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A maior parte das pessoas
passa a vida tentando não ser atingida.
-Tudo bem? -Tudo.
-Você viu a luta ontem? -Se vi! Eu teria vencido.
O truque é seguir o fluxo e torcer para não ser nocauteado.
Nosso mundo nasceu de forma violenta...
Em uma tempestade que existe desde o início dos tempos.
Uma tempestade com o poder de destruir planetas.
Uma colisão poderosa pode mudar tudo.
Isso já aconteceu antes e pode acontecer novamente.
A maioria de nós vive em uma sublime ignorância
sobre o caos que nos cerca.
Mas oito astronautas, que ao todo passaram mais de
mil dias no espaço, podem nos dizer como estar lá em cima
os ajudou a realmente compreender o que
acontece aqui embaixo.
Todos os dias, a Terra passa por 40 toneladas
de material no espaço.
Há muita atividade, muita ação,
e nosso planeta está bem no meio disso.
O espaço não é um imenso vazio, mas uma dinâmica...
tempestade cósmica.
É uma tempestade que poderia nos matar.
Mas, sem ela...
nós sequer estaríamos aqui.
Esta é uma história sobre as estranhas ligações, os encontros
por um triz e os golpes de sorte que criaram este incrível mundo.
Há 4.5 bilhões de anos nosso planeta tem sido maltratado,
machucado, socado e espancado. Mas nós continuamos de pé.
Na verdade foi a batalha que nos construiu, e esta
é a história de como aconteceu.
Obrigada, rapazes.
Legal.
Nicole Stott é engenheira, piloto e...
Ah, sim. Ela viveu três meses no espaço.
Isto é legal.
Mão esquerda.
Certo, estou saindo.
Nicole, o cabo da sua cintura está enroscado no aro.
Francamente, ela é fera.
Imagine que eles são todos pressurizados,
e você se esforça para tentar movê-los.
Lá estava eu. Foi inacreditável. Eu passei quase 20 anos ajudando
a construir espaçonaves, e agora lá estava eu em uma delas.
É incrível.
Está tudo bem, Nicole?
Lembra de me ver caminhando no espaço?
Sim.
-Foi divertido? -Assustador.
-Do que você teve medo? -De você cair.
Quando você está no espaço, 400 Km acima de nosso planeta,
olhando para estas coisas que você pensava conhecer...
Você as vê de uma maneira totalmente nova.
Por exemplo, a primeira vez que eu vi uma estrela cadente
da estação espacial, foi uma lembrança bem visual
de que existem muitas outras coisas viajando
pelo mesmo espaço no espaço.
O que eu vi, e a primeira vez que vi eu levei um susto,
foi uma estrela cadente passando por baixo de nós.
É um micro-meteorito que cai na Terra e se desfaz
ao entrar na atmosfera.
É parecido com fogos de artifício.
Eu estava observando a Terra e batendo uma foto.
De repente, eu vejo surgir um buraco deste tamanho
no painel solar.
Ele provavelmente foi atingido por um grão de areia, ou algo
do mesmo tamanho, viajando a mais de 28 mil Km/h,
em uma órbita diferente.
Você é atingido por rochas o tempo todo.
É possível ouvi-las batendo no casco.
Você vê a marca delas nas janelas da espaçonave.
É impressionante você pensar na quantidade de coisas
que existe no espaço.
A maior parte das coisas no espaço é bem pequena
e se desfaz na atmosfera. Nada com que se preocupar.
Mas existem algumas rochas bem grandes também.
Pergunte aos dinossauros.
Nós acreditamos que o asteroide que provocou a extinção
dos dinossauros partiu dos confins do sistema solar.
Vindo de tão longe, é incrível que ele tenha acertado a Terra.
Ruim para os dinossauros, mas no fim foi bom para nós.
Todos nós pensamos conhecer esta história, mas existe algo
especial no local onde isso aconteceu:
nas selvas do México.
Aqui no México eu tenho a chance de mergulhar no que é
o local mais mágico para o mergulho livre no mundo.
Este lugar incrível foi criado com intensa violência
quando o asteroide caiu aqui...
E o resultado disso é este lugar calmo.
Este paradoxo.
Este lugar, que agora é muito tranquilo, um dia foi
o local onde algo dramático aconteceu.
A vida quase despareceu.
Mas, ao mesmo tempo, foi aqui que a nossa história começou,
e é por isso que nós estamos aqui agora.
