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ATÉ AO LIMITE DO TERROR
PRODUÇÃO
- Chama a isto pneus? - Foi o que disse o vendedor...
...mas isso já foi há muito tempo.
ARGUMENTO
Tem razão, precisa de pneus.
REALIZAÇÃO
Pneus e não só.
Normalmente não me deixa ficar mal.
- "Normalmente"? - Isto é, nunca me deixou ficar mal.
Então porque o quer vender?
Se fosse um Mercedes não o vendia, mas como não é, estou a vendê-Io.
É um bom carro. Liga, anda e pára.
E o preço é justo. O que me diz?
Quer a verdade? Não o queria nem que mo oferecesse.
Quer dizer que não está interessado?
Diz-me que ele vai ficar com o carro.
Acho que sim, está só a fazer-se difícil.
Não é propriamente um carro de sonho...
Dá-me um copo disso também.
O pai ficou com o Porsche novo e nós com aquela porcaria. Não é justo.
Já percebi, chega de conversa. Vamos conseguir vendê-Io.
- Os teus trabalhos de casa? - Pausa para a vitamina C.
- Obrigada. - De nada.
- Tenho 13 anos, certo? - Esta conversa não me vai agradar...
Sou o único dos meus amigos que tem uma babysitter.
Também és o único cuja mãe divorciada tem de trabalhar à noite.
Não te quero sozinho em casa àquela hora da noite.
Agora que o pai se foi embora, já não confias em mim?
Eu confio em ti, querido, só não confio nas outras pessoas.
As coisas já não são como quando eu era pequena.
- Pensava que gostavas da Sra. Lacy. - Sim, mas a questão não é essa.
- Falámos sobre isto o mês passado. - Mãe...
Já sei trancar as portas, usar o microondas e telefonar para o 112.
- Queres que fique preocupada? - Porreiro!
Se estiver preocupada, não trabalho e se não trabalhar,
só serei promovida quando tiveres idade para votar.
Se queres ter uma babysitter até aos 21 anos, continua a falar assim.
- Que porra. - O quê?
A idade é um estado de espírito.
O Larry Mizer tem apenas 13 anos e já engravidou uma miúda.
Queres mesmo ir por aí?
Foi um mau exemplo.
Chegou a tua guarda prisional.
Olá, Sra. Lacy.
Morreu alguém?
A minha criança interior. A minha mãe já não confia em mim.
Confio, sim. E adoro-te.
Vai dar tudo ao mesmo.
Ele tem trabalhos de casa, não o deixe dar-lhe a volta.
O jantar está no frigorífico. Chego a casa por volta das 02H30.
- Como consegue trabalhar assim? - Que remédio. Não é assim? Eric?
Bom trabalho.
Também te adoro.
- Se faz favor, menina? - Vou chamar a empregada.
Mesa 18, Christine.
- É preciso preparar a mesa quatro. - Certo.
- Olá! - Olá.
Descontrai-te, também podes respirar. Parece que a tua vida depende disto.
E depende. A minha vida, a do Eric e a minha conta bancária.
Eu sei, mas os clientes não gostam de te ver assim,
estão aqui para se divertirem e és tu que tens de os divertir.
- O que é isto? - Um tipo deixou 20 dólares, para ti.
Era uma mistura de Tom Hanks, António Banderas e não tinha aliança.
Um assassino sensível.
Não estou interessada, obrigada.
Mesa para dois?
Boa noite.
- Precisas de mais alguma coisa? - Cuidado com esse tipo de perguntas.
Não, está tudo tratado. Até amanhã.
Depois de amanhã. Amanhã é a Eileen.
Boa noite!
Já sabes alguma coisa sobre a posição de gerente diurno?
- O Carmichael disse-te alguma coisa? - Não, não sei de nada.
Se fores trabalhar de dia, deixo de te ver.
Acho que vais conseguir aguentar.
Boa noite.
Meu Deus!
Meu Deus...
Deus queira que esteja tudo bem... Não o vi.
Está tudo bem?
Peço desculpa! Não o vi!
Só queria certificar-me de que está tudo bem...
Peço desculpa, não o vi. Queria certificar-me...
Peço desculpa.
Você é doido, ou quê?!
O que está ele a fazer?
