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UMA S�RIE ORIGINAL NETFLIX
BASEADA EM ACONTECIMENTOS REAIS DA VIDA DE CARLOS TEVEZ
Nunca tive a no��o de...
... estar em perigo ou n�o. Creio que a morte...
Como no caso da minha queimadura,
nunca tive a no��o de ter estado muito perto de morrer.
CIUDADELA - 1984
- Socorro! - Por favor, socorro!
- Socorro! - Ele est� a morrer!
- Est� a morrer! - Socorro!
- Socorro, por favor! - Vamos para o hospital!
- Algu�m nos ajude! - Socorro!
Socorro!
- Ajudem-nos! - Socorro!
- Cuidado! - Socorro!
Tiv�, socorro! Tiv�, levanta-te!
O Carlos queimou-se! Vamos ao hospital!
- Queimou-se! - Anda, idiota!
Abre a porta!
ALA PEDI�TRICA
Levaram o meu beb� h� uma hora e ainda n�o disseram nada!
Abram a porta!
- Para, Trina, calma. - N�o me toques!
O que vais fazer? Nem sequer �s o pai dele.
- O que... - "O que queres que eu fa�a?"
Cala-te, in�til!
Est�vamos a beber mate na cama.
Foi um acidente.
Est�vamos a beber mate na cama.
Ele estava a brincar, pegou na chaleira, e a �gua caiu-lhe em cima.
- Queimou-se. - S�o parvas?
Porque estavam a beber mate na cama?
�s parva?
O que te deu?
Estavam a beber mate na cama com uma crian�a?
E dizes que foi um acidente? Est�pido!
- S�o a fam�lia de Carlos Mart�nez? - Sim, eu sou a m�e.
N�s somos os tios.
Bem, o menino tem 50% do corpo queimado.
Sofreu queimaduras de terceiro grau.
E embrulh�-lo num cobertor n�o ajudou.
O que fazemos agora, Doutora? Como � que...
Agora, vamos tentar retirar a maior parte poss�vel de tecido afetado.
Mas quero que saibam que a crian�a se encontra em estado cr�tico.
L� vai Carlitos, Tevez avan�a.
L� vai Tevez, l� vai o Apache.
Tevez avan�a, vai marcar! Tevez, Tevez!
Golo!
Temos os melhores neg�cios, senhoras e senhores...
Ent�o, Carlos?
- Vens ou n�o? - Espera.
BOCA - CAMPE�ES DE 1992
CIUDADELA - 1996
Aquele Cachucha � um parvalh�o.
Dizem que viu umas raparigas na paragem do autocarro,
que baixou as cal�as e lhes mostrou a pila.
Foi demasiado longe.
Eu pegava-lhe fogo.
Tens de acertar nele. Se n�o, deixa-me ser eu.
N�o me empurres, e se caio?
Olha, l� vai ele.
Conta com a dist�ncia e o vento.
� como um remate ao �ngulo.
- Est�s a ver? - Sim.
Conta com os pisos e a velocidade.
Cachucha!
Raios me partam!
- Filho da m�e! - V�s como sou bom? Acertei-lhe.
- Cala-te. - Eu pego-te fogo!
A ti e ao teu irm�o!
- N�o vais fazer nada! - O que est�s a fazer aqui?
Anda l�, seu tarado, sai daqui.
N�o incomodes os outros, vai-te embora.
N�o quero ver-te por aqui. Velho porco.
- Tudo bem? - O Jony est�?
- Ele sabe? - Sim, n�s fal�mos.
- Tudo bem? - Ol�, Pincha.
O Jony est�?
- Ele sabe? - Sim, n�s fal�mos.
Vem comigo.
Jony, o Pincha quer falar contigo.
- Tudo bem, Jony? - Tudo, e contigo?
Tamb�m. Podemos falar?
Diz.
O que se passa, estou fora do neg�cio?
Do que est�s a falar?
Anda l�, n�o sou parvo.
Sei que andas a cort�-la com bicarbonato
e que vendes o resto por a�.
Deixa-te de merdas e baza.
D�-me a minha parte e n�o digo nada.
Se o Cochi sabe...
O que acontece?
Se ele sabe, est�s tramado.
- Filho da puta. - Para!
Sai daqui, monte de merda.
Socorro!
Ajudem-me!
LICEU P�BLICO 4 - CIUDADELA
Carlitos.
