All language subtitles for 7 - Swan Song(1)

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Original subtitles

I saw the light

I saw the light

No sorrow in sight

Praise the Lord, I saw the light

O que ele quis dizer, assassinato?

E por que estou falando com alguém de Homicídios?

Agradeço, senhor. Meus ouvidos estalam no elevador.

Aliás, nem gosto dessa altutude.

Que bom que me disse isso.

Por que?

Foi isso que fez seu cunhado suspeitar

que tinha matado a irmã dele.

Eu estaciono o carro, Sr. Brown.

Obrigado.

E a bilheteria desta noite?

Tudo vendido, senhor.

Ótimo.

Obrigado, senhor.

Cheque o sistema de som, Luke.

Ache um engenheiro de som.

Certo.

Durante a apresentação

mantenha os vendedores de doces

e de fotos fora dos corredores.

Não os quero lá

quando estiver cantando.

Sempre cuido disso.

Está sempre atento, não Luke?

Tento, Tommy.

I saw the light, I saw the light

No more darkness, no more night

Now I'm so happy, no sorrow in sight

Praise the Lord, I saw the light

I walked in darkness and clouds covered me

I had no idea where the way-out could be

Then came the sunrise and rolled back the night

Praise the Lord, I saw the light

I saw the light, I saw the light

No more darkness, no more night

Now I'm so happy, no sorrow in sight

Praise the Lord, I saw the light

Just like a blind man I wandered astray

Straight is the gate and narrow the way

Then like the blind man that got back his sight

Praise the Lord, I saw the light

I saw the light, I saw the light

No more darkness, no more night

Now I'm so happy, no sorrow in sight

Praise the Lord, I saw the light

I saw the light, I saw the light

No more darkness, no more night

Now I'm so happy, no sorrow in sight

Praise the Lord, I saw the light

Muito obrigado. Obrigado.

Obrigado.

Volto logo.

Tommy, me beije. Tommy, me beije.

Tommy, me beije.

Por favor, me beije, Tommy.

Talvez mais tarde.

Tommy.

Já chega. Estão me ouvindo?

Vão pra casa.

Me ouviram? Todas pra casa.

Ele não vai sair e nem convidá-las a entrar.

Por favor, vão pra casa.

Estou pedindo gentilmente. Vão pra casa.

Oficiais, é com vocês. Limpem a multidão.

Leve-as oficiais, por favor.

Obrigada.

Mana?

Sim?

Quando vai me contar como mantém Tommy na linha?

Contarei quando achar que deve saber.

Pena, mana, se algo lhe acontecer...

O Bom Senhor impedirá que aconteça.

E mais tarde?

Nada bom.

Estão chegando informações da Estação meteorológica de Los Angeles.

Nevoeiro na costa após a meia-noite e previsão de visibilidade nula

no vale e montanhas.

Mas evitará isso se partir na próxima meia hora.

Obrigado.

Gostaria de persuadi-los a voltar, Sra. Brown.

Podemos vender Tommy Brown por um danado mês aqui.

Não gosto de blasfêmias, Sr. Dodds.

Me desculpe.

Para a Cruzada da Alma Perdida, inferno e danação são palavras levianas.

Sim, senhora, mas e quanto à prorrogação?

Estamos agendados em Los Angeles esta semana.

Com cerimônias especiais no santuário local na terça.

Vão mesmo gastar $5 milhões nessa construção?

Será o melhor templo para a glória do Todo-Poderoso nos EUA.

O 1o milhão já foi investido.

Sra. Brown, sua receita desta noite: $30.000. Fizemos uns 50.000.

Ótimo.

Vão esperar para receber?

Luke vai esperar.

Mas checarei as contas assim que estiverem prontas.

Sim, senhora. Não vai demorar.

Quando partimos?

Quero falar com você.

Estou ouvindo.

A sós.

Se quer falar sobre o que fala sempre, Maryann pode ficar.

Ela tem muito a ver com isso.

Temos um bom negócio aqui, Edna. Seríamos loucos se o arruinássemos.

Arruiná-lo? Não pretendo isso.

Eu sim.

Investiu $1 milhão na construção de um santuário

e não conseguirá o resto sem mim.

Sei disso, Tommy.

Poderíamos fazer um acordo, Edna.

Você leva metade do dinheiro para a Cruzada e eu, a outra metade.

Cada centavo vai para a Cruzada até o santuário ficar pronto.

Pressiona um homem demais, Edna. Estou sendo usado e não gosto disso.

Outros cantores andam por aí em Ferraris, Rolls. Nem tenho um carro.

Sou eu que querem ouvir, Edna. São meus discos que eles compram.

Mas fui eu que consegui sua liberdade condicional

da prisão agrícola em Arkansas.

Ou ainda estaria apodrecendo lá.

Cumpri minha parte do acordo, Edna. Casei com você e tenho lhe sido fiel.

Porque o vigio.

Você é um pecador depravado, Tommy.

Vi a expressão em seu rosto quando ia beijar aquela criança perdida.

Se não fosse por mim usaria a Cruzada pra seduzi-la num motel

ou no banco de trás do seu carro, se tivesse um.

Se eu tivesse um.

Que Deus me perdoe

por deixar um demônio me ajudar a construir um templo.

E se seu demônio desistir, o que vai fazer?

Tudo iria pelo ralo, incluindo você e eu.

Também me lembro de algumas coisas da Bíblia, Edna.

"A vingança é minha, diz o Senhor".

E também foi escrito:

"O Senhor trabalha de modos misteriosos para realizar suas maravilhas".

Eu sou seu instrumento e gostaria de puni-lo, Tommy.

Maryann e eu.

Aquelas pessoas lá fora não acreditariam em você e Maryann.

E quanto aos motéis onde se registrou como pai e filha com Maryann?

Quantos anos tinha então, criança?

16.

16.

Todos aqueles nomes falsos, óculos escuros pra não ser reconhecido.

Claro, não era tão conhecido ainda.

Mas sua letra ainda deve estar em alguns daqueles registros.

E um dos empregados pode reconhecer Maryann e você também, se ela o acusar.

Foi só há 3 anos, Tommy.

Consultei a lei.

O prazo de prescrição ainda não esgotou na Lei Mann.

Estupro.

Não. Não desistirá da Cruzada, Tommy.

Você é uma beata hipócrita e chantagista.

Dei-lhe a última chance de ser justa.

Seus insultos e ameaças não me assustam.

O Sr. Dodds a aguarda, mana.

Certo. Não vou demorar.

Não se apresse. Não poderemos voar agora.

Por que não?

O tempo está ruim em L.A..

Vai melhorar depois da meia-noite. Não vamos arriscar até lá.

Vou descansar um pouco.

Se pensa em procurar aquela criança que veio até a porta, esqueça.

Voltarei logo para ver se está mesmo descansando.

Quer que eu volte a L.A. com você?

Não, quero que dirija o ônibus, Luke.

