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Olha para mim!
Porra, Costa! Que raio � que fizeste!
Porra! Chi�a!
Sim, r�pido. R�pido!
Olha para mim!
Chegaram atrasados!
Ouviu, inspetor?
A menina n�o gosta que cheguemos atrasados.
Deixo-lhe aqui o artista.
Fa�a bom proveito!
Boa tarde. Sou a Sara Sibilio.
Fa�a o favor...
Gosto do seu nome.
Sara.
O Talmude afirma que Sara era melhor profetiza que seu marido, o Abra�o.
Eu n�o adivinho o futuro.
Era t�o bonita...
que ao passar as outras mulheres pareciam macacos.
Tamb�m lhe acontece a si, n�o �?
- Pode tratar-me por tu. - Obrigado.
Tu a mim n�o.
Estava a brincar. Claro que podes.
Agora n�o consigo.
Quando me sentir mais � vontade.
- Talvez n�o tenha tempo. - Cabe-lhe a si.
Tenho uma vida fora desta sala.
Sim, mas a que te interessa � a minha, n�o �?
Porque me escolheu para contar a sua hist�ria?
Porque � que achas?
Acha que sou manipul�vel e que me pode usar para limpar o nome.
Ou que estou cega pela ambi��o e que me quer usar para limpar o seu nome.
Ou o mais prov�vel...
� s� outro tipo que fica com tes�o ao ver-me na TV
e quer dar um pouco de cor � sua vida na pris�o.
Ou talvez as tr�s estejam corretas.
- E mesmo assim, vieste at� aqui. - Sim.
Quero entender porque fez o que fez.
Temos umas semanas pela frente.
Com alguma sorte, teremos uns 45 minutos de cada vez.
Irei contar-te alguns dos servi�os que resolvi.
Assim, talvez me comeces a conhecer.
Quando diz "servi�os", refere-se a "casos", n�o �?
Isso � s� nos filmes.
Mas sim! Talvez funcione melhor para o t�tulo do teu document�rio, n�o �?
"Os casos de Yago Costa,
o pol�cia assassino."
De certeza que voc� consegue pensar num nome mais original.
Bem...
Falemos de Luis Corbal�n.
Vamos falar do caso Tachenko.
29 de setembro de 2010.
Rua Apodaca, sobre o viaduto.
Foi a primeira vez que o tive pela frente...
e n�o lhe consegui ver a cara.
A� est� o cabr�o!
Consegues ver-lhe a cara?
N�o.
Vamos l�!
Vamos! Anda!
Raios! Que porcaria...
Alto! Pol�cia!
Idiota! Mas que est�s a fazer?
Est� bem! Est� tudo bem. Est� tudo bem! Solta-a.
Est� bem? Solta-a. Ouve-me! Solta-a, OK?
Liberta-a, por favor.
Liberta-a! N�o o fa�as! Por favor, n�o o fa�as.
Est� bem? Eu pouso a arma no ch�o.
N�o o fa�as, por favor! N�o o fa�as!
N�o o fa�as! Luis!
Uma ambul�ncia, Luis, r�pido!
- Uma ambul�ncia Luis, r�pido! - Quieto! Alto!
- Luis, chama uma ambul�ncia! - Alto!
Olha para mim!
Mi�da, ouve-me!
Chama uma ambul�ncia Luis, por favor!
Porra!
For�a mi�da! For�a!
For�a, mi�da! For�a!
A mi�da est� fora de perigo.
Boa! Raios!
Ainda bem.
Tenho andado a investigar a este tipo, o Nicolay Tachenko.
Tem uma tatuagem na cara aqui.
� a marca de um grupo terrorista.
Esquece-o por agora. Esses voltam sempre.
Quando o fizer, apanhamo-lo com o que tens.
N�o quero continuar a trabalhar com o Luis Corbal�n.
Est� bem?
Quase mataram a esta mi�da por culpa dele.