- Mart�nez, n�o jogues aqui dentro! - Desculpe.
IGUALDADE
QUADRO DE AVISOS
Ol�.
Ol�.
Como est�s?
- Bem, e tu? - Bem.
Sa�mos amanh�?
N�o posso.
Vou com o meu pai a uma obra. E no domingo vou visitar o meu tio.
Tudo bem, n�o faz mal.
N�o te preocupes.
- Est� tudo bem contigo? - Sim.
- Fiz um teste de matem�tica e passei. - �timo.
O que foi?
� o meu pai, adeus.
Adeus.
- Tudo bem? - Sim, e tu?
Tudo.
Acabei de ver a Mariela. Foi por ali, com o Hugo.
Se casares com ela, ficas com a vida feita.
- Que bicicleta � essa? - Comprei-a com o meu ordenado.
- Anda. - Como �?
Freddy Krueger! Tudo bem com a Mariela?
- J� a comeste? - O que tens a ver com isso?
Ent�o, n�o te chateies!
Sabes que foi minha namorada?
Chupei-lhe as mamas e tudo.
E se te calasses, idiota?
N�o te metas, imbecil.
Anda, ele est� zangado porque ela deixou-o por mim.
O que disseste?
J� esqueceste os 4-0 que levaste?
- Vamos dar-vos uma tareia. - Cala-te e fecha as pernas!
- Fecha as pernas! N�o ligues. - Vais levar uma abada, panasca.
Podes crer!
- Falam muito mas perdem sempre. - Sempre.
Sabes que mataram o Pincha?
- A s�rio? - Est� na rua.
Com um tiro na cabe�a.
Vou ver, queres vir?
- Sim. - Vamos juntos?
Sim, quem foi?
Ningu�m sabe de nada.
Mas os tipos do Bairro Um est�o zangados, deve ter algo a ver com isso.
- V�s o olho dele? - Sim.
V�s como est� a olhar para um lugar fixo?
Mas n�o est� vivo.
N�o, idiota, como pode estar? N�o v�s o sangue?
O que preferias? Um tiro na cabe�a ou uma facada na barriga?
Um tiro na cabe�a.
Eu tamb�m.
Eu previ que isto ia acontecer.
Estamos perto de uma guerra entre pobres.
Na guerra, mulheres e crian�as morrem primeiro.
Um menino!
Merda!
� um menino!
Anda, Carlos.
- Porqu�? - Vai para casa, Uruguaio.
Vou comprar umas coisas e vou depois, est� bem?
- Anda. - Porqu�? Quero ver.
Ver o qu�? O que h� aqui para ver? Vamos.
N�o gosto que te metas naquilo.
N�o me meti, estava s� a ver.
� assim que se come�a, a ver.
A curiosidade pode levar a confus�es.
O que aconteceu � feio.
E n�o � bom mi�dos como tu verem aquilo.
Sabes como �, certo?
- Sim. - Pois, e ent�o?
Aqui, se baixas a guarda...
- Certo, Carlos? - Sim.
Vamos.
Cala-te, sabes l� tu.
Juro, � verdade.
- Tinha um tiro aqui. - M�e, posso ir ver?
N�o. Est�s doente, n�o sais daqui.
Sabem o que aconteceu?
Eu n�o sei.
O que foi?
Droga.
A droga � a culpada.
Toma o teu mate.
Para a renda.
Aumentou 100 pesos.
Quando?
Este m�s.
- Outra vez? - Sim.
Isto n�o para.
Filho da m�e...
Olha, o beb� mexeu-se.
- Sentes? - N�o, nada.
- E agora? - Sim, o que �?
Um pezinho?
Deixa-me ver.
Toma.
- O Carlos vai contigo? - Sim.
- Est� a tomar banho. - Est� bem.
Falaste com o Hugo?
Sobre o aumento?
N�o, ele vai recusar.
Fala com ele, pergunta-lhe.
Vou tentar trabalhar ao fim de semana, ou fazer horas extraordin�rias.
- Mas assim nunca te vejo. - Chila, as coisas s�o assim.
Vamos ficar bem, tem calma.
Despacha-te, Carlos!
Ent�o, o que aconteceu?
N�o sei...
N�o sei.
N�o sabes, filho da puta? N�o sabes?
O... Jony.
Foi o Jony.
O Pincha...