Há montanhas daqui a L.A. e o velho avião não sobe bem com 4 a bordo.

Mais uma sugestão para um novo avião.

Tommy, está desperdiçando seu fôlego.

Desperdiçando quando canto também, considerando se sairei vivo dele.

Luke, leve essa guitarra no ônibus com você.

Quer que a ponha com a bagagem?

Não, no assento ao lado do seu.

Não ponha nada sobre ela e não deixe que se quebre, Luke.

Está bem, Tommy.

Olá, Sr. Brown! Sra. Brown.

Boa noite.

É bom vê-lo, senhor.

Tudo abastecido?

Sim. Todos os sistemas funcionando, Sr. Brown.

Têm bom gosto pra música aqui.

Sim, senhor.

Gostaria de poder ter ido ao seu concerto desta noite.

- Qual é o seu nome? - Jeff.

Jeff, na minha próxima vez em Bakersfield lhe arranjarei entradas.

Gostaria muito, senhor.

Será um prazer.

Sr. Brown.

Pode guardar minha bagagem?

Agora mesmo, senhor.

Depressa, por favor.

Ei, Jeff!

Sim, senhor.

São as chaves do meu carro alugado.

Ainda resta muito tempo.

Se quiser, pode eusá-lo. Impressione sua namorada.

Agradeço, senhor.

Não fará nada disso.

Devolverá o carro agora mesmo e checarei a quilometragem.

Sim, senhora.

Oh, $5. Muito obrigado, senhor.

Tudo certo.

Cuidado com os pés.

Tommy, estamos com frio.

Aquecimento quebrado. Tenho café. Café quente.

Segure pra mim, querida.

Tom, foi o pior café que já provei.

Melhor que nenhum.

Lamento. Não pode entrar nesta área.

Sou do Departamento de Polícia de Los Angeles.

Tenente Columbo. Quem está no comando?

O Sr. Pangborn.

Ali, dando entrevista.

"Estamos com o Sr. Roland Pangborn

da divisão de segurança aérea do Conselho Nacional de Segurança de Transportes."

"O Sr. Pangborn comanda a investigação deste trágico acidente aéreo."

"Alguma opinião sobre a causa do acidente, Sr. Pangborn?"

"Bem, Hal, só a declaração que o piloto fez no hospital."

"Houve falha no sistema elétrico e

ele ficou sem instrumentos e rádio."

"Diria, não oficialmente, que um dos principais problemas..."

Parem.

O que foi?

Esse sujeito andando por aí está me distraindo, Hal. Desculpe.

Pode nos dar licença, por favor?

Me desculpe.

Ele foi enquadrado, mas podemos isolá-lo.

Ótimo.

Sr. Pangborn, estava dando

uma opinião não oficial sobre a causa do acidente.

Desculpe, é um dos grandes problemas nos locais dos acidentes: curiosos.

Aguarde um pouco.

Senhor! Peço-lhe que saia.

D.P.L.A., Tenente Columbo.

Só não quis me identificar na frente do repórter.

Por que não?

Como o senhor disse, é melhor ser não oficial até termos fatos.

Que fatos tem?

Nenhum, só o que li no jornal esta manhã.

Um milagre o sujeito ter sobrevivido.

Foi um alívio pra minha esposa. É uma grande fã dele.

Conhece todos os seus álbuns.

Imagine, sair disto vivo.

Incomum, mas não inédito. Não sei qual o interesse da polícia no acidente, Tenente.

Vê? Como eu disse.

Assim que dizemos ser da polícia começam a especular.

Especialmente quando dizemos que somos de Homicídios.

Homicídios?

Qual o interesse de Homicídios nisso, Tenente?

Recebemos uma denúncia de um membro da família, o irmão da Sra. Brown.

Sobre o que foi a queixa?

Nada definido. Só suspeita de crime.

Mas ouvi o que disse ali. Que houve falha no sistema elétrico.

Foi o que o piloto disse.

E é a isso que irão chamar de causa provável?

Contribuiu, diria. Não oficialmente, contudo.

E ainda há aquela velha alternativa: erro do piloto.

Quase sempre é.

Brown não estava com os instrumentos avaliados.

Voou por pouco tempo e perdeu a orientação.

A nave deve ter estagnado e rodopiado.

De fato, esta é a causa número um em acidentes com aviões desse tipo.

Às vezes agravados pela contagem de álcool no sangue.

Sr. Pangborn, poderia voltar com sua equipe de investigação?

Há pouca luz. Será rápido, pra mandarmos o filme pro laboratório.

Por que não termina?

Rapazes, fiquem aqui ao meu redor, por favor.

Sr. Pangborn?

Pronto? Certo, vamos rodar.

- Prontos? - Rodando.

Ótimo.

Espere.

Lamento.

Só fiquem parados na luz.

Procura por algo específico?

Isso foi checado?

O motor? Não, mas será.

Não quis dizer o motor. O que disse antes,

a contagem de álcool no sangue do Sr. Brown.

No hospital, a nosso pedido: sóbrio, sem drogas, nada.

Se o motor parou isso é considerado erro do piloto?

Não, não é o motor.

Tenente, quando falamos de estagnação nos referimos à asa.

Isso faz o avião subir muito íngrime.

Fácil de acontecer em tempo ruim e pane no painel de instrumentos.

Ele não deveria ter voado sobre as montanhas em baixa altitude

sem avaliação de instrumentos com o tempo que fazia a noite passada.

De Bakersfield a LA é uma hora de avião.

Ele não poderia ter se informado sobre o tempo?

Disse-me que se informou, lá no hospital.

Mas havia feito o percurso muitas vezes e achou que se sairia bem.

Sr. Pangborn, por favor, estamos perdendo a luz.

Só um momento, por favor.

Por que não vai e acaba logo com isso?

Certo, rodando de novo. Vamos lá.

Fiquem assim.

Sr. Pangborn.

Rodando.

O Sr. Pangborn e sua equipe estão muito ocupados.

Temos que interromper a entrevista de vez em quando.

Mas o Sr. Pangborn voltou e,

com sua permissão, gostaríamos de continuar.

Prossiga.

Acho que o público está muito interessado na

técnica de investigação deste acidente aéreo, Sr. Pangborn.

Gostaríamos de saber como está indo.

Nossa equipe poderia cobrir alguns procedimentos?

Acho que posso arranjar isso.

Se alguma pergunta for inconveniente, senhor, diga e a retiramos.

Obrigado.

Direi "sem comentários".

É justo. Primeiro,

se já tem a declaração do piloto, por que a investigação?

É de rotina.

Não tem nada a ver com o piloto.

Aliás, pilotos são uma espécie particular de artistas.

Por isso é chamada de "arte de voar".

Muitos não são do tipo forte e silencioso, como geralmente descritos.

Alguns são muito emotivos e se culpam pelo acidente,

até em circunstâncias além do seu controle.

Quer dizer que pode ter sido uma falha mecânica

desconhecida pelo piloto?

Exatamente.

