita que poderia conquistar o amor de uma mulher como eu?

Est� mesmo louco. Tonto e louco.

N�o fique chateado, Don Quixote.

� uma brincadeira, como tudo neste mundo.

Voc� mesmo � mestre nessas artes.

Mostrou � todos com sabedoria que ser virtuoso � rid�culo.

Que a fidelidade...

... e o amor, s�o puras inven��es de uma imagina��o f�rtil.

- O que � isso? - Dinheiro, cavaleiro.

Aceite-o como recompensa.

Sr. Duque permita-me sair do pal�cio.

Aplaudam o sil�ncio de Don Louco.

Frest�n, chega de vit�rias em minhas costas.

Hoje mesmo lutaremos at� � morte.

Meu escudeiro Sancho, onde est�? Sancho?

Don Quixote deixou o pal�cio.

O duque ordena que acabem com a brincadeira da ilha."

O que est� havendo?

Uma tropa de soldados ataca a ilha.

- E meus soldados? - Na batalha.

Onde est�o meus soldados?

J� chega!

Tudo bem, vou embora.

Seguirei � procura do meu amo Don Quixote.

� melhor ficar com ele, porque sempre diz que vale mais...

... um p�ssaro na m�o do que cinco voando.

Jamais esquecerei, seu grande idiota.

Para tr�s.

Que vida, burro, era t�o bom quando s� me preocupava...

... em te colocar os arreios e te alimentar.

Em m� hora me ocupei em cuidar dos homens.

Os que s�o felizes te maltratam.

E os infelizes sempre ser�o os infelizes.

Senhor, meu amigo, que alegria em v�-lo.

Estou aqui, n�o sou mais governador daquela maldita ilha.

Basta, Sancho, n�o � hora de tristeza, e sim de alegria.

Alegria, conquistamos a liberdade, bom amigo.

A liberdade � o dom mais valioso que nos foi concedido pelo c�u.

Vamos Sancho, Frest�n est� aqui, vamos mat�-lo e...

... libertar o mundo.

- Aqui est�. - Quem?

Frest�n est� agitando seus enormes bra�os.

Isso � apenas um moinho.

Acredite em mim, Sancho, � o maldito Frest�n.

Sua nova apar�ncia n�o me engana, mago atrevido.

N�o tenho medo dos seus bra�os de gigante, sou o mais...

... nobre dos cavaleiros.

Por mais que me gire, n�o me vencer�. O amor...

... e a fidelidade vencer�o.

Quero ver dar risada agora da dor, estou rindo de voc�.

Vou te derrotar de uma vez por todas, Frest�n.

Que os maus feiticeiros morram.

Senhor, est� vivo? Fale comigo. N�o me aflija.

Est� vivo. Milagre, milagre!

� um milagre dos c�us, senhor. Senhor...

Est� vendo senhor, � um moinho.

Agora � um moinho, mas eu lutei com Frest�n...

... que continua vivo.

N�o existe pior cego do que aquele que n�o quer ver.

Senhor, procura magos e cavaleiros, e s� encontra gozadores.

A verdade � que fora o senhor, n�o existe nenhum cavaleiro andante.

E este quem �?

Glorioso cavaleiro, coloque-se com as armas nas m�os...

... e confesse que a minha dama � mais bela que Dulcin�ia de Toboso.

Senhor por favor, n�o lute com um doente.

Acabamos de lutar com um moinho e meu amo...

... n�o se recuperou.

Cale-se, para mim, o melhor rem�dio � o combate.

- Seu nome, diga-me. - Cavaleiro da Lua Branca.

- � turco? - N�o v� que traz no escudo...

... meia-lua e n�o quarto-crescente.

Escolha o lugar, e daremos in�cio.

Renda-se, cavaleiro.

- Dulcineia de Toboso. - Fale.

A dama mais bela do mundo.

Nunca direi o contr�rio, mesmo que n�o tenha for�as...

... para defend�-la.

Mate-me de uma vez, cavaleiro.

Droga! Que brilhe a beleza �nica de Dulcineia.

Mas com uma condi��o, que o grande Don Quixote de la Mancha...

... volte quando eu indicar para sua aldeia.

Eu o venci, senhor.

Segundo as leis da cavalaria, t�m que obedecer �s minhas ordens.

Obedecerei.

- Senhor bacharel. - Bacharel Carrasco, seu criado.

Eu o venci, por isso lhe ordeno que volte para casa.

Deve viver como os fil�sofos nos ensinam.

O homem adulto n�o tem medo de nada.

Senhor, o que foi agora?

Em tudo na vida, tem que ter serenidade, muita calma...

... que se desenvolve em voc� mesmo, a calma filos�fica...

... e a verdadeira liberdade.

A comida est� pronta, senhor.

D� de comer � um pobre pastor.

T�o saboroso aroma me atraiu at� aqui, cavaleiros.

- Andr�s. - Sim, sou eu.

Carrasco, olhe esse garoto. N�o luto em v�o.

O salvei de levar uma sova, e ele n�o se esqueceu...

... apesar do tempo que passou.

- Quer algo de mim? - Sim, senhor.

Fale, e n�o tema.

Senhor, n�o quero que me defenda, nunca mais me defenda.

Enfureceu meu patr�o e depois partiu.

Desde ent�o, tenho apanhado tanto que a dor me d� medo.

Que Deus o castigue e a todos os cavaleiros andantes.

� o final do caminho.

Pe�o � voc�s meus amigos, que lembrem de mim...

... e rezem pela minha alma.

Que Don Quixote de la Mancha, n�o fique esquecido...

... em suas mem�rias.

Mas n�o esque�am esse pobre fidalgo que est� aqui...

... arrependido e melanc�lico.

Deixem-me, quero dormir.

Saiam todos, deixem-me.

O pulso n�o inspira preocupa��o.

N�o lhe obriguei a regressar para que morra.

E sim para que viva adequadamente.

N�o sou capaz de fazer isso.

N�o chore, senhorita.

Era t�o bom comigo.

Se Dulcineia o viesse consolar.

Dizem que o amor faz milagres.

Senhor, n�o me deixe.

Quem fala comigo?

Sou eu, Dulcineia de Toboso.

Minha senhora!

Obrigada por vir antes que eu morra.

Eu o pro�bo de morrer, Don Quixote. Est� me ouvindo?

Obede�a � dama de seus pensamentos.

Mas eu...

Est� cansado?

E o que farei sem voc�?

O que ser� de n�s?

Senhor, n�o pode morrer, n�o nos abandone agora.

N�o nos deixe, por favor.

N�o morra cavaleiro, cavaleiro?

Talvez j� tenha uma porta para o senhor passar.

Escute o meu conselho, e viva muitos anos.

� uma loucura se deixar morrer. Vamos ao morro...

... vestidos de pastores.

Iremos pelo mesmo caminho.

Senhor.

Diga-me ao menos uma palavra em linguagem de cavalaria,

e serei o homem mais feliz da terra.

Em combates incans�veis

continuaremos vivendo, viveremos voc� e eu, Sancho,

at� que chegue o s�culo dourado.

A justi�a ser� feita, acabando com a gan�ncia e a desigualdade.

Em frente! Em frente!

Nenhum passo para tr�s!

FIM

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