... soube que ele andava a roubar...
... coca�na, e...
... tentou chantage�-lo.
Mas eu...
N�o fui eu, juro.
- N�o fui eu. - Calma.
Onde encontro esse panasca do Jony?
No...
No...
No...
... Bairro Seis. � onde ele est�!
Ent�o vai busc�-lo e tr�-lo aqui. Ao Bairro Um.
Ouviste, monte de merda?
Calma, n�o gastes uma bala. J� est� morto.
Levem-no daqui, desfa�am-se dele.
E digam aos rapazes que estou zangado.
Quero vingan�a.
Compre os seus ovos frescos aqui!
Compre agora e poupe!
Isso.
Est�s a p�r mais no ch�o do que na parede.
- N�o me est� a sair. - Calma, est�s a ir bem.
Com o tempo, vais aprender.
Basta um pouco de paci�ncia.
E como saberei se est� bem?
Vais saber, filho.
� assim...
... a dada altura, vais dizer: "Estou a fazer isto bem."
Ou diz-te outra pessoa.
Mas...
Sabemos quando fazemos bem as coisas. Sozinhos.
S� que para isso temos de estar atentos. Caso contr�rio,
n�o ver�s a tua evolu��o.
Percebes?
Bem, termina isso.
Depois, podes tomar um mate.
- Est� bem? - Sim.
- Hugo. - Como vai isso?
Como est�s?
- Bem. - Tudo em ordem?
Estava a pensar se seria poss�vel
fazer horas extra, sabes?
- S� mais umas horitas. - Isto anda dif�cil.
- Ol�. - Ol�.
N�o sabia que vinhas.
Nem eu, mas aproveitei.
- D�-me um beijo. - N�o, � perigoso.
- Beija-me, v�. - N�o, para.
- Ele n�o est� a ver, anda. - N�o importa.
- Como est�s? - Bem, e tu?
Bem.
- Posso fazer-te uma pergunta? - Podes.
� verdade que mataram o Pincha?
- Ouviste dizer? - Sim.
Mataram-no, ou n�o?
Sim, � verdade.
Namoraste com o Hern�n?
N�o, nada disso.
Atirou-se a mim duas vezes, mas nem pensar.
N�o namorava um tipo assim.
Talvez � noite.
- � preciso acabar as casas de banho. - Sim.
- � o que posso oferecer. - Tudo bem.
- Sim. - Mas n�o s�o horas extra.
Pago-te horas normais.
- D�-me um beijo, v�. - N�o, basta.
- S� um beijo. - Basta, Carlos.
- S� um. - Basta.
Ent�o, porque vieste?
Vim falar contigo.
Quando jogas pelo All Boys?
N�o sei.
Se fores, o teu pai vai saber.
Sei que mereces mais, mas � o que tenho agora.
Percebes?
- Se o teu pai lhe diz sobre n�s... - Ele n�o sabe.
Mariela!
Mariela, anda, vamos embora.
- Adeus. - Adeus.
- Est� bom assim? - Sim, est�.
- Obrigado. - Entra, vamos.
Como vai isso a� em cima?
E ent�o? N�o fizeste quase nada.
Demoraste pouco.
Tem cuidado.
N�o me causes problemas aqui.
- Ele pagou-te? - N�o era por causa disso.
Vou trabalhar � noite.
- Porqu�? - Porque tenho de trabalhar.
Vamos mudar-nos quando a tua irm� nascer.
N�o h� espa�o.
Quando come�ar a trabalhar � noite, passas a ser o homem da casa.
- Sim, pai. - Tratas de tudo, est� bem?
Um toque! Um toque!
UMA PAIX�O ETERNA
Vamos, Carlos! Calma!
Calma!
Sabes quem � aquele?
- N�o, quem �? - � olheiro do Argentinos.
- A s�rio? - A s�rio.
- Veio ver-me. - Bem podes sonhar.
Bom jogo.
- � uma formalidade para voc�s. - Sim.
80 ANOS DE AMOR
Golo!
Boa, Carlos!
Bom trabalho de equipa!
� o pai do Mart�nez, certo?
N�o, sou o tio. Mas trago-o sempre c�.
- Porqu�, passa-se algo? - N�o, nada.
Gosto dele, joga muito bem.
- Passem, um toque! - Desculpe-me.
- Maddoni, prazer. - Segundo, igualmente.
