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A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL FOI TRAVADA EM MILHARES DE LUGARES,
DEMASIADOS PARA QUALQUER RELATO
ESTA � A HIST�RIA DE QUATRO CIDADES AMERICANAS
E DE COMO OS SEUS CIDAD�OS VIVERAM ESSA GUERRA.
Deram-nos dez dias de licen�a
para a �ltima visita a casa.
Foi a meio de abril de 1944.
Fui at� Luverne
ver os meus pais e irm�os.
Foi um momento muito dif�cil porque eu sabia...
... tinha as ordens comigo, que me iam mandar
para o teatro de opera��es europeu
e sabia que nos tinham dado
uma terrivelmente perigosa miss�o de combate.
Assim...
... quando me vim embora
e dizia adeus aos meus pais,
fomos para a esta��o de comboio em Luverne
para apanhar o comboio da meia-noite.
A minha irm� Mavis estava comigo,
e levei-a at� um canto na plataforma
e disse-lhe qual era a minha miss�o...
... e que havia uma grande hip�tese de ser morto.
Disse-lhe...
que estivesse a par dessa possibilidade
e que devia estar...
... pronta para ajudar os meus pais.
A GUERRA
PAL�CIO
MONTANHAS DE ABASTECIMENTOS DE GUERRA REUNIDOS PARA A INVAS�O
Este ajuntamento imenso de material de guerra na Gr�-Bretanha
foi reunido para o golpe gigante projetado para aniquilar os nazis,
um panorama muito diferente de tudo o que se pode imaginar...
... e mais ainda.
Navios de invas�o reunidos nos portos brit�nicos
ao longo do Canal da Mancha, barca�as e barcos.
Imaginem as embarca��es anf�bias empilhadas
quando flu�rem em bando para o desembarque.
Bombardeiros que t�m de bombardear durante a invas�o terrestre,
planadores para tropas aerotransportadas
e muitos avi�es de combate para as batalhas monstruosas
da ofensiva projetada para ser a fase final da guerra na Europa.
Hectares de avi�es perdem-se na dist�ncia.
At� ao final da primavera de 1944,
de ambos os lados do mundo,
havia sinais de que a sorte da guerra tinha come�ado a inverter-se.
Os Aliados tinham parado a expans�o do Jap�o no Pac�fico.
Tinham tomado Guadalcanal, nas Ilhas Salom�o,
e Tarawa, nas Gilberts,
tinham destro�ado a frota inimiga em Midway,
e come�ado a longa subida de ilha para ilha
para o territ�rio japon�s.
PARA A PRAIA PARA T�QUIO - 5037 KM
PARA S. FRANCISCO - QUE TE IMPORTA? N�O VAIS L�
No teatro europeu,
os Aliados tinham libertado o Norte de �frica das for�as do Eixo
e tomado Roma.
Os avi�es aliados ainda bombardeavam a Alemanha noite e dia.
A Batalha do Atl�ntico fora ganha,
as rotas mar�timas estavam abertas
e os homens, armas e mantimentos inundavam a Gr�-Bretanha.
No leste, o Ex�rcito Vermelho expulsara os alem�es da Ucr�nia
e entrava na Pol�nia.
De volta a casa, em lugares como Luverne, Minnesota,
Waterbury, Connecticut,
Mobile, Alabama,
e Sacramento, Calif�rnia,
os americanos faziam o que podiam para viverem uma vida normal.
Mas no pensamento de todos,
a esperan�a combinava-se com o medo.
Apesar do progresso que tinha sido feito,
tudo o que tinha acontecido at� agora na guerra
era um mero preliminar.
O imp�rio japon�s tinha come�ado a diminuir,
mas os seus chefes pareciam determinados a defender at� � morte
cada ilha que permanecia.
Roma podia ter ca�do,
mas todos sabiam que o jugo de Hitler na Europa
n�o podia ser quebrado at� as tropas aliadas atravessarem o Canal da Mancha,
esmagarem as defesas alem�s e expulsarem os nazis da Fran�a.
Centenas de milhares de filhos, pais e maridos
teriam de jogar com as suas vidas por causa da vit�ria.
Joseph Vaghi, de Betel, Connecticut,
perto de Waterbury,
foi para casa para dizer adeus � fam�lia naquela primavera.
Tinha as ordens para ir para o estrangeiro
e pareceu-lhe, a ele e � fam�lia,
que ele, provavelmente,
seria um dos convidados a correr esse risco terr�vel.
Foi muito dif�cil
porque eu tinha mais dois irm�os j� na tropa
e a minha pobre m�e
sabia que todos acabar�amos por ir para l�.
E, como se viu, fomos. Todos est�vamos no servi�o.
E isso... Foi uma brutalidade.
Mas na despedida ela fez cara alegre,
sabe, ela ... n�s fal�vamos italiano.
Falava um bom ingl�s,
mas dizia as coisas sentimentais em italiano.
Disse:"Mio caro figlio, Dio stai con lei.
Non dimenticare mai tuoi genitori"
e continua assim.
EPIS�DIO QUATRO ORGULHO DA NOSSA NA��O
NA EUROPA DE HITLER
Centenas de km da costa
est�o fortificados, com plataformas de armas e defesa em profundidade,
enquanto Hitler se prepara para o teste de supremacia vindouro,
batalha para a maior das praias.
Armas costeiras gigantescas est�o no lugar,
prontas a erguer-se quando a hora H vier,
quando os Aliados entrarem na Europa de Hitler.
N�o h� lugar para complac�ncia.
Hitler est� preparado.
Os alem�es sabiam h� meses
que os Aliados iam abrir a segunda frente
que o l�der sovi�tico Jos� Estaline exigia desde 1941.
Hitler usou esse tempo para construir o seu Muro Atl�ntico,
2680 km de plataformas de armas fortificadas,
torres de radar e de vigia
e abrigos desde a Dinamarca at� � fronteira espanhola.
Enquanto isso, do outro lado do Canal da Mancha,
mais de um milh�o e meio de americanos estavam agora na Gr�-Bretanha
� espera do sinal para come�ar a invas�o
que determinaria o sucesso ou fracasso
do esfor�o dos Aliados na Europa.
O general Dwight Eisenhower estava no comando geral.
O assalto ia acontecer em tr�s fases.
FASE UM
Primeiro, paraquedistas seriam lan�ados por tr�s das praias na calada da noite
para confundir o inimigo e tomar as estradas e pontes
que levavam ao interior.
FASE DOIS
Em seguida, vagas de avi�es arremeteriam contra as defesas alem�s,
destruindo posi��es inimigas
e criando crateras nas praias
em que tropas de assalto se podiam abrigar.
Finalmente, uma frota enorme
ia transportar milhares de soldados brit�nicos, canadianos e norte-americanos
rumo � costa francesa.
FRAN�A
Os comandantes aliados planearam cinco aterragens coordenadas
ao longo de um trecho de 72 km do litoral da Normandia,
entre a Pen�nsula de Cotentin e o Rio Orne.
As tropas canadianas e brit�nicas ao comando do general Bernard Montgomery
lutariam para chegar � costa
em praias de nome de c�digo "Gold" "Juno" e "Sword",
onde tamb�m deveriam tomar a cidade de Caen, a 14 km da costa.
Os americanos, ao comando do general Omar Bradley,
tomariam as praias de Utah e Omaha.
Luverne, Minnesota.
25 de maio de 1944.
"Por fora, as coisas aqui n�o mudaram.
Os lilases est�o em plena flor.
A paisagem nunca foi mais verde.
� noite, um milh�o de estrelas piscam no c�u,
com um par de milh�es de sapos
dispostos ao longo das valas cheias,
a coaxarem num coro potente.
Mas as coisas mudaram.
Os funcion�rios de jornais di�rios por todo o pa�s
est�o de sobreaviso no caso de haver not�cias da invas�o da Europa.
Os executivos principais nunca est�o longe de um telefone, dia e noite.
Pensa-se que o clar�o muito ansiado
vir� em algum momento depois das 23h mas antes das 5h."
Al McIntosh, Rock County Star-Herald.
Chamamos-lhe a guerra real.
O resto � apenas guerra como espet�culo.
A verdadeira guerra implica ir l� matar pessoas...
INFANTARIA
... e sermos mortos ou escapar por pouco.
E faz-nos ter atitudes sobre a vida e a morte
que n�o se obt�m noutro lugar.
Soldados, marinheiros e aviadores da For�a Expedicion�ria Aliada,
est�o prestes a embarcar na grande cruzada
para a qual temos lutado todos estes meses.
Os olhos do mundo est�o sobre v�s.
As esperan�as e preces de gentes que amam a liberdade pelo mundo marcham convosco.
FASE UM
A maior invas�o anf�bia da Hist�ria
come�ou depois da meia-noite
de 6 de junho de 1944,
o Dia D,
quando os primeiros 24 000 paraquedistas,
transportados pelo Canal em mais de mil aeronaves,
foram largados por tr�s das linhas inimigas na Normandia,
A teoria alem� de defesa do continente
levou � constru��o de casamatas ao longo da linha de costa
onde colocaram soldados mais velhos.
Depois, colocaram as divis�es Panzer
e as divis�es das SS, as boas divis�es,
em pontos centrais,
sendo a teoria que quando cheg�ssemos � praia,
eles sairiam desses pontos para nos escorra�ar.
A nossa miss�o era estar entre eles e a praia
e p�-los a atacar-nos em vez de atacarem a praia.
A maioria que a 6� Aerotransportada brit�nica foi largada no alvo,
reagrupou e numa hora tinha conseguido os seus objetivos,
capturando as pontes dos rios Orne e Dives
para impedir os tanques alem�es de organizarem um contra-ataque na costa.
No flanco ocidental,
os 16 000 americanos das 101� e da 82� divis�es Aerotransportadas
tiveram menos sorte.
Nuvens baixas bloquearam o luar e escureceram as zonas de aterragem.
A faixa estreita da Pen�nsula Contentin era dif�cil de atingir por ar.
Muitos paraquedistas ca�ram para o mar.
Outros aterraram em campos e vales
inundados pelos alem�es e morreram afogados.
Alguns foram mortos ainda no ar quando as balas tracejantes alem�s
detonaram os explosivos que eles levavam.
Ainda assim, outros foram largados t�o baixo
que os paraquedas n�o chegaram a abrir.
Embateram, recorda um homem,
com "o som de ab�boras maduras atiradas ao ch�o."