Levaremos o motor,

as partes eletrônicas e estruturais dos destroços ao nosso hangar

para uma investigação minuciosa.

Análises com raios-X, químicas, testes metalúrgicos microscópicos.

Temos a declaração do piloto,

o que tornará nosso trabalho mais fácil e a situação mais clara.

Muito obrigado, Sr. Pangborn.

Aqui é Hal Fischer, das montanhas de Los Angeles.

Certo, fechamos.

Peguei.

Dizia que ele achava que se sairia bem.

A mesma velha história, o mesmo velho resultado fatal.

- As duas mulheres sentaram atrás? - Exato.

São esses os cintos dos dois assentos traseiros?

Sim. Notei que não se abriram com o impacto.

Nunca abrem.

Isso explica.

Explica o que?

Por que o piloto se salvou e as duas mulheres não.

Desculpe, não entendi.

Reparei no cinto do piloto.

E?

Não foi apertado.

Não tinha notado.

Meu Deus, tem razão.

Devia estar aberto antes do acidente.

Tem um desses também?

Vou anotar pra perguntar a Brown porque o cinto dele não estava apertado.

Nossa, isso me lembra que devo anotar também.

Isso provavelmente salvou a vida dele.

Geralmente, os passageiros sentados depois da cabine

têm maior chance de sobreviver a um acidente deste tipo.

Tem um minuto, senhor?

Claro.

Por ali.

O que é isso?

Estojo de navegação.

Guardam nele cartas, frequências de rádio, panfletos e outras coisas.

Que estranho.

O que?

Não há cinzas.

Pode repetir?

Não há cinzas.

Parece vazio.

Pode ter tirado as cartas e pôsto no assento desocupado do copiloto.

As cinzas devem estar entre as outras.

O que explicaria isso.

Tenente, poderia usar um homem como o senhor em minha equipe.

Seria só trabalho de detetive.

Não, obrigado, vocês têm que voar.

Claro, somos todos pilotos.

Não é pra mim, muito obrigado. Não me qualificaria.

Por que? Nós o ensinaríamos.

Agradeço. Meus ouvidos estalam até no elevador. Aliás, nem gosto dessa altitude.

Como vai, senhor? Meu nome é Sr. Grindell.

Como está?

É parente da Sra. Brown?

Não, vim ver um parente...

Um amigo da família?

Sinto, está um pouco atrasado. Perdeu um adorável serviço.

Com licença, senhor.

O Sr. Brown cantou vários hinos populares: "Rock of ages"...

Não sou amigo da família.

Na verdade, sou policial. Tenente Columbo, Homicídios.

Desculpe.

Vim ver o Sr. Luke Baskin.

Está prestando sua última homenagem antes do corpo ir para Nashville.

É bem difícil, sabe. Mas ele sairá logo.

Vou esperar aqui fora.

Está bem.

Tenente, eis meu cartão. Lidamos com todos os preparativos.

- Com licença. - Obrigado.

Admiro muito o departamento de polícia, sabia?

Não, mas me alegro em saber.

E por que não seria?

Afinal, seus homens estão prontos a dar suas vidas para salvar as nossas.

Esperemos que isso não aconteça muitas vezes.

Sim. Mas acontece, não?

Especialmente nesses tempos de violência.

Esta manhã tomava café com minha esposa Martha e vi os jornais.

A taxa de mortalidade da poícia é chocante. É de...

Ora, o senhor deve saber.

Não gostamos de pensar muito nisso.

Mas alguém devia pensar, não?

Acho que é o tipo de coisa que se faz só quando necessário.

Mas, se precisar de um funeral, não terá condição de fazer nada.

Entendo o que quer dizer.

Já fez planos para sua partida dessa esfera mortal?

Não.

Não, não fiz.

Isso não é como fazer uma reserva ou comprar uma entrada.

Sim, mas um pouco de previdência para seus entes queridos

evitaria transtornos e custos.

Com licença.

Tenente, essa é a nossa revista.

Aqui o senhor poderia escolher qualquer coisa dentro

de uma ampla variedade de planos.

Esse, por exemplo...

Agradeço muito, mas minha esposa faz as compras da família.

Ficaria muito aborrecida se eu comprasse algo sem falar com ela antes.

Claro, claro.

É melhor que marido e mulher decidam sobre isso.

Podemos marcar uma hora? Seria bom.

Não posso falar com ela sobre isso, Sr. Grindell.

Pensaria que estou num caso muito perigoso. Chora facilmente.

Até quando perde no boliche.

É duro de se convencer, Tenente.

Sinto. Só estou mesmo aqui...

Olá, Tenente.

Olá, Sr. Baskin.

Descobriu algo?

Muito obrigado, senhor.

Me desculpa.

Cavalheiros, com licença.

Já viu o estojo de navegação do Sr. Brown?

Claro, o tempo todo.

Sabe o que ele continha?

Um monte de mapas e cartas.

Viu esses mapas e cartas?

Sim.

Os viu no dia do acidente?

Não, não abri o estojo naquele dia.

Diz que o segurou naquele dia?

Sim. Carreguei-o do avião pro caro.

Estava pesado?

Não mais que o usual.

Carregou-o de volta do carro pro avião quando eles partiram?

Não, Tommy o levou.

Por que? Alguma coisa, Tenente?

Não, acho que não, senhor. Não.

Olhe, não sou muito esperto. Não sei como ele fez, mas sei que fez algo.

Odiava minha irmã. Nunca a amou, só a usava.

Sim, já me disse. Mas isso não explica porque a mataria.

Ela sabia coisas sobre ele.

O que?

Não sei. Não quis me dizer.

Acredito que é sincero, senhor, mas não há prova de nada.

O senhor não conhece Tommy Brown como eu. Deve interrogá-lo.

Farei isso.

Mas entenda que será só formalidade.

Então faça. Logo, hoje.

Não acho que hoje seria o momento certo.

Tenente, quero que veja como Tommy Brown é.

Fale com ele. Como um favor pessoal, hoje, por favor?

Está bem.

Vou com o senhor.

Vê o que eu quis dizer, Tenente? Ele nem esperou.

Alugou o lugar quando ainda estava no hospital.

- $2,000 por mês. - O que?

Não há lei contra isso, Sr. Baskin.

Ouça todo esse burburinho. Minha irmã nem está no túmulo ainda.

Não há lei contra isso também, Sr. Baskin.

Talvez não seja boa ideia ver seu cunhado agora.

Por que não? Ainda trabalho pra ele.

Terei de dizer a ele que você fez a denúncia.

Bom. Quero ver a cara dele quando...

Um momento. Ouça-me.

Falarei com ele a sós. É o jeito certo de fazer isso.

- E se o senhor causar confusão... - Não causarei. Prometo que não.

Está bem.

When Sunday mornin' comin' down

In the park I saw a daddy

With a laughin' little girl that he was swingin'

And I stopped beside a Sunday school

And listened to the songs that they were singin'

Then I went on down the road.

