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- Desculpe l� a desordem. - A desordem n�o existe, s� a vida.
- Desculpe? - O meu pai sempre disse,
"Onde h� desordem, h� vida!"
Al�m disso, n�o me lembrava de outro s�tio em que n�o chamasse a aten��o.
A��car?
Depende... Isto vai ser muito amargo?
Relaxe, n�o sou desse tipo de jornalistas.
Ai n�o? E de que tipo �s?
Das que n�o se distraem com parvo�ces.
Uma viola��o parece-te uma parvo�ce.
N�o me referia a isso.
Quem � que te contou?
O Yago j� te contou porque matou o Luis?
N�o.
Mas pensei que talvez me pudesse dar uma pista.
O Yago sempre foi um mist�rio para mim.
N�o foi isso que percebi.
J� te perguntaste, porque te escolheu a ti?
Talvez me tenha visto na TV e gostou.
Talvez. Fazes o seu g�nero.
Pensava que ele era um mist�rio. Como sabe que fa�o o seu tipo?
Porque me lembras de mim.
S� espero que n�o cometas os mesmos erros que eu.
Yago Costa � uma das pessoas que n�o consegue evitar fazer o que faz.
Tem cuidado.
- Obrigada pelo ch�. - J� se vai embora?
J� disse tudo o que queria dizer e j� me disse tudo o que queria ouvir.
N�o quero que o Yago saiba que estive aqui.
Porqu�?
N�o quer que me diga que � com voc� que tenho de ter cuidado?
N�o! � porque n�o quero que volte a entrar na minha vida.
Como foram estes dias? Que tal foi l� fora?
Agora est� interessado na minha vida?
Tudo me interessa.
N�o h� pior senten�a que o aborrecimento.
N�o sei. Falaste com algu�m?
Claro que falei com algu�m. Sou jornalista, � o meu trabalho.
Ao menos mandaste-lhe cumprimentos meus?
� Lola.
Falou-te assim t�o mal de mim?
N�o sei a que se refere. N�o estive com ela.
No outro dia tentaste fazer-me crer que sim, agora tentas o contr�rio...
Se queres jogar, vais ter que decidir o tipo de jogo.
- O �nico que faz joguinhos, � voc�. - Sim! J� te disse que me aborre�o.
Sim, falei com ela.
N�o parece ter boas recorda��es suas.
A mem�ria � fr�gil. N�o nos devemos fiar.
Na sua ou na dela?
Ter�s de ser tu a decidir.
Desta vez vamos voltar muito mais atr�s.
At� antes de conhecer a Lola e o Luis.
Doze de agosto, 2008.
Era uma manh� cinzenta...
N�o se aproximem.
Uma manh� que me marcou para sempre.
N�o se aproximem. Raios!
S� quero falar contigo, OK?
- Podemos falar? - Falar de qu�?
N�o sei! Quero falar calmamente contigo. Pode ser?
Ram�n? �s Ram�n, n�o �s?
- N�o se aproxime. - Eu n�o saio daqui.
- A�, quietinho. - Perfeito!
Podemos fazer algo por si?
Oi�a, porque n�o baixa a arma e falamos?
Anda aqui ter com o teu pai. Anda!
- Solta o menino. - Tudo bem.
Acalmem-se, por favor. Vamos manter a calma.
- Voc�s � que me est�o a p�r nervoso. - Est� bem.
Estamos todos calmos Ram�n, est� bem?
Ouve! Proponho-te uma coisa...
se libertares o mi�do, prometo que baixamos as armas.
E deixo-o ir?
S� tu podes fazer com que isto acabe bem, OK?
Est� nas tuas m�os. A escolha � tua.
Ram�n, pensa no teu filho. Deixa-o ir.
- � o que estou a fazer. - Est� bem.
V� l�, Ram�n! Ram�n...
Est� tudo bem. Para!
Marcar uma vida para sempre
� at� pior do que acabar com ela.
� uma hist�ria horr�vel...
mas n�o vejo o que tem a ver com o que me estava a contar.
N�o te posso mostrar o conjunto todo...
antes que conhe�as os detalhes.