Os homens da 101� Aerotransportada foram espalhados por uma zona
de 40 quil�metros por 25 de largura.
A maioria perdeu-se.
Vinte e quatro horas depois,
o comandante deles ainda n�o conseguira encontrar
mais de metade dos homens que sobreviveram.
Elementos da 82� Aerotransportada
desceram junto da pequena cidade de Sainte M�re-Eglise,
mesmo atr�s da praia Utah.
Os confrontos estavam j� ao rubro
quando um planador levando Dwain Luce de Mobile, no Alabama,
se dirigiu � zona de aterragem.
Um sobrevivente da invas�o da Sic�lia
e da aterragem em Salerno, era capit�o
no 320� Batalh�o de Artilharia do Campo de Planadores.
J� t�nhamos estado em combate
e sab�amos no que est�vamos a meter-nos,
mas sab�amos que isto era o ataque dos ataques
e era... era um bocado preocupante, pode dizer-se.
Os planadores eram uma inova��o no teatro de guerra.
Silenciosos, ideais para aterragens clandestinas por tr�s das linhas inimigas
e capazes de transportar equipamento e ve�culos
demasiado pesados para transportar de outra forma.
Mas tamb�m eram fr�geis,
forrados com um tecido inflam�vel e dif�ceis de controlar.
E em algumas zonas de aterragem,
os alem�es tinham colocado florestas de postes pontiagudos para os despeda�ar
e empalar os homens a bordo.
Mais de metade dos planadores falhavam as zonas de largada
e muitos pilotos e passageiros eram esmagados
quando os ve�culos e pe�as de artilharia se deslocavam em aterragens for�adas.
Lembro-me, no meu planador, estava sentado junto do piloto
e inclinei-me acima do ombro dele para ver,
mergulh�mos acima das �rvores, �amos a 177 km/h
e pensei: "N�o � velocidade de aterragem."
Mas era demasiado tarde para mudar.
Felizmente, n�o aterrei diante de armas antia�reas,
que eram terr�veis.
Tinha um amigo que aterrou diante de uma
e foi cortado ao meio.
E essas s�o coisas de que n�o gostamos de falar ou de pensar.
Dwaine Luce conseguiu, de algum modo, sair do planador
e rapidamente deu consigo no meio de uma batalha
para segurar Sainte M�re-Eglise.
T�nhamos um voo e os alem�es mudavam as pessoas � pressa.
N�s n�o t�nhamos armas pesadas
e est�vamos a combater armas pesadas.
Os combates eram confusos.
N�o havia linhas estabelecidas.
Estava um sujeito no topo de uma colina acima de mim a tentar matar-me.
Estava a disparar contra n�s e a tentar apanhar-nos.
E parecia, at� certo ponto, uma coisa de pol�cias e ladr�es
porque est�vamos l� todos � mistura.
Quer dizer, eles n�o estavam de um lado e n�s do outro,
parec�amos mais ovos mexidos.
Cercados, isolados, sem comunica��es uns com os outros.
Dwain Luce e a sua unidade debateram-se para manter as suas posi��es
e bloquear tanques alem�es,
enquanto esperavam pelas for�as
que iriam tomar a praia Utah e ir em seu aux�lio.
Sempre que �amos para tr�s das linhas,
davam-nos sempre morfina.
A morfina vinha num tubinho como o da pasta de dentes,
mas tinha uma ponta agu�ada quando desenrosc�vamos
e pod�amos ent�o enfiar a agulha, partir
e espetar no bra�o.
Quando est�vamos l�, se f�ssemos atingidos com gravidade
ningu�m podia cuidar de n�s.
Sainte M�re-Eglise estava um caos.
Terr�vel.
FASE DOIS
Logo pela manh�,
fomos acordados nos nossos beliches,
cerca de 25 a 30,
na base a�rea que ficava mesmo a norte de Londres,
disseram para pormos a farda de voo...
NOT�CIAS ESCALDANTES
... e irmos ter � sala de reuni�es.
Reunimos l�, ainda estremunhados,
e percebemos que o assunto era grave.
Via-se pelo ambiente.
Havia dois ou tr�s oficiais das informa��es na frente.
Tinham um grande mapa que estava coberto
e quando nos sent�mos, eles fecharam a cortina.
Eles disseram: "Meus senhores, � agora.
Come�ou a invas�o de Fran�a."
�s 4h30 da manh�,
Quentin Aanenson de Luverne, levantou voo para Fran�a
integrado no voo dos 11 000 avi�es.
Lightnings, Lancasters e Liberators...
Mosquitos, Marauders, Mustangs...
Spitfires, Thunderbolts e Flying Fortresses,
com a miss�o de bombardear, minar e arrasar as defesas alem�s
antes de as primeiras tropas aterrarem nas praias.
Era a primeira miss�o de Quentin Aanenson.
Quando cheg�mos � Normandia, olhei para esquerda
e foi apenas de relance,
percebi mais tarde que estava a ver a praia de Omaha.
T�nhamos de ter muito cuidado com os tempos
e t�nhamos de ter cuidado para n�o entrarmos muito para o interior
porque os paraquedistas tinham sido largados l�.
E n�o sab�amos exatamente onde estavam.
E, como se descobriu, eles tamb�m n�o sabiam onde estavam.
Aanenson largou as bombas e dirigiu-se de volta para Inglaterra.
Havia algumas nuvens,
mas consegu�amos ver o Canal da Mancha, l� em baixo,
e era imposs�vel compreender o que est�vamos a ver.
Havia navios por todo o lado.
FASE TR�S
"A melhor forma que tenho de descrever esta vasta armada
e a urg�ncia fren�tica do tr�fego
� sugerir que imaginem o porto de Nova Iorque
no dia mais movimentado do ano
e depois ampliem essa cena at� cobrir por completo
todo o oceano, at� onde a vista alcan�a,
chegando ao horizonte."
"E, para l� do horizonte,
havia dezenas de vezes mais que aqueles."
Ernie Pyle.
Mais de 5300 navios, transportando 176 000 homens,
avan�avam pelo Canal da Mancha.
Coura�ados e rebocadores, cruzadores e barca�as,
e cargueiros enferrujados.
Canhoneiras e navios hospitalares, transatl�nticos adaptados,
navios cheios de muni��es,
e navios equipados para lan�ar cortinas de fumo
para confundir o inimigo.
E uma frota de mais de 2000 lanchas de desembarque
para transportar homens e equipamento at� � praia.
Joseph Vaghi era um dos coordenadores de desembarque, naquela manh�.
A sua miss�o era usar bandeiras, sinais luminosos e um megafone
para fazer com que homens, ve�culos e mantimentos
chegassem em seguran�a � Praia Omaha.
E era o seu primeiro combate.
N�o senti medo.
Rez�mos, o pelot�o todo, rez�mos juntos.
Dissemos: "� a vontade de Deus.
Querem que avancemos at� ali
para tirar aquele diabo de l�. Vamos tratar disso.
Sabemos o que temos a fazer e estamos prontos."
S� n�o estava assustado porque nunca tinha passado por aquilo.
Quanto mais combatemos, mais tens�o vamos sentindo,
porque come�amos a pensar que � prov�vel n�o sobrevivermos
depois de vermos tantos outros morrer.
Ficava t�o enjoado quando entrava em combate...
INFANTARIA
... antes de se disparar o primeiro tiro, parecia
que o meu est�mago ia virar do avesso, ou assim,
mas mal come�avam os tiros, isso passava tudo.
Entre os milhares de homens que avan�avam para as praias
estavam dois veteranos de invas�es anteriores
no norte de �frica e na Sic�lia.
Eram de Manhattan, no Kansas.
O furriel Walter Ehlers e o seu irm�o mais velho, Roland.
Ele era um pouco mais baixo que eu.
Era ruivo, com olhos azuis e um lindo sorriso.
E era sempre um perfeito cavalheiro.
Sempre impec�vel, tanto na roupa como no resto.
E fazia com que eu tamb�m fosse.
�s 6h30, a for�a de invas�o come�ou a desembarcar na Normandia.
A praia Utah foi a primeira.
O fumo que ocultava o alvo
e as correntes fortes desviaram as embarca��es da rota
e os americanos acabaram por desembarcar a mais de 1800 metros
do local que estava planeado.
Mas o general Theodore Roosevelt Jr., armado apenas com uma bengala,
reuniu as suas tropas
e tomou a zona de desembarque em menos de uma hora.
Dos 23 000 homens que desembarcaram na praia Utah,
apenas 197 perderam a vida.
Ao fim da manh�, havia tanques americanos a partir da praia
para se juntarem � 82� Divis�o Aerotransportada em Sainte M�re-Eglise.
Est�vamos l� atr�s
e n�o faz�amos a m�nima ideia do que se passava na praia.
Sab�amos que a praia conseguiria resistir se fiz�ssemos o nosso trabalho.
Tamb�m sab�amos que, se a praia n�o resistisse,
o mais prov�vel seria sermos abandonados,
eles n�o nos podiam resgatar.
Portanto, naturalmente, era importante para n�s
fazer o nosso trabalho e garantir que a praia se aguentava.
Algo que recordarei sempre,
com muita emo��o, � o primeiro tanque que chegou.
Ao ver que o tanque tinha chegado
soube que a praia estava controlada,
e que havia ajuda a caminho.
As tropas brit�nicas tomariam as praias Gold e Sword pouco depois,
embora tanques alem�es tenham impedido
que capturassem o seu objetivo seguinte, a cidade de Caen.
As tropas canadianas tamb�m tomaram Juno,
apesar de 90 das suas 306 lanchas serem destru�das por obst�culos alem�es,
e um em cada 18 homens da sua for�a de invas�o
ter sido morto ou ferido.
Mesmo assim, avan�aram 11 km sob fogo inimigo antes de anoitecer.
Mas, para os americanos da 1� e 29� Divis�es de Infantaria
que se aproximavam da praia Omaha,
o local de desembarque mais complicado,
quase tudo iria correr mal.
Omaha era a mais larga das cinco praias,
e a mais funda, com 90 metros de seixos,
seguidos de dunas de areia, arame farpado e mato espesso,
tudo pejado de minas.
Atr�s de tudo isso erguiam-se formid�veis fal�sias
defendidas por 2000 soldados alem�es,
muitos deles veteranos com experi�ncia de combate.