Isto é um sinal de stop, não é um sinal vermelho!
- O que fazes acordado? - Vieste tarde.
- São três da manhã. - Acordei e apeteceu-me comer algo.
E achei melhor tomar conta da Sra. Lacy.
Certo. Para a cama.
- A Sra. Lacy vai estar fora um mês. - Estás a brincar comigo?
- Não. - Não? Porreiro...
- Estás com uma cara esquisita. - A viagem de regresso foi terrível.
- Vamos embora. Para a cama. - Boa noite, mãe.
- Boa noite. Adoro-te. - Eu também.
Marylin?
Estou?
Estou?
Estou?
Está alguém em linha?
- Isso é um pequeno-almoço? - Queixa-te à polícia nutricional.
Que atitude é essa?
Foi uma piada. Perdeste o sentido de humor?
O Gary vem ter comigo, para irmos juntos para a escola.
Sim, tudo bem. Vai buscar os livros, está na hora.
- O pai vem mesmo cá jantar hoje? - Penso que sim.
Temos de tratar de uns assuntos financeiros.
- Importas-te que ele venha cá? - Quero lá saber.
- Não acredito nisso. - Como queiras.
Estou a ficar como a minha mãe.
Estou?
Estou?
Estou?
- Olá, Gary. - Olá. Olá, Sra. Sanders.
- Pediste-lhe? - Não, ainda não.
Mãe, o Gary quer saber se posso dormir em casa dele amanhã.
Vamos ao mini golfe e vamos comer hambúrgueres.
VENDE-SE
Sra. Sanders?
- Vou pensar nisso. - Isso quer dizer que posso ir?
- Quer dizer que vou pensar. - Como queiras.
Arranca o anúncio do vidro, está bem?
- Mas como é que... - Arranca-o. Não gosto disso assim.
Não é como se te tivesse pedido para fazer parte de um gang.
Não costumam pedir autorização para essas coisas.
- Só quer dormir em casa do amigo. - Sou mãe dele, eu é que decido isso.
- Estava apenas a... - Estava a fazer o que faz sempre,
mas hoje estou com pouca paciência. A conta, se faz favor. Obrigada.
Não gosto nada de te ver assim. Aquilo que se passou ontem...
Aquilo de ontem parecia um livro do Stephen King. Nem imagina.
Não, mas conheço-te. Sempre foste assim.
- Assim, como? - Mesmo em miúda nunca te zangavas.
Choravas, mas nunca te zangavas.
Mas reagia.
Não reagias nada. Fazias comentários sarcásticos e fugias.
Já sei porque não almoçamos com mais frequência.
- Estás a ver? - Obrigada.
Precisas de tempo para ti.
Eu fico com o Eric uma noite, há semanas que não o mimo.
Podias ir ao cinema, à cabeleireira. Pensa nisso, está bem?
- Obrigada pelo almoço. - Porta-te bem.
- Eu ajudo-te! - O que fazes em casa?
Hoje saí mais cedo. O Gary deu-me boleia para casa.
- O que é o jantar? - Costeletas de porco.
- Costeletas de porco? - Costeletas de porco.
O prato favorito do pai.
Porque te esforças tanto? Ele nunca repara.
- Não comeces. Estavam em promoção. - Como queiras.
- Hoje estiveste com a avó? - Sim!
Assim perdes o apetite.
Ligaram por causa do carro. Parecia mesmo interessado.
Óptimo!
Talvez possamos dar uma entrada para um carro que ande.
Dei-lhe a morada. Ele passa por cá logo.
- Deste-lhe o quê? - Disseste-me para dar a morada.
- Deixou o nome? - Não, mas o contacto dele está ali.
Lamentamos, mas o número não está atribuído.
É favor confirmar e voltar a tentar. Isto é uma gravação. Lamentamos...
Ele não atende?
- Não está em casa. - Não faz mal, ele passa por cá logo.
- Não voltes a dar a morada. - O que é que eu fiz?
Faz o que te digo.
- E vamos deixar o carro apodrecer? - Confia em mim, está bem?
Vai para casa do Gary, está bem? Tenho de tratar de algo e já volto.
Está bem.
Se faz favor... Quero falar com o responsável.
Neste momento, sou eu. Em que posso ajudá-la, minha senhora?