A Lola e o Luis j� andavam h� uns meses...
a dormir juntos em segredo.
8 DE MAR�O DE 2011
- Ouve l�? Conhece-lo? - � um pol�tico.
- Daqui parece um palha�o. - Pois...
E de que falam?
N�o sei. N�o oi�o assim t�o bem.
Sim, mas tens os teus truques, n�o tens?
N�o gozes comigo. De que falam?
- Os meus truques? - Sim.
Vou us�-los por ti.
Chi�a! Agora, ele est� a pedir-lhe para ficar com ela esta noite...
Na casa dela.
E que por favor use uma lingerie preta...
sexy, uma lingerie cara tipo...
J� me est�s a perceber, n�o est�s?
Ele trata de levar o champanhe.
- V�! N�o gozes comigo! - Onde � que vais, meu?
Onde � que achas?
N�o me importava nada que te tirassem o distintivo, mas gosto deste bar,
e n�o quero que me pro�bam a entrada. Senta-te.
- Diz isso �quele idiota. - O idiota � o ��igo Villanueva,
o vice-conselheiro da economia. Senta-te, bebe a cerveja, fica calmo
e quando acabares, vais-te embora.
Espere a�! O pol�tico � o ��igo Villanueva,
- o cabecilha da Opera��o Vulcano? - Muito bem.
A ju�za Soloz�bal e o Villanueva eram amigos.
N�o. Os pol�ticos n�o t�m amigos.
T�m confidentes, informadores, espi�es,
colaboradores, contactos, cunhas...
Gente a quem pedem coisas, que lhes devem coisas.
- Amantes. - E ela o que era?
S� um pouco paciente e continua a ouvir.
Ol�!
N�o me dizes nada?
N�o sei, tipo que linda! Est�s mesmo boa! Algo assim?
Se n�o gostasse de ti, n�o estarias aqui. Sabes disso!
Se n�o te conhecesse, j� me teria ido embora.
Eu sei.
Ent�o...
- Estou aqui! - Est�s aqui.
Que tal � o teu novo parceiro?
� bom. Mas gosto mais de ti.
Mas que honra!
E na central?
Agora estamos num impasse num caso.
T�nhamos um suspeito,
mas apareceu morto antes de que pud�ssemos falar com ele.
Aparentemente, foi um enfarte.
Pois! E, aparentemente, o que � que fez?
Era enfermeiro. Tratava de crian�as e duas surgiram mortas.
E h� tr�s em estado grave, com o mesmo quadro cl�nico.
Al�m disso recebiam tratamento por raz�es diferentes e, n�o sei,
de um dia para o outro e sem raz�o, os seus �rg�os deixaram de funcionar.
Um v�rus, uma bact�ria...?
De in�cio pensamos que era uma epidemia.
Aguirre, o conselheiro da sa�de, estava s�per irritado.
Tivemos de analisar tudo.
Mas n�o deu em nada.
Surgiu um detalhe que...
O enfermeiro trabalhava para uma empresa
que oferecia assist�ncia m�dica a diferentes centros de acolhimento.
J� sabes, orfanatos.
Todas as crian�as afetadas eram provenientes da�.
CHAMADA PERDIDA MARGA
Que se passa?
Desculpa, mas tenho de sair.
MORRE OUTRO MENINO INTERNADO NO HOSPITAL
Podemos falar?
Claro que sim.
Num s�tio mais calmo.
N�o, tu n�o Luis. S� preciso do Yago.
Pelo que sei, j� se conhecem.
Sim, j� patrulhamos muitas ruas juntos.
Da forma como fala de ti, diria que j� fizeram algo mais.
A inspetora Ram�rez quer que a ajudes numa investiga��o.
Era �timo se nos pudesses ajudar.
De que se trata?
Conheces o ��igo Villanueva, o vice-conselheiro da economia?
J� o vi num bar de vez em quando, mas n�o, nunca tive o prazer.
Apresentou uma den�ncia relativa � morte
de tr�s pacientes menores, em circunst�ncias estranhas.
A investiga��o est� parada.
O suspeito principal � um enfermeiro,
mas morreu e ent�o gost�vamos que interrogasses a vi�va.