Os pontos de apoio fortificados sobre os quatro desfiladeiros
que davam acesso ao interior, guarnecidos por 70 alem�es com metralhadoras,
morteiros e artilharia anti-blindado,
concentraram-se todos nos soldados que tentavam desembarcar.
Durante a segunda fase,
os pilotos americanos tinham largado as suas bombas muito longe da costa.
N�o havia crateras que servissem de abrigo
e o bombardeamento naval mal tinha beliscado as defesas alem�s.
Enquanto nos aproxim�vamos, v�amos navios � direita
e navios � esquerda.
Os c�us estavam cheios daqueles bal�es voadores.
Os coura�ados disparavam e v�amos os proj�teis,
os proj�teis de 356 mm dos navios de guerra,
a cruzar o ar.
O cheiro a p�lvora.
N�o sab�amos o que nos esperava � chegada.
Os homens tinham sido transferidos para as lanchas
a 19 km da costa, quando ainda estava escuro,
e muitos dos barcos perderam a sua posi��o.
O mar estava bravo.
Os soldados, a maioria dos quais n�o tinha dormido,
estavam enjoados, molhados e com frio.
Os tanques anf�bios, que deveriam ter liderado a carga
e dado cobertura � infantaria, foram lan�ados muito longe da costa.
32 tanques ca�ram dos navios que os transportavam,
e s� cinco deles n�o se afundaram.
A maioria das tripula��es ficou presa no seu interior.
As lanchas de desembarque alagaram.
Dezenas de homens afogaram-se lentamente, sob o peso do equipamento,
enquanto outros barcos passavam por eles.
Os comandantes estavam proibidos de parar para os recolher.
Ao longo das fal�sias, os alem�es n�o dispararam
at� a primeira lancha de desembarque parar
e baixar a sua rampa.
Muitos homens foram desfeitos pelas metralhadoras alem�s
antes sequer de descerem.
Centenas de outros foram atingidos na �gua.
Alguns feridos graves conseguiram sair da �gua, ca�ram
e ficaram deitados, indefesos, enquanto a mar� subia sobre eles.
Os que conseguiam passar pelos mortos e moribundos nas �guas rasas,
descobriam que n�o tinham para onde ir em terra.
Alguns tentavam escavar abrigos na areia e nas pedras,
outros amontoavam-se atr�s de lanchas encalhadas
ou obst�culos alem�es,
dando por si sob fogo concentrado.
Est�vamos a uns 90 metros da praia e batemos num banco de areia.
Pergunt�mos ao piloto do barco: "N�o passa daqui?"
E ele diz: "N�o d� para mais."
Ent�o ele desce a rampa e n�s sa�mos a correr pela frente,
para dentro de �gua, que me chegava at� ao pesco�o.
Mas conseguimos chegar com todos � praia.
Vimos corpos na praia, corpos na �gua
e corpos a dar � costa.
A maior parte estava morta.
Devastaram companhias inteiras, devastaram pelot�es inteiros,
grupos de combate inteiros e por a� fora.
Chegou uma segunda vaga de homens assustados,
que tinha agora de passar pelos destro�os da primeira.
"Exceto um tanque, que estava na praia a disparar..."
recorda um dos rec�m-chegados,
"... a cruzada europeia estava, para todos os efeitos pr�ticos,
desarmada e despida perante os seus inimigos.
Bastaria uma companhia de infantaria descer at� l�
para acabar connosco."
O pelot�o de Joe Vaghi desembarcou �s 7h35.
Passou-se tudo t�o depressa
que v�amos homens a ser atingidos e a cair.
V�amos tudo isso.
V�amos que aquilo era mesmo a s�rio.
Incrivelmente, todos os membros do pelot�o de Vaghi
conseguiram chegar � praia,
que continuava mort�fera,
coberta de destro�os em chamas
e de homens desesperados que n�o conseguiam avan�ar para terra
nem recuar do fogo inimigo.
Joe Vaghi fez o que podia para colocar ordem no caos,
dirigindo os seus homens enquanto abriam caminho pela praia,
ajudando feridos e moribundos.
Eu estava curvado.
Havia um corpo na maca,
e, quando me curvei, explodiu um proj�til.
Quando recuperei os sentidos, tinha a roupa a arder.
Vaghi foi atingido no joelho direito,
mas n�o se foi abaixo
e conseguiu retirar latas de gasolina de um jipe em chamas
antes que explodissem
e matassem os feridos ca�dos � sua volta.
Ao largo, o general Bradley pensou em abandonar Omaha
em vez de enviar mais homens para a sua morte.
Foi ent�o que os americanos come�aram a improvisar.
Capit�es desafiaram as ordens e arriscaram-se a encalhar os seus navios,
trazendo-os at� menos de um quil�metro da praia
e usaram os seus canh�es para, finalmente,
eliminar os abrigos e armas alem�s.
E, na praia propriamente dita, oficiais e soldados
come�aram a assumir a responsabilidade da sua sobreviv�ncia.
"Est�o a dar cabo de n�s aqui em baixo!" gritou um oficial ferido.
"Mais vale avan�ar para darem cabo de n�s ali em cima!"
Um pouco por toda a parte,
soldados isolados puseram-se em p� e come�aram a avan�ar.
Depois, pequenos grupos seguiram-nos.
Um oficial veio ter comigo, viu que eu era coordenador
e que tinha os megafones el�tricos,
e disse-me: "Diz a estes tipos para sa�rem do raio da praia."
Portanto eu disse: "Recebi ordens
para vos dizer que saiam do raio da praia."
O coordenador de desembarque disse: "Sigam este caminho
porque, se se desviarem,
v�o pisar uma mina."
Houve um soldado que se levantou e p�s um torpedo Bangalore
por baixo do arame farpado, para abrir uma brecha.
Disse: "Vamos, venham comigo", e foi � frente.
Levei o meu grupo pela abertura.
Sa�mos da praia, e provavelmente foi a coisa mais importante
que fiz em toda a vida, salvar aqueles 12 homens.
Os alem�es continuavam a bloquear os desfiladeiros de acesso ao interior,
portanto os americanos correram para as fal�sias,
treparam at� ao topo,
e atacaram as posi��es inimigas pelos flancos e retaguarda.
Subimos at� ao cimo do monte, at� �s trincheiras,
e corremos atr�s dos alem�es.
Captur�mos quatro e mand�mo-los para baixo,
e depois demos a volta � casamata e, os que n�o mat�mos...
Alguns escaparam porque fugiram de n�s,
mas tom�mos aquela casamata, naquele dia.
� uma da tarde, ap�s mais de seis horas de combate desesperado,
a resist�ncia alem� come�ara a fraquejar.
E, � medida que a tarde avan�ava,
os engenheiros de combate conseguiram abrir uma passagem segura para os barcos,
criaram cinco novas sa�das da praia
e constru�ram uma estrada para o interior, para soldados e viaturas.
Trinta e cinco engenheiros morreram para o conseguir.
Foi o dia mais sangrento da hist�ria americana
desde a batalha de Antietam, na Guerra Civil.
Muitos estavam em estado de choque,
sem conseguir compreender aquilo por que tinham passado...
... e sem saber o que tinham alcan�ado.
Cerca de 2500 soldados americanos jaziam mortos em solo franc�s.
O irm�o de Walter Ehler, Roland, estava entre os desaparecidos.
Pensei em procurar o meu irm�o,
mas olh�mos para a praia,
e havia tanta coisa l� em baixo
que seria como procurar uma agulha num palheiro.
Calculei que estivesse ferido ou num hospital
e n�o tivessem registado o nome dele.
Passar-se-iam cinco semanas at� Walter Ehlers descobrir
o que acontecera ao seu irm�o.
N�o o vi morrer.
Morreu quando estava a descer a rampa da lancha.
Todo o grupo de combate dele morreu ou ficou ferido.
Preferia ter voltado sem bra�os e sem pernas
do que voltar sem o meu irm�o.
Era mais importante para mim.
N�o me saiu da cabe�a durante mais de 50 anos.
Tive pesadelos por causa disso.
Ele voltava todas as noites,
e n�s... ele sempre bem vestido
e com o seu sorriso habitual,
e come��vamos a conversar e, de repente, ele desaparecia.
Ou ia fazer alguma coisa e desaparecia.
Em menos de 24 horas,
os Aliados abriram uma brecha de 72 km na muralha atl�ntica de Hitler.
Tinham perdido muito menos homens que os comandantes esperavam.
Mais de 150 000 homens estavam agora em terra firme, em Fran�a,
e havia mais homens, equipamento e mantimentos
a desembarcar a cada hora.
Fala-vos Robert St. John, da reda��o da NBC, em Nova Iorque.
Senhoras e senhores,
ao longo desta noite n�o pararam de chegar boletins de Berlim
a informar que o Dia D chegou,
e que come�ou a invas�o da Europa ocidental.
"Enquanto cambale�vamos ensonados pelo corredor, para atender o telefone,
tom�mos nota mental de que eram quase tr�s da manh�."
... h� combates ferozes entre alem�es e...
"Levant�mos o auscultador pensando que seria o xerife Roberts a ligar
por causa de algum acidente.
Em vez disso, era a Sra. Lloyd Long, no papel de uma vers�o feminina
do Paul Revere, a dizer:
'Levanta-te, Al, e ouve a r�dio.
Come�ou a invas�o.'"
... dizem que o desembarque angloamericano
por via mar�tima e a�rea se estende por...
"Fic�mos junto ao r�dio durante mais de uma hora,
a ouvir aquelas not�cias impressionantes."
As baixas podem atingir n�meros terr�veis.
"Depois fomos para a cama
e fic�mos deitados durante muito tempo,
com os olhos abertos na escurid�o,
a pensar: 'Que rapazes de Rock County
estar�o agora a desembarcar em terras francesas?'"
Al McIntosh, Rock County Star-Herald.
INVAS�O!
Os americanos acordaram no dia 6 de junho de 1944
rodeados de edi��es especiais e boletins de r�dio.
Eram as not�cias que esperavam.
Mas n�o havia mais detalhes,
nem reportagens ao vivo das praias.
Ningu�m sabia onde os seus filhos, irm�os ou pais tinham desembarcado
ou como estava a correr o desembarque.
ALIADOS DESEMBARCAM EM FRAN�A!
Em Filad�lfia, o presidente da c�mara deu um toque no sino Liberty Bell
pela primeira vez em mais de um s�culo.