- Propato! Propato! - Sentem-se!
- Sentem-se, v�! - Propato!
Duas coisas, nada mais.
Nas minhas equipas
n�o tro�amos dos rivais, entendido?
N�o festejamos golos na cara deles, e n�o os humilhamos quando est� 5-0.
Entendido? Sabem de quem estou a falar.
- Quanto ao resto, tudo bem. - Propato! Propato!
- V�, j� chega! - Propato!
- E ent�o, que tal? - N�o.
Por mim, tudo bem. Mas a decis�o � do Carlos.
Vou dar-te uma ideia.
Come�avas por jogar no Parque.
Depois, passavas ao futebol de 11, e ao Argentinos. Percebes?
Sim, mas...
O Argentinos � um clube como este.
E este est� mais perto de casa.
N�o h� compara��o.
Aqui, o n�vel � baixo.
E j� o superaste.
Est�s preparado para outras coisas.
Se queres dedicar-te ao futebol, tens de deixar isto para tr�s.
Escuta o que te digo.
Leve-me para o Boca.
Tamb�m sou do Boca. Gostaria imenso, mas...
- L� em casa, somos todos do Boca. - Sim?
Mas eu trabalho para o Argentinos, � o que posso fazer.
J� deste a este clube mais do que podem oferecer-te.
Para viveres disto, tens de ir para outro lado.
Com o que pagam aqui, vais precisar de outro emprego.
N�o ter�s escolha.
E a ideia � isto ser o teu trabalho.
- N�o gostavas de ser uma estrela? - N�o.
N�o? N�o gostavas de ser como o Maradona?
Sabes onde come�ou o Maradona?
No Argentinos.
- Eu sei. - V�s?
Mas prefiro ficar aqui.
N�o quero perder amigos.
Os amigos v�o seguir-te, onde quer que fores.
E vais fazer novos amigos, escuta o que te digo.
Mas prefiro ficar aqui.
Uruguaio!
Uruguaio! Vamos embora.
- Kiru? - N�o, sou eu, abre.
E o pai? O Kiru disse que n�o vinha.
- O Kiru foi � tua casa. - Eu sei, mas como est� o pai?
Est� com dores no peito.
- Como assim? - Est� com dores no peito.
O que se passa, quem est� a�?
Pai.
Ent�o?
N�o vens?
Onde?
Como assim, "onde"? Ver o Tiv�.
Esqueci-me.
N�o me sinto bem.
D�i-me o peito.
- Porque n�o vai ao m�dico? - N�o quer.
Diz que, quando tem dores,
dorme um pouco e passa. Eu fico aqui.
- A cuidar dele. - Pai.
Porque n�o te levantas, bebes um mate e lavas a cara?
Posso esperar por ti l� em baixo.
N�o, e n�o digas ao Tiv�...
... porque n�o vou.
Vai preocupar-se, j� o conhe�o. Tem medo de m�s not�cias.
Est� bem.
Se precisares de algo, diz � Adriana. Ela diz-me a mim.
- Se houver... - Falem mais baixo!
Est� bem, pai.
Diz ao Tiv� que est� tudo bem comigo.
Est� bem.
Fecha bem a porta.
- Que frio. - Quando tiver um carro,
vai ter aquecimento, ar condicionado e r�dio.
- Ver�s... - Kiru, abre!
- L� vem ele, sai. - Abre, v�!
Kiru, abre o cap�!
Bolas, est� a escaldar.
- Desculpa. - Porqu�, o que fizeste agora?
Nada, por recusar o Argentinos.
Devia aceitar.
N�o, tudo bem.
O Argentinos � o mesmo que o All Boys.
Porque n�o disseste nada?
Porque � a tua vida. Quem decide �s tu.
� assim mesmo, mano.
- Bom dia. - Ol�, m�e.
Onde me sento?
Porque me chamaste, se n�o caibo?
- Bem... - Vou ao colo de quem?
- Ou vou l� atr�s? - Anda.
- Vou de autocarro. - Espera.
Entra, eu vou l� atr�s.
- N�o faz mal. - Obrigada.
De nada.
Ol�.
- N�o pode passar com isto. - Porqu�?
� carne crua.
- N�o � carne crua. � presunto e fiambre. - Vai dar ao mesmo.
- N�o � permitido. - Por favor!