N�o me ouve, n�o se coordena comigo,
n�o concorda o sujeito e predicado...
Vamos por partes...
Aqui o s�per pol�cia preocupa-se com erros ortogr�ficos.
S�o muitos, � verdade.
Mas dizer que n�o me preocupo em apanhar um tipo,
que sequestra e prostitui mi�das. A mim...
que tenho uma filha. - J� chega!
Disso n�o duvido.
Mas cortaram-lhe o pesco�o devido � tua irresponsabilidade.
- Nunca mais repitas isso! - Disse que j� chega, Corbal�n!
N�o me interessa se n�o falas com metade do pessoal,
mas n�o trabalhas sozinho. A bem ou mal, ficas com este.
Voc� � que manda.
N�o me voltas a falar assim em frente dos nossos colegas!
"Ele n�o sabe conjugar o verbo com o predicado..."
�s um poeta!
Tu n�o fazes relat�rios, fazes poesia.
Poeta de merda!
Para mim tanto faz, OK? Quero l� saber!
Quero l� saber!
Dou-te uma carga de porrada!
E n�o quero nem saber.
Vais dar-me uma li��o a mim...
Vais ensinar-me a prender algu�m na rua?
Vais dar-me li��es sobre como...
Filho da m�e...
Ei, valent�o da merda! Voltas a fazer-me isso e mato-te!
Voltas a fazer-me isto e mato-te. Olha para mim.
Olha-me na cara. Est�s a ouvir-me?
Queres fazer o favor de te concentrares de uma vez?
Porra!
� s� uma mi�da! Raios!
Tra�os eslavos, com cerca de 14 anos.
Saiu disparada pelo vidro e bateu no cami�o.
O airbag n�o disparou, ent�o ia no banco de tr�s sem cinto.
Pelos tra�os diria que n�o � seu pai. Que achas?
- Isso quer dizer que... - Sim.
Porra! Que nojento e que sacana.
Vamos l�! R�pido!
Tr�s, dois, um!
Outra vez... Tr�s, dois, um!
Outra vez... Tr�s, dois, um!
Porra!
Chamem uma ambul�ncia! R�pido! Vamos! Despachem-se!
- Est� vivo! - Vamos l�!
Porra! Com tantos sacanas que merecem morrer...
Este n�o, Luis! Este n�o.
� melhor que este esteja vivo.
N�o tinha documentos, as impress�es digitais n�o est�o registadas
e n�o tem nenhuma liga��o com o condutor.
- Como disse que se chamava inspetor? - Costa.
Obrigada, Costa
- Diz que � prostitui��o de menores? - Parece ser o mais prov�vel.
� ou parece?
Esse n�o � o seu trabalho, "merit�ssima"?
Acha que todas as mi�das eslavas se prostituem?
Investigamos uma rede de prostitui��o de menores.
E isto encaixa-se.
Sem provas.
Se conseguirmos o nome do proxeneta, j� teremos algo.
Tem a certeza que ela se prostitu�a?
N�o, obrigaram-na a faz�-lo.
Sequestraram-na, escravizaram-na...
Entende o que isso significa, merit�ssima?
Se quer que sinta pena, aviso-o j�:
a mim d�o-me pena as pessoas, n�o as hip�teses.
Vamos fazer bem as coisas.
Falem com o condutor e eu decido o que investigamos.
O antigo juiz costumava...
V� o antigo juiz por aqui?
- N�o. - Voc�, quem � que v�?
O qu�? Eu? A voc�.
Homic�dio ningu�m lhe tira.
Senhora... Como � que se chama?
Soloz�bal.
Mas n�o o acusamos de prostitui��o, s� por n�o gostarem dele.
Ent�o fa�amo-lo, por ser a coisa certa a fazer.
N�o �?
Aqui n�o fazemos o que est� correto, Costa.
Fazemos o que � justo.
E ao tribunal, vem-se bem arranjado.
Est� boa est�, esta filha da m�e.
Agora, o que nos vai sair na rifa...