Quero apresentar uma queixa. Ontem à noite, na auto-estrada,
um homem seguiu-me desde Filadélfia e tentou despistar-me.
Isso é com a Brigada de Trânsito. A senhora?
Ele fez alguma coisa ao carro?
- Não. - Seguiu-a sem motivo aparente?
- Atravessei-me à frente dele e... - Pois...
- Isso justifica tentar matar-me? - Acha que a queria matar?
Tenho recebido chamadas anónimas e tenho a certeza que é o mesmo tipo.
- Como conseguiu ele o seu contacto? - Tenho um anúncio de venda no carro.
Viu a matrícula do carro?
Estava escuro e estava cheia de medo. Mas...
...era um SUV grande e escuro. - Qual era o modelo?
Não reparei.
Consegue descrever o homem?
- Os vidros eram fumados. Não o vi. - Mas sabe que era um homem?
- Sinto que era um homem. - Sente que era um homem...
Faz ideia de quantos SUV grandes e escuros existem por aí?
- Quer dizer que não me podem ajudar? - Sem dados, o que podemos fazer?
Faço aquele percurso todas as noites. E se o vir outra vez?
As probabilidades são muito poucas.
Nem imagina como me sinto melhor. Obrigada!
A mãe disse-me que vais fazer parte da equipa de natação.
O treinador acha que pode competir no estilo livre.
Estou impressionado. É assim mesmo!
- Posso fazer os trabalhos de casa? - Nunca esperei ouvir isso.
Posso ajudar-te nalguma coisa? Qual é a disciplina?
- É um texto para Inglês. - 500 palavras sobre um poema
de um tipo que já morreu, mas é melhor do que isto!
Eric...
Ele às vezes fica assim. É melhor não ligar...
O que lhe dizes na minha ausência? Estás a virá-Io contra mim?
Acho que quem fez isso foste tu.
Ele já não sabe como se comportar contigo. E nem eu.
- Eu ajudo-te. - Deixa-te disso, está bem?
- Costumavas dizer que não te ajudava. - Costumávamos ser casados.
É melhor limitarmo-nos a falar do que temos para discutir.
Não foi apenas um convite para jantar? Para passar tempo com o meu filho?
- Não te posso dar mais dinheiro. - E eu odeio ter de te pedir.
Estou a aceitar todos os clientes que posso, mas o ordenado não estica.
Se fizer mais horas extraordinárias, passo a dormir no escritório.
Eu também trabalho, Keith. Caso não tenhas reparado,
há muito que pago as minhas despesas. - E eu disse o contrário?
O Eric está a crescer e precisa de comprar roupa,
é preciso pagar coisas na escola,
é preciso dinheiro para o lanche, para as actividades...
Em breve tenho de tratar do telhado, o carro está nas úItimas...
O que raio queres que faça?!
Se não tivesses gasto tanto a tentar impressionar aquela mulher...
Não comeces.
- Um carro desportivo, Keith?! - Não comeces com isso!
Eu trabalhava cinco dias por semana para nos podermos aguentar
e tu gastavas dinheiro com mulheres. Sabes o que isso me custou?
- Até quando tenho de pedir desculpa? - Até eu acreditar em ti.
- Ainda sustentas essa mulher? - Não vim aqui para discutir contigo.
Se assumisses as responsabilidades, não seria preciso discutirmos!
É impossível falar contigo assim.
Obrigado pelo jantar!
Estou?
Ouça bem: Ligou para uma mulher com pouca paciência para isto.
Não passa de um cobarde impotente que se esconde ao telefone
e se for o mesmo da auto-estrada, vá morrer longe!
Vai arrepender-se do que disse, Joanne.
- Está tudo bem entre nós, Eric? - O que queres dizer com isso?
- Éramos tão próximos, mas agora... - Temos mesmo de falar nisto?
- A culpa é minha? É da escola? - Sabes bem o que é.
O pai ignora-nos e depois fala comigo como se fossemos muito próximos.
- Não preciso disso para nada. - Precisas, sim.
Eu sei que é difícil, mas temos de tentar ultrapassar isto.
Disse que tinha bilhetes para o jogo dos Phillies contra os Cubs.
Tenho de ir com ele?