Em Nova Iorque, os corretores da bolsa
fizeram dois minutos de sil�ncio
e em seguida voltaram ao trabalho,
fazendo o �ndice Dow Jones subir 142 pontos,
at� ao valor mais alto do ano.
A liga profissional de basebol cancelou todos os jogos.
IGREJA S. ANNS - DIA DA INVAS�O
Por todo o lado, soavam sinos de igreja, chamando as pessoas para rezar.
Ajoelhavam-se ou baixavam a cabe�a
em f�bricas, escolas e parques p�blicos.
Em Waterbury, houve missas especiais
na Igreja da Imaculada Concei��o.
Houve servi�os religiosos no Templo Israel,
na Sinagoga Beth El e no parque municipal.
Em Sacramento, os trabalhadores da conserveira Pacific Fruit Express
rezaram pela seguran�a de 100 antigos funcion�rios,
agora nas for�as armadas.
Em Mobile, naquele dia, n�o se vendeu �lcool,
e, na esta��o de caminhos de ferro,
raparigas andavam pelas plataformas
com os jornais dessa manh� na m�o,
para os soldados de viagem poderem ler os t�tulos.
Antes de mais, aqui fica outro sum�rio noticioso
na oitava hora da cobertura noticiosa da invas�o.
Primeiro Ministro...
"A not�cia da invas�o chegou a Luverne de mansinho."
... informa��o detalhada sobre a invas�o, de fontes oficiais.
"N�o houve apitos, nem sirenes, nem manifesta��es."
"Houve poucas palavras."
"Os caf�s estavam quase cheios
quando se aproximava o notici�rio das 10h."
"Os homens ouviram as not�cias com caras s�brias,
mas houve um sorriso exultante
quando souberam que as for�as aliadas tinham avan�ado mais de 15 km."
"Uma m�e entrou no caf�."
"Abanou a cabe�a
e afastou a ch�vena de caf� que lhe serviram.
'S� quero ouvir a r�dio', disse.
O seu filho, sem grande surpresa, estava... l�.
N�o era preciso ser vidente para saber o que lhe ia na cabe�a... ou no cora��o.
A ora��o que disse naquele momento,
enquanto ouvia o locutor,
foi multiplicada por mil em todo o condado
in�meras vezes ao longo do dia."
Nessa noite, o presidente Roosevelt falou ao pa�s.
Deus todo-poderoso, os nossos filhos, orgulho desta na��o,
encetaram hoje uma grandiosa tarefa,
uma batalha para preservar a nossa rep�blica, a nossa religi�o
e a nossa civiliza��o, e para libertar povos em sofrimento.
Guia-os pelo caminho certo.
D� for�a aos seus bra�os,
coragem aos seus cora��es, firmeza � sua f�.
V�o precisar das Tuas b�n��os.
O seu caminho � longo e dif�cil,
pois o inimigo � forte.
Pode recha�ar as nossas for�as.
O sucesso pode n�o chegar de imediato
mas voltaremos uma e outra vez
e sabemos que, com a Tua gra�a
e pela justi�a da nossa causa,
os nossos filhos ir�o triunfar.
"6 de junho de 1944, Mar das Filipinas.
�s seis e meia desta tarde,
chegou pelo altifalante o an�ncio
de que os Aliados desembarcaram em Fran�a.
Toda a gente celebrou quando ouviu.
Ganhei 40 d�lares aos rapazes porque, h� uns tempos,
apostei que a invas�o ia ser em meados de junho."
James Fahey.
MARINHA DOS EUA
O primeiro-marinheiro James J. Fahey de Waltham, no Massachusetts,
era o mais novo de quatro �rf�os.
Os seus irm�os, John e Joe,
eram da Marinha e estavam em Pearl Harbor quando o Jap�o atacou,
mas sobreviveram.
James alistou-se no ano seguinte
e foi colocado no cruzador ligeiro Montpelier.
Violando o regulamento da Marinha,
registou aquilo que se passava a bordo
num pequeno di�rio.
"Foi uma sensa��o incr�vel, subir a escada do portal�
e entrar no navio com o meu saco numa m�o
e a trouxa cheia de cobertores, colch�es, etc.,
ao ombro.
Tenho finalmente uma casa
e � logo um navio de guerra."
Fahey fez-se ao mar na esperan�a de entrar em a��o
e a��o n�o lhe faltou, como membro de uma equipa de artilharia.
O Montpelier abateu avi�es japoneses
e afundou navios japoneses em Guadalcanal,
bombardeou as defesas japonesas em Munda
e sobreviveu a uma bomba e dois torpedos ao largo de Bougainville.
Cerca de uma semana depois de ouvir a not�cia do Dia D,
Fahey e os homens do Montpelier
prepararam-se para nova batalha.
ILHAS MARSHALL
Fazia agora parte de uma frota de 800 navios,
que avan�ava para o objetivo americano seguinte no Pac�fico: as Marianas.
ILHAS MARIANAS
Um arquip�lago de ilhas vulc�nicas
de onde os bombardeiros americanos B-29 Superfortress
podiam come�ar a atacar o territ�rio japon�s.
Os tr�s alvos mais importantes da frota nas Marianas
eram Guam, Tinian, e Saipan,
onde os fuzileiros desembarcariam primeiro.
"13 de junho.
Daqui a cerca de 14 horas, vamos come�ar a bombardear Saipan.
Estamos s� a uns 1900 km de T�quio.
Acho que vou l� abaixo comprar doces.
Os doces s�o o que nos tem valido
quando passamos horas sem nada para comer nos postos de combate."
Saipan era diferente da maioria dos at�is de coral pequenos e planos
que os fuzileiros tinham tomado.
Tinha 22 km de comprimento, diversos tipos de terreno,
e estava defendida por mais de 30 000 soldados japoneses.
Tamb�m era habitada
por algo entre 16 000 e 20 000 civis japoneses.
O bombardeamento de Saipan durou dois dias.
Entre os fuzileiros da 4� Divis�o � espera de desembarcar,
estava o cabo Alvy Ray Pittman, de Mobile, no Alabama.
Trabalhava como carpinteiro, ao lado do pai,
quando decidiu alistar-se nos fuzileiros.
Estava decidido
a entrar para a unidade mais dura poss�vel.
Tinha medo que a guerra acabasse antes de eu l� chegar.
Por isso fui para os fuzileiros.
E, claro, mandaram-me para Parris Island, para fazer a recruta.
Lembro-me de chegar l�
e haver uma data de tipos no relvado.
Disseram-me: "Vais-te arrepender."
Ray Pittman fez parte da primeira vaga,
numa equipa de 16 homens encarregues da demoli��o de fortes inimigos,
onde fossem encontrados,
com explosivos, granadas e lan�a-chamas.
Nunca pensamos que podemos ficar feridos.
Pensamos que talvez alguns dos nossos amigos fiquem feridos.
E perguntamo-nos quem ser�.
N�o pensei uma �nica vez que podia ser eu mesmo.
Claro, quando...
... quando as balas come�am a ressaltar no nosso blindado,
sabemos que � poss�vel.
O bombardeamento naval tinha falhado.
Fogo concentrado da artilharia e morteiros japoneses
abateu-se sobre os carros anf�bios
e sobre os homens que lutavam pelo controlo da praia.
Os quatro comandantes dos batalh�es de assalto
foram atingidos em minutos.
Ao fim da tarde, 20 000 fuzileiros tinham chegado a terra,
mas n�o conseguiam avan�ar mais.
Os japoneses planeavam imobilizar os americanos
at� a sua frota chegar das Filipinas
para os destruir.
Apesar da chuva de proj�teis,
os fuzileiros navais come�aram a avan�ar lentamente.
Fiquei bastante assustado...
... e perder tantos amigos d�i muito.
� muito dif�cil para mim descrever
aquilo que senti na altura
porque acontecem coisas todos os dias
e estamos t�o cansados que mal conseguimos abrir os olhos.
Mas acontece qualquer coisa
e somos chamados para destruir uma casamata aqui ou ali.
Ent�o, acordamos e vamos fazer o nosso trabalho.
Mas � dif�cil para mim dizer qu�o mau foi, como me senti.
A batalha por Saipan mal tinha come�ado.
Santo Tom�s, Manila.
"O rumor sobre a tomada do campo pelo ex�rcito japon�s era verdadeiro.
Se ach�vamos que t�nhamos raz�es de queixa
da nossa vida horr�vel num campo de concentra��o,
depressa mud�mos de ideias.
At� ali, tinham sido umas f�rias.
A partir de agora, ser�amos tratados como prisioneiros de guerra
e n�o como prisioneiros civis."
Sascha Weinzheimer.
Ap�s o ex�rcito japon�s assumir o controlo
do campo de Santo Tom�s, nas Filipinas,
tiraram fotos de propaganda a alguns prisioneiros
para mostrar como eram bem tratados.
Sascha Weinzheimer e o seu irm�o mais novo
foram obrigados a posar para o fot�grafo.
As coisas n�o eram o que pareciam.
Para Sascha, de 11 anos, e para os outros 4000 prisioneiros civis,
a vida fora de mal a pior.
Os prisioneiros, crian�as inclu�das, eram obrigados a fazer v�nias aos oficiais
e a�oitados se n�o se baixassem o suficiente.
Deixaram de poder receber comida e mantimentos de amigos fora do campo.
Deixou de haver carne, apenas arroz e peixe seco.
"Tiraram-nos quase tudo ao mesmo tempo.
Come��mos a ver qu�o m�s as coisas podiam ser.
Apesar de a mam� e o pap� sempre nos terem dito
para comer tudo no prato
porque um dia pod�amos ter pouco para comer,
n�o acredit�vamos neles."
Passar sem comida, na minha opini�o,
� uma das piores coisas porque, sem isso, nada funciona.
Deit�vamo-nos na cama, na barraca onde viv�amos,
e eu tinha um colch�o no ch�o.
A minha m�e, o meu pai e a minha irm� tinham um colch�o
e o meu irm�o tinha um colch�o pequeno.
E fic�vamos ali.
T�nhamos de nos deitar cedo, porque apagavam as luzes.
Fic�vamos deitados no ch�o
e, carregando com um dedo na barriga,
sent�amos as v�rtebras da coluna.
E diz�amos: "Sim, estou a sentir a coluna."
Era como um jogo, para n�s.