- É o Sr. Brown? - Ele mesmo.

A lonely bell was ringin'

And it echoed through the canyon

Like a disappearin' dream of yesterday

On a Sunday mornin' sidewalk

I'm wishing, Lord, that I was stoned

'Cause there's somethin' about a Sunday.

- Parece bom. - Sirva-se à vontade.

- Acha que posso? - Claro.

Não almocei.

Sinta-se em casa.

- O que é isso? - Chili.

Parece bom.

Pegue um pouco.

Acha que posso?

And Sunday mornin' comin' down

Delicioso. Nunca havia provado um chili assim antes.

Receita especial, com carne de esquilo.

- Bom, não? - Isso explica tudo.

Ei, Luke! Pensei que vinha conosco. Onde esteve?

Fui pegar a polícia pra descobrir como matou Edna.

Ficou maluco?

Você fez isso. Sabe que fez. Matou as duas.

Está despedido! Saia daqui!

Está maluco? Tire-o daqui! O que há com você?

Me dê isso.

Está maluco?

Ponha-o pra fora!

Rapaz!

Sr. Brown, sinto terrivelmente sobre isso.

Quem é você?

Tenente Columbo, do D.P.L.A., Homicídios.

Homicídios!

O que ele disse sobre mim?

Se pudermos falar em particular. Nada com que se preocupar.

Só umas perguntas de rotina.

Não precisam parar. Voltarei logo.

Deixe-me ver a guitarra. Se a quebrou, quebro seu pescoço.

Venha aqui.

Não se preocupem, pessoal. O Sr. Brown voltará logo.

O que ele quis dizer, assassinato?

E por que estou falando com alguém de Homicídios?

Me sinto horrível, senhor. Digo, foi horrível.

Não pude impedir seu cunhado de vir aqui. Podia ter previsto...

- Ok, do que se trata? O que ele disse? - Nada pra se preocupar, acredite-me.

Só entenda que quando um membro da família

faz uma denúncia temos que cumprir certas formalidades: fazer perguntas,

um relatório...

E acho que tudo isso parece meio ruim, huh?

Esta grande casa, a festa e tudo o mais?

Não, senhor. É uma espécie de refrigério.

No meu trabalho, homicídios, alguém está sempre bem morto.

É o único modo de dizer isso.

Digo, só nos chamam se alguém está morto.

E naturalmente, vejo muita tristeza.

Olhe, Tenente,

não vou lhe dizer que Edna e eu não discutíamos.

Não se pode passar um dia com Edna sem discussão.

Não conheceu Edna. A Cruzada. Eu era só para a Cruzada.

Só achei que alguma coisa devia ser minha pelo que faço, sabe.

Dou tudo de mim, todo o meu tempo.

Quartos de hotéis sujos,

- Sr. Brown. - vestiários sujos, café velho...

Sr. Brown, não vim aqui pra me intrometer em sua vida pessoal.

Minha vida pessoal é um livro aberto.

Todos sabem que estive preso.

Sim, senhor.

Mas o que fez desde que saiu

tem sido uma inspiração para muitas pessoas.

Então por que veio me incomodar?

Como disse, são só perguntas de rotina.

Mas posso voltar outra hora, quando estiver mais tranquilo.

Prossiga. Faça suas perguntas.

Tem certeza que está tudo bem?

Vamos acabar com isso.

Não se importa?

Vá em frente.

Tentarei ser breve.

Estive no local do acidente e falei com o Sr. Pangborn lá.

- Quer um pouco de café? - Não, muito obrigado.

Estávamos ambos imaginando

porque seu cinto não estava preso no momento do acidente.

Oh, isso?

Bem,

quando a energia se foi as luzes se apagaram.

Tentei alcançar o porta-luvas pra pegar uma lanterna.

Pra isso tive que soltar o cinto.

Foi quando perdi o controle.

Isso explica tudo.

Direi ao Sr. Pangborn, pra que ele não o incomode por isso também.

Obrigado.

O que mais posso lhe dizer?

Tem um lápis?

Não.

Tudo bem, vou me lembrar.

Aqui está.

O estojo de navegação.

O que tem ele?

Não havia cinzas dentro dele, sabe.

Pensamos no que teria acontecido com as cartas

e mapas que havia dentro dele.

Quando a energia se foi, o descongelador parou de funcionar.

Abri a janela pra tentar ver onde estava indo

e todos os mapas e papéis foram sugados. Saiu tudo pela janela.

Grande sucção.

Direi isso ao Sr. Pangborn também. Estávamos curiosos.

Obrigado. Agradeço isso.

Terminei.

Me apressou mesmo, Sr. Brown.

Nunca fiz perguntas tão rápido em minha vida.

Sempre achei indelicado atirar perguntas nas pessoas.

Se é seu trabalho, é o que tem que fazer.

Sinto pelo que aconteceu lá fora.

Espero mesmo que sua guitarra esteja bem. É uma beleza.

Não há outra no mundo com esse timbre.

Uma grande guitarra. Feita a mão.

Num avião peço um assento extra e a ponho bem do meu lado.

Não brinque.

Sim.

Sorte ela não estar no avião com você a noite passada.

Foi um alívio mesmo. Estive preocupado com isso.

Em sofrer um acidente com ela?

Não, sobre ela se descolar ou rachar

em altitudes elevadas, em um avião despressurizado.

Olhe para essa guitarra. Montada com uma cola muito especial.

Diferentes pedaços de madeira que parecem um só.

Sinta como é suave aqui atrás.

Variações de pressão e altitude

podem afetar uma guitarra como essa e arruinar seu timbre.

Por isso disse a Luke para levá-la no ônibus.

Que bom que me disse isso.

Por que?

Foi isso que fez seu cunhado suspeitar que tinha matado a irmã dele.

O fato de ter se separado de sua guitarra. Disse que foi a 1a vez que fez isso.

Então também fico feliz por ter lhe contado.

Isso encerra tudo.

Na certa juntaremos isso ao relatório do Sr. Pangborn.

O relatório do Sr. Pangborn me deixará mal o bastante. Pilotei muito mal.

Tomara que eu descubra algo que não se pareça com erro do piloto.

Se acontecer o informarei.

Ainda não terminou?

Só mais umas coisinhas pro meu relatório na sede.

Nada para se preocupar, Sr. Brown.

Muito obrigado.

De nada.

Agradeço pelo seu tempo.

Foi um prazer. Avise-me quando puder ajudá-lo.

Por aqui, senhor.

Pise sobre o assento, Tenente.

Senhor.

Basta pisar sobre o assento, senhor.

Só pise com cuidado, senhor.

Está tudo bem, Tenente?

Obrigado, senhor.

Com licença, uh...

Com licença.

Sim, senhor.

Procuro por alguém que estava aqui na noite em que Tommy Brown decolou.

Quem é o senhor?

Uma boa pergunta.

Polícia.

- Sr., Jeff estava aqui naquela noite. - Muito obrigado.

Com licença.