- Est� bem. J� falaram com ela? - Sim, � como um t�mulo.
Estamos a analisar a documenta��o do marido para ver se achamos algo.
Est� bem.
Durante quanto tempo � que trabalharam juntos?
O suficiente.
Preciso que assines isto.
- A Delacruz? - Ela concorda.
J� o tens na equipa.
N�o podias ter s� pedido, sem mais nada?
Ent�o, o que se passa? N�o ma vais apresentar?
N�o se conhecem?
Formalmente, n�o.
Acho que a tua mulher n�o o vai aprovar.
Que ter� esta investiga��o para te interessar tanto?
A mim, interessam-me todas as investiga��es.
Tu at� podes ser muito esperto, mas eu n�o sou um idiota.
Claro que n�o. Desculpa, vou fazer uma chamada.
E aproveita o tempo, para bisbilhotares no que quiseres.
Amalia, j� sabe que sentimos muito pelo seu marido.
Amalia, h� quanto tempo estavam juntos?
Far�amos 20 anos no dia 13 de abril.
Quando o conheceu j� era enfermeiro?
Estava sempre a dizer, que eu era o seu segundo amor.
- O primeiro era o trabalho. - Sim.
Tanto que, nunca chegou tarde ao trabalho.
Mas fez outras coisas muito piores, n�o �?
N�o �?
Alguma vez a dececionaram?
Dececionada porqu�?
Pelo que fez o seu marido.
J� sabe o que a sua neglig�ncia provocou.
O Antonio enganou-se.
Bem... Aqui diz que o seu marido...
- o seu marido bebia. - N�o.
Bem, talvez um pouco nestes �ltimos meses.
Estava sob muita press�o.
E por isso � que teve o enfarte? Sofria de alguma coisa antes?
O Antonio era um bom homem.
Que n�o � o mesmo, que ser um bom enfermeiro.
Ou estou enganado?
N�o, n�o � o mesmo que ser um bom enfermeiro.
Aqui diz que n�o estava em condi��es de cuidar das crian�as.
Que chegou b�bado e confundiu as doses.
� o que diz neste relat�rio.
Mas sabe o que eu acho, Amalia? Quer que lho diga?
Acho que isto tudo...
� mentira. Sim.
Acho que � mentira.
O seguro de morte da empresa.
Aumentaram o pr�mio no hospital, mesmo antes de morrer
O Antonio fez tudo o que p�de para salvar a vida destes mi�dos. Eu juro!
Eu sei e acredito em si.
N�o o conseguiu e por isso morreu de desgosto.
E agora est�o a comprar o seu sil�ncio.
Amalia...
a mem�ria do seu marido, vale muito mais que tudo isto.
N�o a venda ao desbarato.
N�o a venda ao desbarato.
Disse � minha mulher que estou de servi�o.
E que fazes aqui?
Suponho que figura de parvo.
- Posso pagar-te outra? - J� me ia embora.
Podemos tomar uma bebida em tua casa.
Fica para outro dia.
Luis!
Ao Yago j� lhe pedes para que te acompanhe.
Se est�s a falar de h� pouco, foi a Ram�rez que pediu a ajuda dele.
E tu toda contente.
Estou esgotada.
Passei a semana de servi�o e n�o dormi nada.
Eu tamb�m estou cansado.
Podemos ir j� dormir.
Se quisesse um marido, j� me teria casado.
E o que queres? Um pau mandado, que faz o que tu queres?
Luis, n�o sejas parvo. J� te disse que...
- N�o te preocupes. Atende. - � trabalho.
Estou sim?
Como � que est�?
O que disseram os m�dicos?
Que esta manh� morreu outro mi�do.
E que nunca viram nada assim e que...
E o que � isto?
O relat�rio da aut�psia...
dos mi�dos que faleceram. Nada que j� n�o saibamos.
- Falaste com o m�dico legista? - N�o.
� novo. N�o o conhe�o. Chama-se...
Reyes?
Vi nas not�cias que o nomearam a semana passada.
J� sabes que sempre tive boa mem�ria.
Marga, quando � que faleceu a primeira crian�a?