Est�vamos sempre a fazer jogos do g�nero
e, ironicamente, isso ajudava-nos.
No final da primavera de 1944,
John e Glennie Frazier, de Fort Deposit, no Alabama,
receberam um telegrama do Dep. de Guerra.
O seu filho Glenn estava desaparecido em combate nas Filipinas
h� dois dolorosos anos,
e, uma vez que nada se sabia dele desde maio de 1942,
estava oficialmente declarado como presumivelmente morto.
Frazier tinha-se alistado em 1941,
em parte porque acreditava que a jovem que amava
estava apaixonada por outro.
Estava enganado.
Ela manteve a sua lealdade durante todo esse tempo.
Agora, perante as �ltimas not�cias,
come�ava a perder a esperan�a de o voltar a ver.
Mas Glenn Frazier ainda estava vivo,
prisioneiro dos japoneses.
Ao pensar na minha terra,
recordava as coisas de que tinha mais saudades,
como gelados, salada de batata e salada de frutas com natas
que a minha m�e costumava fazer no Natal.
PRISIONEIRO DE GUERRA
E, claro, pens�vamos sempre
se algum dia voltar�amos a casa.
Mas chegou uma altura em que est�vamos t�o fracos...
Eu estava t�o fraco
que nem me lembrava se tinha irm�s ou irm�os.
Nem me lembrava dos seus nomes.
E chega uma altura que pensamos: "Ser� que eu tinha uma casa...
Ser� que tinha uma casa, que tinha uma fam�lia?"
Frazier esteve perto da morte por diversas vezes.
Resistiu � marcha da morte de Bataan e a condi��es terr�veis
no campo O'Donnell e na pris�o Bilibid, nas Filipinas,
e foi obrigado a realizar trabalho escravo
em campos prisionais no Jap�o,
onde sobreviveu a duas pneumonias, tortura,
uma semana isolado num buraco tapado
e sovas t�o frequentes que se tornaram rotina.
Uma vez, por levantar pouco os p�s
enquanto marchava, um guarda espetou-lhe a baioneta no joelho.
Come�ou a infetar e acabou com gangrena.
O Dr. Campbell, que era o nosso m�dico americano,
s� tinha tintura de iodo.
Eu segurava uma ch�vena
para apanhar o sangue,
e ele fazia um corte com um canivete, para chegar ao ponto
em que podia usar tintura de iodo pura para matar a gangrena.
Estavam a pensar amputar-me a perna.
Disse ao Dr. Campbell que preferia morrer a ficar sem a perna.
Ent�o ele continuou e ganh�mos.
A certa altura s� havia um s�tio da minha perna,
a� com quatro cent�metros de largura,
onde a carne estava normal.
O resto estava podre.
Podia abrir a ferida e ver o osso.
A perna de Frazier acabaria por sarar e ele voltou ao trabalho
no cais de Tanagura,
onde ele e os seus amigos faziam o que podiam
para sabotar o esfor�o de guerra japon�s.
Arriscavam a vida para fazer buracos no fundo de barris de petr�leo,
punham areia em dep�sitos de gasolina, partiam m�quinas,
destru�ram uma doca e soltaram tijolos,
fazendo um submarino em repara��o
cair dentro da ba�a virado ao contr�rio.
E, ao longo de tudo isso, Frazier pensava na sua casa
e na rapariga que esperava um dia voltar a ver.
Mas o que me dava for�as era ver se ela ainda l� estava
e ver se o meu cora��o ainda estava louco por ela.
E tamb�m querer sobreviver.
N�o queria o meu corpo enterrado numa campa japonesa.
Era nisso que pensava:
"N�o vai ser f�cil meterem-me num caix�o."
Dez dias ap�s o Dia D,
ainda havia corpos a dar � costa na praia Omaha,
e como as equipas de registo de campas
tinham avan�ado para o interior, com as tropas,
ningu�m os recolhia para serem enterrados.
Por fim, homens do esquadr�o de ca�as de Quentin Aanenson
acabaram por fazer esse trabalho.
Puxaram os corpos com varas compridas,
amontoaram-nos com madeira ensopada em gasolina
e pegaram-lhes fogo.
Alguns dias mais tarde, Aanenson olhou para baixo, da fal�sia,
e viu que o problema n�o estava resolvido.
"Havia mais corpos a rebolar na rebenta��o," recordou,
"� medida que o Canal da Mancha libertava os seus mortos."
O esquadr�o de Aanenson tinha mudado de instala��es,
para a pista de aterragem avan�ada A-1,
um aer�dromo rec�m-constru�do perto da praia Omaha.
A sua miss�o era dar apoio a�reo de proximidade
� infantaria e blindados com dificuldades em avan�ar para o interior.
Em junho de 1944,
os Aliados j� dominavam os c�us.
Sempre que os alem�es no terreno surgiam em campo aberto
eram alvo de ataques e bombardeamentos
dos Thunderbolt P-47 americanos,
o tipo de aeronave que Aanenson pilotava.
Os ataques eram t�o incessantes que os alem�es passaram a chamar-lhes
"Tempo de A�o".
Foi numa das minhas miss�es iniciais
que soube que tinha matado homens.
Apanh�mos um grupo de alem�es que estavam numa estrada,
numa zona onde n�o havia �rvores
e, portanto, n�o tinham para onde fugir ou esconder-se.
E apanh�mo-los antes de eles conseguirem sair da estrada
e fugir para as valas.
E lembro-me do impacte que isso teve em mim
quando vi as minhas balas a trespassarem-nos
e t�nhamos tanto poder de fogo
que os corpos voavam
uns metros
e quando estava a fazer aquilo,
fazia-o sabendo que tinha de o fazer, que era a minha fun��o.
Tinha sido treinado para aquilo
e lidei bem com isso.
Mas quando voltei para casa,
para a base na Normandia e aterrei,
fiquei com n�useas.
Tinha de pensar no que tinha acabado de fazer.
Isso n�o mudou a minha determina��o para o dia seguinte.
Fui e voltei a faz�-lo.
E uma e outra vez.
"23 de junho de 1944.
Esta regi�o normanda do interior
� igualzinha � rica e suave paisagem
do leste da Pensilv�nia.
� demasiado maravilhosa para ser cen�rio de guerra.
Um dia, gostaria de cobrir uma guerra num pa�s
que seja t�o feio quanto a pr�pria guerra."
Ernie Pyle.
A beleza da Normandia era enganadora.
Os organizadores aliados n�o tinham compreendido o terreno
pelo qual os homens teriam de combater
antes de poderem empurrar o inimigo para fora de Fran�a.
A Normandia estava talhada com pequenos campos irregulares
delimitados por sebes,
com muralhas de terra de quase metro e meio e densas sebes,
cujas ra�zes as transformavam em fortifica��es naturais,
tornando imposs�vel ver para o interior
de um campo para o outro.
Numa �rea que media 3000 metros por 6000,
havia 4000 campos desses.
Aqui e ali, vest�gios de marcas de rodas de carro�as
serpenteavam entre as sebes,
ideais para emboscadas e muitas vezes escondidas de ataques a�reos
por �rvores de copas altas.
Os alem�es aproveitaram isso ao m�ximo.
Os tanques Sherman americanos n�o conseguiam atravessar as sebes
e quando tentavam cilindr�-las,
expunham os pontos fracos a fogo mort�fero.
Todos os campos se tornaram aquilo a que o jornalista Ernie Pyle chamou
"uma guerrinha separada", travada na maioria por companhias de fuzileiros.
Os alem�es eram bons soldados.
N�o cediam terreno facilmente ali nem noutro s�tio em que os tenha visto.
Havia que os respeitar por serem t�o bons soldados.
Eles eram demasiado bons
ou n�o nos teriam dado tanto trabalho.
Os avan�os eram medidos em metros.
Agora, o ritmo era muito mais lento
do que os comandos aliados tinham previsto
e o pre�o em mortos e feridos era muito mais elevado.
Os avi�es de carga C-47 sem armas eram esvaziados
para o maior n�mero de macas poss�vel ser levado para bordo,
levando os feridos mais graves para hospitais em Inglaterra,
a 20 minutos de dist�ncia,
dando meia volta e indo buscar mais.
Emily Lewis era uma das centenas de enfermeiras
que faziam tudo o que podiam pelos feridos.
Todos os soldados feridos estavam aterrados.
Estavam realmente alucinados com medo.
Abra�ava-os, de l�grimas nos olhos.
ENFERMEIRA
Choro, s� de pensar nisso.
Punha-os no meu avi�o, falava com eles.
Alguns estavam
t�o desalentados
que eu s� tinha de p�r os bra�os em volta e abra��-los.
Eu tinha 23 anos,
e eles tinha 22, 21, 24, 18...
Era terr�vel.
Mas tinha de ser feito, entendem?
A 1 de julho,
centenas de milhares de soldados tinham desembarcado.
A Pen�nsula Cotentin e o porto de Cherburgo tinham sido tomados
e as testa-de-ponte estendiam-se por 112 quil�metros.
FRAN�A
Ap�s tr�s semanas de combates,
continuavam a ter, no m�ximo, 65 km de profundidade.
O plano para libertar Fran�a estava empancado.
O general Bradley temia que, se n�o se tomassem medidas dr�sticas,
os Aliados enfrentariam a mesma horrenda estagna��o
que tinham vivido na Primeira Guerra Mundial.
Para evitar um desastre, os homens tiveram de sair das sebes
e procurar o tipo de terreno aberto
que os blindados americanos precisavam para progredir.
A regi�o a seguir � vila de Saint-L�
era o que Bradley desejava.
Ficava a apenas 24 quil�metros,
mas para os seus homens exaustos,
parecia t�o distante quanto o derradeiro alvo,
a Alemanha.
Durante a guerra, n�s pens�vamos
que a vida n�o podia come�ar at� isto acabe.
Era preciso ver outra vez
todos os rapazes que t�nhamos conhecido e de quem t�nhamos gostado
e saber que eles tinham chegado bem.
Especialmente no meu caso. Eu n�o era casada,
portanto, continuava a desejar a vida que teria,
mas n�o sabia com quem iria pass�-la.
Mas pensava que, se conseguisse ter o meu irm�o Sidney de volta...
De facto, falei com um
dos meus antigos namorados h� dois anos
e disse: "Porque n�o me pediste em casamento?"
Ele disse: "N�o me terias dado ouvidos,
at� o Sidney estar de volta,
n�o terias dado ouvidos a ningu�m."