"La Sala".
O t�tulo para o teu document�rio. Disseste-me para pensar nele.
"La Sala"? S� isso?
Um lugar n�o muito grande,
opressivo, sem qualquer tipo de decora��o...
para que o interrogado n�o se distraia.
Uma mesa...
duas cadeiras...
de costas para a porta, para que n�o veja uma sa�da.
E outra para o interrogador.
O lugar onde surge a verdade.
Ainda que esta n�o seja a que tu queres.
N�o havia mi�da nenhuma! Eu juro!
Tinha 14 anos, seu filho da m�e! Degenerado!
Canalha!
Sai daqui! Anda!
Posso saber o que est�s a fazer?
Temos regras! N�o podes fazer o que queres.
Estou-me nas tintas! Este tipo � cruel!
O que quer ao fazer-se de burro?
Se me deixares trabalhar, vou descobrir.
Mas deixa-me trabalhar.
Ora diga l�...
O que fez nas horas anteriores ao acidente?
Estou a tentar lembrar-me, mas n�o consigo...
N�o, n�o era uma discoteca...
N�o estive num bordel...
Juro que n�o ando � procura de mi�das.
Voc� esteve num bordel?
- Outra vez? - Tempo e repeti��o.
� a primeira li��o de um interrogador.
D�-lhe tempo antes de o atacares com o que sabes.
N�o, n�o estive em nenhum bordel.
Falamos com a sua esposa.
N�o acreditem nela, OK?
Disse-nos que voc� gosta de aceder a sites pornogr�ficos...
Se v�ssemos o hist�rico do seu computador, encontrar�amos algo?
O que qualquer um faria.
Ali. Aquele olhar...
A� estava tudo.
A sua mulher...
tamb�m disse que houve uma situa��o com a sua filha.
Eu posso explicar. � mentira.
- Essa porca! - Desculpe! O que...
O que chamou � sua esposa?
N�o...
O que aconteceu com a sua filha, Enrique?
O que aconteceu com ela?
Enrique, olhe para mim por favor.
Que fez � sua filha, Enrique?
Vamos l� Enrique! O que � que aconteceu?
Ela queria experimentar a roupa da m�e.
Fez-me um desfile de moda. Foi algo inocente.
Sim, um desfile de moda com a roupa interior da m�e.
Meu Deus, � uma mi�da.
Onde foi buscar a mi�da eslava?
Enrique, onde foi buscar a mi�da eslava?
Est� tudo bem.
Est� tudo bem. Oi�a...
Essa mi�da morreu por culpa sua e n�o h� volta a dar.
Mas se ainda h� algo que lhe tenha feito,
algo de que se arrependa,
n�o fique com isso dentro de si. Deite c� para fora.
E foi s� isso?
N�o conseguiram nada?
Consegui muito.
Percebi o seu c�digo.
H� pessoas que n�o conseguem dizer a verdade,
sem o olhar nos olhos
e outros que precisam de o fazer.
Ele era dos segundos.
E o que aconteceu � outra mi�da?
A que foi ferida no pesco�o?
Ela sobreviveu ao corte no pesco�o.
Sabia que ela tinha informa��o valiosa para encontrarmos o Tachenko.
Mas uma coisa � o que queres que te contem
e outra muito diferente, � a forma como o consegues.
Conhece-la?
Conhece-la?
N�o?
Tudo bem. N�o h� problema. Tudo bem.
Como te chamas?
Ivanka.
� muito bonito.
Ivanka, eu chamo-me Yago.
Ivanka, sabes onde est� o Tachenko?
Sabes onde est�?
O Tachenko?
Est� bem.
Tudo bem.
Vou-me embora. J� est�. Acabou.
Ajuda-me, Ivanka.
- Que maravilha! - Bem...
Ainda n�o est� pronta.
- N�o tomas o pequeno-almo�o? - N�o.
Tenho de ir � esquadra. A Delacruz ligou-me.