- N�o pode. - Por favor!
- Guarde as suas coisas, e... - � comida para o meu filho.
- Por favor. - N�o pode entrar.
- � s� uma sandes. - N�o � permitida.
- Fi-la em casa. - N�o posso deix�-la entrar...
N�o pode tirar...
Tio!
Meu menino!
Ol�, tio.
- Rapazes! - Como est�s?
- Ent�o, tudo bem? - Sim.
- Gordo. - Como est�s?
- E ent�o, est�s bem? - Sim.
Como v�o as coisas? As crian�as?
Est�o bem. A Tami fez-te um desenho, mas deixei-o ficar em casa.
E o mais novo est� constipado.
- Ficaram com quem? - Com a Mirta, fica descansado.
E tu? Vejo que comes bem.
Estou na mesma.
Trouxe-te umas roupas que j� n�o me servem.
Camisolas e cal�as...
Bem, devem servir-te.
Prepar�mo-las com a m�e.
Sim, com a Adriana.
Experimenta-as, devem servir-te.
Trouxe-te comida.
� s� para ti. Tamb�m podes comer um bocadinho.
� dif�cil passar coisas por estes filhos da puta,
mas isto passou.
Ou fazia um esc�ndalo.
E tu, n�o trouxeste nada?
Estou a preparar algo novo para a pr�xima visita.
Vou fazer uma coisa com o Facha.
Um neg�cio.
Cuidado com quem te metes, ainda �s um mi�do.
N�o te preocupes. Posso ser mi�do, mas n�o sou parvo.
Cuidado com o Kiru, certo?
Certo?
Quando sais?
Ent�o, assim? Sem anestesia nem nada?
Direto ao assunto?
- Perdoa-me. - Perd�o � na igreja.
Volto quando menos esperares, prepara-te.
E o futebol, est� a correr bem?
- Sim, ganh�mos ontem ao Parque. - Boa!
E marcaste algum golo?
Claro, marquei tr�s.
� um Tevez, somos todos certeiros.
Um tipo convidou-me para o Argentinos.
Mas ele recusou.
Porqu�? N�o percebo.
Querem-te ou n�o?
Primeiro querem, depois n�o...
- O Carlos � que recusou. - N�o quero.
Diz que o Argentinos e o All Boys s�o iguais, vai esperar.
E tem de estudar, por isso...
Tens de ir �s capta��es do Boca.
Mas para jogares no Boca, tens de jogar a s�rio.
Eu jogo a s�rio.
- Achas que n�o? - Jogas?
H� a� lugar para quatro?
Venham, rapazes.
Quem joga com o Kiru, tem a sorte do seu lado. Anda, gordo.
Vou andando, tenho coisas para fazer.
At� logo, gordo. Adeus, campe�o. Trina.
Um dia destes, v�o jantar l� a casa.
- Sim, manda cumprimentos ao pai. - Sim.
Vou trabalhar, para variar. Cote!
- Adeus. - Partilha, gordo!
E deixa o rapaz ganhar dinheiro.
� a vida dele, como disseste.
O que tens? Estiveste calado na viagem.
- O que foi? - Nada.
Estava a pensar no meu tio.
N�o tarda a sair.
Mas que sirva de aviso.
Cedo ou tarde, pagamos pelos nossos erros.
A vida � assim.
Todos fazemos escolhas na vida, e ele fez m�s escolhas.
- Segundo. - Ent�o, Uruguaio?
N�o est�s preparado? Temos de ir ganhar aos do Nove.
Posso ir?
- Onde? - Ao jogo.
Jogar � bola.
- Tenho de ir, pai. - Vamos aquecer.
N�o disse que n�o te quero naqueles lados? Principalmente � noite.
- Segundo, ent�o? - N�o faz mal.
Jogo e venho para casa.
Nunca faz mal, at� fazer.
Jogamos, ganhamos e voltamos.
Est� bem, mas volta � hora do jantar. Ou vais para a cama sem comer.
- Est� bem. - Ouviste?
- Sim, pai. - Vai l�.
- Vamos ganhar por ti. - Vai.
A casa n�o � um restaurante.
- J� vais? - Eu disse-te que come�ava hoje.
Vou trabalhar.
N�o pensei que era agora.
- N�o era mais tarde? - N�o, � agora.
E vou voltar tarde.
- A que horas? - N�o sei.
Tarde.