Acho que...
h� dez dias.
Est� bem.
- Dormiste alguma coisa? - Tamb�m n�o conseguiria.
Vai descansar. Fico eu com ele.
- Vai ficar feliz por te ver. - De certeza.
Como est�s, campe�o?
Muito bem.
Nunca a tiras, pois n�o?
Perfeito!
Descansa.
N�o acredito que n�o tivesse mais fam�lia.
A pouca que tinha n�o podia cuidar dele.
Ent�o, depois de matar o pai...
decidiu acolher o filho.
Sem o conhecer de lado nenhum.
Conhecia-o muito bem.
Mesmo muito bem.
Esse mi�do era eu.
Sozinho, sem ningu�m...
E com o mesmo receio no olhar.
Ent�o � disso que se trata.
Salvar-se a si pr�prio.
Quem � a Marga?
A Marga � tudo para mim.
Mesmo agora, � tudo.
Em 2011, era a benfeitora da maioria dos centros sociais da cidade.
Gin�sios, oficinas, incluindo cl�nicas privadas.
E como conseguia o dinheiro?
O seu marido.
A Marga n�o � a Marga Izquierdo?
Salvou-me a vida em crian�a, ent�o...
s� queria devolver parte disso ao mundo.
Claro.
Voc� � o Alberto Manzano, o m�dico legista?
Correto.
Se n�o me tivesse dedicado a isto...
teria gostado de ser m�dico legista.
- A s�rio? - Sim.
A minuciosidade do seu trabalho...
prestar aten��o a todos os detalhes...
Adoro a anatomia.
Esse la�o � por algu�m que lhe � pr�ximo?
O meu filho, leucemia...
Sinto muito.
Imagino que com o seu filho nesse estado,
deve ter-lhe sido muito dif�cil
realizar a aut�psia a estes tr�s mi�dos, n�o �?
- Sou um profissional. - Claro.
Por isso � que o Aguirre o contratou, o conselheiro da sa�de?
Isso ter� de lhe perguntar a ele, n�o acha?
Estou aqui por alguma raz�o em especial?
Vejo no seu relat�rio que...
a morte destas tr�s crian�as foi devida a...
- uma fal�ncia multiorg�nica. - Exato.
Explique-me isso, por favor.
Tenho que explicar?
Importa-se de explicar isso melhor?
Os �rg�os deixam de funcionar.
Mas aqui n�o detetamos nenhuma doen�a.
Por momentos, pensei que era bom no que fazia.
Vamos diretos ao assunto? Quer-me dizer porque estou aqui?
Conhe�o um dos mi�dos que est� nos cuidados intensivos.
Disseram-me que vai morrer.
- Que � uma quest�o de tempo. - Sinto muito.
Vamos l� ver...
Voc� � dos que acreditam que algumas vidas valem mais do que outras?
Por exemplo, a do seu filho?
Acha que a vida do seu filho vale mais que a de vida dos tr�s mi�dos?
Como j� lhe disse, n�o tenho forma de ver...
Sabe o que eu averiguei?
Que aproveitaram a morte do enfermeiro para culp�-lo de tudo
e que pagaram � vi�va para que se calasse. Foi isso que eu descobri.
No m�nimo, diga-me que o seu filho est� melhor.
O que � que lhe ofereceram? Um tratamento privado?
Uma posi��o melhor na lista de dadores?
- Que est� para a� a dizer? - Dinheiro? � isso?
Foi o que lhe ofereceram? Dinheiro em troca de qu�?
Em troca do seu profissionalismo?
Oi�a bem! O seu filho est� bem e fico feliz por isso.
Mas agora ajude-me para que n�o hajam mais mortes.
Porque v�o haver mais, sabe? V�o haver mais.
Deixe de se sentir culpado.
Diga a verdade, ou nunca conseguir� olhar para o seu filho.
Nunca mais!
Se lhe contar...
- promete-me que n�o vou preso? - Claro.
Eu prometo. N�o � voc� que me interessa.
�...
� o antipir�tico.
- O nome do medicamento? - Sim.
� um ibuprofeno infantil. Cormalina.