H� algo que eu deva saber?
Bem... O condutor decidiu falar.
Toma o pequeno-almo�o tranquila.
H� toalhas limpas atr�s da porta da casa de banho,
se quiseres tomar um duche.
� a ju�za Soloz�bal?
A da Audi�ncia?
Nessa altura, s� era ju�za de instru��o.
Porque me est� a contar isto?
A Lola...
foi algu�m muito importante na minha vida.
E porque � que o condutor queria falar agora?
A nossa mente � sofisticada.
Ele n�o veio para confessar nada.
Veio para que eu o fizesse confessar.
Eu n�o a pus dentro do carro.
E como � que apareceu ali?
Eu adormeci e deve ter entrado quando eu estava estacionado
Trouxe a hist�ria bem preparada.
Mas eu sabia o que tinha de fazer.
Se n�o tens nada...
fala.
Fala e continua a falar, para que relaxe,
at� que apare�a uma brecha por onde possa entrar.
Ent�o � inform�tico...
Aposto seja o que for, que passa o dia em frente ao computador.
Ganhava a m�o.
Sim, mas isso seria apostar � m�o feita, n�o �?
Uma m�o monstro...
- O que � uma m�o monstro? - Bem, pouca gente o sabe...
Ent�o...
Ent�o gosta do jogo, n�o �? Joga muito.
Sim, jogo online �s vezes.
Recomendo-lhe que n�o me minta. Nunca fica bem no julgamento.
A emo��o � maior ao vivo.
Claro que sim.
Onde s�o as mesas de jogo?
Combinamos num lugar e da� levam-me numa carrinha de vidros fumados.
- N�o sei... - N�o se preocupe.
N�o h� problema. Jogar n�o � um crime.
� um crime jogar?
Claro que n�o.
Ent�o, porque se sente culpado?
H� mi�das, n�o �?
Ao final da noite...
levaram-me de volta ao ponto combinado.
Estava b�bado e...
uma mi�da ajudou-me a chegar ao meu carro.
Tinha vomitado, estava um nojo e...
Ou�a l�, eu n�o fiz nada...
Acordei no meu carro, arranquei,
e fui-me embora dali.
Tenho quase a certeza que n�o estava ningu�m l� atr�s.
Est� bem.
Lembra-se de quem levava as mi�das at� ao local do jogo?
O nome Tachenko diz-lhe algo?
Parece russo e tem uma tatuagem na mand�bula.
Sou a ju�za Soloz�bal.
Encontramos o seu ADN no corpo da rapariga,
em partes �ntimas.
Ser� acusado de prostitui��o de menores.
Ir� apanhar no m�nimo cinco anos.
Ou o matam ou ir� suicidar-se antes. Para mim, isso n�o � colaborar.
O que encontraram na rapariga?
Cabelo do couro cabeludo nas cuecas.
Que tipo asqueroso!
J� t�m o que queriam.
Se na instru��o surgir o nome do proxeneta eu informo-os.
N�o, n�o tenho o que queria. O Tachenko n�o surgir� na instru��o.
O homem est� a dizer a verdade. N�o tinha nada a ver com a mi�da.
Vejo que o seu car�ter � vol�til.
Mas aqui s� valem as provas.
A f� fica noutra janela.
Falsificaste as provas, n�o foi?
- S� acelerei o processo. - Pois...
Este homem � inocente.
Tem culpa nesta situa��o e levava uma mi�da.
N�o nos cabe a n�s fazer ju�zos.
Ou damos um empurr�ozinho � ju�za ou n�o faz nada.
- Fiz um favor ao mundo. - Perdemo-la.
A mi�da eslava. Desapareceu do hospital.
Ningu�m sabe como, nem quando a levaram.
Ter� sido uma das guardas,
mas n�o h� sinais de viol�ncia, nem nenhuma pista.
Quem quer que o tenha feito, sabia como trabalhamos.
Yago, vamos encontr�-la. N�o te preocupes.