Quando esta área foi rastreada, nós vimos que centenas
destas cavernas inundadas
estavam interligadas em um grande semi-círculo.
As bordas de uma cratera imensa
com 177 Km de largura e 19.3 Km de profundidade.
Um asteroide desse tamanho,
atingindo qualquer lugar do planeta, será devastador.
Mas os cientistas acreditam que ele foi especialmente devastador
devido ao local atingido.
Ele caiu em cheio sobre um grande depósito de enxofre.
As rochas de enxofre viraram vapor, lançando bilhões de
toneladas de gás poluente na atmosfera,
bloqueando o sol.
A Terra congelou e os dinossauros morreram.
Então esse imenso asteroide estava viajando pelo espaço
havia bilhões de anos antes de nos atingir.
E a Terra gira, certo?
Se a rocha tivesse chegado apenas alguns segundos depois,
ela teria caído em alto mar.
Não acertaria nada, não haveria tempestade de fogo
e nem extinção dos dinossauros.
A história da Terra é repleta de momentos como este.
É um caso de uma sorte destruidora,
que liga a morte de um planeta...
a 10 milhões de morcegos africanos...
um relógio no céu...
e minúsculas rochas do nascimento de nosso
sistema solar, algumas do tamanho do meu punho.
Muitas rochas vindas do espaço caem aqui.
Se elas atravessam nossa atmosfera e atingem
a superfície de nosso planeta, as pessoas vão até
locais muito remotos para tentar encontrá-las.
Elas são extremamente valiosas
porque contêm a história da origem de nossa Terra.
Aí vem ele.
Seja bem-vindo. Seja bem-vindo.
Onde você achou esta,
haverá outras por perto.
Os meninos precisam voltar
e dar uma olhada.
No Marrocos temos boatos todos os anos de algo super legal,
de um meteorito incrível.
Se um meteorito é encontrado
no deserto e a notícia é divulgada...
Principalmente se ele for de grande valor...
começa uma corrida até o local.
Nós estamos falando das rochas que construíram o nosso planeta.
Alguns dos meteoritos mais valiosos são
condritos carbonáceos. Eles são a forma mais antiga de
material sólido do sistema solar.
Todas as universidades o querem. Todos os museus também.
Os beduínos estão ficando
especialistas em reconhecer estas coisas.
O que você trouxe?
Eu trouxe um meteorito para você.
-Cem por cento meteorito? -Cem por cento.
Onde ele foi encontrado?
Perto de Taos.
É um condrito.
Qual é o preço?
-Me diga você. -Setenta dirrãs por grama.
Para quem não conhece, esta pode parecer uma rocha normal.
Mas as realmente antigas contêm toda a matéria-prima para
construir um planeta como a Terra.
Há 4.6 bilhões de anos, onde fica a Terra hoje, havia apenas
uma gigantesca nuvem de gás e poeira, tudo girando
ao redor do sol recém-nascido.
Foi onde a tempestade cósmica começou, primeiro com
partículas minúsculas atraídas por uma força eletroestática.
É um processo lento, mas no fim as partículas
se transformaram em matéria sólida.
Ainda do tamanho de um grão de areia, mas agora com
gravidade própria suficiente para atrair outros grãos.
Esses grãos formaram rochas, e à medida que elas se uniam,
as colisões aumentavam de intensidade.
Sob imenso calor e pressão, as rochas começaram
a construir nosso planeta.
Parece não haver nada sutil na forma como a Terra
foi construída. Seria quase como construir uma
estação espacial usando uma marreta.
Todos aqueles grãozinhos se unindo...
eles eram tudo que precisávamos para construir um planeta vivo.
O cálcio em nossos ossos, o ouro em nossas alianças, até o ferro
em nossos navios: estava tudo aqui desde o começo.
Exceto uma coisa que era escassa: água.
Mas ela estava a caminho, e vinha rapidamente.
Muitos astronautas lhe dirão que, desde os seis anos de idade,
vendo a chegada à lua, eles sabiam que queriam trabalhar
como astronautas.
Comigo não foi assim.
Minha formação é na engenharia aeronáutica. Eu queria fazer
algo relacionado a voos, que me permitisse aprender
como as coisas voam.
No fim, se você quer saber como as coisas voam,
é difícil não querer saber como os foguetes voam.
Um dia eu recebi um telefonema dizendo que fui escolhida
para um voo de longa duração na estação espacial internacional.