E disse: "Na altura em que isso aconteceu,
tinha perdido a coragem."
"Domingo, 18 de junho, ao largo de Saipan.
Todos se levantaram �s 4h45 da madrugada.
Dormi bem na noite anterior,
mesmo que tenha dormido apenas seis horas.
Tivemos servi�os religiosos no in�cio da manh�,
mesmo estando t�o perto do Jap�o
e de a frota japonesa estar pr�xima."
James Fahey.
FILIPINAS MARIANAS
A frota japonesa estava pr�xima.
O vice-almirante isaburo Ozawa tinha formulado novo plano
para destruir as for�as terrestres americanas
que ainda se debatiam para penetrar em Saipan
e a frota americana ao largo.
Enviaria levas de avi�es sa�dos de porta-avi�es contra a frota
e refor�aria a guarni��o japonesa na ilha.
"O destino do nosso imp�rio depende desta �nica batalha," declarou.
"Todos os homens t�m de se esfor�ar ao m�ximo."
Mas os americanos intercetaram mensagens em c�digo
e sabiam que eles viriam.
Centenas de avi�es descolaram para atacar os japoneses.
A Batalha do Mar das Filipinas
seria a maior batalha naval da Guerra do Pac�fico,
quase quatro vezes maior do que a de Midway.
Era claro que os americanos tinham vantagem.
Os seus pilotos eram mais treinados do que o inimigo.
Os seus avi�es tamb�m eram melhores.
E tinham o dobro dos efetivos.
Maurice Bell, que trabalhava num estaleiro da Mobile quando foi chamado
e foi para a Marinha e n�o para o Ex�rcito
porque, j� referimos, ele n�o queria dormir num buraco no ch�o,
servia como artilheiro
a bordo do cruzador Indianapolis,
agora porta-estandarte da 5� Frota.
Estava sentado com os meus bin�culos
e, de repente, vi um torpedeiro
a mergulhar em dire��o ao navio atr�s de n�s.
E enquanto ia lan�ando os torpedos,
ou se preparava para os lan�ar, foi atacado.
Disparavam contra ele.
O avi�o caiu aos trambolh�es e despenhou-se.
Cinco segundos depois apareceu outro.
Atingiram-no e despenhou-se.
Outros cinco segundos depois, apareceu um terceiro,
atingiram-no e lan�ou o avi�o
num rodopio, os torpedos ca�ram todos,
atingiram a �gua e o avi�o despenhou-se.
Eu estive a observar aquilo com os bin�culos.
Os americanos perderem 29 avi�es nesse dia,
mas abateram pelo menos 273.
Os submarinos americanos tamb�m afundaram dois porta-avi�es japoneses.
Os que participaram na contenda unilateral,
recordavam-na como "Grande Sess�o de Tiro ao Peru das Marianas".
DESTINO T�QUIO
"Ter�a-feira, 20 de junho.
�s quatro da tarde de hoje,
tivemos as boas not�cias por que esper�vamos.
A frota japonesa est� em fuga e a rumar �s Filipinas.
Aument�mos a velocidade e fomos atr�s deles."
Mais tarde no dia seguinte, os avi�es de reconhecimento americanos
localizaram a frota inimiga em fuga.
Em dez minutos, 216 avi�es de guerra dos EUA
descolaram em enxame dos conveses para a atacar
apesar de a escurid�o estar a instalar-se
e de ser prov�vel que o combust�vel acabasse antes do regresso.
Os americanos afundaram um porta-avi�es
e danificaram fortemente outros tr�s,
destru�ram mais 65 avi�es japoneses
e dirigiram-se a casa.
"O tempo arrastava-se enquanto esper�vamos not�cias dos pilotos.
Toda a gente fazia figas, esperando que corresse bem.
Era como esperar por um perd�o no corredor da morte.
Ent�o, aconteceu algo nunca visto em tempo de guerra.
Todos os navios da enorme frota acenderam as luzes
e foram lan�ados foguetes para a �gua.
Isto facilitaria a aterragem dos pilotos
e se fossem parar � �gua, poderiam ser salvos."
S� 20 avi�es americanos n�o regressaram,
mas 80 perderam-se � vista os porta-avi�es,
cuspidos para o mar ou despenhados nos conveses.
Com exce��o de 49 pilotos e tripulantes, todos sobreviveram.
"Foi feito um �timo trabalho para salvar a vida aos nossos pilotos.
Os japoneses nunca fariam uma coisa destas."
"Luverne, Minnesota.
Recebemos umas cartas dos rapazes do Pac�fico Sul
a pedir mais daquelas colunas a descrever
como corre a vida em Rock County.
Bom, isto est� a ser escrito na noite do 4 de Julho,
o mais silencioso 4 de Julho passado em Rock County desde h� d�cadas.
Primeiro, as pessoas penduraram bandeiras
em casa ou no local de trabalho.
Nunca se viram tantas bandeiras em Luverne.
Ent�o, por volta do meio-dia, dirigiram-se ao parque
junto do rio, sob as grandes �rvores.
Alguns dos outros, com os mais velhos, estavam entretidos a jogar softball.
Os velhotes iam para a sede do jogo da malha.
At� � autoestrada, ouvia-se
o "clinque" familiar das ferraduras a acertarem no pino de metal.
No 4 de Julho de 1944,
mais de um milh�o de homens tinham aterrado na Normandia
e debatiam-se para progredir por entre as sebes.
Nessa semana, os brit�nicos largariam 2500 toneladas de bombas em Caen,
iniciando uma terceira tentativa de tomar a cidade aos alem�es.
Quando terminou, 2000 civis tinham sido esmagados ou estilha�ados
e os alem�es tinham retirado para novas posi��es defensivas
a sul do que restava da cidade.
Entretanto, na frente leste,
o Ex�rcito Vermelho tinha 28 divis�es alem�s cercadas na Bielorr�ssia
e matou 40 000 homens quando tentavam abrir caminho para sair.
Os sovi�ticos tomaram Minsk, a capital da Bielorr�ssia,
e com ela mais de 2000 tanques e 150 000 prisioneiros.
Winston Churchill escreveu a Jos� Estaline,
cujo pa�s tinha sofrido muito �s m�os dos alem�es:
"O inimigo arde e sangra em todas as frentes ao mesmo tempo
e eu concordo consigo que isto tem de continuar at� ao fim."
Dissemos que o quatro foi um dia calmo.
N�o houve excita��o, nem discursos, nem paradas, nem m�sica de bandas.
Toda a gente passou o dia calmamente,
mas estavam todos a pensar em voc�s
e a ansiar e a rezar para que este fosse
o �ltimo 4 de Julho que passam longe de casa.
Bom, � esta a hist�ria de como as coisas est�o na terra."
Al McIntosh, Rock County Star-Herald.
"Hoje � o 4 de Julho
e uma boa forma de o celebrar � matando japoneses.
Dispar�mos muni��es para o ar toda a noite e toda a manh� at� � alvorada.
Esta manh�, choveu um pouco.
Ontem e hoje, a nossa artilharia na praia
deu aos japoneses uma valente co�a.
As not�cias disseram
que nas primeiras semanas de combates em Saipan
foram mortos mais de 6500 japoneses.
H� um cheiro muito forte vindo da praia.
Cheira a carne queimada."
Bem, o soldado japon�s
� provavelmente o mais duro que combateu na Segunda Guerra Mundial
al�m dos Marines.
E olhem que eram muito duros.
Se cerc�ssemos um, ele continuaria a lutar.
Na Alemanha, se cerc�ssemos 50 000 alem�es, rendiam-se logo.
Os italianos tamb�m.
Mas se cerc�ssemos um japon�s, ele continuaria a lutar.
Continuavam a lutar at� os matarmos.
E s� tinham uma coisa em mente, matar-nos.
As tropas japonesas em Saipan,
agora sem esperan�a de serem salvos nem de refor�os da frota destru�da,
estavam determinados a morrer e n�o a render-se.
As for�as americanas tinham sa�do do aer�dromo
e come�ado uma lenta e agonizante marcha para norte,
tentando evitar matar civis japoneses
enquanto atacavam as tropas japonesas dos esconderijos.
Repetidamente, os soldados japoneses atiravam-se
para a frente das armas americanas a gritar: "Banzai!"
Aparentemente desejosos, ansiosos at�, de morrer pelo seu imperador.
Ouv�amos os japoneses a falar, a beber,
a bater garrafas e tudo mais.
E sab�amos que ia aparecer um.
Mas eles vinham ter connosco
e t�nhamos metralhadoras a fazer fogo cruzado para todo o lado.
Eles tinham de passar pelo fogo cruzado antes de dispararmos,
mas alguns passavam.
Um deles veio at� mim com uma baioneta
e disparei para a cara
e ele caiu na trincheira comigo,
sangrou para cima das minhas cal�as
e a baioneta passou entre o meu bra�o e o peito.
Quase me matava.
Antes do despontar do dia 7 de julho,
os japoneses lan�aram um ataque banzai final.
Tr�s mil homens, alguns obrigados a sair das camas do hospital
e mal conseguindo andar,
muitos armados s� com tacos, pedras e p�s,
carregaram sobre as linhas americanas.
Os bulldozers enterraram quase todos na manh� seguinte.
Foi o maior ataque banzai da Guerra do Pac�fico.
Pens�vamos que os japoneses eram misteriosamente diferentes de n�s.
Sab�amos que lutariam at� � morte
quando n�s provavelmente nos ter�amos rendido.
Come��mos a aprender, apesar de achar que n�o...
PILOTO DOS MARINES
... recolhemos informa��o suficiente sobre campos de prisioneiros,
mas t�nhamos alguma
e sab�amos que eram capazes de crueldade e sadismo
de uma forma que esper�vamos que os nossos n�o fizessem,
apesar de nunca ter tido a certeza do que os americanos fariam
na mesm�ssima situa��o.
A 10 de julho, Saipan foi oficialmente declarada segura.
Em quase quatro semanas de combates,
16 525 americanos tinham sido mortos, feridos,
dados como desaparecidos
na mais pesada batalha no Pac�fico at� hoje.
Entre eles, v�rios Marines negros
que tinham tido finalmente autoriza��o para combater.
"Os Marines negros j� n�o est�o � experi�ncia", disse o comandante.
"S�o marines, ponto final."
Quase 30 000 soldados japoneses morreram igualmente.