Sei que estás magoado, mas ele está a tentar compensar-te.
Tu adoras os Cubs!
- Quando é o jogo? - Deve vir no jornal.
Se não o trouxeste para dentro, ainda está à porta de casa.
- Vê se o anúncio do carro está lá. - Está bem.
Onde estava isto?
Estavam lá fora. Deve ser para te pedir desculpa.
Quem diria...
Os Cubs vão jogar fora, a não ser que me queira levar a Chicago.
P. A. S. A.
Mãe?
Sim. Talvez.
Já decidiste se posso ir dormir a casa do Gary?
Despacha-te, está na hora de ires para a escola!
P. A. S. A. Conheces alguém com estas iniciais?
- Significa "Paz À Sua Alma", Carol. - Eu sei, eu sei...
Ontem à noite gritei-lhe ao telefone. Ele anda por perto. Falou comigo.
Telefonaste à polícia?
Sim, acham que sou uma histérica que tem de aprender a conduzir.
E talvez seja, nem sequer sei discutir com o meu ex-marido.
Boa tarde! Atendo-a já...
Esquece o teu ex-marido. E se o outro anormal voltar a ligar, desliga.
Diz "que se lixe" e segue em frente.
Tens razão, era exactamente isso que precisava de ouvir.
Que se lixe!
- É assim mesmo! - Ligo-te depois.
Agora bebes em serviço?
Tenho de me livrar desta constipação. Há anos que não estou doente.
- Isto hoje está cheio de gente. - Não está mal.
Você parece dar conta do recado. Com nota máxima.
Não é um concurso, mas faço por isso.
Chamo-me Rick Hargate. Posso oferecer-lhe uma bebida?
Não, obrigada, estou a trabalhar. Lamento.
Eu também lamento.
- Belo quarteto. Gosta de jazz? - É uma das vantagens deste trabalho.
- Boa noite. Prazer em conhecê-Io. - Igualmente.
Reserva para as 20H30, na sexta-feira. Obrigada. Adeus.
Estás com um aspecto terrível.
Obrigado, é bom ouvir isso. Podes fechar o restaurante?
Vais-te embora?
Sim, tenho de ir já para a cama. Vais ter de fechar o restaurante.
Está bem, não há problema. Trata de ti.
És um anjo.
Restaurante "Santana".
Peço desculpa, enganei-me no número.
Raios!
- Estou? - Keith?
Joanne!
Sou eu! Deixa-me entrar!
Desculpa.
- Disseste vinte minutos. - A esta hora não há trânsito.
- Certo... - Estás bem?
Sinto-me um pouco ridícula.
- Onde está o carro? - Nas traseiras.
Estava furado.
Estava furado!
Não ia inventar uma coisa destas para vires até aqui!
E se o fizesse, não remendava o pneu antes de chegares!
- Esta manhã mandaste-me rosas? - Alguém te anda a mandar rosas?
Não é o que parece...
Tive um problema a caminho de casa, uma destas noites.
Atravessei-me à frente de um tipo e ele perseguiu-me na auto-estrada.
Desde aí, recebi chamadas anónimas e uma dúzia de rosas
com um cartão a dizer que são para a minha sepultura.
Percebo porque pensaste que fui eu.
Pensei que fosse uma piada. "Enterrar o machado", ou algo assim...
Esse tipo de sentido de humor não é o meu estilo.
Sei que as coisas têm sido difíceis
e que tens andado com a cabeça cheia, mas isto não deve ser nada.
Algum miúdo sem nada para fazer. Não ligues.
Como é que consegues fazer isso?
Colocas as coisas sempre em perspectiva.
Foi isso que me fez amar-te.
Pensava que tinham sido os meus dotes futebolísticos.
- Estavas sempre no banco! - Estavam a guardar-me para o melhor.
O Eric não o quer admitir,
mas acho que ele está à espera que nós reatemos a nossa relação.
Não sei o que lhe dizer.
Diz-lhe que a mãe dele tinha motivos para pôr o pai na rua
e que foi melhor assim.
Helen? Daqui fala a Joanne.
Desculpe ligar tão tarde, queria confirmar que o Eric está aí.
Graças a Deus...
- A que horas chegou a casa? - Cerca das três. Três e um quarto.