Sim?

D.P.L.A..

Sim, senhor.

Estou investigando o acidente aéreo de Tommy Brown.

Oh, sim.

Lamentei muito ter sabido disso.

É um fã dele?

Sim. E o senhor?

Minha esposa mais do que eu, mas sou também.

Imaginei se me daria umas informações sobre o voo.

Eu os vi fora. Não sei nada sobre o acidente.

Certo. Claro.

Sabe, temos que checar todos os pequenos detalhes.

Não significam nada, mas...

Disse que os viu fora. O que fez?

Ajudei com a bagagem, retirei as traves, coisas assim.

Bagagem.

Que bagagem?

Bem, as senhoras tinham duas malas.

E o Sr. Brown, só o estojo de navegação.

Chiclete?

Não, muito obrigado.

Ajudou com a bagagem?

Sim, senhor.

Coloquei no compartimento de bagagem atrás da cabine.

Você notou algo incomum na bagagem?

Incomum?

Muito pesada, muito leve, coisas assim.

Não. Só bagagem.

E o estojo de navegação estava pesado ou leve?

Não sei. O Sr. Brown o levou a bordo.

Na cabine?

Sim, senhor. No assento do copilo.

Só seria útil no bagageiro se você fosse um pássaro.

Suponho que sim.

Então, na cabine só havia os passageiros e o estojo de navegação?

Sim, é isso.

Oh, a garrafa térmica. Nada de mais.

Que garrafa térmica?

Muitos pilotos levam uma garrafa térmica com café a bordo.

A garrafa estava dentro do estojo de navegação?

Não, senhor. Nem haveria espaço pra ela com todas aquelas cartas.

O Sr. Brown a colocou no assento do copiloto, junto ao estojo.

Você foi de grande ajuda.

Fui?

Muito bom.

Tina, leve a programação para o organizador.

Faça com que voltem a tempo, certo?

Depois faça uma longa lista de coisas que posso fazer por você,

por ser tão boa pra Tommy Brown.

Tem medo de mim?

Não.

Toda vez que me aproximo você recua.

Acho que é medo de mim mesma.

É só isso?

É muito recente a morte de sua esposa.

Entendo.

Mas entende que Edna e eu nunca nos amamos?

Não diga isso.

Entre, não está trancada.

Tenente Columbo.

Entre e descanse.

Interrompo algo?

Não, entre.

Tina, cuide dessas tarefas, certo?

E não se esqueça da lista.

O que posso fazer pelo senhor, Tenente?

Brandy ou bourbon?

Não, parece mais um homem de cerveja.

- Obrigado, mas estou em serviço. - Sim, quase me esqueci.

Ei, pula muito bem sobre isso.

É preciso mais que uma perna quebrada pra me derrubar.

Garota adorável.

Quem? Tina? Realmente, é linda.

Tem me ajudado muito nesse período.

Ela o admira muito. Pude ver isso.

Vamos, Tenente,

não me diga que o fizeram voltar aqui por causa do delírio de Luke?

Receio que sim, senhor.

Por mim, esqueceria tudo.

Iria atrás de outra coisa.

Sabe qual é o problema?

O senhor é uma celebridade.

Por sua causa meu chefe não me deixará encerrar o caso até eu investigar tudo.

Toda ponta solta tem que ser presa.

Me deixará louco. Esse é o problema.

Uma vergonha, realmente.

Um homem com seu talento...

Assassinos reais soltos por aí. E o mandam perseguir fumaça.

O que vou fazer? É meu trabalho, certo?

"Faça o melhor com o pior".

Isso me lembra...

Podia me ajudar a esclarecer umas coisas.

Claro, com prazer.

Mas, coma algo. Parece ter fome.

Não, muito obrigado. Acabei de almoçar.

Café?

Bebi no almoço.

Está me embaraçando, Tenente. Não me deixa fazer nada pelo senhor.

Na verdade, senhor, há algo que pode fazer por mim.

- Responder a umas perguntas. - Claro. Terei prazer.

A primeira de todas, uh, a garrafa térmica.

A que levou no avião.

O que tem ela?

Poderia me dizer o que tinha nela?

Só café.

Café.

Por que? Qual é o problema?

Não a encontraram. A garrafa.

Não a acharam no local do acidente. Chequei com o Sr. Pangborn.

E daí?

Sabe, tudo o mais no avião foi esclarecido.

É mesmo importante saber o que aconteceu com a garrafa?

Não creio que faça diferença. Mas, como disse antes,

é o tipo de "ponta solta" que tenho que prender.

Ou não me deixarão encerrar esse caso.

Entendo.

Esse é o meu problema.

Entendo o que diz.

Temos só que achar as respostas certas pra elas.

Algo que os contente.

Sim.

Nem sei o que escrever.

Vou ajudá-lo no que puder.

Se pudesse se lembrar de algo, senhor, apreciaria muito.

Por que não diz que a garrafa se queimou no acidente, o que é provável?

Sabe, pensei nisso. Mas me informei no laboratório.

A garrafa não seria consumida pelo fogo. Dentro dela há metal e vidro.

É.

Essa está difícil.

Sim. Não encontro uma resposta.

Pense nisso:

fui atirado vivo do acidente.

Quebrei uma perna, mas fui atirado vivo.

Algo tão leve como a garrafa pode ser projetado longe. Talvez inteira.

Inteira?

Sim.

Nada mal.

Nada mal.

Atirada inteira.

Sabia que cedo ou tarde o ajudaria de algum modo.

Nada mal.

Acho que aceitarão essa.

Está bem.

Muito obrigado.

De nada. Foi um prazer ajudar.

Foi de grande ajuda.

Agradeço pelo seu tempo.

Certo.

Tudo certo.

Não sei o que há comigo.

Na última vez que estive aqui esqueci de lhe perguntar.

O que há comigo?

Onde aprendeu a pilotar?

Tenente, pensei que conhecia a história da minha vida.

Oh, não, não.

As pessoas pensam que temos tudo registrado em microfilmes.

Só temos que apertar um botão e...

E não têm?

Temos, mas não tudo.

Aprendi a pilotar há mais de 20 anos

na Força Aérea, um pouco.

Aprendi a pilotar um pouco.

Um pouco?

Admito que não passei para cadete. Era muito chato.

Tirei uma licença civil depois da guerra da Coreia.

Esteve nessa guerra?

Sim. Esteve também?

Sim, estive. Mas não na Força Aérea.

Não brinque. Vou adivinhar onde.

Polícia Militar.

Serviço de cozinha, principalmente.

Onde o puseram depois que foi reprovado pra cadete?

Cara, conhece o serviço. Tudo de ruim que aparecia eu fazia.

Pegar pontas de cigarro, limpar latrinas, recados pro comandante, tudo.

Cara, o serviço militar foi terrível. Algo mais?

Não, senhor. Já chega, obrigado.

Pode atender. Já terminei.

Obrigado, senhor.

Alô!