Nicole não pensava em voar na estação espacial:
o trabalho dela era construí-la. Mas, quando chegou lá em cima,
ela continuou pensando em design.
Como engenheira, você pode imaginar que foi difícil olhar
para a Terra sem pensar: "Como ela funciona?"
O que fica óbvio quando você olha para a Terra...
é que a água é o segredo.
No início, a Terra não se parecia com
o planeta azul que eu vi.
Ela era uma rocha seca e estéril.
Para que a vida prosperasse como aconteceu, a Terra precisava
de uma entrega de água.
Nós acreditamos que, assim que a Terra foi formada,
a água veio do espaço, e com muita violência.
Deve ter sido brutal.
Acreditamos que tenha durado cerca de 100 milhões de anos.
Eu vejo cometas e asteroides
colidindo com a Terra, naquela época.
Para ter nosso suprimento de água abundante.
Mas ao contrário de Marte e Vênus, que certamente foram
bombardeados pela mesma tempestade,
nós mantivemos a nossa água.
Para a nossa sorte, a semente que um dia se transformaria
na Terra que conhecemos,
encontrou seu lugar a uma distância perfeita do sol.
O que nós chamamos agora de "Zona Cachinhos Dourados".
Nem muito quente, nem muito frio.
O sistema solar é imenso. A Terra poderia facilmente
ter ido parar em algum lugar onde cada gota d'água poderia
congelar ou evaporar.
Mas aqui ela é sólida, gasosa e líquida o tempo todo.
Só é preciso uma pequena mudança, como um nascer do sol,
para as coisas ficarem um pouco escorregadias.
Para mim, o mais emocionante de escalar o gelo
é que é apenas água.
Todo ano ela muda sua estrutura, ela nunca cresce igual.
Está sempre diferente, então cada subida é única.
É claro que, acima de zero grau, o gelo começa a derreter,
e em algum momento ele pode desmoronar.
Sólida. Líquida. Gasosa.
A água da Terra é metamórfica, constantemente mudando de forma.
E à medida que ela passa de neve a mar, de córrego a vapor,
ela ajuda a manter o clima que mantém este planeta
como um paraíso para a vida.
Do espaço você consegue ver nuvens por cima
da bacia Amazônica, mas você também consegue vê-las
evaporando nos oceanos.
Portanto, estes sistemas são todos interligados.
Aquele processo natural aparentemente inevitável
de transformar os oceanos em chuva,
é a própria essência da vida na Terra.
Sem ele não haveria rios, água no solo,
plantas ou animais. Os continentes estariam mortos.
Eu fiquei surpreso com o quanto o planeta é dinâmico.
Nuvens girando, tempestades com raios se propagando pela
superfície, as correntes oceânicas visíveis...
e você percebe que essa coisa não é uma
rocha morta lá embaixo. Essa coisa está viva.
Então acho podemos agradecer à nossas estrelas da sorte
pelo fato da semente que deu início à Terra estar
no lugar certo, para a água existir em seus três estados.
Nosso planeta nasceu a partir de poeira cósmica, e depois
foi regado por uma tempestade vinda do espaço.
Mas todos esses golpes não foram nada comparados a um que
literalmente dividiu a Terra ao meio.
A Terra tinha uma irmã gêmea.
Uma irmã gêmea que ameaçava a nossa existência.
A Terra é o resultado de muitas colisões. Mas a colisão
mais violenta de todas era desconhecida pela Humanidade.
Desconhecida até nós pisarmos na lua.
Eu me lembro claramente de nossa primeira ida à lua.
Sentada na frente da TV em preto e branco, por algum motivo
eu me lembro que estava comendo um queijo quente, acredita?
Nós pensamos: "Como pode haver qualquer coisa em comum
entre a Terra, com suas lindas cores, e essa lua cinzenta?"
É linda vista daqui, Neil.
Essa superfície cheia de crateras.
É diferente, mas é muito bonito aqui fora.
O que descobrimos nos surpreendeu:
a rocha da lua e a rocha da Terra eram
bastante semelhantes...
Nós queremos que você se apresse.
sugerindo que tanto a Terra quando a Lua
de alguma forma se originaram no mesmo lugar.
É um pequeno passo para o Homem...
Existem apenas algumas maneiras para isso ter acontecido,
e nenhuma delas é bonita.
A principal teoria é que havia algo mais na
"Zona Cachinhos Dourados":
um planeta chamado Theia, que estava em uma órbita
que se cruzava com a Terra.