Todos esses mi�dos tiveram febre e deram-lhes o mesmo medicamento.
Estava em mau estado, n�o sei.
Repita-me o nome de medicamento.
- Cormalina. - Cormalina?
- Sim. - Muito obrigado.
E esque�a a promessa que lhe fiz.
Da pr�xima vez que vir o seu filho, ser� atr�s das grades.
Vou garantir que passa os pr�ximos 10 anos na pris�o.
Raios! N�o me pode fazer isto! Se eu colaborei!
Dei-lhe o nome do medicamento...
Sabe que mais?
Esse mi�do que conhece n�o vai sair desta.
N�o vai sair desta, ouviu?
Vai morrer. E voc� vai estar a� para v�-lo.
N�o!
Costa! Yago!
- J� chega Yago! - Que fazes?
Olha para mim. Que se passa contigo?
Estou bem.
Onde vais?
- Buscar os medicamentos. - Vou contigo.
� melhor n�o, Judith. Pelo teu bem, � melhor n�o.
N�o tinha tempo para pedir um mandado.
No final, a Marga � que me ajudou.
Fazia donativos a esses centros
e pressionou-os para que me deixassem revist�-los.
N�o encontrei nada. Nem um vest�gio da Cormalina.
Tinham tirado tudo.
- Que se passou ali? - Nunca te passaste?
Eu? A cada cinco minutos. Mas nunca tinha visto o Yago assim.
Morreram v�rias crian�as. � dif�cil que n�o te afete.
Eu sei. Mas n�o � isso.
O Yago queria estar nesta investiga��o desde o in�cio.
Pensava que n�o eram almas g�meas. E agora, preocupas-te com ele?
O meu parceiro, agrediu a um suspeito na sala.
Vou ter de reportar isto.
N�o o fa�as!
N�o imaginas a vontade que tenho.
Luis!
Por favor...
O Yago conhece um dos mi�dos.
Anda da�! H� muitas coisas do Yago que desconheces.
Ele est� bem?
Costa?
Nessa tarde, o Miguel entrou em coma.
Eu n�o estava com cabe�a para interrogat�rios.
Que interrogat�rios?
Fazer desaparecer os medicamentos era f�cil,
mas fazer desaparecer o rasto do dinheiro que tinham gerado...
nem por isso.
Apanharam os respons�veis.
Demoramos dois dias a faz�-lo.
N�o! Deixei-te da �ltima vez e v� como acabou.
S� preciso de entrar nessa sala e fazer o meu trabalho, est� bem?
N�o me lixes, Yago.
Queres que confesse ou n�o?
J� sabes que ele trabalha melhor sozinho.
Tem inten��es de interrogar o meu cliente ou quer fazer um retrato.
Vive-se bem como farmac�utico?
O meu cliente n�o tem por que responder a isso.
Quanto fatura o seu laborat�rio?
As contas s�o p�blicas. Envio-lhe o balan�o do ano passado.
Estou muito interessado em saber o que o levou a dedicar-se a isto.
Bem, a vontade de ajudar os outros e fazer do mundo um lugar melhor
Conhece o conselheiro Aguirre, o conselheiro da sa�de?
Sim, j� nos vimos em alguns eventos. Sim.
Que tipo de eventos?
Pelo que sei,
gosta de um tipo espec�fico de atividade noturna, n�o �?
A vida do meu cliente s� lhe diz respeito a ele.
Poderia dizer-se que s�o amigos?
- Respeito-o como pol�tico. - Claro.
Desde que se tornou conselheiro, os seus lucros triplicaram.
Ultimamente, tenho tomado boas decis�es de neg�cios.
Sim, como evitar controles de sa�de para reduzir custos.
Se isso � uma acusa��o, ter� de apresentar provas.
Conhece o medicamento...
- Cormalina? - N�o!
- N�o o conhece? - N�o.
Ele � produzido por si.
Tem sido utilizado nos centros de acolhimento.
E?
Bem, est� a matar os mi�dos.
A primeira morte deu-se h� uma semana.
Nesse mesmo dia, falou com o Aguirre.
Liguei-lhe para saber se estava tudo bem.