N�o pode estar muito longe.
Foi voc�?
Porque a levou do hospital?
Achei que estaria mais segura comigo.
Mas enganei-me.
Foi-se embora passado uma semana.
Foi-me muito dif�cil voltar a encontr�-la.
DOIS ANOS DEPOIS
N�o. Obrigado, mas n�o...
Ei, olha, o meu amigo. Yago!
Yago! Este � meu amigo!
- Este � meu amigo. - �s o namorado?
�s o primeiro na sua lista de contactos.
� que este � o meu melhor amigo, percebes?
O meu melhor amigo.
Nunca na tua vida, vais encontrar um tipo como este.
Ouviste querida?
Anda! Vamos l� Luis! J� chega.
Sabes qual � a melhor coisa de ser pol�cia?
Posso fazer o que quiser e tu � que te lixas.
Eu prendo-te idiota!
Luis! Vamos l�!
- Eu levo-o. - Vamos.
Adeus, minha linda.
Diz-lhe que aprenda a comportar-se.
Da pr�xima, limpas tu o v�mito no lavabo.
Eu trago a esfregona.
Da pr�xima vez eu trago-a.
- Juro. - J� chega, Luis.
- Eu juro. - J� chega! Vamos!
Vamos? Vamos l�.
Vamos. Anda.
Posso dizer-te uma coisa na cara, meu?
Tu �s o maior.
�s mesmo o maior.
�s como um pat� de ganso.
- N�o, ouve... - Espera-me no carro, por favor.
- Luis! Por favor. - Adoro-te, meu.
- Espera-me no carro, por favor. - Est� bem.
- Espero-te no carro. OK? - Vai l�.
Ol� parceiro!
Posso oferecer-te uma bebida? Companhia?
Companhia sim. Companhia pode ser.
Est� bem. O que procuras?
Algu�m jovem.
Sem problemas. Anda da�.
- S�o atraentes? - Sim, muito atraentes.
Mas procuro algo em particular, OK?
Algu�m...
jovem.
Algo especial.
Vinte minutos s�o duzentos euros.
Estou na Casa Luffy. Enviem refor�os. J�.
Ivanka!
Ivanka!
- Yago. - Sou o Yago. Vamos embora daqui.
Vamos l� mi�da.
Acorda! Vamos!
D�-me a m�o.
Vamos l� Ivanka! Tens de saltar!
Vamos l�!
Vamos l�!
Vamos l�, Ivanka!
Que est�s a fazer a�?
Que se passa, meu?
Entra no carro!
Entra! Est� tudo bem...
Tem calma.
Yago!
Luis! At� que enfim!
Desculpa!
N�o me pressiones. V�!
Como � que te sentes?
Pronto para correr os mil metros.
Muito obrigado.
Que faziam num bordel?
Bem...
Recebemos uma dica.
O Tachenko outra vez?
Conseguiram algo?
Alguma prova?
N�o.
Se precisares de alguma coisa, chama-me.
O quarto de Luis Corbal�n, por favor. Sou a sua esposa.
Ol�! N�o podem entrar j�. O m�dico acabou de entrar.
� imposs�vel. Est� muito bem. Como est�s? Est�s bem?
Vamos tomar alguma coisa e falar um bocadinho? Perfeito.
J� te disse que n�o gosto que fumem na minha casa, Ivanka.
- Vai-te lixar! - Ouve l�!
V� l� se me respeitas, OK?
N�o sou o teu chulo.
Ele calava-me � pancada.
E tu? O que � que me vais fazer?
Bem... Para come�ar...
vou ensinar-te a comer melhor...
e a falar bem.
Est� bem?
Boa jogada.
Posso?
Sim? Obrigado.
Porque n�o me ajudas, Ivanka?
Diz-me bares, estabelecimentos,
clubes onde posso encontrar o Tachenko.
E depois o qu�?
Mandas-me para os Servi�os Sociais?