Está bem. Ponha-o na linha. Alô, Sid, aqui é Tommy.

Não. Ouviu direito, Sid. Vamos parar o projeto.

Vamos parar a construção do santuário.

Não sei. Não sei dizer.

Pague a todos até o dia de hoje e diga que veremos, ok?

Certo. Até logo.

Com licença, senhor.

Tenente, se sua carreira policial falhar, poderá bem ser um gatuno.

Lamento. Sabe o que houve?

Vi esta anotação aqui pra lhe perguntar.

Pergunte, camarada.

Esqueci porque estava por baixo de "piloto".

Para "erro de piloto".

E do que se trata?

Se informou sobre o tempo antes daquele voo?

Claro. Todo piloto faz isso.

De acordo com a Estação Meteorológica de Bakersfield,

havia previsão de "teto baixo" em L.A..

Se tivesse partido uma hora antes evitaria isso.

Saí depois por causa do público de Bakersfield.

Não me deixaram sair do palco. Adoram country em Bakersfield.

Com certeza. Vi isso.

Mas seu cunhado me disse que o senhor tirou um cochilo.

Sempre cochilo antes de um voo noturno, especialmente depois de uma apresentação.

Estava "morto".

Sei que seu pessoal burocrático o está deixando maluco.

Sei que odeia fazer essas perguntas estúpidas que o mandam me fazer.

Quero que lhes diga uma coisa por mim.

Todas essas pontas soltas

que estão tentando prender não darão em nada,

porque Tommy Brown estava no avião quando ele caiu

e se eu tivesse feito algo ruim não teria arriscado meu pescoço.

Deixarei isso bem claro pra eles, senhor.

Columbo, diga às pessoas do seu escritório outra coisa:

não tenho nada a esconder.

E acho que me ouviu ao telefone.

Ouvi-lo ao telefone? Não, senhor, não.

Mas sabia que iria parar o projeto.

Falei com os arquitetos esta manhã.

Contudo, ajuda muito conhecer seus motivos. Obrigado.

Um dos nossos, senhor?

Coronel!

Oh, desculpe.

747. Gostaria de pousar um desses.

Deve ser um grande desapontamento para o senhor.

O que?

Oficiais da Reserva.

Há um trabalho a ser feito, Tenente, e cabe a mim fazê-lo.

Brown.

Brown.

Brown, Thomas.

Oh, claro.

Nunca esqueço do pessoal sob meu comando.

Se não pelo nome, pelo rosto.

Não foi pro Vietnam, mas me lembro do rosto.

Serviu na sua unidade na Coreia.

O que houve com ele?

Ele é Tommy Brown agora.

Tommy Brown.

Um grande astro.

Mesmo? Astro do cinema?

Não, senhor. Música country. Entretenimento. Ele é muito bom.

Não essa coisa de "twist", que degeneram...

Não, senhor. Música popular. Tommy Brown é um cantor.

Ótimo. Desde que não seja piloto.

Reprovado para cadete, me lembro. E transferido pra minha unidade.

Ouviu falar do acidente com um avião particular na outra noite?

Oh, sim.

Ele era o piloto.

O cara que saiu vivo?

Sim, senhor.

Nem fiz a ligação.

O que ele fazia em sua unidade, senhor?

Equipamento de paraquedas.

Dizr que cuidava da máquina que enrolava o paraquedas?

Não nesta vida, Tenente.

Isso era feito a mão.

Cada homem dobra o seu.

Algumas coisas na vida nunca mudam, Tenente.

Sim, senhor.

Posso usar seu telefone?

Seja breve, está bem?

- Nunca se sabe quando ocorre um alerta. - Com certeza.

Me ligue com o escritório do Médico Legista.

Tenente Columbo.

Columbo.

Vou aguardar.

É mesmo para assuntos oficiais.

Ainda são de seda?

Falando comigo?

"Bata na seda". É...

Só uma expressão. Nos velhos tempos eram.

Nylon. 60 metros quadrados de nylon num paraquedas pessoal padrão M-4.

A que velocidade desce com um homem?

20 pés por segundo, em média.

Não é muito rápido?

Há um modo apropriado de aterrissar, Tenente.

Alô! O Médico Legista.

Tenente Columbo.

Quanto mede essa bandeira?

Não é uma bandeira, Tenente, é um estandarte.

Uma águia e estrelas sobre um fundo azul.

O emblema oficial da Força Aérea dos Estados Unidos.

E que tamanho tem?

27 pés quadrados, por que?

Quanto é isso em metros?

Devia saber, Tenente, 3 metros quadrados.

- Um paraquedas tem 60m quadrados? - Correto.

- 20 vezes maior que isso? - Elementar, Tenente.

Alô!

Sim, sou eu.

Alô!

Doutor? Sim.

É Tenente Columbo.

Quero solicitar uma autópsia

em duas falecidas já enterradas.

Sra. Edna Brown e Srta. Maryann Cobb.

Just like a blind man I wandered astray

Straight is the gate and narrow the way

Then like the blind man that got back his sight

Praise the Lord, I saw the light

Ei, Columbo!

Entre. Junte-se à sessão.

Não estraguei a gravação, não foi?

A luz não estava acesa, por isso entrei.

Playback. Um concerto que fiz a noite passada.

O que acha?

Oh, é bom.

Estivemos lá.

No concerto?

Minha esposa e eu estivemos lá.

Está mesmo chegando, Tenente.

Pode baixar um pouco, Bill?

O que foi?

Abriu seu concerto com essa música.

E o encerrei com ela também.

Número um nas paradas.

Isso mesmo, Tenente.

Não gosta?

É muito boa, muito popular. Ouço-a tocando nos carros, nas lojas.

Um garoto a tinha tocando em seu bolso.

Bem aqui.

Mas o som é diferente aqui.

E notei que no concerto da noite passada...

Audiência ao vivo. O som é diferente, é ao vivo.

A que toca na cidade é uma gravação de estúdio anterior.

Isso explica tudo.

Há uma pergunta que gostaria de lhe fazer.

Pediu que desenterrassem o corpo de minha esposa, certo?

Correto. Ambos os corpos.

- Vão fazer autópsias? - Sim, senhor.

O que esperam descobrir?

Sr. Brown, não acho que...

Tudo bem, por favor, responda à pergunta: exatamente o que esperam encontrar?

Não sei.

Não é um prodedimento incomum na polícia.

Depois de um acidente aéreo?

Pra saber se o piloto sofreu um ataque de coração,

se há evidência de drogas...

Tenente, eu era o piloto e estou bem vivo.

Sim, senhor.

Aquele cara da segurança aérea, como se chama?

Sr. Pangborn.

Ele pediu todos os tipos de testes no sangue.

Sim, senhor. Todos negativos e seu E.C.G. foi normal.

O que deve tê-lo deixado contente.

E a autópsia mostrou algo incomum?

Não, senhor. Nada de incomum.

Eu poderia ter-lhe dito isso, Tenente.