- E a casa estava neste estado? - Sim.
Mexeu nalguma coisa?
Acho que sim, nalgumas coisas...
Devem ser drogados à procura de dinheiro.
- Drogados? - Sim.
- Tem um filho, não é verdade? - Sim, está em casa de um amigo.
O meu filho não consome drogas, se é isso que está a insinuar.
Nem conhece ninguém que consuma.
- Nunca se sabe... - Eu conheço o meu filho, ele...
Isto não tem nada a ver com drogados à procura de dinheiro.
Acha que quem a perseguiu na auto-estrada é responsável?
Pelo assalto, pelas chamadas, pelas flores...
Sim, há grandes probabilidades de ser a mesma pessoa.
Não podem fazer nada? Até tenho medo de atender o telefone!
- Não tem identificação de chamadas? - Não.
Sei que isso faz de mim antiquada, mas todo o dinheiro é pouco.
Com licença.
- Sra. Sanders... - Já sei, não podem fazer nada.
Só temos um SUV escuro e um cartão não se sabe de quem.
A maioria dos assaltos...
Não quero saber dos outros assaltos, quero saber deste!
- Está bem. Acho que está com azar. - Com azar?!
Sim. Sugiro que mude de número, que compre um cão, ou um alarme...
- Não acredito nisto... - As coisas funcionam assim.
Se quiser, podemos vigiar a casa durante uns dias.
Quero, sim.
Não posso fazer mais nada.
Vamos dar uma olhadela lá fora, ver se há alguma pista.
Depois de arrumar a casa, diga-nos se desapareceu alguma coisa.
E é melhor tratar da porta da frente.
Tem onde ficar esta noite, Sra. Sanders?
Tenho, sim.
Óptimo. Vá para lá e trate disto amanhã, está bem?
Aqui tem o meu cartão. Se precisar de mim, ligue-me.
- Obrigada. - De nada. Boa noite.
Vamos embora.
Continuo exactamente na mesma,
uma mulher adulta a correr para junto da mãe.
A minha porta está sempre aberta. É pena o Keith já não estar em casa.
Como podes dizer isso, mãe? Ele tinha uma amante.
Não há desculpa nenhuma para o que ele fez,
mas não te abandonou.
Podias ter resolvido as coisas e pensado mais no Eric.
- Porque terminaste tudo? - Porque precisava demasiado dele.
E...
...porque tive medo que me deixasse por causa dela.
Tal como o teu pai e eu. Fazemos um belo par, não achas?
Bom, vou tentar dormir qualquer coisa.
Não tem pena de não ter resolvido as coisas com o pai?
Minha querida...
A vida é tão curta.
Quando finalmente consegui perdoar-lhe, já era tarde demais.
Mas tu ainda estás a tempo.
Boa noite.
- Estou? - Olá. Sou eu outra vez.
Chegaste bem a casa?
A minha noite tem sido interessante,
mas podemos falar noutra altura, eu...
Queria agradecer-te o que fizeste.
Ligas-me às 04H30 para me agradecer?
Sei que sou muito mandona. E uma mãe galinha.
Mas sempre quis o teu bem.
Quando o teu pai saiu de casa, agarrei-me a ti
para não acabar uma velha sozinha, com uma casa cheia de gatos.
A mãe é mais forte do que isso.
E tu também. Estás cada vez mais forte.
- Acha mesmo? - Alguma vez me enganei?
Obrigada. Adeus.
Olá.
Como está ela?
Continua inconsciente, mas o médico diz que vai ficar boa.
- Estás bem? Dormiste alguma coisa? - Nem por isso. Não consigo dormir.
Também pareces cansado. Queres ir comer um hambúrguer?
Não tenho fome.
Posso ajudar nalguma coisa?
E o tipo da auto-estrada?
Acho que se foi embora.
- Mãe? - Não é nada, querido.
- Queres ir comer o tal hambúrguer? - A mãe precisou de ti! Onde estavas?
- Estava fora. Não pude vir, filho. - Não me chames isso.
Não quero discutir contigo, Eric. Vim assim que pude.
Nunca estás presente. Foste embora e não quiseste saber mais de nós.
- Não foi nada disso. - Foi, sim. Achas que não sei?!