N�o! Podes confiar em mim. N�o o farei.
Pois...
Tirei-te daquele lugar, n�o foi?
Tenho que te agradecer?
- N�o �? - N�o, Ivanka, n�o.
N�o.
De todo.
Vais voltar para casa.
Vais ver.
Vais voltar.
Espero n�o voltar num cami�o.
Desculpa?
Trouxeram-me num desde a minha casa.
Escondida no meio da mercadoria?
Entre as rodas...
num compartimento secreto.
- A cheirar a azeite. - A azeite?
Nunca me vou esquecer.
Est� bem.
A mi�da do acidente...
N�o ia no carro com aquele b�bado. Ia no cami�o.
Exatamente. Usou estradas secund�rias
para n�o ser visto pelas c�maras da autoestrada.
Quando o condutor b�bado bateu nele...
O motorista agiu rapidamente.
Tirou a mi�da do esconderijo e p�-la no cap�.
Simulando a cena.
Impregnou tudo com o sangue dela...
Tudo isto com a mi�da ainda viva.
Os param�dicos ergueram o corpo
para reanim�-la, destruindo a cena.
Sen�o, a equipa forense teria descoberto a montagem.
Incr�vel...
- Tive-o � minha frente e n�o o vi. - E Enrique, o condutor do carro?
Passou tr�s anos preso, sendo inocente.
E com os culpados � solta.
Quantas mi�das � que ter�o sequestrado durante esse tempo...
- Apanharam o camionista? - Procuramo-lo atrav�s da Interpol.
No entanto, infelizmente...
tinha falecido, atropelado por uma mota em 2011.
Seguimos o rasto da transportadora...
e demoramos um ano a encontr�-los.
UM ANO DEPOIS
- Ent�o? Est�s nervoso, �? - Qual nervoso, qual carapu�a!
Inspetores, o cami�o entrou no porto.
Sim. Podem avan�ar.
Avancem!
Alto! Pol�cia! M�os ao alto!
Alto! No ch�o!
No ch�o! M�os ao alto!
No ch�o! M�os ao alto!
M�os ao alto!
Vamos! Avancem!
Para baixo!
- Quieto! Alto! - Alto!
Era ele! O Tachenko!
Era o Tachenko, Luis.
Eu vi-o. Vi-lhe a tatuagem na cara.
Inspetores, aqui!
Romperam o cord�o policial. Perdemo-los.
Bem, temos o camionista.
E o resto do bando.
Fala espanhol?
Olha que bem!
Conduzias o cami�o?
Transportavas mi�das sequestradas, n�o �?
- Mas eu n�o sabia. - Quero que saibas uma coisa, OK?
Vais preso na mesma, mas tu decides durante quanto tempo.
Eu n�o sei de nada.
Queremos que nos entregues o teu chefe, o Tachenko.
Percebeste?
Temos uma descri��o f�sica, mas fala-nos da rede de transporte,
dos contactos na Ucr�nia, Let�nia, ou onde for.
N�o posso ser preso. Tenho uma fam�lia.
Quero l� saber! Estas mi�das tamb�m t�m fam�lia.
Sabes o que lhe podemos fazer?
Dar-lhe seis anos na Puerto Santa Mar�a.
S�o especialistas em exames retais
Est� bem. Est� bem, Luis.
O camionista est� disposto a colaborar.
Estamos perto. Que podemos oferecer?
Se se declarar culpado fazemos um acordo para uma pena reduzida.
Podemos alterar um pouco o relat�rio
e facilitar-te o trabalho.
Vou fingir que n�o ouvi.
- Vamos agir de forma legal. - Era s� uma proposta.
Pod�amos reduzir-lhe um ou dois graus?
- Assim j� deve aceitar. - OK.
D�-me uns minutos e...
Bem! Ent�o deixo-vos a� � vontade, est� bem?
Vejo que se entendem muito bem.
Est� tudo bem. Esquece-o.
Esquece-o.