Claro que quando digo "nada incomum" quero dizer que,

sob circunstâncias normais, não há nada incomum.

O que está tentando dizer, Tenente?

Barbitúricos, senhor.

Encontramos evidência de barbitúricos em ambas as mulheres.

E, de acordo com a crença religiosa delas,

é proibido o uso de qualquer droga ou estimulante.

Verdade, mas o usavam como pílula contra enjôo.

Mas barbitúricos são pílulas pra dormir.

Pílulas pra dormir funcionam às vezes contra enjôo, Tenente.

Mesmo?

Não sabia disso.

Isso deve explicar tudo. Muito obrigado.

Tommy, vou tocar a faixa 8 agora.

Bill, desligue isso!

Mais alguma coisa, Tenente?

Não, senhor.

Eu poderia ter uma fita deste concerto?

Estará nas lojas em alguns meses.

Não, digo, posso ter uma cópia antecipada?

Por que não?

Muito obrigado.

Posso?

Suas mãos estão limpas? Deixe-me ver.

Tudo bem.

Isso é nylon, não?

Sim.

Prefiro algodão. Mas as pessoas hoje não querem ter muito trabalho.

Imaginava se poderia me ajudar.

Meu nome é Tenente Columbo, do Departamento de Polícia de Los Angeles.

Columbo é um nome italiano.

É sim, senhora.

Pode me dizer quanto...

Meu marido era meio italiano. Muito caloroso, como são os italianos.

Pode me dizer, senhora, quantos metros...

Era um bom cantor também.

Claro, era magro e tinha um bigode louro.

Por ser meio escandinavo.

Tenente Columbo, é do Exército?

Departamento de Polícia de Los Angeles.

Fizemos algo de errado?

Não, senhora. Que eu saiba, não. Estou aqui em uma investigação.

De que? É da Unidade de Costumes? Não me lembro de ter feito nada.

Não, senhora. Não sou da Unidade de Costumes.

Só queria lhe perguntar sobre esses adoráveis roupões para senhoras.

Quer saber quanto tecido se precisa para fazer um.

Depende. A Helen ali precisa de uns 4 metros. Eu só preciso de uns 2.

- Ela faz os tamanhos grandes? - Erra, é o que faz. Coitadinha.

Uma vez fez dois lados esquerdos e não sabia porque não abotoavam.

É muito querida, mas não é boa costureira.

Vou lhe pedir uma coisa, querida. Posso dar uma olhada nisso?

Se tiver cuidado.

Só por um minuto.

- Certamente, mas com cuidado. - Muito obrigado.

- Posso, por favor? - Claro.

Vá até ali.

O que está fazendo?

Quantos metros quadrados vêm num rolo desses?

Cuidado, não desenrole até o fim ou irá sujá-lo.

Estou curioso sobre a metragem.

Com certeza está.

Poderia me mostrar como seriam 60 metros quadrados disso?

Em primeiro lugar, isso não é um rolo, é um parafuso.

60 metros quadrados. Um momento.

São 10 X 6 metros.

Esse tem 30 X 18 metros.

Esse não pode ter 60 metros quadrados.

Não tem nem mesmo 20.

Tem mais?

Sim, temos uma reserva.

Somos como as formigas. Conhece a história.

Tenho um estoque de reserva contra o aumento de preços.

Vou lhe mostrar.

Meu Deus, pretendia encomendar.

Às vezes se esquece de algo?

Às vezes sim, senhora.

Pode me dizer se lembra quanto queria encomendar?

É sempre o mesmo.

E quanto é?

Três parafusos de nylon branco, 1A-447.

E quantos metros há num parafuso, 20?

Não, 15.

15. Então faltam 45 metros.

Faltam 45 metros por puro esquecimento.

E o preço deve ter aumentado 4 a 5 centavos por metro.

Por que faço isso? Esquecer, digo.

Será o que dizem?

Velhice?

Não. Nada disso.

Quem sabe? Mas não é isso.

Quero lhe agradecer muito mesmo.

É bem-vindo.

Gostei de falar com a senhora.

Foi bom tê-lo conhecido.

Oh, céus!

Agora, Tenente, vamos ver o estojo de navegação.

Cabe.

Claro, não há correia presa a ele.

Não caberia se tivesse, como num convencional.

- E um não convencional? - Como assim?

Algo artesanal.

Algo artesanal? Sim, é possível.

O que acha?

Sabe tão bem quanto eu que o diâmetro padrão de um paraquedas é bem maior.

Qualquer um que pulasse com esse desceria bem mais rápido que o normal.

Paraquedas estreitos como esse descem muito rápido, certo?

Pelo menos 20% mais depressa.

Fatalmente mais depressa?

Não necessariamente.

O cara provavelmente quebraria algo: um braço, uma perna, uma bacia.

Um tremendo risco.

Um assassinato também.

Sei onde está quer chegar, mas não sei como vai provar

que o cara pulou sem ter achado o paraquedas.

Nem eu.

Vê?

E se foi premeditado, ele na certa o destruiu.

Mas como pode tê-lo destruído?

Não se arriscaria a queimá-lo. Veriam as chamas.

Então ele o escondeu em algum lugar.

Ou enterrou. O que vai fazer? Cavar toda a montanha?

Muito obrigado. Venha.

Seu pessoal não encontrou a garrafa térmica, encontrou?

Não.

Deve ter sido atirada pra fora durante o voo.

Pode ser.

Se o piloto pulou pouco antes da colisão,

não pousou muito longe do local do acidente.

- Certo? - Certo.

Mas não há indício que havia um paraquedas a bordo.

Há um, Sr. Pangborn. Aquele estojo de navegação vazio.

Onde não cabe um paraquedas convencional.

E um não convencional?

O que posso dizer é que ele teria que ser um perito em paraquedas.

Ele era. Verifiquei seu registro militar.

Depois que foi reprovado para cadete se tornou um armador de paraquedas.

Ainda seria difícil procurar por toda a montanha algo queimado ou escondido.

Uma montanha inteira. Quem poderia achar?

O cara que o escondeu.

Há a versão original, que ouço no rádio. E a versão gravada ontem no estúdio.

Essa é a versão original.

E essa é a nova versão.

Espero tê-la comigo.

Sei que tinha.

Tenho.

Paciência comigo, senhor.

Essa é a nova versão.

Notei que o arranjo foi mudado.

Tem um bom ouvido pra música.

Sabe, sou italiano.

Sim, eu sei.

Falei com seu arranjador.

Nick Solecanto?

Ele mesmo.

Sabe, é italiano também.

Sim, eu sei.

Perguntei-lhe se houve uma razão especial para ter mudado o arranjo.

Ele disse que sim.

Maryann era soprano e Tina é contralto.

Eu mesmo poderia ter-lhe dito isso.

Eu sei. Mas receava que minha próxima pergunta o embaraçasse.

Perguntei ao Sr. Solecanto

quanto tempo se leva pra mudar um arranjo como esse.

Ele disse uma semana.