- Ol�. - Finalmente, chegaram os lingrinhas!
Cala-te, idiota.
Levar uma abada d�-te coragem, �?
N�o ganham a ningu�m com essas caras de palha�os.
A mim, ningu�m ganha.
Cala-te, ganhamos-te sempre.
No futebol.
Mas � s� nisso. No resto, n�o ganham em nada.
Que seja um jogo limpo.
Teremos duas partes de meia hora.
Viessem mais cedo, est� bem?
Nada de pontap�s ou murros, ou s�o expulsos, entendido?
- Preparados? Escolham. - Cara.
- Come�am os azuis. - Vamos.
Come�a o jogo.
Vai, vai!
- Carlos, atr�s! - O que est�s a fazer?
- Golo! - Golo!
Golo!
- Golo! - Vamos!
Golo!
- Golo! - Golo!
Golo!
N�o o deixes passar!
Anda!
- Golo! - Golo!
Filho da puta!
Ent�o, como �? Vamos embora!
Voc�s os dois, v�!
Vamos, toca a mexer.
Fica bem.
Que n�o sobre nenhum.
Ol�, senhora.
- Golo! - Golo!
Pepe perde a bola, Negro avan�a...
- Como est� o jogo? - Um t�dio.
- Passa o meio campo. - O futebol j� n�o � o que era.
Longaniza Pellegrino avan�a...
Nada � o que era.
Vamos, Carlos.
- Est�s maluco? N�o podes fazer isso! - Parem, parem!
- Para tr�s! - Cabr�o!
- Para tr�s, vamos! - Lixaste-o!
- V�, ou acaba-se o jogo! - Ele deu-te em cheio, meu.
Est�s bem? Podes continuar?
Sim, merda!
Temos de deixar de jogar contra estes idiotas.
- Vamos. - E deixamo-los gozar connosco?
Nem pensar.
Tens raz�o.
� como perder no All Boys.
� como te digo.
Ganhamos, e mais nada. Eu marco o pen�lti.
- Faz golo. - Sim.
Carlos!
- M�e! - O que fazes aqui?
- Vai para casa! - A bicicleta!
Estava sozinha em casa, preocupada!
Devolve-me a bicicleta!
- Danilo! - A minha bicicleta!
Est�o a roub�-la!
- Levas uma tareia! - Anda!
Cuidado!
Pen�lti para o Boca!
- Outra vez. - N�o conseguem segurar a bola...
Sim, o �rbitro n�o marcou.
Roubaram-me a bicicleta, merda!
O que tens, m�e?
L� est� o cabr�o, apanhem-no!
Cheguem-lhe!
- Anda, Danilo! - Para dentro!
Para dentro!
HOSPITAL CARRILLO - 1984
Desculpe, � a m�e do Mart�nez?
N�o.
Sim... porqu�, o que aconteceu?
Nada, acabou de acordar.
Fabiana.
Fabiana.
Queres v�-lo?
Sim.
- Sim. - Venha comigo.
Entre.
Lave as m�os.
- Posso tocar-lhe? - Sim, acaricie-o.
Ser� bom para ele.
BASEADA EM ENTREVISTAS COM CARLOS TEVEZ
ALGUNS ACONTECIMENTOS, DI�LOGOS E PERSONAGENS S�O FICT�CIOS
Nasceu num bairro Muito conhecido e popular
Nasceu num bairro Muito conhecido e popular
Entre viol�ncia e tiros Carlitos p�de triunfar
Entre viol�ncia e tiros Carlitos p�de triunfar
Fuerte Apache, passou a chamar-se
Fuerte Apache, passou a chamar-se
Hoje � um dia muito especial Porque o Apache p�de triunfar
De toda a sua gl�ria ele vai desfrutar
E todos os idiotas querem matar-se
Agora temos mais uma estrela
Carlitos Tevez, � seu nome
O rapaz de ouro no campo est�
Nada nem ningu�m o poder� parar
Nada nem ningu�m o poder� parar
Nasceu num bairro Muito conhecido e popular
Nasceu num bairro Muito conhecido e popular
Entre viol�ncia e tiros Carlitos p�de triunfar
Entre viol�ncia e tiros Carlitos p�de triunfar
Fuerte Apache, passou a chamar-se
Fuerte Apache, passou a chamar-se
Legendas: Jo�o Chaves
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