Os anos passam e continua tudo na mesma, n�o �?
No final tudo se reduz � luta pela mesma mulher.
Agora quem � que est� a ser reducionista?
Mas o Luis estava com ci�mes. Tinha raz�es para isso?
Eu e o Luis n�o come�amos com o p� direito,
mas cuid�vamos um do outro.
� o que fazem os parceiros.
N�o me interessa!
Isto n�o pode acontecer. N�o pode.
H� que organizar melhor os turnos.
N�o me interessa como o fazem, OK?
N�o me importa como o fazem. S� um momento.
Quero mais presen�a nas ruas, muita mais.
Comiss�rio, s� um momento, por favor?
Perceberam? M�os � obra.
� o tipo com quem me encontrei ontem. Conhece-lo?
� ele, o que nos escapou no navio.
O mesmo carro, tatuagem, tudo.
- E como � que o conseguiste? - Bem. Preparei-lhe uma armadilha.
Ofereci-lhe sete quilos de coca.
- Isso � instiga��o criminosa. - Eu sei.
Aprendi com o melhor. A entrega � em duas horas.
N�o! Nem pensar. Est�s maluco!
- Ent�o vou sozinho. - N�o.
� o Tachenko. N�o o vou deixar escapar.
Raios de te partam, Yago.
- Mas eu � que mando, OK? - Tu � que mandas.
Ele � que manda!
� boa.
Tu �s bom...
Agora dizes-me quem � que te fornece isto tudo?
Com certeza.
Uns amigos que tenho ali fora.
Ali fora?
Alto! Pol�cia!
Ao ch�o! M�os ao alto! Alto! Pol�cia!
Ao ch�o!
Quietos! Raios!
Ao ch�o! M�os ao alto!
Luis! O Tachenko!
Filho da m�e! Entra ali!
Alto!
Para! Raios!
Quieto!
N�o! Raios!
N�o o fa�as!
N�o podia arriscar. J� nos fez isto uma vez.
Que nojo de gente...
� um a menos.
Tinham-no apanhado, n�o tinham?
T�nhamos...
Mas n�o o t�nhamos apanhado.
Pensei que eu � que n�o aceitava ter conseguido.
Mas n�o era eu. Era um puzzle. Havia uma pe�a que n�o encaixava.
Ivanka! Por favor, liga-me se ouvires esta mensagem.
Liga-me, por favor!
Sim, mas eu n�o o sabia.
Vais preso na mesma, mas tu decides durante quanto tempo.
Eu n�o sei de nada.
Queremos que nos entregues o teu chefe, o Tachenko.
Temos uma descri��o f�sica,
mas fala-nos da rede de transporte de mi�das.
Queremos que nos entregues o teu chefe, o Tachenko.
Eu n�o sei de nada.
Queremos que nos entregues o teu chefe, o Tachenko.
Est�s preso h� dois anos.
Falta-te pouco de acordo com o acordo que fizeste, certo?
Porque me trouxeste at� aqui?
Acabamos com a rede de transporte de mi�das gra�as a ti.
Mas at� hoje, n�o t�nhamos encontrado o chefe do bando.
Sabias disso? Isso � uma boa not�cia.
Era esta a pessoa que te indicava as rotas por onde tinhas que seguir?
Sim. J� posso ir-me embora?
Quero rever as tuas declara��es de 2013.
Sim, � o Tachenko.
Tens a certeza?
Sim, tenho a certeza.
N�o, nunca traficamos droga.
Nunca usava o telefone. N�o fazia chamadas.
S� chamadas perdidas das cabines telef�nicas de cada pa�s, n�o �?
Muito bem pensado. � um tipo esperto.
- Suponho que sim. - Tens a certeza?
J� eu n�o acho. At� o acho um grande imbecil.
Ou seja, passo cinco anos a persegui-lo e,
depois, cai numa armadilha idiota. � preciso ser mesmo imbecil.
Esse imbecil fugiu-te muitas vezes.