Nos dias finais da batalha, cerca de 4000 civis japoneses aterrorizados,
muitos crian�as e mulheres,
tinham fugido para a ponta norte da ilha,
para um planalto chamado Marpi Point.
O Governo tinha convencido muitos deles
de que era seu dever suicidarem-se,
em vez de ca�rem nas m�os dos cru�is americanos
e uns quantos soldados japoneses que tinham sobrevivido,
estavam preparados para os abater se hesitassem.
Alguns Marines arriscaram a vida para impedir a loucura.
Int�rpretes nipo-americanos com megafones
pediam aos civis para desistirem.
Mas mais de mil foram mortos pelas tropas japonesas
ou optaram pelo suic�dio.
Quando cheg�mos � ponta da ilha,
estavam a saltar do penhasco em Marpi Point.
Achavam que �amos com�-los.
Achavam que os matar�amos e os comer�amos.
Coisas do g�nero.
� apenas a mentalidade japonesa...
Eles n�o querem ser capturados.
Nunca cheguei � beira do precip�cio para olhar l� para baixo,
mas devia ser uma vis�o dantesca.
Alguns soldados japoneses decidiram nadar para o mar
em vez de se renderem.
Decidimos que j� que iam morrer,
seria melhor alvej�-los.
Fic�mos ali a disparar contra eles.
Ouv�amos as balas atingirem perto deles e alguns foram alvejados.
Mas era uma hip�tese remota conseguir atingi-los na cabe�a.
"Domingo, 16 de julho.
Era um dia quente, com sol, apesar de ter chovido nos servi�os religiosos.
Era a primeira vez que eu ia � igreja
e vi cad�veres a boiar.
N�o � nada ver homens, mulheres e crian�as a flutuarem.
Deve haver milhares de japoneses nas �guas em torno de Saipan.
Os navios passavam-lhes por cima."
Os americanos prosseguiriam e tomariam Tonian e depois Guam,
a primeira possess�o dos EUA a ser recapturada.
A queda das Marianas
e os danos provocados � frota japonesa no Mar das Filipinas
obrigaram Hideki Tojo a demitir-se de primeiro-ministro.
Os sucessores, primeiro um general
e depois um almirante, prometeram continuar a lutar.
ILHAS MARIANAS
Os japoneses tinham conseguido uma coisa,
a predisposi��o dos seus soldados e civis para preferirem morrer a render-se
tornara as chefias aliadas dolorosamente conscientes do banho de sangue
que seguramente acompanharia a invas�o do territ�rio japon�s.
JAP�O - T�QUIO OKINAWA
O primeiro homem que matei.
Na altura, era sargento.
Liderava uma pequena patrulha
e, por acaso, olhei de relance para a colina � frente
e vi um alem�o.
Fiz sinal aos homens
e todos eles se calaram e eu disse: "Aquele � meu."
Propositadamente peguei na minha espingarda e ajustei a mira,
senti o vento,
premi o gatilho e bum!
INFANTARIA
Seria de pensar que, nesse momento,
depois de matar um ser humano, deveria sentir remorsos.
Senti prazer.
E os homens aplaudiram.
"Foste bestial, Dan", entendem?
Isso foi nos primeiros tempos da guerra,
e tinham-nos ensinado a matar o inimigo.
Ele n�o era boa pessoa, era uma pessoa m�.
Portanto, sentia que tinha conseguido algo.
Antes de me tornar soldado,
cantava num coro, era professor de catequese.
"N�o matar�s" era real para mim.
E ali estava eu, a matar uma pessoa e a n�o sentir remorsos.
A queda de Roma, pouco antes do Dia D, tinha aumentado o moral,
mas os combates em It�lia prosseguiam.
Os Aliados n�o destru�ram o ex�rcito alem�o
e quando estava a recuar, Hitler enviou refor�os,
determinado a obrigar os Aliados a pagarem
por cada cent�metro de territ�rio conquistado.
Entre os americanos em persegui��o pr�xima
estavam os nipo-americanos
do 44� Regimento de Combate, sa�dos da recruta
e ansiosos por demonstrarem lealdade para com o Governo
que tinha obrigado tantos e as respetivas fam�lias a campos de internamento.
N�o tinha sido f�cil convencer as for�as armadas
a dar-lhes essa oportunidade.
O pessoal de Eisenhower rejeitara a ideia de tropas nipo-americanas,
mas o general Mark Clark, comandante do Quinto Ex�rcito em It�lia,
tinha dito que "aceitaria todos o que quisessem combater."
O 44� Regimento encontrar-se-ia
a combater junto do experiente 100� Batalh�o de Infantaria,
constitu�do na maioria por nipo-americanos do Havai
que estava em It�lia h� meses.
Tinham lutado com bravura e perdido tantos homens
que chegaram a ser chamados "Batalh�o Purple Heart".
Juntos, os rec�m-chegados do 44� Regimento
e os sobreviventes experientes do 100� Batalh�o
seriam destacados para encabe�ar
a viagem do Quinto Ex�rcito para norte de Roma.
Entre eles estavam dois homens de Sacramento
cujas fam�lias ainda estavam atr�s do arame farpado nos Estados Unidos.
Foi a �ltima reuni�o � volta da fogueira que tivemos
antes de ficarmos debaixo de fogo
e o comandante da nossa companhia
p�s-se diante de n�s, nipo-americanos,
e disse: "Vamos ficar debaixo de fogo...
SACRAMENTO, CALIF�RNIA
... e o primeiro de voc�s
que d� meia volta e fuja para o outro lado",
disse: "Ser� morto por mim."
Eu disse: "Isso � qualquer coisa.
Nunca diga isso a um japon�s
porque isso � um termo muito ofensivo."
O Soldado de primeira classe Robert Kashiwagi
estava de guarda a um cruzamento que os alem�es tinham abandonado,
quando ficou debaixo de fogo pela primeira vez.
Era uma situa��o terr�vel
porque os alem�es iriam alvejar o cruzamento.
- Pronto. - Fogo!
Fomos apanhados nesse fogo de barragem.
As bombas ca�am � nossa volta.
N�o tivemos tempo para construir uma trincheira
e est�vamos a cavar o buraco abaixados,
a tentar manter a cabe�a abaixo do n�vel do solo.
O capit�o branco que tinha insultado os homens do 44� Regimento
j� n�o estava com eles.
Caiu um proj�til de artilharia
que matou o primeiro sargento,
o batedor e um radiotelegrafista, todos diante dele.
O capit�o ficou em estado de choque.
Estava a tremer e ficou completamente l�vido
e n�o estava... Mal conseguia falar.
Quase tiveram de o levar dali.
Por causa da nossa a��o, houve dois jovens alem�es
mortos em combate,
morreram ao lado, de um lado da colina,
e isso afetou-me muito.
SACRAMENTO, CALIF�RNIA
Porque eles tinham 19 anos ou assim,
tinham a minha idade e eu pensei:
"Se fossem dos Estados Unidos,
pod�amos ter andado na escola juntos."
Foi a minha primeira m� experi�ncia de guerra,
ver um inimigo morto, reconhecendo a sua juventude
e aquilo n�o devia estar a acontecer.
E fiquei magoado.
Nas semanas que se seguiram,
os nipo-americanos distinguir-se-iam
em Belvedere, Sasetta,
Castellina, Pastina,
Loranzana e Luciana.
O 100� e o 442� Batalh�es combateram t�o bem e t�o arduamente
que quando o general Clark levou os homens
para a importante cidade de Livorno,
insistiu que marchassem mesmo atr�s dele.
Agora, toda a gente os queria.
Pouco depois, estavam de volta � a��o.
Fogo!
O sargento Daniel Inouye, de Honolulu, Havai,
estava na Companhia E, 2� Batalh�o.
Esta experi�ncia era t�o m� que tinha de ir ter com o capit�o.
T�nhamos atacado uma quinta
e eu corri at� l�
e, claro, estavam l� tr�s alem�es,
dois mortos e um vivo.
Estava encostado � parede.
Falava em alem�o e eu n�o falo alem�o
e ele dizia: "Kamerad,"
e tinha a m�o ali para se render.
Ent�o, de repente,
enfiou a m�o no blus�o
e a �nica conclus�o que pude tirar logo
foi que ele ia buscar uma arma.
Quase instantaneamente reagi
e bati-lhe na cara com a coronha da espingarda.
A m�o saiu
e vinha com um monte de fotografias.
Ele queria mostrar-me fotografias da mulher e dos filhos.
A guerra � isto.
REGRESSADOS VIVOS EM 1945
DIRE��O A T�QUIO
Durante a guerra, era dif�cil saber dos entes queridos.
O correio era muito lento.
E at� nos meios de comunica��o, se se sabia
que companhia ou tropa e tudo o que havia...
SACRAMENTO, CALIF�RNIA
... essas coisas n�o eram publicadas em pormenor
para dizer ao certo onde estavam.
2359 Americanos Mortos na Conquista de Saipan
Ianques, 15 053 Jap. 20 000
Bom, nunca se sabia.
Viv�amos com isso.
Fazia parte do papel que t�nhamos de ter.
"Luverne, Minnesota.
20 de julho de 1944.
De algum modo, segundo mexericos,
um telegrama teria
chegado ap�s as 18h de sexta-feira
para o Sr. e a Sra. Ray Lester de Magnolia.
Ray Lester soube e ficou com o cora��o pesado.
Come�ou a descer a rua.
A caminho encontrou Scott Dewar, o agente do armaz�m.
"Qual deles �?", perguntou Lester,
porque tinha quatro filhos com que se ralar na fam�lia.
Kermit Lester Morto em A��o na Guerra do Pac�fico
Depois de ter sido informado, foi penosamente para casa
para dar a not�cia � mulher.
E foi um gesto elegante
o que foi feito no baile dessa noite em Magnolia.
Quando as pessoas souberam a not�cia, o baile parou imediatamente
por respeito para com a mem�ria do Marine
que morreu em Saipan."
Al McIntosh, Rock County Star-Herald.
Cavalheiros das For�as Armadas, eis o valdevino de Hoboken.
Vou cantar uma can��o.
Chamo-me Sinatra e espero que "v�s" gostem.
Sent�vamo-nos na zona da nossa tenda,
no pomar de macieiras na Normandia,
e fal�vamos do que nos teriam pago
para fazer o que t�nhamos feito nesse dia.