No espaço, quando duas coisas estão em órbitas que se cruzam,
após algum tempo é inevitável
que essas duas coisas se choquem.
Os dois planetas ficaram derretidos no impacto.
Destroços se espalharam pelo espaço.
Quando essa nuvem de dejetos resfria, ela se condensa
em uma nova parceria cósmica.
O planeta Terra e uma lua incomparavelmente grande.
Nossa lua foi literalmente arrancada de nós.
Por causa disso ela é grande, está perto e nos afeta tanto:
faz o mar subir, faz o mar recuar. Marés. Simples, certo?
Mas as coisas ficam mais difíceis quando
o mesmo mar está coberto por gelo.
Algo que os avós sabem...
e que as crianças modernas gostariam de aprender.
As crianças precisam aprender sobre o poder da lua.
-Meu neto? -Sim?
A maré está subindo!
Não são muitos mexilhões para uma família inteira.
Há comida em abundância embaixo do gelo, mas você
precisa saber quando agir.
Quando a lua está cheia, a água se afasta mais.
Lukasi sabe que, quando a lua está cheia, a maré é mais forte
e ele terá mais alguns minutos
debaixo do gelo, a melhor chance de coletar mais.
Recolha rápido. Ali.
Você ouviu aquilo? Depressa, vamos sair!
Nós não devemos subestimar a influência da lua sobre
nossas vidas. As marés regulares também ajudam a nos dar
outro tipo de ritmo, que talvez
você pense que exista desde o início.
A colisão que acabou formando a lua fez a Terra girar.
Naquele momento, um dia durava apenas cinco horas.
Foi o empuxo das marés que acabaram desacelerando a Terra
até o dia se transformar em 24 horas, como é agora.
O dia de 24 horas:
Acordar, tomar café, trabalhar oito horas. Fazer o jantar.
Um dia após o outro.
Esses ciclos estão gravados em nosso DNA.
O violento choque que nos deu a nossa lua, nossas marés
e nosso dia de 24 horas também
nos deu mais uma coisa: verão na Filadélfia.
Quando penso na estação espacial, eu penso em
uma bela obra de arte no espaço,
parada lá.
O maior desafio da engenharia foi: "Como fazer uma espaçonave
o mais parecida possível com a Terra?"
Quando saí do ônibus especial e entrei na estação pela
primeira vez, eu me lembro que pensei:
"não é o lugar mais arrumado que eu já vi."
Havia fios, cabos, computadores
e equipamentos pendurados pelas paredes.
A maneira como nós vivíamos lá era basicamente imitando
o que ocorre naturalmente em nosso planeta.
Temos que gerar oxigênio para respirar.
Temos que gerar eletricidade para alimentar todos
os nossos sistemas. Temos que descobrir uma maneira
de limpar o ar para podermos continuar respirando.
Como somos seres humanos e só podemos viver confortavelmente
dentro de uma determinada faixa de temperatura...
toda a estação espacial, todos os sistemas trabalham
¡ncansavelmente para manter esse ambiente para nós.
E então você olha para a Terra e percebe que é isso que
a natureza está fazendo, só que numa escala extraordinária.
E isso graças àquela colisão cósmica que deu
origem à nossa lua.
Aquela colisão entre a Terra e Theia foi tão violenta que
literalmente tirou a Terra do eixo.
Muito bem!
Então vamos fazer de conta que isto é o nosso sol e esta
é a nossa Terra, e que nossa Terra é inclinada,
devido àquela colisão, em 23 graus e meio.
Durante seis meses do ano o hemisfério norte está
virado para o sol, e durante os outros seis meses,
o hemisfério sul está virado para o sol.
A mudança da energia do sol do norte para o sul no decorrer
do ano está constantemente tentando mover as
regiões quentes para as regiões frias,
e as regiões frias para as quentes.
Essa inclinação da Terra resulta em nossas estações do ano.
As estações mudam constantemente o formato e o contorno da Terra.
O mundo está constantemente se ajustando.
Do ponto de vista do espaço, você pode ver o planeta mutante
através das estações,
de montanhas com picos nevados até planícies de desertos.
Eu só fui pensar nisso bem recentemente.
Eu estou vendo todas as estações de uma só vez. Então estou vendo
o inverno no hemisfério norte e é verão no hemisfério sul.