A vida dos adultos é complicada, não estou à espera que compreendas.
Não esperas muito de mim, pois não? Não queres saber de mim, nem da mãe!
Senta-te aqui, Eric.
Apesar do que aconteceu, amo a tua mãe e amo-te a ti.
- Não fui um pai perfeito... - Finalmente estamos de acordo!
- A tua mãe vai ficar bem, mas tu... - Eu estou bem.
Então prova-mo.
Eis o programa das festas: Compras. Não me digas que esqueceste o básico?
"Mima-te a ti própria".
Essa cor não...
Estas, sim!
- Essas ficam-te bem. - E combinam!
E isto aqui?
- Talvez... - É giro!
- Isto sim, é lindíssimo. - Meu Deus!
- E isto? - É bonito...
- São bonitos. - Sim.
- Adoro esses. - São para ti.
- Vou levar estes. - Óptimo!
Devias comprar isto.
Aquela lingerie era a tua cara.
Vamos com calma. Há anos que não gasto dinheiro
em algo mais entusiasmante do que pacotes de cereais.
O que foi?
- O que se passa? - Quero ir-me embora.
Espera, espera... Disseste que os telefonemas pararam.
O tipo já desapareceu da tua vida.
A tua mãe vai ficar boa. Volta para casa para a semana, certo?
- É difícil explicar. Vamos embora. - Joanne...
Tenho de ir à lavandaria e passar pelo hospital. Vens comigo?
Não te esqueças do teu saco. Queres ajuda com isso?
Não, obrigada...
Odeio isto, Carol. Se alguém olha para mim, penso logo que é ele.
Tiveste um mês terrível. Eu também reagiria assim.
Há bebidas no frigorífico. Tira uma para mim, está bem?
É para já!
O "sangue" era tinta vermelha e as impressões digitais eram as suas.
Temos de voltar à loja, talvez alguém se recorde de alguma coisa.
- Talvez tenham câmaras... - Tudo é possível.
- Mais nada? - Não, ainda há mais.
Recebemos o relatório da explosão do carro.
- Demorou algum tempo, mas... - O que foi?
É possível que tenham armadilhado o depósito.
Quer dizer que não foi um acidente e que a minha família corre perigo?
- O que hei-de fazer? - Deixe isso por nossa conta.
O que se passa? Pensava que ia para casa com o Gary.
- Houve uma mudança de planos. - Está bem.
- Para que são as malas? - Vamos passar o fim-de-semana fora.
Onde?
- Depois vês. - Está bem.
Não é preciso ser muito inteligente para perceber que algo se passa, mãe.
- O que se passa? - Nada.
Passa-se muita coisa...
A tua avó, a confusão em que me meti, não falares com o teu pai...
Não tens culpa disso, quem se foi embora foi ele.
- E também não preciso dele. - Claro que precisas! É teu pai!
E ele? Não precisa de mim?
Precisa, sim. Só não sabe como falar contigo.
Não posso fazer tudo sozinha, Eric! Se queres odiar o teu pai, é contigo,
mas se o queres perto de ti, tens de lhe dizer...
Sim? E tu também!
Sempre fomos honestos um com o outro, mãe.
Acho que mereço saber o que se passa.
Anda alguém atrás de mim.
Não sei quem é, nem porquê,
mas a polícia acha melhor sairmos de casa por uns tempos.
O tipo de que falaram no hospital?
- Sim. - O pai sabe que saímos de casa?
Só disse à Carol. Ela vai passar por cá,
para ver se precisas de alguma coisa. Tens de me ajudar, está bem?
Sra. Sanders?
Está tudo bem? Já verifiquei o quarto. Venham comigo.
- Posso convidar alguns amigos? - Ninguém pode saber onde estão.
- Nem sequer o Gary? - Ninguém, querido. Está bem?
- Só tu e a tua mãe. - Sim.
- É importante. - Está bem.
Entrem.
Porreiro!
Aqui podem ficar descansados.
- Encontre o tipo, está bem? - Pode contar com isso, Sra. Sanders.
Estamos a vigiar a sua casa. À mínima coisa, apanhamo-Io.
Tem o contacto, caso seja preciso?
- Detective Bruder... - Sim?
- Obrigada. - De nada.