Pois... Para eliminar qualquer rasto de Cormalina.
Ele n�o tem por que responder...
O seu cliente est� a mentir e voc� sabe disso!
Entretanto, quantos mais mi�dos v�o morrer?
Quantos mais mi�dos � que v�o morrer?
N�o sei do que me est� a falar.
- H� uns anos burlou um hospital. - Isso nunca foi comprovado.
E sei que pagou a alguns empregados para que n�o o delatassem.
Vai apresentar alguma prova ou vai continuar a dizer coisas � sorte?
- Vou entrar! - Espera! D�-lhe um minuto!
Sei que tem dezenas de lit�gios por...
- por incumprimento de protocolos. - Quantos mi�dos t�m de morrer.
Sei tamb�m...
que fabricou a Cormalina com produtos de m� qualidade
para reduzir custos.
- Voc� est� bem? - O qu�?
Muito bem!
Yago, j� chega!
Morreram tr�s crian�as.
Consegue dizer-me como pode ser t�o sacana?
Acho que este interrogat�rio terminou.
Voc� comprou o Aguirre para vender isso por dois tost�es.
A minha �nica pergunta � se foi antes ou depois,
- de lhe ir ao cu? - Yago!
Yago! O interrogat�rio terminou.
Por esta zona andam os maricas para...
J� sabe para qu�.
N�o se preocupe, voc� n�o faz o meu estilo.
Eu gosto mais de ratas.
Chamou-me aqui para me falar das suas prefer�ncias sexuais?
Mas algo me diz que voc� e eu temos os mesmos gostos.
Ou n�o?
Estou aqui para lhe falar do conselheiro da sa�de.
Do Aguirre?
Ele adora andar por aqui � noite, sabia?
Isso a mim, n�o me diz respeito.
Voc� denunciou-o, porque sabia que andava atr�s dos medicamentos, n�o �?
Diz isso como se n�o me importassem os mi�dos falecidos.
Claro que se importa. Claro.
Por isso � que prefere ser conselheiro da sa�de que da economia.
� melhor gastar o dinheiro, do que geri-lo.
S� quero o melhor para a nossa sa�de p�blica.
- E n�o � o Aguirre! - E a�, n�s tamb�m coincidimos.
O que quer, inspetor?
Se o Aguirre � culpado,
posso demonstr�-lo. Eu sei como faz�-lo.
A minha pergunta n�o � como vai faz�-lo, mas sim o que quer em troca?
Dava-me jeito ter um sucesso como este.
Fazer curr�culo e pronto. S� isso?
Bem, talvez com o tempo...
pud�ssemos chegar a um acordo que nos beneficiasse a todos.
Gostou delas?
- Quem � voc�? - O fot�grafo!
Gosto especialmente da �ltima.
A forma como a luz entra pela janela. � linda.
� uma montagem.
Adorava saber o que pensa a sua mulher.
Ent�o aquilo de ontem, foi uma cilada.
� homem! N�o me diga que pensou que era a s�rio, com essa cara que tem.
Desculpe!
Oi�a l�...
N�o tem por que sentir vergonha.
De certeza que os seus filhos acabar�o por o perceber.
O que quer?
Que testemunhe contra o Aguirre.
Que diga que a ideia dos medicamentos foi dele.
Bem... E foi!
A ideia foi do Aguirre! Est� bem?
Mas quem os vendeu, fui eu, raios. Veja...
Se confessar, tamb�m vou preso.
Agora � que vem a boa not�cia. J� ouviu falar de ��igo Villanueva?
� um tipo, �ntegro, bem preparado e, acima de tudo, muito generoso.
J� falei com ele, e disse-me que se o ajudar, ele o ajuda a si.
Bem...
E como... Como sei que � verdade?
Vou pass�-lo.
Diga-nos onde encontrar os medicamentos
e estas fotos art�sticas ser�o s� suas.
- De nada! - Como descobriste onde estavam?
Um pol�cia nunca revela as suas fontes.
Se me tivesses contado, faz�amos isto legalmente.
- � tua maneira. - Isto n�o � de ter raz�o.
- Porque a tens tu. - N�o.
Porque apreendeste medicamentos com um mandado falso.