- Como daquela vez com a mi�da. - Por exemplo.
Como � que sabes disso?
Como � que sabes disso? Diz-me?
Diz-me como � que o sabes.
Se era t�o inteligente...
que fazia com as patas em cima de um saco de droga assinalado?
Tu � que �s o pol�cia, diz-me tu.
Penso naquele dia no porto,
em que te detivemos a ti e ele fugiu.
Quem mais estava l�?
Um bando de mafiosos de merda e tu.
Eu sou s� um camionista.
Claro... �s s� um camionista.
A barba incomoda-te?
Ou incomoda-te o que tens debaixo da barba?
Sempre persegui...
aquele tipo grandalh�o, que conheci...
h� cinco anos atr�s naquela rua. � noite.
Mas desde que encontrei uma testemunha,
que te podia reconhecer...
Perdeste quanto peso? Uns 20 ou 30 kg?
Onde est� a marca do teu grupo de liberta��o?
A barba tapa a cicatriz da tatuagem, que deves ter retirado, n�o �?
Deixei-me levar...
pela recorda��o daquele Tachenko grandalh�o e tatuado.
E persegui o homem errado.
Mas essa tua marca, n�o � assim t�o especial, pois n�o?
Infelizmente, h� mais como tu. Bem, exatamente como tu, n�o.
O teu amigo apanhou um mi�do como ref�m
e p�s-lhe uma faca ao pesco�o.
Tu...
ter-lhe-ias cortado o pesco�o, como � Ivanka.
Mas ele n�o o fez.
Ele...
hesitou
Se tens tanta certeza de quem sou,
porque n�o trazes a tua amiga dos olhos claros, para que o confirme?
O que aconteceu?
Voltou a fugir-te?
Devias colocar-lhe um chip como �s cadelas.
Onde est�? Onde est� a Ivanka?
Onde est� a Ivanka? Onde est� a Ivanka, sacana?
J� chega!
Sai daqui!
[a falar russo]
N�o sei o que faz este tipo aqui,
mas n�o podes fazer isto. J� tens um historial.
Luis, � ele.
� o Tachenko.
Yago, o Tachenko est� na morgue...
- Ouve-me! - Com dois tiros no meio do peito.
Se quiseres ajuda-me, sen�o vai-te lixar.
Vais ter de o fazer e dizer que o fiz em autodefesa
N�o! Estivemos sempre enganados!
- O Tachenko est� ali, na sala. - Para!
Acabou! Eu apoiei-te e tu sabes disso.
Fomos atr�s de um criminoso sem mandado judicial.
E tudo bem, matamo-lo. Perfeito!
Estava a amea�ar a um mi�do! Inocente n�o era!
Mas digo-te que n�o era o Tachenko! Esse � o que est� ali dentro!
Diz-me...
N�o me vais apoiar, pois n�o?
N�o temos nada. N�o tens nada.
� a tua palavra, contra a dele.
A nossa palavra.
Agora vai entrar o meu amigo Epifanio e vai fazer uma piada de mau gosto.
Mas ainda tenho muitas perguntas.
S� tem tempo para uma.
Porque o matou?
Costa, fecha a braguilha que vamos embora.
Menina...
Gosto do seu nome.
Sara.
O Talmude diz que Sara era melhor profetiza que seu marido, Abra�o.
Eu n�o adivinho o futuro.
Era t�o bonita...
que ao passar as outras mulheres pareciam macacos.
Isso tamb�m lhe acontece a si, n�o �?
- Pode tratar-me por tu. - Tu a mim, n�o.
"N�O VOLTES A CONTATAR O YAGO COSTA."
Estava a brincar. Claro que podes.
Agora n�o consigo. Quando me sentir mais � vontade.
Tens muito trabalho de verifica��o. Espero que o possas comprovar,
que o que te conto � verdade.
Porque o matou?
DOIS ANOS ANTES
Olha para mim!
Legendas: Dina Guimar�es
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