- Adeus, Eric! - Adeus, detective!
Têm pay-per-view! Porreiro!
Achas que posso mandar vir um filme, enquanto trabalhas?
Claro que sim. Manda vir dois.
- E que tal uma pizza para o jantar? - Nunca me deixas comer pizza!
- Mas hoje podes comer à vontade. - Porreiro!
Eric...
Promete-me que não atendes o telefone
e não abres a porta a ninguém a não ser eu.
Na boa.
- Ou o tipo da pizzas. - Sim, ou o tipo da pizzas.
Importa-se de segurar na flor? Obrigada.
"Vaso de Flores".
Boa tarde! Onde posso encontrar a Joanne Sanders?
Vai ter de perguntar ao Detective Bruder.
Sou o colega dele. Lembra-se de mim, na esquadra?
Não me diga que é aquele moreno com as covinhas à George Clooney?
E eu a pensar que não tinha reparado em mim.
Reparei, sim.
Sou o Sargento Cable e o meu número é o 32808.
Pode ligar para a esquadra, para ficar mais descansada.
Não é preciso, eu lembro-me de si. Em que posso ajudá-Io?
Tenho informações sobre o caso, mas o Detective Bruder
está em tribunal e não consigo falar com ele.
A Sra. Sanders disse que sabia como contactá-la, em caso de emergência.
Ficava-lhe muito agradecido...
Se isso ajudar a apanhar o sacana, porque não?
Vá ao "Santana", em Filadélfia. Ela regressa esta noite.
- Óptimo. - O número é: 5557881.
- Muito obrigado. - De nada. Adeusinho!
Que grande coincidência, ela regressou esta noite.
Isto tem estado assim na minha ausência?
Agora já sei a falta que fazes. Quero apresentar-te uma pessoa.
Já nos conhecemos, mas não fomos apresentados.
- Joanne, não é? - Já se conhecem?
Não, apenas ficámos a saber que ambos gostamos de jazz.
- Foi o jazz que o trouxe de volta? - E não só.
É sempre bom ter clientes habituais. Foi um prazer vê-Io de novo.
Não me pareceu muito sincera.
Boa noite. Obrigada.
Restaurante "Santana", em que posso ajudá-Io?
- Estou? - Olá, Joanne.
Já devia saber que não se vai livrar de mim.
Esses brincos ficam-lhe muito bem, realçam os seus olhos.
- Porque me está a fazer isto? - Porque posso.
Detective Bruder, por favor. É uma emergência.
Não quero cogumelos, nem pimentos, nem cebola. Só salsicha e queijo.
Salada? Deve estar a brincar. Estou de férias!
30 minutos? O que me dão se demorarem mais tempo?
Uma pizza fria. Certo...
Ele está aqui, Sra. Sanders?
Está ali no bar, à esquerda. De casaco desportivo escuro.
- Já o vi. Tem a certeza? - Sim.
Fique aqui, nós tratamos de tudo. Venham comigo.
Bastante ocupado, sim. Estou ansioso por regressar a casa...
- Tudo bem? - Sim. E consigo?
E pronto... Mas o que é isto?!
Sou o Detective Bruder. A sua identificação, por favor.
- O que se passa, detective? - Este já bebeu o que tinha a beber.
Já tenho idade para beber, Sr. Agente.
Não sou agente, sou detective. A sua identificação, por favor.
Importa-se de vir comigo lá fora, Sr. Hargate? Não demora nada.
- Quem é? - "Rapid Pizza".
Até que enfim! Bolas!
- És o Eric Sanders? - Sim, sou o esfomeado Eric Sanders.
Quanto é?
- São 12 dólares e 50. - Certo. Ora vejamos...
...um, dois, sete, 12...
Só podia ser ele. Só podia ser ele!
Era um turista. Não estava cá naquela noite
e o carro dele não tem nada a ver com a sua descrição.
Confirmámos a identidade dele, não é quem procuramos.
Estava tão certa...
Isto pode levar algum tempo, mas prometo-lhe que vamos apanhá-Io.
- Consegue voltar sozinha? - Sim.
- Quem será?! - Não sei.
Volto já.
Desculpa, sei que é tarde...
Pior ainda: É cedo.
- Isto vai continuar a acontecer? - Posso entrar?