Se não houvesse inclinação,
quase metade do planeta poderia ficar congelado o ano inteiro.
Nicole estaria bem na Flórida, mais perto do Equador,
mas na minha infância na Filadélfia,
haveria uma geleira no meu quintal.
Devido à nossa inclinação, existem poucos lugares neste
planeta onde a vida não consegue prosperar.
A vida em nosso planeta se sincronizou com nossas estações.
Gerando seus filhotes na primavera
e preparando-os para o inverno.
Há quatro bilhões e meio de anos nós começamos com uma colisão
que criou uma inclinação que gerou nossas estações,
que nos deram os ritmos de nossa existência.
Mas, além disso, ela nos deu
a diversidade de vida que vemos ao nosso redor.
Por volta das seis e cinco, os primeiros morcegos
começarão a sair.
Parece que alguém deu um sinal.
Rapidamente, surgem centenas deles.
Quando você se dá conta, há milhões deles no céu.
É a maior migração de mamíferos do planeta.
Eles saem voando em todas as direções, cobrindo
uma área de quase 26 mil Km².
É difícil de imaginar, mas na maior parte do ano,
nenhum destes morcegos vive aqui.
Todos os dez milhões chegam de todas as partes da África
perseguindo a chuva, para se fartar com as frutas maduras.
Todas as noites eles consomem
aproximadamente metade de seu peso corporal em frutas.
Considerando que são cerca de dez milhões, eles consomem
mil toneladas de frutas todas as noites.
Eles comem uma fruta e também digerem as sementes.
Depois disso, eles percorrerão uma boa distância,
que pode ser de 50 ou de 100 Km.
Quando isso acontecer,
as sementes já terão passado pelo sistema digestivo...
E irão parar em algum lugar no solo da floresta.
Estamos falando de literalmente bilhões de sementes
voando por todo o continente.
Estes morcegos são basicamente
um sistema aéreo de entrega de florestas.
A inclinação da Terra significa que o frio muda para quente
e o quente para frio. Significa que o inverno é substituído
pela primavera da mesma forma que o verão é pelo outono.
Significa que os morcegos
sobrevoam um continente semeando florestas pelo caminho.
O mundo está interligado de mil maneiras, e tudo por causa
de uma única e imensa colisão. Então, o perigo está no passado
ou esta é a calmaria antes de outra tempestade?
Este planeta só está aqui porque nós suportamos os golpes
necessários para construir o nosso mundo.
Até agora tem sido uma tempestade perfeita,
que formou nosso lar perfeito,
um lar que parece estável, seguro, confiável. Mas não é.
Imagine que você está em um barco.
No meio do oceano.
No meio de uma tempestade.
Uma tempestade forte.
Ela é muito real para você.
Ela pode ser até um pouco assustadora.
Mas se você tivesse a chance de chegar bem perto
de uma destas pequenas gotículas...
veria que dentro dela existem minúsculos micro-organismos
que sequer estão notando a tempestade que os cerca.
Se olharmos para nosso planeta, se olharmos para onde vivemos,
este planeta que está solto no espaço...
de certa forma nós passamos a vida sem reparar em toda
a atividade que acontece ao nosso redor,
no espaço, no sistema solar, no universo.
Esta tempestade cósmica que realmente tem uma
natureza violenta, é a responsável por estamos aqui.
A responsável por podermos viver
tão confortavelmente neste planeta.
Antes de voar no espaço eu me esforcei muito para aprender
com as pessoas que haviam voado antes de mim, para ter uma ideia
do que a experiência significou para elas.
Estes astronautas tinham visto a Terra inteira do espaço.
Embora eles a descrevessem como um lugar incrivelmente lindo,
alguns também disseram que
tiveram uma sensação de insignificância.
Desde a primeira vez que olhei pela janela, eu senti
que aquilo era significativo.
O significado disso para mim é como algo tão incrivelmente
bonito podia ser resultado de caos, violência e colisões.
É incrível pensar nessa linha fina, nesse equilíbrio entre
estar aqui sobrevivendo, prosperando, e não estar.
A tempestade não tem sido nossa inimiga.
Nós não estamos aqui apesar dela.
Nós estamos aqui graças a ela.
Quando a tempestade passar,
teremos qualquer coisa, menos céu azul e arco-íris.
No próximo episódio.
Lá vem o sol.
Ele é o combustível da vida.
Mas ele não é nosso amigo.
O sol é um assassino de planetas.
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