Concord�mos que talvez ganh�ssemos mil d�lares por miss�o,
mas menos de dez dias depois,
as nossas perdas eram consider�veis
e dissemos que n�o consider�vamos faz�-lo
por menos de dez mil d�lares.
E acho que ultrapassou muito esse valor
antes do fim de julho, porque nem por sombras
poder�amos ser suficientemente mercen�rios,
recebermos o suficiente,
para fazermos o que est�vamos a fazer voluntariamente.
Nas semanas depois do Dia D,
os pilotos americanos, incluindo Quentin Aanenson,
continuaram a ir em miss�o
sobre os campos de sebes da Normandia todos os dias,
tentando centrar-se na ajuda que davam aos homens no solo
e a evitar pensar muito
sobre as perdas nas suas pr�prias fileiras.
Correndo para uma sebe para sacar os alem�es de uma linha de sebes num prado.
Com a posi��o inimiga derrubada, os alem�es diziam basta,
e l� se via a bandeira branca da rendi��o,
mais prisioneiros levados
para a importante cidade de Saint-L�.
� medida que a Infantaria avan�a, o caminho � limpo
pela for�a demolidora dos tanques e artilharia pesada.
A 18 de julho, Saint-L�,
ou o que restava ap�s seis semanas de bombardeamentos aliados,
caiu �s m�os dos americanos.
As for�as do general Bradley tinham finalmente chegado � linha
a que os l�deres aliados tinham previsto
que chegariam poucos dias depois do Dia D.
E estava pronto para enviar os blindados
pelas linhas alem�s para l� da cidade.
Mas primeiro, os avi�es aliados foram chamados para criar uma aberta.
A opera��o chamava-se "Cobra".
O correspondente, Ernie Pyle, estava por baixo,
a ver de uma quinta francesa destru�da,
com oficiais da 4� Divis�o de Infantaria.
"Os primeiros avi�es
da ofensiva maci�a surgiram pouco antes das 10 h da manh�.
Eram os ca�as e os bombardeiros de voo picado.
N�s est�vamos no galinheiro de uma quinta francesa
e v�amo-los a rasar quase a direito do c�u."
E mais um estrondo para os nossos ouvidos,
um som profundo, abrangente
sem notas,
s� uma gigantesca descarga com um som tonitruante.
Eram os pesados a surgir muito lentamente
em voos de 12, tr�s voos para um grupo
e em grupos que alastram pelo c�u.
Pensei que n�o acabaria.
E surgiram as bombas.
Come�ou adiante como o crepitar das pipocas
e quase instantaneamente aumentou numa f�ria monstruosa de som
que parecia que iria destruir o mundo � nossa volta."
As bombas continuaram a cair durante uma hora e meia.
O dia claro tornou-se escuro com o fumo, recordou Pyle,
e o fragor cont�nuo parecia "encher todo o espa�o para ru�do da Terra."
Dois dias depois, a 27 de julho,
o Primeiro Ex�rcito entrou em catadupa pela nova aberta nas linhas alem�s
para o campo al�m das sebes.
Durante semanas, os americanos no solo
tinham-se sentido felizes por conquistarem mil metros num dia.
Brevemente, estariam a cobrir at� 40 quil�metros
no mesmo per�odo.
Os alem�es estavam a vacilar.
A 7 de agosto, os americanos pararam subitamente um contra-ataque em Mortain
e depois de cinco dias de batalha, obrigaram os alem�es a bater em retirada.
Ent�o, a 15 de agosto, no sul de Fran�a,
for�as livres americanas e francesas aterraram,
espalharam-se em todas as dire��es e come�aram a rumar a norte.
No dia seguinte, Hitler concordou relutantemente
retirar o seu S�timo Ex�rcito massacrado da Normandia.
Come�ou a desesperada retirada em dire��o � Alemanha.
Os Aliados apanharam-nos perto da vila de Falaise.
Durante tr�s dias,
os Aliados dispararam contra os homens em fuga
a partir do solo e do ar.
Oitenta mil alem�es correram pela terr�vel prova��o.
Morreram pelo menos 10 000,
tantos que os pilotos dos avi�es de reconhecimento dos Aliados
muitos metros acima do campo de batalha
sentiram-se enjoados com o fedor.
Tantos que depois de o ataque ter terminado,
o general Eisenhower recordou:
"Era literalmente poss�vel
andar centenas de metros
a pisar apenas corpos e carne em putrefa��o."
Eu tinha apanhado um grupo de alem�es
em cami�es de caixa dupla
e estavam amontoados no interior.
Os disparos eram muitos
e eu era o �nico a disparar.
O meu parceiro tinha as armas encravadas
e o efeito que teve em mim foi que a minha m�o direita paralisou
e eu ia a caminho de casa
e n�o conseguia ter for�a na m�o.
Tive de p�r a m�o esquerda no man�pulo
para o manter e aterrar assim.
Quando tinha os pesadelos
nos anos depois da guerra, muitos anos depois,
se fosse relacionado com essa miss�o
ou com uma parecida,
quando me levantava de manh�, ia � cozinha
a Jackie estava l� e tinha o caf� feito
e ela sabia logo que eu entrava
que a minha m�o direita n�o estava bem.
Ela servia uma ch�vena de caf� e n�o dizia nada.
Entregava-me na m�o esquerda.
Nunca foi dita uma palavra. E seguimos em frente.
Uma carta de um soldado que li recentemente
� uma resposta � carta da m�e.
Ele estava a combater na Europa
e a m�e estava cheia de medo que ele fosse morrer.
E ela escreveu-lhe a dizer: "Tem cuidado. Por amor de Deus, tem cuidado."
Ele respondeu: "N�o podemos ter cuidado. S� podemos ter sorte."
� absolutamente verdade.
N�o h� forma, seja o que for, de escapar pela t�cnica
ou pelo cuidado ou atitude ou pelo movimento r�pido,
nem por qualidades atl�ticas e assim. � uma quest�o de sorte.
O proj�til atinge algu�m que n�o n�s.
Viv�amos em constante medo do telegrama.
O SEU FILHO SOLDADO FOI MORTO EM COMBATE
Todos os dias havia listas nos jornais
para ver se consegu�amos identificar alguns dos nomes.
MEDALHAS CONCEDIDAS
Baixas MORTOS
Nunca sab�amos quando perder�amos um ente querido.
FERIDOS
DESAPARECIDOS
Durante a guerra, era surreal.
Nunca vimos ningu�m morrer,
nunca vimos ningu�m mutilado ou ferido ou algo do g�nero.
O que aumentou a sensa��o surrealista da guerra...
SACRAMENTO, CALIF�RNIA
... terminou um dia quando os nossos vizinhos
puseram uma estrela dourada na janela e desceram as persianas.
O filho mais velho tinha sido morto em It�lia.
Em Sacramento, nessa �poca,
a forma como se lidava com uma coisa assim
era descer as persianas e nunca sair de casa.
Assim, sempre que se passasse pela casa,
a ideia de morte era levada para casa connosco
por causa das persianas corridas e da estrela dourada � janela.
Desde o Dia D que os telegramas do Departamento de Guerra
chegavam � porta em todo o pa�s
a um ritmo inconceb�vel um ano antes.
A Sra. Augusta Niland de Tonawanda, Nova Iorque,
recebeu tr�s.
Um filho morrera na praia de Omaha,
o segundo em Sainte M�re-Eglise
o terceiro desapareceu em combate na Birm�nia.
O quarto filho seria retirado da frente
para que pelo menos um dos filhos pudesse sobreviver � guerra.
Vinte e oito homens da pequena cidade de Bedford, Virginia,
tinham aterrado na praia de Omaha.
Morreram 19.
Morreram mais tr�s a lutar na Normandia,
o soldado de primeira classe James Donohue,
o furriel Frederick Smith,
rangers do ex�rcito especialmente treinados, morreram a 6 de junho
o primeiro de dez rapazes de Waterbury, Connecticut,
que seriam enterrados na Normandia.
"Eis uma das trag�dias da vida.
A Sra. Henry Smook foi a Sioux Falls
com o seu filho mais novo, Harold, de 17 anos.
N�o era uma excurs�o para compras nem um dia planeado de divers�o.
Ela tinha ido com o filho mais novo
para permitir que ele se alistasse na Marinha.
N�o sabia que, enquanto l� estava,
tinha chegado um telegrama em nome dela a Luverne...
Herman Sook, Morto na Normandia
... a informar da morte do filho em Fran�a,
o soldado de primeira classe Herman Smook.
Herman Smook morreu quatro dias depois do Dia D,
a primeira morte de Rock County em solo europeu.
Por toda a Fran�a, os alem�es estavam a bater em retirada.
Desde o Dia D, tinham perdido 240 000 homens.
Outros 200 000 tinham-se rendido.
As baixas foram pesadas para os Aliados.
250 000 soldados do ex�rcito e da for�a a�rea,
tinham sido mortos, feridos, capturados
ou dados como desaparecidos em combate.
Cerca de 19 000 civis tinham morrido.
Incont�veis aldeias francesas tinham sido reduzidas a p�.
Mas quase toda a Fran�a estava livre.
A 25 de agosto de 1944, ap�s dois anos de ocupa��o nazi,
Paris, a Cidade Luz, era libertada.
Eu, Ollie Stewart, em plena posse das minhas faculdades,
e razoavelmente s�brio, juro solenemente
que nunca fui beijado tantas vezes em toda a minha vida.
Quase todas as mulheres que conheci me param na rua
e beijam-me nas bochechas.
"� um h�bito bonito."
Est�vamos a sobrevoar Paris rumo a uma miss�o,
saquei da minha arma,
dei a volta por cima da cidade,
olhei para baixo e havia milhares de pessoas
a acotovelar-se nas ruas dos Campos El�sios,
em torno da Torre Eiffel, do Arco do Triunfo
e percebi que estava a ver uma coisa
que era basicamente o culminar do motivo que nos levou l�.
Estamos a ganhar esta guerra.
Os bons v�o sair refor�ados.
PELA EXTRAORDIN�RIA CORAGEM
E LIDERAN�A NOS DIAS SEGUINTES A 6 DE JUNHO DE 1944.
O FURRIEL WALTER EHLERS FOI CONDECORADO COM A MEDALHA DE HONRA,
A DISTIN��O MAIS ALTA DO PA�S POR VALOR.
Legendas: Ana Cristina Ferreira
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