Isso resolve-se, Lola. Assina o mandado
e faz a tua magia.
- Est�s a gozar? - Contigo n�o. J� to disse.
N�o o vou assinar! Sabes o que � um procedimento?
N�o havia tempo. Queria resolver o caso.
- E eu tamb�m! - Essa � a diferen�a entre n�s.
Se quero fazer algo, fa�o-o! N�o invento desculpas!
Est�s satisfeito? Onde vais?
- Vou celebrar! - Ol� Lola!
��igo, apresento-te Luis Corbal�n. Luis, apresento-te ��igo Villanueva
Muito prazer.
Este n�o �...?
Sim, o pol�cia que achou os medicamentos.
Deverias estar mais feliz.
Mas n�o est�s. Porqu�?
Porque usou um mandado falso!
Pois... E tu assinaste-o.
Olha Lola, j� sabes que admiro o teu idealismo,
mas se queres mudar o mundo, tens de ignorar umas regras de vez em quando.
O Aguirre � um sacana e n�o se pode safar por uma irregularidade.
N�o sou burra nenhuma, ��igo. Tu queres � o seu cargo.
Acredito que posso fazer melhor.
Basta n�o matar crian�as. Mas primeiro temos que prend�-lo.
Agora sorri, vais ser a ju�za que conseguiu prender o Aguirre.
- �s o seu parceiro, n�o �s? - Acabei de saber.
- Chamo-me Marga. - Luis.
J� ouvi falar de ti.
Como � que est�?
Vai andando.
N�o � normal ver o Yago t�o destro�ado.
- J� sabes como ele �... - N�o te deixes enganar com o Yago.
Pode parecer um tipo frio mas...
Frio? �s vezes acho que por dentro est� cheio de cabos e circuitos.
Mas isso n�o significa que n�o tenha sentimentos.
Teve de aprender a escond�-los para sobreviver.
Sobreviver?
Ouve Luis, o Yago teve uma inf�ncia muito dif�cil.
V� l� que ele nem sequer conheceu os seus pais.
Esteve em v�rias fam�lias e acabou num centro de acolhimento.
E mesmo assim as coisas n�o melhoraram nada.
N�o consigo imaginar o Yago em crian�a.
Devia ser muito...
peculiar.
Conheci-o quando tinha 16 anos
e, v� s�, j� era capaz
de convencer os colegas a fazer as suas tarefas por ele.
At� lhe agradeciam.
Era muito esperto, n�o era?
- E tinha uma sensibilidade incr�vel. - A s�rio?
Porque achas que � t�o bom no seu trabalho?
Porque � capaz de ver atrav�s das pessoas.
Nunca conheci ningu�m t�o distante e ao mesmo tempo t�o pr�ximo.
Este mi�do era como um espelho para ele.
Quis ajud�-lo para que a sua inf�ncia fosse melhor do que a sua.
Encontramos os medicamentos.
J� temos o Aguirre.
Como � que era? Ver atrav�s das pessoas?
Chama-lhe o que quiseres.
Tamb�m se pode chamar de muito bom manipulador.
E tu, o que � que achas?
N�o... N�o sei.
� isso que me tenta fazer?
- Manipular-me? - N�o.
N�o, contigo n�o consigo.
- �s muito esperta. - Parece que n�o sou muito.
Fui falar com a Lola o que, no fundo, era o que voc� queria.
V�s como �s demasiado esperta?
Se n�o acreditas em nada do que te contei, podes comprov�-lo.
- Quer que verifique com as fontes? - Sim.
Ou olha-me nos olhos...
e diz-me se te menti, quando te falei do Miguel.
Est� bem.
Mas diz-me porque me escolheste a mim?
Finalmente...
Finalmente, atreveste-te a tratar-me por tu.
N�o! Tudo bem. Vou ver isto como algo de bom.
Espera!
E a pulseira?
J� n�o a usas?
N�o.
Levo-a sempre comigo.
Sempre!
Seja aonde for.
Adeus!
- Obrigado pela pulseira. - Para que querias isto?
Talvez algum dia te conte.
Legendas: Dina Guimar�es
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