E imaginou como eu sabia que precisaria de um novo arranjo

uma semana antes da morte de Maryann, certo?

Sim, senhor.

Era a pergunta embaraçosa.

Não mesmo, Columbo.

Era porque sabia que iria substituir Maryann por Tina.

Gosto mais da voz dela nos solos.

Exatamente o que pensei. Na verdade, gosto mais também.

Mas queria ouvir sua explicação.

Aí está.

Encerrado.

Isso definitivamente encerra o caso, senhor.

Fico feliz em saber.

Meus superiores terão que concordar que fui bastante minucioso neste caso.

Realmente foi.

Há só mais uma coisa, senhor.

O que?

Vou lhe explicar num minuto.

Posso usar seu telefone?

À vontade.

Milt? É Columbo.

Fez contato com aquele escoteiro?

Sim, amanhã será bom, mas terão que começar cedo.

E quanto à Guarda Florestal e à unidade do Xerife?

A 1a coisa que farão amanhã?

Ótimo.

Excelente.

Até logo.

Isso teve algo a ver comigo?

Sim, senhor, teve.

Hesitei em mencionar.

Fale.

Senhor, bebeu o café que estava na garrafa que levou no voo?

Não.

Achei que não.

Se meu palpite está correto, é um homem de muita sorte.

Que palpite?

A dose de barbitúricos na autópsia das duas mulheres era bem maior

do que a que se tomaria para enjoo.

Uma dose quase letal, suficiente pra derrubar alguém.

É mesmo?

Se estavam naquele café,

podem ter sido colocados por alguém que queria fazê-lo dormir nos controles.

Talvez alguém quisesse matá-lo.

E por que alguém iria querer me matar?

Sr. Brown, não sei. Mas o senhor é uma celebridade.

Há muitos malucos nesse mundo.

E as reações das pessoas são imprevisíveis.

Às vezes até desconfio da minha esposa.

Não que ela seja maluca,

mas quando ouve seus discos... Se continuar assim...

Mas não é como se ela quisese me matar.

Não, pelo contrário.

Mas não é assunto pra riso.

Isso pode ser sério.

As únicas digitais que devem estar na garrafa

são as suas, da sua esposa e da garota, certo?

Certo.

Mas se alguém queria

que dormisse nos controles e morresse no acidente,

pode ter se descuidado com as digitais.

E deixado alguma na garrafa quando "reforçou" o café.

Tenente, o senhor tem muita imaginação, sabe?

Mas, quando tenho um palpite e o ignoro sempre me arrependo.

Vou colocar um policial com o senhor até achar a garrafa.

Pode nunca achá-la.

Vamos encontrá-la. E pode ter razão. Ela pode ter sido projetada na queda.

Mas com os escoteiros, os guardas florestais e a unidade do Xerife,

vasculharemos cada centímetro daquela encosta.

Vasculharemos e vasculharemos, até acharmos a garrafa.

Enquanto isso, o senhor terá um policial de guarda.

É muita gentileza sua. Agradeço muito.

Mas não será necessário, Tenente.

Partirei numa turnê.

Vai partir, senhor?

Com certeza que vou.

Quando irá?

Esta tarde.

Por quanto tempo?

Meses. Começo amanhã à noite em São Francisco.

Ficará fora por meses?

Isso mesmo. Qual é o problema?

Nenhum, senhor.

Só não estava preparado pra isso.

Foi mesmo muito bom tê-lo conhecido, Tenente.

Apreciei falar com o senhor.

Desejo-lhe a melhor das sortes.

O mesmo para o senhor.

A que horas parte seu avião?

Às 16:05.

Boa viagem, senhor.

Obrigado.

Para onde, Tenente?

Só até depois da curva.

Ele disse que vai sair da cidade, mas não acredito.

"Plantei uma semente" pra ver no que dá.

Ele irá às montanhas antes. Vire e estacione.

Tudo pronto, Tommy.

Muito obrigado, Chris.

Nos vemos em São Francisco.

Vá com calma.

Parece que vai mesmo.

Ei, Columbo!

O que está fazendo aqui? Venha cá.

O que está fazendo aqui?

Eu o segui, pra dizer a verdade.

Disse a meus superiores que o podiam estar perseguindo.

Se algo lhe acontecesse em LA me cortariam o pescoço.

Pensei que se preocupava com o meu pescoço.

Claro, com o seu também.

Mas o fato é que não descansarei até vê-lo no avião.

Aprecio muito isso. É muita gentileza sua.

Deve ter algum metal com o senhor.

Coloque as coisas naquela bandeja e passe novamente.

Está bem.

And the beer I had for breakfast

It wasn't bad

For dessert

Then I fumbled in the closet

Obrigado, senhor.

De nada.

Ei, Columbo.

Mantenha a lei e a ordem em minha ausência.

Tentarei, senhor.

Stumbled down the stairs to meet the day

Dê um alô à sua esposa por mim.

On a Sunday morning sidewalk

I'm wishing, Lord, that I was stoned

Ei, senhor!

Oh, D.P.L.A..

Ele foi, senhor?

Foi.

Está naquele avião.

Não se pode ganhar todas, Tenente.

Acho que não.

Tenho que fazer uma chamada.

Unidade 10.

Quer que o leve de volta?

Mandei o oficial que me trouxe aqui voltar para jantar.

Achei que podíamos voltar juntos.

Ninguém me seguiu aé aqui.

Me certifiquei disso.

Tem razão, senhor.

Estava lhe esperando ali naquela rocha. Dei-lhe 1 hora pra voar até São Francisco.

Meia hora de espera e outra hora pro voo de volta.

E 1 hora pra dirigir até aqui.

Sabia que eu viria aqui?

Sabia. Depois não sabia, e depois sabia.

Quando lhe disse que íamos procurar a garrafa,

com os guardas florestais e escoteiros,

sabia que o preocuparia e viria aqui procurar o paraquedas.

Mas quando foi ao aeroporto,

pegou o avião e o vi decolar, pensei que tinha partido.

Então ouvi as chaves.

Um pequeno tilintar de chaves.

Quando esvaziou seus bolsos no aeroporto

suas chaves estavam com a caneta, o isqueiro e algo mais.

Me lembrei que as chaves tinham uma etiqueta.

Essa etiqueta.

Etiqueta de aluguel de carros.

Aí eu soube.

Um homem que dirige um carro alugado

e leva as chaves do carro com ele num avião,

sem devolvê-las no aeroporto,

é porque vai voltar.

Não tem medo de ficar aqui sozinho com um assassino?

Não, senhor.

Pressentia que cedo ou tarde

confessaria, mesmo que eu não o tivesse pegado.

Tem razão, Tenente, teria.

Porque isso me perturbava e estou contente por ter acabado.

Ouça, um homem que pode cantar assim não pode ser de todo mal.

I saw the light, I saw the light

No more darkness, no more night

Now I'm so happy, no sorrow in sight

Praise the Lord, I saw the light.

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