Escuta...
...isto não pode ficar para mais tarde?
Não, preciso de falar contigo.
Agora não é boa altura, Joanne!
Tomei uma decisão.
Não quero ser como a minha mãe.
Não quero arrepender-me do que ficou por dizer
e daquilo que não tentei mudar. Recuso-me a tal!
Talvez seja da hora, mas não estás a fazer muito sentido.
Keith?
Cindy, esta é a Joanne. Joanne, esta é a Cindy.
Será possível criar uma situação mais embaraçosa do que esta?
Vim saber o que se passava...
É apenas uma ex-mulher a fazer figura de parva.
- Quer tomar alguma coisa? - Não. Obrigada.
Peço desculpa. Vou voltar para a cama.
Tens o direito de te sentir zangada.
- Não me digas isso, Keith. - Deixa-te disso, Joanne!
Queres saber o que vim aqui fazer? Vim dizer-te que não preciso de ti.
Não preciso que sejas o meu herói, safo-me bem sozinha.
Talvez não tão bem como quando estávamos juntos.
Ainda não. Mas para lá caminho.
Não me podes fazer sentir culpado. Estamos divorciados.
Pois estamos. Foi a melhor coisa que ouvi a semana inteira.
- Eu ligo-te amanhã! - É melhor não.
Eric?
Então, querido? Sentes-te bem?
Onde está o meu filho?
Já sabia que era eu? Que pena, queria surpreendê-la.
- Onde está o meu filho?! - Pegue no telefone e vá à janela.
Chegou a vender o seu carro?
Estava a ver que nunca mais chegava, mas você é uma boa mãe, não é?
Deve sair à sua própria mãe.
O que sabe da minha mãe?
Sou o mecânico dela.
Meu Deus!
Faço tudo o que quiser. Não faça mal ao meu filho, por favor.
Ele está seguro, Joanne. Está comigo.
O que quer de mim?! Faço tudo o que quiser.
Eu sei.
E é uma sensação fantástica.
Diga-me o que quer que eu faça!
Quando eu terminar de falar, desligue o telefone
e pouse-o no chão, onde eu possa vê-lo. No tapete.
Depois venha cá para fora, meta-se no seu carro,
atire o telemóvel para os arbustos e venha atrás de mim.
- E o meu filho? - O seu filho?
- Se fizer o que digo, ele fica bem. - Não lhe faça mal, por favor.
Só há uma maneira de garantir isso, Joanne. Venha atrás de mim.
Vou estar sempre a vigiá-la.
Pouse o telefone no chão...
Já.
Vamos, Joanne. Vamos...
E agora?
Saia do carro!
Eu disse para sair do carro!
Onde está o meu filho? Quero ver o meu filho!
Ele está bem.
Mãe!
- Eric! - Por enquanto.
- O que quer? - Tire a chave da ignição.
Não me faça repetir! Tire a chave da ignição!
Largue-as!
Porque está a fazer isto?
Aqui quem manda sou eu. Eu é que faço as perguntas, entende?!
- O que quer que eu faça? - Quero que me peça desculpa.
- Desculpe. - Tem de fazer melhor do que isso.
Peço desculpa... peço imensa desculpa.
Não sei porquê, mas não estou a acreditar, Joanne.
Implore! Quero vê-la implorar!
Por favor... por favor, por favor, não faça mal ao meu filho.
Eu sei que está zangado, sei que está zangado com o mundo,
se há alguém que compreende o que é amar uma pessoa...
- Quero lá saber! - Mãe!
Mãe!
Agora quem manda sou eu!
- Não vai disparar, eu conheço-a bem. - Não se aproxime!
Mate-me, senão mato-a eu. Seja como for, isto acaba aqui.
Meu Deus! Meu Deus!
- Está tudo bem, querido. - Pensava que ia morrer!
- Estava com tanto medo. - Eu sei, querido. Já acabou.
- Tive tanto medo... - Está tudo bem.
Ele já não nos faz mal, está bem? Já acabou.
Adoro-te, mãe.
- Mãe! - Isto ainda não acabou, Joanne!
Não saias do carro!
Porque está a fazer isto?!
Porque se atravessou à minha frente!
Legendagem CCBS Multimédia
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